sexta-feira, 13 de março de 2026

João Paulo Cotrim 61

Na Casa da Cultura, em Setúbal. Fotografia da Ana (Nogueira).
Hoje não vamos estar com ele, como era hábito, mas estamos sempre com ele por perto. O João Paulo deixou de estar aqui, mas deixou-nos muito para ler, ouvir e contar. Temos saudades dele. Hoje era dia de festa. Já não é. Agora é dia de saudade.

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Na DDLX, Com Bruno Portela escondido pelo objecto que contém sulfitos e outros produtos vitiviniculas, depois de almoço. Fotografia minha.
Na esplanada do Fidalgo, com o João Silva, o Jorge Silva e comigo. Fotografia do Eugénio (Fidalgo).

Na Sala José Afonso, Da Casa da Cultura de Setúbal, em encontro "Filosofia a pés juntos", com António Castro Caeiro e comigo também. Fotografia do Fernando (Pinho).

quinta-feira, 12 de março de 2026

Limpeza ideológica



A direita gosta muito de falar em ideologia como algo negativo. Não sei se percebem que ao falarem de uma ideologia que não querem estão a ser ideológicos. Com a entrada do partido fascista em cena iniciou-se aquilo a que os fascistas gostam de chamar de limpeza. A câmara de Lisboa contrata fascistas do partido fascista para as altas limpezas, dando-lhes lugares dirigentes. A coisa está a correr mal porque os supostos higienistas são uns javardolas do pior. Qualificações? Não há. Talvez cadastro. Enfim, adiante.
 
Francisco Frazão também não pode ficar no Teatro do Bairro Alto porque provavelmente estava a fazer um excelente trabalho, mas ideológico. Rita Rato foi afastada de um lugar onde fez um excelente trabalho, provavelmente porque tem uma ideologia. Assim não pode ser. A gente sabe do que eles falam quando falam de ideologia. Para a direita, trabalho cultural deve ter a acompanhar um magusto ou uma sardinhada. Francisco Frazão não fazia acompanhar o seu trabalho de nenhum destes requisitos indispensáveis. Já Rita Rato tem outro problema a acrescentar. É que devem ter dito aos senhores da limpeza que o Aljude foi um lugar que "hospedou" muitos comunistas no tempo do outro fascismo. Ora, que sentido tem termos uma comunista do lado de fora das celas?

Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal

Citava eu esta frase por causa do meu aniversário, e mal sabia eu que estas palavras se iriam ajustar ao fim de  Mário Zambujal. Falámos desta frase de Manuel da Fonseca no dia em que o convidei para um "Muito Cá de Casa" na Casa da Cultura de Setúbal. Encontro num lançamento de um livro de um amigo em meados de março de 2016. Diz-me o Mário: "Pois eu, fiz um dia destes uma coisa que nunca tinha feito na vida". Então, o que foi?, digo eu, impregnado de curiosidade. "Eh, pá, então não é que fiz oitenta anos?". Risadas, mais piadas e conversa programada para dezembro desse ano.

E dezembro chegou. O encontro foi na sala José Afonso da Casa da Cultura e tive a Rosa Azevedo por companhia, como era hábito naqueles encontros. Jantámos, conversámos, bebemos, conversámos, rimos, falámos a sério das hipocrisias da política e despedimo-nos. Isto aconteceu em 2016, como já disse. Eu encontrava-me com o Mário em lançamentos de livros, estreias de filmes e outras obrigações. Lembro-me de uma vez em que estivemos à conversa com o Francisco Bélard na Cinemateca. Que conversa tão saborosa. Tenho muita pena de não estar mais vezes com estas pessoas que nos fazem crescer bem. Existe uma vida boa, sem luxos mal comportados, mas com autenticidade e alegria. Este fim deixa-me triste. Escusavas de partir no dia dos meus anos. Não se faz. Mas olha: leva lá um grande abraço e um obrigado do tamanho da tua vontade de viver. Foi mesmo muito bom conhecer-te e ser  teu amigo. Até sempre, Mário.

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Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal

A frase pertence a Manuel da Fonseca e define de maneira muito clara uma inevitabilidade. Uma criança não a entende, felizmente. Quem está na idade de todas as certezas — vulgo adolescência —, esquece-a de imediato e continua a viver a sua eternidade. Somos eternos, quando vivemos embriagados de sonhos. Devem ser as "bebedeiras de azul", do poema de António Gedeão. Penso em tudo isto, no dia em que comemoro mais um ano da minha existência. Sim, faço anos hoje. Nunca percebi porque e como "se fazem" anos. Os anos acontecem, passam por nós, sem que a gente os faça. Também são uma inevitabilidade. Não deixam de nos cair em cima. 

