World Press Photo 2007
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
LVT 7
A primeira revista LVT deste ano já por aí anda. Neste número destaco o texto de Fernanda Câncio sobre os comerciantes da Baixa que não querem vender. Mas há mais: David Lopes Ramos foi até à zona de Palmela perceber o que por lá se come e bebe. Carla Maia de Almeida falou Com Ana Teresa Vicente, presidente da autarquia. Carla Amaro falou com José Eduardo Carvalho, presidente da NERSAT - Núcleo Empresarial de Santarém. Guto Ferreira e Pedro Soares fizeram os retratos desta gente toda. Nós, na DDLX, tratámos da edição e imagem.
Os textos podem ser lidos aqui
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Ignorância internacional
Um estudo de opinião, feito no Reino Unido, informa que 23% dos ingleses não acreditam que Winston Churchill tenha existido. Já 58% dos inquiridos garantem que Sherlock Holmes andou por lá a investigar crimes. A ignorância não é privilégio apenas do pessoal cá do burgo que abre os telejornais aos gritos. Os súbitos pouco informados de sua majestade são tão brutinhos como os nossos.
Por cá, já se ouviu alguém asseverar, em entrevista de rua, para uma estação de televisão, que o primeiro-ministro empossado logo após o 25 de Abril de 1974 foi Salazar. Seja como for, não estou a ver alguém pintar o ditador com as cores da ficção. Digo eu, mas não garanto nada.
Provavelmente estamos quites. A ignorância é universal.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Je t'aime... moi non plus
Nicolas Sarkosi e Carla Bruni já não são os príncipes encantados do conto de fadas francês. Os franceses não estão para assistir sentados ao foguetório lançado dos lados do Eliseu. Tanta paixão e felicidade despertou antipatia. O Presidente nunca esteve tão em baixo nos testes de popularidade. Claro que não está em causa o seu desempenho político. Cá para mim é inveja.
Amigos para sempre
Sabemos que José Miguel Júdice não se desloca para beber nem um cafezinho com Marinho Pinto. Agora vem garantir que o novo bastonário da Ordem dos Advogados dá ares a Mussolini e a Chávez. Ou seja, é uma espécie de demagogo populista. As denúncias de corrupção que disfere são irresponsáveis apesar de corresponderem a um estilo com possibilidades de futuro. Futuro que, segundo Júdice, pode levar Marinho Pinto a candidato da Esquerda contra Cavaco, nas próximas presidenciais. Não creio que tal pesadelo nos possa apoquentar. Não me parece que seja um populista o candidato escolhido pela Esquerda para Belém. A não ser que seja para "queimar". Mas, até lá, e percorrendo trilhos tão arriscados, o bastonário ficará provavelmente esturricado.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Eles querem comer tudo...
Dezenas de detentores de cargos políticos tentaram ocultar as suas declarações de rendimentos. Num tempo em que os rendimentos de todos nós estão em permanente análise, em que um ligeiro atraso no pagamento de impostos está sujeito a multas e o seu não cumprimento à exposição pública, esta gente propõe uma ousadia destas. Nada tenho contra as normas que vigiam os nossos comportamentos nesta matéria. Mas, ou há moral ou comem todos, lá diz o outro.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Eles comem tudo
As associações patronais querem despedir a torto e a direito. Os motivos são de uma desumanização básica: basta que o patrão queira renovar quadros porque sim. O empregador chega um dia ao local de trabalho e percebe que aquela gente já anda ali a meter nojo. Acciona os mecanismos que a lei lhe permite e "ala que se faz tarde": tudo para o olho da rua. Embora aí arranjar gente nova que já não posso olhar para a cara destes trastes.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Autoridade secreta
O responsável máximo da Judiciária diz que "houve uma certa precipitação" ao constituírem os pais de Maddie como arguidos no processo. Parece que foi o que muita gente achou na altura.
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
Nigth and day
Telmo Correia ter assinado 300 despachos na noite antes de bazar, não nos deve tirar o sono. Provavelmente foram autorizações para comprar canetas e assim. O homem não quis que o seu sucessor achasse os serviços do ministério uma piolheira. Fez bem. Mas o que é que ele terá feito durante o dia todo?
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Está tudo doido?
O Presidente da República foi homenagear o rei morto há cem anos. A festa foi em Cascais e meteu estatuária e tudo. Cavaco lamentou: "Quis o destino que D. Carlos enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar". Será que o Presidente se refere aos crimes da monarquia? Serão essas as tempestades que incomodaram o rei? Mas qual a razão do lamento de Cavaco? Será o Presidente monárquico? Ou será que está tudo doido?
Pessoas
Francisco José Viegas vai sair da Casa Fernando Pessoa. Vai voltar a dirigir a revista LER, que assim volta a ser publicada. Colaborei nas primeiras edições. Era ainda director António Mega Ferreira. Fui director artístico desde o primeiro número. Depois, com o Francisco ao leme, a colaboração continuou. Foi nesse tempo que criei a Estuário, para editar livros de bolso e oferta. Foi o Francisco José Viegas que me sugeriu o nome, por a sede da editora ser então em Setúbal, junto ao estuário do Sado, portanto. Pareceu-me uma boa ideia. Aceitei a sugestão. Entretanto saí do projecto LER. O Francisco continuou. Saiu mais tarde. Agora vai regressar. Espero que lhe dê um bom rumo. Mas também espero que a Casa Fernando Pessoa mantenha a animação encetada.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
O regicida invisível
O centenário do regicídio tem andado na ordem do dia. A distância dita diferentes opiniões sobre o assunto. A Câmara Municipal de Castro Verde pediu a Paulo Barriga que fosse saber da vida de Alfredo Luís Costa, nascido lá para aqueles lados, e de quem pouco ou nada se sabia. O Paulo pôs-se na coisa e revela neste livro o que aprendeu sobre o tal Costa. Estas suas palavras esclarecem o que se pretende, para que não hajam dúvidas:
Esta é a crónica possível sobre a vida de Alfredo Luís da Costa, o regicida que a História abandonou. É um exercício jornalístico, puro e duro. Uma narrativa histórica, composta por três andamentos distintos, autónomos, e, simultaneamente, complementares. É um trabalho de reportagem resultante da leitura livre de documentos, periódicos, estudos, depoimentos, memórias escritas e relatos da época. Que são tratados de viva voz, sem qualquer tipo de condicionamento académico ou científico, como se os protagonistas não existissem na lonjura de um século, mas sim nos tempos correntes. E também por isso respondem estes três artigos à principal circunstância do jornalismo: a actualidade.
A definição estética foi feita por nós, na DDLX.
CRÓNICA DO REGICIDA INVISÍVEL - Alfredo Luís da Costa
Autor Paulo Barriga
edição Câmara Municipal de Castro Verde
lançamentos:
1 de Fevereiro, 18H30, Fórum Municipal de Castro Verde
2 de Fevereiro, 15H00, no Centro de Convívio de Casével
12 de Fevereiro, 18H00, na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa
País pequeno
Viriato Soromenho Marques acusa esta semana no radar:flashback da Visão:
O desabrido ataque de intelectuais à lei que visa limitar os danos do tabaco revela como parte das nossas elites não entende o seu lugar de destaque na sociedade como responsabilidade social, mas como privilégio em matéria de direitos, e isenção no plano dos deveres. Ter profissionais do pensamento a violar o mais elementar bom senso deixa o País ainda mais pequeno.
O desabrido ataque de intelectuais à lei que visa limitar os danos do tabaco revela como parte das nossas elites não entende o seu lugar de destaque na sociedade como responsabilidade social, mas como privilégio em matéria de direitos, e isenção no plano dos deveres. Ter profissionais do pensamento a violar o mais elementar bom senso deixa o País ainda mais pequeno.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
A piolheira e a República
Concordo com Fernando Rosas, na reacção a opinião de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje. O que está em causa não são os salamaleques de ocasião em redor de uma figura histórica. Falamos de opção por um outro regime, quando falamos do fim da monarquia.
Ninguém está a ver um regime que aclama reis, duques e condes reconhecer os brios de uma efémera república passada. Nem na civilizada Espanha isso acontece. Então qual a razão de fardarmos o exército a rigor para homenagear o defunto D. Carlos? O que lá vai, lá vai. Claro que é lamentável matar gente. Seja rei ou plebeu. Mas fazer a apologia do privilégio não me parece muito civilizado. E chamar civilizado e cosmopolita a um rei que achava os seus súbitos uma piolheira do pior não me parece a melhor opção humanista.
O resto está explicado, e bem, por Fernando Rosas.
