quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Conversa ilustrada


A Festa abre sábado às seis da tarde. Nós vamos conversar sobre a Festa na véspera. Apareçam.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O fascismo voltou

E pronto. O que era previsível aconteceu. Os fascistas italianos detêm o poder em Itália. Esta gente repugnante grita vitória com a boçalidade que é o seu perfume. Fedem. Metem nojo. É triste perceber que os retrocessos vão acontecer. A festa vai acabar, grita a ordinária que vai ser primeira-ministra. Ordinária, sim. Vergonha das mulheres de Itália e do mundo. Uma defensora de todos os tolhimentos que rebaixam as mulheres até à idade média. A luta das mulheres pela sua emancipação foi uma esperança para todos os que acreditam no progresso das mentes. É pena o poder fascista ter voltado a Itália. E é pena que seja exercido por uma mulher que quer imitar os homens maus. Resiste, Itália.

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Vamos à Festa

A Festa da Ilustração - Setúbal abre no próximo sábado. Recordamos a vida de João Paulo Cotrim e festejamos o trabalho dos ilustradores que dão cor ao mundo. Até já.



sábado, 24 de setembro de 2022

Chungas parlamentares


Os chungas do CHUNGA voltaram a não conseguir eleger um vice presidente fascista para a casa da democracia. A democracia é assim: às vezes até permite que os fascistas cheguem ao parlamento, mas uma vez lá sentados, os outros deputados percebem que com aquela gente não se vai a lado nenhum nem para beber um cafezinho. O líder maior do partido dito social democrata e o líder da bancada do dito bem tentaram disciplinar o seu pessoal pedindo-lhes para fazerem o favor aos outros fascistas, mas "não levaram a carta a Garcia". Os seus deputados não respeitaram essa intenção não votando na elevação de fascistas a um lugar cimeiro do lugar que eles desprezam. Querem acabar com o sistema — democrático, diga-se — lembram-se?
Apesar de tudo há esperança instalada na maioria parlamentar. "Nem tudo vai mal no Reino da Dinamarca". O fascismo não passará.

Terminus


REVISITAR ARQUITECTURAS | A exposição de Pedro Besugo na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal termina este fim-de-semana. Oportunidade para conhecermos o deambular deste pintor por ambientes construídos pelos seres ditos humanos.

Apareçam. Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Moralidade imoral


No Irão da intolerância religiosa existe uma policia que vigia as atitudes das mulheres. É a polícia moral. Ridículo? Não, aquilo mata. A coragem de uma rapariga de 22 anos levou-a à morte. Mahsa Amini morreu porque queria ser gente. Quando falamos de coragem por dizermos coisas, devemos lembrar-nos destas pessoas que lutam pela sua dignidade e que por isso são assassinas por polícias criminosos instruídos por políticos sádicos. Isto é que é coragem. Mulheres que são tratadas como objectos querem mudar as coisas. Há muitos países em que estes criminosos estão no poder. Há muitas mulheres a sofrer. Guerras sem balas nem torpedos, mas que matam. Matam muito. Isto dói muito.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Ouvir José Afonso sempre!


Os trabalhos de José Afonso continuam a ser colocados à nossa disposição. No final deste mês de setembro ficará disponível aos nossos ouvidos e sentidos o álbum CORO DOS TRIBUNAIS. Músicas de excepção reunidas em disco histórico. Foi o primeiro gravado por José Afonso depois da data em que conhecemos a liberdade. Gravado nos estúdios Pye, em Londres, entre 30 de Novembro e 8 de Dezembro de 1974. José Afonso falou aí com José Brandão, então exilado lá, no sentido de o designer conceber a capa. José Brandão fez o que toda a gente conhece. Estas reedições vestem-se com os seus soberbos desenhos. 

Ouvir José Afonso é uma lufada de ar fresco que limpa a atmosfera do ódio neoliberal de extrema-direita. Respiramos liberdade cultural inteligente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Para ti, Cotrim


EnCOTRIM de CULTURAS
| O texto é do Nuno Saraiva. A ideia é estarmos todos com o João Paulo Cotrim. Não o podemos esquecer. Não é possível.

