sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Receituário


Às sextas-feiras, um som com nome de gente.

The Crying Light | Antony and the Johnsons
Rough Trade

Já está à venda e recomenda-se.

António Mega Ferreira vai continuar à frente do CCB.
Um excelente trabalho é reconhecido.
Um grande projecto que continua.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O ouvidor

António Borges, aquela ex-reserva luminosa do PSD, diz que TODOS os portugueses ouvem o Presidente da República excepto o primeiro-ministro. Até concordo que há muitos portugueses que dão atenção ao que Cavaco diz. Não tenho é a certeza se todos o percebem. Naquela contenda sobre o Estatuto dos Açores, nem o grupo parlamentar do partido do dr. Borges o entendeu muito bem. Que se saiba, Sócrates e Cavaco continuam a encontrar-se todas as semanas em Belém. Se o primeiro-ministro tem problemas de audição devia ser-lhe aconselhada consulta da especialidade. E quando o dr. Borges fala em TODOS, baseia-se em que dados? Olhe que anda aí muito surdo.

O guerreiro sem descanso


Os primeiros passos do Presidente Obama na Casa Branca teve momentos de brilho e outros menos luminosos. Não, não vou falar da lamentável prestação do orador evangélico protestante na tomada de posse - Orou e andou. Nem dos numerosos bailes em tempos que recomendam pouca festança. Mas vale a pena realçar a pressa em resolver Guantanamo. Assim como o comedimento nas regalias dos seus colaboradores. E ainda a preocupação em contactar os responsáveis pelos desatinos no Médio Oriente. De negativo, para já, só mesmo a "contratação" de um secretário do Tesouro que em tempos tentou ludibriar as Finanças lá do sítio. O homem desfez-se em desculpas e assumiu as culpas. Tudo bem: só falta recolher ao sossego do seu anterior emprego. Mas quem sou eu...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Substância procura-se

Manuel Alegre diz que leu na diagonal a moção que o seu partido apresentou. Mas, porque é um homem de esquerda e está sempre na luta, vai avançando umas desconfianças: não lhe parece que as propostas cheguem para que ele as compreenda e aprove. A ligeireza alegrista vem de longe. Manuel Alegre lê sempre tudo na diagonal. Nota-se à légua, não precisa de acrescentar desculpas.
Manuel Alegre é politicamente irresponsável.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

good Luck


Aqui o senhor do retrato incia hoje uma nova vida. O mundo espera que a vida lhe corra bem. Chega de festa. É tempo de arregaçar as mangas. O anterior ocupante da sala onde a partir de agora vai trabalhar, deixa-lhe um ramalhete de sarilhos. Claro que Bush não é o culpado de todos os males que vieram ao mundo, mas esforçou-se. Há despedidas boas, que não deixam saudades. É nessas alturas que as boas vindas são mais saborosas.
Boa sorte, senhor Barak Obama.

I Love you baby


A Sofia Loureiro dos Santos resolveu instituir ela própria um prémio para os blogues de que mais gosta. Chamou-lhe precisamente "Deste, gosto mesmo!", e, num acesso - e excesso - de simpatia, contemplou este vosso dedicado amigo.
Vindo de quem vem é uma honra subir à tribuna para receber tão distinta condecoração.
E como as regras são para cumprir, cá vão os quinze que me fazem agitar o rato do computador todos os dias.

A barbearia do senhor Luís

A la Gauche
Ana de Amsterdam
Bandeira ao vento
Defender o quadrado
Der Terrorist
F World
Geração de 60
Hoje há conquilhas
Jardim assombrado
Jugular
Origem das espécies
Pedro Rolo Duarte
Portugal dos pequeninos
Terceira noite

Há mais uns quantos, mas estes são mesmo os diários. Entretanto, outro dasafiado, o José Simões, também me desafiou a mim. Tanto mimo estraga-me. A resposta vai para os dois, que aqui nomeio também.
Obrigadinho a todos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Faltam só umas horinhas


Vai pela sombra...

Triste São Carlos


Fui ontem à última récita do "Fausto" de Gounod.
Hesitei em comentar. Mas a vontade de opinar venceu a paixão. Às vezes é muito difícil dizer seja o que for sobre algo que desejamos dizer bem. Gosto desta peça de Gounot, mas o que nos mostraram no São Carlos andou entre o mau e o mais-ou-menos. Maestro fraquinho. Vozes principais assim-assim. Coro fraco. Orquestra em auto-gestão.
Gostei do cenário: uma colectividade de bairro muito bem acabada, norteia o ambiente inicial.
O São Carlos não está bem. O teatro parece gerido por uma empresa de condomínios que não passa cartão aos condóminos. Esta gestão alemã não ostenta as medalhas do tão apregoado rigor germânico.
Volta Pinamonti que estás perdoado. Mas depressa, ouviste?!

Mexilhão

Os professores dos putos voltaram à luta em defesa dos seus privilégios.
Os pais dos putos estão fartos de tanta luta.
Os putos estão na boa - uns "feriados" a torto e a direito até é "bué da fixe".
Os putos ainda não têm idade para saber que são como o mexilhão: são eles que se lixam no fim da labuta.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

Caríssimo Teo,
assim como o mundo cristão (católico apostólico romano, ortodoxos, maronitas, igrejas reformadas tradicionais, pentecostais e neo-pentecostais entre outros) não é igual, o mesmo se passa no chamado "mundo islâmico". Há diferenças abissais entre a situação da condição feminina na Tunísia, na Arábia Saudita, no Iraque e na Palestina, só para citar uma fatia mínina. O Patriarca de Lisboa errou, e feio, nas suas afirmações que traduziram não somente o desconhecimento da realidade de um mundo marcado pela diversidade, mas que expressam sobremaneira a postura conservadora e pouco aberta ao diálogo do Pontificado de Bento XVI. Há muitas coisas que uma mulher católica apostólica romana não pode fazer. Nem vale a pena referir aqui quais são. Como tu sabes, as afirmações do cardeal de Lisboa, pela sua "importância", ganham uma relevância extra-religiosa e podem respaldar opiniões mais estreitas. É fodido! Eu sou um gajo ateu e tenho uma enorme admiração por gente que tem fé - ao contrário da minha educação política que ensinou o desprezo pelas religiões - e ao me pôr na pele dos muçulmanos e muçulmanas experimento um novo tipo de náusea. Mas, pronto, eu sou latino-americano, e sempre soubemos quem era o nosso inimigo no Vaticano. O patriarcado de Lisboa é somente a reverberação - em mármore branco - da voz mais intolerante alguma vez saída de São Pedro... "Allah sabe o que faz" diria o meu ex-namorado da Tunísia.