Vivi pouco tempo em ditadura. Mas ainda percebi os atropelos à liberdade de se ter curiosidade intelectual. Assisti a barbaridades praticadas por professores alentados pela conduta pidesca da denúncia. Eu próprio, aos onze anos, fui interrogado, por dois professores enfurecidos, como se fosse um perigoso opositor ao regime. Mas adiante. Não me posso queixar. Aos doze anos ouvi pela primeira vez "Vejam bem" de José Afonso. Mas, o que é isto? Que música é esta que nada tem a ver com os fadunchos miserabilistas e com festivais televisivos de ver, ouvir e esquecer? o álbum "Cantares do Andarilho" entrou em minha casa e nunca mais de lá saiu. Entrou na minha vida uma nova cultura que me permitia pensar, reflectir, exigir. José Afonso mudou para sempre a minha maneira de ouvir, olhar e ver. Mal sabia eu que ele morava muito perto e que um dia viria a ser meu amigo. As coisas começaram a correr bem.

O que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974 abriu-me os olhos e ilustrou-me os sentidos. Mergulhámos num turbilhão de vontades. Nada do que estava para trás nos agradava. Queríamos mudar tudo. Mudámos. Podíamos finalmente ter acesso ao melhor que o mundo nos permitia. Deixaram de haver proibições e censura ao que queríamos ver, ouvir e ler. Tive a sorte de viver a minha adolescência nesse tempo de liberdade. Tive a sorte de ter aquele dia de Abril a abrir caminhos. Vivi os meus dias de busca das coisas novas em liberdade e em democracia. Encontrei muita coisa nova que guardei até hoje. Mas continuo na busca.

O tempo que hoje vivemos não tem comparação com outro tempo histórico vivido neste território, apesar dos fascistas que nos ameaçam com a apologia do passado. Os novos fascistas, apesar de circularem por idades pós-biberão, são velhos nas suas posturas de betinhos malcriados. São marialvas, serôdios e tristes como os seus bisavós. Mas este é ainda o nosso tempo. Ainda estamos vivos, e, enquanto cá estivermos, não os deixaremos espalhar a escuridão.

No dia em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
 

 Álvaro de Campos. Obras de Fernando Pessoa

As linhas deste desabafo vão ser alinhadas com outras e desenvolvidas em histórias que são as minhas passagens pelo meu tempo. Tudo será contado em livro a ser apresentado no dia 12 de março do próximo ano. Capa e título já tem: "Alguém viu os meus óculos?", e o resto está a ser desenhado. Um dia destes esclareço melhor o empreendimento. Muito obrigado por estarem aí. Até já.

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quarta-feira, 11 de março de 2026

Lisboa a ir por aí abaixo

Em Setúbal, os vereadores do partido fascista quiseram acabar com os apoios à arte que eles consideram ideológica. Disseram-no em discurso, proferido por um tal Cachaço, em vídeo muito divulgado aqui nas redes.

Em Lisboa, uma vereadora do partido fascista também botou discurso idiota para denegrir o Teatro do Bairro Alto, com morada no lugar onde funcionou o Teatro da Cornucópia. Aqui os fascistas tiveram sucesso. Francisco Frazão, director artístico, deixou de o ser. O que vai acontecer a seguir não sabemos. Só mesmo Carlos Moedas e os seus amigos do partido com nome de detergente o saberão. Lisboa está mesmo a ir por aí abaixo. O país vai de carrinho, como cantou José Afonso. Ainda há por aqui quem ache que chamar fascistas aos fascistas é um exagero ideológico?

terça-feira, 10 de março de 2026

COMUNICAÇÃO DE ALTERNE

Mais ou menos dia sim dia não aparece a figurinha do biltre num cantinho de um qualquer monitor televisivo. Uma espécie de alterne combinado entre canais. Também o nome do entrevistado anunciado alterna entre "presidente do chega" e "André Ventura". Deve ser para disfarçar. 

