sábado, 11 de novembro de 2006

A mentira é uma arma

Durão Barroso, que viu com aqueles dois que a terra há-de comer, as provas de que as armas de destruição massiva estavam no Iraque, não deve estar nada interessado em pronunciar-se sobre a destituição do outro vidente americano.
Claro que não está nada ralado com o assunto. Para o cargo que ocupa até nem há necessidade de eleições.
JTD

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Michael Biberstein


É um dos artistas representados na mostra "Onze artistas", na sede da AERSET, em Setúbal, que suscitou várias entradas opinativas lá em baixo, no dia 27 de Outubro. Já respondi e retorqui.
Este trabalho é de 2002 e esteve exposto no Centro Cultural Emmérico Nunes, no Verão de 2005.
Michael Biberstein nasceu em Solothurn, Suíça, em 1948. Em Portugal quedou-se inicialmente em Sintra. Mais tarde deixou-se fascinar pela aridez do Alto Alentejo, onde vive e trabalha actualmente. Conta com uma extensa lista de exposições individuais. Destacam-se Compressores/Aceleradores, Museo Extremeño e Iberamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz; The Compulsive Image, Kunsthalle Tallinn; Towards Silence, Galerie Rudolfinum, Praga.
JTD

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Caído em combate

O sinistro Donald Rumsfeld foi à vida.
Foi preciso explicar tudinho para que este senhor da guerra fosse corrido.
É o primeiro "libertador" que cai.
No Iraque continua muita gente a cair, mas morta.
JTD

Humanidades


O Nepal parece que viu fim a uma rebelião com uma década de duração. Provavelmente as armas foram substituídas por bom senso. Agora discute-se se deve continuar a haver monarca ou não. Assim como assim, já pouco importa. Aquilo parece um jogo de sorte e azar. Fala-se do Nepal quando se quer tornar relativa a importância de alguma coisa, com sugestivas piadas: "Fulano foi distinguido com o Grande Prémio de Escritores do Nepal". Ficamos assim esclarecidos sobre a nulidade do valor do hipotético laureado. É mesmo para gozar.
Aqui, na "civilização", tem muito mais importância o caso amoroso de uma senhora dos concursos da televisão com um senhor das telenovelas. As notícias sobre as desventuras daquele país vêm no fundo dos jornais. Se calhar até parece ridículo eu estar para aqui a dizer coisas sobre o assunto.
Mas também é verdade que mora lá gente como nós.
É isso que é chato.
JTD
National Geographic Imagem

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Sequestros, S.A.

Os sequestros começam a dar lugar a considerável espectáculo.
Os sequestrados têm, com toda a justiça, direito aos seus minutos de fama.
Desta vez foi um padre. Um pandego doido-varrido que quer ir beber uns copos com os sequestradores. Não tarda surgem por aí angariadores de candidatos a sequestrados. Parece que já há inscritos na Assembleia da República. Uma iniciativa destas por lá, bem preparadinha e sem violências, com um bom serviço de "cattering", dava um jeitaço a muito deputado que por ali anda: dava-se por eles.
JTD

São rosas, senhor



O Orçamento de Estado não é elástico. E em casa onde não há pão...
O milagre da multiplicação não é conto para esta audiência.
As oposições de direita, coadjuvadas por economistas puros e duros, querem mais: querem o milagre à força.
Ora, contenção não é subtracção. E de milagres não temos conhecimento desde o tempo em que não era a economia a ditar as regras.
O desenvolvimento económico não acredita em milagres: é agnóstico e materialista. E até o milagre das rosas, da Rainha Santa Isabel, foi correcção de última hora.
JTD
Euan uglow Imagem

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Linha férrea

O debate - Prós e contras, na RTP1 - sobre o orçamento, está a ser extremamente esclarecedor: estamos tramados.
Tanto os funcionários públicos, como os privados, podem começar a pôr as barbas de molho.
A percentagem de crescimento depende das contenções. As contenções são difíceis de aplicar, parece.
Os direitos adquiridos estão cada vez mais tolhidos.
Luz ao fundo do túnel?
Cuidado, desviem-se, pode ser a locomotiva que nos vai liquidar definitivamente.
JTD

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Antes a morte que tal sorte

Bush diz que a condenação à morte de Saddam assegura o reforço da democracia no Iraque.
Para ele a democracia é coisa que se resolve à lei da bala, ou, neste caso, da forca.
No Texas, onde foi governador, esta prática é comum. Daí o seu contentamento.
O homem não via a hora da democracia chegar ao Iraque.
Foi ontem.
JTD

Para acabar de vez com a cultura

Rui Rio quer acabar com a cultura no Porto.
Alguém terá que lhe dizer que o tempo dos príncipes renascentistas acabou há eras.
Hoje vivemos em democracia. E, em democracia, os cidadãos têm direito a complementar a sua formação cultural e lúdica.
Os organismos públicos também servem para isso. Somos nós que permitimos a sua existência.
A actividade que o presidente da câmara do Porto exerce também é subsidiada. Ficaremos descansados quando entregar o telemóvel, o automóvel, prescindir do subsídio de refeições e de outras mordomias inerentes ao cargo que exerce.
Pode uma grande cidade europeia, como o Porto, viver sem expressão cultural adulta e cosmopolita?
Pode o País viver sem Democracia?
JTD

domingo, 5 de novembro de 2006

A morte dá sorte?


Saddam foi condenado à morte por enforcamento. Sentença comum nos tempos em que dirigiu o país.
É justo? Nessa proporção, talvez. Mas será razoável jogar, no mesmo tabuleiro, o xadrez da morte? Em política há que prever o que vem a seguir. O que talvez não tenha acontecido neste caso. Saddam Hussein morto poderá ser muito mais violento do que em vida. O Iraque não se livrará tão depressa do seu fantasma.
Esperem pela pancada...
JTD

sábado, 4 de novembro de 2006

Avançar e em força

Esta moda do chefe da Madeira a toda a hora nos noticiários, traz-me alguma confusão.
Ele anda a tramar alguma.
Já ameaçou com a independência. Agora fala em orgulho em ser português e mais não sei o quê.
Será que o homem tenciona separar-se, para depois, independente e soberano, invadir isto?
Vocês gozam? Olhem que pode ter apoios.
Imaginem que liga para o seu homólogo na Casa Branca (esse grande vulto da estratégia política), comunicando-lhe a intenção de dar cabo dos cubanos.
Ah pois, brinquem, brinquem...
JTD

Orgulho pátrio

Um grupo de pessoal do PSD foi até ao reinado de Alberto João Jardim. Foram apoiar o soba. Pelo caminho gramámos com o indiscritível Jaime Ramos, em declarações boçais, nos jornais televisivos.
Igual a si próprio, o soba declara que tem orgulho em ser português. Emocionante.
Pelos vistos, é a gente da Madeira que dá o mote ao partido de Marques Mendes. Onde quererão chegar, com este feitiozinho?
JTD

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Os novos monstros

Um jornal especializado em assuntos económicos, identifica Cavaco e Guterres como pais do "monstro". O termo "monstro", lembram-se? Foi Cavaco que o inventou, depois de se ter apeado do poder, e como forma de repreender a actuação de Guterres. Finalmente começamos a perceber que foram estes dois estadistas que utilizaram os tubos de ensaio que criaram a situação em que nos encontramos. Assim de repente, esta história faz-me lembrar um filme de Mario Monicelli, Dino Risi e Ettore Scola, "Os Novos Monstros": Um punhado de histórias em que criaturas que se levavam a sério, revelavam atitudes monstruosas inseridas numa aparente normalidade. Como dizem os putos nas suas brincadeiras: "Quem diz é quem é". Pois é.
JTD

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Como disse?

Dizem-me que em sessão pública da Assembleia Municipal, a presidente da câmara municipal de Setúbal proferiu palavras menos elogiosas a meu respeito. Acho que a coisa foi mesmo para o insultuoso. Vou pedir cópia da acta e, como é óbvio, vou comparecer na próxima sessão da Assembleia Municipal para, como é que se diz? Defender a honra e o meu bom nome.
JTD

É o futuro, estúpido!

