terça-feira, 10 de abril de 2007
Educação precisa-se
A situação na Universidade Independente teve um desfecho sem surpresas. Mariano Gago disse o que tinha a dizer sem papas na língua. Mas ficamos com a sensação de que escondeu o lixo debaixo do tapete. Agora fica uma dúvida: e os outros estabelecimentos? É preciso haver mais trapalhadas para que se perceba a falta de educação que por aí campeia?
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Sessão de esclarecimento
Esta é a semana de todos os esclarecimentos. Mariano Gago, o ministro, vai ditar o futuro da Universidade Independente. Independência é chá que não se toma por ali. Agora até parece que não pagam a renda da casa há um ror de tempo. Não há independência que aguente tanta indulgência.
Outro esclarecimento aguardado é o de José Sócrates, primeiro-ministro, que tudo leva a crer não ter muito a esclarecer depois da intervenção do ministro. A decisão será tomada por um com o outro.
A resposta para esta crise está na primeira missiva. Uma universidade com tanto atropelo no funcionamento não fornece grande credibilidade. O Governo está esclarecido sobre todos os cozinhados e tem a faca e o queijo na mão. Esperemos que o ministro Mariano não emita um comunicado gago.
Outro esclarecimento aguardado é o de José Sócrates, primeiro-ministro, que tudo leva a crer não ter muito a esclarecer depois da intervenção do ministro. A decisão será tomada por um com o outro.
A resposta para esta crise está na primeira missiva. Uma universidade com tanto atropelo no funcionamento não fornece grande credibilidade. O Governo está esclarecido sobre todos os cozinhados e tem a faca e o queijo na mão. Esperemos que o ministro Mariano não emita um comunicado gago.
domingo, 8 de abril de 2007
sábado, 7 de abril de 2007
Um assunto muito sério
Provavelmente aquilo não estava em situação legal. Há regras, a gente sabe. A Câmara Municipal de Lisboa mandou retirar o cartaz que parodiou a campanha xenófoba de um partido de extrema-direita. A mesma Câmara de Lisboa tão lerda em outros assuntos, aqui foi célere na decisão. O líder do tal partido de extrema-direita diz que a iniciativa dos Gato Fedorento lhes "saiu pela culatra". Claro que está enganado, como sempre. O tiro foi eficaz, certeiro. Mas não há dúvidas que a Câmara tentou evitar os efeitos do disparo. Fica~lhe mal o gesto. Mas é inútil. O "mal" já está feito. Todo o país sentiu o efeito da ideia.
O humor é um assunto muito sério.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Instituição nacional
Hoje é feriado. Nestes dias o país é assaltado por um forte pendor religioso.
Parece que a força das celebrações vai ser lá para os algarves.
O Sol é o santo padroeiro. As procissões começaram ontem, durante a tarde, rumo aos altares do sul. Seja louvado o descanso.
Parece que a força das celebrações vai ser lá para os algarves.
O Sol é o santo padroeiro. As procissões começaram ontem, durante a tarde, rumo aos altares do sul. Seja louvado o descanso.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Nacional-parvoíce
O divertido cartaz dos Gato Fedorento já armou reboliço. Soube pelo Daniel, que Ricardo Araújo Pereira já foi ameaçado pelos grunhos que se escondem no PNR. Ninguém estava à espera que esta gentalha tivesse sentido de humor, pois não? E muito menos regras de conduta.
Quem se mete com eles arrisca-se a levar. Não uma resposta política, que eles não sabem o que isso é, mas porrada mesmo, daquela que dói.
É a nacional-parvoíce em acção.
É a diplomacia, estúpido!
Os marujos ingleses já foram libertados pelo Irão. A diplomacia funcionou, apesar de Bush estar mortinho por fazer da grossa.
Ainda há diferenças entre a administração americana e o governo de sua magestade. No mínimo, há mais neurónios do lado europeu.
Ainda há diferenças entre a administração americana e o governo de sua magestade. No mínimo, há mais neurónios do lado europeu.
A quem o diz...
"Ter um programa com o meu nome assusta".
A preocupação pertence a Júlia Pinheiro, e vem pespegada no DN de ontem.
Quem diz a verdade não merece castigo.
A preocupação pertence a Júlia Pinheiro, e vem pespegada no DN de ontem.
Quem diz a verdade não merece castigo.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Angústia do adepto antes do petardo
É já um assunto de Estado: Governo quer apurar o que se passou há uns dias num estádio de futebol. Estas arenas de convívio estão a tornar-se perigosos campos de batalha. Até já são accionados eficazes engenhos explosivos. Por este andar, os dias da prática desportiva poderão passar a ser antecedidos de despedidas da família. Guerra é guerra. Estas disputas são sempre perigosas.
terça-feira, 3 de abril de 2007
O mau estado da Nação
Quatro economistas debatem o estado da Nação, no Prós e Contras, da RTP 1. Todos sabemos que nunca acertam uma. Ex-ministros das finanças do bloco central repartem acusações. Cadilhe, que muitos já consideravam sério, esmifra-se para provar que nunca o foi. Em Frasquilho lamenta-se ter sido, em tempos, Secretário de Estado das desgraçadas finanças do País. Pina Moura é o que é, e só Campos e Cunha consegue adiar a porção de manguitos que reservamos para lhes endereçar. Percebemos, ao ouvir esta gente, que não é por aqui que nos safamos. Eles safam-se, é certo. Mas não é em nós, nem no País, que pensam quando debitam aquelas atoardas. Os números não mentem; eles parece que sim. Será por causa dos palpites destes iluminados que a União Europeia pondera limitar-nos fundos de apoio?
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Next to nothing

Em 1990 fui a Tânger para me encontrar com Paul Bowles. Os seus livros tinham-me fascinado, mas mais do que isso a sua vida. Compositor e escritor, viajante no seu tempo, alguém que procura. Em sua casa encontrei, acima de tudo, serenidade. Tardes preguiçosas à volta da lareira, apenas interrompidas por algumas visitas diárias, e calmos passeios ao mercado. Mesmo assim, estes não eram tempos pacíficos. Agora, dezasseis anos mais tarde, regressei a essa casa e a essas fotografias. Daniel Blaufuks
Daniel Blaufuks tem trabalhado na relação entre fotografia e literatura, através de obras como My Tangier com o escritor Paul Bowles. Mais recentemente, Collected Short Stories apresentou vários dípticos fotográficos numa espécie de "prosa de instantâneos", um discurso baseado em fragmentos visuais, que insinuam histórias privadas a caminho de se tornarem públicas. A relação entre o público e o privado tem sido, aliás, uma das constantes interrogações no seu trabalho. Utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, apresentando o resultado através de livros, instalações e filmes. O seu documentário Sob Céus Estranhos foi recentemente apresentado no Lincoln Center em Nova Iorque. Algumas das suas últimas exposições foram no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Palazzo delle Papesse, Siena, LisboaPhoto, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Elga Wimmer Gallery, New York, Photoespaña, Madrid. (do programa)
Next to nothing Ciclo Paul Bowles
Exposição de Fotografia de Daniel Blaufuks
Até 22 de Abril de 2007
De 2ª a 6ª das 14h às 18h.
Fim-de-semana e Feriados, das 18h às 20h
Foyer do Pequeno Auditório
Centro Cultural de Belém
Entrada Livre
domingo, 1 de abril de 2007
Vaidades

A Vanity Fair de Abril tem ingredientes de sobra para momentos de boa leitura. É curiosa a abordagem ao pessoal que trabalhou com os presidentes dos Estados Unidos, de Truman até Clinton, passando por Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter e Bush pai. Os que estão no activo não são para aqui chamados, apesar de alguns serem repetentes. Sobre a cidade de São Paulo, no Brasil, são enumerados os medos e a desordem. Espantosa é a história dos Sopranos, magnificamente ilustrada com fotografias de Annie Leibovitz. Também André Carrilho marca pontos, ilustrando um artigo de A. A. Gill sobre a permanente festa de Nova Iorque. Mas há mais, muito mais, nesta edição de Abril desta feira de vaidades. Se estiverem para aí virados, não a percam.
Annie Leibovitz Imagem
A arena da SIC
Quem passa os olhos pela SIC já percebeu: hoje há festa rija — a Gala dos Globos de Ouro — na arena do Campo Pequeno. Olhando para o cartel anunciado, só com dose reforçada de paciência seria possível suportar as festividades. Claro que não vou lá estar. E não há nesga de curiosidade que me desloque as retinas para o écran. Nesta coisa de touradas, mal por mal, antes as que têm bois a sério.
sábado, 31 de março de 2007
E não se pode ignorá-los?
É consensual que a tropa fandanga do PNR não passa de um bando de idiotas. Há quem diga que, em democracia, até os idiotas têm direito a voz. É verdade, têm. O direito ao disparate deverá ser proporcional ao nosso direito de nos indignarmos, argumentarmos contra, enfim, respondermos. Mas gastar tanto tempo de antena com idiotas é que já chateia. E não se pode ignorá-los?
E o Espírito Santo?
Vem no Expresso, com titulo de primeira página, que o Vaticano tem dúvidas sobre os milagres dos pastorinhos de Fátima.
Se o Vaticano, que é a voz do Espírito santo, tem dúvidas...
