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António Dacosta, Dois limões em férias, 1983, óleo sobre tela. |
REGRESSO - A silly season já não existe. Todas as estações são tontas desde que o tonto fascista anima o território dos fascistas portugueses. Um cartaz promete que o traste vai salvar Portugal. O país inteiro mira a figura triste. Estranha esta salvação, proposta por um incendiário. Regresso com perguntas. Perguntas que me assaltam em permanência.
LÁ FORA - O genocídio continua em Gaza. As denúncias e as acções de solidariedade alastram pelo mundo inteiro. Em Portugal, as vozes de artistas e intelectuais opinadores ilustram jornais, debates televisivos, concertos de verão, palestras, simpósios, lançamentos de livros e aberturas de exposições. Vozes de quem vive em voz alta fazem-se ouvir. Por todo o mundo as pessoas revelam e manifestam solidariedade. A morte sai à rua sem aviso. Morre gente perante a indiferença de quem dirige politicamente a Europa. Em Gaza e no Médio Oriente morre-se todos os dias e são destruídas estruturas que provocam mossa na economia mundial e na vida das pessoas. Será que não há estadistas que façam frente ao destrambelhado americano e ao criminoso encartado de Israel?
CÁ DENTRO - A Polícia Judiciária já sabe quem esbardalhou o gabinete do pantomineiro Ventura? E já desmentiu as afirmações do chefe racista que incluem polícias da PJ como seus informadores? Ainda não se sabe nada? Mas, o que se passa? É assim tão difícil saber o que falhou na segurança de um sítio tão seguro? Ou o sítio onde se decide a nossa vida não é assim tão seguro e está aberto à pantominice? E já que estou com a mão na massa, ainda anda por aí quem acredite e até venere a figura rasca do líder do partido rasca a que os fascistas deram o nome de "chega"? Chega de quê? De "chega"?
ARTE - Resta a Arte para nos salvar? Resta a esperança na mudança? Faremos por isso. Escolhi António Dacosta para ilustrar o verão que está de saída. Vem aí setembro, o meu mês preferido. Avizinha-se trabalho e conhaque. Muito trabalho que me anima e entusiasma. Muito há para fazer, ouvir, ler, olhar. Bom regresso ao trabalho para toda a gente. Até já.
