Barnett Newman
terça-feira, 14 de dezembro de 2004
sábado, 11 de dezembro de 2004
sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
quinta-feira, 9 de dezembro de 2004
Metafísica
Deus é um conceito metafísico. À sua sombra fazem a sua burocracia metafísica
os padres de todas as religiões.
Álvaro Campos
"Aforismos e afins"
Páginas de Fernando Pessoa. Assírio e Alvim.
os padres de todas as religiões.
Álvaro Campos
"Aforismos e afins"
Páginas de Fernando Pessoa. Assírio e Alvim.
terça-feira, 7 de dezembro de 2004
O que é o tempo?
Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma.
A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora.
A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele.
A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos
é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
Bernardo Soares. LIVRO DO DESASSOSSEGO. Obras Completas de Fernando Pessoa
A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora.
A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele.
A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos
é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
Bernardo Soares. LIVRO DO DESASSOSSEGO. Obras Completas de Fernando Pessoa
segunda-feira, 6 de dezembro de 2004
O verdadeiro homem do bolo
E no tempo do homem do bolo-rei, não houve trapalhadas? Pensam que já nos esquecemos?
Estes gurus da competência acham-se acima de tudo e todos.
Eles é que são os bonzinhos, coitadinhos. Só não fazem mais porque não os deixam.
Já ouvimos isto desde o tempo de Marcello Caetano. São os salvadores da Pátria. Agora há um tótó, em Londres, que também nos quer vir salvar. As criaturas esquecem que a política não é só economia. Também há as pessoas. E a política, sabem o que é?
RR
Estes gurus da competência acham-se acima de tudo e todos.
Eles é que são os bonzinhos, coitadinhos. Só não fazem mais porque não os deixam.
Já ouvimos isto desde o tempo de Marcello Caetano. São os salvadores da Pátria. Agora há um tótó, em Londres, que também nos quer vir salvar. As criaturas esquecem que a política não é só economia. Também há as pessoas. E a política, sabem o que é?
RR
quinta-feira, 2 de dezembro de 2004
Lembram-se do governo Balsemão?
Há quem diga que a alternativa está dentro do PSD. Que lata.
As barracadas santanistas foram de tal ordem, que o desespero instalou-se na família.
A vaidade de Santana Lopes é como a picada do escorpião. A sua natureza não lhe permite ser sério.
Entretanto o medo de perder o poder alimenta as maiores especulações. Agora querem Cavaco de volta. Livra!
Foi esta gente que montou o cavalo do poder durante mais tempo. Mas as culpas nunca são deles.
As trapalhadas não surgiram só agora com estes tontos. Lembram-se do governo Balsemão? Também era fixe, não era?
RR
quarta-feira, 1 de dezembro de 2004
Os trapalhões
Esta série deverá chegar ao fim no início do próximo ano.
A pouca receptividade junto do público e a ausência de favores por parte da crítica, levaram a que a produção suspendesse esta pouco interessante prestação humorística.
Consta que o responsável pela produtora (na imagem com o protagonista), não gostou do novo guião, dando assim motivos ao inesperado desfecho. Fontes próximas desta empresa, sediada em Belém, garantem que os actores da comédia, apesar do esforço constante para manter a boa disposição dos portugueses, não correspondiam aos padrões exigidos pela equipa de produção. Os índices de audiência estavam abaixo de valores sustentáveis. Os elevados custos não justificavam a insistência em continuar as gravações dos próximos episódios. O público agradece.
JTD
terça-feira, 30 de novembro de 2004
reBlogue
PÔR COBRO AO SUPLÍCIO
Nestes últimos quatro meses fomos todos envolvidos, involuntariamente, num episódio da "twilight zone" com argumento demencial e indescritível. Aparentemente, ainda há cenas dos próximos episódios.
O senhor Presidente da República convocou Santana, conversaram (sabe Deus o que terão dito um ao outro) o senhor Santana saiu disse que voltava na quarta-feira, regressando em força "ao trabalho".
Se o Presidente pretende (como espero) promover a dissolução do Parlamento era escusada a continuação desta farsa. Se por outro lado, pretende dar mais uma oportunidade ao "Governo" (como receio) faz mal.
As noticias chegam em catadupa. A rocambolesca história do putativo despedimento de Arnaut, por este se ter envolvido em desinteligências públicas com um outro membro do "Governo", são sinal óbvio de incêndio incontrolável.
A credibilidade de Santana Lopes, que era pouca, ficou reduzida a cacos.
Se o senhor Presidente mantiver este sofrimento, colocará Santana Lopes refém da sua fragilidade perante qualquer interlocutor, e da ameaça de demissão de um qualquer obscuro Secretário de Estado (adjunto que seja).
Como pode alguém nestas condições exercer autoridade?
Como pode alguém continuar a "Governar" criticando o partido que o sustenta?
Como pode alguém alegar estabilidade quando nos últimos 4 meses não fez outra coisa senão promover a instabilidade?
Como pode o senhor Presidente manter alguém nestas condições na condução do "Governo" de Portugal?
Luis Sequeiraabnegado
Nestes últimos quatro meses fomos todos envolvidos, involuntariamente, num episódio da "twilight zone" com argumento demencial e indescritível. Aparentemente, ainda há cenas dos próximos episódios.
O senhor Presidente da República convocou Santana, conversaram (sabe Deus o que terão dito um ao outro) o senhor Santana saiu disse que voltava na quarta-feira, regressando em força "ao trabalho".
Se o Presidente pretende (como espero) promover a dissolução do Parlamento era escusada a continuação desta farsa. Se por outro lado, pretende dar mais uma oportunidade ao "Governo" (como receio) faz mal.
As noticias chegam em catadupa. A rocambolesca história do putativo despedimento de Arnaut, por este se ter envolvido em desinteligências públicas com um outro membro do "Governo", são sinal óbvio de incêndio incontrolável.
A credibilidade de Santana Lopes, que era pouca, ficou reduzida a cacos.
Se o senhor Presidente mantiver este sofrimento, colocará Santana Lopes refém da sua fragilidade perante qualquer interlocutor, e da ameaça de demissão de um qualquer obscuro Secretário de Estado (adjunto que seja).
Como pode alguém nestas condições exercer autoridade?
Como pode alguém continuar a "Governar" criticando o partido que o sustenta?
Como pode alguém alegar estabilidade quando nos últimos 4 meses não fez outra coisa senão promover a instabilidade?
Como pode o senhor Presidente manter alguém nestas condições na condução do "Governo" de Portugal?
Luis Sequeiraabnegado
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
O dilema de Sampaio
Vicente Jorge Silva fala hoje na causa, do imbróglio em que o presidente se meteu ao dar o poder ao tio Santana. O desastre aproxima-se ou já aí está?
Vicente termina assim o seu raciocínio:
"Se Sampaio considera que o estrondoso bater de porta de Chaves (conhecido por ter sido um dos deputados mais desbocados do nosso Parlamento, como pôde ver quem por lá passou) não é ainda suficiente para diagnosticar a insustentabilidade de Santana Lopes á frente do Governo, corre o risco de perder definitivamente a face presidencial.
Mas se Sampaio decide, finalmente, que esta é a gota que fez transbordar o vaso da sua infinita paciência e convoca eleições antecipadas, corre outro risco não menor: o de conceder a uma figura tão irrelevante e patética como Chaves o estatuto quase épico de coveiro do santanismo e criador de uma tremenda crise institucional.
Tirem-me deste filme, deverá estar, por estas horas (são três da madrugada de segunda-feira), a implorar Sampaio. Mas agora é tarde, sr. Presidente."
Vicente termina assim o seu raciocínio:
"Se Sampaio considera que o estrondoso bater de porta de Chaves (conhecido por ter sido um dos deputados mais desbocados do nosso Parlamento, como pôde ver quem por lá passou) não é ainda suficiente para diagnosticar a insustentabilidade de Santana Lopes á frente do Governo, corre o risco de perder definitivamente a face presidencial.
Mas se Sampaio decide, finalmente, que esta é a gota que fez transbordar o vaso da sua infinita paciência e convoca eleições antecipadas, corre outro risco não menor: o de conceder a uma figura tão irrelevante e patética como Chaves o estatuto quase épico de coveiro do santanismo e criador de uma tremenda crise institucional.
Tirem-me deste filme, deverá estar, por estas horas (são três da madrugada de segunda-feira), a implorar Sampaio. Mas agora é tarde, sr. Presidente."
Novo talento literário
Santana Lopes está muito ralado porque ninguém o entende. Nem os seus governamentais amigos. Mas isso desenvolve-lhe uma inesperada habilidade.
Aconteceu numa aclamada sessão de inaugurações no Norte do país. Parece que o governo, em bebé, esteve numa incubadora e que os irmãos, mesmo aí, lhe batiam. A pequena história contada por Santana foi comovedora. Primeiro estranhou-se, mas logo nos absorveu. Tal a tamanha capacidade de criar imagens. Para quem não reconhece em PSL um homem de muitas leituras, este discurso em Vila Pouca de Aguiar vem revelar algo verdadeiramente diferente. O nosso PM, o nosso Pedro, é um autêntico criador literário. Admire-se o pendor surrealista no discurso do primeiro-ministro. Temos escritor. É certo que com um estilo fora de tempo, mas temos obra. Vasco Graça Moura que se cuide; novo talento literário nasce no seu partido.
