sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Minotaur Shock


O projecto responde por Minotaur Shock. Este trabalho foi gravado em 2005 e tem por título Maritime. Todas as músicas são de David Edwards. Os amigos que ajudaram à festa foram Emily Wakefield, Megan Childs e Martin Lanchester. A estética do CD foi entregue a Vaughan Oliver e a ilustração a Warwick Johnson-Cadwell.
Tudo isto é muito bonito. Em todos os aspectos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Há bruxas em Veneza


Philip Glass garante-nos, com este trabalho, que as bruxas têm uma magia musical. Estas bruxas de Veneza foram ao carnaval. Glass e Beni Montresor (entretanto falecido e a quem o CD é dedicado), testemunharam a paródia e transmitem em palavras e sons o reboliço que aquilo foi. Brilhante, acho eu. Confirmem no sítio de Philip Glass.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Saramago e o bacalhau


José Saramago foi preterido na candidatura a um prémio europeu de literatura por causa de um tal Lara, então secretário de Estado da Cultura. Era primeiro-ministro Cavaco Silva. Também a Câmara de Mafra se tem recusado a reconhecer o escritor que tão longe levou o nome do monumento nacional que mais faz jus a esta classificação. Mais recentemente, Saramago zangou-se com a Ministra da Cultura de Portugal por esta não ter ido a uma exposição sobre a sua vida e obra, inaugurada em Espanha. Um dia destes, o hipotético rei de Portugal, bramou uns disparates sobre a obra do nobelizado escritor português. Parece-me que há excessos das várias partes. Lara é reconhecida e assumidamente reaccionário ao ponto de não permitir grandes ousadias culturais. É bom ver que já não pesca nada nas instituições. O “rei” Duarte é, ele próprio, uma ficção de má qualidade. Nada a dizer. Mas parece-me excessiva a recusa de Saramago em cumprimentar o agora Presidente da República. Assim como não me parece de muito bom tom a atitude do escritor e da sua mulher na acusação à ministra, sabendo-se que o Estado estava representado pelo embaixador em Espanha.
Agora, quanto ao recente recuo no caso do reconhecimento por parte do presidente do burgo de Mafra, a coisa tem a sua graça. O homem justifica a medalha de mérito da cidade devido à contribuição do livro Memorial do Convento para a divulgação do monumento. A arrogância e o pato-bravismo do autarca Ministro dos Santos conhecem-se. Esta justificação é redutora e parola. Mas para estes autarcas basta. Saramago foi reconduzido numa espécie de assessoria de turismo da Câmara de Mafra. O escritor vai receber a distinção. E se calhar até vai apertar a mão ao presidente. Devia rever a politica de distribuição de bacalhaus. No lugar dele, eu logo lhes dava o bacalhau.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sabores do Índico


Maria Fernanda Sampaio foi reunindo receitas ao longo da vida. Viveu em Moçambique e saboreou tudo o que aprendeu naquela terra. O poeta Fernando Luís Sampaio, seu filho, tratou de editar o material que herdou. A Assírio e Alvim publicou. Uma saborosa herança, agora ao nosso dispor.
Indispensável para qualquer gastrónomo.

Sabores do Índico
Receitas da cozinha moçambicana
Recolha: Maria Fernanda Sampaio
Escolha e apresentação: Fernando Luís Sampaio
Fotografias de Moçambique: Tiago Cunha Ferreira
Edição: Assírio e Alvim
114 páginas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Abrir as portas do São Carlos

Chistoph Dammann, em entrevista ao Público, parece um homem entusiasmado com o seu trabalho. Foi bom saber isso. Aposta na continuidade. Virtude a que estamos pouco habituados. Aqui, quem inicia um trabalho tenta demonstrar a todo o custo que quem lá estava anteriormente não sabia o que estava a fazer. Dammann falou com Pinamonti. Entenderam-se. Agora é andar para a frente. Ou seja, tratar de conduzir os destinos do único teatro de ópera em Portugal com o entusiasmo e sinceridade que revela nesta conversa com Cristina Fernandes e Pedro Boléo. Às tantas diz: “ Desde que a ópera foi inventada, em Florença, que é cara. Temos de convencer o Estado de que é preciso mais dinheiro, e que nunca se irá ganhar dinheiro com a Ópera. Mas creio que, no São Carlos, estamos no bom caminho”.
Assim parece.
Boa sorte.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Avante camaradas

A Cimeira que envolveu europeus e africanos já lá vai. Agora é esperar pelos resultados, se é que os vai haver. Gente daquela não suscita entusiasmos de maior. O primeiro-ministro está contente. A oposição nem por isso. É a vida. No meio da balbúrdia das manifestações a favor dos ditadores criminosos e as opiniões contra, fizeram-me espécie as declarações de Jerónimo Sousa. O dirigente comunista exigiu, indignado como sempre, que a Europa esqueça a dívida externa de África, subinhando que são eles que devem escolher o seu próprio caminho sem passar cartão aos hipócritas europeus. Calhando até concorda com o pedido de indmenização feito pelo ditador líbio. E percebe-se que está solidário com o libertador Mugabe. É esclarecedor ver estes grandes defensores das liberdades e dos direitos dos cidadãos em encaloradas declarações de solidariedade. Avante camaradas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Memórias ao vivo


Tudo começou nos anos sessenta do século passado. Chico Buarque pôs a banda a passar pelas rádios e gira-discos um pouco por todo o lado. Agora, já a passar os sessenta de idade, e depois de um período em que optou pelo silêncio das histórias contadas em livro, ainda nos surpreende com exibições destas.
Esta gravação ao vivo é uma boa companhia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Uma desgraça nunca vem só


Daqui a umas dezenas de anos, zonas populacionais de Lisboa e de outros territórios nacionais, poderão ficar ameaçadas por violentas cheias. A previsão é da OCDE. Luísa Schmit, em entrevista a João Adelino Faria, no RCP, Falou da pouca importância que as autoridades dão a estes assuntos. Mencionou o facto de Gonçalo Ribeiro Teles andar a prever situações de rotura há décadas - Incluindo as cheias de 1967, em Lisboa -, sem precisar da opinião da OCDE. Ribeiro Teles, que se saiba, não é bruxo. Possivelmente nem acredita em fatalidades do destino. Conhece o terreno e sabe do que fala.
Nos dias de hoje só a juventude e a eficácia da efemeridade estão na moda.
É pena. Estes velhos em desuso tinham tanto para nos ensinar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Tanto barulho...

Afinal parece que a crise na Câmara de Lisboa se resolveu com um ligeiro aperto de mão. Tudo não passou de uma crise ligeira. As ameaças, que atingiram contornos de grande conflito, foram diluídas pelo bom-senso. Em politica é razoável que os entendimentos existam. Mas nem sempre a politica é razoável. Temos que nos habituar. Teremos?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

E não se pode... responsabilizá-los?

O PSD meteu Lisboa numa grande alhada. Mas parece que gostou do serviço. Houve até quem lhe tivesse chamado “obra”. Ao querer inviabilizar a resolução de uma parcela da imensa obra que deixou a meio – a dívida a fornecedores - o partido de Menezes quer conferir seriedade e responsabilidade à oposição. O secretário-geral, aquele que nos forneceu as tácticas infalíveis para o engate de “gajas boas”, já disse: “Confiamos no sentido de liberdade e de responsabilidade dos nossos deputados na Assembleia Municipal, que deverão dar seguimento ao sentido de voto dos vereadores que chumbaram este empréstimo. Se houver votos em sentido contrário, analisaremos e tomaremos medidas adequadas. Claro que vão ser tiradas ilações politicas”.
Que grande liberdade e que grande sentido de responsabilidade.

