sábado, 2 de junho de 2007

O novo Newman


Na minha leitura dos jornais de fim-de-semana, encalho na página 20 do suplemento Actual, do Expresso. Esta secção é composta por duas colunas, onde se expõe o que correu mal e o que correu bem a gente que por aí faz coisas. Os contemplados com as boas graças são: João Bénard da Costa, José Manuel dos Santos, Mário Cláudio e Joaquim Benite. José Manuel dos Santos por um prémio de crónica atribuído, há já algum tempo, às colaborações semanais no próprio Expresso. "Mais vale tarde que nunca", reconhece a nota. Bénard da Costa pela crónica número 200 no Público. Benite e Cláudio por terem sido agraciados, pelo governo francês, com a distinção de Cavaleiros da Ordem das Artes e das Letras.
Porreiro. Parabéns a todos.
A semana correu mal, segundo a coluna da direita, à ministra da educação, por causa do professor da anedota. A Siza Vieira coube o desaire de ter perdido, e bem, a luta com a baronesa de Thyssen, na polémica sobre o abate das árvores do Paseo del Prado, em Madrid.
Em último está Paul Newman por ter anunciado retirar-se do cinema.
É este último agraciamento que me deixa perplexo. Então a um homem que, aos oitenta e dois anos, depois de uma vida de sucessos no Cinema, anuncia que se vai embora para se dedicar a actividades mais consentâneas com as suas actuais capacidades, corre mal a semana porquê?
Um homem que se vai dedicar ao seu negócio relacionado com comida ecológica, não se resignando a ficar sentado a olhar para os rendimentos, não merece este apupo. Eu, por mim, já o coloquei na coluna da esquerda. Apesar de ser só uma homenagem da minha imaginação. O jornal já está paginado e impresso, e, não tarda nada, à mercê de outros usos. Paul Newman, esse, ainda está para as curvas.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Pacientes

Os pacientes do BlogOperatório voltaram a ter voz na linha da frente. Para além dos comentários, colocados no momento, quem quiser participar com textos um pouco mais extensos, e torná-los comentáveis, pode enviar por e-mail esses desabafos.
O primeiro desta série é do meu amigo José António Ferreira, causídico e companheiro de comensais fidalguias:

O Poder
O Srº Santana Lopes, que foi primeiro-ministro, cronica, por telefone, às segundas ou terças, na TSF (abreviatura clássica que quer dizer “telefonia sem fios”), o que lhe vai na alma, primeiro-ministro que foi, depois de ter dado cabo da cidade de Lisboa.
O Srº José Sócrates (licenciado em engenharia civil pela Universidade Independente), é um desportista e é o primeiro-ministro vigente
O Srº Marcelo Rebelo de Sousa (doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Clássica de Lisboa) comenta as “cosas” do poder como se o poder fosse o desporto da bola!
Gostava de ser como eles!
Fechava a Praça D. Pedro V (para que lá estivesse à vontade), convocava as televisões mais o arquitecto da moda, dava duas voltas ao bilhar grande e esperava o comentário do doutor!
Depois sugerir-lhes-ia lerem a “A Curva da Estrada”, de Ferreira de Castro!
JAF

Anna Netrebko & Rolando Villazón: Duets


São duetos de óperas conhecidas. Puccini, Donizetti, Verdi, Bizet, entre outros, foram convocados para o registo. Este cd reproduz um casamento perfeito. Estes casalinhos correm o risco, muitas vezes, de cair na piroseira. Aqui parece correr tudo bem.
Um bom trabalho a merecer audição.
Para além da música traz um dvd bónus.
Muito bom.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sempre virados para o céu

Os pais da menina raptada na praia da Luz foram incomodar o papa com o seu sofrimento. O senhor prometeu rezar e despachou-os em grande velocidade. É claro que o velhote não pode fazer mais nada. Estranho é haver quem pense que aquela caminhada a Roma pode trazer uma solução para este caso. Não é com rezas e mezinhas que as soluções aparecem. Nem para este caso, nem para nenhum outro.

Andrew Bird


Andrew Bird queria ser um pássaro, mas não é. No entanto é tão alegre quanto eles e muitas pessoas afirmam que costumam ouvi-lo tocar ao fim do dia, quando regressam a casa depois de um dia de trabalho, embora na verdade o que ouvem seja o chilrear dos pássaros empoleirados nas árvores nos fins de tarde. Andrew Bird não se importa com as comparações idiotas com o seu nome. Ele é livre e faz o que quer. É uma criança grande com talento que inventa e reinventa melodias pop com um violino. Andrew Bird tem um sonho. Venham ouvi-lo.
Carlos Ramos | Lecool.

Concerto no Cinema São Jorge | Av. da Liberdade.
Hoje, às 22 horas.
15 a 20€

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Crime, disse ele

Fernando Negrão, durante uma visita a um Centro de Saúde, considera um crime o possível fim do aeroporto da Portela. Oportuno e sério, não haja dúvida! Vê-se que o homem não mora em Lisboa. Percebe-se que não tem a mínima noção do que preocupa os habitantes da capital. O aeroporto da Portela fica mesmo dentro da cidade. Esta situação não tem paralelo nos sítios mais civilizados do planeta. Mas Negrão, ignorando isso e a necessidade de ampliação dos actuais serviços, luta pelo aeroportozinho lisboeta. Atitude parola que acentua o provincianismo recorrente.
O que é que isto tem de sério?

A fotógrafa e a rainha


A edição americana da Vanity Fair já está nas bancas. Nas bancas, nos escaparates, num estabelecimento perto de si. Entre outros motivos de interesse estão as fotografias de Annie Leibovitz. A fotógrafa deslocou-se a Buckigam palace para fazer retratos da rainha. A coisa saiu em beleza. Isabel II está cada vez mais parecida com Helen Mirren.

Venham mais cem


Está disponível o número 100 da Wallpaper. O assunto é chamada de capa e é festejado no miolo. O design, os ambientes sofisticados e outras coisas esteticamente apetecíveis em grande comemoração.
Venham mais cem, pois claro.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Imoralidades

A Rádio Televisão de Caracas foi encerrada. A liberdade transmitida incomodava o ditador venezuelano. O revolucionário Hugo Chavez considerava o canal imoral. Pior que um dirigente político convencido de que domina em absoluto a Razão, é um político que associa a essa certeza a infalibilidade da Fé.
Um mal nunca vem só. Chavez acumula.

Venham mais cinco


A Sofia Loureiro dos Santos, do Defender o quadrado, nomeou este blogue para este prémio.
Foi um gesto simpático que me honra. Agora parece que tenho de nomear outros cinco colegas.
Pensei nestes:
arrastão
Bichos carpinteiros
Da Literatura
Diário Ateísta
Glória fácil

Estão de acordo?

Contas em dia

Anda por aí grande agitação entre banqueiros.
A posição que mantenho no banco que me faz o favor de guardar os trocos não me permite ter opinião sobre o assunto.
Boa sorte a todos.

Os Bichos

Os bichos fizeram anos. Todos os dias vou a esta jaula para tentar perceber a vida no reino animal.
Os bichos carpinteiros incomodam, dizem.
Há um bicho, chamado Medeiros, que incomoda e acerta.
E daí? Estar calado é que não. Antes a morte que tal sorte.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Independanças

Outro independente, proposto pelo PSD para a presidência da Câmara de Lisboa, assegura que o independente que até há bocadinho lá estava, também proposto pelo mesmo partido, é a face da desgraça na capital do país.
Negrão, em Setúbal, elegeu a segurança como prioridade. Agora quer Lisboa a sério. A sério? E sabe o que diz? Carmona agiu sozinho?
Marques Mendes não acerta uma. Só chama azelhas para a sua beira.
Não é só no PS que há desbocados. O PSD está com lotação esgotada.
E são muito menos sérios. A sério!

A modernaça

Helena Roseta diz, em entrevista à RTP 2 e ao Público, que os partidos estão antiquados. A sociedade já não funciona assim, acrescenta.
A hierarquia do chefe a mandar e os outros a obedecer já não se usa. Segundo ela, o que está a dar é comunicar pela internet. Deve ser assim que ela manda. Estamos perante uma nova forma de fazer política, pelos vistos. Mas esta moda é muito recente. Ainda há pouco estava inscrita num desses antiquários políticos. E durante anos andou por lá, saltitando entre duas bancadas, na Assembleia da República.
Mudou. É sempre bom acordar para a modernidade. Mesmo que seja tarde.

