domingo, 27 de agosto de 2006

Questão de Fé

Setúbal - O gabinete de Carlos Sousa, na câmara de Setúbal, segundo o EXPRESSO do último sábado, é vigiado em permanência por imagens de São Francisco Xavier, Inácio de Loyola e Jesus Cristo. O último com direito a velinha acesa. É certo que vão longe os tempos do "ópio do povo" leninista. Também ninguém de bom-senso apela à privação da Fé de cada um. Mas para autarca comunista, parece-me excessivo tanto temor religioso. Nem estou a ver, nos dias que correm, os autarcas do cristão CDS/PP com tanto ornamento nas salas onde se decidem as políticas para as cidades. Na exibição de tanta crença não há lugar para um posterzito de Marx, Lenine ou Guevara? Ou estas já não são contas do seu rosário?
JTD

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Antecipadas, para que vos quero?

Setúbal - Não tenho a certeza que a realização de eleições intercalares sejam a solução para a crise.
Claro que não vejo a simpática vereadora da cultura como proposta credível. Quando a comparei a Santana Lopes não era apenas na semelhança do facto político. Aí até se poderão encontrar diferenças. Referia-me à ligeireza, à pouca capacidade de resposta para questões que requerem mais exigência. São estas inabilidades que motivam as trapalhadas. Compondo o raminho com os outros vereadores perfilados para ocuparem os lugares, estaremos perante futuros momentos carregados de humor. Talvez o PCP queira participar no guião dos próximos episódios do "gato fedorento". Só pode.
Negrão será um bom candidato para o PPD/PSD. Claro que há aquele mau-passo no governo de Santana, mas como ninguém é perfeito... Os que se lhe seguem é que assustam. Tótós do pior. Viram as curtas declarações à imprensa de um responsável concelhio? Articular aquelas vulgaridades de oratória deve ter sido um esforço intelectual de monta.
Quanto ao PS de Catarino, palavras para quê?
O Bloco intervirá com o à-vontade de quem pode denunciar uns atropelos sem ser atropelado. Vantagens de quem está fora da carroça do Poder.
Perante este cenário, não tenho de facto a certeza da justeza, ou vantagem das eleições intercalares antecipadas.
Admito estar enganado, como é óbvio.
JTD

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Oferendas aos deuses

Setúbal - Aranha Figueiredo é um ortodoxo. Sempre foi. Um seguidor do chamado "centralismo democrático" tão ao gosto dos mais estafados estalinistas. Acatou as decisões centralistas em silêncio. Foi adicionado a este cozinhado para tramar Carlos de Sousa. Ele é apenas um instrumento das tramóias partidárias. O PCP continua a sua política profundamente religiosa. Não há lugar para a contestação às decisões dos cardeais. A razão que leva o partido a transformar Aranha em cordeiro oferecido em sacrifício é que ainda são desconhecidas.
Como em todas as religiões, decide-se no profundo silêncio das sacristias das catedrais. Como nas religiões mais atrasadas, o ser humano é apenas um joguete nas definições de estratégias.
JTD

Dia 16 em Paredes de Coura

Bem, foi por este dia que saí de casa e aturei a chuva - Ok, e também por Morrissey e Bauhaus. Esperámos à chuva para entrar no recinto e por volta das 4.30 lá entrámos. Fomos a correr para a grade e quando só estavamos nós e mais umas dez pessoas lá aparece o Jesse Hughes dos Eagles Of Death Metal para o soundcheck. Aplaudimo-lo e ele desceu para a relva para falar connosco. Ele é estranho mas muito simpático. Conversou connosco e depois lá foi acabar o soundcheck. Nós esperámos na grade por eles. Já estava na hora e entram os The Vicious Five. Foi um bom concerto e o público aderiu. O vocalista, Joaquim Albergaria, foi simpático mas trapalhão e um bocado tótó. Deram um concerto bom. O baixista conseguiu partir uma corda.


A seguir, entram os Eagles Of Death Metal. Foi muito melhor do que eu estava à espera. O público aderiu com entusiasmo e tive que ter cuidado com as pessoas a passar por cima da minha cabeça: o moche que estava atrás de mim e o Jesse a fazer-se à minha namorada e a todas as outras raparigas do recinto. Foi um concerto bom e divertido.


Depois entram os Gang Of Four. Não os conhecia bem e não são propriamente o meu estilo, mas gostei. No final o guitarrista atirou uma bela stratocaster ao chão e o vocalista, ao ritmo da música, bate com um bastão num microndas. Foi giro.


Lá para a noitinha, entra Karen O e a sua banda. Os Yeah Yeah Yeahs deram um concerto bom e emotivo. Tinha uma rapariga ao meu lado a chorar. O público cantava todo com ela e no final o guitarrista vai buscar a máquina fotográfica e capta o público. Muito bom.


Finalmente, os Bloc Party. Mas que concerto. Gritámos, como fans dos Morangos com Açúcar, pelo guitarrista até ele olhar para nós e sorrir. O vocalista, Kele Okereke, era bem simpático e no final vem para a grade comunicar com o público. Espectacular.


Por final, os We Are Scientists. Já me tinha ido embora nos Bloc mas vi ao longe. Sinceramente, não gostei. Nada de especial.


GD

Montanha ou rato?

Setúbal - Carlos Sousa foi apanhado de surpresa, disse. Não esperava esta atitude do seu partido. O partido diz que os autarcas agora apeados são de uma exemplaridade notável. Se são assim tão exemplares, para quê a substituição? E porquê agora? Entretanto, o partido entrega a câmara a Dores Meira, uma espécie de Santana Lopes do PCP. A falta de horizontes políticos por parte da senhora é notória. Ainda deve sonhar com os amanhãs que cantam. Onde é que esta gente tem o juízo? Será que é falta de siso ou nem tudo nos foi contado? Aposto na segunda hipótese.
JTD

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Morrissey, o "manda-chuva"



Podia ter sido um dos melhores concertos. Morrissey entra em palco, pede ajuda( - "Paredes de Coura. Ajudem-me" ), e dá início ao concerto. Estava a ser um grande concerto até Morrissey começar com o seu estranho humor. Manda umas bocas e parece querer provocar o público. O concerto continua, a actuação e as músicas são geniais. Mas Morrissey não está contente e queixa-se do microfone e do som, e a meio da última música do concerto ( Panic dos Smiths) despede-se e deixa o palco. Eu sinceramente adorei o concerto, mas não percebo o amúo dele... Enfim.

Morrissey trouxe um bom concerto e muita chuva a Paredes.
GD

Marcello? Catano!

Em tempo de comemorações, é interessante dar uma olhadela neste texto de Eduardo Pitta em da literatura.
O ensaio de Vasco Pulido Valente no Público também deixa de fora pormenores do carácter da criatura.
Só falta agora assistirmos a uma romaria de patriotas saudosos para a inauguração do Museu a Salazar, na terrinha do ditador.
Alberto João estará certamente na primeira fila. Havendo contratempos na execução do projecto que provoquem demora na sua execução, ainda por lá veremos o palavroso dirigente laranja como mais alto representante do Estado da Madeira.
O governo do "contenente" que se ponha a pau. Ainda ficamos sem Madeira. E sem Jardim. Que chatice!
JTD

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Grande reboliço nos paços do concelho

Setúbal - Nunca se viu nada assim por estes lados. Um partido lança às urtigas militantes que apenas são isso mesmo: militantes. Como autarcas não levam a carta a Garcia. Há uma inspecção e... zás, fica tudo abananado. Ou seja, a inabilidade (no mínimo) impera. A vereadora da cultura poderá ascender a presidente. Será que não fazia parte da gestão que agora é posta em causa? Exercia uma gestão unipessoal no seu pelouro?
Agora é ver o circo: o partido chegou à conclusão que afinal não eram aqueles os camaradas com melhor preparação para os lugares. Nós chegamos à conclusão que o partido se engana quase sempre. Quem se lixa? A cidade.
Desde o princípio que a gente sabia que isto ía dar bronca. E dissemo-lo. Só que o problema não é pessoal, é político.
JTD

Nobéis


Saramago saiu em defesa de Günter Grass.
Grass pertenceu às Waffen--SS no final da II Guerra Mundial. Esta revelação tem animado súbitos ódios.
José Saramago comentou assim a cruzada contra o escritor:

"Surpreendeu-me a violência das reacções. Ele tinha 17 anos. E o resto da vida, não conta? Parece-me que muita gente que não consulta a sua própria consciência teve uma reacção hipócrita. Anda muita gente à procura dos pés de barro das pessoas influentes. Lembra-me o sujeito que seguia um circo de cidade em cidade. Um dia, perguntaram-lhe: "Porque é que anda atrás deste circo?" "Porque quero ver quando é que o trapezista cai e morre."

