sexta-feira, 6 de março de 2026

Da bajulação

Espanha demarca-se da agressão protagonizada por Trump e Netanyahu. O governo português tem um entendimento totalmente diferente. Na cimeira luso-espanhola que está a decorrer em Huelva o desconforto foi notório. Eu assisti em directo, via televisiva, às lamentáveis declarações de Montenegro. Só não estou envergonhado porque me estou borrifando para Montenegro e para o que diz. Só lamento que ele seja primeiro-ministro de um governo tão lamentável. Trump, Netanyahu, Montenegro a mesma luta. A direita no poder é tão "wonderful", como diria Trump.

Facebook

 

Receituário

BLAC DWELLE | Hoje, dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00, inaugura nas Carpintarias de São Lázaro, Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.
Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

Facebook

quinta-feira, 5 de março de 2026

Homenagem

Leio o escritor desde "Memória de Elefante", seu primeiro trabalho literário publicado.  Convidei-o para uma apresentação desse livro em sessão "Dois dedos de conversa com...", nas iniciativas que ocupavam as sextas-feiras aos fins de tarde no Círculo Cultural de Setúbal. Ano? 1979.

A conversa com o escritor foi notável e memorável. Tive com ele um relacionamento extremamente simpático, que desmentiu a ideia do homem distante e dado a poucas falas. Fiquei sem perceber de onde surgiu essa ideia. A conversa marcou-me e esclareceu-me muito sobre o que é o carácter de um homem que tem a fama de ser terrível só porque se preocupa com o que se passa em seu redor. Viver em voz alta parece dar má fama, mas faz bem a quem assim vive. A obra de Lobo Antunes não tem paralelo. É um trabalho único e exemplar. O escritor é exigente com o leitor. Ler Lobo Antunes não é fácil. A expressão "lê-se como um romance" é um disparate que aqui ultrapassa o classificável. Ler Lobo Antunes torna-nos diferentes. Aprendi muito com ele e vou continuar a aprender. Como? Ora, porque vou continuar a lê-lo. Muito obrigado, mestre. Foi muito bom viver no teu tempo. Vamos continuar a viver-te.

Facebook

 

Receituário


É hoje ao fim da tarde, na Culsete. O título atrai. O autor vai estar presente e a Daniela vai apresentar. Bons motivos para se passar por esta livraria que resiste e insiste na boa literatura na cidade. Os resistentes que apreciam o que de melhor se vai fazendo com a utilização das palavras merecem este esforço. E a Culsete merece o nosso apoio. Vamos lá.

Dia Internacional de Sensibilização para o Desarmamento e a Não-Proliferação

Olumuyiwa Ogunbamow and his son Adefie (5), visiting from Nigeria, take photos in front of the “Non-Violence” (or “Knotted Gun”) sculpture.
Photo:UN Photo/Kim Haughton
 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Blac Dwelle

No próximo dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00 inaugura nas Carpintarias Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.

Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

Facebook

terça-feira, 3 de março de 2026

Cincidências ou coerências?

Todo esse regime é liderado por clérigos radicais que não tomam decisões geopolíticas. Eles tomam decisões com base na teologia; na sua visão da teologia, que é apocalíptica.
 
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, sobre o Irão
 

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. The New York Times magazine.
Toda a violência deverá ser castigada. Honra a Giséle Pelicot. 

Facebook

 

 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA MATOU 25 PESSOAS NO ANO PASSADO, informa título da Lusa. O crime é sexista. As mulheres são as vítimas de criminosos disfarçados por um certo discurso de discriminação que volta a ser usado como factor de liberdade. A tal liberdade que os novos fascistas reclamam, como defendeu Umberto Eco. Liberdade de ficar em casa, dependente do homem, a arear tachos, e liberdade de arrear mesmo nas mulheres que trabalham e fazem tudo em casa depois desse horário. Sempre foi assim, nunca há-de ser diferente. Logo, a apologia desta treta está já no discurso político dos novos fascistas. Não, tem mesmo que ser diferente.
 