Se o Vaticano, que é a voz do Espírito santo, tem dúvidas...
sexta-feira, 30 de março de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
Não dar cavaco
Cavaco não convidou, para festejar a fundação da Europa, o homem que pôs Portugal a falar dela. Mais, que não descansou enquanto não meteu o País lá dentro. Agora, o Presidente do País que agradece esse gesto, não agradece, nem reconhece a quem teve a iniciativa. É o que parece ao não convidar Mário Soares para as cerimónias. Cavaco Silva ainda não é o Presidente de todos os portugueses.
Pelo menos não parece.
Pelo menos não parece.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Em todas as esquinas e rotundas
A freirinha das aparições de Fátima também vai ter um espaço museológico. Quem para aí estiver virado, pode dar uma salto ao convento onde a irmã Lúcia passou boa parte dos seus anos de vida em animada clausura. Se Salazar deixou as embalagens de Restaurador Olex, papelada amarelecida e outra tralha pessoal, o que terá deixado a vidente das aparições? Pacotes vazios de bolachas Maria? Embalagens de depilação para o buço? Uma colecção de santinhos lustrosos? Os museus estão na moda. Mesmo quando não há muito para pôr lá dentro, qualquer coisa se há-de arranjar. Todos nós temos algo que, num qualquer momento das nossas vidas, nos marcou: uns sapatos viajados, um fato usado numa cerimónia inesquecível, uma caixa vazia de preservativos que nos recorda momentos de agradável aconchego, enfim, cangalhada não falta, se procurarmos bem. Todos podemos ter o nosso museu, um dia. Se calhar corre o risco de ficar aberto só um dia, precisamente. Um museu efémero, como os já estafados quinze minutos de fama. O que é que alguém vai fazer a um museu de Salazar ou Lúcia, para além da prestação de uma sentida homenagem? É de Culto que falamos, quando falamos de casas-museus destas tristes figuras. A irmãzinha parece que já anda a fazer milagres. Já há registos de santidades várias. De Salazar ainda não se deu por nada. Mas haja esperança. Ele anda aí. Um dia vai voltar em doses generosas. Um Salazar em cada esquina? Força. E a irmã Lúcia, vai para as rotundas?
terça-feira, 27 de março de 2007
Já começam...
Confrontado com a vitória do ditador, o presidente da câmara de Santa Comba Dão declarou que está justificada a criação da casa-museu sobre a sua vida e "obra". O autarca, eleito por uma coligação PPD/PSD-CDS/PP, disse que a coisa vai avançar já em Maio. Deve ser para comemorar o dia 28.
O que o concurso da RTP suscitou não foi debate. Foi saudosismo puro e duro. Há brincadeiras muito sérias.
O que o concurso da RTP suscitou não foi debate. Foi saudosismo puro e duro. Há brincadeiras muito sérias.
Há luz ao fundo do túnel
O Túnel do Marquês começou por ser uma promessa risível. Ninguém percebeu a insistência de Santana Lopes naquela obra. Foi uma das trapalhadas que experimentaram as primeiras emissões nos Paços do Concelho. Depois, Santana expandiu o negócio: foi para o governo, onde eram emitidas a um ritmo diário. Paralelamente, nas decisões autárquicas, a obra do túnel transformou-se num imenso buraco. Santana já lá não estava, graças ao lamentável equívoco que o levou para São Bento. Carmona, herdeiro deste enleio, tentou pôr areia no orifício, ou por outra, atirá-la para os nossos olhos. Agora, com dois anos de atraso, o empreendimento está parcialmente pronto para receber o trânsito. Parece que é em Abril. Será que vai resolver minimamente os problemas do tráfego na zona? Vamos finalmente perceber se a promessa tinha substância ou se, pelo contrário, não passou de mais uma birra do menino guerreiro.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Cuidados intensivos
Houve alterações aqui na decoração das instalações. Depois do Expresso, do Diário de Notícias e do Público, também o BlogOperatório mudou. O arranjo gráfico da paginação continua a ser o que a Blogspot fornece, com direcção da stopdesign e design de Douglas Bowman. O novo cabeçalho foi concebido por nós, na DDLX, com a participação do Vitor Luis, que colabora connosco como estagiário. As cirurgias continuam a bom ritmo. Não há lista de espera. Espero que este golpe provoque melhoras e seja do vosso agrado.
Ah, é verdade, a frase de Fernando Pessoa funciona como parágrafo de uma espécie de livro de estilo. Trouxe-a da Tabacaria.
Até amanhã.
Quem quer ser salazarista?
O Público, em notícia de primeira página, revela-nos que a extrema-direita quer conquistar associações de estudantes.
Depois do que aconteceu mesmo há bocadinho, nas eleições televisivas, parece que nem tudo isto é um concurso.
Quando se jogam no terreno, ou seja, quando se encostam às estruturas representativas democráticas, estes jogos tornam-se mais repugnantes.
Depois do que aconteceu mesmo há bocadinho, nas eleições televisivas, parece que nem tudo isto é um concurso.
Quando se jogam no terreno, ou seja, quando se encostam às estruturas representativas democráticas, estes jogos tornam-se mais repugnantes.
Que grandes portugueses!
O que levará tantos portugueses a eleger Salazar como o grande português? De entre tanta gente notável é o figurão da ditadura que ganha as tele-eleições. Os grandes portugueses, de facto, perderam.
Os compatriotas de que nos devemos orgulhar são os que fizeram avançar o país, não os que o atrasaram durante quase meio século.
Não estou de acordo que isto seja um voto de protesto. Ninguém protesta assim. Hoje vivemos muito melhor do que no tempo da ditadura.
É a Cultura e a Educação que falham redondamente. Foi essa falha que se manifestou.
É certo que concurso é coisa de sorte e azar. Mas ninguém gosta de perder. Nem a feijões, como é o caso.
A emissão acabou com uma fotografia de José Afonso a apanhar todo o écran: uma nota de muito bom gosto.
Vou-me deitar. Amanhã vou continuar a não gostar de Salazar. E vou gostar cada vez mais de viver em democracia.
Os compatriotas de que nos devemos orgulhar são os que fizeram avançar o país, não os que o atrasaram durante quase meio século.
Não estou de acordo que isto seja um voto de protesto. Ninguém protesta assim. Hoje vivemos muito melhor do que no tempo da ditadura.
É a Cultura e a Educação que falham redondamente. Foi essa falha que se manifestou.
É certo que concurso é coisa de sorte e azar. Mas ninguém gosta de perder. Nem a feijões, como é o caso.
A emissão acabou com uma fotografia de José Afonso a apanhar todo o écran: uma nota de muito bom gosto.
Vou-me deitar. Amanhã vou continuar a não gostar de Salazar. E vou gostar cada vez mais de viver em democracia.
domingo, 25 de março de 2007
Miséria e grandeza
Entre as cinzentas, pomposas e circunstanciais celebrações dos 50 anos da União Europeia, entendeu o nosso Excelentíssimo e Digníssimo Presidente da República excluir dos convidados de tão interessantes eventos o Dr. Mário Soares, antigo Presidente da República e, apenas e só, aquele que assinou o tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1985.
É verdade que Mário Soares se escapuliu da cerimónia de cumprimentos a Cavaco Silva, aquando da sua tomada de posse como Presidente. Não o devia ter feito, por todas as razões que nos lembremos e mais ainda.
Mas este gesto de Cavaco Silva, como uma vingança mesquinha, só demonstra a pequenez com que interpreta o seu papel na história recente de Portugal, e a sua falta de grandeza ao não reconhecer as grandezas de outros, entre as inúmeras misérias de que todos somos protagonistas.
Ficou-lhe mal a ele, como pessoa, e ficou muito mal ao país, que ele representa, pois não foi capaz de honrar a quem muito deve.
Sofia Loureiro dos Santos em defender o quadrado
É verdade que Mário Soares se escapuliu da cerimónia de cumprimentos a Cavaco Silva, aquando da sua tomada de posse como Presidente. Não o devia ter feito, por todas as razões que nos lembremos e mais ainda.
Mas este gesto de Cavaco Silva, como uma vingança mesquinha, só demonstra a pequenez com que interpreta o seu papel na história recente de Portugal, e a sua falta de grandeza ao não reconhecer as grandezas de outros, entre as inúmeras misérias de que todos somos protagonistas.
Ficou-lhe mal a ele, como pessoa, e ficou muito mal ao país, que ele representa, pois não foi capaz de honrar a quem muito deve.
Sofia Loureiro dos Santos em defender o quadrado
sábado, 24 de março de 2007
O estado a que isto chegou
Não sei quanto ganha Guilherme de Oliveira Martins, como principal responsável do Tribunal de Contas, mas lá que há trabalho, há: a denúncia está feita. Agora é preciso mudar a lei.
Autarcas a acumularem principescas remunerações são aos molhos: inventam cargos onde não é suposto que existam. Distribuem benesses. É fartar, vilanagem. Com tanto vilão à solta, não há Estado que aguente este estado de coisas.
Autarcas a acumularem principescas remunerações são aos molhos: inventam cargos onde não é suposto que existam. Distribuem benesses. É fartar, vilanagem. Com tanto vilão à solta, não há Estado que aguente este estado de coisas.
