AS PALAVRAS do ministro Luís Neves, para além de atabalhoadas, são cruéis. O homem não tem verbo nem maneiras. Achar que a polícia deve entrar em todo o lado que quiser é de arrepiar. Luís Neves não sabe lidar com homens das obras que lhe constroem piscinas em vez de tanques, não se ajeita muito bem a responder a questões que o incomodam e, tal como o primeiro-ministro, deve ter-se iniciado no discurso político na literatura inclusa nas embalagens da Farinha Amparo. Esta gente não acerta em muita coisa, mas acerta numa: dar porrada é um descanso. São verbalmente inábeis, mas nunca se esquecem de elogiar quem arreia em quem contesta a sua inabilidade política e verbal. As palavras saem-lhes da boca para fora como pedras lascadas. Compridas e trapalhonas. Talvez a leitura de alguns livros os ajudasse, ou a audição de boa música. Aprende-se muito a ler e a ouvir quem tem coisas para dizer. É que «comprida, a palavra perde-se». «A palavra precisa de ternura», como escreveu José Afonso.
sábado, 31 de outubro de 2026
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
(Des)fidelidade ou burla legal?
A notícia revela uma crueldade estúpida. Até parece mentira de gosto mais do que duvidoso, mas é verdade. É verdade que as companhias de seguros se distanciam de culpas evidentes para não pagarem reparações de acidentes automóveis — sei do que falo, já me incomodaram, mas fui justiçado em tribunal —, mas este caso do elevador é de um cinismo de elevada delinquência. É que morreu gente.
A vítima é acusada de ser culpada pela sua própria morte por saber que corria riscos? Todos temos de saber em profundidade os riscos que corremos, mesmo quando parecemos seguros? E a seguradora aceitou fazer o negócio sabendo das condições daquele meio de transporte? E a conhecida empresa de advogados que justifica o descuido da vítima não sabe que uma empresa seguradora também corre riscos e que, em princípio, também existe precisamente para resolver as coisas quando correm mal? Ou será que esta gente toda só pensa em angariar chorudos lucros para os accionistas e faz tudo o que for preciso para os obter? E as pessoas? Mas há pessoas aqui? Essas que vão morrer longe...
Tudo isto pareceria uma história antiga, de um tempo que pensávamos já não existir — e, ainda assim, de excessivo mau-gosto —, se não fosse uma atitude de inacreditável desresponsabilização, que desacredita a actividade desta empresa de angariação de lucros para os accionistas. Serão estas empresas, seguramente, autênticas burlas legais?
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
A esperança não morre — conquista-se
Isto anda tudo ligado [Eduardo Guerra Carneiro]
Temos estado a assistir a uma extravagante subida da extrema-direita (vulgo: novos fascistas). Os povos já os escolheram em vários países: Orbán, Fujimori, Erdogan, Bolsonaro pai, Milei e, cereja no topo do doce, Trump no país mais relevante para o sistema capitalista selvagem. E Trump é um selvagem no seu trono. Um bandido corrupto que só pensa em lucro pessoal e da sua family.
Todos os acima citados são apologistas do lucro de quem manda contra quem é mandado. Na segunda metade do século vinte havia alguma vergonha em assumirem-se desavergonhados, mas a defesa do crime passou a ser usada como quem muda de camisa. São as camisas de colarinho branco que escondem corpos capazes de tudo. Isto porque esses corpos têm no cimo uma espécie de cabeça que só pensa em dar cabo de tudo o que cresce, excepto o seu próprio crescimento económico.
São todos bandidos que deveriam estar a responder por crimes. Crimes económicos, domésticos e sexuais. Também há assassinos e defensores de assassinatos. Temos estado a assistir à subida desta gente nas escolhas do povo, essa abstracção que provoca o bem e o mal conforme lhe dá na gana. É a democracia, e contra isso nada a opôr.