Muitos continuam a frequentar estes circos, com entusiasmo de meninos.
JTD

Em 2007 há mais

Paredes de Coura já lá vai.
Houve de tudo: grandes concertos, muita chuva, seguranças brutos, birras de divas, muita chuva...
Enfim, um festival de Verão com todos os ingredientes.
Vou colocar aqui, ao longo da semana, alguns vídeos de bandas que por lá passaram.
GD

domingo, 13 de agosto de 2006

Paredes de Coura


O festival que anualmente se realiza na simpática Praia Fluvial do Tabuão, é o mais interessante dos eventos musicais de Verão. Podem confirmar esta verdade aqui.
Alguns de nós lá estaremos. Lá estarei para ver e ouvir Morrissey. Um rapaz da minha idade que continua a dar música, e da boa.
JTD

Estação tonta

Agosto é mesmo assim: as opiniões escasseiam. A colocação de postas aqui na folhinha electrónica é de uma irregularidade visível. As visitas dos fregueses também é muito mais espaçada. Voltaremos à normalidade logo que possível. Entretanto vamos andar por aí... a apanhar outros ares.
Bom Verão.
JTD

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Terrorismo na blogosfera


José Pacheco Pereira anda às aranhas com as abruptas ofensivas ao seu blogue.
O terrorismo anda pela blogosfera sem rei nem roque.
Um trabalho sério e esforçado é posto em causa por gente sem escrúpulos em busca de "glória" fácil.
Todos os ofícios têm ossos. Os ossos, às vezes, doem muito.
JTD

Criminalidade baixa em Setúbal

Li em jornal da terra que a criminalidade baixou em relação ao ano passado.
Sabendo dos assaltos à porta dos estabelecimentos de ensino, nos jardins públicos, dos recrutamentos para o partido de extrema-direita, o que nos leva a ficar descansados perante tão animadora notícia?
Alguns destes roubos, em pleno jardim do Bonfim, são feitos com a exibição de afiadas facas.
Acredito que acabem por não ser comunicados às autoridades; mas lá que existem, existem.
RR

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Oh que calma vai caindo

Quando a calma apoquenta, os fogos alastram. Muitos são obra de seres humanos: serezinhos desprovidos de valores de respeito pelos outros e pela Natureza. A par dos canídeos abandonados, do lixo espalhado pelas ruas, das atitudes selvagens ao volante, existe também uma vontade de colocar em risco populações e bens. O Verão, a estação mais tonta do ano faz das suas com grande altivez. Parece que tem que ser mesmo assim. Parece que a barbárie se aproxima.
A sorte é que o Outono avança a passos largos na nossa direcção.
JTD

domingo, 6 de agosto de 2006

15 anos


Passam hoje 15 anos sobre a primeira utilização de um serviço de web.
Hoje já não nos lembramos que este facilitador das nossas vidas nasceu há tão pouco tempo. Já não imaginamos viver sem ele: vamos ao banco, fazemos compras, divertimo-nos e trabalhamos. O primeiro utilizador foi Tim Berners-Lee, com direito a retrato e tudo.
Como a gente te agradece, pá!
JTD

sábado, 5 de agosto de 2006

Melgas na Feira

Em todos os cantos, becos e esplanadas da cidade de Setúbal não se fala de outra coisa: as melgas atacaram em força a Feira de Santiago.
Acabo de receber um programa do evento e fico esclarecida: D´ZRT, Toy e Anjos estão anunciados para animar as noites do recinto.
RR

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

O 3º Homem


O argumento é inspirado na história de uma mulher que sobrevive após ter saltado da Torre Eiffel.
A outra fonte inspiradora é o tema de Laurie Anderson "From the air".
Texto e encenação de Alexandre Lyra Leite.
Música de Afonso Malão.
Interpretações de Carla Jordão, Eunice Gonçalves Duarte, Gracinda Nave, Inês Jacques, Luis Amarelo, Rui Mourão e Sílvia Lucena.
Concepção visual de Rita Leite.
Coreografia de Catarina Trota.
Produção de Inestética.
Boas Interpretações. Música excelente. Um espectáculo visualmente soberbo.
A ver até dia 6, no Teatro Maria Matos.
JTD

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Abaixo de cão


A triste caminhada dos cães abandonados logo que se aproximam os meses de férias é lamentável.
É uma notória demonstração da crueldade do Ser Humano. A malta mima os bichinhos enquanto não incomodam, mas ao aproximar dos quinze dias de descanso anual, tornam-se incómodos. Os mimos a que se vão habituando ao longo do ano, perdem o sigificado mal se aproximam os diazinhos de férias.
Todos os dias assistimos ao penar destas criaturas, com o ar incrédulo de quem não sabe muito bem o que lhes aconteceu.
Deambulam pelas ruas da cidade em busca do conforto perdido.
Envergonha-nos este deambular.
JTD
Imagem: plos animais

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Levante-se o morto

O conflito lá para os reinos da arábia está a atingir contornos estranhos. Tal como refere Daniel Oliveira no arrastão, parece que se nos fornercermos de informação em certas fontes, ficamos com a esclarecida ideia de que a culpa das mortes em Qana é dos próprios mortos. Quem os mandou chegar à frente?
Em guerra, as definições sobre os limites de permanência nos territórios são sempre estranhos. Quem deve estar e onde, quando as bombas caiem?
Então não é para matar que se fazem guerras? O mal está em fazê-las. Os mísseis não enviam novas de felicidade. Os canhões não disparam pombas brancas. Espalham a morte.
JTD

Birras

Maria João Pires fez birra. Zangou-se com o país Portugal porque este não a compreende. Foi para o Brasil, terra muito mais atenta às artes e à cultura em geral, arrasar as atitudes dos seus subsidiários conterrâneos portugueses.
A excelente pianista recebeu mundos e fundos do estado, da autarquia e sabe Deus de quem mais, para o seu projecto em Belgrais. Não passou cartão a ninguém. É um vedeta internacional. Como tal, é nossa obrigação, e das instituições, aturá-la sem pestanejar.
Terá o Brasil paciência para a portuga desavinda?
A gente vai ver, né?
JTD

Não o merecemos


José Cid está na moda. É pelo menos o que nos garante a última edição do BLITZ.
Entre outras saídas de inegável veracidade, destaco estas:
"Nunca fui coerente e gravei coisas boas e coisas más"
"Mas o meu muito bom é do melhor que se faz na música popular portuguesa desde sempre"
Teremos que perceber o que é bom e o que é mau em Cid. Assim de repente é difícil.
O homem nasceu para a música, e representa para esta arte o que revela na humilde tirada atrás citada. Está muito à frente.
Ele é bom, muito bom mesmo, a gente é que se calhar ainda não deu por isso. Não o merecemos.
Mal agradecidos!
JTD

domingo, 30 de julho de 2006

La dolce vita



Finalmente Roma, a cidade eterna. Os últimos dias deste percurso italiano foram vividos na cidade de Fellini.
Muito calor. Decididamente esta não foi a melhor altura para reconhecimentos urbanos.
Roma é uma cidade carregada de História. O charme que esse passado transmite está por todo o lado: no património monumental, nas ruas, nas lojas, nos cafés. Usei como roteiro pessoal o livro de António Mega Ferreira "ROMA, exercícios de reconhecimento". Segui as sugestões possíveis para a breve permanência na cidade. Um dia com visita guiada, outro livre. No primeiro dia, guiado, visitei o Museu do Vaticano, onde convivi com Rafael, Caravaggio, Leonardo e Miguel Ângelo (A Capela Sixtina é incrível). A guia, contratada para o efeito pela agência responsável pela visita, é oficializada pelo vaticano, o que lhe confere um excessivo proselitismo religioso e comercial. Passo a explicar: a senhora usou e abusou do tempo para a promoção da sua fé e dos objectos de merchadising disponíveis para consumo. Mas, tudo bem, estávamos no seu território. Só não me causou muito boa impressão o enlevo com que se referiu a Benito Mussolini em outras passagens pela cidade. Prossigamos.
Já sem a apologética criatura na dianteira, peregrinei pelos locais do meu contentamento: visita à igreja S. Luigi dei Francesi para ver Caravaggio, cafézinho no Greco, na via Condoti, passagem pelas elegantes lojas desta rua, almoço no Da Alfredo e Ada, para perceber o ambiente tipicamente romano de todos os dias, e deslocação a uma excelente livraria Feltrinelli, no coração da urbe. Aqui há uma pequena história para contar: ao pagar a despesa, pedi, como sempre, a factura correspondente. Ao mencionar o nome da rua onde em Lisboa me instalo, a funcionária, com um ar nostálgico: "Ah, Lisboa, que bonita cidade..." Conhece a capital portuguesa e guarda desse conhecimento gradas recordações. Ao colocarmos Roma no patamar das terras que valem a pena, responde com um negativo acenar de cabeça e um franzir de nariz.
É assim: fazemos da memória das cidades onde fomos felizes repositório das nossas emoções. E vivemo-las quando as recordamos.
Figuro entre os novos amantes desta cidade de ferozes imperadores e generosos artistas. As recordações destes dias já estão muito bem guardados na minha memória. Foi bom visitar Itália.
JTD

Ficha técnica: Fiz esta viagem integrado num grupo de uma casa de pessoal de um organismo público.
Um empresa de viagens tratou do programa guiado. Cristina, uma muito bem informada guia portuguesa, orientou o percurso de ligação entre as cidades referidas. Amante da História da Arte, foi Cristina que nos iluminou os trilhos nas visitas às terras que se nos depararam no percurso: Pádua, Pisa, Siena, San Gimignano e Assis.