Ninguém está a ver um regime que aclama reis, duques e condes reconhecer os brios de uma efémera república passada. Nem na civilizada Espanha isso acontece. Então qual a razão de fardarmos o exército a rigor para homenagear o defunto D. Carlos? O que lá vai, lá vai. Claro que é lamentável matar gente. Seja rei ou plebeu. Mas fazer a apologia do privilégio não me parece muito civilizado. E chamar civilizado e cosmopolita a um rei que achava os seus súbitos uma piolheira do pior não me parece a melhor opção humanista.
O resto está explicado, e bem, por Fernando Rosas.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Remodelação possível?
Dois ministros foram à sua vida. Entram outros dois para mostrar o que valem.
Era bom que a remodelação fosse alargada a outras figuras experimentadas em inabilidades várias.
Não foi. Fica para a próxima.
Veremos se não serão os agora empossados os mais prováveis remodelados, num futuro próximo.
Há pastas pesadas.
Era bom que a remodelação fosse alargada a outras figuras experimentadas em inabilidades várias.
Não foi. Fica para a próxima.
Veremos se não serão os agora empossados os mais prováveis remodelados, num futuro próximo.
Há pastas pesadas.
Anda ver o mar
A Câmara de Lisboa passa a tomar conta dos terrenos junto ao Tejo, deixando esta área de pertencer à administração do porto.
A zona ribeirinha está a ser preferida por muitos lisboetas para os momentos de lazer.
Alargando-se o espaço de utilização, alargam-se as possibilidades de novos pontos de interesse. Como estava, como imenso armazém sem uso público, é que não servia para grande coisa.
Esperemos que seja para uso público, mesmo.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
A Polícia e a Democracia
O director da ASAE é já o alvo preferido dos detractores do organismo fiscalizador. É fácil acertar-lhe. O homem é especialista em contradizer o que apregoa. No Parlamento resolveu revelar a sua "normalidade" como transgressor. Mas apesar dos exageros e atropelos, comparar um organismo criado para melhorar a qualidade de vida das pessoas com a polícia política do Estado Novo é no mínimo excessivo. E ofensivo. A ASAE controla e tenta eliminar crimes de pirataria e outros funcionamentos pouco elogiáveis. A PIDE controlava e eliminava ideias e os seus praticantes. E sem grandes conversas.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Partido Alegre
Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje, no Público, põe-se a adivinhar o futuro próximo. Sócrates já era, agora há que dar voz ao movimento de Alegre. Os "alegres" querem fazer um partido para combater o actual estado de coisas.
Manuel Alegre, o político que sempre esteve instalado nos gabinetes do poder, mas com um pé de fora, é agora o arauto do inconformismo. Tudo leva a crer que, se der ouvidos aos seus seguidores, formará um partido em breve. Causa já tem. A luta dos pequenos partidos preenche páginas dos jornais. O poeta da revolta poderá liderar o movimento. Comparado com a matula que se aloja naquele "albergue espanhol", Alegre é um "cinco estrelas". Tem futuro político, o bardo.
Manuel Alegre, o político que sempre esteve instalado nos gabinetes do poder, mas com um pé de fora, é agora o arauto do inconformismo. Tudo leva a crer que, se der ouvidos aos seus seguidores, formará um partido em breve. Causa já tem. A luta dos pequenos partidos preenche páginas dos jornais. O poeta da revolta poderá liderar o movimento. Comparado com a matula que se aloja naquele "albergue espanhol", Alegre é um "cinco estrelas". Tem futuro político, o bardo.
Seca
Não fui ver a ópera de Emanuel Nunes ao São Carlos.
Pareceu-me excessiva a permanência de quatro horas numa sala de espectáculos. Só mesmo uma obra genial merece tal dedicação.
O Henrique Silveira e o Augusto M. Seabra tranquilizaram-me: até parece que fiz bem em não pôr lá os pés.
Obrigadinho aos dois.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Capitão Justiça
Marinho Pinto, o novo bastonário dos causídicos, despiu a toga e zurziu forte e feio na corrupção e nos corruptos. Estes gritos de revolta têm sempre sucesso assegurado. Um justiceiro é sempre bem vindo ao terreiro. Se sabe assim tanto é melhor que fale e depressa. O silêncio não leva a lado nenhum. Mas já não há pachorra para super-heróis de ficção. Não dá para acreditar que esta sede de justiça não passe de leviandade e vontade de dar nas vistas. Se assim for, será melhor que se cale. Veremos.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Porca miséria
Romano Prodi caiu. O parlamento assim votou. Depois foi o que se viu: grande festividade com champanhe e tudo, violentíssimos insultos, enfim, uma algazarra a condizer com um sítio de muito má frequência.
Não se imagina tal coisa no parlamento português. Mas, se tal acontecesse, lá viria o já gasto "isto só neste país".
Ora, nem tudo o que é mau tem de acontecer por cá.
Brandos costumes? E então?! Para pior já basta assim.
Não se imagina tal coisa no parlamento português. Mas, se tal acontecesse, lá viria o já gasto "isto só neste país".
Ora, nem tudo o que é mau tem de acontecer por cá.
Brandos costumes? E então?! Para pior já basta assim.
Política e postas de pescada
Pedro Santana Lopes agora tem razão. Tratar da intervenção de um grupo parlamentar, eleito democraticamente, como se de uma mera estrutura comercial se tratasse, não é aceitável. Santana sabe que estas encomendas não asseguram grande eficácia na promoção das decisões políticas. Logo, juntou o útil ao que achou que deveria fazer, não permitindo que a empresa de comunicação fosse para ali largar postas de pescada. Era bom que a atitude fizesse escola. A política, em democracia, é um assunto demasiado precioso para se deixar entregue a operações de marketing, com o risco de um elaborado projecto de lei ser apresentado como um produto em promoção no supermercado da esquina.
A não ser que o líder parlamentar do PSD queira ensaiar a direcção bicéfala. Nesse caso, esta decisão não passa de uma forma de dizer ao outro líder que há lugares onde quem manda é ele.
Essa será outra conversa. Mas é lá com eles.
A não ser que o líder parlamentar do PSD queira ensaiar a direcção bicéfala. Nesse caso, esta decisão não passa de uma forma de dizer ao outro líder que há lugares onde quem manda é ele.
Essa será outra conversa. Mas é lá com eles.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Legalização da fé
A igreja da cientologia já está em Portugal. Parece que já por aí andava em surdina, mas agora soltou-se, veio para a luz do dia.
Há coisas assim: burlas que interferem na vida de pessoas são levadas a sério, tornam-se legais e podem espalhar livremente a sua retórica da treta. É a tolerância. Tudo bem. Resta-nos denunciar os riscos destas normais demonstrações de tolerância.
É a defesa do cidadão que o exige.
A DECO não pode fazer nada?
Há coisas assim: burlas que interferem na vida de pessoas são levadas a sério, tornam-se legais e podem espalhar livremente a sua retórica da treta. É a tolerância. Tudo bem. Resta-nos denunciar os riscos destas normais demonstrações de tolerância.
É a defesa do cidadão que o exige.
A DECO não pode fazer nada?
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Protestar
Em Dezembro, 22 imigrantes marroquinos chegaram ilegalmente à ilha da Culatra, no Alvarve. Foram presos pelo Serviço de Estrangeiros e Fonteiras e enviados para o Porto. Oito desses imigrantes já foram repatriados, dois dos quais hoje de manhã. Não houve recurso da decisão. Os catorze restantes serão repatriados até ao fim da semana. Nisto tudo, uma dúvida me assalta. Onde param os partidos e os deputados que andam sempre com os direitos dos imigrantes na boca? Ninguém abriu os cordões à bolsa para pagar a um advogado que fizesse o favor de fazer um recurso, um simples recurso? Não está em causa a aplicação da lei, mas há deputados e partidos que têm especiais responsabilidades neste tipo de questões, digamos, civilizacionais. Nem que fosse para empatar, ao menos um recurso. Protestar contra o facto consumado não serve de nada.
EduardoPitta Da Literatura
EduardoPitta Da Literatura
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Um sindicato com paredes de vidro
Baptista-Bastos saíu do Sindicato dos Jornalistas. Aponta falta de solidariedade, por parte do organismo a que pertence vai para cinquenta anos, na contenda com Alberto João Jardim. O presidente do sindicato já lamentou a divulgação na imprensa da decisão do jornalista e escritor. Um sindicato com paredes de vidro com medo das pedras dos vizinhos. A atitude de Baptista-Bastos parece-me precipitada. Esta direcção do Sindicato não é eterna. E um "fascista grotesco” não merece tão definitiva atitude. Digo eu...
Pobres e burros
Em comparação com o ano passado, os casinos portugueses duplicaram os lucros. Portugal é um dos países europeus que mais joga. Vão abrir mais três destes locais de fortuna e azar nos tempos mais próximos.
Não acreditamos nos valores do trabalho, pelos vistos, mas não dispensamos o conforto das alcatifas que nos prometem sorte sem esforço.
Fascínio por um falso luxo. Ilusão na busca de sofisticação.
Será que não passamos disto?
