segunda-feira, 7 de maio de 2007

Pepetela vence prémio literário em Espanha


O escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana (Pepetela) venceu o Prémio Literário de Escritor Galego Universal promovido em Santiago de Compostela, Espanha.
A distinção ao escritor angolano cujo valor do prémio é desconhecido foi entregue em cerimónia realizada sábado naquela cidade, a qual resulta da qualidade temática do conjunto das suas obras.
O autor de "Mayombe", o primeiro autor de língua portuguesa e, em simultâneo, o primeiro africano a ser distinguido com este prémio, declarou ter ficado "muito satisfeito" e sentir uma "grande honra" por receber o prémio.

Jornal de Angola

É oficial

A Igreja Católica decidiu acabar de vez com o limbo. Já aqui abordei o assunto em Outubro do ano passado. Só agora este imbróglio ficou resolvido. Estas coisas levam o seu tempo. Com certeza que tiveram que contar com a multidão de criaturas que neste momento devem estar em bicha às portas do céu, acotovelando-se, na ânsia de encontrar um bom lugar junto do criador.
Recorde-se que estas decisões são tomadas por gente bem crescida. Não estamos a falar das indescritíveis testemunhas de Jeová ou de outras seitas badalhocas. São intelectuais brilhantes, como é o caso do doutor Ratzinger e outros, que disferem estes golpes nos catecismos tradicionais.
Os dogmas religiosos vão sendo ultrapassados pelo avanço científico e pelo desenvolvimento das formas de comunicar.
Estas adaptações por decreto parecem ridículas. E são. Mas, apesar de tudo, são uma tentativa simpática para pôr a cabeça dos crentes na nova ordem das coisas. Já não é nada mau.

domingo, 6 de maio de 2007

E o vencedor é...

É como aquelas mortes esperadas há muito. A gente diz sempre: já se esperava mas dói como se fosse surpresa.
Bem, aqui não morreu ninguém. Vamos lá a ver: todos imaginámos que Sarkosy, em França, ia ganhar. Também não duvidávamos da vitória de Alberto João Jardim. Mas é uma chatice. Mais em França do que na Madeira. A ilha já sabemos que está mal entregue há muito e vai continuar. Mas França até podia mudar um bocadinho. Não mudou. Paciência.

Dia da Mãe

Um bom dia para todas as mães, e também para todos os comerciantes: das grandes superfícies e dos comércios locais de todo o mundo.

sábado, 5 de maio de 2007

Tempos difíceis


Ainda não cheguei a conclusões sobre o espectáculo de ontem de Bill T. Jones | Arnie Zane Dance Company.
Um turbilhão de sons, movimentos, vozes, projecções e muito mais, preencheu o palco do grande auditório do CCB.
A vontade de comunicar transforma as exibições desta companhia em múltiplas formas de expressão. Ontem assistiu-se a um excelente documentário sobre as actuais preocupações dos humanos. Foi isso. E isso estava muito bem feito.
Um espectáculo notável, em todas as suas vertentes.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Em directo com as populações

Assisti há pouco, num jornal televisivo, a Alberto João Jardim a pagar uma dívida de gratidão a uma senhora que o ajudou a criar os filhos. A gratidão traduziu-se numa estrada até ao lugar onde a senhora mora. O custo da obra, claro está, fomos nós todos que suportámos. E o soba declara sem ponta de vergonha o orgulho naquela proeza familiar. Sabemos que a vergonha não mora ali, mas, caramba, assim até parece que está a gozar. Parece.

Afinal...

aquilo até nem teve dúvida. A rapaziada acabou por ouvir a voz do líder.
Vamos ter gente nova na câmara da capital. Parece que o cheiro a esturro se dissipou.

Danças com gente


Bill T. Jones e companhia vão estar hoje no CCB. Uma estranha dança vai bater as tábuas daquele palco. Um bailado diferente, com movimentos pouco comuns, que nos põe a pensar. Não vou faltar a este espectáculo deste mágico da dança. É hoje à noite.
Para amanhã, sábado, parece que ainda há bilhetes.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Isto cheira a esturro

A vice-presidente da câmara de Lisboa, eleita pelo PSD com Carmona Rodrigues, diz que nem ela, nem os seus colegas vereadores têm nada a comentar sobre as declarações do presidente do partido e do presidente da câmara. Ai não? E quem é que tem? Já toda a gente se pronunciou: oposição, comentadores, dirigentes e autarcas de outras paragens, mas a senhora acha que nada lhe deve ser perguntado. Será que existe um acordo entre os autarcas do PSD com Carmona, resultando daí a atitude surpreendente do presidente?
O desfecho está para breve. Mas tudo isto cheira a esturro.

Uma região em revista


A LVT é uma revista institucional, editada pela CCDR-LVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo). Nós, na DDLX, concebemos e coordenamos o projecto. Esta edição, a número 5, tem como colaboradores Ana Sousa Dias, Carla Amaro, António Sacchetti, Carla Maia de Almeida, Fernanda Câncio, David Lopes Ramos, Pedro Almeida Vieira, Luís de Carvalho, Luísa Ferreira, Luciano Rocha, Jacinto Lucas Pires, José Jorge Letria e Maurício Abreu. Quem não tem acesso à edição impressa pode espreitar por aqui. Estão todos os textos.
A publicação é quadrimestral.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O que é doce nunca amargou


O meu amigo José Eduardo Agualusa acaba de ser distinguido com um interessante prémio literário, atribuído pelo jornal londrino "The Independent", ao excelente "Vendedor de Passados". A gente sabe o que estas coisas valem, mas, como dizia o outro: o que é doce nunca amargou. Ora aqui está um doce que sabe bem. Agualusa já aqui foi referido várias vezes. É muito cá de casa. Daí o contentamento com este reconhecimento.
Parabéns, José Eduardo.

Curso intensivo de tiro ao alvo


Desta vez acertou. Mas foi preciso que lhe fosse colocado o alvo mesmo à frente dos óculos. Estava difícil.

Lisboa vai de carrinho


Parece que Carmona Rodrigues não quer sair. Em Londres, onde foi assistir a uma trapalhada qualquer relacionada com veículos de duas rodas, não atendia o telemóvel. Agora, que chegou a Lisboa, diz-se que faz orelhas moucas aos apelos de Marques Mendes. Demarcando-se da posição do líder do partido que o apoiou, a que leviandade se irá agarrar? O homem das motas tenta manter um difícil equilíbrio no seu percurso pessoal. Mas... e Lisboa? Lisboa vai de carrinho.
A instabilidade instala-se. Já nada nos espanta, vindo daquelas bandas. Às tantas tudo é possível, menos eleições.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Dia do Trabalhador

Descanso, portanto.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O Medo

Há políticos que passam muitas vezes por exibições excessivas de linguagem. As eleições na Madeira e o Museu Salazar constituem apetecido pasto para esta vulgaridade. Alberto João Jardim é um campeão. Os dislates e as ofensas a pessoas e organizações democráticas já não são surpresa. Já a reacção de Manuel Monteiro a um excesso de Jardim tem a sua graça. Monteiro contratou um actor para animar a campanha. O actor era o número dois da juventude do PSD. Os outros jotas não gostaram da graça e despromoveram o militante actor. Manuel Monteiro diz, a respeito disto, que Jardim é o descendente directo de Estaline, e que faz aquilo porque tem medo. Medo de quê? Do partido da Nova Democracia? Quanto a Estaline, se vamos falar em descendentes directos e indirectos, não saímos daqui hoje.
Por outro lado, Jerónimo de Sousa anda preocupado com as romagens salazarentas. Disse-o num encontro com camaradas. Alguém diz ao homem que os saudosistas eram menos do que os polícias?
Estes excessos raramente acertam no alvo. Salazar era a cara de um regime criminoso, de facto. Mas onde é que rumar a uma tumba é contra a Constituição? A liberdade tem de contar com alguns atropelos. O regime era criminoso. O crime não compensa. Estes excessos também não.

domingo, 29 de abril de 2007

O silêncio dos indecentes


O desassossego já começou no estádio da Luz. Aquilo é o quê? Um jogo de futebol ou uma extenção das manifestações de ontem em Santa Comba Dão? Há quem diga que é a extrema-direita que está na retaguarda destas balbúrdias. Não sei. Mas ontem, na terra do ditador, não houve porrada. Dá para perceber que o ministro António Costa está atento ao fenómeno. Tenho uma sugestão: que tal a colocação de açaimes nos focinhos destes delinquentes? Medida reforçada com a devida instalação dos animais em jaulas seguras. Uma coisa tipo Hannibal Lecter. Pense nisso, sr. ministro.

