quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

As asas da literatura



Hoje, na Fundação Luso-Americana, Gonçalo M. Tavares vai falar sobre um dos grandes da literatura dos nossos dias: Philip Roth.
A sessão é integrada no ciclo ASAS SOBRE A AMÉRICA/WINGS OVER AMERICA, organizado por Filipa Melo.
Até logo.

Fundação Luso-Americana
Auditório | 18,30 h.
Rua do Sacramento à Lapa, 21, Lisboa 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

As novas trapalhadas

O inexistente Luís Filipe Menezes já anda para aí a dizer que assim que for primeiro-ministro acaba com a publicidade na RTP. O canal do estado fica destinado apenas ao serviço público. Tipo repartição de atendimento e esclarecimento, estão a ver?
Estes candidatos a candidatos a chefes de governo começam sempre por propor fazer estragos nos meios de comunicação que estão mais à mão. É uma tentação indominável.
Esta até parece uma grande medida. Mas não é.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Retábulo de Évora em Lisboa


O Museu de Évora fechou para obras de conservação. O Museu de Arte Antiga mostra pela primeira vez ao público o Retábulo da Sé que o Museu de Évora guarda. Uma oportunidade para se conhecer a obra depois de uma rigorosa operação de restauro.
A imagem da exposição e o Design de comunicação foram desenvolvidos por nós, na DDLX.
É verdade: o museu tem um agradável restaurante, com esplanada no jardim, de onde se descobre uma esplendorosa vista sobre Lisboa e o Tejo. Apareçam por lá.

Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes, Lisboa
Horário: Terça-feira 14-18 h. | Quarta-feira a domingo: 10-18 h.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

And the winner is...


Estou a ver a entrega dos prémios da Academia. Com a quantidade de fitas fantásticas produzidas esta temporada, estou-me nas tintas que ganhe xis ou ípsilon. Ainda não vi "Este país não é para velhos". Li o livro. De Cormac MacCarthy preferi "A Estrada". Contudo, acredito que com os irmãos Coen atrás das máquinas, e com Tommy Lee Jones na frente, a coisa deve ter resultado.
Mas como o "chefe" Ratatui já levou um boneco para casa, já posso ir dormir descansado. Até pode levar o de melhor actor. Para rato é do melhor que tenho visto. Já é tempo de o Mickey ser mandado para o buraco.

Metamorfoses


Saiu fumo branco do encontro dos dirigentes cubanos. O novo chefe foi eleito. As eleições não são para todos. Só para os que concordam com Fidel. Daí a escolha: o irmão Raul, número dois do regime, sobe ao trono. Não por acaso, o número dois do Vaticano desembarcou na ilha. Todo um programa de oportunidades para as religiões poderosas.
A oportunidade de se instalar uma democracia em Cuba é que se esfuma, com tanta disputa.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Exageros

Santana Lopes continua a portar-se como se de um antigo primeiro-ministro se tratasse. Aconteceu, de facto. Esse incidente deu-se há mais de três anos, e durou pouco mais de três meses. A Comunicação Social também parece acreditar neste sebastianismo, e o homem, nas sucessivas entrevistas que concede, investe-se no papel de verdadeiro líder da oposição, embora o negue. Santana vê a Política como um permanente exercício de exibição pessoal. Na entrevista ao DN aflora a dúvida sobre quem lançou o famoso boato sobre a sexualidade do então futuro primeiro-ministro. Muito atabalhoadamente, insiste em justificar a indecorosa expressão que alegadamente definiria as preferências de Sócrates: "Há quem prefira outros colos", disse num encontro com mulheres suas apoiantes. Quem parece andar com o "ex primeiro-ministro" ao colo é a Comunicação Social. É certo que ele se põe a jeito, mas esta atenção parece exagerada. O líder é Menezes, lembram-se?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Meter água


As últimas cheias permitiram que existisse esta interessante imagem. Foi em Setúbal, onde a gestão autárquica mete água a todo o instante. Os autarcas setubalenses continuam a nada fazer para que a cidade exista. Agora existe pelos piores motivos. Estas enxurradas afectaram as populações, é claro. Lamenta-se. Quanto às criaturas que ocupam o edifício da Praça Bocage, ninguém dá por elas. Mas lamenta-se que o ocupem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Américas


Eduardo Lourenço na Fundação Luso-Americana.
A América das fitas observada por quem as devorou. Quem não adoptou o Cinema para alegrar e ilustrar a passagem à idade adulta?
Casa a abarrotar. Acontecimento marcante.
Para a próxima semana é a vez de Gonçalo M. Tavares.
Parabéns à Filipa, pela iniciativa.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Difícil escolha

Duas iniciativas, qual delas a melhor, coincidem no dia e na hora. Carlos Curto fez o "Uivo do Coiote", de Luiz Pacheco, e vai mostrar o que fez nas tábuas da SPA. Filipa Melo está a organizar um ciclo de conferências de se lhe tirar o chapéu, na Fundação Luso-Americana. Para além da excelência das propostas, está o envolvimento de dois amigos que acompanho de perto.
O problema é escolher o sítio onde acabar a tarde de hoje.

Propaganda

Propaganda


Quinta-feira, 21 de Fevereiro, 18,30 horas
SPA – Sociedade Portuguesa de Autores.
Auditório Maestro Frederico de Freitas.
Av. Duque de Loulé, 31, Lisboa

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Um partido no banco dos réus

A Somague resolveu ajudar o PSD a fazer campanha. O partido foi pago através de uma empresa de comunicação que alinhou na tramóia. Agora, a justiça funcionou: o PSD foi condenado. A credibilidade das empresas envolvidas depende de como se apreciam estes actos.
Deviam ser sempre apreciados no banco dos réus.

Reforma de rivais


Fidel Castro não vai despir o fato de treino tão cedo. Já não tem preparação física para exercer o poder. Daí a retirada voluntária. Jerónimo de Sousa já homenageou a livre opção do seu companheiro. Provavelmente, Fidel é o único que pode experimentar tais liberdades lá na ilha. Mas houve outro cromo a dizer das suas sobre esta retirada. Bush confia que Cuba vai ter finalmente uma democracia. Ainda bem que ele está de abalada. Em princípio não vão ser aplicados os seus métodos libertadores. Os dois futuros aposentados bem se podiam juntar nos bancos da reforma. Viveram ambos a experiência de exercer o poder sem o favor das urnas. Bush durante um mandato. Fidel durante quase cinquenta anos. Não é dificil perceber quem melhor lança os dados. Mesmo num vulgar jogo da batalha naval, é provável que o ditador cubano bata o tótó americano aos pontos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Depois do adeus

O novo programa apresentado por Maria Elisa, difundido logo após o "conta-me como foi", é uma boa amostra do Portugal de Salazar.
As cheias de 1967 dizimaram populações. O regime não permitiu a divulgação dos factos. O número de mortos foi habilidosamente subtraído nas notícias. Nada era assim tão grave. A incompetência e a desonestidade da ditadura não eram mencionáveis.
Aqui há uns meses, Elisa norteou um concurso em que Salazar saiu vencedor. Agora apresenta um programa que lhe condena a acção.
Sempre se faz alguma justiça.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ai Kosovo

