segunda-feira, 9 de março de 2026

Seguro não é Marcelo. E será Seguro seguro?


Não gosto da maneira de estar e agir de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também não alinhei naquela tese de que, com ele candidato, vinha aí o fascismo. Na altura o fascismo ainda não era perigo e nem havia a necessidade de nos unirmos contra um candidato fascista, como aconteceu nestas eleições presidenciais. Na altura apenas aleguei que ele não merecia ser Presidente. Acho que não deve ser Presidente quem tem apenas a necessidade de exercer um egocentrismo desmesurado. Mas, caramba, sempre nos despedimos de Cavaco, esse sim, um Presidente que nos tirou do sério com tanta demonstração de mau carácter.

Seguro é diferente de Marcelo. Mas será para melhor? A tomada de posse foi mais do mesmo. Sem diferenças em relação a cenas anteriores: a leitura da acta por um tatibitate fascista traz de novo o quê? Aquele desfile infrequentável de basbaques no beija-mão, difere de quê em relação a entronamentos anteriores? E os discursos de Aguiar-Branco e Seguro, o que trazem de novo para além do que poderíamos imaginar? Nada. Zero. E o efusivo cumprimento especial ao líder fascista traz de novo o quê? A normalização entusiasmada e manteigueira do partido fascista? E a manifestação fascista fora do parlamento, foi autorizada? E os disparos dos canhões, provam o quê?
O meu Presidente de referência foi Jorge Sampaio. Lutou contra a ditadura, foi um excelente tribuno e um inovador autarca. E como Presidente da República foi corajoso e perspicaz até ao ponto de ter de mandar às urtigas um primeiro-ministro de extrema-direita que orientava um governo indescritível, composto por ministros que agora estão no partido fascista. Jorge Sampaio foi um grande senhor da resistência e da democracia. Um homem íntegro, culto, generoso e com um inquebrantável carácter.
Agora era preciso votar contra um fascista mentiroso compulsivo que apesar desse anátema consegue juntar mais de um milhão e meio de cretinos e pulhas à sua volta. Foi o candidato menos votado de sempre numa segunda volta. Mas mesmo assim é muito voto para um mentiroso compulsivo. Já Seguro foi o mais votado de sempre. Sabem a razão, não é verdade? As pessoas unem-se contra a falsidade. E Seguro não é falso.
Nunca votei em Marcelo, não me imagino a ter saudades dele, e espero não me arrepender de ter votado com convicção em Seguro. Sim, votei convictamente contra a mentira e o ódio. Espero que o novo presidente nos surpreenda, e que abandone a manteiguice do discurso de miss universo.
Muito obrigado, senhor Presidente Jorge Sampaio.


Deu-me para isto

Estou a tentar assistir à tomada de posse do novo Presidente. Estava a ver um tótó a ler a acta da coisa, quando alguém da estação de televisão me avisa que o tótó é um recém eleito deputado do partido fascista. Tem ar de tótó, fala como um tótó, e será um tótó, mas, pior: é um jovem fascista. Também reparo que a estação de televisão foca com insistência o líder fascista. Mas o que é que se está a passar? Porquê o tótó a ler a acta? Para quê esta insistente normalização do partido fascista? Que se lixe o juramento. Adeuzinho.

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DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Há quem tenha pudor em chamar fascistas aos fascistas. Ontem ouvi João Miguel Tavares muito irritado por se chamar fascista a Ventura. Foi no programa "Isto é gozar de quem trabalha", que tem Ricardo Araújo Pereira ao leme. Tavares foi anunciado como "passista". Percebi mal se será por ser adepto do candidato a novo líder da extrema-direita ou se é por ser mesmo defensor de um passado de ajustamentos que não conheceu. Nisso não acredito, mas nunca fiando. Aqui vai esta capa da The New Review, que já não hesita em chamar os bois pelos nomes. Na América o fascismo está em andamento. 