A ministra ora aceita dialogar, ora manda o diálogo às urtigas. Está na cara.
Dialogará se os professores concordarem com ela. Deve ser.
Os professores estão dispostos a dialogar se a ministra fizer o que eles querem. É o que parece.
A ministra não quer o que os professores querem. A sério!?
Os alunos esperam que tudo corra pelo melhor. Tal como os pais.
Correr pelo melhor é pôr o Ensino a funcionar no sentido do futuro dos alunos e do desenvolvimento do país. Digo eu...
Estão a contar com isso? Vejam lá.
JTD

Independência das colónias, já!

A República da Madeira está a encetar um processo de transferência de poderes. É o que parece se tomarmos em conta as declarações de um tal sr. Coito Pita. Tal como Jardim, em tempos idos, o novo dirigente já ameaçou com a independência dos torrões do meio do Atlântico. Pelos vistos, tal como Jardim, acredita que com as fronteiras fechadas às demandas dos continentais (que os tratam como colonizados), as ilhotas seriam viáveis. Por mim, mudava já a fechadura.
Agora a sério: Não estou a gozar, não me levem a mal, mas, o tal possível candidato a sucessor não se chama mesmo assim, pois não?
JTD

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Halloween


Não percebo esta treta de se festejar o Halloween. Uma coisa é a gente gramar a cultura americana: não é difícil encontrar imensas referências por aquelas bandas. Outra coisa é sujeitarmo-nos a tudo o que de lá vem. Assim não. Salvas as proporções, ninguém imagina um americano exibir a degustação de uma sardinha assada, em festejos dos portuguesíssimos santos populares.
Então qual é a razão de andarmos feitos parvos de abóbora iluminada?
JTD

Massa de Cahora Bassa?


Agora é a barragem de Cahora Bassa. Fomos a Moçambique negociar: "Ó meus amigos, a malta largou aqui uma pipa de massa e agora como é que é? Podem largar algum, nem que seja para o petróleo?". Os Moçambicanos concordaram em alargar os cordões à bolsa, de facto. São 750 miilhões dele. Só que, negociar a entrega de tanta bagalhoça com um dos países mais pobres do mundo, deve ser obra. Obra de caridade, claro está. Não me parece que de Cahora Bassa venha tanta massa.
JTD

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Prós e contras

A discussão sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez não é uma simples discussão de ideias. Estamos inchados de conhecer os argumentos de uns e de outros. Parece verosímil que a aprovação por substantiva parte de dirigentes nacionais tem a ver com a falta de paciência de quem influencia no continente europeu. Não há pachorra para este cantinho de irredutíveis que insistem em deixar tudo como está. Há que mudar o que não faz sentido numa sociedade moderna e civilizada.
Não é o discurso politicamente básico do médico Gentil, mesmo munido do diploma de licenciatura, que nos vem esclarecer sobre o caminho a tomar. Nem a recentemente convertida aos bens das sociedades conservadoras e respeitadoras da moral e bons costumes cristãos, Zita Seabra. Mudar de opinião nunca fez mal a ninguém. É justo dar a mão à palmatória e reconhecer um erro. Mas ver a monja Zita fazer o pino para arrasar o que anos atrás defendeu com tanta convicção, causa alguma estranheza. Quando no partido que a acolheu, já não é segura a negação da justeza do que está em causa, vem esta senhora, qual porta-estandarte por ofício, assegurar que não se deve mexer no que está. Depois de tanta luta, esta revolucionária acabou por não perceber o quanto é hipócrita castigar quem já se sente tão culpado. Zita Seabra tem um intenso rol de serviços como agitadora de bandeiras. No PCP e na editora por onde passou, sempre içou esvoaçantes e bem visíveis estandartes. É preciso dar nas vistas para existir, defenderá. Mas, acima de tudo, parece que quer estar permanentemente zangada. Esta azeda criatura foi uma das escolhidas pelos irredutíveis aldeões, deste cantinho no fim da península, para sua porta-voz. E ela lá vai arranjando barricadas para as suas novas revoluções.
JTD

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Diz que é só uma gripe


A propaganda continua a ser o ABC de quem manda no regime ditatorial cubano. Sempre foi assim. Tentam meter-nos pelos olhos dentro o que já não tem qualquer razão para esse esforço. Fidel Castro apareceu na televisão para convencer o mundo de que está bem e é recomendável. Olhando o estado em que visivelmente se encontra, só mesmo com uma grande força de vontade é possível acreditar naquele catecismo. A revolução cubana não foi planeada para além da existência física do seu guia espiritual. O regime é uma espécie de empresa unipessoal. De tal forma que até foi cancelado um carnaval qualquer devido ao estado de "indisposição ligeira e temporária" do líder. Será que o homem quer ficar para galo-de-entrudo?
JTD

domingo, 29 de outubro de 2006

Sozinho em casa

A nota vem no Expresso de ontem: José Sócrates voltou a assumir o controlo da comunicação do Executivo. Fez bem. Se quer arrumar a casa não pode deixar a criançada (foi o ministro dos problemas económicos que disse que as suas próprias declarações tinham sido infantis), ao deus-dará, com acesso aos microfones dos crescidos. Há acessórios que não devem estar ao alcance dos "piquenos". Pelos vistos o primeiro-ministro sabe isso. Mas atenção: tudo tem conta e medida. Ficar "sozinho em casa" também pode ser perigoso.
JTD

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Onze artistas


Deparo com anúncios em jornais e em painéis de grandes dimensões: em Setúbal vão estar em exposição obras de artistas de vulto. Lado a lado Helena Almeida, Michael Biberstein, Fernando calhau, Alberto Carneiro, José Pedro Croft, Ana Hartely, Álvaro Lapa, António Palolo, João Queiroz, Rui Sanches e António Sena. Gosto particularmente das obras de Michael Biberstein, Fernando calhau, Rui Sanches e António Sena. Equipa de luxo em cidade em que pouco acontece a este nível. Os trabalhos podem ser visitados na AERSET, no antigo edifício do Banco de Portugal, na Avenida Luísa Todi. Esperemos que não seja apenas uma raquítica mostra pouco equilibrada, apenas com intenção representativa. Às vezes acontece. Cá estaremos para dar opinião no espaço para comentários, aí em baixo.
JTD
António Sena Imagem

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Sabonete Santa Comba

Vi um naco do programa dos portugueses fantásticos. Um naquinho mesmo, que ver aquela miséria do princípio ao fim é coisa de masoquista. Dona Elisa dá monumentais secas. Também lá estava o Saraiva, tio do outro, o do Sol, que também tem pancada como o sobrinho, e pensa que a História são as narrativas ficcionadas com que maça os incautos telespectadores que lhe dão crédito como historiador. Foi penoso ver Eduardo Lourenço, Mário Bettencourt Resendes e Ricardo Araújo Pereira no meio daquela tourada sem touros. Todos os outros foram como se esperava - feitos para aquele tipo de palhaçada. Mesmo aquele doutor de Coimbra que tudo fez para parecer diferente, não passou de sofrível opositor. Teve alguma laracha quando aludiu às fontes históricas em duelo com Saraiva salazarista. Claro que Saraiva não liga qualquer importância a essa coisa das fontes: Maçadores, estes historiadores. Acaba por ter graça, sem graça nenhuma, ver Salazar como produto televisivo elegível. Dias antes, em declarações à TSF, Fernando Rosas disse ter sido contactado para consultor do programa, mas recusou. "Isso é coisa para compromissos publicitários", disse. "A intenção é vender sabonetes". E é.
JTD

José Sommer Ribeiro


Antes da inauguração da exposição de Sonia Delaunay, às 18 horas, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, será recordado José Sommer Ribeiro, grande obreiro daquela instituição, recentemente falecido. Justa homenagem a quem, de uma forma ímpar, tanto deu à Arte portuguesa.
JTD

Sonia Delaunay


É hoje inaugurada na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva a exposição "Sonia Delaunay-Atelier Simultané 1923-1934".
A mostra estará à disposição de todos até ao dia 25 de Fevereiro do próximo ano. Aqui na casa fizemos o design de comunicação. Delaunay conheceu Vieira da Silva em Paris e entre elas desenvolveu-se uma intensa cumplicidade artística. Isso nota-se ao passearmos pelas suas obras. Imperdível.
JTD

Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Praça das Amoreiras, 56-58, Lisboa.
Segunda a sábado, das 11 às 19 horas.
Domingo, das 10 às 18 horas.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

A seca de sempre


O ministro do ambiente avança com a hipótese de aumentar o preço da água em caso de seca.
E, no caso de a água transbordar, prevê-se redução?
Hum... tirem o cavalinho da chuva.
Passamos a vida a fazer massa para um bolo que nunca provaremos.
Que seca!
JTD
David Hockney Imagem

terça-feira, 24 de outubro de 2006

A insustentável leveza da decência

Santana Lopes deu entrevista. Passou ontem na SIC-N à meia noite. Não vi, claro. A vida não dá para tudo e há que dar-lhe melhor uso.
Mas hoje nos jornais (os jornais não fazem parte dos meus desperdícios diários) li transcrições da dita. Uma delas bateu-me. Poderia ser incluída em texto de humorista. Aqui vai: "A política não pode ser feita assim. Como em tudo na vida, só vale a pena se for feita com decência, se for com verdade, se for bonito".
Conheço quem ainda se esteja a rir.
JTD

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Ligação directa


Sérgio Godinho em nova ligação com a realidade. Chamou-lhe "Ligação directa" e é isso mesmo - uma revelação de empatias com a sua realidade: amores, desamores, heróis e desencantos. Estou a gostar, mas vou lá voltar.
Os músicos que o acompanham são "Os assessores" e a estética da coisa foi entregue a Daniel Blaufuks (Fotografia) e Jorge Colombo (Design). É ouvi-lo, meus amigos.
JTD

Paraíso


A Coreia do Norte está a dividir o PCP. Kim Jong-il meme divide os corações dos comunistas portugueses: se uns o acham um pequerrucho amoroso e têm ganas de lhe beliscar as bochechas; outros acham-no um tirano inenarrável e afoitam vontade de lhe dar uns estalos. Uns estalos é o mínimo que a irritante criaturinha merece. O melhor mesmo era levar uma corrida em osso. Como é que ainda se faz a defesa de um dirigente político que nega direitos elementares aos seus cidadãos, quando cá se defendem, com unhas e dentes, direitos que para a maioria dos norte-coreanos seriam dádivas do paraíso, é que não dá para perceber.
JTD

domingo, 22 de outubro de 2006

Que farei quando tudo arde?

Marques Mendes acusa o primeiro-ministro de se esconder atrás dos ministros. E o dr. Mendes por onde tem andado? Escondido nas salas de professores? Pelos intervalos das manifestações? É aquele senhor agachadinho atrás da comunicação social?
Aparece agora porque pensa estar tudo em cacos. É mais fácil aproveitar a confusão do que gerir a oposição. Grande coisa. Assim também eu...
JTD

sábado, 21 de outubro de 2006

Riscos

O homem do Ministério da Economia que nos acusou de gastos excessivos em electricidade ainda não foi corrido.
Não percebo: se já teve os seus minutinhos de fama... Vá andando.
A performance que nos ofereceu até não correu mal de todo. Acabou por não fazer estragos. Mas deixa-lo assim à solta, num ministério tão sensível, não é arriscar demais?
JTD

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Verbalizações

Isto tinha que se dar: os absolutismos têm muitas vezes destas coisas quando executados por quem não tem trambelho no que diz. Não bastava o ministro dos problemas económicos mais o seu secretário de Estado esquecerem que, apesar de maiorias absolutas, é preciso não tratar o maralhal como mentecaptos ou delinquentes, vem agora José Lello, como porta-voz de qualquer coisa que não me lembro, dar muito pouca importância às opiniões na blogosfera sobre o convite aos representantes chineses no congresso socialista. A razão é simples: ninguém nos blogues foi eleito. Ou seja, quem não é eleito não deve ter voz. Lello defende a velha máxima: "A política é para os políticos e a minha política é o trabalho".
Em tempos foi dito que Sócrates não deixava falar os ministros. Por este andar talvez fosse melhor voltar a essa fórmula. É que eu, mesmo como blogger não eleito, garanto que durmo descansado com as declarações destes incontinentes verbais.
Se calhar o primeiro-ministro já não pode dizer o mesmo.
JTD

Debate do dia seguinte

O debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez está, cá no burgo, no tempo da maria cachucha. Ainda andamos em interpretações de consciência, como se a consciência de cada um não fosse objecto para guardar no baú intimo. Talvez o mal esteja na opinião de quem quer estabelecer limitações às decisões alheias, impondo os desígnios da sua consciência. Se condenam o que é proposto, não o pratiquem. Propor o impedimento de outras atitudes baseadas noutras opiniões, suportados também por uma consciência, fingindo que o problema não existe, parece pouco respeitador das diferenças que temos o direito de praticar. Ninguém é pelo aborto como um objectivo a atingir. Mas decretar o que cada pessoa pode ou não fazer com o seu corpo, já não lembra ao diabo. O que também não lembra ao diabo, nem interessa ao menino Jesus, são as ideias da monja Zita. Mesmo que a gente se esforce, aquilo não dá para entender. Será que a campanha nos reserva surpresas?
Irá a torreira do debate trazer argumentos novos?
JTD

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Lura - M´bem Di Fora


Lura apresentou ao fim da tarde de hoje, na FNAC-Chiado, o seu mais recente trabalho M´bem Di Fora.
Nesta apresentação cantou cinco temas que apregoam bem a qualidade da sua música.
Quem conhece e gosta do trabalho desta lisboeta com raízes cabo-verdianas que decidiu ir ao encontro das origens, vai ficar contente com esta gravação. Eu gostei deste cheirinho na FNAC e o disco já cá canta.
Dizem que é a nova Cesária Évora. Creio que não - é a Lura.
JTD

Desligamos o quadro?


"São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", foram eles "quem mais consumiu tarifas no passado e isso gerou défice", disse António Castro Guerra, secretário de Estado Adjunto do ministro da Economia, à TSF.
Ninguém é prefeito, mas este electricista do governo que nos culpa dos aumentos das tarifas, fez o interruptor em fanicos. Nem toda a gente tem condições para usar tempos de antena sem disparatar.
No Ministério da Ecomomia já vão dois. Temos que os aturar?
Não se pode desligar o quadro da electricidade?
JTD

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Vamos ali fazer uma visitinha à Fátima?

É que ela chegou agora mesmo aqui à aldeia e pode precisar de um raminho de salsa ou de outro tipo de ajuda.
Bora .
JTD

Sempre-em-festa

Não frequento os delírios de Filipe Lá Féria desde que ele deixou de frequentar a Casa da Comédia. O espavento revisteiro não me faz deslocar um centímetro. E o egocentrismo "sempre-em-festa" do encenador causa-me náuseas. De vez em quando escuto opiniões na imprensa que me confortam nesta distância. Na mais recente peça, "Música no coração", parece que vinga o popularucho à laia de fadinhos e piadinhas. Enquanto outras salas não enchem como mereciam, este "fadista" é a abarrotar. País de fadistas é o que é. Segundo relatos, o próprio Lá féria estimula uma entusiástica claque e por fim "improvisa" uma sessão de autógrafos para quem quer comprar o programa. A galhofa atinge alto patamar. Aquilo deve ser giro, deve.
JTD

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O concurso acabou, senhores autarcas

O debate sobre a lei das finanças locais no "P´rós e contras", na RTP1, está a tornar-se esclarecedor. Ruas, o homem de Viseu que lidera os recalcitrantes autarcas, à falta de melhor argumento, alega a superioridade numérica dos seus apoiantes contra os que preferem a correcção da lei. Elogia-se o endividamento constante contra a necessidade da competência política. A irresponsabilidade tem um número. E é número grande. Mas parece que o autarco-milhões acabou. Não é possível criar excêntricos todos os mandatos.
JTD

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Relações comerciais

O PS já tem as suas FARC. Uma comitiva do PC chinês vai abrilhantar o recinto do congresso dos socialistas. Se calhar são relações comerciais: na Colômbia os "revolucionários" negoceiam em droga; em Portugal a droga dos chineses é outra. Mas não deixa de ser um bom negócio.
JTD

Já bastou o que bastou

O tal concurso estreou há bocado. Maria Elisa apresenta e botam opiniões os opinadores do costume. Foi sofrível. Desconfio que o "Botas de Santa Comba" não passa dos quartos de final. O ruído foi maior que o efeito. Esperemos que sim. Afinal, saudades dos proibicionismos não fazem parte do enxoval dos portugueses.
JTD

domingo, 15 de outubro de 2006

Portugal hoje

O que é capaz de ter graça no concurso que selecciona os portugueses bestiais de sempre, é percebermos o estado em que se encontram os de agora. Vai ser surpreendente, aposto.
JTD

sábado, 14 de outubro de 2006

Sampaio comunicação, lda

Já não havia pachorra para o homem como Presidente. Agora dizem por aí que dirigiu um jornal. Parece que foi só por um dia. Essa é a boa notícia. Imaginem que lhe tomava o gosto. Bem, talvez se safasse: com o gosto que declarou ter em estar e conversar com Santana, talvez o convidassem para dirigir uma edição de uma dessas revistas cor-de-rosa. Falem lá com o homem, vá. Ele está no mercado.
JTD

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

E já foi publicado?