Mais um país independente no espaço europeu é uma atitude sociologicamente simpática. Os russos não reconhecem esta independência, o que acrescenta ainda maior antipatia ao regime de Putin. O Kososo é um projecto complicado. Não basta declarar independência. É preciso perceber a viabilidade destes territórios quando sujeitos ao deus-dará. É claro que vai ser a Europa a pagar a despesa. Nós, os portugueses, já conhecemos a lição de cor e salteado.
Timor é uma escola.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O fundo do túnel

O túnel do Rossio já abriu. Foi reinaugurado com pompa. Houve festa grossa e gente fina. Depois veio o rosário do costume: atraso das obras em dose excessiva, derrapagem financeira, desconfianças quanto à segurança. Em túneis, como em quase tudo, somos assim: a luz está sempre lá muito ao fundo. E dificilmente se encontra.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Grande prémio

Estava tudo combinado. O governo de Santana Lopes favoreceu o Casino de Lisboa, diz a edição online do Expresso. Um governo que apostou no Casino mas perdeu. O prémio saiu à casa.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ruy Duarte de Carvalho no CCB


Na minha opinião, estamos perante um dos maiores escritores de língua portuguesa. É um escritor extraordinário e desculpem mas eu nestas coisas sou fanático, é absolutamente extraordinário e as pessoas têm que ler este escritor.
(...)
Este é um desses certos livros, é um livro extraordinário, luminoso nas aproximações que faz entre Angola e o Brasil, entre os fenómenos migratórios que houve do Brasil para Angola. E depois passa por aqui tudo. Passa por aqui o Antônio Conselheiro, passa por aqui o Lampião, passa por aqui a história da Rainha Ginga.

António Mega Ferreira

Ciclo Ruy Duarte de Carvalho no CCB
Fevereiro e Março | EXPOSIÇÃO “Essa maneira de convocar tudo” Galeria Mário Cesariny
13 de Fevereiro | DEBATE SOBRE IMAGE - 18H30 - Sala de Leitura
13 de Fevereiro | CINEMA "Nelisita: narrativas nyaneka" - 21H00 - Sala de Ensaio
14 de Fevereiro | CINEMA "Moia: o recado das ilhas" - 21H00 - Sala de Ensaio
14, 15 e 16 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 18H30 - Sala de Leitura
17 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 16H00 - Pequeno Auditório com a presença de Ruy Duarte de Carvalho
15 e 16 de Fevereiro | TEATRO "Vou lá visitar pastores" - 21H00 – Pequeno Auditório

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Bichos carpinteiros na casa de Pessoa


São dez da noite. Acabo de chegar da Casa Fernando Pessoa, onde o bicho carpinteiro José Medeiros Ferreira fez um relato da sua passagem pelos livros que não esqueceu.
É engraçado perceber que, esvaziadas as proporções, há livros inesquecíveis que vão habitando as estantes de todos nós. Medeiros Ferreira tirou da cartola Camus e Berberova.
Dois autores que já me fizeram companhia um ror de vezes. E estão aí para durar. A palestra foi notável. O que a gente aprende com quem sabe.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O verdadeiro líder


Santana Lopes encetou uma intensa "presidência aberta". Corre a parvónia de lés a lés. Não é presidente do partido, nem tenciona ser, diz. Esta é a sua forma de estar na política. Sempre no laréu. Corre por gosto. Não escolhe pistas. É preciso chegar à meta. Seja ela qual for.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Outra vez futebol?

Cavaco Silva não concorda com a organização do Mundial de Futebol em 2018. Diz que não é uma prioridade para Portugal.
A hipótese de dividirmos as despesas com Espanha não o convence.
Concordo. O que aí vem não promete. Mas, mesmo que a coisa corra melhor do que se espera, não vejo como recompensa um esbanjar de emoções em dispendiosos relvados.
O Presidente faz bem em não ir em futebóis.

Vai passar a procissão

O Bispo Policarpo revelou, pelo Natal, que a falta de fé é o maior drama da Humanidade. A coisa ferveu entre quem comenta a espuma dos dias. Agora resolveu pôr água na fervura: "Quem acredita no Deus vivo e vive com Ele, não sabe imaginar a vida sem Deus, como certamente um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus". O Cardeal Patriarca acertou. É difícil imaginar viver e amar sem o conforto do retorno. Mas adiante. "Não poder escutar a palavra de Deus é ficar limitado à luz que brota do homem, tantas vezes distorcida pelos contextos culturais e históricos". Espantoso. As distorções culturais e históricas decretadas pelas igrejas dariam para uma tal procissão que levaria a um percurso de séculos. É esse trilho que percorre o Cardeal.
Muitas vezes é tormentoso. Parece uma promessa.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Política sem poetas

Carlos do Carmo defende, em entrevista ao Diário de Notícias, que "um artista não pode ser militante de um partido". Ou seja, quem canta não pode acumular com outro tipo de voz. Não pode ser o cidadão que entender. Quanto muito vota e cala.
O fadista ganhou um prémio em Espanha e agora não para.
A retórica pedagógico-maçadora inunda jornais e televisões.
Com este prémio inchou. O discurso balofo virou instituição.
De Manuel Alegre diz que "é um poeta e os poetas são os poetas.
Eu consigo mais ver o Manuel como um poeta do que como um político, é curioso".
É curioso, digo eu: não vejo nem uma coisa nem outra.

Prémio e castigo

Manuel Alegre continua a pôr-se em bicos de pés, insistindo em existir politicamente. Como poeta até parece que recebeu um prémio da Casa de Mateus. De facto, poeticamente poderá considerar-se uma espécie de Mateus rosé - uma escrita desenxabida, sem corpo nem cheiro, que convoca vagos heroísmos.
António Guerreiro, em comentário à distinção, no Expresso de ontem, não pode ser mais claro: "Manuel Alegre vai ao arquivo dos significados 'poéticos' cristalizados e constrói com eles um edifício de metáforas e símbolos vazios, bem mortos. Esta poeta-metaforização que se quer fazer passar por poesia - mas não passa de mera imitação de poesia - é um logro tão grande como a grandiloquência do vate presumido".
E mais à frente: "Mas, com meios que não vão além de simbolismos de pacotilha e euforismos de salão, bem pode Manuel Alegre invocar o mar, convocar tempestades, e evocar ondas que nem a mais leve brisa por aqui passa".
Nem mais.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

LVT 7


A primeira revista LVT deste ano já por aí anda. Neste número destaco o texto de Fernanda Câncio sobre os comerciantes da Baixa que não querem vender. Mas há mais: David Lopes Ramos foi até à zona de Palmela perceber o que por lá se come e bebe. Carla Maia de Almeida falou Com Ana Teresa Vicente, presidente da autarquia. Carla Amaro falou com José Eduardo Carvalho, presidente da NERSAT - Núcleo Empresarial de Santarém. Guto Ferreira e Pedro Soares fizeram os retratos desta gente toda. Nós, na DDLX, tratámos da edição e imagem.
Os textos podem ser lidos aqui

