Ou talvez não. "Eu já sei o que você vai responder", "Não lhe dou a palavra, porque não lhe vou dar a palavra", "Porque isto é uma discussão política, e eu já sei o que vai responder". A presidente do alto do seu poder.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Do inacreditável
Ou talvez não. "Eu já sei o que você vai responder", "Não lhe dou a palavra, porque não lhe vou dar a palavra", "Porque isto é uma discussão política, e eu já sei o que vai responder". A presidente do alto do seu poder.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Que se lixem os fascistas e quem os tolera
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O encalorado abstrato
É um encalorado cretino que inventa os afrontamentos. Não tem ideias. Inventa situações. Tudo o torna em anunciador de trivialidades transformadas em desgraçados fenómenos. Tudo aborda com um encalorado ridículo. Esbraceja denunciando o vácuo. Grita anunciando a revolta dos gambozinos. É um encalorado cretino que lança as labaredas para as poder borrifar com inflamados discursos de ódio. É um ser odioso.
Imagens: cartoons de Vasco Gargalo.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Agentes da insegurança
O exercício da força sobre quem já está enfranquecido é pura vontade de humilhar. Há agentes da polícia presos por praticarem essa vontade. Agentes sádicos, mal formados e sem ponta de noção do que é ser agente de segurança fazem o que entendem dentro das esquadras.
Não, não são poucos casos. Estas práticas tornaram-se frequentes com o crescimento do partido fascista. Os elogios a práticas violentas são proferidos pelos idiotas que o dirigem e que vomitam opiniões nos meios de comunicação. O festival do disparate está ao rubro. O chefe da bancada parlamentar já disse com os dentes todos que tem na bocarra imunda que se matassem mais seria melhor. O chefe máximo, na algazarra com José Pacheco Pereira, defendeu a atuação da PSP e da GNR nos tempos da repressão fascista, e já veio agora atacar o ministro Luís Neves por este se preocupar mais com quem está preso do que com quem prende. A apologia do ódio é a profissão destes biltres. Esta gente quer mesmo o fascismo. São fascistas. É gente má. Se conseguissem os seus intentos prendiam-nos a todos. Presos é que estávamos bem. Este país ficaria um brinco sem gente antifascista de esquerda. Ficavam só eles, os direitinhas, muito alinhados, em fila romana, cantando e rindo e fazendo a saudação.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Seguro contra terceiros
domingo, 3 de maio de 2026
Sérgio Godinho em Palmela
Vamos falar do mais recente livro do Sérgio — COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ —, mas também de muito do que lhe foi acontecendo antes e depois da Abril. A ele e a todos nós. É por isso que este convívio vai ter literatura, música e muita conversa. Se calhar até vamos cantar e dançar. Tomem nota. Fixem o cartaz. Vai ser fixe.
sábado, 2 de maio de 2026
A Turíbia
Publiquei este texto no dia em que a Turíbia nos deixou. Já lá vão dez anos. Yourcenar escreveu "O Tempo, esse grande escultor". Apetece-me responder-lhe: o tempo, esse grande estupor. Mas claro que não podemos fugir a esta medida que nos molda e tempera. O tempo agarra-nos sempre e prega-nos grandes partidas. Corre e passa por nós em grande velocidade e leva-nos à frente. Mas tem tantas coisas boas. A vida é boa quando nos cruzamos com gente boa. Tenho tido sorte. As pessoas que me têm adoptado como amigo são as melhores. A Turíbia era uma miúda incrível. Dez anos sem ela. Estupor do tempo.