A democracia é o pior dos sistemas de governo, à excepção de todos os outros que já foram experimentados. [Winston Churchill]
Acontece que estes escroques sem princípios, nem réstea de dignidade ou decência, são como os ratos do navio que se afunda. O bandido que se candidatou ao Planalto ainda contestou o resultado eleitoral. Táctica trumpista que adoram, mas aquilo não deu certo. As evidências puseram até os seus apoiantes fora da cena. O bandido deixou eleitores de bandeiras no chão e o próprio pai na prisão e pôs-se literalmente a milhas. Passou pela Argentina liderada por outro bandido seu amigo e ala que para a frente é que é a América. Diz que tem passaporte italiano. Faz sentido: as máfias dão muito jeito aos bandidos. O bandido americano já saudou a decisão do bandido brasileiro. É bem-vindo, esclareceu. E viverão felizes para sempre.
Ainda há esperança. Este recuo da extrema-direita (vulgo: novos fascistas) a que estamos a assistir anima-nos. Esperemos que em Portugal se dê também esse abrir de olhos. Esperemos que os bandidos que se sentam mais à direita do parlamento português comecem a definhar já nas próximas eleições. As sondagens valem mesmo o que valem. Ou seja: muito pouco, enquanto estivermos dispostos a não nos calarmos e insistirmos em sair sempre em defesa da democracia que permite a nossa participação. A democracia não se pratica só de quatro em quatro anos. Que se lixem os deputados da extrema-direita (vulgo: novos fascistas); vamos cumprir as palavras de José Afonso:
Seremos muitos. Seremos alguém.
O futuro faz-se caminhando... e lendo
Estamos a trabalhar. Fazemos o que achamos que deve ser feito, mas sem sabermos onde vamos chegar. Fazemos livros. Queremos acrescentar páginas novas, leituras novas, mas respeitamos o que já foi feito. Uma coisa é certa: aconselhamo-nos com os melhores, com quem sabe mais do que nós. Dia 2 de novembro falamos. Até lá.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Apelo
Caros senhores António José Seguro e Luís Montenegro. As polícias em que têm tanto orgulho agrediram pessoas que pacificamente se manifestavam. Como têm tanto orgulho nas vossas polícias, era bom que se deixassem de aplausos laudatórios e viessem dizer qualquer coisa sobre isto. É que parece que ainda vivemos em democracia e os estimáveis senhores foram eleitos por nós. Precisamos de saber com o que contamos. Não se importam de vir até aqui, ao terreno onde tudo está a acontecer? Chama-se Portugal, e os senhores são responsáveis políticos. Sabem disso, não sabem? Era só...
De olhos bem abertos
Esta eleição não é só do Presidente do Brasil. Lá como cá, as pessoas perceberam que havia um biltre da extrema-direita ali por perto: desqualificado, malcriado, ignorante e capaz de tudo, até de entregar o país ao outro biltre americano. As pessoas ainda abrem os olhos quando percebem que tudo pode piorar. O mundo precisa de gente com ideias e não de mentecaptos. Lula deve começar já amanhã a pensar que não é eterno. Nada é eterno. Mas esperemos que a democracia dure muito tempo. O tempo preciso para expulsar os vendilhões e esses novos fascistas arrivistas.
domingo, 25 de outubro de 2026
Permitam-me a intromissão no vosso descanso, principalmente no descanso dos esclarecidos opinadores que me tentaram explicar como devem actuar as forças policiais em democracia (bem, a democracia não é bem preocupação dos esclarecidos opinadores) e como se deve ter opinião sobre isso.
As esclarecedoras opiniões fervilharam de emoção: "As que caíram no chão é que se perderam", "Carrega polícia", "Devias era de trabalhar", "Tu é que devias levar nos cornos", "Se fosse eu a mandar era à bala", "Viva o chega", "Viva André Ventura", "És um porco", "Esquerdalhos de merda", e assim sucessivamente. Acreditem que estes insultos não me afetam por aí além. Mas por princípio apago-os todos e bloqueio os seus autores para os deixar no seu sossego sem que as minhas opiniões lhes tirem o sono. É que a maioria das opiniões destes exaltados defensores da ordem são perpetradas durante o sono dos justos. Ora, estes bloqueios dão-nos felicidade a todos: aos opinadores e a mim. Muitas vezes bloqueio essas opiniões por compaixão. É que para além do exercício de uma escrita que ofende a língua de Camões e Pessoa (o que é para mim pecado imaterial), são de uma indelicadeza e ignorância que assustam qualquer ser humano mais atento à realidade. A delinquência do apelo à violência já é defendida como preferência justiceira. Sinto mesmo vergonha alheia pela palermice que se lê. Quando vamos até lá, ao perfil dos esforçados militantes do disparate activo, percebemos que andam muito esclarecidos em matéria de carros de cilindrada elevada, são velozes motards, adeptos de jogadores da bola de sucesso e também amigos de animais de defesa e ataque, para além de reconquistadores de uma pátria que não sabem muito bem onde é, e crentes sempre com a mão no peito, na bíblia e na carteira. Também se identificam orgulhosos seguranças privados e ex-combatentes. A ordem e a violência aplicadas a quem é diferente deles são as preocupações que os fazem dizer coisas da boca para fora. Ou do teclado para a frente, vá.
