sábado, 17 de novembro de 2007

Nojos


Vem escarrapachado no Expresso de hoje: O actor Rogério Samora, no regresso de umas gravações para uma decerto pouco fascinante telenovela, ficou incomodado com o excesso de portugueses que seguiam no avião. O incómodo levou-o a desabafar em voz alta: "Tantos portugueses. Que nojo...!".
No aeroplano viajavam jornalistas de vários orgâos de informação, logo, o caso não ficou por ali.
Se a presença de portugueses incomoda tanto o televisivo actor, por que não ficou na Índia? Seria com certeza melhor para ele e para nós era uma limpeza.
Gente a meter nojo, como ele, é o que por aí não falta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Contenção de despesas

Bush classificou os dinheiros desperdiçados com o ensino do Português, como despesa a eliminar. Comparou esses gastos ao ensino de um desporto pouco concorrido e à criação de uma prisão-museu, ou lá o que é. Bush tem razões para estar preocupado com decisões perdulárias. O armamento, perdão, o material didáctico está pela hora da morte. E manter o ensino da "democracia" no Iraque é altamente dispendioso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Impertinências

A onda de entusiasmo à volta da "ordem" do rei de Espanha está a esmorecer. Chavez não só não se calou, como reforçou os despautérios. Ao rei basta reconhecer a inabilidade para estas coisas de diplomacia internacional. Estou com Rui Tavares, que na sua habitual crónica, no Público, escreve: "Eu, que antes de ser de esquerda sou antiautoritário, sinto-me bastante distante de quem manda calar e não entro em êxtase quando vejo alguêm mandar calar". Vê-se que, ainda por cima, estes exercícios de autoridade já não resultam. Para o bem e para o mal já não há pachorra para estas impertinências, digo eu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

É preciso ajuda?

A Ministra da Cultura vir culpar quem dirige os museus dos problemas que os afectam, faz-me lembrar o Procurador-geral com aquela treta das escutas.
Será que não conhecem quem tutelam?
Caso precisem, digam qualquer coisinha, que eu envio-lhes os contactos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O bom rei

Não ponho em causa a aclamação de um rei, como é evidente. Nem, após aclamado, a sua legitimidade como chefe de estado. Ponho em causa um estilo. Que é tão boçal em Chavez como em Juan Carlos. Se Sócrates, para responder a Alberto João Jardim, se colocar ao seu nível, ganha alguma coisa com isso? Se calhar sim, mas infelizmente. Uma simples reprimenda do rei de Espanha não tem qualquer importância se for feita lá em casa, corrigindo a prole. Perante um chefe de estado, mesmo manhoso como é o caso em causa, é um assunto muito sério. O rei devia saber isso. E se calhar sabe. Com esta atitude recuperou algum do prestígio que lhe ia faltando. Parece que mesmo os espanhóis que estavam a ficar fartos da inutilidade monárquica, se renderam à "seriedade" da sua atitude.
Será que a má educação, quando praticada pela nobreza, é louvável?

O bom fascista


Hugo Chavez chamou fascista "de todo o tamanho" a Aznar. Também disse que nos Estados Unidos da América vigora o "fascismo dos fascismos". Chavez tem um discurso de rua que agrada ao chamado homem da rua. A atitude do rei de Espanha situa-se no mesmo registo. O sucesso inesperado da sua reacção deve-se ao insólito: não se imagina um rei a descer à rua. Os tempos estão a mudar. Hugo Chavez, que estimula a violência contra quem dele discorda, e que é um revolucionário de todo o tamanho, está a instalar um regime que é uma ditadura chapada. Provavelmente é um bom fascismo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Trabalho global

Uma empresa de confecções, instalada nos arredores do Porto, vai bater com a porta. Ou por outra, vai fechar as portas por falta de trabalho. O único cliente que permitia a ocupação dos 130 trabalhadores da fábrica foi trabalhar com a China. Na China o trabalho está ao preço da uva-mijona. A globalização tem destas coisas: ficamos todos mais perto uns dos outros. Até na miséria.

domingo, 11 de novembro de 2007

Hoje é domingo

As noites de domingo são por mim escolhidas para estar sentado frente à televisão. Coisa rara, mas reconfortante. É que motivos não faltam. Difícil é articular a programação com os diferentes horários. Tudo começa com os "Gato fedorento", logo seguidos de saborosa série "Conta-me como foi". Entretanto, na RTP 2, Paula Moura Pinheiro conversa com convidados e aborda o que de interesse maior por aí se faz. Filipa Melo fala sem rodriguinhos dos livros que leu. Na edição deste domingo abordou "A herança de Eszter", o belíssimo livro de Sándor Márai, autor do fabuloso "As velas ardem até ao fim". A conversa de fundo foi com Luisa Costa Gomes e Manuel José Damásio. Um bom programa, este "Câmara clara".
Depois é esperar pelas séries de humor que a BBC produz e que a RTP 2 faz o favor de passar. Noites de domingo bem passadas.

Escrito nas estrelas

Não estava cá quando foi o debate do Orçamento. Mas, pelo que percebo pelos jornais, a coisa acabou menos bem para os lados de Santana. Foi criada a ideia de que estava de volta a política-espectáculo e que o protagonista prometia prestação de arromba. Desilusão total. Parece que aquilo não correu bem a ninguém. O nível rasteiro instalou-se. Quem se safa com o regresso da trapalhice é Menezes. Sem a sombra de Santana e afastado da bagunça parlamentar, brilha com maior intensidade a sua estrela. Estava escrito.

sábado, 10 de novembro de 2007

Pouco barulho

Hugo Chavez é desbragado e inconveniente. Insulta quem quer, especialmente se o alvo dos arremessos não está por perto. Na cimeira que houve no Chile resolveu chamar fascista a Aznar, que já não anda nestas andanças há um ror de tempo. O primeiro-ministro Zapatero foi civilizado: defendeu a honra do convento espanhol. O rei limitou-se a mandar calar o presidente venezuelano, ou seja, pôs em causa o trabalho didáctico de Zapatero. Se calhar o homem não percebeu ainda como é isto da política. Ou então, como foi convencido de que é ungido pelo Criador, pensa que pode dizer o que lhe apetece e mandar calar a torto e a direito. Quem deverá mandar calar Hugo Chavez é o pessoal lá da terra, nas eleições. Os estudantes já começaram a dizer qualquer coisa. Vamos esperar.

Norman Mailer


A morte de Norman Mailer apanhou-me a ler o seu mais recente livro "O Fantasma de Hitler". Percebo agora que este é o último original publicado em vida deste autor de quem li "Os nus e os mortos" e "Os duros não dançam". Mailer foi um opinador interveniente. Mentor de um conceito conhecido como "novo jornalismo", nos Estados Unidos da América. Sempre irreverente e livre como um enfant terrible. Sempre alternativo.
Vou continuar a ler "O Fantasma de Hitler". Vou insistir em tentar perceber como se faz um monstro.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Azulejo português em Espanha


É amanhã inaugurada, na Real Fabrica de Tápices, em Madrid, a exposição "Tapices Cerámicos de Portugal".
Trata-se de uma importante mostra do que é o azulejo português produzido entre os séculos dezasseis e vinte. Pode ser visitada até nove de dezembro.
Fomos nós, na DDLX, que fizemos os trabalhos relacionados com a imagem promocional. Por isso mesmo vou até lá. Motivo que me vai afastar aqui do vidro electrónico até ao fim-de-semana.
Até lá.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Perfeitos Milagres


É hoje apresentado, pelas 18 horas, na Livraria Pó dos Livros, na avenida Marquês de Tomar, nº 89, perto da Gulbenkian, o romance de Jacinto Lucas Pires "Perfeitos Milagres".
João Reis vai fazer uma leitura da obra. Estou curioso. Gosto da escrita de Jacinto.
Os Livros Cotovia editam.
Até logo.