Vida de pobre, esta.
As Metamorfoses de Agustina
Agustina Bessa Luís viaja pelas vidas das mulheres dos seus romances. Levou Graça Morais consigo. Graça Morais, também habituada a "tratar" mulheres no seu trabalho, escolheu as telas que melhor companhia fazem às metamorfoses de Agustina. O resultado revela-se uma feliz aproximação entre duas pessoas habituadas a conviver com mulheres de carácter, forjadas por ambientes de adversidade mas também de paixão. Uma boa associação de ideias.
Um belíssimo livro.
Titulo As Metamorfoses
Autoras Agustina Bessa Luís | Graça Morais
Dom Quixote editou
Custa 44,10 euros
domingo, 20 de janeiro de 2008
Blogue livre de armas nucleares
A insistência, com direito a explícita menção, de que é permitido fumar, exibida em muitos blogues, faz-me lembrar aquela ridícula "palavra de ordem", ostentada pelas autarquias a mando do PCP, que nos descansava com um esclarecedor: "Município livre de armas nucleares".
Claro que os tempos são outros. E perdoem-me a impertinência, mas, quem se importa que, no sossego frente ao monitor, as baforadas se propaguem como nevoeiro cerrado?
Na nossa solidão sempre fomos livres. Ou não?
Claro que os tempos são outros. E perdoem-me a impertinência, mas, quem se importa que, no sossego frente ao monitor, as baforadas se propaguem como nevoeiro cerrado?
Na nossa solidão sempre fomos livres. Ou não?
Globalização do terror
Portugal já está no rol de países europeus a atacar.
O medo alastra e instala-se.
A globalização do terrorismo está aí em força.
O medo alastra e instala-se.
A globalização do terrorismo está aí em força.
Mal-agradecidos
Uma senhora da Polícia Judiciária, responsável por um departamento de combate à corrupção, assegura que os principais corruptos estão nas autarquias. É claro que isto não é verdade. A rapariga que nos garante tal coisa até é bem gira. Logo, deve tratar-se de uma figurante, contratada numa qualquer agência de modelos, em campanha contra os nossos valorosos autarcas.
É uma injustiça. Se é.
É uma injustiça. Se é.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Paixão

Soraia Chaves, a actriz que foi "prostituta de luxo" no filme de António Pedro Vasconcelos, diz, numa daquelas entrevistas de cacaracá, a um suplemento do DN, que o seu filme favorito é "Lendas de Paixão". Também gosto muito deste filme. Este desabafo de Soraia pôs-me a rever a fita. Já temos qualquer coisa em comum. Mas isso não quer dizer nada, claro.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Para acabar de vez com a História de Arte
Leonel Moura inventou uns robots pintores. Agora tratou de pôr os ditos robots a dar cabo de quadros famosos de grandes mestres da Pintura- Warhol, Rauschenberg, Frida Kahlo, Van Gogh, Kandinsky, Leonardo da Vinci, Amadeu de Sousa Cardoso e Picasso. Acontece que esta atitude sem complexos, para além do conceito em si, nos fornece trabalhos muito interessantes. Chamou a este desalinho "Para acabar de vez com a História de Arte".
Abre hoje à noite.
LEONEL MOURA ARTe
Rua das Janelas Verdes, 76
Terça a Sábado das 13.00 ás 19.30 horas
www.leonelmoura.com
Menezes & Ribau, Recursos Humanos. SA
Luis Filipe Menezes encara a política como um negócio de ocasião.
Ele responde por uma poderosa empresa de mediação de recursos.
É competente e recomenda-se: já ditou as regras para quem mexe no dinheiro e agora quer decidir quem deve comentar o estado a que isto chegou. Como é um democrata e um espírito aberto, coloca sempre a possibilidade de negociar com a concorrência directa as hipóteses de negócio.
Um empresário de sucesso num mundo com futuro.
Ele responde por uma poderosa empresa de mediação de recursos.
É competente e recomenda-se: já ditou as regras para quem mexe no dinheiro e agora quer decidir quem deve comentar o estado a que isto chegou. Como é um democrata e um espírito aberto, coloca sempre a possibilidade de negociar com a concorrência directa as hipóteses de negócio.
Um empresário de sucesso num mundo com futuro.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Solidão partilhada
Pelas notícias televisivas percebemos a quantidade de accionistas que o BCP tem. Parece que é toda a gente.
Eu não. E acho que vou ficar nesta solidão.
Eu não. E acho que vou ficar nesta solidão.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Retrato musical
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Pingue-pongue
O pingue-pongue entre Rui Tavares e Helena Matos chegou ao fim. É o que Rui Tavares diz na sua última jogada, no Público de hoje. Foram momentos de lucidez, os passados nesta mesa de jogo. Helena Matos e Rui Tavares foram pagos para discordar, mas, segundo Tavares, até o fariam de graça. Um e outro representam o que de melhor a opinião profissional tem para dar em Portugal.
Concordei mais com Rui Tavares. Mas, por vezes, senti dificuldade em discordar de Helena Matos. Concordei mesmo.
Que tudo corra bem para os dois.
Concordei mais com Rui Tavares. Mas, por vezes, senti dificuldade em discordar de Helena Matos. Concordei mesmo.
Que tudo corra bem para os dois.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Miguel e a poesia
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O poeta Miguel de Castro faz hoje 83 anos. Liguei-lhe ao princípio da tarde. A saúde bastante debilitada não foi impedimento para uma longa conversa. Recordámos a convivência quase diária que mantivemos quando eu tinha o meu poiso de trabalho em Setúbal. Ele e o Luiz Pacheco apareciam durante a manhã lá no ateliê e depois rumávamos ao apetecido repasto. O Pacheco nunca pagava o almoço, dizia que a pensão não dava para luxos desses. Mas fazia questão de pagar o vinho. Ora, escusado será dizer que, muitas vezes, o vinho era o que saía mais caro na refeição. Recordámos tudo isto e muito mais, esta tarde. Combinei passar lá por casa na próxima terça-feira.
Depois logo digo.
Miguel de Castro é um poeta de primeiro plano. Autor de obra curta mas de consistente percepção das realidades literárias. É um contemporâneo. Atento aos novos poetas, apesar de possuidor de uma intensa e cativante cultura clássica. Os seus dois mais recentes livros foram por mim editados na Estuário: Terral, 1990 e Sonetos, 2002.
Para comemorar o seu aniversário vou passar para aqui um texto de Terral. Podem lê-lo em voz alta.
Oiçam-no, portanto.
Foi o sol na brancura do teu rosto?
Foi o vento no sul dos teus cabelos?
Foi o rebanho dos meus dedos frios
perdido entre as dunas do teu peito?
Apenas isso ou, vagarosa, a mão
subindo na desordem dos joelhos?
Foi outra vez a chuva no verão.
Foi, no lugar da mão, a tua boca.
Parabéns por tudo, Miguel.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Bondade

Pedro Marques é secretário de Estado. É um homem avisado e com elevado sentido de solidariedade social. Justificou a diluição do pagamento do aumento das pensões com receio que os reformados perdessem a cabeça ao depararem com tanta bagalhoça em cima da mesa da cozinha. Ainda bem que Pedro Marques está no Governo. Haja alguém que cuide das finanças dos velhinhos.
O Governo resolveu pagar tudo de uma vez. Vieira da Silva desmentiu assim o seu secretário de Estado. Este ministro é um mãos-largas. Não alcançou a bondade das palavras de Pedro Marques.
Sexo, mentiras e... corrupção

Call Girl é o filme português mais visto pelos portugueses. A história anda em volta de uma prostituta que se enrola com um autarca que mistura política com interesses pessoais. Os ingredientes foram bem escolhidos: gajas boas, homens boçais e ambientes de deboche. É o que a malta quer: putas e vinho verde.
Se já vi o filme? Não, nem quero. Porquê, é preciso?
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Competências
Já cá se sabe que Sócrates não é rapaz para ceder a pressões. E continua nesse registo. A súbita mudança da gare dos aeroplanos da OTA para Alcochete corresponde aos auspícios do ministro Lino. Se aquilo é um deserto, se não há lá nada, logo é o melhor local para a instalação daquela coisa que, feita em outro lado, ia dar um trabalhão em terraplanagens e eliminação de estruturas embaraçadoras. Mário Lino afinal tinha razão. Aquela do "jamais" nem foi dele. Foram uns engenheiros mal informados que o tentaram ludibriar. Não há, portanto, razão para mudar o ministro.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Bons votos
Parece que Hillary voltou à tona, depois daquela submersão provocada pelo furacão Obama.
Tudo bem. Já sabemos que Bush se vai embora mesmo, mas, se os seus companheiros de traquinices ficarem sentadinhos nos seus ranchos durante muito mais tempo, melhor.
