domingo, 20 de setembro de 2026

Aos domingos

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO

EU QUE JÁ FUI EU | O título está bem apessoado, mas poderia perfeitamente ser este: «O que já foi ainda é». O texto de Paula Parente Pinto (curadora), na folha de sala, define trajectos. Estamos em território de reconhecimento de um passado que insiste em reinventar-se.

O que aqui se revela é o gesto da artista perante a matéria encontrada. O reaproveitamento de materiais outrora de uso útil (ou nem por isso), e a sua integração em novos suportes, dá-lhes novas formas de vida. Pequenas utilidades (ou nem por isso) são transformadas em novos símbolos, agora simplesmente visuais, sem a necessidade de responder a um uso. É da vida e dos «produtos» que a animam que falamos, quando abordamos estes trabalhos de Maria José Oliveira. O objecto muda de lugar, mas fica um lastro que denuncia outros comportamentos. Outros testemunhos de percurso. O reconhecimento que a artista acumula por esse mundo fora é testemunho da competência dessa vontade de mudar trajectos. A utilidade tem agora outra exigência, para nosso bom proveito.

Paula Parente Pinto termina o texto dizendo: «Num mundo irreversivelmente materialista, o que é surpreendente é o reconhecimento de que a sua capacidade transformativa está no gesto e na pergunta, na contínua interrogação que nos coloca: “o que pensas disto?” E é a crença na resposta humana que faz com que o mistério persista».

EU QUE JÁ FUI EU | Maria José Oliveira | MNAC — Museu Nacional de Arte Contemporânea Chiado, Lisboa.

Até 4 de Outubro de 2026.




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sábado, 19 de setembro de 2026

Aos sábados

DEAMBULATÓRIO | Fotografia de Nathan Farb. "Tompkins Square Park", New York 1967.
Imagem obtida no laboratório do José Simões:
 
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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Receituário

𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗤𝗨𝗘 𝗔 𝗖𝗢𝗜𝗦𝗔 𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗱𝗲 𝗭𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗛𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀 no 𝗧𝗲𝗮𝘁𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘂𝗹𝗼 𝗖𝗹𝗮𝗿𝗼.

 "Numa das comunidades mais isoladas do mundo, a vida parece obedecer a um tempo próprio. A chegada de um estranho traz a promessa de progresso, mas também novas formas de poder, desejos inesperados e a lenta erosão de um equilíbrio construído sobre silêncios, crenças e segredos. Quando a ilha parece já não conseguir conter aquilo que permanecia escondido, o vulcão desperta e a comunidade é forçada a abandonar o único lugar que conhece."[João Meireles]
 
𝗢𝘂𝘁𝘂𝗯𝗿𝗼 2026
3ª a 4ª às 19h30 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
𝗥𝗘𝗦𝗘𝗥𝗩𝗔𝗦 961960281 ou bilheteira@artistasunidos.pt
𝗕𝗜𝗟𝗛𝗘𝗧𝗘𝗦  https://artistasunidos.bol.pt/
 
𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗤𝗨𝗘 𝗔 𝗖𝗢𝗜𝗦𝗔 𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗱𝗲 𝗭𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗛𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀
𝗧𝗿𝗮𝗱𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 Joana Frazão
𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗰𝗼𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 Miguel Castro Caldas
𝗖𝗼𝗺 Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca
𝗖𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 Francisco Silva
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 Fernando Travassos
𝗙𝗶𝗴𝘂𝗿𝗶𝗻𝗼𝘀 Rita Lopes Alves
𝗟𝘂𝘇 Pedro Domingos
𝗠𝗼𝗻𝘁𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗹𝘂𝘇 Lucas Domingos
𝗦𝗼𝗺 André Pires
𝗢𝗽𝗲𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 André Rodrigues
𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮̀ 𝗶𝗹𝘂𝘀𝗮̃𝗼 Aléxis Ricardo
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 Américo Silva e Diana César
𝗘𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 João Meireles
𝗠𝟭𝟮
 


𝗙𝗼𝘁𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮s © Jorge Gonçalves 
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As figuras tristes das tristes figuras


Há quem ache que o ideal para os eleitores de extrema-direita perceberem o que é a extrema-direita no poder basta "pôr lá" o líder e aquela malta fica logo a perceber o que é "levar nos cornos". Nada mais errado. Quem já vive na merda não se importa que toda a gente fique na merda. Aprovam todas as decisões que aplicam supressão de direitos e anulam conquistas. As excepções a esta realidade manhosa são poucas.
 