Como lidar com a ditadura em democracia

Parece que os autarcas de Santa Comba Dão, eleitos democraticamente, insistem em homenagear o coveiro da Liberdade, que está enterrado lá na terra. Salazar vai ser mesmo nome de museu. Uma petição exigindo que tal não aconteça vai ser hoje entregue na Assembleia da república. Percebo uns e outros. Os da terra do ditador acham que, com este tributo, vão aproveitar o mediatismo daí decorrente e assim promover a terrinha. Os que levaram porrada e os que não querem alguma vez levar, não acham graça a esta exposição das bugigangas do ditador. Estou com os segundos, claro está. O que me incomoda é o atraso de tudo isto. Como é que num país com mais de trinta anos de democracia, ainda haja quem tenha saudades da ditadura. Se calhar ainda é pouco tempo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Sistema produtivo nacional

As cidades ficaram vazias. As estradas encheram-se. Os hotéis, nos locais de lazer, ficaram à cunha. A produção amainou. Tudo por causa de um feriado católico que ninguém sabe muito bem o que representa e a que ninguém liga. A não ser para o justo descanso. Amén.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Queima de fitas


O filme "Corrupção" cheira a esturro desde que se começou a falar dele. João Botelho aceitou a encomenda e gastou quilómetros de fita para fixar para a posteridade o manhoso livrito de uma tal Carolina. Depois, não gostou dos preparos em que o produtor apresentou o filme e recusou a paternidade da obra. O produtor vem agora dizer que quem paga é que sabe e que os realizadores estão mal habituados. Botelho e alguns outros participantes não compareceram na ridícula estreia, com limusines e tudo. Mas outros actores, os que são capazes de tudo, foram e fizeram as figuras todas que já estão habituados a fazer. João Botelho fez bem: se aquilo não é o que engendrou para exibição não tem que fazer fretes. Mas fê-lo tarde. Toda a gente já tinha percebido que aquilo cheirava a esturro. Ele acabou por sair queimado do cozinhado.

Antes eles que eu?

Hoje é dia dos mortos. Homenagem aos que já cá não estão pelos que vão estar só mais um bocadinho, ou hipócrita manifestação de uma efémera vantagem? Estou à vontade. Não participo nas comemorações. Respeito e recordo com saudade os que estiveram bem com a vida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007


António Garcia é um dos mais importantes designers portugueses. Foi pioneiro nesta disciplina com Sebastião Rodrigues, Daciano da Costa e António Sena da Silva.
Garcia "embrulhou" muito do tabaco que os portugueses fumaram e ainda fumam. Daí a escolha deste SG Gigante para a imagem promocional. Esta exposição mostra essencialmente capas de livros, criadas nos anos 50 e 60 para a editora Ulisseia, e algum do trabalho para a Tabaqueira.
Abre hoje, a partir da 19 horas.
Estão convidados.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Heil Ratzinger


O Vaticano resolveu transformar um grupo de religiosos do tempo da guerra civil espanhola em santos.
Ei-los em plena cruzada.

O Alentejo e o oceano


Este trabalho é hoje apresentado, no Comporta Café, na Comporta. Trata de promover a zona litoral do Alentejo. Foi concebido e produzido por nós, na DDLX, para as Regiões de Turismo da Costa Azul e da Planície Dourada. Os textos são da autoria de António Cabrita e de David Lopes Ramos. As fotografias de Maurício Abreu e de Luísa Ferreira. Uma forma diferente de promover a terra alentejana situada mais para os lados do mar. Pode ser adquirido nas instalações das instituições referidas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Bancos e banquetas

Fátima Campos Ferreira chamou, para o seu Prós e Contras, na pública RTP1, um punhado de banqueiros e mais alguns bancários para falar do futuro de dois Bancos privados. Será que não há mais nada para discutir? Ou será que este assunto é de superior interesse para o país? Se calhar é. Eu passo.

domingo, 28 de outubro de 2007

Conta-me como era

A série "Conta-me como foi", exibida aos domingos na RTP1, é um bom retrato da sociedade portuguesa dos tempos de Salazar. Excelentes interpretações de Rita Blanco e Miguel Guilherme. Mas também os restantes actores estão bem e recomendam-se. Até os putos se safam. Muito bom mesmo.

Abaixo de cão


Guillermo Vargas, artista da Nicarágua, usou um cão que encontrou num bairro degradado de Manágua, para denunciar a hipocrisia dos humanos. O animal morreu de fome e de sede. Como o bicho estava pouco habituado a alimentar-se, o artista manteve a coerência e deixou-o morrer à mingua. Bem, a hipocrisia humana não foi mais denunciada com esta atitude idiota. E a arte conceptual que aposta em chocar para ganhar adeptos, perdeu mais do que ganhou. Se isto é arte...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Piano fadista


Afonso Malão vai estar hoje no bar do Teatro A Barraca, em Santos, para apresentar o seu trabalho gravado " Fados para Piano".
As composições foram feitas para este instrumento por Alexandre Rey Colaço. O piano do Malão merece ser ouvido. É às onze e meia da noite.
Até logo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vieira da Silva em casa


Uma significativa esposição de Maria Helena Vieira da Silva esteve em Paris, entre Junho e Setembro. As obras são pertença da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva e do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Agora, o pessoal que anda aqui por Lisboa pode ver este conjunto de trabalhos na Fundação da Praça das Amoreiras. Inaugura hoje, e vai lá estar até ao dia 17 de Fevereiro do próximo ano. É uma exposição muito importante. A não perder.
A imagem gráfica foi assegurada por nós, na DDLX.

Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Praça das Amoreiras, 56/58 1250-020 Lisboa
Horário: 2ª a Sábado: 11h00 às 19h00
Domingos: 10h00 às 18h00
Encerra: 3ª feira e feriados
Entrada gratuita: Domingos entre as 10h00 e as 14h00
Ingressos: € 2,50 € 1,25 (estudantes- reformados)
Gratuito: (até 14 anos, AICA, ICOM, APOM)
Visitas escolares guiadas
Acesso para deficiente

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Hemicirco

Santana já começou a fazer das dele. Quem não é por mim é contra mim. O brilho do novo líder parlamentar não deve ser embaciado. Quem não apoiou a nova direcção vai para a sombra. Era necessário? Não, não era, mas há coisas que são mais fortes do que a racionalidade. Não tendo o país disponível para as trapalhadas, vai treinando na Assembleia. Tem lá pano para mangas. Não foi ele o alfaiate do grupo parlamentar?