O ministro da economia anunciou o fim da crise. Caminhamos para a crescimento. Santana passou pelo mesmo: um dia acordou e tentou convencer os outros meninos que afinal o pai-natal existia. O bloco central tem as suas vedetas que sonham e levantam voo sem pára-quedas. Não há nada a fazer: optimistas sonhadores e bem remunerados esquecem facilmente crises e desgastes financeiros. Mas o homem é capaz de ter razão. Se calhar a crise vai ser extinta. Falta é a publicação dessa intenção no Diário da República. Tenham calma, está quase.
JTD

Os sonhos da gente



Uma iniciativa de arromba. A imagem divulgadora é da autoria de André Letria. Excelente.
www.faroldesonhos.pt

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Desenvolvimento, dizes tu

Agora até parece que o homem é um herói. Os elogios, até por parte de quem o criticou, surgem como torradinhas ao pequeno-almoço.
A Madeira era um sítio indescritível e agora é arejado e desenvolvido. Quer dizer: para desenvolver uma região é preciso ser boçal e mal-criado. Então mas, se em vez do soba, com as constantes injecções de dinheiro, estivesse no lugar dele alguém civilizado, aquilo não andava para a frente?
A política resulta melhor quando entregue a desbragados ordinários?
Quanto ao desenvolvimento da ilha-jardim, e consoante a noção de desenvolvimento, provavelmente nem todos teremos a mesma opinião.
JTD

E o melhor de todos é...

Anda por aí um grande falatório por causa de uma escolha qualquer. Parece que querem saber quais os melhores entre os portugueses. Provoca-me alguma confusão tão categórica definição. O que é isso de ser o melhor de todos? Como se define? O que é melhor para mim é também bom para o outro? Nunca percebi as regras deste campeonato. Ah, é um programa de televisão? Já podiam ter avisado. Lá em casa, as canalizações que ligam para essas moengas estão enferrujadas há muito tempo.
JTD

Cumplicidades

Tenho andado a pensar nisto: será que somos todos corruptos? O debate agora anda neste registo. E se calhar faz sentido. Eu, por exemplo, estaciono com frequência o carro na zona da Baixa-Chiado. Um simpático arrumador começou a fazer parte do grupo de pessoas que cumprimento por ali mesmo sem saber muito bem quem são, mas apenas pelo hábito de olharmos uns para os outros todos os dias. Resultante desta cumplicidade, o arrumador passou a esforçar-se na procura de um lugar para o objecto que me transporta. Consequentemente passei a retribuir-lhe o obséquio com uma moeda cada vez mais encorpada. Juro que também forneço devidamente o vigilante parquímetro, mas aquele pagamento extra pela facilidade na obtenção de um objectivo sabe-me bem. Será que sou corrupto? Como vou obter resposta para este tormento? A quem me dirijo? Informo-me na DECO sobre a legalidade e qualidade do serviço prestado pelo zeloso arrumador? Vou à Procuradoria? Pergunto no Palácio de Belém?
JTD

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Uma verdade

"Para se ser livre é necessária muita coragem (...) Os locais de trabalho, a vida política, a mera existência social, estão (basta olhar em volta) cheios de cobardes de sucesso"
Esta opinião de Manuel António Pina no Jornal de Notícias (dei por ela em citação no Público) é um bom contributo para o debate sobre a corrupção. Digo eu...
JTD

Ir para a rua

Um assessor comunicou que o Presidente ficou muito sensibilizado com os relatos de quatro prostitutas neste roteiro da inclusão. A enternecida revelação do assessor à comunicação social é de aplaudir. Cavaco percebeu que há um drama em cada mulher que sai "para a rua". Claro que não é preciso "ir às putas" para perceber a violência que faz carreira ao lado dessas mulheres. Relatos mais completos saem com frequência em orgãos informativos. Já para não falar nas narrativas literárias assentes em factos reais. Não acredito que Cavaco só o tenha percebido agora. Mas pode ter acontecido. É sabido que o Presidente não é muito dado a "perder tempo" com a leitura de jornais e assim.
JTD

terça-feira, 10 de outubro de 2006

O soba da ilha

E se a Madeira nos declarar guerra? Será que Sócrates contou com essa hipótese? Se não, irá Cavaco remediar a situação? Quem nos garante que o chefe tribal do Funchal não encetou já contactos com o chefe da Coreia do Norte? Ontem, Kim coreano revelou possuir armas eficazes, e Jardim madeirense é mesmo bom na escolha de material de guerra. Parece que ganhou uma guerra contra os cubanos e basta lembrar que há décadas que faz arremessos contra o "contenente", seja lá isso onde for. O que é certo é que ele continua no mesmíssimo lugar. O "contenente", com tanta ameaça, não deve estar em muito bom estado. Se é que ainda existe. Alguém sabe onde é? Será que fica perto da terra dos cubanos? Ou será tudo a mesma coisa?
JTD

Lux - 8º aniversário


O Lux faz hoje oito anos.
Parabéns.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Hoje há testes

A Coreia do Norte fez testes nucleares. O povo deste país arauto dos "amanhãs que cantam" poderá estar na miséria efectiva, mas que importa? O desenvolvimento tecnológico em grande demonstração de poder é uma prioridade do regime, que segundo o velho Bernardino da Assembleia, até é democrático e recomenda-se. O "querido líder", grande vulto do pensamento norte-coreano, tudo faz pelo "socialismo científico" e a "solidariedade entre os povos". O povo é requisitado para as paradas militares em dias comemorativos, mas é depois desprezado e privado do que em todo o mundo civilizado são direitos básicos. Esquecer a pobreza em que vive a sua gente, exibindo a excelência da tecnologia de guerra, é a maior das misérias.
JTD

Tudo se resolve

Já não há "limbo" para ninguém. A Igreja Católica vai corrigindo assim, caso a caso, barbaridades e disparates em que multidões de católicos foram acreditando ao longo de séculos. Os seres chamados por Deus antes de atingirem a idade que lhes permite adquirir o conhecimento capaz para chegar ao Seu encontro, já não ficam naquela zona de ninguém onde nem se está com Deus, nem longe Dele. E assim é que está certo. Se é Deus que, com a morte, nos chama para junto de Si, que sentido tinha não saber depois onde colocar alguns dos convocados? Tudo se resolve, com boa vontade.
JTD

domingo, 8 de outubro de 2006

Assessores salvadores

Setúbal - A novel presidente quer mandar o pagamento das dívidas para as calendas gregas. A câmara está em crise. A caixa-forte do munícípio está nos fundos. Para que a gestão camarária seja mais eficaz é necessário contratar assessores. São eles o sal das autarquias. Que seria de nós sem os Namoras, os Demétrios e outros exigentes e documentados profissionais? À trupe foi agora associado mais um prestigiado elemento. Vem de Alcácer do Sal e era o candidato do partido de Jerónimo á liderança da câmara local. Também responde por Jerónimo. Acrescente-se Matias e temos nome artístico: Jerónimo Matias é o nome no novíssimo assessor da presidente da câmara, que sem saber ler nem escrever já foi presidente de uma junta de freguesia e vereador em Alcácer. Não se lhe reconhecendo transmissíveis conhecimentos, o que vai então fazer para a câmara? Provavelmente revelar a Dores Meira os atropelos que o levaram a perder todas as eleições a que se candidatou. Ou será que esta assessoria é apenas uma forma de empregar um camarada vitima da incompreensão das populações?
JTD

