domingo, 27 de setembro de 2026

Filosofia de vida

António de Castro Caeiro faz hoje anos. Sessenta, para sermos exactos. Uma vida dedicada ao ensino e à divulgação da Filosofia. E a produzir maneiras de observarmos a vida. Pensar. Explicar o que é a Filosofia.

António de Castro Caeiro tem livros publicados que convocam a vantagem de olharmos à nossa volta com todos os sentidos despertos. Participei, como designer, em vários por ele escritos e editados pelo João Paulo Cotrim, na Abysmo. O João Paulo foi a ligação. Ligou-nos às muitas «sessões de esclarecimento filosófico» nos encontros «Filosofia a Pés Juntos», em Setúbal, e a lançamentos de livros. Em Fevereiro deste ano estivemos juntos para falarmos do seu «Sobre os Sentimentos». Foi um encontro com ele e com Fernando Cabral Martins, que animou a minha exposição «As Palavras», na Biblioteca Camões, em Lisboa. Festejo aqui este aniversário porque o António é meu amigo e porque temos muita coisa em comum, como podem comprovar. Mas também porque ele é um nome a fixar, no panorama das artes e do pensamento destes dias em que vivemos e resistimos.

Festejo aqui este aniversário porque o António é meu amigo e porque temos muita coisa em comum, como podem comprovar.

Parabéns, António. Vamos continuar.



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Aos domingos

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO | Há sempre a tentação de anichar ao terreno da decadência as obras da maturidade de quem fez coisas extraordinárias na vida. Para alguns, Pedro Almodóvar calçou esses patins. Para mim, não. Explico.

Um filme de Almodóvar é sempre uma caixa com surpresa dentro. Não uma caixa de Pandora, recheada de tormentos e tragédias, mas antes uma caixa de conteúdos diversos — coisinhas simples, mas também sofisticadas, dúvidas, hesitações várias, demências e rigores estéticos sempre surpreendentes — que parecem saídos do saco do Pai Natal. Há prenda para todos? Não, nem tudo tem de ter um final ao gosto de toda a gente. Esse esforço pertence a quem conta a história. Este Natal Amargo passa ao lado do Natal da forma tradicional como se entende. Sente-se o realizador em várias personagens. A angústia e o conflito com que se debate ao escrever um argumento. Há diálogos que nos trazem o Almodóvar dos filmes que o tornaram nome maior da arte cinematográfica. Mas a densidade agora convocada para os diálogos e para os ambientes é um assombro de talento. Ainda dá para sorrir, ou rir baixinho, mas não há lugar para gargalhadas. Neste aspecto, segue a linha do filme anterior — O Quarto ao Lado —, onde o direito à eutanásia, que tanto apoquenta as pessoas muito conservadoras, é colocado como tema superior de registo artístico. 

Este filme de Pedro Almodóvar é um filmaço. Todos os filmes de Almodóvar ficam para a história da compreensão dos nossos dias. Isso é extraordinário.

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sábado, 26 de setembro de 2026

Aos sábados

DEAMBULATÓRIO | Pedro Chorão é nome grado da Arte contemporânea. Também foi professor e gostou muito de o ser. A pintura é a sua respiração. Pinta todos os dias. A obra não pára de crescer. Tem exposições programadas para os tempos mais próximos. Uma dessas exposições vai ser aplicada por mim em sítio de reconhecido valor patrimonial. Depois falamos.

Mas o Pedro não esqueceu o tempo em que foi feliz na escola e resolveu continuar a divulgar a Arte que o preenche. Passa o seu olhar pelos sites de museus e de galerias de todo o mundo e divulga trabalhos de artistas do passado e do presente menos conhecidos ou que muitos de nós não conhecíamos até à publicação no seu mural aqui do facebook. Também mostra um ou outro trabalho seu. Sempre surpreendentes. Eu agradeço esta vontade extraordinária de dar a conhecer artistas e Obras.
Imagens obtidas (apenas alguns exemplos) no laboratório de Pedro Chorão: William Turner, Diebenkorn, Jasper Johns, Pedro Chorão.