Olá,
Precisamente, faz agora 1 ano, o nosso amigo João Paulo Cotrim foi à Livraria Verney em Oeiras arbitrar uma conversa a que chamou de “Sob a Minha Desatenção, Uma Curiosa Troca de Olhares”. Estavam, para além de mim e da ilustradora Catarina Sobral, a Maria José Rijo e o Gaspar Matos, anfitriões da casa e organizadores daquele evento chamado de Encontros de Cultura II, que estavam muito e agradavelmente surpreendidos por 2 recentes crónicas do João Paulo na Macau Hoje sobre as iniciativas da Verney. No final da conversa, à despedida, uma lista de projectos de futuro esboçados à pressa, mas lúcidos, eram atirados ao ar como era do seu jeito.
Daí a poucos meses, o nosso amigo partia. E com ele todos esses loucos e maravilhosos esboços de projectos, tu bem sabes quantos mil.
Tocados com a partida, a Maria José e o Gaspar resolveram dedicar um dia inteiro da jornada Encontros de Cultura III ao nosso amigo. O dia 24 de setembro, um sábado. A esse dia, que também será uma noite, chamámos-lhe EnCOTRIM de CULTURAS. Digo “chamámos-lhe”, porque fui por eles convidado a organizar a coisa de uma ponta à outra. Até tremo ao escrever isto. Dinamizar eventos não é a minha praia - eu é mais desenhos!
Desenhada a programação, sobre o signo do desenho/ilustração sobreposto ao texto ou vice-versa, aponto-me falhas nos actores chamados à homenagem. O João Paulo conhecia o Mundo e (quase) todos os seus locatários. Falta aqui tanta, tanta gente. Os ausentes, as ausentes, espero que não se chateiem comigo. Ainda temos Setúbal, depois Óbidos. Temos toda uma vida em frente para lembrar o nosso amigo, de copo na mão.
EnCOTRIM de Culturas - o programa:
10h30 - 12h
AGORA É QUE SÃO ELAS!
Oficina para crianças (e famílias) monitorizada pelo ilustrador João Fazenda a partir de jogos e brincadeiras escritas por João Paulo Cotrim para a revista UP Kids, suplemento da extinta UP Magazine, TAP.
Nos entretantos, é aproveitar para visitar a exposição do Fazenda, Reflexos espelhados pelas paredes galeria.
11h - 18h
FEIRA DO LIVRO
Abysmo/Arranha-Céus.
14h30 - 17h30
NUVENS A ALTA VELOCIDADE.
Projeção dos 5 filmes escritos pelo João Paulo, todos produção Animanostra, e de 16 curtas da Spam Cartoon, selecionadas por André Carrilho, co-fundador e actual produtor desta série televisiva.
Conversa entre todos os realizadores João Fazenda (Algo importante, 7” e “Sem querer” 7”), Daniel Lima (Um degrau pode ser um mundo, 11”), Tiago Albuquerque (Diário de uma inspectora do Livro de Records, 11”), André Carrilho (Spam Cartoon), Cristina Sampaio (em vídeochamada diretamente de Roma) e Nuno Saraiva (moderador).
17h30
Abertura do Bar Cadáver Esquisito - uma cerveja literária - a degustar com mimos da Conserveira de Lisboa.
18h-20h
A VOLTA À MYMOSA
Grande e redonda Tertúlia com amigos:
Alain Corbel, professor e ilustrador,
André Carrilho, ilustrador e cartunista político,
André Letria, editor e ilustrador,
Cláudia Marques Santos, jornalista,
Fernando Martins, fotógrafo e ilustrador,
Inês Fonseca Santos, escritora e jornalista,
Joaquim Paulo Nogueira, dramaturgo,
João Brazão, mestre cervejeiro,
Jorge Silva, director de arte, designer editorial e colecionador,
José Teófilo Duarte, designer e curador da Festa da Ilustração de Setúbal,
João Francisco Vilhena, fotógrafo e co-autor com Cotrim, de O Diário das Nuvens.
Luís Cardoso, escritor, autor de O Plantador de Abóboras, Prémio Oceanos 2021 (Abysmo),
Maria João Worm, ilustradora e autora de banda desenhada,
Marko Rosalinne, Director criativo e fundador da DeadinBeirute,
Nuno Saraiva, professor, ilustrador e cartunista político,
Pedro Burgos, arquitecto e autor de banda desenhada,
Tiago Cabral Ferreira, Gestor da Conserveira de Lisboa.
… e mais quem queira aqui tertúliar.
Durante esta conversa, serão projetadas imagens associadas a alguns dos presentes.
20h - 22h
NÃO VÁS MUITO À TUA CABEÇA
Concerto com Carlos Barretto (contrabaixo), André Gago (voz) e José Anjos (guitarra e voz), à volta de textos, poemas e canções do João Paulo Cotrim. Para perder a cabeça.
Projeção das ilustrações da revista digital A Torpor - Passos de voluptuosa dança na travagem brusca.
Espalhem a notícia. Até sábado 24, na Livraria/Galeria Verney, Oeiras. entrada livre.
Oeiras, 24 de setembro de 2022
Nuno Saraiva (para ti, Cotrim)

