quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Perfeitamente imbecil



"Perfeitamente imbecil", é o que o escultor Rui Chafes pensa daquela ideia tão engraçadinha de pôr uma escultura a falar. Isto é: a pôr um trabalho de Rui Chafes a dizer coisinhas engraçadinhas. Esses "artistas" humoristas acham que podem fazer o que quiserem a partir dos trabalhos de artistas que fizeram um trabalho sério. Rui Chafes não é um escultor de encomendas em microondas. É um artista sério, que investiga, trabalha as ideias e aplica essas ideias no terreno com seriedade. Diz-se que o humor é coisa séria. Estes humoristas de "o pai dá puns e a gente ri-se" ainda não perceberam isso. Rui Chafes diz que vai reagir. É bom que o faça. Os artistas não podem ficar sujeitos à actividade "artística" de parolos sem respeito por nada nem ninguém. 

Imagens: Fotografia de Rui Chafes - António Cotrim Agência Lusa.
Fotografia de escultura - getLISBON

Philip Glass


Hoje é dia de se ouvir Philip Glass. Amanhã também, provavelmente.

Philip Glass 87


Em viagem a Londres, há umas dezenas de anos, descobri um fotógrafo chamado Robert Malethorpe. A exposição era impressionante. Fotografias de amigos, gente da cena novaiorquina da época, impressas em grandes formatos, em tela. Muitos desses amigos e amigas de Mapplethorpe eu já conhecia. Mas havia um ou outro que me foi apresentado ali. Um deles foi Philip Glass, o grande nome da cultura mundial que hoje celebra mais um ano de existência. Sigo-o desde aí. Uma vez estive com ele, juro, falámos. Foi quando ele veio fazer a ópera O Corvo no tempo da expo´98.

Todos os outros nomes que não conhecia passei a conhecer. Uns e outros são meus companheiros de aventuras diárias. Sinto-me cúmplice. Sinto-me amigo.

Parabéns, senhor Glass.

As imagens que estão a ilustrar este paleio são todas do Mapplethorpe. Na primeira imagem Glass está acompanhado por Bob Wilson, amigos e companheiros de jornada artística.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Entre os melhores


Gonçalo Frota, em crítica no Ípsilon, colocou-a entre Björk e José Afonso. No próximo sábado Ana Lua Caiano vai estar no auditório Carlos Paredes, em Benfica. Ouvi-a na sala José Afonso, na Casa Da Cultura | Setúbal, em concerto de véspera da sua apresentação na ZDB. Rendido, acompanho este percurso com curiosidade e entusiasmo. É bom ouvir Ana Lua Caiano. A música portuguesa precisa desta qualidade e exigência. É urgente o rigor, é urgente a exigência estética. E ética, já agora. Seremos muitos, seremos alguém, como disse José Afonso numa canção.

Os energúmenos

OS ENERGÚMENOS que se estavam a preparar para agredir as pessoas que vivem nas redondezas do Martim Moniz já não podem concretizar a agressão. A razoabilidade triunfou. Polícia e autarcas estiveram de acordo em considerar provocação gratuita, com perigosa violência associada, a manifestação que os energúmenos pretendiam fazer. Mas note-se que as bestas já saem das tocas em verborreia racista e fascista. O nazi a quem os tribunais deram razão no processo contra Mamadou Ba brilhou na comunicação social. Já não bastava o chunga do Chega habitar todos os noticiários. Cinquenta anos depois da conquista da liberdade, já há tentativas de agressão à liberdade conquistada. Se a chamada "aliança democrática" chegar ao poder, os fascistas que já vegetam no parlamento vão crescer ainda mais. A aliança será alargada aos fascistas do Chega. Há por aí tanta gente que dá razão aos energúmenos. Esta gente que não respeita aqueles que eles acham diferentes, e que combate o sistema democrático, só ouve esta gente repugnante. Quem vota nesta gente é gente repugnante.

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domingo, 28 de janeiro de 2024

Contra a habilidade, sempre!