Lição de aritmética

Chavez não convenceu a Venezuela de que é o antídoto para todos os seus males. Mas fez questão de referir a margem mínima de venezuelanos que lhe disseram não. Três milhões de gente é pouca gente para o candidato a líder vitalício. Ora, se ele até já ajustou a hora a uma sua própria medida do tempo, provavelmente rege-se por uma aritmética que não condiz com a dos vulgares seres humanos. E é essa aritmética que vai impor aos destinos do pais. Tão certo como um mandato mais um mandato serem dois mandatos. E assim sucessivamente.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

In our nature


Difícil, esta simplicidade.
Muito bom, ouvir José González.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

É para embrulhar, se faz favor

Excluída a pretensão de aqui sugerir o que se deve ou não ouvir, ler ou ver. O que aqui se menciona é frequentado e depois revelado, adornado com a mais honesta das opiniões. Vale o que vale. Nunca me passaria pela cabeça arrasar quem de mim discorda. Essa desdita pertence a outros livres comentaristas, que, ilustrados por um extenso conhecimento, se apoderam da razão e ditam regras definitivas, excluindo do reino da inteligência quem não alinha no mesmo diapasão. Também valem o que valem, ou seja, muito pouco. O que aqui faço, faço-o com todo o gosto. Os meus amigos façam desta ousadia o que muito bem entenderem. Até às vésperas do Natal darei notícia de coisas que apreciei. Quem quiser frequente também, e, se gostar, embrulhe, ponha um lacinho e ofereça. É o que pretendo fazer. Só ofereço o que aprecio.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007


A 29 de Novembro de 1807, a família real portuguesa embarcou para o Brasil. Assinalam-se agora 200 anos do feito. O pais Portugal ficou à deriva até 1821. Este assunto é tratado numa interessante exposição documental, no Museu Nacional de Arte Antiga. Abre hoje.
O trabalho estético foi assegurado por nós, na DDLX .

Ardente paciência

Luísa Mesquita assinou os papéis que ditavam as regras. O PCP, iluminado pelas regras do centralismo democrático, que se estão borrifando para a vida pessoal de cada um, usa os papéis assinados quando lhe convém. Luísa Mesquita acha o que lhe convém para manter o mandato na Assembleia. Jerónimo fala em “ardente paciência” para se definir diferente e melhor do que todos os outros em matéria de disciplina partidária. É melhor que se entendam. Antes que a paciência do seu eleitorado esturrique.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Os uns e os outros

Poderemos não encontrar especiais vantagens nos chamados “orgulhos”. Ter prazer em ser gay ou hetero pertence ao particular convívio de cada um. E cada um é o que é, ponto.
Não deixa de ser curiosa a justificação que a marca de cervejas encontrou para encobrir o embate provocado por aquela desajeitada campanha: se uns têm orgulho, qual a razão de outros não terem? Dito assim parece uma evidência. Mas, como a ideia é vender mais bebidas da marca, é no mínimo estranho excluir-se assim uma faixa de mercado. Logo, para além de não ser bonito de ver, não se percebem grandes vantagens comerciais.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Para ver e ouvir



Três grandes pianistas encontraram-se e fizeram um espectáculo. O espectáculo foi gravado e editado em dvd.
Sublimes, as interpretações de "Bolero", de Ravel, e de "Trás outro amigo também", de José Afonso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

É o Nobel da Paz, por favor

Ramos Horta, do alto do seu palanque de presidente de Timor, propôs o nome de Durão Barroso para Nobel da Paz. Parece de brincadeira, mas não é, Horta fala a sério. Com esta louvável atitude deu-me uma ideia. A recente explosão num prédio, em Setúbal, trouxe para os canais televisivos a figura da presidente da autarquia. Depois de esforçadas poses, tipo "emplastro", atrás da governadora civil, a edil, hoje, na ausência da representante do Governo, foi ouvida pela comunicação social. Não disse nada de jeito, mas estava preocupada com o problema das populações. E que bem que estava: de cabeleira cuidada e ornamentais peles ao pescoço. No meio da desgraça, eis que surge alguém que se aperalta para o "boneco", borrifando-se nos inestéticos coletes da Protecção Civil.
Proponho, portanto, Dores Meira para Prémio Nobel da Paz.
Se se podem fazer propostas parvas, lá vai esta.
Barroso que aguente.

sábado, 24 de novembro de 2007

4 anos

As cirurgias começaram há 4 anos.
O BlogOperatório vai continuar a receber os seus estimados pacientes.
Sempre com muito prazer.
Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

É só ida, por favor

Não percebo patavina de futebol. E como não gosto de meter o nariz onde não sou chamado, evito dizer seja o que for sobre o assunto. Mas, como o fenómeno Scolari ultrapassa os segredos do futebol e exibe o mais alarve comportamento público, lá vou eu botar umas palavrinhas.
Scolari anda tenso. Transpira irritação. Percebe-se que gostaria de resolver com uns valentes murros as "impertinências" dos jornalistas. Houve uma coisa que o treinador disse, na última conferência de imprensa, que me ficou a bater: já se esforçou mais por Portugal do que pelo seu próprio país. Quase me emocionei. Mas fui tentar perceber a razão de tanta abnegação. Percebi: ganha dez vezes mais aqui. Ou seja, o suficiente para adquirir, em qualquer balcão de uma companhia aérea que faça viagens para o Brasil, um bilhete de ida.
Sem volta, por favor.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A forma das letras

Augusto M. Seabra chegou à blogosfera.
Aí vai o endereço. Em LETRA DE FORMA.
A não perder.

Orgulho labroste

Aquela coisa do "orgulho hetero", que uma marca de cervejas resolveu inventar para fazer disparar as vendas, é a gozar não é? Mas será a gozar com quem?

Foi assim

Resposta ao passatempo do derterrorist

Nas recordações de infância do José Simões é revelada uma realidade que esteve muito próxima da minha. Crescemos praticamente na mesma zona, apesar de nos termos conhecido já mais crescidinhos. Ele viveu situações que eu vi viver, mas não vivi. Os mergulhos na doca não fazim parte do meu dia-a-dia. Toda aquela alegria não foi por mim frequentada. Filho único, um "atraso de vida" com protecção apertada dos pais. Claro que vivi, confesso. Mas hoje sinto alguma inveja do Zé Simões. As minhas alegrias eram outras: Jogar os jogos de época, na rua, vigiado de perto pela minha mãe, com bons amigos, e desejando que chegassem as chamadas férias grandes. Isso sim, eram dias e dias passados em casa dos meus tios, na Vidigueira. Em casa é como quem diz: percorria léguas, sempre acompanhado do rafeiro Piloto, que, segundo os meus tios: "até parece que está o ano todo à tua espera". Todos os anos eram acrescentados novos amigos ao grupo. Vinham, tal como eu, dos mais diversos lugares para ali passar os dias de verão.
Quando cresci mais um bocadinho passei a ficar em Setúbal para "fazer praia". Uma seca, literalmente. O prazer da praia veio mais tarde e em força. No início da adolescência não dispensava os banhos em Tróia. Bem acompanhado, se possível.
Foi esta parcela da minha infância que me apeteceu contar.

