sábado, 29 de agosto de 2026

A boçalidade não mata, mas mói

Aquela coisa que à primeira impressão aparenta ser uma pessoa, e que está à frente de uma organização de malfeitores que parece um partido, vai avançar com uma moção de censura ao governo se Montenegro não substituir Luís Neves até à próxima terça-feira. 

Nunca pensei torcer para que não seja demitido um ministro da Administração Interna de um governo de direita, mas perante esta ameaça de um cretino que só ameaça, que remédio... Esperemos que Montenegro não ceda. Esperemos que a moção de censura faça cair no ridículo a associação de malfeitores e o seu vaidoso-mentiroso chefe.

Apesar de já sabermos que aquela gente bebe as águas turvas da mentira e vomita ameaças como se estivesse perante uma coisa nunca vista, temos que admitir que o que desejam como correção é sempre pior do que o que querem corrigir. Quanto pior, melhor. Os ditames da rentrée política são propalados por estas diatribes do cretino que dita as regras aos sessenta cretinos e cretinas com assento parlamentar. Já não é possível termos decência no debate? Será que estamos a assistir ao fim da política?

Ilustração: Nuno Saraiva. 

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Receituário

 

PARA ALÉM DAS TRANÇAS PRETAS | Ana Lua Caiano tem um novo disco a sair e, por mor disso, falou com Lia Pereira, no Expresso. Aguardo o disco com alguma ansiedade. Acompanho a evolução artística desta cantautora com expectativa e admiração. Há nela qualquer coisa que me interessa particularmente: a capacidade de olhar para trás sem ficar presa ao que encontrou.
 
Ana Lua Caiano respeita o terreno que os seus avós pisaram, mas volta lá com outras sandálias. Escuta o que a rodeia com atenção e depois reorganiza os sons, desloca-os, envolve-os em novos ambientes. Ouvir Ana Lua é viajar por terras e ares já antes navegados, mas rasgando agora outras águas.
A ousadia verbal, a experimentação musical e a vontade de inventar coisas são marcas desta mulher que tem poesia para andar e cordas vocais para a dar a ouvir. Há nela uma inquietação que não parece procurar apenas novos sons, mas novas formas de os fazer existir.
 
Conhece a música de José Afonso, e isso percebe-se. Não necessariamente como citação ou influência direta, mas nessa vontade de reinventar sons, de mexer nos ambientes sonoros, de não aceitar a herança como coisa acabada. Recebe e devolve transformando. Participou em espetáculos de solidariedade com a Palestina, revelando uma preocupação que atravessa hoje uma parte significativa do meio artístico, em Portugal e no mundo. Há também aí uma forma de estar: estar atenta ao seu tempo, às suas chagas e às suas perguntas. Tem mundo porque se documenta. E porque viaja por outras artes. Cita autores e encontra referências fora da música, como quem sabe que uma linguagem nunca se constrói sozinha. Talvez a formação em Design de Comunicação lhe tenha deixado essa disciplina do olhar, essa vontade de depurar, de organizar e alinhar, com a precisão que essa área recomenda.
 
Esta conversa com Lia Pereira revela preocupações e vontades. Revela também inteligência e carácter. E talvez seja isso que também me interessa em Ana Lua Caiano: perceber que há ali alguém que não quer simplesmente fazer música. Quer descobrir o que pode fazer com ela. Como fez José Afonso.
 
As fotografias no jornal são de Rita Carmo.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Os interruptores da política


Marques Mendes está como Marcelo. A política é um electrodoméstico que se liga e desliga conforme a vontade de se pôr o ego a funcionar.

Enquanto comentadores, revelavam tácticas e estratégias. Só isso. Ao contrário do que anunciavam: sem preocupações com «a vida das pessoas» ou «o que é melhor para o país e o mundo». Sem política; em modo vidente, com bola de cristal da loja das baratezas.
Marcelo, como praticante egocêntrico, cumpriu o objectivo. Foi o que quis ser, apesar de em modo exuberante e tolo.
Este senhor não conseguiu o que pretendia. Como não foi chamado ao palco principal, sai de cena. Regressa a um papel que nunca deveria ter abandonado: quedo, teria sido um político incrível; calado, teria sido um cidadão exemplar.
O melhor para si, senhor doutor. Fique bem assim, sem qualquer vontade de andar em bicos dos pés.

