quarta-feira, 13 de maio de 2026
Deus, Pátria e homilia
terça-feira, 12 de maio de 2026
Receituário
É invulgar, este rigor na percepção dos sons que já soaram, e também na estética visual. Ansioso por ouvir e ver o novo trabalho de Ana Lua Caiano.
Sérgio Godinho em Palmela
No próximo dia 16, sábado, a Rosa Azevedo e eu vamos conversar com Sérgio Godinho. É mais uma proposta SNOB/DDLX, que desta vez vai ocupar o espaço da Biblioteca Municipal de Palmela.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Do arrojo...
Montenegro diz que país precisa de “sindicalistas com arrojo”, criticando "sindicatos do século XX". Estruturas ultrapassadas, sugere. Notícia da LUSA
O homem julga estar muito à frente, coitado. Foram os sindicatos do século XX que lutaram para que os trabalhadores o fossem com direitos e deveres mais compatíveis com as funções desempenhadas. Montenegro e os seus amigos neoliberais e até os descarados fascistas querem regressar ao século XIX, onde o valor do trabalho estava ao nível da sobrevivência apenas. Esta gente não está muito à frente, como parece fazer crer. Não há nada de novo no pacote laboral. É tudo velho e serôdio. Charles Dickens, que nasceu em 1820, e que viveu observando a Revolução Industrial, escreveu os livros que esta gente não leu, e que descrevem tão bem o tempo a que querem que o mundo dos trabalhadores regresse.
A Greve Geral que aí vem tem de ser uma demonstração de força como o foram as grandes greves do século XX, que exigiram melhores salários, redução da jornada de trabalho, participação na política (todas as greves são políticas, estúpidos), e resistência ao autoritarismo patronal e governamental. E aconteceram para que hoje as pessoas que trabalham tenham direitos considerados normalíssimos: férias pagas, segurança no trabalho e negociação coletiva. Resistir, é preciso.
domingo, 10 de maio de 2026
Aos domingos - Elogio do supérfluo
CONTRA O ESQUECIMENTO - Elogiando o que muitos desvalorizam. Hoje só se dá importância ao sucesso pessoal, à obstinada carreira profissional, ao poder do dinheiro, ao que é caro porque é caro. O lazer, a curiosidade intelectual, a contemplação das coisas simples, são ideias ultrapassadas colocadas nas caves do esquecimento.
É o elogio das coisas boas da vida que se pretende fazer com estes relatos de domingo. A felicidade está nas ranhuras das coisas que ficaram para trás. É percebendo o que foi feito que ficamos mais apetrechados para fazermos o que queremos e que nos traz bem estar. A nossa vida pode mudar perante a descoberta de uma nova ideia na Arte. Ou mais esmiuçadamente na literatura, na natureza, na música, num objecto de design, numa pintura, num livro, numa atitude transformadora.
Vivemos com o corpo todo. Olhamos, ouvimos, lemos, usamos os sentidos para nos esclarecermos, e resolvermos problemas, para nos sentirmos melhor. Vamos lá falar do supérfluo sem peias, mas com rigor. Vamos falar do que não nos alimenta fisicamente, nem nos agasalha, nem nos enrica. O que observamos tem autor. O que fazemos tem as marcas do trabalho de muita gente que viveu antes de nós e que se preocupou em nos deixar uma vida melhor. Falemos do que nos traz felicidade.
GERHARD RICHTER - Snow-White
Tem 102 páginas. Formato: 21,5X15 cm. Na capa o nome do autor e o título: Gerhard Richter Snow-White. À folha de rosto antecipa-se uma página em vegetal onde está impresso, a prata, o nome da editora/galeria: Waco Works of Art. Na badana que dobra vinda da contracapa foi inscrita a ficha técnica.