JTD
Aconteceu numa aclamada sessão de inaugurações no Norte do país. Parece que o governo, em bebé, esteve numa incubadora e que os irmãos, mesmo aí, lhe batiam. A pequena história contada por Santana foi comovedora. Primeiro estranhou-se, mas logo nos absorveu. Tal a tamanha capacidade de criar imagens. Para quem não reconhece em PSL um homem de muitas leituras, este discurso em Vila Pouca de Aguiar vem revelar algo verdadeiramente diferente. O nosso PM, o nosso Pedro, é um autêntico criador literário. Admire-se o pendor surrealista no discurso do primeiro-ministro. Temos escritor. É certo que com um estilo fora de tempo, mas temos obra. Vasco Graça Moura que se cuide; novo talento literário nasce no seu partido.
JTD
sábado, 27 de novembro de 2004
sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Fernando Valle
Tinha 104 anos. Atravessou três séculos. Morreu hoje.
Nunca perdeu a lucidez. Pelo contrário, ganhou-a até ao fim. Um homem impressionantemente generoso e íntegro.
Um português fora das definições tradicionais. Um homen do seu tempo, que teve todo o tempo do mundo, para nos provar que a Humanidade merece o melhor, quando se preocupa com a humanidade.
JTD
Nunca perdeu a lucidez. Pelo contrário, ganhou-a até ao fim. Um homem impressionantemente generoso e íntegro.
Um português fora das definições tradicionais. Um homen do seu tempo, que teve todo o tempo do mundo, para nos provar que a Humanidade merece o melhor, quando se preocupa com a humanidade.
JTD
quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Aniversário
Muito obrigado a todos os que nos mandaram felicitações.
Quase todas foram simpáticas, confesso. Isso foi bom.
Mas apenas uma foi escolhida para ser aqui publicada. Lá vai:
"Não dou parabéns coisa nenhuma. Vocês são uma cambada de frustados que só pensam em dizer mal.
Finalmente temos um governo de jeito e esta escumalha só pensa em mandá-lo abaixo. Palhaços do c...
Não podem vêr ninguém bem. vão-se todos lixar." - CSD, Lisboa
Perante esta finíssima felicitação, as outras que me desculpem mas não passam de vulgares cartões de visita.
Resolvemos mesmo atribuir-lhe o grande prémio: SANTANA LOPES 2004. Distinção atribuida a personalidades que se destacam por estar bem com aquilo que lhes sai na rifa. Ainda as há. Poucas, mas há.
RR
Quase todas foram simpáticas, confesso. Isso foi bom.
Mas apenas uma foi escolhida para ser aqui publicada. Lá vai:
"Não dou parabéns coisa nenhuma. Vocês são uma cambada de frustados que só pensam em dizer mal.
Finalmente temos um governo de jeito e esta escumalha só pensa em mandá-lo abaixo. Palhaços do c...
Não podem vêr ninguém bem. vão-se todos lixar." - CSD, Lisboa
Perante esta finíssima felicitação, as outras que me desculpem mas não passam de vulgares cartões de visita.
Resolvemos mesmo atribuir-lhe o grande prémio: SANTANA LOPES 2004. Distinção atribuida a personalidades que se destacam por estar bem com aquilo que lhes sai na rifa. Ainda as há. Poucas, mas há.
RR
quarta-feira, 24 de novembro de 2004
A pergunta:
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?
Continuamos a publicar as sugestões de respostas enviadas pelos pacientes do blogoperatório:
Maioria qualificada... parece-me bem. José Santos. Odivelass.
A Eurpa é aonde? Zézinha. Mangualde.
Eu acho que já respondi a este inquérito. Rui Manuel. Lisboa.
Tem graça, eu também. Carlos Ruas. Seixal.
Deixem lá. A gente muda a pergunta. Rui Gomes da Silva. Lisboa.
Eu quero cá saber, quero cá saber! Paulo Portas. Lisboa.
Comentários como este último devem ser evitados. Além de ser vago e desrespeitador dos princípios da cidadania, é a segunda vez que nos é enviado. Como tal, caso se repita a gracinha, a "opinião" não será afixada.
Continuamos a publicar as sugestões de respostas enviadas pelos pacientes do blogoperatório:
Maioria qualificada... parece-me bem. José Santos. Odivelass.
A Eurpa é aonde? Zézinha. Mangualde.
Eu acho que já respondi a este inquérito. Rui Manuel. Lisboa.
Tem graça, eu também. Carlos Ruas. Seixal.
Deixem lá. A gente muda a pergunta. Rui Gomes da Silva. Lisboa.
Eu quero cá saber, quero cá saber! Paulo Portas. Lisboa.
Comentários como este último devem ser evitados. Além de ser vago e desrespeitador dos princípios da cidadania, é a segunda vez que nos é enviado. Como tal, caso se repita a gracinha, a "opinião" não será afixada.
segunda-feira, 22 de novembro de 2004
O suicídio do pensamento
Na passada Quarta-feira, Aura Miguel, numa carta ao director do jornal PÚBLICO, arrasa um texto de Frei Bento Domingues, publicado no Domingo anterior, com o título "Que poderemos saber ao certo sobre Jesus".
O que agasta a vigilante Aura é a desfaçatez de Frei Bento ao interpretar a vida de Cristo. Segundo a fervorosa católica essa interpretação põe em causa a fé. Quer dizer: Deve-se ter fé sem se procurar conhecimento. A procura do conhecimento leva a interpretações que tornam a fé mais débil. Para esta devota, o melhor mesmo, será encher a missa de velhinhas que nada questionam. Ou então, preencher o espaço de debate teológico com o notável argumento: "Está tudo na Bíblia, não há nada a fazer". Ficamos, assim, com todos os problemas circunstanciais e existenciais resolvidos.
A beata prosápia de Aura tem o amén de muitos protagonistas do momento actual. Os arautos do "se Deus quiser" e do "O futuro a Deus pertence" alimentam nestas criaturas a vontade proselitista de moldar as opiniões alheias. Vivemos um tempo de leviandade e de apologia da ignorância. A direita rejeita os poucos intelectuais que lhe são próximos. Alguns católicos rejeitam quem pensa. Tentam, isso sim, deslocar a religiosidade para algo inquestionável, sem conteúdo crítico. Crítica é discussão. Logo é para excluir do culto.
Frei Bento Domingues, na crónica de ontem, não perde muito tempo com a discordante opinante. Apenas faz notar que a senhora passou ao lado da problemática do seu texto. Este destaque publicado por frei Bento permite-nos espreitar para o seu pensamento:
"A abordagem fundamentalista é perigosa, porque atraente para as pessoas que procuram respostas bíblicas para os seus problemas da vida"(...) "O fundamentalismo convida, sem o dizer, a uma forma de suicídio do pensamento".
Completamente de acordo.
JTD
O que agasta a vigilante Aura é a desfaçatez de Frei Bento ao interpretar a vida de Cristo. Segundo a fervorosa católica essa interpretação põe em causa a fé. Quer dizer: Deve-se ter fé sem se procurar conhecimento. A procura do conhecimento leva a interpretações que tornam a fé mais débil. Para esta devota, o melhor mesmo, será encher a missa de velhinhas que nada questionam. Ou então, preencher o espaço de debate teológico com o notável argumento: "Está tudo na Bíblia, não há nada a fazer". Ficamos, assim, com todos os problemas circunstanciais e existenciais resolvidos.
A beata prosápia de Aura tem o amén de muitos protagonistas do momento actual. Os arautos do "se Deus quiser" e do "O futuro a Deus pertence" alimentam nestas criaturas a vontade proselitista de moldar as opiniões alheias. Vivemos um tempo de leviandade e de apologia da ignorância. A direita rejeita os poucos intelectuais que lhe são próximos. Alguns católicos rejeitam quem pensa. Tentam, isso sim, deslocar a religiosidade para algo inquestionável, sem conteúdo crítico. Crítica é discussão. Logo é para excluir do culto.
Frei Bento Domingues, na crónica de ontem, não perde muito tempo com a discordante opinante. Apenas faz notar que a senhora passou ao lado da problemática do seu texto. Este destaque publicado por frei Bento permite-nos espreitar para o seu pensamento:
"A abordagem fundamentalista é perigosa, porque atraente para as pessoas que procuram respostas bíblicas para os seus problemas da vida"(...) "O fundamentalismo convida, sem o dizer, a uma forma de suicídio do pensamento".
Completamente de acordo.
JTD
A pergunta:
... e a resposta
Algumas sugestões enviadas por pacientes do blogoperatório:
Importam-se de repetir, senhores deputados? João Carlos Santos. Caxias.
Hoje já contribuímos, volte amanhã. Carla Matias. Lisboa.
É preciso pagar alguma coisa? Rui Messias. Lisboa.
Muito obrigado, mas ainda hoje à tarde respondi a um inquérito de rua. Gabriela Tavares. Setúbal.
Votarei a favor, se Deus quiser. Pedro Santana Lopes. Lisboa.
Eu quero cá saber, quero cá saber! Paulo Portas. Lisboa.
