sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Lei das Finanças Locais


Lá por ser constitucionalmente aceite não quer dizer que seja uma boa lei, garante Fernando Ruas, presidente dos autarcas portugueses.
É como o Poder Local Democrático: é eleito e é local, mas como Poder não é grande coisa.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Mau negócio


Saddam Hussein desfez-se da máscara de tirano e prepara-se para vestir o figurino da vítima. Está pronto para morrer pelo Iraque, diz com prosápia. Lá, na nação árabe, as manifestações de unidade em redor do ex-ditador sucedem-se.
Bush e os guerreiros aliados conseguiram esta suprema proeza, digna de personagem de Pirandello: um déspota transforma-se, com certificado de resistente ao invasor, em mártir do seu povo. O regozijo da administração americana contradiz a sua fraqueza. O conflito não tem fim à vista. Surgem os mártires de referência. É uma espécie de merchandising da guerra. Mas, este negócio não é bom para as forças aliadas. Nem para as forças aliadas, nem para ninguém.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Justiça divina

Foi confirmada a condenação de Saddam. O dia da morte do ex-presidente do Iraque será histórico, diz a liderança americana. Decerto não será por assim se decidir o fim da guerra, mas sim por assinalar mais uma etapa no desenrolar do conflito. O deus do ex-ditador iraquiano perdeu esta jogada contra o deus de Bush. Daí a alegria lá para os lados de Washington. Nesta competição entre justiças divinas há derrotados evidentes: os que caem mortos, todos os dias.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

O azar da sorte

A igreja católica, pela voz do seu representante máximo em Portugal, aproveita a data atribuída ao nascimento de Jesus para criticar quem se preocupa com a prática do aborto clandestino.
A igreja católica é assim: aproveita o que for preciso para dar valor à vida. Os abusos sexuais a menores (muitas vezes praticados por padres), ou a prática da caridade redentora, apelam a este valor fundamental. A vida é um direito de todos. Só que há uns que nascem com pouca sorte. Azar deles, não é verdade senhor cardeal?

Olá cá estou eu


Somos uns pimpões na troca de comunicações celulares. Nos últimos dias deu-se um autêntico festival de comunicações móveis.
Os portugueses gastam balúrdios em mensagens de telemóvel.
Cristãos e não-cristãos são possuídos por uma súbita vontade de desejar felizes festividades a familiares, amigos e conhecidos, nesta época. Ajudam-se assim as milionárias operadoras que gerem o negócio como querem, sem qualquer preocupação em prestarem um bom serviço. Cada vez estamos menos uns com os outros. Preferimos comunicar escondidos atrás do objecto portátil. As empresas do ramo agradecem.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Noite de gula

O Natal é quando um homem quiser? Não estou muito de acordo. É mais enquanto houver comezaina na mesa. A comemoração exige um apetite devastador. Eu, que até não sou crente, estou gastronómicamente preenchido. Imagine-se se levasse isto a preceito!

domingo, 24 de dezembro de 2006

Noite de paz


Noite de Natal. Comemoramos o nascimento do deus-menino, diziam-me em menino. Cresci. Hoje não passa de uma oportunidade de estar com a família que vejo com pouca frequência durante todo o ano. Isso é bom. E não me incomoda nada se o motivo é o nascimento do tal menino.
Come-se qualquer coisa, bebem-se uns copos, abrimos as prendas e pronto, amanhã cá estaremos para recomeçar tudo de novo. Terça-feira tudo voltará à normalidade. Sim, o Natal não passa de uma enormidade consumista e de uma alarvidade gastronómica, mas gosto deste excesso. Bom Natal para os cristãos e simplesmente boas festas para os que não o são. Passem uma noite agradável, todos.
Josefa de Óbidos Imagem

