quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Constatação do óbvio




As pessoas mal informadas que nasceram depois de Abril de 1974 não acreditam que os últimos cinquenta anos foram os mais felizes de toda a História de Portugal. Tudo avançou a partir daí. Foram conquistados direitos e as pessoas tiveram acesso à Cultura e melhorias significativas na Saúde, Educação e possibilidade de escolhas materiais que lhes permitiram melhor bem-estar. Antes dessa data, isto metia medo.

Os direitos foram conquistados com o esforço e luta de gerações de minorias esclarecida e preocupadas com o futuro do país. Chamavam-lhes progressistas. Durante o período que se seguiu à revolução foram adquiridos direitos e estabelecidos deveres que deram folgo a outras maneiras de pensar. Foram respeitadas minorias e foi possível sermos donos do nosso próprio corpo. Falhou a lei da eutanásia, por culpa de um Presidente papa-missas que deixou arrastar essa conquista por interrogações e desconfianças sem sentido. O tal Presidente que o foi sem merecer, e que agora declara nunca mais falar de política, como se a política fosse o diabo. O diabo que o carregue. Mas teve seguidores. A extrema-direita assumidamente salazarista entrou no parlamento e arrastou para o seu catecismo a direita civilizada, que passou a não o parecer. Os retrocessos aconteceram, perante a nossa incredulidade. Como pode isto acontecer? Aconteceu.

Esta observação do alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos adverte para o óbvio. Estamos a andar para trás. Os novos representantes dos eleitores que querem andar para trás são eleitos e fazem trinta-por-uma-linha para garantir retrocessos. Direitos merecidos são postas em causa por políticos sem memória ou que fazem por se esquecer do tormentoso passado. O que será que esta gente quer para os seus filhos e netos? Tudo a toque de caixa? Voltamos ao tempo da perseguição a quem é diferente de quem manda. Vamos todos ter de ser tristes, incultos e indignos lambe-botas dos escroques da extrema-direita e dos que lhes aconchegam? 

A resposta existe, e aplica-se assim, em caixa-alta: NÃO, não queremos voltar a viver num país que não respeita toda a gente. Os novos fascistas chamam liberdade à descriminação. Dizemos não e não estamos sozinhos. Somos pela liberdade para todos. A liberdade de descriminar não é liberdade. É fascismo.