Fascistas, marialvas, machistas e outros trogloditas: as vossas opiniões revelam a vossa tristeza. Mas a vossa infelicidade não é para aqui chamada. Não percam muito tempo em respostas esclarecedores. Vocês não esclarecem nada. O vosso "esclarecimento" não é respeitável. O vosso líder é um mentiroso compulsivo que não merece qualquer respeito. Não o incluam nas vossas miseráveis opiniões como um exemplo. Não o é. Ele e vocês são apenas uns cretinos sem educação e sem documentação. Fiquem longe.
Polícia assassina?
sábado, 24 de outubro de 2026
Livros e mais livros
Os livros são o lugar onde vamos perguntar o que ainda não sabemos. Somos uma nova editora dedicada a dar voz a novas ideias: ficção e poesia, ensaios inquietos, clássicos esquecidos. Obras daqui e de outros lugares.O mundo é o nosso gabinete de trabalho.
Acreditamos num fazer editorial em que o tempo é cúmplice — onde cada obra é acompanhada de perto, do primeiro rascunho ao desenho da capa e ao encontro com quem lê.
Não seguimos modas passageiras. Queremos construir um espaço onde a literatura tenha tempo para respirar e onde os autores encontrem um verdadeiro parceiro de trajeto.
Publicamos histórias que ficam.
Fazemos livros com boa impressão.
Queremos causar boa impressão. Facebook
Álvaro Salazar
Morreu o maestro e professor. Aqui há uns dias tivemos um encontro na DDLX, com a redacção da revista Glosas, do MPMP, para fecharmos o exemplar que lhe é dedicado. Conheceu os conteúdos, mas não a vai ver impressa. Mas isso, que importa? O que lhe devemos não cabe nos limites do formato A4. Não tem limites o nosso reconhecimento. Muito obrigado, senhor professor. O que nos deixa não será esquecido. faremos por isso. Facebook
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Roma/Setúbal na capa de um disco
Quando José Afonso convidou João de Azevedo para conceber graficamente a capa do disco, havia uma grande distância a separá-los. João estava em Itália e José Afonso em Setúbal. A encomenda foi feita com a tecnologia possível na época: o telefone fixo. José Afonso ligou ao João, solicitando-lhe a tarefa. O briefing foi feito assim: José Afonso cantarolou ao telefone a música que dá nome ao álbum e descreveu a ideia geral da coisa. Entendido o pretendido, o João envia de Roma para Setúbal, por correio, o resultado final, com três hipóteses para escolha. A ilustração mantinha-se, mas os fundos ficavam à escolha do freguês José Afonso. Um era azul mais ou menos turquesa, outro era num amarelo assim para o torrado, e a terceira opção era o rosa vivo, que veio a ser escolhido pelo dito freguês. Esta história foi-me contada pelo João. Sei que José Afonso ficou radiante com este trabalho — disse-mo a mim. Eu também gosto muito desta capa.
O álbum "Com as minhas tamanquinhas" saiu em 1976. É o trabalho mais directamente político de José Afonso. Andam por lá denúncias, ironias, gozos tremendos. Os desenhos de João de Azevedo documentam essas preocupações e desejos, agora que estas músicas únicas e intemporais voltam a circular nos pratos dos gira-discos, nos leitores de CDs, nas plataformas musicais e nos nossos sentidos.
Muito obrigado, João de Azevedo. Muito obrigado, José Afonso.