Fonte: Notícias ao minuto

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Constatação do óbvio




As pessoas mal informadas que nasceram depois de abril de 1974 não acreditam que os últimos cinquenta anos foram os mais felizes de toda a História de Portugal. Tudo avançou a partir daí. Foram conquistados direitos, e as pessoas tiveram acesso à Cultura e a melhorias significativas na Saúde e na Educação, bem como a possibilidade de escolhas materiais que lhes permitiram alcançar um melhor bem-estar. Antes dessa data, isto metia medo.

 

Os direitos foram conquistados com o esforço e a luta de gerações de minorias esclarecidas e preocupadas com o futuro do país. Chamavam-lhes progressistas. Durante o período que se seguiu à Revolução, foram adquiridos direitos e estabelecidos deveres que deram folgo a outras maneiras de pensar. Foram respeitadas minorias e foi possível sermos donos do nosso próprio corpo. Falhou a lei da eutanásia, por culpa de um Presidente papa-missas que deixou arrastar essa conquista por interrogações e desconfianças sem sentido. O tal Presidente que o foi sem merecer e que agora declara nunca mais falar de política, como se a política fosse o diabo. O diabo que o carregue.

Mas teve seguidores. A extrema-direita assumidamente salazarista entrou no Parlamento e arrastou para o seu catecismo a direita civilizada, que passou a não o parecer. Os retrocessos aconteceram, perante a nossa incredulidade. Como pode isto acontecer? Aconteceu.

 

Esta observação do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos adverte para o óbvio: estamos a andar para trás. Os novos representantes dos eleitores que querem andar para trás são eleitos e fazem trinta por uma linha para garantir retrocessos. Direitos merecidos são postos em causa por políticos sem memória ou que fazem por esquecer o tormentoso passado. O que será que esta gente quer para os seus filhos e netos? Tudo a toque de caixa? Voltamos ao tempo da perseguição a quem é diferente de quem manda? Vamos todos ter de ser tristes, incultos e indignos lambe-botas dos escroques da extrema-direita e dos que se lhes aconchegam?

A resposta existe e aplica-se assim, em caixa-alta: NÃO, não queremos voltar a viver num país que não respeita toda a gente. Os novos fascistas chamam liberdade à discriminação. Dizemos não, e não estamos sozinhos. Somos pela liberdade para todos. A liberdade de discriminar não é liberdade. É fascismo. O que é que a direita civilizada ainda não percebeu?

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Aos papéis

Invadir e vandalizar um gabinete de um líder partidário é muito grave. No tempo de Salazar seria normal, se existissem líderes partidários a sério. A PIDE partia aquilo tudo e não se dizia nada a ninguém. 

Mas em democracia não se percebe como aparece um gabinete tão bem desarrumadinho, quando o que era para resgatar pelos malandros delinquentes eram uns papéis fornecidos pela PJ ao ofendido líder, e que estavam em cima das mesas esperando pacientemente pela captura. Os malandros que andaram aos papéis devem andar a ver muitos filmes antigos de Hollywood. Era preciso tanto papel pelo ar? Tanto sinal exterior de vandalização? Agora a PJ quer ouvir os últimos a sair e os primeiros a entrar no dia seguinte. Agora é que isto vai ser um papelinho. 

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Pré-histórias e matérias-primas

Muito abordado durante a silly season específica das férias por um punhado de mulheres conservadoras, desconfortáveis com os avanços civilizacionais, foi o estafado assunto de que as mulheres têm obrigações específicas que as prendem à casa, à cozinha e às fraldas das crias. Esse raminho de mulheres muito conservadoras quer tudo como antigamente. 
 
