Não gosto da maneira de estar e agir de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também não alinhei naquela tese de que, com ele candidato, vinha aí o fascismo. Na altura o fascismo ainda não era perigo e nem havia a necessidade de nos unirmos contra um candidato fascista, como aconteceu nestas eleições presidenciais. Na altura apenas aleguei que ele não merecia ser Presidente. Acho que não deve ser Presidente quem tem apenas a necessidade de exercer um egocentrismo desmesurado. Mas, caramba, sempre nos despedimos de Cavaco, esse sim, um Presidente que nos tirou do sério com tanta demonstração de mau carácter.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Seguro não é Marcelo. E será Seguro seguro?
Não gosto da maneira de estar e agir de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também não alinhei naquela tese de que, com ele candidato, vinha aí o fascismo. Na altura o fascismo ainda não era perigo e nem havia a necessidade de nos unirmos contra um candidato fascista, como aconteceu nestas eleições presidenciais. Na altura apenas aleguei que ele não merecia ser Presidente. Acho que não deve ser Presidente quem tem apenas a necessidade de exercer um egocentrismo desmesurado. Mas, caramba, sempre nos despedimos de Cavaco, esse sim, um Presidente que nos tirou do sério com tanta demonstração de mau carácter.
Deu-me para isto
Estou a tentar assistir à tomada de posse do novo Presidente. Estava a ver um tótó a ler a acta da coisa, quando alguém da estação de televisão me avisa que o tótó é um recém eleito deputado do partido fascista. Tem ar de tótó, fala como um tótó, e será um tótó, mas, pior: é um jovem fascista. Também reparo que a estação de televisão foca com insistência o líder fascista. Mas o que é que se está a passar? Porquê o tótó a ler a acta? Para quê esta insistente normalização do partido fascista? Que se lixe o juramento. Adeuzinho.
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Há quem tenha pudor em chamar fascistas aos fascistas. Ontem ouvi João Miguel Tavares muito irritado por se chamar fascista a Ventura. Foi no programa "Isto é gozar de quem trabalha", que tem Ricardo Araújo Pereira ao leme. Tavares foi anunciado como "passista". Percebi mal se será por ser adepto do candidato a novo líder da extrema-direita ou se é por ser mesmo defensor de um passado de ajustamentos que não conheceu. Nisso não acredito, mas nunca fiando. Aqui vai esta capa da The New Review, que já não hesita em chamar os bois pelos nomes. Na América o fascismo está em andamento.
domingo, 8 de março de 2026
Galeria Presidencial
8 DE MARÇO | De que falamos quando falamos de democracia?
8 DE MARÇO - Dia Internacional das Mulheres
Continua a fazer sentido assinalar este dia com intensidade e denúncia. A discriminação sexista continua. A agressão continua a ser permitida quase sem disfarce. Com o crescimento da extrema-direita racista em Portugal e no mundo a normalização do machismo e do racismo já se instalaram no parlamento português e também no europeu. No resto do mundo também há regressão.
Marielle Franco foi assassinada por fascistas bolsonaristas em 14 de março de 2018. Ser feminista, negra, de esquerda e ainda por cima assumindo atitude pública são virtudes que não agradam aos delinquentes que querem dominar o mundo. Os novos fascistas estão aí. Já não têm vergonha na cara. São criminosos encartados ao serviço de uma ordem mundial que é dominada por multibilionários — a expressão não é exagerada — sem escrúpulos. Já há os que defendem a proibição do voto das mulheres. A ordinarice estende-se a mulheres apoiantes da extrema-direita. Uma cretinice difícil de compreender.
Honra às mulheres feministas, de esquerda, de direita, mas com atitude progressista. As que dizem que isto é tudo treta que se lixem. Também existem. Mas a parvoíce não tem género nem ideologia. É só parvoíce.
sexta-feira, 6 de março de 2026
Da bajulação
Espanha demarca-se da agressão protagonizada por Trump e Netanyahu. O governo português tem um entendimento totalmente diferente. Na cimeira luso-espanhola que está a decorrer em Huelva o desconforto foi notório. Eu assisti em directo, via televisiva, às lamentáveis declarações de Montenegro. Só não estou envergonhado porque me estou borrifando para Montenegro e para o que diz. Só lamento que ele seja primeiro-ministro de um governo tão lamentável. Trump, Netanyahu, Montenegro a mesma luta. A direita no poder é tão "wonderful", como diria Trump.
Receituário
quinta-feira, 5 de março de 2026
Homenagem
Leio o escritor desde "Memória de Elefante", seu primeiro trabalho literário publicado. Convidei-o para uma apresentação desse livro em sessão "Dois dedos de conversa com...", nas iniciativas que ocupavam as sextas-feiras aos fins de tarde no Círculo Cultural de Setúbal. Ano? 1979.
