quarta-feira, 4 de julho de 2007

Malefícios do tabaco


O Pedro Rolo Duarte insiste em divulgar, de segunda a sexta,
na Antena 1, o que o pessoal dos blogues vai por aí dizendo.
A sua Janela indiscreta abre-se ao mundo de cá. As opiniões aqui do cirurgião de serviço volta e meia são lá escarrapachadas. Agora é a vez do Pedro vir dizer o que lhe vai na alma. Para isso juntou tudo num livro que vai lançar amanhã, na esplanada Meninos do Rio, em Santos.
Li com muito prazer o seu livro anterior, Noites em Branco. A páginas tantas diz: "O meu pai, que era perfeccionista nos factos e rigoroso como um professor nas datas, ensinou-me a respeitar o passado, sem ficar lá parado". Se calhar é por isso que o Pedro é um rapaz de agora. Um homem do seu tempo que vale a pena ler e ouvir. Eu vou lá ter com ele, amanhã à noite.

Livros em Baleizão


O Paulo Barriga exilou-se em Baleizão. Agora anima esta gentil colectividade. É o presidente da dita e enviou-me este texto de apresentação e promoção. Cá vai ele:

A Longitude Zero - Associação, colectividade sem fins lucrativos que centra a sua actividade no apoio e na oferta cultural e desportiva aos jovens mais carenciados da freguesia de Baleizão, Beja, inaugurou no passado dia 2 de Junho a primeira biblioteca privada de acesso livre e gratuito do interior alentejano. Baleizão, apesar da sua história, era das raras freguesias do concelho de Beja sem cobertura da rede nacional de leitura pública. Agora, mesmo sem o apoio de qualquer instituição pública, já circulam livros pela aldeia. Em apenas dois dias, tivemos mais de 10 requisições, números entusiasmantes numa comunidade iletrada e envelhecida, pelo que acabamos por lançar também um prémio de leitura para os jovens que requisitarem livros e sobre eles escrevam uma composição. É para dar seguimento a este trabalho de promoção do livro e da leitura que pedimos a colaboração de todos para que nos possam fazer chegar mais alguns livros para compor as nossas estantes e, antes de mais, para encher de letras as quentes tardes de Verão que se adivinham.

Contacto no sítio da associação: www.longitudezero.net.

Manda quem pode


Porque raio quererá o homem que seja Cavaco a mandar em Lisboa?

terça-feira, 3 de julho de 2007

Europa connosco

A Europa, nos próximos seis meses, começa em Portugal. É cá que mora o presidente em exercício. Foi cá que nasceu o presidente da Comissão europeia. Foi daqui que Mourinho partiu para conquistar o mundo do futebol. Cristiano Ronaldo seguiu-lhe os passos. É para cá que vão correr rios de massa até 2013, pelo menos. Estamos em grande.
A aposta é na qualificação, que é coisa de que gastamos pouco.
Mas parece que esta é a nossa última oportunidade. É agora ou nunca.
Que é como quem diz: ou vai ou racha. Com o pendor que temos para a desgraça, oxalá não rache de vez.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Blake songs


Hoje só me apetece ouvir isto. Um trabalho tranquilo, sem complexos.
Perry Blake está feliz.

domingo, 1 de julho de 2007

Manual de campanha

Alguém aconselhou Negrão e o PSD a fazerem ironia com aquela atrapalhação das siglas. Vai ser colocada em visíveis cartazes a frase: “Dia 15, vote na sigla que vai pôr ordem nas outras”.
A opção é inteligente. A melhor forma de sair do atasqueiro é usar a lama como disfarce. Mas manter o humor sem sobressaltos não vai ser fácil para o pessoal da campanha. Negrão não é de fiar.
Manter esta versão humorística vai ser um quebra-cabeças.
O melhor mesmo é deixarem o cartaz “falar” e sugerirem ao “troca-siglas” que se cale.

Autarca-polícia

Negrão "troca-siglas" não quer o Governo na Câmara. Se Costa ganhar as eleições será o ministro das finanças a mandar nas contas da autarquia, diz o candidato do PSD. A gente sabe que as campanhas eleitorais provocam um chorrilho de exageros, mas é obrigação de um candidato a autarca ser razoável, mesmo quando fala à toa para os seus pares.
Fernando Negrão esteve na Judiciária. Foi durante algum tempo o responsável máximo da estrutura policial. Desde que se meteu nesta coisa dos poderes locais só fala em segurança. Foi assim em Setúbal, e é agora em Lisboa. O homem quer polícias em todo o lado. Tendo em conta a sua opinião sobre esta matéria, parece que há razões para não querermos a Polícia na Câmara.

sábado, 30 de junho de 2007

Grunhos ao poder

Berardo não pára. Hoje convocou plateia para disferir as acusações aos que insistem em não concordar com os seus anseios. Foi mais uma vez finíssimo. Segundo ele, Jardim Gonçalves devia ir tratar de galinhas, e a presidência do CCB deveria ser ocupada por alguém menos intelectual. Já não falta muito para que o comendador mande José Sócrates para casa.
O primeiro-ministro que não o aborreça...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Da sombra e do que somos


A Sofia Loureiro dos Santos reuniu em livro uma porção de poemas. Chamou a este raminho "Da Sombra que Somos". O titulo desafia. Quem vai apresentar este desafio é uma actriz de que gosto muito - Natália Luiza. Vou lá estar por isto tudo, hoje, a partir das seis e meia da tarde, na Barata. Do livro falaremos depois.

Ópera-fado?


Mísia vai estar no palco do São Carlos. Não, o teatro de ópera não virou casa de fados. É um trabalho musical de Piazzolla, com textos de Horacio Ferrer. Estreia hoje "Maria de Buenos Aires", uma operita-tango que vai encerrar a temporada 2006/2007.
Não alinho em entusiasmos com este espectáculo. Mas vou lá estar. Cada representação é uma representação. Se me enganar na apreciação pessimista... melhor.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Novo São Carlos


Acaba de ser apresentada a programação da próxima temporada do São Carlos. Foi o novo director artístico, Christoph Dammann, que, como era previsível, fez as honras da casa.
Então é assim:

Rigoletto - Verdi - Dezembro | 2007
Das Marchen - E. Nunes - Janeiro | 2008
La Clemenza di Tito - Mozart - Fevereiro | Março | 2008
Aleko/Francesca da Ramini - Rakhmaninov - Março | 2008
Les Contes d´Hoffmann - Offenbach - Abril | 2008
Tosca - Puccini - Maio | Junho | 2008


E pronto. Há festa para muitos gostos. Para todos seria difícil.
De parabéns, o novo director.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

É a Cultura, Estúpido

Última sessão do É a Cultura, Estúpido.
Em discussão estão as tendências literárias do Verão de 2007.
Participam José Mário Silva, Nuno Artur Silva e Pedro Mexia.
É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, hoje, às 18.30.

O Caimão

Está percebido que Berardo não sabe o que diz. Mas ninguém duvida de que sabe o que faz. O que faz é bom para ele. O egocentrismo deste tatebitate sem maneiras atinge quase sempre o ridículo. Nas reacções à demissão de António Mega Ferreira excedeu-se. "Acusar" o presidente do CCB de estar doente e de ter problemas mentais, vindo dele, não dá para rir por ser demasiado sério. O comendador não conhece limites. Julga-se um iluminado a quem muito devemos. Um colonizador. Hábitos que lhe ficaram da passagem pela África do Sul no tempo da discriminação racial. Se calhar ainda não percebeu que os tempos são outros, e que nem a Arte que adquire o redime da boçalidade.
A Arte abre caminhos. Ilumina horizontes. Torna-nos mais humanos. Para Berardo a Arte é mais um negócio. Um bom negócio que lhe ilumina o seu fraco entendimento.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Cultura empresarial

Berardo estava maravilhado. O que sempre desejou, segundo declarações à imprensa, cumpriu-se: a sua colecção ocupa o CCB. O homem chegou e venceu. Ora, quem vence quer mandar. No seu modo atabalhoado de se exprimir, logo começou a mandar recados. António Mega Ferreira estava a mais. Não deixou, como presidente da casa, que as bandeiras de Berardo substituíssem as do CCB. Para evitar mais demandas, ou por razões que agora não interessam para nada, Mega respondeu com uma silenciosa carta ao alarido do outro. Demitiu-se das funções que exercia na fundação do comendador. Fez bem.
Mas é de realçar a arrogância destes analfabetos carregados de dinheiro. Não dão ponto sem nó. E quem se intromete, leva.
Berardo afirma que anda sempre de preto em sinal de luto pelo estado em que está a cultura portuguesa. Tanta preocupação comove.
Por este andar, ainda teremos que prender um fumo preto no braço por serem estes extremosos defensores da culura a decidir sobre o que fazer em Portugal.