Monumental Florença


É esta cidade de Itália que guarda uma percentagem significativa dos monumentos do país.
Muitos dos italianos que contribuiram para o desenvolvimento da humanidade nasceram ali ou lá por perto.
Os Médici mandaram na cidade durante dois séculos. Foram grandes impulsionadores das artes. Hoje a família não exibe um único representante. Como viajei em grupo com direito a guias locais, tive o privilégio de ouvir as explicações de um simpático florentino que me exclareceu à boca pequena os motivos da exterminação de tão poderosa família: "Apenas um Médici restou, ao fim de tantos séculos. Mas parece que não gostava muito de procriar". Um esclarecimento à laia de "Italiano vero" que ninguém leva a mal e vai descontraindo um ambiente insultado pelo calor pouco hospitaleiro que nos agride. Em Florença as pedras falam. Contam histórias de amor e de repressão. Falam dos sentimentos dos homens, que sempre oscilaram entre o amor e o ódio. A Arte faz os relatos dessas emoções. Coloca cada protagonista no seu lugar. É por aí que respiramos quando viajamos. Em Florença foi o ambiente da cidade que mais me impressionou. O exterior dos monumentos. O gosto apurado das construções. Às vezes temos a sensação que Gepeto pode aparecer a uma esquina, com Pinóquio pela mão, conversando com Coldoni. Fazemos as nossas próprias histórias dos locais que visitamos carregados das referências que fomos adquirindo. Nesta cidade lembro-me sobretudo do criador do boneco de madeira (coisas de infância, claro), mas também de Galileu (coisas de adolescência) e de Tabucchi (coisas de crescido). Galileu e Tabucci nasceram ali perto, na zona de Pisa, mas andaram por Florença a fazer pela vida. Também encontrei Galileu nas pedras da cidade. Tabucci vou-o encontrando por aí, nas páginas dos livros onde nos vai contando as suas histórias.
JTD

sábado, 29 de julho de 2006

Voltar a Veneza


Não conhecia Veneza. Nem Veneza nem nenhum sítio de Itália. Comecei por aqui, pelo princípio, já que esta é a cidade que me fornece maiores referências. Com o filme de Visconti à cabeça, claro. "Morte em Veneza" foi projectado no meu cinema privado vezes sem conta. A história, baseada em obra de Thomas Mann, que conta a paixão de um compositor alemão, de férias na cidade, por um rapaz também veraneante, é a declaração peremptória de que os lugares são moldados pelas nossas emoções. Para mim Veneza é a extraordinária beleza daquele filme. Todo o meu imaginário do local está ali projectado. Tirando isso, há as imagens da Praça de São Marcos e das gôndolas rasgando as águas dos estreitos canais, repetidamente impressas por todo o lado. E também os bandos de ruidosos turistas que tudo o que pisam estragam. Mas é assim mesmo: sem turismo Veneza já não seria a mesma.
Quem me mandou lá ir em pleno Verão? Mas vou voltar. Logo que um Outono próximo o permita.
JTD

Pedras que conversam com a gente

Tal como anteriormente referido, cá estou de novo.
Regresso de uma interessante passeata por território italiano.
Três importantes cidades com histórias para contar. Sim, as cidades falam que se desunham: Pelas pedras, pelas ruas, pelas gentes. Eu fui conversar com Roma, Florença e Veneza. Ficarão por aqui nas próximas horas os relatos desses debates.
Até já.
JTD

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Volto já


Dia 29 já tenciono andar por cá de novo. Entretanto vou até ali.
Boas férias ou bom trabalho, conforme as circunstâncias.
JTD

Autarca modelo

O presidente da câmara de Elvas atribuiu o seu nome a um pavilhão multiusos e mais umas obras municipais.
É a população que o exige, diz ele.
O PSD diz que é um dos seus autarcas modelo. O PS não desmente.
O homem quer ficar para a história da terra que o abraça com tanta ternura. E faz por isso.
Ficará certamente para a história do ridículo no Poder Local.
RR

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Ir para o litoral trabalhar


Vou estar até quarta-feira a trabalhar com a Luisa Ferreira.
Ela vai fotografar o litoral alentejano e eu, como responsável pela produção do projecto, vou acompanhar os trabalhos no terreno. (Que sorte, com este calor...)
Com este tempo apetece visitar o Alentejo junto ao mar mas é com outras intenções. Enfim, é a vida.
Os outros fotógrafos envolvidos são Maurício Abreu e Pedro Soares.
Pelos textos responde António Cabrita.
Depois de todos os esforços reunidos, será produzida uma publicação de promoção da zona, a saír lá mais para o fim do ano.
JTD
Luísa Ferreira Imagem

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Castelo encantado



Laurie Anderson vai estar amanhã em Montemor-o-velho.
Os sons do violino mágico vão trepar as muralhas do castelo.
Os estranhos movimentos e as histórias visuais que povoam o seu universo vão assombrar aquele lugar único.
Para recordar aqui fica o fantástico "Home of the brave".
Bom fim-de-semana.
JTD

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Belle And Sebastian


Concerto - É a primeira vez que tocam em nome próprio no nosso país. Finalmente! Finalmente! Já estamos fartos de só poder ver as nossas bandas preferidas nos grandes festivais de Verão. Sem a magia do intimismo de uma sala pequena. Sem a dedicação de toda a gente que se reune ali para ver aquele concerto, apenas aquele concerto. Hoje vai ser possível tê-los só para nós. Esperam-se as músicas do último álbum, mais relaxado, mais feliz, um pouco cínico até. Esperam-se com maior ansiedade os êxitos de antes, as canções delicadas, por vezes tristes, mas sempre bonitas.
Na primeira parte do concerto tocam os Pop Dell´Arte.
Vai ser de luxo!
Carlos Ramos le cool magazine.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Música Brad


House on Hill - Composições de Brad Mehldau, executadas pelo seu trio. Mehldau, Larry Grenadier e Jorge Rossy, num bonito trabalho acabadinho de ser posto à venda cá na terra.
Bons ouvidos o ouçam.
JTD

terça-feira, 11 de julho de 2006

Ir a Belém



O CCB tem neste momento em exibição três valorosas mostras de artes-plásticas. Uma amostra da colecção de Helga de Alvear, que me parece, sinceramente, muito mais interessante do que a do Berardo das comendas, desenhos de Abel Salazar, o investigador internacionalmente reconhecido que foi perseguido pelo seu homónimo de Santa Comba e uma antologia da obra de Jorge Martins, com uma interessante viagem pelos vários períodos criativos do artista. Um passe de 7 euros dá para visitar as três exibições. Vale o passeio a Belém.
JTD

Abel Salazar Imagem

Afinal isto ainda não acabou

Madail pediu que os milhões de euros de prémio pago a cada futebolista do mundial fossem isentos de impostos.
Segundo este cromo da bola, conquistando o 4ª lugar, Portugal foi mais longe com a prestação da selecção de futebol.
Conheço gente, em várias áreas, que têm no seu curriculum primeiros prémios em certames internacionais e continuam humildemente a pagar impostos. Há heróis de primeira e de segunda categoria?
JTD

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Diz-me de que árvores gostas...



Setúbal - Agora houve um abaixo-assinado para eliminar um determinado tipo de árvore (choupo) de um bairro da cidade (zona da Av. Bento de Jesus Caraça). Parece que nesta terra não se gosta mesmo de árvores. Já não bastava os dirigentes autárquicos dizimarem tudo o que é folhagem à sua passagem, agora são os moradores que inventam umas alergias. E à porcaria que invade estes bairros não são alérgicos? A lei do machado foi aplicada na cidade do Sado. Afinal os cidadãos parece que não se enganam com o seu voto. Têm os autarcas que merecem.
RR
Imagem Arcangelo Ianelli

Um Jardim demasiado caro

Jardim desistiu de pedir a demissão de Sócrates e muito pelo contrário foi pedir-lhe batatinhas. Que é como quem diz, bagalhoça para resolver o despautério financeiro que vinga sem controlo no território que dirige.
Há alturas para tudo: umas vezes arrogamos demissões e extinções contra as regras e o bom-senso. Outras avançamos de chapéu na mão, muito humildes, pedindo, implorando, uns trocados para as despesas lá de casa.
A vergonha, essa, é que nunca está presente.
JTD

Remodelação

Saneamentos ali à direita, na coluna das clínicas privadas, e admissões sem qualquer espécie de concurso, estão a acontecer.
É a vantagem de não sermos função pública.
Não há comentadores especializados. Cada comentador pode opinar sobre o que lhe apetecer.
Não há proclamação de estilo ou pensamento. Cada elemento do blogue pode pensar de forma diferente dos outros todos. E pensa.
Só sabemos que nada sabemos, mas temos opinião na mesma.
Obrigado, apesar de tudo, pela vossa visita.

domingo, 9 de julho de 2006

Obras

Continuam as obras aqui no blogue.
Reabrimos amanhã com as novidades.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Prometemos ser breves


Substituições, ajustes e novas ligações, levam a que se interropam hoje e amanhã os comentários aqui no blogue.
Voltaremos sexta-feira com novidades.
Obrigado pela preferência.