A conversa com o escritor foi notável e memorável. Tive com ele um relacionamento extremamente simpático, que desmentiu a ideia do homem distante e dado a poucas falas. Fiquei sem perceber de onde surgiu essa ideia. A conversa marcou-me e esclareceu-me muito sobre o que é o carácter de um homem que tem a fama de ser terrível só porque se preocupa com o que se passa em seu redor. Viver em voz alta parece dar má fama, mas faz bem a quem assim vive. A obra de Lobo Antunes não tem paralelo. É um trabalho único e exemplar. O escritor é exigente com o leitor. Ler Lobo Antunes não é fácil. A expressão "lê-se como um romance" é um disparate que aqui ultrapassa o classificável. Ler Lobo Antunes torna-nos diferentes. Aprendi muito com ele e vou continuar a aprender. Como? Ora, porque vou continuar a lê-lo. Muito obrigado, mestre. Foi muito bom viver no teu tempo. Vamos continuar a viver-te.
Receituário
É hoje ao fim da tarde, na Culsete. O título atrai. O autor vai estar presente e a Daniela vai apresentar. Bons motivos para se passar por esta livraria que resiste e insiste na boa literatura na cidade. Os resistentes que apreciam o que de melhor se vai fazendo com a utilização das palavras merecem este esforço. E a Culsete merece o nosso apoio. Vamos lá.
Dia Internacional de Sensibilização para o Desarmamento e a Não-Proliferação
quarta-feira, 4 de março de 2026
Blac Dwelle
No próximo dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00 inaugura nas Carpintarias Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.
Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.
terça-feira, 3 de março de 2026
Cincidências ou coerências?
Design de comunicação
Da série Grandes Capas. The New York Times magazine.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Até parece mentira
O candidato derrotado ao prémio Nobel da Paz, e que inventou guerras para dizer que acabou com elas, inicia guerras para que lá na terra fiquem esquecidos dos seus feitos pedófilos. Há dinheiro com fartura e jovens para morrer na guerra pela paz. Mandou a mulher dizer coisas na ONU e atacou com promessas de libertação. Fantástico.
O que está a acontecer no mundo é uma guerra mundial por parcelas. Coisa moderna. Diferente. Com apelos à mentalidade Ronaldo: tu consegues. És o maior. Vamos ser grandes. Depois há os que assistem de bancada, como o governo de Portugal. Ai, não?! Então? Ah, pois é, desta vez não somos neutrais. Não apoiamos quem ataca mas atacamos quem ataca os agressores. O Irão tem um regime teocrático, mas daqueles sem presépio. Ainda se fosse um regime que impusesse um catecismo em cada esquina, mas não, aquela gente acredita em coisas estranhas, a abater. O governo português tomou posição contra o Irão porque ataca tudo em seu redor como se não houvesse amanhã. Não está a haver amanhã para muita gente, é certo. Mas o governo Montenegro/PSD/CDS já perdeu a guerra das palavras, pelo menos. Perdeu uma oportunidade para ficar calado. Para dizer disparates já bastam Passos Coelho e Ventura. Aquilo devem ser nervos.
domingo, 1 de março de 2026
Passos perdido
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Odiaremos o ódio
A LIBERDADE FAZ-NOS CRESCER | Foram os encontros mais gratificantes entre todos os que já promovi. Honra e prazer em ter entre os meus amigos António Cabrita, Viriato Teles, Jorge Abegão, António De Castro Caeiro e Fernando Cabral Martins. Terminou esta sexta-feira a minha exposição na Galeria da Biblioteca Camões, com uma conversa de alto gabarito intelectual que já constitui história nas vidas de quem participou. Fernando Cabral Martins contou-nos histórias do seu Fernando Pessoa e António de Castro Caeiro falou dos sentimentos que trazemos agarrados ao corpo e que às vezes nem percebemos que são sentimentos. Terminámos em beleza. Um luxo, sem qualquer dúvida.
Foram
quatro semanas de apologia do conhecimento cultural e da substância
intelectual. E foi divertido, sim, a cultura não é chata, quando é
exigente e consistente. Chatos são os apologistas da ignorância.
Agradeço a todos os participantes acima mencionados, às pessoas que
quiseram estar presentes , mas também a Ana Nogueira, curadora da
exposição e a Thales Soares, programador da Biblioteca Camões. Foi
"quase" um prazer, como diria João Paulo Cotrim. Há esperança para quem
insiste em pensar e em reagir. Resistir ao anúncio da desgraça.
Como disse José Afonso em entrevista a Viriato Teles: “O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!”.
Seremos gente. "seremos muitos/seremos alguém", como cantou José Afonso. E "Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte", como acrescentou Sérgio Godinho. Vamos ter encontros para conversar em prazenteiro convívio. A amizade recompensa. A liberdade faz-nos crescer. Odiaremos o ódio, com a paz das palavras.
AS PALAVRAS
Matérias transformadas
por José Teófilo Duarte.
Finissage em 27 de Fevereiro. 2026.
Galeria da Biblioteca Camões.













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