Com um abraço
Carlos Alvarenga - Lisboa

Cirurgião de serviço - Carlos, é claro que todas as opções religiosas vivem na diversidade. Que umas são mais tolerantes do que outras também todos sabemos. E não é preciso recuar muito no tempo para percebermos as intolerâncias maiores. E aí é que está a questão - nenhuma parece suportar quem não professa a sua fé. No recolhimento das suas preces rejeitam-nos. O que eu acho normal. Logo, a Tolerância é tão relativa como a Razão: cada um gasta da que quer. O cardeal de Lisboa, que até nem é propriamente um troglodita ignorante e tosco, alertou as "suas" fiéis. Cuidou do seu rebanho. Ou imaginas alguém dessas religiãoes islâmicas com "diferenças abissais" defender a tolerância para com um seguidor de Cristo? Não creio. Vasco Pulido Valente colocou bem a questão ao referir a impossibilidade de uma união matrimonial entre gente que adora tão diferentes deuses. Tal só é possível se um abraçar a religião do outro. As "normas de funcionamento" inscrevem diferenças abissais.
Eu, que tal como tu sou ateu, respeito as religiões que me permitem ter as minhas posições perante a sociedade. O ódio que existe, por parte de certos agnósticos à Igreja Católica, ultrapassa o razoável. Assim como não compreendo a solidariedade de certa esquerda perante religiões opressivas que vão em tudo contra o que defendemos nesta sociedade onde todas as permissões são bem vindas.
O teu namorado tunisino tem exactamente a mesma opinião que os mais conservadores dos cristãos, budistas, judeus etc. Todos acham que o deus deles é o maior. Eu também tive uma namorada cristã e não veio mal à minha vida por isso - acabámos por casar e as diferenças pontuais não beliscam o relacionamento. O meu receio é que os mais radicais se unam todos contra nós. O que não me parece praticável de todo. Os desenvolvimentos teóricos de gente como Sam Harris, Chistopher Hitchens, Richerd Dawkins ou León Rozitchner, entre muitos outros, descansam-nos. O debate está instalado, pelo menos aqui entre nós. Não me parece que seja permitido no mundo islãmico. Achas que aquela palhaçada do autocarro londrino era possivel de representar na Tunísia?
Bem, não repiso mais. A gente depois discute isto entre dois os três copos, uma noite destas. Abraço. JTD

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Liberdade religiosa e ignorância


D. José Policarpo foi ao casino da Figueira da Foz armar um reboliço que deus nos livre. Não, não foi nada relacionado com jogo de casino. Descansemos. Simplesmente alertou as noivas católicas para a maçada em que se podem transformar os casamentos com religiosos islâmicos. O problema é que estava lá uma indiscreta câmara de televisão e todos ficámos a saber a opinião do Cardeal. Caiu o Carmo e a Trindade. Que o homem é intolerante, que é desrespeito pelo islamismo, que assim não há diálogo entre as religiões. A SIC, no seu serviço noticioso, arranjou logo um jovem casal para compôr o ramalhete da tolerância. Ele marroquino, ela de cá mas disposta a sujeitar-se às limitações impostas pela religião do consorte. E acha-se que é isto um grande exemplo de diálogo religioso. Claro que por cá tudo é possível, sendo a negação dessa liberdade um caso de polícia, mas pode-se falar de liberdade religiosa e de respeito pela condição feminina num país islâmico?
Estou completamente de acordo com o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Não percebo a razão de não se poder estar em desacordo com os limites impostos às mulheres pela religião islâmica. E muito menos percebo a razão de não se poder estar de acordo com os alertas de quem sabe o que está a dizer.
D. José Policarpo fez muito bem em alertar as jovens casadoiras.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Basta!

Ok, ok o Cristiano é o máximo. Chuta bem, finta bem e tem um ego do tamanho dos seus pouco instruídos vinte e poucos anos, mas já chega. Não haverá mais nada para falar nos telejornais? Até o soba do Funchal veio a terreiro exibir os louros da vitória, propondo um lugar na política ao futebolista de sucesso. É a política de sucesso de Jardim prolongada no tempo e exibida no seu melhor.
E o programa da doutora Fátima Campos Ferreira atingiu níveis de ridículo. Foi triste ver o professor Caraça naqueles propósitos.
Querem outros exemplos de quem trabalha e dá o seu melhor?
Tenham dó!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Miguel de Castro


POEMA PARA UM AMIGO
Afastando o cercado das sombras
algumas vezes adormeceste
o meu aflito coração
no berço das mãos.

Nas horas difíceis ficaste perto.


Este poema é de Miguel de Castro que faz hoje 84 anos. E é hoje que tenho o especial prazer em anunciar que está a ser preparado um volume que reunirá todo o seu trabalho poético, a ser publicado lá para a primavera.
Parabéns ao poeta.

Marianne and Anthony


Alguém sabe onde encontrar este cd? Já alguém o viu à venda?
Foi gravado, saiu nos países onde se fala a língua da senhora, mas por cá nada. Nem FNACs, nem "espaços" mais alternativos, nada. Se souberem de alguma coisa, avisem - o mail está aí ao lado.
Desde já agradecido.

A senhora Agustina


Um grande retrato, de uma grande senhora.
A não perder.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os gloriosos malucos das máquinas autárquicas


As escolhas de candidatos do PSD para as autarquias estão a atingir o nível do risível. Depois de Santana em Lisboa, de um actor dos "malucos do riso" em Vila Franca de Xira, e de outras valorosas peças do xadrez televisivo, surge agora Gonçalo Amaral como hipótese por Olhão. Pelos vistos a norma é ditada pelas aparições nos plasmas e LCDs caseiros, e nem sempre pelas melhores razões.
Santana Lopes em Lisboa foi a desgraça que depois confirmou no País. O "artista" dos "malucos", bem, nem sei que diga. E o ex-inspector da Judiciária, depois de nada ter resolvido enquanto polícia, limitou-se a dar a cara por uma causa inexistente, inventada por ele próprio para dar nas vistas.
Posso avançar com algumas sugestões infalíveis, inscritas no registo que parece ser o das citadas escolhas? Que tal José Castelo Branco por Sintra? Ou Cinha Jardim pela Amadora? Ou o Marco do Big Brother (lembram-se?), por Odivelas? Também não hesitava em dar um toque ao Zezé Camarinha. Pode ser que esteja disponível para uma autarquia algarvia.
E se procurarem bem nos concursos e telenovelas encontrarão com certeza muitos mais mediáticos candidatos capazes de pôr a malta a rir. E há malucos para tudo, até para votar em doidices dessas.
Quem é amigo, quem é?!

