Vinha eu todo lançado para botar um comentário sobre a implosão em Tróia, e eis que zás... ao dar uma volta pela vizinhança, deparo com um excelente "post" de Luís Sequeira no Abnegado. E pronto, não há necessidade de bater mais no ceguinho quando a tareia é de arromba. Nem todos estamos rendidos à parolada. Nem tudo está mal no reino da Dinamarca.
Apenas um reparo: com a "obra" de grande parte dos autarcas lusos, a implosão devia ser transformada em serviço de
utilidade pública.
JTD
sexta-feira, 9 de setembro de 2005
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
Por Caria
Em Setúbal há um homenzinho que, devido ao pouco sucesso dos seus frustes negócios, resolveu pedir apoio ao seu partido e assaltar a direcção da Região de Turismo da zona.
Esse homenzinho responde pelo nome de Paulo Caria e nem sequer sabe como se decidem eleições em democracia. Resolveu tentar impugnar as eleições porque o actual presidente do organismo votou. Como se fosse pecado ou ilegítimo. O estranho não é a medíocre criatura não saber as regras da democracia - trata-se de um vulgar ignorante. Estranho é um partido com responsabilidades nacionais e de governo não ter mais ninguém para apresentar a um cargo público. Mas a esse nível o mau serviço é notório, basta ver a peça que é proposta para a presidência da câmara local. Estamos conversados. Melhoras rápidas - é o que eu desejo. Sinceramente.
RR
Esse homenzinho responde pelo nome de Paulo Caria e nem sequer sabe como se decidem eleições em democracia. Resolveu tentar impugnar as eleições porque o actual presidente do organismo votou. Como se fosse pecado ou ilegítimo. O estranho não é a medíocre criatura não saber as regras da democracia - trata-se de um vulgar ignorante. Estranho é um partido com responsabilidades nacionais e de governo não ter mais ninguém para apresentar a um cargo público. Mas a esse nível o mau serviço é notório, basta ver a peça que é proposta para a presidência da câmara local. Estamos conversados. Melhoras rápidas - é o que eu desejo. Sinceramente.
RR
quarta-feira, 7 de setembro de 2005
Fernando Távora
Tentou com todas as suas forças tornar este local que pisamos mais próximo de algo civilizado. Foi um grande arquitecto e um homem bom. As obras que deixou comprovam a extrema delicadeza com que aproximou a modernidade da tradição. Um conhecimento imenso das pulsações dos lugares. Sobre ele disse Eduardo Souto Moura: "Távora é pai da escola do Porto, mas bisavô da Europa. É uma figura histórica. É universal".
JTD
terça-feira, 6 de setembro de 2005
Roy Lichtenstein | Ferreira Gullar
Aprendizado
Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.
Ferreira Gullar Texto
Roy Lichtenstein Imagem
segunda-feira, 5 de setembro de 2005
Fim de férias
Esta imagem já pertence ao passado. Terminaram ontem as minhas habituais férias na Costa Vicentina.
O blogoperatório está de cara lavada. Esperamos que esteja a contento dos utentes.
Os comentários estão aí a chegar: os nossos e os vossos.
Boas entradas na realidade, e até já.
JTD
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Limpezas de Verão
Estamos a aproveitar as férias para pôr a casa em ordem.
Começámos pelas limpezas e agora estamos a introduzir novos moldes de intervenção.
A grande novidade é a possibilidade de poderem ser feitos comentários.
Esperemos que tudo corra bem.
Voltaremos dia 5 de Setembro.
Até lá, boas férias.
Começámos pelas limpezas e agora estamos a introduzir novos moldes de intervenção.
A grande novidade é a possibilidade de poderem ser feitos comentários.
Esperemos que tudo corra bem.
Voltaremos dia 5 de Setembro.
Até lá, boas férias.
segunda-feira, 1 de agosto de 2005
Encerrado para férias do pessoal
O blogOperatório vai para férias. A afluência de pacientes também é mais reduzida nesta época do ano, daí a decisão definitiva de encerramento no mês de Agosto. Para qualquer urgência estão a funcionar os serviços míninos aqui ao lado.
Boas férias para todos e até setembro.
Boas férias para todos e até setembro.
sábado, 30 de julho de 2005
O Pedro anda aí
O Expresso de hoje, inspirado pelo sol de verão que finalmente ilumina a existência dos nacional-socialites, publicou uma extensa entrevista biográfica a Pedro Santana Lopes.
Ficámos a saber que Pedro admite voltar a ser primeiro-ministro. Outra: "É muito complicado ser ex-primeiro-ministro. Náo se pode aceitar qualquer lugar, é uma questão de respeito pelo cargo". Outra ainda: "Fui catequista vários anos e acólito. Fiz muito essa vida: a primeira comunhão, o crisma, a comunhão solene, a perseverança..."
De que está à espera? A fé precisa de si. E a esse nível ninguém lhe nega o talento.
RR
Ficámos a saber que Pedro admite voltar a ser primeiro-ministro. Outra: "É muito complicado ser ex-primeiro-ministro. Náo se pode aceitar qualquer lugar, é uma questão de respeito pelo cargo". Outra ainda: "Fui catequista vários anos e acólito. Fiz muito essa vida: a primeira comunhão, o crisma, a comunhão solene, a perseverança..."
De que está à espera? A fé precisa de si. E a esse nível ninguém lhe nega o talento.
RR
quarta-feira, 27 de julho de 2005
As palavras que nos faltam
Os relatos que nos chegam do que se está a passar no Brasil deixam-nos sem palavras.
A esperança acordada pela eleição de Lula depressa se esbateu. Ou não? O que se passa ao certo?
Aqui está um desafio para a nossa Ana Lúcia. Será que ela encontra as palavras que nos faltam para entendermos o que se está a passar?
JTD
terça-feira, 26 de julho de 2005
Cavaco? Livra!
Não precisamos de um contabilista na Presidência da República. Não precisamos de Cavaco para coisíssima nenhuma.
Soares lutou pela instauração e permanência da democracia. Cavaco nunca se incomodou com o anterior regime.
Soares é um homem de cultura. Cavaco não.
Soares merece ser presidente de novo, se assim o quiser. Cavaco não, mesmo que uma gente sinistra nisso insista.
Esta é a minha opinião, e espero que seja coincidente com a da maioria da esquerda. E que a esquerda vença eleições, é o que sempre espero.
JTD
segunda-feira, 25 de julho de 2005
Uma pedra no meio do caminho
Em Setúbal, onde vivo, na freguesia de São Sebastião, há um autarca que exibe o seu gosto como forma de "fazer obra".
O homem é presidente da Junta de Freguesia local, foi eleito pela CDU, e deve ter caído no caldeirão da piroseira quando era pequenino.
As áreas de lazer e descontracção das zonas que lhe foram atribuídas para gerir, como responsável autárquico, estão minadas de pedras e pedrinhas, muito ao gosto de um se calhar reduzido orçamento, mas enleivado de um desconcertante mais que duvidoso gosto.
Mas a situação mais ridícula, é a que me saiu na rifa. Mesmo nas traseiras da casa onde moro, existe uma imensidão de terreno ao abandono, em terra solta.
Então não é que o homem resolve eleger um pedaço desse espaço para levantar uma obra digna de análise psíquica?
Em pouco mais de quarenta metros quadrados, foi plantado um jardim, eregidos monumentos (um brazão e um menir), instalado mobiliário urbano e concebida sinalética proibindo urinas caninas. Isto tudo onde a pavimentação com cravilha era mais do que suficiente. Mais, houve um dia em que ao assumar por uma das janelas que dão para este paraíso, deparo com o virtuoso autarca numa de cicerone, mostrando tão empolgante obra a um grupo de convidados que o seguiam. Um pequeno autocarro estacionado fazia prever que a viagem estava para durar: outros arranjos com calhaus esperavam tão exigente público. Como este autarca modelo vai ser apresentado a sufrágio nas próximas eleições, e a possibilidade de ser reeleito vislumbra-se, proponho desde já ao munícípio que atribua à freguesia de São Sebastião a classificação de "Zona da Excelência da Pedra". Proponho também que seja atribuído ao senhor presidente da junta a alta distinção de "O Menir de Ouro", a ser entregue muito em breve pelas mãos do próprio Obélix.
Ai eu é que estou a delirar. Então vão lá ver a "obra" e depois a gente fala.
Localização: Este precioso espaço de lazer situa-se nas traseiras da Rua Professor Egas Moniz, nas imediações do hospital de São Bernardo.
Estão convidados.
JTD
O homem é presidente da Junta de Freguesia local, foi eleito pela CDU, e deve ter caído no caldeirão da piroseira quando era pequenino.
As áreas de lazer e descontracção das zonas que lhe foram atribuídas para gerir, como responsável autárquico, estão minadas de pedras e pedrinhas, muito ao gosto de um se calhar reduzido orçamento, mas enleivado de um desconcertante mais que duvidoso gosto.
Mas a situação mais ridícula, é a que me saiu na rifa. Mesmo nas traseiras da casa onde moro, existe uma imensidão de terreno ao abandono, em terra solta.
Então não é que o homem resolve eleger um pedaço desse espaço para levantar uma obra digna de análise psíquica?
Em pouco mais de quarenta metros quadrados, foi plantado um jardim, eregidos monumentos (um brazão e um menir), instalado mobiliário urbano e concebida sinalética proibindo urinas caninas. Isto tudo onde a pavimentação com cravilha era mais do que suficiente. Mais, houve um dia em que ao assumar por uma das janelas que dão para este paraíso, deparo com o virtuoso autarca numa de cicerone, mostrando tão empolgante obra a um grupo de convidados que o seguiam. Um pequeno autocarro estacionado fazia prever que a viagem estava para durar: outros arranjos com calhaus esperavam tão exigente público. Como este autarca modelo vai ser apresentado a sufrágio nas próximas eleições, e a possibilidade de ser reeleito vislumbra-se, proponho desde já ao munícípio que atribua à freguesia de São Sebastião a classificação de "Zona da Excelência da Pedra". Proponho também que seja atribuído ao senhor presidente da junta a alta distinção de "O Menir de Ouro", a ser entregue muito em breve pelas mãos do próprio Obélix.
Ai eu é que estou a delirar. Então vão lá ver a "obra" e depois a gente fala.
Localização: Este precioso espaço de lazer situa-se nas traseiras da Rua Professor Egas Moniz, nas imediações do hospital de São Bernardo.
Estão convidados.
JTD
domingo, 24 de julho de 2005
Indignação e perplexidade
Circulou neste sábado no noticiário internacional a notícia de que o homem executado sexta-feira pela polícia londrina no metro da capital inglesa era um cidadão brasileiro que não tinha rigorosamente nada a ver com os atentados ocorridos no dia anterior e há duas semanas atrás. Jean Charles de Menezes, natural da cidade de Gonzaga, Minas Gerais, tinha 26 ou 28 anos e há cinco vivia em Londres, onde se encontrava em situação regular, com trabalho e residência fixos. As circunstâncias que envolvem o episódio ainda não foram devidamente explicadas pela polícia londrina, mas o ocorrido, o assassinato de um inocente à queima-roupa em função de uma mera suspeita, só nos pode deixar perplexos e indignados. Então é esse o método inteligente por meio do qual a polícia inglesa espera combater o terrorismo e proteger a população?! Ao que parece, a atuaçao daquela corporação só tem primado pela incompetência (antes) e pelo histerismo (depois). Notícias veiculadas após os atentados de há quinze dias atrás dão conta de que a polícia inglesa falhou ao não considerar alguns indícios que poderiam ter evitado o ocorrido. Após os incidentes desta última quinta-feira, a população presencia uma sucessão de medidas (investigação e perseguição sobretudo a estrangeiros) que, ao invés de trazer segurança, disseminam estereótipos e preconceitos, ajudando a reforçar a rejeição aos estrangeiros. Segundo notícia publicada no jornal O Globo online, o brasileiro foi morto quando estava indo para o trabalho. Ele teria sido alvejado pela polícia britânica, a Scotland Yard, porque sua roupa e comportamento levantaram suspeitas da polícia. Logo depois, a polícia reconheceu que o homem não tinha ligação com os atentados. O DN online publicou trechos do comunicado da polícia: "O facto de alguém perder a vida nestas circunstâncias é uma tragédia que a polícia lamenta", precisando que o homem tinha saído de um imóvel "vigiado pela polícia", tendo sido "seguido pelos agentes até ao metro". E justifica "A sua roupa e atitude reforçaram as suspeitas" de que poderia ser um suicida.