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domingo, 8 de março de 2026

Galeria Presidencial

Os Presidentes saem, mas ficam por lá retratos pintados por artistas por eles escolhidos. As diferenças de linguagens estéticas são notórias. Mas os retratos lá convivem. Não têm outro remédio. 
Comento apenas as escolhas dos Presidentes eleitos depois da Revolução de Abril.
 
Ramalho Eanes, primeiro Presidente eleito, escolheu Luís Pinto Coelho para o retratar. Pintura clássica, mas com laivos de descontraída contemporaneidade. Há quem goste.
 
Mário Soares alterou regras. O classicismo até então reinante foi posto de lado. Chamou o seu amigo Júlio Pomar, que já lhe tinha desenhado um retrato quando estiveram os dois presos pela ditadura fascista de Salazar. Trabalho que se exprime em ambiente característico do pintor. É um retrato descontraído, fora das exigências tradicionais. Um bom retrato. 
 
Jorge Sampaio convocou Paula Rego para a tarefa. Não é um dos grandes trabalhos da artista, mas mantém a dignidade da galeria presidencial. Paula Rego confessou mais tarde que não ficou satisfeita com a obra. Eu gosto.
 
Cavaco Silva escolheu Barahona Possollo. A obra encaixa perfeitamente nas exigências intelectualmente pouco exigentes de Cavaco. Ultra conservador, sem inovação e sem emoção. Parece homenagem a Henrique Medina. Detesto. 
 
Marcelo Rebelo de Sousa falou com um artista da moda, mas que é também a escolha mais ousada. Marcelo quer sempre estar na crista da onda. Um retrato bem ao estilo de Alexandre Farto — Vhils — vai agora ornamentar a galeria. Jornais com notícias impressas sobre a actividade presidencial são matéria usada. Assim à distância dá a impressão de se tratar de cópia com pouca definição. Essa percepção transporta fascínio. Quero observá-lo ao vivo para confirmar a minha empatia. Assim a esta distância gosto do que vejo. Boa decisão de Marcelo, que hoje ocupa o lugar de Presidente pela última vez.
 
Amanhã o Presidente passa a ser António José Seguro. Faltam muitos anos para a escolha do artista que vai imortalizá-lo no Palácio de Belém. Que técnicas ou vontades estarão na altura em voga? Esperemos que a tradição reaccionária não faça recuar a liberdade da expressão artística. Com o avanço das ideias contra-progresso da extrema-direita nunca se sabe.

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8 DE MARÇO | De que falamos quando falamos de democracia?

Teresa Morais presidiu ao debate e enfrentou a delinquência. O chefe do partido com nome de detergente mentiu — olha a novidade — em relação a atitudes de mulheres de esquerda no parlamento, com especial foco em Isabel Moreira. O costume. 
 
Teresa Morais reagiu defendendo o bom funcionamento da democracia na sua casa representativa. O chefe do dito partido não gostou e o responsável pelo curral também não. E o inenarrável Filipe Melo saiu da mesa de onde costuma mandar "boquinhas nojentas" para Isabel Moreira e foi para o curral dirigir bocas porcas para a dita mesa. Uma acção que já é um costume entre os habitantes do curral.
 
Teresa Morais inscreve assim um registo que deveria ser habitual no parlamento. Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado português, permite tudo porque acha que, no seu entender, tudo pode ser permitido. Só se apercebeu da ordinarice que ali se instala diariamente quando se fartou de ser chamado repetidamente pelo chefe do curral com estalos de dedos, como quem pede um copo de três na tasca do lugar onde se diverte.
Teresa Morais devia ser Presidente da Assembleia da República em permanência. 
 
Neste DIA INTERNACIONAL DA MULHER, é da maior justiça realçar quem nos defende dos energúmenos que nos agridem a inteligência e a decência com a sua desbragada má-criação e falta de sentido de Estado, e democrático, já agora. É importante denunciarmos quem não nos respeita. É bom haver quem defenda a decência. Pessoas como Teresa Morais, sendo alguém que não caminha pelo nosso trilho, permite que nos encontremos na esquina onde uma placa imaginária assinala: RUA DA DEMOCRACIA. Que misóginos, machistas, fascistas e outros manhosos malabaristas da vida vão para outra rua. FASCISTAS RUA!