Olha que dois

Mário Crespo entrevista o soba da tribo funchalense hoje na SIC.
Haverá com certeza qualquer coisa mais interessante para fazer.
Conversa de chacha é que nunca.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Voz dos pacientes


Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

A fé é que nos salva - Só é religioso quem quer. Os pastores protestantes limitam-se a pastorear, a ditar a sua fé. Há assim tantas ofensas nisso? Há iniciativas caridosas patrocinadas pelos pregadores. Se calhar está chateado porque ofende os seus princípios católicos. Tenha fé.
Carla Santos - Faro

Cirurgião de serviço - Caríssima Carla, nada tenho contra quem é religioso. Até concordo que só o é quem quer, embora nem sempre tenha sido assim e ainda hoje não o é em muitas partes do mundo. Eu aqui limito-me a dizer o que penso. Não sou católico, nem profeço religião de espécie alguma. Aproveito os deslizes de alguns "profetas" para exprimir a minha ideia sobre a coisa. Confesso que não acho a mínima graça a pregadores evangélicos protestantes. Acho-os mesmo gente do pior. O que é que quer que eu faça? Não me inspiram raspas de confiança. E já que estou com as mãos na massa, relembro-lhe o que o "pregador-mor" teve a ousadia de pressagiar: “Não há maior defeito numa mulher que o desejar ser inteligente.” Martinho Lutero. Notável, não? Estou mesmo nos antípodas destas tretas. Conversados. JTD

Super-sábio - Estou de acordo com a apreciação que faz dos comentários de Medina Carreira. Se o homem mandasse, muitos dos que o aplaudem estariam agora a ganir. Não respeita ninguém como um ser humano, só pensa nas pessoas como contribuintes. A SIC adora-o. Está sempre lá caído. Quando aparece eu mudo de canal. Não há canal que aguente.
J. Mário Esteves - Sintra

Opiniões - Publica todas as opiniões que lhe chegam por e-mail? Percebo que não se tenha paciência para responder a toda a gente que quer chatear, como é que escolhe o que deve ser ou não ser publicado? Quando fala em ameaças fala de algo muito grave? Obrigado.
Maria Damião Esteves - Ribeirão.

Cirurgião de serviço - Maria: A escolha é simples. A maior parte das mensagens são simpáticas: naquela base do "parabéns", "gostei muito", "continue", e outras de excessivo apreço que não se enquadram nesta resposta. Também as ofensivas são mato selvagem. Compreenderá que nem umas nem outras têm substãncia para figurarem nesta secção dominical. São o que são - as simpáticas recebem agradecimento na volta, em resposta directa por email, e as parvas vão directamnete para o lixo. Todas as opiniões que aqui coloco são as que acho que podem acrescentar algo, estando de acordo comigo ou não. A umas acrescento qualquer coisa, outras falam por si. Ameaças graves? Não, são só idiotas. Volte sempre. JTD

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Laurie


Laurie Anderson. Vê-la e ouvi-la faz sempre bem.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

De rachar

Ferreira Leite desafia Sócrates. O Estatuto dos Açores desafia o Presidente. Nogueira desafia Lourdes Rodrigues. Israel desafia o Hamas. A crise desafia o crescimento económico.
Não apetece tanto desafio. Está frio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lutas

Os colegas de Mário Nogueira ficaram muito chocados por terem sido sugeridas penalizações a quem se recusar ser avaliado. Falamos de professores, quando falamos de avaliações, como é óbvio. Qual será a alternativa proposta? É avaliado quem quer e quem não quer fica na mesma?
Para combater esta tremenda imoralidade, que ostraciza os educadores profissionais, já está marcada uma nova jornada de luta.
Avante, camaradas!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tanto barulho para nada

Ando aqui com umas dúvidas: o processo Casa Pia está a chegar ao fim ou começou agora? Alguém tem ideia do que vai acontecer ou, por outro lado, o fim deste processo é mais ou menos como a crise internacional: ninguém sabe quando vai acabar, nem adivinha as consequências. Sabemos que a pedófilia é prática nebulosa. Este processo começou por o não ser. Andou nas bocas do mundo até ao exagero. Nas agora, que começaram os desmentidos de quase tudo o que era dado como provado, parece que uma estranha penumbra se abateu sobre a sala das audiências. Pode ser impressão minha, mas aquilo vai-se arrastar até dar nada.

Todos os dias

Miguel Esteves Cardoso começou ontem a escrever diariamente no Público. Parece que vai ser mesmo todos os dias. São textos curtos mas com a graça que os textos do MEC têm. É assim uma espécie de blogue, mas impresso.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

o Super-sábio


"Nos por cá" é um programa de sucesso da SIC. Foi de tal forma bem sucedido que agora passou a diário. Não sou grande fã das curiosidades ali tratadas, mas como hoje cheguei mais cedo a casa para ouvir a entrevista a Sócrates, acabei por ver parte do programa no novo e diário horário. Conceição Lino falava com o super-sábio Medina Carreira. É bom haver um português assim. É óptimo ter um homem como este Carreira que sabe exactamente tudo, tudinho o que deveria ser feito e não é. Todos sabemos que quando foi ministro as coisas funcionaram na perfeição. O conhecido comentarista citou mais do que uma vez Bordalo Pinheiro para chamar porca à política que por cá se faz. Que bom que era se todos tivéssemos um Medina Carreira em casa para nos fazer ver as coisas. Nem que fosse em loiça das Caldas.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

O discurso - Cavaco Silva fez o discurso do eu-quero-é-safar-a-minha-pele. Comprou as misérias todas. As dos agricultores, dos pequenos comerciantes e de tudo o que não rende com administrador de banco. Cavaco só pensa na sua sobrevivência política. A posição face ao Estatuto dos Açores quer dizer o quê? O pior é que quem se trama é o desgraçado, de quem Cavaco é tão amiguinho.
Anarca