Entre Obama e Hillary, venha o bom-voto e escolha.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Comunidade

O corpo de Luiz Pacheco foi ontem cremado no cemitério do Alto São João. Os livros estão aí e vão continuar. Hoje trago para aqui um pequeno excerto da Comunidade. Brilhante.
Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem. É a cama do pai de família, austero e mandão, ou do dorminhoco pesado quando regressa embriagado para casa. É a cama do libertino. É o leito (suponhamos!) Luís-Qualquer-Coisa, XV ou XVI, do milionário, porque nela somos reis e milionários de ternura e de abraços, de palavras ciciadas; e é o catre sem lençóis, fracas mantas, e mau cheiro, do maltês que não sabe para onde o destino o manda (e somos isto, e que de longes terras viemos! quantos naufrágios! quanta coisa fomos largando para facilitar a marcha até aqui!), a enxerga do pedinte (e nós o somos também: porque temos falta de tudo e porque acordamos de manhã sem uma bucha de pão para dar às crianças e sem saber ainda onde o ir buscar). Podia ser (dava para) um bom título de uma comédia picante, bulevardesca; UMA CAMA PARA CINCO; idem para um filme neo-realista, onde nem cama houvesse, só umas palhas podres e mijadas, com gaibéus ensonados, embrutecidos do calor e do vinho, fedor de pés, talvez um harmónio desafiando as cigarras e os grilos na cálida noite da planície alentejana. Uma cama para cinco, em herança, constituía um demorado caso de partilhas. Nós dormimos. Às vezes, muitas vezes, beijos e abraços.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Luiz Pacheco
Proponho recordar Luiz Pacheco no seu melhor.
Esta passagem de O Teodolito é obra.
Onde estão agora os que foram meninos comigo, meus companheiros de bibe e calção? Gostava de ir lá vê-los à nossa infância, de irmos todos, reconhecermos todos como nossa ainda a pureza antiga, os projectos que enterrámos, as ilusões, os actos falhados. E, com efeito, o mundo dos adultos está cada vez mais triste, mais crápula, mais ratazana. É uma bicharada que vai a correr prò buraco do coval, comprometida e lassa, sem alegria, sem carácter, sem sentimentos, sem dignidade nenhuma. Não são gente: são baratas medrosas, assustadas sempre, que andam de luto por eles-mesmos e se escondem quando pressentem uma luz, a ousadia dum gesto, a virtude duma palavra. Adultos, cadáveres jovens. Metem dó, metem nojo, tão velhinhos e tão resignados. Cagarolas. Gostaria de os tornar a ver como eram, na infância.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Mudar é preciso
Algo poderá estar a mudar na política americana. No país onde a esquerda é tão conservadora que às vezes parece direita, Barack Obama ultrapassou a candidata do sistema. Falamos, claro está, dos candidatos da tal esquerda. Os outros, os velhadas, galãs e parolos evangelistas, candidatos republicanos, não têm muito para acrescentar ao rol de disparates a que o pior presidente dos EUA já habituou o mundo. Hilary também não representa grandes mudanças. Obama sim. A América parece ter descoberto este senhor de pele escura, que exibe ideias consubstanciadas por um discurso brilhante, e que quer que as coisas mudem.
Tratando-se da presidência do país que opera mudanças (até agora nem sempre apreciáveis) no mundo inteiro, era bom que aquilo mudasse.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Luiz Pacheco
Morreu hoje um homem livre.
A Cultura Portuguesa perdeu um dos seus mais exigentes protagonistas.
Eu perdi um amigo.
Brendel | Beirut
Este pouco ortodoxo pianista, que vai abandonar as actuações ao vivo, gravou este precioso CD. Haydn e Mozart são os heróis deste trabalho de Alfred Brendel que tem a participação da Academy of St Martin in the Fields e da Scottish Chamber Orchestra.
O outro disco, mais à frente na fotografia, é outra música. É malta mais nova igualmente a merecer audição.
É bom ouvir Brendel, e é igualmente bom ouvir Beirut.
Como é fim-de-semana, há tempo para tudo.
Excelentes audições.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Arrogante distância
Ferro Rodrigues, em entrevista à Visão, recorda-nos que "Quando se pede sacrifícios, não se deve ser arrogante. O receptor do recado está identificado. Chama-se José Sócrates e é primeiro-ministro aqui da parvónia. Ferro acha que o PS, o generoso partido que o colocou como embaixador na OCDE, em Paris, não tem vida própria. Também adianta que não tem saudades de Portugal e da política portuguesa. Pudera, já viram o lugarzinho que ocupa na capital francesa? Ferro Rodrigues tem alguma razão ao apontar um estilo que não é muito simpático. Só que alguém lhe devia dizer que cuspir no prato onde se come, mesmo quando se usa um guardanapo de bom pano francês, não é bonito.
É verdade que quem pede, o deve fazer com bons modos.
Mas, ao fazer reparos ao mesmo tempo que acentua uma distância higiénica, revela-se um mal-agradecido.
É feio, senhor Rodrigues. Muito feio.
É verdade que quem pede, o deve fazer com bons modos.
Mas, ao fazer reparos ao mesmo tempo que acentua uma distância higiénica, revela-se um mal-agradecido.
É feio, senhor Rodrigues. Muito feio.
Não há fumo sem fogo
Há qualquer coisa de imoral na atitude de António Nunes. Não havia necessidade de mais aquele cigarrinho. Há outras maneiras de comemorar o novo ano. Podia dançar, por exemplo. É certo que há gestos automáticos. Acredito que uma boa cigarrada, depois de um bom jantar, eleva o serão a um prazer indizivel. Aquele cigarro, fumado por quem vai dirigir um exército de vigilantes da infracção (em local de grande visibilidade pública, onde era suposto haver registo fotográfico), não foi fumo que se cheire.
Mas também reconheço que é demasiado fumo para tão pouco fogo.
Mas também reconheço que é demasiado fumo para tão pouco fogo.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Uma outra economia II
A alusão de Cavaco aos salários dos empresários milionários causou grande sururu. Claro que o Presidente não falou nos seus próprios honorários e reformas. E também se esqueceu de fazer o histórico da coisa. Tudo começou com o seu baronato. Foi no seu tempo de primeiro-ministro que os empresários do sucesso cavaquista emergiram. Também é verdade que as criaturas ultrapassaram o criador. A falta de pudor impera. Cavaco vê que não tem mão na desfaçatez.
É isso que lhe causa incómodo.
Este "fartar vilanagem" não deixa de ser chocante e deve ser denunciado.
Mas não é Cavaco o porta-voz ideal da causa.
É isso que lhe causa incómodo.
Este "fartar vilanagem" não deixa de ser chocante e deve ser denunciado.
Mas não é Cavaco o porta-voz ideal da causa.
O bom-senso não é proibido
Por princípio não alinho em proibicionismos. Percebo quem não tenha grande apreço por estas novas leis que proíbem fumos em locais públicos. Mas as reacções em contrário também não me parecem razoáveis. Aquele apelo à revelação dos nomes dos restaurantes que permitem fumar enquanto se dá ao dente é útil, confesso. Dá para os dois lados. Ficam duas espécies de convivas esclarecidos: os que associam o fumo à refeição e os que preferem comer sem esse incómodo. Mas seria muito mais razoável se não fosse exibido em tom ressabiado. Assim não tem graça. Torna-se mesmo ridículo. Estas bandeiras acabam sempre por agitar o folclórico colorido do excesso. Eu, que nunca recusei jantar com amigos fumadores, mas que me incomoda o fumo, não vejo razão para esta apologia do tabaco.
Provavelmente, as leis que tolhem estas animações não são assim tão disparatadas.
Só conseguimos respeitar o outro a toque de caixa.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Uma outra economia
Cavaco fez o discurso de ano novo. Cada vez o que o homem fala anda meio mundo à cata de divergências com o Governo. Não houve pitada de tal sal. Falou de bons exemplos. De gente empreendedora e solidária.
O caminho não é fácil, diz, mas confia na iniciativa dos portugueses. Apenas dois atropelos a tanto optimismo: o desemprego e as chorudas e injustas remunerações de alguns empresários de sucesso. Enfim, a festa não é um direito de todos. Mas, às vezes, os que mais têm dão demasiado nas vistas. São as vidas de outros portugueses. São outras economias. Daquelas que não param de crescer. É a vida, como diria o outro.
Acabou com um educado “boa noite”.
Boa noite, senhor Presidente.
Da literatura e de outras coisas
Da literatura - Um dos meus blogues de todos os dias, daqueles que não dispenso, comemora hoje mais um aniversário.
Já vai em três anos a postar.
Parabéns ao Eduardo Pitta.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Bom 2008
O que lá vai, lá vai.
Que o que aí vem traga tudo de bom para todos.
Até amanhã, ou seja, até pró ano, ou por outra, até já.
Que o que aí vem traga tudo de bom para todos.