É preciso assinar o meu nome? Zé Chunga de Sapadores. Lisboa.
Algumas sugestões enviadas por pacientes do blogoperatório:
Importam-se de repetir, senhores deputados? João Carlos Santos. Caxias.
Hoje já contribuímos, volte amanhã. Carla Matias. Lisboa.
É preciso pagar alguma coisa? Rui Messias. Lisboa.
Muito obrigado, mas ainda hoje à tarde respondi a um inquérito de rua. Gabriela Tavares. Setúbal.
Votarei a favor, se Deus quiser. Pedro Santana Lopes. Lisboa.
Eu quero cá saber, quero cá saber! Paulo Portas. Lisboa.
É preciso assinar o meu nome? Zé Chunga de Sapadores. Lisboa.
sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Bizarro
O ridículo e o mau gosto foram a congresso.
Novo hino surgido em primeira cantoria no congresso do PSD:
Somos actores da história
de coragem e de glórias
pátrio orgulho do passado
abraçado pelo mar.
Para vencer os desafios
desse povo soberano
abre a porta ao destino
que o futuro quer entrar.
Queremos mais Portugal
grande luso pequenino
nova força para o mundo
geração Portugal.
Grita Viva Portugal
pede a alma, bate o peito
nova força para o mundo
meu orgulho Portugal.
Tempo novo de acreditar
de ser mais feliz
de ser PSD
sempre mais e melhor.
Santana Lopes é a voz
na vanguarda do futuro
de norte a sul
de todos nós.
Grita Viva Portugal
meu orgulho, meu país
nova força para o mundo
Grita Portugal!
Lindo de morrer, este canto esganiçado ao que de mais cretino pode ter um país.
Chamem o Toy. Com a sua experiência criadora na promoção do seu amigo Carlos de Sousa, em Setúbal, não terá qualquer dificuldade em fazer uma peça musical de excelência ao futuro líder do PCP.
JTD
Novo hino surgido em primeira cantoria no congresso do PSD:
Somos actores da história
de coragem e de glórias
pátrio orgulho do passado
abraçado pelo mar.
Para vencer os desafios
desse povo soberano
abre a porta ao destino
que o futuro quer entrar.
Queremos mais Portugal
grande luso pequenino
nova força para o mundo
geração Portugal.
Grita Viva Portugal
pede a alma, bate o peito
nova força para o mundo
meu orgulho Portugal.
Tempo novo de acreditar
de ser mais feliz
de ser PSD
sempre mais e melhor.
Santana Lopes é a voz
na vanguarda do futuro
de norte a sul
de todos nós.
Grita Viva Portugal
meu orgulho, meu país
nova força para o mundo
Grita Portugal!
Lindo de morrer, este canto esganiçado ao que de mais cretino pode ter um país.
Chamem o Toy. Com a sua experiência criadora na promoção do seu amigo Carlos de Sousa, em Setúbal, não terá qualquer dificuldade em fazer uma peça musical de excelência ao futuro líder do PCP.
JTD
A pergunta:
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?
É esta a pergunta para o referendo. Alô! Ainda estão aí? Há paciência?
Já pensaram na resposta?
Aceitam-se sugestões. Há a promessa de serem aqui publicadas. Enfim, é a audiência que vos posso garantir.
JTD
É esta a pergunta para o referendo. Alô! Ainda estão aí? Há paciência?
Já pensaram na resposta?
Aceitam-se sugestões. Há a promessa de serem aqui publicadas. Enfim, é a audiência que vos posso garantir.
JTD
quinta-feira, 18 de novembro de 2004
quarta-feira, 17 de novembro de 2004
São Carlos. A temporada 2004 | 2005
Foi hoje apresentada a temporada 2004 | 2005 do Teatro Nacional de São carlos.
As honras da casa foram feitas por Paolo Pinamonti, seu director, ladeado por Teresa Caeiro, secretária de estado das artes e do espectáculo ou lá o que é.
Pinamonti fez uma visita guiada a cada ópera, com a competência que todos lhe reconhecemos. A secretária de estado falou, mas já me esqueci do que disse.
O director do teatro respondeu correctamente às perguntas que lhe foram dirigidas. A secretária de estado respondeu com alguma irritação às contrariedades. Estava melhor na tropa.
Mas vamos às óperas: Simon Boccanegra de Verdi, Medea de Luigi Cherubini, Dionisio Re di Portogallo de Handel, La Donna del lago de Rossini, La Navarraise de Jules Massenet e Cavalleria rusticana de Pietro Mascagni na mesma sessão, Die Entfuhrung aus dem Serail de Mozart e WozzecK de Alban Berg.
De notar a preocupação de trazer ao palco do São Carlos clássicos e contemporâneos.
As encenações são de (por ordem de apresentação) Elijah Moshinsky, Luis Miguel Cintra, Jakob Peters-Messer, Ricardo Frizza, Guido de Monticelli, Giorgio Strhler e Stéphane Braunschweig.
E pronto, aqui está uma primeira abordagem. Para mais informações poderemos visitar o sítio do teatro.São Carlos
Esta é a programação possível, segundo Pinamonti. Mas não é sempre assim?
Apesar disso parece muito boa. Vamos confirmá-lo no terreno, ou seja, na sala do único teatro de ópera do nosso país.
JTD
Já não há surpresas
Missão Cumprida na RTP
Primeiro veio fonte do Governo, ao abrigo do anonimato, no "Expresso", dizer que José Rodrigues dos Santos estava sob avaliação e admitir mexidas na direcção da RTP. O director de informação da RTP assobiou para o lado.
Depois veio o ministro Morais Sarmento defender "limites à independência" nos operadores públicos, acentuando que não são as direcções nem as administrações que respondem perante o povo nas eleições. O director de informação da RTP voltou a assobiar para o lado.
Agora veio a administração do canal público decidir que jornalista é que devia ocupar o lugar de correspondente em Madrid. Aqui o director de informação não podia assobiar para o lado, porque, a seguir, a administração iria decidir por ele qual o jornalista que deveria cobrir o assunto "x" ou "y", ou dizer qual a notícia que deveria abir o telejornal.
Rodrigues dos Santos não se demitiu, foi demitido, porque nenhum director de informação pode aceitar que seja a administração a decidir questões que dizem única e exclusivamente respeito à área editorial. Os administradores sabiam-no e não cederam porque queriam que Rodrigues dos Santos saísse. A avaliação de que falava o membro do Governo há muito que estava feita.
Surpresa? Nenhuma. A saída de Rodrigues dos Santos faz parte da anunciada estratégia de controlo da comunicação social por parte do Governo e que já deu vários passos.
A TVI do amigo Paes do Amaral está parcialmente tratada; o "Diário Notícias" já está controlado; na RTP o assunto acabou de ficar resolvido. Segue-se o "Jornal de Notícias", a TSF e a imprensa regional do grupo PT, que se não entrarem na linha por iniciativa própria as administrações tratam do assunto, como aconteceu agora na RTP e já tinha acontecido no "DN".
E tudo isto tem de ficar concluído com alguma rapidez. É que Santana Lopes quer ficar mais dez anos no poder e, por isso, tem de resolver estas questões até 2006, ano em que há eleições presidenciais e legislativas.
Luciano Alvarez
PÚBLICO
Primeiro veio fonte do Governo, ao abrigo do anonimato, no "Expresso", dizer que José Rodrigues dos Santos estava sob avaliação e admitir mexidas na direcção da RTP. O director de informação da RTP assobiou para o lado.
Depois veio o ministro Morais Sarmento defender "limites à independência" nos operadores públicos, acentuando que não são as direcções nem as administrações que respondem perante o povo nas eleições. O director de informação da RTP voltou a assobiar para o lado.
Agora veio a administração do canal público decidir que jornalista é que devia ocupar o lugar de correspondente em Madrid. Aqui o director de informação não podia assobiar para o lado, porque, a seguir, a administração iria decidir por ele qual o jornalista que deveria cobrir o assunto "x" ou "y", ou dizer qual a notícia que deveria abir o telejornal.
Rodrigues dos Santos não se demitiu, foi demitido, porque nenhum director de informação pode aceitar que seja a administração a decidir questões que dizem única e exclusivamente respeito à área editorial. Os administradores sabiam-no e não cederam porque queriam que Rodrigues dos Santos saísse. A avaliação de que falava o membro do Governo há muito que estava feita.
Surpresa? Nenhuma. A saída de Rodrigues dos Santos faz parte da anunciada estratégia de controlo da comunicação social por parte do Governo e que já deu vários passos.
A TVI do amigo Paes do Amaral está parcialmente tratada; o "Diário Notícias" já está controlado; na RTP o assunto acabou de ficar resolvido. Segue-se o "Jornal de Notícias", a TSF e a imprensa regional do grupo PT, que se não entrarem na linha por iniciativa própria as administrações tratam do assunto, como aconteceu agora na RTP e já tinha acontecido no "DN".
E tudo isto tem de ficar concluído com alguma rapidez. É que Santana Lopes quer ficar mais dez anos no poder e, por isso, tem de resolver estas questões até 2006, ano em que há eleições presidenciais e legislativas.