Nos regimes autocráticos teocráticos sempre foi e é assim: o papel da mulher é irrelevante. Em alguns a repressão é exercida com violência: no Afeganistão, no Irão, Sudão, Somália entre outros, os direitos das mulheres são nulos. Alguns gabam-se de que esses direitos existem. O direito à vida não é negado, até porque são as mulheres que transportam a vida. Sem elas não existiriam homens. Logo o direito à vida é um direito assegurado. Mas, que vida é essa? Onde há repressão, as mulheres são sempre as mais reprimidas. 
 
Aqui, em Portugal, o femicídio é crime, claro, mas a mentalidade machista criminosa esquece o castigo quando o ódio prevalece. Continuamos a perceber que os crimes aumentam de ano para ano sem que se perceba como acabar com isto. As leis existem, as denúncias são feitas, mas há sempre uma oportunidade para o crime. Quem é criminoso não desiste. A solução está na atitude das autoridades. A denúncia tem que ter efeito. Mas a escola tem que desempenhar o seu papel. A violência no namoro assusta. Tudo começa aí. É isso que tem de acabar.

Facebook

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Até parece mentira


O candidato derrotado ao prémio Nobel da Paz, e que inventou guerras para dizer que acabou com elas, inicia guerras para que lá na terra fiquem esquecidos dos seus feitos pedófilos. Há dinheiro com fartura e jovens para morrer na guerra pela paz. Mandou a mulher dizer coisas na ONU e atacou com promessas de libertação. Fantástico. 

O que está a acontecer no mundo é uma guerra mundial por parcelas. Coisa moderna. Diferente. Com apelos à mentalidade Ronaldo: tu consegues. És o maior. Vamos ser grandes. Depois há os que assistem de bancada, como o governo de Portugal. Ai, não?! Então? Ah, pois é, desta vez não somos neutrais. Não apoiamos quem ataca mas atacamos quem ataca os agressores. O Irão tem um regime teocrático, mas daqueles sem presépio. Ainda se fosse um regime que impusesse um catecismo em cada esquina, mas não, aquela gente acredita em coisas estranhas, a abater. O governo português tomou posição contra o Irão porque ataca tudo em seu redor como se não houvesse amanhã. Não está a haver amanhã para muita gente, é certo. Mas o governo Montenegro/PSD/CDS já perdeu a guerra das palavras, pelo menos. Perdeu uma oportunidade para ficar calado. Para dizer disparates já bastam Passos Coelho e Ventura. Aquilo devem ser nervos.

Facebook

domingo, 1 de março de 2026

Passos perdido

Este combatente pelo ajuste permanente das nossas vidas acha que faz muita falta ao país. Se o governo não conseguir aprovar a lei que põe toda a gente a trabalhar mais e a ganhar menos ele sugere ajuste eleitoral. 
 
Estamos sempre todos a viver acima das nossas possibilidades. Todos? Todos menos ele, que se apresenta ao serviço em áreas do ensino para que não tem qualquer classificação a não ser o ter sido político profissional. É o profissionalismo à Salazar. Da cunha que habilita o biltre fascista. O outro quer três assim. Já temos esse proponente, agora mais este, e o outro deve ser sugerido em mesa pé de galo em contacto com o líder que caiu da cadeira, dirigida pelo veterinário chalupa que acompanha o outro, o dos três salazares.
 
Tudo isto poderia ser ridículo como é tudo o que sai do partido com nome de detergente — o governo-sombra do Chega é para rir —, mas desta vez não é ridículo, é perigoso. Esta sinistra criatura já ameaça: "se voltar é pelas piores razões". É o regresso do génio ajustador. O sábio que sabe o que está mal. O sebastianismo permanente alimenta uma direita vazia de ideias que só pretende esvaziar o que nos protege e dá ânimo. Passos Coelho está perdido. Por favor não lhe indiquem caminhos. Não forneçam carne morta ao abutre. 
 
Fotografia de José Coelho/Expresso

Facebook  

 

Como se não houvesse amanhã

Se te queres matar, porque não te queres matar?