sábado, 23 de dezembro de 2006

Do fundo do coração

Agradeço as muitas mensagens de solidariedade que me foram enviadas. O encerramento dos comentários não é uma vitória dos trogloditas que proferiram insultos. É apenas o meu comodismo que me impede de perder tempo com gentalha pérfida.
O agradecimento estende-se aos que assistiram à falta de decoro com que a presidente da Câmara Municipal de Setúbal me respondeu na sessão da Assembleia Municipal. É verdade: não abordou o que interessava e ensaiou um ridículo auto-elogio. Ou seja, não respondeu a rigorosamente nada. Mas, assim se vê o nível dos autarcas em exercício na cidade do Sado.
Santana Lopes tinha razão: o seu azar foi a comunicação social ter feito alarido das trapalhadas. Em Setúbal isso não acontece. É essa a sorte de Dores Meira.
O estalinismo, hoje, até poderá trocar o agressivo bigode por uma simpática cabeleira loura. Mas a ilusão autoritária está nas faces que os adornos capilares enfeitam. O estalinismo morreu, mas a presidente nomeada para a autarquia setubalense ainda não percebeu.
O autoritarismo esconde a evidente incompetência. Enquanto esta gente estiver no edifício da Praça de Bocage, não tenciono mexer uma palha na cidade onde dei os primeiros berros após o nascimento.
Admito voltar a berrar, de alegria, no dia em que estas criaturas forem para os seus lares. Até lá, poderei publicar aqui comentários que me enviem. Eu, pessoalmente, não tenciono incomodar-me nem mais um segundo com o assunto. É ponto final, mesmo.

PS - Uma nota de simpatia para quem dirige os trabalhos na Assembleia Municipal: Odete Santos, Alberto Pereira e Hélio Bexiga. A cor partidária, mesmo quando desbotada, nem sempre retira o colorido a quem encara a vida e a politica com sentido de responsabilidade democrática e cultura humanística.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

No coments


Este blog deixou de ter comentários. Nos últimos dias choveram insultos a todos os colaboradores da casa. Não tenho vocação para polícia. E, enquanto não contrato a candidata do retrato, resolvi retirar os comentários de bestas quadradas que só usam o tino para incomodar. Isso dá um trabalhão. Essa gente não merece o mínimo esforço. Peço desculpa aos fregueses que contribuiram com opiniões civilizadas. Esses, podem continuar a passar por cá. Vamos recuperar a voz dos pacientes do blogoperatorio. Os insultos serão colocados de imediato no seu lugar: o lixo.
O e-mail está linkável ali ao lado - urgências.
Apareçam.

Dia Mundial do Orgasmo

Um dia feliz para todos.

Os Anjos de Meira

O país já esqueceu Setúbal. O despedimento de Carlos de Sousa e a nomeação de Dores Meira já não fazem notícia.
Tentei esclarecer ontem, na sessão da Assembleia Municipal, as ofensas que a presidente da Câmara contra mim arremessou, em sessão anterior.
O meu terrífico crime é não estar de acordo com a ideia bacoca de se andar à cata de padrinhos frustes para as escolas do concelho, e, pasme-se, atrever-me, como membro de uma associação de pais, a revelar publicamente opinião sobre o assunto.
A presidente da Cãmara fala sempre em tom de desafio. Começa por revelar a minha ignorância sobre o que está a acontecer em Setúbal. Estou enganado: o projecto não se chama padrinhos das escolas, mas sim estrutura-não-sei-quê onde se integram os padrinhos das escolas. O esclarecimento foi oportuno, confesso. Como pude viver até hoje nesta ignorância? Fiquei também a saber que cantores de feira são a grande novidade primavera/verão nas escolas da cidade. "Os Anjos", por exemplo, estão entusiasmados com os petizes setubalenses. Quanto ao resto, não percebi o que me vai acontecer. Estarei ilibado do hediondo crime? A senhora fica furiosa quando o alvo da fúria não está na sala: insulta, insinua, ameaça até com idas a tribunal. Perante o réu, a tempestade acalma.
Mas, a ameaça paira sempre no discurso da autarca: os artistas/padrinhos não vão gostar de saber o que penso do projecto, diz. Teme-se o pior. Pelo sim, pelo não vou encaminhar-me para Lisboa logo de manhâzinha.
Setúbal está mal entregue, é certo. Mas para este carnaval eu não me vou mascarar mais. Volto à noite, para dormir.
De noite, todos os gatos são pardos.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Montra IX


Este livrinho é uma obra-prima. Em apenas cento e trinta páginas, Philip Roth aborda, de uma forma perturbante, o erotismo na velhice. Henri Miller já o fez, igualmente com maestria. Aqui, Roth confere-lhe contemporaneidade.