Transfigurações


Depois do sucesso que granjeou na sociedade romana com Arte de Amar e Amores, volumes publicados pelos Livros Cotovia, Ovídio (século I a.C. - I d.C.) lançou-se na escrita de uma das obras mais singulares da literatura de sempre, Metamorfoses. Poucos textos da Antiguidade Clássica exerceram influência tão profícua na história da cultura ocidental, em particular nas artes plásticas, música e literatura.
Ovídio conta histórias de transfiguração, de 'metamorfose' de deuses e de homens, em fontes, árvores, rios, pedras, animais num universo abertamente ficcional. (Con)fundindo deliberadamente ficção e realidade, Ovídio leva o leitor a perder-se neste mundo imaginário, e mascara de verosimilhança as suas histórias, que se vão sucedendo de forma contínua, sem quaisquer comentários moralistas ou reflexões teóricas sobre o sentido das 'metamorfoses'. Narciso, Eco, Aracne, Midas, Ariadne, Orfeu e Eurídice, Pigmalião, Píramo e Tisbe, Dédalo e Ícaro… Nos versos de Metamorfoses construiu-se um dos mais deslumbrantes universos ficcionais da cultura ocidental.
Pela primeira vez, em versão integral em português, as Metamorfoses foram traduzidas por Paulo Farmhouse Alberto, respeitando fielmente o fluir natural do texto original, e incluem notas, glossário e mapas, para que o leitor desfrute ao máximo da obra de Ovídio.
Mafalda Azevedo (Texto de promoção).

Titulo: Metamorfoses
Autor: Ovídio
Tradução: Paulo Farmhouse Alberto
448 páginas
Preço: 35 euros
Edição: Livros Cotovia

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Arte para o povo


Hoje é dia de São Berardo. A procissão é logo à noite e parece que se vai demorar pela noite dentro.
Não sou grande devoto do santo em adoração. Mas como o santuário foi decorado por muitos artistas que aprecio, tenciono ir lá meter o nariz um dia destes.
Hoje não. As multidões incomodam-me. E não há devoção que aguente tamanha algazarra.

Lisboa menina e moça

Até meados do mês todas as atenções vão estar dominadas pelas eleições autárquicas em Lisboa. Os candidatos acotovelam-se no estrado da campanha revelando as suas ideias para a cidade. Ele é segurança, ele é apoio social, ele é ciclovias, ele é limpeza, enfim, preocupações comuns a todos os que percorrem Lisboa no dia-a-dia.
Os principais candidatos fazem um diagnóstico pessimista mas propõem soluções. É louvável. Todos vão ser eleitos. Espera-se que se entendam. Nada vai ser deixado ao abandono a partir deste Verão. A nova Lisboa está aí a chegar. Não nos desiludam.

domingo, 24 de junho de 2007

Zangas de comadres?


Anda por aí grande agitação entre os cromos da bola. Pinto da Costa, ressabiado pela acusação que lhe caiu em cima, aponta as armas ao presidente do Benfica. O homem é do piorio, garante. Num encontro entre "dragões" de Lisboa, vai deixando cair frases de circunstância, de feição com a vontade da assembleia ali reunida. Assegura acreditar na justiça portuguesa, tal como na justiça divina.
Luís Filipe Vieira já reagiu. O homem de Benfica ilustra, e bem, este tipo de homens de fé. Depois da confissão e da comunhão ilibadoras, é vê-los mandar premir gatilhos.
Tudo leva a crer que o fanfarrão do Norte passa a vida em casas de alterne a negociar vitórias. É provável que depois das negociatas se encaminhe para as sacristias em busca do perdão. Faz bem em clamar pela justiça divina. Porque a dos homens começa a não ter grande paciência para tanta pantomina.

sábado, 23 de junho de 2007

Obrigado


O Profano profanou. Nomeou este pouco sacralizado sítio de opinião com a atribuição que acima se anuncia.
É a segunda vez que tal sorte me assiste.
Agradeço a distinção.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Porto de abrigo


Ai, eu estive quase morto
o deserto
e o Porto
aqui tão perto

Sérgio Godinho

A polémica em torno da transformação do Rivoli em sala de visitas para socialites e para outras palermices mais performativas, está ao rubro.
Não preguei prego nem enrolei estopa no assunto. Apesar de visitar a capital do norte com a frequência possível e sempre com muito prazer, sinto-a longe. Vivo aqui mais próximo do deserto. Agora chegou-me a notícia da criação de um blogue que promete dar luta ao querido líder.
O Rui Manuel Amaral informou-me da sua criação. Já está disponível para acesso ali ao lado.
Mas podem encurtar caminho por aqui.

Pacientes


Mais uma prestação do nosso amigo e paciente José António Ferreira:

Como ensinar os espanhóis a falar inglês

Por razões profissionais, tive de me deslocar ao ALGARVE!
Fiquei a saber ter estado no ALLGARVE!
O certo é que também estava perto da Europa, pelo que fui comer peixe frito a Ayamonte, cidade da região autónoma da ANDALUZIA.
Na mesa ao lado, uma família inglesa tentava, desesperadamente, fazer-se entender, pois que não percebia o que lhe explicava a simpatiquíssima Cármen, de turno àquela hora.
Foi então que – num rasgo que só os viajantes têm – se me fez luz!
E, imediatamente, redigi um “abaixo-assinado” dirigido ao Presidente da Região Autónoma em causa, nos seguintes termos:

“Presidente:
Lo sabemos, nosotros, los portugueses, que vosotros, los hablantes de castellano, não pescam nada de línguas estranjeras.
Nos, los portugueses, pescamos pouco, pero hablamos todas las línguas, incluso el xino.
Y, porque hablamos de todo, no nos impuerta el português, que se habla en Brazil y en los PALOPS.
Adaptámos, para que los ingleses nos entendan, el portugues al inglês, para que los ingleses entendan el português.
Es por isso que extinguimos o ALGARVE y criámos el ALLGARVE.
Esta es la metodologia, Presidente, que deberán usar en ANDALUCÍA, para que vosotros entendan el inglês y para que los ingleses entendan el castellano. Es la metodologia de la traduccion interactiva.
Exemplo:
ANDALUCÍA = ANDA LUCÌA, en inglês = GO LUCÍA;
ANDALUZ = ANDA LUZ, en inglês = GO LIGHT;
Com este método, se respecta la língua materna, se aprende el inglês y los ingleses entendran el castellano.
Es el huevo de Colón!
Los que firman abajo, etc”

Foram milhares os andaluzes (those that are Going to the lights) que assinaram a coisa.

JAF

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Design de cá brilha lá fora


Já por diversas vezes vi palcos ilustrados por João Mendes Ribeiro.
Os espaços que concebe são de uma eficácia visual incrível. Uma beleza matérica apodera-se do palco. Já me aconteceu não gostar de uma peça por aí além, mas vir de lá deliciado com o ambiente sugerido pela estética do espectáculo. O Instituto das Artes convidou o arquitecto e cenógrafo para ir representar-nos na 11ª Quadrienal de Praga.
Fez bem. Mendes Ribeiro trouxe para Portugal a medalha de ouro, Prémio Best Stage Design, deste importante certame internacional.
A notícia apareceu timidamente nos cantinhos dos jornais. Normal - o homem não marca golos, nem conduz carros em competições de alta velocidade. Faz um percurso vagaroso mas com brillho. Ainda vamos ouvir falar dele muitas vezes. Mas acima de tudo olhem pra o que ele faz. Acreditem que é do melhor que por aí anda.

Imagem: Projecto de João Mendes Ribeiro
com fotografias de Daniel Blaufuks

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Novo Agualusa

José Eduardo Agualusa lança hoje, na Casa Fernando Pessoa, o seu novo livro "As mulheres do meu pai". Parece que vai haver cervejolas no jardim da casa. Vou tentar aparecer por lá.

Cheira a Lisboa


A SIC-N forneceu-nos um interessante debate com os candidatos à governação da cidade. José Sá Fernandes, Telmo Correia, Helena Roseta, Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho, Fernando Negrão e António Costa dispuseram-se a expor as suas ideias para a disputa que se aproxima. Fizeram bem. Ficámos a conhece-los melhor. Vejamos. Negrão provou que não está ali a fazer nada nem sabe o que dizer. Vulgar. Nada a assinalar. Roseta está farta de politiquices. Provavelmente está agastada com a sua própria actividade política. Percebe-se. Carmona é o que é: vítima de si próprio e da incompreensão humana. Mete dó. Telmo defende a privatização da recolha de lixos. Ruben é contra: nem pensar, esclarece. Ruben foi cabeça de lista, há uns anos, em Setúbal, da coligação que mais tarde venceu e privatizou a recolha dos lixos. Ruben pertence a uma força política que defende coisas diferentes em lugares diferentes. Tive oportunidade de perceber isto em debate directo com ele numa conversa sobre "outras músicas", em Setúbal. Ruben não é políticamente sério .
António Costa e Sá Fernandes são os candidatos com ideias mais convergentes. Percebe-se que se entendem. Não vejo mal nisso, antes pelo contrário. Ambos têm ideias para a cidade e sabem estabelecer as prioridades. Lisboa vai ter de contar com estes candidatos. Todos serão eleitos. Mas deveriam ser Costa e Sá Fernandes a conduzir o rebanho.
Foi assim que vi esta contenda. Haverá outras opiniões, como é natural.
Digam coisas.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O sermão europeu


A Europa está metida num molho de brócolos. Há um tratado que tem de ser assinado durante a presidência portuguesa. Durão Barroso, no Prós e contras, na RTP, faz um esforço para descansar os europeus portugueses. Tenta dar uma lição de novo europeísmo. Coisa moderna e sem exageradas preocupações com o futuro. Mas percebe-se que ser prior naquela freguesia não é para recém ordenados. Para além da França e da Holanda não irem à confissão, também na paróquia polaca há dois indefectíveis cardeais que não vão em celebrações ligeiras. Os gémeos da Polónia não aderem a modernices. E estão apostados em ditar o sermão.
Provavelmente em latim.