Até amanhã, ou seja, até pró ano, ou por outra, até já.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Perspectivas e realidades
Não sou de balanços. Os últimos dias do calendário não me motivam nem retrospectivas análises, nem promissoras previsões. A minha participação, aqui, na blogosfera, limita-se a um desabafo mais ou menos diário sobre o que observo. Vale o que vale. Pouco, é certo. Daí não entrar em grandes alaridos premonitórios. Não me reconheço essa capacidade. Mas estou de acordo com muitos que pensam e fazem exactamente o contrário. Ainda bem que o fazem. Também estou de acordo com o que diz o blogger José Pacheco Pereira, hoje, no Público: “…os blogues serão apenas mais uma câmara de ressonância da pobreza da nossa vida cívica”. Tem razão. Agrupando práticas de comunicação e opinião obtemos um espelho da sociedade. Sempre foi assim. Mas há coisas mais assim e coisas mais assado. Os dias da blogosfera mudaram qualquer coisa no debate dos nossos dias. Para o bem e para o mal, existem estes jornalinhos pessoais. A importância que se lhes dá também é pessoal e depende de opções e gostos.
Eu gosto de estar aqui.
Vou continuar a largar postas porque me apetece e porque sim.
Sem mais.
Bom ano a todos.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Agitação
A Sofia Loureiro dos Santos, do defender o quadrado, exerce medicina e resolveu pôr o dedo nas feridas que o Ministério da Saúde abriu.
Eu estou de acordo com ela.
Continua a manipulação política e jornalística em volta dos encerramentos dos Serviços de Atendimento Permanentes (SAPs).
Às notícias que dão conta das contas que os doentes terão que pagar aos bombeiros voluntários para ir à urgência mais próxima, não há ninguém que pergunte se os valores não serão idênticos aos que eram pagos quando os doentes que verdadeiramente necessitavam de cuidados de urgência tinham que ser enviados para o hospital. E também ninguém pergunta quantos doentes verdadeiramente urgentes eram atendidos nos SAPs e quantas situações verdadeiramente urgentes eram tratadas nos SAPs.
Porque essa é a verdadeira questão. Se as populações com os SAPs abertos toda a noite, com um médico e/ou um enfermeiro num local sem capacidade para resolver problemas urgentes de saúde estavam mais bem atendidos ou teriam melhor qualidade e maior brevidade no atendimento.
Continue a ler, lá no blogue da Sofia. Pode ir por aqui.
Eu estou de acordo com ela.
Continua a manipulação política e jornalística em volta dos encerramentos dos Serviços de Atendimento Permanentes (SAPs).
Às notícias que dão conta das contas que os doentes terão que pagar aos bombeiros voluntários para ir à urgência mais próxima, não há ninguém que pergunte se os valores não serão idênticos aos que eram pagos quando os doentes que verdadeiramente necessitavam de cuidados de urgência tinham que ser enviados para o hospital. E também ninguém pergunta quantos doentes verdadeiramente urgentes eram atendidos nos SAPs e quantas situações verdadeiramente urgentes eram tratadas nos SAPs.
Porque essa é a verdadeira questão. Se as populações com os SAPs abertos toda a noite, com um médico e/ou um enfermeiro num local sem capacidade para resolver problemas urgentes de saúde estavam mais bem atendidos ou teriam melhor qualidade e maior brevidade no atendimento.
Continue a ler, lá no blogue da Sofia. Pode ir por aqui.
Este tótó já foi ministro, lembram-se?
É Tiago Barbosa Ribeiro que nos recorda no Kontratempos:
Rui Gomes da Silva, actual vice-presidente do PSD, foi ontem bastante claro:
(...) importa escolher uma administração do banco do Estado que respeite a tradição e a prática, quase sem excepções, desde o 25 de Abril, de não nomear para a CGD alguém militante ou próximo do partido do governo.
Cavaco Silva, por exemplo, nomeou António de Sousa (PSD). Mas onde estava Rui Gomes da Silva quando Vítor Martins (PSD) foi nomeado para a CGD, logo após a saída de Mira Amaral (PSD) que já fora nomeado por Durão Barroso?
Ah, lembrei-me. Era ministro.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Pelo amor de Deus

Benazir Bhutto, líder da oposição paquistanesa, foi vítima de um ataque à bomba, durante um comício na cidade de Rawalpindi. Um dos seus objectivos políticos era a pacificação do seu país sem o recurso exclusivo à religião. O fundamentalismo religioso não achou grande graça à rejeição do totalitarismo islâmico. Mais uma vítima da fé. E ainda há quem diga que é a falta de fé o maior drama da humanidade.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Desporto milionário
Os bancos portugueses estão a disputar um emocionante campeonato. Os orientadores das equipas são tranferidos, em milionárias negociações, tal e qual como os treinadores de futebol nos grandes clubes. Accionistas do BCP foram buscar à CGD, principal adversário do banco privado, o seu responsável máximo. O “treinador-adjunto” é um tal Armando Vara, desportista para todo o terreno. Tudo o que tem acontecido na instituição bancária de Jardim Gonçalves está muito próximo do vergonhoso. A vergonha começa a estar ao nível do pior a que os homens da bola nos habituaram. É claro que tudo isto irradia normalidade. A gente é que não percebe nada destes futebóis.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Negócios de Natal
Afinal o desemprego, o fosso entre ricos e pobres, as doenças dizimadoras, as desordens climáticas, o Darfur e a crise mundial provocada pelo 11 de Setembro, não devem ser as nossas maiores preocupações. Segundo o Cardeal Policarpo, "o maior drama da humanidade" é o afastamento da religião.
Cada um preocupa-se com o seu negócio.
Cada um preocupa-se com o seu negócio.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
O homem em queda
O sopro do desabamento atirou ao chão várias pessoas. Uma nuvem negra de trovoada feita de fumo e cinza avançou na direcção dos fugitivos. A luz definhou e dissipou-se, o dia claro desapareceu.
Don DeLillo escreveu um emocionante romance sobre os acontecimentos de 11 de Setembro em Nova Iorque. Relatos de vidas, de crenças e de falta delas, encantos e desencantos. A partir da queda das torres traça um emaranhado de acontecimentos que nos dão pistas para a compreensão dos dramas do nosso tempo resultantes daquele dia.
O homem em queda, de Don DeLillo
É publicado pela Sextante.
Tem 255 páginas.
Capa de Henrique Cayatte com Susana Cruz.
Custa 22 euros (preço de editor).
domingo, 23 de dezembro de 2007
No Tempo da Esperança-Nova
Luciano Rocha fala de um tempo de esperança. Chamou-lhe esperança-nova porque não é uma esperança daquelas que a gente tem todos os dias. É uma vontade diferente de acreditar num rumo para um futuro melhor. Essa vontade era a de todos os angolanos que içaram a bandeira da Angola independente. Este livro está metido até ao pescoço na história recente de Angola. É tudo contado num bonito “linguajar” (expressão que Victor Bandarra encontrou para classificar esta escrita, na apresentação do livro, no Clube dos Jornalistas). São três histórias envoltas por esse linguajar. Estão lá os desejos, as angústias, as festividades, as traições. É um texto feito com lingua de perguntador. Só quem pergunta é que pode contar. Foi o que Luciano fez. Contou o que viveu. E o que viveu foi tão intenso que ler este livro é um prazer de todo o tamanho.
O título do livro é No Tempo da Esperança-Nova
e Outras Estórias.
Foi escrito por Luciano Rocha.
A capa e a contra-capa têm ilustrações de Zan.
Edição de QB-Comunicação.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Todos diferentes, todos jornalistas
São os três jornalistas. Todos com um percurso. Com tarimba nos quartéis das redacções dos jornais. Os livros que estão aí em cima fotografados foram escritos por eles. Todos diferentes, tal e qual como os seus autores.
A BOLSA DA AVÓ PALHAÇA
Baptista-Bastos escreve uma história para crianças para ser lida pelos adultos. A ideia é bem gira e revela as façanhas de um miúdo de Alfama na sua relação com uma avó a que chamavam Palhaça. A senhora adorava a alcunha, e BB conta-nos como foi importante para ele aquela convivência. Mónica Cid ilustra.
Uma bonita história.
ATÉ NÃO PERCEBER
15 Histórias de Verdade A Caminho da Ficção
Fernanda Câncio também nos conta histórias neste livro. Reuniu aqui as conversas que foi tendo com os protagonistas das reportagens publicadas na imprensa. O titulo do livro foi retirado de uma excelente peça sobre Jorge de Sena. Já se sabe que muitas vezes a realidade pede meças à ficção. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
Fernanda assegura que “não há outra forma de fazer uma reportagem senão mergulhar nas histórias, nos sítios, nas pessoas”.
É isso que ela faz. E muito bem.