Nunca ouvi uma entrevista ao homenzinho. Não consigo aturar tanto disparate, mentira e apologia do crime fascista. Quero manter o meu fígado saudável. Mas confesso que estes anúncios já não me irritam como irritavam. Agora dá-me para rir. E não são nervos; é mesmo um rir com vontade. Esta insistência em ouvirem este cretino já passou as marcas da razoabilidade há muito. Esta figurinha ridícula a passar constantemente nos monitores é já de um ridículo sem classificação. Já só dá para rir, mas não tem graça nenhuma. São apenas ridículos. A democracia não é a defesa do seu contrário, estúpidos.

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Seguro não é Marcelo. E será Seguro seguro?


Não gosto da maneira de estar e agir de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também não alinhei naquela tese de que, com ele candidato, vinha aí o fascismo. Na altura o fascismo ainda não era perigo e nem havia a necessidade de nos unirmos contra um candidato fascista, como aconteceu nestas eleições presidenciais. Na altura apenas aleguei que ele não merecia ser Presidente. Acho que não deve ser Presidente quem tem apenas a necessidade de exercer um egocentrismo desmesurado. Mas, caramba, sempre nos despedimos de Cavaco, esse sim, um Presidente que nos tirou do sério com tanta demonstração de mau carácter.

Seguro é diferente de Marcelo. Mas será para melhor? A tomada de posse foi mais do mesmo. Sem diferenças em relação a cenas anteriores: a leitura da acta por um tatibitate fascista traz de novo o quê? Aquele desfile infrequentável de basbaques no beija-mão, difere de quê em relação a entronamentos anteriores? E os discursos de Aguiar-Branco e Seguro, o que trazem de novo para além do que poderíamos imaginar? Nada. Zero. E o efusivo cumprimento especial ao líder fascista traz de novo o quê? A normalização entusiasmada e manteigueira do partido fascista? E a manifestação fascista fora do parlamento, foi autorizada? E os disparos dos canhões, provam o quê?
O meu Presidente de referência foi Jorge Sampaio. Lutou contra a ditadura, foi um excelente tribuno e um inovador autarca. E como Presidente da República foi corajoso e perspicaz até ao ponto de ter de mandar às urtigas um primeiro-ministro de extrema-direita que orientava um governo indescritível, composto por ministros que agora estão no partido fascista. Jorge Sampaio foi um grande senhor da resistência e da democracia. Um homem íntegro, culto, generoso e com um inquebrantável carácter.
Agora era preciso votar contra um fascista mentiroso compulsivo que apesar desse anátema consegue juntar mais de um milhão e meio de cretinos e pulhas à sua volta. Foi o candidato menos votado de sempre numa segunda volta. Mas mesmo assim é muito voto para um mentiroso compulsivo. Já Seguro foi o mais votado de sempre. Sabem a razão, não é verdade? As pessoas unem-se contra a falsidade. E Seguro não é falso.
Nunca votei em Marcelo, não me imagino a ter saudades dele, e espero não me arrepender de ter votado com convicção em Seguro. Sim, votei convictamente contra a mentira e o ódio. Espero que o novo presidente nos surpreenda, e que abandone a manteiguice do discurso de miss universo.
Muito obrigado, senhor Presidente Jorge Sampaio.


Deu-me para isto

Estou a tentar assistir à tomada de posse do novo Presidente. Estava a ver um tótó a ler a acta da coisa, quando alguém da estação de televisão me avisa que o tótó é um recém eleito deputado do partido fascista. Tem ar de tótó, fala como um tótó, e será um tótó, mas, pior: é um jovem fascista. Também reparo que a estação de televisão foca com insistência o líder fascista. Mas o que é que se está a passar? Porquê o tótó a ler a acta? Para quê esta insistente normalização do partido fascista? Que se lixe o juramento. Adeuzinho.

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Design de comunicação


DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Há quem tenha pudor em chamar fascistas aos fascistas. Ontem ouvi João Miguel Tavares muito irritado por se chamar fascista a Ventura. Foi no programa "Isto é gozar de quem trabalha", que tem Ricardo Araújo Pereira ao leme. Tavares foi anunciado como "passista". Percebi mal se será por ser adepto do candidato a novo líder da extrema-direita ou se é por ser mesmo defensor de um passado de ajustamentos que não conheceu. Nisso não acredito, mas nunca fiando. Aqui vai esta capa da The New Review, que já não hesita em chamar os bois pelos nomes. Na América o fascismo está em andamento. 

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domingo, 8 de março de 2026

Galeria Presidencial

Os Presidentes saem, mas ficam por lá retratos pintados por artistas por eles escolhidos. As diferenças de linguagens estéticas são notórias. Mas os retratos lá convivem. Não têm outro remédio. 
Comento apenas as escolhas dos Presidentes eleitos depois da Revolução de Abril.
 