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8 DE MARÇO - Dia Internacional das Mulheres

Continua a fazer sentido assinalar este dia com intensidade e denúncia. A discriminação sexista continua. A agressão continua a ser permitida quase sem disfarce. Com o crescimento da extrema-direita racista em Portugal e no mundo a normalização do machismo e do racismo já se instalaram no parlamento português e também no europeu. No resto do mundo também há regressão. 

Marielle Franco foi assassinada por fascistas bolsonaristas  em 14 de março de 2018. Ser feminista, negra, de esquerda e ainda por cima assumindo atitude pública são virtudes que não agradam aos delinquentes que querem dominar o mundo. Os novos fascistas estão aí. Já não têm vergonha na cara. São criminosos encartados ao serviço de uma ordem mundial que é dominada por multibilionários — a expressão não é exagerada — sem escrúpulos. Já há os que defendem a proibição do voto das mulheres. A ordinarice estende-se a mulheres apoiantes da extrema-direita. Uma cretinice difícil de compreender.

Honra às mulheres feministas, de esquerda, de direita, mas com atitude progressista. As que dizem que isto é tudo treta que se lixem. Também existem. Mas a parvoíce não tem género nem ideologia. É só parvoíce.

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sexta-feira, 6 de março de 2026

Da bajulação

Espanha demarca-se da agressão protagonizada por Trump e Netanyahu. O governo português tem um entendimento totalmente diferente. Na cimeira luso-espanhola que está a decorrer em Huelva o desconforto foi notório. Eu assisti em directo, via televisiva, às lamentáveis declarações de Montenegro. Só não estou envergonhado porque me estou borrifando para Montenegro e para o que diz. Só lamento que ele seja primeiro-ministro de um governo tão lamentável. Trump, Netanyahu, Montenegro a mesma luta. A direita no poder é tão "wonderful", como diria Trump.

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Receituário

BLAC DWELLE | Hoje, dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00, inaugura nas Carpintarias de São Lázaro, Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.
Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Homenagem

Leio o escritor desde "Memória de Elefante", seu primeiro trabalho literário publicado.  Convidei-o para uma apresentação desse livro em sessão "Dois dedos de conversa com...", nas iniciativas que ocupavam as sextas-feiras aos fins de tarde no Círculo Cultural de Setúbal. Ano? 1979.

A conversa com o escritor foi notável e memorável. Tive com ele um relacionamento extremamente simpático, que desmentiu a ideia do homem distante e dado a poucas falas. Fiquei sem perceber de onde surgiu essa ideia. A conversa marcou-me e esclareceu-me muito sobre o que é o carácter de um homem que tem a fama de ser terrível só porque se preocupa com o que se passa em seu redor. Viver em voz alta parece dar má fama, mas faz bem a quem assim vive. A obra de Lobo Antunes não tem paralelo. É um trabalho único e exemplar. O escritor é exigente com o leitor. Ler Lobo Antunes não é fácil. A expressão "lê-se como um romance" é um disparate que aqui ultrapassa o classificável. Ler Lobo Antunes torna-nos diferentes. Aprendi muito com ele e vou continuar a aprender. Como? Ora, porque vou continuar a lê-lo. Muito obrigado, mestre. Foi muito bom viver no teu tempo. Vamos continuar a viver-te.

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Receituário


É hoje ao fim da tarde, na Culsete. O título atrai. O autor vai estar presente e a Daniela vai apresentar. Bons motivos para se passar por esta livraria que resiste e insiste na boa literatura na cidade. Os resistentes que apreciam o que de melhor se vai fazendo com a utilização das palavras merecem este esforço. E a Culsete merece o nosso apoio. Vamos lá.

Dia Internacional de Sensibilização para o Desarmamento e a Não-Proliferação

Olumuyiwa Ogunbamow and his son Adefie (5), visiting from Nigeria, take photos in front of the “Non-Violence” (or “Knotted Gun”) sculpture.
Photo:UN Photo/Kim Haughton
 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Blac Dwelle

No próximo dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00 inaugura nas Carpintarias Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.

Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

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terça-feira, 3 de março de 2026

Cincidências ou coerências?

Todo esse regime é liderado por clérigos radicais que não tomam decisões geopolíticas. Eles tomam decisões com base na teologia; na sua visão da teologia, que é apocalíptica.
 
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, sobre o Irão
 

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Da série Grandes Capas. The New York Times magazine.
Toda a violência deverá ser castigada. Honra a Giséle Pelicot. 

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA MATOU 25 PESSOAS NO ANO PASSADO, informa título da Lusa. O crime é sexista. As mulheres são as vítimas de criminosos disfarçados por um certo discurso de discriminação que volta a ser usado como factor de liberdade. A tal liberdade que os novos fascistas reclamam, como defendeu Umberto Eco. Liberdade de ficar em casa, dependente do homem, a arear tachos, e liberdade de arrear mesmo nas mulheres que trabalham e fazem tudo em casa depois desse horário. Sempre foi assim, nunca há-de ser diferente. Logo, a apologia desta treta está já no discurso político dos novos fascistas. Não, tem mesmo que ser diferente.
 
Nos regimes autocráticos teocráticos sempre foi e é assim: o papel da mulher é irrelevante. Em alguns a repressão é exercida com violência: no Afeganistão, no Irão, Sudão, Somália entre outros, os direitos das mulheres são nulos. Alguns gabam-se de que esses direitos existem. O direito à vida não é negado, até porque são as mulheres que transportam a vida. Sem elas não existiriam homens. Logo o direito à vida é um direito assegurado. Mas, que vida é essa? Onde há repressão, as mulheres são sempre as mais reprimidas. 
 
Aqui, em Portugal, o femicídio é crime, claro, mas a mentalidade machista criminosa esquece o castigo quando o ódio prevalece. Continuamos a perceber que os crimes aumentam de ano para ano sem que se perceba como acabar com isto. As leis existem, as denúncias são feitas, mas há sempre uma oportunidade para o crime. Quem é criminoso não desiste. A solução está na atitude das autoridades. A denúncia tem que ter efeito. Mas a escola tem que desempenhar o seu papel. A violência no namoro assusta. Tudo começa aí. É isso que tem de acabar.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

Até parece mentira


O candidato derrotado ao prémio Nobel da Paz, e que inventou guerras para dizer que acabou com elas, inicia guerras para que lá na terra fiquem esquecidos dos seus feitos pedófilos. Há dinheiro com fartura e jovens para morrer na guerra pela paz. Mandou a mulher dizer coisas na ONU e atacou com promessas de libertação. Fantástico. 

O que está a acontecer no mundo é uma guerra mundial por parcelas. Coisa moderna. Diferente. Com apelos à mentalidade Ronaldo: tu consegues. És o maior. Vamos ser grandes. Depois há os que assistem de bancada, como o governo de Portugal. Ai, não?! Então? Ah, pois é, desta vez não somos neutrais. Não apoiamos quem ataca mas atacamos quem ataca os agressores. O Irão tem um regime teocrático, mas daqueles sem presépio. Ainda se fosse um regime que impusesse um catecismo em cada esquina, mas não, aquela gente acredita em coisas estranhas, a abater. O governo português tomou posição contra o Irão porque ataca tudo em seu redor como se não houvesse amanhã. Não está a haver amanhã para muita gente, é certo. Mas o governo Montenegro/PSD/CDS já perdeu a guerra das palavras, pelo menos. Perdeu uma oportunidade para ficar calado. Para dizer disparates já bastam Passos Coelho e Ventura. Aquilo devem ser nervos.

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domingo, 1 de março de 2026

Passos perdido

Este combatente pelo ajuste permanente das nossas vidas acha que faz muita falta ao país. Se o governo não conseguir aprovar a lei que põe toda a gente a trabalhar mais e a ganhar menos ele sugere ajuste eleitoral. 
 