Quem tem pai rico vai ao BCP

Tanta conversa foi no que deu. Primeiro não sabia, nem tinha nada que saber, da dívida do filho ao seu banco. Agora chegou-se à frente e pagou. Só despesa. Anda um pai a criar um filho para isto.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

André Letria na DDLX


André Letria fez-nos companhia durante os últimos quinze meses. A exposição que era para durar três meses apenas, durou até agora. As constantes visitas e a nossa vontade de ter por perto as ilustrações do André, foram adiando o seu encerramento. Foi agora. A exposição "Mil Folhas" chegou ao fim. Um grande abraço de agradecimento ao André Letria.
Bem, mas a festa continua. No próximo dia 31 terá início uma nova mostra. Desta vez de Design Gráfico. António Garcia é um histórico do design em Portugal. Companheiro de Sebastião Rodrigues, Daciano da Costa e António Sena da Silva, foi, com estes e mais alguns, pioneiro da actividade. Aqui poderão ser vistas as capas de livros que desenhou para a editora Ulisseia, assim como alguns maços de tabaco que "embrulhou" em meados do século passado. Vale a pena dar um salto.

Cansaço polaco

Os polacos estão a ficar fartos dos gémeos que os dirigem.
O gémeo primeiro-ministro, tal como estava previsto, perdeu as eleições. Agora falta correr com o outro, o presidente.
Fica para a próxima.

domingo, 21 de outubro de 2007

Avarias

O Procurador-geral da República diz que ouve uns ruídos esquisitos no telefone. Que ruídos serão aqueles? Andará alguém a perturbar o senhor procurador? Não estará com certeza a ser escutado. Sempre é o Procurador-geral da República.
Em vez de se ir queixar para a comunicação social, não fazia melhor figura se fosse pôr o telemóvel a reparar?

sábado, 20 de outubro de 2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ainda falam dos taxistas

A Fundação Champalimaud tem à frente do seu Conselho Científico um prestigiado Prémio Nobel, que se destaca por proferir argumentos racistas e sexistas. O senhor assegura que quem nasce em África, ainda por cima com a "infelicidade" de ostentar pele escura, é muito menos inteligente do que nós, os ligeiramente mais clarinhos. Para que não hajam substanciais dúvidas refere as angústias de quem tem negros como empregados.
O homem não conduz um táxi. Nem passa os dias na tasca. Fez descobertas científicas importantes. As opiniões recentemente proferidas não são, obviamente, revelações científicas. São vulgares parvoíces. No melhor pano...

As insígnias

Pacheco Pereira pôs de pernas para o ar o emblema do PSD, seu partido, no blogue que utiliza para opinar. Um ignoto militante de Braga, chocado com a afronta, resolveu pedir castigo para o companheiro de luta partidária. Todos juntos no combate político, desde que todos de acordo. E, já agora, com tudo no seu lugar. Sem brincadeiras parvas.
A liberdade individual nunca é bem vinda.
A bem da Nação.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Energias renováveis


A mais recente edição da revista LVT, publicação da CCDR-LVT - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, já tem os textos disponíveis aqui. Quem não tiver acesso à versão impressa pode ir até lá. O tema de fundo é a Energia. Os colaboradores são os habituais: Ana Sousa Dias, Carla Maia de Almeida, Fernanda Câncio, Carla Amaro, Pedro Almeida Vieira, David Lopes Ramos, Luís Carvalho, Pedro Soares e Guto Ferreira. O projecto editorial e o design são da nossa responsabilidade, na DDLX.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Contra a pobreza

Constâncio vai pôr o seu pessoal a investigar o caso do filho de Jardim Gonçalves. Parece que o empréstimo a familiares de altos responsáveis não é permitido, nos Bancos portugueses.
Empréstimo? Que empréstimo?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Adriano para sempre


Adriano calou-se. Já lá vão 25 anos. Não aguentou intransigências várias. Nunca lidou muito bem com a repugnante expulsão de uma cooperativa de animação cultural que ajudou a fundar. Conheci-o poucos anos antes de morrer. Uma vez, na Trindade, falou-me de desencanto e traição. Disse-me que estava cansado, mas que não se importava: "Já sou velho...". Velho, o Adriano. Tinha na altura 37 anos. Agora, há um grupo de jovens músicos que resolveu reconhecê-lo como grande autor da Música Portuguesa. E o Público vai fazer o favor de nos fornecer a obra gravada todinha.
Velhos caducos são os seus implacáveis punidores.
Adriano Correia de Oliveira nunca o foi.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Governos pouco civis

Helena Matos refere, no Público de hoje, um assunto que de vez em quando vem à baila. Os governadores civis e a sua inutilidade. A hipótese de extinção foi abordada por vários Executivos, só travada por ser útil para colocar em banho-maria boys destinados para outros voos, ou para dourar a reforma de prestáveis colaboradores. As competências de um governador destes são ridículas: passar passaportes, autorizar manifestações e pouco mais. Para que se justifique a sua existência parece que vão presidir aos Gabinetes Coordenadores de Segurança Distritais. O que será isto? Se calhar vão acabar os comissários de polícia. Só pode.

domingo, 14 de outubro de 2007

Do velho se faz novo

Menezes esgotou-se no discurso de abertura do Congresso. Depois limitou-se a esgueirar-se pelos intervalos da chuva. Que foi pouco torrencial, note-se. Até Santana parecia estar amestrado. Para parecer muito dinâmico, convocou uma conferência de imprensa para o fim da tarde. A atitude inédita causou algum espanto. Só comparada com o professor Marcelo nos seus tempos de líder. Mas o rufar dos tambores logo esmoreceu. O novo presidente do PSD limitou-se a fazer uma declaração de amor à Comunicação Social. Está com os jornalistas e podem contar com ele para o que der e vier. Coisa pouca, portanto.
Depois foi a vez da baronesa Manuela revelar disponibilidade para a nova direcção, mas pouca. Menezes arranjou o pessoal possível para o acompanhar. Já não é mau, nos dias que correm. Santana não largou o ombro de Menezes. Já percebemos que PSD saiu hoje dali. Só não percebemos quem será o verdadeiro líder. Santana já não anda vagamente por aí. Agora está ali, e, pelos vistos, não vai sair tão cedo.

sábado, 13 de outubro de 2007

Paulo Autran



Só o vi uma vez em palco. Não me sento para ver telenovelas. Mas paro quando ele aparece no écran. Coisa que só me acontece quando outro actor brasileiro lá espreita: Lima Duarte.
Gostava muito de Paulo Autran. Até comentei aqui uma entrevista que deu a Ana Marques quando veio cá representar.
Morreu ontem, em São Paulo. Parece que teve uma vida cheia. Ainda bem.

Pobre Nobel

Al Gore arrecadou mais um honorário: o Prémio Nobel da Paz.
Por este andar ainda veremos Miguel Frasquilho ganhar o Nobel da Economia.

