quarta-feira, 19 de abril de 2006

André Letria | Mil Folhas



Pretendemos com estas pequenas mostras definir o nosso espaço de labor diário como lugar de convívio entre gente de ofícios que connosco partilham experiéncias em colaborações várias. É também motivo deste empreendimento a vontade de partilhar trabalhos de que gostamos, permitindo assim, desta maneira, uma maior vontade de permanecer no sítio em que passamos as horas que medem os nossos dias.
Para esta exposição, André Letria escolheu nove originais utilizados em algumas das capas do suplemento cultural Mil Folhas, do jornal Público.
Criado em 2000, com um projecto gráfico do designer Jorge Silva, o Mil Folhas dedicava grande parte do seu espaço à ilustração, afirmando-se desta forma como um objecto único no panorama editorial português. Estes originais correspondem ao período inicial da publicação, sendo uma delas a da edição inaugural. -Outra das ilustrações expostas recebeu um Award of Exellence for Illustration, atribuido pela Society for News Design (EUA), em 2001. Jorge Silva escreveu as palavras que apresentam o ilustrador.
A abertura é amanhã a partir das sete da tarde. Vai estar patente até finais de Junho.
Apareçam.
JTD

DDLX Design - Rua do Carmo,31, 5º D, Lisboa

segunda-feira, 17 de abril de 2006

É entrar, pessoal



Setúbal tem mesmo um coffee lounge à maneira. É da Cup of Joe e inaugurou há umas semanas (falámos disso aqui, em 30 de Março).
O espaço é muito bonito. Há lugar para mesas, há confortáveis sofás e há uma agradável esplanada.
Duas reproduções de Andy Warhol vigiam a casa - Marilyn e Audrey Hepburn com destaque de culto.
Está-se bem. Bora lá beber um cafézinho?
Avenida Luísa Todi, 558.
RR

Noronha da Costa


Noronha da Costa faz hoje 64 anos.
Comemoramos aqui esta data.
Parabéns.

domingo, 16 de abril de 2006

Bom fim-de-semana


Keith Haring Imagem

sábado, 15 de abril de 2006

Ainda a procissão vai adro...

Um padre, numa paróquia do Algarve, resolve anular a tradicional procissão devido ao mau tempo.
Os paroquianos reagem insultando o padre, aos gritos, nos jornais televisivos. O costume.
Ontem as televisões mostraram uma outra manifestação de revolta em prol das tradições, liderada por Vitorino Salomé, o cantor do Redondo.
Não sei quem tem razão. Se é que a razão existe quando se fala em demonstrações de Fé.
Mas lá que o espectáculo é triste, lá isso é.
E assistir à defesa das seculares tradições católicas por parte de Vitorino, não só é triste como ridículo.
Ainda o havemos de ver auxiliando o pároco, logo que façam as pazes.
Não lhe falta vocação. O mal foi ter de lá saído para outras cantorias.
JTD

Vergonha nacional

Os deputados resolveram tirar uns dias antes da Páscoa.
Os jornais dizem que Cavaco lhes vai dar nas orelhas, no discurso do 25 de Abril.
Para Cavaco, dar nas orelhas das instituições democráticas cai-lhe que nem ginjas.
Cavaco não gosta de nada, nem de ninguém que lhe faça frente. Mas gosta de dar na cabeça de quem ele acha que mete o pé na argola.
Quando agentes das instituições democráticas se metem a jeito... que dizer? Uma vergonha, não é?
Acabei de confirmar - o deputado que o meu voto ajudou a eleger não faltou.
A minha democracia privada continua a funcionar.
JTD

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Novos pecados

Um ideólogo do Vaticano resolve classificar a utilização da internet, a leitura de jornais e o entretenimento televisivo como pecado.
Os católicos um bocadinho mais tolerantes vêm a público tentar pôr água na fervura.
É tanto o escorreganço que quase se estatelam nos seus próprios argumentos. O problema é dos excessos, dizem.
Será que o consumo excessivo de homilias dominicais, podendo causar dependência, poderá ser considerado pecado?
Papa-missas para o confessionário, já!
JTD

Samuel Beckett


Faria hoje 100 anos.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

O dono de Itália

O homem que pensava ser dono de Itália não acredita que haja em Itália quem o queira ver pelas costas.
O homem que pensava ser dono de Itália ainda tem muita gente em Itália que acredita no que ele promete.
É por isso que o homem que pensava ser dono de Itália ainda não acredita que há ainda mais gente em Itália que não o quer como dono de Itália.
Itália, como é óbvio, é dos italianos. Os italianos tiveram uma oportunidade de dar um pontapé no cú do homem que pensava ser o dono de Itália, e deram.
JTD

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Sidónio Muralha | José Escada


A Caminhada

Nessa mata ninguém mata
a pata que vive ali,
com duas patas de pata,
pata acolá, pata aqui.

Pata que gosta de matas
visita as matas vizinhas,
com as suas duas patas
seguidas de dez patinhas.

E cada patinha tem,
como a pata lá da mata,
duas patinhas também
que são patinhas de pata

Sidónio Muralha Texto
José Escada Imagem

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Bom fim-de-semana


Atenção à exposição de Ângelo de Sousa na Gulbenkian.
Pode ser visitada até Maio.
Divirtam-se.
JTD

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Hoje há Jazz na Nova Tertúlia

Trio João Rato - Liderado pelo contrabaixista Cícero Lee, são interpretados temas originais e temas de compositores como John Coltrane, Hermeto Pascoal, Keith Jarret entre outros. Este trio caracteriza-se pela liberdade na execução das músicas que interpretam.
Sonoridade contêmporanea e descomprometida.
É hoje à noite no novo lugar do Jazz no Bairro Alto.

Nova Tertúlia Rua Diário de Notícias, 60.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Delinquência económica

Medina Carreira disse no Diabo "Este é o governo da epiderme: não chega ao músculo."
e mais adiante "O governo incomodou até agora 100 mil e não temos maneira de arrumar o país sem incomodar um milhão."
Assim mesmo, sem a mais leve pontinha de respeito pelos seres humanos envolvidos no incómodo.
É bom lembrar que esta criatura, defensora da economia como acto de delinquência, é assessor, conselheiro, ou lá o que é do actual Presidente de pouco mais de metade dos portugueses. Anda por aí muita gente desta.
Todo o cuidado é pouco.
JTD

terça-feira, 4 de abril de 2006

Mil Folhas | André Letria



A abertura da exposição de André Letria na DDLX, passou para o dia 20 de Abril, contrariando o que eu dizia no post anterior.
"Mil Folhas" será o título da mostra, já que todas as ilustrações ornamentaram as primeiras páginas deste suplemento do PÚBLICO. Uma das peças encabeça este texto. Que tal? Eu não digo que o rapaz tem jeito?!
JTD

sexta-feira, 31 de março de 2006

André Letria


André Letria é o próximo convidado a expor no espaço da DDLX Design.
A inauguração vai ser dia 14 de Abril a partir das 19 horas.
JTD

quinta-feira, 30 de março de 2006

Vai um cafézinho?


