quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Portugal e o futuro
O País Escolar já está a laborar em pleno. Os putos já estão todos encafuados nas salas de aula. Agora é ir resolvendo umas equações, dividindo umas orações e empinando uns resumos. Não há computador que valha ao fraco saber da Educação Nacional. Tudo é vago e inconsistente. Estudai petizes, estudai: o desemprego espera-vos pacientemente.
Gente singular

Este homem vai trabalhar com este casal. Exercia o mesmo tipo de actividade no governo de Gordon Brown. Mas, em demonstração de grande amizade pelos pais de Maddie, resolveu abandonar um lugar de relevo, para os proteger dos males do Mundo e da Justiça.
A comunicação social deixou de andar com os McCann nas palminhas. Era necessário arranjar um "técnico" para reagir a insultos e ameaças. E a escolha recaiu em quem desempenhava papel semelhante em Downing Street. É estranho. Muito estranho mesmo.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Estado de desgraça
Sarkosi começou por pacificar. Convocou adversários e com eles polvilhou de diversidade o poder. De vez em quando regressa às informalidades sociais. Pratica o ócio e exibe um descontraído exercício das funções governativas. Recentemente tratou de chamar os melhores arquitectos para que lhe forneçam obra visível. O fantasma de Mitterand perturba-o. Mas vai gozando de um certo estado de graça.
Aqui há dias resolveu moer o juízo ao responsável pelo Banco Central Europeu. Trichet, que não nasceu ontem, respondeu-lhe à letra, revelando as outrora concordâncias do presidente francês com as políticas financeiras agora pouco apreciadas. Para apurar os filhos dos imigrantes arranjou uma solução que deve ter provocado grande entusiasmo em Le Pen: um teste de ADN e logo se vê se entras na roda.
Só faltava agora vir o ministro das causas exteriores desenvolver uma teoria sobre um presumível ataque ao Irão, O mundo torna-se assim um sítio ainda mais perigoso. Eles não estão doidos, nem se fazem. Muito pelo contrário: Sabem do que falam e de cátedra. Tal como na história do escorpião, esta é a sua natureza.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Mal por mal...
Menezes dá nome a um blogue plagiador que afinal não é dele. Aí é dada notícia de encontros do referido titular com artistas e intelectuais em animados jantares. Muito ao estilo de candidato da "grande política" em lançamento para altos voos. Agora entrou numa guerra com o seu rival caseiro. Sinceramente ainda não deu muito bem para perceber o que está a acontecer, mas parece que o homem está mais interessado em debater o debate. Ora de trapalhadas já está o PSD cheio. Para pior já basta assim. Marques Mendes, embora não pareça, tem muito maior estatura. Estatura política, está bom de ver.
domingo, 16 de setembro de 2007
Simplesmente Maria
Maria Callas deixou de existir há precisamente 30 anos.
Diz quem a viu em palco que era quem melhor associava a voz à representação.
A representar nunca a vi. Mas o vozeirão podemos comprovar nas gravações disponíveis.
Até arrepia.
É por esta e por outras que a morte é um escândalo.
sábado, 15 de setembro de 2007
Ajustes
Nos próximos dias vão-se dar algumas alterações aqui no Blog.
O e-mail foi alterado. Basta clicar em "consult@s", ali ao lado.
Continuamos contactáveis, portanto.
Bom fim-de-semana.
JTD
O e-mail foi alterado. Basta clicar em "consult@s", ali ao lado.
Continuamos contactáveis, portanto.
Bom fim-de-semana.
JTD
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Sentir, sinta quem lê
Ora vamos lá tentar responder ao apelo da Sofia. A ideia é tornar relevantes os livros que não tiveram qualquer relevo nas nossas vidas. Já dei voltas e mais voltas e não encontro maneira de encontrar respostas definitivas. A verdade é que não leio para ser incomodado. Sempre que a leitura não me agrada, prescindo da sua companhia logo nos parágrafos iniciais. Do que leio com prazer, também nem tudo permanece eternamente com a responsabilidade de me ter mudado a vida. Camões asseverou: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Os livros que me "destaparam" aos vinte e tal anos, nem sempre se confirmaram como grandes obras aos quarenta. Autores que me mudaram o olhar, forneceram-me, em outras ocasiões, momentos de grande bocejo. Borges, Camus, Fernando Pessoa, Durrell e Dostoievski mudaram muita coisa em mim. Espevitaram vontades e curiosidades. Aos outros todos não exijo que se esforcem muito com grandes mudanças. Eu trato disso. Eles vão contribuindo, é certo. Estão ali todos. De vez em quando vou até lá perguntar-lhes qualquer coisa. São meus companheiros. Não os denuncio.
E pronto. Peço desculpa pela decepção. Mas como respeito o jogo e quem pense o contrário de mim, aqui vai a lista de pessoal para a berlinda literata. Alinhem, se estiverem para aí virados..
Sandra
Eufrázio
José Simões
João Ribeiro
Fátima
E pronto. Peço desculpa pela decepção. Mas como respeito o jogo e quem pense o contrário de mim, aqui vai a lista de pessoal para a berlinda literata. Alinhem, se estiverem para aí virados..
Sandra
Eufrázio
José Simões
João Ribeiro
Fátima
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Tibetanos
A China não gosta do Dalai Lama. E, como não gosta de grandes liberdades, também não gosta de quem aprecia o líder espiritual tibetano. A China acordou e deixou os restantes continentes de cócoras. Não é liberdade, socialismo ou direitos humanos que dali emana. É economia pura. Se os chineses dizem que quem não é por eles é contra eles, o mundo borra-se pela Economia abaixo.
Da religião dos Budas sei muito pouco, mas sei que os camaradas do Dalai Lama, em Lisboa, gerem um restaurante, aberto a todos, que fornece muito saborosa comida tibetana. De vez em quando vou até lá dar graças ao apetite. Nunca saí de lá insatisfeito.
Bem vindo Dalai Lama.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Uma terra sem amos
António Costa nem sempre acerta nas companhias que escolhe. Maria José Nogueira Pinto, a escolha do presidente da edilidade para o ajudar no imbróglio da Baixa-Chiado, quer correr com os chineses da dita. Ou seja, a senhora não gosta de toda a gente, e, se lhe derem o privilégio, corre com quem não lhe agrada dali para fora. Claro que falamos de gente, e como tal há que ter preocupações humanitárias, logo, nada melhor que colocá-los bem longe e todos juntos. Assim já não maçavam e eram felizes. Não sou grande frequentador destas lojas orientais, mas confesso que passo por lá para me abastecer de materiais de uso mais básico aqui para o ateliê. A loja chinesa que me abastecia parece que não dava para o petróleo e fechou. Passei a ir a uma portuguesíssima que abre as portas ali para o Camões. É assim que se fazem as cidades e o seu comércio. Com as pessoas a escolher o que querem fazer. Devem haver regras, é certo, mas não as que pretende Zezinha. A senhora quer guetos. O que ela quer não se chamará xenofobia?!
Veja lá isso, dr. Costa.
Veja lá isso, dr. Costa.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Massive Attack
Já lá vão seis anos. O mundo percebeu que as divergências religiosas podem ser bem destruidoras.Também já percebemos as consequências económicas destes vandalismos. E como gostaríamos de ter percebido outra coisa: as religiões garante de paz e de respeito entre as pessoas.
Testemunhei o ataque às Twin Towers. Estava lá, não havia nada a fazer. Esperei até à reabertura dos aeroportos. Voltei cinco dias depois.
Preferia não ter presenciado este acontecimento histórico.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Deambulatório
Há novas chegadas à blogosfera. O meu amigo Manel Bola trocou os palcos por um lugarzinho à frente do computador. Já aí anda. O Luís Novaes Tito montou uma barbearia ali ao lado. O Eufrázio, a Sandra e o João Ribeiro já têm um tempinho disto e lá se vão safando. O Francisco anda a explicar as origens há já dois anos. Cá estamos: todos diferentes e desiguais. E assim vamos continuar, claro está.
domingo, 9 de setembro de 2007
Crimes e criminosos
Bin Laden voltou a dizer das suas. Esperemos que não as faça. O homem voltou a atacar com umas ameaçadoras vulgaridades. Enquanto Bush se prepara para fazer as malas, o líder da al-Qaeda não só mantém a liderança como, pelo que se vê, está para lavar e durar. Até parece que o crime compensa. E o criminoso é compensado ao acaso, pelos vistos.
sábado, 8 de setembro de 2007
Um povo que sofre
A situação complicou-se. Os pais da menina desaparecida a 3 de Maio, no Algarve, foram constituídos arguidos no processo. A populaça já iniciou o ciclo de vaias. O bom povo gosta de dar "vivas" e "morras". Aquele povo sofredor quer sangue. Estão achados os culpados e já foram condenados por estes implacáveis juízes. A partir de agora está montado um circo à porta da polícia Judiciária de Portimão. E as vedetas são eles: já dão entrevistas em directo e tudo. As telenovelas não satisfazem a mórbida curiosidade desta gente. A realidade é ainda mais perfeita.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
O caso da criancinha desaparecida
Volta e meia ressurge o caso Maddie. Quando as coisas parecem estar a entrar em lume brando, uma nova chama incendeia as notícias. E no ar surge o negro fumo da desconfiança. A história já apresenta enleios de conto policial. Todos são suspeitos e todos lamentam o sucedido.
No lugar onde o desaparecimento se deu, a populaça exibe a sua curiosidade mórbida. O piedoso povo não sai do local na esperança de fixar o semblante dos interrogados, ou de fazer a "chapa" mais aproximada. Tudo se transforma em acontecimento social. Lamentável.
No lugar onde o desaparecimento se deu, a populaça exibe a sua curiosidade mórbida. O piedoso povo não sai do local na esperança de fixar o semblante dos interrogados, ou de fazer a "chapa" mais aproximada. Tudo se transforma em acontecimento social. Lamentável.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Una Furtiva Lacrima
Tu Senhor, por que me abandonaste?