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ignorância internacional


Um estudo de opinião, feito no Reino Unido, informa que 23% dos ingleses não acreditam que Winston Churchill tenha existido. Já 58% dos inquiridos garantem que Sherlock Holmes andou por lá a investigar crimes. A ignorância não é privilégio apenas do pessoal cá do burgo que abre os telejornais aos gritos. Os súbitos pouco informados de sua majestade são tão brutinhos como os nossos.
Por cá, já se ouviu alguém asseverar, em entrevista de rua, para uma estação de televisão, que o primeiro-ministro empossado logo após o 25 de Abril de 1974 foi Salazar. Seja como for, não estou a ver alguém pintar o ditador com as cores da ficção. Digo eu, mas não garanto nada.
Provavelmente estamos quites. A ignorância é universal.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Je t'aime... moi non plus


Nicolas Sarkosi e Carla Bruni já não são os príncipes encantados do conto de fadas francês. Os franceses não estão para assistir sentados ao foguetório lançado dos lados do Eliseu. Tanta paixão e felicidade despertou antipatia. O Presidente nunca esteve tão em baixo nos testes de popularidade. Claro que não está em causa o seu desempenho político. Cá para mim é inveja.

Amigos para sempre

Sabemos que José Miguel Júdice não se desloca para beber nem um cafezinho com Marinho Pinto. Agora vem garantir que o novo bastonário da Ordem dos Advogados dá ares a Mussolini e a Chávez. Ou seja, é uma espécie de demagogo populista. As denúncias de corrupção que disfere são irresponsáveis apesar de corresponderem a um estilo com possibilidades de futuro. Futuro que, segundo Júdice, pode levar Marinho Pinto a candidato da Esquerda contra Cavaco, nas próximas presidenciais. Não creio que tal pesadelo nos possa apoquentar. Não me parece que seja um populista o candidato escolhido pela Esquerda para Belém. A não ser que seja para "queimar". Mas, até lá, e percorrendo trilhos tão arriscados, o bastonário ficará provavelmente esturricado.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Eles querem comer tudo...

Dezenas de detentores de cargos políticos tentaram ocultar as suas declarações de rendimentos. Num tempo em que os rendimentos de todos nós estão em permanente análise, em que um ligeiro atraso no pagamento de impostos está sujeito a multas e o seu não cumprimento à exposição pública, esta gente propõe uma ousadia destas. Nada tenho contra as normas que vigiam os nossos comportamentos nesta matéria. Mas, ou há moral ou comem todos, lá diz o outro.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.

Eles comem tudo

As associações patronais querem despedir a torto e a direito. Os motivos são de uma desumanização básica: basta que o patrão queira renovar quadros porque sim. O empregador chega um dia ao local de trabalho e percebe que aquela gente já anda ali a meter nojo. Acciona os mecanismos que a lei lhe permite e "ala que se faz tarde": tudo para o olho da rua. Embora aí arranjar gente nova que já não posso olhar para a cara destes trastes.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Autoridade secreta

O responsável máximo da Judiciária diz que "houve uma certa precipitação" ao constituírem os pais de Maddie como arguidos no processo. Parece que foi o que muita gente achou na altura.
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?

Nigth and day

Telmo Correia ter assinado 300 despachos na noite antes de bazar, não nos deve tirar o sono. Provavelmente foram autorizações para comprar canetas e assim. O homem não quis que o seu sucessor achasse os serviços do ministério uma piolheira. Fez bem. Mas o que é que ele terá feito durante o dia todo?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Está tudo doido?

O Presidente da República foi homenagear o rei morto há cem anos. A festa foi em Cascais e meteu estatuária e tudo. Cavaco lamentou: "Quis o destino que D. Carlos enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar". Será que o Presidente se refere aos crimes da monarquia? Serão essas as tempestades que incomodaram o rei? Mas qual a razão do lamento de Cavaco? Será o Presidente monárquico? Ou será que está tudo doido?

Pessoas



Francisco José Viegas vai sair da Casa Fernando Pessoa. Vai voltar a dirigir a revista LER, que assim volta a ser publicada. Colaborei nas primeiras edições. Era ainda director António Mega Ferreira. Fui director artístico desde o primeiro número. Depois, com o Francisco ao leme, a colaboração continuou. Foi nesse tempo que criei a Estuário, para editar livros de bolso e oferta. Foi o Francisco José Viegas que me sugeriu o nome, por a sede da editora ser então em Setúbal, junto ao estuário do Sado, portanto. Pareceu-me uma boa ideia. Aceitei a sugestão. Entretanto saí do projecto LER. O Francisco continuou. Saiu mais tarde. Agora vai regressar. Espero que lhe dê um bom rumo. Mas também espero que a Casa Fernando Pessoa mantenha a animação encetada.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O regicida invisível


O centenário do regicídio tem andado na ordem do dia. A distância dita diferentes opiniões sobre o assunto. A Câmara Municipal de Castro Verde pediu a Paulo Barriga que fosse saber da vida de Alfredo Luís Costa, nascido lá para aqueles lados, e de quem pouco ou nada se sabia. O Paulo pôs-se na coisa e revela neste livro o que aprendeu sobre o tal Costa. Estas suas palavras esclarecem o que se pretende, para que não hajam dúvidas:

Esta é a crónica possível sobre a vida de Alfredo Luís da Costa, o regicida que a História abandonou. É um exercício jornalístico, puro e duro. Uma narrativa histórica, composta por três andamentos distintos, autónomos, e, simultaneamente, complementares. É um trabalho de reportagem resultante da leitura livre de documentos, periódicos, estudos, depoimentos, memórias escritas e relatos da época. Que são tratados de viva voz, sem qualquer tipo de condicionamento académico ou científico, como se os protagonistas não existissem na lonjura de um século, mas sim nos tempos correntes. E também por isso respondem estes três artigos à principal circunstância do jornalismo: a actualidade.

A definição estética foi feita por nós, na DDLX.

CRÓNICA DO REGICIDA INVISÍVEL - Alfredo Luís da Costa
Autor Paulo Barriga
edição Câmara Municipal de Castro Verde
lançamentos:
1 de Fevereiro, 18H30, Fórum Municipal de Castro Verde
2 de Fevereiro, 15H00, no Centro de Convívio de Casével
12 de Fevereiro, 18H00, na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa

País pequeno

Viriato Soromenho Marques acusa esta semana no radar:flashback da Visão:

O desabrido ataque de intelectuais à lei que visa limitar os danos do tabaco revela como parte das nossas elites não entende o seu lugar de destaque na sociedade como responsabilidade social, mas como privilégio em matéria de direitos, e isenção no plano dos deveres. Ter profissionais do pensamento a violar o mais elementar bom senso deixa o País ainda mais pequeno.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A piolheira e a República

Concordo com Fernando Rosas, na reacção a opinião de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje. O que está em causa não são os salamaleques de ocasião em redor de uma figura histórica. Falamos de opção por um outro regime, quando falamos do fim da monarquia.
Ninguém está a ver um regime que aclama reis, duques e condes reconhecer os brios de uma efémera república passada. Nem na civilizada Espanha isso acontece. Então qual a razão de fardarmos o exército a rigor para homenagear o defunto D. Carlos? O que lá vai, lá vai. Claro que é lamentável matar gente. Seja rei ou plebeu. Mas fazer a apologia do privilégio não me parece muito civilizado. E chamar civilizado e cosmopolita a um rei que achava os seus súbitos uma piolheira do pior não me parece a melhor opção humanista.
O resto está explicado, e bem, por Fernando Rosas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Remodelação possível?