FUMO
Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi
Pedro Rolo Duarte ficou convencido de que deixar de fumar é mesmo lixado. Neste livro conta-nos como foi a sua perturbada experiência. Pelo caminho faz um relato do dia-a-dia. Tudo misturado com lições e outras histórias já anteriormente publicadas. Não pretende ser o viciado desgraçadinho. O coitadinho. Nem pretende ser exemplo para ninguém. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
A vida é muito mais interessante. E é de vida bem vivida que este livro trata. Gostei muito de ler este livro do Pedro.
Luuanda
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
O que não mata engorda
Os donos de certas casas de pasto receberam mal a criação da ASAE. Esta entidade censora da porcaria que estavam habituados a fornecer-nos deu-lhes a volta à cabeça. Agora, a tenebrosa entidade, já comparada à não menos tenebrosa PIDE dos tempos da ditadura, resolveu pôr os pontos em alguns is. O resultado trouxe paz aos utentes que assim viram algumas vantagens na coisa.
Tenho amigos entre os apavorados com a acção da nova polícia e também os tenho entre os que a aplaudem. Um desses meus amigos é responsável por uma empresa de distribuição de gás. Dizia-me que a ASAE os obrigava a ter, no lugar de arrumação das botijas, um espaço limitado a um número máximo de unidades. E que a inclusão de mais uma que seja os sujeita a penalização. Assim de repente parece zelo excessivo. Mas se pensarmos que onde cabe a botija de gás de um português cabem logo duas ou três, duvidamos do excesso da medida.
No dia em que me demonstrarem que a ASAE não me deixa tomar café em chávenas de loiça, beber vinho em copos de vidro, comer pastéis de massa tenra ou de bacalhau, e me obrigar a suportar o plástico em todas as ocasiões de prazenteiro repasto, nesse dia tragam-me a mais violenta das petições contra. Assino de imediato. Até lá não contem comigo.
A velha dica popular garantia-nos que “o que não mata engorda”.
Essa certeza não faz parte dos meus códigos.
Tenho amigos entre os apavorados com a acção da nova polícia e também os tenho entre os que a aplaudem. Um desses meus amigos é responsável por uma empresa de distribuição de gás. Dizia-me que a ASAE os obrigava a ter, no lugar de arrumação das botijas, um espaço limitado a um número máximo de unidades. E que a inclusão de mais uma que seja os sujeita a penalização. Assim de repente parece zelo excessivo. Mas se pensarmos que onde cabe a botija de gás de um português cabem logo duas ou três, duvidamos do excesso da medida.
No dia em que me demonstrarem que a ASAE não me deixa tomar café em chávenas de loiça, beber vinho em copos de vidro, comer pastéis de massa tenra ou de bacalhau, e me obrigar a suportar o plástico em todas as ocasiões de prazenteiro repasto, nesse dia tragam-me a mais violenta das petições contra. Assino de imediato. Até lá não contem comigo.
A velha dica popular garantia-nos que “o que não mata engorda”.
Essa certeza não faz parte dos meus códigos.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Aventuras ilegais
É tão fácil classificar aqueles candidatos a emigrantes que se meteram num barquito para chegarem a Espanha. São ilegais, diz-se. Não pensamos nos dramas que por ali flutuaram desafiando perigos terríveis. São ilegais e pronto. Vão andando. Reencaminhados para a origem onde lhes é rejeitada a felicidade. Tentaram a sorte. Uma sorte boa que os tirasse da miséria. Correu mal a aventura. São uns fracassados. Nasceram num sítio mau. Desenrasquem-se. A vida é uma aventura. Às vezes corre mal.
A vontade que a gente tinha de lhes dar uma ajuda. Mas não há legalidade que nos ajude. Uma merda.
A vontade que a gente tinha de lhes dar uma ajuda. Mas não há legalidade que nos ajude. Uma merda.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Sarkosi/Carla
A loja do mestre André
Os desenhos de André Almeida e Sousa são cumplices de algo inusitado. Percebe-se que há uma energia que ultrapassa o rigor do primeiro registo. Os desenhos, agora expostos na Galeria Alecrim 50, exibem uma dualidade que nos surpreende. Não sei se é de desenho que falamos quando falamos do que aquelas paredes nos mostram. A Pintura, como maneira de expressão subjectivista, marca aqui uma posição. Há um envolvimento naturalmente cúmplice entre as duas disciplinas. As texturas que o denunciam são aplicadas com um sentido do espaço que nos situa no território da provocação da própria abstracção. Isto não é linear, como é evidente. Nada é evidente e esclarecedor na procura da comunicação artística. Mas é revelador de uma busca intensa e bem direccionada.
O trabalho que acima se mostra não está à vista nesta exposição.
É testemunha de outro tempo. Mas eu gosto muito dele.
É por isso que aqui está.
A Galeria fica, como o próprio nome indica, na Rua do Alecrim, no número 50, em Lisboa.
A exposição encerra dia 28.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Jardins proibidos
É normal. Provavelmente os jornais chegam tarde à Madeira. Ou não são por lá distribuídos. Democracias.
sábado, 15 de dezembro de 2007
Niemeyer
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Minotaur Shock
O projecto responde por Minotaur Shock. Este trabalho foi gravado em 2005 e tem por título Maritime. Todas as músicas são de David Edwards. Os amigos que ajudaram à festa foram Emily Wakefield, Megan Childs e Martin Lanchester. A estética do CD foi entregue a Vaughan Oliver e a ilustração a Warwick Johnson-Cadwell.
Tudo isto é muito bonito. Em todos os aspectos.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Há bruxas em Veneza
Philip Glass garante-nos, com este trabalho, que as bruxas têm uma magia musical. Estas bruxas de Veneza foram ao carnaval. Glass e Beni Montresor (entretanto falecido e a quem o CD é dedicado), testemunharam a paródia e transmitem em palavras e sons o reboliço que aquilo foi. Brilhante, acho eu. Confirmem no sítio de Philip Glass.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Saramago e o bacalhau
José Saramago foi preterido na candidatura a um prémio europeu de literatura por causa de um tal Lara, então secretário de Estado da Cultura. Era primeiro-ministro Cavaco Silva. Também a Câmara de Mafra se tem recusado a reconhecer o escritor que tão longe levou o nome do monumento nacional que mais faz jus a esta classificação. Mais recentemente, Saramago zangou-se com a Ministra da Cultura de Portugal por esta não ter ido a uma exposição sobre a sua vida e obra, inaugurada em Espanha. Um dia destes, o hipotético rei de Portugal, bramou uns disparates sobre a obra do nobelizado escritor português. Parece-me que há excessos das várias partes. Lara é reconhecida e assumidamente reaccionário ao ponto de não permitir grandes ousadias culturais. É bom ver que já não pesca nada nas instituições. O “rei” Duarte é, ele próprio, uma ficção de má qualidade. Nada a dizer. Mas parece-me excessiva a recusa de Saramago em cumprimentar o agora Presidente da República. Assim como não me parece de muito bom tom a atitude do escritor e da sua mulher na acusação à ministra, sabendo-se que o Estado estava representado pelo embaixador em Espanha.
Agora, quanto ao recente recuo no caso do reconhecimento por parte do presidente do burgo de Mafra, a coisa tem a sua graça. O homem justifica a medalha de mérito da cidade devido à contribuição do livro Memorial do Convento para a divulgação do monumento. A arrogância e o pato-bravismo do autarca Ministro dos Santos conhecem-se. Esta justificação é redutora e parola. Mas para estes autarcas basta. Saramago foi reconduzido numa espécie de assessoria de turismo da Câmara de Mafra. O escritor vai receber a distinção. E se calhar até vai apertar a mão ao presidente. Devia rever a politica de distribuição de bacalhaus. No lugar dele, eu logo lhes dava o bacalhau.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Sabores do Índico
Maria Fernanda Sampaio foi reunindo receitas ao longo da vida. Viveu em Moçambique e saboreou tudo o que aprendeu naquela terra. O poeta Fernando Luís Sampaio, seu filho, tratou de editar o material que herdou. A Assírio e Alvim publicou. Uma saborosa herança, agora ao nosso dispor.
Indispensável para qualquer gastrónomo.
Sabores do Índico
Receitas da cozinha moçambicana
Recolha: Maria Fernanda Sampaio
Escolha e apresentação: Fernando Luís Sampaio
Fotografias de Moçambique: Tiago Cunha Ferreira
Edição: Assírio e Alvim
114 páginas
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Abrir as portas do São Carlos
Assim parece.