Execrável
Estou a ver televisão. Tony Carreira e José Cid andam por todos os canais. São o máximo. As declarações dos famosos artistas nunca dispensam o disparate. O público vibra.
A cultura popular portuguesa não é só isto. Espero.
A cultura popular portuguesa não é só isto. Espero.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Doutores e engenheiros
Agora, o grande caso da nação é a licenciatura do primeiro-ministro. Como não sou engenheiro e, sinceramente, acho os engenheiros uns chatarrões, não me incomoda nada se José Sócrates o é ou não.
Preocupado fiquei quando percebi que Che Guevara até apreciava uns fuzilamentozitos: tive que deitar fora os posters que exibiam a sua fotografia em pose de desafiante valentia. Sócrates não é engenheiro? Estávamos bem governados, se fosse esse o nosso grande problema.
Preocupado fiquei quando percebi que Che Guevara até apreciava uns fuzilamentozitos: tive que deitar fora os posters que exibiam a sua fotografia em pose de desafiante valentia. Sócrates não é engenheiro? Estávamos bem governados, se fosse esse o nosso grande problema.
Ainda a gente se queixa da Justiça
Uma juíza alemã compreendeu as razões de um homem acusado de maus tratos à mulher. Segundo a magistrada, na cultura do réu é razoável um homem agredir a sua cara-metade. Não se percebe, portanto, a que aludia a queixosa, sabendo, desde o casamento, que as que caiem no chão é que se perdem?
Responsáveis religiosos já vieram garantir que não é bem assim. Só que a gente sabe o respeito pelas mulheres que é praticado por quem abraça aquelas convicções. Da ausência de respeito a umas traulitadas vai um passinho. A juíza é que sabe: ela é que estudou o processo.
Responsáveis religiosos já vieram garantir que não é bem assim. Só que a gente sabe o respeito pelas mulheres que é praticado por quem abraça aquelas convicções. Da ausência de respeito a umas traulitadas vai um passinho. A juíza é que sabe: ela é que estudou o processo.
quinta-feira, 22 de março de 2007
BlogOperatório em antena
A realidade do artista
Os Livros Cotovia distribuiram pelos expositores das livrarias este conjunto de reflexões de Mark Rothko.
Já conhecia estes textos de Rothko. Comprei a edição americana numa qualquer viagem, não me lembro por onde. A Yale University Press publicou-os, em 2004, em livro de uma extraordinária apresentação gráfica da autoría de Daphne Geismar. A capa reproduz a folha da frente dos textos originais de Rothko. O miolo é cuidado com requintes. Uma publicação belíssima. A edição portuguesa não é tão bonita, contudo, a tradução da responsabilidade de Fernanda Mira Barros é honestíssima. Logo que recebi o texto promocional que Mafalda Azevedo, dos Livros Cotovia, muito simpaticamente me enviou, fui à Rua Nova da Trindade, onde fica a casa da editora, adquiri-lo. Já ali está, lido e arrumadinho ao lado do seu primo americano.
Do texto de Mafalda Azevedo, ressalto estes dois parágrafos:
O silêncio é o mais acertado. Era desta forma que Mark Rothko, um dos artistas mais importantes do século XX, respondia quando lhe pediam para falar das suas pinturas. Temia que as suas palavras paralisassem a mente e a imaginação do espectador. Acreditava que uma imagem abstracta representa directamente a natureza fundamental do drama humano. Daí que seja de uma inequívoca importância histórica, além de teórica, a publicação de A realidade do artista de Mark Rothko.
(...)
A realidade do artista, agora publicado pelos Livros Cotovia, resulta da descoberta recente de um manuscrito de Mark Rothko, no qual o pintor reflecte sobre temas que vão do Renascimento à arte contemporânea, do mito ao belo, passando pela verdadeira natureza da arte ou pela crítica e pelo papel da arte e dos artistas na sociedade. A par da exposição do seu pensamento, Rothko transmite claramente ao leitor a intensidade da sua demanda artística, o esforço doloroso e constante para aprofundar questões que, para ele, seriam do domínio do inefável.
A realidade do artista Filosofias da arte.
Foi escrito por Mark Rothko
Fernanda Mira Barros traduziu
Tem 300 páginas
e custa 20,00 euros
quarta-feira, 21 de março de 2007
Dia do Mundial da Poesia
Volta e meia há um dia que comemora qualquer coisa: ele é o dia do pai, ele é o dia da mãe, ele é o dia do orgasmo, ele é o dia do idoso, enfim, fiquemos por aqui que o comércio vai longo. Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Ora aqui está um produto a que dou uso com frequência, logo, não vejo necessidade de comemorar esta especificidade.
Bom dia, na mesma.
Bom dia, na mesma.
Os mesmos de sempre
Repisando no post anterior, reforçando com uma olhadela pela galeria de jovens partidários, e emoldurando figuras como Pedro Pinto, Bernardino Soares ou João Almeida (confesso que no PS não me lembro de nenhum dos cromos no activo, e, no BE, Ana Drago, se ainda está nos juniores, não entra neste retrato em negativo), percebemos que não é por aí que jorra sangue novo. Com "jovens" assim, bem podemos clamar pelos velhadas: voltem, a malta perdoa-lhes.
terça-feira, 20 de março de 2007
Sempre os mesmos?
Não entendo a preocupação, entre os fazedores de opinião (apesar de Vasco Pulido Valente o fazer com muita graça), com o recorrente aparecimento dos protagonistas da política. Nem consigo imaginar outro cenário. Quando um líder político é apeado não perde as convicções. E, tendo essa oportunidade, deve insistir em manifestá-las. Deixem lá andar Portas, Santana e Menezes nas suas vidinhas. Quantas vezes ouvimos dizer que o que é verdade hoje poderá não o ser amanhã?
Chirac, em França, já fazia parte do anedotário com a sua insistência na candidatura à presidência, até que o conseguiu e acabou por aquecer o lugar. Ortega, na Nicarágua, volta e meia regressa ao palanque.
E Churchil? Chegou, andou por lá, foi-se embora, mudou de partido, voltou, fez o que lhe apeteceu. Muitos mais exemplos poderiam vir à colação.
Em Portugal, começamos a viver intensamente a política-espectáculo. Aos homens da política exige-se que sejam modelos. Não de virtudes, mas de passerelle: usam-se para o desfile, para em seguida se porem a andar. Claro que os modelos de maturidade acima referidos não são grandes exemplos. Mas é o que se pode arranjar. E, para o que a gente os quer, servem.
Chirac, em França, já fazia parte do anedotário com a sua insistência na candidatura à presidência, até que o conseguiu e acabou por aquecer o lugar. Ortega, na Nicarágua, volta e meia regressa ao palanque.
E Churchil? Chegou, andou por lá, foi-se embora, mudou de partido, voltou, fez o que lhe apeteceu. Muitos mais exemplos poderiam vir à colação.
Em Portugal, começamos a viver intensamente a política-espectáculo. Aos homens da política exige-se que sejam modelos. Não de virtudes, mas de passerelle: usam-se para o desfile, para em seguida se porem a andar. Claro que os modelos de maturidade acima referidos não são grandes exemplos. Mas é o que se pode arranjar. E, para o que a gente os quer, servem.
segunda-feira, 19 de março de 2007
Juventude irrequieta
Parece que houve merda no encontro entre membros do CDS-PP. Os conservadores já não são o que eram. Os meninos de Portas são tão irritantes que, pelos vistos, só à porrada. Não é grande exemplo, mas é um sinal dos ventos que sopram lá para os lados do Largo do Caldas. Grande vendaval, se calhar com consequências insanáveis.
Admirados? Nem por isso. Aquela gente alguma vez foi civilizada?
Admirados? Nem por isso. Aquela gente alguma vez foi civilizada?
O espectáculo vai começar
Santana Lopes deu entrevista à SIC-N. Ana Lourenço, na sua característica sobriedade (estilo: vamos ao que interessa), conferiu seriedade à prestação. E Santana resolveu portar-se em conformidade. Não ameaçou a direcção do partido, rejeitou ameaças veladas ou declaradas, e, sem grande alarido, fez oposição ao governo com vestes de líder parlamentar. Portas será mais informado, mais à-vontade em matérias culturais, mas é mais espalha-brasas: ameaça, disseca, deixa tudo em fanicos. Santana encarna melhor o papel de andarilho político. Tem andado por aí, optou pela discrição, e parece saber muito bem o que vai fazer. Ambos disputam a liderança de algo situado à direita do PSD. Ambos vêm de actuações pouco credíveis, mas é a partir dos camarins destes dois homens que parece que se vai encenar o espectáculo da direita. Está de trombas que vontade não lhes falta. O espectáculo segue dentro de momentos.
domingo, 18 de março de 2007
E a política?
Cavaco Silva, quando trabalhava em S. Bento, atalhava a eito: era preciso encher o país de betão? Tratemos disso, sem grandes estudos nem hesitações. Agora diz que a localização do novo aeroporto de Lisboa deve ser debatida pelos técnicos. Só por eles. Ele, Presidente, não tem que se pronunciar sobre o assunto. E a política, não é para aqui chamada? O homem continua a não saber muito bem o que isso é. Para um Presidente da República dava jeito que soubesse.