William Turner


Diebenkorn

Jasper Johns

Pedro Chorão







sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Design de comunicação

DA SÉRIE GRANDES CAPAS |  O autor do desenho é Barry Blitt, e a autora do texto é Françoise Mouly, editora de arte da The New Yorker.

A ilustração é mais uma daquelas que nos deixa de inteligência aberta. Os ilustradores da The New Yorker habituaram-nos a ficar nesse espanto. Barry Blitt é um deles — surpreende-nos sempre. A ideia gira em torno da discussão sobre a segurança e o controlo da Inteligência Artificial. Um cientista tenta arrancar o cabo da tomada para desligar a máquina, enquanto o próprio cabo se enrola no seu corpo e o impede de o fazer. Fica uma pergunta: Conseguirá o criador dominar a criatura? Conseguiremos dominar o que se virou contra nós?

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Receituário



NATAL AMARGO | É o novo filme de Almodovar. E um novo filme de Almodovar é um acontecimento. Voltaremos à conversa depois do ansiado visionamento. Não percam. Até já.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O Tempo, esse exterminador


Chegou o Outono. Ainda há um bocadinho era Verão. Ontem mesmo, tínhamos na pele o sol; hoje parece que estamos a pelar. Metáforas. Psicologias.
O tempo é uma inevitabilidade. Não dá para o exterminar. É por isso que o tempo é registado em horas, minutos e segundos. Dizemos muitas vezes: «não tenho tempo para nada», ou «tenho de arranjar tempo para resolver...». O tempo é uma desculpa para tudo, porque tudo precisa de tempo.
Antigamente, o tempo ditava os tempos com o rebentamento das colheitas. O Vítor Dias escolheu para título do seu blogue «O tempo das cerejas». É um bom tempo, o tempo das cerejas. Anuncia o Verão. Vitor Dias é um dos amigos que nos deixou no princípio deste ano. Os seus comentários eram saborosos como frutos. Ora sumarentos, ora secos, conforme os paladares de ocasião. Há pessoas que deixam lastro. Fica uma saudade ilustrada pela memória.
Outono é o tempo das maçãs. Também é um bom tempo. Albert Camus disse “O outono é uma segunda primavera, onde cada folha é uma flor”. Hoje todos os tempos parecem querer voltar para trás. Não dá. Temos saudades do futuro, como dizia o poeta (Teixeira de Pascoaes). Já outro poeta (Fernando Pessoa), chamou Bernardo Soares para dizer isto: «Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.». O presente é o outono. Bons dias para toda a gente, desejo eu.
As fotografias são de uma amoreira que vive aqui. Ontem folhas na árvore, hoje folhas no chão.

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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mr Chance já governa?


Being There
é um filme em que Peter Sellers desempenha o papel de um jardineiro simples e de raciocínio lento — Mr. Chance —, que passa a vida em frente à televisão e quase chega a presidente dos EUA. Não chegou. Mas Trump chegou, e não é ingénuo como Mr. Chance — é um ser demencial, convencido de que é o homem mais inteligente de sempre.

Trump, é sabido, passou e ainda passa a vida em frente à televisão, e ameaça o mundo a partir das câmaras. Agora, correu da xafarica onde lança disparates diários, com alguns canais que não lhe agradam, levando todos os jornalistas correspondentes a exercer a solidariedade profissional, deixando o estorpício a falar sozinho. Na ONU fez um discurso inenarrável. Avisa que está a pensar anular o Irão. O auto-elogio soltou-se do palanque. A farronquice foi obscena. O homem acha-se o dono do mundo. Quer mudar nomes de lugares e até sugeriu que se mudasse o nome da IA (inteligência artificial) para superinteligência. Isto apesar de nada se comparar com a sua própria inteligência, é claro. Estamos perante um alucinado destravado que insulta e ameaça com uma desfaçatez nunca vista num líder mundial. Trump é o pior que nos poderia ter acontecido. Ver os idiotas que votam no partido unipessoal de Ventura quererem importar o modelo, com aplicação pelo seu chefe incontestado, causa algum incómodo. Enquanto escrevo estas linhas, faço tele-zapping e lá está a criaturinha, muito exaltada — esta semana foi na TVI e na CNN, em entrevistas separadas. Um fartote. O mundo inteiro, com esta gente ao leme, vive uma onda perigosa que já agride e mata.
 