domingo, 18 de setembro de 2022

LUTO


O país Portugal está de luto. Três dias de luto nacional. Percebe-se o decreto. Em poucos dias morrem Javier Marias, Alain Tanner, Jean-Luc Godard e Irene Papas. Estamos de luto quando morre gente que foi tão importante para nós.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Em Festa

Dia 1 de outubro tem início a Festa que celebra a ilustração e os ilustradores. Quinze exposições vão ornamentar a cidade com conteúdos estéticos originais de grande qualidade gráfica. É uma festa rija, esta Festa. Convidados. 

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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. Musicalíssimo de 12 de Abril de 1974. Publicado poucos dias antes da data que tudo mudou. Aqui já se percebia que muito já tinha mudado.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Morreu Jean-Luc Godard

HOMENAGEM | Foram noite e noites passadas no Quarteto. Esperava-se pela próxima projecção com ansiedade. Ansiedade que não passava no fim da fita. Passávamos para as conversas sem fim. A madrugada era a solução. Agora é a recordação que fica. E um obrigado emocionado. Muito obrigado, senhor Godard.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Deveres reais e realidade


Eu percebo: alguém que andou mais de sete décadas a fazer aquelas figuras tem de ser recordado. Percebo que o desgosto se instale nos lares de quem não quer viver sem rei nem roque. Ou seja: é sempre melhor ter rei, especialmente quando não conta para nada. Uma socialite simpática e reservada que não fez ondas de maneira a provocar tempestades. A rainha proclamou o que os governos decidiram. Sem sentido crítico e sem contestação. Até os discursos de "início de temporada" são escritos pelos governos. A soberana foi  assim uma espécie de deusa na Terra que deixou os seus devotos entregues aos seus próprios erros. 

O individuo que agora substitui a progenitora — é assim que se faz democraticamente nas monarquias — é um opinador de respeito. Diz tudo o que lha passa pela cabeça. Por exemplo: sabemos o que ele pensa  — mal e porcamente — sobre arte e arquitectura contemporâneas. Pensa mal e porcamente. Também sabemos que não se importa de ser ecologista desde que concordemos com a sua ecologia. Será que agora vai continuar a verberar sobre tudo o que mexe com o mesmo afinco? Ou será que vai praticar o tão desejado cinismo monárquico para permanecer naquele lugar que provoca tanto sacrifício pessoal? 

Prefiro chefes de Estado eleitos, como é óbvio. Não consigo perceber que orgulho se pode ter num representante decidido por famílias com passados sinistros, ungidos por um deus que não comunicou a decisão. E estou sem paciência para tanto elogio — não tinha percebido que no Portugal republicano havia tanto especialista em monarquias socialites — a aspectos comportamentais e a "divinos carácteres" que nada dizem sobre as pessoas em causa ou até, muitas vezes, revelam graves problemas de carácter. 

Que a senhora descanse em paz, e que o seu sucessor melhore na exibição da parvoíce, é o que eu desejo com muita sinceridade. 