Caspar David Friedrich Imagem

Parolos encartados

Num jornal publicado em Setúbal que me veio parar às mãos, um cronista pronuncia-se, em nome de "todos" os habitantes da cidade, sobre o orgulho sadino por as comemorações do 10 de Junho terem decorrido lá no terreno. Refere ainda que protestar por mor dos custos da festança é provinciano. Estou à vontade. Apesar de se perceber à légua que aquilo era para gastar à vara larga, foi argumento que não utilizei nos meus reparos. É óbvio que estas coisas custam dinheiro. Contra isso batatinhas.
O tal cronista não percebeu que provinciano é aquele orgulho na festiva parolice. Provavelmente nunca o perceberá. Há quem viva permanentemente em bicos de pés para que os "grandes" os vejam.
Esta gente adora que façam as festas à sua porta, apesar de não saberem como se faz coisa nenhuma.
São os lustrosos cromos da caderneta provinciana.
Vivem para dar "vivas".
Adoram ver-se atrás dos presidentes, nos écrans.
São jornalistas, empresários, "escritores", "artistas".
São os parolos encartados.

Já agora: A retransmissão televisiva da cerimónia passou no domingo.
O protesto da Presidência da República foi completamente disparatado. A oportunidade de estarem calados foi clara.
Ridículo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Vai um cafézinho?

Isto dos blogues é como a gente ir ao café para conversar com a malta.
É o Eduardo Pitta que o diz, e diz bem.
Leiam-no aqui.

Afinal não?!

O Ministério das Obras Públicas desmente o acordo entre a CIP e o Governo. O presidente da confederação patronal diz que a negociação que houve não é negociação.
Agora é que não percebo nada. Das duas uma: ou os patrões não sabem divertir-se, ou não brincam em serviço.
Estes comportamentos atabalhoados é que não são nada.
Assim não brinco.

Afinal havia outra?

A proposta para a localização do novo aeroporto em Alcochete, apresentada com pompa e surpresa ao Presidente da República, estava afinal acertada com o Governo. Os grandes patrões não pensam só em ganhar dinheiro. Também o gastam em divertimentos. É o que aparenta este espectáculo mediático. Pelo menos é o que parece enquanto não se percebem claramente os negócios envolvidos. Para o Governo, esta manobra pode servir para "limpar" o ministro Lino. Daqui a nada a hipótese de Alcochete é apagada do "aeromapa" e a Ota salta de novo para a frente.
Nem precisamos de esperar sentados.

domingo, 17 de junho de 2007

O corpo é que paga

A festa é de arromba. Sarkozi teve vitória indiscutível nas legislativas deste fim-de-semana. Agora tem razões para beber uns copos. Oxalá opte por um bom champanhe francês.
Esqueça o vodka, homem.
Olhe que quando a cabeça não tem juízo...

sábado, 16 de junho de 2007

Se governar, não beba

Sarkozi apareceu com uma valente buba num encontro com jornalistas.
Tinha estado com Putin, em encontro privado, e, pelo que se viu, a coisa foi de beber e chorar por mais. Não se sabe ao que brindaram. Provavelmente não havia nada a festejar que justificasse a beberragem. Sabemos que os jornalistas deixaram o Presidente francês a falar sozinho. Qualquer coisa como: "Vai curti-la e aparece". Atitude complacente com o estado de graça de que ainda goza. Mas não deixa de ser lamentável. O homem até pode beber uns copos, mas seja responsável. Tomar decisões alcoolizado pode provocar excessos.
É provável que tenha de ser afixada uma placa no Eliseu com a inscrição: "Se governar, não beba".

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Oferta pública

Um dito comendador que não articula coisa com coisa quer ficar com o Benfica para ele. Sem mais nem menos, OPA para cima. Até parece que aquilo não está caro. Berardo Oferece 3,5 euros por cada acção da SAD do clube. Esta nova moda está a transformar o país Portugal numa espécie de loja económica. Os preços são atraentes. Para quem tem dinheiro isto está a uma bagatela.

Homenagem a Manuela Estanqueiro

Uma professora de sessenta e tal anos e com trinta e três de serviço, atacada por uma grave doença, pede reforma antecipada. Motivos parece não faltarem. A Junta Médica da Direcção Regional de Educação do Centro passa um atestado de incapacidade. Mas outra junta médica, da Caixa Geral de Aposentações, não está para aí virada e considera-a apta para as funções que exerce. A senhora foi obrigada a arrastar-se mais trinta e um dias pelas salas de aula, para ter direito ao vencimento. Depois foi outra vez à junta médica da Caixa. Conseguiu finalmente a aposentação. Uma semana depois faleceu.
Haverá quem consiga classificar esta situação, assim como a actuação dos médicos da tal junta.
Eu não.

Em busca de informação

Alguma imprensa inglesa ataca a actuação da polícia portuguesa no caso da menina desaparecida no Algarve. Provavelmente é essa imprensa que agora anda com uma trupe de jornalistas entusiasmados, acompanhados de cães e tudo, em busca do corpo da miúda. Será a isto que chamam direito à informação? Se calhar chamam, mas não é.
É desinformação mórbida e pulhice pura.

Vieira da Silva em Paris


Uma significativa exposição de Vieira da Silva está desde quarta-feira no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris.
As obras expostas pertencem à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva e ao Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão.
O trabalho de promoção e imagem foi feito por nós, na DDLX.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Todo o cuidado é pouco

O Presidente dos Estados Unidos da América foi dar uma voltinha pela Albânia. Bush foi recebido em festa pelas populações. Muita festinha na cabeça e muita palmadinha nas costas levou o homem. Coisa rara nos dias que correm. Mas uma reportagem televisiva revela um pormenor curioso: Bush tem um relógio no pulso, que desaparece no momento seguinte. Os serviços de segurança asseguram que não houve roubo. Foi o Presidente que tirou o relógio do pulso e meteu-o no bolso das calças.
Onde é que já se viu a segurança do homem mais importante do mundo falhar de uma forma tão retumbante? Um porta-voz da Casa Branca declara que o relógio está na posse do seu dono. Fica assim assegurada a imagem de honestidade dos albaneses.
É esta declaração que não me convence. O que fez o ilustre visitante meter o relógio no bolso?
Não confia nos simpáticos anfitriões?
Esclareçam lá isso melhor.

10 de Junho, a telenovela

A administração da RTP pediu desculpa a Belém pela falta de cobertura das comemorações do 10 de Junho.
Agora vão repetir tudo, sem cortes, no próximo domingo.
Não façam isso. Não será melhor fazer transmissões em episódios mais curtos, colocados nas horas de maior audiência, durante toda a semana?
Aé podiam fazer retransmissões às 3 da manhã.
Ponham a festa a render. Parece que aquilo foi giro. Comovente até.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Superioridades morais

Banaz Mahmod vivia em Londres, com a família. Era uma rapariga iraquiana que se embeiçou por um rapaz. Esta paixão não foi aceite pelo pai, que já a tinha entregue para casar. Banaz percebeu a alhada em que estava metida e resolveu pedir protecção policial. Os polícias têm uma característica irritante. Princípios culturais bastante irrigados, levam-nos a não perceber os fenómenos perigosos de outras culturas. Resultado: mandaram uma menina, de vinte anos, indefesa, para a casa do pai. Que é como quem diz, para a boca do lobo.
Esta história, contada hoje no Público, termina com a morte de Banaz Mahmod.
Mas não devia terminar. Que raio de policias deixam assim uma cidadã à mercê da crueldade familiar?
Ninguém lhes pergunta nada?

Rádio e Televisão de Belém

Afinal a Presidência da República também gosta de meter o bedelho nas orientações dos meios de informação estatal.
Cavaco não gostou da cobertura televisiva das comemorações do 10 de Junho. Queria a transmissão na íntegra. E não esteve com meias medidas: cartinha para a administração da RTP, com as devidas queixas. Ainda bem que nunca ocupou nenhum lugar de direcção em matérias informativas.
E esperemos que nunca tal aconteça.
Já viram a seca?!

terça-feira, 12 de junho de 2007

Bem unidos, façamos

O grande patronato e os autarcas comunistas de Alcochete defendem a construção do novo aeroporto de Lisboa naquela zona.
A luta de classes já não é o que era.