Realmente, estranho mundo este em que vivemos, no qual alguém pode ser considerado suspeito pela roupa que veste
ALF
Realmente, estranho mundo este em que vivemos, no qual alguém pode ser considerado suspeito pela roupa que veste
ALF
sábado, 23 de julho de 2005
Toy e touros
A câmara municipal mandou-me um sms: "Esta noite na Feira de Santiago, TOY ao vivo". Na mesma cidade a TVI brinda-nos com uma corrida de touros. Setúbal está uma cidade cheia de animação. Só que ainda não escolhi: nesta coisa de touradas prefiro as que não exibem touros, mas aturar o Toy está fora de questão.
Vou ficar em casa. Aliás, começo a pensar mudar de casa.
RR
Vou ficar em casa. Aliás, começo a pensar mudar de casa.
RR
sexta-feira, 22 de julho de 2005
Cidadãos precisam-se
Avelino tem mais furos do que um passador. É acusado de tudo e mais alguma coisa com provas fundamentadas. Ninguém disso tem dúvidas, exccepto os seus correligionários partidários que assobiam para o lado fingindo nada perceber. E ele lá vai, cantando e rindo, ou seja, vociferando e pontapeando, que é a sua linguagem comum.
Existirão outros sítios na Terra onde uma criatura deste porte possa ser candidato a uma junta regional? É possível que se exija tão pouco a um cidadão que pretende ser eleito no local que o viu nascer, como representante dos anseios e preocupações das suas gentes? E os cidadãos dão-nos o desprazer de elevar o turbulento indivíduo a seu cidadão de eleição?
Os nossos autarcas deveriam ser cidadãos exemplares. Como estamos tão longe desse augúrio.
JTD
Existirão outros sítios na Terra onde uma criatura deste porte possa ser candidato a uma junta regional? É possível que se exija tão pouco a um cidadão que pretende ser eleito no local que o viu nascer, como representante dos anseios e preocupações das suas gentes? E os cidadãos dão-nos o desprazer de elevar o turbulento indivíduo a seu cidadão de eleição?
Os nossos autarcas deveriam ser cidadãos exemplares. Como estamos tão longe desse augúrio.
JTD
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Patrick Heron | António Ramos Rosa
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
António Ramos Rosa Poema
Patrick Heron Pintura
domingo, 17 de julho de 2005
Frida em Londres
Uma gigantesca exposição de Frida Kahlo está disponível na Tate modern, em Londres.
O sofimento físico, a militância política, a relação tempestuosa com Diego Rivera, a vida de uma mulher extraordinária patente na sua pintura. Frida usou o seu talento para denunciar as suas mazelas. A pintura como meio revelador da vida e vivências de uma cidadã empenhada na luta contra as injustiças.
Esta mostra estará na Tate até nove de Outubro.
RR
sexta-feira, 15 de julho de 2005
A casa de Rodrigo
É capaz de valer a pena aconselhar "A Casa Quieta" de Rodrigo Guedes de Carvalho. Estou a ler e a gostar. Depois falaremos.
"Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer. A verdade é que não te procurei. Mais uma vez. Penso que fiz as coisas do costume, penso hoje quando penso nisso que fiz as coisas do costume, terei deixado o sobretudo ao acaso, abri o frigorífico fechei abri uma outra vez, sem saber bem o que procuro, acontece-me quase sempre. As coisas do costume. Vagueei sem saber bem, o sobretudo caído alguém há-de arrumar, tu tratas disso. Do frigorífico abro fecho abro outra vez, quero pouco, não sei que quero, deixei de beber prometi-te acho que te prometi, não sei que beba."
O livro é editado pela Dom Quixote, e está disponível nas melhores livrarias.
JTD
"Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer. A verdade é que não te procurei. Mais uma vez. Penso que fiz as coisas do costume, penso hoje quando penso nisso que fiz as coisas do costume, terei deixado o sobretudo ao acaso, abri o frigorífico fechei abri uma outra vez, sem saber bem o que procuro, acontece-me quase sempre. As coisas do costume. Vagueei sem saber bem, o sobretudo caído alguém há-de arrumar, tu tratas disso. Do frigorífico abro fecho abro outra vez, quero pouco, não sei que quero, deixei de beber prometi-te acho que te prometi, não sei que beba."
O livro é editado pela Dom Quixote, e está disponível nas melhores livrarias.
JTD
Pontes são passagens
Disseram-me mas eu não acredito: os polícias vão ocupar as pontes que ligam Lisboa ao sul.
As pontes 25 de Abril e Vasco da Gama vão ficar interditas ao tráfego pela acção dos agentes da autoridade.
Estão a perder privilégios. Privilégios não, direitos (fugiu-me a tecla para a verdade), e como tal vão protestar com os recursos de que dispõem.
Se calhar até utilizarão jactos de água e gás para afugentar as criaturas que queiram fazer a passagem para o lado de cá.
Um bom profissional, dá bom uso à ferramenta da sua profissão. Um amigo meu, que está desempregado, diz que vai lá fazer-lhes um manguito. De momento é a ferramenta de que dispõe.
RR
As pontes 25 de Abril e Vasco da Gama vão ficar interditas ao tráfego pela acção dos agentes da autoridade.
Estão a perder privilégios. Privilégios não, direitos (fugiu-me a tecla para a verdade), e como tal vão protestar com os recursos de que dispõem.
Se calhar até utilizarão jactos de água e gás para afugentar as criaturas que queiram fazer a passagem para o lado de cá.
Um bom profissional, dá bom uso à ferramenta da sua profissão. Um amigo meu, que está desempregado, diz que vai lá fazer-lhes um manguito. De momento é a ferramenta de que dispõe.
RR
quinta-feira, 14 de julho de 2005
Tudo bons rapazes
Um homem surge no retrato a arregaçar as mangas da camisa.
Uma frase dita as suas intenções: "vamos a isto, Lisboa".
As sondagens dizem que ele é o mais popular apesar de não ser o melhor colocado para vencer.
O que quererá isto dizer? Se calhar as pessoas gostam de quem arregaça as mangas, mas isso já não quer dizer que acreditem que sejam esses, os que arregaçam as mangas nos cartazes, os que mais trabalham.
Eu não acredito. E, para além do mais, a imagem de Carmona Rodrigues com ar de quem vai desatar à pancada daí a bocado, parece-me um pouco ridícula. Dizem que Lisboa tem grandes candidatos. Não acho. E Lisboa não é propriamente de bons candidatos que precisa, mas sim de um bom presidente e de vereadores competentes e esforçados. Onde é que eles estão?
RR
Uma frase dita as suas intenções: "vamos a isto, Lisboa".
As sondagens dizem que ele é o mais popular apesar de não ser o melhor colocado para vencer.
O que quererá isto dizer? Se calhar as pessoas gostam de quem arregaça as mangas, mas isso já não quer dizer que acreditem que sejam esses, os que arregaçam as mangas nos cartazes, os que mais trabalham.
Eu não acredito. E, para além do mais, a imagem de Carmona Rodrigues com ar de quem vai desatar à pancada daí a bocado, parece-me um pouco ridícula. Dizem que Lisboa tem grandes candidatos. Não acho. E Lisboa não é propriamente de bons candidatos que precisa, mas sim de um bom presidente e de vereadores competentes e esforçados. Onde é que eles estão?
RR
Grandes dramaturgos em Setúbal
O TAS termina no final desta semana a representação da peça "Os peixes nunca hão-de voar", a partir de textos de Arnold Wesker. Dois monólogos: "Desbarato" e "Carta a Uma Filha".
Iinterpretação de Sónia Martins e Isabel Ganilho e encenação de Miguel Assis.
Brevemente faremos uma apreciação crítica do espectáculo. Assim como do anterior trabalho desta companhia: "Se perguntarem por mim, não estou", de Mário de Carvalho, com encenação de Duarte Victor.
JTD
Iinterpretação de Sónia Martins e Isabel Ganilho e encenação de Miguel Assis.
Brevemente faremos uma apreciação crítica do espectáculo. Assim como do anterior trabalho desta companhia: "Se perguntarem por mim, não estou", de Mário de Carvalho, com encenação de Duarte Victor.
JTD
terça-feira, 12 de julho de 2005
Nem tudo está podre...
O programa "Prós e contras" da RTP 1, colocou perante os nossos olhos alguns protagonistas dos tempos recentes. falou-se de imigração e de generosidade, de cidadania e de bem receber. Os convidaddos foram Arnaldo Matos, António Barreto, Adelino Gomes e Adriano Moreira. Um interessante debate: perspectivas diferentes mas inteligentes sobre os males que afectam as nossas participações como gente na sociedade portuguesa actual. Nem tudo vai mal nas televisões em terras lusas.
JTD
JTD
domingo, 10 de julho de 2005
Gonçalo Duarte | Gonçalo M. Tavares
Dentro da própria roupa as mãos fazem um intervalo entre o tocar na amante e o segurar na lâmina que mata. As mãos são órgãos susceptíveis de se emocionarem. As mãos não terão apenas sentimentos tácteis, mas também sentimentos mais complexos: como a grande tristeza. Supor que há elementos do corpo que não sofrem nem se exaltam, que apenas assistem, parece um equívoco evidente de uma certa anatomia analítica que vê cada bocado de corpo como louco individual, com o seu mundo próprio. Não há nenhum órgão que possas extrair do corpo, mantendo este vivo, de modo a que do organismo expulses apenas as emoções. Só extrairás as emoções quando eliminares por completo o organismo. A última célula que sobrevive ainda sente e provavelmente pensa.
Gonçalo M. Tavares "Um Homem: Klaus Klump". Texto
Gonçalo Duarte Pintura
sábado, 9 de julho de 2005
Para esquecer
A programação televisiva em Portugal está a um nível abaixo de qualquer classificação.
Ontem assisti, na TVI, a uma inacreditável exibição de demência. Claro que não é novidade, mas depois da montra de estupidez que foi o programa de José Castelo Branco, na mesma estação, pensei que não era possível pior. É. Este programa a que ontem assisti, mostrava um homem com sotaque brasileiro, que vibrava com a infedilidade de uma concorrente, exibida devido a uma cãmara oculta, perante o seu namorado. Tudo isto obviamente forjado. Tudo isto transformado em grande espectáculo. O homem ria, gesticulava, gritava, envolto no seu ridículo aspecto. Para esquecer.
Hoje, na RTP 1, assisto a uma tradicional tourada. A corrida TV. Paga pela estação estatal. Por todos nós. mesmo os que, como eu, abominamos touradas.
Este pouco recomendável espectáculo, apenas recomendável a mentecaptos ou pessoas com problemas de afirmação, mais conhecidas pelas veementes demonstrações de marialvismo, está na sua época de ouro. Eufórico, o locutor de serviço anunciou já uma "corrida da renascença". Perdoem o trocadilho forçado - mas que bela exibição renascentista.
Oiço o locutor dizer que isto é arte e elegância.
Pessoalmente, só vejo o lado irracional do Ser Humano. Para esquecer.
RR
Ontem assisti, na TVI, a uma inacreditável exibição de demência. Claro que não é novidade, mas depois da montra de estupidez que foi o programa de José Castelo Branco, na mesma estação, pensei que não era possível pior. É. Este programa a que ontem assisti, mostrava um homem com sotaque brasileiro, que vibrava com a infedilidade de uma concorrente, exibida devido a uma cãmara oculta, perante o seu namorado. Tudo isto obviamente forjado. Tudo isto transformado em grande espectáculo. O homem ria, gesticulava, gritava, envolto no seu ridículo aspecto. Para esquecer.
Hoje, na RTP 1, assisto a uma tradicional tourada. A corrida TV. Paga pela estação estatal. Por todos nós. mesmo os que, como eu, abominamos touradas.
Este pouco recomendável espectáculo, apenas recomendável a mentecaptos ou pessoas com problemas de afirmação, mais conhecidas pelas veementes demonstrações de marialvismo, está na sua época de ouro. Eufórico, o locutor de serviço anunciou já uma "corrida da renascença". Perdoem o trocadilho forçado - mas que bela exibição renascentista.
Oiço o locutor dizer que isto é arte e elegância.
Pessoalmente, só vejo o lado irracional do Ser Humano. Para esquecer.
RR
sexta-feira, 8 de julho de 2005
Estranheza
O deputado Pires de Lima, membro da bancada de um grupo parlamentar composto por criaturinhas mal educadas e um velho sem maneiras, acusou o primeiro-ministro de ter pertencido, há cerca de três anos, ao pior governo de sempre em Portugal.
Estranhei a ausência do desmentido por parte de Sócrates: é que o actual primeiro-ministro pertenceu ao governo de Guterres e não ao hilariante elenco de Santana. A verdade acima de tudo.