Anda grande burburinho em volta da beatificação de Madre Teresa de Calcutá. Parece que a senhora tinha saudáveis dúvidas. No jornal da RTP 2 assisto à transmissão de uma missa em que o Cardeal Patriarca disfere justificações atabalhoadas sobre o assunto — discurso para crédulas velhinhas. Em directo, o padre João Seabra avança com mais incongruências para o debate: não se põe em causa a Fé em Deus, só que, às vezes, não estamos assim tão bem dispostos como isso para pensar no amor ao Senhor. Pensarão que está tudo parvo? Ainda não perceberam que o Mistério da Fé é cada vez menos misterioso? Entendam-se. É difícil? Aguentem-se!
Politica precisa-se
O pobre de espírito que manda nos destinos dos EUA e, pelos vistos, no mundo, já se convenceu da porcaria que fez no Iraque. Agora quer retirar os seus meninos lá do buraco em que os meteu, antes que seja tarde. Claro que já é tarde. E agora até é indecoroso este abandono. Já Blair fez o mesmo antes de bazar. Os ratos são sempre os primeiros...
Desonestidade política de sobra. Política coerente precisa-se.
Desonestidade política de sobra. Política coerente precisa-se.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Junta a tua à nossa voz
A Festa do Avante volta a ter entre os seus convidados gente ligada às tristemente famosas FARC. O PCP nutre um especial orgulho neste estimulante convívio. O partido de Jerónimo defende a gloriosa acção desta força armada em prol do povo colombiano. Há, portanto, um festivo apoio aos crimes da tenebrosa organização colombiana.
Ontem, no Público, em carta ao director, o leitor António Monteiro Pais, redige uma carta aberta a Sérgio Godinho, Vitorino e Janita apelando a que tomem posição no decorrer da festa, já que vão ter o desprazer de por lá actuar. Apela Monteiro Pais a que os cantores gritem bem alto: "Liberdade para Ingrid Betancourt". Se calhar é pedir muito. Afinal é de um contrato de prestação de serviços que se trata. Mas seria uma acto de coragem cívica que lhes ficaria muito bem. Resta-nos a nós, aqui na blogolândia, dar o berro de revolta. Felizmente, o PCP nada pode fazer para calar estas vozes.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Uma Aventura no Iraque
Bush saiu da Casa Branca e deu um pulo ao Iraque. Diz que foi uma visita surpresa. Como se sair da Casa Branca fosse surpresa para alguém — Bush habilita-se a ficar lá sozinho. E nas viagens sem aviso do presidente americano ao Iraque também não se vislumbra novidade — não é a primeira vez que o faz. Acenos de Washington já não nos espantam. Resta-nos a esperança de ver aquela gente dali para fora.
Uma Família Inglesa
Diana foi uma invenção de Blair. A "princesa do povo" é um produto fabricado. Uma marca que deu um certo jeito em tempo de superficialidade, como muito bem explicou Vasco Pulido Valente. Uma ameaça de atropelo que se transformou em recuperada glória para a monarquia em crise. Uma marca de sucesso que produz uma interminável telenovela. Ok, nada contra. Só não percebo a insistência das televisões portuguesas na sua transmissão. O que é que a gente tem a ver com a vida dos outros?
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Memórias da silly season
Lili Caneças, indagada em programa do RCP sobre preferências de destinos de férias, confessa que um longínquo lugar no mediterrâneo, onde gosta de se espreguiçar, tem um inconveniente: "Quando faz vento é muito ventoso". Eis mais um pensamento precioso para juntar à sua já vasta obra no domínio do Ensaio. Quem não se lembra do brilho da pérola: "Estar vivo é o contrário de estar morto"? Para rematar a entrevista transmitida na telefonia, sugere que os políticos vão de férias sem regresso, e que a governação seja entregue a Joe Berardo. Não me pereceu que estivesse a gozar. Aliás, este prodigioso pensamento faz jus ao rol já produzido. Não há por aí um editor que tome nota disto? Aprendam, olhem que a senhora não é eterna.
domingo, 2 de setembro de 2007
A responsabilidade é cega, surda e muda
Um partido político aceita umas massas para melhor se exprimir na campanha eleitoral.
Uma empresa de "campanhas eleitorais" chega-se à frente para fazer o "trabalhinho".
A bagalhoça foi entregue por uma empresa gerida por jovens promissores que vêem na acção uma achega para o seu augurado sucesso. O mais alto graduado do partido diz que não são contas do seu rosário porque na altura não era ele o mais graduado.
E depois há um responsável da tal campanha que se assume como tal, mas que sobre este caso concreto está inocente, culpabilizando um seu companheiro gravemente doente. Entretanto há um outro responsável, a quem foram acrescentadas maiores responsabilidades, que diz que tudo lhe passou ao lado e que da tramóia nada sabia.
Por fim há quem não se convença da generosidade de tais actos, nem da bondade dos seus actores.
Há aqui desonestidade evidente e problemas de carácter.
A responsabilidade não pode ser cega. Nem todos somos surdos-mudos.
Uma empresa de "campanhas eleitorais" chega-se à frente para fazer o "trabalhinho".
A bagalhoça foi entregue por uma empresa gerida por jovens promissores que vêem na acção uma achega para o seu augurado sucesso. O mais alto graduado do partido diz que não são contas do seu rosário porque na altura não era ele o mais graduado.
E depois há um responsável da tal campanha que se assume como tal, mas que sobre este caso concreto está inocente, culpabilizando um seu companheiro gravemente doente. Entretanto há um outro responsável, a quem foram acrescentadas maiores responsabilidades, que diz que tudo lhe passou ao lado e que da tramóia nada sabia.
Por fim há quem não se convença da generosidade de tais actos, nem da bondade dos seus actores.
Há aqui desonestidade evidente e problemas de carácter.
A responsabilidade não pode ser cega. Nem todos somos surdos-mudos.
Um espanhol cansado
Francisco Umbral passou a vida a escrever e a dar opiniões sobre tudo e todos. Fez ficção, ensaio, biografia, crónica. Viveu com o verbo sempre por perto. Passou para o prelo textos notáveis. Carlos Vaz Marques traduziu para português "Mortal e Rosa", um belíssimo e triste documento sobre a tragédia da perda do seu filho, e fez-lhe uma preciosa entrevista para o "Pessoal e transmissível" da TSF. Umbral é uma das mortes deste verão. Morreu quando os castelhanos estavam chocados com a morte de um futebolista. Parece que ninguém deu pela morte do escritor. Afinal, o infeliz jogador da bola morreu jovem e em combate. Quem quer saber de um chato que passou a vida à volta de uma máquina de escrever?
Delinquentes naturais
A trupe de danados para a brincadeira que resolveu dar cabo do milheiral do homem de Silves, está a causar celeuma no arranque do campeonato político. O porta-voz, ou lá o que é, não diz coisa com coisa, e tenta nesse atabalhoado arvorar-se em grande justiceiro: o paladino das grandes causas ecológicas. Não respeitam a propriedade de cada um? Defendem violentamente o nosso bem-estar? Por mim dispenso o incómodo. Esta gente merece tanta conversa porquê?
sábado, 1 de setembro de 2007
Setembro

A Sofia ornamentou o seu blog com este bonito poema. Ela chamou-lhe "Agosto". Eu, como acho que este é um texto que anuncia a transição, tomei a liberdade de lhe chamar "Setembro". Espero que a Sofia não se zangue comigo.
Longo Agosto
de ventos mudos
quente pleno
maduro.
Venham as chuvas
de Setembro.
Sofia Loureiro dos Santos Texto
David Hockney e as suas grandes árvores Imagem
Eduardo Prado Coelho foi uma das perdas deste verão. Partiu cedo. Foi traído pelo corpo. Adorava viver e isso percebia-se à légua. Ía a todas. Escreveu sobre tudo o que lhe apeteceu. Sempre crítico, às vezes cruel mesmo, nunca perdeu a curiosidade pelo novo. Quando algo de recentemente produzido o surpreendia, a alegria inundava-lhe a existência. Não descansava enquanto a surpresa não passava a assunto partilhável. Divulgava militantemente essas surpresas. Encontrei-me com ele muitas vezes. Em lançamentos de livros, inaugurações de exposições, debates, festas no Lux. Recordo um inesquecível almoço no Primeiro de Maio, ainda no tempo em que o meu amigo Santos era o homem do leme desta famosa casa de pasto lisboeta. Comemos filetes de peixe-galo com açorda. Ele gostou muito. Nós, os que participámos no repasto, gostámos sobretudo da sua companhia. Vai não vai uma gargalhadinha maliciosa alegrava-lhe a face. Divertia-se com a vida. E teve uma vida divertida.Recordo-o folheando páginas de "Tudo o Que Não Escrevi".
Nem parece ter morrido.
A morte saiu à rua
Este verão a morte deu basto uso à sua segadeira. Nem Igmar Bergman escapou à ceifa. Antonioni parece ter combinado com o colega sueco esta retirada. Os dois mestres do cinema encenaram o seu fim numa muito bem produzida cena final. Tanto um como outro iluminaram os meus dias na juventude. Na minha geração éramos todos cinéfilos. Conheci Bergman através de Mónica, a do desejo, e nunca mais parei de com ele conviver. Antonioni convenceu-me com Blow Up, e, mais tarde, surpreendeu-me com Identificação de Uma Mulher. A relação continua. É frequente ir ali à estante convocá-los para exibições privadas. E eles, apesar de estarem muito bem instalados, convivendo com colegas do seu tempo e com outros mais recentes, nunca deixam de colaborar com esta minha curiosidade. Até parece que fizeram aquelas fitas para os da minha laia. Se calhar foi.
Olá cá estou eu
O prometido cumpre-se. Regresso hoje ao convívio na blogosfera. A silly season já lá vai. Claro que a vida activa não parou. Mas torna-se insuportavelmente lenta no período da ida a banhos. E há banhos e banhadas. Mas este ano houve mortes. Excessivas mortes. A morte é sempre excessiva. Um escândalo, como disse em tempos Eduardo Prado Coelho. As cirurgias voltaram.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Ler com calma
Estas são as leituras que vou levar para férias. Se me sobrar tempo, depois das tardes de Sol, de beber uns copos e de muito namorar, serão estes os meus companheiros de aventuras. São todos de autores portugueses. Deste rol, apenas Rui Cardoso Martins estreia com capa e lombada. Dele só conheço as crónicas na Pública e os humorismos do Contra-informação. Os outros autores mencionados já são meus íntimos. Ainda não li estes trabalhos recentes, mas atrevo-me a recomendá-los.