O Animal Moribundo é o título
Philip Roth escreveu
Fernanda Pinto Rodrigues traduziu
Henrique Cayatte tratou da imagem em colaboração com Rita Múrias
Mário Feliciano desenhou a fonte tipográfica
Manuela V. C. Gomes da Silva fez a revisão do texto
Dom Quixote editou
Preço de editor: 15,00 euros

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Montra VIII


aqui falei (em 6 de Setembro passado), destes objectos. Ajudam-me a proteger os livros enquanto são manuseados durante a leitura. São em pele, e vendem-se na Carmo e Trindade, no Largo da Trindade, mesmo em frente ao teatro com o mesmo nome. Também se podem comprar por lá outros artigos: malas, carteiras, porta-moedas, habitam este simpático espaço. Uma visita que poderá ser solução para o problema de prendas e prendinhas. Tudo concebido e fabricado em Portugal.

Setúbal

Amanhã, quinta-feira, terá lugar a Assembleia Municipal onde vou saber que mal fiz à presidente da Câmara.
Tudo isto é lamentável. É o preço que pagamos por sermos cidadãos e vivermos em democracia.
Até amanhã.

Amarte-ei até te matar

Não sou "cliente" do PSD. Nunca o meu voto serviu para delegar em dirigentes daquele partido qualquer tipo de governação (nacional ou regional).
Contudo, intriga-me a preocupação de muita gente com as manifestações de desconforto com a actual direcção. Não percebo. Será que se acha que devemos seguir cegamente quem se apresenta à nossa frente? Nunca nos enganamos quando fazemos escolhas? Não tenho nada a ver com a vida dos outros, mas, neste caso, estou com os militantes do PSD que se interrogam. Se calhar defeito meu: prefiro a interrogação ao agitar de bandeiras de pano ruim. Parece-me que quem condena o debate está de fora. Mas, quando se perfilam como alternativa à liderança Rio e Menezes, não é de melhoria significativa que falamos. Falamos, isso sim, do regresso da moeda má, como dizia o outro.
Ai, ai, que nunca mais partimos o mealheiro.

Montra VII


Este livro de Mário Vargas Llosa conta a história de um amor à beira da tragédia. A história de uma doce rapariga má que arrasta um jovem pelo terreno escorregadio de uma perigosa relação. De que se fala quando se fala de amor? Perguntava Carver. Fala-se de prazer mas também de dor. Fala-se de algo que não se consegue definir. "Muito padece quem ama", dizia uma canção popular recolhida pela brigada Victor Jara. Mais padece quem lê, direi eu depois de ter passado os olhos por este trabalho maravilhoso. De todos os livros aqui sugeridos, este é o que mais me impressionou. Um prazer e um sofrimento, também para o leitor.

Travessuras da Menina Má é o título
Mário Vargas Llosa pôs as palavras no papel
J. Teixeira de Aguilar traduziu para português
Henrique Cayatte tratou da imagem em colaboração com Rita Múrias
Mário Feliciano desenhou a fonte tipográfica
João Pedro George fez a revisão do texto
Dom Quixote editou
Preço de editor: 18,25 euros

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

O apito de Maria José


Carolina Salgado é um fenómeno: figura nas primeiras páginas dos jornais e abre os noticiários televisivos. A editora que revelou os seus desabafos é próspera e influente. Carolina retribui a simpatia com um sucesso de vendas. Agora vai ser recebida pelo tira-teimas — Maria José Morgado.
Vencerá a novel escritora este desafio? É certo que o homem das Antas está mais habituado a ganhar campeonatos.
Mas agora a arbitragem é outra.