Cavaco e os cavaquinhos - Cavaco está muito preocupado com a crise? E no tempo dele, não se preocupou? Só se lembra de Santa Bárbara quando troveja. Até inventou banqueiros corruptos. E gestores de coisa nenhuma que receberam fundos e fundos da mangueira da Europa. Li atentamente o José Simões, no texto que linkou aqui ontem, e não posso estar mais de acordo com o bloguer do excelente Der Terrorist. Cavaco falou para o boneco. Para um boneco de trapos que ele próprio fabricou, e que agora tirou do baú para nos convencer da sua "honestidade" política. Depois aparecem logo os cavaquinhos todos para aplaudir. Pudera, viveram à sombra do chaparro...
Anibal Cortes

Cuba livre - A revolução cubana foi um verdadeiro embuste. Guevara foi um criminoso orgulhoso das execuções aque assistiu. Um caso de crime de guerra a julgar em Haia. Só que a vida correu bem ao criminoso. Claro, claro as vidas que anulou eram de gente que não merecia viver. Perigosos contra-revolucionários a soldo do imperialismo. Do americano, não façam confusão. Porque o soviético era um bem para os povos. Transformou-se assim em ícon das revoluções e herói de todas as libertações. Conclusão: às vezes o crime compensa.
Pedro Cruz Santos - Budapeste

Judiarias e outras iras - O Hamas não é muito amado no mundo árabe. Todos estão fartos deste criminosos que querem dominar toda a zona. Os judeus sabem isso e prepararam tudo muito bem preparado. Os dirigentes da organização criminosa árabe mistura população civil com militar para a vitimização. Aquela gente não quer saber do povo para nada. São só uns filhos da puta. Andarmos a defendê-los, em manifestações, nos confortáveis asfaltos da Europa, é hipócrita. Os israelitas são hipócritas. O Hamas é inclassificável. Tudo misturado é a Hipocrisia em estado puro.
Gostei do vídeo que colocou na sexta-feira de Daniel Barenboim. A música é que nos salva.
Carlos Dias Nunes - Porto

sábado, 3 de janeiro de 2009

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.

Aguardente?! Ouvi perfeitamente! - Cavaco Silva tem um problema com a História e com a opinião pública. E não me estou a referir a nós, que lemos jornais e/ ou que passamos a vida a “picar-nos” uns aos outros aqui nos blogues e que queremos ter voz activa. E não me refiro aos 50% + 1 que elegeram o Presidente, nem àqueles que votaram nos outros candidatos; refiro-me àqueles que já votaram e agora não o fazem; aqueles que gradualmente por descontentamento e por desilusão vão engrossando as fileiras da abstenção: A Maioria Silenciosa. Continue a ler
José Simões Der terrorist

O discurso do Presidente - O ano de 2009, por cá, começou bem: o discurso de Ano Novo do Presidente da República mereceu o aplauso do BE («o Presidente salientou, e bem como o BE tem feito…», disse Fernando Rosas), do PS («grande convergência entre o discurso do Presidente da República e o do Governo…», disse Vitalino Canas) e do PSD (É uma mensagem particularmente importante no momento presente…», disse António Borges). Pela amostra, todos ficaram contentes, o que pode revelar um mau discurso.
Tomás Vasques Hoje há conquilhas


Palhaçada - jà não há cú para as perseguições a Obama em férias. Estão a transformar o homem num socialite ou querem mesmo um presidente a sério? Anseio pelo dia 20, para ver se acaba esta palhaçada.
Laura Palma Responsabilidade e Juízo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O bem e o mal


Não estou aqui para apontar o que está mal no Médio-Oriente, estou aqui para dizer o que está bem.
Daniel Barenboim

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mensagem


Cavaco deixou recados ao Governo e às oposições:

"A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes."

"Nesta fase da vida do País, devemos evitar divisões inúteis. Vamos precisar muito uns dos outros."

É preciso dizer mais alguma coisa?

Hasta Siempre

A Revolução Cubana faz 50 anos. Fulgencio Batista animava a corrupção na ilha. A iniciativa revolucionária encetada por Fidel e seus companheiros parecia uma correcção de todas as insatisfações. Com o tempo, acentuou-se a falta de liberdade e a miséria absoluta. O que pareceu muito bom, passou a insuportável. Hoje é um regime podre e sem destino. Estou a ouvir o embaixador cubano em Portugal, na SIC-N, e percebo isso mesmo. O discurso é o mesmo de sempre. Não há ideias que definam um rumo. Tudo definha. Até ver.

Tudo com dantes

Ainda os festejos do novo ano se ouvem e já as tropelias são as mesmas de há pouco. O Presidente promulgou as alterações ao diploma que regem a professoral avaliação. O distinto representante dos timoneiros revela agora a esperança numa inciativa do PSD na Assembleia da República. Nogueira dos bigodes reedita assim a circunstancial aliança PCP-PSD. Os argumentos escasseiam. A paciência esgota-se. Pelos vistos até Cavaco está a perdê-la.

Um grande 2009 para todos


Aparentemente, o dia de hoje é igual ao de ontem. Mas o calendário dá ordens e diz-nos que um novo tempo começou. Tempo difícil, parece. Claro que vamos tentar alterar o presságio. Claro que vamos fazer dos dias que se seguem os melhores das nossas vidas. E temos pela frente um ano cheio deles por encetar - enormes, com 24 horas cada um. Coragem. Boa sorte.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (8)


Também as músicas que me alegraram a alma e a mente não são dadas a azias ou outras indigestões desagradáveis. Que o lixo sonoro vá para as feiras e romarias e nos desampare a tenda.
Assim sendo, siga a marinha:

Karajan | The Legend Berliner Philharmoniker EMI Classics
Schuber | Sehnsucht Mattias Goerne Harmonia mundi
Leucocyte Esbjorn Svensson Trio ACT Company
In the house of Mirrors Hector Zazou & Swara Craw 47
Farscape Klaus Schulze | Lisa Gerrard SPV
Tindersticks Tindersticks Beggars Banquet Records
Jukebox Cat Power Matador
Med sud í eyrum Sigur rós Emi Records
Meet the Eels Essential Eels Geffen records
Story Teller Marta Hugon Digital Mix Música
Golden Era Rita Redshoes Iplay
Metafonia Madredeus e a Banda Cósmica Farol música

Sem categorização por estilos ou preferências pessoais, aqui fica a lista, que já vai longa.