Imagem de Fernand Léger

segunda-feira, 3 de julho de 2006

As tretas do professor

Como todos se lembram, Fernando Ruas incitou populações a correrem à pedrada com os representantes do Ministério do Ambiente que fiscalizam as acções de destruição da paisagem nacional. Alberto João Jardim apelou a Cavaco para que demita o governo eleito e nomeie outro de unidade nacional (esta unidade proposta pelo soba do Funchal quererá dizer o quê?).
O professor Marcelo, chamado à coacção por Flor Pedroso, lá comentou as declarações de Ruas e Jardim. E que grande amigo que os chefes tribais têm ali na televisão de todos nós. Ruas está perdoado porque até disse que não era aquilo que queria dizer. E Jardim, pasme-se, até tem razões de queixa do governo. Tudo está bem quando acaba em bem. Obrigado Marcelo por tão esclarecedores comentários.
Estava o homem tão entretido a dizer destas e doutras na TVI, e agora somos nós que pagamos a factura na RTP.
Até aqui o governo de Santana nos tramou.
JTD

sábado, 1 de julho de 2006

Construção


Já que falamos de Chico Buarque aqui vai uma sua "construção".
Não é um pedaço do seu mais recente trabalho, mas é bom, muito bom.
Bom fim-de-semana.
JTD

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Carioca


Chico Buarque anda aí de novo. Agora com um novo trabalho musical. Hoje ele é capa (com entrevista dentro) dos dois diários que habitualmente me acompanham ao pequeno-almoço. Saborosas entrevistas conduzidas por Jorge Mourinha (Público) e João Miguel Tavares (DN).
Depois de oito anos sem botar os pés em estúdio, aparece com um lote de registos em que a urbanidade é o motivo para este regresso. O Rio de Janeiro habita este disco faixa-a-faixa.
Buarque é um homem de cidades. Viu a banda passar no Rio, foi para São Paulo, esteve em Roma, Budapeste dá-lhe razões para escrever, viaja, pelo mundo e pela literatura, é reconhecido como escritor, e agora vem lembrar-nos que ainda não largou a arte de entoar os sons.
Quem já ouviu diz que merece ouvidos abertos. Acredito. Vou ali à Fnac ver se já por lá anda, a banda do Chico.
JTD

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Grunhos aos molhos (mais uma)

O presidente da Câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, incitou anteontem a população da cidade a "correr à pedrada" os inspectores do Ministério do Ambiente, na sequência de uma queixa do presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros.
O autarca nega que tenha sido literal na sua afirmação.
(Notícia do Público)
Não é literal. Os grunhos agora, pela voz do seu representante máximo, recorrem ao uso de metáforas para ilustrar as suas nobres acções. E que metáforas...
JTD

terça-feira, 27 de junho de 2006

Ouro puro


A maré da excelência das programações não passou só pelo CCB. Também Pinamonti está de parabéns com as escolhas para o seu São Carlos. Para além das récitas já referidas no post anterior, temos a continuação da experiência Wagneriana com "Die Walkure". Mas também Mozart com "Cosi fan tutti", Stravinski com "Oedipus Rex", Rossini com "L'Italiana in Algeri", Verdi com "Macbeth", Piazzola com "Maria de Buenos Aires", e mais Vivaldi, Schonberg, enfim, um luxo de temporada que começa em Novembro com Mozart, ainda em plenas comemorações.
Sei, de fonte segura, que algumas destas récitas vão repetir a experiência de "O Ouro do reno", sendo transmitidas em ecran gigante para o exterior. Oportunidade de se assistir a espectáculos soberbos a custo zero. Bons tempos se avizinham, digo eu.
JTD

sábado, 24 de junho de 2006

Mega programação


Eu não disse (no dia 3 de Janeiro) que a escolha de António Mega Ferreira para o CCB era do caraças?
Já viram bem a programação apresentada na passada quarta-feira?
Lá iremos com mais detalhe, mas para já fica aqui a minha demonstração de contentamento.
Vou rever as performances de Bill T. Jones. Vou ouvir o genial Keith Jarret. Vou privar com a obra de Paul Bowles. Estarei entre os que não querem perder as récitas de "Wozzeck", de Alban Berg e de "Dido e Eneias", de Henry Purcell, em produções conjuntas com o Teatro Nacional São Carlos. Mas acima de tudo vou andar atento às datas. Uma colheita desta qualidade não deve dar azo a descuidos. É que colheitas destas não nos passam pelos sentidos todos os anos.
JTD
Imagem Bill T. Jones, publicada em Lois Greenfield

Leais lavradores do Douro


Boa tarde. Como é fim-de-semana apetece-me falar de vinho. Porque é fim-de-semana, sim. Estes dias de descanso permitem-nos provas mais substanciais. É geralmente o que faço. Não é que não beba nos dias de trabalho. Não é isso. Mas nos dias em que tenho outras obrigações consumo ainda com mais moderação do que nos dias que destino para o lazer. E hoje apetece-me falar de vinho. Ninguém me encomendou o sermão, mas é que descobri um vinho muito apreciável naquela classificação da relação qualidade-preço. Não sou grande entusiasta de vinho de pacote. Ou antes, não era. É que surgiu um produto nas estantes dos supermercados que me fez perder complexos. Chama-se "Cheda", e é produzido por Lavradores de feitoria / Vinhos de Quinta S.A., do Douro. É um vinho com juventude, frutado, com muito razoável equilíbrio, que permite um bom acompanhamento de qualquer refeição. As embalagens existentes para comercialização comportam três litradas e custam sete euros e noventa cêntimos. O que, convenhamos, não é nada caro.
A primeira vez que tive contacto com estes Lavradores de feitoria, em garrafa, foi no restaurante 1º de Maio, por sugestão do meu amigo Santos, então homem do leme daquela famosa casa de pasto. Agora, este pacote, não envergonha a marca. Até o design da embalagem é digno de boa nota.
Não ostentando as medalhas do estágio em madeira, é um vinho que merece ser provado.
Façam-no e digam qualquer coisa. Bom fim-de semana.
JTD

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Ai anda por aí anda...

A EDP contratou um novo assessor jurídico.
O actual presidente executivo da empresa, António Mexia, foi o responsável pela contratação.
O tal contratado vai ganhar aproximadamente dez mil euros por mês.
E quem é o contratado? Pedro Santana Lopes.
Nem mais. Ele anda por aí, à procura. E toda a gente sabe que quem procura sempre encontra.
Acho que isto é mesmo verdade. Parece mentira, mas não é.
Continuamos a pagar a grunhos só porque ocuparam lugares públicos. Que sina...
JTD

Águas correntes

De Rui Manuel Amaral, editor de literatura da revista aguasfurtadas, recebemos este apelo à sua divulgação.
Com muito gosto o fazemos.

A aguasfurtadas, revista de literatura, música e artes visuais acaba de lançar o seu número nove. Com textos de Inês Lourenço, Tiago Gomes, Rui Lage, Pedro Ribeiro, Marcelo Rizzi, Adrienne Rich, Virginia Woolf, Filipe Guerra, entre muitos outros, para além de trabalhos inéditos de
vários fotógrafos e artistas plásticos, e ainda de um CD com obras de Alexandre Delgado, Ruben Andrade, Dimitris Andrikopoulos e do grupo de jazz Espécie de Trio.

Este número nove será apresentado no próximo dia 6 de Julho, a partir das 21h30, nos Espaços JUP (Rua Miguel Bombarda, 187), no Porto, com a realização de um espectáculo que incluirá as actuações dos projectos Mana Calórica e Las Tequillas. Haverá ainda outros motivos de interesse que estão a ser meticulosamente preparados pela equipa de coordenação da revista.


Uma revista que até dá música, que mais querem?
Já vai no número nove. Muitos mais virão. Assim esperamos.
JTD

Radiohead | Lucky



GD

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Ainda o prémio Pessoa

Ainda Luís Miguel Cintra:

O teatro não é uma arte individual, é uma arte colectiva. No teatro não se pode trabalhar sozinho. E ainda bem. O teatro ensina a viver. A viver com os outros e para os outros. Dura pouco. O teatro é efémero, eu sei, e não pode traduzir-se em propriedade ou património. Mas não é mais efémero do que a própria vida dos homens, e é, como actividade colectiva, um lugar importante de encontro da sociedade consigo mesma e assim trabalha para a História.

Cintra não esqueceu, nesta intervenção, quem com ele trabalhou ao longo deste tempo em que o teatro, o cinema, a ópera e tanta viagem pelo mundo desconhecido da criação, o fizeram como homem e artista. Muito nome se cruzou nesse enriquecimento. Jorge Silva Melo, que com ele fundou a Cornucópia, Cristina Reis, claro, Glicínia Quartin, Gastâo Cruz, Ruy Belo, Sophia de Mello Breyner, Manuel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, José Alvaro Morais, Pedro Costa, João Paulo Santos, Luiza Neto Jorge, enfim, um ramo de gente de primeiríssima qualidade, que com o que sabem fazer, fazem melhores os nossos dias. Parabéns a Luís Miguel Cintra, pelo prémio e pelo excelente discurso.
JTD

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Ser mais igual aos outros


Luís Miguel Cintra botou palavra na altura em que recebeu o Prémio Pessoa 2005.
Um discurso importantíssimo que, pelo pendor humanístico que contém, deveria ser distribuído por instituições educativas já que abarca valores que era urgente lembrar ao povo.
Simplesmente brilhante este texto, que aqui forneço em reduzido naco, mas que pode ser lido na íntegra na edição do passado sábado do Expresso.

"Não foi de facto para ser distinguido ou admirado que escolhi esta actividade, o teatro, foi precisamente pelo contrário, para ser mais igual aos outros, para viver mais com eles, para estar mais perto deles, em situação de igualdade, de jogo, a conversar, a pensar em grupo, a conviver, foi, se quiserem, para continuar a fazer em adulto aquilo que fazemos em crianças, para continuar a brincar, contra toda a solidão e longe de qualquer competição. Tem sido por isso e para isso que me tenho dedicado a esse trabalho. E não fácil.Não é o que a sociedade em que vivemos permite ou estimula ou prevê. Tudo se passa agora menos generosamente, com concursos, carreiras, fama, vontade de passar à frente do outro, hierarquizações, prémios."