Para uma inenarrável deputada, Feminismo é o contrário de machismo. Ou seja: Mulheres contra homens. A criaturinha confunde Feminismo com femismo e perora nesse movimento perfeitamente imbecil que quer a mulher de regresso à actividade de arear tachos e mudar fraldas, ir à missa aos domingos de manhã (ou à tarde, como o seu chefe), e servir o jantar ao marido depois de lhe passar as calças a ferro. Bem, ela é deputada. Para a cozinha arear tachos e panelas vão as outras. Ela nasceu para mandar. E as outras para "ensinar" os mais novos a serem parvos e parvas como elas parecem. Claro que foi a luta Feminista que lhes permitiu serem deputadas e terem palco para dizerem os disparates a que habituaram as idiotas e os idiotas que as seguem. É essa a luta dessas mulheres que anseiam por um novo movimento nacional feminino. À antiga, que a "modernidade" só traz devassidão e luxúria. Ostentar o disparate contra a razoabilidade é preciso. A defesa da estupidez fica~lhes a matar. 
 
A deputada do partido que é racista, xenófobo, vigarista e machista juntou-se a um grupo de outras mulheres e até participou num podcast do jornal Expresso, juntando-se a uma activista ridícula de extrema-direita que ainda se aloja no PSD, e com outra do partido de extrema-direita mesmo, filha de um conhecido fascista, que foi convidada pelo jornal para ter um palco em que as políticas raquíticas da direita são expostas como grandes descobertas. O jornal promove-as como grandes vultos do pensamento luso. Deve ser cedência aos novos co-proprietários descendentes de Berlusconi. Há quem diga que estes debates entre gente que parece parva fazem falta. Fazem falta para quê?

Imagem: Os Flintstones. Criados por William Hanna e Joseph Barbera, do estúdio Hanna-Barbera. 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Já não há silly season

António Dacosta, Dois limões em férias, 1983, óleo sobre tela.

REGRESSO - A silly season já não existe. Todas as estações são tontas desde que o tonto fascista anima o território dos fascistas portugueses. Um cartaz promete que o traste vai salvar Portugal. O país inteiro mira a figura triste. Estranha esta salvação, proposta por um incendiário. Regresso com perguntas. Perguntas que me assaltam em permanência.

LÁ FORA - O genocídio continua em Gaza. As denúncias e as acções de solidariedade alastram pelo mundo inteiro. Em Portugal, as vozes de artistas e intelectuais opinadores ilustram jornais, debates televisivos, concertos de verão, palestras, simpósios, lançamentos de livros e aberturas de exposições. Vozes de quem vive em voz alta fazem-se ouvir. Por todo o mundo as pessoas revelam e manifestam solidariedade. A morte sai à rua sem aviso. Morre gente perante a indiferença de quem dirige politicamente a Europa. Em Gaza e no Médio Oriente morre-se todos os dias e são destruídas estruturas que provocam mossa na economia mundial e na vida das pessoas. Será que não há estadistas que façam frente ao destrambelhado americano e ao criminoso encartado de Israel?  

CÁ DENTRO - A Polícia Judiciária já sabe quem esbardalhou o gabinete do pantomineiro Ventura? E já desmentiu as afirmações do chefe racista que incluem polícias da PJ como seus informadores? Ainda não se sabe nada? Mas, o que se passa? É assim tão difícil saber o que falhou na segurança de um sítio tão seguro? Ou o sítio onde se decide a nossa vida não é assim tão seguro e está aberto à pantominice? E já que estou com a mão na massa, ainda anda por aí quem acredite e até venere a figura rasca do líder do partido rasca a que os fascistas deram o nome de "chega"? Chega de quê? De "chega"?

ARTE - Resta a Arte para nos salvar? Resta a esperança na mudança? Faremos por isso. Escolhi António Dacosta para ilustrar o verão que está de saída. Vem aí setembro, o meu mês preferido. Avizinha-se trabalho e conhaque. Muito trabalho que me anima e entusiasma. Muito há para fazer, ouvir, ler, olhar. Bom regresso ao trabalho para toda a gente. Até já.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Memorial das ideias

Dizem por aí que as ideologias já não fazem sentido. Já não há ideias. Não há esquerda nem direita. Há boas e más pessoas. Muito bem, então a malta de esquerda escolhe as suas boas pessoas e a de direita as suas. Pode ser que fique contente com o que sobra das boas pessoas de esquerda, e ficamos assim todos amigos. Alerta à população escrutinadora: a escória de extrema-direita não se inscreve neste concurso — enm eleitores, nem eleitos —, entendido?