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (7)


Só as leituras prazenteiras têm aqui lugar. Feita a exclusão dos desabafos de apresentadores de televisão e de argumentistas de telenovela, que não circulam neste território, a escolha fica facilitada e recai nestes contemplados:

As Benevolentes Jonatham Littell Dom Quixote
Os Detectives Selvagens Roberto Bolaño Teorema
A Blusa Romena António Mega Ferreira Sextante
A Ferver Bill Buford Sextante
O Homem em Queda Don DeLillo Sextante
Exploradores do Abismo Enrique Villa-Matas Teorema
Já cá não está quem falou Alexandre O'Neill Assírio & Alvim
O homem sem Qualidades I Robert Musil Dom Quixote
O Arquipélago da Insónia António Lobo Antunes Dom Quixote
A Gestão Segundo a Apple Jefrey Cruikshank Casa das Letras
A Faca não Corta o Fogo Herberto Helder Assírio & Alvim
Património Philip Roth Dom Quixote

E pronto, para o ano há mais. Boas leituras para todos.
Até já.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (6)


Bom
- A libertação de Ingrid Betancourt das garras das FARC.
- A nomeação de Hillary Clinton para o lugar internacionalmente mais saliente da Administração Obama.
- A manifestação de revolta do jornalista iraquiano que se descalçou para acertar em Bush.
- A suspenção das agressões entre israelitas e palestinianos.
Mau
- A eternização no poder de Robert Mugabe.
- A convocação de Sara Palin para candidata a vice-presidente dos EUA.
- A guerra na Geórgia.
- O atentado terrorista em Bombaim, na Índia.
- A falta de pontaria do jornalista iraquiano.
- O fim das tréguas entre israelitas e palestinianos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Estatuto das lamentações


O Presidente amuou por causa do já famoso Estatuto dos Açores. O Governo insistiu. O Parlamento, quase em peso, apoiou a coisa. O PSD, comandado pelo evanescente Rangel, resolveu dar o dito por mais ou menos não dito e absteve-se de responsabilidades. O PCP saltou inicialmente em grande alvoroço mas depois calou e andou. O BE assobiou para o lado e borrifou-se na opinião do Presidente. O Presidente passou-se. Em segunda investida disparou em todas as direcções. Resumindo: um amuo presidencial provoca uma balbúrdia parlamentar. Tudo isto é para lamentar.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes


Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

O Papa quer papinha - As recentes e graves declarações do Papa Bento não lhe motivaram reacção. Foi distracção ou está a ficar muito católico. O que Ratzinger defende é contra as mais vagas noções de liberdade individual. As convicções que faz valer contradizem a realidade actual. Vá lá diga qualquer coisa.
E perdoe esta brincadeira.
Zé do Sul

Cirurgião de serviço - Não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. Claro que não estou de acordo com o Papa. Mas não acho que as declarações do líder dos católicos sejam assim tão graves. São assim e pronto. O problema é mais complexo. Se os católicos estão de acordo... saúde e um queijo é o que eu desejo. É por estas e por outros que não vou em missas. As papais opiniões comparadas com as de muitos pregadores protestantes, testemunhas de Jeóvá e outras seitas ainda mais indescritíveis, são coisa de menino de coro. Quem acredita nessas "divindades" está disponível para ouvir e dar atenção aos seus guias espirituais. Seja por ignorância, seja por convicto extremismo. Aquilo, para muita gente, é a normalidade. Todos têm o direito de acreditar nas ficções que quiserem. Pela parte que me toca agradeço que bem longe. JTD

Regional - Vivo em Setúbal e acho estranho não ver aqui comentários ao que vai acontecendo. Você nasceu cá, não foi? Não conhece o que tem sido feito à volta de Bocage, António Maria Eusébio e Sebastião da Gama? Ou não quer falar disso?
Carlos Dias

Cirurgião de serviço - Tal como já disse no comentário anterior, não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. E não, não estou interessado em falar nisso. JTD

sábado, 27 de dezembro de 2008

Natal 2008

O Hamas passa a vida a fazer das suas. Recentemente provocou mais umas mortezitas entre uns insignificantes israelitas. Os israelitas, que não embarcam na redutora apreciação, responderam com armas pesadas. Diz-se agora que foi excessivo. Acontece que os homens não praticam a pequena guerrilha. Quem vai à guerra dá e leva.
Só que há uns que dão com mais força. E quem sofre mais é quem menos tem. Sempre foi assim. São os males da guerra.
Tudo isto se passa nas redondezas do local onde nasceu Cristo.
Perdoai-lhes Senhor...

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Limpinho - Manuel Alegre diz que quer tudo limpinho: “Que as forças conservadoras se assumam e que a esquerda seja esquerda.” Nada mais simples. O retrato desse mundo vem nos manuais, explicado com clareza e ilustrado por esquemas providenciais que mostram duas cores distintas – a da esquerda e a da direita. Infelizmente, essa realidade a duas cores está longe do espectro em que as pessoas se movem: aqui e ali contam mais as tonalidades, as sombras, os declives e até as aparências. Geralmente, queremos que os outros sejam como achamos que eles devem ser. Mas o problema é que a realidade, muito sacana, vem atrapalhar tudo e encher a vida de surpresas. No caixote de lixo da história e da política há bastantes desses manuais feitos para gente simples; alguns nem para reciclar são úteis.
Francisco José Viegas A Origem das Espécies

Porque lutam os professores? - Nestes dias, vésperas e dias de Natal, percebe-se melhor do que em qualquer outra altura o significado da luta dos professores. Os hospitais estão cheios de médicos, enfermeiros e outros trabalhadores que não podem passar a consoada com os filhos, com os pais, com quem vivem; os hotéis estão cheios de recepcionistas, bagageiros, empregados de mesas; como os hospitais e os hotéis, as estações de serviço; restaurantes, transportes públicos, táxis; e por aí fora. Ganhar acima da média, sair cedo e ser promovido em função do decurso do tempo e não do mérito são privilégios a que os professores se habituaram. É pela manutenção desses privilégios que os professores lutam, se mobilizam, se manifestam. O resto é conversa fiada.
Tomás Vasques Hoje há conquilhas

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (4)