Aqui vai então o texto que publiquei no dia 2 de maio de 2016:
Conheci a Turibia logo nos primeiros tempos da democracia. A liberdade estava ali à nossa frente e nós aproveitávamos esse privilégio. Naquele tempo ainda éramos eternos. Tudo era novo. Começámos a ler os livros, a ver os filmes, a discutir as ideias até ali proibídas. Agora era proíbido proibir. Convíviamos até às tantas. Petiscávamos fora de horas. Sempre a conversar. Sempre a descobrir coisas novas. O que a gente se divertiu a descobrir coisas novas. O Círculo Cultural de Setúbal era no local onde é hoje a Casa da Cultura. Pertencemos à nova animação da colectividade anti-fascista. Os menos novos tinham ido para os partidos, para as escolas, para os sindicatos e para outras instituições do novo tempo. Nós, mais novos, ficámos ali a inventar coisas. Chamámos realizadores, actores, cantores, escritores e outros animadores para nos darem uma ajuda. Conhecemos gente do caraças, não foi, Turibia? Bem contentes ficávamos com aquele convívio. Líamos muito. Ela lia tudo o que apanhava. Criou um gosto literário. Tornou-se exigente. Muito exigente. Agora só lia o que lhe preenchia os requisitos dessa exigência. Mas isso não era pouco. A curiosidade intelectual minava-lhe a existência. Encontrei-a no dia em a doença começou a portar-se mal. Ela estava com esperança. Eu também. Mas as doenças às vezes portam-se mesmo muito mal. E aparecem para nos dizerem que afinal não somos eternos. Escusavam era de vir tão cedo. A Turíbia era uma grande amiga. Eu gostava muito dela. Gosto. Que dias tão tristes.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
O trabalho é mais uma surpresa de Banksy. Foi instalado durante a noite em Waterloo Place. Representa um indivíduo segurando a bandeira da sua amada pátria a precipitar-se para o abismo. Motivo do descuido: a bandeira enrola-se-lhe na cara tapando-lhe a observação do caminho. Da realidade, portanto. Excelente metáfora do nacionalismo. Pena não ter o contacto do artista. Mandava-lhe uma mensagem de parabéns. E aos nacionalistas, mandava-os cumprir a metáfora.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
É preciso não esmorecer
Georg Baselitz
Morreu Georg Baselitz. Artista pioneiro que nos surpreendeu com imagens desafiadoras das leis tradicionais. Mergulhei recentemente numa exposição sua em que as proporções dos trabalhos nos reduziam a espectadores resignados à arrogância dos formatos. Arrogância leve, já que a cor nos devolve a alegria e o prazer. Marcou o seu tempo, como acontece com outros seus compatriotas. Baselitz trabalhou muito, e muito do que fez fica aí para observação. Eu gosto muito e agradeço-lhe. Foi bom perceber que ele existiu. Muito obrigado, senhor Baselitz.
À pala
quarta-feira, 29 de abril de 2026
David Lopes Ramos
David Lopes Ramos morreu no dia 29 de Abril de 2011 e já não viveu para assistir à tentativa de reescrita da História por parte da direita extremista, e não só. Imagino o que teria dito e pensado se tivesse assistido ao debate televisivo entre José Pacheco Pereira e o líder do Chega e à tentativa deste de colocar no mesmo patamar os 48 anos da ditadura com os excessos e desvios de 19 meses que separaram o 25 de Abril de 1974 do 25 de Novembro de 1975 — e até dos anos seguintes. Excessos e desvios próprios de qualquer revolução e que a consolidação do processo democrático foi corrigindo. Com uma irónica excepção: os únicos crimes violentos, com mortes, que ficaram sem castigo, é bom lembrá-lo, foram cometidos por grupos e movimentos de direita, como o MDLP. a que pertencia um dos ideólogos do Chega, Pacheco Amorim.
Excerto da crónica de Pedro Garcias, no suplemento Fugas, incluído no Público do dia 25 de Abril.
As crónicas de Pedro Garcias são deliciosas, um néctar em caracteres tipográficos. No passado sábado escreveu sobre o seu amigo e colega David Lopes Ramos, meu amigo também e que recordo com saudade. O David deixou-nos neste dia de 2011. Quinze anos sem ele. Mas foi muito bom conhecê-lo. É isso que fica. É isso que recordamos.