Públicas manteiguices

Sempre me meteu impressão o jornalismo "manteigueiro". Se é que se pode chamar jornalismo à comunicação social que vive nas bordas do prato dos socialites. Vem isto a propósito de um extenso lençol sobre a vida do "cronista" Carlos Castro nas folhas da namorada do PÚBLICO ao domingo - A PÚBLICA. O apologético evento jornalístico foi publicado no domingo passado e suscitou comentários de leitores, inseridos na revista de hoje. Uns elogiosos, chegando mesmo a classificar a criatura como um dos portugueses de que nos devemos orgulhar; outros lamentando a atenção prestada a tão ruim exemplo. Estou com os segundos. E ainda não percebi a intenção do jornal de José Manuel Fernandes. É este o trilho a seguir? Vamos eleger a imprensa do ódio cor-de-rosa como exemplo a tomar em consideração? Espero bem que não. Vamos sacudir a poeira e pereceber que há públicos e públicos, e o nosso PÚBLICO é outro. Tudo isto não passou de uma ocasional falta de assunto. O jornalismo é algo que passa ao lado de Carlos Castro. Se o sabemos, para quê fingir o contrário?
JTD

Anna Politkovskaya


Esta senhora incomodava. Os donos da Rússia não gostam de quem os incomoda. As decisões ainda se enquadram em vingativas leis imperiais. As tomadas de posse presidenciais mais parecem aclamações de disnáticos soberanos. Mas há russos, e russas, que não apreciam estes preparos. E dizem-no. A vida é o custo cobrado. Democracias há muitas. Parece que umas mais do que outras.
JTD

sábado, 7 de outubro de 2006

Lux, oito anos


O Lux nasceu há oito anos. Se bem me lembro, abriu nos dias seguintes ao encerramento da Expo. A Expo, através do projecto "Caminho do Oriente" apoiou a iniciativa. Andei por lá, em trabalho. E o Lux aí está. Na vanguarda dos grandes eventos, muito à frente na vontade de fazer diferente e surpreendente. Agora vai ser a festa do oitavo aniversário. O tema da folia é uma feliz combinação entre Fellini e Almodovar. Se fosse semelhante aos festejos do ano passado já seria impressionante, mas tudo leva a crer que as expectativas vão ser ultrapassadas. É já na terça-feira. Parabéns ao Manuel Reis e a toda a gente que faz o Lux em todos os dias do ano.
JTD

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Dizem que lá se fazem homens


Assaltos e agressões são uma constante entre ex-soldados.
Entre casos recentes e mediáticos: um outrora elemento de uma força de segurança nacional matou em série para os lados de Santa Comba Dão. Agora, em Setúbal, um ex-comando desesperado deu luz ao seu desespero travestindo-se de assaltante de bancos. Na intimidade dos lares surgem de vez em quando relatos de demonstrações de autoridade excessiva por parte de agentes de segurança. Segurança que não assiste a quem vive entre as mesmas paredes que eles.
Dizia-se que a ida para a tropa fazia homens. A tropa era apontada como receita para a falta de vivências que as famílias evidenciavam. Lá aprendia-se a ser homem, à força, é certo, mas aprendia-se. E as forças militarizadas eram "as autoridades". Com eles por perto não havia perigo. Afinal parece que não é bem assim. Todos erramos, mesmo os que são treinados para errar menos.
Lá fazem-se homens. Às vezes homens menos bons.
JTD
Luis Afonso Imagem, Público.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Está-se bem

Quando nasci já havia República há 50 anos. Cresci durante 15 anos em ditadura. O resto, até hoje, é o que se tem visto. E do que tenho visto não me queixo. No regime reinante antes de 1910 também poderia vingar a democracia? Claro. Mas já que aqui estamos, e como não se imagina melhor sorte com representações monárquicas, para quê mudar? Como diz o refrão de uma canção popular: "P´ra melhor está bem, está bem. P´ra pior já basta assim".
Bom feriado.
JTD

O último a sair que feche a porta

Autarquias foram a congresso extraordinário. Muito pouco extraordinário, diga-se, já que estávamos carecas de saber o que iria ser decidido.
Os autarcas queixam-se de que a possibilidade de se endividarem encurtou. É esse o problema. O pessoal endivida-se, faz "obra", e depois quem cá ficar que se amanhe. Assim, com estes cortes, não há boneco para a fotografia. Chega-se ao fim do mandato sem material para incluir no folheto de propaganda.
Propaganda é o que mais preocupa estes autarcas. Puxar pela carola, pôr a imaginação a funcionar, é que é um problema. A razão é simples: não há maneira de encontrarem a função que estimula a criatividade. Claro que é muito mais fácil pedir dinheiro a quem o tem, esquecendo que quem o tem quer ganhar mais. Mas o que é que isso tem de mal? O último a sair que feche a porta.
JTD

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Dia Mundial do Animal

Hoje é dia dos animais. Dos designados irracionais, presumo.
De manhã, na TSF, ouvi uma reportagem sobre as dificuldades de uma associação de protecção de cães.
Os responsáveis pediam ração. Mensalmente uma tonelada é o que necessitam para satisfazer as necessidades alimentares dos internados. As dificuldades são comuns: a sociedade tem sérios problemas em assistir a seres com dificuldades. Tanto os racionais, como os irracionais. As chatices alastram de dia para dia. Ninguém diga que está bem.
Mas hoje, que vivam os irracionais.
JTD

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Vamos à Baixa

A recuperação da Baixa-Chiado custa tanto como a ponte Vasco da Gama. É muita massa. Mas quem estava à espera que fosse barato?
Recuperar aquela zona é como construir uma ponte. Uma ponte para outra margem. Para o lado da qualificação, do desenvolvimento com respeito pela tradição. Tornar um sítio moderno e cosmopolita será caro, mas há pontes que têm que ser feitas.
O tempo urge. Parece que vai ser preciso muito, um ror de tempo para pôr aquela zona de Lisboa no nosso tempo.
A cidade mais bonita do mundo (é Henrique Villa-Matas que o diz, ali no canto superior direito), merece-o.
JTD

Deixai vir a mim as criancinhas

Um documentário da BBC revela a hipócrita (para não parecer excessivo), atitude do então Cardeal Ratzinger:
O actual Papa tudo fez, com manuais e tudo, para encobrir padres pedófilos.
É para isto que se defende tão piamente o direito à vida?
- Deixai vir a mim as criancinhas, que a gente depois trata do resto.
Não considerar isto grave, é grave.
JTD

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Wallpaper


Talvez a primeira boa notícia do mês. A Wallpaper de Outubro anda aí.
Uma década de design em festa.
Edição a não perder.
JTD

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Fernando Luís Sampaio | Miquel Barceló


Cada um tem a sua diferença as mesmas
perguntas de sempre, as mesmas palavras
que desalinhavam do sorriso
o último beijo, restos, impropérios
comuns à passagem do tempo.

Que mais posso prometer?
Ao ficar a ver esta paisagem as dúvidas
sobre a permanência de alguém na vida
de outro causam embaraço
e desejos de uma vida feliz sem
remetente num aerograma selado com
o lacre da indiferença.

Cada um está por si. Nos bares, no metro,
no terrífico incêndio de não amar.
O aniz escarchado, a cerveja, a vodka
prometem uma abrupta mudança
nos planos e mais falsas ainda soam
as verdades.

Como aprendeste, fácil só a merda.