Estamos sempre todos a viver acima das nossas possibilidades. Todos? Todos menos ele, que se apresenta ao serviço em áreas do ensino para que não tem qualquer classificação a não ser o ter sido político profissional. É o profissionalismo à Salazar. Da cunha que habilita o biltre fascista. O outro quer três assim. Já temos esse proponente, agora mais este, e o outro deve ser sugerido em mesa pé de galo em contacto com o líder que caiu da cadeira, dirigida pelo veterinário chalupa que acompanha o outro, o dos três salazares.
 
Tudo isto poderia ser ridículo como é tudo o que sai do partido com nome de detergente — o governo-sombra do Chega é para rir —, mas desta vez não é ridículo, é perigoso. Esta sinistra criatura já ameaça: "se voltar é pelas piores razões". É o regresso do génio ajustador. O sábio que sabe o que está mal. O sebastianismo permanente alimenta uma direita vazia de ideias que só pretende esvaziar o que nos protege e dá ânimo. Passos Coelho está perdido. Por favor não lhe indiquem caminhos. Não forneçam carne morta ao abutre. 
 
Fotografia de José Coelho/Expresso

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Como se não houvesse amanhã

Se te queres matar, porque não te queres matar?

Álvaro de Campos. Obras de Fernando Pessoa 

Este título do poema de Álvaro de Campos parece ter sugerido o mote ao autor deste COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.  O autor é Sérgio Godinho, conhecido por saber dar música às palavras que nos esclarecem sentimentos e atitudes, mas que também usa as palavras para fazer literatura. Este livro tem paginadas quinze histórias que abordam situações limite. O que leva alguém a cometer suicídio? Ou quase, vá? As respostas podem ser muitas. As histórias deste livro revelam várias hipóteses de escolha. É pegar ou largar.

Vamos conversar com Sérgio Godinho — eu e a Rosa Azevedo —  na primeira edição desta nova iniciativa que junta a livraria e editora SNOB à DDLX, que é mais imagem e design de comunicação. Vamos falar sobre este seu livro e também sobre os outros, e talvez ainda haja tempo para conversarmos um bocadinho sobre a sua vida na música. A livraria SNOB é ali entre a Estrela e o Rato, e é uma das mais competentes livrarias da capital da república. O convite está feito.

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Odiaremos o ódio



A LIBERDADE FAZ-NOS CRESCER |
Foram os encontros mais gratificantes entre todos os que já promovi. Honra e prazer em ter entre os meus amigos António Cabrita, Viriato Teles, Jorge Abegão, António De Castro Caeiro e Fernando Cabral Martins. Terminou esta sexta-feira a minha exposição na Galeria da Biblioteca Camões, com uma conversa de alto gabarito intelectual que já constitui história nas vidas de quem participou. Fernando Cabral Martins contou-nos histórias do seu Fernando Pessoa e António de Castro Caeiro falou dos sentimentos que trazemos agarrados ao corpo e que às vezes nem percebemos que são sentimentos. Terminámos em beleza. Um luxo, sem qualquer dúvida.

 
Foram quatro semanas de apologia do conhecimento cultural e da substância intelectual. E foi divertido, sim, a cultura não é chata, quando é exigente e consistente. Chatos são os apologistas da ignorância. Agradeço a todos os participantes acima mencionados, às pessoas que quiseram estar presentes , mas também a Ana Nogueira, curadora da exposição e a Thales Soares, programador da Biblioteca Camões. Foi "quase" um prazer, como diria João Paulo Cotrim. Há esperança para quem insiste em pensar e em reagir. Resistir ao anúncio da desgraça.


Como disse José Afonso em entrevista a Viriato Teles: “O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!”.

Seremos gente. "seremos muitos/seremos alguém", como cantou José Afonso. E "Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte", como acrescentou Sérgio Godinho. Vamos ter encontros para conversar em prazenteiro convívio. A amizade recompensa. A liberdade faz-nos crescer. Odiaremos o ódio, com a paz das palavras.

AS PALAVRAS
Matérias transformadas
por José Teófilo Duarte.
Finissage em 27 de Fevereiro. 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.

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