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
José Afonso - 100 anos
terça-feira, 20 de outubro de 2026
SOLIDARIEDADE
Esperemos que Luís Neves esteja mergulhado em documentos para se defender e não dê por isto. E esperemos que os deputados do CDS e do partido fascista tenham juízo. Sei que é pedir muito, mas podemos sempre tentar ir ao encontro da razoabilidade, nestes tempos em que a estupidez invadiu o poder político.
Trazemos livros na mala
O escritor e editor Luís Filipe Sarmento bateu no ponto: «Já comprámos direitos de autor de vários escritores, poetas e filósofos estrangeiros e contamos já com alguns escritores portugueses que estão connosco nesta viagem inicial».
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Velhos são os trapos
A expressão «velhos são os trapos» é do povo. Perde-se no tempo. Poucas expressões traduzem tão bem a resistência ao declínio físico e mental como esta. A energia e a capacidade de acção de uma pessoa não se medem pelo calendário do telemóvel, e a máxima marca pontos quando aplicada à trajectória política de Lula da Silva.
Lula é um líder mundialmente conhecido e reconhecido. Para muitos, um fenómeno de resistência e de eficácia na acção política. Mudou para melhor o Brasil. A situação em que aquele país se encontra, assistindo à disputa entre o actual presidente e um bandido descendente de outro, não augura nada de bom. Mais um regime em que se tenta impôr um certo aroma monárquico no pior dos sentidos.
Lula está com idade para descansar. Merecia. Mas a escolha de outro candidato decente, de esquerda e com respeito pela democracia e pela justiça social está a ser difícil. Haddad foi um excelente candidato, e seria melhor presidente do que o pai Bolsonaro, mas aconteceu o que aconteceu. Vença ou perca as eleições, o espaço democrático da esquerda tem que encontrar outro candidato para o futuro, é certo. A idade não perdoa e ninguém é eterno. Mas enquanto isso não acontece, o melhor seria que os brasileiros escolhessem Lula. Está velho? E então? Preferem um jovem delinquente?
Velhos são os trapos.
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS.
domingo, 18 de outubro de 2026
Que faremos quando tudo arde?
sábado, 17 de outubro de 2026
Vamos publicar ideias novas
Vivemos no nosso tempo. O futuro é daqui a pouco. Novas ideias estão a caminho. Muita coisa para ler e ver e contar. Estamos mesmo a chegar. Trazemos livros na mala. Até já.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Joaquim Letria
Morreu Joaquim Letria. Conheci a sua generosidade e sentido de humor nos princípios dos anos noventa do século passado, quando ele lançou o seu “Histórias para ler e deitar fora”. Percebiam-se o humor e o despretensiosismo. Foi jornalista, fundador de publicações e assessor de comunicação de Ramalho Eanes em Belém. Era um excelente conversador. Sou testemunha. Mas isso fica para outro dia. Recordo aqui o homem bom. Muito obrigado pelo uso inteligente que fez da liberdade de comunicar.
Receituário
O novo trabalho do Teatro O Bando estreou e vai estar em cena até 12 de Novembro. Quem quer conhecer a vida do menino Afonso?
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Polícia assassina?
A polícia não foi obrigada a actuar daquela maneira. Pedro Duarte mente. A polícia mente. As imagens não enganam. O presidente da Câmara do Porto é um mentiroso. Montenegro diz que não há razão para este protesto em Portugal. Deve viver longe, com certeza. As forças policiais foram criteriosas, adianta. As chamadas forças de segurança iniciaram a carga de porrada quando os manifestantes cantavam Grândola, Vila Morena. Percebe-se o incómodo. Arrearam com gosto. Os dois partidos neofascistas, apoiantes de Mileis, Trumps e Bolsonaros, pela voz de Pedro Pinto e de Mariana não-sei-o-quê, condenaram manifestantes e apontaram responsáveis: PCP e BE. Percebe-se. Estes bem acomodados políticos de pacote da farinha amparo estão todos bem uns para os outros. A mentira é a liberdade para esta gente sem qualidades humanas. Indigentes políticos que ambicionam o fim da liberdade real.

