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domingo, 11 de setembro de 2022

Homenagem



Está a morrer gente verdadeiramente importante. Gente que nos fez crescer. Gente que nos ajudou a melhorar os nossos dias. Páginas e páginas de prazer e convivência com um mundo melhor. Fitas e fitas de boas imagens e vivências profundas. Gratos a Javier Marias e a Alain Tanner. Muito gratos mesmo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Em outubro

 ILUSTRAÇÃO EM FESTA | A festa está a chegar. As exposições são estas. Mas há mais. Até já.


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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

A Festa vai começar


Tudo tem início em outubro. Mas vamos já dizendo o que poderá acontecer. E vai acontecer muita coisa. Coisas boas para lembrar gente boa. Até já.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Tecer a curiosidade


Os lugares já existiam antes de os povoarmos. E vão continuar a mudar mesmo depois de sairmos desta vida. São portanto mais importantes do que nós. Mudam sempre. São as interpretações das realidades que provocam a curiosidade. 

A curiosidade que desperta o sentir o desejo de percebermos essas realidades. Tecemos linhas de orientação. Traçamos espaços de convivência. Alargamos a vontade de nos emocionarmos com as realidades construídas. Ou talvez interpretadas. Passamos a vida a fazer desenhos que depois se perdem ou diluem nas águas que passam pelos riachos das memórias atormentadas. Queremos atingir a felicidade, mas pelo caminho encontramos as pedras deixadas para trás pelos desesperados sem rumo. Desenhamos sempre novos mapas, é certo. Insistimos nisso. O desenho nunca sai igual, tal como uma canção nunca é cantada da mesma maneira quando é repetida. Os artistas que cantam  sabem isto muito bem. Os artistas que desenham também. O suporte é sempre reflexo da atitude do momento. Todos vivemos os pequenos momentos que tentam encontrar um fito. Queremos mostrar ao mundo que é aquele o momento. Quem desenha não sabe bem se o encontrou. Quem observa muito menos. Estas TESSITURAS de Catarina Aguiar representam os métodos encontrados para uma representação que parece estar nos trilhos de uma feliz caminhada.  A belíssima exposição que nos apresenta na Casa da Avenida revela a honestidade da procura e a noção da realidade existente. Realidade em que se observa beleza, rigor, tranquilidade e inquietação. Estranha interpretação? Nem por isso. É vontade de ver mais. 

TESSITURAS
Catarina Aguiar
Casa da Avenida, Setúbal

Receituário


DAR DE BEBER AOS OLHOS | 
A expressão é do João Paulo Cotrim. Trago-a agora para aqui porque me pareceu ajustada a esta descoberta engarrafada. Descobri estas garrafas nas prateleiras de um supermercado bem fora dos grandes centros de consumo. São vinhos da produção da ADEGA MAYOR — tinto, branco e rosé —, marca DIZERES e os rótulos têm desenhos do André Carrilho que ilustram ditos populares. Os rótulos já são saborosos, mas o conteúdo líquido das garrafas não lhes fica nada atrás. Bom proveito.

sábado, 3 de setembro de 2022

Fim-de-semana


RECEITUÁRIO | A exposição Tessitura, de Catarina Aguiar, abre hoje na Casa da Avenida, em Setúbal. É a primeira exposição individual da artista. Circula entre várias maneiras de expressão e desperta curiosidade. Muita curiosidade. Provavelmente estamos a assistir ao início de um percurso singular. Aliciante, portanto.

Vão ver. É uma sugestão.
Bom fim-de-semana.
TESSITURAS
Catarina Aguiar
Casa da Avenida, Setúbal
Abertura: hoje, a partir das quatro horas da tarde.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Aconteceu em setembro



Muito aconteceu neste mês. É o meu mês preferido, se é que o posso dizer assim. Muito do que aconteceu em setembro de vários anos alterou a minha vida. Coisas importantes para mim, e algumas para a humanidade inteira: alegres e tristes. Destaco no entanto, em tempos de agressão pela intolerância fascista, dois casos tristes. O ataque ao palácio do governo do Chile, onde morreu Salvador Allende, e a destruição das torres em Nova Iorque, onde morreu muita gente. Eu estava em Nova Iorque na altura e percebi de perto o drama de muitos seres humanos em desespero. A intolerância fascista e a demência religiosa ditam regras tenebrosas: eliminar incrédulos e desobedientes. Para estas mentes torcidas não cabemos cá todos. Cabem eles, uns com os outros. São poucos os que praticam a demência intolerante, mas não estão sós na apologia daquelas tretas. Já têm uma gente fruste que os apoia e segue. Votam, aplaudem, dão-lhes voz. Cabe-nos a nós combater a agressão. Vamos estar sempre contra esta gente, que nem parece gente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker.