E passo a enumerá-los:
O Deserto acidental
António Mega Ferreira - Assírio & Alvim
E se eu gostasse muito de morrer
Rui Cardoso Martins - Dom Quixote
Fumo | Deixar de fumar é lixado
Pedro Rolo Duarte - Oficina do Livro
As mulheres do meu pai
José Eduardo Agualusa - Dom Quixote
Pacientes
Mais um texto do paciente José António Ferreira:
Das eleições em Lisboa
(texto provocatório!)
Em 1931, Afonso XIII abdicou.
O governo da monarquia perdera, em eleições autárquicas, Madrid, Barcelona e mais alguns centros urbanos relevantes.
Mas o partido do governo ganhara em geral.
O certo é que perdera em Madrid, Barcelona e em outros centros urbanos fundamentais!
Em Portugal, muitos anos após, o governo de Guterres, perdendo, em eleições autárquicas, a capital e o Porto, também se foi embora!
O Sr. Guterres abdicou “à Afonso XIII”!
O seguinte, o Sr. Barroso, convidado por quem de direito, foi presidir à comissão.
Sucedeu-lhe o Sr. Lopes, que trespassou a presidência de Lisboa, deixando à frente da autarquia o Sr. Carmona Rodrigues.
Espanha não é Portugal, é certo.
Mas Lisboa é Portugal!
O PSD, o CDS, o PS, o PC, a CDU, o BE e o resto do universo, dedicam o seu melhor a convencer Viana, Braga, Bragança, Évora, Faro, Celorico de Bastos e o da Beira, Vila Real, Aveiro, Tondela e Badajoz (perdão, Elvas) … que se não for Lisboa, pouco importam!
Perder ou ganhar em Lisboa, implica o uso da coroa ou a necessidade de dela abdicar!
Na verdade, Carlos V terá dito que “quem tem Lisboa tem o mundo!”
Outros tempos, é certo!
JAF
Das eleições em Lisboa
(texto provocatório!)
Em 1931, Afonso XIII abdicou.
O governo da monarquia perdera, em eleições autárquicas, Madrid, Barcelona e mais alguns centros urbanos relevantes.
Mas o partido do governo ganhara em geral.
O certo é que perdera em Madrid, Barcelona e em outros centros urbanos fundamentais!
Em Portugal, muitos anos após, o governo de Guterres, perdendo, em eleições autárquicas, a capital e o Porto, também se foi embora!
O Sr. Guterres abdicou “à Afonso XIII”!
O seguinte, o Sr. Barroso, convidado por quem de direito, foi presidir à comissão.
Sucedeu-lhe o Sr. Lopes, que trespassou a presidência de Lisboa, deixando à frente da autarquia o Sr. Carmona Rodrigues.
Espanha não é Portugal, é certo.
Mas Lisboa é Portugal!
O PSD, o CDS, o PS, o PC, a CDU, o BE e o resto do universo, dedicam o seu melhor a convencer Viana, Braga, Bragança, Évora, Faro, Celorico de Bastos e o da Beira, Vila Real, Aveiro, Tondela e Badajoz (perdão, Elvas) … que se não for Lisboa, pouco importam!
Perder ou ganhar em Lisboa, implica o uso da coroa ou a necessidade de dela abdicar!
Na verdade, Carlos V terá dito que “quem tem Lisboa tem o mundo!”
Outros tempos, é certo!
JAF
As amostras
Estas amostras políticas que os chamados independentes representam (Carmona é uma invenção do PSD e Roseta vem do PS), são uma perplexidade. Ninguém acreditava, aqui há umas semanas atrás, que o engenheiro se candidatasse. Pois bem, reuniu à sua volta a pior gente possível e avançou. O resultado representa uma aclamação. Há umas semanas atrás, repito, não era previsível. A arquitecta saiu do seu segundo partido de sempre na véspera das eleições. Também não se saiu mal com a ousadia. Terão estas experiências um futuro? Provavelmente sim, provavelmente não. Uma coisa é certa: sendo experiências, representam o pior que a política nos fornece. Abandonam os colectivos partidários quando não lhes são dados palcos para as suas performances pessoais. Depois chamam-lhes coisas estranhas: como cidadania e amor ao povo. No meu tempo chamava-se a estes devaneios populismo. Agora há outros nomes para o fenómeno. Posso estar enganado, mas isto vai dar em nada. Mas se me enganar, espero que os protagonistas destas generosas acções sejam outros: independentes, de facto, verdadeiramente defensores da cidadania e com respeito pela política.
domingo, 15 de julho de 2007
Nova Lisboa
António Costa é o novo presidente da Câmara de Lisboa. Em segundo lugar ficaram os independentes. Também a abstenção marcou muitos pontos nestas eleições. Não encontro nem na "vitória" dos independentes, nem na abstenção, uma reacção positiva à decepção com a política e os partidos políticos. Estes independentes também fazem política, e da má. E a abstenção é uma consequência de calendário. Já a votação na Direita, a menos relevante de sempre, é perfeitamente normal. O contrário é que seria pouco razoável. Depois de Santana, Carmona e a desastrosa hipótese de Negrão, outra coisa não era espectável. Esperemos que tudo volte à normalidade nas próximas eleições. E esperemos que este mandato seja de rigor e de credibilização da política. Faltam dois anos para percebermos se tudo isto se confirma.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Tesourinho deprimente
A Feira de Verão, em Setúbal, vai homenagear José Afonso. O cartaz de promoção ostenta a figura do cantautor e anúncia as participações culturais: O inefável Toy e a novel estrela do estardalhaço, Michael Carreira, aparecem lá em letra de forma.
Esta feira foi, durante décadas, uma forma de animar o centro da cidade. Há muitos exemplos de como estas coisas funcionam por essa Europa fora. Vi um exemplo disso mesmo recentemente, em Amsterdão. Esta Feira de Santiago transformou-se numa imundice, é certo. Logo, o actual executivo camarário, em vez de requalificar o evento, transladou-o para a periferia da cidade. É assim como varrer o lixo para debaixo do tapete. Mas estão muito contentes com o feito. E agora vão rebaixar José Afonso a esta imundice.
Esta feira foi, durante décadas, uma forma de animar o centro da cidade. Há muitos exemplos de como estas coisas funcionam por essa Europa fora. Vi um exemplo disso mesmo recentemente, em Amsterdão. Esta Feira de Santiago transformou-se numa imundice, é certo. Logo, o actual executivo camarário, em vez de requalificar o evento, transladou-o para a periferia da cidade. É assim como varrer o lixo para debaixo do tapete. Mas estão muito contentes com o feito. E agora vão rebaixar José Afonso a esta imundice.
Fatalidades
José Sócrates ficou chocado com esta coisa das tramóias das juntas médicas. De facto é chocante. E é bom que o primeiro-ministro o revele. Mas o mais chocante não são estes casos recentes. O que choca, se pensarmos bem, é que isto acontece há muito tempo. Já aconteceu a muita gente, atravessou muitas épocas, e muitos governos passaram por elas. Parece que gostamos que nos cheguem a roupa ao pêlo.
Só despertamos quando o caixão está por perto.
Só despertamos quando o caixão está por perto.
Perigosa liberdade

Laurie Anderson está preocupada com as obsessões com a segurança, um certo modelo de informação e a sujeição da liberdade ao medo. O seu novo trabalho, Homeland, ainda em desenvolvimento, revela estas preocupações. Laurie Anderson é uma comunicadora multifacetada: escreve, toca, canta, fotografa, faz vídeos, enfim, desafia linguagens para exprimir sentimentos. Eu gosto muito dela. Vai estar domingo, à noite, na Culturgest. Lamento informar: a sala está esgotada.
Degredos
Paulo Barriga tratou de reunir em livro os "poemas alentejanos" de Al Berto. Chamou-lhes "Degredo no Sul". Agora, quando passam dez anos sobre a morte do poeta, a Longitude Zero, a Assírio & Alvim, o Diário do Alentejo e o Centro Cultural Emmerico Nunes, uniram esforços no sentido da publicação do trabalho. A Casa do Alentejo foi o local escolhido para a apresentação. É amanhã, sábado, mesmo na hora de maior calma - 16 horas. O pátio árabe da casa é fresquinho. E no bar há cervejolas geladas. É capaz de se estar lá bem, a ouvir falar de Al Berto e a ouvir a sua poesia. Apareçam.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Direito à indignação?
O Vaticano considera que a verdadeira Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Várias congregações protestantes já reagiram. Os recalcitrantes seguidores de Lutero contestam esta atitude dos responsáveis católicos. Claro que eles é que se consideram os legítimos representantes da fé cristã. E ainda há todas as igrejas, igrejinhas e seitas que chamam a si a autenticidade da representação. A Igreja Católica limita-se a puxar a brasa ao seu dogma: só tem de se considerar a verdadeira Igreja de Cristo. O dogma não permite a dúvida. A Teologia não permite alternância democrática. E os protestantes e afins, consideram-se os representantes assim-assim de Cristo?
Tanto alvoroço, à volta de tão grande evidência, porquê?
Tanto alvoroço, à volta de tão grande evidência, porquê?
Bocejo eleitoral
A campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa é um aborrecimento. Não há memória de disputa eleitoral tão pouco disputada. Parece que tudo está decidido. E tudo leva a crer que a decisão é do agrado de todos. Tudo é morno e irrelevante. Até há um troglodita racista que faz por dar ares a gente civilizada. E há um troglodita fadista disfarçado de monárquico paternalista. Mas nada dá ares a nada.
Um bocejo.
Um bocejo.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Leituras passadas
Ora vamos lá responder ao desafio da Sofia. Escolhi os tais cinco livros que agora recomendo, sem outro critério que não seja o prazer da leitura.
Cidade Proibída, Eduardo Pitta - Uma história sem lugares-comuns nem falsos moralismos. Vidas que se cruzam num universo de complexidades. Sofisticado e autêntico. A intimidade de cada um tem importância na relação que se estabelece com os outros? Claro que tem. O importante é sermos decentes. Mas a decência é o contrário da censura e da intolerância. Ser decente é ser gente. Gente sem complexos sociais ou sexistas. Um belíssimo livro.
Memórias de um nómada, Paul Bowles - O escritor americano corre mundo e faz amizades. Radica-se em Tânger e um corrupio de malta atravessa o oceano para visitá-lo. Ele recebe-os da melhor maneira - Conversando. Este livro é uma história sobre os prazeres todos. E é um prazer também.