Dois ministros foram à sua vida. Entram outros dois para mostrar o que valem.
Era bom que a remodelação fosse alargada a outras figuras experimentadas em inabilidades várias.
Não foi. Fica para a próxima.
Veremos se não serão os agora empossados os mais prováveis remodelados, num futuro próximo.
Há pastas pesadas.

Anda ver o mar


A Câmara de Lisboa passa a tomar conta dos terrenos junto ao Tejo, deixando esta área de pertencer à administração do porto.
A zona ribeirinha está a ser preferida por muitos lisboetas para os momentos de lazer.
Alargando-se o espaço de utilização, alargam-se as possibilidades de novos pontos de interesse. Como estava, como imenso armazém sem uso público, é que não servia para grande coisa.
Esperemos que seja para uso público, mesmo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A Polícia e a Democracia


O director da ASAE é já o alvo preferido dos detractores do organismo fiscalizador. É fácil acertar-lhe. O homem é especialista em contradizer o que apregoa. No Parlamento resolveu revelar a sua "normalidade" como transgressor. Mas apesar dos exageros e atropelos, comparar um organismo criado para melhorar a qualidade de vida das pessoas com a polícia política do Estado Novo é no mínimo excessivo. E ofensivo. A ASAE controla e tenta eliminar crimes de pirataria e outros funcionamentos pouco elogiáveis. A PIDE controlava e eliminava ideias e os seus praticantes. E sem grandes conversas.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Partido Alegre

Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje, no Público, põe-se a adivinhar o futuro próximo. Sócrates já era, agora há que dar voz ao movimento de Alegre. Os "alegres" querem fazer um partido para combater o actual estado de coisas.
Manuel Alegre, o político que sempre esteve instalado nos gabinetes do poder, mas com um pé de fora, é agora o arauto do inconformismo. Tudo leva a crer que, se der ouvidos aos seus seguidores, formará um partido em breve. Causa já tem. A luta dos pequenos partidos preenche páginas dos jornais. O poeta da revolta poderá liderar o movimento. Comparado com a matula que se aloja naquele "albergue espanhol", Alegre é um "cinco estrelas". Tem futuro político, o bardo.

Seca


Não fui ver a ópera de Emanuel Nunes ao São Carlos.
Pareceu-me excessiva a permanência de quatro horas numa sala de espectáculos. Só mesmo uma obra genial merece tal dedicação.
O Henrique Silveira e o Augusto M. Seabra tranquilizaram-me: até parece que fiz bem em não pôr lá os pés.
Obrigadinho aos dois.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Capitão Justiça

Marinho Pinto, o novo bastonário dos causídicos, despiu a toga e zurziu forte e feio na corrupção e nos corruptos. Estes gritos de revolta têm sempre sucesso assegurado. Um justiceiro é sempre bem vindo ao terreiro. Se sabe assim tanto é melhor que fale e depressa. O silêncio não leva a lado nenhum. Mas já não há pachorra para super-heróis de ficção. Não dá para acreditar que esta sede de justiça não passe de leviandade e vontade de dar nas vistas. Se assim for, será melhor que se cale. Veremos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Porca miséria

Romano Prodi caiu. O parlamento assim votou. Depois foi o que se viu: grande festividade com champanhe e tudo, violentíssimos insultos, enfim, uma algazarra a condizer com um sítio de muito má frequência.
Não se imagina tal coisa no parlamento português. Mas, se tal acontecesse, lá viria o já gasto "isto só neste país".
Ora, nem tudo o que é mau tem de acontecer por cá.
Brandos costumes? E então?! Para pior já basta assim.

Política e postas de pescada

Pedro Santana Lopes agora tem razão. Tratar da intervenção de um grupo parlamentar, eleito democraticamente, como se de uma mera estrutura comercial se tratasse, não é aceitável. Santana sabe que estas encomendas não asseguram grande eficácia na promoção das decisões políticas. Logo, juntou o útil ao que achou que deveria fazer, não permitindo que a empresa de comunicação fosse para ali largar postas de pescada. Era bom que a atitude fizesse escola. A política, em democracia, é um assunto demasiado precioso para se deixar entregue a operações de marketing, com o risco de um elaborado projecto de lei ser apresentado como um produto em promoção no supermercado da esquina.

A não ser que o líder parlamentar do PSD queira ensaiar a direcção bicéfala. Nesse caso, esta decisão não passa de uma forma de dizer ao outro líder que há lugares onde quem manda é ele.
Essa será outra conversa. Mas é lá com eles.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Legalização da fé

A igreja da cientologia já está em Portugal. Parece que já por aí andava em surdina, mas agora soltou-se, veio para a luz do dia.
Há coisas assim: burlas que interferem na vida de pessoas são levadas a sério, tornam-se legais e podem espalhar livremente a sua retórica da treta. É a tolerância. Tudo bem. Resta-nos denunciar os riscos destas normais demonstrações de tolerância.
É a defesa do cidadão que o exige.
A DECO não pode fazer nada?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um sindicato com paredes de vidro

Baptista-Bastos saíu do Sindicato dos Jornalistas. Aponta falta de solidariedade, por parte do organismo a que pertence vai para cinquenta anos, na contenda com Alberto João Jardim. O presidente do sindicato já lamentou a divulgação na imprensa da decisão do jornalista e escritor. Um sindicato com paredes de vidro com medo das pedras dos vizinhos. A atitude de Baptista-Bastos parece-me precipitada. Esta direcção do Sindicato não é eterna. E um "fascista grotesco” não merece tão definitiva atitude. Digo eu...

Pobres e burros


Em comparação com o ano passado, os casinos portugueses duplicaram os lucros. Portugal é um dos países europeus que mais joga. Vão abrir mais três destes locais de fortuna e azar nos tempos mais próximos.
Não acreditamos nos valores do trabalho, pelos vistos, mas não dispensamos o conforto das alcatifas que nos prometem sorte sem esforço.
Fascínio por um falso luxo. Ilusão na busca de sofisticação.
Será que não passamos disto?
Vida de pobre, esta.

As Metamorfoses de Agustina


Agustina Bessa Luís viaja pelas vidas das mulheres dos seus romances. Levou Graça Morais consigo. Graça Morais, também habituada a "tratar" mulheres no seu trabalho, escolheu as telas que melhor companhia fazem às metamorfoses de Agustina. O resultado revela-se uma feliz aproximação entre duas pessoas habituadas a conviver com mulheres de carácter, forjadas por ambientes de adversidade mas também de paixão. Uma boa associação de ideias.
Um belíssimo livro.