JTD
Estranhei a ausência do desmentido por parte de Sócrates: é que o actual primeiro-ministro pertenceu ao governo de Guterres e não ao hilariante elenco de Santana. A verdade acima de tudo.
JTD
quinta-feira, 7 de julho de 2005
Para além da crise
Como se não bastasse a crise que assusta a Europa, aí está mais o susto do terrorismo.
Morreu gente. Continua a morrer gente, tanto na Europa como no Iraque. No Iraque já faz parte do dia-a-dia. Na Europa parece começar a ter uma periodicidade. Ainda não percebemos qual. Não conhecemos a agenda do fundamentalismo islâmico. Sabemos, isso sim, que a guerra nunca é solução. Não foi, não será.
JTD
Morreu gente. Continua a morrer gente, tanto na Europa como no Iraque. No Iraque já faz parte do dia-a-dia. Na Europa parece começar a ter uma periodicidade. Ainda não percebemos qual. Não conhecemos a agenda do fundamentalismo islâmico. Sabemos, isso sim, que a guerra nunca é solução. Não foi, não será.
JTD
quarta-feira, 6 de julho de 2005
FP's
Alberto João Jardim continua a vociferar contra tudo o que não é como ele. Felizmente já não há muita gente como ele.
O bocassa da Madeira está cada vez mais só nas suas considerações ridículas. Depois de chamar "filhos da puta" aos jornalistas, desata a clamar contra pessoas que com toda a legitimidade lutam pela sua vida em locais distantes da sua terra. Tal como muitos madeirenses o fizeram para fugir à miséria na ilha onde o soba Jardim é rei.
Já não nos surpreende. Mas é triste ver um responsável por um governo regional portar-se como um vulgar "filho da puta".
RR
O bocassa da Madeira está cada vez mais só nas suas considerações ridículas. Depois de chamar "filhos da puta" aos jornalistas, desata a clamar contra pessoas que com toda a legitimidade lutam pela sua vida em locais distantes da sua terra. Tal como muitos madeirenses o fizeram para fugir à miséria na ilha onde o soba Jardim é rei.
Já não nos surpreende. Mas é triste ver um responsável por um governo regional portar-se como um vulgar "filho da puta".
RR
Agradecimento abnegado
Caro José Teófilo,
Uma nota breve para lhe agradecer as suas tão gentis palavras no blogoperatório.
As coisas estão, de facto, terriveis. Tal como escreve no seu texto "circo autárquico" ainda me arrepia mais ver a "minha" Palmela entregue a esta gente. Naquela que continuo a considerar a minha terra (Setúbal por nascimento, Palmela pelos afectos) custa-me muito ver esta triste exibição saloia, esta miséria.
Aqui no norte com os Torres, Valentim e companhias as coisas seguem o mesmo rumo.
Lisboa ... nem quero acreditar no que se passa. Razões de sobra para inquietações e tristezas.
Um abraço
Luís Sequeira Abnegado
Uma nota breve para lhe agradecer as suas tão gentis palavras no blogoperatório.
As coisas estão, de facto, terriveis. Tal como escreve no seu texto "circo autárquico" ainda me arrepia mais ver a "minha" Palmela entregue a esta gente. Naquela que continuo a considerar a minha terra (Setúbal por nascimento, Palmela pelos afectos) custa-me muito ver esta triste exibição saloia, esta miséria.
Aqui no norte com os Torres, Valentim e companhias as coisas seguem o mesmo rumo.
Lisboa ... nem quero acreditar no que se passa. Razões de sobra para inquietações e tristezas.
Um abraço
Luís Sequeira Abnegado
terça-feira, 5 de julho de 2005
Crise?
Há menos blogues no firmamento blogosférico. O barnabé deixou de caminhar. Pelo menos é o que se anuncia.
É pena. O Barnabé era uma razão para nos determos com assiduidade perante o vidro electrónico.
Acabou devido a sectarismos pouco recomendáveis. Os sectarismos são sempre pouco recomendáveis.
Não foi o primeiro nem será o último. Durante o ano de 2004 mantive actividade no "Sadinos". Um dos mais frequentados na altura.
Acabou. Porquê? O sectarismo e o pacovismo minaram os comentários, provocando a debandada da maior parte dos redactores, até ao seu encerramento definitivo. Ao princípio confunde-se a má educação e a inabilidade com a surpresa que nos provoca algo de novo. Mas depois percebe-se que a inabiladade alimenta o imobilismo. Ou seja, o que é preciso é dar cabo sem olhar a meios. É certo que esta coisa dos blogues vai um dia provocar menos circulação, mas há malta que está a sair muito cedo para a berma. Talvez seja a estabilização de um meio de comunicação. Mas não é certo que seja essa a face mais interessante de um meio como este.
Teme-se que outros sigam a via da desistência. Recentemente tenho reparado que o dizer bem, o esplanar e o urso manhoso, andam arredados do terreno.
Espero não ter que os tirar da lista aqui do lado.
Até logo.
JTD
É pena. O Barnabé era uma razão para nos determos com assiduidade perante o vidro electrónico.
Acabou devido a sectarismos pouco recomendáveis. Os sectarismos são sempre pouco recomendáveis.
Não foi o primeiro nem será o último. Durante o ano de 2004 mantive actividade no "Sadinos". Um dos mais frequentados na altura.
Acabou. Porquê? O sectarismo e o pacovismo minaram os comentários, provocando a debandada da maior parte dos redactores, até ao seu encerramento definitivo. Ao princípio confunde-se a má educação e a inabilidade com a surpresa que nos provoca algo de novo. Mas depois percebe-se que a inabiladade alimenta o imobilismo. Ou seja, o que é preciso é dar cabo sem olhar a meios. É certo que esta coisa dos blogues vai um dia provocar menos circulação, mas há malta que está a sair muito cedo para a berma. Talvez seja a estabilização de um meio de comunicação. Mas não é certo que seja essa a face mais interessante de um meio como este.
Teme-se que outros sigam a via da desistência. Recentemente tenho reparado que o dizer bem, o esplanar e o urso manhoso, andam arredados do terreno.
Espero não ter que os tirar da lista aqui do lado.
Até logo.
JTD
segunda-feira, 4 de julho de 2005
Salão Erótico de Lisboa (outra vez)
No dia 8 de Junho coloquei aqui um comentário ao Salão Erótico de Lisboa. A imagem que o ilustrava suscitou um veemente protesto da minha amiga e colega de blogue Ana Lúcia Fernandes, apelando ao elenco feminino (Raquel Rainho) no sentido do exercício do direito à indignação face ao meu comentário machista (diz ela).
Minha querida Ana, devo esclarecer que não pus os pés no referido certame. Nem nunca foi minha intenção fazê-lo. A sexualidade vivo-a na intimidade, como acho que deve ser. O post serviu apenas para fazer uma brincadeira com os candidatos lisboetas à presidência da câmara. Se calhar sem sucesso, já que o que ficou foi a alegada alarvidade da imagem que encimava o comentário (confesso que foi para fazer subir as audiências).
Quanto à democratização da colocação de "bonecos" nesta página, faz favor. É só botar eles aí no pedaço. Não há interdições nem linhas de orientação previamente delineadas. Liberdade total. Fez-se Abril para quê?!
JTD
Minha querida Ana, devo esclarecer que não pus os pés no referido certame. Nem nunca foi minha intenção fazê-lo. A sexualidade vivo-a na intimidade, como acho que deve ser. O post serviu apenas para fazer uma brincadeira com os candidatos lisboetas à presidência da câmara. Se calhar sem sucesso, já que o que ficou foi a alegada alarvidade da imagem que encimava o comentário (confesso que foi para fazer subir as audiências).
Quanto à democratização da colocação de "bonecos" nesta página, faz favor. É só botar eles aí no pedaço. Não há interdições nem linhas de orientação previamente delineadas. Liberdade total. Fez-se Abril para quê?!
JTD
Circo autárquico
Ou muito me engano ou a campanha eleitoral para as autarquias locais vai atingir níveis nunca antes alcançados.
Basta olhar para as listas propostas e seus apoios para perceber-mos que o circo se aproxima.
Falo das zonas onde circulo: Lisboa e Setúbal, mas poderíamos alargar a festa a Oeiras, Gondomar ou Amarante, só para mencionarmos as mais mediáticas.
Gostava, contudo, de insidir sobre a campanha na minha área geográfica.
Assim: em Lisboa o desespero está a atingir o decoro de Carrilho. Dispara em todas as direcções. De um candidato com a dimensão cultural do professor esperava-se mais. As atitudes que exibe são próprias de políticos vulgares. Provincianos.
Em Palmela é anunciada com pompa a candidatura de Octávio Malvado, perdão, Machado. E quem se disponibiliza para o apoiar? Edgar Costa, ex-presidente da autarquia eleito pelo PCP, Jaime Pacheco, treinador de futebol, conhecido pela sua constante actividade cívica e política, e o fabuloso, o extraordinário, o cidadâo superior - Toy. Esse mesmo, o destemido cantor de intervenção, como já foi chamado por um orgão de informação da câmara de Setúbal, vai apoiar o candidato do PSD em Palmela. Mudou de ideário político? Nada disso, como ser superior que é, apoia quem quer - Em Palmela o inenarrável Octávio. Em Setúbal Carlos de Sousa, apostando na continuidade.
Agora a sério: o que está em causa não é a criatura apoiar quem quer, mas sim como é que alguém com a mínima formação cultural (deve ser mesmo mínima) requer o seu apoio. Esperemos que em Palmela não tenha oportunidade para dizer o que disse após o resultado das anteriores eleições camarárias, atribuindo a si próprio a maioritária votação na CDU. Claro que é muito pouco provável, mas não deixa de causar um arrepio imaginar Octávio Malvado, perdão, Machado, eleito como autarca. Livra!
JTD
Basta olhar para as listas propostas e seus apoios para perceber-mos que o circo se aproxima.
Falo das zonas onde circulo: Lisboa e Setúbal, mas poderíamos alargar a festa a Oeiras, Gondomar ou Amarante, só para mencionarmos as mais mediáticas.
Gostava, contudo, de insidir sobre a campanha na minha área geográfica.
Assim: em Lisboa o desespero está a atingir o decoro de Carrilho. Dispara em todas as direcções. De um candidato com a dimensão cultural do professor esperava-se mais. As atitudes que exibe são próprias de políticos vulgares. Provincianos.
Em Palmela é anunciada com pompa a candidatura de Octávio Malvado, perdão, Machado. E quem se disponibiliza para o apoiar? Edgar Costa, ex-presidente da autarquia eleito pelo PCP, Jaime Pacheco, treinador de futebol, conhecido pela sua constante actividade cívica e política, e o fabuloso, o extraordinário, o cidadâo superior - Toy. Esse mesmo, o destemido cantor de intervenção, como já foi chamado por um orgão de informação da câmara de Setúbal, vai apoiar o candidato do PSD em Palmela. Mudou de ideário político? Nada disso, como ser superior que é, apoia quem quer - Em Palmela o inenarrável Octávio. Em Setúbal Carlos de Sousa, apostando na continuidade.
Agora a sério: o que está em causa não é a criatura apoiar quem quer, mas sim como é que alguém com a mínima formação cultural (deve ser mesmo mínima) requer o seu apoio. Esperemos que em Palmela não tenha oportunidade para dizer o que disse após o resultado das anteriores eleições camarárias, atribuindo a si próprio a maioritária votação na CDU. Claro que é muito pouco provável, mas não deixa de causar um arrepio imaginar Octávio Malvado, perdão, Machado, eleito como autarca. Livra!
JTD
domingo, 3 de julho de 2005
O Retrato de uma sociedade
Já cá se sabe que aprecio os textos de Luís Sequeira no Abnegado. São opiniões lúcidas e com sentido de oportunidade. Em "O Retrato de uma sociedade" fiquei a saber que o PPM é actualmente uma sociedade unipessoal, gerida por um fadista e engrossada pela sua família e amigos. Fiquei a saber também que esses amigos são gente de uma invulgar qualidade.
José Castelo Branco candidato à autarquia de Sintra, já!
JTD
José Castelo Branco candidato à autarquia de Sintra, já!
JTD
quinta-feira, 30 de junho de 2005
Ricardo Correia
Morreu o Ricardo Correia. Era meu amigo e colega na associação de pais da Escola de Bocage (antigo liceu), em Setúbal.
Um homem que dedicou muito do seu tempo ao exercício da cidadania. Um cidadão bem formado que prezava o convívio, inventando situações para estar com as pessoas que com ele gostavam de estar.