Hoje há PPD/PSD

AMANHÃ NÃO SABEMOS

Estava a brincar. Não levem a mal. Divirtam-se.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Superior imbecilidade


O ano escolar já começou há um ror de tempo, mas os rituais das praxes continuam com grande alarido pelas ruas das cidades onde as universitárias criaturas circulam. Tomaram-lhe o gosto. Esta imbecilidade está instituída. Qualquer curso da Farinha Amparo exibe uma ruidosa chusma de imberbes, felizes por reduzirem a pó os seus colegas caloiros. Para o ano lá estarão os ofendidos de agora a exercer sobre outros as humilhações que agora se abatem sobre eles. Até parece que se divertem. Triste diversão. E triste moçada que se encanta com tão lamentável divertimento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Implacável efemeridade humana

Um capelão argentino, convicto apoiante da ditadura de Videla, foi condenado a prisão perpétua.
O religioso profissional exercia a cândida tarefa de ajudar na tortura de opositores ao regime. Foi considerado culpado de vários crimes.
Talvez Deus lhe perdoe, na eternidade.
A Justiça dos homens não teve essa capacidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

É uma vergonha, diz ele


O actual Procurador-geral da República encetou o seu mandato, há cerca de um ano, verberando a blogosfera. É comum entre quem não reconhece como válidas as opiniões de mais ninguém. Só eles pensam o que está certo e apontam os caminhos. Há quem não se esconda na cobardia do anonimato, aqui na blogosfera. Isto vale o que vale? Claro, vale o que a gente quiser. Os militares da Birmãnia são da mesma opinião do senhor do filmezinho aqui de cima. O homenzinho da Coreia do Norte também. E há mais governantes com essa cisma. Agora andam para aí a fazer balanços do mandato do homem. Sejam justos na análise. Eu não me pronuncio. Não posso. Faço parte dos que insistem em ter opinião neste novo meio de expressão. E, olhando para os "companheiros" de causa do procurador, sinto-me muito bem deste lado.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Olha a t-shirt da moda


Disparei uma bala de calibre 32 contra o hemisfério direito do seu cérebro que saiu pela têmpora esquerda. Ele gemeu por uns momentos e depois morreu.
Descrição "científica" de Che Guevara do momento em que matou um camponês considerado traidor.
Hoje é lembrada a sua própria morte, exercida de forma semelhante.
As voltas que a vida dá...

Particularmente interessante, esta opinião do Daniel Oliveira.

Ditadura económica

A Europa passa a vida a chafurdar na lama das negociatas com os maiores escroques do planeta: africanos, asiáticos e brancos com colarinhos a condizer. Não se percebe agora esta implicação do primeiro-ministro britânico com o pulha do Zimbabué. O problema é outro. Mugabe não vem sozinho. Nunca está, aliás. Provavelmente não tem é grandes negócios com o Reino de Sua Magestade, actualmente.
Se o vento económico mudar, lá veremos Brown a acenar para a fotografia, à porta do número 10, com um senhor de tez escura a seu lado. A Economia manda. Como uma feroz ditadura.

Franchising religioso

A Igreja Católica não se sente nada bem afastada do Estado. Pagamos, com as nossas contribuições obrigatórias, a um enorme grupo de capelães que dá assistência religiosa nos hospitais. Católicos, outros crentes e mesmo não crentes, são considerados católicos à partida. Ou por outra, à abalada, já que a grande especialidade dos Curas é a encomenda das almas ao Criador.
Sem qualquer responsabilidade ou interesse no negócio, atrevo-me a fazer uma proposta:
Que tal a privatização do conforto religioso? Criavam-se empresas privadas que geriam a actividade dos religiosos profissionais.
Exemplos: para um católico que está a a bater a bota num hospital (público ou privado), a empresa chamaria um Padre. Um Padre a sério, previamente contactado e colocado em carteira, para exercer as indispensáveis exéquias.
Caso fosse um seguidor de Alá a precisar de amparo, lá estaria um creditado representante garantindo as virgens a que o crente tem todo o direito após uma vida de martírio. E por aí fora. Até poderia funcionar em sistema de franchising. Não haveria católico, baptista, adventista, islâmico, budista, testemunha de Jeóvá ou judeu que não tivesse o seu aconchego na hora difícil da doença. Isto pagando, é claro. Já se sabe, não há Fé de borla.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Monica em Lisboa


Li algures que Monica bellucci esteve em Lisboa a fazer um anúncio para uma marca de lingerie. A coisa deu-se no Largo do Carmo. Trabalho a pouco mais de 100 metros do local, passo lá quase todos os dias, e não dei por nada. Resta-me esperar pela publicação do tal anúncio. Para perceber o que perdi.

As opiniões dos outros


Parece-me que Marcelo reagiu bem, no seu consultório, na RTP1, às ameaças lançadas pelos seus pares durante toda a semana. As opiniões emitem-se, não se omitem. Há amigos que, pelos vistos, não percebem o que é análise política. Com "amigos" assim, bem pode dispensar os inimigos. Houve declarações ameaçadoras. Duarte Lima até falou em processo-crime. Poderemos dizer que "quem vai à guerra dá e leva", mas, nesta guerra, quem ganha é o professor. Hoje em dia até os gostos se discutem, quanto mais as opiniões. Com esta mania chata dos processos por tudo e por nada, acabamos por ficar todos calados.

domingo, 7 de outubro de 2007

Geografias musicais


Este disco de Devendra Banhart está disponível em qualquer boa loja de música. A separação de Banhart de Bianca Cassidy, das CocoRosie, não é para aqui chamada. Isso é lá com eles. Mas parece haverem por ali sonoridades que fazem lembrar a banda das manas. Fica sempre qualquer coisa. A verdade é que gosto desta gente toda. E gosto particularmente deste disco. Oiço-o repetidamente. E sabe sempre a qualquer coisa de novo. Há um universo que ultrapassa os sons dos primeiros tempos do músico. Percebe-se uma abertura a outras geografias. É por isso que ele canta em línguas que não lembram ao diabo. Até em português, vejam lá. Vou até ali pôr outra vez a "bolachinha" na gaveta do aparelho. Se calhar vou descobrir mais qualquer coisa que há bocado me escapou. Até já.

Somkey Rolls Down Thunder Canyon
Devendra Banhart
XL Recordings/Popstock

sábado, 6 de outubro de 2007

De pé. O mago voltou


Robert Waytt está a chegar. Um novo trabalho gravado vai estar à venda a partir de dia 8. Rui Tentúgal entrevistou-o para o Expresso, pôs as orelhas à escuta, e gostou do que ouviu. Assegura: "Comicopera é o mais belo dos discos cantado pela mais triste das vozes". Mas não há tristeza nesta conversa. É um Wyatt feliz que fala com o jornalista. Está contente por haver quem goste do que faz. Eu estou contente por ir ouvir as novas músicas deste mago dos sons. Nem me lembro que o homem frequenta um ideário político sem aplicação lúcida nos dias de hoje.
Ele justifica essa ousadia com ironia.
É uma manifestação de lucidez.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Educação plural


Cavaco Silva, no discurso comemorativo do 5 de outubro, escolheu a Educação como tema. O Futuro, portanto. Pela primeira vez nas nossas vidas (minha e de Cavaco), estamos completamente de acordo. Há agora quem veja recados nas palavras do Presidente. Eu também os vi. Para todos: governantes, autarcas, pais e aprendizes.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Papel habitado


Rogério Ribeiro reuniu um conjunto de desenhos, feitos durante este ano, e pendurou-os nas paredes da Galeria Salgadeiras, situada na rua que deu o nome à dita, no Bairro Alto. São desenhos que enunciam a maturidade do Pintor. Um pintor que risca o papel com a sabedoria ditada por um percurso singular. Aqueles riscos não enganam. Traçam humores, desafiam desesperos, denunciam cansaços. São feitos por uma mão que já não alinha em novidades circunstanciais. Não precisa. O que está feito, está feito. E está mesmo muito bem feito.
Rogério Ribeiro ensinou-me, no AR.CO, muito do pouco que fui aprendendo. Ficámos amigos. Foi muito bom estar com ele no dia da abertura. Ainda por cima num tempo em que regresso à escola.
Obrigado por tudo, Rogério.