Os americanos não se manifestam? Estão todos parvos? Até quando aguentará o mundo esta gente sem pingo de vergonha, ou por outra: sem classe nem classificação?

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José Viale Moutinho


Morreu José Viale Moutinho. A ceifeira não desarma. Recordo de imediato os escritos sobre José Afonso e o seu tempo de surpresa. Foi uma edição do José Viale que me revelou o poeta José Afonso. Sempre acompanhei o seu trabalho. Também li os romances. "Cenas da vida de um Minotauro" e "Monstruosidades do tempo do infortúnio" impressionaram-me.

Mas tenho uma história para contar, que me desculpem os caçadores de autores de obituários. Não o sou, apenas recordo quem respeito. José Viale Moutinho escreveu-me uma carta onde me sugeria a publicação de um livro seu. Eu tinha acabado de constituir a Estuário e o autor dos textos que deu a conhecer a poesia de José Afonso e os seus envolvimentos queria editar lá. Eu, empenhado na edição de "O Teodolito" de Luiz Pacheco, e de "Terral" de Miguel de Castro, não consegui responder a tempo. Fui indelicado, eu sei. Mas o José Viale Moutinho percebeu a embrulhada em que eu estava metido. Trocámos algumas mensagens (por carta, que naquele tempo era mesmo assim), mas acabámos por não fazer a edição. As razões foram duas: eu não tinha tempo nem dinheiro para enviar para impressão tanto livro de seguida. Lembro-me do fim de uma das suas cartas. Dizia assim: "você é um chato". Tinha razão. Fui um chato. O homem queria mesmo editar na Estuário e eu não percebi isso. Fui um chato mesmo. Fizemos as pazes em conversa por telefone (meio de comunicação mais avançado para a época). "Não há aqui pazes a fazer. Continue a fazer livros bonitos". Bonito serviço, pensei. Chama-se a isto bofetada de luva branca.

Eu gostava muito do José Viale Moutinho. Jornalista corajoso. Escritor de mão segura e cabeça culta. Homem bom. Nem me tinha apercebido de que ele já tinha mais de oitenta anos. A juventude da sua escrita não o fazia entender. Prova que a juventude não está na mente nem no que se faz. Mas o tempo está lá, e é implacável. Este fim é uma tristeza. A morte é um fim trágico. Sempre. Muito obrigado, meu amigo.

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Obrigado, Jorge Palma



FRÁGIL | A vida é assim: frágil, como a definiu numa das suas mais viajadas canções. Jorge Palma foi um intenso viajante, mesmo quando não saía do seu lugar. Um andarilho, como se definiu José Afonso nos seus cantares iniciais. Jorge Palma cantou em estações de metro e em ruas deste agitado mundo tão alheio às diferenças. Ele quis ser diferente. Foi um cantor de todos os protestos quotidianos. Bem preenchido de excessos. Com a liberdade a instigar-lhe o corpo e a mente. Despertou os sentidos e nunca mais ficou quieto. Este fim físico do cantor desperta-nos essa vontade de não ficarmos calados e quedos. Como cantou o seu amigo Sérgio (Godinho): «Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte». Pois é — a morte, essa ceifeira de vidas, leva-nos um dos nossos artistas mais livres. Um inventor de sons, que pedia ajuda às palavras para completar ideias. A liberdade que cantou fica agora nos nossos sentidos. A nossa liberdade de criar e imaginar irá ser sempre recordar artistas como Jorge Palma. Ele ajudou-nos muito. Muito obrigado, Jorge.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ainda não acabámos, como é óbvio

Em Berlim, capital de uma Alemanha em alerta pelo crescimento absurdo da extrema-direita, venceu a Esquerda. Berlim é de Esquerda porque a Esquerda berlinense compreende o seu tempo. 