Leiam o texto todo, a sério, vale mesmo a pena.
Na cerimónia em que aceitou o prémio, Cintra tinha a seu lado o Presidente da República.
Há quem descreva o ar de Cavaco como que de enfado. Se calhar não percebeu nada.
JTD

segunda-feira, 19 de junho de 2006

O sol quando nasce... nasce

Hoje encontrei o meu amigo Helder Moura Pereira na FNAC do Chiado.
Falámos sobre essa militância que o alegra de descobrir a melhor literatura nos livros do mundo, e de a dar a conhecer no seu blogue.
O Helder disse-me que vai publicar em breve um novo livro. E essa é uma excelente notícia.
Falaremos do livro e do Helder logo que a Assírio & Alvim nos dê o privilégio de podermos contactar com a boa poesia feita em Portugal.
Afinal não é só de futebol que vivem os portugueses.
JTD

domingo, 18 de junho de 2006

A imputabilidade dos grunhos

O nosso observador António Augusto, em comentário ao post de Raquel Rainho, fala de algo para além do abate das árvores. Diz:

Independentemente da insensibilidade dos autarcas (da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia), tenho muitas dúvidas sobre a legalidade dessa transferência.
Pois, como é do conhecimento público, as escolas Conde Ferreira foram construídas em todos os concelhos deste país - com dinheiros privados - e entregues ao estado com uma única finalidade: a de serem utilizadas como escolas.
Até aceito que esta tipologia esteja desajustada das necessidades actuais, mas deveriam continuar a ser dinamizadas como locais ligados à educação e ensino. De outra forma está a ser traída a vontade do doador!
Os políticos têm de conhecer a lei.


Para além do desprezo pela natureza, há uma evidente falta de respeito pelas normas instituídas. Ou será ignorância? Seja como for é lamentável que tudo isto se passe nas barbas dos eleitores, que comemorando a democracia, lá vão votando alegremente no chamado Poder Local democrático.
Será que, se durante as campanhas eleitorais os políticos anunciassem medidas destas, seriam igualmente eleitos? Duvido. Mas o que é certo é que disparates deste continuam a assombrar os dias das nossas vidas, sem que os culpados sejam chamados à responsabilidade.
A Democracia, sendo o regime políticamente mais tolerante, ainda não é a perfeição. Permite que os grunhos não sejam imputáveis.
JTD

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Grunhos aos molhos

A Junta de freguesia de S. Julião, de Setúbal, está a recuperar o edifício onde funcionava a escola Conde Ferreira, para aí instalar os seus serviços.
Para que não tenhamos dúvidas escarrapacharam nas paredes um painel onde essa benfeitoria é anunciada.
A primeira iniciativa tomada para o embelezamento da sua nova casa, foi o arrancamento das frondosas árvores que desde que me conheço enfeitavam o espaço frontal.
Autarcas que não gostam de árvores?! Hum, é de desconfiar.
Quando chegará o dia em que a cidade que me viu nascer se vê livre de grunhos desta espécie?
Já tarda.
RR

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Boda Deslumbrante


Mais uma peça em que me é confiada a estética e as imagens promocionais.
A partir de texto de Luisa Costa Gomes, “A Vingança de Antero ou Boda Deslumbrante“, é um espectáculo que expondo as personagens participantes num casamento, tendo em comum as regras estabelecidas por este tipo de convenções, acabam amarrados a condicionalismos que estabelecem os limites, em principio inultrapassáveis mas que em conflito com as razões que o dia-a-dia dita acabam por provocar o conflito.
Direcção de Carlos Curto.
Estreia amanhã, às 21,30, e ficará ali, pelo Teatro de Bolso, por mais uns tempos.
Apareçam por .
JTD

terça-feira, 13 de junho de 2006

Hogan


E de João Hogan, quando haverá uma grande exposição?
JTD

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Uma simples flor campestre...


Esta fotografia do Chapa provovou acesas opiniões no seu blogue. A razão é simples: a fotografia é notável em tudo o que tem de anulação do real provocado. O azulejo como agente que reprime a Natureza. A Natureza como metáfora da libertação. A vida para além da beleza instituída pelo Homem. Não existem formas de anular os caprichos da Natureza. A vida, na sua inspiradora teimosia, tudo transforma.
Imagem da inquietação: uma plantinha, uma simples flor campestre irrompe contra a força da inteligência humana e do cinzento cimento. Que boa notícia traz esta imagem.
JTD

Futebolândia

E não é que todos os comentadores se tornaram comentadores desportivos! A Futebolândia já tem "pensamento único", que escorre da televisão, dos jornais, dos blogues, das cabeças como se viesse da Cornucópia da Abundância. Estamos em plena "felicidade" pelo Esférico. Saltem muito, é o que vos desejo. A sério, saltem, saltem, pode vir daí uma desorganização das ideias que seja salutar à Pátria. Duvido, mas não excluo nenhum milagre. José Pacheco Pereira.

Como não tenho palavras para definir o fenómeno, recorri à vizinhança. Pacheco Pereira não vai em futebóis.
Não se trata de anti-futebolismo primário. O exagero é que já cansa.
JTD

domingo, 11 de junho de 2006

O Sol quando nasce...

Helder Moura Pereira vasculha com paciência de monge o que poeticamente se vai por aí produzindo. Com assinalável frequência fornece-nos resultados dessa insistência. Já não dispenso a visitinha diária ao blogue que anima. Só para que não pensem que o que digo não passa de delírio, atrevo-me a mostrar aqui a última planta que o Helder dispôs no seu canteiro.
JTD

É o ódio, só pode ser o ódio –
disseram-me que não mereço
as dores de parto de minha mãe.
Tivesse eu um deus e resolvia
isto de uma penada, assim agarro
num livro da minha biblioteca
básica e vou para o parque.

Está fresco no parque. Há de tudo
no parque, preservativos,
cisnes e patos mansos, namorados,
pessoas como eu que lêem
livros, ou passeiam o cão,
ou pensam que a vida é bela
tanto como a vida é feia.

Ah, que orgulho, mereço o ódio,
é muito melhor do que não merecer
nada, e é por isso, contente
por alguém me odiar com a força
do amor, que começo a folhear
o livro com um sorriso na boca.

Os dedos cortados pela folha
fina, página com imp. no canto
superior direito, e o teu poema
mais abaixo, um poema emotivo
que nunca chegou a viver. Olhando
o céu: o dia escurece, finges que deixas
o livro esquecido no parque
e avanças para o corpo do ódio
Anne Francis-Claude (n. Bristol, 1969)

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Franz Ferdinand | Darts of pleasure



Este video é genial mesmo. Na quarta foi o SBSR, onde foram os Editos, dEUS, The Cult, Keane(O concerto mais aborrecido de sempre) e Franz Ferdinand. Ainda estou meio surdo.
GD

Os resistentes


Foi na FNAC-Chiado, ontem ao principio da noite.
Debatia-se um trabalho em dvd, da responsabilidade de Joaquim Vieira, sobre a vida de Álvaro Cunhal. Chamados a opinar: José Pacheco Pereira, Odete Santos e João Madeira. Joaquim Vieira moderou. Começou-se pelo fim. O funeral e os motivos de tanta emoção. Pacheco Pereira, senhor de vasta informação sobre a matéria, falou-nos do dirigente político com as características daquele tempo que soube gerir uma ímpar actividade de resistente. Não definiu os contornos do carisma motivador da impressionante manifestação de pesar.
Odete Santos falou do seu conhecimento da participação de Cunhal na vida colectiva do partido. Intervenção mais apaixonada, mas sem excessos.
João Madeira, investigador da história do PCP, deu a sua visão desse terreno. Chamou o rigor. Foi rigoroso.
Já mais para o final foi convidado a intervir Jaime Serra. Membro do PCP desde os tempos difíceis e camarada muito próximo de Cunhal. Visão apaixonadíssima e amarga. Compreende-se. Os tempos são outros. Serra lamentou o sub-título do dvd - Um resistente - por acha-lo redutor. Os comunistas foram resistentes porque era o que podiam ser naquele tempo. Mas o que de facto queriam era mudar a sociedade. Disse o velho dirigente. Claro que podemos dizer que resistir já contribui para essa tentativa. Mas adiante. Resolvi intervir pegando nesta opinião. É a actividade de resistente anti-fascista a marca mais simpática de Álvaro Cunhal e dos comunistas. Considero até que é por aí que vem o tal carisma. É a coragem resistente que revela o lado mais humano. Se calhar, as acções clandestinas, sempre associadas ao mistério que sugerem, provocam um fascínio que fazem a transição para o carisma. O mistério sempre andou por perto na vida do dirigente comunista. A obra literária era um mistério. Assim como misteriosa foi sempre a sua vida pessoal. Com toda a legitimidade, note-se, mas é um facto. Os desenvolvimentos conhecidos já na última etapa da sua vida é revelador. Pacheco Pereira concorda e avança com a sua opinião sobre a personalidade e a sua construção. Para ele existe uma construção desse mistério. Isso deve ser dito sem complexos. O PCP tem que deixar de tratar o seu líder histórico como um santo. Os santos não fazem história, vão directamente para os altares. Odete Santos discordou. Cunhal rejeitou sempre o culto da personalidade, logo nunca premeditaria nada que se relacionasse com a sua personagem. Errado. Pensar nele não lhe tira qualquer valor. Os excessos de humildade não fornecem grandes resultados. Cunhal pensou nele próprio. Conheceu museus, aprofundou conhecimentos artísticos, correu mundo. Que mal há nisso? Nenhum. É muito mais lamentável a falta de curiosidade intelectual por parte de políticos. Essa curiosidade nunca abandonou Álvaro Cunhal. Esteve com ele até ao fim. É também isso que o torna uma personagem fascinante.
JTD
Desenho de Álvaro Cunhal

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Cuidado com eles

Ontem houve festa rija na baixa lisboeta.
Um sindicato profissional cujos dirigentes já manifestaram em tempos os propósitos racistas, convocou um desfile contra as medidas governamentais que lhes tolhem privilégios.
Houve quem se manifestasse com fotografia de Marcelo Caetano ao peito, lembrando o tempo em que a porrada era dada a eito e as regras eram eles que as faziam.
Têm saudades desses tempos.
Nós não.
JTD