No fundo da sala

Somos os últimos entre os que já cá estavam. Entretanto, já fomos ultrapassados pelos três que entraram em 2004. Neste baile, ou acabamos sentados ao canto da sala, ou a dançar com a mais feia. Nada nos fará saltar na pista?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Montra VI


João paulo Martins faz todos os anos uma viagem pela produção de vinhos nacional. Que é como quem diz, uma exaustiva prova das beberagens que por cá se vão fazendo. Este é já o décimo terceiro ano que publica este guia. Segundo a editora é o mais vendido em Portugal. É, de facto, muito completo e bem escrito. Um bom guia para quem não quer correr muitos riscos. inclui uma lista destacável para as provas diárias.

Vinhos de Portugal 2007 | Notas de prova é o título
João Paulo Martins provou e escreveu
Atelier Henrique Cayatte com Rita Múrias fizeram a capa
Eulália Pyrrait fez a revisão dos textos
Dom Quixote editou
Preço de editor: 16,65 euros

Um sopro na justiça

Maria José Morgado foi designada para resolver o imbróglio do "apito": o objecto que não é dourado por prestígio mas sim por dar brilho a sacanices várias.
A nova responsável pela investigação diz, com todas as letras: "Temos de apresentar resultados". Raramente isso tem acontecido. Esperemos que agora as coisas melhorem. E que este caso seja um indício para um melhor funcionamento da Justiça.
O "apito dourado", para dar o exemplo, precisa de um valente sopro.
Terá Maria José Morgado fôlego para esta empresa?
Esperemos que sim.

domingo, 17 de dezembro de 2006

As dúvidas do Presidente

Tinha de se dar um dia: Cavaco está com dúvidas. É a Lei das Finanças Locais que lhe desperta apreensão. Jerónimo de Sousa está com ele. Mas Jerónimo não tem a mínima dúvida: tudo deve ficar como até aqui. O controle regional, onde impera o partido dos "autarcas modelo", corre riscos. Os tais autarcas só funcionam com dinheiro. Com muito dinheiro. É um modelo caro manter este luxo dos autarcas exemplares. Seria um mau exemplo ceder a pressões dos Jerónimos e Jardins da vida regional.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Montra V


Ludovico Einaudi é músico. Pianista. Aqui ficam mais três trabalhos gravados. Una Mattina é um dos meus preferidos: um regalo para os ouvidos. Andam por aí à venda. É ouvi-los. Aposto que, quem não conhece, terá uma agradável surpresa.
I Giorni
LeOnde
Una Mattina
Preço aproximado: 18,00 euros

Montra IV


De Ludovico Einaudi, mais duas sugestões para o sapatinho.
Estes são os trabalhos mais recentes do músico italiano.
Boas audições.
Diario Mali com Ballaké Sissoko
Divenire
Preço aproximado: 18,00 euros

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Sexo, mentiras e futebol

Recorrentemente, o "desporto-rei" é ilustrado com "gordas" nos jornais. E, muitas vezes, são as mulheres dos senhores do futebol que engordam as notícias sobre a modalidade. Tudo está bem enquanto andam aos beijinhos e abraços. Salta a mão para a anca e a boca para o trombone logo que a coisa se desfaz. Há quem se queixe de uma descarada promiscuidade entre política e futebol. Falta uma bola para esse saco: sexo. Que tal convocarem-se especialistas em enamoramento e em comportamentos de incidência sexual para o grupo de magistrados que anda de roda destes casos?
Se calhar, gente com a estrutura de Francesco Alberoni e Júlio Machado Vaz, por exemplo, eram úteis ao processo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Ricos e influentes

São ricos e poderosos. Posam para as revistas da vida airosa e povoam o trottoir empresarial. Os carros de esdrúxula cilindrada rolam sem modéstias. Não lhes falta nada. Nada? Bem, os impostos estão em atraso. As dívidas ao fisco deixariam sem sono qualquer mortal. Mas que importa tão mesquinha preocupação? O público da imprensa cor-de-rosa até perdoa os audazes. O que nos faz falar é a inveja. Sim, provavelmente é isso: temos inveja da baboseira armada ao pingarelho. Somos uns tansos inábeis. Uns indigentes sem farpela para o retrato social.
Eles são podres de ricos. É verdade: já cheira.