Luciano Alvarez
PÚBLICO
terça-feira, 16 de novembro de 2004
Vacas gordas
O primeiro-ministro decretou o fim da austeridade. Nada que as suas amigas e amigos não tivessem já verificado.
Eu, que não sou amiga do nosso Santana, ainda não dei por nada. Não, não é má vontade. É a merda do ordenado que não me chega, nunca, ao fim do mês. Mas prometo que logo que dê por alguma alteração nesta lamentável situação, aviso.
Nem que seja daqui por muito tempo. Afinal, já estou tão habituada a esperar, que não é por mais mês menos mês que vou fazer ruído. Para isso já cá está o Marcelo. E a esse ainda lhe pagam pelo chinfrim. É só preciso saber escolher o partido certo. Ou querer escolher... RR
Eu, que não sou amiga do nosso Santana, ainda não dei por nada. Não, não é má vontade. É a merda do ordenado que não me chega, nunca, ao fim do mês. Mas prometo que logo que dê por alguma alteração nesta lamentável situação, aviso.
Nem que seja daqui por muito tempo. Afinal, já estou tão habituada a esperar, que não é por mais mês menos mês que vou fazer ruído. Para isso já cá está o Marcelo. E a esse ainda lhe pagam pelo chinfrim. É só preciso saber escolher o partido certo. Ou querer escolher... RR
segunda-feira, 15 de novembro de 2004
Lopes e a música
Santana no congresso da aclamação, citou Chico Buarque para justificar a sua festa de fim-de-semana: "Foi bonita a festa, pá".
Chico Buarque é que nunca imaginou, ao escrever a canção que alude ao fim da festança que foi o período que precedeu o 25 de Abril de 1974, que alguma vez fosse mencionado pelos protagonistas desse fim de festa.
Ou será que o primeiro-ministro continua a ter ouvido de pedra para a música, não percebendo muito bem a "mensagem" dos autores?
Ontem não falou de violinos. Foi pena porque nesta música de Chico -"Tanto mar" - eles lá vão chiando...
Logo, desta vez não se enganava.
RR
Chico Buarque é que nunca imaginou, ao escrever a canção que alude ao fim da festança que foi o período que precedeu o 25 de Abril de 1974, que alguma vez fosse mencionado pelos protagonistas desse fim de festa.
Ou será que o primeiro-ministro continua a ter ouvido de pedra para a música, não percebendo muito bem a "mensagem" dos autores?
Ontem não falou de violinos. Foi pena porque nesta música de Chico -"Tanto mar" - eles lá vão chiando...
Logo, desta vez não se enganava.
RR
domingo, 14 de novembro de 2004
Seja o que Deus quiser
Pedro Santana Lopes tem o costume de terminar as suas intervenções com um "se Deus quiser".
Cavaco silva diz, em relação à sua possível candidatura à presidência da república, que "o futuro a Deus pertence".
George W. Bush está convencido que se invadiu o Iraque, "foi por vontade de Deus".
E quando é que nos vamos livrar desta gente? - Isso nem Deus sabe.
Ou será que Deus também vai a votos? Pelo caminho que as coisas levam, talvez seja a melhor solução. Ou não?
JTD
Cavaco silva diz, em relação à sua possível candidatura à presidência da república, que "o futuro a Deus pertence".
George W. Bush está convencido que se invadiu o Iraque, "foi por vontade de Deus".
E quando é que nos vamos livrar desta gente? - Isso nem Deus sabe.
Ou será que Deus também vai a votos? Pelo caminho que as coisas levam, talvez seja a melhor solução. Ou não?
JTD
terça-feira, 9 de novembro de 2004
António Lobo Antunes
Já lá vão 25 anos a escrever livros. É obra. É obra e da boa, esta que nos fornece este Lobo Antunes.
O escritor estendeu-se hoje nas páginas do PÚBLICO, numa entrevista que é literatura. Fala da vida e da morte. Da lealdade e da intriga. Dos amigos e dos que o parecem. Uma notável conversa com Adelino Gomes. Um compartilhar de ideias, feitas na saborosa massa com que se fazem as coisas simples da vida.
"a frase mais importante que eu ouvi na minha vida foi na Faculdade de Medicina, numa aula de Neurologia com o professor Miller Guerra. A doente era uma senhora com Parkinson, com dificuldade em mover-se. "Como é que a senhora consegue fazer a lida da casa?", perguntou-lhe o professor. "É tudo a poder de lágrimas e ais". Eu tinha 20 anos e nunca mais esqueci. Se eu pudesse escrever assim!... As grandes lições da minha vida não foram dadas pelas pessoas do meio onde nasci. Foram-me dadas pelas pessoas que vivam a poder de lágrimas e de ais. Quando estava no hospital, dava-me muito melhor com os serventes, os operários. Julgo que herdei isto do meu pai. Porque os admirava, porque os respeitava. E tenho muitos amigos assim. Se tenho um problema no carro, num cano, ou não sei quê, tenho logo amigos que vêm.
António Lobo Antunes vai ser festejado no São Luiz, hoje, a partir do fim da tarde. Será lançado o novo livro: "Eu hei-de amar uma pedra". Titulo que já deu nome a uma canção do seu amigo Vitorino, que cantará. Enfim, as homenagens nunca são perfeitas...
Lá estaremos.
JTD
segunda-feira, 8 de novembro de 2004
O construtor de Coimbra
"Coimbra é um sonho que se está a transformar em realidade"
Horácio Pina Prata, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
Titulo da revista "País positivo", distribuida com o PÚBLICO.
É este senhor que está a tornar Coimbra real. Aquilo não existia. Era uma utopia.
Agora sim, estamos no bom caminho, Coimbra é quase uma realidade.RR
domingo, 7 de novembro de 2004
Natureza
morreremos repetidamente sobre esta praia, nas margens da luz.
A rosa declina a sua autobiografia, obliquamente caindo
sobre quilómetros e quilómetros de florestas insistentes,
sobre a sombria arquitectura desta terra longamente apaixonada,
sobre a rosa que sobe até à aérea metalurgia das nuvens
Manuel Gusmão
Pintura de Giorgio Morandi
quarta-feira, 3 de novembro de 2004
Isto está giro
Parece que a América profunda votou em massa. O interior tosco e merdoso daquela terra quer continuar a chafurdar na perigosa lama espalhada pela criatura do Texas. Tudo o que os EUA têm de pior; Os iluminados por uma religiosidade que os elege perante uma eternidade feliz, sairam à rua para entronizar o tosco-mor. Viva a estupidez e a prepotência.
RR
terça-feira, 2 de novembro de 2004
Enfermeiro bufo
Este poema, dedicou Natália Correia a um extremoso deputado da direita, defensor de que o acto sexual deveria ter como única função a procriação.
Tantos anos decorridos, atrevo-me a dedicá-lo (Natália que me perdoe), ao zeloso enfermeiro que denunciou, devido ao crime de aborto, a rapariga hoje absolvida em tribunal. Que o Senhor esteja com ele, porque nós não, muito obrigado. RR
Já que o coito diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! uma vez.
E se a função faz o órgão - diz o ditado
- consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado
Natalia Correia
Tantos anos decorridos, atrevo-me a dedicá-lo (Natália que me perdoe), ao zeloso enfermeiro que denunciou, devido ao crime de aborto, a rapariga hoje absolvida em tribunal. Que o Senhor esteja com ele, porque nós não, muito obrigado. RR
Já que o coito diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! uma vez.
E se a função faz o órgão - diz o ditado
- consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado
Natalia Correia
segunda-feira, 1 de novembro de 2004
Bartoon no palco
Estreia hoje a peça "Bartoon, a partir das tiras de Luis Afonso".
Com texto e direcção de Carlos Curto, este trabalho tem como base as histórias que Luis Afonso nos conta todos os dias no PÚBLICO.
Será, sem dúvida, um espectáculo divertido e atento às peripécias políticas em que estamos enleados, infelizmente.
Os actores pisam as tábuas todas as quintas, sextas e sábados, a partir das onze da noite. E são eles: José Boavida, Pedro Alpiarça, Vera Fontes e Vicente Morais. Figurinos e cenografia de Zé Nova.
Já agora, o local: Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul. Avenida Dom Carlos I, sessenta e um, em Lisboa.
Telefone 213 974 471.
Divirta-se.
JTD
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Há-de flutuar uma cidade
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
AL Berto
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
José Gomes Ferreira
Com o Mar...
Com o mar,
as curvas das ondas
e o dorso dum peixe ao luar
fiz uma deusa
que criou o mar.
(E depois deitei-me ao comprido
com o mistério resolvido.)
José Gomes Ferreira
quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Veloz precisa-se
Ao ministro lélé da cuca (Como o definiu brilhantemente Eduardo Prado Coelho) tudo corre mal.
Hoje, ao fugir desesperadamente dos jornalistas, o ministro dos assuntos parlamentares não dava com a porta de saída aberta. Muito rodou o manipulo, mas nada. Teve que dar meia volta e sair por uma porta já previamente aberta.
Do que Rui Gomes da Silva precisa, mesmo, é de um zeloso João Paulo Velez, que corra à sua frente, desimpedindo a passagem. Mas Velez há só um, e já é de Santana.