Morreu Robert Whitman. Começou a surpreender no final dos anos 1950. Eu nasci depois disso e apercebi-me que ele existia em consulta de publicações editadas em Nova Iorque. Segui-o de perto com o oceano de distância. O meu conhecimento destes artistas foi-me dado pelo meu interesse por publicações pioneiras de arte e ambientes sofisticados publicados"lá fora". "Cá dentro" não havia nada. Rauschenberg e Whitman criaram juntos performances e instalações multimédia que marcaram a cena novaiorquina. Whitman realizou trabalhos pioneiros que incorporavam imagens em movimento em construções complexas. Muitos trabalhos e de grande qualidade. Whitman sempre trabalhou no território da performance e da imagem em movimento. Aprendi com ele a buscar e apreciar a originalidade e a desprezar a banalidade habilidosa.


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Gente nova, por dentro e por fora


Pauliana Valente Pimentel já foi a muito lado. Correu mundo. Fez imagens em todos os sítios por onde andou. Mostra sempre aquilo a que muitos chamam "a diferença". O que ela mostra e prova é que somos todos iguais, apesar de alguns acharem que são "mais" do que outros. São esses que estabelecem as diferenças e classificam quem é assimilável pela sociedade e quem não o é. Sempre houve gente assim, com a mania das diferenças. Antigamente dizia-se "com a mania das grandezas". Esta exposição que agora abre da Pauliana vai mostrar a Lisboa de agora. Gente nova de Lisboa. Abre dia 3 de fevereiro. A imagem que o convite exibe estimula a curiosidade. Dá para perceber que ir até lá é obrigatório. Imperdível.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Da beleza e do mistério


Einstein foi à praia com Bob Wilson e Philip Glass. Na RTP2 está a passar um documentário que o prova. Por aqui passam os grandes nomes da performance. Willem Dafoe, Marina Abramović, Tom Waits, entre os que persigo. Tão bom estar entre os melhores nesta fantástica noite de sábado. Recomendado. Não percam.

Transformações


Morreu Carl Andre. Artista superior. Fazia assim: tirava as coisas de um lado e colocava-as noutro. Mudava tudo, não mudando nada. Se calhar era o nosso olhar que transportava as coisas que ele ía dispondo de um lado para outro. O material era o que lhe aparecia pela frente. Chamaram-lhe minimalista por causa disso. Parecia que uma certa preguiça lhe tomava o corpo. Não era: era uma vontade de transformar não mudando nada. Os seus poemas são projecções de palavras que se tornam superfícies visuais perturbadoras. A grande confusão na obra de Carl Andre percebe-se na gestão que faz dessa confusão. Traduz-se numa serena confusão de elementos visuais, perdoem-me o oximoro.
Foi bem ter vivido no tempo deste artista visual/poeta. Muito obrigado.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Quero-te mais do que à vida

A presença das formigas

Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida

José Afonso

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Gente benzoca

A "gente de bem" que o chunga do Chega tanto apregoa é gente assim. Este Maló arranjou uma casa em Luanda para justificar mais setenta e cinco mil euros de ajudas de custo. Deslocava-se na prática entre Coimbra e Lisboa, mas oficialmente apanhava um avião para Luanda. Este "bem nascido" enganou o Parlamento e roubou-nos a todos nós. É esta gente que quer acabar com o sistema. De facto, este sistema em que vivem do salve-se quem puder deveria mesmo de acabar. Mas o que o chunga do Chega quer é acabar com o sistema democrático. Assim ainda são descobertos. No sistema do "salve-se quem puder desde que sejam os nossos" a coisa vai de carrinho. É um ver se te avias.

Fonte: revista Sábado.

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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Dia Internacional da Educação


A Educação é universal. A Educação é transversal a raças, credos, opiniões pessoais. A Educação não restringe a opinião; permite que a opinião se torne atitude. Sem atitude não há opinião. Sem opinião a Educação não se instala. A política é fundamental para que a opinião seja educada. Os políticos mal-educados são rudes, toscos, mentirosos. A Educação é essencial à política, à cultura, ao divertimento. Mas a Educação sem atitude não é Educação. A bajulação não é Educação. É falta dela.