Nem sempre estavamos de acordo. Tinhamos posições políticas diferentes. Mas não parecia. Por uma razão muito simples: eramos amigos. Ficou adiado para sempre o encontro que marcámos por causa do final de mandato da associação.
Não sei se me apetece pertencer a outra associação de pais.
Vou lembrar-me do Ricardo.
JTD
Um homem que dedicou muito do seu tempo ao exercício da cidadania. Um cidadão bem formado que prezava o convívio, inventando situações para estar com as pessoas que com ele gostavam de estar.
Nem sempre estavamos de acordo. Tinhamos posições políticas diferentes. Mas não parecia. Por uma razão muito simples: eramos amigos. Ficou adiado para sempre o encontro que marcámos por causa do final de mandato da associação.
Não sei se me apetece pertencer a outra associação de pais.
Vou lembrar-me do Ricardo.
JTD
Era uma vez um arrastão
Um vídeo de Diana Andringa
Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país "o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal.
O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e "gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.
ERA UMA VEZ UM ARRASTÃO passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.
Apresentação pública
Quinta-feira, 30 de Junho, 21:30h
Videoteca Municipal de Lisboa, Largo do Calvário (Alcântara)
A apresentação será seguida de debate com a presença de:
Miguel Gaspar (jornalista, DN)
Rui Marques (Alto-Comissário adjunto para a Imigração e Minorias Étnicas)*
Rui Pena Pires (sociólogo, ISCTE)
José Rebelo (jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita (jornalista, professor universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)* * a confirmar
Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país "o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal.
O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e "gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.
ERA UMA VEZ UM ARRASTÃO passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.
Apresentação pública
Quinta-feira, 30 de Junho, 21:30h
Videoteca Municipal de Lisboa, Largo do Calvário (Alcântara)
A apresentação será seguida de debate com a presença de:
Miguel Gaspar (jornalista, DN)
Rui Marques (Alto-Comissário adjunto para a Imigração e Minorias Étnicas)*
Rui Pena Pires (sociólogo, ISCTE)
José Rebelo (jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita (jornalista, professor universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)* * a confirmar
sexta-feira, 24 de junho de 2005
Portugal é um país bem porreirinho
O que a malta gosta é de brilhar lá fora. Quando se soube que o Papa Bento gostava de vinho do Porto, alguns jornalistas da televisão entraram em transe. Não se calavam com tão empolgante novidade. Agora, um condutor de fórmula 1 fica em terceiro lugar entre seis concorrentes, e vá de dar vivas aos feitos lusos. Se tal proeza tivesse acontecido a tempo de o hábil corredor poder receber uma medalha no 10 de Junho, calhando já a tinha ao peito. Vocês riem? Então não foi o que aconteceu a Pedro Lamy? Nunca mais fez mais nada de jeito, mas a comenda ornamenta a existência da criatura. Portugal é um país bem porreirinho. Um bocadinho parolo, mas porreirinho.
JTD
JTD
quarta-feira, 22 de junho de 2005
Ruidosos meliantes
Assisti hoje, ao fim da tarde, a uma gigantesca manifestação de agentes da autoridade. Foi no Rossio. A pouca distância de mim caminhava uma bonita rapariga a quem os respeitáveis agentes não foram indiferentes, exprimindo alguns mimos de substantivo bom gosto. Afinal tratava-se apenas de uma rapariga. Uma simples criatura condenada a trabalhar até aos sessenta e cinco anos. Um ser humano, é certo, mas sem os direitos que os ruidosos manifestantes mantém até agora.
Chegada a casa, nos noticiários televisivos, assisto às reportagens sobre o grandioso acontecimento. Lá estava um exaltado senhor manifestando a sua revolta pela dilatação dos anos de trabalho. Estava cansado de tanto trabalhar, coitado. Até houve uma missa, rezada por um polícia/padre, e não faltou um manequim deitado num caixão, simbolizando uma morte recente de um colega dos foliões, demonstrando um elevado sentido de formação humanística. Assim, à paisana, não passam de ruidosos burgessos. A grande crise é a reforma aos sessenta e cinco. Se tudo correr bem, também eu. Onde está a crise, senhores guardas? Estão a pensar ser felizes só depois de reformados? Estão cansadinhos?
Azarucho.
RR
Chegada a casa, nos noticiários televisivos, assisto às reportagens sobre o grandioso acontecimento. Lá estava um exaltado senhor manifestando a sua revolta pela dilatação dos anos de trabalho. Estava cansado de tanto trabalhar, coitado. Até houve uma missa, rezada por um polícia/padre, e não faltou um manequim deitado num caixão, simbolizando uma morte recente de um colega dos foliões, demonstrando um elevado sentido de formação humanística. Assim, à paisana, não passam de ruidosos burgessos. A grande crise é a reforma aos sessenta e cinco. Se tudo correr bem, também eu. Onde está a crise, senhores guardas? Estão a pensar ser felizes só depois de reformados? Estão cansadinhos?
Azarucho.
RR
Robert Ryman | Gonçalo M. Tavares
A água
No café trazem-me um copo com água
como se ele resolvesse todos os meus problemas.
É ridículo - penso - não há saída.
No entanto, depois de beber a água
fico sem sede.
E a sensação exclusiva do organismo
acalma-me por momentos.
Como eles sabem de filosofia - penso -
e regresso, logo a seguir, à angústia.
Gonçalo M. Tavares Texto
Robert Ryman Imagem
terça-feira, 21 de junho de 2005
Conversas de bolso no teatro
A conversa com o Mega é hoje, pela noitinha, no Teatro de Bolso.
Quem tiver possibilidade e vontade de conversar, apareça.
Até logo.
JTD
Quem tiver possibilidade e vontade de conversar, apareça.
Até logo.
JTD
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Conversas de bolso no teatro
António Mega Ferreira vai estar amanhã em Setúbal, no Teatro de Bolso, para apresentar os seus mais recentes livros.
"O erotismo na ficção portuguesa do séc.XX" e "O Tempo que nos cabe" são os livros em apreciação neste encontro do escritor com os leitores.
O primeiro é uma antologia de textos eróticos de autores portugueses, e é publicado pela Texto. "O Tempo que nos cabe" já aqui foi referido neste blogue. Trata-se de um livro de poemas recentes e é editado pela Assírio & Alvim.
A sessão tem início por volta das nove e meia da noite, no teatro de bolso do TAS, ali para os lados da Av. dos Combatentes. Mais precisamente na Rua Aníbal Alvares da Silva, 9.
Vai ser giro, prometo.
JTD
domingo, 19 de junho de 2005
Imbecil, mas não só
O imbecil a que fiz menção aqui ontem, a propósito da manifestação de extrema-direita no Rossio, chama-se Mário Machado e esteve preso pelo assassinato de Alcino Monteiro, em 1996. Percebi isto ao ler a excelente reportagem, da autoria de Maria José Oliveira e Patrícia Vieira Ferreira, que o PÚBLICO traz hoje sobre o vergonhoso evento.
Falamos de um imbecil, de facto, mas não de um imbecil inocente. É um criminoso, o líder da manifestação xenófoba. Um assassino com um passado de que se orgulha, por certo.
Esperemos que não tenha futuro.
JTD
Falamos de um imbecil, de facto, mas não de um imbecil inocente. É um criminoso, o líder da manifestação xenófoba. Um assassino com um passado de que se orgulha, por certo.
Esperemos que não tenha futuro.
JTD
sábado, 18 de junho de 2005
A imbecilidade não tem pátria
A SIC-N passou uma reportagem em directo sobre a manifestação de extrema-direita na baixa de Lisboa.
Um dos cretinos que organizou a acção diz ter um grande orgulho em ser branco.
Será que não tem orgulho em mais nada? De facto, é um pouco estranho alguém ter orgulho em ser parvo. Mas ter como grande motivo de orgulho o facto de ter nascido, (sem qualquer possibilidade de intervenção própria) com a pele dita branca, é no mínino escasso. Que esperávamos nós desta gente obtusa e sem ideias? Uma surpreendente manifestação de requinte e sofisticação estimulando a boa convivência entre os cidadãos?
O pior de Portugal e da sua gente esteve hoje na baixa da capital.
JTD
Um dos cretinos que organizou a acção diz ter um grande orgulho em ser branco.
Será que não tem orgulho em mais nada? De facto, é um pouco estranho alguém ter orgulho em ser parvo. Mas ter como grande motivo de orgulho o facto de ter nascido, (sem qualquer possibilidade de intervenção própria) com a pele dita branca, é no mínino escasso. Que esperávamos nós desta gente obtusa e sem ideias? Uma surpreendente manifestação de requinte e sofisticação estimulando a boa convivência entre os cidadãos?
O pior de Portugal e da sua gente esteve hoje na baixa da capital.
JTD
quinta-feira, 16 de junho de 2005
Reclamação
Então agora andas a pôr coisas de teor um tanto machista no blog? É que achei aquela foto com aquela mamalhuda um pouco de mau gosto, e com um viés profundamente masculino. Explico: é que é uma foto nitidamente de um ponto de vista masculino, pq só a "gaija" tá peladona e o "gaijo" muito vestido. Ou colocas as coisas no mesmo pé de igualdade (no caso os dois em pêlo) ou então não colocas nada, para seres justo e equânime, né? Eu, enquanto "gaija" do blog, deixo aqui o meu protesto. Ah, e a Raquel Rainho, se pudesse falar, certamente concordaria comigo...
ALF
ALF
quarta-feira, 15 de junho de 2005
Edward Hopper | António Mega Ferreira
NIGHTHAWK, 1942
Está tudo dito - o vestido
vermelho e
a tensa indecisão
da mulher que o veste -
a imprecisa circunstância,
por estar ali, porque há-de
estar ali, do que jogou
à roleta russa e ganhou
o direito ao purgatório eterno
da insónia -
e o que está com a mulher
ruiva, ele de chapéu,
perguntando-se se alguém está
com alguém
no campo iluminado deste quadro.
Só não se disse a cegueira
fatal da fachada mesmo em
frente
como o que está diante
daquele que não se vê
as amplas escuras janelas
(entreabertas?)
deixando que o mais negro
da noite
as ilumine, coisas
estáticas (mortas?)
na imobilidade geral
da cena
tão naturalmente irreal
que ninguém, é certo,
a não ser o olhar de Hopper,
fixamente á espera que
alguma coisa mexesse
na trágica serenidade que
o mundo encerra.
Este poema pertence ao mais recente livro deAntónio Mega Ferreira, pubicado pela Assírio & Alvim.
Um livro que convoca memórias, instantes, amizades, passagens pelo tempo - "O Tempo que nos cabe", é o título.
Um belíssimo trabalho, (capa com polaroid de Ilda David) com belíssimos poemas lá dentro.
Uma obra que merece ser lida e onde apetece voltar, como quem volta aos lugares bons, onde aconteceram coisas boas.
Um bom livro, portanto. JTD
Pintura de Edward Hopper
terça-feira, 14 de junho de 2005
René Bertholo
Foi um dos grandes pintores da sua geração. Figura destacada das artes plásticas em Portugal.
Foi companheiro de trabalho, tertúlia e insatisfação de Lurdes Castro, Costa Pinheiro, Christo, Jan Voss, José Escada, Gonçalo Duarte, João Vieira e muitos outros.
Com alguns fez a revista "KWY", publicação marcante em meados do século passado.
Inventou máquinas inúteis: deslumbrantes objectos estéticos reveladores de uma impressionante imaginação.
Respondeu a um desafio de Sérgio Godinho: desenhou a capa do seu disco "Coincidências". Um bonito trabalho ainda do tempo do vinil.
Fez muita coisa bem feita.
Também morreu agora. Também é uma grande perda para a cultura portuguesa e para Portugal.
Que dias...
JTD
segunda-feira, 13 de junho de 2005
Eugénio de Andrade
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
Dias tristes
Terá sido uma secreta combinação? Em poucas horas desaparecem Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade.
O país fica sem três personagens marcantes da segunda metade do séc. XX.
Os dois primeiros na vida política. Eugénio como figura maior das letras portuguesas.
Todos homens de grande cultura. Todos homens com vontade firme de intervir na vida do seu tempo.
Viveram intensamente as suas vidas, é certo. Mas é sempre triste assistir ao seu fim.
Dias tristes, estes.
JTD
sexta-feira, 10 de junho de 2005
Bom trabalho
Ora aí está um fim-de-semana prolongado inteirinho para gastar.