Bonjour tristesse


Os eleitores de extrema-direita dispensaram Le Pen, nas presidenciais francesas. Sarkosy enche-lhes as medidas.
O velho Jean-Marie, que levou uma vida a defender a xenofobia e tudo o que lhe é aderente, já pode meter os papéis para a reforma.
A direita francesa renova-se. Agora pia mais fino. É que o substituto pode mesmo ser Presidente.
Vamos lá a ver se Ségolène agarra aquilo.

sábado, 28 de abril de 2007

Os grandes também morrem

É a vida...

Rostropovitch (1927-2007).

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O túnel que Abril abriu

Passei hoje, pela primeira vez, pelo famigerado túnel do Marquês. Entrei nas Amoreiras e saí no Saldanha. Percurso tranquilo. Aquela coisa dos 30 à hora recomendada pelo vereador Sá Fernandes parece não ter sentido. Ainda não percebi se a obra vai alterar alguma coisa. Estas exibições carregadas de compromissos políticos são sempre polémicas. Ainda por cima vindo a ideia de quem veio: um Santana Lopes trapalhão e desacreditado. Mas estas excessivas preocupações têm muito de ridículo.

Decidam-se

Parece que Carmona Rodrigues também foi constituído arguido no caso Bragaparques. Por este andar fica toda a vereação notificada. O que espera o presidente da câmara para se demitir? Quem vai lá ficar para apagar as luzes quando já não houver mais ninguém para gerir a cidade? A situação é politicamente insustentável. Protelar decisões, emaranhando ainda mais este enleio, não é solução. Fala-se em apego ao poder. Mas o que leva Carmona a esta insistência? E qual poder? Haverá exercício de poder em casa onde ninguém se entende?
Em democracia, a estas dúvidas responde-se com eleições. Pelos vistos, este conceito está arredado da vida autárquica lisboeta.
Já toda a gente percebeu que aquilo assim não funciona.
Seria bom que se decidissem.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O partido de Portas


Paulo Portas é a "nova" aposta do CDS-PP. Portas faz o que for preciso para saltar para a ribalta. Acolitado pelo partido que agora lidera, vai passar a ser o arauto de todas as missivas contra a governação. O novo líder do CDS-PP experimentará a ideia de que é ele o representante da oposição. Ele que nunca representou substancialmente nada, vai apresentar-se como inveterado vencedor. As feiras e mercados populares já eram. Agora tem um partido inteirinho para arremessar contra o Governo. Um partido pequeno, mas estruturalmente feito à sua imagem. Devido à pequenez eleitoral, a substância política da sua actuação vai passar pelas alianças. Mas com isso só tem que se preocupar daqui por algum tempo. Até lá, vai brilhar no palco parlamentar: é abotoar a camisa, pendurar a gravata e polir o discurso. Portas voltou. O PP também.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O túnel de Abril

O túnel do Marquês de Pombal foi finalmente inaugurado. Enquanto na Avenida da Liberdade decorria a tradicional manifestação comemorativa do 25 de Abril (milhares de pessoas desceram em festiva comemoração), um pouco mais acima era inaugurada a obra da insistência santanista. Ignorando todas as recomendações de falta de segurança, ele aí está: imenso, caríssimo e muito frequentado. Cerca de dez mil munícipes, na versão transeunte, atiraram-se para o buraco logo que foi dado o tiro de partida. Resposta ao apelo camarário ou simples curiosidade? Ouvi alguém, em declarações aos jornais televisivos, dizer que já se tinha amesendado na ponte Vasco da Gama, para devorar a inaugurativa feijoada, logo, também aqui queria estar à frente. Há quem vá a todas. Há gente para tudo, essa é que é essa.

Quem disse que era mentira?

A presença das formigas
Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida

José Afonso

O Presidente de outro Abril

O Presidente Cavaco diz que é preciso encontrar novas formas de comemorar o 25 de Abril. É curioso ver que é de alguém que nunca se preocupou com a liberdade em Portugal que surge tal sugestão.
O Presidente não precisou os moldes da alternativa.
Cavaco ainda não percebeu que o Dia da Liberdade deve ser comemorado, tal como o nome indica, em total liberdade: como nos apetecer. E não é ele que vai mudar coisa nenhuma.

Vamos lá saindo...


Voltei. Amsterdão continua uma cidade intensamente livre e civilizada.
As bicicletas são uma espécie de símbolo útil da cidade. Símbolo e exemplo.
Gostei de andar por lá.

sábado, 21 de abril de 2007

Pianos e mais pianos


Pianos e pianistas não vão faltar no CCB, durante todo o fim-de-semana.
Se estivesse em Lisboa era aqui que montava arraiais. Mas não estou. Vou lá fora. Tem graça, esta denominação para as saídas do país. Tudo o que é do lado de lá da fronteira é "lá fora". Está certo: a gente gosta de andar por aí, ir lá fora, mas depois gosta de voltar cá para dentro.
Volto no dia comemorativo da Liberdade em Portugal. Até lá, divirtam-se. Eu vou fazer por isso.

Andy Warhol Imagem

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ideias apagadas

A "discussão de ideias" que a extrema-direita estava a preparar foi cancelada. Foram descobertos pela Polícia Judiciária vários "argumentos" para a discussão: armas de diferentes portes de destruição, enfeites nazis e utensílios vários de "comunicação racista".
Agora já não há ideias para debater. Estão todas nas instalações da Judiciária.

Cantando e rindo

Os mais violentos neo-nazis nacionais foram detidos pela PJ para averiguações. Por razões de segurança, os concertos onde o apelo à violência racial seria cantado com entusiasmo, foram cancelados. Parecem sinais de bom funcionamento da Democracia. Quem combate o sistema que permite a sua existência, não merece ser respeitado, deve ser combatido. As ideias discutem-se, é claro. O que não se discute é a sua ausência. Durante o fim-de-semana, o nosso país vai receber alguns salientes dirigentes dos ultras da direita lá de fora. Vêm trocar ideias sobre aquilo a que chamam nacionalismo. Insistem na ideia de que o que é nacional é bom. Há-de ter que ver...
Ao romper da próxima semana esgueiram-se lá para os buracos de onde saíram.
Façam boa viagem. Sem retorno.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Fitas de outras bobinas


A quarta edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa
começa hoje. Até 29 de Abril vão passar por Lisboa 226 filmes, vindos de quatro continentes: Europa, Ásia, África e América. Estreias mundiais (19) e europeias (10), filmes-concerto, masterclasses, painéis e mesas redondas são apenas alguns dos muitos atractivos desta edição, que se distribui pelo Fórum Lisboa e pelos cinemas São Jorge, Londres e King. (do programa)
Programação e mais informações aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Low profile