Segredos do dia


A vida não é um palco, não, a vida
é um ringue, a vida partiu-me os ossos todos.


Helder Moura Pereira é um dos animadores do blogue O Sol quando nasce. É lá que nos dá a conhecer as traduções para português da grande literatura que vai encontrando pelo mundo.
Como poeta tem um novo volume de originais. Helder publica com regularidade: perto de trinta títulos, em trinta anos, já povoam por aí muita estante. Frequentar esta poesia sugere-nos roteiros de exigência. Remete-nos para as grandes leituras. Walt Whitman anda por lá. Confirma-se, com estas viagens quotidianas, a existência de uma voz única. Uma voz que, isolada no terreno da literatura, é representante permanente de vivências diárias. Um discurso sem excessivos enleios nem descrições extemporâneas. Estes Segredos do Reino Animal revelam uma missiva simples: a complicação que é vivermos simplesmente uns com os outros.
Mas, deixemo-nos de lérias.
Temos poesia da boa. Um dos grandes livros deste ano.
Ouçam só este bocadinho:

Nem no sono nem na vida se sabe
o fim, acordo-te antes que a dúvida
te faça retirar a mão de onde repousavas.
Ainda me atormentais, banais segredos
do reino animal, atormentar-me-eis sempre,
pelos vistos sempre, sempre, sempre.


Segredos do Reino Animal foi o título escolhido por
Helder Moura Pereira, seu autor.
A edição é da Assírio & Alvim.
Tem uma excelente fotografia na capa de Mário Rui Araújo,
seu colega de blogue.
128 páginas.
Não sei quanto custa. Foi-me oferecido pelo autor, meu amigo.

domingo, 27 de maio de 2007

O Sol quando nasce


Esta excelente fotografia é da autoria de Mário Rui Araújo e foi publicada no O Sol quando nasce.
Amanhã tenho um segredo a revelar sobre este blogue.
É por isso que está aqui esta imagem, hoje.
Até amanhã.

sábado, 26 de maio de 2007

Cantigas do Maio


Leio nos jornais que José Afonso está no top de vendas com um cd que reúne alguns dos seus melhores trabalhos. Esta não é a minha opinião. Mas percebo que é difícil escolher o melhor de José Afonso e agradar a gregos e troianos. O que interessa é que está a agradar a quem consome música. Mesmo sendo um "apanhado" é melhor do que nada. A notícia informa ainda que o áudio-lixo de Tony Carreira e outros poluentes sonoros veio por aí abaixo. Mais de vinte anos depois das históricas gravações, Zeca vende. Vinte anos depois da sua morte, José Afonso vence a mediocridade.
Os portugueses reconhecem uma obra intemporal.
Um grande senhor e a sua obra estão na frente das escolhas populares.
Coisa rara.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

O silêncio é de ouro

O que está a correr mal a José Sócrates é a linguagem dos seus subordinados.
Mário Lino é especialista em piadas de mau-gosto. A directora geral de educação tem créditos firmados no controlo de piadas. O ministro da Economia fica mudo perante perguntas dos jornalistas quando questionado acerca de uma inabilidade sua.
Manuel Pinho acaba por ser o mais assertivo: calado não desafina.
O ruído provocado por membros do Governo e acólitos começa a ser ensurdecedor.

Pub.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Voando sobre um ninho de cucos

O ministro Mário Lino assegura que, o local onde os que se opõem à OTA querem instalar o aeroporto, é um deserto. Não há lá nada nem ninguém.
Entretanto corrigiu: não é a zona envolvente, é aquela onde querem mesmo instalar o aeroporto. Há uma coisa que não percebo. Então não haver nada no sítio onde se quer fazer a construção não é uma vantagem?
Não estou inscrito no coro contra a OTA. Até prova em contrário, parece-me uma boa iniciativa. Mas o ministro dizer que a polémica à volta deste assunto revela falta de argumentos, não é, obviamente, argumento. Há algum destrambelhamento nesta reacção.
Assim não convence ninguém.

Festa com livros


Abre hoje a Feira do Livro de Lisboa.
Faço parte da percentagem de portugueses que não se entusiasma com o certame. Como a minha oficina fica mesma em frente aos Armazéns onde se esconde a FNAC Chiado, vou descobrindo quase diariamente novas leituras. Apesar desta vantagem, vou dar uma saltada ao Parque Eduardo VII.
É mais pela festa.

Canção de Lisboa


Carmona Rodrigues revela, na sessão de apresentação da candidatura à Câmara da capital, que a sua canção é o fado. Assegura também que o seu partido é Lisboa. Há ali paixão pela cidade. Há paixões que toldam o tino. É este fadista embeiçado por Lisboa que se propõe agora voltar ao lugar onde, pelos vistos, foi feliz. Depois da interpretação roufenha no palco da casa de fados de terceira categoria em que transformou Lisboa, quer voltar a ouvir as guitarras do poder. É o seu fado.
O fado de Lisboa é outro.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Stand up comedy

Os deputados da oposição querem que a ministra da Educação vá à barra, em São Bento. A piada sobre o curso do primeiro-ministro está a agitar a classe política.
Desde o ministro Borrego (lembram-se?) que uma anedota não andava tão bem sentada na hierarquia do Estado.
Uma coisa me intriga: alguém conhece o teor da famosa brincadeira? Será que aquilo tinha mesmo graça?
Parece que o motivo do crime não foi divulgado.
Era importante. Para percebermos se vale a pena perdermos uns minutos com o assunto.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Les aventures de Tintin


Hergé, se fosse vivo, completaria agora 100 anos.
Não é. Morreu há já algum tempo.
Mas antes desenhou estes bonecos todos.
Mesmo que não tivesse feito mais nada, já não é pouco.
Eu diria mais: já não é pouco!

Século bem passado


Jorge Silva Melo resolveu juntar os artigos que foi espalhando pela imprensa. Os Livros Cotovia publicaram-nos. Silva Melo calcorreou mundo. Um mundo que o foi chamando e que o foi talhando.
A curiosidade deu-lhe botas para andar. Andou por onde lhe apeteceu. Nestas crónicas fala do que lhe apetece.
(...) Cartolinas recortadas, pedaços de papel colados, rasgados, pedaços de vida suja, um envelope, um desenho técnico, listagens, papel grosso, restos dos dias, pegadas e o horizonte naquele resto imenso de papel intocado que parece desequilibrar-se, dançando num equilíbrio sempre recomeçado, imponderável.
Este texto é sobre Pedro Chorão, um pintor de que gosto bastante, e que aqui pode funcionar como metáfora para o trabalho de Jorge Silva Melo: são colagens, pedaços de vida, sujidades dos dias, equilíbrios forçados, que inundam este Século Passado.
Há uma desenvoltura que é fascinante neste livro.
Estas crónicas foram feitas ao meu lado. Reconheço o terreno aqui descrito. Este rapaz de Lisboa nasceu dez anos antes de mim. Mas acompanho o que faz há tanto tempo que nem tinha dado pela diferença de idades. Às vezes, não poucas, encontramo-nos por aí - Em teatros, concertos, apresentações de coisas escritas, protestos contra a caturrice da Direita. Nunca trocámos uma palavra. Na próxima vez que o encontre sou capaz de lhe dizer que gostei de ler este livro.
E depois continuamos esta velha amizade.

Jorge Silva Melo escreveu.
Foi publicado pelos Livros Cotovia.
Tem perto de 550 páginas.
Graficamente foi tratado por Silva! designers
com fotografia de Jorge Gonçalves.
Custa 30 euros (preço de editor).

segunda-feira, 21 de maio de 2007

A matemática das emoções


"Há que conhecer bem a personagem para devidamente a compreender." Esta frase pertence a João Lisboa, cronista das artes musicais, que há anos acompanho, nas páginas do Expresso. É lá, em notável texto sobre o mais recente cd de Björk, Volta, que ele nos confidencia um desabafo da senhora: "Já nem sei quantas vezes fui salva por uma canção, alturas em que nada, nem os amigos, nem o sexo, nem a actividade política nos podem valer e só a empatia que uma canção proporciona tem algum significado. Uma sensação completamente abstracta em que a música não tem (nem deve ter) explicação, que interfere com a matemática das emoções e não pode ser decifrada pela linguagem."
Foi essa sensação prazenteiramente abstracta que senti ao ouvir este trabalho de Björk.
Talvez não exista uma interpretação viável da música desta islandesa surprendente. Exactamente por isso: cada original gravado é uma surpresa. A erudição musical está lá, mas a emoção é que nos anima. Em Björk dá-se o casamento perfeito entre o rigor científico e a descontraída interpretação artística.
É ouvir, ouvir, ouvir.