Veja-se o que aconteceu nos EUA. Toda a gente pensou que aquela gente tinha ficado vacinada contra o Trump do primeiro mandato. Não só não ficou vacinada como chamou reforços logo que teve oportunidade de eleger o estropício de novo. O vírus espalhou-se e agora vale tudo. Um bandido condenado gaba-se diariamente das alarvidades que aplica. A mentira ferve, e não é em lume-brando.
 
No Brasil foi candidato um bandido notório que se gabava de ser bandido. Foi eleito. Foi preciso Lula voltar para que o bandido fosse para casa. Preso, por evidentes maldades, manda agora o rebento dar nas vistas para tentar manter a família gangster no poder. E não é que a coisa está tremida? Nós, que vivemos em momentos mais decentes da história do mundo, ainda ficamos boquiabertos com os sucessivos festivais de mentira com exibições frustes e despudoradas. O espanto esvai-se e a realidade comprova o dislate. Irá o Brasil homenagear o bandido preso? Temos esperança. Acreditamos que vença a decência.
 
Aqui no país à beira-mar instalado assistimos à televisão oficial do protofascista apontá-lo como o preferido dos portugueses para primeiro-ministro. Isto pouco depois de o protofascista ter sofrido uma humilhante derrota eleitoral, levando o eleitorado decente a jogar pelo Seguro. O eleitorado decente foi muito alargado e desmentiu os comunicadores oficiais do partido que quer limpar um país que desconhece. 
 
Tristes figuras. Tristes tempos, estes.
Imagem: cartoon de Osmani Simanca.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Receituário

Tudo o que a esquerda não quer dizer 
e a direita não quer que ela diga

SINOPSE: O mundo mudou e a Esquerda não notou. Precisa de ajuda. De autoajuda. Fazer companhia à psicologia barata e aos manuais sobre emagrecimento pode ser, para uma Esquerda elitista, uma forma de descer à terra. Presa na bolha da academia e das sedes partidárias, a Esquerda afastou-se do povo. O resultado está à vista. Para não morrer, a Esquerda tem de rebentar a bolha.

Manuel Afonso, (autor), Alice Pinho e Nuno Ramos de Almeida, vão estar na Culsete, no próximo dia 17 (quinta-feira), para se explicarem melhor sobre isto. Também tenho umas ideias para trocar sobre o assunto. É por isso que não vou faltar a este encontro " nem que choval picaretas". Até lá.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Juntos conseguimos

 

Esquerda unida vence eleições na Suécia. Habituei-me a considerar a social-democracia sueca como um esclarecimento: o projecto político social-democrata é de esquerda, como é óbvio. Olof Palme foi sindicalista e era primeiro-ministro quando a sua vida foi interrompida à saída de um cinema. Nunca se provou quem o matou. Mas as desconfianças de que tenha sido acção da extrema-direita sempre existiram.
 
Agora, a esquerda ganha aos conservadores e a extrema-direita cai a pique. Talvez os eleitores suecos estejam a perceber o que os esperava com políticas que se aliam a exterminadores civilizacionais.
Magdalena Andersson deverá formar governo. Ser uma mulher a liderar também não é coisa pouca, já que ali perto, na Alemanha, dá-se exactamente o contrário: uma mulher pode colocar em risco desenvolvimentos civilizacionais, impondo políticas sexistas e discriminatórias.
 
Num mundo onde políticos reaccionários, com políticas manhosas na agenda, fazem trinta por uma linha para chegar ao poder, esta vitória é um bom exemplo do que acontece à agora chamada direita clássica quando se alia à já tradicional extrema-direita. A Suécia a dar exemplos.
 