A campanha do Governo que apela à frequência escolar como forma de alcançar o sucesso profissional é, no mínimo, infeliz. Já foram dados exemplos de pessoas que, não completando licenciaturas, desempenham com brilho profissões notáveis.
O contrário também é verdade: anda aí menino licenciado e até doutorado, entronado em lugar de grande decisão, que era melhor que voltasse para a escola. Apologia do abandono escolar? Longe disso. Mas a dignidade profissional é transversal a todas as actividades. Os licenciados que, com aprumo e brilho, exercem actividades como livreiros, bibliotecários, assistentes e produtores musicais, não devem achar grande graça à prestação publicitária de Judite de Sousa e Pedro Abrunhosa.
O que somos é fruto das nossas energias: umas criadas por nós, outras resultado de vivências às vezes inesperadas. Claro que estudar é um excelente exercício no sentido de gastarmos energias com o que gostamos de fazer. Mas nem sempre faz falta a iluminação da ribalta para encontrarmos a felicidade no ofício.

terça-feira, 17 de abril de 2007

O regresso de Eduardo

Eduardo Prado Coelho voltou. Depois de uma doença chata que o incomodou durante meses, regressa às crónicas do Público com as preocupações de sempre: a denúncia da insistência na promoção da mediania nacional. Vivemos numa terra onde parece que o público é o popularucho. Assim, os serviços que são supostamente divulgadores da coisa pública são fornecedores de piroseiras várias. Na televisão, volta e meia temos que suportar os Tony Carreiras e Valentim Loureiros da vida. Com tanta gente com tanto para dizer, e são trastes desta estirpe que nos impingem a toda a hora.
Eduardo Prado Coelho fala disso e bem.
Bem vindo Eduardo.

Esmeralda no país das maravilhas

O tribunal decidiu que a menina disputada por duas famílias fosse viver com os pais adoptivos.
Mas o pai adoptivo continua preso por sequestro da menina.
Faz sentido perguntar: Isto faz sentido?
Há leis céleres e há leis mais lerdas. Parece que umas são de usar e deitar fora, e outras para demais conveniências.
Andam todas muito misturadas. Claro que o que aqui digo é que não faz sentido, dirão os decisores: é a minha ignorância a dizer coisas menos rigorosas e desconhecedoras das leis.
Mas as crianças... Doutores, porque as fazeis sofrer?!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Os novos miseráveis


Le Pen, eterno candidato da extrema-direitra francesa às eleições presidenciais, não gostou que Chirac lamentasse o apoio francês aos nazis. O homem que um dia disse que a eliminação física, em câmaras de gáz, de opositores a Hitler foram apenas um episódio na História da Guerra, já nos habituou à desfaçatez e apologia do crime. Logo, mais este apontamento não traz ponta de novidade. Mas não deixa de ser interessante outra declaração do líder xenófobo: " Sarkozy não tem a aversão de Chirac a meu respeito". Quem diria. Afinal há diferenças substanciais entre o presidente e o candidato por si apoiado na corrida eleitoral. Chirac conseguiu a proeza de reunir esquerda e direita em seu redor para não permitir a eleição do indesejável extremista. Sarkozy não precisa de tanta tropa. E, pelos vistos, terá o apoio de Le Pen na segunda volta. Há gente que não se leva a lado nenhum. Nem para beber um cafézinho.
O candidato da direita apela ao eleitorado desiludido com a política. Ségolène reafirma valores de esquerda — seja lá isso o que for — posicionando-se como a mais saliente candidata com possibilidade de derrotar o cínico Sarkozy, à segunda volta.
Força Ségolène. Fogo para cima deles.

sábado, 14 de abril de 2007

Democracia triplicada

As eleições timorenses foram um sucesso estrondoso. Os votantes excederam em muito os recenseados: houve quem tivesse votado três vezes. Agora, provavelmente, a comissão que gere a coisa vai propor a repetição das eleições devido a estas irregularidades. Parece que a democracia funciona a triplicar lá na terra. O povo de Timor tomou-lhe o gosto.

Exclusões


Este homem foi primeiro-ministro durante um ror de tempo. Agora, que é Presidente da República, anda preocupado com a situação dos portugueses excluídos. Ou não conhece o sentido das oportunidades nos cargos políticos, ou prefere andar a chorar pelos cantos. Há quem ache graça a estes amigos dos pobrezinhos. Brincar à caridadezinha é fácil. Promover políticas, no sítio certo, para que a pobreza deixe de existir, é que são elas...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Vidas breves

Uma violenta explosão atinge o parlamento iraquiano. Morrem nove pessoas. Bush, o libertador, lamenta esta ofensa ao "símbolo da democracia".
No Iraque já não existem símbolos, nem democracia: só alvos a atingir.

Praça da raça

"As ideias não se apagam, discutem-se", informa o novo cartaz do PNR, colocado na praça mais nobre da capital. Duvido que as palavras satisfaçam estes arautos ao serviço da pureza da raça. Quais os argumentos a utilizar na discussão com esta rapaziada? Matracas? Bastões?
É uma raça danada, esta raça de gente.

Cada cavadela, minhoca

Depois de tanta tinta derramada. Depois de tanta verborreia, Marques Mendes volta à estaca zero. Agora é que quer investigar. Se calhar não tem andado por aí. Mendes reage a tudo com assinalável atraso.
Não acerta uma.

Feira com livros

O Seixal vai ter uma Feira do Livro durante este fim-de-semana.
Estuário Publicações vai lá estar com obras de Eufrázio Filipe, Celeste Cavaleiro e Mercês Araújo.
Eufrázio estará presente, hoje, sexta-feira, lá mais para as bandas da noite, para um convívio com os leitores.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Opereta

Não vi o interrogatório ao primeiro-ministro. Fui ao São Carlos ver Motezuma, de Vivaldi. Perdi com a escolha: Vivaldi e Motezuma não me convenceram. Pelo que leio nos jornais, percebo que a opereta da RTP 1 deve ter sido mais interessante. Uns asseguram que Sócrates convenceu, outros que nem por isso. Uma ópera-bufa que entretém, como é expectável, mas sem qualidade — o que é lamentável.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Regionalizanão

Medeiros Ferreira foi dispensado de colaborar no DN. Hoje também Pedro Rolo Duarte anunciou, na habitual crónica das quartas, que se vai embora. Não sei o que se está a passar no jornal. Que seja bom para estes dois opinadores são os meus votos, apesar de, como leitor crónico das suas opiniões, ter pena de perder este contacto semanal.
No texto em que se despede, Pedro apresenta-se no seu melhor.
A Regionalização é tema. Os seus receios são os meus. Aqui há uns anos, quando isto veio à baila, eu pensava exactamente o mesmo que agora. O Pedro também. Passados estes anos todos continuamos de acordo. Esteja de acordo ou não, habituei-me a ler o que vai escrevendo sempre com prazer. Quando descobrir para onde ele vai agora, aviso.
Boa sorte aos dois: ao Pedro Rolo Duarte e ao José Medeiros Ferreira.

Para ler o texto publicado hoje no DN clique aqui

Nas trevas, diz ele

Durante a vigília pascal, na Sé de Lisboa, o Patriarca Policarpo atribuiu a Deus a fonte da vida - estranha linguagem exotérica que responsabiliza o mito pela existência. É natural que o vinho das celebrações litúrgicas e a noitada na Sé de Lisboa perturbem o discernimento, mas revela enorme ignorância sobre o processo da reprodução.
O Patriarca lembra ainda que «os que não têm fé vivem nas trevas», uma clara mentira. Uns vivem em Lisboa, outros em Évora, Coimbra, Braga ou noutro sítio qualquer. Nas trevas vivem analfabetos, crentes de várias devoções e clérigos de numerosas fés.


Achei graça a esta tirada de Carlos Esperança. Está no Diário ateísta, e não posso estar mais de acordo. Se quiserem ler o resto, vão até .

terça-feira, 10 de abril de 2007

Educação precisa-se

A situação na Universidade Independente teve um desfecho sem surpresas. Mariano Gago disse o que tinha a dizer sem papas na língua. Mas ficamos com a sensação de que escondeu o lixo debaixo do tapete. Agora fica uma dúvida: e os outros estabelecimentos? É preciso haver mais trapalhadas para que se perceba a falta de educação que por aí campeia?