Montra III


Raul Miguel Rosado Fernandes escreveu um livro sobre o seu passado. Memórias pessoais e abordagens a uma época, vivida com tanta intensidade por muitos de nós, são tratados por uma escrita poderosa. Recomenda-se a quem não sofra de sectarismo primário, nem aprecie o politicamente correcto. Encontramos um homem amargurado com o rumo do mundo e desencantado com os seus pares. Uma vida contada de forma desinibida, excessiva por vezes, ou seja, pautada pelo exercício da determinação e da coragem. E não andamos nós fartos de meninos de coro bem comportadinhos?

Memórias de um rústico erudito é o título
Raul Miguel Rosado Fernandes escreveu
Cotovia editou
(Por sugestão do meu amigo Luciano Rocha, passo a mencionar o custo dos livros e discos recomendados)
Preço de editor: 28,35 euros

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Montra II


José Eduardo Agualusa reuniu vinte histórias anteriormente publicadas na imprensa. A maior parte na revista do Público, a Pública. Rescreveu-as para inclusão neste belíssimo livro. São contos para viajar: caminhos que se cruzam no nosso imaginário, sem destinos definidos. É um bom livro para "andar de comboio", por exemplo. Já o fiz e gostei desse prazer. A excelente capa foi fabricada por Henrique Cayatte e os caracteres tipográficos desenhados por Mário Feliciano. O Mário tem como ofício desenhar letras, e fá-lo muito bem. Tudo isto faz deste livro um objecto bastante atraente para fazer parte do rol de prendas da época. Mas também para regalo de quem presenteia, garanto.

Passageiros em Trânsito | Novos contos para viajar é o título
José Eduardo Agualusa escreveu
Henrique Cayatte tratou da imagem
Mário Feliciano desenhou a fonte tipográfica
Fernanda Abreu fez a revisão do texto
Dom Quixote editou
Preço de editor: 14,40 euros

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Poder Local... Democrático


Foi há trinta anos que tudo começou. O povo elegeu as pessoas que os partidos nomearam para o efeito. O Poder Local Democrático é uma grande conquista de Abril, dizem uns. Não partilho desse entusiasmo. O pior da vida democrática também passa por esta colectividade. Basta ouvir os autarcas que se gabam da acção do cimento puro e duro.
O argumento de que nada existia é curto. Como se passado tanto tempo tudo pudesse estar na mesma. O que cresceu a olhos vistos foi a especulação. Há mais casas do que portugueses, mas há centros históricos ao abandono. Se a isto adicionarmos a corrupção e o pato-bravismo galopantes..., ficamos conversados. Também há coisas boas, claro. Mas na relação qualidade-investimento, o resultado é fraquinho, muito fraquinho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Argumentações


Elton John anda em cantorias pela Austrália. Um dia destes perguntaram-lhe se tinha alguma coisa a dizer ao primeiro-ministro.
O chefe do governo australiano é um firme opositor ao casamento entre homossexuais. O cantor é "gay" e casado. A resposta foi rápida e objectiva: "Na peida".

Fonte BBC

Em nome da lei

O arcebispo Ortiga decreta que, seja qual for o resultado do referendo, o aborto "continuará a ser crime". Declara também que a igreja católica é culpada pelo ateísmo, por dificuldades de comunicação.
Tudo seria facilitado se o ateísmo fosse considerado crime, por decreto.
Como isto era mais fácil no tempo em que os senhores da igreja ditavam o que era a justiça e a fé.

Rei pasmado

Duarte de Bragança fica espantado com a quantidade de gente que ouve o que ele diz. Uma das coisas que disse, em entrevista a Maria João Avilez, na SIC-N, foi que são entregues trabalhos de prevenção e combate a empresas que, se calhar, andam a atear os fogos que se propõem controlar. Disse isto com o maior à-vontade do mundo. Será que sabe algo que mais ninguém sabe? No meio de tanta futilidade, até passou despercebido. De facto, não se percebe como ainda há quem oiça o que ele diz.

E os outros?