Segredos do Reino Animal, Helder Moura Pereira - Já referi este livro, em Maio, mas repito: Estes Segredos da Vida Animal revelam uma missiva simples: a complicação que é vivermos simplesmente uns com os outros.
O Fim da Fé, Sam Harris - Trabalho muito bem documentado sobre as razões que levam tanta gente crescida a seguir cegamente as religiões que são postas à sua disposição no mercado da Fé. Um tratado.
Deus e a Fé, J. I. González Faus e Ignacio Sotelo - Também no domínio das crenças, um crente e um não crente, ambos intelectualmente superiores, lançam-se num diálogo sem limites nem árbitro. O resultado do derby é escolhido pelo leitor. Um livro fascinante.
E pronto. Agora vou escolher as vítimas para este jogo:
Sandra Passos
Afonso Reis Cabral
Gisela Neto
José Carreira
João Reis Ribeiro
Participem, se para aí estiverem virados.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Cabeças de vento
O ministro responsável pela saúde dos portugueses defende abertamente a aplicação de represálias contra quem a ele se opõe.
O ministro responsável pelas hortas responde com indelicadeza a quem desconfia das políticas europeias para o sector.
O responsável do maior partido da oposição diz o que lhe apetece sobre o número dois da lista do partido rival.
Segundo o chefe de gabinete do líder do PSD, é normalíssimo o seu chefe mandar mails para responsáveis de grandes empresas, com queixas sobre o funcionamento de fornecimentos de serviços às ditas.
O candidato do PSD à Câmara da capital é o que é.
E houve um evento qualquer sobre umas preciosas maravilhas do mundo, onde parece que as trapalhadas se sucederam.
A silly season está aí. A tradicional tontice domina. É o que geralmente acontece quando o calor aperta.
Mas este ano veio com toda a força. Este Verão está diferente.
Deve ser do vento.
O ministro responsável pelas hortas responde com indelicadeza a quem desconfia das políticas europeias para o sector.
O responsável do maior partido da oposição diz o que lhe apetece sobre o número dois da lista do partido rival.
Segundo o chefe de gabinete do líder do PSD, é normalíssimo o seu chefe mandar mails para responsáveis de grandes empresas, com queixas sobre o funcionamento de fornecimentos de serviços às ditas.
O candidato do PSD à Câmara da capital é o que é.
E houve um evento qualquer sobre umas preciosas maravilhas do mundo, onde parece que as trapalhadas se sucederam.
A silly season está aí. A tradicional tontice domina. É o que geralmente acontece quando o calor aperta.
Mas este ano veio com toda a força. Este Verão está diferente.
Deve ser do vento.
domingo, 8 de julho de 2007
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Aventuras de um nabogador
Conhecido em Setúbal por ter ali vivido no ano de 1971 e por já ter apresentado na Culsete outros dos seus livros, Onésimo Teotónio Almeida é professor catedrático de Filosofia na Universidade de Brown, Providence, Estados Unidos, onde criou e dirige o Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, e é reconhecido como um dos mais activos intelectuais da nossa Diáspora, intervindo por todo o Mundo, ou quase, em variadíssimos acontecimentos culturais. Um prazer e uma honra, passarmos na Culsete mais um agradável serão com Onésimo Teotónio Almeida. (Culsete)
Onésimo Teotónio de Almeida
apresenta Aventuras de um Nabogador
6 de Julho | Sexta-feira | 21,30 horas
Livraria Culsete, Setúbal
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Venham mais cinco, outra vez
A Sofia vai estragar-me com mimos. Agora incluiu-me numa cadeia de bloguers, onde nos incita a revelar o que gostámos mais de ler recentemente e depois a desafiar outros cinco colegas para que façam o mesmo. É um novo jogo que anda aí agora. É simpático. Mas há um limite que me limita: Os livros que me ajudaram a olhar para as coisas mesmo a sério, nos últimos tempos, são um bocadinho mais do que os cinco pretendidos para a listagem.
Mas vou escolher e justificar a escolha. Fica para sábado, ok?
Mas vou escolher e justificar a escolha. Fica para sábado, ok?
A Europa e o futuro
Constitucional ou não, mini ou maxi, o futuro da Europa depende do tratado que está em discussão. A Europa parece ter medo de ouvir os seus cidadãos e de se confrontar com os princípios que têm de estar na sua base.
Passando por questões de democracia interna e pela definição dos direitos que serão assegurados, este não é um tratado isento de opções ideológicas. Os seus impactos sociais e económicos podem e devem ser analisados previamente.
No entanto, mesmo após a recusa de dois povos, os líderes europeus optaram por reformular o tratado sem mudanças profundas. Para a ATTAC, este é um processo a que os cidadãos não podem ser alheios. É preciso não só numa análise crítica do processo de elaboração do tratado, mas também uma discussão do que devem ser os seus objectivos.
Agora é o momento de discutirmos as fundações que queremos para este edifício e como o queremos construir. (ATTAC - Portugal)
Debate: Construir a Europa, como e com que princípios, com os juristas José Manuel Pureza - Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Bloco de Esquerda.
Pedro Delgado Alves- Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Juventude Socialista.
6 de Julho | sexta-feira | 19 horas
Galeria Zé dos Bois - Rua da Barroca, 59, Lisboa - Bairro Alto.
Organização: ATTAC PORTUGAL – Núcleo Europa
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Malefícios do tabaco
O Pedro Rolo Duarte insiste em divulgar, de segunda a sexta,
na Antena 1, o que o pessoal dos blogues vai por aí dizendo.
A sua Janela indiscreta abre-se ao mundo de cá. As opiniões aqui do cirurgião de serviço volta e meia são lá escarrapachadas. Agora é a vez do Pedro vir dizer o que lhe vai na alma. Para isso juntou tudo num livro que vai lançar amanhã, na esplanada Meninos do Rio, em Santos.
Li com muito prazer o seu livro anterior, Noites em Branco. A páginas tantas diz: "O meu pai, que era perfeccionista nos factos e rigoroso como um professor nas datas, ensinou-me a respeitar o passado, sem ficar lá parado". Se calhar é por isso que o Pedro é um rapaz de agora. Um homem do seu tempo que vale a pena ler e ouvir. Eu vou lá ter com ele, amanhã à noite.
Livros em Baleizão
O Paulo Barriga exilou-se em Baleizão. Agora anima esta gentil colectividade. É o presidente da dita e enviou-me este texto de apresentação e promoção. Cá vai ele:
A Longitude Zero - Associação, colectividade sem fins lucrativos que centra a sua actividade no apoio e na oferta cultural e desportiva aos jovens mais carenciados da freguesia de Baleizão, Beja, inaugurou no passado dia 2 de Junho a primeira biblioteca privada de acesso livre e gratuito do interior alentejano. Baleizão, apesar da sua história, era das raras freguesias do concelho de Beja sem cobertura da rede nacional de leitura pública. Agora, mesmo sem o apoio de qualquer instituição pública, já circulam livros pela aldeia. Em apenas dois dias, tivemos mais de 10 requisições, números entusiasmantes numa comunidade iletrada e envelhecida, pelo que acabamos por lançar também um prémio de leitura para os jovens que requisitarem livros e sobre eles escrevam uma composição. É para dar seguimento a este trabalho de promoção do livro e da leitura que pedimos a colaboração de todos para que nos possam fazer chegar mais alguns livros para compor as nossas estantes e, antes de mais, para encher de letras as quentes tardes de Verão que se adivinham.
Contacto no sítio da associação: www.longitudezero.net.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Europa connosco
A Europa, nos próximos seis meses, começa em Portugal. É cá que mora o presidente em exercício. Foi cá que nasceu o presidente da Comissão europeia. Foi daqui que Mourinho partiu para conquistar o mundo do futebol. Cristiano Ronaldo seguiu-lhe os passos. É para cá que vão correr rios de massa até 2013, pelo menos. Estamos em grande.
A aposta é na qualificação, que é coisa de que gastamos pouco.
Mas parece que esta é a nossa última oportunidade. É agora ou nunca.
Que é como quem diz: ou vai ou racha. Com o pendor que temos para a desgraça, oxalá não rache de vez.
A aposta é na qualificação, que é coisa de que gastamos pouco.
Mas parece que esta é a nossa última oportunidade. É agora ou nunca.
Que é como quem diz: ou vai ou racha. Com o pendor que temos para a desgraça, oxalá não rache de vez.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
domingo, 1 de julho de 2007
Manual de campanha
Alguém aconselhou Negrão e o PSD a fazerem ironia com aquela atrapalhação das siglas. Vai ser colocada em visíveis cartazes a frase: “Dia 15, vote na sigla que vai pôr ordem nas outras”.
A opção é inteligente. A melhor forma de sair do atasqueiro é usar a lama como disfarce. Mas manter o humor sem sobressaltos não vai ser fácil para o pessoal da campanha. Negrão não é de fiar.
Manter esta versão humorística vai ser um quebra-cabeças.
O melhor mesmo é deixarem o cartaz “falar” e sugerirem ao “troca-siglas” que se cale.
A opção é inteligente. A melhor forma de sair do atasqueiro é usar a lama como disfarce. Mas manter o humor sem sobressaltos não vai ser fácil para o pessoal da campanha. Negrão não é de fiar.
Manter esta versão humorística vai ser um quebra-cabeças.
O melhor mesmo é deixarem o cartaz “falar” e sugerirem ao “troca-siglas” que se cale.
Autarca-polícia
Negrão "troca-siglas" não quer o Governo na Câmara. Se Costa ganhar as eleições será o ministro das finanças a mandar nas contas da autarquia, diz o candidato do PSD. A gente sabe que as campanhas eleitorais provocam um chorrilho de exageros, mas é obrigação de um candidato a autarca ser razoável, mesmo quando fala à toa para os seus pares.
Fernando Negrão esteve na Judiciária. Foi durante algum tempo o responsável máximo da estrutura policial. Desde que se meteu nesta coisa dos poderes locais só fala em segurança. Foi assim em Setúbal, e é agora em Lisboa. O homem quer polícias em todo o lado. Tendo em conta a sua opinião sobre esta matéria, parece que há razões para não querermos a Polícia na Câmara.