Deambulatório
sexta-feira, 16 de março de 2007
Vá de metro, e olhe em volta
Françoise Schein inaugura hoje, lá para o fim da tarde, no Museu Nacional do Azulejo, uma exposição de trabalhos seus.
Françoise desenhou os azulejos que ornamentam a estação Parque, do metropolitano de Lisboa. São esses desenhos que poderão ser vistos a partir de hoje no Museu.
O catálogo da exposição inclui opiniões de Ana Sousa Dias, José Gil, Jean Attali, Laura Taves e Paulo Henriques.
Ana Sousa Dias abre o rol com o seu texto "A multiplicação dos dias": A primeira obra de Françoise Schein que Lisboa viu foi o revestimento da estação de Metropolitano do Parque, em Lisboa, um trabalho em que os Direitos Humanos e os Descobrimentos portugueses se interligam. Só uns anos mais tarde conheci esta artista que um dia me disse: “a minha vida é a minha melhor obra”. Assim mesmo, como quem já pensou muito no assunto e não tem qualquer hesitação.
É um facto que a vida e a obra de Françoise se misturam no que diz respeito a Portugal. A demorada experiência do Parque abriu-lhe a vontade de trabalhar com os outros e deu-lhe uma nova língua, com a qual viajou para o Brasil e para a decisão de adoptar uma criança. “A partir do meu encontro com Portugal, tornei-me outra pessoa”, diz ela ao olhar para trás.
Esta mostra vai estar no Museu da Rua da Madre de Deus até ao dia 24 de Junho. Apareçam que vale a pena.
Ah, já agora, o catálogo, os cartazes e todo o restante material promocional foram feitos aqui pela malta, na DDLX.
A morte fica-lhes tão bem
Pentágono admite que o Iraque enfrenta uma guerra civil. A pouco e pouco vão reconhecendo a mentira e o erro. Depois de uma multidão de mortos e feridos, os salvadores da democracia têm um acesso de lucidez. Foi preciso um desmedido esforço para os convencer. A revelação desse esforço foi impressa com muito sangue, diariamente. Sangue que não inscreve propriamente heróis. Estas guerras já não são o que eram. É de vítimas que falamos, quando falamos do conflito iraquiano.
quinta-feira, 15 de março de 2007
Chapas Instantâneas
O Chapa faz fotografia e anima o bloguite, ali ao lado. Uma exposição sua está na Galeria da Biblioteca Municipal de Palmela entre 6 e 18 de Março e passará para o Foyer do Auditório Municipal de Pinhal Novo, de 20 de Março a 1 de Abril.
Chama-se "Chapas Instantâneas" e está integrada na programação Março - Mês da Juventude.
Acreditem que vale a pena dar um salto até lá.
Chama-se "Chapas Instantâneas" e está integrada na programação Março - Mês da Juventude.
Acreditem que vale a pena dar um salto até lá.
Tenha paciência...
Sabemos que uma desgraça nunca vem só. Na Câmara de Lisboa as desgraças sucedem-se. Suspeitas fundadas e infundadas atingem os autarcas que têm os cordelinhos na mão. A desgraça, agora, atinge os menos abraçados pela sorte: o apoio aos sem-abrigo da capital não está a ser cumprido. Não há verbas para nada nem para ninguém. As esmolas estão pela hora da morte.
quarta-feira, 14 de março de 2007
Ressureição
Houve até quem achasse Bento XVI uma surpresa. Um profundo conhecedor da realidade. Um interventor dinâmico. Afinal, Ratzinger voltou. Ou melhor: nunca se demitiu dos seus propósitos. As novas mentalidades são a falência da fé cristã, adverte. Provavelmente, a homossexualidade é uma doença grave. A alegria nas celebrações litúrgicas, uma heresia. O discurso livre e aberto ao idioma dos crentes, um abuso claro. Os políticos católicos devem fazer valer a sua prepotência, impondo deliberações desajustadas mas condizentes com a sua fé. Tudo deve voltar ao fundo dos tempos, pelos vistos. Até parece que o chefe da Igreja Católica já só fala em latim. Não se entende.
terça-feira, 13 de março de 2007
Não teve um fim bonito, esta história

Paolo Pinamonti, director do Teatro Nacional São Carlos, foi dispensado por carta. Segundo o Expresso online, a ministra da Cultura enviou esta tarde a missiva onde se inscreve o afastamento. Lido assim, sem desmentidos nem qualquer outro esclarecimento, parece, no mínimo, indecoroso.
O novo director já foi nomeado. É Christoph Dammann, actual director-geral dos teatros de ópera de Colónia, na Alemanha, que a nota do ministério classifica como tendo um curriculo fabuloso. E então, Pinamonti é um principiante?
Não foi bonita, a maneira como isto foi resolvido.
Ler Crítico musical
Gardiner day
Depois do sucesso esmagador de A Criação, Haydn decide lançar-se na composição de outra grande oratória, de novo sobre libreto de Gottfriedvan Swieten, onde se cruzam como raízes a referência bíblica e o naturalismo pioneiro do poeta escocês James Thompson (+1748). A evocação musical, a um tempo pictórica e sensorial, dos ambientes contrastantes dos quatro tempos do ano lança as bases de muita da música programática e do naturalismo romântico do século XIX. O Iluminismo maçónico, por sua vez, manifesta-se no sublinhar da ordem perfeita da sucessão das estações, metáfora ideal do triunfo da Razão, e na introdução de três personagens rústicos que trazem à partitura vários exemplos de uma inspiração musical popular a evocar Rousseau. (do programa)
Grande concerto, o que os English Baroque Soloists, alinhados pela hábil batuta de Sir John Eliot Gardiner, deram ontem na Gulbenkian. Há dias assim, memoráveis.
Há horas felizes.
Ler Crítico musical
segunda-feira, 12 de março de 2007
Tanto tempo...
domingo, 11 de março de 2007
Italiano para principiantes
Assisti às "Valquírias", de Wagner, na semana passada, muito bem sentado num camarote do São Carlos. A surpresa que a encenação me provocou, apesar de no Verão passado ter lá estado para ver a primeira das quatro partes que compõem "O Anel", levou-me a voltar, ontem, sábado, para uma segunda sessão ao ar livre. É verdade. Ir à ópera é caro? Não. Graças a uma ideia de Paolo Pinamonti, director do teatro, pôde-se assistir à grande cavalgada wagneriana no Largo de São Carlos, olhando para um ecran gigante, instalado na frente do teatro, completamente à borla. O ambiente é deslumbrante. Único. As pessoas que ali se deslocam revelam um emocionante contentamento. É bom partilhar essa alegria com gente que ali se instala pelo simples prazer de assistir a um trabalho de excelência. No final, os cantores-actores vêm agradecer os aplausos do público da esplanada. houve dificuldade em extinguir tamanha salva de palmas. Comovente.
Agora, há outro problema. Parece que não está seguro o lugar do italiano Pinamonti à frente do São Carlos. O João Gonçalves fala do busílis da questão no seu Portugal dos pequeninos. Partilho das suas preocupações. Existem más vontades e vontade de protagonismo nos dirigentes da Cultura. A gente sabe que os problemas da Cultura são sempre metidos no saco das despesas, como se de um rol de mercearia se tratasse. Oxalá não aconteça o pior. Quanto às opiniões do professor Marcelo, o João acha que ainda há quem as leve a sério?
Oxalá que todos nos enganemos, e que o dr. Paolo Pinamonti fique por muito e bom tempo a ter ideias para o único teatro de ópera em Portugal. No dia em que isso acontecer, tirarei o meu chapéu ao secretário de estado da cultura. Ou será que a vénia (pensando melhor: no caso da colecção Berardo, por exemplo), deve ser feita ao primeiro-ministro?
sexta-feira, 9 de março de 2007
faça as continhas, pegue num lápis e faça as continhas
Celeste Cardona, no tempo em que dirigia a Justiça, fez um negócio com uma empresa de construção que agora se revelou, no mínimo, mal calculado. Resultado da imponderada decisão: o Estado vai ter que pagar doze milhões de euros à dita empresa. Celeste Cardona não tossiu, nem buliu. E ninguém lhe foi perguntar nada. É assim em Portugal. Tudo fica impune. Quem vier a seguir que se amanhe. Atenção: actualmente, Cardona está encaixada na administração da Caixa Geral de Depósitos. Será que ainda se engana nos cálculos?
Gritarias
Estou de acordo com a Fernanda Câncio nesta polémica sobre a casa-museu em homenagem ao "herói" das bandas do Vimieiro. Se querem um santuário, construam-no. Se querem orar, faz favor. Não venham é com lengalengas para pedir subsídios do erário. Esta coisa do museu, ou mausoléu ou lá o que é, vale o que vale, ou seja, nada. Se aquela coisa for para frente, é a extrema-direita em peso e meia dúzia de saudosistas ainda vivos que vão pôr lá os pés. Por isso, deixá-los ir. É como aqueles cães maçadores que ladram muito, mas se a gente não lhes ligar, acabam por se calar e abalar com o rabo entre as pernas.
Sal e azar q.b.
Fernando Pessoa escreveu este poema numa época em que não imaginava ser concorrente a umas tele-eleições, em disputa com Salazar. Isto até pode parecer campanha eleitoral. E é. Eu, pelo menos, ponho-o aqui para isso.
