sexta-feira, 31 de maio de 2024

Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker e TIME.
Como é que é possível que um labrego criminoso deste calibre seja ainda o candidato da extrema-direita a presidente dos americanos. A extrema-direita é mesmo muito pouco exigente, mas sabe que quem nela vota também. O problema é que cada vez há mais labregos a preencher os boletins de voto com as suas cruzes sinistras.




A falar é que a gente se entende

Irene Flunser Pimentel vai estar hoje, sexta-feira, a conversar com a gente com o seu mais recente livro em fundo. Roberto Santandreu vai abrir amanhã, sábado, a sua mais recente exposição de fotografia e vai estar presente na conversa de hoje com Irene Flunser Pimentel. Afinal ele veio para Portugal no período que Irene trata no seu livro. Vamos ter, portanto, um exilado chileno a dizer as suas razões de ter escolhido Portugal. Digam lá se não vale mesmo a pena conversarmos com quem sabe o que diz e o faz com tanta generosidade. A Culsete terá os livros disponíveis para venda. Até já.



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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Vergonha alheia

Michael Cunningham disse isto em junho de 2019: "Gosto de Portugal porque é dos poucos países sem extrema-direita". Lembro-me frequentemente desta frase do escritor em entrevista ao Diário de Notícias. Pois é, parecia que o pior não iría acontecer. Mas aconteceu. Cinquenta fascistas ocupam lugares no parlamento e pavoneiam-se por jornais e televisões como se fossem respeitáveis.

Michael Cunningham está de novo em Portugal. Provavelmente ainda gosta do país, mas a ausência de extrema-direita já não mora cá. O que dirá agora desta avalanche tenebrosa que nos agride e envergonha?

Trabalhar no Estaleiro

Percebi que existia um fotógrafo chamado Roberto Santadreu por causa da fotografia que ele fez a José Afonso para a capa do álbum GALINHAS DO MATO. Depois conheci-o pessoalmente e ficámos amigos.

Percebi então o que aconteceu a este chileno a viver em Portugal desde o tempo da revolução de Abril. Não lhe agradou a ideia de viver numa feroz ditadura de extrema-direita e zarpou para Itália. A ditadura de Pinochet foi sangrenta. Mas Roberto Santadreu, já a viver em Itália, viu fotografias que mostravam a intensidade do que se passava por cá em 1974 e resolveu perceber o que estava a acontecer com os seus próprios olhos. Com os olhos e com as lentes da máquina fotográfica. Nunca mais parou de registar o que a sua imaginação foi observando. E Lisboa passou a ser o seu posto de observação. A literatura inspira-o e dá~lhe motivos para olhar e registar imagens.

Nesta exposição, na Casa Da Cultura | Setúbal, vai homenagear o grande escritor Juan Carlos Onetti, aludindo ao seu magnifico livro O ESTALEIRO. Abordaremos a vida e obra do escritor e do fotógrafo. A abertura da exposição é no próximo sábado, a partir das sete da tarde. Até lá.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Próximo da noite

PEDRO CHORÃO | Foi um regalo ter as pinturas de Pedro Chorão em comemoração de Abril/Maio. Foi um prazer desfrutar de uma qualidade estética desta dimensão. A exposição foi visitada por um público exigente — como documentam as imagens — mas ainda surpreendido pela consistência e capacidade de inovar deste artista que se recusa a ficar por simbologias gastas. Pedro Chorão surpreende sempre.
Agora que a exposição termina, ficam algumas imagens que a documentam para que a memória não nos traia. Foi nas galerias da Casa Da Cultura | Setúbal. Convivemos de perto com a excelência da grande pintura portuguesa e do mundo. Muito obrigado, Pedro Chorão.
O texto de Ana Nogueira e as imagens que documentam a exposição podem ser observados aqui:

PRÓXIMO DA NOITE

À ventania de Pedro Chorão
Por Ana Nogueira
Quase todos os dias sente-se o vento, próximo da noite. As folhas e os ramos manifestam-se, os pássaros procuram o interior das copas. É sempre este vento, mais fresco do que foi a tarde, que nos faz mudar de ideias. Comemore-se o dia dentro de casa. Um quadro de Pedro Chorão é um abrigo, temporário, enquanto o vento se instala. Um casaco bastaria, claro, mas nada se compara àquele conforto, preferimos senti-lo com os olhos.
Os ventos não mudaram, a pressão sempre existiu.Distraímo-nos com o céu azul, o calor do sol, com esta saborosa liberdade de vestir leve e uns chinelos de dedo. Expostos, até confiantes de que muitos nos acompanham, mostramos com poucas reservas o prazer de sermos. Desnudarmo-nos facilita a comunicação, expressar o que realmente quer-se dizer, ouvimos melhor? Esquecemo-nos dos ventos. Voltam porque é da natureza, raramente previsíveis à nossa perceção ocupada pela vida. A pressão é alta. Os répteis estão ao rubro nestes dias de sol, escondem-se debaixo, atrás, por entre, em buracos, nas sombras que encontram, nos fundos escuros, nas caves fechadas, nas tocas dos outros, nas cavernas que a erosão construiu. Não fazem nada. A luz, afinal em excesso, encandeia, há uma cegueira branca, sem maus cheiros, não damos muito por eles. Outro dia. As cores húmidas dos quadros de Pedro Chorão são densas, nada têm de líquido, a fluidez não interessa, a macha por vezes pastosa, multicamada sem volume a pesar como força contrária. Precisamos resistir. Arrefece, a brisa é passageira, escurece. Não se trata da noite, que é o sítio dos atentos, estamos ainda a meio do dia. Escurecem as cores, num todo, sem contraste, a paleta fresca nebulosa anuncia através de traços-mancha, pinceladas sobrepostas suficientemente visíveis para distinguirmos as necessárias, apontam em várias direções, dependendo do vento, mas em conjuntos. Pedro tem tudo sobre controlo, quer dizer, no sentido da composição que construiu, revela a eminência do caos. Avisa. Os sinais estão lá, como não percebemos isto antes? A humidade está no ar, não lava e nem mata a sede, é de ventos que se trata.A ventania agita as árvores de Pedro, põe à prova a paciência daqueles ramos, a direção muda depressa, tanta contradição, inverdade, estes ventos insistentes porque não se calam, sabem o que dizem, para eles é pouco importante, o que interessa é falar, falar, falar, até parecer verdade. Os ramos parecem partir-se, alguns podem perder-se levados pelo vento, mas é só um sonho, as árvores resistem. Caso alguns quebrem, podem sempre tentar voar, sendo certo que cairão, são partes secas que afinal o vento podou. Os troncos fragmentam-se em pedaços sem desmontar, estão ligados como uma soma de ossos articulados, como um esqueleto apertado, fragmentos muito juntos entre si, é só a nossa perceção sobre o que a ventania faz a uma árvore. Pedro Chorão tem toda a razão, isto é um momento crítico. Aqueles galhos partidos podem bem ser partes substantivas, não temos tempo para nos interrogar sobre o que vem a seguir. Instalou-se a tempestade. As árvores de Pedro mantêm-se, estão vivas. Referimo-nos à sua força, não à verticalidade, que troncos ocos mortos também ficam de pé e contra estes é benéfica uma tempestade daquelas que derruba. Ventos assim significam baixa pressão, logo, uma descida à sobrevivência, promovem insónias, olhos abertos, ficamos de sentinela. Não se trata de uma descida ao medo, as árvores fustigadas estão apenas a reagir contra a entropia. Nada está garantido. Nestes quadros a ventania cobre momentaneamente pequenas porções da fronteira instável daquelas árvores, que nos faz adivinhar uma certa configuração em movimento. Tudo mexe, o fundo disforme, a figura que se decide na indecisão da forma e da paleta, que melhor maneira de clarificar na complexidade dos seus elementos. Nesta fase, valia a pena ter um par de botas para substituir os chinelos, é uma questão de temperatura. Parece que o assunto é distinto, mas podemos regressar a um dia de sol nos quadros de Pedro Chorão. O vento mantém-se, determina o estado geral da pintura. A ventania, tão importante, sem ela ficaria outra coisa na tela. O movimento acorda. É preciso arejar, continuar mesmo quando próximo da noite estiver mais fresco do que esteve a tarde.