Humor sem sentido

Uma directora regional de educação demitiu um professor que por lá andava a dar aulas há perto de vinte anos. O motivo prendeu-se com o seu sentido de humor. O professor de inglês resolveu insistir em piadolas sobre o curso de Sócrates. A directora, defensora do respeitinho, achou aquilo um abuso. Resultado: o humorista foi para o olho da rua. Exagero? Claro.
Confesso que não me parto a rir com os gracejos em causa. Aliás, não tenho a mínima pachorra para anedotas e graçolas congéneres. Mas, neste caso, a gargalhada vai para a distinta directora. Será que não percebeu que passados tantos anos sobre o fim do outro Estado, o pessoal já não tem que achar os dirigentes políticos intocáveis? Já lá vai o tempo em que eram intocáveis patifes.
Vasco Pulido valente, no seu estilo menos rigoroso, diz, ontem no Público, que nem no tempo do tal Estado as coisas eram assim. Eduardo Pitta e José Medeiros Ferreira já lhe contaram as suas histórias. E não faltaria por aí quem tivesse exemplos para lhe apresentar.
Seja como for, não é a esse tempo que queremos voltar, pois não?

domingo, 20 de maio de 2007

Venham ver as feras

Ligo a televisão. Um troglodita, montado num cavalo, espeta um touro com toda a sua força e "inteligência". Assistem ao "espectáculo" alguns aficcionados (é assim que se chamam os trogloditas que assistem), poucos é certo, mas estão lá. No recinto, baptizado com o nome de Roldão de Almeida, para além das bestas de quatro e duas patas, é também anunciado o presidente da Câmara - Roldão de Almeida. Não, não se trata de uma festa popular na América latina. Falo de uma tourada, claro está: uma manifestação de estupidez em estado puro, a decorrer em Elvas. A "corrida" é paga, parece-me, pela RTP. Mais uma despesa a ser paga por todos. Mas disso nem me queixo. Já pagamos tanta porcaria...

sábado, 19 de maio de 2007

Naquela roça grande...


Já que estou com a mão na massa, e embalado por uma notícia no Expresso de hoje, volto ao assunto do post de ontem. O assunto é, falando claro, a corrupção e a prepotência do poder em Angola. Não se percebe se o povo angolano acha ou não José Eduardo dos Santos corrupto ou um bom presidente. Ele não permite avaliações. Não há eleições lá na terra há tanto tempo que já ninguém se lembra como isso é. Mas já se percebeu que o homem gosta de se instalar bem. O luxo em que vive é conhecido. Esse bem-estar é agora reforçado com a aquisição de um bem equipado aeroplano. Faz falta. A senhora dos Santos vai às compras, ao Brasil por exemplo, em aviões alugados. Faz, portanto, sentido o investimento. Mas atenção, não se trata de coisa vulgar. O dirigente angolano gosta de altos voos, mas em altas condições. Nada vai faltar no pretendido aparelho voador. O luxo é asiático: Cadeiras são rebatíveis e insufláveis feitas de titânio, trabalhadas à mão e protegidas com material anti-fogo, cada uma delas no valor de 103 mil euros, poderão integrar o interior do Boeing 767-400 (ou 767-200 em alternativa), que o presidente Eduardo dos Santos quer adquirir para uso exclusivo nas viagens oficiais e particulares. Custo da encomenda: 101,6 milhões de euros. Diz o Expresso.
Está certo. O poderoso dirigente angolano não ia sentar o presidencial cú em qualquer trivial cadeira.
Mas o requinte estende-se a outras amabilidades da técnica. Há jacuzzi e karaoke incluídos. A aparelhagem sonora dá muito jeito nas viagens longas. Para passar o tempo poderá trautear canções do seu camarada de partido Ruy Mingas. Daquelas que denunciavam a repressão colonial e a miséria do povo. Ou então pode levar o cantor-atleta-ministro com ele nas viagens. As cantorias ao vivo têm mais emoção.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Predadores


Este livro de Pepetela intromete-se na vida íntima dos poderes angolanos. Abrem-se as portas e descobrem-se os podres: discursos viciados e viciosos, corrupções várias, atitudes prepotentes, enfim, o absurdo elevado a forma de fazer política. Há movimentos de libertação que mais parecem contudentes máquinas, utilizáveis em regimes repressivos sem vergonha. A máxima é: salve-se quem puder, o melhor possível e enquanto é tempo.
Pepetela é um escritor de referência. Tem ideias e defende-as. Ser quem é permite-lhe essa ousadia. Mas claro que há coragem nesta escrita. Desmontar as estruturas criadas pelos seus próprios ideais é um acto de coragem intelectual. É obra.
Este Predadores é obra grande. Lendo este livro percebe-se muito do que se está a passar em Angola.
E dá para perceber que não é nada de bom.

O titulo é Predadores.
Pepetela escreveu.
A Dom Quixote editou.
Tem 380 páginas.
Quanto custa não sei, nem fui ver. Foi oferta de um amigo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

E se trocassem algumas ideias sobre o assunto?

Se o Bloco de Esquerda se render à estratégia pessoal de Sá Fernandes e fizer uma lista com Helena Roseta, faz um bonito serviço à direita.
As estratégias devem ser políticas, não pessoais.
A única lista de esquerda ganhadora é a de António Costa. Há dúvidas?
Ruben e Negrão já elegeram o ex-ministro seu principal inimigo. As alianças sombra entre os rubens e os negrões da vida são muito comuns nas autarquias do País.
O chato disto tudo é que continuam os "iluminados" independentes a prejudicar, instruídos pelo seu ego.
Não podem ser sérios?
E se trocassem algumas ideias sobre o assunto?

Scolari maça

Oiço no rádio do carro: Scolari anda pelas ruas de Matosinhos, munido de um pequeno bloco, a multar quem se atreva a fumar na via pública.
A iniciativa é de alerta contra o tabagismo.
Nunca fumei na vida. Não está nos meus horizontes ser apresentado ao treinador de futebol. Mas confesso que perante esta notícia, ficaria encantado em encontrar Scolari na rua, e, na circunstância, puxar de uma valente cigarrada. Sabem para quê? Para sugerir a Scolari o que fazer com o papelinho da multa.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Os polícias, o Mourinho e o cão dele


José Mourinho, nosso emigrante de luxo, teve problemas com as autoridades inglesas por tentar salvar o seu cão das mãos das cínicas criaturas.
O animal saiu do país e, no regresso, não lhe foram injectadas as vacinas obrigatórias por lei.
O famoso treinador de futebol reagiu à captura do bicho. Foi preso.
O cão ficou em casa.
Mourinho provou que é um fiel amigo. O melhor amigo do seu cão.
Saúdo-o por isso.

Da literatura


É hoje lançado na FNAC Chiado um novo livro de Eduardo Pitta. É a primeira incursão no romance deste vizinho da autarquia blogosférica.
Como o Eduardo escreve tão bem que até faz impressão, espera-se que esta primeira prova impressione.
Fernando Pinto do Amaral vai botar palavra sobre o trabalho.
O encontro foi marcada para as seis e meia da tarde.
Vou lá dar um pulo.
E vou trazer o livro, é claro.
A gente depois fala.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Os lisboetas

Fernando Negrão é pau para todo o arremesso. O líder do PPD/PSD escolheu o autarca setubalense para a corrida lisboeta.
O candidato derrotado em Setúbal aceita enfrentar mais uma derrota. Há políticos assim: vocacionados para perder. Para as estruturas a que se candidatam são o que são: irrelevantes. Funcionam para os interregnos. Para a próxima, o próximo presidente do PPD/PSD escolherá alguém com mais peso. Para perder, Negrão está bem.
Carmona pondera uma candidatura independente.
O equilíbrio instala-se.
"Rosetas" há muitos, seus palermas.