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
quinta-feira, 8 de março de 2007
Dolce ragazza

A dupla Dolce & Gabbana aprovou esta campanha de publicidade que a imagem mostra. Uma mulher (giríssima, claro) em posição horizontal, agarrada pelos pulsos, por um homem que exibe o gesto a outros homens, impávidos observadores da cena. Houve reacções contra esta promoção. Os homens da marca reconheceram que a campanha não recolhia unanimidade e declararam que "não quiseram ofender nem causar polémica". Assim, não colocaram o material publicitário em circulação. É certo que toda a gente se engana. É louvável ver alguém reconhecer um erro e corrigi-lo. Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Esta notícia contribui para o assinalar.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Ai Timor, Timor
Parece que Timor não se safa. Até Xanana dá a entender que já desistiu. Ramos Horta perfila-se como o possível salvador. Mas já ninguém acredita nesse messias. Há países assim: ingovernáveis. Timor já não é bandeira de ninguém. Limita-se a ser um lamento.
À porrada, disseram eles
Quando eu era rapaz, professores haviam que só nos ensinavam o que nos fazia tanta falta como a fome. Debitávamos todas as linhas, estações e apeadeiros dos comboios de aquém e além mar. Os meios de transporte eram vedetas naquela aprendizagem do faz-de-conta. Um dia, tentando embarcar noutros voos, preparei um avião, na aula de trabalhos manuais, que exibia um símbolo que logo percebi não ser do agrado do mestre: lembrei-me de colocar nas asas do aeroplano uma estrela vermelha. A minha inocência, resultante da informação obtida em jornais que paravam lá por casa (Diário de Notícias e O Século), expôs-me a longos interrogatórios. O meu pai esteve perto de ir parar a sítios que não se recomendam nem aos mais reles adversários. Isto passou-se.
Hoje, quando vejo pais em agressões a professores, e mais os lamentos dos professores que bem ou mal tentam dar a volta à pouca educação dos petizes (mais mal do que bem, em muitos casos), lembro-me deste episódio. Acho que dá para perceber esta merda toda. Que só mostra laivos de mudança quando as moscas se zangam. Os putos é que se tramam.
Hoje, quando vejo pais em agressões a professores, e mais os lamentos dos professores que bem ou mal tentam dar a volta à pouca educação dos petizes (mais mal do que bem, em muitos casos), lembro-me deste episódio. Acho que dá para perceber esta merda toda. Que só mostra laivos de mudança quando as moscas se zangam. Os putos é que se tramam.
terça-feira, 6 de março de 2007
Gabo 80
Gabriel Garcia Marquez faz hoje oitenta anos.
Amor em Tempos de Cólera é, para mim, o seu melhor livro. Mas muitos outros fizeram história na História da Literatura. Um grande escritor do nosso tempo, sem dúvida. No seu recente Viver para contá-la, uma espécie de relatório de uma vida, a páginas tantas conta:
—Esta é a outra Bíblia. Era, claro, o Ulisses de James Joyce, que li aos bocados e aos tropeções até que a paciência não me chegou para mais. Foi uma temeridade prematura. Anos mais tarde, já adulto, domesticado, entreguei-me á tarefa de relê-lo a sério e não só foi a descoberta de um mundo próprio de que nunca suspeitei dentro de mim, como também uma ajuda técnica inapreciável para a liberdade da linguagem, o manejo do tempo e as estruturas dos meus livros.
Viver para contá-la é editado pela Dom Quixote e é traduzido por Maria do Carmo Abreu. E, já agora, é um grande livro. Não apenas por ter 579 páginas. Mas também por se tornar num útil guia para a compreensão do percurso literário e de vida do escritor.
As escolhas de Cavaco
O 10 de Junho vai ser em Setúbal. O Presidente escolheu a cidade do Sado para as comemorações do Dia de Portugal. Dores Meira, a presidente nomeada, ficou radiante. Normal: a senhora contenta-se com pouco. Para a inexistente gestão autárquica foi uma espécie de sorte grande. Entre foguetório e gaitadas, o país não vai perceber o estado depressivo em que se encontra a cidade. Tudo ficará na mesma como a lesma. Aliás, a lesma deveria ser o invertebrado escolhido para mascote dos edis setubalenses. Nada acontece no burgo, mas Meira e a sua rapaziada acreditam nos seus próprios dons bem-fazejos. Cavaco premeia assim a mediocridade e a falta de jeito. Não o censuro, olhando o deserto em seu redor, o que é que queriam que o homem fizesse? Escolheu ao calhas.
segunda-feira, 5 de março de 2007
Alface
Morreu João Alfacinha da Silva. Alface, meu amigo. Trabalhou para rádios, televisões, para teatro, nos jornais. Deixou muitos textos publicados por aí. Deixou histórias em livros. E deixa saudades porque é gajo para isso. A sua bondade era perceptível ao primeiro contacto. E gente boa faz falta. Gente como o Alface. Um dia veio do Alentejo para Lisboa e por cá ficou. Escreveu histórias bem divertidas, como as que pôs nos seus trabalhos "O Fim das Bichas" e "Um Casal Porreiro": caixa com dois saborosos livrinhos, ilustrados por Pedro Proença, com os proverbiais titulos " Um Pai Porreiro Ganha Muito Dinheiro" e " Uma Mãe Porreira é para a Vida Inteira". Em nota biográfica, publicada num dos seus livros, fica esclarecido: vive com facilidade. Era. Mas agora morreu. Se calhar, sobre esta notícia ele diria "a vida é mesmo assim...". Pois é, mas é uma merda.
domingo, 4 de março de 2007
Quem enfia a boina?
Jesus Cristo, se fosse vivo hoje, andaria de boina vermelha na cabeça, garante Chavéz. Não se entende o que vai na cabeça do homem que manda na Venezuela, mas, perante esta insistência na disputa com as autoridades religiosas, percebemos que procura a benção de Cristo para a sua acção revolucionária. A intenção de apresentar o fundador do Cristianismo como o primeiro socialista da história, tem barbas. Faz parte das conversas de ocasião. Hugo Chávez vem agora dar consistência institucional à coisa. Cristo inspira-o, e contra isso nada contra. Ele é presidente de um país onde a multi-culturalidade existe, naturalmente. Com este chamamento divino, provavelmente quer atribuir às suas atitudes, gradualmente totalitárias, a ideia da salvação. O Salvador é ele. Pelo menos já anda de boina vermelha na cabeça.
quinta-feira, 1 de março de 2007
Os "cromos " da terra
O DN de ontem vinha acompanhado da publicação que está escarrapachada aí em cima.
É uma caderneta com os "cromos" do Poder Local. É bom para percebermos quem é quem nas autarquias.
Ah, é verdade, estes "bonecos" não são coleccionáveis, não é suposto haver o mais custoso, nem sequer figurinhas para a troca.
Tudo está previamente coleccionado e é editado de quatro em quatro anos.
Bem sei que dito assim, parece injusto. Esta ironia será excessiva. E claro que há excepções, mas a regra...
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Arpad

Na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, abre amanhã, no seu espaço na Praça das Amoreiras, uma importante exposição de um dos seus patronos. Casou com Vieira da Silva e com ela protagonizou uma existência riquíssima. As obras agora reunidas constituem uma expressiva amostra do talento singular do artista. Eu gosto muito do trabalho de Arpad. E aconselho uma visita a esta revisitação da sua obra. Nós, aqui na DDLX, desenvolvemos o design de comunicação.
Do texto biográfico, redigido por Marina Bairrão Ruivo, responsável pela Fundação e por esta exposição, ressalto o que se segue:
Os anos 60 foram anos de uma discreta “consagração”: aquisições de suas obras por Museus franceses, exposições individuais em França e no estrangeiro, condecorações do Estado francês. Foram também anos de intensa produção (1960-1980), em que a exploração da atmosfera, a organização lumínica e rítmica regeram as suas pinturas, as suas paisagens imaginadas. Mais discreta, a cor também se transformou e contribuiu de maneira decisiva para criar o espaço espiritual e a luminosidade que as pinturas evocam. O branco, nas variações de cinzentos, rosas, ocres, azuis ou amarelos em fundos ou em sobreposições suaves, concentra luz e transparência. A obra de Arpad Szenes foi várias vezes referida como sendo silenciosa, evocativa e por vezes evasiva. Voluntariamente retirado para segundo plano em função de Vieira da Silva, Arpad Szenes não deixa de ser uma referência importante na arte do seu tempo. Foi um dos melhores representantes da Escola de Paris dos anos 40, apesar da discrição e modéstia que o caracterizaram.
Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Praça das Amoreiras, 56-58, Lisboa
Segunda a sábado - 11 | 18 horas
Domingo - 10 | 18 horas
Até 17 de Julho
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Uma boa acção
Gaioso Ribeiro é um homem de boa vontade. Pela amostra, ainda não percebeu como funciona politicamente uma autarquia. O dirigente socialista sugere um corpo de salvação que una a Direita, o Centro e a Esquerda. Seria louvável se a Câmara de Lisboa se tratasse de um agrupamento de escuteiros. É melhor explicarem-lhe que as forças que convivem na autarquia lisboeta defendem políticas diferentes. É para isso que há eleições. E é suposto escolher as políticas nesse escrutínio. Ou será que Gaioso já não acredita nessas diferenças e só vê, na sua desesperada proposta, a solução?