Bom
- José Luís Rodriguez Zapatero ganha as eleições em Espanha e continua como primeiro-ministro.
- George W. Bush vai-se embora dia 20. Provavelmente nada será como nos últimos anos. Esperemos que não volte.
Mau
- Putin arranja um presidente à sua vontade e continua os atropelos à democracia, mas como primeiro-ministro. As trocas de gabinete são para continuar, pelos vistos.
- Berlusconi regressa ao Governo italiano.
- Pedro Santana Lopes insiste.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (3)


Bom - Há vinhos que marcam: os de Ermelinda de Freitas já nos habituaram às melhores referências. Este Syrah de 2005 chegou para vencer. Foi o que achou o júri de um concurso que decorreu em França no passado mês de Março. "O Melhor Vinho do Mundo" decretou quem sabe. Pelo menos para o concurso daquele mês foi. Mas, é claro, a escolha mais competente é nossa. Enquanto houve garrafas por abrir lá em casa andei por perto da opinião do tal júri. Agora já outros aromas e paladares me animaram as pupilas. Bebamos. À nossa.

Mau - Harold Pinter morreu ontem. Aos 78 anos desaparece um dos grandes nomes da literatura mundial. Em 2005 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (2)


Bom - A recuperação das Minas da Aljustrel com a correspondente manutenção dos postos de trabalho.
Mau - O encerramento da Faiança Bordalo Pinheiro por falta de encomendas. Triste.
Imagem Faiança Bordalo Pinheiro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (1)


Bom - A eleição de Obama para o cargo mais influente do planeta.
Mau - A lamentável escolha de um pastor evangélico obviamente muito reaccionário para botar faladura na tomada de posse do homem com o cargo mais influente do planeta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008

É hora de balanços. Nos próximos dias alumiarei aqui o que de bom me pareceu ter acontecido no decorrer do ano. O que não convenceu também será referido e devidamente vaiado. As candidaturas circulam pela Cultura, Política e outras atitudes. As escolhas são pessoais. Existe livro de reclamações neste estabelecimento.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
A Blusa romena - Tenho a ideia que este é o melhor livro de Mega Ferreira. Tem humor, cosmopolitismo e Vida Literária. Mas considero que o seu melhor ainda está nas crónicas. Não dispenso a leitura dos seus textos naquela revistinha que vem com o DN aos sábados.
João Carlos Malheiro Tropa

Ameaças - O JTD refere em postagem publicada no passado dia 9 que tem recebido ameaças. É normal que hajam ameaças ideológicas, do tipo daquelas que aquele barão da política utilizou em tempos - quem se mete com o PS leva, lembra-se? Claro que para lá da parvoíce da ameaça percebe-se que é uma resposta política. Do mal o menos. Mas quando você fala de ameaças físicas, fala exactamente de quê? Ainda há quem queira impor o medo? Ainda há quem não consiga viver sem esse conceito de perseguição e repressão? Que tristeza!
Maria João Morais

cirurgião de serviço - Já respondi quando informei do destino dessas tropelias. As ameaças cobardes nunca chegarão a incomodar o sossego de quem aqui se desloca. Estejam descansados. "Lixo para o lixo", parece-me uma boa palavra de ordem. Obrigado. JTD

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Somos todos suburbanos


Oscar Mourave nasceu no Brasil, mas curiosidades várias levaram-no a conhecer mundo. Já correu Seca e Meca. Agora está em Portugal. Conheci-o há pouco. Ficámos amigos. Aqui há uns dias comunicou-me que se vai instalar em Pamplona. Até quando não sabe. Resolveu então brindar nuestros hermanos com um livro de poesia que reúne dois títulos que nunca publicou. Por isso lhe chama, com a ironia que o abraça permanentemente, ANTOLOGIA. Este "suburbanos" chegou agora por e-mail para me matar a curiosidade e aguçar o apetite para o repasto que o Oscar vai publicar na Estaleiro editora. Aguardemos.

Suburbia IV

Ao contrário do centro da cidade
o subúrbio não tem um ponto
nevrálgico, um epicentro

o subúrbio é um poema sem núcleo
espalha-se

não é como a semente do pêssego
de arquitectura fechada e silenciosa
e tampouco se parece com a gema
de um ovo, aberta e radiosa

o subúrbio é descontínuo
- e descontinua na vida dos seus habitantes

são 18h47 no vermelho digital do relógio
abre a janela, porque o subúrbio começa
a viver.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

...e o voto é secreto


Eis uma "ironia" que se inscreve na perfeição naquilo a que o João Gonçalves chamou a versão Manuela vai com as outras.
Imagem via câmara corporativa.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O melhor bacalhau à Brás de Lisboa


O Restaurante Fidalgo não é uma casa para todos. Há mesmo quem não se sinta lá bem. Não se pense com isto que, para fazer jus ao nome, a fidalga arrogância conquistou o lugar. Nada disso: Fidalgo é nome de família. Os eugénios - Eugénia e Eugénio Fidalgo - são os anfitriões: ela na cozinha; ele a dar ao badalo na sala. Dito isto: o Fidalgo existe e recomenda-se apenas para quem gosta de comer bem. Quem quiser mastigar qualquer coisa arranjará com certeza onde abancar; no Fidalgo não. É por isso que as suas portas são diariamente franqueadas por conhecidos e exigentes gastrónomos. Jornalistas, escritores, artistas, empresários pequenos, médios e grandes, gente de cá e de "lá de fora", vão entregar a sua comensal vontade aos méritos desta equipa que sabe misturar o bem cozinhar com simpatia. A produção é regional, sem a falsa modernidade das confecções em "seus mantos de não sei quê" e "em cama de coisa nenhuma".
É autêntico o que se come ali. E também não se bebe nada mal. A garrafeira da casa não esqueceu nenhum canto de Portugal. É o patriotismo gastronómico a içar a bandeira vinícola.
Está-se lá bem, quando se quer comer bem e passar um momento agradável.
Está-se mal, quando não arranjamos um bocadinho para ir até lá.
E hoje há bacalhau à Brás.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Morrissey


Diz que vai haver um "novo Morrissey" em Fevereiro. Oxalá. Mas enquanto não se confirma o anúncio, vou ouvindo o que já cá canta. Tudo começou com os "The Smiths". Quando o homem se fartou de trabalhar com o grupo, desfez a sociedade e estabeleceu-se com negócio próprio. Depois do trabalho unipessoal apresentado, já se percebeu que o ofício não foi perturbado pela demanda. Um clássico. Off corse.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A nova velha Esquerda

Há aqui qualquer coisa que ainda não percebi. Manuel Alegre agora é da Esquerda o mais à esquerda possível? E é alternativa ao Poder? Finalmente tem "ideias"? Será que está farto de descansar nas bancadas de São Bento? E será que os seus novos amigos se esqueceram do tempo em que o poeta foi Poder? A que se deve este inusitado flirt?
O Tomás Vasques lembra alguns pequenos promenores.