Pinochet já lá está. Morreu velhinho. Ele que não deixou viver tanta gente. Mas o ditador não ditou as regras sozinho. Existe uma hierarquia da morte. Não foi ele que mandou disparar a pistola no momento das execuções. Os outros, os fazedores do regime, ainda lá andam. Era justo, em nome do direito que qualquer ser humano tem à vida, que fossem chamados à responsabilidade.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Já lá está


A extrema-unção deve ter provocado algum embaraço entre os burocratas da Fé. Mas tudo parece estar resolvido: a festa é noutro lado.
Os sacramentos fazem o que podem. A Santa Madre Igreja pode andar distraída. Mas "lá em cima" não deve andar tudo cego.
Esperamos.

Bandeira Imagem

Ironias

Alberto João Jardim ameaça Sócrates propondo mobilizar todos os descontentes com o Governo. O que é preciso é derrubar o executivo.
O Governo classificado por alguns sindicalistas como o mais à direita de sempre em democracia, corre o risco de enfrentar uma abrangente coligação liderada por trogloditas de direita. Ironia dos tempos que correm.

Nascido para mandar

Morais Sarmento não acredita em Marques Mendes. Também Santana Lopes, seu primeiro-ministro, não é galo para o poleiro que está a construir. Sarmento nasceu para mandar, mas ainda não recebeu a convocatória. Entretanto, vá de bater no ocupante do almejado lugar.
A teoria da incubadora está de volta. Só que o "pequeno" é outro.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Ai a tola

Não vou muito "à bola" com a malta da bola. Tudo aquilo é demasiado viciado e as negociatas secretas afastam-me. O desporto não anda por ali. Agora apareceu uma rapariga que escreveu um livro para arrasar um senhor da bola. A escritora Carolina resolveu abrir as goelas nos telejornais e a coisa até resultou: teve mais antena do que a candidata Ségonèle, por exemplo. Carolina parece não estar boa da tola, mas eu até vou "à bola" com o que ela diz. A senhora estará perturbada, mas não é difícil acreditar que quem não tem vergonha na tola são os senhores da bola.

Jardim volta a atacar

Agora desafia o Presidente para que dissolva a Assembleia Regional da Madeira. Cavaco já conhece este filme. Alcançou assim a maioria absoluta quando governava o País. Jardim quer jogar no tabuleiro que Cavaco conhece. O pior, para ele, é que o Presidente da República trocou de tabuleiro: as jogadas de Cavaco, hoje, são outras. Jardim terá que se convencer de que este jogo já perdeu.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Montra I


Nos próximos dias faremos a divulgação de objectos que poderão ser algumas ideias para presentes.
Para além de não esquecermos outras realidades, claro.
Primeira sugestão: Espremedor de citrinos de Philippe-Starck..

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Esclarecimento


Maria Cavaco Silva, esposa do Presidente da República, resolveu esclarecer-nos sobre o seu paradeiro político: "Sou de centro-esquerda", disse à Visão. Já tínhamos reparado na deslocação de Cavaco. Percebemos agora que, provavelmente, esse resvalar é devido a uma legítima combinação familiar. Não nos venham, portanto, com essas lamurientas lengalengas de que o Governo é de direita. O Poder em Portugal é exercido por uma saudável convivência de centro-esquerda. Já não há dúvidas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Agora deu-lhe para leituras


Bush prometeu que vai estudar, "de forma muito séria", um documento que propõe uma mudança estratégica no Iraque. Parece que o homem resolveu ler qualquer coisa sobre o assunto. Como não se lhe conhecem hábitos de leitura, teme-se que o resultado de tão grande esforço só se conheça daqui por muito tempo.
Há quem diga que já anda a ter explicações de inglês.
Sempre é alguma coisa.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Mar agitado

Aos primeiros rumores temi o pior: Arrastão virou-se em Setúbal. Depois percebi que era o Mar Salgado que estava encalhado nas docas sadinas. Será que o Daniel se passou com a malta do mar? Ao mergulhar na notícia, tudo se esclareceu. Afinal, foi só um navio de pesca, com vinte e sete toneladas de gasóleo e quatro toneladas de peixe, que se virou.
Nem todas as más notícias acabam assim tão mal.