Rogério Ribeiro
Desenho a tinta da china
Salgadeiras Galeria.
Rua das Salgadeiras, 24, Bairro Alto, Lisboa.
Até ao dia 10 de Novembro.

Apareçam. Vão gostar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

As Áfricas do meu pai


José Eduardo Agualusa conta a história de uma filha que descobre as outras vidas do pai. Nessa descoberta dá conta da multiplicidade de "áfricas" habitadas pelo seu progenitor. Cada mulher é um continente inteiro. "De quantas verdades se faz uma mentira?". A resposta é uma nova caixa de surpresas. Um livro que se lê batendo o pé. A música acompanha o correr das páginas. É a música de África que marca o compasso desta aventura. Isto pode acontecer em África ou noutro lado qualquer. Mas Agualusa conta o que lhe está próximo. E conta muito bem. Um belíssimo livro, digo eu sem hesitar.

Titulo: As Mulheres do Meu Pai
Autor: José Eduardo Agualusa
Design da capa e ilustração: Henrique Cayatte
Fotografia: Jorge Simão
Revisão: Fernanda Abreu
382 páginas
Preço: 16,65 euros
Edição: Dom Quixote

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Jornadas de luta

Ouvi um senhor das polícias, no telejornal da RTP 2, dizer que estes prestantes agentes devem ser tratados de uma forma especial. Se calhar não ouvi bem. Ou então é já má-vontade minha para este grupo profissional. Mas, na verdade são especiais em quê? Sabemos como é tratado quem fica sujeito às especiais habilidades destes tão especiais e empenhados artesãos da pancadaria. E aqui não há má-vontade, são insuspeitos números que o denunciam.
Eles não defendem direitos, defendem privilégios.
Ora, nessa matéria, isto está mal para todos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Outubro


Novo mês, publicações novas. Outubro está aí e traz consigo o cheiro da rentrée. E, como sempre, a Fabulosa Wallpaper anima os nossos dias. Sofisticação e funcionalidade sugeridas com rigor, é o que aqui se encontra. Este número é apresentado em três capas diferentes. Uma é concebida por Dieter Rams, outra por Hedi Slimane e ainda outra por Jeff Koo0ns. Eu escolhi a de Slimane. É a que faz figura aí em cima no retrato.

A cidade e o mundo


Lisboa já precisava desta "Time Out". Finalmente chegou. Está bem e recomenda-se.

Assim sim

Vi, ouvi e não queria acreditar. O autarca de Loures, falando às televisões sobre as cheias de ontem, disse que a culpa era dos comerciantes que insistem em fazer os seus negócios por ali. Eis um autarca sem papas na língua. Sem hipocrisias. Este pelo menos não tem cá falsos pudores em defender desertificações. É honesto, o homenzinho.

A luta continua

Marcelo Rebelo de Sousa está preocupado com o futuro próximo do seu partido. O populismo venceu. O dominical comentador denuncia os tão proclamados barões - destacando a baronesa Manuela Ferreira Leite - como principais responsáveis pela derrota da linha "decente". A luta continua, portanto.

domingo, 30 de setembro de 2007

À nossa!


João Paulo Martins todos os anos prova as melhores "pingas" que por aí escorrem. Escolhe o melhor. Nunca se engana. Claro que não há dois vinhos iguais. Há vinhos e há vinhões. A prova final é feita por nós. E nós somos todos diferentes uns dos outros, já se sabe. É como o vinho.

sábado, 29 de setembro de 2007

Estratégias de comunicação

A primeira série da telenovela "Mandas tu ou mando eu", produzida pelo PSD, chegou ao fim. Santana Lopes é capaz de ter dado uma ajuda ao desfecho, com aquele episódio na SIC-N. Provavelmente foi o anúncio de um regresso à ribalta. Agora tudo corre de feição aos adeptos do folclore populista. Esperemos que não monte arraiais no país. Já basta o que basta.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje não vou sair

Parece que Santana despertou consensos. Anda por aí grande entusiasmo com a "coragem" que demonstrou na SIC-N. Provavelmente sou dos poucos que não vão estar nessa festa. Não tenho nada a ver com o que faz José Mourinho. Nem aprecio o estilo. Se outro galo tivesse cantado, até estaria agora a não perceber a razão de se ter interrompido uma entrevista a um saliente opinador de uma importante questão em análise. Mas o galo foi Santana. O homem que faz do "bluff" o seu oxigénio. Lembram-se dos famosos congressos do PPD-PSD? Já toda a gente se esqueceu da política-pimba protagonizada pelo novo herói nacional?
Brindem, elevem as taças, façam-lhe a festa.
Eu não me levanto.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007


Este canito tem mais dez manos.
Todos precisam de dono.
Se alguém estiver em condições de adoptar algum deles, pode contactar através do serviço de urgências aqui do blog.

Goooooolo... de Mourinho

Uma entrevista de Ana Lourenço a Pedro Santana Lopes, ontem, na SIC-N, deu para o torto, depois de uma interrupção para que fosse transmitida em directo a chegada de José Mourinho ao nosso amado Portugal. Santana não gostou da graça e deixou o paleio a meio. "O país está doido", rematou. Eu até estava tentado em concordar com a atitude do nosso Pedro. Mas, de repente, a lucidez deu-me um abanão. Então o comentador de remates, livres e cantos arma-se agora em donzela ofendida por ser interrompido por uma grandiosa jornada futebolística? Mau perder, homem. E olhe que nesta sua antiga e agora repudiada actividade, Mourinho vence. Ontem foi ele que marcou. Dizem que é mesmo assim: a bola é redonda. Mas se calhar é isto tudo que está a ficar excessivamente redondo. E, quando menos se espera, a bola cai-nos em cima.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ilegítimas defesas

Há democracia no PSD. Já ninguém duvida. Estes debates públicos, quando é de disputa de liderança que se trata, são perfeitamente legítimos. Excluindo o PCP, que tem paredes de vidro tão espessas que não se vislumbra nada lá para dentro, os outros partidos estão sujeitos a estas maldades. Mas atenção: quando as maldades atingem a falta de dignidade, não é a democracia que se expressa. A falta de respeito pelas regras põe em causa funcionamentos.
Não é com atitudes evidentemente excessivas que se põe um país a funcionar.
Não é por estas bandas que se encontra alternativa governativa.
A leviandade não deverá exercer soberania.
Apesar de a gente saber que é o que às vezes acontece.

É a sexualidade, estúpido!