Os novos monstros

Cavaco está a dar os primeiros passos pelo seu trilho conservador.
Na casinha posta à sua disposição, em Belém, tem um quartinho onde esconde os seus monstrinhos opiniosos. Foi lá que se escondeu para decidir sobre a lei da paridade.
Os monstrinhos, avessos a essas modernices das oportunidades para as mulheres na política, tiraram dos seus sacos sebentos as suas opiniões rançosas e forneceram-nas assim mesmo: sebentas e rançosas. Cavaco gostou das opiniões dos seus monstros fedorentos e decidiu: Não há cá paridades coisa nenhuma.
Os cortesãos do costume fizeram a esperada vénea.
Os do costume apenas? Não. Eis que surge um novo e azougado apoiante das causas dos monstrinhos. Jerónimo e seus fiéis também foram ao baú de surpresas que têm escondido e tiraram de lá a sua serôdia opiniãozinha sobre o assunto.
Há quem diga mesmo que a nova palavra de ordem no recém assumido partido conservador é: Odete para a cozinha, já!
Será?
JTD

quarta-feira, 7 de junho de 2006

António Dacosta em Serralves


O Museu de Arte Contemporânea de Serralves exibe uma exposição de pintura de António Dacosta, patente até dia 9 de Julho.
António Dacosta nasceu em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, em 1914. Em finais da década de 30, tornou-se um dos fundadores do movimento surrealista português. Em 1947, recebe uma bolsa do governo francês e instala-se em Paris, onde trabalha como crítico de arte, escrevendo sobre artistas como Miró, Klee e Picabia. Três anos depois, Dacosta deixa de pintar e só regressa à pintura duas décadas depois. Só nos finais dos anos 70 é que o pintor se instala, novamente, num atelier. Começando a pintar quadros de grandes dimensões.
Um grande pintor em exposição de relevo. Em minha opinião o grande pintor da sua geração. Vale a viagem ao Porto.
JTD

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Alvarez na Gulbenkian


770, rua da Vigorosa, Porto é o título da exposição.
Alvarez é uma figura forte do chamado Segundo Modernismo Português, com uma obra plástica de grande significado, que esta exposição revisita. A mostra estará patente ao público entre 19 de Maio e 15 de Outubro.
A não perder, mesmo.
JTD

domingo, 4 de junho de 2006

Bom fim-de-semana


Gerwald Rockenschaub Imagem

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Paul Auster tem prémio


O escritor americano foi o distinguido deste ano com o Prémio Príncipe das Astúrias.
Paul Auster, que está em Sintra a tratar da rodagem do seu próximo filme, não sabia sequer da nomeação.
Os editores fizeram tudo sem que nada fosse soprado aos seus ouvidos. Surpresa completa.
É merecido este prémio. Auster é autor com obra de monta nos terrenos literários americano e europeu.
Livros de referência que vivamente recomendo: A Trilogia de Nova Iorque, O Livro das Ilusões, Palácio da Lua e Leviathan.
O filme que agora está a fazer em Sintra sai das páginas de O Livro das Ilusões.
O real e o imagiário, em alegre desafio do nosso dia-a-dia, conquistaram um importante galardão.
JTD

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Antony and the Johnsons



Ouvir e voltar a ouvir. O melhor da música que se vai fazendo nos nossos dias.
JTD

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Robert Rauschenberg | António Ramos Rosa


Na grande confusão
deste medo
deste não querer saber
na falta de coragem
ou na coragem de
me perder me afundar
perto de ti tão longe
tão nu
tão evidente
tão pobre como tu
oh diz-me quem sou eu
quem és tu?

António Ramos Rosa Texto
Robert Rauschenberg Imagem

domingo, 28 de maio de 2006

O rei dos anéis


Estreia hoje o mais ambicioso projecto operático em Portugal.
Wagner partiu a obra em quatro partes. "O Anel do Nibelungo" representa um dos mais marcantes trabalhos do compositor.
Hoje pisará as tábuas a primeira: "O ouro do Reno". As outras estão prometidas para as próximas temporadas.
Anões malvados, donzelas à beira de ataques de nervos, deuses interesseiros, poções mágicas, enfim um emaranhado de peripécias que fazem do "Anel" um tratado rico em simbolismo literário e musical. Drama épico? Conto melodramático? Um espectáculo soberbo, merecedor de visionamento, ou pelo menos audição, antes que o fim dos dias nos ceife.
Paolo Pinamonti, justo director do S. Carlos, teve a ousadia de permitir que Graham Vick, encenador, virasse o "seu" teatro do avesso. Palco transformado em plateia, plateia empurrada para o palco, uma doidice que adicionada aos esperados excelentes desempenhos, nos relembram a definição de Pessoa: "A Arte tem mais valia porque nos tira daqui".
É nesta loucura que Lisboa vai mergulhar hoje a partir do fim da tarde.
Vou lá estar. Há dias em que nos sentimos bafejados por uma nesga de sorte. Hoje é um desses dias.
JTD

sábado, 27 de maio de 2006

Placebo | Every you Every me



Estava a pensar em meter um video de Tool, mas são demasiado estranhos para o blog.
Ontem foi o Super Bock Super Rock onde Vicious 5, Tool e Placebo foram as estrelas. Grandes concertos!
GD

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Vacas em Lisboa


Lisboa está povoada de divertidos e coloridos animais.
São as vacas da Cow Parade em delírio pelas ruas da capital.
Uma loucura a que ninguém é alheio. Estas vacas não optam pela descrição. São exuberantes.
Tudo começou em Zurique, em 1988. Entretanto, mais de 25 países já se juntaram ao passeio destes bovinos em fibra de vidro. Artistas das zonas de pastagem dão-lhes o colorido, numa acção que pretende salientar a união da criatividade com a solidariedade.
Esta que aqui se junta, é uma das que está mesmo aqui em baixo, perto do sítio onde trabalho, na Rua do Carmo.
JTD

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Jazz hoje


Pedro Viana "Invitation"

Os temas são originais. Na sua maioria escritos enquanto Pedro Viana estava em Boston na Berklee College of Music e foram especificamente escritos para esta formação.
A banda é composta por:
Gonçalo Marques - trompete
Jorge Reis - Sax Alto
Nelson Cascais - Contrabaixo
Pedro Viana – Bateria

Vão estar hoje na Nova tertúlia, na Rua Diário de Notícias,
no Bairro Alto.
JTD

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Luandino Vieira | António Charrua


Canção para Luanda

A pergunta no ar
no mar
na boca de todos nós:
- Luanda onde está?

Silêncio nas ruas
Silêncio nas bocas
Silêncio nos olhos
- Xeh
mana Rosa peixeira
responde?

- Mano
Não pode responder
tem de vender
correr a cidade
se quer comer!

"Olá almoço, olá almoçoeee
matona calapau
ji ferrera ji ferrereee"

- E você
mana Maria quintandeira
vendendo maboques
os seios-maboque
gritando, saltando
os pes percorrendo
caminhos vermelhos
de todos os dias?
"maboque, m´boquinha boa
doce docinha"

- Mano
não pode responder
o tempo épequeno
para vender!

Zefa mulata
o corpo vendido
baton nos lábios
os brincos de lata
sorri
abrindo o seu corpo
- seu corpo cubata!
Seu corpo vendido
viajado
de noite e de dia.
- Luanda onde está?

Mana Zefa mulata
o corpo cubata
os brincos de lata
vai-se deitar
com quem lhe pagar
- precisa comer!

- Mano dos jornais
Luanda onde está?
As casa antigas
o barro vermelho
as nossas cantigas
tractor derrubou?

Meninos das ruas
cacambulas
quigosas
brincadeiras minhas e tuas
asfalto matou?

- Manos
Rosa peixeira
quitandeira Maria
voce também
Zefa mulata
dos brincos de lata
- Luanda onde está?

Sorrindo
as quindas no chão
laranjas e peixe
maboque docinho
a esperança nos olhos
a certeza nas mãos
mana Rosa peixeira
quitandeira Maria
Zefa mulata
- os panos pintados
garridos, caidos
mostraram o coração:
- Luanda está aqui!

Luandino Vieira Texto
António Charrua Imagem

segunda-feira, 22 de maio de 2006

O ridículo é política? - II

O post anterior - O ridículo é política? - motivou algumas reacções, umas de apoio à ideia expressa, outras de reprovação. Umas como outras excessivas, na minha opinião.
Era bom que estas opiniões fossem colocadas no lugar aos comentários, podendo assim provocar reacções mais imediatas. Desta forma, com envio para o e-mail, não nos é possivel responder, nem permite que outros frequentadores comentem. É chato.
De qualquer forma nunca mais falo de programas de televisão. Se eu até nem os aturo...
Se se quiserem despir em directo façam-no. Se se quiserem esmurrar em prime-time, façam favor.
Cá a je é que nunca mais se mete nisso.
RR

sexta-feira, 19 de maio de 2006

The Strokes | Is This It?



Os Strokes vêm cá em Julho, ao Lisboa Soundz. Uma das minhas bandas preferidas que aconselho vivamente.
GD

quinta-feira, 18 de maio de 2006

E um aviãozinho, não querem?