Se a Sandra, o Paulo, o João, o Jorge e o Manel (todos a morar perto do Sado), quiserem continuar este desfile de revelações dos tempos idos, façam favor. Sem serôdios saudosismos, ok?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Alta tensão

Hugo Chavez já cá canta. O motivo desta visita prende-se com o substantivo facto de o homem estar sentado num imenso barril de petróleo. A questão dos portugueses que por lá trabalham, não passa de um adereço. Portugal vai provavelmante aproveitar a crise motivada pelo "porqué no te callas" para abrir as portas da Europa às condutas venezuelanas. O rei de Espanha arriscou-se a fechá-las. A sua atitude, ainda por cima vinda de um representante máximo de um país que já foi colonizador, revela-se de uma gravidade sem precedentes. Claro que é simpático ver mandar calar um grunho. Mas, quando o grunho é chefe de um Estado que mais parece uma gigantesca estação de serviço, há que ter cuidado. As explosões são sempre perigosas.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Memórias avulsas

Estou perfeitamente de acordo com o que Pedro Rolo Duarte diz hoje no seu recente blogue. É verdade que, o que nos iluminou em mais cachopos, pode não ter grande brilho nos nossos dias. A malta cresce, e aparece tanta coisa que o que ficou para trás nem sempre sabe tão bem como na altura da descoberta. Às vezes diz-se que não há amor como o primeiro. Não creio. O presente é que é insubstitível. O amanhã não conhecemos. Com todo o respeito pelo passado vos digo: grandes saudades só mesmo do futuro.
Já agora: O José Simões, do derterrorist, desafiou-me para um passatempo por ele criado. A coisa consiste em fazer um regresso à infância, descrevendo como foram os dias nos nossos tempos de calções. A ideia é gira. Vou responder na quinta-feira. Sabem porquê? É que amanhã, nem de propósito, o Baptista-Bastos vai lançar um livro em que parece que está a responder ao Zé Simões. Chama-se "A Bolsa da Avó Palhaça", e fala exactamente da sua infância. O B. B. é uma boa vintena de anos mais velho que este vosso amigo, mas estou com uma esdrúxula curiosidade com o que dali vem. Eu gosto das histórias do Bastos. Vai ser apresentado amanhã na FNAC-Chiado. Vou lá, vou ler o livro, e depois vou eu também revisitar a minha infância. Dizem que isto anda tudo ligado. Se calhar é.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007



PEDRO ROLO DUARTE
Acabadinho de chegar.
Bem-vindo.

Os durões da guerra

Durão não mentiu. Passou os olhos por uma papelada e convenceu-se de que existiam armas altamente destruidoras no Iraque. Foi este homem, tão fácil de convencer, que foi escolhido para coordenar os trabalhos, ao mais alto nível, na Europa. Não se percebe o que está aqui mal: a Europa ou o responsável pela Comissão Europeia?
Se calhar até se percebe.

domingo, 18 de novembro de 2007

Abril


Cristina Branco gravou “Abril”. O cd já está à venda. As músicas são todas de José Afonso e tudo leva a crer que se trata de uma homenagem a uma influência. Cristina escolheu músicas segundo o seu gosto pessoal e, percebe-se, consonantes com a sua voz. Gostei da selecção. Só não achei feliz a inclusão de “Carta a Miguel Djé Djé”. É muita desenvoltura para a voz melodiosa de Cristina. E não me parece que respeite a unidade estética do disco. Mas tudo bem. Cristina Branco destaca-se de outros arremedos de recriações que por aí vão estragando a herança musical de José Afonso. Desde as lamechices do sobrinho e daquele senhor Branco que gravou dois discos de jeito há muitos anos (dedicando-se depois a "instruir" indescritíveis artistas de variedades), e que muita gente acha ainda fantástico, até à brasileira filha de Alípio de Freitas que, com um punhado de amigos, se empenhou seriamente em dar cabo, com sotaque e tudo, de algumas das mais significativas canções. Jacinta também se esforçou por isso, com algum êxito. E ainda há um tal Zé Eduardo que resolveu “Jazzar no Zeca” com um disco deprimente.
Cristina Branco é outro asseio. Tal como nos avisa uma voz no final da interpretação de “Chamaram-me cigano”, é limpinho.

sábado, 17 de novembro de 2007

Nojos


Vem escarrapachado no Expresso de hoje: O actor Rogério Samora, no regresso de umas gravações para uma decerto pouco fascinante telenovela, ficou incomodado com o excesso de portugueses que seguiam no avião. O incómodo levou-o a desabafar em voz alta: "Tantos portugueses. Que nojo...!".
No aeroplano viajavam jornalistas de vários orgâos de informação, logo, o caso não ficou por ali.
Se a presença de portugueses incomoda tanto o televisivo actor, por que não ficou na Índia? Seria com certeza melhor para ele e para nós era uma limpeza.
Gente a meter nojo, como ele, é o que por aí não falta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Contenção de despesas

Bush classificou os dinheiros desperdiçados com o ensino do Português, como despesa a eliminar. Comparou esses gastos ao ensino de um desporto pouco concorrido e à criação de uma prisão-museu, ou lá o que é. Bush tem razões para estar preocupado com decisões perdulárias. O armamento, perdão, o material didáctico está pela hora da morte. E manter o ensino da "democracia" no Iraque é altamente dispendioso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Impertinências

A onda de entusiasmo à volta da "ordem" do rei de Espanha está a esmorecer. Chavez não só não se calou, como reforçou os despautérios. Ao rei basta reconhecer a inabilidade para estas coisas de diplomacia internacional. Estou com Rui Tavares, que na sua habitual crónica, no Público, escreve: "Eu, que antes de ser de esquerda sou antiautoritário, sinto-me bastante distante de quem manda calar e não entro em êxtase quando vejo alguêm mandar calar". Vê-se que, ainda por cima, estes exercícios de autoridade já não resultam. Para o bem e para o mal já não há pachorra para estas impertinências, digo eu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

É preciso ajuda?

A Ministra da Cultura vir culpar quem dirige os museus dos problemas que os afectam, faz-me lembrar o Procurador-geral com aquela treta das escutas.
Será que não conhecem quem tutelam?
Caso precisem, digam qualquer coisinha, que eu envio-lhes os contactos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O bom rei

Não ponho em causa a aclamação de um rei, como é evidente. Nem, após aclamado, a sua legitimidade como chefe de estado. Ponho em causa um estilo. Que é tão boçal em Chavez como em Juan Carlos. Se Sócrates, para responder a Alberto João Jardim, se colocar ao seu nível, ganha alguma coisa com isso? Se calhar sim, mas infelizmente. Uma simples reprimenda do rei de Espanha não tem qualquer importância se for feita lá em casa, corrigindo a prole. Perante um chefe de estado, mesmo manhoso como é o caso em causa, é um assunto muito sério. O rei devia saber isso. E se calhar sabe. Com esta atitude recuperou algum do prestígio que lhe ia faltando. Parece que mesmo os espanhóis que estavam a ficar fartos da inutilidade monárquica, se renderam à "seriedade" da sua atitude.
Será que a má educação, quando praticada pela nobreza, é louvável?