Mentirosos

Pinochet continua a enganar o Criador. Esta não foi a única extrema-unção que recebeu: já conta com umas quantas no rol. Diz que é a família que exagera na gravidade da enfermidade do ex-ditador, para o safar do banco dos réus.
Que família de mentirosos.

Fora com os empecilhos


Chavéz é de novo presidente da Venezuela. É populista? É. É brutinho? É. Mas os venezuelanos escolheram-no. Sem batota. Este borra-botas sem grandes maneiras venceu os pipis da tabela que só gastam do politicamente correcto. Se calhar, Rui Gomes da Silva tem razão: os intelectuais são uns empecilhos. São políticos como este que ganham eleições. Ora se a malta do PPD-PSD já tem um general desta envergadura, por que carga de água insistem em soldados rasos? Corram, corram ao Funchal e tragam-no. É gordinho: faz um bom boneco. Assim como assim, já está habituado a vociferar em todas as direcções. E é o dirigente político que consegue envergar mais farpelas tribais. Isso é um dom. Bem sabemos que isto não é a América latina. Mas pode ser uma ideia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Fatalidade


Senhorios propõem acordos fora da lei. Sempre que se tenta dar seriedade a seja o que for, aparecem as fugas ao rigor. Rima e é verdade. É preciso é um gajo safar-se. Na terra do toca e foge cada um faz por si. Quando o edifício ruir, quem lá estiver que se amanhe. É a nossa sina.

Charles Sheeler Imagem

domingo, 3 de dezembro de 2006

Pecados extremos

Pinochet está moribundo. Já recebeu a extrema-unção. Presume-se que os pecados tenham sido perdoados. Nesta matéria, pecados e afins, o ex-ditador tem uma extensa folha de serviços. Longe de mim desejar o fim de alguém. Mas tendo confessado a responsabilidade no desaparecimento de cerca de três mil pessoas, e na certeza de que todos morreremos um dia, que a terra lhe seja leve... como o chumbo.

Arranja-me um emprego


Em Portugal o abandono escolar é preocupante. O país precisa de gente qualificada. Uma das formas de qualificar é promover o estudo, claro está. O resultado desse estímulo são as licenciaturas nas várias áreas profissionais. Mas entre os jovens licenciados quase 30% estão desempregados. Quem quer ser prior nesta freguesia?
Preso por ter cão, preso por não o ter.

Howard Hodgkin Imagem

sábado, 2 de dezembro de 2006

Má moeda

Gaia está a fabricar um novo líder para o PSD. Menezes convidou o santanista Rui Gomes da Silva para animar um concorrido jantar. O ex-ministro de Santana Lopes botou discurso: "Hoje, começa aqui uma nova etapa. Temos dois anos para preparar o que vamos dizer aos portugueses na campanha eleitoral". Disse ainda que, para além do que ganha eleições, há o partido "dos intelectuais, que não gostam de ir a almoços porque não gostam de estar com muita gente, dos que gostam de estar em S. Caetano (à Lapa, sede do partido). "Se calhar, há dois PSD", conclui. No jantar nortenho ninguém parece ter percebido que não é por aqui que o PSD vai lá. E o outro PSD, o dos intelectuais que não gostam de confusões, já percebeu o que tem a fazer? Uma coisa é certa: a má moeda de Gaia não vai entrar no mealheiro de Cavaco. Assim, desta maneira, o governo do Presidente vai continuar a ser outro. Pelos vistos, por muito mais tempo.

Bazar Utilidades

O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que a Turquia pode dar "muito jeito" à União Europeia.
Finalmente percebemos a utilidade de Istambul para a velha Europa: electrodoméstico de uso prático.
Deve dar muito jeito para arrumar a casa desta família que cresce de dia para dia. Não se esqueçam é do talão de garantia. Também dá jeito tê-lo à mão.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Abate, já!

