
A Quorum Dance Company completou, em 2025, vinte anos. É uma estrutura absolutamente extraordinária, que saiu da cabeça de um visionário dos nossos dias: Daniel Cardoso. Ontem, passou na RTP2 um documentário que não me deixa mentir.

O homem-sapo português congratulou-se, entusiasmado, com a vitória dos herdeiros de Hitler na Alemanha. A mulher-Hitler (lamento, mas não encontrei animal mais repugnante para a ilustrar) ficou radiante e, empolgada com o seu característico patriotismo, agradeceu a Musk e a todos os nazis. Valentona.
Walt Whitman. FOLHAS DE ERVA. Canto de Mim Mesmo (Secção 51)
(Edição: Relógio D'Água. Tradução de Maria de Lourdes Guimarães. Prémio de tradução Pen Club, 2002)
Resumindo e elogiando: a Penguin Group entrega nesta colecção um trabalho gráfico de excelência. Ao abdicar do óbvio ou do figurativo direto, o design aposta na sugestão do simbolismo visual para evocar o tom atmosférico da obra. Trata-se de uma solução estética sem tempo cronometrado que valoriza o livro enquanto objeto visual e convida o leitor à reflexão antes mesmo de mergulhar na leitura. Estes pequenos livros fazem parte das minhas referências estéticas há muito tempo; devoro-os e volto lá frequentemente para apreciar a competência do grafismo. Cheguei a comprar um ou outro exemplar sem me preocupar com o conteúdo incluso. Mesmo aí, não me desiludi: a Great Loves dá a conhecer muitos dos melhores textos dos melhores autores. Tudo nesta coleção é extraordinário. Viva ela.
Todos percebemos que o assalto ao gabinete foi uma encenação. Também sabemos o que aquela gente quer com a moção de censura, por causa de um ministro que não está para reconhecer as razões dos fascistas, independentemente da fragilidade política que o sustenta com evidente dificuldade. Percebemos que o líder fascista é capaz de tudo, como acontece com qualquer líder fascista.
A propaganda é a prioridade. A transmissão da mentira é útil às suas sinistras intenções. Os gigantescos cartazes espalhados por todo o país não desmentem esta ideia: falem de nós, nem que para isso se invente o que for preciso. Os jornais e os jornalistas, com certeza instruídos pelos donos das empresas de comunicação, dão palco às criaturas de Ventura. O próprio Ventura é chamado a dizer coisas a toda a hora. As criaturas confirmam as mentiras e os dislates do chefe supremo, que se autonomeia um enviado pelo divino. Palco não lhes falta. Fazem a agenda e defendem-na com garra, nem que a voz lhes doa. Chegam a desmentir-se no mesmo debate. Envergonham-se disso? Nunca. A falta de vergonha na cara é a imagem destes cretinos.
Mas estão contentes com esse espetáculo mediático? Nem pensar. Querem tudo. Querem que seja divulgado unicamente o que inventam. Saudades do lápis azul. Bons salazaristas. O inenarrável deputado/veterinário privado de Ventura não gosta de jornalistas. Os da Lusa são nojentos, diz. E adianta que vai fechar a agência logo que o seu partido chegue ao poder. Percebemos que os fascistas pretendem elaborar a comunicação que querem que seja ouvida, lida e falada. Os jornalistas são um empecilho aos seus intentos. Nada de novo existe na ameaça. Sempre pensaram assim, os fascistas.
Imagem: cartoon de Nuno Saraiva - Inimigo Público
O governo de Benjamin Netanyahu continua a fazer sofrer uma população inteira — um povo que se vê expulso do seu território, sem qualquer respeito pelas regras estabelecidas internacionalmente. Uns seres sem classificação foram de Portugal apoiar o genocídio que dizem não existir. Chamar-lhes seres humanos não condiz com qualquer classificação razoável. Não são classificáveis; envergonham-nos.
