Da série Grandes Grafismos. Yayoi Kusama.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
domingo, 30 de agosto de 2026
Elogio do extraordinário
EUAN UGLOW | Diz-se que Uglow pintava pouco. Demorava um ror de tempo até dar um quadro por terminado. Terminado? É precisamente essa ideia de inacabado que torna estas pinturas fascinantes.
De que falamos quando falamos de um trabalho terminado? Um trabalho está terminado quando o artista decide partir para outro? Será mesmo o artista quem decide?
Desconfio que Uglow confiava nas certezas do tempo. O Tempo, que é um grande escultor, como pretendia Yourcenar, mas que talvez tenha mais certezas do que nós, é quem decide. Quem vê pode sugerir acabamentos, mas não desmente a arrogância do tempo. E ainda bem. O Tempo tudo decide. E não traz livro de reclamações.
Uglow morreu em 2000, no dia 31 de agosto, com sessenta e oito anos. Passam amanhã vinte e seis anos sobre esse fim. Deixou-nos vivíssimas interpretações de naturezas-mortas e de poses do corpo humano. Leituras únicas.
Não percebi se, até hoje, foi recordado condignamente depois do seu desaparecimento físico. Sei dizer que falamos de grande Arte e de um grande pintor, que merece ser visitado com persistência.
Mostrou-nos uma realidade muito pessoal. Figuração única. Mostrou-nos outra realidade. E essa realidade é extraordinária.
Euan Uglow foi um grande artista visual do nosso tempo.
Euan Uglow - 10 March 1932 – 31 August 2000
sábado, 29 de agosto de 2026
A boçalidade não mata, mas mói
Ilustração: Nuno Saraiva.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Receituário
PARA ALÉM DAS TRANÇAS PRETAS | Ana Lua Caiano tem um novo disco a sair e, por mor disso, falou com Lia Pereira, no Expresso. Aguardo o disco com alguma ansiedade. Acompanho a evolução artística desta cantautora com expectativa e admiração. Há nela qualquer coisa que me interessa particularmente: a capacidade de olhar para trás sem ficar presa ao que encontrou.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Os interruptores da política
Marques Mendes está como Marcelo. A política é um electrodoméstico que se liga e desliga conforme a vontade de se pôr o ego a funcionar.
Fonte: Notícias ao minuto
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Constatação do óbvio
As pessoas mal informadas que nasceram depois de abril de 1974 não acreditam que os últimos cinquenta anos foram os mais felizes de toda a História de Portugal. Tudo avançou a partir daí. Foram conquistados direitos, e as pessoas tiveram acesso à Cultura e a melhorias significativas na Saúde e na Educação, bem como a possibilidade de escolhas materiais que lhes permitiram alcançar um melhor bem-estar. Antes dessa data, isto metia medo.
Os direitos foram conquistados com o esforço e a luta de gerações de minorias esclarecidas e preocupadas com o futuro do país. Chamavam-lhes progressistas. Durante o período que se seguiu à Revolução, foram adquiridos direitos e estabelecidos deveres que deram folgo a outras maneiras de pensar. Foram respeitadas minorias e foi possível sermos donos do nosso próprio corpo. Falhou a lei da eutanásia, por culpa de um Presidente papa-missas que deixou arrastar essa conquista por interrogações e desconfianças sem sentido. O tal Presidente que o foi sem merecer e que agora declara nunca mais falar de política, como se a política fosse o diabo. O diabo que o carregue.
Mas teve seguidores. A extrema-direita assumidamente salazarista entrou no Parlamento e arrastou para o seu catecismo a direita civilizada, que passou a não o parecer. Os retrocessos aconteceram, perante a nossa incredulidade. Como pode isto acontecer? Aconteceu.
Esta observação do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos adverte para o óbvio: estamos a andar para trás. Os novos representantes dos eleitores que querem andar para trás são eleitos e fazem trinta por uma linha para garantir retrocessos. Direitos merecidos são postos em causa por políticos sem memória ou que fazem por esquecer o tormentoso passado. O que será que esta gente quer para os seus filhos e netos? Tudo a toque de caixa? Voltamos ao tempo da perseguição a quem é diferente de quem manda? Vamos todos ter de ser tristes, incultos e indignos lambe-botas dos escroques da extrema-direita e dos que se lhes aconchegam?
A resposta existe e aplica-se assim, em caixa-alta: NÃO, não queremos voltar a viver num país que não respeita toda a gente. Os novos fascistas chamam liberdade à discriminação. Dizemos não, e não estamos sozinhos. Somos pela liberdade para todos. A liberdade de discriminar não é liberdade. É fascismo. O que é que a direita civilizada ainda não percebeu?