Onde está Madeleine?


Não me sinto muito à-vontade para falar do caso Madeleine. Não tenho que ter opinião sobre tudo. Este rapto, ou seja lá o que for, ultrapassa os limites da compreensão. Perceber que há seres humanos, a circular em nosso redor, que são capazes de actos tão hediondos, repugna.
Sei dizer que não estou de acordo com os que acham a investigação exagerada. Mas não sei o que é suficiente num caso destes.
Todas as tentativas que tentam aliviar tão grande sofrimento devem ser estimuladas. Tudo deve ser feito.
Agora parece que há três novos suspeitos.
Investigue-se.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

África minha


Vai ser hoje lançado um novo livro de Gonçalo Cadilhe, onde se reúnem as crónicas que o viajante foi publicando no Expresso.
África é o motivo da proeza. Quilómetros de caminhos surpreendentes e deslumbrantes. As redacções de Cadilhe revelam actos de prazenteira mas corajosa deambulação. São também uma estimulante viagem pela língua a que Camões deu polimento. Nos livros de viagens encontram-se muitas das pérolas da literatura dos nossos dias. Chatwin vem-nos logo à lembrança: um escritor com tanto para percorrer, que partiu cedo de uma vida bem vivida.
Gonçalo Cadilhe ainda por cá anda, e vai andar, a surpreender-se e a surpreender-nos com as suas contantes e arrebatadoras descobertas.
A cerimónia é logo, por volta das seis e meia da tarde, na FNAC Chiado. Parece que vai haver projecção de imagens dos trilhos percorridos.
Não vou faltar. Até logo.

África acima é o título da publicação.
Foi Gonçalo Cadilhe quem tratou de descrever os percursos.
A Oficina do Livro publicou.
O livro tem 243 páginas.
Custa 15 euros

domingo, 13 de maio de 2007

FÉTUR

A tradicional Feira da Fé, que se realiza anualmente em Fátima, comemora noventa anos. A superfície comercial que a abriga foi remodelada, modernizada e adaptada a novas rentabilidades.
Um investimento turístico de gabarito. A afluência é grande. Uma Empresa de sucesso.
O responsável máximo da multinacional, em viagem de negócios pelo Brasil, enviou saudações.
Como é de prever em grandes ajuntamentos, os vigaristas investem no terreno e também se ajoelham.
D. António Marto, gerente do evento, queixou-se, em entrevista ao Diário de Notícias, da actuação de seitas católicas e grupos exotéricos.
Os grandes negócios comportam sempre riscos.
A vida é dura.

sábado, 12 de maio de 2007

Grande penalidade

Sócrates lança António Costa na corrida para a conquista de Lisboa. Jerónimo mantém Ruben. Tudo leva a crer que Sá Fernandes alinhe mais uma vez com o Bloco. Helena Roseta vem não se sabe de onde para fazer não sei o quê. Marques Mendes vai buscar Fernando Seara a Sintra. Fazia aqui falta um cromo da bola. Era mesmo o que faltava a Lisboa. O líder temporário do PSD rende-se ao jet Set futebolístico. Esperemos que a tentativa esbarre na trave.

Altos magistrados

No Jornal de Sábado, na SIC, uma notícia pôs Cavaco Silva e Scolari declarando o que entenderam declarar sobre o caso da pequena Madeleine.
Cavaco confia na polícia portuguesa e diz que acredita que tudo está a ser feito para encontrar a menina.
Scolari pede uma oração à santinha de Fátima.
Assim é que é: os dois mais altos representantes nacionais em pé de igualdade.

Frutas do nosso tempo


A Casa Ermelinda de Freitas é uma empresa familiar que faz vinho. Leonor, filha dos iniciadores do negócio, tomou conta dos bagos e tornou a pequena fabricante de vinhos a granel num caso muito sério. Os vinhos da Casa são provados em diversas geografias, e apreciados pelos mais exigentes provadores. João Paulo Martins, José A. Salvador, José Quitério, David Lopes Ramos e João Afonso são alguns dos notáveis profissionais que não dispensam um comentário elogioso aos vinhos que Leonor de Freitas vai criando.
Chegaram agora ao mercado mais três novas apostas: Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional. Três vinhos com notas de apreciação diferentes, mas todos de qualidade superior. O primeiro alegra o paladar com a sugestão de frutos frescos, mentolados, disponibilizando-se para pratos de densa compostura. O Syrah exibe elegãncia, na cor sólida e na convocação de frutas maduras. O Touriga é o mais aromático, confirma a elegância dos outros, mas campeia em outra complexidade: frutos secos e especiarias são dominantes. Três grandes vinhos, a preços não proibitivos — perto de 9 euros a garrafa, nos supermercados —, que não dão lugar a desilusões.
Estes novos produtos ostentam novas roupagens. Os rótulos são esteticamente competentes, conferindo unidade visual aos receptáculos.
Os Vinhos Sogrape apostaram na exigência estética, há já alguns anos, e não se deram mal com a encomenda. É bom ver que outros chegam a boas conclusões.
Boas bocas os provem.
Com moderação? Como quiserem.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

As escolhas de Sofia

Um comentário de Sofia Loureiro dos Santos, do nosso vizinho ali do lado Defender o Quadrado, enviado por e-mail, despertou-me a vontade de voltar a autorizar opiniões aqui no blogue. Tenho a maior consideração e respeito pela Sofia. Trocamos amável correspondência desde que estas geringonças existem. Claro que nem sempre concordamos. Era o que faltava...
Desta vez a Sofia contesta o meu post de ontem. Vamos ler:

Não concordo consigo. São cada vez mais necessárias pessoas que, à margem dos partidos, tenham vontade de protagonizar alternativas. São conjunturais mas essenciais para a renovação dos próprios partidos. O PS e José Sócrates, mais uma vez, deixaram que se lhes escapasse o controle sobre o imbróglio lisboeta, não fazendo nada para o deslindar.
Fala-se muito da sociedade civil e da participação cívica, mas quando ela se manifesta causa imediatas repulsas. Não sei se Helena Roseta é a resposta ou a melhor solução. Mas pode ser uma solução. Veremos.


Não há muito para ver, cara amiga. O percurso desta arquitecta sem arquitectura deixa muito a desejar. Estou de acordo com o Eduardo: a senhora envelheceu mal. Mas, independentemente de tudo, já provou que actua sem respeito pelos outros. Quando a coisa não lhe agrada... põe-se a andar. Grande envergadura democrática, não haja dúvida. Enquanto o aconchego partidário os favorece, não os incomoda a falta de cidadania, quando falta é que a porca torce o rabo. Estamos fartos de partidos? Já Salazar, agora tão na moda, não tinha grande paciência para estes convívios. Se calhar é mal de dirigentes. Não nos deixam mandar, mandamos a estrutura à fava. Depois ficamos independentes. Os resultados são conhecidos. Há muitos exemplos: Isaltinos, Valentins e Felgueiras é o que por aí não falta.
É mal do sistema? Se calhar é, mas não há outro melhor.
Quanto a competência... Estou mortinho por ver a constituição da equipa da novel candidata. Deve ser um papelinho.
Dito isto, acrescento: não tenho filiação partidária. Voto em quem me apetece. Mas não me apetece votar em qualquer um. Não o faço, nunca.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Lá vai Lisboa

Helena Roseta sai do PS e chega-se à frente como candidata à presidência da câmara. Independente, diz ela.
Estes imprescindíveis acham-se o máximo. Desprezam a política e a sua disciplina sempre que necessário para a elevação do seu desmesurado ego. O "alegrismo" morreu quando tentou nascer, mas tenta tristemente impor o seu fado: contra a política, contra os interesses instalados, dizem. Como se eles fossem uma espécie de robins dos bosques irrepreensíveis.
A senhora foi autarca em Cascais, eleita pelo PPD/PSD, de onde saiu cheia de prestígio por ter renovado a rede de esgotos, quando não havia outra coisa a fazer: aquilo estava completamente podre. Há quem diga que o crescimento desordenado do betão começou no seu mandato, tornando-se bem visível na gestão seguinte, comandada pelo seu vice.
É esta heroína que quer salvar Lisboa. Maria João Avilez, em conversa com João Adelino Faria, no RCP, revelou-se encantada com a oportunidade da "jogada". Bestial, há um jogo e há claque.
Esperemos que a Esquerda não caia na esparrela.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Cenas dos próximos capítulos