Bom Dia da Educação para toda a gente.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Receituário

A Cristina Sampaio vai mostrar, na Casa da Imprensa, o seu trabalho feito durante o ano de 2023. Sigo o trabalho da Cristina desde que ela começou a ocupar espaços na imprensa escrita e depois na RTP com o Spam Cartoon. Foi a convidada da Festa da Ilustração - Setúbal em 2019. E, é claro, somos amigos. O design expositivo da mostra é da responsabilidade de outro amigo: Jorge Silva. É por todas estas razões e ainda mais algumas que não vou faltar. Lá estarei na rua Horta Seca, na próxima quinta-feira, ao fim da tarde. Até já, Cristina.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Geringonça chunga

O partido chunga está a receber a chungaria toda. Saem do PPD/PSD como ratos que abandonam o navio. Desconfiam que o naufrágio é eminente. Os chungas ameaçam porque percebem isso. Já só pensam no poder. Falam como vencedores. O chunga-mor já parece governo.

Será que é desta que o PPD/PSD se vê livre dos fascistas que ainda lá andam? São tantos e tão maus. Sinistros. Gente tão ruim.

Senhora Arte

MARIA DA GRAÇA CARMONA E COSTA | É o que diz o Pedro Chorão. O que fez pela Arte em Portugal não cabe em classificações. Também fazia vinho. Uma vez perguntei-lhe o que achava do seu vinho. Nunca o provei, respondeu. Não bebia vinho. Confiava em quem o fazia. Mas sim, a Arte provou e deu a provar. O conhecimento e reconhecimento da Arte em Portugal deve-lhe muito. Grande Mulher, assim, com M grande. Muito obrigado, Maria da Graça Carmona e Costa.

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domingo, 21 de janeiro de 2024

SOLIDARIEDADE


Queremos ser informados por jornalistas sérios. Queremos jornais sérios. Esta posição do André Carrilho é a de quem é sério e solidário. Estou com ele. Estamos juntos. Sempre!

"Não tenho falado publicamente do Diário de Notícias, nem da Global Media. Sou parte interessada. Comecei a trabalhar no DN em 2007 e durante 16 anos fui o cartunista e ilustrador residente. Decidi interromper a minha colaboração a semana passada, depois de uma conversa franca e amigável com a direcção editorial antes da passagem de ano. As minhas razões obviamente incluem a recente crise no grupo com suspensão de pagamento, mas também opções pessoais que fazem parte do trabalho de freelancer. A porta manteve-se aberta de ambas as partes para voltar. Mas este é o primeiro Sábado em 16 anos que não tenho um desenho publicado no DN.
No meio destes tempos tumultuosos a lealdade que sinto com o legado do DN e as pessoas que lá trabalham, incluindo a direcção editorial, entra em conflito com a luta laboral e a indignação contra quem destrói um património de todos nós. De passagem pondo em causa a pluralidade do espaço público e do jornalismo em Portugal. Ser leal a um legado, a uma marca, a uma equipa ou a um ideal de jornalismo? Tenho muito a dizer sobre a situação do DN, mas não quero contribuir para que desapareça. Eis a questão que eu e outros colaboradores das publicações da GMG navegamos, muitos em silêncio ponderado. Participo nas acções colectivas de luta, deixando a iniciativa aos que têm vínculos contratuais, mantendo a minha perspectiva individual reservada. Mas hoje a posição só pode ser esta: a minha inteira solidariedade pelos que lá continuam, e o meu aplauso por esta capa histórica. Estamos juntos, sempre."
André Carrilho.

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Prazer

O prazer é um instante. O seu tempo é bom, acaba, mas fica a memória do encantamento e dessa verdade. Falámos da verdade, sim, e da mentira que a combate. Dos tempos perigosos, das pessoas perigosas, do nosso tempo. Tentamos perceber porque nos acontece tanta coisa ruim. Mas também festejámos as coisas boas.

"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho", disse Bernardo Soares (Fernando Pessoa).
António de Castro Caeiro não faz viagens ao futuro. Guia-nos no presente com mensagens do passado. Tentar perceber a realidade passada e presente é assunto da filosofia. Isso ajuda-nos? Claro, é para isso que serve a filosofia.
Foi tão bom estar aqui. Muito obrigado, António. Até breve.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Falamos porquê?


