sábado, 14 de outubro de 2006

Sampaio comunicação, lda

Já não havia pachorra para o homem como Presidente. Agora dizem por aí que dirigiu um jornal. Parece que foi só por um dia. Essa é a boa notícia. Imaginem que lhe tomava o gosto. Bem, talvez se safasse: com o gosto que declarou ter em estar e conversar com Santana, talvez o convidassem para dirigir uma edição de uma dessas revistas cor-de-rosa. Falem lá com o homem, vá. Ele está no mercado.
JTD

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

E já foi publicado?

O ministro da economia anunciou o fim da crise. Caminhamos para a crescimento. Santana passou pelo mesmo: um dia acordou e tentou convencer os outros meninos que afinal o pai-natal existia. O bloco central tem as suas vedetas que sonham e levantam voo sem pára-quedas. Não há nada a fazer: optimistas sonhadores e bem remunerados esquecem facilmente crises e desgastes financeiros. Mas o homem é capaz de ter razão. Se calhar a crise vai ser extinta. Falta é a publicação dessa intenção no Diário da República. Tenham calma, está quase.
JTD

Os sonhos da gente



Uma iniciativa de arromba. A imagem divulgadora é da autoria de André Letria. Excelente.
www.faroldesonhos.pt

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Desenvolvimento, dizes tu

Agora até parece que o homem é um herói. Os elogios, até por parte de quem o criticou, surgem como torradinhas ao pequeno-almoço.
A Madeira era um sítio indescritível e agora é arejado e desenvolvido. Quer dizer: para desenvolver uma região é preciso ser boçal e mal-criado. Então mas, se em vez do soba, com as constantes injecções de dinheiro, estivesse no lugar dele alguém civilizado, aquilo não andava para a frente?
A política resulta melhor quando entregue a desbragados ordinários?
Quanto ao desenvolvimento da ilha-jardim, e consoante a noção de desenvolvimento, provavelmente nem todos teremos a mesma opinião.
JTD

E o melhor de todos é...

Anda por aí um grande falatório por causa de uma escolha qualquer. Parece que querem saber quais os melhores entre os portugueses. Provoca-me alguma confusão tão categórica definição. O que é isso de ser o melhor de todos? Como se define? O que é melhor para mim é também bom para o outro? Nunca percebi as regras deste campeonato. Ah, é um programa de televisão? Já podiam ter avisado. Lá em casa, as canalizações que ligam para essas moengas estão enferrujadas há muito tempo.
JTD

Cumplicidades

Tenho andado a pensar nisto: será que somos todos corruptos? O debate agora anda neste registo. E se calhar faz sentido. Eu, por exemplo, estaciono com frequência o carro na zona da Baixa-Chiado. Um simpático arrumador começou a fazer parte do grupo de pessoas que cumprimento por ali mesmo sem saber muito bem quem são, mas apenas pelo hábito de olharmos uns para os outros todos os dias. Resultante desta cumplicidade, o arrumador passou a esforçar-se na procura de um lugar para o objecto que me transporta. Consequentemente passei a retribuir-lhe o obséquio com uma moeda cada vez mais encorpada. Juro que também forneço devidamente o vigilante parquímetro, mas aquele pagamento extra pela facilidade na obtenção de um objectivo sabe-me bem. Será que sou corrupto? Como vou obter resposta para este tormento? A quem me dirijo? Informo-me na DECO sobre a legalidade e qualidade do serviço prestado pelo zeloso arrumador? Vou à Procuradoria? Pergunto no Palácio de Belém?
JTD

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Uma verdade

"Para se ser livre é necessária muita coragem (...) Os locais de trabalho, a vida política, a mera existência social, estão (basta olhar em volta) cheios de cobardes de sucesso"
Esta opinião de Manuel António Pina no Jornal de Notícias (dei por ela em citação no Público) é um bom contributo para o debate sobre a corrupção. Digo eu...
JTD

Ir para a rua

Um assessor comunicou que o Presidente ficou muito sensibilizado com os relatos de quatro prostitutas neste roteiro da inclusão. A enternecida revelação do assessor à comunicação social é de aplaudir. Cavaco percebeu que há um drama em cada mulher que sai "para a rua". Claro que não é preciso "ir às putas" para perceber a violência que faz carreira ao lado dessas mulheres. Relatos mais completos saem com frequência em orgãos informativos. Já para não falar nas narrativas literárias assentes em factos reais. Não acredito que Cavaco só o tenha percebido agora. Mas pode ter acontecido. É sabido que o Presidente não é muito dado a "perder tempo" com a leitura de jornais e assim.
JTD

terça-feira, 10 de outubro de 2006

O soba da ilha

E se a Madeira nos declarar guerra? Será que Sócrates contou com essa hipótese? Se não, irá Cavaco remediar a situação? Quem nos garante que o chefe tribal do Funchal não encetou já contactos com o chefe da Coreia do Norte? Ontem, Kim coreano revelou possuir armas eficazes, e Jardim madeirense é mesmo bom na escolha de material de guerra. Parece que ganhou uma guerra contra os cubanos e basta lembrar que há décadas que faz arremessos contra o "contenente", seja lá isso onde for. O que é certo é que ele continua no mesmíssimo lugar. O "contenente", com tanta ameaça, não deve estar em muito bom estado. Se é que ainda existe. Alguém sabe onde é? Será que fica perto da terra dos cubanos? Ou será tudo a mesma coisa?
JTD

Lux - 8º aniversário


O Lux faz hoje oito anos.
Parabéns.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Hoje há testes

A Coreia do Norte fez testes nucleares. O povo deste país arauto dos "amanhãs que cantam" poderá estar na miséria efectiva, mas que importa? O desenvolvimento tecnológico em grande demonstração de poder é uma prioridade do regime, que segundo o velho Bernardino da Assembleia, até é democrático e recomenda-se. O "querido líder", grande vulto do pensamento norte-coreano, tudo faz pelo "socialismo científico" e a "solidariedade entre os povos". O povo é requisitado para as paradas militares em dias comemorativos, mas é depois desprezado e privado do que em todo o mundo civilizado são direitos básicos. Esquecer a pobreza em que vive a sua gente, exibindo a excelência da tecnologia de guerra, é a maior das misérias.
JTD

Tudo se resolve

Já não há "limbo" para ninguém. A Igreja Católica vai corrigindo assim, caso a caso, barbaridades e disparates em que multidões de católicos foram acreditando ao longo de séculos. Os seres chamados por Deus antes de atingirem a idade que lhes permite adquirir o conhecimento capaz para chegar ao Seu encontro, já não ficam naquela zona de ninguém onde nem se está com Deus, nem longe Dele. E assim é que está certo. Se é Deus que, com a morte, nos chama para junto de Si, que sentido tinha não saber depois onde colocar alguns dos convocados? Tudo se resolve, com boa vontade.
JTD

domingo, 8 de outubro de 2006

Assessores salvadores

Setúbal - A novel presidente quer mandar o pagamento das dívidas para as calendas gregas. A câmara está em crise. A caixa-forte do munícípio está nos fundos. Para que a gestão camarária seja mais eficaz é necessário contratar assessores. São eles o sal das autarquias. Que seria de nós sem os Namoras, os Demétrios e outros exigentes e documentados profissionais? À trupe foi agora associado mais um prestigiado elemento. Vem de Alcácer do Sal e era o candidato do partido de Jerónimo á liderança da câmara local. Também responde por Jerónimo. Acrescente-se Matias e temos nome artístico: Jerónimo Matias é o nome no novíssimo assessor da presidente da câmara, que sem saber ler nem escrever já foi presidente de uma junta de freguesia e vereador em Alcácer. Não se lhe reconhecendo transmissíveis conhecimentos, o que vai então fazer para a câmara? Provavelmente revelar a Dores Meira os atropelos que o levaram a perder todas as eleições a que se candidatou. Ou será que esta assessoria é apenas uma forma de empregar um camarada vitima da incompreensão das populações?
JTD

Públicas manteiguices

Sempre me meteu impressão o jornalismo "manteigueiro". Se é que se pode chamar jornalismo à comunicação social que vive nas bordas do prato dos socialites. Vem isto a propósito de um extenso lençol sobre a vida do "cronista" Carlos Castro nas folhas da namorada do PÚBLICO ao domingo - A PÚBLICA. O apologético evento jornalístico foi publicado no domingo passado e suscitou comentários de leitores, inseridos na revista de hoje. Uns elogiosos, chegando mesmo a classificar a criatura como um dos portugueses de que nos devemos orgulhar; outros lamentando a atenção prestada a tão ruim exemplo. Estou com os segundos. E ainda não percebi a intenção do jornal de José Manuel Fernandes. É este o trilho a seguir? Vamos eleger a imprensa do ódio cor-de-rosa como exemplo a tomar em consideração? Espero bem que não. Vamos sacudir a poeira e pereceber que há públicos e públicos, e o nosso PÚBLICO é outro. Tudo isto não passou de uma ocasional falta de assunto. O jornalismo é algo que passa ao lado de Carlos Castro. Se o sabemos, para quê fingir o contrário?
JTD