É preciso falar verdade e responder a quem vive problemas reais. A Esquerda perde quando se perde em distracções woke. A Esquerda não é woke: não relativiza as diferenças, assume-as. Denuncia, apresenta soluções e debate opiniões com transparência. A razão da Esquerda afirma-se como a verdadeira alternativa ao imobilismo que gera o desespero. A Esquerda faz política, não caridade. Preocupa-se com a democracia, valoriza a Cultura e reconhece na Arte o motor da análise crítica. São estas preocupações que alimentam o debate de ideias — indispensáveis à construção da Democracia. Viva a Esquerda de Berlim. Nazi-fascismo nunca mais!

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Design de comunicação

DA SÉRIE GRANDES CAPAS | O fascismo é uma minhoca, não é?

Imagens obtidas no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/








domingo, 20 de setembro de 2026

Aos domingos

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO

EU QUE JÁ FUI EU | O título está bem apessoado, mas poderia perfeitamente ser este: «O que já foi ainda é». O texto de Paula Parente Pinto (curadora), na folha de sala, define trajectos. Estamos em território de reconhecimento de um passado que insiste em reinventar-se.

O que aqui se revela é o gesto da artista perante a matéria encontrada. O reaproveitamento de materiais outrora de uso útil (ou nem por isso), e a sua integração em novos suportes, dá-lhes novas formas de vida. Pequenas utilidades (ou nem por isso) são transformadas em novos símbolos, agora simplesmente visuais, sem a necessidade de responder a um uso. É da vida e dos «produtos» que a animam que falamos, quando abordamos estes trabalhos de Maria José Oliveira. O objecto muda de lugar, mas fica um lastro que denuncia outros comportamentos. Outros testemunhos de percurso. O reconhecimento que a artista acumula por esse mundo fora é testemunho da competência dessa vontade de mudar trajectos. A utilidade tem agora outra exigência, para nosso bom proveito.

Paula Parente Pinto termina o texto dizendo: «Num mundo irreversivelmente materialista, o que é surpreendente é o reconhecimento de que a sua capacidade transformativa está no gesto e na pergunta, na contínua interrogação que nos coloca: “o que pensas disto?” E é a crença na resposta humana que faz com que o mistério persista».

EU QUE JÁ FUI EU | Maria José Oliveira | MNAC — Museu Nacional de Arte Contemporânea Chiado, Lisboa.

Até 4 de Outubro de 2026.




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sábado, 19 de setembro de 2026

Aos sábados

DEAMBULATÓRIO | Fotografia de Nathan Farb. "Tompkins Square Park", New York 1967.
Imagem obtida no laboratório do José Simões:
 
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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Receituário

𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗤𝗨𝗘 𝗔 𝗖𝗢𝗜𝗦𝗔 𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗱𝗲 𝗭𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗛𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀 no 𝗧𝗲𝗮𝘁𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘂𝗹𝗼 𝗖𝗹𝗮𝗿𝗼.

 "Numa das comunidades mais isoladas do mundo, a vida parece obedecer a um tempo próprio. A chegada de um estranho traz a promessa de progresso, mas também novas formas de poder, desejos inesperados e a lenta erosão de um equilíbrio construído sobre silêncios, crenças e segredos. Quando a ilha parece já não conseguir conter aquilo que permanecia escondido, o vulcão desperta e a comunidade é forçada a abandonar o único lugar que conhece."[João Meireles]
 
𝗢𝘂𝘁𝘂𝗯𝗿𝗼 2026
3ª a 4ª às 19h30 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
𝗥𝗘𝗦𝗘𝗥𝗩𝗔𝗦 961960281 ou bilheteira@artistasunidos.pt
𝗕𝗜𝗟𝗛𝗘𝗧𝗘𝗦  https://artistasunidos.bol.pt/
 
𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗤𝗨𝗘 𝗔 𝗖𝗢𝗜𝗦𝗔 𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗟𝗢𝗡𝗚𝗘 𝗱𝗲 𝗭𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗛𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀
𝗧𝗿𝗮𝗱𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 Joana Frazão
𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗰𝗼𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 Miguel Castro Caldas
𝗖𝗼𝗺 Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca
𝗖𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 Francisco Silva
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 Fernando Travassos
𝗙𝗶𝗴𝘂𝗿𝗶𝗻𝗼𝘀 Rita Lopes Alves
𝗟𝘂𝘇 Pedro Domingos
𝗠𝗼𝗻𝘁𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗹𝘂𝘇 Lucas Domingos
𝗦𝗼𝗺 André Pires
𝗢𝗽𝗲𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 André Rodrigues
𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮̀ 𝗶𝗹𝘂𝘀𝗮̃𝗼 Aléxis Ricardo
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 Américo Silva e Diana César
𝗘𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 João Meireles
𝗠𝟭𝟮
 


𝗙𝗼𝘁𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮s © Jorge Gonçalves 
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As figuras tristes das tristes figuras


Há quem ache que o ideal para os eleitores de extrema-direita perceberem o que é a extrema-direita no poder basta "pôr lá" o líder e aquela malta fica logo a perceber o que é "levar nos cornos". Nada mais errado. Quem já vive na merda não se importa que toda a gente fique na merda. Aprovam todas as decisões que aplicam supressão de direitos e anulam conquistas. As excepções a esta realidade manhosa são poucas.
 
Veja-se o que aconteceu nos EUA. Toda a gente pensou que aquela gente tinha ficado vacinada contra o Trump do primeiro mandato. Não só não ficou vacinada como chamou reforços logo que teve oportunidade de eleger o estropício de novo. O vírus espalhou-se e agora vale tudo. Um bandido condenado gaba-se diariamente das alarvidades que aplica. A mentira ferve, e não é em lume-brando.
 
No Brasil foi candidato um bandido notório que se gabava de ser bandido. Foi eleito. Foi preciso Lula voltar para que o bandido fosse para casa. Preso, por evidentes maldades, manda agora o rebento dar nas vistas para tentar manter a família gangster no poder. E não é que a coisa está tremida? Nós, que vivemos em momentos mais decentes da história do mundo, ainda ficamos boquiabertos com os sucessivos festivais de mentira com exibições frustes e despudoradas. O espanto esvai-se e a realidade comprova o dislate. Irá o Brasil homenagear o bandido preso? Temos esperança. Acreditamos que vença a decência.
 
Aqui no país à beira-mar instalado assistimos à televisão oficial do protofascista apontá-lo como o preferido dos portugueses para primeiro-ministro. Isto pouco depois de o protofascista ter sofrido uma humilhante derrota eleitoral, levando o eleitorado decente a jogar pelo Seguro. O eleitorado decente foi muito alargado e desmentiu os comunicadores oficiais do partido que quer limpar um país que desconhece. 
 
Tristes figuras. Tristes tempos, estes.
Imagem: cartoon de Osmani Simanca.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Receituário

Tudo o que a esquerda não quer dizer 
e a direita não quer que ela diga

SINOPSE: O mundo mudou e a Esquerda não notou. Precisa de ajuda. De autoajuda. Fazer companhia à psicologia barata e aos manuais sobre emagrecimento pode ser, para uma Esquerda elitista, uma forma de descer à terra. Presa na bolha da academia e das sedes partidárias, a Esquerda afastou-se do povo. O resultado está à vista. Para não morrer, a Esquerda tem de rebentar a bolha.

Manuel Afonso, (autor), Alice Pinho e Nuno Ramos de Almeida, vão estar na Culsete, no próximo dia 17 (quinta-feira), para se explicarem melhor sobre isto. Também tenho umas ideias para trocar sobre o assunto. É por isso que não vou faltar a este encontro " nem que choval picaretas". Até lá.

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