Reconhecimentos


Bush anda a dar as últimas. Foi ao Iraque despedir-se dos iraquianos. Um jornalista, em sinal de reconhecimento, resolveu oferecer-lhe um par de sapatos. Com o entusiasmo, por pouco não lhe acertou no toutiço. Claro que o ainda presidente mas pouco dos EUA não está propriamente precisado de uns vulgar sapatos. Para o homem sair de cena, o que dava mesmo jeito era um par de patins. Era o que os eleitores americanos lhe deveriam ter oferecido logo após o primeiro mandato. O jornalista iraquiano fez o que pôde. Foi generoso. Mas chegou tarde.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
Medina Carreira - Li atentamente a opinião do escritor Eduardo Pitta que fez link aqui, sobre Medina Carreira e não posso estar mais de acordo. Se fosse o conhecido economista a mandar já tinham sido postos na rua milhares de funcionários públicos. Os professores já tinham recolhido à escola. Muitos dos que ficam maravilhados com as suas palavras seriam os primeiros a ir para a rua protestar perante tanta perda de direitos. E nós todos já tinhamos levado em cima com todo o tipo de restrições. O senhor sabe do que fala, mas fala demais. De qualquer forma é melhor assim. Fale, fale à vontade, mas a seguir vá para casa. Não o queiram ver a governar.
João Deodato Lopes

Prémio Pessoa - Sou arquitecto e fiquei contente com o Prémio Pessoa atribuído a Carrilho da Graça. E estou de acordo consigo - Um projecto arquitectónico deve ser útil e agradável. Mas para se ser útil e não decepcionar é preciso muito trabalho. É esse trabalho que agora foi premiado. Cumprimentos.
João Carlos

sábado, 13 de dezembro de 2008

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Equívocos - Como de costume, muita gente excitada com a entrevista que o dr. Medina Carreira deu ontem à SIC-Notícias. Eu esta não vi, mas tenho visto muitas, a última das quais há menos de um mês, e gosto sempre de o ouvir, porque o dr. Medina Carreira demonstra saber do que fala e fala com desembaraço. Descontado o Apocalipse, aprendo sempre alguma coisa. O mais engraçado é que a maioria dos seus actuais groupies não faz a mais pequena ideia do que o dr. Medina Carreira faria para “meter a casa” (ou seja, o país) na ordem, se tivesse oportunidade para tanto. Continuar a ler
Eduardo Pitta | Da Literatura

Alguém esperava outra coisa? - A reunião entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores resultou em… nada! Alguém esperava outra coisa? Já se sabia que o resultado iria ser este, depois de, para uma reunião com “agenda aberta”, cada um dos parceiros partir mais como contendor, tendo anunciado que não fazia cedências, do que como interessado na negociação… Alguém esperava outra coisa, afinal?
A avaliação de desempenho é assunto que já mostrou o que vale: por um lado, pela dificuldade de ser discutida entre os actuais parceiros; por outro, pela ideia peregrina de que ela contribuirá para o sucesso, sem que se lhe adivinhe uma ponta de preocupação formativa; por outro ainda, pela transformação deste processo numa luta política, imposta por políticos, que, eles mesmos, não têm práticas de avaliação (bastará ver-se a confusão em torno das faltas na célebre sessão da Assembleia da República da semana passada!); finalmente, porque, provavelmente, tem que haver sempre a dicotomia entre os “bons” e os “maus”, como se está a ver neste processo, dependendo uns e outros das paixões dos adeptos. A sério: alguém esperava outra coisa desta reunião que houve na tarde de hoje?
Lamento tudo isto. Sobretudo por duas razões: porque os argumentos de parte a parte já cansam e não me convencem; porque a política está a invadir a escola. E todos saem a perder. Lamento tudo isto. Não só por uma questão de respeito (pelas profissões, pelos cargos, pelas instituições, pelas pessoas). Também por uma questão de coerência e de cidadania.
João Reis Ribeiro | Nesta hora

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carrilho da Graça tem prémio


O Prémio Pessoa 2008 distingue o trabalho de João Luís Carrilho da Graça.
Uma distinção para a Arquitectura, que dá muito jeito ao arquitecto. Útil e agradável, como um bom projecto arquitectónico.

Sons com história


Há sons que nos entram por um ouvido e saem pelo outro. Há outros que nos exercitam bondades de circunstância: os que nos envolvem em demenciais afectos depois de uns valentes copos. Há ainda os que nos afastam. E há sons assim: entram e não saem por muito que o Tempo, o tal escultor, os tente diluir na poeira dos ruídos. É o caso deste que agora aqui trago. Jim Hall é um grande músico. Quando gravou este "lp" tinha eu abandonado os calções há pouco. Foi um dos discos que me sentaram a ouvir Jazz na primeira fila. Hoje percebo que foi um bom começo. A capa e a literatura inclusa deslumbram pela competência e aprumo estético. As edições em vinil tinham a vantagem da dimensão. A versão agora disponível em cd reduz esse prazer, é claro. Mas a música propriamente dita está lá. A gravação é ao vivo. O ambiente é perfeito.
Há coisas que são mesmo assim: às vezes sinto uma irresistível vontade de convocar este Jim Hall para as minhas audições privadas.
É um privilégio.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O mais antigo realizador do mundo


Manoel de Oliveira
faz hoje anos. Quantos? Ora... 100. E então, dá-se por isso? Não? Pois claro.
É muito ano de vida. Há vidas que dão filmes. Ele fez o favor de passar muitas dessas histórias para a História. Foram muitas fitas. Curtas e longas. A preto e branco e a cores. Convocou grandes actores e actrizes, mas também alguns menos grandes. Da sua responsabilidade foram projectadas coisas meditabundas, outras divertidas e outras chatas como a potaça. Acontece aos melhores.
Uma vida muito bem vivida, com muita vida filmada.
Goste-se ou não... é obra.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Laurie Anderson