Anna Politkovskaya


Esta senhora incomodava. Os donos da Rússia não gostam de quem os incomoda. As decisões ainda se enquadram em vingativas leis imperiais. As tomadas de posse presidenciais mais parecem aclamações de disnáticos soberanos. Mas há russos, e russas, que não apreciam estes preparos. E dizem-no. A vida é o custo cobrado. Democracias há muitas. Parece que umas mais do que outras.
JTD

sábado, 7 de outubro de 2006

Lux, oito anos


O Lux nasceu há oito anos. Se bem me lembro, abriu nos dias seguintes ao encerramento da Expo. A Expo, através do projecto "Caminho do Oriente" apoiou a iniciativa. Andei por lá, em trabalho. E o Lux aí está. Na vanguarda dos grandes eventos, muito à frente na vontade de fazer diferente e surpreendente. Agora vai ser a festa do oitavo aniversário. O tema da folia é uma feliz combinação entre Fellini e Almodovar. Se fosse semelhante aos festejos do ano passado já seria impressionante, mas tudo leva a crer que as expectativas vão ser ultrapassadas. É já na terça-feira. Parabéns ao Manuel Reis e a toda a gente que faz o Lux em todos os dias do ano.
JTD

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Dizem que lá se fazem homens


Assaltos e agressões são uma constante entre ex-soldados.
Entre casos recentes e mediáticos: um outrora elemento de uma força de segurança nacional matou em série para os lados de Santa Comba Dão. Agora, em Setúbal, um ex-comando desesperado deu luz ao seu desespero travestindo-se de assaltante de bancos. Na intimidade dos lares surgem de vez em quando relatos de demonstrações de autoridade excessiva por parte de agentes de segurança. Segurança que não assiste a quem vive entre as mesmas paredes que eles.
Dizia-se que a ida para a tropa fazia homens. A tropa era apontada como receita para a falta de vivências que as famílias evidenciavam. Lá aprendia-se a ser homem, à força, é certo, mas aprendia-se. E as forças militarizadas eram "as autoridades". Com eles por perto não havia perigo. Afinal parece que não é bem assim. Todos erramos, mesmo os que são treinados para errar menos.
Lá fazem-se homens. Às vezes homens menos bons.
JTD
Luis Afonso Imagem, Público.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Está-se bem

Quando nasci já havia República há 50 anos. Cresci durante 15 anos em ditadura. O resto, até hoje, é o que se tem visto. E do que tenho visto não me queixo. No regime reinante antes de 1910 também poderia vingar a democracia? Claro. Mas já que aqui estamos, e como não se imagina melhor sorte com representações monárquicas, para quê mudar? Como diz o refrão de uma canção popular: "P´ra melhor está bem, está bem. P´ra pior já basta assim".
Bom feriado.
JTD

O último a sair que feche a porta

Autarquias foram a congresso extraordinário. Muito pouco extraordinário, diga-se, já que estávamos carecas de saber o que iria ser decidido.
Os autarcas queixam-se de que a possibilidade de se endividarem encurtou. É esse o problema. O pessoal endivida-se, faz "obra", e depois quem cá ficar que se amanhe. Assim, com estes cortes, não há boneco para a fotografia. Chega-se ao fim do mandato sem material para incluir no folheto de propaganda.
Propaganda é o que mais preocupa estes autarcas. Puxar pela carola, pôr a imaginação a funcionar, é que é um problema. A razão é simples: não há maneira de encontrarem a função que estimula a criatividade. Claro que é muito mais fácil pedir dinheiro a quem o tem, esquecendo que quem o tem quer ganhar mais. Mas o que é que isso tem de mal? O último a sair que feche a porta.
JTD

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Dia Mundial do Animal

Hoje é dia dos animais. Dos designados irracionais, presumo.
De manhã, na TSF, ouvi uma reportagem sobre as dificuldades de uma associação de protecção de cães.
Os responsáveis pediam ração. Mensalmente uma tonelada é o que necessitam para satisfazer as necessidades alimentares dos internados. As dificuldades são comuns: a sociedade tem sérios problemas em assistir a seres com dificuldades. Tanto os racionais, como os irracionais. As chatices alastram de dia para dia. Ninguém diga que está bem.
Mas hoje, que vivam os irracionais.
JTD

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Vamos à Baixa

A recuperação da Baixa-Chiado custa tanto como a ponte Vasco da Gama. É muita massa. Mas quem estava à espera que fosse barato?
Recuperar aquela zona é como construir uma ponte. Uma ponte para outra margem. Para o lado da qualificação, do desenvolvimento com respeito pela tradição. Tornar um sítio moderno e cosmopolita será caro, mas há pontes que têm que ser feitas.
O tempo urge. Parece que vai ser preciso muito, um ror de tempo para pôr aquela zona de Lisboa no nosso tempo.
A cidade mais bonita do mundo (é Henrique Villa-Matas que o diz, ali no canto superior direito), merece-o.
JTD

Deixai vir a mim as criancinhas

Um documentário da BBC revela a hipócrita (para não parecer excessivo), atitude do então Cardeal Ratzinger:
O actual Papa tudo fez, com manuais e tudo, para encobrir padres pedófilos.
É para isto que se defende tão piamente o direito à vida?
- Deixai vir a mim as criancinhas, que a gente depois trata do resto.
Não considerar isto grave, é grave.
JTD

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Wallpaper


Talvez a primeira boa notícia do mês. A Wallpaper de Outubro anda aí.
Uma década de design em festa.
Edição a não perder.
JTD

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Fernando Luís Sampaio | Miquel Barceló


Cada um tem a sua diferença as mesmas
perguntas de sempre, as mesmas palavras
que desalinhavam do sorriso
o último beijo, restos, impropérios
comuns à passagem do tempo.

Que mais posso prometer?
Ao ficar a ver esta paisagem as dúvidas
sobre a permanência de alguém na vida
de outro causam embaraço
e desejos de uma vida feliz sem
remetente num aerograma selado com
o lacre da indiferença.

Cada um está por si. Nos bares, no metro,
no terrífico incêndio de não amar.
O aniz escarchado, a cerveja, a vodka
prometem uma abrupta mudança
nos planos e mais falsas ainda soam
as verdades.

Como aprendeste, fácil só a merda.

Fernando Luís Sampaio Texto
Miquel Barceló Imagem

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Na hora agá


Herman José vai voltar. O programa a que empresta o nome, e que se vai arrastando semanalmente aos domingos, acaba em Dezembro. Herman cumpre, com o novo programa, um sonho de infância: tinha uma ideia para este título - Hora H - desde os 12 anos. O rei do humor em Portugal regressa com nova corte: "Gostava que servisse para descobrir novos talentos". Veio mesmo na hora agá.
Herman morreu! Viva Herman!
JTD

Figurações públicas

Cavaco vai passear por Oviedo para dar as últimas no território vizinho.
O príncipes espanhóis acompanharão a comitiva portuguesa no percurso.
A recente notícia de que Letícia está de esperanças, vai aguçar a curiosidade popular - o povo vai sair à rua em saudação ao futuro principezinho. Até parece que tudo foi concebido por um luso departamento de marketing: o nosso Presidente ganhará assim maior exposição. É certo que se arriscam comentários tipo "Quem será aquele senhor magro que está ao lado da nossa princesa?", mas dá para fazer retrato para o jornal. Seria elegante propor que a criatura que se desenvolve no ventre da simpática Letícia fosse desde já designado Cidadão Honorário da República Portuguesa. Há motivos que o justificam.
JTD

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

As lebres e a tartaruga

Portugal foi ultrapassado por países cheios de pressa. Querem andar na mecha. Vai daí e... pimba, três lugares abaixo na tabela. O que vai ser de nós com estes chicos-espertos que insistem em ser mais civilizados do que a malta, que já cá anda há centenas de anos? Ainda por cima, com empresários privados tão comprometidos, tão comprometidos com o desenvolvimento, que atribuem as culpas destes percalços ao despesismo público. Públicos e privados, estamos coincidentes numa coisa: não andamos, nem desandamos.
JTD