Boa sorte, Magdalena. Ainda há esperança.
 
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Almanaque de histórias mal contadas




Os gostos discutem-se, porque os gostos são ideias. Ninguém pensa pela sua cabeça sozinho, sem introduções inesperadas. Existe um histórico de acumulação de informação, ou até de conhecimento mesmo, que forma opiniões e desperta a necessidade de comunicarmos. Os que se calam porque os gostos não se discutem estão completamente enganados.

O humor é uma coisa muito séria quando tenta formar públicos. Há humoristas que arrastam multidões só porque fazem rir. E há humoristas que trabalham o riso com substância cultural e política. Quando comunicamos publicamente, estamos a transmitir cultura e política. O humor pode ser apenas uma ferramenta.

A discussão que ferve por aí sobre a participação de um humorista famoso num festival de humor faz todo o sentido, porque é essa discussão sobre o que gostamos e não gostamos que está em causa. Há outro dito muito ditado que diz assim: «Isso é apenas a tua opinião, vale o que vale.» Claro que vale o que vale, e vale muito para quem a defende. Outro: «Só defendes isso, mas não falas no que...», e aludem ao que é contra o que se defende, que é o que defende quem nos faz a observação.

Também há quem ache que ser artista é ser nababo: faz lá a tua arte e cala-te. Como se isso fosse possível. Bem, até é: há quem defenda artistas de entrar-por-um-ouvido-e-sair-imediatamente-pelo-outro só porque uma vez acertou uma.

E depois há as confrarias, que se unem sempre que um seu membro está a deixar ficar mal a alcateia. Uivam ao luar e nos suportes comunicacionais que os suportam. São a voz do dono. Vale (quase) tudo. Acusam quem não habita a caverna com precisão definitiva: «Tão giro, gente de esquerda a querer censurar e cancelar». Esqueçam a ideia de que esta atitude denota ignorância. Não são ignorantes. São gente preocupada com o seu cofre pessoal e intransmissível, e com a boa sobrevivência de quem ciranda ali à volta.

Temos que respeitar toda a gente. Temos? Também temos que respeitar e conviver com gente miserável que apoia a exterminação de um povo? Temos que apoiar os sessenta energúmenos — apoiantes dos governos criminosos de Israel e dos EUA — que se sentam no Parlamento, só porque foram eleitos pelo povo? Era o que faltava. Não temos que respeitar xenófobos, racistas e outros «istas» que me inibo agora de mencionar. Quero mesmo que essa gente toda se... (vocês sabem onde quero chegar, não é verdade?). 

Assim, em jeito de remate, assinalo o seguinte: ninguém defendeu o cancelamento e ninguém apela à censura. Quem quer participa no que quer. Quem não quer, não participa e diz porquê. Chama-se atitude, e eu estou com eles. Gosto de quem toma atitudes. Não gosto de nababos. E também não gosto de quem relativiza tudo, como se tudo pudesse ser apagado com um convívio à volta de um bom gelado no Verão. O sol, quando nasce, é para todos e, às vezes, aquece as ideias. Quem disse que isso é mau? Vamos ao gelado, todos juntos. Excepto negacionistas do genocídio. Com esses, não vou a lado nenhum.

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Design de comunicação

 
Da série Grandes Capas. O fascismo é uma minhoca, não é?
Imagens obtidas no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/



 
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sábado, 12 de setembro de 2026

A espuma da semana

Major Tom
PRESCRIÇÃOAo cuidado dos deputados da oposição a sério, que chumbaram, juntamente com os deputados que apoiam o Governo da Nação, a moção de censura do partido dos estouvados fascistas. Sim, que isto das oposições não se revela a preto e branco; há nuances. Chama-se estratégia política ou decência.