Ora, quem esse disparate defende, defende precisamente o que sempre defendeu a sua ideologia imobilista de direita: a política é para os políticos, e o pessoal tem é que seguir umas iluminadas criaturas, ungidas por deuses cruéis e ajustadores, porque essas inenarráveis criaturas é que sabem o que é bom para o seu povo. Esta malta até se esquece — ou nunca soube — que esses ajustadores são os piores pecadores, mas enfim...
O que está a acontecer ao mundo não nos descansa. Não nos devemos calar ou assobiar para o lado, mas é preciso colocar outros tinteiros na nossa impressora mental. Pensar, repensar e criar novos caminhos. Olhar em volta e contemplar a beleza sem os atropelos da feiura. Voltar a olhar e verbalizar o nosso contentamento. Escrever, desenhar, ler, olhar, nadar, brincar, pintar, imaginar, dormir, sonhar, acordar, abrir bem os olhos, escrever, desenhar... Fazer acontecer. Criar desassossego. Parados? Isso é que não.
Cá estarei nos últimos dias de agosto. Desejo-vos uns bons dias, com muito descanso.
A frase deste cartaz pertence a José Afonso. Escreveu-a no álbum "Galinhas do Mato". O desenho é, claro, de Hugo Pratt. Resolvi convocar dois génios para este desabafo antes do descanso. Contento-me com pouco: o melhor é suficiente.

domingo, 2 de agosto de 2026

Moralidade imoral

As palavras ficam sem jeito. Tudo o que era já não é. Vermos gente sem classificação olhar para esta tragédia como se de uma invasão de bárbaros se tratasse, é de uma imoralidade criminosa.

Não falam dos jovens mortos por terem caído na esparrela da extrema-direita internacional. A morte de pessoas não conta para esta gente inqualificável. O bocado de esterco que dirige o partido fascista português entrou logo em direto (o costume) em todas as televisões nacionais. Os seus colegas, os responsáveis por esta originalidade criminosa — Fascistas americanos, os governantes de Israel, o governo de Marrocos, os fascistas espanhóis e de outros pavimentos conspurcados —, ficam em recatado silêncio. Só a besta quadrada portuguesa usa o palco diário que a imprensa lhe acautela. Mas não está sozinho. Uma chusma de cretinos e cretinas cá do burgo embarcam na jangada da vergonha. Insultam quem sofre porque foi manipulado. Encontram estratégias criminosas: todos os que não são como nós são criminosos. A situação já está para lá de qualquer designação razoável. A solidariedade e a compaixão cristã já nem são evocadas. São passado. Coisa antiga. Será isto a democracia? Ou será que essa ideia política é já uma utopia de uma esquerda antiquada? Pelo menos de bondade precisamos. Pensem nisso, caros e caras governantes da Europa. Estamos convosco (que remédio). Estejam com quem sofre. E connosco, vá. Que é quase a mesma coisa. É que quem sofre mesmo na pele precisa de compaixão, não de agressão.

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Aos domingos - elogio do extraordinário


JOSÉ AFONSO nasceu neste dia do ano de 1929. Toda a minha vida mudou desde o momento em que dê pela sua existência. Ouvir "vejam bem" fez-me perceber que afinal havia música em Portugal. Conviver com ele esclareceu-me muito que me parecia difuso ou fez-me ver mesmo pela primeira vez. Não crescemos sozinhos. Não pensamos pela nossa própria cabeça se não fazemos por perceber a cabeça de gente assim. Gente que pensa e age. Gente que é gente e que se interroga sobre o que se passa em seu redor. 