Fernando Luís Sampaio Texto
Miquel Barceló Imagem

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Na hora agá


Herman José vai voltar. O programa a que empresta o nome, e que se vai arrastando semanalmente aos domingos, acaba em Dezembro. Herman cumpre, com o novo programa, um sonho de infância: tinha uma ideia para este título - Hora H - desde os 12 anos. O rei do humor em Portugal regressa com nova corte: "Gostava que servisse para descobrir novos talentos". Veio mesmo na hora agá.
Herman morreu! Viva Herman!
JTD

Figurações públicas

Cavaco vai passear por Oviedo para dar as últimas no território vizinho.
O príncipes espanhóis acompanharão a comitiva portuguesa no percurso.
A recente notícia de que Letícia está de esperanças, vai aguçar a curiosidade popular - o povo vai sair à rua em saudação ao futuro principezinho. Até parece que tudo foi concebido por um luso departamento de marketing: o nosso Presidente ganhará assim maior exposição. É certo que se arriscam comentários tipo "Quem será aquele senhor magro que está ao lado da nossa princesa?", mas dá para fazer retrato para o jornal. Seria elegante propor que a criatura que se desenvolve no ventre da simpática Letícia fosse desde já designado Cidadão Honorário da República Portuguesa. Há motivos que o justificam.
JTD

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

As lebres e a tartaruga

Portugal foi ultrapassado por países cheios de pressa. Querem andar na mecha. Vai daí e... pimba, três lugares abaixo na tabela. O que vai ser de nós com estes chicos-espertos que insistem em ser mais civilizados do que a malta, que já cá anda há centenas de anos? Ainda por cima, com empresários privados tão comprometidos, tão comprometidos com o desenvolvimento, que atribuem as culpas destes percalços ao despesismo público. Públicos e privados, estamos coincidentes numa coisa: não andamos, nem desandamos.
JTD

Palavras de patriarca

O Cardeal não faz campanha contra. O problema não é religioso, diz.
Mas pelo caminho lá vai lamentando os males do aborto clandestino e do outro: o que a despenalização permite.
Para ilustrar as católicas ideias sobre o assunto aludiu a hipotéticos direitos do feto. Em tempos de regressão dos tais direitos para os já nascidos, que razão assiste à razão do Cardeal?
JTD

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Tanta luz, em Lisboa

Há luz boa em Lisboa, diz o programa da propaganda.
Se calhar, fez-se uma luz boa, que é boa porque esconde o que está mal: as ruas de Lisboa. Que estão sujas, sem luz.
Lisboa gosta da luz que a abraça ao fim da tarde. Essa é a luz de Lisboa.
Mas esta também é boa, a Luzboa.
JTD

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Afonso Malão no S. Luiz

Afonso Malão vai tocar hoje, às 18 horas, no Teatro Municipal S. Luiz - Jardim de Inverno - na entrega do Prémio Schréder, integrado na Bienal LUZBOA 2006.
Serão executadas composições do seu trabalho gravado "Fados para Piano", de Alexandre Rey Colaço.
Entrada livre.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

É só para avisar

Alberto Pimenta vai estar hoje na "Câmara Clara" da Paula Moura Pinheiro. Vão falar de Arte e erotismo. Na televisão. Na 2:. Lá para as dez e meia da noite. Pelo que se conhece do professor Pimenta, o programa promete.
Eu avisei...
JTD

Os vampiros

Claro que há perguntas a fazer aos queques que confraternizaram no Beato.
Para além do mau exemplo que dão nas empresas que gerem (conhecemos as condições em que por lá se trabalha, não é verdade?), tenho curiosidade em perceber como resolveriam eles as deslocações de pessoas dos seus empregos para os subsídios e para as reformas antecipadas. É fixe fazer perguntas quando não é preciso responder. Enquanto tiveram a faca e o emprego na mão, empregaram até fartar os amigos e os amigos dos amigos. Tudo fizeram para salvar o lombo, sem passar cartão a ninguém. O autismo de que padecem, não lhes permitiu perceber o que estava a mais. Agora querem moralizar, deixando aos outros, aos excedentes, o que sobrou da farra. Eles comem tudo e não deixam nada. Houve alguém que cantou isto em outro tempo. Há quem insista em comer tudo.
JTD

Em treinos...

O treinador de Cavaco quer treinar o país. A sua equipa já entrou em estágio e as tácticas estão lançadas. Percebemos, pelas suas palavras, que o Presidente é excelente e o governo é suficiente.
Se calhar suficiente menos, já que não sabe como se desenvencilhar de duzentos mil funcionários públicos. Foi o que saltou cá para fora depois daquele encontro entre tanta gente tão inteligente. Um dos participantes, o gestor Carrapatoso, em entrevista à RTP 1, afiança que andam por aí entre cento e cinquenta a duzentos mil funcionários a mais. A diferença numérica é coisa pouca. Muito poucochinho mesmo comparado com os benefícios que traria à nação tão depurativa medida. É curioso verificar que para este grupo de salvadores da pátria tudo são números. Mesmo quando se trata de pessoas.
JTD

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

O estado da arte

Paulo Portas, no programa da SIC-N, tem momentos de interesse.
Ontem houve vários desses momentos. Foi brilhante a sua explicação sobre a recente polémica papal.
Portas, claro está, acha que o Papa tem razão. Óptimo, vamos lá a ver porquê: o Papa, está escrito, não concorda que os modelos políticos do ocidente sejam perfeitos no médio oriente. Isto está preto no branco em livro publicado com edição em Português. Portas considera que com isto Raztinger prova que as declarações na universidade alemã estão justificadas. O Papa é um homem de paz e não levantaria um dedo que colocasse em risco o diálogo entre civilizações. O Papa foi um intelectual a falar para os seus pares. Está certo. Até aqui não tenho dúvidas.
Mas depois a gente lembra-se do Portas ministro. Do enfado das suas declarações a justificar a guerra de libertação do Iraque naquela base do "vejam lá se percebem". Do seu contentamento ao lado do secretário de estado da defesa norte-americano. Das veementes justificações sobre a implantação da democracia naquelas bandas. Da inevitabilidade do bélico gesto.
Pareceu-me que era a mesma pessoa, mas se calhar estou enganado.
Ninguém pode defender uma coisa quando à civil pensa outra.
Aquele não era o Paulo Portas que reuniu nas salas onde se decidiram os embarques de soldados para o conflito.
Pois, aquele era outro Portas.
O senhor que ontem falava com Clara de Sousa nem gravata usava...
JTD

Há fumo na procuradoría

Já há procurador. Será que vamos dar pela sua existência? Chegaremos a saber para que serve?
JTD

Mas alguém está interessado em saber?

"A seu tempo saberão (de mim)".
Luís Nobre Guedes em declarações à imprensa.
JTD

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Secreta escolha

Um senhor do PSD não diz nada porque não se comentam encontros com o Presidente ou com o primeiro-ministro. O PS estará com certeza próximo do segredo graças ao lugar que ocupa o seu líder. O número um do BE quer que o procurador devolva prestígio à instituição. O PCP entende que é do ministério público que deve sair. O chefe do CDS-PP encontra, na forma da escolha, motivos para estar satisfeito. Os Verdes não acham nada porque ninguém os ouviu. Agora é esperar por Cavaco. Esperemos que continue a não se enganar nem a ter dúvidas. Até pode ser que opte pela opinião de um conhecido juiz-desembargador que defende não vir mal nenhum ao mundo a não nomeação da referida figura de Estado. Nada sai cá para fora. Assim é que é, valentes! Perante tanto enleio, será que um PGR é assim como uma espécie de chefe de uma sociedade secreta?
JTD

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Deus nos valha

Tudo, hoje em dia, tem tendência em tornar-se um problema de comunicação. Os decisores influentes têm que ter isso em conta. E cada caso é um caso, lá está: Bush declarar que prefere comer carne de porco a discutir os conflitos mundiais é uma coisa; Ratzinger escolher um imperador bizantino, em declarações incendiárias (mesmo que retiradas do contexto), para ilustrar uma palestra, é outra. É que aos raciocínios do homem da Casa Branca a gente dá um desconto. Mas o Papa é homem de pensamento. Infinitamente mais inteligente. Daí a desilusão.
JTD

domingo, 17 de setembro de 2006

José Sommer Ribeiro

Morreu José Sommer Ribeiro. Foi o grande impulsionador do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
Mais recentemente agarrou os destinos da fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva. Foi aí que o conheci. Fui convocado para tratar da imagem da exposição "A Poética do Traço - Gravuras do Atelier 17". Desde o primeiro momento estabeleceu-se entre nós um verdadeiro entendimento. Falámos da vida deste atelier de gravura parisiense. De Hayter, o grande dinamizador e do seu convívio com os grandes artistas da época: Picasso, Kandinsky, Miró, Max Ernst e muitos outros. Encetámos o trabalho. Eu e a minha equipa envolvemo-nos com afinco para que a publicação/catálogo e todos os outros materiais de promoção fossem desenvolvidos com a qualidade que o projecto merecia. Ele gostou do resultado final. Agradeceu-me várias vezes.
- Eu é que agradeço, meu amigo.
JTD