A fotografia do David (pormenor) é da autoria de Adriano Miranda.terça-feira, 28 de abril de 2026
José Santa-Bárbara
Morreu José Santa-Bárbara. Designer com trabalho de relevo, ficou conhecido por ter desenhado nove capas de discos de José Afonso. Foi também responsável pelo gabinete de design da CP e por muitos projetos editoriais. Nos últimos anos regressou à pintura, tendo feito exposições e trabalhos para painéis em azulejo instalados em lugares públicos. Dia triste para o Design em Portugal. Dia triste para a Cultura Portuguesa. Muito obrigado, José Santa-Bárbara. Foi bom viver no teu tempo.
Quem tem capa sempre escapa
Tive saudades do vinil. De abrir aquelas capas fantásticas dos LPs, de ser surpreendido primeiro pelo design, depois pelos conteúdos impressos e pela observação daqueles grafismos superiores. A colocação do objeto circular, negro, no prato do gira-discos, era cerimonial. O som parecia magia. Os meus LPs sempre foram instalados em prateleiras por mim desenhadas e por mim quase sempre construídas. Tudo feito à medida para bem receber tão distintos habitantes.
Quando conheci José Afonso, muita coisa se esclareceu na minha mente de adolescente curioso. Eu fervia em perguntas. Ele punha água na fervura. Era um excelente conversador. Quando saía um disco seu, trocávamos muitas palavras sobre o assunto. O criador José Afonso nunca estava satisfeito com o resultado. A "alegria da criação" esbarrava na prensagem do disco. "O som está empastelado", dizia. Eu queria lá saber, e esclarecia-o: a música está incrível. Adorei "de sal de linguagem feita" e "de não saber o que me espera". Era a vez de ser ele a ficar curioso. Porquê?, e eu satisfazia a sua curiosidade. As capas vinham sempre à baila, é claro. A estética visual sempre o preocupou. Era exigente. Uma exigência esclarecida pela sua curiosidade intelectual, que era imensa. José Afonso tinha cultura visual e aplicava-a. Acho que isso está bem percebido. Já fiz o design expositivo e curadoria de duas exposição à volta da imagem visual dos seus discos. E vou continuar.
Comecei por dizer que tive saudades do vinil. Tive, já não tenho porque entretanto o vinil voltou. Sou um feliz e entusiasmado assistente desse regresso. Caso raro. Parecia que os CDs eram o futuro. Afinal já são passado. É claro que as plataformas de audição vieram mudar tudo, mas os extraordinários LPs estão aí para nos confirmar que até há passados que estimulam o futuro. Tenho uma preferência quase obsessiva por um nicho específico. A editora ECM é um exemplo de consistência e coerência visual e musical. Apetece mesmo ter aqueles objetos disponíveis ao olhar, aos sentidos. São arte disfarçada por design em rigorosas impressões gráficas. Alinho aqui algumas delas — recentes e mais antigas, mas que me acompanham como amigas de sempre —, em convívio com duas capas de LPs de José Afonso — edições iniciais da Orfeu, recentemente reeditadas pela chancela +cinco — que são também muito cá de casa. Os autores são meus amigos: Alberto Lopes e João de Azevedo. A música, a literatura e a estética visual, associadas a preocupações sociais de solidariedade, são a minha vida. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar, como escreveu Sophia. E Carlos Drummond de Andrade disse um dia em entrevista: Quem tem a música e a literatura nunca se sente só. Concordo, mas acrescento: o amor abraça tudo isto. Somos assim. Amamos porque somos assim.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Porque precisamos do feminismo
O partido fascista não concorda com a ideia. Prefere alianças com os grupos Reconquista e 1143. Os fascistas e quem os apoia acham que feminismo é o contrário de machismo, ou seja: não perceberam nada. Ou perceberam, mas continuam a preferir que as mulheres vão para os lugares de antigamente. As mulheres devem ser mandadas, não mandar, dizem, com viscoso orgulho macho. Via mural do meu amigo João d'Oliveira percebi isto. Existem escolas de violação online. Existem e têm aderentes. Assiste-se a isto entre o susto e a repulsa. Pergunto: entre quem se considera decente, ainda haverá quem não tenha percebido que Feminismo não é o contrário de machismo? Informem-se, por favor, antes que seja demasiado tarde.
domingo, 26 de abril de 2026
Não ao retrocesso
A habitual manifestação é este ano contra o pacote
laboral que neoliberais e fascistas querem impôr a quem trabalha.