Já que as grandes preocupações políticas do momento são programadas pelo partido estouvado, fazia-se assim: mandava-se Luís Neves de novo para a PJ, onde foi feliz — embora na PJ seja fácil ser feliz, porque é uma excelente polícia e já o era antes de Luís Neves — e, para que as coisas se resolvessem sem mais atrasos, colocava-se o Bispo de Setúbal como pároco da PJ. Como o prelado se entretém em jantares de Natal com os estouvados, podia ser que, no confessionário, o estouvado-mor confessasse o que aconteceu verdadeiramente no assalto ao seu gabinete, já que é o único que parece ter lá estado na hora do crime. Tenho dúvidas — o biltre é capaz de tudo, até de se chamar santo a si próprio —, mas sempre seria uma tentativa.

E para o Ministério da Administração Interna ia o Major Tom. Ele aqui farta-se de ladrar aos porcos do vizinho; mesmo do outro lado da cerca, os porcos reagem ruidosamente, mas acabam por ir para a pocilga. Era só.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Manhattan já está a arder






Foi há 25 anos. Isto é uma guerra
, pensei e disse à minha gente. Éramos três a percorrer a Quinta Avenida. Tínhamos o voo para Lisboa marcado para essa tarde do dia 11. Aquele passeio pela avenida seria o último da viagem à cidade que nunca dorme, dizem (há cidades que dormem?). No dia anterior tínhamos estado em território das Torres. Este relato é de quem esteve perto da tragédia e sentiu o sofrimento humano. 

Era cedo. Quem trabalhava na big city caminhava em passada larga, a caminho dos lugares das suas ocupações diárias. De repente, ouve-se um estrondo, seguido do romper de uma fumarada espessa pelos ares. Estávamos a pouco mais de dois quilómetros da zona atacada. As pessoas interrogavam-se. "Foi um avião contra o Empire State Building", "Foram estes", "Foram aqueles", "Foram aqueloutros". Abrem-se as portas de um carro. O proprietário quer que as notícias que passam no rádio sejam ouvidas por todos. Afinal, tinha sido um avião contra uma das Torres Gémeas. E agora mais outro contra a outra. O espanto tornou-se preocupação e sofrimento. A destruição e a morte tornavam-se uma preocupação generalizada na cidade. E no mundo, é claro. Uma mulher muito jovem tentava falar com o namorado, que pegara cedo ao trabalho nas torres. O desespero fazia-lhe estremecer o corpo. Todos nos sentíamos solidários.

 

Depois foi assistir ao desfile da gente agredida por aquele acto hediondo. Cruzámo-nos com aquelas figuras humanas cobertas de uma poeira uniformemente cinzenta, de fato completo e pasta pela mão, ou em mangas de camisa, ou mesmo de tronco nu. Gente de carne e osso que mais parecia saída de esculturas de Juan Muñoz. Não as figuras sorridentes, mas outras, agora, esculpidas num realismo que convocava a tristeza da destruição.

Mergulhámos nas notícias. O hotel, próximo de Times Square, facilitava a curiosidade. Ali aguardávamos informações de Bush, o presidente taralhoco. Ficámos mais cinco dias em Manhattan. Agora estávamos na cidade mais segura do mundo. Aviões militares rompiam frequentemente os ares. Assistimos a acções de solidariedade com as vítimas. A rua estava tão frequentada como sempre.

 

No regresso, viajámos num avião que nos disseram ser o maior do mundo. Foi no domingo seguinte que partiram para a Europa os primeiros europeus que ainda permaneciam na cidade. Fizemos escala em Frankfurt e chegámos a Lisboa pela noitinha.

Fomos os primeiros portugueses a chegar a Portugal, informou-nos uma jornalista de uma estação de televisão. Lá me dispus a ir a um programa dar algumas opiniões sobre o assunto. Um programa da manhã. Com gente aos pulos e cantores manhosos em exibição. Enfim, ninguém é perfeito. E eu sinto-me muito próximo da imperfeição mais perfeita quando cedo nestes assuntos de empata-audiências.

 

Manhattan é um sítio incrível. Adorámos. Mas nunca estamos sozinhos no mundo. E o mundo esteve mal por aqueles dias. Tudo piorou. E continua a piorar. Não se vê solução. George Bush era o presidente naquele tempo. A sua administração parecia umbater no fundo. Mas o asqueroso Donald Trump veio desmentir essa ideia. Com este presidente, tudo é possível. Já percebemos. Os terroristas agora são outros. Agora treinados a partir de Washington por um alucinado. Tudo piorou.