Ramalho Eanes, primeiro Presidente eleito, escolheu Luís Pinto Coelho para o retratar. Pintura clássica, mas com laivos de descontraída contemporaneidade. Há quem goste.
 
Mário Soares alterou regras. O classicismo até então reinante foi posto de lado. Chamou o seu amigo Júlio Pomar, que já lhe tinha desenhado um retrato quando estiveram os dois presos pela ditadura fascista de Salazar. Trabalho que se exprime em ambiente característico do pintor. É um retrato descontraído, fora das exigências tradicionais. Um bom retrato. 
 
Jorge Sampaio convocou Paula Rego para a tarefa. Não é um dos grandes trabalhos da artista, mas mantém a dignidade da galeria presidencial. Paula Rego confessou mais tarde que não ficou satisfeita com a obra. Eu gosto.
 
Cavaco Silva escolheu Barahona Possollo. A obra encaixa perfeitamente nas exigências intelectualmente pouco exigentes de Cavaco. Ultra conservador, sem inovação e sem emoção. Parece homenagem a Henrique Medina. Detesto. 
 
Marcelo Rebelo de Sousa falou com um artista da moda, mas que é também a escolha mais ousada. Marcelo quer sempre estar na crista da onda. Um retrato bem ao estilo de Alexandre Farto — Vhils — vai agora ornamentar a galeria. Jornais com notícias impressas sobre a actividade presidencial são matéria usada. Assim à distância dá a impressão de se tratar de cópia com pouca definição. Essa percepção transporta fascínio. Quero observá-lo ao vivo para confirmar a minha empatia. Assim a esta distância gosto do que vejo. Boa decisão de Marcelo, que hoje ocupa o lugar de Presidente pela última vez.
 
Amanhã o Presidente passa a ser António José Seguro. Faltam muitos anos para a escolha do artista que vai imortalizá-lo no Palácio de Belém. Que técnicas ou vontades estarão na altura em voga? Esperemos que a tradição reaccionária não faça recuar a liberdade da expressão artística. Com o avanço das ideias contra-progresso da extrema-direita nunca se sabe.

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8 DE MARÇO | De que falamos quando falamos de democracia?

Teresa Morais presidiu ao debate e enfrentou a delinquência. O chefe do partido com nome de detergente mentiu — olha a novidade — em relação a atitudes de mulheres de esquerda no parlamento, com especial foco em Isabel Moreira. O costume. 
 
Teresa Morais reagiu defendendo o bom funcionamento da democracia na sua casa representativa. O chefe do dito partido não gostou e o responsável pelo curral também não. E o inenarrável Filipe Melo saiu da mesa de onde costuma mandar "boquinhas nojentas" para Isabel Moreira e foi para o curral dirigir bocas porcas para a dita mesa. Uma acção que já é um costume entre os habitantes do curral.
 
Teresa Morais inscreve assim um registo que deveria ser habitual no parlamento. Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado português, permite tudo porque acha que, no seu entender, tudo pode ser permitido. Só se apercebeu da ordinarice que ali se instala diariamente quando se fartou de ser chamado repetidamente pelo chefe do curral com estalos de dedos, como quem pede um copo de três na tasca do lugar onde se diverte.
Teresa Morais devia ser Presidente da Assembleia da República em permanência. 
 
Neste DIA INTERNACIONAL DA MULHER, é da maior justiça realçar quem nos defende dos energúmenos que nos agridem a inteligência e a decência com a sua desbragada má-criação e falta de sentido de Estado, e democrático, já agora. É importante denunciarmos quem não nos respeita. É bom haver quem defenda a decência. Pessoas como Teresa Morais, sendo alguém que não caminha pelo nosso trilho, permite que nos encontremos na esquina onde uma placa imaginária assinala: RUA DA DEMOCRACIA. Que misóginos, machistas, fascistas e outros manhosos malabaristas da vida vão para outra rua. FASCISTAS RUA!

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8 DE MARÇO - Dia Internacional das Mulheres

Continua a fazer sentido assinalar este dia com intensidade e denúncia. A discriminação sexista continua. A agressão continua a ser permitida quase sem disfarce. Com o crescimento da extrema-direita racista em Portugal e no mundo a normalização do machismo e do racismo já se instalaram no parlamento português e também no europeu. No resto do mundo também há regressão. 