O bom fascista


Hugo Chavez chamou fascista "de todo o tamanho" a Aznar. Também disse que nos Estados Unidos da América vigora o "fascismo dos fascismos". Chavez tem um discurso de rua que agrada ao chamado homem da rua. A atitude do rei de Espanha situa-se no mesmo registo. O sucesso inesperado da sua reacção deve-se ao insólito: não se imagina um rei a descer à rua. Os tempos estão a mudar. Hugo Chavez, que estimula a violência contra quem dele discorda, e que é um revolucionário de todo o tamanho, está a instalar um regime que é uma ditadura chapada. Provavelmente é um bom fascismo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Trabalho global

Uma empresa de confecções, instalada nos arredores do Porto, vai bater com a porta. Ou por outra, vai fechar as portas por falta de trabalho. O único cliente que permitia a ocupação dos 130 trabalhadores da fábrica foi trabalhar com a China. Na China o trabalho está ao preço da uva-mijona. A globalização tem destas coisas: ficamos todos mais perto uns dos outros. Até na miséria.

domingo, 11 de novembro de 2007

Hoje é domingo

As noites de domingo são por mim escolhidas para estar sentado frente à televisão. Coisa rara, mas reconfortante. É que motivos não faltam. Difícil é articular a programação com os diferentes horários. Tudo começa com os "Gato fedorento", logo seguidos de saborosa série "Conta-me como foi". Entretanto, na RTP 2, Paula Moura Pinheiro conversa com convidados e aborda o que de interesse maior por aí se faz. Filipa Melo fala sem rodriguinhos dos livros que leu. Na edição deste domingo abordou "A herança de Eszter", o belíssimo livro de Sándor Márai, autor do fabuloso "As velas ardem até ao fim". A conversa de fundo foi com Luisa Costa Gomes e Manuel José Damásio. Um bom programa, este "Câmara clara".
Depois é esperar pelas séries de humor que a BBC produz e que a RTP 2 faz o favor de passar. Noites de domingo bem passadas.

Escrito nas estrelas

Não estava cá quando foi o debate do Orçamento. Mas, pelo que percebo pelos jornais, a coisa acabou menos bem para os lados de Santana. Foi criada a ideia de que estava de volta a política-espectáculo e que o protagonista prometia prestação de arromba. Desilusão total. Parece que aquilo não correu bem a ninguém. O nível rasteiro instalou-se. Quem se safa com o regresso da trapalhice é Menezes. Sem a sombra de Santana e afastado da bagunça parlamentar, brilha com maior intensidade a sua estrela. Estava escrito.

sábado, 10 de novembro de 2007

Pouco barulho

Hugo Chavez é desbragado e inconveniente. Insulta quem quer, especialmente se o alvo dos arremessos não está por perto. Na cimeira que houve no Chile resolveu chamar fascista a Aznar, que já não anda nestas andanças há um ror de tempo. O primeiro-ministro Zapatero foi civilizado: defendeu a honra do convento espanhol. O rei limitou-se a mandar calar o presidente venezuelano, ou seja, pôs em causa o trabalho didáctico de Zapatero. Se calhar o homem não percebeu ainda como é isto da política. Ou então, como foi convencido de que é ungido pelo Criador, pensa que pode dizer o que lhe apetece e mandar calar a torto e a direito. Quem deverá mandar calar Hugo Chavez é o pessoal lá da terra, nas eleições. Os estudantes já começaram a dizer qualquer coisa. Vamos esperar.

Norman Mailer


A morte de Norman Mailer apanhou-me a ler o seu mais recente livro "O Fantasma de Hitler". Percebo agora que este é o último original publicado em vida deste autor de quem li "Os nus e os mortos" e "Os duros não dançam". Mailer foi um opinador interveniente. Mentor de um conceito conhecido como "novo jornalismo", nos Estados Unidos da América. Sempre irreverente e livre como um enfant terrible. Sempre alternativo.
Vou continuar a ler "O Fantasma de Hitler". Vou insistir em tentar perceber como se faz um monstro.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Azulejo português em Espanha


É amanhã inaugurada, na Real Fabrica de Tápices, em Madrid, a exposição "Tapices Cerámicos de Portugal".
Trata-se de uma importante mostra do que é o azulejo português produzido entre os séculos dezasseis e vinte. Pode ser visitada até nove de dezembro.
Fomos nós, na DDLX, que fizemos os trabalhos relacionados com a imagem promocional. Por isso mesmo vou até lá. Motivo que me vai afastar aqui do vidro electrónico até ao fim-de-semana.
Até lá.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Perfeitos Milagres


É hoje apresentado, pelas 18 horas, na Livraria Pó dos Livros, na avenida Marquês de Tomar, nº 89, perto da Gulbenkian, o romance de Jacinto Lucas Pires "Perfeitos Milagres".
João Reis vai fazer uma leitura da obra. Estou curioso. Gosto da escrita de Jacinto.
Os Livros Cotovia editam.
Até logo.

Como lidar com a ditadura em democracia

Parece que os autarcas de Santa Comba Dão, eleitos democraticamente, insistem em homenagear o coveiro da Liberdade, que está enterrado lá na terra. Salazar vai ser mesmo nome de museu. Uma petição exigindo que tal não aconteça vai ser hoje entregue na Assembleia da república. Percebo uns e outros. Os da terra do ditador acham que, com este tributo, vão aproveitar o mediatismo daí decorrente e assim promover a terrinha. Os que levaram porrada e os que não querem alguma vez levar, não acham graça a esta exposição das bugigangas do ditador. Estou com os segundos, claro está. O que me incomoda é o atraso de tudo isto. Como é que num país com mais de trinta anos de democracia, ainda haja quem tenha saudades da ditadura. Se calhar ainda é pouco tempo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Sistema produtivo nacional

As cidades ficaram vazias. As estradas encheram-se. Os hotéis, nos locais de lazer, ficaram à cunha. A produção amainou. Tudo por causa de um feriado católico que ninguém sabe muito bem o que representa e a que ninguém liga. A não ser para o justo descanso. Amén.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Queima de fitas


O filme "Corrupção" cheira a esturro desde que se começou a falar dele. João Botelho aceitou a encomenda e gastou quilómetros de fita para fixar para a posteridade o manhoso livrito de uma tal Carolina. Depois, não gostou dos preparos em que o produtor apresentou o filme e recusou a paternidade da obra. O produtor vem agora dizer que quem paga é que sabe e que os realizadores estão mal habituados. Botelho e alguns outros participantes não compareceram na ridícula estreia, com limusines e tudo. Mas outros actores, os que são capazes de tudo, foram e fizeram as figuras todas que já estão habituados a fazer. João Botelho fez bem: se aquilo não é o que engendrou para exibição não tem que fazer fretes. Mas fê-lo tarde. Toda a gente já tinha percebido que aquilo cheirava a esturro. Ele acabou por sair queimado do cozinhado.

Antes eles que eu?

Hoje é dia dos mortos. Homenagem aos que já cá não estão pelos que vão estar só mais um bocadinho, ou hipócrita manifestação de uma efémera vantagem? Estou à vontade. Não participo nas comemorações. Respeito e recordo com saudade os que estiveram bem com a vida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007


António Garcia é um dos mais importantes designers portugueses. Foi pioneiro nesta disciplina com Sebastião Rodrigues, Daciano da Costa e António Sena da Silva.
Garcia "embrulhou" muito do tabaco que os portugueses fumaram e ainda fumam. Daí a escolha deste SG Gigante para a imagem promocional. Esta exposição mostra essencialmente capas de livros, criadas nos anos 50 e 60 para a editora Ulisseia, e algum do trabalho para a Tabaqueira.
Abre hoje, a partir da 19 horas.
Estão convidados.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Heil Ratzinger


O Vaticano resolveu transformar um grupo de religiosos do tempo da guerra civil espanhola em santos.
Ei-los em plena cruzada.

