Nunca percebo o que move as pessoas extremamente conservadoras. Até percebo as pessoas verdadeiramente conservadoras — dizem que querem preservar o que é bom. Nada contra, tomem lá um aperto de mão. Mas as que querem preservar tudo, mesmo o que é mau, e ainda piorar o que já existe, essas não entendo. Quando os meus pais eram meninos, a educação era dada ao estalo. No meu tempo já não. Afinal, os meus pais não eram assim tão conservadores. E, para esta gente, não defendo que a coisa se resolva ao tabefe. Adiante.
Quando um político conservador ressabiado repete amuos nos palanques que lhe disponibilizam para comentar livros — e que aproveita para dar recados a torto e a direito —, o que se deve fazer é esperar que volte para casa e se cale. Ir ouvi-lo? Para quê? Não serão passos perdidos?
Quando um político extremamente conservador — tão extremamente conservador que quer que tudo volte ao que era dantes — amua, berra ou gesticula em grande alvoroço, porque é que é chamado logo de seguida por todos os canais de comunicação para continuar a dar ao badalo sem descanso? Isto tem remédio: é mudar de canal ou fazer outra coisa — insultá-lo em voz alta, por exemplo. Vocês sabem o que fazer. Alivia.
Quando um profissional de alta competição, bem pago e bem mimado, amua, faz birras (apesar de muito crescido para essas figuras) e declara que fala para o mundo e não para os portugueses, porque é que os portugueses se preocupam com o que ele diz e faz? Porque razão os portugueses se preocupam com o que pensa e faz um milionário farroncas, amigo de criminosos poderosos, que fala como se soubesse usar as palavras porque tem muito dinheiro para comprar tudo (acha ele) o que observa? Não podemos mandá-lo rapidamente, de avião, lá para o reino das arábias?
Pessoalmente a coisa não me afecta, mas estou preocupado com a depressão pós-resultados políticos e futebolísticos dos meus amigos e de algumas amigas. A vida continua, mesmo sem reis, sem barões, sem renascença e sem príncipes da dita. Que vão regurgitar para o colo de quem os fez.
Desenho de Quino








