Fernando Negrão esteve na Judiciária. Foi durante algum tempo o responsável máximo da estrutura policial. Desde que se meteu nesta coisa dos poderes locais só fala em segurança. Foi assim em Setúbal, e é agora em Lisboa. O homem quer polícias em todo o lado. Tendo em conta a sua opinião sobre esta matéria, parece que há razões para não querermos a Polícia na Câmara.
sábado, 30 de junho de 2007
Grunhos ao poder
Berardo não pára. Hoje convocou plateia para disferir as acusações aos que insistem em não concordar com os seus anseios. Foi mais uma vez finíssimo. Segundo ele, Jardim Gonçalves devia ir tratar de galinhas, e a presidência do CCB deveria ser ocupada por alguém menos intelectual. Já não falta muito para que o comendador mande José Sócrates para casa.
O primeiro-ministro que não o aborreça...
O primeiro-ministro que não o aborreça...
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Da sombra e do que somos

A Sofia Loureiro dos Santos reuniu em livro uma porção de poemas. Chamou a este raminho "Da Sombra que Somos". O titulo desafia. Quem vai apresentar este desafio é uma actriz de que gosto muito - Natália Luiza. Vou lá estar por isto tudo, hoje, a partir das seis e meia da tarde, na Barata. Do livro falaremos depois.
Ópera-fado?
Mísia vai estar no palco do São Carlos. Não, o teatro de ópera não virou casa de fados. É um trabalho musical de Piazzolla, com textos de Horacio Ferrer. Estreia hoje "Maria de Buenos Aires", uma operita-tango que vai encerrar a temporada 2006/2007.
Não alinho em entusiasmos com este espectáculo. Mas vou lá estar. Cada representação é uma representação. Se me enganar na apreciação pessimista... melhor.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Novo São Carlos
Acaba de ser apresentada a programação da próxima temporada do São Carlos. Foi o novo director artístico, Christoph Dammann, que, como era previsível, fez as honras da casa.
Então é assim:
Rigoletto - Verdi - Dezembro | 2007
Das Marchen - E. Nunes - Janeiro | 2008
La Clemenza di Tito - Mozart - Fevereiro | Março | 2008
Aleko/Francesca da Ramini - Rakhmaninov - Março | 2008
Les Contes d´Hoffmann - Offenbach - Abril | 2008
Tosca - Puccini - Maio | Junho | 2008
E pronto. Há festa para muitos gostos. Para todos seria difícil.
De parabéns, o novo director.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
É a Cultura, Estúpido
Última sessão do É a Cultura, Estúpido.
Em discussão estão as tendências literárias do Verão de 2007.
Participam José Mário Silva, Nuno Artur Silva e Pedro Mexia.
É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, hoje, às 18.30.
Em discussão estão as tendências literárias do Verão de 2007.
Participam José Mário Silva, Nuno Artur Silva e Pedro Mexia.
É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, hoje, às 18.30.
O Caimão
Está percebido que Berardo não sabe o que diz. Mas ninguém duvida de que sabe o que faz. O que faz é bom para ele. O egocentrismo deste tatebitate sem maneiras atinge quase sempre o ridículo. Nas reacções à demissão de António Mega Ferreira excedeu-se. "Acusar" o presidente do CCB de estar doente e de ter problemas mentais, vindo dele, não dá para rir por ser demasiado sério. O comendador não conhece limites. Julga-se um iluminado a quem muito devemos. Um colonizador. Hábitos que lhe ficaram da passagem pela África do Sul no tempo da discriminação racial. Se calhar ainda não percebeu que os tempos são outros, e que nem a Arte que adquire o redime da boçalidade.
A Arte abre caminhos. Ilumina horizontes. Torna-nos mais humanos. Para Berardo a Arte é mais um negócio. Um bom negócio que lhe ilumina o seu fraco entendimento.
A Arte abre caminhos. Ilumina horizontes. Torna-nos mais humanos. Para Berardo a Arte é mais um negócio. Um bom negócio que lhe ilumina o seu fraco entendimento.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Cultura empresarial
Berardo estava maravilhado. O que sempre desejou, segundo declarações à imprensa, cumpriu-se: a sua colecção ocupa o CCB. O homem chegou e venceu. Ora, quem vence quer mandar. No seu modo atabalhoado de se exprimir, logo começou a mandar recados. António Mega Ferreira estava a mais. Não deixou, como presidente da casa, que as bandeiras de Berardo substituíssem as do CCB. Para evitar mais demandas, ou por razões que agora não interessam para nada, Mega respondeu com uma silenciosa carta ao alarido do outro. Demitiu-se das funções que exercia na fundação do comendador. Fez bem.
Mas é de realçar a arrogância destes analfabetos carregados de dinheiro. Não dão ponto sem nó. E quem se intromete, leva.
Berardo afirma que anda sempre de preto em sinal de luto pelo estado em que está a cultura portuguesa. Tanta preocupação comove.
Por este andar, ainda teremos que prender um fumo preto no braço por serem estes extremosos defensores da culura a decidir sobre o que fazer em Portugal.
Mas é de realçar a arrogância destes analfabetos carregados de dinheiro. Não dão ponto sem nó. E quem se intromete, leva.
Berardo afirma que anda sempre de preto em sinal de luto pelo estado em que está a cultura portuguesa. Tanta preocupação comove.
Por este andar, ainda teremos que prender um fumo preto no braço por serem estes extremosos defensores da culura a decidir sobre o que fazer em Portugal.
Transfigurações

Depois do sucesso que granjeou na sociedade romana com Arte de Amar e Amores, volumes publicados pelos Livros Cotovia, Ovídio (século I a.C. - I d.C.) lançou-se na escrita de uma das obras mais singulares da literatura de sempre, Metamorfoses. Poucos textos da Antiguidade Clássica exerceram influência tão profícua na história da cultura ocidental, em particular nas artes plásticas, música e literatura.
Ovídio conta histórias de transfiguração, de 'metamorfose' de deuses e de homens, em fontes, árvores, rios, pedras, animais num universo abertamente ficcional. (Con)fundindo deliberadamente ficção e realidade, Ovídio leva o leitor a perder-se neste mundo imaginário, e mascara de verosimilhança as suas histórias, que se vão sucedendo de forma contínua, sem quaisquer comentários moralistas ou reflexões teóricas sobre o sentido das 'metamorfoses'. Narciso, Eco, Aracne, Midas, Ariadne, Orfeu e Eurídice, Pigmalião, Píramo e Tisbe, Dédalo e Ícaro… Nos versos de Metamorfoses construiu-se um dos mais deslumbrantes universos ficcionais da cultura ocidental.
Pela primeira vez, em versão integral em português, as Metamorfoses foram traduzidas por Paulo Farmhouse Alberto, respeitando fielmente o fluir natural do texto original, e incluem notas, glossário e mapas, para que o leitor desfrute ao máximo da obra de Ovídio.
Mafalda Azevedo (Texto de promoção).
Titulo: Metamorfoses
Autor: Ovídio
Tradução: Paulo Farmhouse Alberto
448 páginas
Preço: 35 euros
Edição: Livros Cotovia
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Arte para o povo
Hoje é dia de São Berardo. A procissão é logo à noite e parece que se vai demorar pela noite dentro.
Não sou grande devoto do santo em adoração. Mas como o santuário foi decorado por muitos artistas que aprecio, tenciono ir lá meter o nariz um dia destes.
Hoje não. As multidões incomodam-me. E não há devoção que aguente tamanha algazarra.
Lisboa menina e moça
Até meados do mês todas as atenções vão estar dominadas pelas eleições autárquicas em Lisboa. Os candidatos acotovelam-se no estrado da campanha revelando as suas ideias para a cidade. Ele é segurança, ele é apoio social, ele é ciclovias, ele é limpeza, enfim, preocupações comuns a todos os que percorrem Lisboa no dia-a-dia.
Os principais candidatos fazem um diagnóstico pessimista mas propõem soluções. É louvável. Todos vão ser eleitos. Espera-se que se entendam. Nada vai ser deixado ao abandono a partir deste Verão. A nova Lisboa está aí a chegar. Não nos desiludam.
Os principais candidatos fazem um diagnóstico pessimista mas propõem soluções. É louvável. Todos vão ser eleitos. Espera-se que se entendam. Nada vai ser deixado ao abandono a partir deste Verão. A nova Lisboa está aí a chegar. Não nos desiludam.
domingo, 24 de junho de 2007
Zangas de comadres?
Anda por aí grande agitação entre os cromos da bola. Pinto da Costa, ressabiado pela acusação que lhe caiu em cima, aponta as armas ao presidente do Benfica. O homem é do piorio, garante. Num encontro entre "dragões" de Lisboa, vai deixando cair frases de circunstância, de feição com a vontade da assembleia ali reunida. Assegura acreditar na justiça portuguesa, tal como na justiça divina.
Luís Filipe Vieira já reagiu. O homem de Benfica ilustra, e bem, este tipo de homens de fé. Depois da confissão e da comunhão ilibadoras, é vê-los mandar premir gatilhos.
Tudo leva a crer que o fanfarrão do Norte passa a vida em casas de alterne a negociar vitórias. É provável que depois das negociatas se encaminhe para as sacristias em busca do perdão. Faz bem em clamar pela justiça divina. Porque a dos homens começa a não ter grande paciência para tanta pantomina.
sábado, 23 de junho de 2007
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Porto de abrigo

Ai, eu estive quase morto
o deserto
e o Porto
aqui tão perto
Sérgio Godinho
A polémica em torno da transformação do Rivoli em sala de visitas para socialites e para outras palermices mais performativas, está ao rubro.
Não preguei prego nem enrolei estopa no assunto. Apesar de visitar a capital do norte com a frequência possível e sempre com muito prazer, sinto-a longe. Vivo aqui mais próximo do deserto. Agora chegou-me a notícia da criação de um blogue que promete dar luta ao querido líder.
O Rui Manuel Amaral informou-me da sua criação. Já está disponível para acesso ali ao lado.
Mas podem encurtar caminho por aqui.
Pacientes
Mais uma prestação do nosso amigo e paciente José António Ferreira:
Como ensinar os espanhóis a falar inglês
Por razões profissionais, tive de me deslocar ao ALGARVE!
Fiquei a saber ter estado no ALLGARVE!