O Alentejo e o oceano


Este trabalho é hoje apresentado, no Comporta Café, na Comporta. Trata de promover a zona litoral do Alentejo. Foi concebido e produzido por nós, na DDLX, para as Regiões de Turismo da Costa Azul e da Planície Dourada. Os textos são da autoria de António Cabrita e de David Lopes Ramos. As fotografias de Maurício Abreu e de Luísa Ferreira. Uma forma diferente de promover a terra alentejana situada mais para os lados do mar. Pode ser adquirido nas instalações das instituições referidas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Bancos e banquetas

Fátima Campos Ferreira chamou, para o seu Prós e Contras, na pública RTP1, um punhado de banqueiros e mais alguns bancários para falar do futuro de dois Bancos privados. Será que não há mais nada para discutir? Ou será que este assunto é de superior interesse para o país? Se calhar é. Eu passo.

domingo, 28 de outubro de 2007

Conta-me como era

A série "Conta-me como foi", exibida aos domingos na RTP1, é um bom retrato da sociedade portuguesa dos tempos de Salazar. Excelentes interpretações de Rita Blanco e Miguel Guilherme. Mas também os restantes actores estão bem e recomendam-se. Até os putos se safam. Muito bom mesmo.

Abaixo de cão


Guillermo Vargas, artista da Nicarágua, usou um cão que encontrou num bairro degradado de Manágua, para denunciar a hipocrisia dos humanos. O animal morreu de fome e de sede. Como o bicho estava pouco habituado a alimentar-se, o artista manteve a coerência e deixou-o morrer à mingua. Bem, a hipocrisia humana não foi mais denunciada com esta atitude idiota. E a arte conceptual que aposta em chocar para ganhar adeptos, perdeu mais do que ganhou. Se isto é arte...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Piano fadista


Afonso Malão vai estar hoje no bar do Teatro A Barraca, em Santos, para apresentar o seu trabalho gravado " Fados para Piano".
As composições foram feitas para este instrumento por Alexandre Rey Colaço. O piano do Malão merece ser ouvido. É às onze e meia da noite.
Até logo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vieira da Silva em casa


Uma significativa esposição de Maria Helena Vieira da Silva esteve em Paris, entre Junho e Setembro. As obras são pertença da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva e do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Agora, o pessoal que anda aqui por Lisboa pode ver este conjunto de trabalhos na Fundação da Praça das Amoreiras. Inaugura hoje, e vai lá estar até ao dia 17 de Fevereiro do próximo ano. É uma exposição muito importante. A não perder.
A imagem gráfica foi assegurada por nós, na DDLX.

Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Praça das Amoreiras, 56/58 1250-020 Lisboa
Horário: 2ª a Sábado: 11h00 às 19h00
Domingos: 10h00 às 18h00
Encerra: 3ª feira e feriados
Entrada gratuita: Domingos entre as 10h00 e as 14h00
Ingressos: € 2,50 € 1,25 (estudantes- reformados)
Gratuito: (até 14 anos, AICA, ICOM, APOM)
Visitas escolares guiadas
Acesso para deficiente

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Hemicirco

Santana já começou a fazer das dele. Quem não é por mim é contra mim. O brilho do novo líder parlamentar não deve ser embaciado. Quem não apoiou a nova direcção vai para a sombra. Era necessário? Não, não era, mas há coisas que são mais fortes do que a racionalidade. Não tendo o país disponível para as trapalhadas, vai treinando na Assembleia. Tem lá pano para mangas. Não foi ele o alfaiate do grupo parlamentar?

Quem tem pai rico vai ao BCP

Tanta conversa foi no que deu. Primeiro não sabia, nem tinha nada que saber, da dívida do filho ao seu banco. Agora chegou-se à frente e pagou. Só despesa. Anda um pai a criar um filho para isto.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

André Letria na DDLX


André Letria fez-nos companhia durante os últimos quinze meses. A exposição que era para durar três meses apenas, durou até agora. As constantes visitas e a nossa vontade de ter por perto as ilustrações do André, foram adiando o seu encerramento. Foi agora. A exposição "Mil Folhas" chegou ao fim. Um grande abraço de agradecimento ao André Letria.
Bem, mas a festa continua. No próximo dia 31 terá início uma nova mostra. Desta vez de Design Gráfico. António Garcia é um histórico do design em Portugal. Companheiro de Sebastião Rodrigues, Daciano da Costa e António Sena da Silva, foi, com estes e mais alguns, pioneiro da actividade. Aqui poderão ser vistas as capas de livros que desenhou para a editora Ulisseia, assim como alguns maços de tabaco que "embrulhou" em meados do século passado. Vale a pena dar um salto.

Cansaço polaco

Os polacos estão a ficar fartos dos gémeos que os dirigem.
O gémeo primeiro-ministro, tal como estava previsto, perdeu as eleições. Agora falta correr com o outro, o presidente.
Fica para a próxima.

domingo, 21 de outubro de 2007

Avarias

O Procurador-geral da República diz que ouve uns ruídos esquisitos no telefone. Que ruídos serão aqueles? Andará alguém a perturbar o senhor procurador? Não estará com certeza a ser escutado. Sempre é o Procurador-geral da República.
Em vez de se ir queixar para a comunicação social, não fazia melhor figura se fosse pôr o telemóvel a reparar?

sábado, 20 de outubro de 2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ainda falam dos taxistas

A Fundação Champalimaud tem à frente do seu Conselho Científico um prestigiado Prémio Nobel, que se destaca por proferir argumentos racistas e sexistas. O senhor assegura que quem nasce em África, ainda por cima com a "infelicidade" de ostentar pele escura, é muito menos inteligente do que nós, os ligeiramente mais clarinhos. Para que não hajam substanciais dúvidas refere as angústias de quem tem negros como empregados.
O homem não conduz um táxi. Nem passa os dias na tasca. Fez descobertas científicas importantes. As opiniões recentemente proferidas não são, obviamente, revelações científicas. São vulgares parvoíces. No melhor pano...