Setúbal vai ter um coffee lounge. É da rede Cup of Joe e inaugura amanhâ à noite.
Em cidade onde espaços com alguma acessível sofisticação pouco existem, é motivo de festa.
O local é perfeito: Avenida Luísa Todi, 558. Fica quase lá para o fundo da avenida.
Se for um sítio onde possa ler o jornal descansada, sem ruído e sem criaturas aos berros, lá voltarei sempre.
Para já vou por lá passar na inauguração.
Depois digo se vale a pena, ou não.
Até amanhã.
RR

Inverno | João Francisco Vilhena

A exposição de fotografia que nos últimos três meses animou aqui o atelier encerra hoje.
O "Inverno" terminou. Chegou a primavera e com ela chegará outro autor para partilhar o seu trabalho com o pessoal.
Amanhã será anunciado o nome do ilustrador convidado, assim como a data de início da mostra.
Se quiserem, apareçam hoje na festa de encerramento. É às sete da tarde.
Para mais informações é clicar aqui ao lado em DDLX Design.
Até amanhã.
JTD

quarta-feira, 29 de março de 2006

Jazz em tertúlia

Há um café-bar, com tradições no meio artístico desde os verdes anos do novo Bairro-Alto, que insiste em ter uma programação musical digna de assistência. O tal café-bar chamava-se Tertúlia. Uma nova gerência, com Tiago Fidalgo à cabeça, revitaliza desde Dezembro de 2005 este lugar de beberagens e algumas comedorias com particular interesse pela música que José Duarte considera a mais livre do mundo. É-nos permitido assistir a concertos de bandas nacionais de jazz, por apenas cinco eurozinhos de consumo mínimo.
Pessoalmente, assisti com grande proveito ao espectáculo da banda de André Matos, aqui há umas semanas.
É neste contexto que amanhã por lá se ouvirá o trompete de Ricardo Pinto, a guitarra de Nuno Costa e o contrabaixo de Hugo Antunes. Juntos respondem pelo nome de "Ricardo Pinto Yéti". Este trio sofre de influências e interpreta temas que abraçam criaturas como Chet Baker, Don Cherry, Miles Davis, Freedie Hubbard, Jon Anderson, Tom Harrell entre mais alguns.
Se tiverem um bocadinho, apareçam.
JTD

Nova Tertúlia Rua Diário de Notícias, 60, Bairro Alto, Lisboa

terça-feira, 28 de março de 2006

Isto é verdade?

Margarida Rebelo Pinto e Oficina do Livro requerem contra João Pedro George e Objecto Cardíaco uma providência cautelar não especificada com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra "Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto".
Passa-se isto a um mês das comemorações do 25 de Abril de 1974.

Valter Hugo Mãe Da literatura

O que é isto?
Protecção da mediocridade?
Saudades da censura?
Isto é mesmo verdade?
JTD

Fernando Calhau


O corte falhado
Sentes que no deserto de cinza do teu corpo se abre o traço de um vulcão ardido ao contrário.
Um vulcão com uma cratera que não fosse limitada em círculo e antes tivesse sido aberta por uma lâmina.
Uma fina incisão rasga-se na superfície da cinza que ficou dos vulcões anteriores, com a cabeça em chamas, com a pele a arder e a lava a escorrer pelo corpo fora. Agora. Foi tudo há tanto tempo. Dentro do deserto de cinza a cratera rectilínea deixa a precisão da sua passagem e a notícia da sua marca. O vulcão apagado concede-se uma imprecisão nos contornos, como se o corte tivesse falhado e a lava se tivesse esquecido do caminho a tomar. Como um viajante distraído. Foi tudo há tanto tempo.

Clara Ferreira Alves escreveu este texto para desenhos de Fernando Calhau. em trabalho conjunto publicado em 2001, pela Assírio & Alvim. "Passageiro Assediado" é o título. Um belíssimo livro.

Faço esta referência para lembrar que estão em exposição na galeria Luis Serpa, obras de Fernando Calhau executadas entre 1973 e 1998 - Pintura, desenho e obra gráfica.
Fernando calhau foi um grande artista. Esta retrospectiva, a ilustrar uma tão interessante carreira, é recomendável.
A galeria Luis Serpa fica na Rua Tenente Raul Cascais, 1B, mesmo ao lado da teatro da Cornucópia.
Está aberta de terça a sábado, das 15h00 às 19h30, excepto feriados.
Até já.
JTD

segunda-feira, 27 de março de 2006

Dia Mundial de Teatro


Hoje é dia de festejar o Teatro.
Mas como o Teatro está de luto, não estou virado para grandes festanças.
Como sei que a Natércia Campos gostava de Paula Rego, aqui fica esta lembrança.
Um bom dia para todos.
JTD

Paula Rego Imagem

domingo, 26 de março de 2006

Natércia


Natércia Campos deixou-nos.
Eu gostava muito da Natércia. Tivemos as nossas porras, mas saltava sempre mais alto a amizade que nos unia há já um ror de anos. Ambos sabíamos isso.
A última vez que a vi foi no átrio do Nacional. Ela estava lá para ir ver aquela peça sobre a mais velha profissão, e ao ver-me perguntou-me "então, também vens às putas?". Era sempre divertido e sério estar com a Natércia. Seriedade e prazer que ela transportava para as produções que garantiu no Bando. Era a sombra de João Brites. Ele sabe isso muito bem. Daí a comoção difícil de disfarçar aquando da chegada dos amigos. E foram tantos os amigos que quiseram estar presentes...
A morte saiu à rua em vésperas de comemorações do Dia Mundial do Teatro.
O Teatro ficou triste com esta morte.
JTD

quinta-feira, 23 de março de 2006

Lewis Wickes Hine | Sidónio Muralha



Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

Sidónio Muralha Texto
Lewis Wickes Hine Imagem

quarta-feira, 22 de março de 2006

Nuno Júdice na Culsete

Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice Texto

Nuno Júdice vai estar na Culsete, no próximo sábado. por volta das quatro e meia da tarde.
A grande qualidade da obra deste poeta justifica uma visita a este lugar de divulgação cultural, gerido pela Fátima e pelo Manuel Medeiros. Lá estaremos.
JTD