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sessão de esclarecimento

Esta é a semana de todos os esclarecimentos. Mariano Gago, o ministro, vai ditar o futuro da Universidade Independente. Independência é chá que não se toma por ali. Agora até parece que não pagam a renda da casa há um ror de tempo. Não há independência que aguente tanta indulgência.
Outro esclarecimento aguardado é o de José Sócrates, primeiro-ministro, que tudo leva a crer não ter muito a esclarecer depois da intervenção do ministro. A decisão será tomada por um com o outro.
A resposta para esta crise está na primeira missiva. Uma universidade com tanto atropelo no funcionamento não fornece grande credibilidade. O Governo está esclarecido sobre todos os cozinhados e tem a faca e o queijo na mão. Esperemos que o ministro Mariano não emita um comunicado gago.

domingo, 8 de abril de 2007

A Grande Arte


Caravaggio A incredulidade de São Tomás (1601-02)

sábado, 7 de abril de 2007

Um assunto muito sério


Provavelmente aquilo não estava em situação legal. Há regras, a gente sabe. A Câmara Municipal de Lisboa mandou retirar o cartaz que parodiou a campanha xenófoba de um partido de extrema-direita. A mesma Câmara de Lisboa tão lerda em outros assuntos, aqui foi célere na decisão. O líder do tal partido de extrema-direita diz que a iniciativa dos Gato Fedorento lhes "saiu pela culatra". Claro que está enganado, como sempre. O tiro foi eficaz, certeiro. Mas não há dúvidas que a Câmara tentou evitar os efeitos do disparo. Fica~lhe mal o gesto. Mas é inútil. O "mal" já está feito. Todo o país sentiu o efeito da ideia.
O humor é um assunto muito sério.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Instituição nacional

Hoje é feriado. Nestes dias o país é assaltado por um forte pendor religioso.
Parece que a força das celebrações vai ser lá para os algarves.
O Sol é o santo padroeiro. As procissões começaram ontem, durante a tarde, rumo aos altares do sul. Seja louvado o descanso.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Nacional-parvoíce


O divertido cartaz dos Gato Fedorento já armou reboliço. Soube pelo Daniel, que Ricardo Araújo Pereira já foi ameaçado pelos grunhos que se escondem no PNR. Ninguém estava à espera que esta gentalha tivesse sentido de humor, pois não? E muito menos regras de conduta.
Quem se mete com eles arrisca-se a levar. Não uma resposta política, que eles não sabem o que isso é, mas porrada mesmo, daquela que dói.
É a nacional-parvoíce em acção.

É a diplomacia, estúpido!

Os marujos ingleses já foram libertados pelo Irão. A diplomacia funcionou, apesar de Bush estar mortinho por fazer da grossa.
Ainda há diferenças entre a administração americana e o governo de sua magestade. No mínimo, há mais neurónios do lado europeu.

A quem o diz...

"Ter um programa com o meu nome assusta".
A preocupação pertence a Júlia Pinheiro, e vem pespegada no DN de ontem.
Quem diz a verdade não merece castigo.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Angústia do adepto antes do petardo

É já um assunto de Estado: Governo quer apurar o que se passou há uns dias num estádio de futebol. Estas arenas de convívio estão a tornar-se perigosos campos de batalha. Até já são accionados eficazes engenhos explosivos. Por este andar, os dias da prática desportiva poderão passar a ser antecedidos de despedidas da família. Guerra é guerra. Estas disputas são sempre perigosas.

terça-feira, 3 de abril de 2007

O mau estado da Nação

Quatro economistas debatem o estado da Nação, no Prós e Contras, da RTP 1. Todos sabemos que nunca acertam uma. Ex-ministros das finanças do bloco central repartem acusações. Cadilhe, que muitos já consideravam sério, esmifra-se para provar que nunca o foi. Em Frasquilho lamenta-se ter sido, em tempos, Secretário de Estado das desgraçadas finanças do País. Pina Moura é o que é, e só Campos e Cunha consegue adiar a porção de manguitos que reservamos para lhes endereçar. Percebemos, ao ouvir esta gente, que não é por aqui que nos safamos. Eles safam-se, é certo. Mas não é em nós, nem no País, que pensam quando debitam aquelas atoardas. Os números não mentem; eles parece que sim. Será por causa dos palpites destes iluminados que a União Europeia pondera limitar-nos fundos de apoio?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Next to nothing


Em 1990 fui a Tânger para me encontrar com Paul Bowles. Os seus livros tinham-me fascinado, mas mais do que isso a sua vida. Compositor e escritor, viajante no seu tempo, alguém que procura. Em sua casa encontrei, acima de tudo, serenidade. Tardes preguiçosas à volta da lareira, apenas interrompidas por algumas visitas diárias, e calmos passeios ao mercado. Mesmo assim, estes não eram tempos pacíficos. Agora, dezasseis anos mais tarde, regressei a essa casa e a essas fotografias. Daniel Blaufuks

Daniel Blaufuks tem trabalhado na relação entre fotografia e literatura, através de obras como My Tangier com o escritor Paul Bowles. Mais recentemente, Collected Short Stories apresentou vários dípticos fotográficos numa espécie de "prosa de instantâneos", um discurso baseado em fragmentos visuais, que insinuam histórias privadas a caminho de se tornarem públicas. A relação entre o público e o privado tem sido, aliás, uma das constantes interrogações no seu trabalho. Utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, apresentando o resultado através de livros, instalações e filmes. O seu documentário Sob Céus Estranhos foi recentemente apresentado no Lincoln Center em Nova Iorque. Algumas das suas últimas exposições foram no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Palazzo delle Papesse, Siena, LisboaPhoto, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Elga Wimmer Gallery, New York, Photoespaña, Madrid. (do programa)

Next to nothing Ciclo Paul Bowles
Exposição de Fotografia de Daniel Blaufuks
Até 22 de Abril de 2007
De 2ª a 6ª das 14h às 18h.
Fim-de-semana e Feriados, das 18h às 20h
Foyer do Pequeno Auditório
Centro Cultural de Belém
Entrada Livre

domingo, 1 de abril de 2007

Vaidades


A Vanity Fair de Abril tem ingredientes de sobra para momentos de boa leitura. É curiosa a abordagem ao pessoal que trabalhou com os presidentes dos Estados Unidos, de Truman até Clinton, passando por Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter e Bush pai. Os que estão no activo não são para aqui chamados, apesar de alguns serem repetentes. Sobre a cidade de São Paulo, no Brasil, são enumerados os medos e a desordem. Espantosa é a história dos Sopranos, magnificamente ilustrada com fotografias de Annie Leibovitz. Também André Carrilho marca pontos, ilustrando um artigo de A. A. Gill sobre a permanente festa de Nova Iorque. Mas há mais, muito mais, nesta edição de Abril desta feira de vaidades. Se estiverem para aí virados, não a percam.

Annie Leibovitz Imagem

A arena da SIC

Quem passa os olhos pela SIC já percebeu: hoje há festa rija — a Gala dos Globos de Ouro — na arena do Campo Pequeno. Olhando para o cartel anunciado, só com dose reforçada de paciência seria possível suportar as festividades. Claro que não vou lá estar. E não há nesga de curiosidade que me desloque as retinas para o écran. Nesta coisa de touradas, mal por mal, antes as que têm bois a sério.

sábado, 31 de março de 2007

E não se pode ignorá-los?

É consensual que a tropa fandanga do PNR não passa de um bando de idiotas. Há quem diga que, em democracia, até os idiotas têm direito a voz. É verdade, têm. O direito ao disparate deverá ser proporcional ao nosso direito de nos indignarmos, argumentarmos contra, enfim, respondermos. Mas gastar tanto tempo de antena com idiotas é que já chateia. E não se pode ignorá-los?