Pedro Chorão, Ana e eu.

Pedro Chorão e visitantes no dia da abertura.

Ana Nogueira antes da abertura.

Aspecto da exposição

Dia da abertura.

Abertura/apresentação.

João Castelo Branco e Paulo Henriques. 


Aspecto da exposição

Aspecto da exposição

Aspecto da exposição



Trabalhar no estaleiro

Percebi que existia o fotógrafo Roberto Santadreu por causa da fotografia que ele fez a José Afonso para a capa do álbum GALINHAS DO MATO. Depois conheci-o pessoalmente e ficámos amigos. Percebi então o que aconteceu a este chileno a viver em Portugal desde o tempo da revolução de Abril. Não "curtiu" a ideia de viver numa ditadura neoliberal e zarpou para cá. A ditadura de Pinochet foi sangrenta. Roberto Santadreu, ainda a viver no Chile, viu fotografias que mostravam e intensidade do que se passava por cá em 1974 e resolveu perceber o que estava a acontecer com os seus próprios olhos. Com os olhos e com as lentes da máquina fotográfica. Nunca mais parou de registar o que a sua imaginação foi observando.

Nesta exposição, na Casa Da Cultura | Setúbal, vai homenagear o grande escritor Juan Carlos Onetti, aludindo ao seu magnifico livro O ESTALEIRO. Abordaremos a vida e obra do escritor e do fotógrafo. A abertura da exposição é no próximo sábado, a partir das sete da tarde. Até lá.

domingo, 26 de maio de 2024

Imagem de Portugal lá fora

Retiro tudo o que disse sobre a atitude de Montenegro face ao logótipo do governo anterior, que o actual primeiro-ministro se apressou a substituir por uma "coisa" mais ao seu nível. De facto não fazia sentido o actual governo manter uma imagem tão bem desenhada e tão bem aplicada. A Monocle de junho conta as histórias desta história, dando-lhe a importância universal que o assunto merece. A Monocle é uma revista avisada e que investiga e divulga os envolvimentos dos bons projectos do mundo. É uma das revistas que mais me esclarece muitas dúvidas e me espevita ainda mais outras. É uma grande publicação do mundo civilizado e cosmopolita. Ora, aquele enfeite a que o governo de Montenegro chama o seu logótipo poderá merecer a atenção daquelas revistas de decorar consultórios de dentista, mas mais do que isso só mesmo por engano. Assim como a acção do seu governo não deverá passar do elogio dos opinadores distraídos ou avençados. Estão todos bem uns para os outros. Mas o mundo pula e avança — como escreveu um poeta —, a maior parte das vezes sem eles darem por isso.

sábado, 25 de maio de 2024

Receituário

Ouvir, ver, sentir. Hoje.

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Barrete


António Barreto nunca foi um exemplo de razoabilidade. Mas isso, vale o que vale. A gente já aguenta tanta porcaria que se escreve por aí... Mas agora, nesta crónica de hoje no Público, revela algo assustador. Defende que tudo serve para nos ofendermos uns aos outros. A sociedade deve ser um esgoto imundo habitado por grunhos em liberdade. O homem acha que não há limites para a ofensa. Põe tudo no mesmo saco, ou seja, acha normal que o que é vomitado na taberna seja despejado por eleitos pelo povo na casa da democracia. Provavelmente acha que assim é que o povo está bem representado. E deve achar que ofensas a mulheres deputadas pelos deputados fascistas é a normalidade democrática. Este Barreto tem uma bocarra que é um esgoto a céu aberto, digo eu, e acho que estou a ser educado. Que nojo de ser humano. Será que vai ser a nova conquista dos fascistas desbocados que vegetam no parlamento?

sexta-feira, 24 de maio de 2024


Sondagem: AD e PS continuam separados por um ponto, 43% querem PS a apoiar Governo da AD". (título do
Público).