Palavras de patriarca

O Cardeal não faz campanha contra. O problema não é religioso, diz.
Mas pelo caminho lá vai lamentando os males do aborto clandestino e do outro: o que a despenalização permite.
Para ilustrar as católicas ideias sobre o assunto aludiu a hipotéticos direitos do feto. Em tempos de regressão dos tais direitos para os já nascidos, que razão assiste à razão do Cardeal?
JTD

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Tanta luz, em Lisboa

Há luz boa em Lisboa, diz o programa da propaganda.
Se calhar, fez-se uma luz boa, que é boa porque esconde o que está mal: as ruas de Lisboa. Que estão sujas, sem luz.
Lisboa gosta da luz que a abraça ao fim da tarde. Essa é a luz de Lisboa.
Mas esta também é boa, a Luzboa.
JTD

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Afonso Malão no S. Luiz

Afonso Malão vai tocar hoje, às 18 horas, no Teatro Municipal S. Luiz - Jardim de Inverno - na entrega do Prémio Schréder, integrado na Bienal LUZBOA 2006.
Serão executadas composições do seu trabalho gravado "Fados para Piano", de Alexandre Rey Colaço.
Entrada livre.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

É só para avisar

Alberto Pimenta vai estar hoje na "Câmara Clara" da Paula Moura Pinheiro. Vão falar de Arte e erotismo. Na televisão. Na 2:. Lá para as dez e meia da noite. Pelo que se conhece do professor Pimenta, o programa promete.
Eu avisei...
JTD

Os vampiros

Claro que há perguntas a fazer aos queques que confraternizaram no Beato.
Para além do mau exemplo que dão nas empresas que gerem (conhecemos as condições em que por lá se trabalha, não é verdade?), tenho curiosidade em perceber como resolveriam eles as deslocações de pessoas dos seus empregos para os subsídios e para as reformas antecipadas. É fixe fazer perguntas quando não é preciso responder. Enquanto tiveram a faca e o emprego na mão, empregaram até fartar os amigos e os amigos dos amigos. Tudo fizeram para salvar o lombo, sem passar cartão a ninguém. O autismo de que padecem, não lhes permitiu perceber o que estava a mais. Agora querem moralizar, deixando aos outros, aos excedentes, o que sobrou da farra. Eles comem tudo e não deixam nada. Houve alguém que cantou isto em outro tempo. Há quem insista em comer tudo.
JTD

Em treinos...

O treinador de Cavaco quer treinar o país. A sua equipa já entrou em estágio e as tácticas estão lançadas. Percebemos, pelas suas palavras, que o Presidente é excelente e o governo é suficiente.
Se calhar suficiente menos, já que não sabe como se desenvencilhar de duzentos mil funcionários públicos. Foi o que saltou cá para fora depois daquele encontro entre tanta gente tão inteligente. Um dos participantes, o gestor Carrapatoso, em entrevista à RTP 1, afiança que andam por aí entre cento e cinquenta a duzentos mil funcionários a mais. A diferença numérica é coisa pouca. Muito poucochinho mesmo comparado com os benefícios que traria à nação tão depurativa medida. É curioso verificar que para este grupo de salvadores da pátria tudo são números. Mesmo quando se trata de pessoas.
JTD

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

O estado da arte

Paulo Portas, no programa da SIC-N, tem momentos de interesse.
Ontem houve vários desses momentos. Foi brilhante a sua explicação sobre a recente polémica papal.
Portas, claro está, acha que o Papa tem razão. Óptimo, vamos lá a ver porquê: o Papa, está escrito, não concorda que os modelos políticos do ocidente sejam perfeitos no médio oriente. Isto está preto no branco em livro publicado com edição em Português. Portas considera que com isto Raztinger prova que as declarações na universidade alemã estão justificadas. O Papa é um homem de paz e não levantaria um dedo que colocasse em risco o diálogo entre civilizações. O Papa foi um intelectual a falar para os seus pares. Está certo. Até aqui não tenho dúvidas.
Mas depois a gente lembra-se do Portas ministro. Do enfado das suas declarações a justificar a guerra de libertação do Iraque naquela base do "vejam lá se percebem". Do seu contentamento ao lado do secretário de estado da defesa norte-americano. Das veementes justificações sobre a implantação da democracia naquelas bandas. Da inevitabilidade do bélico gesto.
Pareceu-me que era a mesma pessoa, mas se calhar estou enganado.
Ninguém pode defender uma coisa quando à civil pensa outra.
Aquele não era o Paulo Portas que reuniu nas salas onde se decidiram os embarques de soldados para o conflito.
Pois, aquele era outro Portas.
O senhor que ontem falava com Clara de Sousa nem gravata usava...
JTD

Há fumo na procuradoría

Já há procurador. Será que vamos dar pela sua existência? Chegaremos a saber para que serve?
JTD

Mas alguém está interessado em saber?

"A seu tempo saberão (de mim)".
Luís Nobre Guedes em declarações à imprensa.
JTD

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Secreta escolha

Um senhor do PSD não diz nada porque não se comentam encontros com o Presidente ou com o primeiro-ministro. O PS estará com certeza próximo do segredo graças ao lugar que ocupa o seu líder. O número um do BE quer que o procurador devolva prestígio à instituição. O PCP entende que é do ministério público que deve sair. O chefe do CDS-PP encontra, na forma da escolha, motivos para estar satisfeito. Os Verdes não acham nada porque ninguém os ouviu. Agora é esperar por Cavaco. Esperemos que continue a não se enganar nem a ter dúvidas. Até pode ser que opte pela opinião de um conhecido juiz-desembargador que defende não vir mal nenhum ao mundo a não nomeação da referida figura de Estado. Nada sai cá para fora. Assim é que é, valentes! Perante tanto enleio, será que um PGR é assim como uma espécie de chefe de uma sociedade secreta?
JTD

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Deus nos valha

Tudo, hoje em dia, tem tendência em tornar-se um problema de comunicação. Os decisores influentes têm que ter isso em conta. E cada caso é um caso, lá está: Bush declarar que prefere comer carne de porco a discutir os conflitos mundiais é uma coisa; Ratzinger escolher um imperador bizantino, em declarações incendiárias (mesmo que retiradas do contexto), para ilustrar uma palestra, é outra. É que aos raciocínios do homem da Casa Branca a gente dá um desconto. Mas o Papa é homem de pensamento. Infinitamente mais inteligente. Daí a desilusão.
JTD

domingo, 17 de setembro de 2006

José Sommer Ribeiro

Morreu José Sommer Ribeiro. Foi o grande impulsionador do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
Mais recentemente agarrou os destinos da fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva. Foi aí que o conheci. Fui convocado para tratar da imagem da exposição "A Poética do Traço - Gravuras do Atelier 17". Desde o primeiro momento estabeleceu-se entre nós um verdadeiro entendimento. Falámos da vida deste atelier de gravura parisiense. De Hayter, o grande dinamizador e do seu convívio com os grandes artistas da época: Picasso, Kandinsky, Miró, Max Ernst e muitos outros. Encetámos o trabalho. Eu e a minha equipa envolvemo-nos com afinco para que a publicação/catálogo e todos os outros materiais de promoção fossem desenvolvidos com a qualidade que o projecto merecia. Ele gostou do resultado final. Agradeceu-me várias vezes.
- Eu é que agradeço, meu amigo.
JTD

Sol de pouca dura

Já folheei o novíssimo semanário. Um jornal fresco e diferente, dizia a promoção. Não dei por nada. O meu semanário de fim-de-semana vai continuar a ser aquele que preparo na banca de jornais aos sábados de manhã: um "cocktail" que reúne o EXPRESSO, o PÚBLICO e o DIÁRIO DE NOTÍCIAS.
O SOL? Talvez umas visitas online. A versão impressa dispenso.
JTD

Os incendiários

Não é de respeito que falamos quando falamos de religião: é de tolerância. Bento XVI pode muito bem não respeitar o que é almejado por todas as outras religiões, mas tem obrigação de saber quando as ofende. As suas palavras não são desabafos de ocasião. O raciocínio bizantino gerador da polémica não é coisa de pouca monta. Ratzinger sabe muito e deve saber o que diz. Logo o que sabe não deve ser exposto levianamente. Provavelmente não foi. Isso é que é preocupante. Andou João Paulo II de credo na boca a pôr água na fervura, para agora vir este papa deitar achas para a fogueira. Condenamos a intolerância quando referimos os atentados em Nova Iorque. É a falta de tolerância que incendeia o Mundo.
JTD