Nem mais uma palavra. Ao todo são 100 trabalhos que reproduzem intervenções de Richter a tinta acrílica e lápis. Data de publicação: 2006. É o volume mais caro guardado no sítio dos livros arte da minha biblioteca. Literalmente o segundo mais caro, mas em comparação com um Tápiès quatro vezes maior, com o triplo das páginas e fartura de texto. Os livros de arte são caros. Facto. Mas este Richter provoca-me constantemente. Visito-o com frequência. Rentabilizado. Mesmo sem palavras diz-me tanto. E é-me tão caro.
sábado, 9 de maio de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
JUSTIÇA : O líder dos fascistas portugueses continua a lançar mentira e ódio por dá cá aquela palha. Quer mudar tudo, isso já se sabe, para que tudo fique a seu jeito. O ministro Luís Neves é por ele criticado porque fez o que se espera de um ministro da Administração Interna. Para o líder fascista os polícias que cometem crimes são bons polícias. Gente de bem, é claro. Ficamos a saber que Ventura apoia práticas desumanas sobre pessoas indefesas. O crime e a tortura ficam-lhe a matar. Uma sociedade dirigida por gente desta devia ser uma sociedade exemplar onde só cabem eles: os que dão as ordens e os justiceiros de bancada que aplaudem nas tabernas e nos casinos rascas. Entendido.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Do inacreditável
Ou talvez não. "Eu já sei o que você vai responder", "Não lhe dou a palavra, porque não lhe vou dar a palavra", "Porque isto é uma discussão política, e eu já sei o que vai responder". A presidente do alto do seu poder.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Que se lixem os fascistas e quem os tolera
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O encalorado abstrato
É um encalorado cretino que inventa os afrontamentos. Não tem ideias. Inventa situações. Tudo o torna em anunciador de trivialidades transformadas em desgraçados fenómenos. Tudo aborda com um encalorado ridículo. Esbraceja denunciando o vácuo. Grita anunciando a revolta dos gambozinos. É um encalorado cretino que lança as labaredas para as poder borrifar com inflamados discursos de ódio. É um ser odioso.
Imagens: cartoons de Vasco Gargalo.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Agentes da insegurança
O exercício da força sobre quem já está enfranquecido é pura vontade de humilhar. Há agentes da polícia presos por praticarem essa vontade. Agentes sádicos, mal formados e sem ponta de noção do que é ser agente de segurança fazem o que entendem dentro das esquadras.
Não, não são poucos casos. Estas práticas tornaram-se frequentes com o crescimento do partido fascista. Os elogios a práticas violentas são proferidos pelos idiotas que o dirigem e que vomitam opiniões nos meios de comunicação. O festival do disparate está ao rubro. O chefe da bancada parlamentar já disse com os dentes todos que tem na bocarra imunda que se matassem mais seria melhor. O chefe máximo, na algazarra com José Pacheco Pereira, defendeu a atuação da PSP e da GNR nos tempos da repressão fascista, e já veio agora atacar o ministro Luís Neves por este se preocupar mais com quem está preso do que com quem prende. A apologia do ódio é a profissão destes biltres. Esta gente quer mesmo o fascismo. São fascistas. É gente má. Se conseguissem os seus intentos prendiam-nos a todos. Presos é que estávamos bem. Este país ficaria um brinco sem gente antifascista de esquerda. Ficavam só eles, os direitinhas, muito alinhados, em fila romana, cantando e rindo e fazendo a saudação.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Seguro contra terceiros
domingo, 3 de maio de 2026
Sérgio Godinho em Palmela
Vamos falar do mais recente livro do Sérgio — COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ —, mas também de muito do que lhe foi acontecendo antes e depois da Abril. A ele e a todos nós. É por isso que este convívio vai ter literatura, música e muita conversa. Se calhar até vamos cantar e dançar. Tomem nota. Fixem o cartaz. Vai ser fixe.
sábado, 2 de maio de 2026
A Turíbia
Publiquei este texto no dia em que a Turíbia nos deixou. Já lá vão dez anos. Yourcenar escreveu "O Tempo, esse grande escultor". Apetece-me responder-lhe: o tempo, esse grande estupor. Mas claro que não podemos fugir a esta medida que nos molda e tempera. O tempo agarra-nos sempre e prega-nos grandes partidas. Corre e passa por nós em grande velocidade e leva-nos à frente. Mas tem tantas coisas boas. A vida é boa quando nos cruzamos com gente boa. Tenho tido sorte. As pessoas que me têm adoptado como amigo são as melhores. A Turíbia era uma miúda incrível. Dez anos sem ela. Estupor do tempo.