Crítica da razão pura


Os comentários ao post de ontem, sobre a condecoração do senhor bispo Manuel Martins, azedaram.
A discussão azeda sempre que mete padres, bispos ou outros membros do pastoreio.
Há pessoal que parte para o debate munido de toda a emoção possível, logo, a discussão fica viciada. Os princípios morais de cada um são pouco discutíveis. Moral como forma superior de afirmação não existe. A moralidade é transversal a todas as formas de estar. Religiosos ou não, têm as suas formas de moderar uma actuação perante a vida e os outros. O problema destes debates é a necessidade de se acrescentar superioridade devido a uma crença. Católicos, protestantes e todo o tipo de seita partem deste pressuposto para nos assegurarem que "a" verdade está nas suas premissas.Também as edições Avante publicaram, em tempos, um livro de Álvaro Cunhal intitulado precisamente
"A Superioridade Moral dos Comunistas". Confesso que sempre achei aquilo intelectualmente pouco rigoroso. O então líder do PCP tentava mostrar que a bondade dos ideais comunistas permite uma atitude de superioridade perante os outros, os agnósticos da fé comunista.
A razão que garantem possuir não lhes permite grandes devaneios nem cedências. Ora, é a emoção que os ilumina e dita as regras.
A emotividade torna-se perigosa quando levada a extremos que a elegem como "o" bem a atingir. Por tudo isto não reconheço nem na fé católica, nem nas certezas comunistas, princípios superiores aos meus.
É frequente ver uns e outros assegurarem com toda a convicção: "sabemos que temos razão".
Pois eu não acho. E, podem crer, tenho razões de sobra para defender esta minha razão, graças à liberdade e à democracia.

Pintura de Jorge Pinheiro

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O horizonte é vermelho

O antigo bispo de Setúbal, um fervoroso amigo dos desprotegidos, manifesta uma grande alegria por haver muitos médicos do Hospital de Santa Maria que alegam objecção de consciência para não aplicarem a Lei do Aborto.
Não, o senhor não é um deliquente apelando ao não cumprimento da lei. É um esforçado miliitante das causas sociais. Foi ontem condecorado por esse outro grande lutador das mesmas causas que é Anibal Cavaco Silva.
O problema do aborto clandestino não o preocupa, portanto. É preciso é haver muitos pobrezinhos para ele ter pena deles.
Chamaram-lhe "Bispo vermelho". Calhou naquela altura. Era o que estava a dar.
Vermelho? Cá para mim é às riscas.

Diz que é uma espécie de humor


Os Gato Fedorento acabaram a sua excelente série de programas em beleza. Uma Grande Gala de Tesourinhos Deprimentes que foi uma espécie de magazine. Um programa com gê grande. Gê de gato que fede humor. Nem todos gozamos da originalidade de gostarmos de ser gozados. Foi bonito ver os "gozados" em alegre gozo.
O mediatismo dos Gatos tem destas coisas: Quem é gozado finge acreditar que gozar não ofende. É verdade: ser descaradamente gozado é tão bonito como levar um pontapé no traseiro.
E quem não gosta de levar um valente pontapé no cú?

domingo, 10 de junho de 2007

Apanhar as canas

E pronto. Acabou a fantasia. Agora é conviver com as floreiras fora de escala colocadas na Praça de Bocage. Olhar para o arranjo de mau-gosto que desfigurou o edifício do porto e ter vómitos. Passar pela descolorida fachada do antigo edifício do Banco de Portugal e perceber até onde chega a ignorância estética. Pegar na pá e na vasoura e varrer as cascas e apanhar as canas para fazer moínhos. Por último, perceber que estas coisas não servem absolutamente para nada.
O que sobra da espampanante festança é uma maior visibilidade do estado deprimente em que se encontra Setúbal.
Pelo menos assim se deveria afigurar: a equipa que gere a autarquia setubalense é incompetente e rapadinha de ideias para a cidade.
Mas têm sorte. A coisa não teve importância nenhuma. A partir de amanhã ninguém se lembra dos gerentes autárquicos sadinos.
Isso é mau. O disparate mantém-se activo.

Dia de Portugal



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Fernando Pessoa Texto
Costa Pinheiro Imagem

sábado, 9 de junho de 2007

Recepção oficial


— Achas que este é mesmo o caminho para Setúbal?
— Claro, consultei o mesmo mapa que o ministro das Obras Públicas.
Eu disse que o percurso demorava.
Temos que atravessar todo este deserto.
Tu é que levas sempre imenso tempo a dar brilho à penugem.
Nem pareces bravo.
Ainda nos arriscamos a chegar atrasados às cerimónias.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Dia de Portugal e da parvoíce

Setúbal é a capital das comemorações do 10 de Junho. A cidade está engalanada ao gosto da gerente da autarquia. Dores Meira abraça os arranjos pessoalmente. Diz-se que dita regras segundo o seu padrão estético tipo cortinado-de-sala-de-espera-de-dentista. As "recuperações arquitectónicas", os arranjos florais e restantes enfeites mais parecem coisa de paróquia de submundo. Como se não bastasse, o staff do Presidente também anda por aí a meter o nariz. Até árvores foram retiradas (com a promessa de replantação, é certo), para caberem os palanques. E o Presidente, o próprio, está a chegar ao terreno para comemorar o orgulho de ser português.
Preferia comemorar o fim do pato-bravismo. Mas não é essa matéria que está em agenda. Os autarcas adoram estas parvoíces. Eu não.
Moro em Setúbal. Continuarei a morar depois de Cavaco se ir embora e, provavelmente, depois da actual presidente da Câmara ser corrida.
Mas, amanhã, espero não estar na cidade logo que rebentem os primeiros foguetes.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

As vidas dos outros


Este é talvez o melhor filme que me passou pela vista este ano. Um manifesto pela tolerância e contra todas as formas de repressão.
A fruição cultural como forma de alterar mentalidades.
Não digo mais nada. Quem ainda não o viu, não o perca.
Em Lisboa está no King.

É pagar ou largar

Mais um rendido à "independência partidária activa". Toy, o cantor-simbolo de Carlos Sousa nas campanhas eleitorais da CDU, em Setúbal, em mini-entrevista a João Pedro Henriques, publicada no DN, declara o seu apoio a Carmona Rodrigues. O cançonetista queixa-se da forma como o seu amigo autarca setubalense foi "despedido" e esclarece que todos os apoios políticos que assumiu foram pagos. Já o sabíamos, mas é bom confirmá-lo. Aliás, é muito curiosa uma declaração do generoso activista político: "Desde que me paguem até na casa de banho canto".
Não haverá por aí partido ou candidato independente capazes de satisfazer este possibilidade? É seguramente o lugar ideal para este "homem de esquerda" se exprimir.
Vejam lá isso.

Agora Luanda


Inês Gonçalves fotografou. José Eduardo Agualusa e Delfim Sardo fizeram os textos. Titulo: Agora Luanda. A apresentação é hoje à noite, no Lux. Será também exibido um documentário: “Mãe Ju” – também de Inês e Kiluanje. E haverá um concerto. Kuduro, tarrachinha, semba e kizomba: Gata Agressiva, Puto Português e Nakobeta, farão a festa.
Já passei os olhos pelo livro. É muito bonito.
Até logo.

No feminino


Valentina, Afrodite, Cleópatra, Selene, Anna G., Denise, Marilyn, Helena, Miss Sissi, Nefertiti, Kiki de Montparnasse, Sílvia… Nomes de mulheres, nomes que nos fazem recordar actrizes de cinema, figuras históricas, mulheres comuns, mas também nomes de cadeiras, máquinas de escrever, candeeiros.
Ao escolher determinado nome, o designer atribui uma identidade sexual ao objecto, concedendo-lhe qualidades humanas, e evoca muitas das ideias culturalmente associadas ao universo feminino – sensualidade, tentação/desejo, glamour, encanto, beleza, doçura... O nome torna-se indissociável da forma e apela à imaginação, levando o utilizador/consumidor a convocar memórias pessoais e afectividades, a associar outras ideias ou imagens mentais, muitas vezes do inconsciente.
Em paralelo, existem peças e acessórios que se inspiram nas formas femininas ou possuem uma elegância e feminilidade que as faz serem associadas a este universo.
A mostra temática No feminino apresenta uma pequena selecção de peças de design e moda da colecção cujas formas remetem directamente para o corpo feminino ou cujos nomes lembram pessoas comuns, celebram figuras da história e da mitologia ou exaltam estrelas fetiche do cinema. (Texto promocional)

FLASHES DA COLECÇÃO No Feminino 5 Junho | 31 Julho | 2007.
Agosto/Setembro: Nomadismo e Novas Habilidades
Outubro/Novembro: Re-Design
Dezembro: (Dis)funcionalidades?

Concepção: Bárbara Coutinho
Produção | Coordenação: Direcção Municipal de Cultura | MUDE

MUDE Museu do Design e da Moda | Colecção Francisco Capelo
Sala do Risco. Largo de St. António à Sé, 22, Lisboa

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Reformado e bem pago

Uma notícia no Público garante: José Salter Cid vai fazer um estimável esforço, depois de reformado da PT aos 53 anos, por amor à cidade de Lisboa. A gente sabe que há muitos outros reformados de luxo, mas Salter Cid dá um exemplo de cidadania. Insiste em manter-se activo apesar de reformado.
Este homem da lista de Fernando Negrão está disposto a deixar de lado as canas de pesca e os tacos de golfe, actividades que a justa reforma de 15 mil euros mensais lhe proporcionariam, para agarrar os cordéis da gestão autárquica.
Propõe-se agora agarrar um cargo que lhe exige labor intenso, depois de dezassete anos de vida profissional esgotante na empresa de telecomunicações.
Com a facilidade que tem em safar-se na vida, poderá ser uma boa aposta para salvar a cidade da ruína.
Se isto não é uma declaração de amor a Lisboa, é o quê?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Otários

Os estudos existem. Foram caros e pouco conclusivos. Uns defendem a margem sul, outros defendem a OTA. Falta fazer a comparação e decidir politicamente. Parece fácil. Não é. Mais uma vez são as autarquias que puxam a corda para o seu lado conforme os seus interesses. É legítimo. Mas atenção: o interesse é nacional. Se pomos aviões a voar sem rei nem roque, não vamos longe. Temos maus exemplos: marcamos pouco no futebol, mas soberbos estádios não faltam por aí. Tudo o que fazemos custa-nos um dinheirão. Somos especialistas na construção de estruturas inúteis. Gastamos sempre à toa. Nem que seja em estudos.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A tribute to...