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Governamentais benzeduras

Assisti à cena, pelas televisões, causando-me perplexidade. Fernanda Câncio abordou a situação na sua habitual crónica no DN de hoje.
O primeiro-ministro compareceu à cerimónia de inauguração de uma escola pública, com direito a padre e consequentes rituais católicos. O cura debitou o discurso proselítico e alinhou as respectivas benzeduras. Qual a atitude a tomar por um alto representante de um Estado laico? Ficar de mãos atadas. Essa seria a melhor forma de respeitar a laicidade do Estado. José Sócrates, se calhar vítima de um abrupto embaraço, desatou as mãos e vá de desenhar a cruz no peito. Adianta Fernanda Câncio: "Quer releve de convicção quer de uma noção voluntarista de gentileza, o gesto ignora a distinção entre a esfera privada da vida de um chefe de Governo e a encenação pública da sua presença oficial, relegando a separação entre Igreja e Estado para as questões irrelevantes. É pena: cumprir assim a "tradição" é "limitar-se" a falhar a modernidade."
Perfeitamente de acordo. Mas acrescento mais estas interrogações: o que fazia o representante de uma confissão religiosa na cerimónia? Quem o solicitou? O Ministério da Educação? A direcção da escola? A autarquia? Quem encomendou o sermão?
JTD

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

América, a latina


Já se gastaram sobre o assunto litros de tinta e já se premiram repetidas teclas. Chávez, o Presidente eleito da Venezuela não confia em mais ninguém que consiga levar o país a bom porto. Daí a intenção de não largar o leme nem à lei das urnas. Para tal o melhor remédio é acabar com elas: urnas ao mar e todos os poderes para o homem do leme. Veremos se o Presidente eleito conseguirá fazer a transição pacífica para ditador. Espero que não. E espero também que a esquerda saiba nadar e não aceite as boias de salvação, que não serão de salvação para mais ninguém senão para Chávez e os seus intentos.
Do lado de cá, temos a alusão às colombianas FARC na Festa do Avante. Mais a defesa desta associação criminosa por parte de responsáveis políticos. Triste realidade, a deste mundo, quando os perigos ainda espreitam. E de todos os lados.
JTD

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

É uma jóia de uma pessoa

Setúbal - A super-presidente da câmara já tomou posse. Vem nos jornais que vai dominar em absoluto. Ou seja, a maioria dos pelouros são da sua responsabilidade. Só agora tomei conhecimento de uma declaração que foi título de primeira página de um jornal sadino, justificando assim as razões que lhe dão atributos para poder assumir o cargo: "Nunca fiz mal a ninguém", diz a cândida autarca. Com declarações deste alto gabarito político, podemos esperar, bem sentados, grandes resoluções políticas. E podem ficar descansados os que apoiaram a candidatura: os construtores civis e incivis, os especuladores imobiliários, as empresas de fornecimento directo, os inúmeros avençados de confiança política, entre todos, mas todos mesmo os que pisam o solo da cidade do Sado. É que a senhora presidente não faz mal a ninguém.
JTD

E quem conta um conto...

Cavaco diz não ser um político. Tem razão: o Presidente é mais um homem de boa vontade que gosta de consensos desde que seja ele a decidi-los. Enquanto se sentou na cadeira de S. Bento nunca perguntou nada a ninguém. É natural: sabia o que fazia. Agora quer que os outros, os que às vezes se enganam, se entendam subscrevendo pactos. Cavaco acredita que a governação pode ser um conto de fadas. Desde que seja ele a contar o conto.
JTD

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Problemas de audição

Usando o seu pseudónimo de Bento XVI, Ratzinger alertou para um problema que afecta o mundo: "Está surdo a Deus".
E eu a pensar que era Deus que estava distraído, daí o silêncio. Afinal o problema está em nós. Estamos de orelhas moucas. Se calhar a resposta para tanta surdez está no cartoon de Bandeira, no DN: "é das bombas".
JTD

domingo, 10 de setembro de 2006

WTC 11/9



Estava a pouca distância do WTC quando os aviões mudaram a rota. Tinha andado por lá na véspera. Assisti às primeiras reacções nas ruas. Ouvi as notícias em rádios de automóveis que paravam para disponibilizar a informação. Reparei na rapariga que ligava, desesperada, para o namorado que não respondia. Comovi-me com o seu pranto quando percebeu o que lhe tinha acontecido. Cruzei-me com as testemunhas mais próximas cobertas pela poeira da derrocada: autênticas estátuas caminhantes em incrédulo desalento. Ninguém estava a perceber muito bem o que tinha acabado de suceder. Alinhávamos hipóteses: ataque terrorista ganhou logo terreno. E agora? Tinha voo de regresso marcado para esse dia. Esquece: é esperar e estar atento. Comprar jornais, ir para Central Park perceber a vida da cidade para além da morte, voltar ao hotel, ver noticiários televisivos: "está o Bush na televisão", nada de novo, caminhar por Times Square. Muita gente na rua. Conversamos. Somos todos novaiorquinos. A vida volta com revolta. Entretanto vamos percebendo comportamentos. Por exemplo: Bush preferiu pairar nas alturas durante horas. Se calhar não estava a perceber nada. E tinha medo. É legítimo.
Regresso passado cinco dias. Era domingo. Foi bom regressar, mas vou querer voltar a Nova Iorque. Ainda não aconteceu.
Já em Portugal, há uma estação de televisão que me elege "o primeiro português regressado". Houve entrevista. Cantores pimba em antecipação. Quem me manda meter com foleiros? Não gostei. Arrependi-me, mas pronto.
Agora passaram cinco anos. Percebemos que Bush não percebeu nada. E parece que agora é que começa o debate a sério sobre as consequências do atentado. Depois de graves consequências provocadas. Pode ser que um dia a gente perceba. Pelo menos percebemos muita coisa antes de Bush. Mas isso não é nada bom.
JTD
Imagem cbsnews

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Anne Sofie Von Abba



Confesso que gosto mesmo muito de Anne Sofie Von Otter. Conservo os trabalhos em cd que a senhora vai gravando, vou-os colocando no leitor com frequência de grande fã e sonho com um concerto ao vivo. Anne Sofie (Perdoem-me este ar de intimidade, mas sabe-me bem) juntou-se em tempos a Elvis Costello e saiu trabalho bonito: afastou o registo de mezzo-soprano, imprimindo-lhe um tom coloquial, misturando a sua voz com a de Costello. Gostei, a sério. Claro que também gosto muito de Elvis Costello. Achei portanto um casamento perfeito. Não sou fundamentalista, dou-me bem com experimentações e acho saudável o convívio entre estilos e áreas. Eis que surge agora outro trabalho dos chamados "ligeiros". Tem por título "I let the music speak" e é totalmente habitado por êxitos do grupo sueco Abba. Está tudo estragado. Se por momentos a superioridade vocal de Von Otter nos faz esquecer as origens dos temas, em outras faixas estamos em plena audição de musicas de festival da canção, com todos os seus enleios. Ela vai estar na Gulbenkian no dia 4 de Outubro. Vai apresentar este trabalho. Ainda não é desta que a vou ver ao vivo. Paciência, melhores dias virão.
JTD

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Imperiais chatices

Japoneses suspiram de alívio. As notícias revelam um povo satisfeito por ter nascido um rapazinho com dois quilos e meio. Parece que está destinado, antes de pensar o que quer que seja, a ser imperador do Japão. Até aqui só haviam meninas no palácio dos príncipes e a imperial lei não permite cá miúdas em cargo de tão representativa responsabilidade. O primeiro-ministro, simpático, até já estava a fazer um arranjinho para mudar a lei no sentido da aclamação, em caso de falta de varâo, de uma menina imperatriz. Não foi preciso. Tudo acabou em bem. Ainda se vive com esta mentalidade lá para as bandas do sol nascente. Uma republicazinha não dava mais jeito? Pelo menos evitava problemas destes.
JTD

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Estimáveis livros


Foram muito utilizadas no tempo em que os livros eram objecto de culto.
Quem gostava de livros tratava-os com especiais cuidados. As capas de pele então usadas, com imagens gravadas representando escritores, protegiam as delicadas publicações dos males que as ameaçavam. Actualmente não estão muito na moda. Os livros hoje em dia têm capas reforçadas com potentes plastificações. Mas para quem ainda os quer proteger mais não confiando cegamente nessas evoluções das técnicas gráficas, fica aqui o alerta: elas existem. Já sem as carantonhas de Eça ou Camões em pose de grandes escritores, mas existem. Com outro design, é certo, muito minimalista, mas lindas. Estão à venda na O Carmo e a Trindade, uma elegante loja que insiste em fazer em Portugal belíssimos objectos de pele e seus sucedâneos. A ideia é liderada pela designer Judite Cília e fica no Largo da Trindade, mesmo em frente à entrada principal do teatro com o mesmo nome. Um pormenor: qualquer artigo vendido na casa tem assistência gratuita. Tudo isto é garantido. Sou cliente vai para duas dezenas de anos e não me queixo. Muito pelo contrário, aplaudo.
JTD

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Twombly | Fernando Pessoa



Dizem?
Esquecem.
Não dizem ?
Disseram.
Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.