Titulo As Metamorfoses
Autoras Agustina Bessa Luís | Graça Morais
Dom Quixote editou
Custa 44,10 euros

domingo, 20 de janeiro de 2008

Blogue livre de armas nucleares

A insistência, com direito a explícita menção, de que é permitido fumar, exibida em muitos blogues, faz-me lembrar aquela ridícula "palavra de ordem", ostentada pelas autarquias a mando do PCP, que nos descansava com um esclarecedor: "Município livre de armas nucleares".
Claro que os tempos são outros. E perdoem-me a impertinência, mas, quem se importa que, no sossego frente ao monitor, as baforadas se propaguem como nevoeiro cerrado?
Na nossa solidão sempre fomos livres. Ou não?

Globalização do terror

Portugal já está no rol de países europeus a atacar.
O medo alastra e instala-se.
A globalização do terrorismo está aí em força.

Mal-agradecidos

Uma senhora da Polícia Judiciária, responsável por um departamento de combate à corrupção, assegura que os principais corruptos estão nas autarquias. É claro que isto não é verdade. A rapariga que nos garante tal coisa até é bem gira. Logo, deve tratar-se de uma figurante, contratada numa qualquer agência de modelos, em campanha contra os nossos valorosos autarcas.
É uma injustiça. Se é.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Paixão


Soraia Chaves, a actriz que foi "prostituta de luxo" no filme de António Pedro Vasconcelos, diz, numa daquelas entrevistas de cacaracá, a um suplemento do DN, que o seu filme favorito é "Lendas de Paixão". Também gosto muito deste filme. Este desabafo de Soraia pôs-me a rever a fita. Já temos qualquer coisa em comum. Mas isso não quer dizer nada, claro.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Para acabar de vez com a História de Arte


Leonel Moura inventou uns robots pintores. Agora tratou de pôr os ditos robots a dar cabo de quadros famosos de grandes mestres da Pintura- Warhol, Rauschenberg, Frida Kahlo, Van Gogh, Kandinsky, Leonardo da Vinci, Amadeu de Sousa Cardoso e Picasso. Acontece que esta atitude sem complexos, para além do conceito em si, nos fornece trabalhos muito interessantes. Chamou a este desalinho "Para acabar de vez com a História de Arte".
Abre hoje à noite.

LEONEL MOURA ARTe
Rua das Janelas Verdes, 76
Terça a Sábado das 13.00 ás 19.30 horas
www.leonelmoura.com

Menezes & Ribau, Recursos Humanos. SA

Luis Filipe Menezes encara a política como um negócio de ocasião.
Ele responde por uma poderosa empresa de mediação de recursos.
É competente e recomenda-se: já ditou as regras para quem mexe no dinheiro e agora quer decidir quem deve comentar o estado a que isto chegou. Como é um democrata e um espírito aberto, coloca sempre a possibilidade de negociar com a concorrência directa as hipóteses de negócio.
Um empresário de sucesso num mundo com futuro.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Solidão partilhada

Pelas notícias televisivas percebemos a quantidade de accionistas que o BCP tem. Parece que é toda a gente.
Eu não. E acho que vou ficar nesta solidão.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Retrato musical


Rodrigo Leão fez a música para o programa de António Barreto e Joana Pontes, exibido na RTP.
É um retrato musical de um país que passa a vida a fazer poses para o boneco. Sons ora sofridos, ora nostálgicos, tal como o nossa tristeza cantada. Há fado nesta música. Há um bom ambiente neste CD.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Pingue-pongue

O pingue-pongue entre Rui Tavares e Helena Matos chegou ao fim. É o que Rui Tavares diz na sua última jogada, no Público de hoje. Foram momentos de lucidez, os passados nesta mesa de jogo. Helena Matos e Rui Tavares foram pagos para discordar, mas, segundo Tavares, até o fariam de graça. Um e outro representam o que de melhor a opinião profissional tem para dar em Portugal.
Concordei mais com Rui Tavares. Mas, por vezes, senti dificuldade em discordar de Helena Matos. Concordei mesmo.
Que tudo corra bem para os dois.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Miguel e a poesia


O poeta Miguel de Castro faz hoje 83 anos. Liguei-lhe ao princípio da tarde. A saúde bastante debilitada não foi impedimento para uma longa conversa. Recordámos a convivência quase diária que mantivemos quando eu tinha o meu poiso de trabalho em Setúbal. Ele e o Luiz Pacheco apareciam durante a manhã lá no ateliê e depois rumávamos ao apetecido repasto. O Pacheco nunca pagava o almoço, dizia que a pensão não dava para luxos desses. Mas fazia questão de pagar o vinho. Ora, escusado será dizer que, muitas vezes, o vinho era o que saía mais caro na refeição. Recordámos tudo isto e muito mais, esta tarde. Combinei passar lá por casa na próxima terça-feira.
Depois logo digo.

Miguel de Castro é um poeta de primeiro plano. Autor de obra curta mas de consistente percepção das realidades literárias. É um contemporâneo. Atento aos novos poetas, apesar de possuidor de uma intensa e cativante cultura clássica. Os seus dois mais recentes livros foram por mim editados na Estuário: Terral, 1990 e Sonetos, 2002.
Para comemorar o seu aniversário vou passar para aqui um texto de Terral. Podem lê-lo em voz alta.
Oiçam-no, portanto.

Foi o sol na brancura do teu rosto?
Foi o vento no sul dos teus cabelos?
Foi o rebanho dos meus dedos frios
perdido entre as dunas do teu peito?
Apenas isso ou, vagarosa, a mão
subindo na desordem dos joelhos?

Foi outra vez a chuva no verão.
Foi, no lugar da mão, a tua boca.



Parabéns por tudo, Miguel.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Bondade


Pedro Marques é secretário de Estado. É um homem avisado e com elevado sentido de solidariedade social. Justificou a diluição do pagamento do aumento das pensões com receio que os reformados perdessem a cabeça ao depararem com tanta bagalhoça em cima da mesa da cozinha. Ainda bem que Pedro Marques está no Governo. Haja alguém que cuide das finanças dos velhinhos.

O Governo resolveu pagar tudo de uma vez. Vieira da Silva desmentiu assim o seu secretário de Estado. Este ministro é um mãos-largas. Não alcançou a bondade das palavras de Pedro Marques.

Sexo, mentiras e... corrupção


Call Girl é o filme português mais visto pelos portugueses. A história anda em volta de uma prostituta que se enrola com um autarca que mistura política com interesses pessoais. Os ingredientes foram bem escolhidos: gajas boas, homens boçais e ambientes de deboche. É o que a malta quer: putas e vinho verde.
Se já vi o filme? Não, nem quero. Porquê, é preciso?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Competências

Já cá se sabe que Sócrates não é rapaz para ceder a pressões. E continua nesse registo. A súbita mudança da gare dos aeroplanos da OTA para Alcochete corresponde aos auspícios do ministro Lino. Se aquilo é um deserto, se não há lá nada, logo é o melhor local para a instalação daquela coisa que, feita em outro lado, ia dar um trabalhão em terraplanagens e eliminação de estruturas embaraçadoras. Mário Lino afinal tinha razão. Aquela do "jamais" nem foi dele. Foram uns engenheiros mal informados que o tentaram ludibriar. Não há, portanto, razão para mudar o ministro.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Bons votos


Parece que Hillary voltou à tona, depois daquela submersão provocada pelo furacão Obama.
Tudo bem. Já sabemos que Bush se vai embora mesmo, mas, se os seus companheiros de traquinices ficarem sentadinhos nos seus ranchos durante muito mais tempo, melhor.
Entre Obama e Hillary, venha o bom-voto e escolha.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Comunidade


O corpo de Luiz Pacheco foi ontem cremado no cemitério do Alto São João. Os livros estão aí e vão continuar. Hoje trago para aqui um pequeno excerto da Comunidade. Brilhante.

Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem. É a cama do pai de família, austero e mandão, ou do dorminhoco pesado quando regressa embriagado para casa. É a cama do libertino. É o leito (suponhamos!) Luís-Qualquer-Coisa, XV ou XVI, do milionário, porque nela somos reis e milionários de ternura e de abraços, de palavras ciciadas; e é o catre sem lençóis, fracas mantas, e mau cheiro, do maltês que não sabe para onde o destino o manda (e somos isto, e que de longes terras viemos! quantos naufrágios! quanta coisa fomos largando para facilitar a marcha até aqui!), a enxerga do pedinte (e nós o somos também: porque temos falta de tudo e porque acordamos de manhã sem uma bucha de pão para dar às crianças e sem saber ainda onde o ir buscar). Podia ser (dava para) um bom título de uma comédia picante, bulevardesca; UMA CAMA PARA CINCO; idem para um filme neo-realista, onde nem cama houvesse, só umas palhas podres e mijadas, com gaibéus ensonados, embrutecidos do calor e do vinho, fedor de pés, talvez um harmónio desafiando as cigarras e os grilos na cálida noite da planície alentejana. Uma cama para cinco, em herança, constituía um demorado caso de partilhas. Nós dormimos. Às vezes, muitas vezes, beijos e abraços.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco



Proponho recordar Luiz Pacheco no seu melhor.
Esta passagem de O Teodolito é obra.

Onde estão agora os que foram meninos comigo, meus companheiros de bibe e calção? Gostava de ir lá vê-los à nossa infância, de irmos todos, reconhecermos todos como nossa ainda a pureza antiga, os projectos que enterrámos, as ilusões, os actos falhados. E, com efeito, o mundo dos adultos está cada vez mais triste, mais crápula, mais ratazana. É uma bicharada que vai a correr prò buraco do coval, comprometida e lassa, sem alegria, sem carácter, sem sentimentos, sem dignidade nenhuma. Não são gente: são baratas medrosas, assustadas sempre, que andam de luto por eles-mesmos e se escondem quando pressentem uma luz, a ousadia dum gesto, a virtude duma palavra. Adultos, cadáveres jovens. Metem dó, metem nojo, tão velhinhos e tão resignados. Cagarolas. Gostaria de os tornar a ver como eram, na infância.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Mudar é preciso


Algo poderá estar a mudar na política americana. No país onde a esquerda é tão conservadora que às vezes parece direita, Barack Obama ultrapassou a candidata do sistema. Falamos, claro está, dos candidatos da tal esquerda. Os outros, os velhadas, galãs e parolos evangelistas, candidatos republicanos, não têm muito para acrescentar ao rol de disparates a que o pior presidente dos EUA já habituou o mundo. Hilary também não representa grandes mudanças. Obama sim. A América parece ter descoberto este senhor de pele escura, que exibe ideias consubstanciadas por um discurso brilhante, e que quer que as coisas mudem.
Tratando-se da presidência do país que opera mudanças (até agora nem sempre apreciáveis) no mundo inteiro, era bom que aquilo mudasse.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco


Morreu hoje um homem livre.
A Cultura Portuguesa perdeu um dos seus mais exigentes protagonistas.
Eu perdi um amigo.

Brendel | Beirut


Este pouco ortodoxo pianista, que vai abandonar as actuações ao vivo, gravou este precioso CD. Haydn e Mozart são os heróis deste trabalho de Alfred Brendel que tem a participação da Academy of St Martin in the Fields e da Scottish Chamber Orchestra.
O outro disco, mais à frente na fotografia, é outra música. É malta mais nova igualmente a merecer audição.
É bom ouvir Brendel, e é igualmente bom ouvir Beirut.
Como é fim-de-semana, há tempo para tudo.
Excelentes audições.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Arrogante distância

Ferro Rodrigues, em entrevista à Visão, recorda-nos que "Quando se pede sacrifícios, não se deve ser arrogante. O receptor do recado está identificado. Chama-se José Sócrates e é primeiro-ministro aqui da parvónia. Ferro acha que o PS, o generoso partido que o colocou como embaixador na OCDE, em Paris, não tem vida própria. Também adianta que não tem saudades de Portugal e da política portuguesa. Pudera, já viram o lugarzinho que ocupa na capital francesa? Ferro Rodrigues tem alguma razão ao apontar um estilo que não é muito simpático. Só que alguém lhe devia dizer que cuspir no prato onde se come, mesmo quando se usa um guardanapo de bom pano francês, não é bonito.
É verdade que quem pede, o deve fazer com bons modos.
Mas, ao fazer reparos ao mesmo tempo que acentua uma distância higiénica, revela-se um mal-agradecido.
É feio, senhor Rodrigues. Muito feio.

Não há fumo sem fogo

Há qualquer coisa de imoral na atitude de António Nunes. Não havia necessidade de mais aquele cigarrinho. Há outras maneiras de comemorar o novo ano. Podia dançar, por exemplo. É certo que há gestos automáticos. Acredito que uma boa cigarrada, depois de um bom jantar, eleva o serão a um prazer indizivel. Aquele cigarro, fumado por quem vai dirigir um exército de vigilantes da infracção (em local de grande visibilidade pública, onde era suposto haver registo fotográfico), não foi fumo que se cheire.
Mas também reconheço que é demasiado fumo para tão pouco fogo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Uma outra economia II

A alusão de Cavaco aos salários dos empresários milionários causou grande sururu. Claro que o Presidente não falou nos seus próprios honorários e reformas. E também se esqueceu de fazer o histórico da coisa. Tudo começou com o seu baronato. Foi no seu tempo de primeiro-ministro que os empresários do sucesso cavaquista emergiram. Também é verdade que as criaturas ultrapassaram o criador. A falta de pudor impera. Cavaco vê que não tem mão na desfaçatez.
É isso que lhe causa incómodo.
Este "fartar vilanagem" não deixa de ser chocante e deve ser denunciado.
Mas não é Cavaco o porta-voz ideal da causa.