RR
Os tabus já não são o que eram
Em menos de vinte e quatro horas, o presidente da "quinta das celebridades" é desmentido por Cavaco e Marcelo.
É obra.
Já não há tabus... como antigamente.
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Bloco de esboços
A minha paixão nunca foi pela fotografia "em si mesma", mas pela possibilidade, ao esquecer de si mesmo, de registar numa fracção de segundo a emoção propiciada pelo tema e a beleza da forma, quer dizer, uma geometria despertada pelo que é oferecido.
O disparo fotográfico é um dos meus blocos de esboços.
Fotografia e texto: Henri Cartier-Bresson. Do livro "O imaginário segundo a natureza". GG. 2004.
segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Falso alarme
Afinal, o semanário "O Inimigo Público" errou. O inefável Toy não chegou a pôr os presuntos no Iraque.
Segundo o EXPRESSO, para satisfação dos nossos conterrâneos naquele território americano. Sim, parece que não era do agrado de ninguém envolvido no conflito, a deslocação do "cantor de intervenção" ao cenário de guerra.
Felizmente tudo acabou em bem. Toy ficou em solo nacional a treinar o seu "sexo". E os nossos compatriotas livraram-se da gritaria do "bardo" setubalense.
JTD
Segundo o EXPRESSO, para satisfação dos nossos conterrâneos naquele território americano. Sim, parece que não era do agrado de ninguém envolvido no conflito, a deslocação do "cantor de intervenção" ao cenário de guerra.
Felizmente tudo acabou em bem. Toy ficou em solo nacional a treinar o seu "sexo". E os nossos compatriotas livraram-se da gritaria do "bardo" setubalense.
JTD
O novo tabu
O professor Marcelo vai esclarecer tudo na próxima quarta-feira.
Todos podem assistir.
Vamos finalmente saber o que levou o super-comentador a abandonar o rentável lugar que mantinha no canal do seu cunhado.
Com zangas de comadres, talvez se descubram as verdades...
RR
Todos podem assistir.
Vamos finalmente saber o que levou o super-comentador a abandonar o rentável lugar que mantinha no canal do seu cunhado.
Com zangas de comadres, talvez se descubram as verdades...
RR
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Toy Division
Recentemente, uma publicação da Cãmara Municipal de setúbal, dirigida pelo seu presidente, Carlos de Sousa, fazia uma apreciação do último trabalho do cantor Toy, classificando-o como cantor de intervenção. O trabalho em análise tem por título "É só sexo". Segundo palavras do cantor este é um disco em que está toda a sua vida. Não tenho dúvidas: haverá algo mais intervencionista do que o sexo?
Também o semanário "O Inimigo Público", revela-nos a face recalcitrante do laureado autor musical. Aqui vai na integra o texto hoje publicado no prestigiado semanário português:
O cantor Toy, depois de ter ido ao Iraque tocar para os soldados portugueses e de aí ter reparado que o mundo é injusto e cruel, está a pensar mudar o rumo da sua carreira e seguir um registo musical mais profundo e alternativo. Os Toy Division, a sua novíssima banda, vão interpretar diversos temas de um conhecido grupo urbano-depressivo de Manchester. Para primeiro sinbgle, o cantor escolheu o êxito "O Amor Vai Separar-nos" (Olhos de Água Mix).
Justiça seja feita à autarquia setubalense, que antes de toda a gente, soube reconhecer as evidentes qualidades deste revolucionário cantor.
JTD
Também o semanário "O Inimigo Público", revela-nos a face recalcitrante do laureado autor musical. Aqui vai na integra o texto hoje publicado no prestigiado semanário português:
O cantor Toy, depois de ter ido ao Iraque tocar para os soldados portugueses e de aí ter reparado que o mundo é injusto e cruel, está a pensar mudar o rumo da sua carreira e seguir um registo musical mais profundo e alternativo. Os Toy Division, a sua novíssima banda, vão interpretar diversos temas de um conhecido grupo urbano-depressivo de Manchester. Para primeiro sinbgle, o cantor escolheu o êxito "O Amor Vai Separar-nos" (Olhos de Água Mix).
Justiça seja feita à autarquia setubalense, que antes de toda a gente, soube reconhecer as evidentes qualidades deste revolucionário cantor.
JTD
quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Ministro mistério
Que Marcelo dizia "inverdades" (admirável expressão que ainda ninguém distinguiu de "mentiras") e Gomes da Silva explica quais foram: a formação deste Governo foi uma manta de retalhos (até Santana Lopes sabe que foi); "há falta de coordenação" (o que é tão óbvio que levou o primeiro-ministro, num gesto inédito, a dizer que coordenava); que o primeiro-ministro não tem perfil (até Durão Barroso sabe que não); que o Governo foi desastroso no caso da Galp (o que se mete pelos olhos dentro). Se estas são as tais "inverdades", Gomes da Silva está lélé da cuca.
Eduardo Prado Coelho
PÚBLICO
Eduardo Prado Coelho
PÚBLICO
terça-feira, 19 de outubro de 2004
Hotel Pimodan
A vida é demasiado.
A língua estala, de seca.
O persistente inverno perdeu
a ilusão tornou-se estrada
de todo o náufrago.
Hei-de morrer sentado longe
da temerosa frota de amigos.
"Quando o céu for longo
pano branco sem vento..."
e aos fechares os olhos
fechavas as páginas à desordeira
vida.
E não sabias. Aconteceram
coisas nesse ano surpreendentes.
Fernando Luis Sampaio. Hotel Pimodan. Frenesi. 1987
Pintura de Turner
segunda-feira, 18 de outubro de 2004
Os caminhos do mundo
Com o PÙBLICO de hoje, o segundo volume de Sob o Signo do Capricórnio.
Corto Maltese chega à América Latina, onde deixa profundamente impressa a sua marca pessoal. Os caminhos do mundo trilhados por um "homem do destino".
Há um sinal enganador na pose ociosa, distante e um pouco displicente de Corto Maltese, instalado na varanda da pensão de Madame Java, em Paramaribo. À primeira vista, dir-se-ia que o herói de Hugo Pratt mostra de si uma faceta até então insuspeitada - a de um homem desapiedado, a quem os acidentes na vida dos seus semelhantes não parecem impressionar por aí além. Ver-se-á, depois, o quanto há de precipitado nesta avaliação. Mas o primeiro juízo do marinheiro sobre o velho Steiner - agora um bêbado que foi, nos seus melhores tempos, professor de Franz Kafka, em Praga, e amigo íntimo de Freud, não passa despercebido à proprietária do estabelecimento...
domingo, 17 de outubro de 2004
António Ramos Rosa
O poeta completa hoje oitenta anos.
O PÙBLICO assinala a data com um texto de Gastão Cruz, e comemora com este Poema Inédito
O espaço do olhar é tão claro e aberto
que nós estamos no mundo antes de o pensarmos
e nada nele indica que exista um outro lado
de sombras incertas de silêncios abismais
Vivemos no seio da luz onde o inteiro vibra
com a sua evidência de claro planeta
e ainda que divididos vivemos no seu espaço uno
porque é o único em que podemos respirar
As nossas sombras não nos acolhem como folhas
envolvendo o fruto o nosso desamparo vem de mais fundo
e nele não podemos manter-nos temos de ascender
ao móvel girassol do nosso olhar
ainda que seja só para ver a fulva monotonia do deserto
A vocação da pupila é o imediato universal
quer caminhemos numa rua quer viajemos pelo mundo
quer ainda diante de uma página em branco
A palavra pode anteceder a visão mas também ela é atraída
para o luminoso espaço em que desenha os seus contornos
Como poderia a palavra fingir o que lhe foge
sem a superfície de um solo iluminado?
PÚBLICO
sábado, 16 de outubro de 2004
Governo das celebridades
Leio na primeira página do EXPRESSO que o ministro da agricultura, Carlos Costa Neves, concedeu uma entrevista a partir do seu gabinete, ao programa "Quinta das celebridades".
É o governo das celebridades no seu melhor. Só não percebo a razão de ser da notícia de primeira página num jornal de grande tiragem. Eu, por mim, não fiquei minimamente admirado. O EXPRESSO acabará por se habituar.
JTD
sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Paula Rego
Obras inéditas de Paula Rego em Serralves. O festim começa a 15 de Outubro e prolonga-se até 23 de Janeiro.
Em paralelo com a exposição haverá um ciclo de artes performativas com a participação de Joana Providência, Lúcia Sigalho, quarteto norueguês Spunk e duo Alejandra & Aeron.
O comissário é João Fernandes, director do Museu de Serralves.
JTD
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
terça-feira, 12 de outubro de 2004
reBlogue
FALTA DE DIGNIDADE
É o que se mostra neste parágrafo que Luis Delgado escreve contra Eduardo Cintra Torres:
"Um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT. Interne-se, num hospital psiquiátrico."
Se fosse na URSS seria sem dúvida assim. Em Portugal, este tipo de palavras, tem também uma velha tradição. No Agora, antes do 25 de Abril, os mais velhos sabem o que era. O problema é que este homem manda no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias, na TSF, no 24 Horas, etc., etc.