Por quê
Esperar ?
Tudo é
Sonhar.

Fernando Pessoa Texto
Twombly Imagem

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Setembro


Já estamos em Setembro. O melhor mês do calendário.
É tempo de voltarmos ao regular exercício das actividades de cidadãos. Ao dia-a-dia a sério.
O período mais ou menos destinado para a tontice terminou.
Atenção: não há prolongamento.
JTD
Imagem Howard Hodgkin The Body in the Library, 1998-2003 artnet

domingo, 3 de setembro de 2006

Não me comprometam

Miguel Vale de Almeida faz aqui uma excelente abordagem à nova vaga de figuras públicas.
Provavelmente, Miguel, estas criaturas ainda nos acusam de inveja. Inveja de quê? De ser parvo?
JTD

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Um idiota é um idiota

Este debate não se passou numa série de humor. Os Estados Unidos começam a discutir com preocupação se o seu presidente é realmente um idiota. Quando se chega a este ponto...

Esta introdução abre um interessante texto do Daniel Oliveira.
Recomendo um desvio até .
JTD

Independência controlada

Ao princípio gostava daquela irreverência. Mesmo sendo um jornal de direita (sempre foi), era contra Cavaco. E contra Cavaco todos os santos ajudavam. Cavaco representava o pato-bravismo que florescia. O jornal de MEC e Portas era anti-pato-bravismo. Um pouco snob, é certo. E então? que mal tem isso contra a babuseira armada ao elegante? Tudo mudou muito. Há muito que não o comprava nem lia. Pelos vistos aconteceu o mesmo a muito boa gente. O jornal fechou. O jornalismo continua: mais independente, menos independente, mas cá anda.
Há projectos importantíssimos em determinada época, que o deixam de ser logo a seguir. É pena? Não, é a vida.
JTD

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Richard Diebenkorn | Sebastião da Gama


Para todos os que celebram hoje a data do seu nascimento.

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama Texto
Richard Diebenkorn Imagem

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Ai Timor

Timor é um caso sério. Terra abandonada. Invadida pela ditadura indonésia. Mal tratada pelos invasores.
Proclamada a independência, forças ligadas à ditadura reagem com violência.
Fomos para a rua mostrar a nossa solidariedade para com o povo mal tratado.
Foram possíveis eleições livres e a formação de um governo democrático. Governo tenta criar um estado laico. A Igreja reage. O povo alinha com padres e bispos contra o governo eleito.
Há mais confusão. É controlada a confusão: os responsáveis pelos desassossegos são detidos. O Presidente que até ali só pensava em tirar fotografias, ameaça o primeiro-ministro: "Ou se demite, ou demito-me eu", disse. O primeiro-ministro demite-se, apesar de na declaração de renúncia se perceber que é muito mais consistente políticamente do que o Presidente. O Presidente nomeia outro primeiro-ministro. Esse primeiro-ministro, então candidato a um alto cargo internacional aceita ficar em Timor, esquecendo a candidatura ao alto cargo. Declara então humildemente: "O mundo vai ter que esperar". De há uns tempos para cá, as forças estrangeiras a quem foi pedido auxilio, são constantemente apedrejadas por grupos de jovens. Hoje fugiram os responsáveis pelos tais desassossegos.
O povo desta terra está farto de sofrer. Merece o mesmo que todos os outros: respeito, educação, conforto.
Será possível fazer daquela terra um país?
JTD

terça-feira, 29 de agosto de 2006

ND - Gestão de condomínios, Lda


O DN diz, em título: "Monteiro bate à porta do PSD e do CDS".
Como a organização que dirige não tem dimensão para ter voz no panorama político do país, talvez a intensa actividade de Manuel Monteiro esteja justificada neste título. Se calhar, a Nova Democracia é assim como aquelas empresas que gerem condomínios. Tem uma campanha de Verão com uma boa promoção. chamou-lhe "Manifesto para a Direita Portuguesa". Vamos lá a ver se arranja condóminos.
JTD
Imagem dnoticias.pt

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Às aranhas

Setúbal - Aranha Figueiredo deu uma "não-entrevista" ao JORNAL DE SETÚBAL.
Todas as respostas acabam com uma decidida atribuição de responsabilidades ao seu partido.
O homem parece que não existe. Tanta insignificância já chateia.
Exemplos: "O meu partido comunicou-me que eu deveria sair e acatei a decisão."
"O meu partido decidiu assim e eu limito-me a cumprir."
"O meu estado de espírito não é relevante para esta questão.
"Em relação aos motivos que levaram a esta decisão, quem tem que responder é o PCP."
"Essas questões devem ser colocadas ao PCP."
"Essa é uma questão que deve colocar ao PCP."
Interrogado sobre se acredita que Maria das Dores Meira tem condições para completar o mandato, responde:
"Essa é mais uma pergunta que tem que fazer ao PCP:"
Como tudo o que diz para além disto é tão irrelevante como o que aqui se transcreve, ficamos a saber que tivemos um vereador sem opiniões, ou indisponível para as revelar.
O outro vai pedir aos santinhos que o encaminhe. Na Cultura, o trabalho de Dores Meira até dói. Aranha anda às aranhas, sem nada para dizer. E o PCP está-se nas tintas para esclarecer minimamente o que quer que seja.
Por aqui também já não estou com vontade de continuar a actividade de opinador sobre a questão.
Vou colocar uma tabuleta com os seguintes dizeres: "De momento não temos nada a dizer. Todas as questões relacionadas com a crise na câmara de Setúbal devem ser encaminhadas para onde lhe apetecer. Prometemos ser breves. Obrigado"
JTD

domingo, 27 de agosto de 2006

Questão de Fé

Setúbal - O gabinete de Carlos Sousa, na câmara de Setúbal, segundo o EXPRESSO do último sábado, é vigiado em permanência por imagens de São Francisco Xavier, Inácio de Loyola e Jesus Cristo. O último com direito a velinha acesa. É certo que vão longe os tempos do "ópio do povo" leninista. Também ninguém de bom-senso apela à privação da Fé de cada um. Mas para autarca comunista, parece-me excessivo tanto temor religioso. Nem estou a ver, nos dias que correm, os autarcas do cristão CDS/PP com tanto ornamento nas salas onde se decidem as políticas para as cidades. Na exibição de tanta crença não há lugar para um posterzito de Marx, Lenine ou Guevara? Ou estas já não são contas do seu rosário?
JTD

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Antecipadas, para que vos quero?

Setúbal - Não tenho a certeza que a realização de eleições intercalares sejam a solução para a crise.
Claro que não vejo a simpática vereadora da cultura como proposta credível. Quando a comparei a Santana Lopes não era apenas na semelhança do facto político. Aí até se poderão encontrar diferenças. Referia-me à ligeireza, à pouca capacidade de resposta para questões que requerem mais exigência. São estas inabilidades que motivam as trapalhadas. Compondo o raminho com os outros vereadores perfilados para ocuparem os lugares, estaremos perante futuros momentos carregados de humor. Talvez o PCP queira participar no guião dos próximos episódios do "gato fedorento". Só pode.
Negrão será um bom candidato para o PPD/PSD. Claro que há aquele mau-passo no governo de Santana, mas como ninguém é perfeito... Os que se lhe seguem é que assustam. Tótós do pior. Viram as curtas declarações à imprensa de um responsável concelhio? Articular aquelas vulgaridades de oratória deve ter sido um esforço intelectual de monta.
Quanto ao PS de Catarino, palavras para quê?
O Bloco intervirá com o à-vontade de quem pode denunciar uns atropelos sem ser atropelado. Vantagens de quem está fora da carroça do Poder.
Perante este cenário, não tenho de facto a certeza da justeza, ou vantagem das eleições intercalares antecipadas.
Admito estar enganado, como é óbvio.
JTD

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Oferendas aos deuses

Setúbal - Aranha Figueiredo é um ortodoxo. Sempre foi. Um seguidor do chamado "centralismo democrático" tão ao gosto dos mais estafados estalinistas. Acatou as decisões centralistas em silêncio. Foi adicionado a este cozinhado para tramar Carlos de Sousa. Ele é apenas um instrumento das tramóias partidárias. O PCP continua a sua política profundamente religiosa. Não há lugar para a contestação às decisões dos cardeais. A razão que leva o partido a transformar Aranha em cordeiro oferecido em sacrifício é que ainda são desconhecidas.
Como em todas as religiões, decide-se no profundo silêncio das sacristias das catedrais. Como nas religiões mais atrasadas, o ser humano é apenas um joguete nas definições de estratégias.
JTD

Dia 16 em Paredes de Coura

Bem, foi por este dia que saí de casa e aturei a chuva - Ok, e também por Morrissey e Bauhaus. Esperámos à chuva para entrar no recinto e por volta das 4.30 lá entrámos. Fomos a correr para a grade e quando só estavamos nós e mais umas dez pessoas lá aparece o Jesse Hughes dos Eagles Of Death Metal para o soundcheck. Aplaudimo-lo e ele desceu para a relva para falar connosco. Ele é estranho mas muito simpático. Conversou connosco e depois lá foi acabar o soundcheck. Nós esperámos na grade por eles. Já estava na hora e entram os The Vicious Five. Foi um bom concerto e o público aderiu. O vocalista, Joaquim Albergaria, foi simpático mas trapalhão e um bocado tótó. Deram um concerto bom. O baixista conseguiu partir uma corda.