A história tem todos os ingredientes: vilões, bons rapazes, donzelas choramingas, conflitos em catadupa. A renúncia dos vereadores não se vislumbra. Ruben de Carvalho acha que os responsáveis socialistas andam em busca de protagonismo, por sugerirem que todos se demitam. Agora aparece Santana a puxar a brasa ao seu peixe. Nada se sabe de concreto e tudo pode acontecer. O governo da principal autarquia do país é um ratoeira. Carmona está calado como um rato. Faz sentido: os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Ele é o comandante. Os ratos que se afoguem primeiro.
A novela continua.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Aqui há texto


Este livro de Eduardo Pitta já andou em bolandas pela comunidade dos blogues. Tudo o que lá vem já esteve na montra do Da Literatura. Sou freguês desde o princípio. Esperei para ver. Uma edição em livro é outra coisa. Já passei os olhos pelas 286 páginas. Foi um prazer e a confirmação de que a blogosfera é mais um meio de expressão que, tendo os seus requisitos próprios, não vira as costas ao espaço de opinião livre e crível, podendo exibir-se em outros suportes. Eduardo é um escritor, um crítico competente e um cidadão com coisas para dizer. É isso que ele faz com grande frontalidade e elegância. Este Intriga em Família pode ser lido de trás para a frente ou exactamente ao contrário. Tal e qual como nas navegações blogosféricas. Uma espécie de Livro do desassossego, mas com uma ordem temática que nos permite escolher prioridades. O livro termina desta maneira:
a mim interessa-me ler. Mas para isso é preciso que haja texto.
Aqui há texto. É lê-lo.

Intriga em Família é o título
Eduardo Pitta fez os textos
Quasi editou
Tem 286 páginas
e custa 17,85 euros (preço de editor)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Pepetela vence prémio literário em Espanha


O escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana (Pepetela) venceu o Prémio Literário de Escritor Galego Universal promovido em Santiago de Compostela, Espanha.
A distinção ao escritor angolano cujo valor do prémio é desconhecido foi entregue em cerimónia realizada sábado naquela cidade, a qual resulta da qualidade temática do conjunto das suas obras.
O autor de "Mayombe", o primeiro autor de língua portuguesa e, em simultâneo, o primeiro africano a ser distinguido com este prémio, declarou ter ficado "muito satisfeito" e sentir uma "grande honra" por receber o prémio.

Jornal de Angola

É oficial

A Igreja Católica decidiu acabar de vez com o limbo. Já aqui abordei o assunto em Outubro do ano passado. Só agora este imbróglio ficou resolvido. Estas coisas levam o seu tempo. Com certeza que tiveram que contar com a multidão de criaturas que neste momento devem estar em bicha às portas do céu, acotovelando-se, na ânsia de encontrar um bom lugar junto do criador.
Recorde-se que estas decisões são tomadas por gente bem crescida. Não estamos a falar das indescritíveis testemunhas de Jeová ou de outras seitas badalhocas. São intelectuais brilhantes, como é o caso do doutor Ratzinger e outros, que disferem estes golpes nos catecismos tradicionais.
Os dogmas religiosos vão sendo ultrapassados pelo avanço científico e pelo desenvolvimento das formas de comunicar.
Estas adaptações por decreto parecem ridículas. E são. Mas, apesar de tudo, são uma tentativa simpática para pôr a cabeça dos crentes na nova ordem das coisas. Já não é nada mau.

domingo, 6 de maio de 2007

E o vencedor é...

É como aquelas mortes esperadas há muito. A gente diz sempre: já se esperava mas dói como se fosse surpresa.
Bem, aqui não morreu ninguém. Vamos lá a ver: todos imaginámos que Sarkosy, em França, ia ganhar. Também não duvidávamos da vitória de Alberto João Jardim. Mas é uma chatice. Mais em França do que na Madeira. A ilha já sabemos que está mal entregue há muito e vai continuar. Mas França até podia mudar um bocadinho. Não mudou. Paciência.

Dia da Mãe

Um bom dia para todas as mães, e também para todos os comerciantes: das grandes superfícies e dos comércios locais de todo o mundo.

sábado, 5 de maio de 2007

Tempos difíceis


Ainda não cheguei a conclusões sobre o espectáculo de ontem de Bill T. Jones | Arnie Zane Dance Company.
Um turbilhão de sons, movimentos, vozes, projecções e muito mais, preencheu o palco do grande auditório do CCB.
A vontade de comunicar transforma as exibições desta companhia em múltiplas formas de expressão. Ontem assistiu-se a um excelente documentário sobre as actuais preocupações dos humanos. Foi isso. E isso estava muito bem feito.
Um espectáculo notável, em todas as suas vertentes.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Em directo com as populações

Assisti há pouco, num jornal televisivo, a Alberto João Jardim a pagar uma dívida de gratidão a uma senhora que o ajudou a criar os filhos. A gratidão traduziu-se numa estrada até ao lugar onde a senhora mora. O custo da obra, claro está, fomos nós todos que suportámos. E o soba declara sem ponta de vergonha o orgulho naquela proeza familiar. Sabemos que a vergonha não mora ali, mas, caramba, assim até parece que está a gozar. Parece.

Afinal...

aquilo até nem teve dúvida. A rapaziada acabou por ouvir a voz do líder.
Vamos ter gente nova na câmara da capital. Parece que o cheiro a esturro se dissipou.

Danças com gente


Bill T. Jones e companhia vão estar hoje no CCB. Uma estranha dança vai bater as tábuas daquele palco. Um bailado diferente, com movimentos pouco comuns, que nos põe a pensar. Não vou faltar a este espectáculo deste mágico da dança. É hoje à noite.
Para amanhã, sábado, parece que ainda há bilhetes.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Isto cheira a esturro

A vice-presidente da câmara de Lisboa, eleita pelo PSD com Carmona Rodrigues, diz que nem ela, nem os seus colegas vereadores têm nada a comentar sobre as declarações do presidente do partido e do presidente da câmara. Ai não? E quem é que tem? Já toda a gente se pronunciou: oposição, comentadores, dirigentes e autarcas de outras paragens, mas a senhora acha que nada lhe deve ser perguntado. Será que existe um acordo entre os autarcas do PSD com Carmona, resultando daí a atitude surpreendente do presidente?
O desfecho está para breve. Mas tudo isto cheira a esturro.

Uma região em revista


A LVT é uma revista institucional, editada pela CCDR-LVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo). Nós, na DDLX, concebemos e coordenamos o projecto. Esta edição, a número 5, tem como colaboradores Ana Sousa Dias, Carla Amaro, António Sacchetti, Carla Maia de Almeida, Fernanda Câncio, David Lopes Ramos, Pedro Almeida Vieira, Luís de Carvalho, Luísa Ferreira, Luciano Rocha, Jacinto Lucas Pires, José Jorge Letria e Maurício Abreu. Quem não tem acesso à edição impressa pode espreitar por aqui. Estão todos os textos.
A publicação é quadrimestral.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O que é doce nunca amargou


O meu amigo José Eduardo Agualusa acaba de ser distinguido com um interessante prémio literário, atribuído pelo jornal londrino "The Independent", ao excelente "Vendedor de Passados". A gente sabe o que estas coisas valem, mas, como dizia o outro: o que é doce nunca amargou. Ora aqui está um doce que sabe bem. Agualusa já aqui foi referido várias vezes. É muito cá de casa. Daí o contentamento com este reconhecimento.
Parabéns, José Eduardo.

Curso intensivo de tiro ao alvo


Desta vez acertou. Mas foi preciso que lhe fosse colocado o alvo mesmo à frente dos óculos. Estava difícil.