Culsete Avenida 22 de Dezembro, n.º 23 A/B, Setúbal

terça-feira, 21 de março de 2006

Herberto Helder | Júlio Resende


Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder Texto
Júlio Resende Imagem

segunda-feira, 20 de março de 2006

Contra o pecado

Cavaco começa mal. Prometeu a união em seu torno de todos os portugueses, mas afinal vá de correr com sectores desses portugueses do Conselho de Estado, fazendo a roda apenas com os seus cortesãos. E que figurôes. Pelo andar da carruagem ainda vamos assistir a uma cruzada contra os pecadores que insistem em fazer das sociedades lugares onde a hipocrisia não marca o ponto. Contra a despenalização voluntária da gravidez, os maricas, as raparigas de mau-porte, a cultura urbana sem pudor, enfim, contra todos os excessos contemporâneos, marchar, marchar.
A fila de presidentes zeladores dos bons costumes está a engrossar. Bush exportou o seu estilo. Na Polónia está um fundamentalista religioso que não se ensaia nada para fazer valer o seu poder. Só que este zelo já não convence muita gente.
Quando começa a apertar, o pessoal não acha graça.
Chirac que o diga.
Berlusconi está perto de o confirmar.
Cavaco que se cuide.
JTD

quinta-feira, 16 de março de 2006

Democracia "paralamentar"

O sr. Ramos, da Madeira, para além dos insolentes ataques verbais que desfere sobre os seus opositores, tentou agredir um deputado do PS na Assembleia Regional. Antes já tinha insultado a representante do Bloco de Esquerda. As picardias e o desrespeito por quem não alinha nas diatribes da dupla Jardim-Ramos já têm barbas. Convém lembrar que falamos do número dois do PSD na zona.
Perante tal cenário será que um dia ainda teremos saudades da elegância do sr. Alberto João?

Em Itália, o modelo tem seguidores. Berlusconi habituou-se a não passar cartão a quem dele discorda.
Mas segundo as sondagens, parece que o cão lhe fez có-có no caminho. Oxalá!
JTD

quarta-feira, 15 de março de 2006

Casanova serviço público


A vida do mais notável sedutor de todos os tempos numa fantástica série de época.
Na idade da Razão e da Ciência dos jogos e intrigas amorosas, do prazer e da diversão, Casanova tem tudo ou melhor faz de tudo. Ele é violinista, padre, jogador e intelectual, camponês e nobre, rico e pobre... Mas acima de tudo é um amante. O sexo é tudo para ele. Contudo nunca é casual ou leviano. Ele ama com total entrega e sinceridade, se bem que, temporariamente. A sua vida é totalmente dedicada ao prazer e ama cortesãs, actrizes e até uma freira. Mas, ao longo da sua vida há uma coisa que ele não consegue - a felicidade perfeita junto do seu verdadeiro amor, Henriette.
44 anos depois, Casanova, bibliotecário num castelo e exilado de Veneza, está a morrer... Com ele está Edith, uma jovem criada de quarto. Alguma coisa em Edith acende a velha chama em Casanova e ele acaba por lhe relatar as suas aventuras.
Com Edith ele acaba por gostar do velho Casanova outra vez, enviando mensageiros à procura de Henriette, numa última e desesperada tentativa de ver a mulher que ama antes de morrer...

Uma fantástica e envolvente mini-série de época, que nos leva desde as ruas decadentes de Veneza do século XVIII aos salões de Paris da pré-revolução e da corte de George III em Londres a Nápoles...
Uma série mordaz que alterna entre o pungente triângulo amoroso que envolve o jovem Casanova, Henriette e o seu marido, Grimani e o canto do cisne do mais notável sedutor do mundo.
(Texto de promoção da série, a exibir o segundo episódio, hoje na RTP1).

Sheere Folkson Realização
Murray Gold Música
David Tennant, Peter O´ Toole, Rose Byrne Interpretações

Gil Vicente contemporâneo

O "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, está com roupa nova. O TAS, em muito boa hora, resolveu mudar completamente a peça que estreou há anos. Pompeu José assina a adaptação dramaturgica e partilha a encenação com Carlos Curto. Deste casamento nasce uma "barca" nova, sem enleios, nem excessivas manigâncias. Três actores fazem a dança. E é de dança que nos lembramos ao depararmos com a elegância expressiva que nos absorve. Representação vicentina envolta em cobertura contemporânea, colocando este texto de uma realidade abarcante na realidade dos nossos dias. Três actores que se desenrolam em metamorfose constante como casulos que se desdobram em várias interpretações de contrários.
Cenografia assombrosa. Figurinos deslumbrantes e eficazes. Representação soberba.
Como Gil Vicente gostaria de assistir a esta encenação do seu trabalho.
Exagero? Se o quiserem confirmar, façam favor de ir ao Forum Luisa Todi, em Setúbal, no próximo dia 24.
Espectáculo integrado nas comemorações do Dia Mundial do Teatro.
Melhor forma de comemorar esta data, assim de repente, não me lembro.
JTD

Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente
Teatro Animação de Setúbal
Adaptação - Pompeu José
Encenação - Carlos Curto e Pompeu José
Cenografia e design gráfico - Luís Valido
Figurinos - Lucília Telmo e Rita Carrilho
Interpretação - Sónia Martins, Duarte Victor e Miguel Assis.

terça-feira, 14 de março de 2006

Costa Pinheiro | Fernando Pessoa



Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa Texto
Costa Pinheiro Imagem

sábado, 11 de março de 2006

Bom fim-de-semana


Paula Rego Imagem

sexta-feira, 10 de março de 2006

Rei tosco

Cavaco, logo no início do discurso, agradeceu apenas aos eleitores que nele depositaram confiança. Nem uma palavra para os outros portugueses, os que não lhe deram cavaco.
Cavaco fez um discurso de tomada de posse de governo. Uma lenga-lenga que deverá agradar aos tais 50,6 % que nele confiam, pensando que tudo vai mudar graças à sua acção.
A tomada de posse mais parecia uma coisa monárquica (Vasco Pulido Valente faz uma abordagem a esta disfunção protocolar, no Público). Duarte Nuno de Bragança devia estar roído de inveja ao ver as reportagens da entronização.
Cavaco não vê o seu novo posto como forma de servir o país, vê-se servido pelo país. Os seus eleitores são os seus súbditos.
Eu, continuo a viver em República. Soares também. Foi por isso que não foi prestar vassalagem ao novo monarca.
Fez muito bem.
JTD

quarta-feira, 8 de março de 2006

Menez | Irene Lisboa


Afrodite

Formosa.
Esses peitos pequenos, cheios.
Esse ventre, o seu redondo espraiado!
O vinco da cinta, o gracioso umbigo, o escorrido
das ancas, o púbis discreto ligeiramente alteado,
as coxas esbeltas, um joelho único suave e agudo,
o coto de um braço, o tronco robusto, a linha
cariciosa do ombro...
Afrodite, não chorei quando te descobri?
Aquele museu plácido, tantas memórias da Grécia
e de Roma!
Tantas figuras graves, de gestos nobres e de
frontes tranquilas, abstractas...
Mas aquela sala vasta, cheia, não era uma necró-
pole.
Era uma assembleia de amáveis espíritos, divaga-
dores, ente si trocando serenas, eternas e nunca
desprezadas razões formais.