E o Espírito Santo?

Vem no Expresso, com titulo de primeira página, que o Vaticano tem dúvidas sobre os milagres dos pastorinhos de Fátima.
Se o Vaticano, que é a voz do Espírito santo, tem dúvidas...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Bom fim-de-semana


Albert Gleizes Imagem

quinta-feira, 29 de março de 2007

Não dar cavaco

Cavaco não convidou, para festejar a fundação da Europa, o homem que pôs Portugal a falar dela. Mais, que não descansou enquanto não meteu o País lá dentro. Agora, o Presidente do País que agradece esse gesto, não agradece, nem reconhece a quem teve a iniciativa. É o que parece ao não convidar Mário Soares para as cerimónias. Cavaco Silva ainda não é o Presidente de todos os portugueses.
Pelo menos não parece.

A revista


A wallpaper de Abril já está aí.
A ler, a ver, a ler de novo, a guardar, e a ver e ler de novo um dia destes.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Em todas as esquinas e rotundas

A freirinha das aparições de Fátima também vai ter um espaço museológico. Quem para aí estiver virado, pode dar uma salto ao convento onde a irmã Lúcia passou boa parte dos seus anos de vida em animada clausura. Se Salazar deixou as embalagens de Restaurador Olex, papelada amarelecida e outra tralha pessoal, o que terá deixado a vidente das aparições? Pacotes vazios de bolachas Maria? Embalagens de depilação para o buço? Uma colecção de santinhos lustrosos? Os museus estão na moda. Mesmo quando não há muito para pôr lá dentro, qualquer coisa se há-de arranjar. Todos nós temos algo que, num qualquer momento das nossas vidas, nos marcou: uns sapatos viajados, um fato usado numa cerimónia inesquecível, uma caixa vazia de preservativos que nos recorda momentos de agradável aconchego, enfim, cangalhada não falta, se procurarmos bem. Todos podemos ter o nosso museu, um dia. Se calhar corre o risco de ficar aberto só um dia, precisamente. Um museu efémero, como os já estafados quinze minutos de fama. O que é que alguém vai fazer a um museu de Salazar ou Lúcia, para além da prestação de uma sentida homenagem? É de Culto que falamos, quando falamos de casas-museus destas tristes figuras. A irmãzinha parece que já anda a fazer milagres. Já há registos de santidades várias. De Salazar ainda não se deu por nada. Mas haja esperança. Ele anda aí. Um dia vai voltar em doses generosas. Um Salazar em cada esquina? Força. E a irmã Lúcia, vai para as rotundas?

terça-feira, 27 de março de 2007

Já começam...

Confrontado com a vitória do ditador, o presidente da câmara de Santa Comba Dão declarou que está justificada a criação da casa-museu sobre a sua vida e "obra". O autarca, eleito por uma coligação PPD/PSD-CDS/PP, disse que a coisa vai avançar já em Maio. Deve ser para comemorar o dia 28.
O que o concurso da RTP suscitou não foi debate. Foi saudosismo puro e duro. Há brincadeiras muito sérias.

Há luz ao fundo do túnel


O Túnel do Marquês começou por ser uma promessa risível. Ninguém percebeu a insistência de Santana Lopes naquela obra. Foi uma das trapalhadas que experimentaram as primeiras emissões nos Paços do Concelho. Depois, Santana expandiu o negócio: foi para o governo, onde eram emitidas a um ritmo diário. Paralelamente, nas decisões autárquicas, a obra do túnel transformou-se num imenso buraco. Santana já lá não estava, graças ao lamentável equívoco que o levou para São Bento. Carmona, herdeiro deste enleio, tentou pôr areia no orifício, ou por outra, atirá-la para os nossos olhos. Agora, com dois anos de atraso, o empreendimento está parcialmente pronto para receber o trânsito. Parece que é em Abril. Será que vai resolver minimamente os problemas do tráfego na zona? Vamos finalmente perceber se a promessa tinha substância ou se, pelo contrário, não passou de mais uma birra do menino guerreiro.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Cuidados intensivos


Houve alterações aqui na decoração das instalações. Depois do Expresso, do Diário de Notícias e do Público, também o BlogOperatório mudou. O arranjo gráfico da paginação continua a ser o que a Blogspot fornece, com direcção da stopdesign e design de Douglas Bowman. O novo cabeçalho foi concebido por nós, na DDLX, com a participação do Vitor Luis, que colabora connosco como estagiário. As cirurgias continuam a bom ritmo. Não há lista de espera. Espero que este golpe provoque melhoras e seja do vosso agrado.
Ah, é verdade, a frase de Fernando Pessoa funciona como parágrafo de uma espécie de livro de estilo. Trouxe-a da Tabacaria.
Até amanhã.

Quem quer ser salazarista?

O Público, em notícia de primeira página, revela-nos que a extrema-direita quer conquistar associações de estudantes.
Depois do que aconteceu mesmo há bocadinho, nas eleições televisivas, parece que nem tudo isto é um concurso.
Quando se jogam no terreno, ou seja, quando se encostam às estruturas representativas democráticas, estes jogos tornam-se mais repugnantes.

Que grandes portugueses!

O que levará tantos portugueses a eleger Salazar como o grande português? De entre tanta gente notável é o figurão da ditadura que ganha as tele-eleições. Os grandes portugueses, de facto, perderam.
Os compatriotas de que nos devemos orgulhar são os que fizeram avançar o país, não os que o atrasaram durante quase meio século.
Não estou de acordo que isto seja um voto de protesto. Ninguém protesta assim. Hoje vivemos muito melhor do que no tempo da ditadura.
É a Cultura e a Educação que falham redondamente. Foi essa falha que se manifestou.
É certo que concurso é coisa de sorte e azar. Mas ninguém gosta de perder. Nem a feijões, como é o caso.
A emissão acabou com uma fotografia de José Afonso a apanhar todo o écran: uma nota de muito bom gosto.
Vou-me deitar. Amanhã vou continuar a não gostar de Salazar. E vou gostar cada vez mais de viver em democracia.

domingo, 25 de março de 2007

Miséria e grandeza

Entre as cinzentas, pomposas e circunstanciais celebrações dos 50 anos da União Europeia, entendeu o nosso Excelentíssimo e Digníssimo Presidente da República excluir dos convidados de tão interessantes eventos o Dr. Mário Soares, antigo Presidente da República e, apenas e só, aquele que assinou o tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1985.
É verdade que Mário Soares se escapuliu da cerimónia de cumprimentos a Cavaco Silva, aquando da sua tomada de posse como Presidente. Não o devia ter feito, por todas as razões que nos lembremos e mais ainda.
Mas este gesto de Cavaco Silva, como uma vingança mesquinha, só demonstra a pequenez com que interpreta o seu papel na história recente de Portugal, e a sua falta de grandeza ao não reconhecer as grandezas de outros, entre as inúmeras misérias de que todos somos protagonistas.
Ficou-lhe mal a ele, como pessoa, e ficou muito mal ao país, que ele representa, pois não foi capaz de honrar a quem muito deve.

Sofia Loureiro dos Santos em defender o quadrado

sábado, 24 de março de 2007

O estado a que isto chegou

Não sei quanto ganha Guilherme de Oliveira Martins, como principal responsável do Tribunal de Contas, mas lá que há trabalho, há: a denúncia está feita. Agora é preciso mudar a lei.
Autarcas a acumularem principescas remunerações são aos molhos: inventam cargos onde não é suposto que existam. Distribuem benesses. É fartar, vilanagem. Com tanto vilão à solta, não há Estado que aguente este estado de coisas.

Execrável

Estou a ver televisão. Tony Carreira e José Cid andam por todos os canais. São o máximo. As declarações dos famosos artistas nunca dispensam o disparate. O público vibra.
A cultura popular portuguesa não é só isto. Espero.