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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A vida é feita de pequenos nadas


Sérgio Godinho faz hoje anos. Tantos anos a dar-nos tanta música boa. Tantos pequenos nadas transformados em momentos de excepção.

Parabéns
, Sérgio. E muito obrigado.

Agosto ao gosto de toda a gente


O MUNDO ÀS AVESSAS | O agosto tonto já não é o que era. Tonto na mesma mas com tristezas reais. Morreu gente importante, que faz falta: a escritora Ana Luísa Amaral, o estilista Issey Miyake, o artista visual Sempé, o militar de Abril Almeida Bruno e o activista Homero Cardoso, fundador da primeira etapa da editora Assírio e Alvim e da Associação José Afonso. Também Gorbachov deixou de estar entre os vivos. Isto enquanto o seu compatriota criminoso Putin continua matando e destruindo na senda de alargamento do seu poder. Salman Rushdie não morreu, mas quase. Foi atacado por um tarado fundamentalista miserável. Nas Américas um outro tarado que chegou a presidente daquilo cospe inanidades daquela bocarra cheia de ódio e vingança. Isto em permanente campanha eleitoral.
Por cá a direita também se une e bolsa as atoardas do costume. Estão a ficar todos parecidos. Com a chegada do partido facista à Assembleia da República a coisa extremou-se. Montenegro tornou ainda mais negro o seu discurso de ódio e ambição. Passos Coelho saiu do buraco onde tem estado escondido apenas para se mostrar. Faz cá tanta falta como a fome. E Marcelo foi àquela parvoíce dos putos do seu partido a que chamam universidade dizer que a família não se abandona, mesmo quando não se recomenda. O homem da Iniciativa Liberal continua na obsessão de tornar tudo a pagantes. Quem tem unhas que toque viola. Quem não tem vá pedir esmola.
Enfim, a morte fez das suas, mas a vida não parou. Cá estamos para aguentar as tropelias desta gente sem qualidades. Desta gente que põe o umbigo acima de tudo o que mexe. Os que morreram estão conosco. Foram exemplos e permitiram que vivêssemos melhor. Os facistas, liberalistas e outros sinistros parasitas terão de contar com a nossa persistência em sermos felizes. Sem eles, contra eles. Sempre.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

 


terça-feira, 2 de agosto de 2022

José Afonso 93


Publiquei este texto em 2 de agosto de 2018. Adaptei-o agora para assinalar mais um aniversário de José Afonso. A sua música e o seu exemplo continuam aí. Nunca será esquecido.

José Afonso nasceu há 93 anos. Morreu com 57 em 1987. Assinalo sempre estas duas datas porque acho importante salientar a existência de um português que viveu com os pés neste mundo. Desde cedo que tentei encontrar também um mundo onde me sentisse bem. José Afonso apontou-me um caminho — Respeito pelo que existe, exigência na observação, solidariedade na acção. Mudou o mundo da cultura em Portugal. Passámos a ter orgulho na cultura portuguesa a partir dele. Dele e de Fernando Pessoa, que era poeta da sua estima. O melhor de Portugal passou a estar a par do que ele fazia. Transformou melodias populares em grandes músicas. Reinventou sonoridades. Manteve atitudes. Teve ideias e praticou-as. Foi corajoso. José Afonso não foi um cantor popular, lamento não estar de acordo com os classificadores opinadores. João de Freitas Branco inscrevia-o nas mais altas definições, ameaçando perder o respeito pelos tais classificadores. Eu acho que José Afonso se inscreve em outras definições, de facto. O experimentalismo e a procura de novas sonoridades fazem mais jus às preocupações do autor. Ouço José Afonso —  muitas vezes — e associo-o mais aos desenvolvimentos performativos de Laurie Anderson, do que aos desempenhos ditos populares. Outros exemplos poderia procurar, mas guardo a conversa para uma ideia que me persegue: um dia discutir isto com autores contemporâneos. Tentei fazê-lo no passado. Desafiei Carlos Martins e Filipe Raposo para o debate. Eles aceitaram o desafio, mas tinham a agenda preenchida. Para 2024, ano em que se comemoram os cinquenta anos da conquista da liberdade, não vai falhar. Vou tentar juntar ao grupo Rui Vieira Nery e vai ser num Muito cá de casa na Casa Da Cultura | Setúbal. Foi bom termos tido José Afonso entre nós. Foi melhor ainda tê-lo conhecido. E continua a ser muito bom ouvi-lo. 