Afrodite, Afrodite, tão humana e sem tempo...
O descanso desse teu gesto!
A perna que encobre a outra, que aperta o corpo.
A doce oferta desse pomo tentador: peito e ventre.
E um fumo, uma impressão tão subtil e tão pro-
vocante de pudor, de volúpia, de reserva, de
abandono...
Já passaram sobre ti dois mil anos?

Estranha obra de um homem!
Que doçura espalhas e que grandeza...
És o equilíbrio e a harmonia e não és senão corpo.
Não és mística, não exacerbas, não angústias.
Geras o sonho do amor.

Praxíteles.
Como pudeste criar Afrodite?
E não a macerar, delapidar, arruinar, na ânsia de
a vencer, gozar!
Tinha de assim ser.
Eternizaste-a!
A beleza, o desejo, a promessa, a doce carne...

Irene Lisboa Texto
Menez Imagem

domingo, 5 de março de 2006

Os gostos também se discutem

Numa muito interessante pesquisa biográfica inserida na "Pública" de hoje, da autoria de Ricardo Dias Felner, verificamos que uma das cinco coisas de que o futuro Presidente da República mais gosta é da série televisiva McGyver.
É uma preferência cultural do nosso Cavaco que se lhe enfia como linha na agulha. Num país onde o desenrascanço é uma Arte, não há melhor representante nacional do que um admirador do hábil herói televisivo.
Pessoalmente, nunca achei gracinha nenhuma à série. Se calhar, como isto anda tudo ligado, é apenas mais um dos motivos que me levam a não apreciar o estilo Cavaco. Não vejo o McGyver, não sou apologista da arte do desenrasca e não tenho orgulho num Presidente que revela como mais saliente referência cultural uma série televisiva de discutível qualidade.
São gostos. E os gostos discutem-se, não é verdade?
JTD

sábado, 4 de março de 2006

Atitude responsável

O Carlos Manuel Castro, do Tugir , escreveu isto:

Tem sido um dos Ministros mais discretos deste Executivo. Contudo, ontem, o Ministro do Ambiente expôs ao país o porquê do avanço da co-incineração, em diversos canais televisivos. E fê-lo com coerência e responsabilidade políticas.
Além do argumento político, o Ministro sustentou a orientação com base em pareceres técnicos. A co-incineração não é nefasta para o país. Perniciosa, isso sim, seria seguir a mesma política, de enviar para o estrangeiro os resíduos perigosos.
A oposição, numa postura irresponsável, pretende mostrar-se amiga do Ambiente. Apenas patenteia fingimento, fazendo de conta que os resíduos perigosos não existem. Como são exportados, e refira-se que o transporte para o exterior é caro, o problema já não depende de Portugal. Como se houvesse fronteiras em matérias ambientais.
Recuperando, e bem, uma política dos tempos de Guterres, na altura espoletada pelo actual Primeiro-Ministro, o Governo português assume uma posição responsável.
De lamentar a postura do edil de Coimbra, que a dado momento, num programa transmitido ontem ao final da noite, já sem quaisquer argumentos, principalmente científicos, para criticar a medida governativa de avançar com o processo de co-incineração evocou o caso nuclear. Como se a analogia fosse plausível de fazer.


E eu estou de acordo com o Carlos. Portanto, nada mais tenho a dizer.
JTD

Bom fim-de-semana



Euan Uglow Imagem

sexta-feira, 3 de março de 2006

Cinco minutos de Jazz

Por completa confusão de narizes, garantia eu, uns comentários abaixo, que a colectânea compilada por José Duarte, sobre os seus cinco minutos de Jazz, saía com o PÚBLICO. Erro, esta edição sai isso sim com o DN, às quartas-feiras. Sorry. Até jazz...
JTD

Atelier 17

O Atelier 17 trabalhou com alguns dos mais marcantes artistas do século passado. Picasso e Miró andaram por lá. Conviveram com Hayter, principal impulsionador desta perfeita fábrica de impressão de gravura. Actualmente, muitos dos trabalhos lá realizados, podem ser vistos na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva. A exposição vai estar ali, na Praça das Amoreiras, até 9 de Abril.
Recomendo.
JTD

Inverno | João Francisco Vilhena

A exposição "Inverno", fotografias de João Francisco Vilhena, continua em grande estilo na DDLX.
Quem por cá vai passando, vai gostando.
Apareçam.
JTD

Vamos continuar

Ligeira interrupção nos comentários aqui na casa. Outros afazeres. Trabalho em outras geografias.
Voltámos. Vamos continuar.
JTD

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Ângelo de Sousa | Helder Moura Pereira


Esse Vidro

Janelas rompem
na casa, uma flor
no vestido, esse vidro
nos olhos. Janelas
sobre o que vês,
apenas o breve
relance de uma face
perdida, apenas
uma frase de jardim
ou uma rosa de julho.
Janelas rompem
nos teus olhos
e a roda do vestido
ilumina esta manhã.
Quando apontas
sou eu que venho
subindo as escadas,
sou eu que sinto
todas as mãos
por esta pele.
Aqui começa a cor
das telhas, o verde
musgo, a orientação
das imagens. Chegas
do lado mais esperado
da cidade e não
te encobre a bruma
definindo a linha
das janelas. A que
hesito entre o gesto
de mostrar a face
que regressa e adivinha.
No vidro dos olhos
a flor do vestido, nos
degraus o súbito
desejo de janelas
tapando a morte.