A seguir, entram os Eagles Of Death Metal. Foi muito melhor do que eu estava à espera. O público aderiu com entusiasmo e tive que ter cuidado com as pessoas a passar por cima da minha cabeça: o moche que estava atrás de mim e o Jesse a fazer-se à minha namorada e a todas as outras raparigas do recinto. Foi um concerto bom e divertido.


Depois entram os Gang Of Four. Não os conhecia bem e não são propriamente o meu estilo, mas gostei. No final o guitarrista atirou uma bela stratocaster ao chão e o vocalista, ao ritmo da música, bate com um bastão num microndas. Foi giro.


Lá para a noitinha, entra Karen O e a sua banda. Os Yeah Yeah Yeahs deram um concerto bom e emotivo. Tinha uma rapariga ao meu lado a chorar. O público cantava todo com ela e no final o guitarrista vai buscar a máquina fotográfica e capta o público. Muito bom.


Finalmente, os Bloc Party. Mas que concerto. Gritámos, como fans dos Morangos com Açúcar, pelo guitarrista até ele olhar para nós e sorrir. O vocalista, Kele Okereke, era bem simpático e no final vem para a grade comunicar com o público. Espectacular.


Por final, os We Are Scientists. Já me tinha ido embora nos Bloc mas vi ao longe. Sinceramente, não gostei. Nada de especial.


GD

Montanha ou rato?

Setúbal - Carlos Sousa foi apanhado de surpresa, disse. Não esperava esta atitude do seu partido. O partido diz que os autarcas agora apeados são de uma exemplaridade notável. Se são assim tão exemplares, para quê a substituição? E porquê agora? Entretanto, o partido entrega a câmara a Dores Meira, uma espécie de Santana Lopes do PCP. A falta de horizontes políticos por parte da senhora é notória. Ainda deve sonhar com os amanhãs que cantam. Onde é que esta gente tem o juízo? Será que é falta de siso ou nem tudo nos foi contado? Aposto na segunda hipótese.
JTD

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Morrissey, o "manda-chuva"



Podia ter sido um dos melhores concertos. Morrissey entra em palco, pede ajuda( - "Paredes de Coura. Ajudem-me" ), e dá início ao concerto. Estava a ser um grande concerto até Morrissey começar com o seu estranho humor. Manda umas bocas e parece querer provocar o público. O concerto continua, a actuação e as músicas são geniais. Mas Morrissey não está contente e queixa-se do microfone e do som, e a meio da última música do concerto ( Panic dos Smiths) despede-se e deixa o palco. Eu sinceramente adorei o concerto, mas não percebo o amúo dele... Enfim.

Morrissey trouxe um bom concerto e muita chuva a Paredes.
GD

Marcello? Catano!

Em tempo de comemorações, é interessante dar uma olhadela neste texto de Eduardo Pitta em da literatura.
O ensaio de Vasco Pulido Valente no Público também deixa de fora pormenores do carácter da criatura.
Só falta agora assistirmos a uma romaria de patriotas saudosos para a inauguração do Museu a Salazar, na terrinha do ditador.
Alberto João estará certamente na primeira fila. Havendo contratempos na execução do projecto que provoquem demora na sua execução, ainda por lá veremos o palavroso dirigente laranja como mais alto representante do Estado da Madeira.
O governo do "contenente" que se ponha a pau. Ainda ficamos sem Madeira. E sem Jardim. Que chatice!
JTD

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Grande reboliço nos paços do concelho

Setúbal - Nunca se viu nada assim por estes lados. Um partido lança às urtigas militantes que apenas são isso mesmo: militantes. Como autarcas não levam a carta a Garcia. Há uma inspecção e... zás, fica tudo abananado. Ou seja, a inabilidade (no mínimo) impera. A vereadora da cultura poderá ascender a presidente. Será que não fazia parte da gestão que agora é posta em causa? Exercia uma gestão unipessoal no seu pelouro?
Agora é ver o circo: o partido chegou à conclusão que afinal não eram aqueles os camaradas com melhor preparação para os lugares. Nós chegamos à conclusão que o partido se engana quase sempre. Quem se lixa? A cidade.
Desde o princípio que a gente sabia que isto ía dar bronca. E dissemo-lo. Só que o problema não é pessoal, é político.
JTD

Nobéis


Saramago saiu em defesa de Günter Grass.
Grass pertenceu às Waffen--SS no final da II Guerra Mundial. Esta revelação tem animado súbitos ódios.
José Saramago comentou assim a cruzada contra o escritor:

"Surpreendeu-me a violência das reacções. Ele tinha 17 anos. E o resto da vida, não conta? Parece-me que muita gente que não consulta a sua própria consciência teve uma reacção hipócrita. Anda muita gente à procura dos pés de barro das pessoas influentes. Lembra-me o sujeito que seguia um circo de cidade em cidade. Um dia, perguntaram-lhe: "Porque é que anda atrás deste circo?" "Porque quero ver quando é que o trapezista cai e morre."

Muitos continuam a frequentar estes circos, com entusiasmo de meninos.
JTD

Em 2007 há mais

Paredes de Coura já lá vai.
Houve de tudo: grandes concertos, muita chuva, seguranças brutos, birras de divas, muita chuva...
Enfim, um festival de Verão com todos os ingredientes.
Vou colocar aqui, ao longo da semana, alguns vídeos de bandas que por lá passaram.
GD

domingo, 13 de agosto de 2006

Paredes de Coura


O festival que anualmente se realiza na simpática Praia Fluvial do Tabuão, é o mais interessante dos eventos musicais de Verão. Podem confirmar esta verdade aqui.
Alguns de nós lá estaremos. Lá estarei para ver e ouvir Morrissey. Um rapaz da minha idade que continua a dar música, e da boa.
JTD

Estação tonta

Agosto é mesmo assim: as opiniões escasseiam. A colocação de postas aqui na folhinha electrónica é de uma irregularidade visível. As visitas dos fregueses também é muito mais espaçada. Voltaremos à normalidade logo que possível. Entretanto vamos andar por aí... a apanhar outros ares.
Bom Verão.
JTD

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Terrorismo na blogosfera


José Pacheco Pereira anda às aranhas com as abruptas ofensivas ao seu blogue.
O terrorismo anda pela blogosfera sem rei nem roque.
Um trabalho sério e esforçado é posto em causa por gente sem escrúpulos em busca de "glória" fácil.
Todos os ofícios têm ossos. Os ossos, às vezes, doem muito.
JTD

Criminalidade baixa em Setúbal

Li em jornal da terra que a criminalidade baixou em relação ao ano passado.
Sabendo dos assaltos à porta dos estabelecimentos de ensino, nos jardins públicos, dos recrutamentos para o partido de extrema-direita, o que nos leva a ficar descansados perante tão animadora notícia?
Alguns destes roubos, em pleno jardim do Bonfim, são feitos com a exibição de afiadas facas.
Acredito que acabem por não ser comunicados às autoridades; mas lá que existem, existem.
RR

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Oh que calma vai caindo

Quando a calma apoquenta, os fogos alastram. Muitos são obra de seres humanos: serezinhos desprovidos de valores de respeito pelos outros e pela Natureza. A par dos canídeos abandonados, do lixo espalhado pelas ruas, das atitudes selvagens ao volante, existe também uma vontade de colocar em risco populações e bens. O Verão, a estação mais tonta do ano faz das suas com grande altivez. Parece que tem que ser mesmo assim. Parece que a barbárie se aproxima.
A sorte é que o Outono avança a passos largos na nossa direcção.
JTD

domingo, 6 de agosto de 2006

15 anos


Passam hoje 15 anos sobre a primeira utilização de um serviço de web.
Hoje já não nos lembramos que este facilitador das nossas vidas nasceu há tão pouco tempo. Já não imaginamos viver sem ele: vamos ao banco, fazemos compras, divertimo-nos e trabalhamos. O primeiro utilizador foi Tim Berners-Lee, com direito a retrato e tudo.
Como a gente te agradece, pá!
JTD

sábado, 5 de agosto de 2006

Melgas na Feira

Em todos os cantos, becos e esplanadas da cidade de Setúbal não se fala de outra coisa: as melgas atacaram em força a Feira de Santiago.
Acabo de receber um programa do evento e fico esclarecida: D´ZRT, Toy e Anjos estão anunciados para animar as noites do recinto.
RR

