sexta-feira, 7 de agosto de 2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Memorial das ideias

Dizem por aí que as ideologias já não fazem sentido. Já não há ideias. Não há esquerda nem direita. Há boas e más pessoas. Muito bem, então a malta de esquerda escolhe as suas boas pessoas e a de direita as suas. Pode ser que fique contente com o que sobra das boas pessoas de esquerda, e ficamos assim todos amigos. Alerta à população escrutinadora: a escória de extrema-direita não se inscreve neste concurso — enm eleitores, nem eleitos —, entendido?

Ora, quem esse disparate defende, defende precisamente o que sempre defendeu a sua ideologia imobilista de direita: a política é para os políticos, e o pessoal tem é que seguir umas iluminadas criaturas, ungidas por deuses cruéis e ajustadores, porque essas inenarráveis criaturas é que sabem o que é bom para o seu povo. Esta malta até se esquece — ou nunca soube — que esses ajustadores são os piores pecadores, mas enfim...
O que está a acontecer ao mundo não nos descansa. Não nos devemos calar ou assobiar para o lado, mas é preciso colocar outros tinteiros na nossa impressora mental. Pensar, repensar e criar novos caminhos. Olhar em volta e contemplar a beleza sem os atropelos da feiura. Voltar a olhar e verbalizar o nosso contentamento. Escrever, desenhar, ler, olhar, nadar, brincar, pintar, imaginar, dormir, sonhar, acordar, abrir bem os olhos, escrever, desenhar... Fazer acontecer. Criar desassossego. Parados? Isso é que não.
Cá estarei nos últimos dias de agosto. Desejo-vos uns bons dias, com muito descanso.
A frase deste cartaz pertence a José Afonso. Escreveu-a no álbum "Galinhas do Mato". O desenho é, claro, de Hugo Pratt. Resolvi convocar dois génios para este desabafo antes do descanso. Contento-me com pouco: o melhor é suficiente.

domingo, 2 de agosto de 2026

Moralidade imoral

As palavras ficam sem jeito. Tudo o que era já não é. Vermos gente sem classificação olhar para esta tragédia como se de uma invasão de bárbaros se tratasse, é de uma imoralidade criminosa.

Não falam dos jovens mortos por terem caído na esparrela da extrema-direita internacional. A morte de pessoas não conta para esta gente inqualificável. O bocado de esterco que dirige o partido fascista português entrou logo em direto (o costume) em todas as televisões nacionais. Os seus colegas, os responsáveis por esta originalidade criminosa — Fascistas americanos, os governantes de Israel, o governo de Marrocos, os fascistas espanhóis e de outros pavimentos conspurcados —, ficam em recatado silêncio. Só a besta quadrada portuguesa usa o palco diário que a imprensa lhe acautela. Mas não está sozinho. Uma chusma de cretinos e cretinas cá do burgo embarcam na jangada da vergonha. Insultam quem sofre porque foi manipulado. Encontram estratégias criminosas: todos os que não são como nós são criminosos. A situação já está para lá de qualquer designação razoável. A solidariedade e a compaixão cristã já nem são evocadas. São passado. Coisa antiga. Será isto a democracia? Ou será que essa ideia política é já uma utopia de uma esquerda antiquada? Pelo menos de bondade precisamos. Pensem nisso, caros e caras governantes da Europa. Estamos convosco (que remédio). Estejam com quem sofre. E connosco, vá. Que é quase a mesma coisa. É que quem sofre mesmo na pele precisa de compaixão, não de agressão.

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Aos domingos - elogio do extraordinário


JOSÉ AFONSO nasceu neste dia do ano de 1929. Toda a minha vida mudou desde o momento em que dê pela sua existência. Ouvir "vejam bem" fez-me perceber que afinal havia música em Portugal. Conviver com ele esclareceu-me muito que me parecia difuso ou fez-me ver mesmo pela primeira vez. Não crescemos sozinhos. Não pensamos pela nossa própria cabeça se não fazemos por perceber a cabeça de gente assim. Gente que pensa e age. Gente que é gente e que se interroga sobre o que se passa em seu redor. 