O bom-senso não é proibido


Por princípio não alinho em proibicionismos. Percebo quem não tenha grande apreço por estas novas leis que proíbem fumos em locais públicos. Mas as reacções em contrário também não me parecem razoáveis. Aquele apelo à revelação dos nomes dos restaurantes que permitem fumar enquanto se dá ao dente é útil, confesso. Dá para os dois lados. Ficam duas espécies de convivas esclarecidos: os que associam o fumo à refeição e os que preferem comer sem esse incómodo. Mas seria muito mais razoável se não fosse exibido em tom ressabiado. Assim não tem graça. Torna-se mesmo ridículo. Estas bandeiras acabam sempre por agitar o folclórico colorido do excesso. Eu, que nunca recusei jantar com amigos fumadores, mas que me incomoda o fumo, não vejo razão para esta apologia do tabaco.
Provavelmente, as leis que tolhem estas animações não são assim tão disparatadas.
Só conseguimos respeitar o outro a toque de caixa.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Uma outra economia


Cavaco fez o discurso de ano novo. Cada vez o que o homem fala anda meio mundo à cata de divergências com o Governo. Não houve pitada de tal sal. Falou de bons exemplos. De gente empreendedora e solidária.
O caminho não é fácil, diz, mas confia na iniciativa dos portugueses. Apenas dois atropelos a tanto optimismo: o desemprego e as chorudas e injustas remunerações de alguns empresários de sucesso. Enfim, a festa não é um direito de todos. Mas, às vezes, os que mais têm dão demasiado nas vistas. São as vidas de outros portugueses. São outras economias. Daquelas que não param de crescer. É a vida, como diria o outro.
Acabou com um educado “boa noite”.
Boa noite, senhor Presidente.

Da literatura e de outras coisas


Da literatura - Um dos meus blogues de todos os dias, daqueles que não dispenso, comemora hoje mais um aniversário.
Já vai em três anos a postar.
Parabéns ao Eduardo Pitta.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Bom 2008

O que lá vai, lá vai.
Que o que aí vem traga tudo de bom para todos.
Até amanhã, ou seja, até pró ano, ou por outra, até já.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Perspectivas e realidades


Não sou de balanços. Os últimos dias do calendário não me motivam nem retrospectivas análises, nem promissoras previsões. A minha participação, aqui, na blogosfera, limita-se a um desabafo mais ou menos diário sobre o que observo. Vale o que vale. Pouco, é certo. Daí não entrar em grandes alaridos premonitórios. Não me reconheço essa capacidade. Mas estou de acordo com muitos que pensam e fazem exactamente o contrário. Ainda bem que o fazem. Também estou de acordo com o que diz o blogger José Pacheco Pereira, hoje, no Público: “…os blogues serão apenas mais uma câmara de ressonância da pobreza da nossa vida cívica”. Tem razão. Agrupando práticas de comunicação e opinião obtemos um espelho da sociedade. Sempre foi assim. Mas há coisas mais assim e coisas mais assado. Os dias da blogosfera mudaram qualquer coisa no debate dos nossos dias. Para o bem e para o mal, existem estes jornalinhos pessoais. A importância que se lhes dá também é pessoal e depende de opções e gostos.
Eu gosto de estar aqui.
Vou continuar a largar postas porque me apetece e porque sim.
Sem mais.
Bom ano a todos.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Agitação

A Sofia Loureiro dos Santos, do defender o quadrado, exerce medicina e resolveu pôr o dedo nas feridas que o Ministério da Saúde abriu.
Eu estou de acordo com ela.

Continua a manipulação política e jornalística em volta dos encerramentos dos Serviços de Atendimento Permanentes (SAPs).
Às notícias que dão conta das contas que os doentes terão que pagar aos bombeiros voluntários para ir à urgência mais próxima, não há ninguém que pergunte se os valores não serão idênticos aos que eram pagos quando os doentes que verdadeiramente necessitavam de cuidados de urgência tinham que ser enviados para o hospital. E também ninguém pergunta quantos doentes verdadeiramente urgentes eram atendidos nos SAPs e quantas situações verdadeiramente urgentes eram tratadas nos SAPs.
Porque essa é a verdadeira questão. Se as populações com os SAPs abertos toda a noite, com um médico e/ou um enfermeiro num local sem capacidade para resolver problemas urgentes de saúde estavam mais bem atendidos ou teriam melhor qualidade e maior brevidade no atendimento.


Continue a ler, lá no blogue da Sofia. Pode ir por aqui.

Este tótó já foi ministro, lembram-se?


É Tiago Barbosa Ribeiro que nos recorda no Kontratempos:

Rui Gomes da Silva, actual vice-presidente do PSD, foi ontem bastante claro:

(...) importa escolher uma administração do banco do Estado que respeite a tradição e a prática, quase sem excepções, desde o 25 de Abril, de não nomear para a CGD alguém militante ou próximo do partido do governo.

Cavaco Silva, por exemplo, nomeou António de Sousa (PSD). Mas onde estava Rui Gomes da Silva quando Vítor Martins (PSD) foi nomeado para a CGD, logo após a saída de Mira Amaral (PSD) que já fora nomeado por Durão Barroso?

Ah, lembrei-me. Era ministro.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Pelo amor de Deus


Benazir Bhutto, líder da oposição paquistanesa, foi vítima de um ataque à bomba, durante um comício na cidade de Rawalpindi. Um dos seus objectivos políticos era a pacificação do seu país sem o recurso exclusivo à religião. O fundamentalismo religioso não achou grande graça à rejeição do totalitarismo islâmico. Mais uma vítima da fé. E ainda há quem diga que é a falta de fé o maior drama da humanidade.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Desporto milionário

Os bancos portugueses estão a disputar um emocionante campeonato. Os orientadores das equipas são tranferidos, em milionárias negociações, tal e qual como os treinadores de futebol nos grandes clubes. Accionistas do BCP foram buscar à CGD, principal adversário do banco privado, o seu responsável máximo. O “treinador-adjunto” é um tal Armando Vara, desportista para todo o terreno. Tudo o que tem acontecido na instituição bancária de Jardim Gonçalves está muito próximo do vergonhoso. A vergonha começa a estar ao nível do pior a que os homens da bola nos habituaram. É claro que tudo isto irradia normalidade. A gente é que não percebe nada destes futebóis.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Negócios de Natal

Afinal o desemprego, o fosso entre ricos e pobres, as doenças dizimadoras, as desordens climáticas, o Darfur e a crise mundial provocada pelo 11 de Setembro, não devem ser as nossas maiores preocupações. Segundo o Cardeal Policarpo, "o maior drama da humanidade" é o afastamento da religião.
Cada um preocupa-se com o seu negócio.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O homem em queda



O sopro do desabamento atirou ao chão várias pessoas. Uma nuvem negra de trovoada feita de fumo e cinza avançou na direcção dos fugitivos. A luz definhou e dissipou-se, o dia claro desapareceu.

Don DeLillo escreveu um emocionante romance sobre os acontecimentos de 11 de Setembro em Nova Iorque. Relatos de vidas, de crenças e de falta delas, encantos e desencantos. A partir da queda das torres traça um emaranhado de acontecimentos que nos dão pistas para a compreensão dos dramas do nosso tempo resultantes daquele dia.