Helder Moura Pereira Texto
Ângelo de Sousa Imagem

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

José Afonso


Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Frida


A exposição de Frida Kahlo no CCB é hoje inaugurada, e por lá ficará até 21 de Maio.
Boa visita.
JTD

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Jazz em cinco minutos


Cinco minutos, seja lá para o que for, é muito pouco.
José Duarte tem conseguido, ao longo dos últimos quarenta anos, divulgar o melhor do Jazz em cinco minutos diários de rádio.
O PÚBLICO resolveu assinalar esta proeza, convidando o seu autor a meter em quatro registos gravados o que de melhor ele já passou nos seus programas. O resultado é uma excelente compilação, do melhor que esta música nos pode dar, guardada em líndissima caixa com capa de André Carrilho.
Acompanha o PÚBLICO às quartas-feiras, custando apenas mais ou menos seis euros.
É de aproveitar. Quem sabe, sabe. José Duarte sabe e muito...
JTD

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Deus e a Fé

A transladação da freirinha Lúcia tem colocado algumas questões de difícil resposta.
O problema é que quando se fala de Fé, fala-se de uma quantidade de dogmas e superstições capazes de meter medo ao mais destemido mortal.
O sucesso das religiões está na sugestão de soluções para os medos que não compreendemos. A ciência explica tudo até ao derradeiro dia da nossa existência, depois é que são elas. O que nos espera? Há quem não se contente com a existência terrena, logo vá de inventar uma vida para além desta.
Tenho reflectido sobre tudo isto devido às leituras que recentemente me acompanham.
Anda aí um interessantíssimo livro, publicado pela Casa das Letras, que faz uma abordagem séria acerca das interrogações que campeiam nas nossas cabeças. Tem por título "Deus e a Fé", e os autores são dois amigos, J. I. González Faus e Ignacio Sotelo. O primeiro é católico e o segundo ateu. O diálogo entre os dois revela-nos um profundo conhecimento, por parte dos autores, dos dois campos opostos. Logo, o resultado constitui uma eficaz interpretação do sentido religioso da vida.
Nas próximas emissões aqui do blogue falaremos um bocadinho sobre tudo isso, com a intenção de motivar a discussão entre os nossos pacientes.
Com Deus não se brinca? Claro que não. Mas será que Deus existe, mesmo?
Até amanhã.
JTD

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

O Papa Horta

Ramos-Horta está a ponderar candidatar-se a secretário-geral da ONU.
E não hesita em comparar este processo com a eleição do Papa.
Será que já meteu a cunha aos altos dignitários da igreja católica no sentido de por ele intercederem junto do Espírito Santo?
JTD

Transladações

A freira das aparições, Lúcia de seu nome, transladou para a sua última morada.
Os crentes não foram assim tão crentes como estava previsto. Compareceram dezenas de milhar, em vez das centenas de milhar esperados.
E não se deu pela presença de Santana e Portas, tão azougados aquando do primeiro funeral. Como já não são governo, que se lixe...
Um funeral dá sempre jeito, quando se está em plena expansão populista. Muito curiosa foi a intervenção do catequista Marcelo Rebelo de Sousa na RTP 1, tentando explicar o que não tem explicação. Não há fé que os safe. O ridículo não mata, mas mói.
JTD

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Bom fim-de-semana


Noronha da Costa Imagem

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Frida Kahlo



A exposição de Frida no CCB abre na próxima semana.
É sexta-feira, dia 24, estando patente até 21 de Maio. Aconselha-se uma visita. Ou mesmo duas.
JTD

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Boa sorte, Luís Sequeira

O abnegado fecha hoje portas. Valores mais altos fazem calar esta importante voz da blogosfera portuguesa.
Nem sempre estivemos de acordo, mas sempre respeitando e concordando com essa grande virtude que é estar em desacordo.
Estivemos unidos na vontade de nos manifestarmos contra o conformismo bacoco que, cada vez mais, domina a sociedade.
Foram bons momentos passados na companhia de Luís Sequeira. É pena que se vá embora. Mas é por uma boa causa.
Que tudo corra pelo melhor no seu doutoramento.
E volte, a malta vai ter saudades.
JTD

Fernando Assis Pacheco | Carlos Carreiro


A Profissão Dominante

Meu Deus como eu sou paraliterário
à quinta-feira véspera do jornal
nadando em papel como num aquário
ejectando a minha bolha pontual

de prosa tirada do receituário
onde aprendi o cozido nacional
do boçal fingido o lapidário
- fora algum deslize gramatical-

receio que me chamem extraordinário
quando esta é uma prática trivial
roçando mesmo o parasitário
meu Deus dá-me a tua ajuda semanal

Fernando Assis Pacheco Texto
Carlos Carreiro Imagem

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Hoje vou ao barbeiro



O Barbeiro de Sevilha é a obra-prima da ópera bufa italiana. Estreou em Lisboa no passado dia 8, e termina amanhã este conjunto de representações, numa co-produção do Teatro Nacional de São Carlos com o Teatro Real de Madrid.
À Orquestra Sinfónica Portuguesa e ao Coro do Teatro Nacional de São Carlos juntou-se um elenco de destacadas vozes do panorama internacional, que inclui, entre outros, o barítono Franco Vassallo, o tenor Marius Brencius, o baixo-barítono Filippo Morace e a meio-soprano Kate Aldrich.
O espectáculo é encenado por Emilio Sagi e a cenografia pertence a Llorenç Corbella. Direcção musical de Jonathan Webb, já conhecido do público do São Carlos (na última temporada, dirigiu "La Navarraise" e "Cavalleria Rusticana").
Esta ópera de Rossini é uma das mais populares e exibidas em todo o lado. A acção decorre na Sevilha do século XVIII.
JTD

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Dia dos namorados


Hoje é dia dos namorados.
Ok, vou esperar até amanhã para mandar o meu namorado à merda.
RR

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Vigilantes fregueses


Problemas vários e alguma indisponibilidade têm vindo a afectar o normal funcionamento aqui do blogue.
Pelo facto pedimos desculpa aos fregueses habituais, que prenhes de razão encheram a nossa caixa de mail com simpáticos protestos. Voltaremos ao vosso convívio a partir de amanhâ.
Muito obrigado pela vigilância.
Aqui vai uma imagem de Álvaro Lapa para compensar as falhas.
JTD

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Al Berto | João Vieira


Doze moradas de silêncio

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al berto Texto
João Vieira Imagem

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Explosivas opiniões

O programa da RTP 1, "P´rós e contras". moderado por Fátima Campos Ferreira, debateu ontem o desassossego causado pela publicação das caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês. Os cartoonistas António e Luís Afonso, estiveram de serviço em defesa dos deus colegas atacados por blasfémia, mas também da sensatez e da livre aplicação das ideias. Foi giro perceber que quem melhor defende a liberdade de expressão são os que são acusados de intolerância. Também é giro verificar que os representantes dos ofendidos que vão a estes debates são sempre muito compreensivos e tolerantes. Parece que não vão lá fazer nada. Os defensores da violência, que está a alastrar, nunca são os que dão a cara. preferem partir a cara aos outros,
Colocada esta questão, o líder dos islâmicos portugueses, ou lá o que é, pronuncia-se contra as reacções violentas, apesar de ele próprio defender a proibição da publicação dos desenhos. Já o bispo representante da igreja católica (cordato e educado como convém) confrontado com as opiniões de António e de outros cartoonistas ouvidos em diferido, em que põem em causa as atitudes autistas acerca da pedofilia e da contracepção, assim como a exigência de um tratamento especial por parte da Igreja, responde que falar de tudo isso são abstracções e que se há crimes de pedofilía cometidos por padres, como crimes que são, devem ser julgados em tribunal. Isso é óbvio, mas foi interessante perceber que a igreja católica é uma abstracção que lava as mãos de tudo o que não lhe interessa tomar posição.
Pensando bem, é assim mesmo que deve ser. Ainda bem que não mandaram para ali um defensor do islamismo radical, capaz de partir aquilo tudo, ou mesmo fazer-se rebentar com um cinto de explosivos à cintura. Aqueles estúdios ainda foram caros. Assim como o Luís Afonso, o António e os outros opinadores fazem cá falta.
Em democracia é importante a opinião de todos.
Nem todos podem dizer o mesmo.
JTD

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Meter baixa é o que esta a dar...