José Pacheco PereiraAbrupto
É o que se mostra neste parágrafo que Luis Delgado escreve contra Eduardo Cintra Torres:
"Um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT. Interne-se, num hospital psiquiátrico."
Se fosse na URSS seria sem dúvida assim. Em Portugal, este tipo de palavras, tem também uma velha tradição. No Agora, antes do 25 de Abril, os mais velhos sabem o que era. O problema é que este homem manda no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias, na TSF, no 24 Horas, etc., etc.
José Pacheco Pereira
Outras lutas
As sondagens dia a dia, reveladas pelo PÚBLICO, dão uma pequena vantagem a Kerry. 47% contra 44% de Bush.
Ainda há esperança...
Celebridades
De repente pensei que se tratava do filme de Woddy Allen. "Celebridades" é uma belíssima fita do mestre de Nova Iorque.
Mas não. É uma inenarrável feira de vaidades, frequentada por um grupo de criatruras inclassificáveis.
Um autarca delinquente veste a pele de cordeirinho. Um actor de filmes hard-core faz o papel de mordomo de um indescritível "fauno". Gente decadente e sem cultura partilha com o povo a sua vidinha sem trambelho.
Li algures que isto era para rir; bora gozar porque eles estão lá porque querem.
Mas rir de quê? Daquela pinderiquice sem jeito?
Pronto, já desliguei o aparelho receptor. E o resto? E o negócio em volta? Numa banca de jornais, vejo a criatura misógina na capa de uma publicação dessas de embrulhar castanhas. O titulo era qualquer coisa como "A vida milionária de José Castelo Branco". Claro que não resisti a folhear a revista. Banalidades em barda. Cretiníces em abundância e a casinha medonha da criatura. Medonha, mesmo. Uma autêntica demonstração de absoluto mau gosto.
E anda o povinho atrás desta gente. A querer fazer como eles.
Pobres celebridades. Pobre povo, o nosso.
JTD
Mas não. É uma inenarrável feira de vaidades, frequentada por um grupo de criatruras inclassificáveis.
Um autarca delinquente veste a pele de cordeirinho. Um actor de filmes hard-core faz o papel de mordomo de um indescritível "fauno". Gente decadente e sem cultura partilha com o povo a sua vidinha sem trambelho.
Li algures que isto era para rir; bora gozar porque eles estão lá porque querem.
Mas rir de quê? Daquela pinderiquice sem jeito?
Pronto, já desliguei o aparelho receptor. E o resto? E o negócio em volta? Numa banca de jornais, vejo a criatura misógina na capa de uma publicação dessas de embrulhar castanhas. O titulo era qualquer coisa como "A vida milionária de José Castelo Branco". Claro que não resisti a folhear a revista. Banalidades em barda. Cretiníces em abundância e a casinha medonha da criatura. Medonha, mesmo. Uma autêntica demonstração de absoluto mau gosto.
E anda o povinho atrás desta gente. A querer fazer como eles.
Pobres celebridades. Pobre povo, o nosso.
JTD
O ruído
No PÙBLICO de hoje há crónicas de primeira água. José Manuel Fernandes, Eduardo Prado Coelho e Vital Moreira, estão com pouca pachorra para o desfile de parvoíce que domina o país. O quintal de celebridades está no governo. O primeiro-ministro anuncia medidas governamentais como quem vai até ali ordenhar uma vaca. A Assembleia da República? O que é isso. A maioria parlamentar toma conta rebanho.
O PÚBLICO tem artigos de opinião que nos permitem confirmar que há vida, para além desta trapalhada.
PÚBLICO
JTD
O PÚBLICO tem artigos de opinião que nos permitem confirmar que há vida, para além desta trapalhada.
PÚBLICO
JTD
sexta-feira, 8 de outubro de 2004
Barceló
Barceló apareceu hoje nas bancas de jornais. Um lindíssimo albúm com fotografias de Jean-Marie del Moral, acompanha a edição do PÙBLICO. O texto de introdução é assinado por Patrick Mauriés.
São revelados pormenores dos ambientes em que o artista trabalha: o convívio, a execução das obras, os objectos, o ateliê.
É hoje, no PÙBLICO.
JTD
quarta-feira, 6 de outubro de 2004
Júlio Pomar
Júlio Pomar vai estar no Centro Cultural de Belém, a partir de amanhã, com uma importante exposição de trabalhos seus de outros tempos. Visita recomendável.
JTD
sexta-feira, 1 de outubro de 2004
Parabéns
Angie Dickinson faz hoje setenta e três anos. Lembram-se dela em "Vestida para matar"?
Parece que foi ontem.
Gonçalo M. Tavares | Robert Lowell
A menina fazia cálculos simples utilizando a saia que deixava à mostra pernas fáceis para um professor tão complicado.
A sexualidade é um meio de adquirir conhecimento, tanto mais que as coxas disponíveis e os seios salientes são cobiçados pelo mestre de matemática cansado do abstracto e das rectas paralelas que apenas se encontram no infinito.
O infinito que fique para os pobres e para os feios, que coxas como estas só surgem de cem em cem anos como alguns cometas.
Do céu, disse ele, conheço algumas mulheres, e basta-me.
Titulo: Biblioteca
Autor: Gonçalo M. Tavares
Capa: Margarida Baldaia
Edição: Campo das Letras
A sexualidade é um meio de adquirir conhecimento, tanto mais que as coxas disponíveis e os seios salientes são cobiçados pelo mestre de matemática cansado do abstracto e das rectas paralelas que apenas se encontram no infinito.
O infinito que fique para os pobres e para os feios, que coxas como estas só surgem de cem em cem anos como alguns cometas.
Do céu, disse ele, conheço algumas mulheres, e basta-me.
Titulo: Biblioteca
Autor: Gonçalo M. Tavares
Capa: Margarida Baldaia
Edição: Campo das Letras
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Turismo da desgraça
" Agora o que é ridículo e execrável é o espectáculo dos "populares" à volta da tragédia, numa exibição dos piores sentimentos colectivos. Por esse "povo" não tenho nenhum respeito, nem por eles, nem pela televisão que os mobiliza e atiça, porque acho que a democracia não se faz só da igualdade e do maior número, faz-se da lei e dos costumes civilizados. E a turba dos mirones, ululante e voyeurista, não merece senão ser posta à distância. O PÚBLICO publicava há dias uma fotografia exemplar: uma fila de mirones dobrados, de rabo para cima, espreita por uma nesga do tribunal de Portimão. A um canto, uma câmara de televisão. Tudo explicado naquela metáfora da subserviência a uma curiosidade mórbida, que faz espreitar por uma fresta de uma janela, numa posição pouco decorosa."
José Pacheco Pereira expressa no PÚBLICO de hoje a indignação perante o circo em que foi transformada a morte de uma criança. Estamos juntos nisso. Assistimos nos últimos dias à exploração sem escrúpulos por parte das televisões e dos jornais ensopados em sangue, de uma tragédia que assim se transformou numa romaria popular. Todos querem ser vistos no ecrã. Acenam para os telespectadores. Há quem clame pela PIDE, há quem chame por Salazar. Um circo primitivo que nos revolta e envergonha.
JTD
José Pacheco Pereira expressa no PÚBLICO de hoje a indignação perante o circo em que foi transformada a morte de uma criança. Estamos juntos nisso. Assistimos nos últimos dias à exploração sem escrúpulos por parte das televisões e dos jornais ensopados em sangue, de uma tragédia que assim se transformou numa romaria popular. Todos querem ser vistos no ecrã. Acenam para os telespectadores. Há quem clame pela PIDE, há quem chame por Salazar. Um circo primitivo que nos revolta e envergonha.
JTD
quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Rosas novas para um velho jardim
Por isso, também, nutro um profundo respeito por todos, homens e mulheres, políticos, sindicalistas, gente da cultura ou simples cidadãos, que na Região Autónoma da Madeira lutam com denodo e com grande coragem cívica em prol de uma outra concepção de autonomia regional, com verdadeira democracia, com desenvolvimento económico equilibrado e justiça social, desafiando a arrogância e a prepotência do poder vigente. O futuro pertence-lhes. Queira o Bokassa ou não queira.
Fernando Rosas, hoje no PÙBLICO.
domingo, 26 de setembro de 2004
Françoise Sagan
Leio nos jornais que morreu. Françoise Sagan conviveu comigo durante a minha adolescência. Era uma autora que apreciava. Mais do que isso, era completamente apanhado. Li tudo o que me foi possível.
Muitas vezes senti vontade de a reler. Nunca fiz esse exercício. Talvez agora, perante esta notícia definitiva, sinta a vontade de satisfazer a leitura de "Bonjour tristesse", "Viver não custa" ou "Um raio de sol na água fria". É precisamente deste último livro que retiro uma passagem, a fala de uma das personagens:
"Nenhum dos meus heróis se droga. Como estou fora de moda! Mas quando penso nisso, acho cómico que na nossa época, em que todos os tabus, os grandes tabus, são demolidos, em que a sexualidade - é uma fonte de rendimento declarável, em que a fraude, o roubo e a desonestidade, quase se tornaram gracinhas de salão, acho cómico que as pessoas só achem condenável uma única coisa: a droga."