Álvaro de Campos. Obras de Fernando Pessoa 

Este título do poema de Álvaro de Campos parece ter sugerido o mote ao autor deste COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.  O autor é Sérgio Godinho, conhecido por saber dar música às palavras que nos esclarecem sentimentos e atitudes, mas que também usa as palavras para fazer literatura. Este livro tem paginadas quinze histórias que abordam situações limite. O que leva alguém a cometer suicídio? Ou quase, vá? As respostas podem ser muitas. As histórias deste livro revelam várias hipóteses de escolha. É pegar ou largar.

Vamos conversar com Sérgio Godinho — eu e a Rosa Azevedo —  na primeira edição desta nova iniciativa que junta a livraria e editora SNOB à DDLX, que é mais imagem e design de comunicação. Vamos falar sobre este seu livro e também sobre os outros, e talvez ainda haja tempo para conversarmos um bocadinho sobre a sua vida na música. A livraria SNOB é ali entre a Estrela e o Rato, e é uma das mais competentes livrarias da capital da república. O convite está feito.

Facebook  

 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Odiaremos o ódio



A LIBERDADE FAZ-NOS CRESCER |
Foram os encontros mais gratificantes entre todos os que já promovi. Honra e prazer em ter entre os meus amigos António Cabrita, Viriato Teles, Jorge Abegão, António De Castro Caeiro e Fernando Cabral Martins. Terminou esta sexta-feira a minha exposição na Galeria da Biblioteca Camões, com uma conversa de alto gabarito intelectual que já constitui história nas vidas de quem participou. Fernando Cabral Martins contou-nos histórias do seu Fernando Pessoa e António de Castro Caeiro falou dos sentimentos que trazemos agarrados ao corpo e que às vezes nem percebemos que são sentimentos. Terminámos em beleza. Um luxo, sem qualquer dúvida.

 
Foram quatro semanas de apologia do conhecimento cultural e da substância intelectual. E foi divertido, sim, a cultura não é chata, quando é exigente e consistente. Chatos são os apologistas da ignorância. Agradeço a todos os participantes acima mencionados, às pessoas que quiseram estar presentes , mas também a Ana Nogueira, curadora da exposição e a Thales Soares, programador da Biblioteca Camões. Foi "quase" um prazer, como diria João Paulo Cotrim. Há esperança para quem insiste em pensar e em reagir. Resistir ao anúncio da desgraça.


Como disse José Afonso em entrevista a Viriato Teles: “O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!”.

Seremos gente. "seremos muitos/seremos alguém", como cantou José Afonso. E "Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte", como acrescentou Sérgio Godinho. Vamos ter encontros para conversar em prazenteiro convívio. A amizade recompensa. A liberdade faz-nos crescer. Odiaremos o ódio, com a paz das palavras.

AS PALAVRAS
Matérias transformadas
por José Teófilo Duarte.
Finissage em 27 de Fevereiro. 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.

Facebook    

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Fernando Pessoa, os sentimentos e mais umas coisas


O lançamento foi ontem, na sala Sophia de Mello Breyner Andresen do CCB. Saborosa conversa entre António de Castro Caeiro e Bárbara Bulhosa. Brilhante intervenção do autor do livro que tem por título: SOBRE OS SENTIMENTOS.
E na próxima sexta-feira, dia 27, vamos estar com António Castro Caeiro, que vai falar deste livro e dos sentimentos que estão lá dentro. Mas esta sessão é dupla. Estreia de um novo conceito, digo eu. Fernando Cabral Martins, vai conversar connosco sobre um assunto que estudou toda a vida: Fernando Pessoa. Sessão dupla, original, e de luxo, digo eu de novo. Não concordam?
 
AS PALAVRAS
Matérias transformadas 
por José Teófilo Duarte.
Fevereiro 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.
Largo do Calhariz, 17. Lisboa.
 
Facebook   

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Finissage



AS PALAVRAS chegam ao fim na próxima sexta-feira, dia 27 de fevereiro. Isto é: AS PALAVRAS que estão incluídas nas paredes da galeria da Biblioteca Camões, e que permitem o título da exposição que concebi para lá. 

Este fim coincide com a última sessão de conversas programadas para a coisa. A conversa spbre Fernando Pessoa, com Fernando Cabral Martins, adiada devido ao mau tempo, vai juntar-se à conversa com António de Castro Caeiro, a propósito do seu mais recente livro SOBRE OS SENTIMENTOS. Temos assim duas sessões em horário comum. Um luxo, concordarão. 