Aos papéis
Invadir e vandalizar um gabinete de um líder partidário é muito grave. No tempo de Salazar seria normal, se existissem líderes partidários a sério. A PIDE partia aquilo tudo e não se dizia nada a ninguém.
Mas em democracia não se percebe como aparece um gabinete tão bem desarrumadinho, quando o que era para resgatar pelos malandros delinquentes eram uns papéis fornecidos pela PJ ao ofendido líder, e que estavam em cima das mesas esperando pacientemente pela captura. Os malandros que andaram aos papéis devem andar a ver muitos filmes antigos de Hollywood. Era preciso tanto papel pelo ar? Tanto sinal exterior de vandalização? Agora a PJ quer ouvir os últimos a sair e os primeiros a entrar no dia seguinte. Agora é que isto vai ser um papelinho.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Pré-histórias e matérias-primas
Imagem: Os Flintstones. Criados por William Hanna e Joseph Barbera, do estúdio Hanna-Barbera.
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Já não há silly season
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António Dacosta, Dois limões em férias, 1983, óleo sobre tela. |
REGRESSO - A silly season já não existe. Todas as estações são tontas desde que o tonto fascista anima o território dos fascistas portugueses. Um cartaz promete que o traste vai salvar Portugal. O país inteiro mira a figura triste. Estranha esta salvação, proposta por um incendiário. Regresso com perguntas. Perguntas que me assaltam em permanência.
LÁ FORA - O genocídio continua em Gaza. As denúncias e as acções de solidariedade alastram pelo mundo inteiro. Em Portugal, as vozes de artistas e intelectuais opinadores ilustram jornais, debates televisivos, concertos de verão, palestras, simpósios, lançamentos de livros e aberturas de exposições. Vozes de quem vive em voz alta fazem-se ouvir. Por todo o mundo as pessoas revelam e manifestam solidariedade. A morte sai à rua sem aviso. Morre gente perante a indiferença de quem dirige politicamente a Europa. Em Gaza e no Médio Oriente morre-se todos os dias e são destruídas estruturas que provocam mossa na economia mundial e na vida das pessoas. Será que não há estadistas que façam frente ao destrambelhado americano e ao criminoso encartado de Israel?
CÁ DENTRO - A Polícia Judiciária já sabe quem esbardalhou o gabinete do pantomineiro Ventura? E já desmentiu as afirmações do chefe racista que incluem polícias da PJ como seus informadores? Ainda não se sabe nada? Mas, o que se passa? É assim tão difícil saber o que falhou na segurança de um sítio tão seguro? Ou o sítio onde se decide a nossa vida não é assim tão seguro e está aberto à pantominice? E já que estou com a mão na massa, ainda anda por aí quem acredite e até venere a figura rasca do líder do partido rasca a que os fascistas deram o nome de "chega"? Chega de quê? De "chega"?
ARTE - Resta a Arte para nos salvar? Resta a esperança na mudança? Faremos por isso. Escolhi António Dacosta para ilustrar o verão que está de saída. Vem aí setembro, o meu mês preferido. Avizinha-se trabalho e conhaque. Muito trabalho que me anima e entusiasma. Muito há para fazer, ouvir, ler, olhar. Bom regresso ao trabalho para toda a gente. Até já.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Memorial das ideias
Dizem por aí que as ideologias já não fazem sentido. Já não há ideias. Não há esquerda nem direita. Há boas e más pessoas. Muito bem, então a malta de esquerda escolhe as suas boas pessoas e a de direita as suas. Pode ser que fique contente com o que sobra das boas pessoas de esquerda, e ficamos assim todos amigos. Alerta à população escrutinadora: a escória de extrema-direita não se inscreve neste concurso — enm eleitores, nem eleitos —, entendido?
domingo, 2 de agosto de 2026
Moralidade imoral
Aos domingos - elogio do extraordinário
JOSÉ AFONSO nasceu neste dia do ano de 1929. Toda a minha vida mudou desde o momento em que dê pela sua existência. Ouvir "vejam bem" fez-me perceber que afinal havia música em Portugal. Conviver com ele esclareceu-me muito que me parecia difuso ou fez-me ver mesmo pela primeira vez. Não crescemos sozinhos. Não pensamos pela nossa própria cabeça se não fazemos por perceber a cabeça de gente assim. Gente que pensa e age. Gente que é gente e que se interroga sobre o que se passa em seu redor.