As insígnias

Pacheco Pereira pôs de pernas para o ar o emblema do PSD, seu partido, no blogue que utiliza para opinar. Um ignoto militante de Braga, chocado com a afronta, resolveu pedir castigo para o companheiro de luta partidária. Todos juntos no combate político, desde que todos de acordo. E, já agora, com tudo no seu lugar. Sem brincadeiras parvas.
A liberdade individual nunca é bem vinda.
A bem da Nação.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Energias renováveis


A mais recente edição da revista LVT, publicação da CCDR-LVT - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, já tem os textos disponíveis aqui. Quem não tiver acesso à versão impressa pode ir até lá. O tema de fundo é a Energia. Os colaboradores são os habituais: Ana Sousa Dias, Carla Maia de Almeida, Fernanda Câncio, Carla Amaro, Pedro Almeida Vieira, David Lopes Ramos, Luís Carvalho, Pedro Soares e Guto Ferreira. O projecto editorial e o design são da nossa responsabilidade, na DDLX.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Contra a pobreza

Constâncio vai pôr o seu pessoal a investigar o caso do filho de Jardim Gonçalves. Parece que o empréstimo a familiares de altos responsáveis não é permitido, nos Bancos portugueses.
Empréstimo? Que empréstimo?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Adriano para sempre


Adriano calou-se. Já lá vão 25 anos. Não aguentou intransigências várias. Nunca lidou muito bem com a repugnante expulsão de uma cooperativa de animação cultural que ajudou a fundar. Conheci-o poucos anos antes de morrer. Uma vez, na Trindade, falou-me de desencanto e traição. Disse-me que estava cansado, mas que não se importava: "Já sou velho...". Velho, o Adriano. Tinha na altura 37 anos. Agora, há um grupo de jovens músicos que resolveu reconhecê-lo como grande autor da Música Portuguesa. E o Público vai fazer o favor de nos fornecer a obra gravada todinha.
Velhos caducos são os seus implacáveis punidores.
Adriano Correia de Oliveira nunca o foi.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Governos pouco civis

Helena Matos refere, no Público de hoje, um assunto que de vez em quando vem à baila. Os governadores civis e a sua inutilidade. A hipótese de extinção foi abordada por vários Executivos, só travada por ser útil para colocar em banho-maria boys destinados para outros voos, ou para dourar a reforma de prestáveis colaboradores. As competências de um governador destes são ridículas: passar passaportes, autorizar manifestações e pouco mais. Para que se justifique a sua existência parece que vão presidir aos Gabinetes Coordenadores de Segurança Distritais. O que será isto? Se calhar vão acabar os comissários de polícia. Só pode.

domingo, 14 de outubro de 2007

Do velho se faz novo

Menezes esgotou-se no discurso de abertura do Congresso. Depois limitou-se a esgueirar-se pelos intervalos da chuva. Que foi pouco torrencial, note-se. Até Santana parecia estar amestrado. Para parecer muito dinâmico, convocou uma conferência de imprensa para o fim da tarde. A atitude inédita causou algum espanto. Só comparada com o professor Marcelo nos seus tempos de líder. Mas o rufar dos tambores logo esmoreceu. O novo presidente do PSD limitou-se a fazer uma declaração de amor à Comunicação Social. Está com os jornalistas e podem contar com ele para o que der e vier. Coisa pouca, portanto.
Depois foi a vez da baronesa Manuela revelar disponibilidade para a nova direcção, mas pouca. Menezes arranjou o pessoal possível para o acompanhar. Já não é mau, nos dias que correm. Santana não largou o ombro de Menezes. Já percebemos que PSD saiu hoje dali. Só não percebemos quem será o verdadeiro líder. Santana já não anda vagamente por aí. Agora está ali, e, pelos vistos, não vai sair tão cedo.

sábado, 13 de outubro de 2007

Paulo Autran



Só o vi uma vez em palco. Não me sento para ver telenovelas. Mas paro quando ele aparece no écran. Coisa que só me acontece quando outro actor brasileiro lá espreita: Lima Duarte.
Gostava muito de Paulo Autran. Até comentei aqui uma entrevista que deu a Ana Marques quando veio cá representar.
Morreu ontem, em São Paulo. Parece que teve uma vida cheia. Ainda bem.

Pobre Nobel

Al Gore arrecadou mais um honorário: o Prémio Nobel da Paz.
Por este andar ainda veremos Miguel Frasquilho ganhar o Nobel da Economia.

Hoje há PPD/PSD

AMANHÃ NÃO SABEMOS

Estava a brincar. Não levem a mal. Divirtam-se.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Superior imbecilidade


O ano escolar já começou há um ror de tempo, mas os rituais das praxes continuam com grande alarido pelas ruas das cidades onde as universitárias criaturas circulam. Tomaram-lhe o gosto. Esta imbecilidade está instituída. Qualquer curso da Farinha Amparo exibe uma ruidosa chusma de imberbes, felizes por reduzirem a pó os seus colegas caloiros. Para o ano lá estarão os ofendidos de agora a exercer sobre outros as humilhações que agora se abatem sobre eles. Até parece que se divertem. Triste diversão. E triste moçada que se encanta com tão lamentável divertimento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Implacável efemeridade humana

Um capelão argentino, convicto apoiante da ditadura de Videla, foi condenado a prisão perpétua.
O religioso profissional exercia a cândida tarefa de ajudar na tortura de opositores ao regime. Foi considerado culpado de vários crimes.
Talvez Deus lhe perdoe, na eternidade.
A Justiça dos homens não teve essa capacidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

É uma vergonha, diz ele


O actual Procurador-geral da República encetou o seu mandato, há cerca de um ano, verberando a blogosfera. É comum entre quem não reconhece como válidas as opiniões de mais ninguém. Só eles pensam o que está certo e apontam os caminhos. Há quem não se esconda na cobardia do anonimato, aqui na blogosfera. Isto vale o que vale? Claro, vale o que a gente quiser. Os militares da Birmãnia são da mesma opinião do senhor do filmezinho aqui de cima. O homenzinho da Coreia do Norte também. E há mais governantes com essa cisma. Agora andam para aí a fazer balanços do mandato do homem. Sejam justos na análise. Eu não me pronuncio. Não posso. Faço parte dos que insistem em ter opinião neste novo meio de expressão. E, olhando para os "companheiros" de causa do procurador, sinto-me muito bem deste lado.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Olha a t-shirt da moda


Disparei uma bala de calibre 32 contra o hemisfério direito do seu cérebro que saiu pela têmpora esquerda. Ele gemeu por uns momentos e depois morreu.
Descrição "científica" de Che Guevara do momento em que matou um camponês considerado traidor.
Hoje é lembrada a sua própria morte, exercida de forma semelhante.
As voltas que a vida dá...

Particularmente interessante, esta opinião do Daniel Oliveira.

Ditadura económica

A Europa passa a vida a chafurdar na lama das negociatas com os maiores escroques do planeta: africanos, asiáticos e brancos com colarinhos a condizer. Não se percebe agora esta implicação do primeiro-ministro britânico com o pulha do Zimbabué. O problema é outro. Mugabe não vem sozinho. Nunca está, aliás. Provavelmente não tem é grandes negócios com o Reino de Sua Magestade, actualmente.
Se o vento económico mudar, lá veremos Brown a acenar para a fotografia, à porta do número 10, com um senhor de tez escura a seu lado. A Economia manda. Como uma feroz ditadura.

Franchising religioso

A Igreja Católica não se sente nada bem afastada do Estado. Pagamos, com as nossas contribuições obrigatórias, a um enorme grupo de capelães que dá assistência religiosa nos hospitais. Católicos, outros crentes e mesmo não crentes, são considerados católicos à partida. Ou por outra, à abalada, já que a grande especialidade dos Curas é a encomenda das almas ao Criador.
Sem qualquer responsabilidade ou interesse no negócio, atrevo-me a fazer uma proposta:
Que tal a privatização do conforto religioso? Criavam-se empresas privadas que geriam a actividade dos religiosos profissionais.
Exemplos: para um católico que está a a bater a bota num hospital (público ou privado), a empresa chamaria um Padre. Um Padre a sério, previamente contactado e colocado em carteira, para exercer as indispensáveis exéquias.
Caso fosse um seguidor de Alá a precisar de amparo, lá estaria um creditado representante garantindo as virgens a que o crente tem todo o direito após uma vida de martírio. E por aí fora. Até poderia funcionar em sistema de franchising. Não haveria católico, baptista, adventista, islâmico, budista, testemunha de Jeóvá ou judeu que não tivesse o seu aconchego na hora difícil da doença. Isto pagando, é claro. Já se sabe, não há Fé de borla.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Monica em Lisboa


Li algures que Monica bellucci esteve em Lisboa a fazer um anúncio para uma marca de lingerie. A coisa deu-se no Largo do Carmo. Trabalho a pouco mais de 100 metros do local, passo lá quase todos os dias, e não dei por nada. Resta-me esperar pela publicação do tal anúncio. Para perceber o que perdi.

