Caros senhores António José Seguro e Luís Montenegro. As polícias em que têm tanto orgulho agrediram pessoas que pacificamente se manifestavam. Como têm tanto orgulho nas vossas polícias, era bom que se deixassem de aplausos laudatórios e viessem dizer qualquer coisa sobre isto. É que parece que ainda vivemos em democracia e os estimáveis senhores foram eleitos por nós. Precisamos de saber com o que contamos. Não se importam de vir até aqui, ao terreno onde tudo está a acontecer? Chama-se Portugal, e os senhores são responsáveis políticos. Sabem disso, não sabem? Era só...
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
De olhos bem abertos
Esta eleição não é só do Presidente do Brasil. Lá como cá, as pessoas perceberam que havia um biltre da extrema-direita ali por perto: desqualificado, malcriado, ignorante e capaz de tudo, até de entregar o país ao outro biltre americano. As pessoas ainda abrem os olhos quando percebem que tudo pode piorar. O mundo precisa de gente com ideias e não de mentecaptos. Lula deve começar já amanhã a pensar que não é eterno. Nada é eterno. Mas esperemos que a democracia dure muito tempo. O tempo preciso para expulsar os vendilhões e esses novos fascistas arrivistas.
domingo, 25 de outubro de 2026
Permitam-me a intromissão no vosso descanso, principalmente no descanso dos esclarecidos opinadores que me tentaram explicar como devem actuar as forças policiais em democracia (bem, a democracia não é bem preocupação dos esclarecidos opinadores) e como se deve ter opinião sobre isso.
As esclarecedoras opiniões fervilharam de emoção: "As que caíram no chão é que se perderam", "Carrega polícia", "Devias era de trabalhar", "Tu é que devias levar nos cornos", "Se fosse eu a mandar era à bala", "Viva o chega", "Viva André Ventura", "És um porco", "Esquerdalhos de merda", e assim sucessivamente. Acreditem que estes insultos não me afetam por aí além. Mas por princípio apago-os todos e bloqueio os seus autores para os deixar no seu sossego sem que as minhas opiniões lhes tirem o sono. É que a maioria das opiniões destes exaltados defensores da ordem são perpetradas durante o sono dos justos. Ora, estes bloqueios dão-nos felicidade a todos: aos opinadores e a mim. Muitas vezes bloqueio essas opiniões por compaixão. É que para além do exercício de uma escrita que ofende a língua de Camões e Pessoa (o que é para mim pecado imaterial), são de uma indelicadeza e ignorância que assustam qualquer ser humano mais atento à realidade. A delinquência do apelo à violência já é defendida como preferência justiceira. Sinto mesmo vergonha alheia pela palermice que se lê. Quando vamos até lá, ao perfil dos esforçados militantes do disparate activo, percebemos que andam muito esclarecidos em matéria de carros de cilindrada elevada, são velozes motards, adeptos de jogadores da bola de sucesso e também amigos de animais de defesa e ataque, para além de reconquistadores de uma pátria que não sabem muito bem onde é, e crentes sempre com a mão no peito, na bíblia e na carteira. Também se identificam orgulhosos seguranças privados e ex-combatentes. A ordem e a violência aplicadas a quem é diferente deles são as preocupações que os fazem dizer coisas da boca para fora. Ou do teclado para a frente, vá.
Fascistas, marialvas, machistas e outros trogloditas: as vossas opiniões revelam a vossa tristeza. Mas a vossa infelicidade não é para aqui chamada. Não percam muito tempo em respostas esclarecedores. Vocês não esclarecem nada. O vosso "esclarecimento" não é respeitável. O vosso líder é um mentiroso compulsivo que não merece qualquer respeito. Não o incluam nas vossas miseráveis opiniões como um exemplo. Não o é. Ele e vocês são apenas uns cretinos sem educação e sem documentação. Fiquem longe.
Polícia assassina?
sábado, 24 de outubro de 2026
Livros e mais livros
Os livros são o lugar onde vamos perguntar o que ainda não sabemos. Somos uma nova editora dedicada a dar voz a novas ideias: ficção e poesia, ensaios inquietos, clássicos esquecidos. Obras daqui e de outros lugares.O mundo é o nosso gabinete de trabalho.