Vai toda a malta trabalhar... para o bronze. Não se preocupe, senhor primeiro-ministro, vai ver que a partir de terça-feira o pessoal parece outro, com umas cores e uma vontade de participar que só visto. O país parece outro no verão. As portuguesas e os portugueses ficam mais bonitos bronzeados, e toda a gente sabe que mais bonitas, as pessoas ficam com mais capacidades. bom trabalho.
RR
quinta-feira, 9 de junho de 2005
Papá presidente
Manuel Maria Carrilho apresentou a candidatura à câmara da capital.
Lá estava a sua amantíssima esposa e o mais recente membro da família - o pequeno Diniz Maria. Só faltou a pequena cadelinha Lola, famosa pelas aparições no programa de Bárbara Guimarães gravados para a SIC na esplanada da "Bica do sapato", para abrilhantar o evento e cativar os amantes dos animais. Bárbara perguntava ao petiz, em écran gigante, qualquer coisa como: qual será o melhor presidente da câmara? Ao que o rapazinho respondia: "O papá". Voltamos à saga do menino guerreiro. Agora temos menino. Não sei é se teremos guerreiro.
O que me lixa é que Carrilho é o candidato mais a jeito para derrotar a direita. Só que está muito ao jeito da parolice "socialite".
Não há necessidade de a esquerda usar trunfos pindéricos tão ao gosto do público da quinta das celebridades. É bem certo que tudo o que é pequenino tem graça, como recordou Fernando Alves numa divertida crónica na TSF, mas a pequenez irrita. Lisboa está um caos. A culpa é da dupla Santana/Carmona. Carmona é o homem do túnel. Dizem por aí que é mais sério que Santana. E Carrilho é desonesto? Não é competente? Não tem ideias para colocar Lisboa no mapa das cidades mais cosmopolitas do mundo? Claro que sim. Tem é este problema: não resiste a um bom festival de egocentrismo. É pena. Não havia necessidade, mesmo. JTD
quarta-feira, 8 de junho de 2005
Salão Erótico
O Salão Erótico de Lisboa está aí a rebentar. É já no final deste mês na FIL do Parque das Nações.
Lisboa está em festa. De resto é o que acontece todos os anos em Junho, mas este Salão Erótico vem trazer outro colorido ao cortejo. Como em tempo eleitoral tudo o que expõe é precioso, esperemos que todos os candidatos camarários respondam à chamada e se desloquem a esta vistosa iniciativa.
Já estou a ver Carrilho entusiasmadíssimo com uma sessão de luta na lama. Ou Ruben, discreto mas atento a uma demonstração de bem usar o chicote na intimidade. Carmona visionando em estreia um novo filme com a mais badalada das porno star. Sá Fernandes, esse, para cumprir rigorosamente o slogan "Lisboa é gente", lá estará em todas. Todas as iniciativas, é claro. Ou não seja este um local onde gente não faltará, certamente.
JTD
terça-feira, 7 de junho de 2005
Pré campanha em Setúbal
Já aí andam os famosos outdors eleitorais: do PS, do PSD e da CDU.
A CDU limita-se a dizer que existe. Ok, nada a acrescentar.
O PS aposta em cartazes tipo "campanha regional na América latina". Uma letra que não lembra ao diabo, enquadramentos gráficos completamente fora, isto tudo apostando num candidato que não lembra ao menino Jesus.
O PSD aparece mais competente ao nível estético. Isto no caso de se tratar de uma candidatura para a chefia da polícia local. As combinações dos tons de azul, a postura de Negrão, a utilização da frase "Segurança tranquila", fazem lembrar o quê? E já agora, como será a segurança intranquila? Viva a segurança e viva a tranquilidade. Ou vivam as duas juntas. Será que o ex-ministro de Santana vive bem com as duas mesmo depois da intranquilidade em que permaneceu durante os quatro meses do governo trapalhão?
RR
A CDU limita-se a dizer que existe. Ok, nada a acrescentar.
O PS aposta em cartazes tipo "campanha regional na América latina". Uma letra que não lembra ao diabo, enquadramentos gráficos completamente fora, isto tudo apostando num candidato que não lembra ao menino Jesus.
O PSD aparece mais competente ao nível estético. Isto no caso de se tratar de uma candidatura para a chefia da polícia local. As combinações dos tons de azul, a postura de Negrão, a utilização da frase "Segurança tranquila", fazem lembrar o quê? E já agora, como será a segurança intranquila? Viva a segurança e viva a tranquilidade. Ou vivam as duas juntas. Será que o ex-ministro de Santana vive bem com as duas mesmo depois da intranquilidade em que permaneceu durante os quatro meses do governo trapalhão?
RR
Super vereadora
A vereadora da cultura da Câmara de Setúbal, numa entrevista a um jornal local, presenteou-nos com dois simpáticos mimos de prosa.
O primeiro foi mais ou menos assim - "Inventámos dinheiro".
O outro, ainda mais surpreendente e referindo-se a uma ornamentação luminosa a instalar no museu do trabalho, foi - "Vai-se ver do rio".
Em relação à primeira declaração, o que me ocorre assim derepentemente é uma chamadinha do primeiro-ministro para uma oportuna substituição do ministro das finanças - Dores Meira para as Finanças, já!
Quanto ao segundo acto cultural da senhora é que não me ocorre nada. Que é completamente preenchida de ideias ao nível cultural, já cá se sabia. Mas esta subtil demonstração de bom gosto não deixa de nos surpreender. Atitudes destas deviam ser premiadas. E são. A distinta edil vai continuar a trabalhar em prol da cultura e da arte setubalenses nos próximos anos. Assim nos dita a coligação eleitoral de que faz parte. Bem hajam. Eu, pelo sim pelo não, vou continuar a apanhar o comboio todos os dias. Convém não perder o trem da contemporaneidade. Mas não tenho nada contra a política cultural do gambozino. Há público para tudo e para todos. RR
O primeiro foi mais ou menos assim - "Inventámos dinheiro".
O outro, ainda mais surpreendente e referindo-se a uma ornamentação luminosa a instalar no museu do trabalho, foi - "Vai-se ver do rio".
Em relação à primeira declaração, o que me ocorre assim derepentemente é uma chamadinha do primeiro-ministro para uma oportuna substituição do ministro das finanças - Dores Meira para as Finanças, já!
Quanto ao segundo acto cultural da senhora é que não me ocorre nada. Que é completamente preenchida de ideias ao nível cultural, já cá se sabia. Mas esta subtil demonstração de bom gosto não deixa de nos surpreender. Atitudes destas deviam ser premiadas. E são. A distinta edil vai continuar a trabalhar em prol da cultura e da arte setubalenses nos próximos anos. Assim nos dita a coligação eleitoral de que faz parte. Bem hajam. Eu, pelo sim pelo não, vou continuar a apanhar o comboio todos os dias. Convém não perder o trem da contemporaneidade. Mas não tenho nada contra a política cultural do gambozino. Há público para tudo e para todos. RR
domingo, 5 de junho de 2005
Cá estamos
Pedimos desculpa por esta ausência de comentários na última semana.
Voltámos. A partir de amanhã preencheremos este espaço com a habitual regularidade.
Voltámos. A partir de amanhã preencheremos este espaço com a habitual regularidade.
segunda-feira, 30 de maio de 2005
Júlio Pomar | Claude Michel Cluny
"A Galeria João Esteves Oliveira, vaidosa de ser palco do lançamento em Portugal da obra de dois tais vultos da cultura europeia contemporânea, gostaria de poder ver aqui o início de uma intervenção convicta e aficcionada, embora marginal, na edição de obras de bibliofilia que reúnem literatura e artes plásticas. Afinal trata-se de TRABALHOS SOBRE PAPEL. E não quaisquer."
João Esteves Oliveira Excerto do texto do convite
O convite convoca-nos para o lançamento do livro "La mémoire du sel" de Claude Michel Cluny, acompanhado de "Le sel de la mémoire" de Júlio Pomar.
Terá lugar na Galeria João Esteves Oliveira, no próximo dia 2 de Junho, quinta-feira, entre as 19 e as 22 horas.
Diogo Dória dirá alguns poemas habitantes das publicações. De resto, já se sabe, estes eventos na galeria da rua Ivens são imperdíveis. Digo eu, claro. JTD
Galeria João Esteves Oliveira
Rua Ivens, 38, Lisboa
Horário: terça a sábado das 11 às 19,30 horas | segunda das 15 às 19,30 horas.
Telefone 21 325 99 40
quinta-feira, 26 de maio de 2005
Há teatro na avenida
Hoje foi feriado. Fiquei em casa a organizar trabalho para as próximas semanas. A meio da tarde liguei a caixa de imagens. Voltas e mais voltas pelas dezenas de canais disponíveis, até que alguém me faz parar na SIC-mulher. Era Paulo Autran que estava a ser entrevistado por Ana Marques. Ana sabe entrevistar. Paulo é um conversador delicioso. Uma grande figura do teatro do mundo. Um homem culto e conhecedor das vantagens e desvantagens de estar vivo e andar por aí. Paulo Autran está em Portugal com uma peça, no Tivoli, até ao dia 5 de Junho. Eu sabia da teatrada no sala da avenida da Liberdade, mas esta conversa no "Elas em Marte" com Ana Marques veio convocar-me para uma deslocação ao teatro. Bons actores fazem, muito provavelmente, bom teatro. É isso que me espera, espero.JTD
Visitando Mr. Green
De Jeff Baron
Encenação de Elias Andreato
Com Paulo Autran e Dan Stulbach
Quarta a sábado - 21,30 h.
Domingo 19,00 h.
Visitando Mr. Green
De Jeff Baron
Encenação de Elias Andreato
Com Paulo Autran e Dan Stulbach
Quarta a sábado - 21,30 h.
Domingo 19,00 h.
terça-feira, 24 de maio de 2005
Um lutador às direitas
Marques Mendes não apoia o aumento de impostos. Nós, obviamente, também não.
Mendes é contra o sigílo bancário. Nós também, desde o tempo em que ele estava calado sobre o assunto.
Claro que o dr. Mendes é contra a perda do poder de compra dos portugueses. Nós também achamos que isso é uma grande merda. O sr. Marques é por tudo aquilo que nós somos. Ou seja, é favorável ao bem estar dos povos. É um autêntico lutador pelas causas das minorias. Aliás não é por acaso que o mais recente governo do seu partido declarou o fim dos tempos difíceis. Estava tudo preparado para sermos um país próspero e em grande desenvolvimento. Ele que até foi um dos governantes com mais tempo de governo. Com Cavaco, sem Cavaco, ele é incansável. Invencível mesmo.
Nem a vergonha o vence.
JTD
Mendes é contra o sigílo bancário. Nós também, desde o tempo em que ele estava calado sobre o assunto.
Claro que o dr. Mendes é contra a perda do poder de compra dos portugueses. Nós também achamos que isso é uma grande merda. O sr. Marques é por tudo aquilo que nós somos. Ou seja, é favorável ao bem estar dos povos. É um autêntico lutador pelas causas das minorias. Aliás não é por acaso que o mais recente governo do seu partido declarou o fim dos tempos difíceis. Estava tudo preparado para sermos um país próspero e em grande desenvolvimento. Ele que até foi um dos governantes com mais tempo de governo. Com Cavaco, sem Cavaco, ele é incansável. Invencível mesmo.
Nem a vergonha o vence.
JTD
segunda-feira, 23 de maio de 2005
Mário Cesariny | Barnett Newman
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Mário Cesariny Texto
Barnett Newman Imagem
sábado, 21 de maio de 2005
quinta-feira, 19 de maio de 2005
LisboaPhoto 2005
Começou a LisboaPhoto. A cidade ficou, desde ontem, como se de uma galeria de arte fotográfica se tratasse. Hoje editamos o texto que apresenta Aaron Siskind. Um dos fotógrafos mais salientes nesta mostra. Continuaremos a ir às exposições nos próximos dias.
"Aaron Siskind é uma das figuras emblemáticas da fotografia modernista norte-americana. A partir da década de 40, e sob influência do movimento abstracto-expressionista na pintura, Siskind passou a desenvolver uma fotografia tendencialmente abstracta, assente num metódico e fortemente estruturado programa de enquadramento de detalhes da realidade física, aliando um grande rigor técnico a uma apurada expressão plástica. Nesta exposição, apresenta-se uma antologia da obra de Aaron Siskind, com maior destaque para as suas séries abstractas."
Aaron Siskind Museu Nacional de Arte Antiga.
quarta-feira, 18 de maio de 2005
As causas de Portas
O arquitecto Nuno Portas foi galardoado com o prémio "Sir Patrick Abercromble", de Urbanismo, pela União Internacional de Arquitectos.