O presidente do Irão jurou a pés juntos, perante uma divertida assistência, em Nova Iorque, que no seu país não existe o "fenómeno homossexual". O homem não é simples e mal informado. Vê o que quer ver. É a sua formação. Não é inocente. É perigoso.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vale tudo

Para que tudo corra de feição, até houve quem pagasse cotas por atacado. O que é preciso é votar. Mudar aquilo. Nem que para isso se adoptem práticas pouco recomendáveis. Rui Gomes da Silva - lembram-se? - apareceu nas televisões com uma estranha denominação para os recentes desenvolvimentos: trapalhadas, diz ele. Onde é que o homem foi buscar tão absurda expressão?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Festival de folclore

No sábado passado, Dia Europeu sem Carros (acho que é assim que se chama aquela treta), tive que dar um salto ao meu habitual lugar de permanência profissional, situado no Chiado, onde uns materiais mais ou menos volumosos me aguardavam para ser transportados no meu carro. Acontece que decorria o já referido do tal dia sem carros. Não percebi que ía entrar em zona de comemorações. Engano total. Trânsito cortado na área, filas infindáveis e ruidosas, e a paciência a atingir o limite. Conclusão: fugi dali, esperei nas calmas, com um consequente jantar, calmo e agradável, e lá fui buscar os embrulhos depois da hora de encerramento da coisa. Até não foi mau de todo. Mas pergunto: para que serve esta trapalhada? Não haverá uma maneira menos demagógica e mais eficaz de ordenar o trânsito na cidade? Há com certeza. Pelo folclore não vamos lá.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gente do pior - 2

O homem que fez um desastrado sequestro a um banco, em Setúbal, começou a ser julgado. O homem está preso preventivamente há 11 meses e é acompanhado por pessoal das psicologias. O homem resvalou para o abismo. Estava desesperado. Um empréstimo solicitado nunca mais vinha. Estou longe de aplaudir o tresloucado acto. Mas vale a pena perceber a diferença de atitudes das "vítimas" intervenientes. Os banqueiros pedem uma soma irrisória para colmatar prejuízos. Mas há um paspalho, um mariola que estava no banco quando a coisa se deu, que exige uma indemnização de 35 ooo euros. Os abutres descem quando cheira a cadáver. Há gentalha que não se incomoda em espezinhar quem está na mó de baixo. Há gente para tudo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Gente do pior

Os defensores do nazi Mário Machado, preso e bem preso por maldades várias, queriam aproveitar o novo Código para libertar da prisão preventiva o delinquente que elegeram como seu herói. A coisa deu para o torto. O ariano mais escurinho da "história" do nazismo vai continuar com os costados na pildra. A justiça nem sempre é lerda.

Velha Justiça, código novo

Já não há pachorra para a discussão em volta do novo Código Processo Penal. Toda a gente achava que o tempo de prisão preventiva era um exagero. Agora o problema é outro: se um crime não é provado não há chilindró, enquanto não for provada culpa. Alguém estar preso durante um ror de tempo, sem se saber se é culpado ou não, parece pouco rigoroso. Veja-se o caso de Carlos Cruz. Para que foi aquilo? Não é difícil perceber que o que está em causa não são as novas normas, mas sim a excessiva demora na resolução dos processos. Se as coisas corressem sobre rodas, a Justiça andava de carrinho. Assim, mais parece puxada por asnos. E as reacções a esta nova lei fazem lembrar a história do velho, o rapaz e o burro.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quando os lobos uivam

Aquilino vai ser emparedado no Panteão. Agora andam para aí a arrasar o homem por não ir em lérias de condes e duques. Eu, pobre plebeu, estou como ele: não me apetece andar de chapéu na mão fazendo vénias a fidalgos caducos e seus servidores.
O fim da monarquia foi violento? É verdade.
E a vetusta violência da monarquia sobre os seus súbitos?
Tudo aconteceu há muito tempo. E o tempo, esse grande escultor, vai moldando as mentalidades.
O que ontem era verdade, hoje, provavelmente, também é. Mas um bocadinho menos.

Abel Manta Imagem

Portugal e o futuro

O País Escolar já está a laborar em pleno. Os putos já estão todos encafuados nas salas de aula. Agora é ir resolvendo umas equações, dividindo umas orações e empinando uns resumos. Não há computador que valha ao fraco saber da Educação Nacional. Tudo é vago e inconsistente. Estudai petizes, estudai: o desemprego espera-vos pacientemente.

Gente singular


Este homem vai trabalhar com este casal. Exercia o mesmo tipo de actividade no governo de Gordon Brown. Mas, em demonstração de grande amizade pelos pais de Maddie, resolveu abandonar um lugar de relevo, para os proteger dos males do Mundo e da Justiça.
A comunicação social deixou de andar com os McCann nas palminhas. Era necessário arranjar um "técnico" para reagir a insultos e ameaças. E a escolha recaiu em quem desempenhava papel semelhante em Downing Street. É estranho. Muito estranho mesmo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Estado de desgraça


Sarkosi começou por pacificar. Convocou adversários e com eles polvilhou de diversidade o poder. De vez em quando regressa às informalidades sociais. Pratica o ócio e exibe um descontraído exercício das funções governativas. Recentemente tratou de chamar os melhores arquitectos para que lhe forneçam obra visível. O fantasma de Mitterand perturba-o. Mas vai gozando de um certo estado de graça.
Aqui há dias resolveu moer o juízo ao responsável pelo Banco Central Europeu. Trichet, que não nasceu ontem, respondeu-lhe à letra, revelando as outrora concordâncias do presidente francês com as políticas financeiras agora pouco apreciadas. Para apurar os filhos dos imigrantes arranjou uma solução que deve ter provocado grande entusiasmo em Le Pen: um teste de ADN e logo se vê se entras na roda.
Só faltava agora vir o ministro das causas exteriores desenvolver uma teoria sobre um presumível ataque ao Irão, O mundo torna-se assim um sítio ainda mais perigoso. Eles não estão doidos, nem se fazem. Muito pelo contrário: Sabem do que falam e de cátedra. Tal como na história do escorpião, esta é a sua natureza.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Mal por mal...

Menezes dá nome a um blogue plagiador que afinal não é dele. Aí é dada notícia de encontros do referido titular com artistas e intelectuais em animados jantares. Muito ao estilo de candidato da "grande política" em lançamento para altos voos. Agora entrou numa guerra com o seu rival caseiro. Sinceramente ainda não deu muito bem para perceber o que está a acontecer, mas parece que o homem está mais interessado em debater o debate. Ora de trapalhadas já está o PSD cheio. Para pior já basta assim. Marques Mendes, embora não pareça, tem muito maior estatura. Estatura política, está bom de ver.

domingo, 16 de setembro de 2007

Simplesmente Maria


Maria Callas deixou de existir há precisamente 30 anos.
Diz quem a viu em palco que era quem melhor associava a voz à representação.
A representar nunca a vi. Mas o vozeirão podemos comprovar nas gravações disponíveis.
Até arrepia.
É por esta e por outras que a morte é um escândalo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Ajustes

Nos próximos dias vão-se dar algumas alterações aqui no Blog.
O e-mail foi alterado. Basta clicar em "consult@s", ali ao lado.
Continuamos contactáveis, portanto.
Bom fim-de-semana.
JTD

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sentir, sinta quem lê

Ora vamos lá tentar responder ao apelo da Sofia. A ideia é tornar relevantes os livros que não tiveram qualquer relevo nas nossas vidas. Já dei voltas e mais voltas e não encontro maneira de encontrar respostas definitivas. A verdade é que não leio para ser incomodado. Sempre que a leitura não me agrada, prescindo da sua companhia logo nos parágrafos iniciais. Do que leio com prazer, também nem tudo permanece eternamente com a responsabilidade de me ter mudado a vida. Camões asseverou: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Os livros que me "destaparam" aos vinte e tal anos, nem sempre se confirmaram como grandes obras aos quarenta. Autores que me mudaram o olhar, forneceram-me, em outras ocasiões, momentos de grande bocejo. Borges, Camus, Fernando Pessoa, Durrell e Dostoievski mudaram muita coisa em mim. Espevitaram vontades e curiosidades. Aos outros todos não exijo que se esforcem muito com grandes mudanças. Eu trato disso. Eles vão contribuindo, é certo. Estão ali todos. De vez em quando vou até lá perguntar-lhes qualquer coisa. São meus companheiros. Não os denuncio.