Escolha natural
Não percebo a necessidade que Paulo Portas tem de voltar à política. Estava tão bem a ver umas fitas e a comentar uns livros. Voltar para uma família pouco dada a ficções e que apenas pretende fazer dele arma de arremesso, não é lá grande escolha. Mas, se calhar está-lhe na natureza. Não há nada a fazer.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Tudo bons rapazes
Os cidadãos abaixo mencionados, levaram um boneco destes para casa. Martin Scorsese foi o grande vencedor. The Departed - Entre Inimigos, deu-lhe óscares para Melhor Filme e Melhor Realização. Outros vencedores foram O Labirinto do Fauno e Uma Verdade Inconveniente. Helen Mirren foi A Rainha da noite.
Melhor Filme - "The Departed — Entre Inimigos"
Melhor Actor - Forest Whitaker ("O Último Rei da Escócia")
Melhor Actriz - Helen Mirren ("A Rainha")
Melhor Realizador - Martin Scorsese ("The Departed – Entre Inimigos")
Melhor Actor Secundário - Alan Arkin ("Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos - Little Miss Sunshine")
Melhor Actriz Secundária - Jennifer Hudson ("Dreamgirls")
Melhor Filme Estrangeiro - "A vida dos outros" (Alemanha, Florian Henckel von Donnersmarck)
Melhor Filme de Animação - "Happy feet" (George Miller)
Melhor Argumento Original - "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos - Little Miss Sunshine" (Michael Arndt)
Melhor Argumento Adaptado - "The Departed – Entre Inimigos" (William Monahan)
Melhor Direcção Artística - "O Labirinto de Fauno"
Melhor Documentário - "Uma Verdade Inconveniente"
Tanto dá até que fura
Dei pela coisa lendo a crónica semanal de Pedro Rolo Duarte, no DN. Pasmei. Apesar de muito do que por aí se vê não nos dê motivos para tanto, mas pasmei. Ainda me causam perplexidade estes episódios: é suposto haverem áreas onde a seriedade impere. A história é simples e conta-se de uma penada. Uma senhora da "sociedade cor-de-rosa" resolve ver-se livre do marido. Parece que leva aquilo mesmo a sério e o homem é morto. O enleio é descoberto e a senhora é presa.
José Castelo Branco (criatura sempre disponível para ter pena dos outros, desde que isso lhe dê visibilidade) foi visitar a presumível homicida. O horário normal da visita tinha terminado. Mas, o por certo caríssimo relógio de Branco, não marca as horas como os nossos, comuns mortais. Pois bem, nada de impedimentos. Os calabouços abriram-se em ambiente de grande acontecimento. Houve entrevista, fizeram-se fotografias, tudo vendido à imprensa do coração (nunca percebi a relação destes pasquins com a Cardiologia, mas enfim). Para a espalhafatosa criatura, estaremos perante a mais serena normalidade. Mas as autoridades prisionais, não têm nada a dizer? Nem a responder? O que falta acontecer ainda?
Aqui há uns anos, debatia-se o estado em que estávamos e a que nível chegaríamos. Falava-se na preocupação de batermos no fundo. Havia mesmo quem dissesse que já tínhamos batido. Agora, já todos percebemos que batemos. E com tanta insistência que até já furou. Provavelmente já estamos num buraco. Esperemos que não seja sem fundo.
José Castelo Branco (criatura sempre disponível para ter pena dos outros, desde que isso lhe dê visibilidade) foi visitar a presumível homicida. O horário normal da visita tinha terminado. Mas, o por certo caríssimo relógio de Branco, não marca as horas como os nossos, comuns mortais. Pois bem, nada de impedimentos. Os calabouços abriram-se em ambiente de grande acontecimento. Houve entrevista, fizeram-se fotografias, tudo vendido à imprensa do coração (nunca percebi a relação destes pasquins com a Cardiologia, mas enfim). Para a espalhafatosa criatura, estaremos perante a mais serena normalidade. Mas as autoridades prisionais, não têm nada a dizer? Nem a responder? O que falta acontecer ainda?
Aqui há uns anos, debatia-se o estado em que estávamos e a que nível chegaríamos. Falava-se na preocupação de batermos no fundo. Havia mesmo quem dissesse que já tínhamos batido. Agora, já todos percebemos que batemos. E com tanta insistência que até já furou. Provavelmente já estamos num buraco. Esperemos que não seja sem fundo.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Nova era?
Confesso que não sabia quem eram. Uns rapazolas sem graça, aos pulos, em cantoria sem trambelho, em programa de referência da RTP 1. Eram uns tais d'zrt.
Será a "hermanização" dos "gato fedorento"?
Será a "hermanização" dos "gato fedorento"?
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Vergonhoso internacionalismo
Ingrid Betancourt, candidata à Presidência da República da Colômbia, foi raptada há sete anos. Gente da FARC esteve em Portugal, na Festa do Avante do ano passado. Isso envergonha quem tem vergonha. Não aquece nem arrefece quem acha que aqueles delinquentes armados são libertadores do povo. Aqui lembra-se Ingrid, que democraticamente tentou combater a corrupção no seu país. Os festivos "amigos do povo" que se lixem.
Sou o que digo
Realmente não me interessam tanto as belezas. Do que realmente gosto é de conversadores. Para mim, os bons conversadores são umas belezas porque o que adoro na realidade são as boas conversas. Mesmo a palavra demonstra porque prefiro os conversadores às belezas, porque gravo mais do que filmo. Os conversadores fazem algo; as belezas são algo. É muito mais divertido estar com gente que sabe coisas. Wandy Warhol
Este comentário está dentro de um bonito livrinho. Poderiam ser posts. Trouxe-o de Madrid. E está aqui agora porque Warhol também partiu há vinte anos. Há vinte anos, dois seres humanos extraordinários, deixaram-nos: Zeca e Drela. Duas pessoas completamente diferentes, mas ambas fascinantes.
O título do livro é "Mi Filosofia de A a B y de B a A", porque está em castelhano. É editado pela Tusquets Editores. Penso que não está traduzido para a nossa língua. É pena.
Robert Mapplethorpe Imagem
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Somos nós os teus cantores
A comemoração da morte de José Afonso não me interessa para nada. Prefiro lembrar a vida, sempre. Não me apanham em ladainhas fúnebres, passado tanto tempo. A memória que me ficou de alguns momentos que não esqueço, não mo permitem. Tive o privilégio de com ele conversar, rir, arrasar alarves, comentar músicas e trocar livros. Muitas vezes, nos dias de hoje, lembro-me do que pensaria o Zeca sobre isto ou aquilo: as coisa da nossa vidinha e da vida dos outros, ou seja, da política. Depois disto tudo, queriam que andasse para aí a chorar? Era o que faltava!
Para além deste desabafo íntimo, que compartilho com os meus amigos, não se pode esquecer a elevação de carácter, a grande cultura e as permanentes preocupações humanísticas. Ao nível artístico, foi José Afonso quem conferiu dignidade à Música Portuguesa (assim, com maiúsculas, que é para não haver dúvidas). Nunca foi básico nem populista. Foi ele que resolveu tornar temas populares em sofisticadas entoações. Foi um grande senhor da Cultura Portuguesa. Ninguém, dos que hoje trabalham a arte de elaborar sons, o esquecem. Eu, que ando por outras "artes" também não. Continuo a ouvi-lo. Dizem por aí que morreu. Mas estas músicas, que agora ouço, parece que foram feitas ontem...
Andy Warhol Imagem
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Desarmai-vos e vinde
O primeiro-ministro britânico não quer abandonar o número 10 lá do bairro, sem que os seus guerreiros regressem do Iraque. A procura de armas de destruição massiva, nas terras do defunto Saddam, não passou de tramóia. Para a mentira ser segura, como dizia o poeta popular, e atingir profundidade, tem de ter à mistura qualquer coisa de verdade. Ora, verdade não é carta que se misture naquele baralho. Houve carta na manga. Tony Blair jogou forte. Agora quer sair a meio do jogo. Há jogadas perigosas. Mas tem que haver um fim para este jogo batoteiro.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Mercado de sobas
Também Bush se prepara para desafiar o Irão. Parece que o homem está apostado em fazer da grossa antes de se pôr na alheta.
Jardim chefia uma tribo, empoleirada numa rocha, no meio do Atlântico, contra o governo de um pequeno Estado. Vale o que vale, e não se espera que caia gente em combate. George W. Bush comanda uma seita poderosa, instalada por todo o lado, contra fundamentalismos também muito bem articulados. Há diferenças. A gente conhece-as. Bush continua a ser um perigo, mas para o mundo.
Jardim chefia uma tribo, empoleirada numa rocha, no meio do Atlântico, contra o governo de um pequeno Estado. Vale o que vale, e não se espera que caia gente em combate. George W. Bush comanda uma seita poderosa, instalada por todo o lado, contra fundamentalismos também muito bem articulados. Há diferenças. A gente conhece-as. Bush continua a ser um perigo, mas para o mundo.