Sol de pouca dura

Já folheei o novíssimo semanário. Um jornal fresco e diferente, dizia a promoção. Não dei por nada. O meu semanário de fim-de-semana vai continuar a ser aquele que preparo na banca de jornais aos sábados de manhã: um "cocktail" que reúne o EXPRESSO, o PÚBLICO e o DIÁRIO DE NOTÍCIAS.
O SOL? Talvez umas visitas online. A versão impressa dispenso.
JTD

Os incendiários

Não é de respeito que falamos quando falamos de religião: é de tolerância. Bento XVI pode muito bem não respeitar o que é almejado por todas as outras religiões, mas tem obrigação de saber quando as ofende. As suas palavras não são desabafos de ocasião. O raciocínio bizantino gerador da polémica não é coisa de pouca monta. Ratzinger sabe muito e deve saber o que diz. Logo o que sabe não deve ser exposto levianamente. Provavelmente não foi. Isso é que é preocupante. Andou João Paulo II de credo na boca a pôr água na fervura, para agora vir este papa deitar achas para a fogueira. Condenamos a intolerância quando referimos os atentados em Nova Iorque. É a falta de tolerância que incendeia o Mundo.
JTD

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Governamentais benzeduras

Assisti à cena, pelas televisões, causando-me perplexidade. Fernanda Câncio abordou a situação na sua habitual crónica no DN de hoje.
O primeiro-ministro compareceu à cerimónia de inauguração de uma escola pública, com direito a padre e consequentes rituais católicos. O cura debitou o discurso proselítico e alinhou as respectivas benzeduras. Qual a atitude a tomar por um alto representante de um Estado laico? Ficar de mãos atadas. Essa seria a melhor forma de respeitar a laicidade do Estado. José Sócrates, se calhar vítima de um abrupto embaraço, desatou as mãos e vá de desenhar a cruz no peito. Adianta Fernanda Câncio: "Quer releve de convicção quer de uma noção voluntarista de gentileza, o gesto ignora a distinção entre a esfera privada da vida de um chefe de Governo e a encenação pública da sua presença oficial, relegando a separação entre Igreja e Estado para as questões irrelevantes. É pena: cumprir assim a "tradição" é "limitar-se" a falhar a modernidade."
Perfeitamente de acordo. Mas acrescento mais estas interrogações: o que fazia o representante de uma confissão religiosa na cerimónia? Quem o solicitou? O Ministério da Educação? A direcção da escola? A autarquia? Quem encomendou o sermão?
JTD

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

América, a latina


Já se gastaram sobre o assunto litros de tinta e já se premiram repetidas teclas. Chávez, o Presidente eleito da Venezuela não confia em mais ninguém que consiga levar o país a bom porto. Daí a intenção de não largar o leme nem à lei das urnas. Para tal o melhor remédio é acabar com elas: urnas ao mar e todos os poderes para o homem do leme. Veremos se o Presidente eleito conseguirá fazer a transição pacífica para ditador. Espero que não. E espero também que a esquerda saiba nadar e não aceite as boias de salvação, que não serão de salvação para mais ninguém senão para Chávez e os seus intentos.
Do lado de cá, temos a alusão às colombianas FARC na Festa do Avante. Mais a defesa desta associação criminosa por parte de responsáveis políticos. Triste realidade, a deste mundo, quando os perigos ainda espreitam. E de todos os lados.
JTD

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

É uma jóia de uma pessoa

Setúbal - A super-presidente da câmara já tomou posse. Vem nos jornais que vai dominar em absoluto. Ou seja, a maioria dos pelouros são da sua responsabilidade. Só agora tomei conhecimento de uma declaração que foi título de primeira página de um jornal sadino, justificando assim as razões que lhe dão atributos para poder assumir o cargo: "Nunca fiz mal a ninguém", diz a cândida autarca. Com declarações deste alto gabarito político, podemos esperar, bem sentados, grandes resoluções políticas. E podem ficar descansados os que apoiaram a candidatura: os construtores civis e incivis, os especuladores imobiliários, as empresas de fornecimento directo, os inúmeros avençados de confiança política, entre todos, mas todos mesmo os que pisam o solo da cidade do Sado. É que a senhora presidente não faz mal a ninguém.
JTD

E quem conta um conto...

Cavaco diz não ser um político. Tem razão: o Presidente é mais um homem de boa vontade que gosta de consensos desde que seja ele a decidi-los. Enquanto se sentou na cadeira de S. Bento nunca perguntou nada a ninguém. É natural: sabia o que fazia. Agora quer que os outros, os que às vezes se enganam, se entendam subscrevendo pactos. Cavaco acredita que a governação pode ser um conto de fadas. Desde que seja ele a contar o conto.
JTD

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Problemas de audição

Usando o seu pseudónimo de Bento XVI, Ratzinger alertou para um problema que afecta o mundo: "Está surdo a Deus".
E eu a pensar que era Deus que estava distraído, daí o silêncio. Afinal o problema está em nós. Estamos de orelhas moucas. Se calhar a resposta para tanta surdez está no cartoon de Bandeira, no DN: "é das bombas".
JTD

domingo, 10 de setembro de 2006

WTC 11/9



Estava a pouca distância do WTC quando os aviões mudaram a rota. Tinha andado por lá na véspera. Assisti às primeiras reacções nas ruas. Ouvi as notícias em rádios de automóveis que paravam para disponibilizar a informação. Reparei na rapariga que ligava, desesperada, para o namorado que não respondia. Comovi-me com o seu pranto quando percebeu o que lhe tinha acontecido. Cruzei-me com as testemunhas mais próximas cobertas pela poeira da derrocada: autênticas estátuas caminhantes em incrédulo desalento. Ninguém estava a perceber muito bem o que tinha acabado de suceder. Alinhávamos hipóteses: ataque terrorista ganhou logo terreno. E agora? Tinha voo de regresso marcado para esse dia. Esquece: é esperar e estar atento. Comprar jornais, ir para Central Park perceber a vida da cidade para além da morte, voltar ao hotel, ver noticiários televisivos: "está o Bush na televisão", nada de novo, caminhar por Times Square. Muita gente na rua. Conversamos. Somos todos novaiorquinos. A vida volta com revolta. Entretanto vamos percebendo comportamentos. Por exemplo: Bush preferiu pairar nas alturas durante horas. Se calhar não estava a perceber nada. E tinha medo. É legítimo.
Regresso passado cinco dias. Era domingo. Foi bom regressar, mas vou querer voltar a Nova Iorque. Ainda não aconteceu.
Já em Portugal, há uma estação de televisão que me elege "o primeiro português regressado". Houve entrevista. Cantores pimba em antecipação. Quem me manda meter com foleiros? Não gostei. Arrependi-me, mas pronto.
Agora passaram cinco anos. Percebemos que Bush não percebeu nada. E parece que agora é que começa o debate a sério sobre as consequências do atentado. Depois de graves consequências provocadas. Pode ser que um dia a gente perceba. Pelo menos percebemos muita coisa antes de Bush. Mas isso não é nada bom.
JTD
Imagem cbsnews

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Anne Sofie Von Abba



Confesso que gosto mesmo muito de Anne Sofie Von Otter. Conservo os trabalhos em cd que a senhora vai gravando, vou-os colocando no leitor com frequência de grande fã e sonho com um concerto ao vivo. Anne Sofie (Perdoem-me este ar de intimidade, mas sabe-me bem) juntou-se em tempos a Elvis Costello e saiu trabalho bonito: afastou o registo de mezzo-soprano, imprimindo-lhe um tom coloquial, misturando a sua voz com a de Costello. Gostei, a sério. Claro que também gosto muito de Elvis Costello. Achei portanto um casamento perfeito. Não sou fundamentalista, dou-me bem com experimentações e acho saudável o convívio entre estilos e áreas. Eis que surge agora outro trabalho dos chamados "ligeiros". Tem por título "I let the music speak" e é totalmente habitado por êxitos do grupo sueco Abba. Está tudo estragado. Se por momentos a superioridade vocal de Von Otter nos faz esquecer as origens dos temas, em outras faixas estamos em plena audição de musicas de festival da canção, com todos os seus enleios. Ela vai estar na Gulbenkian no dia 4 de Outubro. Vai apresentar este trabalho. Ainda não é desta que a vou ver ao vivo. Paciência, melhores dias virão.
JTD