Pacote
laboral que quer esconder direitos, para que os ricos fiquem mais
ricos e livres de fazer o que lhes apetecer.O partido fascista tenta
parecer o que não é. O que o partido fascista defende nunca está de
acordo com o que nós queremos. O partido fascista só quer o poder. O
poder de ir ainda mais longe. As manobras táticas são de diversão.
Vamos
para a rua protestar contra este governo de direita — suportado pelo
PPD/PSD e CDS/PP —, e contra os chamados liberais da moda de
contrafacção, que mais parecem neofascistas sem o facho estampado nas
gravatas.
Os fascistas não se respeitam. Combatem-se!
sábado, 25 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Álvaro de Campos. Obra de Fernando Pessoa.
Entrei na obra de Fernando Pessoa por influência de José Afonso. Mais tarde, outro amigo, o Diamantino Alves (Tininho para os amigos), mostrou-me outro lado do poeta — aquele poeta que cada um adopta como entende melhor para si — e o fascínio nunca mais parou. Escolhi o meu lugar na poesia de Fernando Pessoa. O "Livro do Desassossego" está sempre perto. Fernando Pessoa não me larga. Vou finalmente ler "Pessoa, uma biografia" por Richard Zenith, ainda com muitas recordações de leitura da "Vida e Obra de Fernando Pessoa" de João Gaspar Simões e do "Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português" de Fernando Cabral Martins.
Fernando Pessoa foi um homem extraordinário porque percebeu a tortuosa simplicidade do mundo através do seu olhar de pessoa aparentemente vulgar. Se os políticos mais poderosos lessem, o mundo não estaria tão estranho. E se lessem Pessoa então, talvez se arrependessem de muita merda que andam a fazer. Ou talvez não: poderiam dar um tiro nos cornos em vez de mandarem matar inocentes. Com a literatura tudo pode acontecer, não sei se para melhor, mas sim para maior compreensão do que se passa à nossa volta. Está tudo na Literatura. A Arte não é entretenimento ocasional. A Arte procura o que ainda não existe. Não é fácil essa procura, mas sem esse esforço não há Arte. É Arte o que nos inquieta. A Arte ajuda-nos a viver.
E agora vou bazar. O que há em mim é mesmo cansaço. Fica aqui o cartaz que assinala a minha maneira de estar com a revolução de Abril, que o fascista de serviço classificou de miserável, o miserável. Regresso em maio, em princípio. Até lá, fiquem bem, que eu também vou fazer por isso.
Beijinhos e abracinhos.
Aos domingos: a espuma da semana
Imagem: publicada por volksvargas. José Pacheco Pereira usou-a para ilustrar o seu texto no Público.
sábado, 18 de abril de 2026
FERNANDO ROSAS 80
Fernando Rosas nasceu em 18 de Abril de 1946. Completou 80 anos de idade.
Fernando Rosas é um exemplo em Portugal do intelectual público. Historiador, divulgador empenhado e entusiasmado da história do Estado Novo e do estado a que chegámos, professor respeitado, político de esquerda com valoroso contributo como deputado, Fernando Rosas mantém-se em atividade com uma intensidade que é exemplo. Vamos continuar. Ficar parado? Nunca. Parabéns, meu amigo.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Em Abril, liberdades mil (5)
CLUBE DOS PROFESSORES CONTEMPORÂNEOS | Publiquei aqui um texto quando soube que a professora Isabel Monteiro já não estava entre nós. Foi em Maio de 2013. Recordo-a agora, em jeito de homenagem, adaptando a publicação a esta nova realidade em que vivemos, porque acho que existiram pessoas que não merecem ser esquecidas. Há professores que recordamos acompanhados pela tristeza de não voltarmos a conviver com a sua inteligência, humor e cultura. Atitudes e comportamentos que nos transmitiram com grande sentido de dever.