Joni Mitchell é homenageada por colegas neste cd.
Emmylou Harris, Elvis Costello, James Taylor, Caetano Veloso, Björk, Brad Mehldau, Cassandra Wilson, Annie Lennox, entre outros, participam no tributo. Um excelente trabalho. Particularmente originais e tocantes as prestações de Costello, Björk e Mehldau, na minha opinião.
Bons ouvidos o ouçam.

domingo, 3 de junho de 2007

Homens justos e bons

O julgamento começa amanhã. Tudo leva a crer que um pacato cidadão, de Santa Comba Dão, é o autor dos crimes que vitimaram três jovens.
O cabo da GNR confessou tudo quando foi detido. Agora deu o dito por não dito apresentando-se inocente e vítima de cilada. Todos lá na terra o classificam como um bom homem. Pois se até é um fervoroso católico...
Ninguém desconfiou de nada. O homem violou, matou, permitiu que outros fossem acusados. As pessoas da terra não deram por nada.
As pessoas de Santa Comba Dão já estão habituadas a bons homens - católicos e tudo - que depois dão em violentos agressores.
O país inteiro aturou um durante mais de quarenta anos.
Parece que em Santa Comba Dão ainda passa por bom homem.
Até lhe querem fazer um museu.

sábado, 2 de junho de 2007

O novo Newman


Na minha leitura dos jornais de fim-de-semana, encalho na página 20 do suplemento Actual, do Expresso. Esta secção é composta por duas colunas, onde se expõe o que correu mal e o que correu bem a gente que por aí faz coisas. Os contemplados com as boas graças são: João Bénard da Costa, José Manuel dos Santos, Mário Cláudio e Joaquim Benite. José Manuel dos Santos por um prémio de crónica atribuído, há já algum tempo, às colaborações semanais no próprio Expresso. "Mais vale tarde que nunca", reconhece a nota. Bénard da Costa pela crónica número 200 no Público. Benite e Cláudio por terem sido agraciados, pelo governo francês, com a distinção de Cavaleiros da Ordem das Artes e das Letras.
Porreiro. Parabéns a todos.
A semana correu mal, segundo a coluna da direita, à ministra da educação, por causa do professor da anedota. A Siza Vieira coube o desaire de ter perdido, e bem, a luta com a baronesa de Thyssen, na polémica sobre o abate das árvores do Paseo del Prado, em Madrid.
Em último está Paul Newman por ter anunciado retirar-se do cinema.
É este último agraciamento que me deixa perplexo. Então a um homem que, aos oitenta e dois anos, depois de uma vida de sucessos no Cinema, anuncia que se vai embora para se dedicar a actividades mais consentâneas com as suas actuais capacidades, corre mal a semana porquê?
Um homem que se vai dedicar ao seu negócio relacionado com comida ecológica, não se resignando a ficar sentado a olhar para os rendimentos, não merece este apupo. Eu, por mim, já o coloquei na coluna da esquerda. Apesar de ser só uma homenagem da minha imaginação. O jornal já está paginado e impresso, e, não tarda nada, à mercê de outros usos. Paul Newman, esse, ainda está para as curvas.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Pacientes

Os pacientes do BlogOperatório voltaram a ter voz na linha da frente. Para além dos comentários, colocados no momento, quem quiser participar com textos um pouco mais extensos, e torná-los comentáveis, pode enviar por e-mail esses desabafos.
O primeiro desta série é do meu amigo José António Ferreira, causídico e companheiro de comensais fidalguias:

O Poder
O Srº Santana Lopes, que foi primeiro-ministro, cronica, por telefone, às segundas ou terças, na TSF (abreviatura clássica que quer dizer “telefonia sem fios”), o que lhe vai na alma, primeiro-ministro que foi, depois de ter dado cabo da cidade de Lisboa.
O Srº José Sócrates (licenciado em engenharia civil pela Universidade Independente), é um desportista e é o primeiro-ministro vigente
O Srº Marcelo Rebelo de Sousa (doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Clássica de Lisboa) comenta as “cosas” do poder como se o poder fosse o desporto da bola!
Gostava de ser como eles!
Fechava a Praça D. Pedro V (para que lá estivesse à vontade), convocava as televisões mais o arquitecto da moda, dava duas voltas ao bilhar grande e esperava o comentário do doutor!
Depois sugerir-lhes-ia lerem a “A Curva da Estrada”, de Ferreira de Castro!
JAF

Anna Netrebko & Rolando Villazón: Duets


São duetos de óperas conhecidas. Puccini, Donizetti, Verdi, Bizet, entre outros, foram convocados para o registo. Este cd reproduz um casamento perfeito. Estes casalinhos correm o risco, muitas vezes, de cair na piroseira. Aqui parece correr tudo bem.
Um bom trabalho a merecer audição.
Para além da música traz um dvd bónus.
Muito bom.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sempre virados para o céu

Os pais da menina raptada na praia da Luz foram incomodar o papa com o seu sofrimento. O senhor prometeu rezar e despachou-os em grande velocidade. É claro que o velhote não pode fazer mais nada. Estranho é haver quem pense que aquela caminhada a Roma pode trazer uma solução para este caso. Não é com rezas e mezinhas que as soluções aparecem. Nem para este caso, nem para nenhum outro.

Andrew Bird


Andrew Bird queria ser um pássaro, mas não é. No entanto é tão alegre quanto eles e muitas pessoas afirmam que costumam ouvi-lo tocar ao fim do dia, quando regressam a casa depois de um dia de trabalho, embora na verdade o que ouvem seja o chilrear dos pássaros empoleirados nas árvores nos fins de tarde. Andrew Bird não se importa com as comparações idiotas com o seu nome. Ele é livre e faz o que quer. É uma criança grande com talento que inventa e reinventa melodias pop com um violino. Andrew Bird tem um sonho. Venham ouvi-lo.
Carlos Ramos | Lecool.

Concerto no Cinema São Jorge | Av. da Liberdade.
Hoje, às 22 horas.
15 a 20€

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Crime, disse ele

Fernando Negrão, durante uma visita a um Centro de Saúde, considera um crime o possível fim do aeroporto da Portela. Oportuno e sério, não haja dúvida! Vê-se que o homem não mora em Lisboa. Percebe-se que não tem a mínima noção do que preocupa os habitantes da capital. O aeroporto da Portela fica mesmo dentro da cidade. Esta situação não tem paralelo nos sítios mais civilizados do planeta. Mas Negrão, ignorando isso e a necessidade de ampliação dos actuais serviços, luta pelo aeroportozinho lisboeta. Atitude parola que acentua o provincianismo recorrente.
O que é que isto tem de sério?

A fotógrafa e a rainha


A edição americana da Vanity Fair já está nas bancas. Nas bancas, nos escaparates, num estabelecimento perto de si. Entre outros motivos de interesse estão as fotografias de Annie Leibovitz. A fotógrafa deslocou-se a Buckigam palace para fazer retratos da rainha. A coisa saiu em beleza. Isabel II está cada vez mais parecida com Helen Mirren.

Venham mais cem


Está disponível o número 100 da Wallpaper. O assunto é chamada de capa e é festejado no miolo. O design, os ambientes sofisticados e outras coisas esteticamente apetecíveis em grande comemoração.
Venham mais cem, pois claro.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Imoralidades

A Rádio Televisão de Caracas foi encerrada. A liberdade transmitida incomodava o ditador venezuelano. O revolucionário Hugo Chavez considerava o canal imoral. Pior que um dirigente político convencido de que domina em absoluto a Razão, é um político que associa a essa certeza a infalibilidade da Fé.
Um mal nunca vem só. Chavez acumula.

Venham mais cinco


A Sofia Loureiro dos Santos, do Defender o quadrado, nomeou este blogue para este prémio.
Foi um gesto simpático que me honra. Agora parece que tenho de nomear outros cinco colegas.
Pensei nestes:
arrastão
Bichos carpinteiros
Da Literatura
Diário Ateísta
Glória fácil

Estão de acordo?

Contas em dia

Anda por aí grande agitação entre banqueiros.
A posição que mantenho no banco que me faz o favor de guardar os trocos não me permite ter opinião sobre o assunto.
Boa sorte a todos.