Marielle Franco foi assassinada por fascistas bolsonaristas  em 14 de março de 2018. Ser feminista, negra, de esquerda e ainda por cima assumindo atitude pública são virtudes que não agradam aos delinquentes que querem dominar o mundo. Os novos fascistas estão aí. Já não têm vergonha na cara. São criminosos encartados ao serviço de uma ordem mundial que é dominada por multibilionários — a expressão não é exagerada — sem escrúpulos. Já há os que defendem a proibição do voto das mulheres. A ordinarice estende-se a mulheres apoiantes da extrema-direita. Uma cretinice difícil de compreender.

Honra às mulheres feministas, de esquerda, de direita, mas com atitude progressista. As que dizem que isto é tudo treta que se lixem. Também existem. Mas a parvoíce não tem género nem ideologia. É só parvoíce.

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sexta-feira, 6 de março de 2026

Da bajulação

Espanha demarca-se da agressão protagonizada por Trump e Netanyahu. O governo português tem um entendimento totalmente diferente. Na cimeira luso-espanhola que está a decorrer em Huelva o desconforto foi notório. Eu assisti em directo, via televisiva, às lamentáveis declarações de Montenegro. Só não estou envergonhado porque me estou borrifando para Montenegro e para o que diz. Só lamento que ele seja primeiro-ministro de um governo tão lamentável. Trump, Netanyahu, Montenegro a mesma luta. A direita no poder é tão "wonderful", como diria Trump.

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Receituário

BLAC DWELLE | Hoje, dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00, inaugura nas Carpintarias de São Lázaro, Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.
Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Homenagem

Leio o escritor desde "Memória de Elefante", seu primeiro trabalho literário publicado.  Convidei-o para uma apresentação desse livro em sessão "Dois dedos de conversa com...", nas iniciativas que ocupavam as sextas-feiras aos fins de tarde no Círculo Cultural de Setúbal. Ano? 1979.

A conversa com o escritor foi notável e memorável. Tive com ele um relacionamento extremamente simpático, que desmentiu a ideia do homem distante e dado a poucas falas. Fiquei sem perceber de onde surgiu essa ideia. A conversa marcou-me e esclareceu-me muito sobre o que é o carácter de um homem que tem a fama de ser terrível só porque se preocupa com o que se passa em seu redor. Viver em voz alta parece dar má fama, mas faz bem a quem assim vive. A obra de Lobo Antunes não tem paralelo. É um trabalho único e exemplar. O escritor é exigente com o leitor. Ler Lobo Antunes não é fácil. A expressão "lê-se como um romance" é um disparate que aqui ultrapassa o classificável. Ler Lobo Antunes torna-nos diferentes. Aprendi muito com ele e vou continuar a aprender. Como? Ora, porque vou continuar a lê-lo. Muito obrigado, mestre. Foi muito bom viver no teu tempo. Vamos continuar a viver-te.

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Receituário


É hoje ao fim da tarde, na Culsete. O título atrai. O autor vai estar presente e a Daniela vai apresentar. Bons motivos para se passar por esta livraria que resiste e insiste na boa literatura na cidade. Os resistentes que apreciam o que de melhor se vai fazendo com a utilização das palavras merecem este esforço. E a Culsete merece o nosso apoio. Vamos lá.

Dia Internacional de Sensibilização para o Desarmamento e a Não-Proliferação

Olumuyiwa Ogunbamow and his son Adefie (5), visiting from Nigeria, take photos in front of the “Non-Violence” (or “Knotted Gun”) sculpture.
Photo:UN Photo/Kim Haughton
 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Blac Dwelle

No próximo dia 6 de março, sexta-feira, pelas 18h00 inaugura nas Carpintarias Passado 'm ka skcel, Presente 'm ta vivel, Ftur 'm ka conchel, do artista Blac Dwelle.

Esta exposição é a continuação de um projeto artístico interdisciplinar que propõe uma reflexão aprofundada sobre a ancestralidade do artista e as narrativas da imigração cabo-verdiana em Portugal. A apresentação que agora tem lugar nas Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural, resulta de uma coprodução entre o artista e as Carpintarias com um desenho expositivo em diálogo com o espaço e a realização de um programa público ao longo dos dois meses de exposição.

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terça-feira, 3 de março de 2026

Cincidências ou coerências?

Todo esse regime é liderado por clérigos radicais que não tomam decisões geopolíticas. Eles tomam decisões com base na teologia; na sua visão da teologia, que é apocalíptica.
 
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, sobre o Irão