As opiniões dos outros


Parece-me que Marcelo reagiu bem, no seu consultório, na RTP1, às ameaças lançadas pelos seus pares durante toda a semana. As opiniões emitem-se, não se omitem. Há amigos que, pelos vistos, não percebem o que é análise política. Com "amigos" assim, bem pode dispensar os inimigos. Houve declarações ameaçadoras. Duarte Lima até falou em processo-crime. Poderemos dizer que "quem vai à guerra dá e leva", mas, nesta guerra, quem ganha é o professor. Hoje em dia até os gostos se discutem, quanto mais as opiniões. Com esta mania chata dos processos por tudo e por nada, acabamos por ficar todos calados.

domingo, 7 de outubro de 2007

Geografias musicais


Este disco de Devendra Banhart está disponível em qualquer boa loja de música. A separação de Banhart de Bianca Cassidy, das CocoRosie, não é para aqui chamada. Isso é lá com eles. Mas parece haverem por ali sonoridades que fazem lembrar a banda das manas. Fica sempre qualquer coisa. A verdade é que gosto desta gente toda. E gosto particularmente deste disco. Oiço-o repetidamente. E sabe sempre a qualquer coisa de novo. Há um universo que ultrapassa os sons dos primeiros tempos do músico. Percebe-se uma abertura a outras geografias. É por isso que ele canta em línguas que não lembram ao diabo. Até em português, vejam lá. Vou até ali pôr outra vez a "bolachinha" na gaveta do aparelho. Se calhar vou descobrir mais qualquer coisa que há bocado me escapou. Até já.

Somkey Rolls Down Thunder Canyon
Devendra Banhart
XL Recordings/Popstock

sábado, 6 de outubro de 2007

De pé. O mago voltou


Robert Waytt está a chegar. Um novo trabalho gravado vai estar à venda a partir de dia 8. Rui Tentúgal entrevistou-o para o Expresso, pôs as orelhas à escuta, e gostou do que ouviu. Assegura: "Comicopera é o mais belo dos discos cantado pela mais triste das vozes". Mas não há tristeza nesta conversa. É um Wyatt feliz que fala com o jornalista. Está contente por haver quem goste do que faz. Eu estou contente por ir ouvir as novas músicas deste mago dos sons. Nem me lembro que o homem frequenta um ideário político sem aplicação lúcida nos dias de hoje.
Ele justifica essa ousadia com ironia.
É uma manifestação de lucidez.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Educação plural


Cavaco Silva, no discurso comemorativo do 5 de outubro, escolheu a Educação como tema. O Futuro, portanto. Pela primeira vez nas nossas vidas (minha e de Cavaco), estamos completamente de acordo. Há agora quem veja recados nas palavras do Presidente. Eu também os vi. Para todos: governantes, autarcas, pais e aprendizes.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Papel habitado


Rogério Ribeiro reuniu um conjunto de desenhos, feitos durante este ano, e pendurou-os nas paredes da Galeria Salgadeiras, situada na rua que deu o nome à dita, no Bairro Alto. São desenhos que enunciam a maturidade do Pintor. Um pintor que risca o papel com a sabedoria ditada por um percurso singular. Aqueles riscos não enganam. Traçam humores, desafiam desesperos, denunciam cansaços. São feitos por uma mão que já não alinha em novidades circunstanciais. Não precisa. O que está feito, está feito. E está mesmo muito bem feito.
Rogério Ribeiro ensinou-me, no AR.CO, muito do pouco que fui aprendendo. Ficámos amigos. Foi muito bom estar com ele no dia da abertura. Ainda por cima num tempo em que regresso à escola.
Obrigado por tudo, Rogério.

Rogério Ribeiro
Desenho a tinta da china
Salgadeiras Galeria.
Rua das Salgadeiras, 24, Bairro Alto, Lisboa.
Até ao dia 10 de Novembro.

Apareçam. Vão gostar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

As Áfricas do meu pai


José Eduardo Agualusa conta a história de uma filha que descobre as outras vidas do pai. Nessa descoberta dá conta da multiplicidade de "áfricas" habitadas pelo seu progenitor. Cada mulher é um continente inteiro. "De quantas verdades se faz uma mentira?". A resposta é uma nova caixa de surpresas. Um livro que se lê batendo o pé. A música acompanha o correr das páginas. É a música de África que marca o compasso desta aventura. Isto pode acontecer em África ou noutro lado qualquer. Mas Agualusa conta o que lhe está próximo. E conta muito bem. Um belíssimo livro, digo eu sem hesitar.

Titulo: As Mulheres do Meu Pai
Autor: José Eduardo Agualusa
Design da capa e ilustração: Henrique Cayatte
Fotografia: Jorge Simão
Revisão: Fernanda Abreu
382 páginas
Preço: 16,65 euros
Edição: Dom Quixote

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Jornadas de luta

Ouvi um senhor das polícias, no telejornal da RTP 2, dizer que estes prestantes agentes devem ser tratados de uma forma especial. Se calhar não ouvi bem. Ou então é já má-vontade minha para este grupo profissional. Mas, na verdade são especiais em quê? Sabemos como é tratado quem fica sujeito às especiais habilidades destes tão especiais e empenhados artesãos da pancadaria. E aqui não há má-vontade, são insuspeitos números que o denunciam.
Eles não defendem direitos, defendem privilégios.
Ora, nessa matéria, isto está mal para todos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Outubro


Novo mês, publicações novas. Outubro está aí e traz consigo o cheiro da rentrée. E, como sempre, a Fabulosa Wallpaper anima os nossos dias. Sofisticação e funcionalidade sugeridas com rigor, é o que aqui se encontra. Este número é apresentado em três capas diferentes. Uma é concebida por Dieter Rams, outra por Hedi Slimane e ainda outra por Jeff Koo0ns. Eu escolhi a de Slimane. É a que faz figura aí em cima no retrato.

A cidade e o mundo


Lisboa já precisava desta "Time Out". Finalmente chegou. Está bem e recomenda-se.

Assim sim

Vi, ouvi e não queria acreditar. O autarca de Loures, falando às televisões sobre as cheias de ontem, disse que a culpa era dos comerciantes que insistem em fazer os seus negócios por ali. Eis um autarca sem papas na língua. Sem hipocrisias. Este pelo menos não tem cá falsos pudores em defender desertificações. É honesto, o homenzinho.

A luta continua

Marcelo Rebelo de Sousa está preocupado com o futuro próximo do seu partido. O populismo venceu. O dominical comentador denuncia os tão proclamados barões - destacando a baronesa Manuela Ferreira Leite - como principais responsáveis pela derrota da linha "decente". A luta continua, portanto.

domingo, 30 de setembro de 2007

À nossa!