As palavras que empregamos não são recuperáveis. Se calhar, nem a língua em que falamos. E, tal como num sonho, estamos sempre a procurar perceber em que situação é que estamos, como fomos lá parar, como a criámos ou caímos nela. É no horizonte da existência, no esforço contínuo em fazer sentido, obter inteligibilidade, anular a opacidade e ganhar transparência, que existimos continuamente. Nunca se desliga o interruptor das palavras pensadas. É como fazer
música, tal como diz Sócrates noutro diálogo.
António da Castro Caeiro. O QUE É A FILOSOFIA?

Vamos conversar com António De Castro Caeiro, no espaço João Paulo Cotrim, da Casa Da Cultura | Setúbal. Vamos usar todas as palavras que a língua nos permitir. E o palato, é claro, porque estas conversas com o António são sempre muito saborosas. Até lá.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Receituário


Miguel Navas é um artista a revisitar sempre. Mergulhamos nas paisagens que interpreta com a tranquilidade de quem encontrou o clima perfeito. Quando desconstrói elementos do dia-a-dia, esclarece-nos sobre os verdadeiros intentos dos ambientes visados. Ou não, cada um interpreta esses atropelos ao rolar dos dias como entender. Os auto-retratos inquietam. O desprezo pelo bonitinho piroso dita as regras. É a liberdade de criação que conta. Conta muito. Original e conspirativo, conta também comigo nessa caminhada. Aguarda-se uma grande exposição nesta casa das artes que valem a pena. Até já, Miguel.

MIGUEL NAVAS "Uncertain Smile".
Auto-retratos e Paisagem. Pintura | Desenho
Inauguração: Sábado. 20 de Janeiro. 16h00/20h00

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Contra a invisibilidade


Desde que leio jornais que oiço falar em crise nos jornais. Leio jornais desde os primeiros anos em que aprendi a ler. Claro que a minha preferência aconchegava-se nas páginas ditas para a miudagem. O meu pai era devorador de jornais. Sempre entraram dois títulos por dia lá em casa. Cresci assim, sempre rodeado de papelada impressa. Tornou-se uma necessidade até hoje, e espero que me acompanhe até ao fim dos meus dias.

Os bons jornalistas denunciam. Os bons jornalistas procuram, analisam, escrevem e transmitem o conhecimento que adquirem. Fazem muita falta. Faz-nos bem ter acesso à denúncia.

Em tempos em que fascistas se reúnem legalmente e já defendem o indefensável, é bom que os jornalistas denunciem as barbaridades sugeridas pelos fascistas e pelos que acham que tudo é relativo e que os fascistas também são gente. Os fascistas não são gente. São grunhos falantes. São repugnantes.

Em tempos em que as negociatas banqueiras são chocantes e nocivas para todos, é bom que os jornalistas investiguem e nos informem a nós e a quem governa. Banqueiros corruptos devem estar na prisão e não nas poltronas das suas faustosas instalações profissionais.

Em tempos em que as polícias das cidades e dos campos só pensam em humilhar e insultar cidadãos estrangeiros e cidadãos portugueses que defendem o convívio entre pessoas diferentes, é bom que os jornalistas nos informem das atrocidades praticadas pelos chamados "agentes da autoridade" sobre os cidadãos.

Em tempos em que políticos misturam tudo: poder com negócios e actuam como se isso fosse possível em República e em democracia, é bom que os jornais investiguem e denunciem essas trapalhadas. 

Em tempos em que a procuradoria justiceira de um país quer moldar políticas e actua como vulgar delinquente de extrema-direita, é bom quando percebemos isso pela investigação jornalística.

Em tempos em que os artistas das rotundas e de outros ornamentos decorativos saem descaradamente em defesa das técnicas do plágio para assim resolverem a sua conta bancária sem grande esforço, e envergonham e enganam poderes institucionais e incautos apreciadores com a sua retórica balofa e triste em defesa do indefensável contra o óbvio, seria bom que jornalistas honestos investigassem os porquês de tanta arrogância da ignorância.

Em tempos em que escritores de prateleira de supermercado vendem lixo como literatura e enganam com técnicas "literárias" de auto-ajuda os incautos leitores de toda a trampa, é bom quando jornalistas experimentados mostram o que é literatura a sério.