Portas foi aquele senhor que há umas décadas atrás despertou-nos para o disparate que seria construir sem rei nem roque. Alguns de nós lembramo-nos deste alerta. Mas parece que quem poderia decidir, decidiu mal. Neste momento temos mais casas do que moradores, ainda por cima havendo gente que habita casas pouco habitáveis. A culpa? É do chamado Poder Local Democrático, que sendo uma importante conquista da Democracia, é também um dos seus maiores atropelos.
Nuno Portas, o arquitecto urbanista, bem chamou a atenção para o risco de ocorrerem deliberações pouco apreciáveis nessa área: a eterna confusão entre desenvolvimento e crescimento. Cá não foi ouvido, mas ainda há quem reconheça os méritos da inteligência contra o terrorismo urbanístico.
JTD
Portas foi aquele senhor que há umas décadas atrás despertou-nos para o disparate que seria construir sem rei nem roque. Alguns de nós lembramo-nos deste alerta. Mas parece que quem poderia decidir, decidiu mal. Neste momento temos mais casas do que moradores, ainda por cima havendo gente que habita casas pouco habitáveis. A culpa? É do chamado Poder Local Democrático, que sendo uma importante conquista da Democracia, é também um dos seus maiores atropelos.
Nuno Portas, o arquitecto urbanista, bem chamou a atenção para o risco de ocorrerem deliberações pouco apreciáveis nessa área: a eterna confusão entre desenvolvimento e crescimento. Cá não foi ouvido, mas ainda há quem reconheça os méritos da inteligência contra o terrorismo urbanístico.
JTD
terça-feira, 17 de maio de 2005
Fernando Magalhães
Fernando Magalhães morreu. Há muitos anos que me aconselhava com entusiasmo e talento a excelência dos seus sons. Nunca o conheci pessoalmente, mas cada vez que o lia nas páginas do PÙBLICO, BLITZ ou mais recentemente em www.forumsons.com, sentia-me como se fosse membro da sua roda de amigos. É assim: A gente escolhe os cronistas que mais nos falam ao ouvido, porque nos dizem o que é grato ouvir, e depois sente a estupidez da ausência com a tristeza de uma grande perda.
O PÚBLICO de hoje edita resumos de alguns textos do Fernando. Passo para aqui um que fala de um autor que ele me revelou, e que desde entâo não perco de vista: Robert Wyatt.
"Estados de alma que tanto exigem, para se fazerem ouvir, do canto panfletário da Internacional Socialista, como se encolhem num balbuciar triste e, por vezes, incoerente, de uma criança ferida. Ou de um louco encarcerado na certeza das suas próprias convicções. De um poço como Rock Bottom não se sai igual ao que entrou."
JTD
O PÚBLICO de hoje edita resumos de alguns textos do Fernando. Passo para aqui um que fala de um autor que ele me revelou, e que desde entâo não perco de vista: Robert Wyatt.
"Estados de alma que tanto exigem, para se fazerem ouvir, do canto panfletário da Internacional Socialista, como se encolhem num balbuciar triste e, por vezes, incoerente, de uma criança ferida. Ou de um louco encarcerado na certeza das suas próprias convicções. De um poço como Rock Bottom não se sai igual ao que entrou."
JTD
segunda-feira, 16 de maio de 2005
Maria Bethânia | Vinícius de Moraes
Maria Bethânia acabou de lançar, aqui no Brasil, pela gravadora Biscoito Fino, "Que falta você me faz - músicas de Vinícius de Moraes". Belíssimas reinterpretações de clássicos do poeta em parcerias antológicas com Tom Jobim, Chico Buarque, Carlos Lyra, Toquinho, Baden Powell, entre outros, surgem na voz da cantora que teve em Vinícius um de seus principais incentivadores quando, ainda jovem e desconhecida, chegava ao Rio, vinda da Bahia, para participar dos shows do Teatro Opinião, em 1965. Pode-se ter uma idéia da cumplicidade estabelecida entre a cantora iniciante e o poeta consagrado por meio das lindas fotos dos dois que aparecem no encarte e da própria escolha das músicas. Bethânia recria com emoção e intensidade algumas das canções mais bonitas e tristes da música brasileira. Mas como o próprio Vinícius já disse (em parceria com Baden Powell, em Samba da Bênção) que pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, só nos resta entristecer prazeirosamente com o cd de Bethânia, presença obrigatória na discoteca daqueles que apreciam o Poetinha, como era carinhosamente chamado pelos parceiros de música e copos. Para o público português, se uma ida à Fnac não surtir efeito, fica a sugestão de visita ao site: biscoitofino
ALF
sexta-feira, 13 de maio de 2005
quarta-feira, 11 de maio de 2005
Tudo bons rapazes
Uns senhores do PP foram constituídos arguidos num processo de tráfico de influências. Isto quer dizer que a Justiça decidiu investigar as actividades de financiamento partidário ilícito.
Luis Nobre Guedes é um dos nomes sonantes implicados. Telmo Correia, enquanto ministro da tutela, diz que agiu de boa fé ao assinar o despacho que viabilizou a ilegalidade. Santana diz que não sabe de quem é a responsabilidade. Não sabem nada de nada. Não se sentem desconfortáveis com a situação. Estiveram no governo apenas quatro meses. Fizeram o que puderam. Não fizeram mais porque nós não deixámos. A intenção destes rapazes era fazer o que lhes apetecesse sem passar cavaco a ninguém. Tudo sem más intenções. Tudo bons rapazes, portanto.
JTD
Luis Nobre Guedes é um dos nomes sonantes implicados. Telmo Correia, enquanto ministro da tutela, diz que agiu de boa fé ao assinar o despacho que viabilizou a ilegalidade. Santana diz que não sabe de quem é a responsabilidade. Não sabem nada de nada. Não se sentem desconfortáveis com a situação. Estiveram no governo apenas quatro meses. Fizeram o que puderam. Não fizeram mais porque nós não deixámos. A intenção destes rapazes era fazer o que lhes apetecesse sem passar cavaco a ninguém. Tudo sem más intenções. Tudo bons rapazes, portanto.
JTD
segunda-feira, 9 de maio de 2005
Gustav Klimt | António Mega Ferreira
Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência. A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso. E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.
António Mega Ferreira Texto
Gustav Klimt Imagem
domingo, 8 de maio de 2005
Responsáveis e responsabilidades
Estou a assistir a uma entrevista a João Goulão na SIC-N.
Goulão é o novo presidente do Instituto que tutela o combate à droga. Recusou colaborar com o mediático Negrão quando este foi o responsável pelo lugar. Nesta entrevista que a SIC-N agora passa é possível ver as diferenças. Fernando Negrão, que agora resolveu entrar no combate autárquico, não adiantou, muito pelo contrário deixou na mesma este outro combate que com todas as medalhas de juíz sério e eficiente, foi levado a abraçar. Sérios, seremos todos: os que querem ver, o mais possível resolvidas, as maleitas que nos afligem nos nossos dias. Mas sério e conhecedor dos problemas que se propõe combater, de facto, é o médico João Goulão. Os "socialites" em posição de ocupar qualquer lugar, seja qual for, já não fazem parte das escolhas dos cidadãos responsáveis. O santanismo morreu e está enterrado. Que a terra lhe seja leve...
JTD
Goulão é o novo presidente do Instituto que tutela o combate à droga. Recusou colaborar com o mediático Negrão quando este foi o responsável pelo lugar. Nesta entrevista que a SIC-N agora passa é possível ver as diferenças. Fernando Negrão, que agora resolveu entrar no combate autárquico, não adiantou, muito pelo contrário deixou na mesma este outro combate que com todas as medalhas de juíz sério e eficiente, foi levado a abraçar. Sérios, seremos todos: os que querem ver, o mais possível resolvidas, as maleitas que nos afligem nos nossos dias. Mas sério e conhecedor dos problemas que se propõe combater, de facto, é o médico João Goulão. Os "socialites" em posição de ocupar qualquer lugar, seja qual for, já não fazem parte das escolhas dos cidadãos responsáveis. O santanismo morreu e está enterrado. Que a terra lhe seja leve...
JTD
sábado, 7 de maio de 2005
Luiz Pacheco 80
Luiz Pacheco fez hoje 80 anos.
João Pedro George, do esplanar, foi falar com ele ao lar onde vive actualmente, no Príncipe Real.
O resultado é uma conversa sem papas na língua.
Recomenda-se.
sexta-feira, 6 de maio de 2005
Bom dia, ABRUPTO
O ABRUPTO faz hoje anos. José Pacheco Pereira alimenta este blogue que estimula a curiosidade diária de jornalistas, políticos e gente interessada em participar e intervir no dia-a-dia dos seus dias. O ABRUPTO pensa, repensa e revela-nos opiniões e ideias que interrogam.
E não é assim que se deve pensar?
Parabéns, e até já.
JTD
E não é assim que se deve pensar?
Parabéns, e até já.
JTD
quinta-feira, 5 de maio de 2005
Autarcas aos molhos
Em Setúbal, os candidatos a autarcas são de bradar aos céus. O PS já adiantou o seu: Catarino Costa. O PSD idem: Fernando Negrão. A CDU fica-se pelo actual presidente: Carlos de Sousa. Só o BE ainda não disse quem vai apresentar para desempatar as hostilidades. Perante o panorama, não é difícil adivinhar o quão grato deve estar o candidato da CDU aos seus colegas da oposição. É que entre o inócuo Catarino e a "esperança" que representa um ex-ministro do pior governo de que há memória, Carlos aguenta-te que o maralhal está contigo. És inelutável. Pelo menos as calçadas estão compostas, os pavimentos estão corrigidos e o lixo não cobre com a insistência corriqueira o chão da cidade.
Claro que se lamenta a "não inscrição" de uma política cultural. Claro que não há grandes ideias, nem atitudes com grande rasgo. Mas que é lá isso comparado com a ameaça das outras duas candidaturas?
JTD
quarta-feira, 4 de maio de 2005
Crentes em fúria
Em Timor, os dirigentes católicos incitam a população à revolta. Motivo: O governo decidiu retirar a disciplina de religião e moral do programa escolar, como cadeira obrigatória. Como se fosse anormal as pessoas poderem escolher a sua religião, ou optar por não confessar qualquer culto. Há sítios onde os católicos querem fazer lei, propondo-se substituir as orientações genéricas de um Estado de direito.
Terão medo de quê? De perder os fiéis? Fidelidade a quanto obrigas.
Serás crente, de pequenino, custe o que custar. Assim rezam os bispos timorenses.
RR
Terão medo de quê? De perder os fiéis? Fidelidade a quanto obrigas.
Serás crente, de pequenino, custe o que custar. Assim rezam os bispos timorenses.
RR
terça-feira, 3 de maio de 2005
Parece que se vai embora. Uff!
Santana deu uma entrevista à SIC. Confesso que faço parte do extenso grupo de cidadãos que não tem a mínima pachorra para a criatura. Como tal, não tive paciência para o chorrilho de baboseiras que disparou. Entre o queixume e a gabarolice, lá debitou a triste figura os seus "pensamentos" acerca da sua vidinha. Do pouco que vi e ouvi destaca-se a revelação de um convite para consultor de uma estrutura financeira internacional. Isto porque, segundo ele, um primeiro-ministro conhece muita gente, em África, na Europa, na América latina. Uma pergunta se impõe: será que esta gente conhece o homem que em apenas quatro meses conseguiu arrecadar o estatuto de mais caricato primeiro-ministro de Portugal?
Problema deles.
JTD
segunda-feira, 2 de maio de 2005
Mendes & Carmona. Lda
Dizem que Carmona é sério. Tudo bem, nós também.
E os outros? A equipa que com ele se propõe trabalhar, quem são?
Se todos os vereadores se foram tentar queixar ao líder, pela sua decisão, quem sobra para fazer carreira com Carmona?
A gestão de uma autarquia como Lisboa faz-se apenas com o presidente?
Não me parece. Mais um imbróglio para Marques Mendes.
JTD
E os outros? A equipa que com ele se propõe trabalhar, quem são?
Se todos os vereadores se foram tentar queixar ao líder, pela sua decisão, quem sobra para fazer carreira com Carmona?
A gestão de uma autarquia como Lisboa faz-se apenas com o presidente?
Não me parece. Mais um imbróglio para Marques Mendes.
JTD
Isaltinices
Isaltino diz que o líder não tem nada que liderar. Isaltino diz que há uma vaga de fundo para o recolocar na cadeira da presidência de Oeiras. Esta gente não vive bem sem estes poderzinhos, os pobrezinhos.