Lisboa vai de carrinho


Parece que Carmona Rodrigues não quer sair. Em Londres, onde foi assistir a uma trapalhada qualquer relacionada com veículos de duas rodas, não atendia o telemóvel. Agora, que chegou a Lisboa, diz-se que faz orelhas moucas aos apelos de Marques Mendes. Demarcando-se da posição do líder do partido que o apoiou, a que leviandade se irá agarrar? O homem das motas tenta manter um difícil equilíbrio no seu percurso pessoal. Mas... e Lisboa? Lisboa vai de carrinho.
A instabilidade instala-se. Já nada nos espanta, vindo daquelas bandas. Às tantas tudo é possível, menos eleições.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Dia do Trabalhador

Descanso, portanto.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O Medo

Há políticos que passam muitas vezes por exibições excessivas de linguagem. As eleições na Madeira e o Museu Salazar constituem apetecido pasto para esta vulgaridade. Alberto João Jardim é um campeão. Os dislates e as ofensas a pessoas e organizações democráticas já não são surpresa. Já a reacção de Manuel Monteiro a um excesso de Jardim tem a sua graça. Monteiro contratou um actor para animar a campanha. O actor era o número dois da juventude do PSD. Os outros jotas não gostaram da graça e despromoveram o militante actor. Manuel Monteiro diz, a respeito disto, que Jardim é o descendente directo de Estaline, e que faz aquilo porque tem medo. Medo de quê? Do partido da Nova Democracia? Quanto a Estaline, se vamos falar em descendentes directos e indirectos, não saímos daqui hoje.
Por outro lado, Jerónimo de Sousa anda preocupado com as romagens salazarentas. Disse-o num encontro com camaradas. Alguém diz ao homem que os saudosistas eram menos do que os polícias?
Estes excessos raramente acertam no alvo. Salazar era a cara de um regime criminoso, de facto. Mas onde é que rumar a uma tumba é contra a Constituição? A liberdade tem de contar com alguns atropelos. O regime era criminoso. O crime não compensa. Estes excessos também não.

domingo, 29 de abril de 2007

O silêncio dos indecentes


O desassossego já começou no estádio da Luz. Aquilo é o quê? Um jogo de futebol ou uma extenção das manifestações de ontem em Santa Comba Dão? Há quem diga que é a extrema-direita que está na retaguarda destas balbúrdias. Não sei. Mas ontem, na terra do ditador, não houve porrada. Dá para perceber que o ministro António Costa está atento ao fenómeno. Tenho uma sugestão: que tal a colocação de açaimes nos focinhos destes delinquentes? Medida reforçada com a devida instalação dos animais em jaulas seguras. Uma coisa tipo Hannibal Lecter. Pense nisso, sr. ministro.

Bonjour tristesse


Os eleitores de extrema-direita dispensaram Le Pen, nas presidenciais francesas. Sarkosy enche-lhes as medidas.
O velho Jean-Marie, que levou uma vida a defender a xenofobia e tudo o que lhe é aderente, já pode meter os papéis para a reforma.
A direita francesa renova-se. Agora pia mais fino. É que o substituto pode mesmo ser Presidente.
Vamos lá a ver se Ségolène agarra aquilo.

sábado, 28 de abril de 2007

Os grandes também morrem

É a vida...

Rostropovitch (1927-2007).

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O túnel que Abril abriu

Passei hoje, pela primeira vez, pelo famigerado túnel do Marquês. Entrei nas Amoreiras e saí no Saldanha. Percurso tranquilo. Aquela coisa dos 30 à hora recomendada pelo vereador Sá Fernandes parece não ter sentido. Ainda não percebi se a obra vai alterar alguma coisa. Estas exibições carregadas de compromissos políticos são sempre polémicas. Ainda por cima vindo a ideia de quem veio: um Santana Lopes trapalhão e desacreditado. Mas estas excessivas preocupações têm muito de ridículo.

Decidam-se

Parece que Carmona Rodrigues também foi constituído arguido no caso Bragaparques. Por este andar fica toda a vereação notificada. O que espera o presidente da câmara para se demitir? Quem vai lá ficar para apagar as luzes quando já não houver mais ninguém para gerir a cidade? A situação é politicamente insustentável. Protelar decisões, emaranhando ainda mais este enleio, não é solução. Fala-se em apego ao poder. Mas o que leva Carmona a esta insistência? E qual poder? Haverá exercício de poder em casa onde ninguém se entende?
Em democracia, a estas dúvidas responde-se com eleições. Pelos vistos, este conceito está arredado da vida autárquica lisboeta.
Já toda a gente percebeu que aquilo assim não funciona.
Seria bom que se decidissem.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O partido de Portas


Paulo Portas é a "nova" aposta do CDS-PP. Portas faz o que for preciso para saltar para a ribalta. Acolitado pelo partido que agora lidera, vai passar a ser o arauto de todas as missivas contra a governação. O novo líder do CDS-PP experimentará a ideia de que é ele o representante da oposição. Ele que nunca representou substancialmente nada, vai apresentar-se como inveterado vencedor. As feiras e mercados populares já eram. Agora tem um partido inteirinho para arremessar contra o Governo. Um partido pequeno, mas estruturalmente feito à sua imagem. Devido à pequenez eleitoral, a substância política da sua actuação vai passar pelas alianças. Mas com isso só tem que se preocupar daqui por algum tempo. Até lá, vai brilhar no palco parlamentar: é abotoar a camisa, pendurar a gravata e polir o discurso. Portas voltou. O PP também.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O túnel de Abril

O túnel do Marquês de Pombal foi finalmente inaugurado. Enquanto na Avenida da Liberdade decorria a tradicional manifestação comemorativa do 25 de Abril (milhares de pessoas desceram em festiva comemoração), um pouco mais acima era inaugurada a obra da insistência santanista. Ignorando todas as recomendações de falta de segurança, ele aí está: imenso, caríssimo e muito frequentado. Cerca de dez mil munícipes, na versão transeunte, atiraram-se para o buraco logo que foi dado o tiro de partida. Resposta ao apelo camarário ou simples curiosidade? Ouvi alguém, em declarações aos jornais televisivos, dizer que já se tinha amesendado na ponte Vasco da Gama, para devorar a inaugurativa feijoada, logo, também aqui queria estar à frente. Há quem vá a todas. Há gente para tudo, essa é que é essa.

Quem disse que era mentira?

A presença das formigas
Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida

José Afonso

O Presidente de outro Abril

O Presidente Cavaco diz que é preciso encontrar novas formas de comemorar o 25 de Abril. É curioso ver que é de alguém que nunca se preocupou com a liberdade em Portugal que surge tal sugestão.
O Presidente não precisou os moldes da alternativa.
Cavaco ainda não percebeu que o Dia da Liberdade deve ser comemorado, tal como o nome indica, em total liberdade: como nos apetecer. E não é ele que vai mudar coisa nenhuma.

Vamos lá saindo...


Voltei. Amsterdão continua uma cidade intensamente livre e civilizada.
As bicicletas são uma espécie de símbolo útil da cidade. Símbolo e exemplo.
Gostei de andar por lá.

sábado, 21 de abril de 2007

Pianos e mais pianos


Pianos e pianistas não vão faltar no CCB, durante todo o fim-de-semana.
Se estivesse em Lisboa era aqui que montava arraiais. Mas não estou. Vou lá fora. Tem graça, esta denominação para as saídas do país. Tudo o que é do lado de lá da fronteira é "lá fora". Está certo: a gente gosta de andar por aí, ir lá fora, mas depois gosta de voltar cá para dentro.
Volto no dia comemorativo da Liberdade em Portugal. Até lá, divirtam-se. Eu vou fazer por isso.

Andy Warhol Imagem

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ideias apagadas

A "discussão de ideias" que a extrema-direita estava a preparar foi cancelada. Foram descobertos pela Polícia Judiciária vários "argumentos" para a discussão: armas de diferentes portes de destruição, enfeites nazis e utensílios vários de "comunicação racista".
Agora já não há ideias para debater. Estão todas nas instalações da Judiciária.