AI AS SONDAGENS | O povo ouvido pelos fazedores de sondagens querem um "albergue espanhol" a governar. Até houve quem quisesse os fascistas do Chega incluídos na estranha equação. Parece que a destituição da chamada extrema-esquerda das hipóteses alternativas está em marcha. Uma esquerda alternativa e civilizada não agradam aos Milei, Bolsonaros, Venturas e outros valentes patriotas do exercício unipessoal da política. Trump deu o mote. A má-criação e a alarvidade racista e populista já estão instaladas nas instituições. Agora é varrer para debaixo do tapete quem se opõe à estupidez com elevação e sentido democrático. Mas do mal o menos: estas sondagnes alertam para a aversão do povo ouvido nas sondagens ao líder dos fascistas portugueses. O grunho falante esteve em Espanha, como vedeta do encontro fascista, onde foram insultados líderes verdadeiramente democráticos e competentes, e onde o pantomineiro se anunciou como próximo primeiro-ministro de Portugal, mas em Portugal parece que poucos o querem no "albergue espanhol".
Bem haja, o povo ouvido nas sondagens. Não te agaches, povo das sondagens.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Perguntar não ofende

Deputados de várias formações partidárias falavam em privado "desta matéria" com amargura. Ninguém gosta de ser insultado de maneira tão boçal. Tudo o que Isabel Moreira agora denuncia é verdade. Os deputados do partido fascista — posso dizer assim, não posso? Posso —, praticam a insolência com frequência. Aguiar Branco teve mesmo que chamar-lhes a atenção pela maneira como se dirigiam aos seus pares. Já os insultos a quem não está presente parece que são permitidos. Ainda não percebemos se estes insultos por parte dos grunhos fascistas — posso dizer assim, não posso? Posso — são liberdade de expressão ou nem por isso. A ligeireza impera. Continuamos a não perceber que exemplo de cidadania quer o parlamento de Aguiar Branco dar ao país. Claro que o eleitorado do Chega aprova esta "liberdade". É assim que comunicam e convivem nos seus dias. Mas o parlamento deve alinhar nessa má-educação reaccionária?
A pergunta é: os deputados fascistas podem mesmo dizer, grunhir ou rosnar tudo o que lhes vem à emporcalhada cabeçorra? 

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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Foi uma revolução, estúpidos!

Irene Pimentel vem conversar sobre o seu livro "Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975". Título longo que conta uma longa história. Histórias da nossa História recente aqui abordadas por quem sabe. Irene Flunser Pimentel investigou, foi aos sítios onde tudo aconteceu e perguntou aos envolvidos nos acontecimentos. O resultado deu neste livro que conta tudo. Irene vai contar ainda mais, acreditem. Vamos conversar com ela no último dia de Maio. Até lá.


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domingo, 19 de maio de 2024

Cantar Alentejano


CHAMAVA-SE CATARINA | Catarina Eufémia foi assassinada por um criminoso da GNR, neste dia, há setenta anos. José Afonso cantou-a. Assinalou esta morte e tornou o exemplo de Catarina intemporal. Recordamos a sua curta vida e abraçamos a sua luta contra os fascistas. Não passarão.
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Vai para a tua terra

É PEDIR MUITO? | Excelente, a crónica de Ana Sá Lopes, no Público de hoje. Pedro Aguiar Branco não sabe ser segunda figura do Estado. Não é um estadista. Faz-nos sentir vergonha alheia. O homem corrige os deputados do Chega que não beberam chá em pequenitos, mas fica-se por aí.

Provavelmente porque ele próprio não foi educado nos princípios da cidadania e da solidariedade. Da educação mais elementar em política, diga-se. Fiquei surpreendido quando ele se manifestou na Avenida em comemoração da liberdade. Pareceu-me atitude perante as tropelias dos fascistas do Chega na eleição da presidência da Assembleia da República. Mas afinal a Liberdade para ele é uma salada estranha onde até cabe o desrespeito pela liberdade dos outros. Não o podemos mandar para a terra dele? No entender dele podemos. E até dava jeito, a bem da normalidade e do civismo democráticos. E da boa educação, já agora.