Bom fim-de-semana


David Hockney Imagem

sexta-feira, 23 de março de 2007

Doutores e engenheiros

Agora, o grande caso da nação é a licenciatura do primeiro-ministro. Como não sou engenheiro e, sinceramente, acho os engenheiros uns chatarrões, não me incomoda nada se José Sócrates o é ou não.
Preocupado fiquei quando percebi que Che Guevara até apreciava uns fuzilamentozitos: tive que deitar fora os posters que exibiam a sua fotografia em pose de desafiante valentia. Sócrates não é engenheiro? Estávamos bem governados, se fosse esse o nosso grande problema.

Ainda a gente se queixa da Justiça

Uma juíza alemã compreendeu as razões de um homem acusado de maus tratos à mulher. Segundo a magistrada, na cultura do réu é razoável um homem agredir a sua cara-metade. Não se percebe, portanto, a que aludia a queixosa, sabendo, desde o casamento, que as que caiem no chão é que se perdem?
Responsáveis religiosos já vieram garantir que não é bem assim. Só que a gente sabe o respeito pelas mulheres que é praticado por quem abraça aquelas convicções. Da ausência de respeito a umas traulitadas vai um passinho. A juíza é que sabe: ela é que estudou o processo.

quinta-feira, 22 de março de 2007

BlogOperatório em antena


O Pedro Rolo Duarte convidou-me para dar ao badalo, para o programa de entrevistas com malta dos blogues, que é transmitido aos domingos, das onze ao meio-dia, na Antena 1. Já está gravado. Passa no próximo domingo. O que for soará.

A realidade do artista


Os Livros Cotovia distribuiram pelos expositores das livrarias este conjunto de reflexões de Mark Rothko.
Já conhecia estes textos de Rothko. Comprei a edição americana numa qualquer viagem, não me lembro por onde. A Yale University Press publicou-os, em 2004, em livro de uma extraordinária apresentação gráfica da autoría de Daphne Geismar. A capa reproduz a folha da frente dos textos originais de Rothko. O miolo é cuidado com requintes. Uma publicação belíssima. A edição portuguesa não é tão bonita, contudo, a tradução da responsabilidade de Fernanda Mira Barros é honestíssima. Logo que recebi o texto promocional que Mafalda Azevedo, dos Livros Cotovia, muito simpaticamente me enviou, fui à Rua Nova da Trindade, onde fica a casa da editora, adquiri-lo. Já ali está, lido e arrumadinho ao lado do seu primo americano.
Do texto de Mafalda Azevedo, ressalto estes dois parágrafos:

O silêncio é o mais acertado. Era desta forma que Mark Rothko, um dos artistas mais importantes do século XX, respondia quando lhe pediam para falar das suas pinturas. Temia que as suas palavras paralisassem a mente e a imaginação do espectador. Acreditava que uma imagem abstracta representa directamente a natureza fundamental do drama humano. Daí que seja de uma inequívoca importância histórica, além de teórica, a publicação de A realidade do artista de Mark Rothko.
(...)
A realidade do artista, agora publicado pelos Livros Cotovia, resulta da descoberta recente de um manuscrito de Mark Rothko, no qual o pintor reflecte sobre temas que vão do Renascimento à arte contemporânea, do mito ao belo, passando pela verdadeira natureza da arte ou pela crítica e pelo papel da arte e dos artistas na sociedade. A par da exposição do seu pensamento, Rothko transmite claramente ao leitor a intensidade da sua demanda artística, o esforço doloroso e constante para aprofundar questões que, para ele, seriam do domínio do inefável.

A realidade do artista Filosofias da arte.
Foi escrito por Mark Rothko
Fernanda Mira Barros traduziu
Tem 300 páginas
e custa 20,00 euros

quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia do Mundial da Poesia

Volta e meia há um dia que comemora qualquer coisa: ele é o dia do pai, ele é o dia da mãe, ele é o dia do orgasmo, ele é o dia do idoso, enfim, fiquemos por aqui que o comércio vai longo. Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Ora aqui está um produto a que dou uso com frequência, logo, não vejo necessidade de comemorar esta especificidade.
Bom dia, na mesma.

Os mesmos de sempre

Repisando no post anterior, reforçando com uma olhadela pela galeria de jovens partidários, e emoldurando figuras como Pedro Pinto, Bernardino Soares ou João Almeida (confesso que no PS não me lembro de nenhum dos cromos no activo, e, no BE, Ana Drago, se ainda está nos juniores, não entra neste retrato em negativo), percebemos que não é por aí que jorra sangue novo. Com "jovens" assim, bem podemos clamar pelos velhadas: voltem, a malta perdoa-lhes.

terça-feira, 20 de março de 2007

Sempre os mesmos?

Não entendo a preocupação, entre os fazedores de opinião (apesar de Vasco Pulido Valente o fazer com muita graça), com o recorrente aparecimento dos protagonistas da política. Nem consigo imaginar outro cenário. Quando um líder político é apeado não perde as convicções. E, tendo essa oportunidade, deve insistir em manifestá-las. Deixem lá andar Portas, Santana e Menezes nas suas vidinhas. Quantas vezes ouvimos dizer que o que é verdade hoje poderá não o ser amanhã?
Chirac, em França, já fazia parte do anedotário com a sua insistência na candidatura à presidência, até que o conseguiu e acabou por aquecer o lugar. Ortega, na Nicarágua, volta e meia regressa ao palanque.
E Churchil? Chegou, andou por lá, foi-se embora, mudou de partido, voltou, fez o que lhe apeteceu. Muitos mais exemplos poderiam vir à colação.
Em Portugal, começamos a viver intensamente a política-espectáculo. Aos homens da política exige-se que sejam modelos. Não de virtudes, mas de passerelle: usam-se para o desfile, para em seguida se porem a andar. Claro que os modelos de maturidade acima referidos não são grandes exemplos. Mas é o que se pode arranjar. E, para o que a gente os quer, servem.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Juventude irrequieta

Parece que houve merda no encontro entre membros do CDS-PP. Os conservadores já não são o que eram. Os meninos de Portas são tão irritantes que, pelos vistos, só à porrada. Não é grande exemplo, mas é um sinal dos ventos que sopram lá para os lados do Largo do Caldas. Grande vendaval, se calhar com consequências insanáveis.
Admirados? Nem por isso. Aquela gente alguma vez foi civilizada?

O espectáculo vai começar

Santana Lopes deu entrevista à SIC-N. Ana Lourenço, na sua característica sobriedade (estilo: vamos ao que interessa), conferiu seriedade à prestação. E Santana resolveu portar-se em conformidade. Não ameaçou a direcção do partido, rejeitou ameaças veladas ou declaradas, e, sem grande alarido, fez oposição ao governo com vestes de líder parlamentar. Portas será mais informado, mais à-vontade em matérias culturais, mas é mais espalha-brasas: ameaça, disseca, deixa tudo em fanicos. Santana encarna melhor o papel de andarilho político. Tem andado por aí, optou pela discrição, e parece saber muito bem o que vai fazer. Ambos disputam a liderança de algo situado à direita do PSD. Ambos vêm de actuações pouco credíveis, mas é a partir dos camarins destes dois homens que parece que se vai encenar o espectáculo da direita. Está de trombas que vontade não lhes falta. O espectáculo segue dentro de momentos.

domingo, 18 de março de 2007

E a política?

Cavaco Silva, quando trabalhava em S. Bento, atalhava a eito: era preciso encher o país de betão? Tratemos disso, sem grandes estudos nem hesitações. Agora diz que a localização do novo aeroporto de Lisboa deve ser debatida pelos técnicos. Só por eles. Ele, Presidente, não tem que se pronunciar sobre o assunto. E a política, não é para aqui chamada? O homem continua a não saber muito bem o que isso é. Para um Presidente da República dava jeito que soubesse.

