sexta-feira, 7 de agosto de 2026
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Memorial das ideias
Dizem por aí que as ideologias já não fazem sentido. Já não há ideias. Não há esquerda nem direita. Há boas e más pessoas. Muito bem, então a malta de esquerda escolhe as suas boas pessoas e a de direita as suas. Pode ser que fique contente com o que sobra das boas pessoas de esquerda, e ficamos assim todos amigos. Alerta à população escrutinadora: a escória de extrema-direita não se inscreve neste concurso — enm eleitores, nem eleitos —, entendido?
domingo, 2 de agosto de 2026
Moralidade imoral
Aos domingos - elogio do extraordinário
JOSÉ AFONSO nasceu neste dia do ano de 1929. Toda a minha vida mudou desde o momento em que dê pela sua existência. Ouvir "vejam bem" fez-me perceber que afinal havia música em Portugal. Conviver com ele esclareceu-me muito que me parecia difuso ou fez-me ver mesmo pela primeira vez. Não crescemos sozinhos. Não pensamos pela nossa própria cabeça se não fazemos por perceber a cabeça de gente assim. Gente que pensa e age. Gente que é gente e que se interroga sobre o que se passa em seu redor.
José Afonso mudou a maneira de se ouvir música. Inventou novos sons, com instrumentos inspirados pelo corpo na matéria. Estão a ver a música de "Grândola, Vila Morena", por exemplo? O piso de gravilha foi instrumento musical. Também a ficha técnica de um disco de Fausto assinala uma sonoridade vinda de "papel na barba do Zeca", outro exemplo. Quando surgiram os gravadores portáteis, José Afonso comprou um para lançar lá para dentro sons que lhe vinham à cabeça, ou que ouvia no ruído dos dias. A intenção era obter registos para depois trabalhar e fazer músicas novas. Nunca se entendeu muito bem com aquilo, mas a produção de novas sonoridades não deixou de existir. Rejeitava a mediocridade e a pouca exigência com a música e a cultura em geral. Era exigente e culto. Um fazedor de Cultura com cê grande que respeitava origens transformando ambientes sonoros incipientes em grandes peças musicais. Sons que vivem na nossa memória e que nos continua a surpreender a cada audição do seu trabalho gravado. Trabalho que continua a ser reeditado para bem da nossa lucidez.
José Afonso foi a grande figura do meu crescimento individual e de muitas gerações de gente nascida em Portugal e não só. Figura genial que continua a ser estudada e a influenciar artistas de agora e a ser referência de cidadania. Não existe muita gente assim. Eu tive a sorte de ser seu amigo.
Em 2029 completam-se 100 anos sobre a data do seu nascimento. Vamos comemorar a sua vida. Uma vida extraordinária que continuará a ser lembrada.