José Afonso mudou a maneira de se ouvir música. Inventou novos sons, com instrumentos inspirados pelo corpo na matéria. Estão a ver a música de "Grândola, Vila Morena", por exemplo? O piso de gravilha foi instrumento musical. Também a  ficha técnica de um disco de Fausto assinala uma sonoridade vinda de "papel na barba do Zeca", outro exemplo. Quando surgiram os gravadores portáteis, José Afonso comprou um para lançar lá para dentro sons que lhe vinham à cabeça, ou que ouvia no ruído dos dias. A intenção era obter registos para depois trabalhar e fazer músicas novas. Nunca se entendeu muito bem com aquilo, mas a produção de novas sonoridades não deixou de existir. Rejeitava a mediocridade e a pouca exigência com a música e a cultura em geral. Era exigente e culto. Um fazedor de Cultura com cê grande que respeitava origens transformando ambientes sonoros incipientes em grandes peças musicais. Sons que vivem na nossa memória e que nos continua a surpreender a cada audição do seu trabalho gravado. Trabalho que continua a ser reeditado para bem da nossa lucidez.

José Afonso foi a grande figura do meu crescimento individual e de muitas gerações de gente nascida em Portugal e não só. Figura genial que continua a ser estudada e a influenciar artistas de agora e a ser referência de cidadania. Não existe muita gente assim. Eu tive a sorte de ser seu amigo. 

Em 2029 completam-se 100 anos sobre a data do seu nascimento. Vamos comemorar a sua vida. Uma vida extraordinária que continuará a ser lembrada.

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Aos domingos - elogio do extraordinário

 JOSÉ AFONSO 

sábado, 1 de agosto de 2026

Aos sábados - a espuma da semana

ASSALTO NO PARLAMENTO - Ainda há alguém que leve Ventura e os sessenta cretinos a sério? Há, alguns de nós levamos. E devíamos ser mais. Todos. Os deputados do chega inventam episódios que são graves para a política e a democracia transformando-os de imediato em mais um caso para o tik-tok. Apenas isso. Chamam a essas fantasias "a verdade". Parece que é assim que querem "salvar Portugal". Devíamos ser mais — toda a classe política e os cidadãos decentes — a levar Ventura e os seus comparsas a sério. Ventura é capaz de tudo. Ignorar esta gente e os seus actos é colaborar com o mal. Não dar importância a quem quer destruir a democracia não é razoável. Esta gente sem qualidades quer destruir a democracia. Ou será que já está destruída?
 
POR DENTRO DO CHEGA -É um trabalho notável. Estão lá escarrapachadas as estratégias a adoptar contra o sistema democrático por esta gente reles. Escrita excelente em investigação rigorosa e corajosa. Miguel Carvalho faz jornalismo a sério, e levou o partido de Ventura a sério. É preciso. Fala-se neste livro de gente sem princípios nem escrúpulos. Gente que não era ninguém e merecia ser assim. Deputados e deputadas sem qualquer qualificação para a função. Autarcas cretinos como o chefe e ajustadores como os fascistas. São fascistas. Ignorantes sem leituras e sem conhecimento científico e artístico. Miseráveis sem educação. Estão a crescer? São muitos? Que se lixem. E berrem longe, que o silêncio é preferível ao dislate verbal em gritaria.
 
NASCIDO PARA MANDAR - O polícia Neves lá acabou por falar. O homem acha-se o máximo. Tudo muda quando ele chega. Explica-se mal e porcamente, mas sempre com a arrogância dos chefes que não podem ser contestados. Nasceu para mandar. E para se safar.
 
ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO - E amanhã há elogio. Até amanhã. E até lá... Bom sábado.
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

O ritmo da intensidade


Governo tem “intenção clara reformista” mas ritmo devia ser mais intenso. O ritmo é proposto por Passos Coelho, esse grande ritmista. Quem trabalha, quem trabalhou e agora está reformado e os jovens que tiveram que emigrar, sabem bem o que este super-reformador tão apreciado por quem manda trabalhar, quer dizer com este "ritmo mais intenso" de que fala, não sabem?
Fonte: Lusa
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Alfaiataria Montenegro


Luís Montenegro? Fernando Alexandre? Maria do Rosário Palma Ramalho? Ana Paula Martins? Luís Neves? André Ventura? Pedro Pinto? Segurança na Assembleia da República? 
 