Deambulatório


Só há uma regra para um blog: regra alguma.
Estas palavrinhas são da Fátima, e revelam a liberdade que por ali se pratica, e que vai tornando o seu f-world cada vez mais interessante. Já não dispenso uma passagem por . Apareçam, que aquilo está giro.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Vá de metro, e olhe em volta


Françoise Schein inaugura hoje, lá para o fim da tarde, no Museu Nacional do Azulejo, uma exposição de trabalhos seus.
Françoise desenhou os azulejos que ornamentam a estação Parque, do metropolitano de Lisboa. São esses desenhos que poderão ser vistos a partir de hoje no Museu.
O catálogo da exposição inclui opiniões de Ana Sousa Dias, José Gil, Jean Attali, Laura Taves e Paulo Henriques.

Ana Sousa Dias abre o rol com o seu texto "A multiplicação dos dias": A primeira obra de Françoise Schein que Lisboa viu foi o revestimento da estação de Metropolitano do Parque, em Lisboa, um trabalho em que os Direitos Humanos e os Descobrimentos portugueses se interligam. Só uns anos mais tarde conheci esta artista que um dia me disse: “a minha vida é a minha melhor obra”. Assim mesmo, como quem já pensou muito no assunto e não tem qualquer hesitação.
É um facto que a vida e a obra de Françoise se misturam no que diz respeito a Portugal. A demorada experiência do Parque abriu-lhe a vontade de trabalhar com os outros e deu-lhe uma nova língua, com a qual viajou para o Brasil e para a decisão de adoptar uma criança. “A partir do meu encontro com Portugal, tornei-me outra pessoa”, diz ela ao olhar para trás.


Esta mostra vai estar no Museu da Rua da Madre de Deus até ao dia 24 de Junho. Apareçam que vale a pena.
Ah, já agora, o catálogo, os cartazes e todo o restante material promocional foram feitos aqui pela malta, na DDLX.

A morte fica-lhes tão bem


Pentágono admite que o Iraque enfrenta uma guerra civil. A pouco e pouco vão reconhecendo a mentira e o erro. Depois de uma multidão de mortos e feridos, os salvadores da democracia têm um acesso de lucidez. Foi preciso um desmedido esforço para os convencer. A revelação desse esforço foi impressa com muito sangue, diariamente. Sangue que não inscreve propriamente heróis. Estas guerras já não são o que eram. É de vítimas que falamos, quando falamos do conflito iraquiano.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Chapas Instantâneas

O Chapa faz fotografia e anima o bloguite, ali ao lado. Uma exposição sua está na Galeria da Biblioteca Municipal de Palmela entre 6 e 18 de Março e passará para o Foyer do Auditório Municipal de Pinhal Novo, de 20 de Março a 1 de Abril.
Chama-se "Chapas Instantâneas" e está integrada na programação Março - Mês da Juventude.
Acreditem que vale a pena dar um salto até lá.

Tenha paciência...

Sabemos que uma desgraça nunca vem só. Na Câmara de Lisboa as desgraças sucedem-se. Suspeitas fundadas e infundadas atingem os autarcas que têm os cordelinhos na mão. A desgraça, agora, atinge os menos abraçados pela sorte: o apoio aos sem-abrigo da capital não está a ser cumprido. Não há verbas para nada nem para ninguém. As esmolas estão pela hora da morte.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Ressureição

Houve até quem achasse Bento XVI uma surpresa. Um profundo conhecedor da realidade. Um interventor dinâmico. Afinal, Ratzinger voltou. Ou melhor: nunca se demitiu dos seus propósitos. As novas mentalidades são a falência da fé cristã, adverte. Provavelmente, a homossexualidade é uma doença grave. A alegria nas celebrações litúrgicas, uma heresia. O discurso livre e aberto ao idioma dos crentes, um abuso claro. Os políticos católicos devem fazer valer a sua prepotência, impondo deliberações desajustadas mas condizentes com a sua fé. Tudo deve voltar ao fundo dos tempos, pelos vistos. Até parece que o chefe da Igreja Católica já só fala em latim. Não se entende.

terça-feira, 13 de março de 2007

Não teve um fim bonito, esta história


Paolo Pinamonti, director do Teatro Nacional São Carlos, foi dispensado por carta. Segundo o Expresso online, a ministra da Cultura enviou esta tarde a missiva onde se inscreve o afastamento. Lido assim, sem desmentidos nem qualquer outro esclarecimento, parece, no mínimo, indecoroso.
O novo director já foi nomeado. É Christoph Dammann, actual director-geral dos teatros de ópera de Colónia, na Alemanha, que a nota do ministério classifica como tendo um curriculo fabuloso. E então, Pinamonti é um principiante?
Não foi bonita, a maneira como isto foi resolvido.

Ler Crítico musical

Gardiner day



Depois do sucesso esmagador de A Criação, Haydn decide lançar-se na composição de outra grande oratória, de novo sobre libreto de Gottfriedvan Swieten, onde se cruzam como raízes a referência bíblica e o naturalismo pioneiro do poeta escocês James Thompson (+1748). A evocação musical, a um tempo pictórica e sensorial, dos ambientes contrastantes dos quatro tempos do ano lança as bases de muita da música programática e do naturalismo romântico do século XIX. O Iluminismo maçónico, por sua vez, manifesta-se no sublinhar da ordem perfeita da sucessão das estações, metáfora ideal do triunfo da Razão, e na introdução de três personagens rústicos que trazem à partitura vários exemplos de uma inspiração musical popular a evocar Rousseau. (do programa)

Grande concerto, o que os English Baroque Soloists, alinhados pela hábil batuta de Sir John Eliot Gardiner, deram ontem na Gulbenkian. Há dias assim, memoráveis.
Há horas felizes.

Ler Crítico musical

segunda-feira, 12 de março de 2007

Tanto tempo...


Dia de aniversário. Vou fazer gazeta, aqui no blogue. Volto amanhã.
A imagem que acima se reproduz, é uma prenda que me ofereço.
Que sorte!
Lá mais para a frente vou dizer umas coisas sobre um livro recentemente editado que divulga textos de Mark Rothko.

Mark Rothko Imagem

domingo, 11 de março de 2007

Italiano para principiantes


Assisti às "Valquírias", de Wagner, na semana passada, muito bem sentado num camarote do São Carlos. A surpresa que a encenação me provocou, apesar de no Verão passado ter lá estado para ver a primeira das quatro partes que compõem "O Anel", levou-me a voltar, ontem, sábado, para uma segunda sessão ao ar livre. É verdade. Ir à ópera é caro? Não. Graças a uma ideia de Paolo Pinamonti, director do teatro, pôde-se assistir à grande cavalgada wagneriana no Largo de São Carlos, olhando para um ecran gigante, instalado na frente do teatro, completamente à borla. O ambiente é deslumbrante. Único. As pessoas que ali se deslocam revelam um emocionante contentamento. É bom partilhar essa alegria com gente que ali se instala pelo simples prazer de assistir a um trabalho de excelência. No final, os cantores-actores vêm agradecer os aplausos do público da esplanada. houve dificuldade em extinguir tamanha salva de palmas. Comovente.