José Afonso mudou a maneira de se ouvir música. Inventou novos sons, com instrumentos inspirados pelo corpo na matéria. Estão a ver a música de "Grândola, Vila Morena", por exemplo? O piso de gravilha foi instrumento musical. Também a ficha técnica de um disco de Fausto assinala uma sonoridade vinda de "papel na barba do Zeca", outro exemplo. Quando surgiram os gravadores portáteis, José Afonso comprou um para lançar lá para dentro sons que lhe vinham à cabeça, ou que ouvia no ruído dos dias. A intenção era obter registos para depois trabalhar e fazer músicas novas. Nunca se entendeu muito bem com aquilo, mas a produção de novas sonoridades não deixou de existir. Rejeitava a mediocridade e a pouca exigência com a música e a cultura em geral. Era exigente e culto. Um fazedor de Cultura com cê grande que respeitava origens transformando ambientes sonoros incipientes em grandes peças musicais. Sons que vivem na nossa memória e que nos continua a surpreender a cada audição do seu trabalho gravado. Trabalho que continua a ser reeditado para bem da nossa lucidez.
José Afonso foi a grande figura do meu crescimento individual e de muitas gerações de gente nascida em Portugal e não só. Figura genial que continua a ser estudada e a influenciar artistas de agora e a ser referência de cidadania. Não existe muita gente assim. Eu tive a sorte de ser seu amigo.
Em 2029 completam-se 100 anos sobre a data do seu nascimento. Vamos comemorar a sua vida. Uma vida extraordinária que continuará a ser lembrada.
sábado, 1 de agosto de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
sexta-feira, 31 de julho de 2026
O ritmo da intensidade
Governo tem “intenção clara reformista” mas ritmo devia ser mais intenso. O ritmo é proposto por Passos Coelho, esse grande ritmista. Quem trabalha, quem trabalhou e agora está reformado e os jovens que tiveram que emigrar, sabem bem o que este super-reformador tão apreciado por quem manda trabalhar, quer dizer com este "ritmo mais intenso" de que fala, não sabem?
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Alfaiataria Montenegro
terça-feira, 28 de julho de 2026
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo
Já a minha avó me dizia. Mas na altura ainda não havia tanto mentiroso na Assembleia da República. Agora vale tudo. Isto está lindo, está.
Marcelo e a educação política
Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em berço político. Pai político com carreira e padrinho presidente do conselho de ministros. Ele próprio mergulhou na política muito cedo, resolvendo começar por contestar as políticas de progenitores e padrinhos. Foi um dos fundadores de um jornal que fazia perguntas e contestava respostas.
Depois da revolução ocupou vários lugares em vários desempenhos. Nunca mais parou, dedicando dezenas de anos ao comentário televisivo, exercendo assim influência. O exercício da influência foi de tal maneira eficaz que acabou por ser Presidente da República. Valente.
Como Presidente fez trinta por uma linha. Parlamentos dissolvidos por dá cá aquela palha, ingerências no governo, entretenimento fotográfico amador em tempo de serviço, declarações pouco responsáveis. Um político irresponsável que deu um péssimo Presidente. Actualmente rejeita o comentário político, provando a ideia que tem da política. A política foi uma maneira de afirmação pessoal. De carreira de sucesso sem que o sucesso se perceba muito bem por onde anda. A rejeição do comentário denota aversão à prática da política como cidadania. A política é demasiado importante para ser tratada como um mero aspirador caseiro. A atitude de Marcelo caracteriza-o. O homem sempre usou o que a vida lhe deu para fornecer bons acrescentos à sua boa vida. Marcelo agora só comenta Cultura e Arte e dá pontapés nos traseiros de quem se põe a jeito. É mesmo assim. Vi a cena numa reportagem televisiva. Ora bem: Cultura e Arte comenta mal, já no que diz respeito a pontapés no cu... Pode ser que se safe.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Ou orgulhosamente sós, ou mal acompanhandos
Presidente da Colômbia vai fechar 14 embaixadas. Começa bem, o preferido dos eleitores colombianos. As primeiras medidas são contra quem não é como ele. Gente de outros países, com outras ideias ou com outras maneiras de ver as coisas, vão logo de carrinho. O maluco da Argentina já não está só, com a sua ridícula motoserra. A loucura neoliberal negacionista instala-se. Querem estar orgulhosamente sós, como pretendia Salazar, o inspirador da inenarrável criatura cá da terra que odeia o progresso e a dignidade das pessoas até dizer chega. Tempos medonhos. Esta gente mete medo. São os novos fascistas, que isto é mesmo assim.
Design de comunicação
Da série Grandes Capas. The New Yorker. Art: Marcellus Hall.
Imagem obtida no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/
domingo, 26 de julho de 2026
Verão quente
24 de julho de 2026 - Banhistas contemplam a praia de Moutchic, em Lacanau, no sudoeste de França, enquanto nuvens de fumo se elevam no céu, causadas pelo incêndio na Gironda.
Imagem: ParisMatch descoberta no laboratório do José Simões: mistérios do organismo
Fotografia © Maximilien Lamy / AFP
Aos domingos - elogio do extraordinário
Programa JAZZ EM AGOSTO