O homem em queda, de Don DeLillo
É publicado pela Sextante.
Tem 255 páginas.
Capa de Henrique Cayatte com Susana Cruz.
Custa 22 euros (preço de editor).

domingo, 23 de dezembro de 2007

No Tempo da Esperança-Nova


Luciano Rocha fala de um tempo de esperança. Chamou-lhe esperança-nova porque não é uma esperança daquelas que a gente tem todos os dias. É uma vontade diferente de acreditar num rumo para um futuro melhor. Essa vontade era a de todos os angolanos que içaram a bandeira da Angola independente. Este livro está metido até ao pescoço na história recente de Angola. É tudo contado num bonito “linguajar” (expressão que Victor Bandarra encontrou para classificar esta escrita, na apresentação do livro, no Clube dos Jornalistas). São três histórias envoltas por esse linguajar. Estão lá os desejos, as angústias, as festividades, as traições. É um texto feito com lingua de perguntador. Só quem pergunta é que pode contar. Foi o que Luciano fez. Contou o que viveu. E o que viveu foi tão intenso que ler este livro é um prazer de todo o tamanho.

O título do livro é No Tempo da Esperança-Nova
e Outras Estórias
.
Foi escrito por Luciano Rocha.
A capa e a contra-capa têm ilustrações de Zan.
Edição de QB-Comunicação.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Todos diferentes, todos jornalistas



São os três jornalistas. Todos com um percurso. Com tarimba nos quartéis das redacções dos jornais. Os livros que estão aí em cima fotografados foram escritos por eles. Todos diferentes, tal e qual como os seus autores.

A BOLSA DA AVÓ PALHAÇA
Baptista-Bastos escreve uma história para crianças para ser lida pelos adultos. A ideia é bem gira e revela as façanhas de um miúdo de Alfama na sua relação com uma avó a que chamavam Palhaça. A senhora adorava a alcunha, e BB conta-nos como foi importante para ele aquela convivência. Mónica Cid ilustra.
Uma bonita história.


ATÉ NÃO PERCEBER
15 Histórias de Verdade A Caminho da Ficção
Fernanda Câncio também nos conta histórias neste livro. Reuniu aqui as conversas que foi tendo com os protagonistas das reportagens publicadas na imprensa. O titulo do livro foi retirado de uma excelente peça sobre Jorge de Sena. Já se sabe que muitas vezes a realidade pede meças à ficção. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
Fernanda assegura que “não há outra forma de fazer uma reportagem senão mergulhar nas histórias, nos sítios, nas pessoas”.
É isso que ela faz. E muito bem.

FUMO
Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi
Pedro Rolo Duarte ficou convencido de que deixar de fumar é mesmo lixado. Neste livro conta-nos como foi a sua perturbada experiência. Pelo caminho faz um relato do dia-a-dia. Tudo misturado com lições e outras histórias já anteriormente publicadas. Não pretende ser o viciado desgraçadinho. O coitadinho. Nem pretende ser exemplo para ninguém. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
A vida é muito mais interessante. E é de vida bem vivida que este livro trata. Gostei muito de ler este livro do Pedro.

Luuanda


O muito reeditado livro de Luandino Vieira, agora de novo publicado pelas edições 70, acompanhado por desenhos de José Rodrigues.
Lindíssimo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O que não mata engorda

Os donos de certas casas de pasto receberam mal a criação da ASAE. Esta entidade censora da porcaria que estavam habituados a fornecer-nos deu-lhes a volta à cabeça. Agora, a tenebrosa entidade, já comparada à não menos tenebrosa PIDE dos tempos da ditadura, resolveu pôr os pontos em alguns is. O resultado trouxe paz aos utentes que assim viram algumas vantagens na coisa.
Tenho amigos entre os apavorados com a acção da nova polícia e também os tenho entre os que a aplaudem. Um desses meus amigos é responsável por uma empresa de distribuição de gás. Dizia-me que a ASAE os obrigava a ter, no lugar de arrumação das botijas, um espaço limitado a um número máximo de unidades. E que a inclusão de mais uma que seja os sujeita a penalização. Assim de repente parece zelo excessivo. Mas se pensarmos que onde cabe a botija de gás de um português cabem logo duas ou três, duvidamos do excesso da medida.
No dia em que me demonstrarem que a ASAE não me deixa tomar café em chávenas de loiça, beber vinho em copos de vidro, comer pastéis de massa tenra ou de bacalhau, e me obrigar a suportar o plástico em todas as ocasiões de prazenteiro repasto, nesse dia tragam-me a mais violenta das petições contra. Assino de imediato. Até lá não contem comigo.
A velha dica popular garantia-nos que “o que não mata engorda”.
Essa certeza não faz parte dos meus códigos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Aventuras ilegais

É tão fácil classificar aqueles candidatos a emigrantes que se meteram num barquito para chegarem a Espanha. São ilegais, diz-se. Não pensamos nos dramas que por ali flutuaram desafiando perigos terríveis. São ilegais e pronto. Vão andando. Reencaminhados para a origem onde lhes é rejeitada a felicidade. Tentaram a sorte. Uma sorte boa que os tirasse da miséria. Correu mal a aventura. São uns fracassados. Nasceram num sítio mau. Desenrasquem-se. A vida é uma aventura. Às vezes corre mal.
A vontade que a gente tinha de lhes dar uma ajuda. Mas não há legalidade que nos ajude. Uma merda.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sarkosi/Carla


Sarkosi anda a namorar com Carla Bruni.
Quem é que disse que esta malta da Direita tem mau gosto?
Eu? Ok, retiro o que disse.

A loja do mestre André



Os desenhos de André Almeida e Sousa são cumplices de algo inusitado. Percebe-se que há uma energia que ultrapassa o rigor do primeiro registo. Os desenhos, agora expostos na Galeria Alecrim 50, exibem uma dualidade que nos surpreende. Não sei se é de desenho que falamos quando falamos do que aquelas paredes nos mostram. A Pintura, como maneira de expressão subjectivista, marca aqui uma posição. Há um envolvimento naturalmente cúmplice entre as duas disciplinas. As texturas que o denunciam são aplicadas com um sentido do espaço que nos situa no território da provocação da própria abstracção. Isto não é linear, como é evidente. Nada é evidente e esclarecedor na procura da comunicação artística. Mas é revelador de uma busca intensa e bem direccionada.

O trabalho que acima se mostra não está à vista nesta exposição.
É testemunha de outro tempo. Mas eu gosto muito dele.
É por isso que aqui está.

A Galeria fica, como o próprio nome indica, na Rua do Alecrim, no número 50, em Lisboa.
A exposição encerra dia 28.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Jardins proibidos

Baptista-Bastos vai ser julgado por se ter pronunciado, em artigo de opinião, sobre as atitudes pouco apreciáveis do dirigente madeirense. Lembro-me do artigo em causa. Foi publicado há cerca de dois anos. Desancava, com argumentos perfeitamente consentâneos com o exercício da democracia, o político também conhecido por soba do Funchal. A opinião expressa pelo escritor em nada se pode comparar ao estilo exuberante no insulto a que o líder do PSD/Madeira nos habitou. Mas parece que o desbocado Alberto João deu em donzela ofendida e convocou os seus zelosos defensores para corrigirem o reparo de Bastos. Só agora foi possível.
É normal. Provavelmente os jornais chegam tarde à Madeira. Ou não são por lá distribuídos. Democracias.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Niemeyer


A gente tem é que sonhar, senão as coisas não acontecem

Oscar Niemeyer, hoje com 100 anos, ainda é comunista e provavelmente ainda acredita no Pai Natal, mas é um grande arquitecto. E a Arquitectura está de parabéns.