Acreditamos num fazer editorial em que o tempo é cúmplice — onde cada obra é acompanhada de perto, do primeiro rascunho ao desenho da capa e ao encontro com quem lê.
Não seguimos modas passageiras. Queremos construir um espaço onde a literatura tenha tempo para respirar e onde os autores encontrem um verdadeiro parceiro de trajeto.
Publicamos histórias que ficam.
Fazemos livros com boa impressão.
Queremos causar boa impressão. Facebook
Álvaro Salazar
Morreu o maestro e professor. Aqui há uns dias tivemos um encontro na DDLX, com a redacção da revista Glosas, do MPMP, para fecharmos o exemplar que lhe é dedicado. Conheceu os conteúdos, mas não a vai ver impressa. Mas isso, que importa? O que lhe devemos não cabe nos limites do formato A4. Não tem limites o nosso reconhecimento. Muito obrigado, senhor professor. O que nos deixa não será esquecido. faremos por isso. Facebook
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Roma/Setúbal na capa de um disco
Quando José Afonso convidou João de Azevedo para conceber graficamente a capa do disco, havia uma grande distância a separá-los. João estava em Itália e José Afonso em Setúbal. A encomenda foi feita com a tecnologia possível na época: o telefone fixo. José Afonso ligou ao João, solicitando-lhe a tarefa. O briefing foi feito assim: José Afonso cantarolou ao telefone a música que dá nome ao álbum e descreveu a ideia geral da coisa. Entendido o pretendido, o João envia de Roma para Setúbal, por correio, o resultado final, com três hipóteses para escolha. A ilustração mantinha-se, mas os fundos ficavam à escolha do freguês José Afonso. Um era azul mais ou menos turquesa, outro era num amarelo assim para o torrado, e a terceira opção era o rosa vivo, que veio a ser escolhido pelo dito freguês. Esta história foi-me contada pelo João. Sei que José Afonso ficou radiante com este trabalho — disse-mo a mim. Eu também gosto muito desta capa.
O álbum "Com as minhas tamanquinhas" saiu em 1976. É o trabalho mais directamente político de José Afonso. Andam por lá denúncias, ironias, gozos tremendos. Os desenhos de João de Azevedo documentam essas preocupações e desejos, agora que estas músicas únicas e intemporais voltam a circular nos pratos dos gira-discos, nos leitores de CDs, nas plataformas musicais e nos nossos sentidos.
Muito obrigado, João de Azevedo. Muito obrigado, José Afonso.
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
José Afonso - 100 anos
terça-feira, 20 de outubro de 2026
SOLIDARIEDADE
Esperemos que Luís Neves esteja mergulhado em documentos para se defender e não dê por isto. E esperemos que os deputados do CDS e do partido fascista tenham juízo. Sei que é pedir muito, mas podemos sempre tentar ir ao encontro da razoabilidade, nestes tempos em que a estupidez invadiu o poder político.
Trazemos livros na mala
O escritor e editor Luís Filipe Sarmento bateu no ponto: «Já comprámos direitos de autor de vários escritores, poetas e filósofos estrangeiros e contamos já com alguns escritores portugueses que estão connosco nesta viagem inicial».
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Velhos são os trapos
A expressão «velhos são os trapos» é do povo. Perde-se no tempo. Poucas expressões traduzem tão bem a resistência ao declínio físico e mental como esta. A energia e a capacidade de acção de uma pessoa não se medem pelo calendário do telemóvel, e a máxima marca pontos quando aplicada à trajectória política de Lula da Silva.
Lula é um líder mundialmente conhecido e reconhecido. Para muitos, um fenómeno de resistência e de eficácia na acção política. Mudou para melhor o Brasil. A situação em que aquele país se encontra, assistindo à disputa entre o actual presidente e um bandido descendente de outro, não augura nada de bom. Mais um regime em que se tenta impôr um certo aroma monárquico no pior dos sentidos.