Tenho andado a ouvir "coisas" que se vão acumulando ali na estante. Esta grande senhora desloca-se com frequência até ao leitor. Chama-se Laurie Anderson. Estou a ouvir e a ver de novo tudo o que tem feito na música e na performance. Também há literaturas qualificadas que dão testemunho da sua excelência.
Anda por aí nas lojas da especialidade. E é mesmo especial.
Um prazer que se renova sempre.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

As opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
Congresso - Olá: Dou-lhe os parabéns pela sua análise critica ao deslumbramento dos media perante o PCP. Aquilo, todo aquele espectáculo, até a encenação do congresso estalinista é perfeitamente patético.
Cumprimentos.
Lourdes Féria With Bubbles

Mega - Também gostei muito do livro de António Mega Ferreira. Tem razão, é uma história para quem gosta de circular em Lisboa, mas é também uma história do mundo. Tem humor, romance, e, acima de tudo, Literatura. Gosto das suas opiniões e do blogue. Parabéns.
Maria Clara Ferreirinhas

Parabéns - Parabéns por mais um ano de cirurgias!
Mando-te um assunto que devia ter sido alvo de discussão pelos camaradas, mas a direcção não quis touradas no Campo Pequeno.
Os campeões da defesa dos trabalhadores no seu melhor. O BE levou a mesma moção às AM de Almada e Lisboa, o PCP votou a favor em Lisboa onde é oposição e votou contra em Almada onde é poder. Portanto, podemos concluir que o PCP só defende os trabalhadores quando se encontra fora do poder.
Um abraço do
Adelino Chapa Bloguite

Cirurgião de serviço - Todas as mensagens que incluem opiniões fisicamente agressivas, assim como outras igualmente dementes, vão directamente para o caixotinho que os computadores têm no canto inferior direito. O esforço dos grunhos é, aqui na casa, perfeitamente inglório. Mas há sítios onde podem chafurdar à vontade. Vão até lá, ok? JTD

Nota: Excepcionalmente "a voz dos pacientes" não foi postada ao domingo. Outros afazeres se impuseram. Desculpas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

António Alçada Baptista

1927 - 2008
Homenagem ao escritor, ao editor, ao homem de Cultura.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A blusa de Matisse


Que outro vazio se esconde por detrás desta desmedida ambição de fazer História através da pequena história de acidentes e casualidades que é o destino de cada um? Apesar disso, foi um deles que disse ser a História uma "confusão cruel e imbecil", tal como o génio, disse outro, é "uma aposta estúpida". É curiosa a surdez desta espécie aos sinais que os sábios lhes enviam intermitentemente: se os ouvissem, se lhes prestassem atenção, que é uma coisa que muito custa aos humanos porque andam a ouvir-se falar, como crianças que acabassem de descobrir que o barulho que produzem com a voz suscita o deslumbramento dos outros, se prestassem atenção, dizia eu, compreenderiam como a vaidade da História e a ilusão do génio andam de mãos dadas nesta aventura demencial e impossível que é a sua ambição de glória e posteridade. A blusa romena António Mega Ferreira

A história passa-se em Lisboa, mas convoca gente de outras geografias. Ceausescu e o seu fastidioso regime são alumiados. Há um escritor competente, um «caixeiro-viajante de almas» - seja lá isso o que for -, uma rapariga que dança à volta de um varão, e muito mais gente que circula nos ambientes em que todos circulamos quando preferimos Lisboa para circular. O quadro de Matisse que empresta o título ao livro é o motivo de todos os enleios.
Um bom romance que anuncia novas ideias do seu autor. Lê-se com prazer e fornece boa disposição. Gostei muito.

Título: A blusa romena
Autor: António Mega Ferreira
Design: Atelier de Henrique Cayatte com Susana Cruz
245 páginas
Editor: Sextante editora

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pobre povo

Jerónimo de Sousa está a falar com Judite de Sousa, na RTP1. Aquilo é o quê? Desinformação, falta de honestidade ou "manteiguice eleitoral" pura e simples? É esta criatura que aconchega um capital de simpatia entre o povo trabalhador português?
Pobre povo trabalhador português.

Pregação

Há 5 anos que o Diário Ateísta anda a falar da falta que a religião faz ao mundo: nenhuma.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Que farei com este plano?


As coisas não correm de feição a este senhor. Quando andou por cá, e se previa que tempos difíceis se aproximavam, achou por (seu) bem pôr-se a milhas. Agora, que a rejeição do plano económico salvador que engendrou lhe mina o trajecto, que fará?
Haverá um caminho sem pedras por onde este "orgulho nacional" possa circular tranquilamente?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Só mais esta

Na entrevista a Mário Crespo, Bernardino Soares, comovido com a eficácia com que os seus camaradas arrumaram o Campo Pequeno logo após o Congresso, esclareceu-nos como seria se os deixassem governar: se a carregar cadeiras e tampos de mesa os comunistas dão cartas, a governar o país imaginem como seria.
Para o alto responsável do PCP governar é assim como carregar volumes de um lado para o outro.
É triste, mas é este "valet de chambre" que lidera a bancada parlamentar do PCP, em vez de andar a carregar caixotes num armazém de revenda.

A espuma dos dias

Os 4 dias que mudaram a informação em Portugal terminaram hoje. Mudaram durante apenas os últimos 4 dias, é bom de ver. Ou seja, ao contrário da lamentação de Vitor Dias, os meios de comunicação foram infectados pelas loas aos amanhãs que cantam. Com primeiras páginas preenchidas e tudo. Ainda agora estou a ouvir o esforçado Bernardino proferir as habituais inanidades, numa entrevista a Mário Crespo. A SIC-N, aliás, mais pareceu uma espécie de Avante televisivo. Agora chega: vão defender os regimes infrequentáveis e as medidas "democráticas" no segredo dos vossos "centros de trabalho". Claro que poderão contar com muitos professores do secundário para as gloriosas arruadas. Mas a democracia continua e tem soluções que não estão inscritas nos vossos catecismos. As medidas que propõem não se ajustam às vontades do povo que tanto dizem amar. Todos conhecemos o fato que nos gostariam de vestir. A espuma dos dias está preta. Mas não precisamos do vosso detergente para nada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008