Cantando e rindo

Os mais violentos neo-nazis nacionais foram detidos pela PJ para averiguações. Por razões de segurança, os concertos onde o apelo à violência racial seria cantado com entusiasmo, foram cancelados. Parecem sinais de bom funcionamento da Democracia. Quem combate o sistema que permite a sua existência, não merece ser respeitado, deve ser combatido. As ideias discutem-se, é claro. O que não se discute é a sua ausência. Durante o fim-de-semana, o nosso país vai receber alguns salientes dirigentes dos ultras da direita lá de fora. Vêm trocar ideias sobre aquilo a que chamam nacionalismo. Insistem na ideia de que o que é nacional é bom. Há-de ter que ver...
Ao romper da próxima semana esgueiram-se lá para os buracos de onde saíram.
Façam boa viagem. Sem retorno.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Fitas de outras bobinas


A quarta edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa
começa hoje. Até 29 de Abril vão passar por Lisboa 226 filmes, vindos de quatro continentes: Europa, Ásia, África e América. Estreias mundiais (19) e europeias (10), filmes-concerto, masterclasses, painéis e mesas redondas são apenas alguns dos muitos atractivos desta edição, que se distribui pelo Fórum Lisboa e pelos cinemas São Jorge, Londres e King. (do programa)
Programação e mais informações aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Low profile


A campanha do Governo que apela à frequência escolar como forma de alcançar o sucesso profissional é, no mínimo, infeliz. Já foram dados exemplos de pessoas que, não completando licenciaturas, desempenham com brilho profissões notáveis.
O contrário também é verdade: anda aí menino licenciado e até doutorado, entronado em lugar de grande decisão, que era melhor que voltasse para a escola. Apologia do abandono escolar? Longe disso. Mas a dignidade profissional é transversal a todas as actividades. Os licenciados que, com aprumo e brilho, exercem actividades como livreiros, bibliotecários, assistentes e produtores musicais, não devem achar grande graça à prestação publicitária de Judite de Sousa e Pedro Abrunhosa.
O que somos é fruto das nossas energias: umas criadas por nós, outras resultado de vivências às vezes inesperadas. Claro que estudar é um excelente exercício no sentido de gastarmos energias com o que gostamos de fazer. Mas nem sempre faz falta a iluminação da ribalta para encontrarmos a felicidade no ofício.

terça-feira, 17 de abril de 2007

O regresso de Eduardo

Eduardo Prado Coelho voltou. Depois de uma doença chata que o incomodou durante meses, regressa às crónicas do Público com as preocupações de sempre: a denúncia da insistência na promoção da mediania nacional. Vivemos numa terra onde parece que o público é o popularucho. Assim, os serviços que são supostamente divulgadores da coisa pública são fornecedores de piroseiras várias. Na televisão, volta e meia temos que suportar os Tony Carreiras e Valentim Loureiros da vida. Com tanta gente com tanto para dizer, e são trastes desta estirpe que nos impingem a toda a hora.
Eduardo Prado Coelho fala disso e bem.
Bem vindo Eduardo.

Esmeralda no país das maravilhas

O tribunal decidiu que a menina disputada por duas famílias fosse viver com os pais adoptivos.
Mas o pai adoptivo continua preso por sequestro da menina.
Faz sentido perguntar: Isto faz sentido?
Há leis céleres e há leis mais lerdas. Parece que umas são de usar e deitar fora, e outras para demais conveniências.
Andam todas muito misturadas. Claro que o que aqui digo é que não faz sentido, dirão os decisores: é a minha ignorância a dizer coisas menos rigorosas e desconhecedoras das leis.
Mas as crianças... Doutores, porque as fazeis sofrer?!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Os novos miseráveis


Le Pen, eterno candidato da extrema-direitra francesa às eleições presidenciais, não gostou que Chirac lamentasse o apoio francês aos nazis. O homem que um dia disse que a eliminação física, em câmaras de gáz, de opositores a Hitler foram apenas um episódio na História da Guerra, já nos habituou à desfaçatez e apologia do crime. Logo, mais este apontamento não traz ponta de novidade. Mas não deixa de ser interessante outra declaração do líder xenófobo: " Sarkozy não tem a aversão de Chirac a meu respeito". Quem diria. Afinal há diferenças substanciais entre o presidente e o candidato por si apoiado na corrida eleitoral. Chirac conseguiu a proeza de reunir esquerda e direita em seu redor para não permitir a eleição do indesejável extremista. Sarkozy não precisa de tanta tropa. E, pelos vistos, terá o apoio de Le Pen na segunda volta. Há gente que não se leva a lado nenhum. Nem para beber um cafézinho.
O candidato da direita apela ao eleitorado desiludido com a política. Ségolène reafirma valores de esquerda — seja lá isso o que for — posicionando-se como a mais saliente candidata com possibilidade de derrotar o cínico Sarkozy, à segunda volta.
Força Ségolène. Fogo para cima deles.

sábado, 14 de abril de 2007

Democracia triplicada

As eleições timorenses foram um sucesso estrondoso. Os votantes excederam em muito os recenseados: houve quem tivesse votado três vezes. Agora, provavelmente, a comissão que gere a coisa vai propor a repetição das eleições devido a estas irregularidades. Parece que a democracia funciona a triplicar lá na terra. O povo de Timor tomou-lhe o gosto.

Exclusões


Este homem foi primeiro-ministro durante um ror de tempo. Agora, que é Presidente da República, anda preocupado com a situação dos portugueses excluídos. Ou não conhece o sentido das oportunidades nos cargos políticos, ou prefere andar a chorar pelos cantos. Há quem ache graça a estes amigos dos pobrezinhos. Brincar à caridadezinha é fácil. Promover políticas, no sítio certo, para que a pobreza deixe de existir, é que são elas...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Vidas breves

Uma violenta explosão atinge o parlamento iraquiano. Morrem nove pessoas. Bush, o libertador, lamenta esta ofensa ao "símbolo da democracia".
No Iraque já não existem símbolos, nem democracia: só alvos a atingir.

Praça da raça

"As ideias não se apagam, discutem-se", informa o novo cartaz do PNR, colocado na praça mais nobre da capital. Duvido que as palavras satisfaçam estes arautos ao serviço da pureza da raça. Quais os argumentos a utilizar na discussão com esta rapaziada? Matracas? Bastões?
É uma raça danada, esta raça de gente.

Cada cavadela, minhoca

Depois de tanta tinta derramada. Depois de tanta verborreia, Marques Mendes volta à estaca zero. Agora é que quer investigar. Se calhar não tem andado por aí. Mendes reage a tudo com assinalável atraso.
Não acerta uma.

Feira com livros

O Seixal vai ter uma Feira do Livro durante este fim-de-semana.
Estuário Publicações vai lá estar com obras de Eufrázio Filipe, Celeste Cavaleiro e Mercês Araújo.
Eufrázio estará presente, hoje, sexta-feira, lá mais para as bandas da noite, para um convívio com os leitores.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Opereta

Não vi o interrogatório ao primeiro-ministro. Fui ao São Carlos ver Motezuma, de Vivaldi. Perdi com a escolha: Vivaldi e Motezuma não me convenceram. Pelo que leio nos jornais, percebo que a opereta da RTP 1 deve ter sido mais interessante. Uns asseguram que Sócrates convenceu, outros que nem por isso. Uma ópera-bufa que entretém, como é expectável, mas sem qualidade — o que é lamentável.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Regionalizanão

Medeiros Ferreira foi dispensado de colaborar no DN. Hoje também Pedro Rolo Duarte anunciou, na habitual crónica das quartas, que se vai embora. Não sei o que se está a passar no jornal. Que seja bom para estes dois opinadores são os meus votos, apesar de, como leitor crónico das suas opiniões, ter pena de perder este contacto semanal.
No texto em que se despede, Pedro apresenta-se no seu melhor.
A Regionalização é tema. Os seus receios são os meus. Aqui há uns anos, quando isto veio à baila, eu pensava exactamente o mesmo que agora. O Pedro também. Passados estes anos todos continuamos de acordo. Esteja de acordo ou não, habituei-me a ler o que vai escrevendo sempre com prazer. Quando descobrir para onde ele vai agora, aviso.
Boa sorte aos dois: ao Pedro Rolo Duarte e ao José Medeiros Ferreira.