A morte sai à rua todos os dias. As pessoas em Gaza são assassinadas sem qualquer hesitação. E não é com "falinhas mansas" que tudo acontece: é com material bélico. Pessoas tornam-se alvos a abater. As crianças são alvos porque é o futuro daquele povo que querem apagar do mapa. A existência de um povo anula-se assim: à bomba e ao tiro. Em pleno século XXI, são usadas armas de destruição cada vez mais sofisticadas. Estes poderes autoritários só pensam na sofisticação do mal e na aplicação da violência. A morte fica-lhes a matar.
Com tanta falsidade a circular por aí, já não basta procurar a verdade: é preciso uma candeia, uma bússola e muita paciência. É que a mentira espalha-se com uma facilidade quase inacreditável, quando encontra quem a queira vender como verdade — e quem esteja disposto a comprá-la sem pedir comprovativo.
Tempos estranhos. Tudo parece mentira. Desconfiamos de tudo. Tememos sempre o pior. E o mais inquietante é que, demasiadas vezes, descobrimos que o pior não era uma previsão pessimista. Era simplesmente a mentira a mostrar todo o seu esplendor.
Será em novembro que os americanos vão finalmente perceber o lamaçal em que Trump os meteu? O homem delibera assistido por uma insensatez aparentemente infantil. Os exercícios de egocentrismo imbecil são de divulgação diária. A credibilidade da América é destruída à velocidade de cada discurso do biltre. Reconstruí-la vai dar trabalho. Muito trabalho. A América decente terá de se esforçar durante anos para limpar o estrago causado ao mundo neste período em que o crime deixou de ser crime para passar a ser apresentado como virtude; a mentira, como estratégia; e o autoritarismo, como dádiva divina. É uma extraordinária inversão de valores: quem mente é um visionário, quem ameaça é um líder, quem trapaceia é um vencedor e quem acredita na trapaça é um vulgar imbecil que se julga vencedor também.
Aguardemos, portanto, que Trump vá pregar para longe e chame para a viagem o Ventura dos chiliques e dos amoques — dava jeito à decência e razoabilidade aqui do jardim —, mais todos os fascistas de serviço pelo mundo. Já fedem. À naftalina das ideias juntam o cheiro do crude e do lixo que espalham sem reciclar. Gente assim, tão mal-cheirosa, pode ir para bem longe. Para Marte, talvez. Musk já ligou os motores dos foguetões?
Passam a vida à procura de cosméticos: uma moção aqui, uma espuma ali, qualquer coisa que produza bolha suficiente para alimentar o circo diário nas televisões e nas ditas redes sociais.
No partido com nome de detergente ainda não perceberam que não há loção suficientemente eficaz para limpar a pele dos grunhos — muito menos para lhes lavar as ideias.
Continuem a esfregar. Talvez um dia consigam remover a sujidade. As ideias, essas, parecem ser mais difíceis de encontrar. Logo, também mais difíceis de limpar.
Voltem para os buracos onde vegetavam. Deixem as pessoas viver.
https://www.facebook.com/reel/1091200273415126
MOVIMENTO DE HOMENS QUE APOIAM O MOVIMENTO DAS MULHERES CONSERVADORAS | Desculpem qualquer coisinha. Disse aqui que não me ia «meter» com Setúbal nunca mais. Mas há performances que não permitem o recato. Estou de volta, mas saio já. Descansem. É só para dizer umas coisas.
EUAN UGLOW | Diz-se que Uglow pintava pouco. Demorava um ror de tempo até dar um quadro por terminado. Terminado? É precisamente essa ideia de inacabado que torna estas pinturas fascinantes.
De que falamos quando falamos de um trabalho terminado? Um trabalho está terminado quando o artista decide partir para outro? Será mesmo o artista quem decide?
Desconfio que Uglow confiava nas certezas do tempo. O Tempo, que é um grande escultor, como pretendia Yourcenar, mas que talvez tenha mais certezas do que nós, é quem decide. Quem vê pode sugerir acabamentos, mas não desmente a arrogância do tempo. E ainda bem. O Tempo tudo decide. E não traz livro de reclamações.