Manuel Alegre não sabe o que fazer com o milhão que lhe saiu no dia 22 de Janeiro.
Hesita em voltar à Assembleia, às lides partidárias, ao terreno.
Para pensar na sua vida futura resolveu meter baixa, ficando assim com mais tempo para os jantares e encontros com os seus cortesãos.
Um bom exemplo para o povo que nele confia e uma grande ajuda para o governo do ainda seu partido, que encetou um combate aos comportamentos pouco recomendáveis de alguns portugueses que insistem em "meter" baixa, para lhes sobrar espaço para outros afazeres.
JTD

Só nos saem duques...

Na semana passada, o presidente da câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, resolveu obsequiar a monarquia portuguesa, com uma placa, colocada em parede municipal, referindo os acontecimentos que prenunciavam o fim da monarquia. Não passou de uma singela homenagem, com a presença, em massa, dos indefectíveis da submissão a Duarte Nuno de Bragança. E lá estava o próprio, para grande alegria das dezenas de pessoas que até tiveram a oportunidade de gritar "Viva o Rei".
E o "rei" (salvo seja) lá botou faladura. Que sim senhor, que a monarquia é um exemplo de desenvolvimento das nações, que Portugal estaria mais avançado se vivêssemos em monarqiua, que a culpa do estado em que estamos é da república, enfim, vendeu os seus "Souvenirs" e lá foi à sua vidinha.
Será que o país de que Duarte Nuno fala é o mesmo que o rei D. Carlos referia naquela célebre frase "lá vamos nós para aquela piolheira", quando regressava do estrangeiro? É giro ver como estes reis, condes e duques adoram o seu povo. E como o povo lhes está reconhecido, viu-se no ajuntamento que se deslocou à Praça do Município.
Claro que o que diz D. Duarte não tem a mínima importância. O que está em causa é a atitude de um autarca eleito em democracia e em regime republicano. Estará Carmona de acordo com o que foi ali gritado?
Lamentável.
JTD

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Incompetência por cabo

Caros visitantes e pacientes, a minha participação neste blogue tem sido afectada pelo impressionante mau serviço da Netcabo. Ando em demanda com esta inenarrável empresa, que para além de levar couro e cabelo, fornece um serviço inacreditavelmente medíocre. Apesar de tudo, para eles o cliente nunca tem razão. É, de facto, impressionante.
Depois conto...
Até breve.
JTD

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Ele há com cada imperativo...

O julgamento de Avelino Ferreira Torres foi adiado para a próxima semana.
Segundo os jornais, o advogado de defesa do vereador-bandido alegou imperativos profissionais para faltar à sessão no tribunal.
Quer isto dizer que o referido advogado não leva muito a sério o julgamento deste seu cliente.
Pelo menos não é um imperativo profissional.
Preocupante.
RR

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Mozart hoje


Como é evidente, hoje só faz sentido falar de Mozart.
Foi há 250 anos que nasceu um dos maiores génios da história da música.
É absolutamente indispensável não morrer sem ouvir "Don Giovanni", "As bodas de Fígaro", Cosi Fan Tutte", "Flauta Mágica", e mais os concertos para piano e orquestra, as sonatas para piano, enfim, um nunca mais acabar de fascinantes melodias, onde o rigor, apurado por um exímio conhecimento musical, nos transportam para os dias de hoje a beleza e o prazer, duzentos e cinquenta anos depois.
Mozart é eterno. A sua música ocupa um lugar da frente nas nossas vidas. Sentados nesse lugar viajamos pela expressão dos conflitos humanos, as lutas entre o ser e a consciência, tão bem retratados em, por exemplo, "Don Giovanni".
Mozart também anda por aí. E vai ser por muito tempo.
JTD

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Da República

Já tinha fechado a loja das eleições presidenciais, mas a crónica de hoje de António Mega Ferreira, na Visão, fez-me abrir uma gretinha da porta.
Diz assim na parte final do texto:

Poucos dias antes da votação, uma amiga minha que, provavelmente por ter vivido alguns anos em França, não consegue perceber como é que os eleitores podem preferir alguém a Mário Soares, enviou-me uma citação tocante e nostálgica, extraída do maravilhoso "Lorenzaccio" de Musset: "Façamos pois um esforço! A República, eis a palavra que nos falta. E mesmo que não seja mais que uma palavra, deve ser importante, porque os povos erguem-se quando ela atravessa os ares."
Estou certo que Mário Soares não deixará de apreciar esta citação.


Também estou certo disso. E também tenho a certeza de que ainda tem muito para nos dizer. Ainda por cima agora, que vivemos na era dos políticos que não o são. "Ficar calado? Antes o poço da morte que tal sorte", como diria o Sérgio.
JTD

Paula Rego 71



Comemoremos, pois.
RR

Paula Rego



Paula Rego faz hoje 71 anos.
Bom motivo para comemorações nacionais.
Se Portugal fosse a sério era isso que acontecia. Mas não é.
RR

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Cavacos há muitos...



Ora aqui estão quatro qualidades de cavacos.
É o que não falta para aí: cavacos, cavaquinhos e cavacões.
A música é frouxa e monótona. É mesmo maçadora.
Foi o que nos saíu na rifa. Agora é gramar e não calar.
Quem cala consente e não é filho de boa gente.

RR

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Quando dizer bem não faz sentido

Vazio
Não tenho ninguém para dizer bem.
Não acredito que Portugal vá ficar "maior".

Publicado por dizerbem em 22/01/2006. 10:49 PM


O nosso colega "dizer bem" ficou assim, neste estado, com a esperada vitória da direita.
Não vale a pena homem. É certo que Portugal não vai ficar maior com a entronização da encavacada criatura, mas também não acredito que fique do tamanho da sua própria cabeça. Portugal, tal como o mundo, não é só economia. Se eles não percebem isso, paciência.
Cavaco não nos motivará orgulho, mas estamos cá nós para contrariar a parolada de serviço. Ou não?!
JTD

Chove!


Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira Texto
Arpad Szenes Imagem

domingo, 22 de janeiro de 2006

Só mais uma coisa...

A cobertura do acto eleitoral por parte da estação de televisão SIC foi perfeitamente tendenciosa.
A constante aclamação de Cavaco por parte dos repórteres de serviço atingiram o mais perfeito ridículo.
Durante a campanha foi o que se viu. Mas hoje, a demonstração mais desbragada da posição da televisão de Carnaxide atingiu o auge. Assistimos a tudo: descrições dos interiores da casa do candidato possíveis de observar do exterior, soubemos os nomes dos familiares que já tinham chegado, a interrogação sobre a chegada ou não dos netinhos, o momento em que Cavaco acenou de dentro de casa, e que levou a criatura que ali estava, ao serviço da casa de Balsemão, ao rubro. Enfim, uma alegria.
O entusiasmo, note-se que antes das sondagens à boca das urnas, causou um justificado entusiasmo: é um como eles que vai ocupar Belém. É a hora dos toscos.
JTD

O tosco ganhou

E pronto, já temos um novo Presidente. O homem que instalou o pato-bravismo mais descarado em Portugal, foi recompensado pelo seu povo. Esperemos que a baboseira dos tios e das tias não volte com a profusão do passado. Já não estamos habituados.
Neste momento não tenho orgulho em ser português. Não digo isto a quente. Dificilmente mudarei de opinião. Não me vejo representado por um senhor sem a mínina curiosidade intelectual.
Pêsames ao povo português.
JTD

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Cavaquistãozinho

Ao ver as arruadas dos candidatos no Chiado, local de obrigatória passagem, verifico que Cavaco é o concorrente com menos maralhal à ilharga. Quer isto dizer o quê? Que Cavaco é eleito pelas sondagens escondidas em estranha maioria silenciosa?
Que apesar do favoritismo há apoiantes que não vão com a criatura a lado nenhum? Que a eleição é feita pela comunicação social?
Que em Lisboa não anda muita gente atrás dele, é verdade. Eu estava lá, mas passei ao lado, confesso que incomodado com a ruidosa aclamação. Grrrr...
JTD

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Grrrrrr...



Estou cá desconfiado que não vou meter aqui coisa nenhuma até domingo.
Não me apetece. A única coisa que me apetece dizer é que não gosto deste gajo.
Pronto, já disse.
Até um dia destes.
JTD

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Pietro Longhi | Eduardo Lourenço



Construir a Europa por irresistível pressão das forças económicas e uma lógica que é hoje planetária, como sonâmbulos, não é projecto que entusiasme ninguém. Uma utopia europeia assumida só é digna de ser vivida como vitória da Europa sobre a Europa, da ficção de si mesma que, consciente ou inconscientemente, tem condicionado o seu destino, contra a sua realidade. Em suma, do triunfo da sua sublime não-identidade sobre os fantasmas da sua alucinada identidade.

Eduardo Lourenço Texto
Pietro Longhi Imagem

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

O sol quando nasce é para todos


Anda aí um novo vizinho, cá no bairro. Chama-se O sol quando nasce. E já se sabe: o Sol quando nasce é para todos.
Apareçam por lá que vale a pena.
Até amanhã.
JTD

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Inverno | João Francisco Vilhena



Fotografias de João Francisco Vilhena vão estar a partir de amanhã em exposição no espaço de trabalho da DDLX Design.
Pretende-se com esta iniciativa mostrar o trabalho de profissionais que têm vindo a colaborar com o atelier.
João Francisco é o primeiro de uma série de colaboradores que, trimestralmente, vão mudar as paredes da nossa oficina.
Estão já agendadas mostras de André Carrilho (Ilustração), Maurício Abreu e Luísa Ferreira (Fotografia).
Um ano em cheio, com um elenco de luxo.
Apareçam quando quiserem. Estaremos para os receber de segunda a sexta, das 14 às 18 horas.
Para mais pormenores é ir ao nosso sítio. Há ligação aqui ao lado, nas clínicas do grupo.

O texto que se segue é da autoria de Maria João Cantinho e refere-se ao trabalho "Atlântico". O grafismo foi desenvolvido pela maralhal aqui da casa.
Até amanhã. JTD

As fotografias admiráveis de João Francisco Vilhena empurram o leitor para o interior da magia deste universo complexo e emaranhado de vidas, tecidas pela memória ferida e pelas cicatrizes escritas. Campos de futebol na praia, onde a vida parece ter sido suspensa e apenas houvesse a dimensão de uma imaterial temporalidade, pedaços de fotografias, registos de livros de hóspedes, figuras, rostos, olhares onde paira a ternura ou o desamparo, fragmentos de uma beleza avassaladora, são os registos impressionantes do seu olhar, de uma sensibilidade atenta ao pormenor, à vida íntima, ao saber que as coisas calam em si. Jogos de luz e sombra, fotografias de pegadas, mostrando o modo como a memória do andar se inscreve tão subtilmente nelas, a beleza estonteante de Florence Marly.

sábado, 14 de janeiro de 2006

Bom fim-de-semana


Jorge Martins Imagem

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

O que está em Portugal é dos portugueses

A polémica posta a circular sobre as utilizações de nomes de pessoas ou cantorias, por mero exercício de retórica eleitoral, provocaram alguma confusão em vários meios de comunicação. Discussão inútil? Penso que não. Vejamos:
Jerónimo não gostou que Alegre usasse Cunhal, em homenagem ao seu percurso como anti-fascista. É puro oportunismo por parte de alguém que sempre combateu as ideias do antigo secretário-geral do PCP, diz o actual dirigente comunista.
Também sobre Cavaco foram lançados cobras e lagartos pelo simples facto de ter cantado a "Grândola vila morena" quando se deslocou aquela terra alentejana, na companhia do tótó do presidente da câmara.
Ora o que está aqui em causa não é o direito de propriedade. Qualquer um dos casos referidos poderá ser apreciado por quem o quiser. E todos temos o direito de o manifestar. A expressão de afectos é livre. Poderemos ter a sensação que Jerónimo dispara na direcção errada ao insistir no alegado abuso. Perderemos o nosso tempo ao manifestarmos perplexidade acerca dos súbitos dotes de cantor de Cavaco. Mas uma coisa é certa: Nem Alegre alimentou, nunca, grande apreço pela personalidade de Álvaro Cunhal, nem Cavaco mostrou grande entusiasmo pela data de Abril em que foi utilizada a canção como senha para a revolta dos militares. Nas comemorações que assinalaram os 30 anos da revolução, limitou-se a revelar o seu enfado por causa da confusão que reinava no país, numa altura em que regressava de Londres e se preparava para se instalar na capital portuguesa. Também ninguém lhe reconhecerá, ao contrário de a Manuel Alegre, um átomo de admiração por José Afonso.
Estamos, portanto, em ambos os casos, perante puro cinísmo eleitoral. E isso não é bonito de se ver. Digo eu.
É claro que eles se podem manifestar, mas nós também, que diacho!
JTD