Boa sorte.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Avante camaradas
A Cimeira que envolveu europeus e africanos já lá vai. Agora é esperar pelos resultados, se é que os vai haver. Gente daquela não suscita entusiasmos de maior. O primeiro-ministro está contente. A oposição nem por isso. É a vida. No meio da balbúrdia das manifestações a favor dos ditadores criminosos e as opiniões contra, fizeram-me espécie as declarações de Jerónimo Sousa. O dirigente comunista exigiu, indignado como sempre, que a Europa esqueça a dívida externa de África, subinhando que são eles que devem escolher o seu próprio caminho sem passar cartão aos hipócritas europeus. Calhando até concorda com o pedido de indmenização feito pelo ditador líbio. E percebe-se que está solidário com o libertador Mugabe. É esclarecedor ver estes grandes defensores das liberdades e dos direitos dos cidadãos em encaloradas declarações de solidariedade. Avante camaradas.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Memórias ao vivo
Tudo começou nos anos sessenta do século passado. Chico Buarque pôs a banda a passar pelas rádios e gira-discos um pouco por todo o lado. Agora, já a passar os sessenta de idade, e depois de um período em que optou pelo silêncio das histórias contadas em livro, ainda nos surpreende com exibições destas.
Esta gravação ao vivo é uma boa companhia.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Uma desgraça nunca vem só
Daqui a umas dezenas de anos, zonas populacionais de Lisboa e de outros territórios nacionais, poderão ficar ameaçadas por violentas cheias. A previsão é da OCDE. Luísa Schmit, em entrevista a João Adelino Faria, no RCP, Falou da pouca importância que as autoridades dão a estes assuntos. Mencionou o facto de Gonçalo Ribeiro Teles andar a prever situações de rotura há décadas - Incluindo as cheias de 1967, em Lisboa -, sem precisar da opinião da OCDE. Ribeiro Teles, que se saiba, não é bruxo. Possivelmente nem acredita em fatalidades do destino. Conhece o terreno e sabe do que fala.
Nos dias de hoje só a juventude e a eficácia da efemeridade estão na moda.
É pena. Estes velhos em desuso tinham tanto para nos ensinar.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Tanto barulho...
Afinal parece que a crise na Câmara de Lisboa se resolveu com um ligeiro aperto de mão. Tudo não passou de uma crise ligeira. As ameaças, que atingiram contornos de grande conflito, foram diluídas pelo bom-senso. Em politica é razoável que os entendimentos existam. Mas nem sempre a politica é razoável. Temos que nos habituar. Teremos?
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
E não se pode... responsabilizá-los?
O PSD meteu Lisboa numa grande alhada. Mas parece que gostou do serviço. Houve até quem lhe tivesse chamado “obra”. Ao querer inviabilizar a resolução de uma parcela da imensa obra que deixou a meio – a dívida a fornecedores - o partido de Menezes quer conferir seriedade e responsabilidade à oposição. O secretário-geral, aquele que nos forneceu as tácticas infalíveis para o engate de “gajas boas”, já disse: “Confiamos no sentido de liberdade e de responsabilidade dos nossos deputados na Assembleia Municipal, que deverão dar seguimento ao sentido de voto dos vereadores que chumbaram este empréstimo. Se houver votos em sentido contrário, analisaremos e tomaremos medidas adequadas. Claro que vão ser tiradas ilações politicas”.
Que grande liberdade e que grande sentido de responsabilidade.
Que grande liberdade e que grande sentido de responsabilidade.
Lição de aritmética
Chavez não convenceu a Venezuela de que é o antídoto para todos os seus males. Mas fez questão de referir a margem mínima de venezuelanos que lhe disseram não. Três milhões de gente é pouca gente para o candidato a líder vitalício. Ora, se ele até já ajustou a hora a uma sua própria medida do tempo, provavelmente rege-se por uma aritmética que não condiz com a dos vulgares seres humanos. E é essa aritmética que vai impor aos destinos do pais. Tão certo como um mandato mais um mandato serem dois mandatos. E assim sucessivamente.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
É para embrulhar, se faz favor
Excluída a pretensão de aqui sugerir o que se deve ou não ouvir, ler ou ver. O que aqui se menciona é frequentado e depois revelado, adornado com a mais honesta das opiniões. Vale o que vale. Nunca me passaria pela cabeça arrasar quem de mim discorda. Essa desdita pertence a outros livres comentaristas, que, ilustrados por um extenso conhecimento, se apoderam da razão e ditam regras definitivas, excluindo do reino da inteligência quem não alinha no mesmo diapasão. Também valem o que valem, ou seja, muito pouco. O que aqui faço, faço-o com todo o gosto. Os meus amigos façam desta ousadia o que muito bem entenderem. Até às vésperas do Natal darei notícia de coisas que apreciei. Quem quiser frequente também, e, se gostar, embrulhe, ponha um lacinho e ofereça. É o que pretendo fazer. Só ofereço o que aprecio.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
A 29 de Novembro de 1807, a família real portuguesa embarcou para o Brasil. Assinalam-se agora 200 anos do feito. O pais Portugal ficou à deriva até 1821. Este assunto é tratado numa interessante exposição documental, no Museu Nacional de Arte Antiga. Abre hoje.
O trabalho estético foi assegurado por nós, na DDLX .
Ardente paciência
Luísa Mesquita assinou os papéis que ditavam as regras. O PCP, iluminado pelas regras do centralismo democrático, que se estão borrifando para a vida pessoal de cada um, usa os papéis assinados quando lhe convém. Luísa Mesquita acha o que lhe convém para manter o mandato na Assembleia. Jerónimo fala em “ardente paciência” para se definir diferente e melhor do que todos os outros em matéria de disciplina partidária. É melhor que se entendam. Antes que a paciência do seu eleitorado esturrique.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Os uns e os outros
Poderemos não encontrar especiais vantagens nos chamados “orgulhos”. Ter prazer em ser gay ou hetero pertence ao particular convívio de cada um. E cada um é o que é, ponto.
Não deixa de ser curiosa a justificação que a marca de cervejas encontrou para encobrir o embate provocado por aquela desajeitada campanha: se uns têm orgulho, qual a razão de outros não terem? Dito assim parece uma evidência. Mas, como a ideia é vender mais bebidas da marca, é no mínimo estranho excluir-se assim uma faixa de mercado. Logo, para além de não ser bonito de ver, não se percebem grandes vantagens comerciais.
Não deixa de ser curiosa a justificação que a marca de cervejas encontrou para encobrir o embate provocado por aquela desajeitada campanha: se uns têm orgulho, qual a razão de outros não terem? Dito assim parece uma evidência. Mas, como a ideia é vender mais bebidas da marca, é no mínimo estranho excluir-se assim uma faixa de mercado. Logo, para além de não ser bonito de ver, não se percebem grandes vantagens comerciais.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Para ver e ouvir
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
É o Nobel da Paz, por favor
Ramos Horta, do alto do seu palanque de presidente de Timor, propôs o nome de Durão Barroso para Nobel da Paz. Parece de brincadeira, mas não é, Horta fala a sério. Com esta louvável atitude deu-me uma ideia. A recente explosão num prédio, em Setúbal, trouxe para os canais televisivos a figura da presidente da autarquia. Depois de esforçadas poses, tipo "emplastro", atrás da governadora civil, a edil, hoje, na ausência da representante do Governo, foi ouvida pela comunicação social. Não disse nada de jeito, mas estava preocupada com o problema das populações. E que bem que estava: de cabeleira cuidada e ornamentais peles ao pescoço. No meio da desgraça, eis que surge alguém que se aperalta para o "boneco", borrifando-se nos inestéticos coletes da Protecção Civil.
Proponho, portanto, Dores Meira para Prémio Nobel da Paz.
Se se podem fazer propostas parvas, lá vai esta.
Barroso que aguente.
Proponho, portanto, Dores Meira para Prémio Nobel da Paz.
Se se podem fazer propostas parvas, lá vai esta.
Barroso que aguente.
sábado, 24 de novembro de 2007
4 anos
As cirurgias começaram há 4 anos.
O BlogOperatório vai continuar a receber os seus estimados pacientes.
Sempre com muito prazer.
Bom fim-de-semana.
O BlogOperatório vai continuar a receber os seus estimados pacientes.
Sempre com muito prazer.
Bom fim-de-semana.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
É só ida, por favor
Não percebo patavina de futebol. E como não gosto de meter o nariz onde não sou chamado, evito dizer seja o que for sobre o assunto. Mas, como o fenómeno Scolari ultrapassa os segredos do futebol e exibe o mais alarve comportamento público, lá vou eu botar umas palavrinhas.
Scolari anda tenso. Transpira irritação. Percebe-se que gostaria de resolver com uns valentes murros as "impertinências" dos jornalistas. Houve uma coisa que o treinador disse, na última conferência de imprensa, que me ficou a bater: já se esforçou mais por Portugal do que pelo seu próprio país. Quase me emocionei. Mas fui tentar perceber a razão de tanta abnegação. Percebi: ganha dez vezes mais aqui. Ou seja, o suficiente para adquirir, em qualquer balcão de uma companhia aérea que faça viagens para o Brasil, um bilhete de ida.