Em tempos em que o panorama musical é inundado por gente abjecta que canta e declama "literatura de cordel" e apela à misoginia e à violação, ou ao amor de estalo e safanão, é bom quando os jornalistas nos revelam a boa música que existe e se faz no mundo. 

E quando, em tempos de busca da perfeição tecnológica, dirigentes mundiais de extrema-direita  declaram guerras para conquista de territórios, usando a tecnologia para matar, como se ainda vivêssemos nas trevas, são os jornalistas que nos informam, pondo em risco a sua própria vida.

Falo dos jornalistas sérios e competentes. Não incluo aqui os jornalistas a mando dos patrões dos grandes grupos que só pensam em lixar isto tudo. E a nós e a eles também.

Jornalistas devemos ser todos. Por necessidade de nos informarmos e por solidariedade com quem sabe informar. Mas jornalistas mesmo são estes que agora estão a sofrer a pressão dos que pretendem ser os donos disto tudo.

Precisamos de vocês. Solidariedade.

Imagem: Pistola instalada em frente à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foi concebida após o assassinato de John Lennon. Escultor: Carl Fredrik Reuutersward. Fotografia: ONU/Manuel Elias.

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Do nojo e da raiva

 Nuno Camarneiro no seu mural do facebook:

Enoja-me o tempo televisivo dedicado ao Ventura, enoja-me o Ventura, enoja-me que comentem o Ventura como se dissesse algo que mereça ser comentado, enoja-me que nos 50 anos de Abril seja novamente "normal" ser-se fascista, enoja-me que outros não se enojem, enoja-me que quem devia ser sério não o seja e lhe dê uma ponta que seja de razão. Enoja-me chegarmos aqui e estarmos tão atrás, enoja-me que não aprendamos nada e nos sujeitemos a repetir tudo uma vez mais, enoja-me a ignorância, a desfaçatez, a mentira e o oportunismo. Enojo-me a mim mesmo de todas as vezes que, ao ver o Ventura na televisão, não desligo o aparelho e abro um bom (ou mesmo mau) livro. Puta que pariu o Ventura, puta que pariu os que apoiam o Ventura, puta que pariu os que ouvem o Ventura e puta que pariu os que não mandam para a puta que pariu o Ventura.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Júlio Moreira



Morreu o Júlio Moreira. Escreveu livros, desenhou paisagens, projectou ideias e conceitos e aplicou-as no terreno. Viveu discretamente apesar da substantiva obra que deixa. Essa, a obra, grita e esbraceja. Apreciador de uma boa conversa. Simpatia e sabedoria em salutar convívio. Viverá e conviverá connosco para além deste fim. Abraços para a Ana Viegas e para o Tiago Montepegado. E muito obrigado, Júlio.

domingo, 14 de janeiro de 2024

A pés juntos

"Ainda bem que é verdade, ainda bem que é mentira".

Começa assim uma canção de José Afonso. A verdade existe para quem mente? A mentira é em algum caso legítima? A Filosofia esclarece, ou confunde e atormenta?

António De Castro Caeiro regressa a Setúbal. Vinha cá com o nosso amigo João Paulo Cotrim para a iniciativa FILOSOFIA A PÉS JUNTOS, ideia do João Paulo. Depois do desaparecimento do João ainda fizemos duas sessões com a colaboração do Luís Gouveia Monteiro. O António vem agora falar sobre o seu mais recente livro, editado pelas Edições tinta-da-china. O título ameaça: O QUE É A FILOSOFIA? António de Castro Caeiro vai responder como sabe. E ele sabe tanto...
Vale a pena aparecerem por aqui.
A Culsete assegura a venda dos livros.

sábado, 13 de janeiro de 2024

Margem sul



Foi bom receber as fotografias de Luis Ramos nas galerias da Casa Da Cultura | Setúbal. É bom podermos olhar para este surpreendente trabalho até ao fim de fevereiro. É muito bom percebermos que somos todos diferentes, e nisso somos todos iguais. É excelente estarmos aqui a festejar a diferença e a convivência de diferentes num dia em que asquerosos fascistas se reunem em convenção em Viana do Castelo. Estaremos sempre contra os apologistas do extermínio, mesmo quando disfarçado. Festejamos a autenticidade cultural. Festejamos a vida. Parabéns, Luís Ramos.