E pronto. Peço desculpa pela decepção. Mas como respeito o jogo e quem pense o contrário de mim, aqui vai a lista de pessoal para a berlinda literata. Alinhem, se estiverem para aí virados..

Sandra
Eufrázio
José Simões
João Ribeiro
Fátima

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Tibetanos


A China não gosta do Dalai Lama. E, como não gosta de grandes liberdades, também não gosta de quem aprecia o líder espiritual tibetano. A China acordou e deixou os restantes continentes de cócoras. Não é liberdade, socialismo ou direitos humanos que dali emana. É economia pura. Se os chineses dizem que quem não é por eles é contra eles, o mundo borra-se pela Economia abaixo.
Da religião dos Budas sei muito pouco, mas sei que os camaradas do Dalai Lama, em Lisboa, gerem um restaurante, aberto a todos, que fornece muito saborosa comida tibetana. De vez em quando vou até lá dar graças ao apetite. Nunca saí de lá insatisfeito.
Bem vindo Dalai Lama.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma terra sem amos

António Costa nem sempre acerta nas companhias que escolhe. Maria José Nogueira Pinto, a escolha do presidente da edilidade para o ajudar no imbróglio da Baixa-Chiado, quer correr com os chineses da dita. Ou seja, a senhora não gosta de toda a gente, e, se lhe derem o privilégio, corre com quem não lhe agrada dali para fora. Claro que falamos de gente, e como tal há que ter preocupações humanitárias, logo, nada melhor que colocá-los bem longe e todos juntos. Assim já não maçavam e eram felizes. Não sou grande frequentador destas lojas orientais, mas confesso que passo por lá para me abastecer de materiais de uso mais básico aqui para o ateliê. A loja chinesa que me abastecia parece que não dava para o petróleo e fechou. Passei a ir a uma portuguesíssima que abre as portas ali para o Camões. É assim que se fazem as cidades e o seu comércio. Com as pessoas a escolher o que querem fazer. Devem haver regras, é certo, mas não as que pretende Zezinha. A senhora quer guetos. O que ela quer não se chamará xenofobia?!
Veja lá isso, dr. Costa.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Massive Attack


Já lá vão seis anos. O mundo percebeu que as divergências religiosas podem ser bem destruidoras.Também já percebemos as consequências económicas destes vandalismos. E como gostaríamos de ter percebido outra coisa: as religiões garante de paz e de respeito entre as pessoas.
Testemunhei o ataque às Twin Towers. Estava lá, não havia nada a fazer. Esperei até à reabertura dos aeroportos. Voltei cinco dias depois.
Preferia não ter presenciado este acontecimento histórico.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Deambulatório

Há novas chegadas à blogosfera. O meu amigo Manel Bola trocou os palcos por um lugarzinho à frente do computador. Já aí anda. O Luís Novaes Tito montou uma barbearia ali ao lado. O Eufrázio, a Sandra e o João Ribeiro já têm um tempinho disto e lá se vão safando. O Francisco anda a explicar as origens há já dois anos. Cá estamos: todos diferentes e desiguais. E assim vamos continuar, claro está.

domingo, 9 de setembro de 2007

Crimes e criminosos

Bin Laden voltou a dizer das suas. Esperemos que não as faça. O homem voltou a atacar com umas ameaçadoras vulgaridades. Enquanto Bush se prepara para fazer as malas, o líder da al-Qaeda não só mantém a liderança como, pelo que se vê, está para lavar e durar. Até parece que o crime compensa. E o criminoso é compensado ao acaso, pelos vistos.

sábado, 8 de setembro de 2007

Um povo que sofre

A situação complicou-se. Os pais da menina desaparecida a 3 de Maio, no Algarve, foram constituídos arguidos no processo. A populaça já iniciou o ciclo de vaias. O bom povo gosta de dar "vivas" e "morras". Aquele povo sofredor quer sangue. Estão achados os culpados e já foram condenados por estes implacáveis juízes. A partir de agora está montado um circo à porta da polícia Judiciária de Portimão. E as vedetas são eles: já dão entrevistas em directo e tudo. As telenovelas não satisfazem a mórbida curiosidade desta gente. A realidade é ainda mais perfeita.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O caso da criancinha desaparecida

Volta e meia ressurge o caso Maddie. Quando as coisas parecem estar a entrar em lume brando, uma nova chama incendeia as notícias. E no ar surge o negro fumo da desconfiança. A história já apresenta enleios de conto policial. Todos são suspeitos e todos lamentam o sucedido.
No lugar onde o desaparecimento se deu, a populaça exibe a sua curiosidade mórbida. O piedoso povo não sai do local na esperança de fixar o semblante dos interrogados, ou de fazer a "chapa" mais aproximada. Tudo se transforma em acontecimento social. Lamentável.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Una Furtiva Lacrima


Acabou hoje uma grande festa.
Resta-nos ouvi-lo em silêncio. Num profundo respeito por uma grande voz. Uma grande vida.
Obrigado Pavarotti.

Tu Senhor, por que me abandonaste?

Anda grande burburinho em volta da beatificação de Madre Teresa de Calcutá. Parece que a senhora tinha saudáveis dúvidas. No jornal da RTP 2 assisto à transmissão de uma missa em que o Cardeal Patriarca disfere justificações atabalhoadas sobre o assunto — discurso para crédulas velhinhas. Em directo, o padre João Seabra avança com mais incongruências para o debate: não se põe em causa a Fé em Deus, só que, às vezes, não estamos assim tão bem dispostos como isso para pensar no amor ao Senhor. Pensarão que está tudo parvo? Ainda não perceberam que o Mistério da Fé é cada vez menos misterioso? Entendam-se. É difícil? Aguentem-se!

Politica precisa-se

O pobre de espírito que manda nos destinos dos EUA e, pelos vistos, no mundo, já se convenceu da porcaria que fez no Iraque. Agora quer retirar os seus meninos lá do buraco em que os meteu, antes que seja tarde. Claro que já é tarde. E agora até é indecoroso este abandono. Já Blair fez o mesmo antes de bazar. Os ratos são sempre os primeiros...
Desonestidade política de sobra. Política coerente precisa-se.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Junta a tua à nossa voz


A Festa do Avante volta a ter entre os seus convidados gente ligada às tristemente famosas FARC. O PCP nutre um especial orgulho neste estimulante convívio. O partido de Jerónimo defende a gloriosa acção desta força armada em prol do povo colombiano. Há, portanto, um festivo apoio aos crimes da tenebrosa organização colombiana.
Ontem, no Público, em carta ao director, o leitor António Monteiro Pais, redige uma carta aberta a Sérgio Godinho, Vitorino e Janita apelando a que tomem posição no decorrer da festa, já que vão ter o desprazer de por lá actuar. Apela Monteiro Pais a que os cantores gritem bem alto: "Liberdade para Ingrid Betancourt". Se calhar é pedir muito. Afinal é de um contrato de prestação de serviços que se trata. Mas seria uma acto de coragem cívica que lhes ficaria muito bem. Resta-nos a nós, aqui na blogolândia, dar o berro de revolta. Felizmente, o PCP nada pode fazer para calar estas vozes.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Uma Aventura no Iraque


Bush saiu da Casa Branca e deu um pulo ao Iraque. Diz que foi uma visita surpresa. Como se sair da Casa Branca fosse surpresa para alguém — Bush habilita-se a ficar lá sozinho. E nas viagens sem aviso do presidente americano ao Iraque também não se vislumbra novidade — não é a primeira vez que o faz. Acenos de Washington já não nos espantam. Resta-nos a esperança de ver aquela gente dali para fora.