Ai, Portugal
Dar-te conselhos é bem pouco original
Se realmente não quiseres querer-te mal
Olha p'ra ti, ó Portugal
Sérgio Godinho
 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo


Já a minha avó me dizia. Mas na altura ainda não havia tanto mentiroso na Assembleia da República. Agora vale tudo. Isto está lindo, está.

Marcelo e a educação política

Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em berço político. Pai político com carreira e padrinho presidente do conselho de ministros. Ele próprio mergulhou na política muito cedo, resolvendo começar por contestar as políticas de progenitores e padrinhos. Foi um dos fundadores de um jornal que fazia perguntas e contestava respostas. 

Depois da revolução ocupou vários lugares em vários desempenhos. Nunca mais parou, dedicando dezenas de anos ao comentário televisivo, exercendo assim influência. O exercício da influência foi de tal maneira eficaz que acabou por ser Presidente da República. Valente.

Como Presidente fez trinta por uma linha. Parlamentos dissolvidos por dá cá aquela palha, ingerências no governo, entretenimento fotográfico amador em tempo de serviço, declarações pouco responsáveis. Um político irresponsável que deu um péssimo Presidente. Actualmente rejeita o comentário político, provando a ideia que tem da política. A política foi uma maneira de afirmação pessoal. De carreira de sucesso sem que o sucesso se perceba muito bem por onde anda. A rejeição do comentário denota aversão à prática da política como cidadania. A política é demasiado importante para ser tratada como um mero aspirador caseiro. A atitude de Marcelo caracteriza-o. O homem sempre usou o que a vida lhe deu para fornecer bons acrescentos à sua boa vida. Marcelo agora só comenta Cultura e Arte e dá pontapés nos traseiros de quem se põe a jeito. É mesmo assim. Vi a cena numa reportagem televisiva. Ora bem:  Cultura e Arte comenta mal, já no que diz respeito a pontapés no cu... Pode ser que se safe.

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ou orgulhosamente sós, ou mal acompanhandos

Presidente da Colômbia vai fechar 14 embaixadas. Começa bem, o preferido dos eleitores colombianos. As primeiras medidas são contra quem não é como ele. Gente de outros países, com outras ideias ou com outras maneiras de ver as coisas, vão logo de carrinho. O maluco da Argentina já não está só, com a sua ridícula motoserra. A loucura neoliberal negacionista instala-se. Querem estar orgulhosamente sós, como pretendia Salazar, o inspirador da inenarrável criatura cá da terra que odeia o progresso e a dignidade das pessoas até dizer chega. Tempos medonhos. Esta gente mete medo. São os novos fascistas, que isto é mesmo assim.

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Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker. Art: Marcellus Hall.

Imagem obtida no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/

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domingo, 26 de julho de 2026

Verão quente

24 de julho de 2026 - Banhistas contemplam a praia de Moutchic, em Lacanau, no sudoeste de França, enquanto nuvens de fumo se elevam no céu, causadas pelo incêndio na Gironda. 

Imagem: ParisMatch descoberta no laboratório do José Simões: mistérios do organismo

Fotografia © Maximilien Lamy / AFP

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Aos domingos - elogio do extraordinário


JAZZ EM AGOSTOÉ uma das iniciativas de excelência da Fundação Calouste Gulbenkian. Acontece há quarenta e dois anos. É uma referência entre os festivais de jazz contemporâneo em todo o mundo, dando relevo a propostas inovadoras e a artistas que experimentam e surpreendem. É o meu festival de Verão. Sem farturas, sem algodão-doce, sem carrocéis, sem carrinhos-de-choque e sem sons rascas de feira ou de eurofestivais sem trambelho. A música aqui é extraordinária. 
 
Este JAZZ EM AGOSTO é uma festa extraordinária que a extraordinária Fundação Calouste Gulbenkian nos proporciona. O que seria desta terra sem esta instituição, e o que seria de nós sem esta música? Festejamos a liberdade criativa. Convivemos com os sons da liberdade.