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domingo, 31 de julho de 2022

As Teias do Mundo





Pedro Besugo nasceu em Setúbal, em 1971. Vive, viaja e trabalha pelo mundo. Os sítios por onde circula povoam os seus trabalhos com texturas, camadas que se sobrepõem em bem orientado encontro de formas e cores. A técnica também se sobrepõe em camadas de orientações. A postura é de curiosidade pelas geografias que o rodeiam. O que agora aqui nos vai mostrar é o resultado de um intenso cruzamento entre desenho, pintura e colagem que, manifestando-se em abstracto, traduz a vontade do artista perceber as teias com que o mundo se cose. A exposição de Pedro Besugo abre no próximo dia 6 de agosto, às seis e meia da tarde, na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal. Convidados.

BLUE GRID
Agosto / setembro. 2022
Galeria de exposições / Casa da Cultura, Setúbal

sábado, 30 de julho de 2022

Mudar com Ana Ventura




O livro é surpreendente. Não tem palavras, mas diz tanto.
É metáfora das nossas vidas. 

Não é uma vidinha que muda quando mudamos, é a vontade de fazer e de estar melhor. Procuramos insistentemente a felicidade. E encontramos esses momentos quando menos esperamos. A surpresa aparece. Muda coisas. Às vezes para pior. Mas muitas vezes para melhor porque é essa a nossa intenção. Ana Ventura está de parabéns. Este livro é delicioso. Para o júri a escolha não foi difícil: a Dora, a Marta e eu não demorámos a escolher os três primeiros a premiar: Ana Ventura, Mariana Rio e António Jorge Gonçalves. A conversa entre nós também foi deliciosa. Fizemos amigos. E pronto: parabéns à Ana, e também à Mariana e ao António. Iremos estar com eles em Outubro, na Festa da Ilustração - Setúbal, em homenagem ao João Paulo Cotrim. Até lá.

Fim-de-semana


ROTEIRO CULTURAL | A exposição de pintura de Pedro Chorão vai estar na Casa das Artes, em Tavira, até ao dia 16 de agosto. Quem andar por ali não perca. Bom fim-de-semana.

PEDRO CHORÃO | PINTURA
Casa das Artes de Tavira
De 16 julho a 16 agosto 2022

Fotografia: Ana Nogueira

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Aquecimento global político



As eleições em Itália são de vital importância para percebermos o que aí vem. Fascistas encartados podem tomar o poder. Com o poder do voto, tal como já aconteceu em outros carnavais eleitorais. A democracia não garante a democracia. Gente perigosa assalta o poder e exerce-o em deriva anti-progresso. Sem olhar a meios para atingir o tolhimento. Estamos na época do elogio da restrição. Eliminar a cultura e os artistas. Corrigir comportamentos desviantes, dizem eles. Liberalizar de vez a economia para que fique tudo como deve ser: os ricos mandam, os pobres trabalham e obedecem com respeitinho.

A Rússia está como está: em delírio fascista imperial. A Turquia quer ser líder do mais castrador dos sistemas. Os talibans metem nojo. Em Portugal, um frondoso vaidoso sem escrúpulos vocifera barbaridades sem freio. Agora é Itália que quer ajustar comportamentos e atitudes. A seguir o perigo vai rondar o Planalto e depois a Casa Branca. Isto está lindo, está.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Design de comunicação




Da série Grandes Capas.

Grafismos que fazem a diferença.

Libération. The Guardian weekly. Papel.