A revista ATLÂNTICO, distribuída com o PÚBLICO da passada quinta-feira, edita um esclarecedor texto, da autoríia de António Araújo, sobre as actividades destes seres sem par: os nossos queridos autarcas, os nossos insubstituíveis educadores. O que seria da malta sem esta gente. Santa paciência.
JTD
A revista ATLÂNTICO, distribuída com o PÚBLICO da passada quinta-feira, edita um esclarecedor texto, da autoríia de António Araújo, sobre as actividades destes seres sem par: os nossos queridos autarcas, os nossos insubstituíveis educadores. O que seria da malta sem esta gente. Santa paciência.
JTD
sexta-feira, 29 de abril de 2005
Paul Auster por ele próprio
Paul Auster vai estar amanhã, sábado, na FNAC do Chiado.
O universo do escritor ali defronte, sem o filtro das folhas impressas.
O criador de livros como: "A Trilogia de Nova Iorque", "Leviathan", "Timbuktu", "A Música do Acaso" e o fabuloso "A Noite do Oráculo", entre outros inspirados titulos, vai estar à nossa disposição naquele simpático espaço.
Eu não vou faltar, obviamente. JTD
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Richard Diebenkorn | António Mega Ferreira
Esquece-te de mim, Amor,
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez termos chegado.
António Mega ferreira Poema
Richard Diebenkorn Pintura
terça-feira, 26 de abril de 2005
Basquiat | Luís Miguel Nava
VIRGÍNIA
Embora o sol fosse alto ainda, áquela
hora já dali desertara, as sombras iam
saindo aos poucos de debaixo dos armários.
De vez em quando as mãos, completamente absortas,
detinham-se no ferro, sobre a tábua, ao lado
do gigo agora esvaziado e dos pesados
tabuleiros de verga, onde se erguia a roupa.
Tornavam-se mais nítidos, assim, os seus
contornos recortados contra a luz.
Dali podia-se avistar o mundo inteiro.
Ao longo dos telhados, por onde um ou outro gato
corria atrás das pombas, oscilava
ligeiramente a corda, onde a cidade, o céu
e os montes pareciam pendurados.
Luís Miguel Nava Poema
Jean-Michel Basquiat Pintura
segunda-feira, 25 de abril de 2005
Ungidos
Engraçada foi a intervenção de Portas no congresso do partido de direita que dirigiu até domingo passado.
Deturpando palavras de Mário Soares, este grande líder dos fogosos rapazolas conservadores disse qualquer coisa parecida com isto: "O Espirito Santo ia lá estar preocupado com o que pensa Mário Soares?!".
Que as pessoas, nas suas legítimas crenças, acreditem que é o Espirito Santo quem escolhe o Papa, é perfeitamente normal. Agora, que um líder político, no discurso mais empolgante do dia, na reunião magna da estrutura, venha defender tal crença, parece-me, no mínimo, fora de contexto. Parece-me a mim, mas posso estar enganado. É que eu não tenho conta no Espirito Santo. Se calhar é por isso...
JTD
Deturpando palavras de Mário Soares, este grande líder dos fogosos rapazolas conservadores disse qualquer coisa parecida com isto: "O Espirito Santo ia lá estar preocupado com o que pensa Mário Soares?!".
Que as pessoas, nas suas legítimas crenças, acreditem que é o Espirito Santo quem escolhe o Papa, é perfeitamente normal. Agora, que um líder político, no discurso mais empolgante do dia, na reunião magna da estrutura, venha defender tal crença, parece-me, no mínimo, fora de contexto. Parece-me a mim, mas posso estar enganado. É que eu não tenho conta no Espirito Santo. Se calhar é por isso...
JTD
Seremos todos católicos?
Ainda não percebi a preocupação de alguns ilustres agnósticos acerca da nomeação do Papa.
Dizem uns que este chefe máximo da igreja é demasiado conservador. E o anterior, era progressista?
Este Papa defendeu em tempos a pena de morte. Ratzinger perseguiu padres menos alinhados. E então, a inquisição fez o quê?
Meus caros ateus, deixem-se disso. Deixem lá os católicos entregues ao seu novo guru. O que é que a gente tem a ver com isso?
JTD
Dizem uns que este chefe máximo da igreja é demasiado conservador. E o anterior, era progressista?
Este Papa defendeu em tempos a pena de morte. Ratzinger perseguiu padres menos alinhados. E então, a inquisição fez o quê?
Meus caros ateus, deixem-se disso. Deixem lá os católicos entregues ao seu novo guru. O que é que a gente tem a ver com isso?
JTD
Quero-te
A presença das formigas
Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida
José Afonso
sábado, 23 de abril de 2005
Dia Mundial do Livro
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Ai a obra...
"A obra existe, fala por si". Estas palavras foram prenunciadas por Helena Lopes da Costa, vereadora da Câmara de Lisboa, referindo-se à actividade de Santana, em reacção à escolha de Marques Mendes, favorável a Carmona Rodrigues.
Santana ainda não percebeu que o seu tempo chegou ao fim, e esta gente ainda não se conformou com este facto. Sem Santana não existem. E essa não existência perturba-os. O inenarrável Pedro Pinto também veio titubear umas enormidades muito ao seu jeito. Boa escolha, Marques Mendes, pelo menos não temos que aturar a queixosa campanha santanista. Já não há a mínima pachorra para tanta choraminguice.
RR
Santana ainda não percebeu que o seu tempo chegou ao fim, e esta gente ainda não se conformou com este facto. Sem Santana não existem. E essa não existência perturba-os. O inenarrável Pedro Pinto também veio titubear umas enormidades muito ao seu jeito. Boa escolha, Marques Mendes, pelo menos não temos que aturar a queixosa campanha santanista. Já não há a mínima pachorra para tanta choraminguice.
RR
quinta-feira, 21 de abril de 2005
Al Berto
eras novo ainda
mal sabia reconhecer os teus própios erros
e o uso violento que de noite eu fazia deles
esta cama de minerais acesos
escrevo para despertar a fera de sol pelo corpo
escorrem aves de cuspo para a adolescência da boca
e junto ao mar existe ainda aquele lugar perdido
onde a memória te imobilizou
enumero as casas abandonadas ao sangue dos répteis
surpreendo-te quando me surpreendes
pela janela espio a paisagem destruída
e o coração triste dos pássaros treme
quando escrevo mar
o mar todo entra pela janela
onde debruço a noite do rosto tocado...me despeço
Al Berto
terça-feira, 19 de abril de 2005
Sensibilidade e bom senso, procuram-se.
Dizem-me agora que também há um anúncio, destes da Santa Casa, em que uma professora manda às urtigas os alunos e desata a correr e a pular pelos corredores da escola, direitinha à porta de saída, logo que sabe que foi contemplada. Ou seja, educar, lidar com a juventude em crescimento é algo de fastidioso, ou mesmo insuportável. Quanto mais não vale estar fora de tudo. Ser nababo é a solução mais eficaz para combater os males da sociedade. O pregão é: "És rico, borrifa-te no resto".
Quem tem que trabalhar que se amanhe.
Um belo serviço prestado à cidadania pela Santa Casa.
JTD
Quem tem que trabalhar que se amanhe.
Um belo serviço prestado à cidadania pela Santa Casa.
JTD
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Foi desta
Há um senhor pequenino que goza que nem um cabinda com os cidadãos que esperam pela sua chamada, de senha na mão.
Há um jovem empregado de hotel enfezadinho que retém o elevador para enervar os clientes, já impacientes, no hall do estabelecimento hoteleiro. O desfecho é a exibição do desprezo pelos pobretanas que insistem em ser normais e educados. "Foi desta" aparece em rodapé. A mentalidade do "xico-esperto" na sua melhor performance.
É a mais desbragada apologia da desfaçatez e má educação. Mas é um muito frequente anúncio nas lusas televisões, atirado para os ecrãs pela Santa Casa. A parolice e o mau gosto vencem o decoro e a decência.
Que rica Santa Casa que a gente aqui tem, sim senhores...
JTD
Há um jovem empregado de hotel enfezadinho que retém o elevador para enervar os clientes, já impacientes, no hall do estabelecimento hoteleiro. O desfecho é a exibição do desprezo pelos pobretanas que insistem em ser normais e educados. "Foi desta" aparece em rodapé. A mentalidade do "xico-esperto" na sua melhor performance.
É a mais desbragada apologia da desfaçatez e má educação. Mas é um muito frequente anúncio nas lusas televisões, atirado para os ecrãs pela Santa Casa. A parolice e o mau gosto vencem o decoro e a decência.
Que rica Santa Casa que a gente aqui tem, sim senhores...
JTD
Pedro Chorão | João Esteves de Oliveira
João Esteves de Oliveira é nome de galeria. Fica na Rua Ivens, em Lisboa, e tem como motivo para a existência a divulgação de trabalhos em papel. João Esteves de Oliveira, o homem do leme, é um especial apreciador do desenho como forma de expressão artística. Esta disciplina, particular aliada da edição, estimula a actividade deste amante dos livros, como objectos divulgadores de beleza.
Actualmente as paredes deste lindíssimo espaço estão preenchidas com obras de Pedro Chorão.
Manchas, riscos, materiais de suporte menos nobres que aqui atingem elevadísima classificação. Tanto Pedro como João merecem ser visitados. Quando um artista competente é representado por um divulgador como João Esteves de Oliveira, o resultado desta feliz associação só tem que dar um excelente trabalho. Vale a pena, garanto.
JTD
Pedro Chorão
TRABALHOS SOBRE PAPEL
João Esteves de Oliveira | Galeria de Arte Moderna e Contemporânea
Rua Ivens, 38, Lisboa (Chiado)
sábado, 16 de abril de 2005
O jogo das meretrizes
Pinto da Costa foi ás putas. Ou por outra, arranjou umas "meninas" para alcançar umas contrapartidas.
Claro que não é a mesma coisa. O sensível dirigente do Futebol Clube do Porto, apreciador de poesia e dedicado católico, nunca praticaria tão vil pecado.
Quem deve responder perante a justiça são os promíscuos árbitros, que, não só convivem com os mandões da bola intensamente, como se aproveitam dos prazeres por eles arranjados. Pinto da Costa não tem nada a ver com os comportamentos indignos dos árbitros portugueses. Aliás, se pecado houvesse seria perdoado na missa de amanhã.
Vale a pena ter fé. Ou se vale.
JTD
Claro que não é a mesma coisa. O sensível dirigente do Futebol Clube do Porto, apreciador de poesia e dedicado católico, nunca praticaria tão vil pecado.
Quem deve responder perante a justiça são os promíscuos árbitros, que, não só convivem com os mandões da bola intensamente, como se aproveitam dos prazeres por eles arranjados. Pinto da Costa não tem nada a ver com os comportamentos indignos dos árbitros portugueses. Aliás, se pecado houvesse seria perdoado na missa de amanhã.
Vale a pena ter fé. Ou se vale.
JTD
sexta-feira, 15 de abril de 2005
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Teatro em Setúbal
É hoje a estreia da peça "Se perguntarem por mim, não estou". Lá estaremos, às nove e meia da noite. Porque o teatro é à noite, e este até tem morcegos. Até logo.
JTD
quarta-feira, 13 de abril de 2005
Se perguntarem por mim, não estou.
No seu 30º aniversário, o TAS estreia amanhã, 14 Abril, a sua 98º produção, A peça SE PERGUNTAREM POR MIM NÃO ESTOU, é de um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, Mário de Carvalho. A encenação é assinada por Duarte Victor, e estará em cena no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, de quinta a sábado às 21.30h e domingos às 16.00h, até 22 de Maio.
Fazem o espectáculo:
Actores Célia David, José Nobre, Isabel Ganilho, Carlos Rodrigues, Fernando Guerreiro, Maria Simões, João Gaspar, Susana Brito.
Encenação Duarte Victor.
Assistente de Encenação Miguel Assis.
Imagem José Teófilo Duarte.
Sonoplastia e banda sonora Miguel Ramos.
Luminotecnia António Rosa.
Montagem e Contra-regra João Carlos.
Produção executiva João Gaspar.
Assistente de produção José Santos.
Montagem em vídeo Filipa Machado.
Adereços Zé Nova.
Guarda-roupa Mercedes Lança.
Em Se perguntarem por mim, não estou, entre os habitantes de um prédio de habitação surge a suspeita de que um tigre anda à solta dentro do edifício. A confrontação dos seus habitantes com a situação, o pavor que provoca a presença nunca materializada desse estranho herói e a revelação dos traços psicológicos de cada personagem provocada pelo terror servirão de base à construção de um paralelismo entre a ridícula e particular experiência do grupo e a terrível e histórica experiência do nazismo. O teatro será assim uma forma (parábola?) de dimensão humana para falar de valores, ideias que transcendem o comezinho evoluir dessa mesma humanidade.