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Frida


O Centro Cultural de Belém vai ter uma importante exposição de Frida Kahlo a partir de Fevereiro.
Uma mulher apaixonada pela vida e pela pintura apesar dos tormentos físicos que a tolheram.
Uma grande mulher admirada pelos grandes do seu tempo: Picasso, Duchamp, Kandisky, Breton, entre outros, fizeram parte da sua corte de admiradores.
A pintura que produziu permanece viva junto de nós.
E mais junto vai ficar ainda a partir do próximo mês. A não perder.
JTD

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Almada Negreiros| Fernando Pessoa


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa Texto
Almada Negreiros Imagem

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Júlio Pomar 80



O pintor Júlio Pomar faz hoje 80 anos.
Parabéns ao artista. Parabéns à Arte Portuguesa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Ano Bocage


O meu amigo João Reis Ribeiro, em opinião publicada num jornal da região de Setúbal, interroga-se sobre o que aconteceu e não aconteceu no Ano Bocage. É cedo para um balanço, diz. E aponta os envolvimentos vários e as faltas.
Se houve envolvimentos, não dei por nada. Se calhar defeito meu. Mas mais provavelmente falta de articulação das actividades e amadorismo na divulgação. Não dei por nada eu, nem deram por absolutamente nada muitos dos meus amigos que ainda acreditaram que 2005 poderia muito bem ter sido o ano Bocage - Ícon cultural nacional. Pensarmos que tal não aconteceu parece-me óbvio. Mas culpar as instâncias culturais não resolve nada. O problema é político. Não houve vontade política, ou por ignorância ou por inércia. Das duas uma, ou então as duas em simultâneo. É que ainda estão para nascer, em Setúbal, políticos com vontade de contrariar a inexistência cultural na cidade. A cultura é um entretenimento menor. As acções que promovem, sem concepção de raiz nem alinhamento promocional, não trazem nada de novo. Não passam de actividades frustes sem público nem significado. O João, no mesmo artigo, alimenta a esperança de algo mais substancial acontecer aquando das comemorações do 250º aniversário do nascimento do poeta. A ver vamos. Até lá apetece-me gritar: "É a cultura, estúpidos!".
Boa tarde.
JTD

sábado, 7 de janeiro de 2006

Bom fim-de-semana


Andy Warhol Imagem

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Antoni Tàpies | Fernando Pessoa


Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva;
Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida

Refresca-me a alma de espuma...
Pra além do mar há a bruma...

E pra aquém? há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim...

Fernando Pessoa Texto
Antoni Tàpies Imagem

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Uma história simples

Aquilo que nos move nesta prática diária de comentar a "espuma dos dias", leva-nos, muitas vezes, a esquecermos o que provoca essa espuma que tenta submergir-nos. Achamos que devemos comentar o que é absolutamente indispensável. Como se isso existisse.
E então é ver-nos falar de cidadania, de eleições, de livros, de música, em resumo, a armarmo-nos em interessantes. Consideramos interessante tudo o que nós próprios achamos e o que os que aqui vêm também poderão achar. Nesta excessiva disciplina que nos impomos, deixamos para trás o que nos incomoda no dia-a-dia.
Ora aqui estou eu a justificar algo que me deveria sair naturalmente. É assim: utilizo o comboio da Fertagus desde que o percurso Lisboa-Setúbal se realiza. Faço quase diariamente esta viagem. Para a ligação ao Chiado uso o Metro. Até aqui tudo bem. O pior é que tanto as carruagens que me trazem de Setúbal, como as que fazem o favor de me colocar na Baixa-Chiado, estão a precisar de uma manutençãozinha.
O lixo viaja connosco com o à-vontade de passageiro. O cheiro já começa a incomodar.
Será que tenho que voltar a vir de carro?
O inferno das bichas na ponte é de novo alternativa?
E pronto. Foi uma história simples. Sem a grandeza das opiniões que classificamos como definidoras de ideias. É, contudo, uma história dos meus dias. Desculpem se incomodei com tão grande banalidade. Mas esta banalidade incomoda-me.
Voltarei a ter desabafos destes. Esperem pela próxima.
JTD

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

A escolha


António Mega Ferreira é o novo presidente do Centro Cultural de Belém.
Melhor escolha seria difícil.
JTD

Favores

O que me incomoda na aprovação de Cavaco é a ideia de recompensa.
Oferece-se a ideia de que o homem deve ir para Belém porque foi um estadista do melhor.
É-nos também transmitido um certo sentimento de espírito de missão, como se nos fosse salvar de uma catástrofe.
A salvação que nos apregoam, dizem-na possível, devido a essa larga experiência como primeiro-ministro, no tempo em que jorravam as torneiras dos tonéis europeus. Percebemos então o intenso trabalho que herdámos ao olharmos para o estado em que ficou o país.
As torneiras encheram as pipas dos espertos de sempre - "Dançam a ronda no pinhal do rei".
O país continua na cauda de tudo o que parece insistir em existir. Nada alterou a inexistência nacional.
Devemos então a Cavaco o quê?
Pessoalmente, não estou interessado em pagar-lhe os favores que fez aos meus compatriotas, com automóveis "todo-o-terreno" e territórios comparticipados.
Tirei bilhete para outro campeonato. É nesse estádio que vou estar dia 22, com a percepção pouco auspiciosa de que nem sempre ganha o melhor.
Mas faremos por isso.
JTD

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Viva o velho


Acabei de assistir a uma entrevista a Mário Soares, na SIC.
Uma demonstração de exemplar cidadania, de humanismo, de inteligente exercício da política.
Velho? Velhos são os trapos, já lá dizia a minha avó.
JTD

domingo, 1 de janeiro de 2006

2006 | Ano Mozart


Este ano comemora-se o nascimento de um dos maiores nomes da música de sempre.
Assinalam-se 250 anos sobre o nascimento do autor de "A Flauta Mágica", "Don Giovanni", "As Bodas de Fígaro", "Cosi Fan Tutte", entre tantas outras criações geniais.
Salzburgo prepara-se para transformar as comemorações em algo de memorável.
A cidade que deu Wolfgang Amadeus Mozart ao mundo, exibe um sonoro orgulho pelo seu rebento.
O programa das festas é soberbo. Podemos ir até lá, aqui.
Voltarei mais vezes a este assunto. Volto sempre com muito prazer à música de Mozart.
JTD