Os Bichos

Os bichos fizeram anos. Todos os dias vou a esta jaula para tentar perceber a vida no reino animal.
Os bichos carpinteiros incomodam, dizem.
Há um bicho, chamado Medeiros, que incomoda e acerta.
E daí? Estar calado é que não. Antes a morte que tal sorte.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Independanças

Outro independente, proposto pelo PSD para a presidência da Câmara de Lisboa, assegura que o independente que até há bocadinho lá estava, também proposto pelo mesmo partido, é a face da desgraça na capital do país.
Negrão, em Setúbal, elegeu a segurança como prioridade. Agora quer Lisboa a sério. A sério? E sabe o que diz? Carmona agiu sozinho?
Marques Mendes não acerta uma. Só chama azelhas para a sua beira.
Não é só no PS que há desbocados. O PSD está com lotação esgotada.
E são muito menos sérios. A sério!

A modernaça

Helena Roseta diz, em entrevista à RTP 2 e ao Público, que os partidos estão antiquados. A sociedade já não funciona assim, acrescenta.
A hierarquia do chefe a mandar e os outros a obedecer já não se usa. Segundo ela, o que está a dar é comunicar pela internet. Deve ser assim que ela manda. Estamos perante uma nova forma de fazer política, pelos vistos. Mas esta moda é muito recente. Ainda há pouco estava inscrita num desses antiquários políticos. E durante anos andou por lá, saltitando entre duas bancadas, na Assembleia da República.
Mudou. É sempre bom acordar para a modernidade. Mesmo que seja tarde.

Segredos do dia


A vida não é um palco, não, a vida
é um ringue, a vida partiu-me os ossos todos.


Helder Moura Pereira é um dos animadores do blogue O Sol quando nasce. É lá que nos dá a conhecer as traduções para português da grande literatura que vai encontrando pelo mundo.
Como poeta tem um novo volume de originais. Helder publica com regularidade: perto de trinta títulos, em trinta anos, já povoam por aí muita estante. Frequentar esta poesia sugere-nos roteiros de exigência. Remete-nos para as grandes leituras. Walt Whitman anda por lá. Confirma-se, com estas viagens quotidianas, a existência de uma voz única. Uma voz que, isolada no terreno da literatura, é representante permanente de vivências diárias. Um discurso sem excessivos enleios nem descrições extemporâneas. Estes Segredos do Reino Animal revelam uma missiva simples: a complicação que é vivermos simplesmente uns com os outros.
Mas, deixemo-nos de lérias.
Temos poesia da boa. Um dos grandes livros deste ano.
Ouçam só este bocadinho:

Nem no sono nem na vida se sabe
o fim, acordo-te antes que a dúvida
te faça retirar a mão de onde repousavas.
Ainda me atormentais, banais segredos
do reino animal, atormentar-me-eis sempre,
pelos vistos sempre, sempre, sempre.


Segredos do Reino Animal foi o título escolhido por
Helder Moura Pereira, seu autor.
A edição é da Assírio & Alvim.
Tem uma excelente fotografia na capa de Mário Rui Araújo,
seu colega de blogue.
128 páginas.
Não sei quanto custa. Foi-me oferecido pelo autor, meu amigo.

domingo, 27 de maio de 2007

O Sol quando nasce


Esta excelente fotografia é da autoria de Mário Rui Araújo e foi publicada no O Sol quando nasce.
Amanhã tenho um segredo a revelar sobre este blogue.
É por isso que está aqui esta imagem, hoje.
Até amanhã.

sábado, 26 de maio de 2007

Cantigas do Maio


Leio nos jornais que José Afonso está no top de vendas com um cd que reúne alguns dos seus melhores trabalhos. Esta não é a minha opinião. Mas percebo que é difícil escolher o melhor de José Afonso e agradar a gregos e troianos. O que interessa é que está a agradar a quem consome música. Mesmo sendo um "apanhado" é melhor do que nada. A notícia informa ainda que o áudio-lixo de Tony Carreira e outros poluentes sonoros veio por aí abaixo. Mais de vinte anos depois das históricas gravações, Zeca vende. Vinte anos depois da sua morte, José Afonso vence a mediocridade.
Os portugueses reconhecem uma obra intemporal.
Um grande senhor e a sua obra estão na frente das escolhas populares.
Coisa rara.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

O silêncio é de ouro

O que está a correr mal a José Sócrates é a linguagem dos seus subordinados.
Mário Lino é especialista em piadas de mau-gosto. A directora geral de educação tem créditos firmados no controlo de piadas. O ministro da Economia fica mudo perante perguntas dos jornalistas quando questionado acerca de uma inabilidade sua.
Manuel Pinho acaba por ser o mais assertivo: calado não desafina.
O ruído provocado por membros do Governo e acólitos começa a ser ensurdecedor.

Pub.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Voando sobre um ninho de cucos

O ministro Mário Lino assegura que, o local onde os que se opõem à OTA querem instalar o aeroporto, é um deserto. Não há lá nada nem ninguém.
Entretanto corrigiu: não é a zona envolvente, é aquela onde querem mesmo instalar o aeroporto. Há uma coisa que não percebo. Então não haver nada no sítio onde se quer fazer a construção não é uma vantagem?
Não estou inscrito no coro contra a OTA. Até prova em contrário, parece-me uma boa iniciativa. Mas o ministro dizer que a polémica à volta deste assunto revela falta de argumentos, não é, obviamente, argumento. Há algum destrambelhamento nesta reacção.
Assim não convence ninguém.

Festa com livros


Abre hoje a Feira do Livro de Lisboa.
Faço parte da percentagem de portugueses que não se entusiasma com o certame. Como a minha oficina fica mesma em frente aos Armazéns onde se esconde a FNAC Chiado, vou descobrindo quase diariamente novas leituras. Apesar desta vantagem, vou dar uma saltada ao Parque Eduardo VII.
É mais pela festa.

Canção de Lisboa


Carmona Rodrigues revela, na sessão de apresentação da candidatura à Câmara da capital, que a sua canção é o fado. Assegura também que o seu partido é Lisboa. Há ali paixão pela cidade. Há paixões que toldam o tino. É este fadista embeiçado por Lisboa que se propõe agora voltar ao lugar onde, pelos vistos, foi feliz. Depois da interpretação roufenha no palco da casa de fados de terceira categoria em que transformou Lisboa, quer voltar a ouvir as guitarras do poder. É o seu fado.
O fado de Lisboa é outro.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Stand up comedy

Os deputados da oposição querem que a ministra da Educação vá à barra, em São Bento. A piada sobre o curso do primeiro-ministro está a agitar a classe política.
Desde o ministro Borrego (lembram-se?) que uma anedota não andava tão bem sentada na hierarquia do Estado.
Uma coisa me intriga: alguém conhece o teor da famosa brincadeira? Será que aquilo tinha mesmo graça?
Parece que o motivo do crime não foi divulgado.
Era importante. Para percebermos se vale a pena perdermos uns minutos com o assunto.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Les aventures de Tintin


Hergé, se fosse vivo, completaria agora 100 anos.
Não é. Morreu há já algum tempo.
Mas antes desenhou estes bonecos todos.
Mesmo que não tivesse feito mais nada, já não é pouco.
Eu diria mais: já não é pouco!

Século bem passado


Jorge Silva Melo resolveu juntar os artigos que foi espalhando pela imprensa. Os Livros Cotovia publicaram-nos. Silva Melo calcorreou mundo. Um mundo que o foi chamando e que o foi talhando.
A curiosidade deu-lhe botas para andar. Andou por onde lhe apeteceu. Nestas crónicas fala do que lhe apetece.
(...) Cartolinas recortadas, pedaços de papel colados, rasgados, pedaços de vida suja, um envelope, um desenho técnico, listagens, papel grosso, restos dos dias, pegadas e o horizonte naquele resto imenso de papel intocado que parece desequilibrar-se, dançando num equilíbrio sempre recomeçado, imponderável.
Este texto é sobre Pedro Chorão, um pintor de que gosto bastante, e que aqui pode funcionar como metáfora para o trabalho de Jorge Silva Melo: são colagens, pedaços de vida, sujidades dos dias, equilíbrios forçados, que inundam este Século Passado.
Há uma desenvoltura que é fascinante neste livro.
Estas crónicas foram feitas ao meu lado. Reconheço o terreno aqui descrito. Este rapaz de Lisboa nasceu dez anos antes de mim. Mas acompanho o que faz há tanto tempo que nem tinha dado pela diferença de idades. Às vezes, não poucas, encontramo-nos por aí - Em teatros, concertos, apresentações de coisas escritas, protestos contra a caturrice da Direita. Nunca trocámos uma palavra. Na próxima vez que o encontre sou capaz de lhe dizer que gostei de ler este livro.
E depois continuamos esta velha amizade.

Jorge Silva Melo escreveu.
Foi publicado pelos Livros Cotovia.
Tem perto de 550 páginas.
Graficamente foi tratado por Silva! designers
com fotografia de Jorge Gonçalves.
Custa 30 euros (preço de editor).

segunda-feira, 21 de maio de 2007

A matemática das emoções


"Há que conhecer bem a personagem para devidamente a compreender." Esta frase pertence a João Lisboa, cronista das artes musicais, que há anos acompanho, nas páginas do Expresso. É lá, em notável texto sobre o mais recente cd de Björk, Volta, que ele nos confidencia um desabafo da senhora: "Já nem sei quantas vezes fui salva por uma canção, alturas em que nada, nem os amigos, nem o sexo, nem a actividade política nos podem valer e só a empatia que uma canção proporciona tem algum significado. Uma sensação completamente abstracta em que a música não tem (nem deve ter) explicação, que interfere com a matemática das emoções e não pode ser decifrada pela linguagem."
Foi essa sensação prazenteiramente abstracta que senti ao ouvir este trabalho de Björk.
Talvez não exista uma interpretação viável da música desta islandesa surprendente. Exactamente por isso: cada original gravado é uma surpresa. A erudição musical está lá, mas a emoção é que nos anima. Em Björk dá-se o casamento perfeito entre o rigor científico e a descontraída interpretação artística.
É ouvir, ouvir, ouvir.