A Igreja Católica é um problema em muita comunidade.
Ele é em Espanha com as medidas de Zapatero; ele é e Timor, com manifestações, ameaças e tudo; e agora em Portugal é o que se vê com os beatos-falsos em cruzada contra a laicidade do estado.
Mota Amaral vai sair das suas pias tamanquinhas para apresentar uma contra-proposta de lei sobre a representação da Igreja no protocolo de Estado. Para o ex-presidente da Assembleia da República, cardeal e ministro devem ter o mesmo estatuto.
Já agora, não se arranjam aí umas limusines com motorista e tudo para as deslocações entre basílicas?
E um ou mesmo dois falconzitos para as idas e vindas de cardeais e bispos ao Vaticano?
JTD

Sem ceia

O Partido Socialista quer acabar com a ceia dos cardeais nas recepções oficiais.
Os esforçados católicos (com o CDS no terreno político) reagem com a habitual violência verbal.
O país é oficialmente católico? E o respeito pelas outras religiões? Enfim, respeitamos tudo e todos desde que a nossa gente esteja na frente. Soberba tolerância.

Na estreia do "Código Da Vinci", o filme, houve pateada a condizer com as atitudes atrás citadas.
São as demonstrações de respeito, por parte dos católicos, para com quem se atreve a interrogar-se sobre os motivos da Fé.
Galileu foi cilindrado pelos condutores dessa arrogância. Se eles mandassem, já percebemos, haveria muita coisa que deixaria de existir. Estas opiniões aqui expostas no vidro electrónico, por exemplo.
JTD

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Tordo sem asas

Anda aí um ex-possível-cantor que resolveu voltar às andanças das cantorias. Depois de ter tentado arrasar a reputação de Brel, resolveu retirar-se. De vez em quando volta, gargareja umas tretas e diz coisas do tipo: eu sei muito bem que sei fazer canções. Assim como quem diz: e quem não percebe isto é parvo. Ouvi-o dizer isto aqui há uns tempos. Agora parece que participa na tv, num programa de entretenimento em que casais fazem juras de amor entre si. Contaram-me, eu não vi, nem faço tenções de ver. Neste programa também entra um mediático advogado que é dirigente da DECO. Muito mal anda a DECO. Ou será que o programa foi analisado pelos técnicos do organismo e tem certificado de qualidade? Pelo sim pelo não, continuo a não ter tempo para passar por lá.
Adiante. A última grande intervenção do talentoso artista prende-se com a ornamentação musical de um punhado de textos de autores contemplados com o Nobel.
Ninguém diga que está bem. Anda uma pessoa a escrevinhar o melhor possível, até ganha o mais prestigiado prémio pelo seu trabalho, quando eis que surge do nada o pedante cançonetista e... pimba, faz da grossa.
Não tenho paciência. Quem quiser que o oiça.
E já agora: melhores dias para a DECO, é o que eu desejo.
JTD

sábado, 13 de maio de 2006

Morrissey | Irish blood, english heart.


Ele vem a Paredes de Coura! E eu vou!
GD

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Sob o signo da verdade

Parece um apelo bíblico. Manuel Maria Carrilho deixou passar meio ano para espingardar contra tudo e todos os que na sua opinião o tramaram. Ignorou o uso que sempre fez da imprensa cor-de-rosa, e vá de arrasar a imprensa que reparou de uma forma crítica na sua prestação absurda nas eleições autárquicas. Não tenciono ler o livro. O público-alvo de Carrilho deve ser o que folheia as revistas do coração. Não me sento nessa plateia.
Escrever um livro com a intenção de desmontar presumíveis má-vontades para com a sua deplorável conduta, não passa de um desperdício de esforços e de papel.
Carrilho já não tem nada para nos dizer. Desgasta-se em demonstrações de ego ferido.
Lisboa está parada. Ganhou a incompetência e o imobilismo. Mas eleger alguém com o carácter do desacreditado filósofo não seria motivo de regozijo para ninguèm.
JTD

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Cartas de Amor


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) Texto
Euan Uglow Imagem

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Estou farta!

Agora é a tanga dos selos.
Tudo o que mete chico-espertismo mete um português.
Não será melhor selar isto e fazer uma investigação a sério?
Sou portuguesa, agora, mas não tenho nada a ver com estes assuntos.
Estou farta de vígaros e de ser vigarizada.
RR

terça-feira, 9 de maio de 2006

Um mal chamado ensino

Diogo Pires Aurélio no DN de hoje, sobre o estado em que se encontra o ensino, termina citando Rolin:
Há dias, falando do seu país e da sua geração, a do Maio de 68, o romancista francês Olivier Rolin pôs o dedo na ferida. Dizia o escritor, em tom amargurado, numa entrevista ao DN: "Não teremos deixado nada de positivo, não deixámos uma conquista, destruímos o ensino. Eu penso que um dos grandes males da França é que o ensino não funciona, no seu conjunto, não forma cidadãos."
Preocupante, não?
RR

segunda-feira, 8 de maio de 2006

André Letria | lecool

Sobre a exposição do André escreveu Catarina Medina estas palavras no lecool:
Versos de fazer ó-ó ou Se Eu Fosse Muito Alto, são só dois dos exemplos dos inúmeros livros infantis que André Letria ilustrou. Depois há o outro lado, o da gente mais séria e teoricamente mais crescida - a ilustração na imprensa escrita. Do Jornal de Letras à Visão, passando pelas capas do suplemento Mil Folhas do jornal Público. É delas que esta mostra se faz. O traço característico que ao longo das semanas permanece como capa do suplemento cultural dá mote à exposição de ilustração Mil folhas. André Letria seleccionou nove originais dos primeiros tempos do suplemento, incluindo a primeira capa do Mil Folhas. Para ver até Junho. Catarina Medina

DDLX Design - Rua do Carmo,31, 5º D, Lisboa

sábado, 6 de maio de 2006

Karel Appel | Simplicidade elaborada


Foi um operador visual muitas vezes pouco compreendido. Activo mentor do movimento CoBra, amante do Jazz e por ele influenciado, utilizou a simplicidade como chave para as suas revelações artísticas.
Morreu esta semana com 85 anos. A sua obra vai andar por aí.
JTD

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Radiohead | Karma Police



Radiohead. Talvez uma das melhores bandas de sempre.
Talvez? Uma das melhores bandas de sempre. Sem discussão.
GD

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Jazz no Bairro

Este divertido texto é assinado por José Duarte e vem publicado em jazzportugal-newsletter, da Universidade de Aveiro.
Chamo-o para aqui por mor da referência à nova-tertúlia e aos seus concertos ao vivo. Divirtam-se.

'já o meu Pai dizia que, neste país desgraçado,
o que não é obrigatório é proibido'
Mário Zambujal

é uma das frases que constam na 'gaveta' Jazz de A a ZZ
outras lá há também elas esplendorosas
jazz em Portugal está na moda
assim de proíbido passou a obrigatório
por todo o lado se toca jazz
ou produtos
que passam escandalosamente por jazz
todos tocam jazz tal como quando o free e na Europa
os músicos perderam a cabeça e viram no free uma mina de ouro
alguns...
tal como nesse tempo ja (re)começaram a tocar instrumentos
gentis homens que não sabem tocar
os instrumentos que percutem ou sopram
crassa a censura
crassa a confusão
crassam os erros
crassa o 24...
no JL numa notícia sobre o Festival Trem Azul escreve-se precussão
no JL...
na Sábado - finalmente percebi porque é que Sábado não é (dia) útil - censura-se texto que a seguir reproduzo
VÍCIOS
Penso - logo penso ou penso mais logo - que não há vícios há sim hábitos que alguém considera maus
Hábitos meus que melhor conheço:
1/ Verdade - só falo verdade quando minto
2/ Sporting Clube de Portugal - segundo como hábito não me desagrada pouco
sou sportinguista campeão desde que me lembro
3/ Hipercondríaco - sabem o que já encomendei para ser escrito na minha campa? "Vêem como tinha razão!"
4/ Manhattan - não é bom arranhar céus?
é ou não é?
5/ Marx - é um hábito que devia ser fácil porque 'Marx tinha razão'
6/ Blues - tanto como o fado ou o flamenco ou o azeite com a água
nunca se misturam ficam sempre por cima em cima
7/ Hálito - um mau hábito é diferente de um mau hálito
apenas no b
8/ Efeito de distanciação - no julgamento por actividades anti-americanas de Bertolt Brecht nos EUAN seu advogado falava pior inglêscano de que ele próprio
por esta é que não esperavam!
cá está o efeito de distanciação
9/ Jamie Lee Curtis - por seus pais (Janet Leigh e Tony Curtiz) que lhe escolheram o sexo
e por tudo o mais
10/ Parker - não o saxofonista negro n-americano génio no jazz e fora dele mas o presumível inventor das canetas de tinta permanente
é linda a expressão 'tinta permanente'!
e 'presumível'?
viva Portugal!
pena tenho da estagiária que me convidou a escrever sobre meus vícios
sabem o que é ser estagiária(o) na tv, rádio, imprensa hoje neste país?
pois saibam
é outro escândalo que por este desgraçado país crassa
rema contra a maré o site jazzportugal.ua.pt
até um dia...
anuncio que + tarde ou + cedo a home sofrerá modificações formais
*que na coluna do meio aparecerão 'gavetas' para Rádio / Papel / CDs Músicos e Jazzlinks manter-se-ão
assim Riff ficará espaço para Riff e seus escritos malvados
*que os DESTAQUES deixarão daparecer por ordem aleatória
*que a Galeria William Gottlieb crescerá
fotógrafos portugueses querem ou não querem exibir vossos trabalhos?
Rosa Reis, Jorge Jacinto, todos os outros
o convite agora público aqui o repito
'A caminho da Califórnia' será meu próximo escrito
Mike Zwerin e Rodrigo Amado já foram convidados para novos textos escreverem
os Passetempos com a 'Casa da Música' do Porto tem sido um sucesso
(e aquela da Orquestra Nacional do Porto!!!)
esteja atento ao que aí vem para o concerto do 'World Saxophone Quartet'
o segredo de jazzportugal.ua.pt são os REFRESH
são essenciais pois com eles se modificam os DESTAQUES e o Jazz de A a ZZ
última promessa via fonte UA
em breve o 'Centro de Estudos de Jazz' aparecerá com todo o seu património
todo talvez não mas muito próximo dele sim
'Bicaense' é um sítio indiscritível num indiscritível sítio
elevador da Bica - Lisboa
na rua também!
encontrei nova gente nova - conhecidos poucos e desconhecidos muitos +
fui ouver bom jazz e ouvi
um trio de músicos portugueses
praparo-me para a 'Nova Tertúlia' clube no Bairro onde nasci
o Alto
querem um conselho?
preparem-se para um livro escrito por um português
fundamental para perceber a pré-História do jazz neste país
'O Jazz em Portugal (1920-1956)
recepção - emergência - afirmação'
à venda lá mais para o Verão
'creio que, com os tempos, merecemos que não haja governos'
Bernardo Soares
e até ja zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

2maio06
José Duarte

E agora o concerto de logo à noite.