Fernando Cabral Martins, professor e ensaísta, é um especialista em Fernando Pessoa que entende muito bem o pensamento filosófico do poeta. António de Castro Caeiro, professor e ensaísta, é um pensador e divulgador de pensamentos que nos vai fazer reflectir sobre os sentimentos. Tudo indica que as conversas se vão cruzar e transmitir conhecimentos únicos. Confesso que estou ansioso. Tenho a responsabilidade da moderação e do espevitamento. Já tremo. 

AS PALAVRAS
Matérias transformadas 
por José Teófilo Duarte.
Fevereiro 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.
Largo do Calhariz, 17. Lisboa.
Facebook   

 

Receituário

SENTIR SINTA QUEM LÊ | 
A expressão é de Fernando Pessoa. Alargava-a a quem vê. Temos sentimentos diferentes uns dos outros quando olhamos e tentamos perceber o que vemos. O meu amigo António de Castro Caeiro vai lançar mais um livro onde os sentimentos são filosofia. Tudo é filosofia. Tudo é pensamento e tudo se pode revelar em sentimentos, digo eu, que vou na próxima quarta-feira, dia 25 de fevereiro, ao CCB, onde se vai dar o lançamento de mais este livro do António, tentar perceber melhor tudo isto.
 
Já agora antecipo que, na próxima sexta-feira, dia 27 de fevereiro, vamos receber António de Castro Caeiro e Fernando Cabral Martins na galeria da Biblioteca Camões, onde está instalada a minha exposição AS PALAVRAS. Pormenores sobre a sessão serão divulgados na próxima publicação. Até lá.
Facebook   

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026



As palavras armazenam-se como torrões maduros

São flexíveis à memória são marinheiros em terra

Acontece dizer: levantem-se e caminhem

Mas quem somos e que hábito envergamos?

As palavras entontecem

Quando dispersas levantam rumos vários

                                                 José Afonso


domingo, 22 de fevereiro de 2026

E políticos, não há?

O homem de negócios que é primeiro-ministro convidou um aparentemente competente chefe de polícia para ministro das polícias e de outros desentendimentos. Deve ter tido algumas dificuldades em escolher um político. Quem é que quer aplicar as políticas para a imigração escolhidas pelo governo em conluio com o partido fascista? É difícil imaginar alguém decente abeirar-se dessa imbecilidade ajustadora. O chefe de polícia aceitou. Uma chusma de gente, entre comentadores e políticos profissionais, correram em elogio da escolha maravilhosa. Provavelmente estou contra essa maré. Pouco me importa o desempenho de um polícia que aceita ser político sem o ser de um governo quase de extrema-direita. Comunica melhor? Boa, entremos na era do vazio, em que o que é preciso é explicar tudo, e mesmo o seu contrário, para bom entendimento dos comentadores e cinismo dos políticos da oposição. Boa sorte, senhor agente. Parece que o país depende de si.

Facebook   

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Palavras para José Afonso


PALAVRAS PARA JOSÉ AFONSO | Um regalo de fim de tarde. Veio muita gente interessada em ouvir Jorge Abegão e Viriato Teles falarem sobre a vida e obra de José Afonso. A poesia de José Afonso provocou reflexão e atitude. Jorge Abegão falou dessa atitude na poesia. Viriato Teles recordou a relação de José Afonso com a imprensa e ambos falaram de carácter e sentido de comunidade do genial criador de música e de poesia. As palavras unem-nos, provocam-nos inquietação mas também conforto. Para mim foi um regalo, e para toda a gente que aqui quis estar também. Era visível o bem-estar. Muito obrigado, Jorge (Abegão) e Viriato (Teles). É sempre bom conversar com vocês, mas desta vez foi mesmo muito bom.

A próxima sessão, e última — finissage da exposição — de AS PALAVRAS será na próxima sexta-feira. O convite segue dentro de momentos.

AS PALAVRAS
Matérias transformadas
por José Teófilo Duarte.
Fevereiro 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.
Largo do Calhariz, 17. Lisboa.

Fotografias de Ana Nogueira

Facebook