Sem volta, por favor.
Scolari anda tenso. Transpira irritação. Percebe-se que gostaria de resolver com uns valentes murros as "impertinências" dos jornalistas. Houve uma coisa que o treinador disse, na última conferência de imprensa, que me ficou a bater: já se esforçou mais por Portugal do que pelo seu próprio país. Quase me emocionei. Mas fui tentar perceber a razão de tanta abnegação. Percebi: ganha dez vezes mais aqui. Ou seja, o suficiente para adquirir, em qualquer balcão de uma companhia aérea que faça viagens para o Brasil, um bilhete de ida.
Sem volta, por favor.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Orgulho labroste
Aquela coisa do "orgulho hetero", que uma marca de cervejas resolveu inventar para fazer disparar as vendas, é a gozar não é? Mas será a gozar com quem?
Foi assim
Resposta ao passatempo do derterrorist
Nas recordações de infância do José Simões é revelada uma realidade que esteve muito próxima da minha. Crescemos praticamente na mesma zona, apesar de nos termos conhecido já mais crescidinhos. Ele viveu situações que eu vi viver, mas não vivi. Os mergulhos na doca não fazim parte do meu dia-a-dia. Toda aquela alegria não foi por mim frequentada. Filho único, um "atraso de vida" com protecção apertada dos pais. Claro que vivi, confesso. Mas hoje sinto alguma inveja do Zé Simões. As minhas alegrias eram outras: Jogar os jogos de época, na rua, vigiado de perto pela minha mãe, com bons amigos, e desejando que chegassem as chamadas férias grandes. Isso sim, eram dias e dias passados em casa dos meus tios, na Vidigueira. Em casa é como quem diz: percorria léguas, sempre acompanhado do rafeiro Piloto, que, segundo os meus tios: "até parece que está o ano todo à tua espera". Todos os anos eram acrescentados novos amigos ao grupo. Vinham, tal como eu, dos mais diversos lugares para ali passar os dias de verão.
Quando cresci mais um bocadinho passei a ficar em Setúbal para "fazer praia". Uma seca, literalmente. O prazer da praia veio mais tarde e em força. No início da adolescência não dispensava os banhos em Tróia. Bem acompanhado, se possível.
Foi esta parcela da minha infância que me apeteceu contar.
Se a Sandra, o Paulo, o João, o Jorge e o Manel (todos a morar perto do Sado), quiserem continuar este desfile de revelações dos tempos idos, façam favor. Sem serôdios saudosismos, ok?
Nas recordações de infância do José Simões é revelada uma realidade que esteve muito próxima da minha. Crescemos praticamente na mesma zona, apesar de nos termos conhecido já mais crescidinhos. Ele viveu situações que eu vi viver, mas não vivi. Os mergulhos na doca não fazim parte do meu dia-a-dia. Toda aquela alegria não foi por mim frequentada. Filho único, um "atraso de vida" com protecção apertada dos pais. Claro que vivi, confesso. Mas hoje sinto alguma inveja do Zé Simões. As minhas alegrias eram outras: Jogar os jogos de época, na rua, vigiado de perto pela minha mãe, com bons amigos, e desejando que chegassem as chamadas férias grandes. Isso sim, eram dias e dias passados em casa dos meus tios, na Vidigueira. Em casa é como quem diz: percorria léguas, sempre acompanhado do rafeiro Piloto, que, segundo os meus tios: "até parece que está o ano todo à tua espera". Todos os anos eram acrescentados novos amigos ao grupo. Vinham, tal como eu, dos mais diversos lugares para ali passar os dias de verão.
Quando cresci mais um bocadinho passei a ficar em Setúbal para "fazer praia". Uma seca, literalmente. O prazer da praia veio mais tarde e em força. No início da adolescência não dispensava os banhos em Tróia. Bem acompanhado, se possível.
Foi esta parcela da minha infância que me apeteceu contar.
Se a Sandra, o Paulo, o João, o Jorge e o Manel (todos a morar perto do Sado), quiserem continuar este desfile de revelações dos tempos idos, façam favor. Sem serôdios saudosismos, ok?
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Alta tensão
Hugo Chavez já cá canta. O motivo desta visita prende-se com o substantivo facto de o homem estar sentado num imenso barril de petróleo. A questão dos portugueses que por lá trabalham, não passa de um adereço. Portugal vai provavelmante aproveitar a crise motivada pelo "porqué no te callas" para abrir as portas da Europa às condutas venezuelanas. O rei de Espanha arriscou-se a fechá-las. A sua atitude, ainda por cima vinda de um representante máximo de um país que já foi colonizador, revela-se de uma gravidade sem precedentes. Claro que é simpático ver mandar calar um grunho. Mas, quando o grunho é chefe de um Estado que mais parece uma gigantesca estação de serviço, há que ter cuidado. As explosões são sempre perigosas.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Memórias avulsas
Estou perfeitamente de acordo com o que Pedro Rolo Duarte diz hoje no seu recente blogue. É verdade que, o que nos iluminou em mais cachopos, pode não ter grande brilho nos nossos dias. A malta cresce, e aparece tanta coisa que o que ficou para trás nem sempre sabe tão bem como na altura da descoberta. Às vezes diz-se que não há amor como o primeiro. Não creio. O presente é que é insubstitível. O amanhã não conhecemos. Com todo o respeito pelo passado vos digo: grandes saudades só mesmo do futuro.
Já agora: O José Simões, do derterrorist, desafiou-me para um passatempo por ele criado. A coisa consiste em fazer um regresso à infância, descrevendo como foram os dias nos nossos tempos de calções. A ideia é gira. Vou responder na quinta-feira. Sabem porquê? É que amanhã, nem de propósito, o Baptista-Bastos vai lançar um livro em que parece que está a responder ao Zé Simões. Chama-se "A Bolsa da Avó Palhaça", e fala exactamente da sua infância. O B. B. é uma boa vintena de anos mais velho que este vosso amigo, mas estou com uma esdrúxula curiosidade com o que dali vem. Eu gosto das histórias do Bastos. Vai ser apresentado amanhã na FNAC-Chiado. Vou lá, vou ler o livro, e depois vou eu também revisitar a minha infância. Dizem que isto anda tudo ligado. Se calhar é.
Já agora: O José Simões, do derterrorist, desafiou-me para um passatempo por ele criado. A coisa consiste em fazer um regresso à infância, descrevendo como foram os dias nos nossos tempos de calções. A ideia é gira. Vou responder na quinta-feira. Sabem porquê? É que amanhã, nem de propósito, o Baptista-Bastos vai lançar um livro em que parece que está a responder ao Zé Simões. Chama-se "A Bolsa da Avó Palhaça", e fala exactamente da sua infância. O B. B. é uma boa vintena de anos mais velho que este vosso amigo, mas estou com uma esdrúxula curiosidade com o que dali vem. Eu gosto das histórias do Bastos. Vai ser apresentado amanhã na FNAC-Chiado. Vou lá, vou ler o livro, e depois vou eu também revisitar a minha infância. Dizem que isto anda tudo ligado. Se calhar é.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Os durões da guerra
Durão não mentiu. Passou os olhos por uma papelada e convenceu-se de que existiam armas altamente destruidoras no Iraque. Foi este homem, tão fácil de convencer, que foi escolhido para coordenar os trabalhos, ao mais alto nível, na Europa. Não se percebe o que está aqui mal: a Europa ou o responsável pela Comissão Europeia?
Se calhar até se percebe.
Se calhar até se percebe.
domingo, 18 de novembro de 2007
Abril
Cristina Branco gravou “Abril”. O cd já está à venda. As músicas são todas de José Afonso e tudo leva a crer que se trata de uma homenagem a uma influência. Cristina escolheu músicas segundo o seu gosto pessoal e, percebe-se, consonantes com a sua voz. Gostei da selecção. Só não achei feliz a inclusão de “Carta a Miguel Djé Djé”. É muita desenvoltura para a voz melodiosa de Cristina. E não me parece que respeite a unidade estética do disco. Mas tudo bem. Cristina Branco destaca-se de outros arremedos de recriações que por aí vão estragando a herança musical de José Afonso. Desde as lamechices do sobrinho e daquele senhor Branco que gravou dois discos de jeito há muitos anos (dedicando-se depois a "instruir" indescritíveis artistas de variedades), e que muita gente acha ainda fantástico, até à brasileira filha de Alípio de Freitas que, com um punhado de amigos, se empenhou seriamente em dar cabo, com sotaque e tudo, de algumas das mais significativas canções. Jacinta também se esforçou por isso, com algum êxito. E ainda há um tal Zé Eduardo que resolveu “Jazzar no Zeca” com um disco deprimente.
Cristina Branco é outro asseio. Tal como nos avisa uma voz no final da interpretação de “Chamaram-me cigano”, é limpinho.
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