O Le Jazz Quartett é uma formação que procura evidenciar a interacção entre os músicos. O repertório é constituído sobretudo por originais, a sua maioria da autoria de Leandro Tuche, e standards ou temas mas sempre com uma abordagem livre de preconceitos e actual. Procura-se a diversidade de estilos, ambientes e situações tanto na composição como na escolha de temas, abrangendo-se desde o swing e ritmos afro-latinos até o funk.

LEANDRO TUCHE – guitarra
JORGE REIS – saxofone
CARL NEVITT – contrabaixo e baixo eléctrico
DIOGO LEONIDAS – bateria
A Nova-tertúlia fica na Rua Diário de Notícias, no Bairro Alto, lembram-se?
Até logo, ou até ja zzzzzzzzzzzz, para vocês, também.
JTD

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Casimiro de Brito | Daniel Blaufuks


FUGA

Alto estou a teu lado
no verão deitado

Alto no esplendor de possuir-te
e trocarmos silenciosamente
os frutos mais fundos da morte

Como se navegasse um rio
por dentro
e na tua fragilidade encontrasse
a minha força

Um caminho rigoroso de silêncio


Casimiro de Brito Texto
Daniel Blaufuks Imagem

segunda-feira, 1 de maio de 2006

1º de Maio


Sebastião Salgado Imagem

sábado, 29 de abril de 2006

Bom fim-de-semana


Sean Scully Imagem

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Grandes fitas...

Outra é a continuidade de Bénard da Costa à frente da Cinemateca. Para além dos talentos óbvios, toda a gente sabe que o actual responsável por aquela casa de cinema é um chato arrogante que não deixa que nada se desenvolva em seu redor. Mas vá de abaixo-assinar para pressionar os poderes. Poderes que parecem querer ceder a tanto ruído.
Foi Bénard que em tempos deu a sua benção à derrocada de pedregulhos que impede o acesso de pessoas às praias da Arrádida, opinando, no conforto da sua casa na zona, sobre o prazer dessa interdição, classificando como ordas as gentes que procuram um pouco de sol por aquelas bandas.
Augusto M. Seabra, em artigo no PÚBLICO, aborda o desempenho no mínimo pouco dialogante do sr. Costa, interrogando-se sobre os motivos que levam a tanto alarido. Será que esta gente tem passado pela Cinemateca?
Eu, que vou à Cinemateca e gostava de continuar a ir às praias da Arrábida, gostava de ver o sr. Costa pelas costas.
RR

Preso por ter cão...

Não deixa de ter graça este desassossego em volta de tudo o que Cavaco faz e diz.
Primeiro foi o grave problema existencial do cravo ao peito.
Agora é o discurso. Que não sei o quê as preocupações sociais. Que mais não sei o quê discurso de esquerda em presidente de direita...
Está tudo doido? Queriam que o homem se preocupasse com problemas para que ele sabe não haver solução?
Abordar o eterno tema dos mais desprotegidos dá para ficar bem no retrato. O caminho foi o mais fácil.
Quando nada mais há a dizer, brinca-se à caridadezinha.
Cavaco é uma espécie de Evita de fato e gravata.
Os descamisados agradecem.
RR

quinta-feira, 27 de abril de 2006

É só mirones

Estamos com um problema aqui no bloguinho.
A malta acotolela-se nas visitas, mas não deixa raspas de comentário.
Está mal. Está mal porque assim esta porcaria não serve para nada.
Sem debate não há ideias. E sem ideias para que queremos nós a mania de que temos opinião?
Vamos tentar botar no écran bojardas mais salientes, mas depois faxavôr de comentar.
Bute lá ou fechamos esta porra.
Até já.
JTD

terça-feira, 25 de abril de 2006

Mais cravo, menos cravo...

Cavaco não usou cravo vermelho ao peito.
E então? O contrário é que seria chocante.
Cavaco não transpirou o mais leve pingo de emoção na madrugada de há trinta e dois anos.
Apenas sentiu perturbação por não haver estabilidade para se instalar na sua vida profissional.
Que as diferenças se mantenham. E se estimulem. A bem da democracia.
JTD

Ena, ena! Não será liberdade a mais?

O presidente do Irão resolveu dar numa de generosidade. A partir de agora as mulheres podem assistir aos jogos de futebol.
É claro que em lugares próprios. Devidamente instaladas longe dos olhares masculinos.
A continuar assim, ainda ficam estragadas com mimos.
Um dia destes ainda as havemos de ver fumando.
JTD

segunda-feira, 24 de abril de 2006

O vento mudou

Hoje não meti os pés no escritório. Comemorar a Liberdade requer alguma disponibilidade. Assim, decidi começar hoje os festejos. Em artigo no EXPRESSO, José Quitério soprou que o novo Nobre, agora no Montijo, oferece repasto que vale a pena. Lá fui confirmar. A sala é agradável. O serviço competente, tal como já o era na Ajuda e depois na Expo. Quanto à refeição, dizer que a perfeição em gastronomia pode existir, não está longe da verdade. Um bom momento de felicidade gastronómica.
Mas há uma outra pequena história (fofoca mesmo) para contar. Estava eu com os festejos a meio, eis que entram no restaurante o insistente responsável máximo da concelhia de Setúbal do PS, Catarino Costa, acompanhado pela ex-responsável distrital Amélia Antunes.
Como já saberão, Vitor Ramalho foi o vencedor nas eleições do fim-de-semana. Estamos portanto perante dois justamente derrotados: Catarino com uma humilhante derrota nas autárquicas, em Setúbal; Amélia afastada da liderança distrital.
Olho de relance, e o que vejo? Copos em riste, em alegre brinde "ao futuro". Foi o que li nos lábios dos convivas.
Que o futuro os proteja nas suas vidas de cidadãos livres e intervenientes. Mas de preferência afastados das lideranças regionais. Já chega de política poucochinha. Renove-se o presente para assegurar o futuro. O tempo dos Catarinos e Amélias já acabou, mas parece que eles ainda não receberam o aviso.
Venceu a política no distrito de setúbal. Parabéns Vitor Ramalho.
E já agora, meus amigos, se arranjarem um pedacinho de tempo e vontade vão até ao Nobre. Fica mesmo ao lado da praça de touros, no Montijo.
Garanto que não se vão arrepender.
RR

24 de Abril

Hoje comemora-se esta data na Região Autónoma da Madeira, por iniciativa do seu presidente.
Em Portugal, há regiões onde as mudanças registadas em Abril de 1974, ainda não aconteceram.
Lá, parece que se quer manter tudo na mesma, como a lesma.
RR

sexta-feira, 21 de abril de 2006

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Mil Folhas | DDLX



A exposição abre hoje. Jorge Silva escreveu este texto para o catálogo:

O André Letria foi um dos ilustradores de referência do primeiro ano do Mil Folhas, suplemento de literatura e artes plásticas do jornal Público. A primeira capa, a da edição de 11 de Novembro de 2000, é dele. Naquele corpo sangrento, de coração vazado, exposto num fundo negro, ficou registada a matriz visual que guiou a ilustração das capas do suplemento durante os seus primeiros tempos: ilustração metafórica, técnicas de representação densas, depuração gráfica e cromática. Aqui se mostram nove dessas capas cuja homogeneidade gráfica e concentração temporal formam uma unidade distinta dentro da vasta e multifacetada obra do ilustrador.
Que revelam estas ilustrações? Sonhos de infância, brinquedos e miniaturas de objectos reais que o André tem guardados numa caixa inesgotável. E que convoca, monta, desmonta e recompõe em associações poéticas e bizarras. Surrealistas, portanto. E realistas também. De um realismo fantástico, tão caro à ilustração do Leste europeu, nas suas metáforas angustiantes e síntese gráfica. E tão André Letria pela sua genuína doçura, a figuração simples, sem a crueldade que muitas imagens fariam prever, a que a pintura em acrílico confere profundidades a pedir um segundo olhar. Acresce a mestria gráfica na composição e na percepção exacta do lugar da ilustração na soma final de imagem e texto que é a obra impressa.
Para sempre guardarei a capa de Sade como um momento mais que perfeito de todos os momentos perfeitos que aqui se mostram. A torre/prisão de Sade, sozinha em palco, vulnerável, o seu torreão/glande e a sua subtil e fálica curvatura, os vermelhos saturados da cor do sexo e da clausura opressiva. Pura beleza.
Jorge Silva

DDLX Design - Rua do Carmo,31, 5º D, Lisboa