Humor sem sentido

Uma directora regional de educação demitiu um professor que por lá andava a dar aulas há perto de vinte anos. O motivo prendeu-se com o seu sentido de humor. O professor de inglês resolveu insistir em piadolas sobre o curso de Sócrates. A directora, defensora do respeitinho, achou aquilo um abuso. Resultado: o humorista foi para o olho da rua. Exagero? Claro.
Confesso que não me parto a rir com os gracejos em causa. Aliás, não tenho a mínima pachorra para anedotas e graçolas congéneres. Mas, neste caso, a gargalhada vai para a distinta directora. Será que não percebeu que passados tantos anos sobre o fim do outro Estado, o pessoal já não tem que achar os dirigentes políticos intocáveis? Já lá vai o tempo em que eram intocáveis patifes.
Vasco Pulido valente, no seu estilo menos rigoroso, diz, ontem no Público, que nem no tempo do tal Estado as coisas eram assim. Eduardo Pitta e José Medeiros Ferreira já lhe contaram as suas histórias. E não faltaria por aí quem tivesse exemplos para lhe apresentar.
Seja como for, não é a esse tempo que queremos voltar, pois não?

domingo, 20 de maio de 2007

Venham ver as feras

Ligo a televisão. Um troglodita, montado num cavalo, espeta um touro com toda a sua força e "inteligência". Assistem ao "espectáculo" alguns aficcionados (é assim que se chamam os trogloditas que assistem), poucos é certo, mas estão lá. No recinto, baptizado com o nome de Roldão de Almeida, para além das bestas de quatro e duas patas, é também anunciado o presidente da Câmara - Roldão de Almeida. Não, não se trata de uma festa popular na América latina. Falo de uma tourada, claro está: uma manifestação de estupidez em estado puro, a decorrer em Elvas. A "corrida" é paga, parece-me, pela RTP. Mais uma despesa a ser paga por todos. Mas disso nem me queixo. Já pagamos tanta porcaria...

sábado, 19 de maio de 2007

Naquela roça grande...


Já que estou com a mão na massa, e embalado por uma notícia no Expresso de hoje, volto ao assunto do post de ontem. O assunto é, falando claro, a corrupção e a prepotência do poder em Angola. Não se percebe se o povo angolano acha ou não José Eduardo dos Santos corrupto ou um bom presidente. Ele não permite avaliações. Não há eleições lá na terra há tanto tempo que já ninguém se lembra como isso é. Mas já se percebeu que o homem gosta de se instalar bem. O luxo em que vive é conhecido. Esse bem-estar é agora reforçado com a aquisição de um bem equipado aeroplano. Faz falta. A senhora dos Santos vai às compras, ao Brasil por exemplo, em aviões alugados. Faz, portanto, sentido o investimento. Mas atenção, não se trata de coisa vulgar. O dirigente angolano gosta de altos voos, mas em altas condições. Nada vai faltar no pretendido aparelho voador. O luxo é asiático: Cadeiras são rebatíveis e insufláveis feitas de titânio, trabalhadas à mão e protegidas com material anti-fogo, cada uma delas no valor de 103 mil euros, poderão integrar o interior do Boeing 767-400 (ou 767-200 em alternativa), que o presidente Eduardo dos Santos quer adquirir para uso exclusivo nas viagens oficiais e particulares. Custo da encomenda: 101,6 milhões de euros. Diz o Expresso.
Está certo. O poderoso dirigente angolano não ia sentar o presidencial cú em qualquer trivial cadeira.
Mas o requinte estende-se a outras amabilidades da técnica. Há jacuzzi e karaoke incluídos. A aparelhagem sonora dá muito jeito nas viagens longas. Para passar o tempo poderá trautear canções do seu camarada de partido Ruy Mingas. Daquelas que denunciavam a repressão colonial e a miséria do povo. Ou então pode levar o cantor-atleta-ministro com ele nas viagens. As cantorias ao vivo têm mais emoção.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Predadores


Este livro de Pepetela intromete-se na vida íntima dos poderes angolanos. Abrem-se as portas e descobrem-se os podres: discursos viciados e viciosos, corrupções várias, atitudes prepotentes, enfim, o absurdo elevado a forma de fazer política. Há movimentos de libertação que mais parecem contudentes máquinas, utilizáveis em regimes repressivos sem vergonha. A máxima é: salve-se quem puder, o melhor possível e enquanto é tempo.
Pepetela é um escritor de referência. Tem ideias e defende-as. Ser quem é permite-lhe essa ousadia. Mas claro que há coragem nesta escrita. Desmontar as estruturas criadas pelos seus próprios ideais é um acto de coragem intelectual. É obra.
Este Predadores é obra grande. Lendo este livro percebe-se muito do que se está a passar em Angola.
E dá para perceber que não é nada de bom.

O titulo é Predadores.
Pepetela escreveu.
A Dom Quixote editou.
Tem 380 páginas.
Quanto custa não sei, nem fui ver. Foi oferta de um amigo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

E se trocassem algumas ideias sobre o assunto?

Se o Bloco de Esquerda se render à estratégia pessoal de Sá Fernandes e fizer uma lista com Helena Roseta, faz um bonito serviço à direita.
As estratégias devem ser políticas, não pessoais.
A única lista de esquerda ganhadora é a de António Costa. Há dúvidas?
Ruben e Negrão já elegeram o ex-ministro seu principal inimigo. As alianças sombra entre os rubens e os negrões da vida são muito comuns nas autarquias do País.
O chato disto tudo é que continuam os "iluminados" independentes a prejudicar, instruídos pelo seu ego.
Não podem ser sérios?
E se trocassem algumas ideias sobre o assunto?

Scolari maça

Oiço no rádio do carro: Scolari anda pelas ruas de Matosinhos, munido de um pequeno bloco, a multar quem se atreva a fumar na via pública.
A iniciativa é de alerta contra o tabagismo.
Nunca fumei na vida. Não está nos meus horizontes ser apresentado ao treinador de futebol. Mas confesso que perante esta notícia, ficaria encantado em encontrar Scolari na rua, e, na circunstância, puxar de uma valente cigarrada. Sabem para quê? Para sugerir a Scolari o que fazer com o papelinho da multa.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Os polícias, o Mourinho e o cão dele


José Mourinho, nosso emigrante de luxo, teve problemas com as autoridades inglesas por tentar salvar o seu cão das mãos das cínicas criaturas.
O animal saiu do país e, no regresso, não lhe foram injectadas as vacinas obrigatórias por lei.
O famoso treinador de futebol reagiu à captura do bicho. Foi preso.
O cão ficou em casa.
Mourinho provou que é um fiel amigo. O melhor amigo do seu cão.
Saúdo-o por isso.

Da literatura


É hoje lançado na FNAC Chiado um novo livro de Eduardo Pitta. É a primeira incursão no romance deste vizinho da autarquia blogosférica.
Como o Eduardo escreve tão bem que até faz impressão, espera-se que esta primeira prova impressione.
Fernando Pinto do Amaral vai botar palavra sobre o trabalho.
O encontro foi marcada para as seis e meia da tarde.
Vou lá dar um pulo.
E vou trazer o livro, é claro.
A gente depois fala.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Os lisboetas

Fernando Negrão é pau para todo o arremesso. O líder do PPD/PSD escolheu o autarca setubalense para a corrida lisboeta.
O candidato derrotado em Setúbal aceita enfrentar mais uma derrota. Há políticos assim: vocacionados para perder. Para as estruturas a que se candidatam são o que são: irrelevantes. Funcionam para os interregnos. Para a próxima, o próximo presidente do PPD/PSD escolherá alguém com mais peso. Para perder, Negrão está bem.
Carmona pondera uma candidatura independente.
O equilíbrio instala-se.
"Rosetas" há muitos, seus palermas.

Onde está Madeleine?


Não me sinto muito à-vontade para falar do caso Madeleine. Não tenho que ter opinião sobre tudo. Este rapto, ou seja lá o que for, ultrapassa os limites da compreensão. Perceber que há seres humanos, a circular em nosso redor, que são capazes de actos tão hediondos, repugna.
Sei dizer que não estou de acordo com os que acham a investigação exagerada. Mas não sei o que é suficiente num caso destes.
Todas as tentativas que tentam aliviar tão grande sofrimento devem ser estimuladas. Tudo deve ser feito.
Agora parece que há três novos suspeitos.
Investigue-se.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

África minha


Vai ser hoje lançado um novo livro de Gonçalo Cadilhe, onde se reúnem as crónicas que o viajante foi publicando no Expresso.
África é o motivo da proeza. Quilómetros de caminhos surpreendentes e deslumbrantes. As redacções de Cadilhe revelam actos de prazenteira mas corajosa deambulação. São também uma estimulante viagem pela língua a que Camões deu polimento. Nos livros de viagens encontram-se muitas das pérolas da literatura dos nossos dias. Chatwin vem-nos logo à lembrança: um escritor com tanto para percorrer, que partiu cedo de uma vida bem vivida.
Gonçalo Cadilhe ainda por cá anda, e vai andar, a surpreender-se e a surpreender-nos com as suas contantes e arrebatadoras descobertas.
A cerimónia é logo, por volta das seis e meia da tarde, na FNAC Chiado. Parece que vai haver projecção de imagens dos trilhos percorridos.
Não vou faltar. Até logo.