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sábado, 18 de maio de 2024

Receituário

MOSTRAR O ATELIER | Chamou ATELIER a esta exposição retrospectiva. São mais de 1500 trabalhos, executados ao longo dos cinquenta anos de actividade. As obras são quase todas do acervo do artista, e muitas delas nunca foram expostas. Poderá ser uma das grandes e melhores exposições do ano em Portugal. Está patente nas antigas instalações da Mitra, ali na nova zona da movimentação cultural e de lazer da cidade capital.
PEDRO CABRITA REIS
ATELIER
19 Maio a 28 Julho
Pavilhões da Mitra
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SPAM CARTOON | Cristina Sampaio, André Carrilho, João Fazenda e Tiago Albuquerque animam os monitores televisivos com os seus desenhos animados. Critica, reflexão e solidariedade em movimento. Agora resolveram mostrar como o fazem e abriram exposição no Museu Bordalo Pinheiro. Está lá tudo explicadinho. O mentor do projecto, João Paulo Cotrim, não foi esquecido. Para além do desenho de André Carrilho, ele anda por ali, percebe-se tão bem. A exposição é saborosíssima. Está por lá até setembro, salvo erro. A não perder. 

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Gravíssimo

Depois de Ventura justificar ataques a pessoas, vem agora Aguiar Branco associar-se ao líder racista. Parece que a ofensa racista é permitida no parlamento enquanto durar o seu mandato. Chama liberdade de expressão ao apelo maldoso e criminoso. José Pedro Aguiar Branco ainda pode ser a segunda figura do Estado, com poderes num parlamento de um regime democrático?
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sexta-feira, 17 de maio de 2024

Receituário

Siza. Imperdível. Até finais de agosto. Avisados.
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Hoje, dia 17 de maio (sexta-feira), pelas 18h30, no Museu Bordalo Pinheiro inaugura a exposição "SPAM CARTOON. Animação de Guerrilha".

Nesta exposição, trazemos até ao museu vídeos e desenhos de André Carrilho, Cristina Sampaio, João Fazenda e Tiago Albuquerque realizados para o Spam Cartoon da RTP, programa que comenta temas da atualidade, as polémicas e as grandes figuras políticas, através do cartoon animado.
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quinta-feira, 16 de maio de 2024

Argentina chora


Três mulheres morrem vítimas do ódio sexista. Mulheres que não se enquadram no registo que o presidente imbecil acha normal, são atacadas por um criminoso inqualificável. O crime está a chocar a Argentina. O discurso de ódio de Milei transforma-se em estratégia de ataque.

O homem que despreza e combate tudo o que o afronta, e que é elogiado e recebido por todos os seus pares por esse mundo fora como um herói, está a alimentar o ódio no país. O "milagre económico", tão elogiado pelos neoliberais de todo o mundo — em Portugal, os partidos de extrema-direita, IL e Chega, manifestaram de imediato euforia aquando da eleição do troglodita — tem no apoio às pessoas e às famílias o seu maior inimigo. A economia cresce, as pessoas mirram. Lá como cá, as pessoas são apenas carne para canhão eleitoral. O populismo precisa delas para colocar os neofascistas no poder. Sim, são fascistas sem pudor em matar quem não os apoia nem reconhece. São os bancos e a actividade económica que importam. As pessoas que se lixem. E as minorias são para matar, por maioria de razão.
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Da lucidez

Este cartoon é da autoria de Baltazar. Foi desenhado para um jornal português e publicado no período no chamado PREC (iniciais de Processo Revolucionário Em Curso). Representa Helmut Schmidt apresentando Melo Antunes a Kissinger. A mensagem é de uma lucidez ideológica notável, em tempo de reconhecimento da ideologia como lucidez.