Caminhos da escrita dramática em Portugal no final do século XX. Maria João Brilhante
Os morcegos têm má visão e andam sempre a entrar onde não devem! Uma noite, um morcego entrou na cova duma doninha que era uma grande comedora de ratos. E vai a doninha e diz-lhe: «Que bom, olha um rato, vou comê-lo.» E o morcego respondeu: «Não vês que tenho asas? Onde é que tu viste um rato com asas? Eu não sou um rato, sou um pássaro!» E a doninha, que não gostava de pássaros, deixou-o ir embora. Mas o morcego, atarantado, foi ter a um buraco de árvore em que havia um gavião. O gavião adorava pássaros, e diz: «Olha que boa coisa, um passarinho que vem mesmo a calhar!» Mas o morcego respondeu: «Essa é boa! Passarinho, eu ? Olha para este pêlo, tão liso e tão macio! Onde é que tu vês as penas?» O gavião disse: « É verdade, não tem penas ... não é um pássaro.» «É evidente que não», respondeu o morcego, «eu sou um rato.» « Bah , detesto ratos», respondeu o gavião. E deixou o morcego ir-se embora... Eu sou assim... Numas circunstâncias... sou uma coisa; noutras , sou outra... Assim tenho evitado as chatices. Enfim... algumas...
Texto da peça
Paulo Leminski
moinhos de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia
______________________
lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça
________________________
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
________________________
acordei bemol.
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
Estes pequenos grandes poemas são de Paulo Leminski, poeta relativamente pouco conhecido do grande público, mas adorado por aqueles que conhecem sua obra. Leminski era natural de Curitiba, capital do Estado do Paraná, onde nasceu, em 1944, e onde veio a falecer, em 1989. Começou a publicar poemas na revista "Invenção", porta-voz da poesia concreta paulista, em meados dos anos 60. Também compositor, teve canções suas gravadas por Caetano Veloso por conjuntos como o "A Cor do Som". Além de escrever prosa e poesia, traduziu obras de James Joyce, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros, colaborando, também, com o jornal "Folha de São Paulo" e com a revista "Veja". Em 1975, publicou o romance experimental "Catatau", celebrado pelos críticos literários como um livro "divisor de águas", ao apresentar renovações no terreno da linguística na senda aberta por Pound, Joyce, Beckett e Guimarães Rosa. (No final dos anos 80, sua biografia sobre Trotski foi livro de cabeceira daqueles "que amávamos tanto a Revolução", mas que nutríamos uma admiração secreta pelos dissidentes...) Sua obra, sobretudo a poesia, exerceu influência marcante nos movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Não cabendo apenas no rótulo de poesia concreta, a poética leminskiana funda-se sobretudo na ideia de engenharia de linguagem, na qual sua verve crítica e ao mesmo tempo bem-humorada varre um sem-número de aspectos (ou seriam espectros?), que vão da política à metalinguagem, passando pela literatura e pela própria dimensão existencial. É um autor que merece ser (re)descoberto e certamente a reedição de suas obras contribuiria para tal. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi para ser incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", da Editora Objetiva, do Rio de Janeiro.
ALF
terça-feira, 12 de abril de 2005
Euan Uglow | Fernando Pessoa
Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!
Fernando Pessoa Poema
Euan Uglow Pintura
domingo, 10 de abril de 2005
Eles andam aí
O PPD-PSD foi a congresso. Santana declarou: "Não vou estar aqui, mas vou andar por aí". Olha a novidade. Que ele é do tipo lapa, já toda a gente sabia. Que a falta de vergonha ficou na folha de uma couve e veio um burro e comeu-a, também não é surpresa para ninguèm. Agora, que o partido hexite entre esta corrente (Menezes) e outra igualmente lamentável (haverá correntes não lamentáveis neste grupo?), mas um poucochinho mais respeitável, já nos coloca dúvidas sobre o carácter colectivo do partido que eles dizem amar. Eles amam não sei o quê, nem sei porque razão. Recentemente apareceu outro amante de respeito, que politicamente mais parece um tubarão fora das suas águas. O homem estava em Londres, na boa, e agora deu-lhe para vir salvar o país. Que no seu entender só poderá ser salvo pelo seu partido. Ou mesmo por ele, que sabe muito de economia e continua a achar que é a economia que vai salvar o mundo. De resto, a apoiar ou a apoiar q.b. a liderança, os mesmos de sempre. Sem surpresas, também.
As hesitações dos congressistas, reveladas na pouca diferença de votos entre as duas candidaturas, são a demonstração do desnorte, anunciador da longa carreira na oposição. Porreiro. Continuem a andar por aí, mas não fiquem aqui a meter nojo.
JTD
sexta-feira, 8 de abril de 2005
Abrigos
Eu não tenho uma cidade ideal. A minha cidade ideal é uma cidade de cidades, uma colagem de lugares. É assim que eu vejo o rio Tejo e as varandas que para ele dão ladeando os arranha-céus de Hong Kong, em especial o banco da China de LiPei, nas margens Mar das Pérolas; o Banco faz esquina com a rua das livrarias do Rio de Janeiro, a mesma do China Club de Paris que, nesta minha cidade, fica defronte dos jardins de Luxemburgo, no centro dos quais se encontra café Pullmans de Utrecht, com vista para a 9 de Julho de Buenos Aires, morarda do Museu de Fotografia de Arles, cujo portão abre para as termas de La Garriga, ao lado dos quais fica a biblioteca de Nova Iorque na Rua 42, perpendicular à Avenida Eduardo Mondlane do Maputo, lugar do colorido mercado de Hanói, vizinho do mercado de Barcelona e da Piazza de la Signoria defronte da esplanada do Sporting Club de Beirute, de onde se avista o mediterrâneo.
Este poderoso texto está incluído num importantíssimo livro, editado pela Cotovia, onde António Pinto Ribeiro esplana as suas muito oportunas opiniões sobre as cidades e o que é viver nelas.
Este livro tem todos os ingredientes para se tornar leitura obrigatória para autarcas e outros operadores regionais. Ao fim e ao cabo, todos nós, os que andamos a "fazer coisas" nas urbes.
A leitura desta obra alarga-nos as concepções catalogadas e politicamente correctas de cidade e da sua utilização enquanto cidadãos vivos e activos.
Esta poderá ser, na minha opinião, a abordagem mais cosmopolita que a edição portuguesa imprimiu.
Leiam este livro, senhores presidentes de câmara.
Leiam este livro, senhores vereadores do urbanismo.
Leiam este livro, senhores vereadores da cultura.
Leiam este livro, meus caros amigos.
JTD
Título; Abrigos, Condições das cidades e energia da cultura.
Autor: António Pinto Ribeiro
Edição: Edições Cotovia, 2004
António Pinto Ribeiro nasceu em Lisboa.Viveu em vários países africanos e europeus. Tem repartido a sua actividade profissional entre a investigação académica em áreas como as Teorias das Culturas e a Estética e a Programação Cultural e Artística. É professor conferencista de várias universidades internacionais. É autor de obras de história de arte, de ensaio e de um romance. Na Cotovia publicou Por exemplo a cadeira, Ser feliz é imoral? e Abrigos.
quinta-feira, 7 de abril de 2005
Euan Uglow | Sérgio Godinho
Eu, contigo
eu consigo
fazer o que digo
Eu, contigo
eu não cobro
eu não pago
e eu não devo
Devo dizer-te ao ouvido
eu sem ti
não tem sentido
tem sido
(devo dizer-te ao ouvido)
bem bom
bem bom bem bom
bem mais
do que o que é bom
bem bom bem bom
Sérgio Godinho Poema
Euan Uglow Pintura
quarta-feira, 6 de abril de 2005
Dia X
O sítio da minha morada profissional nos respeitáveis monitores individuais estará disponível em breve. É já a partir do próximo dia 25 de Abril. A data não foi escolhida por acaso. Naquele tempo (o outro tempo, o do fascismo) este tipo de divulgação não sería permitido. Mas aquele tipo de regime também não tería grande chão depois da "invenção" da internet.
Quem quiser pode entrar. Apesar de não passar do "wall" de entrada.
DDLX
JTD
Quem quiser pode entrar. Apesar de não passar do "wall" de entrada.
DDLX
JTD
segunda-feira, 4 de abril de 2005
Euan Uglow | Eugénio de Andrade
Respiro o teu corpo
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade Poema
Euan Uglow Pintura
domingo, 3 de abril de 2005
Luto
Portugal está de luto. Foi decretado luto nacional de 3 dias.
Eu não. Não conhecia o senhor que morreu. Não era uma das minhas referências e não apreciava a sua intensa actividade.
Os rituais da igreja católica provocam-me náusea. Nem Marcelo Rebelo de Sousa me convence. Mas esse já não convence há muito tempo. E não é só a mim, aqueles "diálogos" dominicais já não convencem ninguém. Já agora: José Manuel Fernandes (hoje, no Público) comeu qualquer coisa estragada. Só pode.
JTD
Eu não. Não conhecia o senhor que morreu. Não era uma das minhas referências e não apreciava a sua intensa actividade.
Os rituais da igreja católica provocam-me náusea. Nem Marcelo Rebelo de Sousa me convence. Mas esse já não convence há muito tempo. E não é só a mim, aqueles "diálogos" dominicais já não convencem ninguém. Já agora: José Manuel Fernandes (hoje, no Público) comeu qualquer coisa estragada. Só pode.
JTD
sábado, 2 de abril de 2005
Andanças de Agualusa
A passagem do angolano José Eduardo Agualusa pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) causou alvoroço no ano passado. O escritor se transformou em best-seller do festival e numa espécie de "muso" após ser exaltado por Caetano Veloso numa das mesas da Flip: o cantor rasgou elogios ao seu "O ano em que Zumbi tomou o Rio", livro que virou um dos mais vendidos da festa. Sim, Agualusa é belo, charmoso e cultiva um certo ar blasé. Tantos adjectivos não se sobrepõem à sua escrita. Pode-se dizer que o Brasil "descobriu" o escritor em Paraty, mas ele há muito fez do país fonte de suas narrativas. O autor, que nos visita freqüentemente, vem agora para o lançamento da coletânea de contos "Manual prático de levitação" (Gryphus), segunda-feira, às 20h, na Livraria da Travessa (Visconde de Pirajá 572). E na próxima quinta-feira o escritor abrirá o projeto Vozes d'África, às 17h30m na Academia Brasileira de Letras (ABL). Aos 44 anos, Agualusa morou em diversos lugares: Luanda, Ol inda, Rio, Lisboa. Destas andanças fez cenários de seus livros, interconexões culturais. A multiplicidade é um ponto chave para compreender sua obra que mistura realidade e ficção. Ao GLOBO, ele fala sobre miscigenação, racismo e esquecimento. E, com humor, diz que, infelizmente, não é Chico Buarque.
ALF
sexta-feira, 1 de abril de 2005
Rogério Ribeiro
"A necessidade do discurso, a vontade de compreender, pelos códigos da linguagem plástica, o uso colectivo das mensagens que podem ser partilhadas. Não se trata de descer ao slogan ou à redução panfletária dos signos: trata-se de procurar conferir ao mundo das formas um carácter ao mesmo tempo poético e poeticamente operativo".
Estas palavras de Rocha de Sousa sobre a pintura de Rogério Ribeiro foram escritas em 1981. Hoje fazem parte de uma arqueologia dos códigos de expressão sobre pintura. A obra que Rogério produz actualmente pode parecer estar a milhas deste conceito, mas na sua essência, todos os códigos referenciadores estão lá.
Esta definição, que marcou de certa forma tudo o que o pintor fez até finais dos anos noventa, são hoje referências de catálogo. Isto porque a evolução do pintor, na sua relação com os sinais do seu tempo, é evidente.
Rogério Ribeiro vai inaugurar amanhã, na Galeria Municipal - Convento de S. João, em Montemor-o-Novo, uma nova mostra intitulada simplesmente "Desenho", que, na minha opinião, é do melhor que o artista fez nos últimos tempos, e que se inscreve num exercício da expressão estética extremamente contemporâneo. Desenho liberto de preconceitos catalogadores, amadurecido pela descontracção que a tarimba da muita experimentação fornece aos mais atentos. A exposição inaugura às 16 horas de sábado, e estará patente até 7 de Maio. Montemor-o-Novo é já aqui, em Portugal. E esta exibição é de altíssimo gabarito. JTD
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