O certo é que também estava perto da Europa, pelo que fui comer peixe frito a Ayamonte, cidade da região autónoma da ANDALUZIA.
Na mesa ao lado, uma família inglesa tentava, desesperadamente, fazer-se entender, pois que não percebia o que lhe explicava a simpatiquíssima Cármen, de turno àquela hora.
Foi então que – num rasgo que só os viajantes têm – se me fez luz!
E, imediatamente, redigi um “abaixo-assinado” dirigido ao Presidente da Região Autónoma em causa, nos seguintes termos:
“Presidente:
Lo sabemos, nosotros, los portugueses, que vosotros, los hablantes de castellano, não pescam nada de línguas estranjeras.
Nos, los portugueses, pescamos pouco, pero hablamos todas las línguas, incluso el xino.
Y, porque hablamos de todo, no nos impuerta el português, que se habla en Brazil y en los PALOPS.
Adaptámos, para que los ingleses nos entendan, el portugues al inglês, para que los ingleses entendan el português.
Es por isso que extinguimos o ALGARVE y criámos el ALLGARVE.
Esta es la metodologia, Presidente, que deberán usar en ANDALUCÍA, para que vosotros entendan el inglês y para que los ingleses entendan el castellano. Es la metodologia de la traduccion interactiva.
Exemplo:
ANDALUCÍA = ANDA LUCÌA, en inglês = GO LUCÍA;
ANDALUZ = ANDA LUZ, en inglês = GO LIGHT;
Com este método, se respecta la língua materna, se aprende el inglês y los ingleses entendran el castellano.
Es el huevo de Colón!
Los que firman abajo, etc”
Foram milhares os andaluzes (those that are Going to the lights) que assinaram a coisa.
JAF
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Design de cá brilha lá fora

Já por diversas vezes vi palcos ilustrados por João Mendes Ribeiro.
Os espaços que concebe são de uma eficácia visual incrível. Uma beleza matérica apodera-se do palco. Já me aconteceu não gostar de uma peça por aí além, mas vir de lá deliciado com o ambiente sugerido pela estética do espectáculo. O Instituto das Artes convidou o arquitecto e cenógrafo para ir representar-nos na 11ª Quadrienal de Praga.
Fez bem. Mendes Ribeiro trouxe para Portugal a medalha de ouro, Prémio Best Stage Design, deste importante certame internacional.
A notícia apareceu timidamente nos cantinhos dos jornais. Normal - o homem não marca golos, nem conduz carros em competições de alta velocidade. Faz um percurso vagaroso mas com brillho. Ainda vamos ouvir falar dele muitas vezes. Mas acima de tudo olhem pra o que ele faz. Acreditem que é do melhor que por aí anda.
Imagem: Projecto de João Mendes Ribeiro
com fotografias de Daniel Blaufuks
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Novo Agualusa
José Eduardo Agualusa lança hoje, na Casa Fernando Pessoa, o seu novo livro "As mulheres do meu pai". Parece que vai haver cervejolas no jardim da casa. Vou tentar aparecer por lá.
Cheira a Lisboa
A SIC-N forneceu-nos um interessante debate com os candidatos à governação da cidade. José Sá Fernandes, Telmo Correia, Helena Roseta, Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho, Fernando Negrão e António Costa dispuseram-se a expor as suas ideias para a disputa que se aproxima. Fizeram bem. Ficámos a conhece-los melhor. Vejamos. Negrão provou que não está ali a fazer nada nem sabe o que dizer. Vulgar. Nada a assinalar. Roseta está farta de politiquices. Provavelmente está agastada com a sua própria actividade política. Percebe-se. Carmona é o que é: vítima de si próprio e da incompreensão humana. Mete dó. Telmo defende a privatização da recolha de lixos. Ruben é contra: nem pensar, esclarece. Ruben foi cabeça de lista, há uns anos, em Setúbal, da coligação que mais tarde venceu e privatizou a recolha dos lixos. Ruben pertence a uma força política que defende coisas diferentes em lugares diferentes. Tive oportunidade de perceber isto em debate directo com ele numa conversa sobre "outras músicas", em Setúbal. Ruben não é políticamente sério .
António Costa e Sá Fernandes são os candidatos com ideias mais convergentes. Percebe-se que se entendem. Não vejo mal nisso, antes pelo contrário. Ambos têm ideias para a cidade e sabem estabelecer as prioridades. Lisboa vai ter de contar com estes candidatos. Todos serão eleitos. Mas deveriam ser Costa e Sá Fernandes a conduzir o rebanho.
Foi assim que vi esta contenda. Haverá outras opiniões, como é natural.
Digam coisas.
terça-feira, 19 de junho de 2007
O sermão europeu
A Europa está metida num molho de brócolos. Há um tratado que tem de ser assinado durante a presidência portuguesa. Durão Barroso, no Prós e contras, na RTP, faz um esforço para descansar os europeus portugueses. Tenta dar uma lição de novo europeísmo. Coisa moderna e sem exageradas preocupações com o futuro. Mas percebe-se que ser prior naquela freguesia não é para recém ordenados. Para além da França e da Holanda não irem à confissão, também na paróquia polaca há dois indefectíveis cardeais que não vão em celebrações ligeiras. Os gémeos da Polónia não aderem a modernices. E estão apostados em ditar o sermão.
Provavelmente em latim.
Caspar David Friedrich Imagem
Parolos encartados
Num jornal publicado em Setúbal que me veio parar às mãos, um cronista pronuncia-se, em nome de "todos" os habitantes da cidade, sobre o orgulho sadino por as comemorações do 10 de Junho terem decorrido lá no terreno. Refere ainda que protestar por mor dos custos da festança é provinciano. Estou à vontade. Apesar de se perceber à légua que aquilo era para gastar à vara larga, foi argumento que não utilizei nos meus reparos. É óbvio que estas coisas custam dinheiro. Contra isso batatinhas.
O tal cronista não percebeu que provinciano é aquele orgulho na festiva parolice. Provavelmente nunca o perceberá. Há quem viva permanentemente em bicos de pés para que os "grandes" os vejam.
Esta gente adora que façam as festas à sua porta, apesar de não saberem como se faz coisa nenhuma.
São os lustrosos cromos da caderneta provinciana.
Vivem para dar "vivas".
Adoram ver-se atrás dos presidentes, nos écrans.
São jornalistas, empresários, "escritores", "artistas".
São os parolos encartados.
Já agora: A retransmissão televisiva da cerimónia passou no domingo.
O protesto da Presidência da República foi completamente disparatado. A oportunidade de estarem calados foi clara.
Ridículo.
O tal cronista não percebeu que provinciano é aquele orgulho na festiva parolice. Provavelmente nunca o perceberá. Há quem viva permanentemente em bicos de pés para que os "grandes" os vejam.
Esta gente adora que façam as festas à sua porta, apesar de não saberem como se faz coisa nenhuma.
São os lustrosos cromos da caderneta provinciana.
Vivem para dar "vivas".
Adoram ver-se atrás dos presidentes, nos écrans.
São jornalistas, empresários, "escritores", "artistas".
São os parolos encartados.
Já agora: A retransmissão televisiva da cerimónia passou no domingo.
O protesto da Presidência da República foi completamente disparatado. A oportunidade de estarem calados foi clara.
Ridículo.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Vai um cafézinho?
Isto dos blogues é como a gente ir ao café para conversar com a malta.
É o Eduardo Pitta que o diz, e diz bem.
Leiam-no aqui.
É o Eduardo Pitta que o diz, e diz bem.
Leiam-no aqui.
Afinal não?!
O Ministério das Obras Públicas desmente o acordo entre a CIP e o Governo. O presidente da confederação patronal diz que a negociação que houve não é negociação.
Agora é que não percebo nada. Das duas uma: ou os patrões não sabem divertir-se, ou não brincam em serviço.
Estes comportamentos atabalhoados é que não são nada.
Assim não brinco.
Agora é que não percebo nada. Das duas uma: ou os patrões não sabem divertir-se, ou não brincam em serviço.
Estes comportamentos atabalhoados é que não são nada.
Assim não brinco.
Afinal havia outra?
A proposta para a localização do novo aeroporto em Alcochete, apresentada com pompa e surpresa ao Presidente da República, estava afinal acertada com o Governo. Os grandes patrões não pensam só em ganhar dinheiro. Também o gastam em divertimentos. É o que aparenta este espectáculo mediático. Pelo menos é o que parece enquanto não se percebem claramente os negócios envolvidos. Para o Governo, esta manobra pode servir para "limpar" o ministro Lino. Daqui a nada a hipótese de Alcochete é apagada do "aeromapa" e a Ota salta de novo para a frente.
Nem precisamos de esperar sentados.
Nem precisamos de esperar sentados.
domingo, 17 de junho de 2007
O corpo é que paga
A festa é de arromba. Sarkozi teve vitória indiscutível nas legislativas deste fim-de-semana. Agora tem razões para beber uns copos. Oxalá opte por um bom champanhe francês.
Esqueça o vodka, homem.
Olhe que quando a cabeça não tem juízo...
Esqueça o vodka, homem.
Olhe que quando a cabeça não tem juízo...
sábado, 16 de junho de 2007
Se governar, não beba
Sarkozi apareceu com uma valente buba num encontro com jornalistas.
Tinha estado com Putin, em encontro privado, e, pelo que se viu, a coisa foi de beber e chorar por mais. Não se sabe ao que brindaram. Provavelmente não havia nada a festejar que justificasse a beberragem. Sabemos que os jornalistas deixaram o Presidente francês a falar sozinho. Qualquer coisa como: "Vai curti-la e aparece". Atitude complacente com o estado de graça de que ainda goza. Mas não deixa de ser lamentável. O homem até pode beber uns copos, mas seja responsável. Tomar decisões alcoolizado pode provocar excessos.
É provável que tenha de ser afixada uma placa no Eliseu com a inscrição: "Se governar, não beba".
Tinha estado com Putin, em encontro privado, e, pelo que se viu, a coisa foi de beber e chorar por mais. Não se sabe ao que brindaram. Provavelmente não havia nada a festejar que justificasse a beberragem. Sabemos que os jornalistas deixaram o Presidente francês a falar sozinho. Qualquer coisa como: "Vai curti-la e aparece". Atitude complacente com o estado de graça de que ainda goza. Mas não deixa de ser lamentável. O homem até pode beber uns copos, mas seja responsável. Tomar decisões alcoolizado pode provocar excessos.