Uma Família Inglesa


Diana foi uma invenção de Blair. A "princesa do povo" é um produto fabricado. Uma marca que deu um certo jeito em tempo de superficialidade, como muito bem explicou Vasco Pulido Valente. Uma ameaça de atropelo que se transformou em recuperada glória para a monarquia em crise. Uma marca de sucesso que produz uma interminável telenovela. Ok, nada contra. Só não percebo a insistência das televisões portuguesas na sua transmissão. O que é que a gente tem a ver com a vida dos outros?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Memórias da silly season

Lili Caneças, indagada em programa do RCP sobre preferências de destinos de férias, confessa que um longínquo lugar no mediterrâneo, onde gosta de se espreguiçar, tem um inconveniente: "Quando faz vento é muito ventoso". Eis mais um pensamento precioso para juntar à sua já vasta obra no domínio do Ensaio. Quem não se lembra do brilho da pérola: "Estar vivo é o contrário de estar morto"? Para rematar a entrevista transmitida na telefonia, sugere que os políticos vão de férias sem regresso, e que a governação seja entregue a Joe Berardo. Não me pereceu que estivesse a gozar. Aliás, este prodigioso pensamento faz jus ao rol já produzido. Não há por aí um editor que tome nota disto? Aprendam, olhem que a senhora não é eterna.

domingo, 2 de setembro de 2007

A responsabilidade é cega, surda e muda

Um partido político aceita umas massas para melhor se exprimir na campanha eleitoral.
Uma empresa de "campanhas eleitorais" chega-se à frente para fazer o "trabalhinho".
A bagalhoça foi entregue por uma empresa gerida por jovens promissores que vêem na acção uma achega para o seu augurado sucesso. O mais alto graduado do partido diz que não são contas do seu rosário porque na altura não era ele o mais graduado.
E depois há um responsável da tal campanha que se assume como tal, mas que sobre este caso concreto está inocente, culpabilizando um seu companheiro gravemente doente. Entretanto há um outro responsável, a quem foram acrescentadas maiores responsabilidades, que diz que tudo lhe passou ao lado e que da tramóia nada sabia.
Por fim há quem não se convença da generosidade de tais actos, nem da bondade dos seus actores.
Há aqui desonestidade evidente e problemas de carácter.
A responsabilidade não pode ser cega. Nem todos somos surdos-mudos.

Um espanhol cansado

Francisco Umbral passou a vida a escrever e a dar opiniões sobre tudo e todos. Fez ficção, ensaio, biografia, crónica. Viveu com o verbo sempre por perto. Passou para o prelo textos notáveis. Carlos Vaz Marques traduziu para português "Mortal e Rosa", um belíssimo e triste documento sobre a tragédia da perda do seu filho, e fez-lhe uma preciosa entrevista para o "Pessoal e transmissível" da TSF.
Umbral é uma das mortes deste verão. Morreu quando os castelhanos estavam chocados com a morte de um futebolista. Parece que ninguém deu pela morte do escritor. Afinal, o infeliz jogador da bola morreu jovem e em combate. Quem quer saber de um chato que passou a vida à volta de uma máquina de escrever?

Delinquentes naturais

A trupe de danados para a brincadeira que resolveu dar cabo do milheiral do homem de Silves, está a causar celeuma no arranque do campeonato político. O porta-voz, ou lá o que é, não diz coisa com coisa, e tenta nesse atabalhoado arvorar-se em grande justiceiro: o paladino das grandes causas ecológicas. Não respeitam a propriedade de cada um? Defendem violentamente o nosso bem-estar? Por mim dispenso o incómodo. Esta gente merece tanta conversa porquê?

sábado, 1 de setembro de 2007

Setembro


A Sofia ornamentou o seu blog com este bonito poema. Ela chamou-lhe "Agosto". Eu, como acho que este é um texto que anuncia a transição, tomei a liberdade de lhe chamar "Setembro". Espero que a Sofia não se zangue comigo.

Longo Agosto
de ventos mudos
quente pleno
maduro.

Venham as chuvas
de Setembro.


Sofia Loureiro dos Santos Texto
David Hockney e as suas grandes árvores Imagem
Eduardo Prado Coelho foi uma das perdas deste verão. Partiu cedo. Foi traído pelo corpo. Adorava viver e isso percebia-se à légua. Ía a todas. Escreveu sobre tudo o que lhe apeteceu. Sempre crítico, às vezes cruel mesmo, nunca perdeu a curiosidade pelo novo. Quando algo de recentemente produzido o surpreendia, a alegria inundava-lhe a existência. Não descansava enquanto a surpresa não passava a assunto partilhável. Divulgava militantemente essas surpresas. Encontrei-me com ele muitas vezes. Em lançamentos de livros, inaugurações de exposições, debates, festas no Lux. Recordo um inesquecível almoço no Primeiro de Maio, ainda no tempo em que o meu amigo Santos era o homem do leme desta famosa casa de pasto lisboeta. Comemos filetes de peixe-galo com açorda. Ele gostou muito. Nós, os que participámos no repasto, gostámos sobretudo da sua companhia. Vai não vai uma gargalhadinha maliciosa alegrava-lhe a face. Divertia-se com a vida. E teve uma vida divertida.
Recordo-o folheando páginas de "Tudo o Que Não Escrevi".
Nem parece ter morrido.

A morte saiu à rua


Este verão a morte deu basto uso à sua segadeira. Nem Igmar Bergman escapou à ceifa. Antonioni parece ter combinado com o colega sueco esta retirada. Os dois mestres do cinema encenaram o seu fim numa muito bem produzida cena final. Tanto um como outro iluminaram os meus dias na juventude. Na minha geração éramos todos cinéfilos. Conheci Bergman através de Mónica, a do desejo, e nunca mais parei de com ele conviver. Antonioni convenceu-me com Blow Up, e, mais tarde, surpreendeu-me com Identificação de Uma Mulher. A relação continua. É frequente ir ali à estante convocá-los para exibições privadas. E eles, apesar de estarem muito bem instalados, convivendo com colegas do seu tempo e com outros mais recentes, nunca deixam de colaborar com esta minha curiosidade. Até parece que fizeram aquelas fitas para os da minha laia. Se calhar foi.

Olá cá estou eu

O prometido cumpre-se. Regresso hoje ao convívio na blogosfera. A silly season já lá vai. Claro que a vida activa não parou. Mas torna-se insuportavelmente lenta no período da ida a banhos. E há banhos e banhadas. Mas este ano houve mortes. Excessivas mortes. A morte é sempre excessiva. Um escândalo, como disse em tempos Eduardo Prado Coelho. As cirurgias voltaram.