África acima é o título da publicação.
Foi Gonçalo Cadilhe quem tratou de descrever os percursos.
A Oficina do Livro publicou.
O livro tem 243 páginas.
Custa 15 euros

domingo, 13 de maio de 2007

FÉTUR

A tradicional Feira da Fé, que se realiza anualmente em Fátima, comemora noventa anos. A superfície comercial que a abriga foi remodelada, modernizada e adaptada a novas rentabilidades.
Um investimento turístico de gabarito. A afluência é grande. Uma Empresa de sucesso.
O responsável máximo da multinacional, em viagem de negócios pelo Brasil, enviou saudações.
Como é de prever em grandes ajuntamentos, os vigaristas investem no terreno e também se ajoelham.
D. António Marto, gerente do evento, queixou-se, em entrevista ao Diário de Notícias, da actuação de seitas católicas e grupos exotéricos.
Os grandes negócios comportam sempre riscos.
A vida é dura.

sábado, 12 de maio de 2007

Grande penalidade

Sócrates lança António Costa na corrida para a conquista de Lisboa. Jerónimo mantém Ruben. Tudo leva a crer que Sá Fernandes alinhe mais uma vez com o Bloco. Helena Roseta vem não se sabe de onde para fazer não sei o quê. Marques Mendes vai buscar Fernando Seara a Sintra. Fazia aqui falta um cromo da bola. Era mesmo o que faltava a Lisboa. O líder temporário do PSD rende-se ao jet Set futebolístico. Esperemos que a tentativa esbarre na trave.

Altos magistrados

No Jornal de Sábado, na SIC, uma notícia pôs Cavaco Silva e Scolari declarando o que entenderam declarar sobre o caso da pequena Madeleine.
Cavaco confia na polícia portuguesa e diz que acredita que tudo está a ser feito para encontrar a menina.
Scolari pede uma oração à santinha de Fátima.
Assim é que é: os dois mais altos representantes nacionais em pé de igualdade.

Frutas do nosso tempo


A Casa Ermelinda de Freitas é uma empresa familiar que faz vinho. Leonor, filha dos iniciadores do negócio, tomou conta dos bagos e tornou a pequena fabricante de vinhos a granel num caso muito sério. Os vinhos da Casa são provados em diversas geografias, e apreciados pelos mais exigentes provadores. João Paulo Martins, José A. Salvador, José Quitério, David Lopes Ramos e João Afonso são alguns dos notáveis profissionais que não dispensam um comentário elogioso aos vinhos que Leonor de Freitas vai criando.
Chegaram agora ao mercado mais três novas apostas: Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional. Três vinhos com notas de apreciação diferentes, mas todos de qualidade superior. O primeiro alegra o paladar com a sugestão de frutos frescos, mentolados, disponibilizando-se para pratos de densa compostura. O Syrah exibe elegãncia, na cor sólida e na convocação de frutas maduras. O Touriga é o mais aromático, confirma a elegância dos outros, mas campeia em outra complexidade: frutos secos e especiarias são dominantes. Três grandes vinhos, a preços não proibitivos — perto de 9 euros a garrafa, nos supermercados —, que não dão lugar a desilusões.
Estes novos produtos ostentam novas roupagens. Os rótulos são esteticamente competentes, conferindo unidade visual aos receptáculos.
Os Vinhos Sogrape apostaram na exigência estética, há já alguns anos, e não se deram mal com a encomenda. É bom ver que outros chegam a boas conclusões.
Boas bocas os provem.
Com moderação? Como quiserem.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

As escolhas de Sofia

Um comentário de Sofia Loureiro dos Santos, do nosso vizinho ali do lado Defender o Quadrado, enviado por e-mail, despertou-me a vontade de voltar a autorizar opiniões aqui no blogue. Tenho a maior consideração e respeito pela Sofia. Trocamos amável correspondência desde que estas geringonças existem. Claro que nem sempre concordamos. Era o que faltava...
Desta vez a Sofia contesta o meu post de ontem. Vamos ler:

Não concordo consigo. São cada vez mais necessárias pessoas que, à margem dos partidos, tenham vontade de protagonizar alternativas. São conjunturais mas essenciais para a renovação dos próprios partidos. O PS e José Sócrates, mais uma vez, deixaram que se lhes escapasse o controle sobre o imbróglio lisboeta, não fazendo nada para o deslindar.
Fala-se muito da sociedade civil e da participação cívica, mas quando ela se manifesta causa imediatas repulsas. Não sei se Helena Roseta é a resposta ou a melhor solução. Mas pode ser uma solução. Veremos.


Não há muito para ver, cara amiga. O percurso desta arquitecta sem arquitectura deixa muito a desejar. Estou de acordo com o Eduardo: a senhora envelheceu mal. Mas, independentemente de tudo, já provou que actua sem respeito pelos outros. Quando a coisa não lhe agrada... põe-se a andar. Grande envergadura democrática, não haja dúvida. Enquanto o aconchego partidário os favorece, não os incomoda a falta de cidadania, quando falta é que a porca torce o rabo. Estamos fartos de partidos? Já Salazar, agora tão na moda, não tinha grande paciência para estes convívios. Se calhar é mal de dirigentes. Não nos deixam mandar, mandamos a estrutura à fava. Depois ficamos independentes. Os resultados são conhecidos. Há muitos exemplos: Isaltinos, Valentins e Felgueiras é o que por aí não falta.
É mal do sistema? Se calhar é, mas não há outro melhor.
Quanto a competência... Estou mortinho por ver a constituição da equipa da novel candidata. Deve ser um papelinho.
Dito isto, acrescento: não tenho filiação partidária. Voto em quem me apetece. Mas não me apetece votar em qualquer um. Não o faço, nunca.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Lá vai Lisboa

Helena Roseta sai do PS e chega-se à frente como candidata à presidência da câmara. Independente, diz ela.
Estes imprescindíveis acham-se o máximo. Desprezam a política e a sua disciplina sempre que necessário para a elevação do seu desmesurado ego. O "alegrismo" morreu quando tentou nascer, mas tenta tristemente impor o seu fado: contra a política, contra os interesses instalados, dizem. Como se eles fossem uma espécie de robins dos bosques irrepreensíveis.
A senhora foi autarca em Cascais, eleita pelo PPD/PSD, de onde saiu cheia de prestígio por ter renovado a rede de esgotos, quando não havia outra coisa a fazer: aquilo estava completamente podre. Há quem diga que o crescimento desordenado do betão começou no seu mandato, tornando-se bem visível na gestão seguinte, comandada pelo seu vice.
É esta heroína que quer salvar Lisboa. Maria João Avilez, em conversa com João Adelino Faria, no RCP, revelou-se encantada com a oportunidade da "jogada". Bestial, há um jogo e há claque.
Esperemos que a Esquerda não caia na esparrela.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Cenas dos próximos capítulos

A história tem todos os ingredientes: vilões, bons rapazes, donzelas choramingas, conflitos em catadupa. A renúncia dos vereadores não se vislumbra. Ruben de Carvalho acha que os responsáveis socialistas andam em busca de protagonismo, por sugerirem que todos se demitam. Agora aparece Santana a puxar a brasa ao seu peixe. Nada se sabe de concreto e tudo pode acontecer. O governo da principal autarquia do país é um ratoeira. Carmona está calado como um rato. Faz sentido: os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Ele é o comandante. Os ratos que se afoguem primeiro.
A novela continua.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Aqui há texto


Este livro de Eduardo Pitta já andou em bolandas pela comunidade dos blogues. Tudo o que lá vem já esteve na montra do Da Literatura. Sou freguês desde o princípio. Esperei para ver. Uma edição em livro é outra coisa. Já passei os olhos pelas 286 páginas. Foi um prazer e a confirmação de que a blogosfera é mais um meio de expressão que, tendo os seus requisitos próprios, não vira as costas ao espaço de opinião livre e crível, podendo exibir-se em outros suportes. Eduardo é um escritor, um crítico competente e um cidadão com coisas para dizer. É isso que ele faz com grande frontalidade e elegância. Este Intriga em Família pode ser lido de trás para a frente ou exactamente ao contrário. Tal e qual como nas navegações blogosféricas. Uma espécie de Livro do desassossego, mas com uma ordem temática que nos permite escolher prioridades. O livro termina desta maneira:
a mim interessa-me ler. Mas para isso é preciso que haja texto.
Aqui há texto. É lê-lo.

Intriga em Família é o título
Eduardo Pitta fez os textos
Quasi editou
Tem 286 páginas
e custa 17,85 euros (preço de editor)