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

O 3º Homem


O argumento é inspirado na história de uma mulher que sobrevive após ter saltado da Torre Eiffel.
A outra fonte inspiradora é o tema de Laurie Anderson "From the air".
Texto e encenação de Alexandre Lyra Leite.
Música de Afonso Malão.
Interpretações de Carla Jordão, Eunice Gonçalves Duarte, Gracinda Nave, Inês Jacques, Luis Amarelo, Rui Mourão e Sílvia Lucena.
Concepção visual de Rita Leite.
Coreografia de Catarina Trota.
Produção de Inestética.
Boas Interpretações. Música excelente. Um espectáculo visualmente soberbo.
A ver até dia 6, no Teatro Maria Matos.
JTD

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Abaixo de cão


A triste caminhada dos cães abandonados logo que se aproximam os meses de férias é lamentável.
É uma notória demonstração da crueldade do Ser Humano. A malta mima os bichinhos enquanto não incomodam, mas ao aproximar dos quinze dias de descanso anual, tornam-se incómodos. Os mimos a que se vão habituando ao longo do ano, perdem o sigificado mal se aproximam os diazinhos de férias.
Todos os dias assistimos ao penar destas criaturas, com o ar incrédulo de quem não sabe muito bem o que lhes aconteceu.
Deambulam pelas ruas da cidade em busca do conforto perdido.
Envergonha-nos este deambular.
JTD
Imagem: plos animais

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Levante-se o morto

O conflito lá para os reinos da arábia está a atingir contornos estranhos. Tal como refere Daniel Oliveira no arrastão, parece que se nos fornercermos de informação em certas fontes, ficamos com a esclarecida ideia de que a culpa das mortes em Qana é dos próprios mortos. Quem os mandou chegar à frente?
Em guerra, as definições sobre os limites de permanência nos territórios são sempre estranhos. Quem deve estar e onde, quando as bombas caiem?
Então não é para matar que se fazem guerras? O mal está em fazê-las. Os mísseis não enviam novas de felicidade. Os canhões não disparam pombas brancas. Espalham a morte.
JTD

Birras

Maria João Pires fez birra. Zangou-se com o país Portugal porque este não a compreende. Foi para o Brasil, terra muito mais atenta às artes e à cultura em geral, arrasar as atitudes dos seus subsidiários conterrâneos portugueses.
A excelente pianista recebeu mundos e fundos do estado, da autarquia e sabe Deus de quem mais, para o seu projecto em Belgrais. Não passou cartão a ninguém. É um vedeta internacional. Como tal, é nossa obrigação, e das instituições, aturá-la sem pestanejar.
Terá o Brasil paciência para a portuga desavinda?
A gente vai ver, né?
JTD

Não o merecemos


José Cid está na moda. É pelo menos o que nos garante a última edição do BLITZ.
Entre outras saídas de inegável veracidade, destaco estas:
"Nunca fui coerente e gravei coisas boas e coisas más"
"Mas o meu muito bom é do melhor que se faz na música popular portuguesa desde sempre"
Teremos que perceber o que é bom e o que é mau em Cid. Assim de repente é difícil.
O homem nasceu para a música, e representa para esta arte o que revela na humilde tirada atrás citada. Está muito à frente.
Ele é bom, muito bom mesmo, a gente é que se calhar ainda não deu por isso. Não o merecemos.
Mal agradecidos!
JTD

domingo, 30 de julho de 2006

La dolce vita



Finalmente Roma, a cidade eterna. Os últimos dias deste percurso italiano foram vividos na cidade de Fellini.
Muito calor. Decididamente esta não foi a melhor altura para reconhecimentos urbanos.
Roma é uma cidade carregada de História. O charme que esse passado transmite está por todo o lado: no património monumental, nas ruas, nas lojas, nos cafés. Usei como roteiro pessoal o livro de António Mega Ferreira "ROMA, exercícios de reconhecimento". Segui as sugestões possíveis para a breve permanência na cidade. Um dia com visita guiada, outro livre. No primeiro dia, guiado, visitei o Museu do Vaticano, onde convivi com Rafael, Caravaggio, Leonardo e Miguel Ângelo (A Capela Sixtina é incrível). A guia, contratada para o efeito pela agência responsável pela visita, é oficializada pelo vaticano, o que lhe confere um excessivo proselitismo religioso e comercial. Passo a explicar: a senhora usou e abusou do tempo para a promoção da sua fé e dos objectos de merchadising disponíveis para consumo. Mas, tudo bem, estávamos no seu território. Só não me causou muito boa impressão o enlevo com que se referiu a Benito Mussolini em outras passagens pela cidade. Prossigamos.
Já sem a apologética criatura na dianteira, peregrinei pelos locais do meu contentamento: visita à igreja S. Luigi dei Francesi para ver Caravaggio, cafézinho no Greco, na via Condoti, passagem pelas elegantes lojas desta rua, almoço no Da Alfredo e Ada, para perceber o ambiente tipicamente romano de todos os dias, e deslocação a uma excelente livraria Feltrinelli, no coração da urbe. Aqui há uma pequena história para contar: ao pagar a despesa, pedi, como sempre, a factura correspondente. Ao mencionar o nome da rua onde em Lisboa me instalo, a funcionária, com um ar nostálgico: "Ah, Lisboa, que bonita cidade..." Conhece a capital portuguesa e guarda desse conhecimento gradas recordações. Ao colocarmos Roma no patamar das terras que valem a pena, responde com um negativo acenar de cabeça e um franzir de nariz.
É assim: fazemos da memória das cidades onde fomos felizes repositório das nossas emoções. E vivemo-las quando as recordamos.
Figuro entre os novos amantes desta cidade de ferozes imperadores e generosos artistas. As recordações destes dias já estão muito bem guardados na minha memória. Foi bom visitar Itália.
JTD

Ficha técnica: Fiz esta viagem integrado num grupo de uma casa de pessoal de um organismo público.
Um empresa de viagens tratou do programa guiado. Cristina, uma muito bem informada guia portuguesa, orientou o percurso de ligação entre as cidades referidas. Amante da História da Arte, foi Cristina que nos iluminou os trilhos nas visitas às terras que se nos depararam no percurso: Pádua, Pisa, Siena, San Gimignano e Assis.

Monumental Florença


É esta cidade de Itália que guarda uma percentagem significativa dos monumentos do país.
Muitos dos italianos que contribuiram para o desenvolvimento da humanidade nasceram ali ou lá por perto.
Os Médici mandaram na cidade durante dois séculos. Foram grandes impulsionadores das artes. Hoje a família não exibe um único representante. Como viajei em grupo com direito a guias locais, tive o privilégio de ouvir as explicações de um simpático florentino que me exclareceu à boca pequena os motivos da exterminação de tão poderosa família: "Apenas um Médici restou, ao fim de tantos séculos. Mas parece que não gostava muito de procriar". Um esclarecimento à laia de "Italiano vero" que ninguém leva a mal e vai descontraindo um ambiente insultado pelo calor pouco hospitaleiro que nos agride. Em Florença as pedras falam. Contam histórias de amor e de repressão. Falam dos sentimentos dos homens, que sempre oscilaram entre o amor e o ódio. A Arte faz os relatos dessas emoções. Coloca cada protagonista no seu lugar. É por aí que respiramos quando viajamos. Em Florença foi o ambiente da cidade que mais me impressionou. O exterior dos monumentos. O gosto apurado das construções. Às vezes temos a sensação que Gepeto pode aparecer a uma esquina, com Pinóquio pela mão, conversando com Coldoni. Fazemos as nossas próprias histórias dos locais que visitamos carregados das referências que fomos adquirindo. Nesta cidade lembro-me sobretudo do criador do boneco de madeira (coisas de infância, claro), mas também de Galileu (coisas de adolescência) e de Tabucchi (coisas de crescido). Galileu e Tabucci nasceram ali perto, na zona de Pisa, mas andaram por Florença a fazer pela vida. Também encontrei Galileu nas pedras da cidade. Tabucci vou-o encontrando por aí, nas páginas dos livros onde nos vai contando as suas histórias.
JTD

sábado, 29 de julho de 2006

Voltar a Veneza


Não conhecia Veneza. Nem Veneza nem nenhum sítio de Itália. Comecei por aqui, pelo princípio, já que esta é a cidade que me fornece maiores referências. Com o filme de Visconti à cabeça, claro. "Morte em Veneza" foi projectado no meu cinema privado vezes sem conta. A história, baseada em obra de Thomas Mann, que conta a paixão de um compositor alemão, de férias na cidade, por um rapaz também veraneante, é a declaração peremptória de que os lugares são moldados pelas nossas emoções. Para mim Veneza é a extraordinária beleza daquele filme. Todo o meu imaginário do local está ali projectado. Tirando isso, há as imagens da Praça de São Marcos e das gôndolas rasgando as águas dos estreitos canais, repetidamente impressas por todo o lado. E também os bandos de ruidosos turistas que tudo o que pisam estragam. Mas é assim mesmo: sem turismo Veneza já não seria a mesma.
Quem me mandou lá ir em pleno Verão? Mas vou voltar. Logo que um Outono próximo o permita.
JTD