João Paulo Martins todos os anos prova as melhores "pingas" que por aí escorrem. Escolhe o melhor. Nunca se engana. Claro que não há dois vinhos iguais. Há vinhos e há vinhões. A prova final é feita por nós. E nós somos todos diferentes uns dos outros, já se sabe. É como o vinho.

sábado, 29 de setembro de 2007

Estratégias de comunicação

A primeira série da telenovela "Mandas tu ou mando eu", produzida pelo PSD, chegou ao fim. Santana Lopes é capaz de ter dado uma ajuda ao desfecho, com aquele episódio na SIC-N. Provavelmente foi o anúncio de um regresso à ribalta. Agora tudo corre de feição aos adeptos do folclore populista. Esperemos que não monte arraiais no país. Já basta o que basta.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje não vou sair

Parece que Santana despertou consensos. Anda por aí grande entusiasmo com a "coragem" que demonstrou na SIC-N. Provavelmente sou dos poucos que não vão estar nessa festa. Não tenho nada a ver com o que faz José Mourinho. Nem aprecio o estilo. Se outro galo tivesse cantado, até estaria agora a não perceber a razão de se ter interrompido uma entrevista a um saliente opinador de uma importante questão em análise. Mas o galo foi Santana. O homem que faz do "bluff" o seu oxigénio. Lembram-se dos famosos congressos do PPD-PSD? Já toda a gente se esqueceu da política-pimba protagonizada pelo novo herói nacional?
Brindem, elevem as taças, façam-lhe a festa.
Eu não me levanto.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007


Este canito tem mais dez manos.
Todos precisam de dono.
Se alguém estiver em condições de adoptar algum deles, pode contactar através do serviço de urgências aqui do blog.

Goooooolo... de Mourinho

Uma entrevista de Ana Lourenço a Pedro Santana Lopes, ontem, na SIC-N, deu para o torto, depois de uma interrupção para que fosse transmitida em directo a chegada de José Mourinho ao nosso amado Portugal. Santana não gostou da graça e deixou o paleio a meio. "O país está doido", rematou. Eu até estava tentado em concordar com a atitude do nosso Pedro. Mas, de repente, a lucidez deu-me um abanão. Então o comentador de remates, livres e cantos arma-se agora em donzela ofendida por ser interrompido por uma grandiosa jornada futebolística? Mau perder, homem. E olhe que nesta sua antiga e agora repudiada actividade, Mourinho vence. Ontem foi ele que marcou. Dizem que é mesmo assim: a bola é redonda. Mas se calhar é isto tudo que está a ficar excessivamente redondo. E, quando menos se espera, a bola cai-nos em cima.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ilegítimas defesas

Há democracia no PSD. Já ninguém duvida. Estes debates públicos, quando é de disputa de liderança que se trata, são perfeitamente legítimos. Excluindo o PCP, que tem paredes de vidro tão espessas que não se vislumbra nada lá para dentro, os outros partidos estão sujeitos a estas maldades. Mas atenção: quando as maldades atingem a falta de dignidade, não é a democracia que se expressa. A falta de respeito pelas regras põe em causa funcionamentos.
Não é com atitudes evidentemente excessivas que se põe um país a funcionar.
Não é por estas bandas que se encontra alternativa governativa.
A leviandade não deverá exercer soberania.
Apesar de a gente saber que é o que às vezes acontece.

É a sexualidade, estúpido!


O presidente do Irão jurou a pés juntos, perante uma divertida assistência, em Nova Iorque, que no seu país não existe o "fenómeno homossexual". O homem não é simples e mal informado. Vê o que quer ver. É a sua formação. Não é inocente. É perigoso.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vale tudo

Para que tudo corra de feição, até houve quem pagasse cotas por atacado. O que é preciso é votar. Mudar aquilo. Nem que para isso se adoptem práticas pouco recomendáveis. Rui Gomes da Silva - lembram-se? - apareceu nas televisões com uma estranha denominação para os recentes desenvolvimentos: trapalhadas, diz ele. Onde é que o homem foi buscar tão absurda expressão?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Festival de folclore

No sábado passado, Dia Europeu sem Carros (acho que é assim que se chama aquela treta), tive que dar um salto ao meu habitual lugar de permanência profissional, situado no Chiado, onde uns materiais mais ou menos volumosos me aguardavam para ser transportados no meu carro. Acontece que decorria o já referido do tal dia sem carros. Não percebi que ía entrar em zona de comemorações. Engano total. Trânsito cortado na área, filas infindáveis e ruidosas, e a paciência a atingir o limite. Conclusão: fugi dali, esperei nas calmas, com um consequente jantar, calmo e agradável, e lá fui buscar os embrulhos depois da hora de encerramento da coisa. Até não foi mau de todo. Mas pergunto: para que serve esta trapalhada? Não haverá uma maneira menos demagógica e mais eficaz de ordenar o trânsito na cidade? Há com certeza. Pelo folclore não vamos lá.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gente do pior - 2

O homem que fez um desastrado sequestro a um banco, em Setúbal, começou a ser julgado. O homem está preso preventivamente há 11 meses e é acompanhado por pessoal das psicologias. O homem resvalou para o abismo. Estava desesperado. Um empréstimo solicitado nunca mais vinha. Estou longe de aplaudir o tresloucado acto. Mas vale a pena perceber a diferença de atitudes das "vítimas" intervenientes. Os banqueiros pedem uma soma irrisória para colmatar prejuízos. Mas há um paspalho, um mariola que estava no banco quando a coisa se deu, que exige uma indemnização de 35 ooo euros. Os abutres descem quando cheira a cadáver. Há gentalha que não se incomoda em espezinhar quem está na mó de baixo. Há gente para tudo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Gente do pior

Os defensores do nazi Mário Machado, preso e bem preso por maldades várias, queriam aproveitar o novo Código para libertar da prisão preventiva o delinquente que elegeram como seu herói. A coisa deu para o torto. O ariano mais escurinho da "história" do nazismo vai continuar com os costados na pildra. A justiça nem sempre é lerda.

Velha Justiça, código novo

Já não há pachorra para a discussão em volta do novo Código Processo Penal. Toda a gente achava que o tempo de prisão preventiva era um exagero. Agora o problema é outro: se um crime não é provado não há chilindró, enquanto não for provada culpa. Alguém estar preso durante um ror de tempo, sem se saber se é culpado ou não, parece pouco rigoroso. Veja-se o caso de Carlos Cruz. Para que foi aquilo? Não é difícil perceber que o que está em causa não são as novas normas, mas sim a excessiva demora na resolução dos processos. Se as coisas corressem sobre rodas, a Justiça andava de carrinho. Assim, mais parece puxada por asnos. E as reacções a esta nova lei fazem lembrar a história do velho, o rapaz e o burro.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quando os lobos uivam

Aquilino vai ser emparedado no Panteão. Agora andam para aí a arrasar o homem por não ir em lérias de condes e duques. Eu, pobre plebeu, estou como ele: não me apetece andar de chapéu na mão fazendo vénias a fidalgos caducos e seus servidores.
O fim da monarquia foi violento? É verdade.
E a vetusta violência da monarquia sobre os seus súbitos?
Tudo aconteceu há muito tempo. E o tempo, esse grande escultor, vai moldando as mentalidades.
O que ontem era verdade, hoje, provavelmente, também é. Mas um bocadinho menos.

Abel Manta Imagem