Lockout
Alberto João Jardim ameaça o Governo com a demissão do seu gang. Agora é aturar um processo eleitoral com o soba em delírio reinvidicativo. É para isso mesmo que serve este lockout da tribo que manda na Madeira: exibir a insolência contra quem, finalmente, lhe faz frente. Dos chefes do seu grupo já chegou o apoio político. Falta conhecer a reacção de Sócrates e do homem que promulgou a situação, o "senhor Silva", de Belém. É pena tudo isto acontecer já fora do período de Carnaval. Assim, sem a graça da época, não há pachorra para este desfile.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
ARCO 07
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Outros carnavais *
Durante os próximos dias vou andar por aqui.
Diz que é uma espécie de Feira de Arte, mas a sério.
Até quarta.
*Título descaradamente roubado à Sandra
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Socorro!
Não me levem a mal estes desabafos. Hoje jantei num restaurante do Bairro Alto, onde costumo conviver com uns amigos que misturam trabalho com conhaque. Numa mesa perto estava um conhecido e reconhecido intelectual português, nascido lá para meados do século passado, embevecido por uma jovem, parida quase no princípio deste. Nada disto seria anormal não fosse a anormalidade da criatura. Não conseguimos desligar da conversa perfeitamente idiota. O que, aliás, não era difícil, já que o homem se fazia ouvir alto e bom som. Não, não é dor de cotovelo por causa da jovem presa do distinto homem de cultura. Tenho muito mais onde ocupar o tempo. Mas faço uma pergunta ao auditório: será que em Portugal até os intelectuais são idiotas? Tirem-me daqui. Quero ser padeiro na Nova Zelândia.
What a Wonderful World
A violência, no Rio de Janeiro, está a atingir proporções incontornáveis. Em Bagdad, o martírio já é corriqueiro. Noutras paragens, a Al-Qaeda ameaça os poços de petróleo explorados pelos americanos. A violência veio para ficar. Não se vislumbram soluções. O Mundo está cada vez mais perigoso. Estes casos no Brasil, com o exercício de uma violência gratuita e bárbara, revelam a rude realidade de seres humanos a eliminarem-se um a um. Começa a ser preocupante a massificação deste conceito de violência. Não é por acaso que, nos registos televisivos, já se ouvem palavras de ordem clamando "Socorro".
Quem lhes acode?
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Um Salazar em cada esquina
O pior português de sempre, no concurso do Inimigo Público, é, afinal, Salazar. O melhor português de sempre, na opinião do inenarrável Jaime Nogueira Pinto, no programa da RTP 1, é Salazar.
É claro que Salazar só se habilita a ganhar eleições de brincadeira. Mas Nogueira Pinto leva aquilo a sério. Nogueira Pinto é um produto específico do regime deposto nos anos setenta do século passado. Faz o papel de intelectual apologético. Uma espécie de cozinheiro do regime apodrecido. Tenta dar a volta à receita. Acrescenta-lhe aromáticos temperos. Mas o cozinhado está feito há muito. Os estafados argumentos em defesa do ditador já enjoam. A apologia de tão sinistra criatura já cheira a esturro.
É claro que Salazar só se habilita a ganhar eleições de brincadeira. Mas Nogueira Pinto leva aquilo a sério. Nogueira Pinto é um produto específico do regime deposto nos anos setenta do século passado. Faz o papel de intelectual apologético. Uma espécie de cozinheiro do regime apodrecido. Tenta dar a volta à receita. Acrescenta-lhe aromáticos temperos. Mas o cozinhado está feito há muito. Os estafados argumentos em defesa do ditador já enjoam. A apologia de tão sinistra criatura já cheira a esturro.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Divinos castigos
Duas senhoras, com muito boa idade para terem juízo, encontram-se em frente à livraria Portugal, na Rua do Carmo. Justificam o terramoto que ocorreu durante a manhã: "Isto é Deus zangado com esta gente que votou a favor do aborto. É um aviso". Os desabafos continuaram em agressivas alusões a pecados mortais, pecadores imundos, expiações várias. Por fim, uma das senhoras, para dar credibilidade à coisa, convoca para a badalação a opinião do prior que, há uns minutos atrás, lhe confidenciou uma missiva do Senhor: "Deus não castiga, mas avisa". As senhoras ficaram confortadas com a demonstração de imensa sapiência revelada pelo homem de Deus. Isto existe. Não tem nada de grave, é claro. E a Igreja já não nos impinge este proselitismo de pacotilha. A gente já nem está lá para os ouvir. Mas ainda há quem os ouça. E os cite. Nem todos são cardeais patriarcas. Também há uns básicos que dão muito jeito. E andam por aí.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Interrupção voluntária
Agora vem aí o dia dos namorados, logo seguido do Carnaval. Coisinhas leves, portanto. Depois de um ror de um tempo prenhe de seriedade, já cá fazia falta uma interrupção voluntária de tanta reflexão. Vai ser sol de pouca dura, é certo. Até ao verão, não vai faltar assunto para alegrar a nossa vontade de dizer coisas. Coisas leves, pesadas e assim-assim. Interrupção breve, portanto.
Jean-Michel Basquiat Imagem
Mudam-se os tempos...
É justo dizer que a vitória do "sim" não é a derrota de ninguém. Ninguém obriga ninguém contra as suas convicções. O contrário já não seria tão transparente. Percebeu~se, com este resultado, que os pruridos religiosos já não dominam as mentes dos crentes. Está muita coisa a mudar na sociedade portuguesa. Há mais transparência. É bom sinal.
domingo, 11 de fevereiro de 2007
O povo é sereno
Não é vinculativo? Quem tem boca vai a Roma. Quem não participou, participasse. Um referendo sobre matéria tão sensível provoca atitudes muito particulares. Nem toda a gente está disposta a participar. Agora, a opção pelo "sim" enceta novas etapas na resolução do problema. Estamos perante um avanço civilizacional. Há muito trabalhinho para o pessoal da Assembleia da República. E as deputadas do PS apoiantes do "não", que farão agora? O trabalho que agora começa não vai encontrar a concordância nem o empenho das senhoras deputadas. Como a modernidade não clama por inércia, talvez procurarem outros assentos, não?!
Good job
Al Gore esteve em Lisboa. Veio explicar o que estamos fartos de saber: o Ambiente ameaça tornar-se inimigo da Humanidade. Porquê? Porque a Humanidade o tratou mal. Isto é mesmo assim: quem vai à guerra dá e leva. A conferência não foi para todos. Compreende-se. Estiveram lá apenas os "ambientalistas" que decidem o futuro do Ambiente no nosso país. Olhando a galeria de tão relevantes personalidades, ficamos descansados com a nossa irrelevância nesta matéria. Correu bem foi para Al Gore: facturou, e parece que aquilo ainda foi caro. A defesa do Ambiente é um bom negócio.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Só mais esta
ESPALHEM A NOTÍCIA, ou CHAMEM A POLÍCIA ?
Acabo de receber, por vários amigos, a notícia:
um ” blogue do não” usou nas suas páginas uma canção minha, para, em ultima análise, promover os seus pontos de vista em relação ao referendo de domingo.
Para mim, não é um assunto novo. Muitas vezes, canções inteiras foram usadas em contextos ampliados — e muitas vezes amplificados. E muitas outras se apropriaram de frases minhas para dizer — e pensar — outras coisas. Goste ou não goste (e gosto várias vezes) acho que tudo isso faz parte de qualquer acto criativo. Se não o quisesse expôr a esse risco, guardava-o na gaveta. Só que há limites, claro. Desde já, neste caso enganaram-se, não só na intenção, mas no próprio título da canção.
Em vez de “Espalhem a notícia” deviam ter posto (e postado) ”Chamem a polícia”...
A minha canção é uma elegia à qualidade da vida, e tambem à alegria consciente de dar à luz um novo ser.
Nada que se pareça com humilhação, falsas promessas de apoio a gravidezes indesejadas, sugestões de trabalho comunitário para substituir penas de prisão, e outra pérolas que tais.
E sim, sim à vida que a canção exalta e reconhece.
Espalhem a notícia.
Sérgio Godinho
Expiação de pecados
Vale Tudo! - Por falar em confusões, as últimas notícias sobre as posições dos acérrimos defensores do NÃO dizem que afinal o pessoal está disposto a propor, se o NÃO ganhar, uma alteração à lei actual. Qualquer coisa em que se retiraria a pena de prisão substituindo-a por trabalho comunitário. Afinal isto é tudo malta de boa vontade. Trabalho comunitário cheira-me a expiação de pecados. Amén.
Sandra Passos Blogue remendado
Sandra Passos Blogue remendado
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Campeonato Nacional da Hipocrisia
Esta agora do pessoal do "não" andar muito chocado com as declarações do primeiro-ministro, sobre a decisão de a lei não ser tocada, caso o "não" vença o referendo, é de antologia.
Chamam-lhe amuo e má-vontade. Mas afinal para que serviria o referendo? Querem protagonizar todas as atitudes benfeitoras. Que gente tão generosa. Uns defendem maior penalização. Outros dizem não à criminalização. Outros dizem que é mesmo crime, mas o castigo deve ser esquecido. E ainda há os que chamam a esta salgalhada, diversidade e saudável comunhão de ideias. Se o "não" ganhar, e se entretanto não esquecerem todas as piedosas promessas, estamos prestes a assistir a uma espécie de Campeonato Nacional da Hipocrisia. Um tal Castro Caldas está em condições de organizar o evento. Laurinda Alves pode assessorar. O dr. Anacoreta até pode ir contar anedotas, nos intervalos. O dr. Gentil facultará o diploma de curso, para cartaz da iniciativa. Se outros motivos não houvessem, os comportamentos pouco credíveis destes cidadãos, justificam um grande SIM no dia 11.