Pedras que conversam com a gente

Tal como anteriormente referido, cá estou de novo.
Regresso de uma interessante passeata por território italiano.
Três importantes cidades com histórias para contar. Sim, as cidades falam que se desunham: Pelas pedras, pelas ruas, pelas gentes. Eu fui conversar com Roma, Florença e Veneza. Ficarão por aqui nas próximas horas os relatos desses debates.
Até já.
JTD

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Volto já


Dia 29 já tenciono andar por cá de novo. Entretanto vou até ali.
Boas férias ou bom trabalho, conforme as circunstâncias.
JTD

Autarca modelo

O presidente da câmara de Elvas atribuiu o seu nome a um pavilhão multiusos e mais umas obras municipais.
É a população que o exige, diz ele.
O PSD diz que é um dos seus autarcas modelo. O PS não desmente.
O homem quer ficar para a história da terra que o abraça com tanta ternura. E faz por isso.
Ficará certamente para a história do ridículo no Poder Local.
RR

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Ir para o litoral trabalhar


Vou estar até quarta-feira a trabalhar com a Luisa Ferreira.
Ela vai fotografar o litoral alentejano e eu, como responsável pela produção do projecto, vou acompanhar os trabalhos no terreno. (Que sorte, com este calor...)
Com este tempo apetece visitar o Alentejo junto ao mar mas é com outras intenções. Enfim, é a vida.
Os outros fotógrafos envolvidos são Maurício Abreu e Pedro Soares.
Pelos textos responde António Cabrita.
Depois de todos os esforços reunidos, será produzida uma publicação de promoção da zona, a saír lá mais para o fim do ano.
JTD
Luísa Ferreira Imagem

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Castelo encantado



Laurie Anderson vai estar amanhã em Montemor-o-velho.
Os sons do violino mágico vão trepar as muralhas do castelo.
Os estranhos movimentos e as histórias visuais que povoam o seu universo vão assombrar aquele lugar único.
Para recordar aqui fica o fantástico "Home of the brave".
Bom fim-de-semana.
JTD

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Belle And Sebastian


Concerto - É a primeira vez que tocam em nome próprio no nosso país. Finalmente! Finalmente! Já estamos fartos de só poder ver as nossas bandas preferidas nos grandes festivais de Verão. Sem a magia do intimismo de uma sala pequena. Sem a dedicação de toda a gente que se reune ali para ver aquele concerto, apenas aquele concerto. Hoje vai ser possível tê-los só para nós. Esperam-se as músicas do último álbum, mais relaxado, mais feliz, um pouco cínico até. Esperam-se com maior ansiedade os êxitos de antes, as canções delicadas, por vezes tristes, mas sempre bonitas.
Na primeira parte do concerto tocam os Pop Dell´Arte.
Vai ser de luxo!
Carlos Ramos le cool magazine.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Música Brad


House on Hill - Composições de Brad Mehldau, executadas pelo seu trio. Mehldau, Larry Grenadier e Jorge Rossy, num bonito trabalho acabadinho de ser posto à venda cá na terra.
Bons ouvidos o ouçam.
JTD

terça-feira, 11 de julho de 2006

Ir a Belém



O CCB tem neste momento em exibição três valorosas mostras de artes-plásticas. Uma amostra da colecção de Helga de Alvear, que me parece, sinceramente, muito mais interessante do que a do Berardo das comendas, desenhos de Abel Salazar, o investigador internacionalmente reconhecido que foi perseguido pelo seu homónimo de Santa Comba e uma antologia da obra de Jorge Martins, com uma interessante viagem pelos vários períodos criativos do artista. Um passe de 7 euros dá para visitar as três exibições. Vale o passeio a Belém.
JTD

Abel Salazar Imagem

Afinal isto ainda não acabou

Madail pediu que os milhões de euros de prémio pago a cada futebolista do mundial fossem isentos de impostos.
Segundo este cromo da bola, conquistando o 4ª lugar, Portugal foi mais longe com a prestação da selecção de futebol.
Conheço gente, em várias áreas, que têm no seu curriculum primeiros prémios em certames internacionais e continuam humildemente a pagar impostos. Há heróis de primeira e de segunda categoria?
JTD

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Diz-me de que árvores gostas...



Setúbal - Agora houve um abaixo-assinado para eliminar um determinado tipo de árvore (choupo) de um bairro da cidade (zona da Av. Bento de Jesus Caraça). Parece que nesta terra não se gosta mesmo de árvores. Já não bastava os dirigentes autárquicos dizimarem tudo o que é folhagem à sua passagem, agora são os moradores que inventam umas alergias. E à porcaria que invade estes bairros não são alérgicos? A lei do machado foi aplicada na cidade do Sado. Afinal os cidadãos parece que não se enganam com o seu voto. Têm os autarcas que merecem.
RR
Imagem Arcangelo Ianelli

Um Jardim demasiado caro

Jardim desistiu de pedir a demissão de Sócrates e muito pelo contrário foi pedir-lhe batatinhas. Que é como quem diz, bagalhoça para resolver o despautério financeiro que vinga sem controlo no território que dirige.
Há alturas para tudo: umas vezes arrogamos demissões e extinções contra as regras e o bom-senso. Outras avançamos de chapéu na mão, muito humildes, pedindo, implorando, uns trocados para as despesas lá de casa.
A vergonha, essa, é que nunca está presente.
JTD

Remodelação

Saneamentos ali à direita, na coluna das clínicas privadas, e admissões sem qualquer espécie de concurso, estão a acontecer.
É a vantagem de não sermos função pública.
Não há comentadores especializados. Cada comentador pode opinar sobre o que lhe apetecer.
Não há proclamação de estilo ou pensamento. Cada elemento do blogue pode pensar de forma diferente dos outros todos. E pensa.
Só sabemos que nada sabemos, mas temos opinião na mesma.
Obrigado, apesar de tudo, pela vossa visita.

domingo, 9 de julho de 2006

Obras

Continuam as obras aqui no blogue.
Reabrimos amanhã com as novidades.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Prometemos ser breves


Substituições, ajustes e novas ligações, levam a que se interropam hoje e amanhã os comentários aqui no blogue.
Voltaremos sexta-feira com novidades.
Obrigado pela preferência.

Imagem de Fernand Léger

segunda-feira, 3 de julho de 2006

As tretas do professor

Como todos se lembram, Fernando Ruas incitou populações a correrem à pedrada com os representantes do Ministério do Ambiente que fiscalizam as acções de destruição da paisagem nacional. Alberto João Jardim apelou a Cavaco para que demita o governo eleito e nomeie outro de unidade nacional (esta unidade proposta pelo soba do Funchal quererá dizer o quê?).
O professor Marcelo, chamado à coacção por Flor Pedroso, lá comentou as declarações de Ruas e Jardim. E que grande amigo que os chefes tribais têm ali na televisão de todos nós. Ruas está perdoado porque até disse que não era aquilo que queria dizer. E Jardim, pasme-se, até tem razões de queixa do governo. Tudo está bem quando acaba em bem. Obrigado Marcelo por tão esclarecedores comentários.
Estava o homem tão entretido a dizer destas e doutras na TVI, e agora somos nós que pagamos a factura na RTP.
Até aqui o governo de Santana nos tramou.
JTD

sábado, 1 de julho de 2006

Construção


Já que falamos de Chico Buarque aqui vai uma sua "construção".
Não é um pedaço do seu mais recente trabalho, mas é bom, muito bom.
Bom fim-de-semana.
JTD