Lula está com idade para descansar. Merecia. Mas a escolha de outro candidato decente, de esquerda e com respeito pela democracia e pela justiça social está a ser difícil. Haddad foi um excelente candidato, e seria melhor presidente do que o pai Bolsonaro, mas aconteceu o que aconteceu. Vença ou perca as eleições, o espaço democrático da esquerda tem que encontrar outro candidato para o futuro, é certo. A idade não perdoa e ninguém é eterno. Mas enquanto isso não acontece, o melhor seria que os brasileiros escolhessem Lula. Está velho? E então? Preferem um jovem delinquente?
Velhos são os trapos.
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS.
domingo, 18 de outubro de 2026
Que faremos quando tudo arde?
sábado, 17 de outubro de 2026
Vamos publicar ideias novas
Vivemos no nosso tempo. O futuro é daqui a pouco. Novas ideias estão a caminho. Muita coisa para ler e ver e contar. Estamos mesmo a chegar. Trazemos livros na mala. Até já.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Joaquim Letria
Morreu Joaquim Letria. Conheci a sua generosidade e sentido de humor nos princípios dos anos noventa do século passado, quando ele lançou o seu “Histórias para ler e deitar fora”. Percebiam-se o humor e o despretensiosismo. Foi jornalista, fundador de publicações e assessor de comunicação de Ramalho Eanes em Belém. Era um excelente conversador. Sou testemunha. Mas isso fica para outro dia. Recordo aqui o homem bom. Muito obrigado pelo uso inteligente que fez da liberdade de comunicar.
Receituário
O novo trabalho do Teatro O Bando estreou e vai estar em cena até 12 de Novembro. Quem quer conhecer a vida do menino Afonso?
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Polícia assassina?
A polícia não foi obrigada a actuar daquela maneira. Pedro Duarte mente. A polícia mente. As imagens não enganam. O presidente da Câmara do Porto é um mentiroso. Montenegro diz que não há razão para este protesto em Portugal. Deve viver longe, com certeza. As forças policiais foram criteriosas, adianta. As chamadas forças de segurança iniciaram a carga de porrada quando os manifestantes cantavam Grândola, Vila Morena. Percebe-se o incómodo. Arrearam com gosto. Os dois partidos neofascistas, apoiantes de Mileis, Trumps e Bolsonaros, pela voz de Pedro Pinto e de Mariana não-sei-o-quê, condenaram manifestantes e apontaram responsáveis: PCP e BE. Percebe-se. Estes bem acomodados políticos de pacote da farinha amparo estão todos bem uns para os outros. A mentira é a liberdade para esta gente sem qualidades humanas. Indigentes políticos que ambicionam o fim da liberdade real.
Miserável violência
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Eles são capazes de tudo
Duas mulheres evidentemente conservadoras — uma delas até em gozo de licença de maternidade — invadiram a rádio dos estudantes da Universidade de Coimbra. Uma atitude pouco conservadora que é, evidentemente, um crime.
terça-feira, 13 de outubro de 2026
A bem da noção
«Ensinar o povo português a ler e a escrever, para tomar conhecimento das doutrinas corrosivas de panfletários sem escrúpulos, ou das facécias malcheirosas que no seu beco escuro vomita todos os dias qualquer garoto da vida airada, ou das mentiras criminosas dos folhetins políticos, é inadmissível. Logo concluo: para a péssima educação que possui e para a natureza da instrução que lhe vão dar, o povo português já sabe de mais.»
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Regresso
Regresso a este convívio depois de uns dias de contemplação e investigação. O projecto editorial que abracei com entusiasmo solicita-me exigência e sugere-me documentação. Estou em pleno e persistente estudo da história recente do design editorial. Claro que essa recolha não existe. Inventei-a. Criei essa história para minha própria documentação. Tudo o que se faz por aí me interessa; já o que se diz, interessa-me cada vez menos.
O que se diz nunca foi tão sombrio e rasteiro. O mundo está pornograficamente possuído (a expressão foi pensada) por gente sem qualquer classificação. Tarados moralmente indigentes decidem politicamente. Dirigentes mundiais não passam de meninos malcomportados — delinquentes, sim, mas mais perigosos. As nossas vidas estão ameaçadas por estes palonços envaidecidos pela sua ignorância egocêntrica.