Sejam hipócritas, mas não abusem. Tudo tem preceito.
Chamam-lhe amuo e má-vontade. Mas afinal para que serviria o referendo? Querem protagonizar todas as atitudes benfeitoras. Que gente tão generosa. Uns defendem maior penalização. Outros dizem não à criminalização. Outros dizem que é mesmo crime, mas o castigo deve ser esquecido. E ainda há os que chamam a esta salgalhada, diversidade e saudável comunhão de ideias. Se o "não" ganhar, e se entretanto não esquecerem todas as piedosas promessas, estamos prestes a assistir a uma espécie de Campeonato Nacional da Hipocrisia. Um tal Castro Caldas está em condições de organizar o evento. Laurinda Alves pode assessorar. O dr. Anacoreta até pode ir contar anedotas, nos intervalos. O dr. Gentil facultará o diploma de curso, para cartaz da iniciativa. Se outros motivos não houvessem, os comportamentos pouco credíveis destes cidadãos, justificam um grande SIM no dia 11.
Sejam hipócritas, mas não abusem. Tudo tem preceito.
Eduardo Nery
Eduardo Nery inaugura hoje uma exposição dos seus mais recentes trabalhos. É na galeria São Mamede. Nós, na DDLX, fizemos o site do artista. Passe por lá, pelo site, e apareça na galeria. O trabalho de Nery merece uma visita.
www.eduardonery.pt
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Gato escaldado...
O pequeno filme que aborda a hipocrisia marcelista foi dos mais vistos de sempre na blogosfera: Ricardo Araújo Pereira é notável no arremedo. Anda por aí grande alarido por mor do programa dos "gato fedorento". Houve em tempos um ministro de Santana que se irritou com a falta de contraditório nas alocuções domingueiras de Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez, são os defensores do "não" que se queixam dessa falta. É assim: quem tem vida visível, ou não tem opinião, ou se a tem e a revela, deve convocar qualquer coisa que a contrarie nos instantes seguintes. Seria a proclamação da uniformidade. Todos de acordo, sempre. O que incomoda os afanosos defensores do "não", é o pecado dos "gatos" na defesa do "sim". Não gostam de brincadeiras com o que defendem, mas sim com o que ofendem. Só que o humor não é isso. E, em democracia, as pessoas têm opiniões. Ora, os homens dos "gato fedorento" também são gente. E gostam de o ser. É só isso.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Já recebeu a sua medalha?
Souto Moura, o homem que na procuradoria fez o que pode sem se perceber se fez alguma coisa de jeito ou não, foi condecorado pelo Presidente da República. Em país de condecorados, não é por mais um que o gato vai às filhozes. Aliás, por este andar, não haverá cão nem gato que não ostente medalha pendurada na coleira. Com o brioso perfil de Moura, não falta por aí quem mereça semelhante condecoração. Cavaco empenha-se no desenvolvimento da indústria nacional da medalhística. Visto pela lente do desenvolvimento económico do sector, poderá constituir um bom alento.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Veja as diferenças
Os participantes espontâneos no programa da RTP Os Grandes Portugueses são, na sua maioria, apologistas da figura de Salazar. Apesar de Salazar não ter sido grande apreciador de grandes discussões e verborreias, estes seus defensores têm saudades suas e manifestam-no. Tanta vontade de intervir leva-nos a crer que, caso vivessem no seu tempo, por certo gostariam que o ditador os deixasse dar ao badalo. Ora, seria melhor que tirassem o cavalinho da chuva: com Salazar este programa não existiria; sem Salazar até é possível ser salazarista. Há diferenças. Obviamente para melhor.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Marcelo humorista
Maria Flor Pedroso, no único momento verdadeiramente interessante do programa, indagou o professor sobre a paródia de Ricardo Araújo Pereira no Gato fedorento do passado domingo. Marcelo, sempre magnânimo, diz que gostou. Gostou e louvou o pluralismo na RTP. Flor recorda-lhe que é o filmezinho de humor mais visto na internet.
O professor reage de imediato: que não, que os mais vistos são os dele, no seu site, afiança. Fugiu-lhe a boca para a verdade? E nós a pensarmos que aquilo era a sério.
Deambulatório
Dei uma passeata pela blogosfera e decidi fazer umas alterações na relação de clínicas privadas, ali ao lado. A Sandra Passos resolveu meter mãos ao teclado: escolheu um nome para o blogue, baseado no título de Luíz Pacheco "Diário Remendado", mas o nome já existe e é um muito interessante sítio do Pedro Nunes. A Sandra resolveu alterar o nome para Blog remendado.
O Pedro Rolo Duarte, no seu programa diário Janela indiscreta, escolheu como blogue da semana A gaveta do Paulo, de Paulo Kellerman. Fui lá e também gostei. Há portanto três novas entradas: Diário remendado, Blog remendado e A gaveta do Paulo. Passem por lá.
O Pedro Rolo Duarte, no seu programa diário Janela indiscreta, escolheu como blogue da semana A gaveta do Paulo, de Paulo Kellerman. Fui lá e também gostei. Há portanto três novas entradas: Diário remendado, Blog remendado e A gaveta do Paulo. Passem por lá.
sábado, 3 de fevereiro de 2007
O humor é bom conselheiro
Winston Churchill, para além de grande estadista, foi também um ser humano fascinante. É isso que se percebe nas várias edições que sobre ele vão saindo. Este pequeno livro relata ocasiões em que o político britânico esbanjou humor. Era uma das suas facetas. E, quem aqui as conta, andou lá por perto, ouviu e agora vem contar tudo neste curioso livro. Aí vai um cheirinho:
Enquanto fazia campanha em 1900, conta-se que, no meio de uma acção de rua, o jovem Churchill se terá aproximado de alguém que lhe disse: "Votar em si? Foge, preferia votar no diabo!" "Compreendo" respondeu Churchill. "Mas no caso de esse seu amigo não concorrer, posso contar com o seu apoio?".
A Sabedoria e o Humor de Winston Churchill é o título
Dominique Enrignth compilou as histórias
Pedro serras Pereira traduziu
Neusa Dias fez a capa
Silvina Sousa fez a revisão do texto
Casa das Letras editou
Preço de editor: 18,00 euros
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Último tesão
Alombo contigo há uma porção de anos
e vou-te dizer és um chato
não tens ponta de paciência
para a vida nem para ti próprio
já te ouvi discursos a mandar vir
já te carreguei às costas
bêbedo como um Baco de aldeia
mijando as ceroulas
és um adolescente retardado
faltou-te sempre a quadra do bom senso
vez por outra um livrinho
de versos vez por outra nada
qualquer um do teu tempo
está bastante melhor do que tu
deputado administrador de empresa
ministro da maioria
puta (alguns chegaram a isso)
só tu meu inocente brincas com a neta
açulas o cão pedindo
à família que te ature
o tipo um dia destes morde-te
que é para aprenderes
mas aqui entre amigos
vou-te dizer também
uma coisa importante não cedas
à tentação de mudar
fica nesta pele que é tua
como é que tu escrevias
merdalhem-se uns aos outros
o país mete dó
guarda o último tesão
para mandares
meia dúzia de canalhas à tabua
Fernando Assis Pacheco Texto
Júlio Pomar Imagem
Já o tempo se habitua

Cristina Branco vai cantar José Afonso, no São Luiz. Começa hoje. Gosto do Zeca, gosto da Cristina...
Vamos lá a ver...
sim
Estou há quase um mês a escrever um post sobre o aborto. Está a ficar cada vez mais pequeno. Há-de acabar aí com umas três letrinhas.
João Pedro Henriques Glória fácil
João Pedro Henriques Glória fácil
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Unidos "não" vencerão
Há quem se choque com as declarações de Helena Pinto, deputada do Bloco de Esquerda, a propósito da participação da extrema-direita na campanha do "não". De facto, não se percebe a razão que leva a deputada a tomar tão indignada atitude. Olhando em volta, e ouvindo os argumentos dos seus mais ladinos representantes — de Aguiar Branco a Laurinda Alves, passando pela viúva Sousa Franco e pela clinico-fadista Kátia Guerreiro — os opinadores do "não" parecem cozinhados no caldeirão das direitas mais retrógadas. A extrema-direita limitou-se a entrar na cozinha para engrossar o caldo.
Se se sentem lá bem, todos juntos, deixá-los.
Se se sentem lá bem, todos juntos, deixá-los.
A vida é bela
Estou de acordo com José Pacheco Pereira acerca da utilização de malta miúda na discussão sobre o aborto. Não havia necessidade. Também não percebo a utilidade de uma ruidosa campanha festiva. Gritar palavras de ordem, em alegres desfiles, não me parece adequado ao que se debate. Fala-se de dignidade na vida. Mas isso não tem que ser um permanente festejo.
O processo exige serenidade. E seriedade.
A vida nem sempre é uma festa.
O processo exige serenidade. E seriedade.
A vida nem sempre é uma festa.
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