José Afonso mudou a maneira de se ouvir música. Inventou novos sons, com instrumentos inspirados pelo corpo na matéria. Estão a ver a música de "Grândola, Vila Morena", por exemplo? O piso de gravilha foi instrumento musical. Também a  ficha técnica de um disco de Fausto assinala uma sonoridade vinda de "papel na barba do Zeca", outro exemplo. Quando surgiram os gravadores portáteis, José Afonso comprou um para lançar lá para dentro sons que lhe vinham à cabeça, ou que ouvia no ruído dos dias. A intenção era obter registos para depois trabalhar e fazer músicas novas. Nunca se entendeu muito bem com aquilo, mas a produção de novas sonoridades não deixou de existir. Rejeitava a mediocridade e a pouca exigência com a música e a cultura em geral. Era exigente e culto. Um fazedor de Cultura com cê grande que respeitava origens transformando ambientes sonoros incipientes em grandes peças musicais. Sons que vivem na nossa memória e que nos continua a surpreender a cada audição do seu trabalho gravado. Trabalho que continua a ser reeditado para bem da nossa lucidez.

José Afonso foi a grande figura do meu crescimento individual e de muitas gerações de gente nascida em Portugal e não só. Figura genial que continua a ser estudada e a influenciar artistas de agora e a ser referência de cidadania. Não existe muita gente assim. Eu tive a sorte de ser seu amigo. 

Em 2029 completam-se 100 anos sobre a data do seu nascimento. Vamos comemorar a sua vida. Uma vida extraordinária que continuará a ser lembrada.

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Aos domingos - elogio do extraordinário

 JOSÉ AFONSO 

sábado, 1 de agosto de 2026

Aos sábados - a espuma da semana

ASSALTO NO PARLAMENTO - Ainda há alguém que leve Ventura e os sessenta cretinos a sério? Há, alguns de nós levamos. E devíamos ser mais. Todos. Os deputados do chega inventam episódios que são graves para a política e a democracia transformando-os de imediato em mais um caso para o tik-tok. Apenas isso. Chamam a essas fantasias "a verdade". Parece que é assim que querem "salvar Portugal". Devíamos ser mais — toda a classe política e os cidadãos decentes — a levar Ventura e os seus comparsas a sério. Ventura é capaz de tudo. Ignorar esta gente e os seus actos é colaborar com o mal. Não dar importância a quem quer destruir a democracia não é razoável. Esta gente sem qualidades quer destruir a democracia. Ou será que já está destruída?
 
POR DENTRO DO CHEGA -É um trabalho notável. Estão lá escarrapachadas as estratégias a adoptar contra o sistema democrático por esta gente reles. Escrita excelente em investigação rigorosa e corajosa. Miguel Carvalho faz jornalismo a sério, e levou o partido de Ventura a sério. É preciso. Fala-se neste livro de gente sem princípios nem escrúpulos. Gente que não era ninguém e merecia ser assim. Deputados e deputadas sem qualquer qualificação para a função. Autarcas cretinos como o chefe e ajustadores como os fascistas. São fascistas. Ignorantes sem leituras e sem conhecimento científico e artístico. Miseráveis sem educação. Estão a crescer? São muitos? Que se lixem. E berrem longe, que o silêncio é preferível ao dislate verbal em gritaria.
 
NASCIDO PARA MANDAR - O polícia Neves lá acabou por falar. O homem acha-se o máximo. Tudo muda quando ele chega. Explica-se mal e porcamente, mas sempre com a arrogância dos chefes que não podem ser contestados. Nasceu para mandar. E para se safar.
 
ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO - E amanhã há elogio. Até amanhã. E até lá... Bom sábado.
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