É provável que tenha de ser afixada uma placa no Eliseu com a inscrição: "Se governar, não beba".
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Oferta pública
Um dito comendador que não articula coisa com coisa quer ficar com o Benfica para ele. Sem mais nem menos, OPA para cima. Até parece que aquilo não está caro. Berardo Oferece 3,5 euros por cada acção da SAD do clube. Esta nova moda está a transformar o país Portugal numa espécie de loja económica. Os preços são atraentes. Para quem tem dinheiro isto está a uma bagatela.
Homenagem a Manuela Estanqueiro
Uma professora de sessenta e tal anos e com trinta e três de serviço, atacada por uma grave doença, pede reforma antecipada. Motivos parece não faltarem. A Junta Médica da Direcção Regional de Educação do Centro passa um atestado de incapacidade. Mas outra junta médica, da Caixa Geral de Aposentações, não está para aí virada e considera-a apta para as funções que exerce. A senhora foi obrigada a arrastar-se mais trinta e um dias pelas salas de aula, para ter direito ao vencimento. Depois foi outra vez à junta médica da Caixa. Conseguiu finalmente a aposentação. Uma semana depois faleceu.
Haverá quem consiga classificar esta situação, assim como a actuação dos médicos da tal junta.
Eu não.
Haverá quem consiga classificar esta situação, assim como a actuação dos médicos da tal junta.
Eu não.
Em busca de informação
Alguma imprensa inglesa ataca a actuação da polícia portuguesa no caso da menina desaparecida no Algarve. Provavelmente é essa imprensa que agora anda com uma trupe de jornalistas entusiasmados, acompanhados de cães e tudo, em busca do corpo da miúda. Será a isto que chamam direito à informação? Se calhar chamam, mas não é.
É desinformação mórbida e pulhice pura.
É desinformação mórbida e pulhice pura.
Vieira da Silva em Paris
Uma significativa exposição de Vieira da Silva está desde quarta-feira no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris.
As obras expostas pertencem à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva e ao Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão.
O trabalho de promoção e imagem foi feito por nós, na DDLX.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Todo o cuidado é pouco
O Presidente dos Estados Unidos da América foi dar uma voltinha pela Albânia. Bush foi recebido em festa pelas populações. Muita festinha na cabeça e muita palmadinha nas costas levou o homem. Coisa rara nos dias que correm. Mas uma reportagem televisiva revela um pormenor curioso: Bush tem um relógio no pulso, que desaparece no momento seguinte. Os serviços de segurança asseguram que não houve roubo. Foi o Presidente que tirou o relógio do pulso e meteu-o no bolso das calças.
Onde é que já se viu a segurança do homem mais importante do mundo falhar de uma forma tão retumbante? Um porta-voz da Casa Branca declara que o relógio está na posse do seu dono. Fica assim assegurada a imagem de honestidade dos albaneses.
É esta declaração que não me convence. O que fez o ilustre visitante meter o relógio no bolso?
Não confia nos simpáticos anfitriões?
Esclareçam lá isso melhor.
Onde é que já se viu a segurança do homem mais importante do mundo falhar de uma forma tão retumbante? Um porta-voz da Casa Branca declara que o relógio está na posse do seu dono. Fica assim assegurada a imagem de honestidade dos albaneses.
É esta declaração que não me convence. O que fez o ilustre visitante meter o relógio no bolso?
Não confia nos simpáticos anfitriões?
Esclareçam lá isso melhor.
10 de Junho, a telenovela
A administração da RTP pediu desculpa a Belém pela falta de cobertura das comemorações do 10 de Junho.
Agora vão repetir tudo, sem cortes, no próximo domingo.
Não façam isso. Não será melhor fazer transmissões em episódios mais curtos, colocados nas horas de maior audiência, durante toda a semana?
Aé podiam fazer retransmissões às 3 da manhã.
Ponham a festa a render. Parece que aquilo foi giro. Comovente até.
Agora vão repetir tudo, sem cortes, no próximo domingo.
Não façam isso. Não será melhor fazer transmissões em episódios mais curtos, colocados nas horas de maior audiência, durante toda a semana?
Aé podiam fazer retransmissões às 3 da manhã.
Ponham a festa a render. Parece que aquilo foi giro. Comovente até.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Superioridades morais
Banaz Mahmod vivia em Londres, com a família. Era uma rapariga iraquiana que se embeiçou por um rapaz. Esta paixão não foi aceite pelo pai, que já a tinha entregue para casar. Banaz percebeu a alhada em que estava metida e resolveu pedir protecção policial. Os polícias têm uma característica irritante. Princípios culturais bastante irrigados, levam-nos a não perceber os fenómenos perigosos de outras culturas. Resultado: mandaram uma menina, de vinte anos, indefesa, para a casa do pai. Que é como quem diz, para a boca do lobo.
Esta história, contada hoje no Público, termina com a morte de Banaz Mahmod.
Mas não devia terminar. Que raio de policias deixam assim uma cidadã à mercê da crueldade familiar?
Ninguém lhes pergunta nada?
Esta história, contada hoje no Público, termina com a morte de Banaz Mahmod.
Mas não devia terminar. Que raio de policias deixam assim uma cidadã à mercê da crueldade familiar?
Ninguém lhes pergunta nada?
Rádio e Televisão de Belém
Afinal a Presidência da República também gosta de meter o bedelho nas orientações dos meios de informação estatal.
Cavaco não gostou da cobertura televisiva das comemorações do 10 de Junho. Queria a transmissão na íntegra. E não esteve com meias medidas: cartinha para a administração da RTP, com as devidas queixas. Ainda bem que nunca ocupou nenhum lugar de direcção em matérias informativas.
E esperemos que nunca tal aconteça.
Já viram a seca?!
Cavaco não gostou da cobertura televisiva das comemorações do 10 de Junho. Queria a transmissão na íntegra. E não esteve com meias medidas: cartinha para a administração da RTP, com as devidas queixas. Ainda bem que nunca ocupou nenhum lugar de direcção em matérias informativas.
E esperemos que nunca tal aconteça.
Já viram a seca?!
terça-feira, 12 de junho de 2007
Bem unidos, façamos
O grande patronato e os autarcas comunistas de Alcochete defendem a construção do novo aeroporto de Lisboa naquela zona.
A luta de classes já não é o que era.
A luta de classes já não é o que era.
Crítica da razão pura

Os comentários ao post de ontem, sobre a condecoração do senhor bispo Manuel Martins, azedaram.
A discussão azeda sempre que mete padres, bispos ou outros membros do pastoreio.
Há pessoal que parte para o debate munido de toda a emoção possível, logo, a discussão fica viciada. Os princípios morais de cada um são pouco discutíveis. Moral como forma superior de afirmação não existe. A moralidade é transversal a todas as formas de estar. Religiosos ou não, têm as suas formas de moderar uma actuação perante a vida e os outros. O problema destes debates é a necessidade de se acrescentar superioridade devido a uma crença. Católicos, protestantes e todo o tipo de seita partem deste pressuposto para nos assegurarem que "a" verdade está nas suas premissas.Também as edições Avante publicaram, em tempos, um livro de Álvaro Cunhal intitulado precisamente
"A Superioridade Moral dos Comunistas". Confesso que sempre achei aquilo intelectualmente pouco rigoroso. O então líder do PCP tentava mostrar que a bondade dos ideais comunistas permite uma atitude de superioridade perante os outros, os agnósticos da fé comunista.
A razão que garantem possuir não lhes permite grandes devaneios nem cedências. Ora, é a emoção que os ilumina e dita as regras.
A emotividade torna-se perigosa quando levada a extremos que a elegem como "o" bem a atingir. Por tudo isto não reconheço nem na fé católica, nem nas certezas comunistas, princípios superiores aos meus.
É frequente ver uns e outros assegurarem com toda a convicção: "sabemos que temos razão".
Pois eu não acho. E, podem crer, tenho razões de sobra para defender esta minha razão, graças à liberdade e à democracia.
Pintura de Jorge Pinheiro
segunda-feira, 11 de junho de 2007
O horizonte é vermelho
O antigo bispo de Setúbal, um fervoroso amigo dos desprotegidos, manifesta uma grande alegria por haver muitos médicos do Hospital de Santa Maria que alegam objecção de consciência para não aplicarem a Lei do Aborto.
Não, o senhor não é um deliquente apelando ao não cumprimento da lei. É um esforçado miliitante das causas sociais. Foi ontem condecorado por esse outro grande lutador das mesmas causas que é Anibal Cavaco Silva.
O problema do aborto clandestino não o preocupa, portanto. É preciso é haver muitos pobrezinhos para ele ter pena deles.
Chamaram-lhe "Bispo vermelho". Calhou naquela altura. Era o que estava a dar.
Vermelho? Cá para mim é às riscas.
Não, o senhor não é um deliquente apelando ao não cumprimento da lei. É um esforçado miliitante das causas sociais. Foi ontem condecorado por esse outro grande lutador das mesmas causas que é Anibal Cavaco Silva.
O problema do aborto clandestino não o preocupa, portanto. É preciso é haver muitos pobrezinhos para ele ter pena deles.
Chamaram-lhe "Bispo vermelho". Calhou naquela altura. Era o que estava a dar.
Vermelho? Cá para mim é às riscas.
Diz que é uma espécie de humor
Os Gato Fedorento acabaram a sua excelente série de programas em beleza. Uma Grande Gala de Tesourinhos Deprimentes que foi uma espécie de magazine. Um programa com gê grande. Gê de gato que fede humor. Nem todos gozamos da originalidade de gostarmos de ser gozados. Foi bonito ver os "gozados" em alegre gozo.
O mediatismo dos Gatos tem destas coisas: Quem é gozado finge acreditar que gozar não ofende. É verdade: ser descaradamente gozado é tão bonito como levar um pontapé no traseiro.
E quem não gosta de levar um valente pontapé no cú?
domingo, 10 de junho de 2007
Apanhar as canas
E pronto. Acabou a fantasia. Agora é conviver com as floreiras fora de escala colocadas na Praça de Bocage. Olhar para o arranjo de mau-gosto que desfigurou o edifício do porto e ter vómitos. Passar pela descolorida fachada do antigo edifício do Banco de Portugal e perceber até onde chega a ignorância estética. Pegar na pá e na vasoura e varrer as cascas e apanhar as canas para fazer moínhos. Por último, perceber que estas coisas não servem absolutamente para nada.