Programa JAZZ EM AGOSTO

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sábado, 25 de julho de 2026

Aos sábados - a espuma da semana

Imagem - RTP
ACONTECIMENTO - A morte de uma criança por descuido de quem a deve proteger é uma tragédia. Choque. Sofrimento. Solidariedade com pais e familiares. Aconteceu, mas nunca deveria ter acontecido.

ESTADO AO QUE ISTO CHEGOU - Ministros toscos e incompetentes dão alento ao primeiro-ministro: nunca se governou tão bem em Portugal. Os jornalistas não têm pedalada para acompanhar os lanços reformistas do maravilhoso governo. Montenegro instalou uma nova maneira de governar: passados duvidosos deixam de ter peso nas nomeações porque a avaliação eleitoral deu-lhe luz verde. Governo legítimo. Não há ministros manhosos.

ESPANHA ARDE - Já a minha avó me dizia: "Quando vires as barbas do teu vizinho a arder, põe as tuas de molho". Todo o cuidado é pouco. A fantástica cidade de Madrid está cercada de chamas. Solidariedade com os nossos vizinhos. 

FASCISMO AO COLO - Foi o meu amigo José Simões — https://misteriosorganismo.blogspot.com/2026/07/fascismo-ao-colo.html — que fez as contas: ainda estamos no mês sete do calendário e o estropício já vai em dezassete entrevistas para as televisões nacionais. Não assisti a nenhum dos comícios fascistas — nunca assisto — mas esta exagerada aritmética incomoda. Qual será a motivação para ouvir tanta disparatada mentira?

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO - E amanhã há elogio. Até amanhã. E até lá... Bom sábado. Aguentem-se.

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Do sofrimento

Uma criança de dezoito meses morre por descuido. Foi esquecida dentro de um carro e esteve lá durante horas, exposta à excessiva temperatura. Descuido? Negligência? Sim, pode ser tudo isso, mas tudo isso é acima de tudo uma tragédia. Imaginar o sofrimento de pais e familiares desta criança não corrige nada, mas ilustra a nossa ideia de solidariedade. Sentir este sofrimento não é possível, mas podemos estar lá perto. Esta tragédia inunda consciências. Sentimo-nos chocados. O que fazer perante tamanha negligência? Como reagir à tragédia? Pergunta sem resposta. A morte é uma grande tragédia, ponto. Esta anulação de um futuro que se pretendia promissor elimina promessas, uma educação, um projecto de vida que assim é interrompido. Tudo isto é mesmo muito triste. Perturba. É excessivamente mau. O que se passa com o mundo dos humanos? Como pode uma coisa destas acontecer? Que sofrimento.

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

A cor do dinheiro

O novo aeroporto promete encher baús. A figura aqui do retrato é um especialista em enchimentos. Os baús dos "construtores" de aeroportos vão ficar de cagulo. Ouvi-lo prometer que tudo vai correr melhor do que o desejado é performance de humor. Oxalá a festa acabe com a tomada de posso de um governo um bocadinho decente, e acabe com esta mania de encher as cidades de gente de fora mesmo quando tudo transborda de gente. Pessoal: não votem em quem promete mais aeroportos. Os comboios são a alternativa. Tudo tem preceito. Há limites para tudo. Mandem os aviões para a terra deles. Isto não é racismo - é razoabilidade. A cor dos aviões é a cor do dinheiro. Não é para servir as pessoas que andam a poluir os ares.

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Quero tudo da vida


É assim que se apresenta esta biografia ilustrada de Simone de Beauvoir. Viveu no tempo em que as mulheres não tinham direito a nada. Fez muito para que tivessem direito a tudo e desejassem tê-lo. o seu SEGUNDO SEXO marcou a luta feminista. 
 
Duas mulheres de hoje — Julila Korbik e Julia Bernhard — contam a sua história. O livro está muito bem desenhado e a história de Simone muito bem contada. Passar os olhos e os sentidos por este livro alerta para os retrocessos que atualmente são sugeridos pela extrema-direita fascista e pela direita que para lá caminha. A publicação é da IGUANA, que é uma chancela da Penguin Random House. Gosto muito deste trabalho. Recomendo, pois.
 


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