Aqui vai então o texto que publiquei no dia 2 de maio de 2016:
Conheci a Turibia logo nos primeiros tempos da democracia. A liberdade estava ali à nossa frente e nós aproveitávamos esse privilégio. Naquele tempo ainda éramos eternos. Tudo era novo. Começámos a ler os livros, a ver os filmes, a discutir as ideias até ali proibídas. Agora era proíbido proibir. Convíviamos até às tantas. Petiscávamos fora de horas. Sempre a conversar. Sempre a descobrir coisas novas. O que a gente se divertiu a descobrir coisas novas. O Círculo Cultural de Setúbal era no local onde é hoje a Casa da Cultura. Pertencemos à nova animação da colectividade anti-fascista. Os menos novos tinham ido para os partidos, para as escolas, para os sindicatos e para outras instituições do novo tempo. Nós, mais novos, ficámos ali a inventar coisas. Chamámos realizadores, actores, cantores, escritores e outros animadores para nos darem uma ajuda. Conhecemos gente do caraças, não foi, Turibia? Bem contentes ficávamos com aquele convívio. Líamos muito. Ela lia tudo o que apanhava. Criou um gosto literário. Tornou-se exigente. Muito exigente. Agora só lia o que lhe preenchia os requisitos dessa exigência. Mas isso não era pouco. A curiosidade intelectual minava-lhe a existência. Encontrei-a no dia em a doença começou a portar-se mal. Ela estava com esperança. Eu também. Mas as doenças às vezes portam-se mesmo muito mal. E aparecem para nos dizerem que afinal não somos eternos. Escusavam era de vir tão cedo. A Turíbia era uma grande amiga. Eu gostava muito dela. Gosto. Que dias tão tristes.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
O trabalho é mais uma surpresa de Banksy. Foi instalado durante a noite em Waterloo Place. Representa um indivíduo segurando a bandeira da sua amada pátria a precipitar-se para o abismo. Motivo do descuido: a bandeira enrola-se-lhe na cara tapando-lhe a observação do caminho. Da realidade, portanto. Excelente metáfora do nacionalismo. Pena não ter o contacto do artista. Mandava-lhe uma mensagem de parabéns. E aos nacionalistas, mandava-os cumprir a metáfora.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
É preciso não esmorecer
Georg Baselitz
Morreu Georg Baselitz. Artista pioneiro que nos surpreendeu com imagens desafiadoras das leis tradicionais. Mergulhei recentemente numa exposição sua em que as proporções dos trabalhos nos reduziam a espectadores resignados à arrogância dos formatos. Arrogância leve, já que a cor nos devolve a alegria e o prazer. Marcou o seu tempo, como acontece com outros seus compatriotas. Baselitz trabalhou muito, e muito do que fez fica aí para observação. Eu gosto muito e agradeço-lhe. Foi bom perceber que ele existiu. Muito obrigado, senhor Baselitz.
À pala
quarta-feira, 29 de abril de 2026
David Lopes Ramos
David Lopes Ramos morreu no dia 29 de Abril de 2011 e já não viveu para assistir à tentativa de reescrita da História por parte da direita extremista, e não só. Imagino o que teria dito e pensado se tivesse assistido ao debate televisivo entre José Pacheco Pereira e o líder do Chega e à tentativa deste de colocar no mesmo patamar os 48 anos da ditadura com os excessos e desvios de 19 meses que separaram o 25 de Abril de 1974 do 25 de Novembro de 1975 — e até dos anos seguintes. Excessos e desvios próprios de qualquer revolução e que a consolidação do processo democrático foi corrigindo. Com uma irónica excepção: os únicos crimes violentos, com mortes, que ficaram sem castigo, é bom lembrá-lo, foram cometidos por grupos e movimentos de direita, como o MDLP. a que pertencia um dos ideólogos do Chega, Pacheco Amorim.
Excerto da crónica de Pedro Garcias, no suplemento Fugas, incluído no Público do dia 25 de Abril.
As crónicas de Pedro Garcias são deliciosas, um néctar em caracteres tipográficos. No passado sábado escreveu sobre o seu amigo e colega David Lopes Ramos, meu amigo também e que recordo com saudade. O David deixou-nos neste dia de 2011. Quinze anos sem ele. Mas foi muito bom conhecê-lo. É isso que fica. É isso que recordamos.
A fotografia do David (pormenor) é da autoria de Adriano Miranda.




