 

NOTA DE RODAPÉ: Na mesma data, mas em anos diferentes, em 1973, ocorreu o golpe de Estado no Chile: militares liderados pelo general fascista Augusto Pinochet, com o apoio da administração norte-americana de então, bombardearam o Palácio de La Moneda. Tenho assinalado este acontecimento todos os anos, quando abordo esta data. Este ano, dei maior relevo aos ataques em Nova Iorque, por seassinalarem 25 anos e também porque eu estava lá. Fica feito o esclarecimento.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lena Afonso



Era assim que era conhecida pelos amigos. Vi na página — Facebook — do Henrique (Guerreiro) que tinha morrido a Lena. Morte inesperada que nos deixa sem saber o que dizer. Deixa-nos neste «redondo vocábulo», como escreveu e cantou o seu pai. E é mais uma «soma agreste» que cresce entre amigos desaparecidos.

Tivemos sorte em ter-te como amiga.

Obrigado por isso.

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DA SÉRIE GRANDES CAPAS |  The New Yorker. Art: Lennart Gäbel.
Capa de Outono, a sair em 14 de setembro de 2026. Lennart Gäbel ilustra o ambiente do metro de Nova Iorque — um cenário reconhecido por quem por lá passa todos os dias.
«Queria captar o quão inspiradores podem ser os vários estilos de moda que se veem pela cidade», afirmou o autor. O resultado está à vista: um trabalho lindíssimo.
Amanhã, sexta-feira, dia 11 de setembro, assinalam-se 25 anos sobre o ataque a Nova Iorque. Falaremos disso. 
Até amanhã.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

E os manicómios são para os malucos

A gente até percebe que opinadores da direita mais opinativa se levem muito a sério e defendam que mais ninguém tenha opinião. A política é para os políticos e para quem os apoia. Já Salazar defendia e aplicava severamente a missiva. São opiniões. Mas defenderem assim, às claras, estas ideias adeptas do imobilismo e da indiferença faz alguma confusão a quem, como eu, acorda e começa a olhar para todo o lado com vontade de comentar tudo o que mexe. Devemos ser malucos para estes opinadores limitadores. Só pode. Só eles podem comentar o que lhes dá na realíssima gana, mesmo que o que lhes passa pela cabeça seja só merda.
 
Imagem retirada de publicação em mistérios do organismo, blogue do José Simões
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Dançar Educação e Cultura


A Quorum Dance Company completou, em 2025, vinte anos. É uma estrutura absolutamente extraordinária, que saiu da cabeça de um visionário dos nossos dias: Daniel Cardoso. Ontem, passou na RTP2 um documentário que não me deixa mentir.

As coreografias de Daniel Cardoso vão buscar ideias ao fundo dos tempos, transformando pensamentos profundos em acções contemporâneas. Contemporaneidade que convoca a autenticidade. Daniel é também um bailarino excepcional, que não quer ficar sozinho. Cria actividade para quem tem talento e vontade de encontrar uma outra maneira de dançar e de estar com quem aprecia a Arte e as suas consequências. Rigor estético em todos os segmentos. As consequências da arte são o melhor que pode acontecer a um país. O mundo culto conhece esta estrutura cultural. Daniel Cardoso e a sua companhia já pisaram muito chão por esse mundo fora. Não param de trabalhar e de ser aplaudidos.
Por cá, a Quorum Dance Company é apoiada pelo município da Amadora. Não tem apoios do Estado. Mas devia. São as artes que fazem avançar as sociedades. «A Educação e a Cultura são o melhor de um país», diz, às tantas, Daniel Cardoso. Tem razão.
 
O documentário na RTP2 é um excelente contributo para que se perceba o esforço e o percurso desta gente, que merece toda a nossa atenção. Eu vou ficar atento. Não quero perder nem mais um passo das bailarinas e dos bailarinos da Quorum Dance Company.
Não os percam de vista. É para vosso bem.
 
https://quorumdancecompany.com/


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