Uglow morreu em 2000, no dia 31 de agosto, com sessenta e oito anos. Passam amanhã vinte e seis anos sobre esse fim. Deixou-nos vivíssimas interpretações de naturezas-mortas e de poses do corpo humano. Leituras únicas.
Não percebi se, até hoje, foi recordado condignamente depois do seu desaparecimento físico. Sei dizer que falamos de grande Arte e de um grande pintor, que merece ser visitado com persistência.
Mostrou-nos uma realidade muito pessoal. Figuração única. Mostrou-nos outra realidade. E essa realidade é extraordinária.
Euan Uglow foi um grande artista visual do nosso tempo.
Euan Uglow - 10 March 1932 – 31 August 2000
Ilustração: Nuno Saraiva.
Fonte: Notícias ao minuto
As pessoas mal informadas que nasceram depois de abril de 1974 não acreditam que os últimos cinquenta anos foram os mais felizes de toda a História de Portugal. Tudo avançou a partir daí. Foram conquistados direitos, e as pessoas tiveram acesso à Cultura e a melhorias significativas na Saúde e na Educação, bem como a possibilidade de escolhas materiais que lhes permitiram alcançar um melhor bem-estar. Antes dessa data, isto metia medo.
Os direitos foram conquistados com o esforço e a luta de gerações de minorias esclarecidas e preocupadas com o futuro do país. Chamavam-lhes progressistas. Durante o período que se seguiu à Revolução, foram adquiridos direitos e estabelecidos deveres que deram folgo a outras maneiras de pensar. Foram respeitadas minorias e foi possível sermos donos do nosso próprio corpo. Falhou a lei da eutanásia, por culpa de um Presidente papa-missas que deixou arrastar essa conquista por interrogações e desconfianças sem sentido. O tal Presidente que o foi sem merecer e que agora declara nunca mais falar de política, como se a política fosse o diabo. O diabo que o carregue.
Mas teve seguidores. A extrema-direita assumidamente salazarista entrou no Parlamento e arrastou para o seu catecismo a direita civilizada, que passou a não o parecer. Os retrocessos aconteceram, perante a nossa incredulidade. Como pode isto acontecer? Aconteceu.
Esta observação do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos adverte para o óbvio: estamos a andar para trás. Os novos representantes dos eleitores que querem andar para trás são eleitos e fazem trinta por uma linha para garantir retrocessos. Direitos merecidos são postos em causa por políticos sem memória ou que fazem por esquecer o tormentoso passado. O que será que esta gente quer para os seus filhos e netos? Tudo a toque de caixa? Voltamos ao tempo da perseguição a quem é diferente de quem manda? Vamos todos ter de ser tristes, incultos e indignos lambe-botas dos escroques da extrema-direita e dos que se lhes aconchegam?
A resposta existe e aplica-se assim, em caixa-alta: NÃO, não queremos voltar a viver num país que não respeita toda a gente. Os novos fascistas chamam liberdade à discriminação. Dizemos não, e não estamos sozinhos. Somos pela liberdade para todos. A liberdade de discriminar não é liberdade. É fascismo. O que é que a direita civilizada ainda não percebeu?
Invadir e vandalizar um gabinete de um líder partidário é muito grave. No tempo de Salazar seria normal, se existissem líderes partidários a sério. A PIDE partia aquilo tudo e não se dizia nada a ninguém.
Mas em democracia não se percebe como aparece um gabinete tão bem desarrumadinho, quando o que era para resgatar pelos malandros delinquentes eram uns papéis fornecidos pela PJ ao ofendido líder, e que estavam em cima das mesas esperando pacientemente pela captura. Os malandros que andaram aos papéis devem andar a ver muitos filmes antigos de Hollywood. Era preciso tanto papel pelo ar? Tanto sinal exterior de vandalização? Agora a PJ quer ouvir os últimos a sair e os primeiros a entrar no dia seguinte. Agora é que isto vai ser um papelinho.