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Imperiais chatices

Japoneses suspiram de alívio. As notícias revelam um povo satisfeito por ter nascido um rapazinho com dois quilos e meio. Parece que está destinado, antes de pensar o que quer que seja, a ser imperador do Japão. Até aqui só haviam meninas no palácio dos príncipes e a imperial lei não permite cá miúdas em cargo de tão representativa responsabilidade. O primeiro-ministro, simpático, até já estava a fazer um arranjinho para mudar a lei no sentido da aclamação, em caso de falta de varâo, de uma menina imperatriz. Não foi preciso. Tudo acabou em bem. Ainda se vive com esta mentalidade lá para as bandas do sol nascente. Uma republicazinha não dava mais jeito? Pelo menos evitava problemas destes.
JTD

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Estimáveis livros


Foram muito utilizadas no tempo em que os livros eram objecto de culto.
Quem gostava de livros tratava-os com especiais cuidados. As capas de pele então usadas, com imagens gravadas representando escritores, protegiam as delicadas publicações dos males que as ameaçavam. Actualmente não estão muito na moda. Os livros hoje em dia têm capas reforçadas com potentes plastificações. Mas para quem ainda os quer proteger mais não confiando cegamente nessas evoluções das técnicas gráficas, fica aqui o alerta: elas existem. Já sem as carantonhas de Eça ou Camões em pose de grandes escritores, mas existem. Com outro design, é certo, muito minimalista, mas lindas. Estão à venda na O Carmo e a Trindade, uma elegante loja que insiste em fazer em Portugal belíssimos objectos de pele e seus sucedâneos. A ideia é liderada pela designer Judite Cília e fica no Largo da Trindade, mesmo em frente à entrada principal do teatro com o mesmo nome. Um pormenor: qualquer artigo vendido na casa tem assistência gratuita. Tudo isto é garantido. Sou cliente vai para duas dezenas de anos e não me queixo. Muito pelo contrário, aplaudo.
JTD

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Twombly | Fernando Pessoa



Dizem?
Esquecem.
Não dizem ?
Disseram.
Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.

Por quê
Esperar ?
Tudo é
Sonhar.

Fernando Pessoa Texto
Twombly Imagem

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Setembro


Já estamos em Setembro. O melhor mês do calendário.
É tempo de voltarmos ao regular exercício das actividades de cidadãos. Ao dia-a-dia a sério.
O período mais ou menos destinado para a tontice terminou.
Atenção: não há prolongamento.
JTD
Imagem Howard Hodgkin The Body in the Library, 1998-2003 artnet

domingo, 3 de setembro de 2006

Não me comprometam

Miguel Vale de Almeida faz aqui uma excelente abordagem à nova vaga de figuras públicas.
Provavelmente, Miguel, estas criaturas ainda nos acusam de inveja. Inveja de quê? De ser parvo?
JTD

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Um idiota é um idiota

Este debate não se passou numa série de humor. Os Estados Unidos começam a discutir com preocupação se o seu presidente é realmente um idiota. Quando se chega a este ponto...

Esta introdução abre um interessante texto do Daniel Oliveira.
Recomendo um desvio até .
JTD

Independência controlada

Ao princípio gostava daquela irreverência. Mesmo sendo um jornal de direita (sempre foi), era contra Cavaco. E contra Cavaco todos os santos ajudavam. Cavaco representava o pato-bravismo que florescia. O jornal de MEC e Portas era anti-pato-bravismo. Um pouco snob, é certo. E então? que mal tem isso contra a babuseira armada ao elegante? Tudo mudou muito. Há muito que não o comprava nem lia. Pelos vistos aconteceu o mesmo a muito boa gente. O jornal fechou. O jornalismo continua: mais independente, menos independente, mas cá anda.
Há projectos importantíssimos em determinada época, que o deixam de ser logo a seguir. É pena? Não, é a vida.
JTD

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Richard Diebenkorn | Sebastião da Gama


Para todos os que celebram hoje a data do seu nascimento.

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama Texto
Richard Diebenkorn Imagem

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Ai Timor

Timor é um caso sério. Terra abandonada. Invadida pela ditadura indonésia. Mal tratada pelos invasores.
Proclamada a independência, forças ligadas à ditadura reagem com violência.
Fomos para a rua mostrar a nossa solidariedade para com o povo mal tratado.
Foram possíveis eleições livres e a formação de um governo democrático. Governo tenta criar um estado laico. A Igreja reage. O povo alinha com padres e bispos contra o governo eleito.
Há mais confusão. É controlada a confusão: os responsáveis pelos desassossegos são detidos. O Presidente que até ali só pensava em tirar fotografias, ameaça o primeiro-ministro: "Ou se demite, ou demito-me eu", disse. O primeiro-ministro demite-se, apesar de na declaração de renúncia se perceber que é muito mais consistente políticamente do que o Presidente. O Presidente nomeia outro primeiro-ministro. Esse primeiro-ministro, então candidato a um alto cargo internacional aceita ficar em Timor, esquecendo a candidatura ao alto cargo. Declara então humildemente: "O mundo vai ter que esperar". De há uns tempos para cá, as forças estrangeiras a quem foi pedido auxilio, são constantemente apedrejadas por grupos de jovens. Hoje fugiram os responsáveis pelos tais desassossegos.
O povo desta terra está farto de sofrer. Merece o mesmo que todos os outros: respeito, educação, conforto.
Será possível fazer daquela terra um país?
JTD

terça-feira, 29 de agosto de 2006

ND - Gestão de condomínios, Lda


O DN diz, em título: "Monteiro bate à porta do PSD e do CDS".
Como a organização que dirige não tem dimensão para ter voz no panorama político do país, talvez a intensa actividade de Manuel Monteiro esteja justificada neste título. Se calhar, a Nova Democracia é assim como aquelas empresas que gerem condomínios. Tem uma campanha de Verão com uma boa promoção. chamou-lhe "Manifesto para a Direita Portuguesa". Vamos lá a ver se arranja condóminos.
JTD
Imagem dnoticias.pt

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Às aranhas

Setúbal - Aranha Figueiredo deu uma "não-entrevista" ao JORNAL DE SETÚBAL.
Todas as respostas acabam com uma decidida atribuição de responsabilidades ao seu partido.
O homem parece que não existe. Tanta insignificância já chateia.
Exemplos: "O meu partido comunicou-me que eu deveria sair e acatei a decisão."
"O meu partido decidiu assim e eu limito-me a cumprir."
"O meu estado de espírito não é relevante para esta questão.
"Em relação aos motivos que levaram a esta decisão, quem tem que responder é o PCP."
"Essas questões devem ser colocadas ao PCP."
"Essa é uma questão que deve colocar ao PCP."
Interrogado sobre se acredita que Maria das Dores Meira tem condições para completar o mandato, responde:
"Essa é mais uma pergunta que tem que fazer ao PCP:"
Como tudo o que diz para além disto é tão irrelevante como o que aqui se transcreve, ficamos a saber que tivemos um vereador sem opiniões, ou indisponível para as revelar.
O outro vai pedir aos santinhos que o encaminhe. Na Cultura, o trabalho de Dores Meira até dói. Aranha anda às aranhas, sem nada para dizer. E o PCP está-se nas tintas para esclarecer minimamente o que quer que seja.
Por aqui também já não estou com vontade de continuar a actividade de opinador sobre a questão.
Vou colocar uma tabuleta com os seguintes dizeres: "De momento não temos nada a dizer. Todas as questões relacionadas com a crise na câmara de Setúbal devem ser encaminhadas para onde lhe apetecer. Prometemos ser breves. Obrigado"
JTD