Baltasar era um dos mais interventivos cartoonistas da época. Tinha opiniões e soltava-as nos jornais. Ficávamos pequenos a olhar para aqueles casos sérios de opinião e intervenção política. Baltazar vai ser um dos homenageados da Festa da Ilustração - Setúbal deste ano, em que comemoramos a liberdade de expressão e participação na política e na expressão cultural na nossa terra. Recordo-o com este cartoon porque encontrei o recorte entre outros, também de outros incríveis ilustradores.

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segunda-feira, 13 de maio de 2024

O libertino passeou por aqui


Luiz Pacheco nasceu a 7 de Maio de 1925. No próximo ano comemoramos 100 anos do seu nascimento. Espero que se comemore esta data com a intensidade que a figura literária merece. Fomos amigos. Almoços, encontros com outros amigos e episódios de comum convívio aconteceram amiúde. Também tivemos as nossas porras. Mas quem não teve porras com o Pacheco?
A fotografia foi tirada pelo Maurício Abreu no seu atelier de trabalho. Depois das chapas fomos almoçar. Mais imagens surgiram. E histórias. Tenho muitas para contar. Algumas pouco contáveis, mas que se lixe. Foi muito tempo de convívio. No próximo ano, se não vos maçar muito, contarei tudo o que me lembrar. Tudo verdade, apesar da dúvida poder surgir. Até parece mentira, dirão alguns. Nem por isso, dirão outros, os que o conheceram.
Luiz Pacheco foi um caso. Lembrá-lo e lê-lo é o melhor que podemos fazer, em tempos de plástico e pechisbeque.

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Oximoro


Paulo Rangel recusa genocídio, mas diz que catástrofe humanitária exige condenação.

Ministro dos Negócios Estrangeiros considera que seria "injusto" dizer que Israel pretende eliminar o povo palestiniano, mas realça a existência de uma catástrofe humanitária. [Diário de Notícias de hoje].
Ou seja: não é merda da grossa, é apenas um nauseabundo mau cheiro.
Não estou a fazer humor com coisas sérias, esta gente que nos governa é que encara tudo com uma ligeireza que não deveria ser levada a sério. É triste serem ministros e secretários de estado e directores disto e daquilo, quando não sabem que direcção tomar. Que tristeza de gente triste.

domingo, 12 de maio de 2024

A origem do mal


Depois de um ataque racista a pessoas que dormiam tranquilamente em suas casas, e depois de declarações racistas legitimando esse ataque pelo repugnante líder dos fascistas portugueses, e pela inenarrável procuradora geral da — dizem que é — justiça, uma manifestação fascista é autorizada. Foi no Porto, que a manifestação autorizada pelo braço armado do Chega — não podemos esquecer que o partido fascista tem a PSP e a GNR no bolso — e pelo presidente da
Câmara, Rui Moreira, aconteceu.

Por outro lado, os antifascistas também sairam à rua para demonstrar que o ódio não é solução. Cinquenta deputados fascistas no parlamento não podem justificar o ódio. Eles são o ódio. A solidariedade deve ser para com os de baixo, com os que sofrem de agressões de toda a espécie, os que não conseguem dormir descansados. Os que sofrem ataques racistas devem ser acarinhados. Racistas/fascistas é que devem ser odiados. São eles a origem do mal, da insegurança das pessoas. São nossos inimigos.

sábado, 11 de maio de 2024

José Afonso poeta


Encontrámo-nos para falar da poesia de José Afonso. Falámos de poesia, música, vida. Ouvimos Jorge Abegão contar os enredos que o levaram a encontrar poemas publicados na imprensa e por lá esquecidos. Ouvimos Filipe Fialho em interpretações para as soluções encontradas pelos músicos para as melodias. Ficámos a perceber melhor como casam as melodias com as palavras. Tivemos o gosto de ter presente Zélia Afonso. Percebemos com ela onde foram escritas certas
músicas e ao que aludem. Foi na Casa Da Cultura | Setúbal. Foi muito bom estarmos ali uns com os outros. Aprendemos muito. Aprendemos sempre muito. Obrigado a todos.