O que sobra da espampanante festança é uma maior visibilidade do estado deprimente em que se encontra Setúbal.
Pelo menos assim se deveria afigurar: a equipa que gere a autarquia setubalense é incompetente e rapadinha de ideias para a cidade.
Mas têm sorte. A coisa não teve importância nenhuma. A partir de amanhã ninguém se lembra dos gerentes autárquicos sadinos.
Isso é mau. O disparate mantém-se activo.
O que sobra da espampanante festança é uma maior visibilidade do estado deprimente em que se encontra Setúbal.
Pelo menos assim se deveria afigurar: a equipa que gere a autarquia setubalense é incompetente e rapadinha de ideias para a cidade.
Mas têm sorte. A coisa não teve importância nenhuma. A partir de amanhã ninguém se lembra dos gerentes autárquicos sadinos.
Isso é mau. O disparate mantém-se activo.
Dia de Portugal
sábado, 9 de junho de 2007
Recepção oficial
— Achas que este é mesmo o caminho para Setúbal?
— Claro, consultei o mesmo mapa que o ministro das Obras Públicas.
Eu disse que o percurso demorava.
Temos que atravessar todo este deserto.
Tu é que levas sempre imenso tempo a dar brilho à penugem.
Nem pareces bravo.
Ainda nos arriscamos a chegar atrasados às cerimónias.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Dia de Portugal e da parvoíce
Setúbal é a capital das comemorações do 10 de Junho. A cidade está engalanada ao gosto da gerente da autarquia. Dores Meira abraça os arranjos pessoalmente. Diz-se que dita regras segundo o seu padrão estético tipo cortinado-de-sala-de-espera-de-dentista. As "recuperações arquitectónicas", os arranjos florais e restantes enfeites mais parecem coisa de paróquia de submundo. Como se não bastasse, o staff do Presidente também anda por aí a meter o nariz. Até árvores foram retiradas (com a promessa de replantação, é certo), para caberem os palanques. E o Presidente, o próprio, está a chegar ao terreno para comemorar o orgulho de ser português.
Preferia comemorar o fim do pato-bravismo. Mas não é essa matéria que está em agenda. Os autarcas adoram estas parvoíces. Eu não.
Moro em Setúbal. Continuarei a morar depois de Cavaco se ir embora e, provavelmente, depois da actual presidente da Câmara ser corrida.
Mas, amanhã, espero não estar na cidade logo que rebentem os primeiros foguetes.
Preferia comemorar o fim do pato-bravismo. Mas não é essa matéria que está em agenda. Os autarcas adoram estas parvoíces. Eu não.
Moro em Setúbal. Continuarei a morar depois de Cavaco se ir embora e, provavelmente, depois da actual presidente da Câmara ser corrida.
Mas, amanhã, espero não estar na cidade logo que rebentem os primeiros foguetes.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
As vidas dos outros
É pagar ou largar
Mais um rendido à "independência partidária activa". Toy, o cantor-simbolo de Carlos Sousa nas campanhas eleitorais da CDU, em Setúbal, em mini-entrevista a João Pedro Henriques, publicada no DN, declara o seu apoio a Carmona Rodrigues. O cançonetista queixa-se da forma como o seu amigo autarca setubalense foi "despedido" e esclarece que todos os apoios políticos que assumiu foram pagos. Já o sabíamos, mas é bom confirmá-lo. Aliás, é muito curiosa uma declaração do generoso activista político: "Desde que me paguem até na casa de banho canto".
Não haverá por aí partido ou candidato independente capazes de satisfazer este possibilidade? É seguramente o lugar ideal para este "homem de esquerda" se exprimir.
Vejam lá isso.
Não haverá por aí partido ou candidato independente capazes de satisfazer este possibilidade? É seguramente o lugar ideal para este "homem de esquerda" se exprimir.
Vejam lá isso.
Agora Luanda

Inês Gonçalves fotografou. José Eduardo Agualusa e Delfim Sardo fizeram os textos. Titulo: Agora Luanda. A apresentação é hoje à noite, no Lux. Será também exibido um documentário: “Mãe Ju” – também de Inês e Kiluanje. E haverá um concerto. Kuduro, tarrachinha, semba e kizomba: Gata Agressiva, Puto Português e Nakobeta, farão a festa.
Já passei os olhos pelo livro. É muito bonito.
Até logo.
No feminino
Valentina, Afrodite, Cleópatra, Selene, Anna G., Denise, Marilyn, Helena, Miss Sissi, Nefertiti, Kiki de Montparnasse, Sílvia… Nomes de mulheres, nomes que nos fazem recordar actrizes de cinema, figuras históricas, mulheres comuns, mas também nomes de cadeiras, máquinas de escrever, candeeiros.
Ao escolher determinado nome, o designer atribui uma identidade sexual ao objecto, concedendo-lhe qualidades humanas, e evoca muitas das ideias culturalmente associadas ao universo feminino – sensualidade, tentação/desejo, glamour, encanto, beleza, doçura... O nome torna-se indissociável da forma e apela à imaginação, levando o utilizador/consumidor a convocar memórias pessoais e afectividades, a associar outras ideias ou imagens mentais, muitas vezes do inconsciente.
Em paralelo, existem peças e acessórios que se inspiram nas formas femininas ou possuem uma elegância e feminilidade que as faz serem associadas a este universo.
A mostra temática No feminino apresenta uma pequena selecção de peças de design e moda da colecção cujas formas remetem directamente para o corpo feminino ou cujos nomes lembram pessoas comuns, celebram figuras da história e da mitologia ou exaltam estrelas fetiche do cinema. (Texto promocional)
FLASHES DA COLECÇÃO No Feminino 5 Junho | 31 Julho | 2007.
Agosto/Setembro: Nomadismo e Novas Habilidades
Outubro/Novembro: Re-Design
Dezembro: (Dis)funcionalidades?
Concepção: Bárbara Coutinho
Produção | Coordenação: Direcção Municipal de Cultura | MUDE
MUDE Museu do Design e da Moda | Colecção Francisco Capelo
Sala do Risco. Largo de St. António à Sé, 22, Lisboa
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Reformado e bem pago
Uma notícia no Público garante: José Salter Cid vai fazer um estimável esforço, depois de reformado da PT aos 53 anos, por amor à cidade de Lisboa. A gente sabe que há muitos outros reformados de luxo, mas Salter Cid dá um exemplo de cidadania. Insiste em manter-se activo apesar de reformado.
Este homem da lista de Fernando Negrão está disposto a deixar de lado as canas de pesca e os tacos de golfe, actividades que a justa reforma de 15 mil euros mensais lhe proporcionariam, para agarrar os cordéis da gestão autárquica.
Propõe-se agora agarrar um cargo que lhe exige labor intenso, depois de dezassete anos de vida profissional esgotante na empresa de telecomunicações.
Com a facilidade que tem em safar-se na vida, poderá ser uma boa aposta para salvar a cidade da ruína.
Se isto não é uma declaração de amor a Lisboa, é o quê?
Este homem da lista de Fernando Negrão está disposto a deixar de lado as canas de pesca e os tacos de golfe, actividades que a justa reforma de 15 mil euros mensais lhe proporcionariam, para agarrar os cordéis da gestão autárquica.
Propõe-se agora agarrar um cargo que lhe exige labor intenso, depois de dezassete anos de vida profissional esgotante na empresa de telecomunicações.
Com a facilidade que tem em safar-se na vida, poderá ser uma boa aposta para salvar a cidade da ruína.
Se isto não é uma declaração de amor a Lisboa, é o quê?
terça-feira, 5 de junho de 2007
Otários
Os estudos existem. Foram caros e pouco conclusivos. Uns defendem a margem sul, outros defendem a OTA. Falta fazer a comparação e decidir politicamente. Parece fácil. Não é. Mais uma vez são as autarquias que puxam a corda para o seu lado conforme os seus interesses. É legítimo. Mas atenção: o interesse é nacional. Se pomos aviões a voar sem rei nem roque, não vamos longe. Temos maus exemplos: marcamos pouco no futebol, mas soberbos estádios não faltam por aí. Tudo o que fazemos custa-nos um dinheirão. Somos especialistas na construção de estruturas inúteis. Gastamos sempre à toa. Nem que seja em estudos.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
A tribute to...
Joni Mitchell é homenageada por colegas neste cd.
Emmylou Harris, Elvis Costello, James Taylor, Caetano Veloso, Björk, Brad Mehldau, Cassandra Wilson, Annie Lennox, entre outros, participam no tributo. Um excelente trabalho. Particularmente originais e tocantes as prestações de Costello, Björk e Mehldau, na minha opinião.
Bons ouvidos o ouçam.
domingo, 3 de junho de 2007
Homens justos e bons
O julgamento começa amanhã. Tudo leva a crer que um pacato cidadão, de Santa Comba Dão, é o autor dos crimes que vitimaram três jovens.
O cabo da GNR confessou tudo quando foi detido. Agora deu o dito por não dito apresentando-se inocente e vítima de cilada. Todos lá na terra o classificam como um bom homem. Pois se até é um fervoroso católico...
Ninguém desconfiou de nada. O homem violou, matou, permitiu que outros fossem acusados. As pessoas da terra não deram por nada.
As pessoas de Santa Comba Dão já estão habituadas a bons homens - católicos e tudo - que depois dão em violentos agressores.
O país inteiro aturou um durante mais de quarenta anos.
Parece que em Santa Comba Dão ainda passa por bom homem.
Até lhe querem fazer um museu.
O cabo da GNR confessou tudo quando foi detido. Agora deu o dito por não dito apresentando-se inocente e vítima de cilada. Todos lá na terra o classificam como um bom homem. Pois se até é um fervoroso católico...
Ninguém desconfiou de nada. O homem violou, matou, permitiu que outros fossem acusados. As pessoas da terra não deram por nada.
As pessoas de Santa Comba Dão já estão habituadas a bons homens - católicos e tudo - que depois dão em violentos agressores.
O país inteiro aturou um durante mais de quarenta anos.
Parece que em Santa Comba Dão ainda passa por bom homem.
Até lhe querem fazer um museu.
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