Agora, há outro problema. Parece que não está seguro o lugar do italiano Pinamonti à frente do São Carlos. O João Gonçalves fala do busílis da questão no seu Portugal dos pequeninos. Partilho das suas preocupações. Existem más vontades e vontade de protagonismo nos dirigentes da Cultura. A gente sabe que os problemas da Cultura são sempre metidos no saco das despesas, como se de um rol de mercearia se tratasse. Oxalá não aconteça o pior. Quanto às opiniões do professor Marcelo, o João acha que ainda há quem as leve a sério?
Oxalá que todos nos enganemos, e que o dr. Paolo Pinamonti fique por muito e bom tempo a ter ideias para o único teatro de ópera em Portugal. No dia em que isso acontecer, tirarei o meu chapéu ao secretário de estado da cultura. Ou será que a vénia (pensando melhor: no caso da colecção Berardo, por exemplo), deve ser feita ao primeiro-ministro?

sexta-feira, 9 de março de 2007

faça as continhas, pegue num lápis e faça as continhas

Celeste Cardona, no tempo em que dirigia a Justiça, fez um negócio com uma empresa de construção que agora se revelou, no mínimo, mal calculado. Resultado da imponderada decisão: o Estado vai ter que pagar doze milhões de euros à dita empresa. Celeste Cardona não tossiu, nem buliu. E ninguém lhe foi perguntar nada. É assim em Portugal. Tudo fica impune. Quem vier a seguir que se amanhe. Atenção: actualmente, Cardona está encaixada na administração da Caixa Geral de Depósitos. Será que ainda se engana nos cálculos?

Gritarias

Estou de acordo com a Fernanda Câncio nesta polémica sobre a casa-museu em homenagem ao "herói" das bandas do Vimieiro. Se querem um santuário, construam-no. Se querem orar, faz favor. Não venham é com lengalengas para pedir subsídios do erário. Esta coisa do museu, ou mausoléu ou lá o que é, vale o que vale, ou seja, nada. Se aquela coisa for para frente, é a extrema-direita em peso e meia dúzia de saudosistas ainda vivos que vão pôr lá os pés. Por isso, deixá-los ir. É como aqueles cães maçadores que ladram muito, mas se a gente não lhes ligar, acabam por se calar e abalar com o rabo entre as pernas.

Sal e azar q.b.

Fernando Pessoa escreveu este poema numa época em que não imaginava ser concorrente a umas tele-eleições, em disputa com Salazar. Isto até pode parecer campanha eleitoral. E é. Eu, pelo menos, ponho-o aqui para isso.

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dolce ragazza


A dupla Dolce & Gabbana aprovou esta campanha de publicidade que a imagem mostra. Uma mulher (giríssima, claro) em posição horizontal, agarrada pelos pulsos, por um homem que exibe o gesto a outros homens, impávidos observadores da cena. Houve reacções contra esta promoção. Os homens da marca reconheceram que a campanha não recolhia unanimidade e declararam que "não quiseram ofender nem causar polémica". Assim, não colocaram o material publicitário em circulação. É certo que toda a gente se engana. É louvável ver alguém reconhecer um erro e corrigi-lo. Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Esta notícia contribui para o assinalar.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Ai Timor, Timor

Parece que Timor não se safa. Até Xanana dá a entender que já desistiu. Ramos Horta perfila-se como o possível salvador. Mas já ninguém acredita nesse messias. Há países assim: ingovernáveis. Timor já não é bandeira de ninguém. Limita-se a ser um lamento.

À porrada, disseram eles

Quando eu era rapaz, professores haviam que só nos ensinavam o que nos fazia tanta falta como a fome. Debitávamos todas as linhas, estações e apeadeiros dos comboios de aquém e além mar. Os meios de transporte eram vedetas naquela aprendizagem do faz-de-conta. Um dia, tentando embarcar noutros voos, preparei um avião, na aula de trabalhos manuais, que exibia um símbolo que logo percebi não ser do agrado do mestre: lembrei-me de colocar nas asas do aeroplano uma estrela vermelha. A minha inocência, resultante da informação obtida em jornais que paravam lá por casa (Diário de Notícias e O Século), expôs-me a longos interrogatórios. O meu pai esteve perto de ir parar a sítios que não se recomendam nem aos mais reles adversários. Isto passou-se.
Hoje, quando vejo pais em agressões a professores, e mais os lamentos dos professores que bem ou mal tentam dar a volta à pouca educação dos petizes (mais mal do que bem, em muitos casos), lembro-me deste episódio. Acho que dá para perceber esta merda toda. Que só mostra laivos de mudança quando as moscas se zangam. Os putos é que se tramam.

terça-feira, 6 de março de 2007

Gabo 80


Gabriel Garcia Marquez faz hoje oitenta anos.
Amor em Tempos de Cólera é, para mim, o seu melhor livro. Mas muitos outros fizeram história na História da Literatura. Um grande escritor do nosso tempo, sem dúvida. No seu recente Viver para contá-la, uma espécie de relatório de uma vida, a páginas tantas conta:

—Esta é a outra Bíblia. Era, claro, o Ulisses de James Joyce, que li aos bocados e aos tropeções até que a paciência não me chegou para mais. Foi uma temeridade prematura. Anos mais tarde, já adulto, domesticado, entreguei-me á tarefa de relê-lo a sério e não só foi a descoberta de um mundo próprio de que nunca suspeitei dentro de mim, como também uma ajuda técnica inapreciável para a liberdade da linguagem, o manejo do tempo e as estruturas dos meus livros.

Viver para contá-la é editado pela Dom Quixote e é traduzido por Maria do Carmo Abreu. E, já agora, é um grande livro. Não apenas por ter 579 páginas. Mas também por se tornar num útil guia para a compreensão do percurso literário e de vida do escritor.

As escolhas de Cavaco

O 10 de Junho vai ser em Setúbal. O Presidente escolheu a cidade do Sado para as comemorações do Dia de Portugal. Dores Meira, a presidente nomeada, ficou radiante. Normal: a senhora contenta-se com pouco. Para a inexistente gestão autárquica foi uma espécie de sorte grande. Entre foguetório e gaitadas, o país não vai perceber o estado depressivo em que se encontra a cidade. Tudo ficará na mesma como a lesma. Aliás, a lesma deveria ser o invertebrado escolhido para mascote dos edis setubalenses. Nada acontece no burgo, mas Meira e a sua rapaziada acreditam nos seus próprios dons bem-fazejos. Cavaco premeia assim a mediocridade e a falta de jeito. Não o censuro, olhando o deserto em seu redor, o que é que queriam que o homem fizesse? Escolheu ao calhas.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Alface


Morreu João Alfacinha da Silva. Alface, meu amigo. Trabalhou para rádios, televisões, para teatro, nos jornais. Deixou muitos textos publicados por aí. Deixou histórias em livros. E deixa saudades porque é gajo para isso. A sua bondade era perceptível ao primeiro contacto. E gente boa faz falta. Gente como o Alface. Um dia veio do Alentejo para Lisboa e por cá ficou. Escreveu histórias bem divertidas, como as que pôs nos seus trabalhos "O Fim das Bichas" e "Um Casal Porreiro": caixa com dois saborosos livrinhos, ilustrados por Pedro Proença, com os proverbiais titulos " Um Pai Porreiro Ganha Muito Dinheiro" e " Uma Mãe Porreira é para a Vida Inteira". Em nota biográfica, publicada num dos seus livros, fica esclarecido: vive com facilidade. Era. Mas agora morreu. Se calhar, sobre esta notícia ele diria "a vida é mesmo assim...". Pois é, mas é uma merda.

domingo, 4 de março de 2007

Quem enfia a boina?

Jesus Cristo, se fosse vivo hoje, andaria de boina vermelha na cabeça, garante Chavéz. Não se entende o que vai na cabeça do homem que manda na Venezuela, mas, perante esta insistência na disputa com as autoridades religiosas, percebemos que procura a benção de Cristo para a sua acção revolucionária. A intenção de apresentar o fundador do Cristianismo como o primeiro socialista da história, tem barbas. Faz parte das conversas de ocasião. Hugo Chávez vem agora dar consistência institucional à coisa. Cristo inspira-o, e contra isso nada contra. Ele é presidente de um país onde a multi-culturalidade existe, naturalmente. Com este chamamento divino, provavelmente quer atribuir às suas atitudes, gradualmente totalitárias, a ideia da salvação. O Salvador é ele. Pelo menos já anda de boina vermelha na cabeça.