Isto foi escrito em 1972. Entretanto muita coisa mudou. Inclusivamente nas atitudes de Françoise. Fica a recordação da sua escrita. O que não é pouco. Depois das próximas releituras dos seus livros, espero continuar a gostar do melhor que ela nos deixou.
sexta-feira, 24 de setembro de 2004
A bem da nação
Pires de Lima, o esforçado porta-voz do CDS-PP, disse ontem, num debate televisivo, que a ex-ministra da justiça, Celeste Cardona, ganharia mais como advogada, trabalhando no seu escritório, do que na administração da Caixa Geral de Depósitos, local onde são depositados os ex-governantes.
Mais uma vítima da actividade política, disposta a abdicar de tudo para nos servir.
Será que esta gente pensa que somos todos parvos?
Vão fazer poucochinho do diabo que os carregue.
JTD
Mais uma vítima da actividade política, disposta a abdicar de tudo para nos servir.
Será que esta gente pensa que somos todos parvos?
Vão fazer poucochinho do diabo que os carregue.
JTD
quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Gonçalo M. Tavares | La Fontaine
Um homem cruzou-se com um animal e leu-lhe três fábulas para o ensinar.
Mais tarde um animal cruzou-se com um homem e deu-lhe três dentadas para o ensinar.
Mais tarde a Natureza inteira cruzou-se com o homem e com o animal e enterrou-os com três pazadas de terra para os ensinar.
Titulo: Biblioteca
Autor: Gonçalo M. Tavares
Capa: Margarida Baldaia
Edição: Campo das Letras
JTD
Mais tarde um animal cruzou-se com um homem e deu-lhe três dentadas para o ensinar.
Mais tarde a Natureza inteira cruzou-se com o homem e com o animal e enterrou-os com três pazadas de terra para os ensinar.
Titulo: Biblioteca
Autor: Gonçalo M. Tavares
Capa: Margarida Baldaia
Edição: Campo das Letras
JTD
terça-feira, 21 de setembro de 2004
Corto Maltese
Corto Maltese, o mítico marinheiro nascido em Malta, filho de um inglês e de um espanhola, aparece por aí todas as segundas-feiras. É o jornal PÚBLICO que o faz viajar até nós, dando-nos assim a oportunidade de completarmos colecções.
Quem não conhecia esta magnífica criação de Hugo Pratt, pode desta forma entrar no seu mundo.
"Segunda o PÚBLICO é porto de abrigo para Corto Maltese".
RR
Portugal confuso
Este governo encetou uma nova maneira de gerir o país; atira para o ar e depois logo se vê onde cai.
O primeiro-ministro é um espada neste desporto. falou das taxas moderadoras para a saúde, mas parece que ninguém sabe muito bem do que se trata. Falou na prioridade do ínicio do ano escolar, e prometeu empenho pessoal. Afinal resolveu ir dar uma voltinha e a Educação que se lixe.
O caso da Educação já é um caso, de facto. Quando é que acertam? Quando é que acabam a incompetência e as desculpas esfarrapadas? Quando é que a ministra se demite? Quando é que acaba este governo?
JTD
O primeiro-ministro é um espada neste desporto. falou das taxas moderadoras para a saúde, mas parece que ninguém sabe muito bem do que se trata. Falou na prioridade do ínicio do ano escolar, e prometeu empenho pessoal. Afinal resolveu ir dar uma voltinha e a Educação que se lixe.
O caso da Educação já é um caso, de facto. Quando é que acertam? Quando é que acabam a incompetência e as desculpas esfarrapadas? Quando é que a ministra se demite? Quando é que acaba este governo?
JTD
sexta-feira, 17 de setembro de 2004
José Adelino Tacanho
Durante um tempo infinito fez o Festival dos Capuchos. Agora estava mais moderado na sua actividade de animação cultural. Tinha todos os cuidados possíveis para manter o corpo em bom estado. Por isso a desistência do corpo deixou-nos estupefactos.
Foi traído por um ataque cardíaco. A morte é assim, traiçoeira.
Fica-nos a memória dos espectáculos que nos ofereceu. E a recordação da sua imagem esbelta e sempre em movimento.
JTD
quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Narciso feliz
Ouvi agora mesmo na TSF. Narciso Miranda declarou, após a reunião da comissão nacional do PS: "Estou feliz".
Como não disse mais nada, ficamos sem saber o porquê de tanta felicidade.
Geralmente quem fez merda fica feliz porque não percebe o que fez.
Ou então percebe, mas fica feliz na mesma porque gosta do que faz.
"Narciso achou feio tudo o que não era espelho".
JTD>
Como não disse mais nada, ficamos sem saber o porquê de tanta felicidade.
Geralmente quem fez merda fica feliz porque não percebe o que fez.
Ou então percebe, mas fica feliz na mesma porque gosta do que faz.
"Narciso achou feio tudo o que não era espelho".
JTD>
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Agualusa na Época
''Saramago cultiva o niilismo e o pessimismo. Seus livros são contaminados pelo desencanto. É difícil escrever quando se descrê completamente da vida. Ele é vítima da própria descrença. É um velho'.
José Eduardo Agualusa, de passagem pelo Brasil para lançamento do seu "Vendedor de Passados", deu uma entrevista à revista Época. Passe por lá.
Marcelo sabe tudo
Marcelo Rebelo de Sousa disse na oratória de domingo, na televisão da quinta das celebridades, que olhando para todos os candidatos à liderança do PS, nenhum tem, obviamente, perfil para primeiro-ministro.
Alguém diz ao professor quem é o actual presidente do conselho de ministros?
Onde está o governo?
Santana diz que vai haver taxas nos serviços de saúde por causa da justiça social.
O ministro Bagão diz que o orçamento de estado é como gerir uma casa. E que auto-estradas são um luxo concedido aos condutores. Os impostos de quem nelas não circula não devem ser utilizados para as pagar.
Será que é mesmo assim?
De facto, é frequente ver administradores bancários e outros gestores abastados, nos centros de saúde, na bicha para a injecção. A injustiça é clara. Então não é que estes senhores pagam o mesmo que um pobre reformado, usando assim o Serviço Nacional de Saúde, que deveria assistir aos mais necessitados?
Quanto às auto-estradas, claro que só servem para os privilegiados que têm carro passearem. Não servem rigorosamente para mais nada; todos os produtos consumidos pelas populações são transportados de carroça, pelas estradas nacionais.
E parece óbvio que gerir o orçamento de estado é como gerir uma casa. Já estou a ver Bagão e Santana a caminho do Ikea, acompanhados por algumas das suas secretárias, para comprarem chávenas para o café. Ou mesmo a pedir orçamento para os móveis da nova cozinha de São Bento.
São estes senhores que nos governam. Será que acreditam, mesmo, no que dizem?
JTD
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
É só porrada
Luis afonso, na secção da Pública "Sociedade recreativa", aborda, com o seu habitual talento, a violência na televisão.
O desenho representa um telespectador aterrado, escondido por um sofá, enquanto o aparelho televisivo escorre sangue.
Até parece que estamos combinados. Ou talvez não. É já ponto acente que as televisões se preocupam demasiado com o estimulo da violência.
Dizem-me que Avelino Ferreira Torres vai participar num concurso de celebridades. Tudo se passa numa quinta. E Avelino é apenas mais um dos cromos que por lá vai vegetar. Dizem-me que assim talvez se veja a nu e em directo o nível das criaturas. Acham que sim? Era necessário gastar tempo de antena com tão medíocres prestações?
Paulo Portas, tão preocupado com a moral e os bons costumes, deve estar maravilhado com a participação do seu colega de partido.
Esperemos que, se houver confusão na tal quinta, ele convoque os operacionais adequados para dar resposta a alguma incorrecção de algum concorrente para com o inefável Avelino.
JTD
O desenho representa um telespectador aterrado, escondido por um sofá, enquanto o aparelho televisivo escorre sangue.
Até parece que estamos combinados. Ou talvez não. É já ponto acente que as televisões se preocupam demasiado com o estimulo da violência.
Dizem-me que Avelino Ferreira Torres vai participar num concurso de celebridades. Tudo se passa numa quinta. E Avelino é apenas mais um dos cromos que por lá vai vegetar. Dizem-me que assim talvez se veja a nu e em directo o nível das criaturas. Acham que sim? Era necessário gastar tempo de antena com tão medíocres prestações?
Paulo Portas, tão preocupado com a moral e os bons costumes, deve estar maravilhado com a participação do seu colega de partido.
Esperemos que, se houver confusão na tal quinta, ele convoque os operacionais adequados para dar resposta a alguma incorrecção de algum concorrente para com o inefável Avelino.
JTD
sábado, 11 de setembro de 2004
We will never forget
Já passou algum tempo sobre o ataque às torres gémeas em Nova Iorque. Foi há três anos.
Quando tudo aconteceu eu estava lá. Passeava pela quinta avenida. O voo para Portugal partia nesse dia a meio da tarde. De um momento para o outro tudo se alterou. O regresso só aconteceu cinco dias depois. Entretanto, tudo se passou com a normalidade possível. Visitei locais que já não tinha intenção de visitar, participei em vigilias em homenagem às vítimas do atentado.