Para ler o texto publicado hoje no DN clique aqui

Nas trevas, diz ele

Durante a vigília pascal, na Sé de Lisboa, o Patriarca Policarpo atribuiu a Deus a fonte da vida - estranha linguagem exotérica que responsabiliza o mito pela existência. É natural que o vinho das celebrações litúrgicas e a noitada na Sé de Lisboa perturbem o discernimento, mas revela enorme ignorância sobre o processo da reprodução.
O Patriarca lembra ainda que «os que não têm fé vivem nas trevas», uma clara mentira. Uns vivem em Lisboa, outros em Évora, Coimbra, Braga ou noutro sítio qualquer. Nas trevas vivem analfabetos, crentes de várias devoções e clérigos de numerosas fés.


Achei graça a esta tirada de Carlos Esperança. Está no Diário ateísta, e não posso estar mais de acordo. Se quiserem ler o resto, vão até .

terça-feira, 10 de abril de 2007

Educação precisa-se

A situação na Universidade Independente teve um desfecho sem surpresas. Mariano Gago disse o que tinha a dizer sem papas na língua. Mas ficamos com a sensação de que escondeu o lixo debaixo do tapete. Agora fica uma dúvida: e os outros estabelecimentos? É preciso haver mais trapalhadas para que se perceba a falta de educação que por aí campeia?

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sessão de esclarecimento

Esta é a semana de todos os esclarecimentos. Mariano Gago, o ministro, vai ditar o futuro da Universidade Independente. Independência é chá que não se toma por ali. Agora até parece que não pagam a renda da casa há um ror de tempo. Não há independência que aguente tanta indulgência.
Outro esclarecimento aguardado é o de José Sócrates, primeiro-ministro, que tudo leva a crer não ter muito a esclarecer depois da intervenção do ministro. A decisão será tomada por um com o outro.
A resposta para esta crise está na primeira missiva. Uma universidade com tanto atropelo no funcionamento não fornece grande credibilidade. O Governo está esclarecido sobre todos os cozinhados e tem a faca e o queijo na mão. Esperemos que o ministro Mariano não emita um comunicado gago.

domingo, 8 de abril de 2007

A Grande Arte


Caravaggio A incredulidade de São Tomás (1601-02)

sábado, 7 de abril de 2007

Um assunto muito sério


Provavelmente aquilo não estava em situação legal. Há regras, a gente sabe. A Câmara Municipal de Lisboa mandou retirar o cartaz que parodiou a campanha xenófoba de um partido de extrema-direita. A mesma Câmara de Lisboa tão lerda em outros assuntos, aqui foi célere na decisão. O líder do tal partido de extrema-direita diz que a iniciativa dos Gato Fedorento lhes "saiu pela culatra". Claro que está enganado, como sempre. O tiro foi eficaz, certeiro. Mas não há dúvidas que a Câmara tentou evitar os efeitos do disparo. Fica~lhe mal o gesto. Mas é inútil. O "mal" já está feito. Todo o país sentiu o efeito da ideia.
O humor é um assunto muito sério.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Instituição nacional

Hoje é feriado. Nestes dias o país é assaltado por um forte pendor religioso.
Parece que a força das celebrações vai ser lá para os algarves.
O Sol é o santo padroeiro. As procissões começaram ontem, durante a tarde, rumo aos altares do sul. Seja louvado o descanso.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Nacional-parvoíce


O divertido cartaz dos Gato Fedorento já armou reboliço. Soube pelo Daniel, que Ricardo Araújo Pereira já foi ameaçado pelos grunhos que se escondem no PNR. Ninguém estava à espera que esta gentalha tivesse sentido de humor, pois não? E muito menos regras de conduta.
Quem se mete com eles arrisca-se a levar. Não uma resposta política, que eles não sabem o que isso é, mas porrada mesmo, daquela que dói.
É a nacional-parvoíce em acção.

É a diplomacia, estúpido!

Os marujos ingleses já foram libertados pelo Irão. A diplomacia funcionou, apesar de Bush estar mortinho por fazer da grossa.
Ainda há diferenças entre a administração americana e o governo de sua magestade. No mínimo, há mais neurónios do lado europeu.

A quem o diz...

"Ter um programa com o meu nome assusta".
A preocupação pertence a Júlia Pinheiro, e vem pespegada no DN de ontem.
Quem diz a verdade não merece castigo.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Angústia do adepto antes do petardo

É já um assunto de Estado: Governo quer apurar o que se passou há uns dias num estádio de futebol. Estas arenas de convívio estão a tornar-se perigosos campos de batalha. Até já são accionados eficazes engenhos explosivos. Por este andar, os dias da prática desportiva poderão passar a ser antecedidos de despedidas da família. Guerra é guerra. Estas disputas são sempre perigosas.

terça-feira, 3 de abril de 2007

O mau estado da Nação

Quatro economistas debatem o estado da Nação, no Prós e Contras, da RTP 1. Todos sabemos que nunca acertam uma. Ex-ministros das finanças do bloco central repartem acusações. Cadilhe, que muitos já consideravam sério, esmifra-se para provar que nunca o foi. Em Frasquilho lamenta-se ter sido, em tempos, Secretário de Estado das desgraçadas finanças do País. Pina Moura é o que é, e só Campos e Cunha consegue adiar a porção de manguitos que reservamos para lhes endereçar. Percebemos, ao ouvir esta gente, que não é por aqui que nos safamos. Eles safam-se, é certo. Mas não é em nós, nem no País, que pensam quando debitam aquelas atoardas. Os números não mentem; eles parece que sim. Será por causa dos palpites destes iluminados que a União Europeia pondera limitar-nos fundos de apoio?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Next to nothing


Em 1990 fui a Tânger para me encontrar com Paul Bowles. Os seus livros tinham-me fascinado, mas mais do que isso a sua vida. Compositor e escritor, viajante no seu tempo, alguém que procura. Em sua casa encontrei, acima de tudo, serenidade. Tardes preguiçosas à volta da lareira, apenas interrompidas por algumas visitas diárias, e calmos passeios ao mercado. Mesmo assim, estes não eram tempos pacíficos. Agora, dezasseis anos mais tarde, regressei a essa casa e a essas fotografias. Daniel Blaufuks

Daniel Blaufuks tem trabalhado na relação entre fotografia e literatura, através de obras como My Tangier com o escritor Paul Bowles. Mais recentemente, Collected Short Stories apresentou vários dípticos fotográficos numa espécie de "prosa de instantâneos", um discurso baseado em fragmentos visuais, que insinuam histórias privadas a caminho de se tornarem públicas. A relação entre o público e o privado tem sido, aliás, uma das constantes interrogações no seu trabalho. Utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, apresentando o resultado através de livros, instalações e filmes. O seu documentário Sob Céus Estranhos foi recentemente apresentado no Lincoln Center em Nova Iorque. Algumas das suas últimas exposições foram no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Palazzo delle Papesse, Siena, LisboaPhoto, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Elga Wimmer Gallery, New York, Photoespaña, Madrid. (do programa)

Next to nothing Ciclo Paul Bowles
Exposição de Fotografia de Daniel Blaufuks
Até 22 de Abril de 2007
De 2ª a 6ª das 14h às 18h.
Fim-de-semana e Feriados, das 18h às 20h
Foyer do Pequeno Auditório
Centro Cultural de Belém
Entrada Livre

domingo, 1 de abril de 2007

Vaidades


A Vanity Fair de Abril tem ingredientes de sobra para momentos de boa leitura. É curiosa a abordagem ao pessoal que trabalhou com os presidentes dos Estados Unidos, de Truman até Clinton, passando por Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter e Bush pai. Os que estão no activo não são para aqui chamados, apesar de alguns serem repetentes. Sobre a cidade de São Paulo, no Brasil, são enumerados os medos e a desordem. Espantosa é a história dos Sopranos, magnificamente ilustrada com fotografias de Annie Leibovitz. Também André Carrilho marca pontos, ilustrando um artigo de A. A. Gill sobre a permanente festa de Nova Iorque. Mas há mais, muito mais, nesta edição de Abril desta feira de vaidades. Se estiverem para aí virados, não a percam.

Annie Leibovitz Imagem

A arena da SIC

Quem passa os olhos pela SIC já percebeu: hoje há festa rija — a Gala dos Globos de Ouro — na arena do Campo Pequeno. Olhando para o cartel anunciado, só com dose reforçada de paciência seria possível suportar as festividades. Claro que não vou lá estar. E não há nesga de curiosidade que me desloque as retinas para o écran. Nesta coisa de touradas, mal por mal, antes as que têm bois a sério.