O debate televisivo circula entre um futebolista e um "mister" — um ressabiado, o outro farroncas. Ou farroncas os dois, vá. De repente, acabaram todos os problemas sobrantes. Só a bola interessa. Só a bola?! Não, há outro assunto que mobiliza as redacções televisivas e os respectivos comentadores avençados: o Pedro deu uma entrevista. O líder da oposição-sombra ao Governo diz das suas. Nada de novo a assinalar: maldicência e ressabianço ao rubro. O líder neofascista é notável, diz. O país aguarda a salvação, pelos vistos. Quem será o salvador principal? Pedro ou André? Pode ser divertido assistirmos à luta pela cadeira da presidência do Conselho de Ministros, mas não desejável. Chegaremos a um tão baixo estado do exercício da política?
Um protesto pacífico pela falta de habitação é ameaçado pela selvajaria policial da Câmara Municipal dirigida por outro Pedro: o Duarte. No Algarve, morrem três trabalhadores vítimas das condições de trabalho. Trump continua a mentir descaradamente para ver se se safa em Novembro. Ventura continua a mentir descaradamente, tentando enganar seguidores e todos nós, como se fôssemos todos parvos como os seus seguidores.
Esperem, pára tudo: Ventura já está na RTP a falar com Vítor Gonçalves, provavelmente sobre o falatório reaccionário do inenarrável Passos. Aquilo é matemático. O "sai sempre" da moda. Não ouço, não frequento, mas sou contra na mesma. Estas sucessivas performances do biltre neofascista são uma ameaça à saúde de qualquer cidadão razoável. Metem nojo.
Enfim, o mundo pula, mas não avança. Fiquem bem, apesar de tudo. Até já.
Cartoon: Nuno Saraiva/Inimigo Público
O futuro pulsa dentro da cabeça
Sofia Corradi é carinhosamente tratada por «Mamma Erasmus» por quem aprecia o desenvolvimento da Educação. As impossibilidades que lhe criaram no regresso a Itália, depois de ter estudado fora do seu país, com o apoio de uma bolsa, levaram-na a lutar para que outros jovens não viessem a sofrer os mesmos atropelos no seu percurso e no seu futuro. Sofia Corradi é a grande obreira desta ideia magnífica.
Como consultora científica, elaborou o documento que serviria de base à criação do programa Erasmus. Nele se defendia a possibilidade de um estudante realizar parte do seu curso no estrangeiro, com a garantia de equivalência e de reconhecimento dos créditos no seu país de origem. A ideia avançou e foi consolidando estruturas. Hoje, é um auxiliar precioso para muitos jovens que, graças a este programa, podem conhecer mundo e preparar o futuro.
Foi Jacques Delors quem acarinhou a ideia e a fez crescer. A educação na Europa deve muito a este homem, um visionário que soube interpretar o que fazia falta e tomar decisões para o concretizar. mas a aprovação não foi unânime. A extrema-direita sempre reagiu contra estas iniciativas. O nacionalismo serôdio não os deixa sair dos buracos onde se alojam, nem querem que mais ninguém cresça. O imobilismo e a ignorância ficam-lhes a matar. E hoje, numerosamente representados nas estruturas de decisão, fazem o que podem e não podem para minar o terreno de incultura e mesmo de ignorância pura.
Esta é, portanto, uma ideia que devemos defender com unhas e dentes, como dizia o povo, mas também com o coração, que «pulsa dentro da cabeça», como defendia Cruzeiro Seixas — precisamente onde está o cérebro, que tanta falta faz aos defensores de novos salazares e afins.
Lembrei-me de falar nisto porque está a decorrer, em Lisboa, um encontro onde se debate e se procura esclarecer o futuro do projecto.
Boa sorte! A juventude que pisa o terreno europeu agradece. É o futuro da Europa e do mundo que beneficia destes esforços.

