O hotel era perto de Times Square. E Times Square era o local onde toda a gente se dirigia para saber novidades. Era ali que nos sentiamos informados. Quando cheguei a Portugal fui convocado para um programa de televisão onde se evocava o ataque, entre "recitais" de cantores indescritíveis e alegres curiosidades. Pelo meio a entrevistadora pedia "sangue". As televisões apreciam a desgraça. Dizem que traz audiências. É claro que me arrependi da minha participação no programa. Mas o que lá vai, lá vai.
Hoje, nas notícias das oito na mesma estação televisiva, um português que também se encontrava na "Big Aplle" ao tempo do atentado, dava o seu testemunho. Entre muitas vulgaridades e até tiradas de humor, referiu que nos dias seguintes passeava por uma Times Square deserta, ele os filhos e alguns "turistas malucos". É disto que as televisões gostam. É certo que isto nunca aconteceu, mas imaginar a cidade que não dorme, com a sua praça mais frequentada sem vivalma, é tentador. Não basta o drama, é preciso ampliar a dor para que se torne credível. Foi um grande momento de televisão, o que este senhor nos proporcionou.
O melhor mesmo é desligar o aparelho. Não quero ouvir mais relatos de talentosos protagonistas da história. A minha memória do acontecimento é suficiente. We will never forget.
JTD
sábado, 4 de setembro de 2004
Condenável e chocante
O que leva militantes de uma causa independentista a usar crianças como reféns?
Que respeito tem esta gente pala vida humana?
O mundo está cada vez mais perigoso.
Os filhos da puta estão, cada vez mais, sem qualquer tipo de princípios.
JTD
Que respeito tem esta gente pala vida humana?
O mundo está cada vez mais perigoso.
Os filhos da puta estão, cada vez mais, sem qualquer tipo de princípios.
JTD
quinta-feira, 2 de setembro de 2004
La Mamounia
Nesse verão por invrível que
pareça hoje vivi uma paixão desusada.
Procurei saber por ti, parti para longe
como se faz nos romances.
Lembro-me ter-te visto
no fundo da piscina
antes do sol se essaouira
ter revelado as nuvens que
o meu corpo, submerso, fez vir à superfície.
Como as nuvens a minha história
sem ti desfez o sentido da tua figura
esguia e ainda jovem. Morreste sob
as palmeiras, entregue à sonolência
do cansaço em tudo semelhante
ao efeito da heroína.
Fuji nesse verão para entender
a relativa importância do sexo
nas variações do amor. Vejo-me
ainda às voltas com essa pergunta
Fernando Luis Sampaio. Escadas de Incêndio. Quetzal. 2000.
Pintura de David Hockney
quarta-feira, 1 de setembro de 2004
September again
Limites do corpo
Vestida do teu suor fui sobranceira ao medo.
Mas todos os templos batidos pelos ares estão nas colunas das tuas coxas.
Venerado o teu septo nasal e a pele do crâneo como se foram
da criança própria surge o susto - todo o amor é abolição de limites até do próprio corpo.
Maria Velho da Costa. Corpo Verde. Contexto. 1979
Pintura de Paula Rego
Respiração
Vai abrir a manhã.
A neblina esfuma
os pesados navios.
O silêncio está cheio
da respiração do mar.
Miguel de Castro Terral, Estuário, 1990
Pintura de Edward Hopper
Gastão e Donald no poder
Para quem fala em luxo ideológico nas alusões a alguns comportamentos da esquerda, não deixa de ser irónico ver a armada portuguesa ser utilizada para defender as ideias do seu ministro. Foi entregue a estes meninos um país inteirinho para brincarem. E um mar, também. Bonito de ouvir, foi o discurso do secretário de estado destinado à triste figura de defensor dos nossos preciosos mares. Motivo da decisão: Estavam em risco a saúde pública e a soberania nacional. Tudo isto desencadeado por um barquinho que mais se assemelha aos que ilustram as histórias juvenis.
Este governo parece desenhado pelos estúdios da Disney; chefiado pelo sortudo Gastão e com o marujo Donald como segunda figura.
JTD
Este governo parece desenhado pelos estúdios da Disney; chefiado pelo sortudo Gastão e com o marujo Donald como segunda figura.
JTD
terça-feira, 31 de agosto de 2004
Setembro
Gosto de Setembro. Parece que a tontice de Agosto se vai esfumando. O ar fica mais denso e é tempo de outras exigências. De outras consistências. Apetece-me ver o "Setembro" de Woody Allen. É o que vou fazer. Até amanhã.
RR
segunda-feira, 30 de agosto de 2004
A voz dos pacientes do BlogOperatório
DIVINDADES
De homossexualidade e preconceitos (sob o nome de Deus como álibi!)
Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a
homossexualidade era uma perversão: «É o que diz a Bíblia no livro do
Levítico, capítulo 18, versículo 22: "Tu não te deitarás com um homem como
te deitarias com uma mulher: seria uma abominação". A Bíblia refere assim
a questão. Ponto final», afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
«Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus.
Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha
volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a
outras leis bíblicas.
1.
Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é
indicado no Livro do êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual
seria o melhor preço?
2.
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir
escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em
nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos,
mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto?
Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
3.
Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do êxodo, capítulo 25,
versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte.
Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma
forma neste tipo de situação constrangedora?
4.
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos
aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de
óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%?
Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
5.
Um último conselho. O meu tio nâo respeita o que diz o Levítico, capítulo
19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo
campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes
tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer
e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é
reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia,
como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia
antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se
faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece
indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda. »
FGR
De homossexualidade e preconceitos (sob o nome de Deus como álibi!)
Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a
homossexualidade era uma perversão: «É o que diz a Bíblia no livro do
Levítico, capítulo 18, versículo 22: "Tu não te deitarás com um homem como
te deitarias com uma mulher: seria uma abominação". A Bíblia refere assim
a questão. Ponto final», afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
«Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus.
Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha
volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a
outras leis bíblicas.
1.
Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é
indicado no Livro do êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual
seria o melhor preço?
2.
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir
escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em
nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos,
mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto?
Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
3.
Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do êxodo, capítulo 25,
versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte.
Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma
forma neste tipo de situação constrangedora?
4.
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos
aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de
óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%?
Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
5.
Um último conselho. O meu tio nâo respeita o que diz o Levítico, capítulo
19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo
campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes
tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer
e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é
reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia,
como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia
antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se
faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece
indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda. »
FGR
quarta-feira, 25 de agosto de 2004
O regresso
Aí estamos nós. Cheios de espuma. As férias acabaram. Apesar de tudo tivemos saudades. Vamos matá-las.
A fotografia é de Sebastião Salgado.
quinta-feira, 5 de agosto de 2004
Henri Cartier-Bresson
Captou o repentino safanão.
Capturou o "momento decisivo".
Era fotógrafo. Confirmou, com a fotografia, seu ofício, que as coisas simples são as autênticas.
As suas fotografias são testemunhos que nos garantem que é no dia-a-dia que está a perenidade.
Mais uma morte, nestes dias negros.
JTD
quarta-feira, 4 de agosto de 2004
ENCERRADO PARA DESCANSO DO PESSOAL
Nós aqui no "operatório" vamos entrar de férias.
Contribuiremos para o insucesso do verão algarvio, já que nenhum de nós tenciona pôr lá os pés.
Pedimos desculpa pela atitude patrioticamente incorrecta, mas preferimos limpar a vista com outras paisagens.
Voltaremos dia vinte e três com a moleirinha mais arejada. Assim esperamos.
Até lá.
Boas Férias para os fregueses que também vão agora descansar. Para os outros, bom trabalho. E, olhem, melhores dias virão, depois do Verão.
Pintura de Edward Hopper
terça-feira, 3 de agosto de 2004
segunda-feira, 2 de agosto de 2004
Zeca 75
Hoje era dia de dar os parabéns ao Zeca. Não fosse aquela doença tramada e ele ainda aí estaria, com a lucidez e inteligência que todos lhe reconhecíamos. O que pensaria ele deste tempo de desilusões às direitas?
No meu trajecto diário para o meu atelier, encontrei a irmã do Zeca. Em frente aos armazéns do Chiado. Não a via desde o funeral do irmão. Estava ao telemóvel. Tive com ela encontros esporádicos, em Setúbal, quando ela ia visitar a família. Não me senti, portanto, com coragem para a abordagem. Mas fiquei contente com a coincidência. É como se tivesse estado mais perto do Zeca. Pieguice? O caraças. Tenho dos encontros com José Afonso a saudade que se tem dos bons momentos da nossa vida. Obrigado Zeca.
PS: Nuno Pacheco assina hoje no PÚBLICO um excelente texto sobre os 75 anos do Zeca.
JTD
domingo, 1 de agosto de 2004
Agora é tarde
Continuando, com outro texto de Zeca.
Voltaremos amanhã, dia 2 de agosto, para recordar de novo.
O Pássaro foi-se
Um riso branco flectindo
na luz
Como um peixe diurno
fez-se mais triste.
Agora é tarde, o véu desfez-se
Voltaremos amanhã, dia 2 de agosto, para recordar de novo.
O Pássaro foi-se
Um riso branco flectindo
na luz
Como um peixe diurno
fez-se mais triste.
Agora é tarde, o véu desfez-se
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