Hoje tropecei na árvore plantada na Praça do Comércio. Quer dizer: fiquei retido no trânsito da Rua do Ouro. Quem, por distracção, se mete por ali, está condenado a suportar uma bicha sem fim à vista (passava para lá do Marquês de Pombal). A parolada que ali circula resolve abrandar a marcha logo que assoma a dita "maior árvore de Natal da Europa".
Aquela coisa é horrorosa. Mas nós somos assim: como parolos somos logo candidatos a melhores da Europa. E do mundo, digo eu.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Pelo sim, pois

A data foi marcada pelo Presidente da República. Onze de Fevereiro será o dia em que a população portuguesa fará uma escolha histórica.
E a História contará: se em Portugal se preferem as ancestrais condenações, ou, se pelo contrário, optamos pela tolerância e pela evolução dos comportamentos.
Há condenações que envergonham. Mas há quem as defenda. O debate não deverá trazer nada de novo. Todas as diferenças estão esclarecidas. Esperemos que não se pise o estrado do folclore obsceno.
Quem defende o direito a decidir sobre a sua vida com dignidade
não o merece.
JTD

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Flexiquê?

A flexibilidade que se pretende importar da Dinamarca provocou um expressivo franzir de nariz nas faces de patrões e sindicalistas. O que salta da proposta é o mais generoso auxílio estatal aos dispensados dos seus empregos: empregador desemprega, mas o Estado garante subsistência. Será a melhor solução em tempo de redução de despesas por parte do orçamento? Há uma comissão a estudar esta flexisegurança. Com a tendência para transformarmos o provisório em definitivo, ainda corremos o risco de tornar esta flexibilidade em imutabilidade. Contem com isso, senhores da comissão.
JTD

Aqui Constantinopla


Enquanto cardeal, Ratzinger defendeu que a Turquia não constasse no mapa da Europa. Agora defende o diálogo entre fés e nações. Há mesmo quem o considere uma garantia para a transição. A intensidade das manifestações da maioria muçulmana desmentem-no. Dificilmente serão corrigidos os erros de recentes episódios. O Papa, político, percebeu que os muçulmanos já cá estão. E, religiosamente, tenta a aproximação. Mas não se percebe muito bem com quem querem estar os seguidores de Maomé. Bento XVI defende um entendimento entre religiões e é nesse sentido que trabalha. Vai ser uma carga de trabalhos.
JTD
Baptistão Imagem

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Três anos


Há 3 anos que andamos a postar. Fez no dia 24. Nem me lembrei de assinalar a data. Não houve bolo com velas, nem parabéns para ninguém. Só uma coisa é certa: vamos continuar.
Muito obrigado aos que por cá vão passando.
JTD
Twombly Imagem

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Tantas vidas lhe faltavam


Maria José Margarido era jornalista. Eram entusiasmadas e vivas as suas reportagens no Diário de Notícias. Mas ela morreu, num estúpido acidente que tirou também a vida aos amigos que com ela seguiam no aparelho aéreo que se despenhou. Ela tinha 34 anos. Os amigos, 28, 33 e 34. Partida sem regresso. Uma partida da vida.
Esta notícia nunca deveria ter existido.
A Fernanda falou sobre a sua amiga e colega de trabalho.
Sabe, portanto, do que fala.
JTD

Vox populi


O Público todos os dias faz perguntas a gente que anda por aí, como todos nós. Hoje perguntou a quatro portugueses se conheciam a obra de Cesariny. Um engenheiro, uma advogada e dois reformados (nunca percebi porque é que depois de dar-mos o litro a trabalhar, durante uma vida inteira, deixamos de ter profissão a seguir ao nome), uniram-se na resposta: que não, já ouvi falar, não me é estranho. Duas pessoas que já tiveram vida activa e duas no seu auge, e com formação dita superior, desconhecem a obra de um dos mais importantes criadores cá da terra. Se são publicados quase cinquenta livros por dia, que livros se lerão em Portugal?
JTD
Mário Cesariny Imagem

É favor não sair do comboio em andamento


Segundo o primeiro-ministro aqui do lado, Portugal e Espanha souberam entrar no comboio da Democracia, da Modernidade e do Progresso.
Espanha apanhou o comboio da frente, partiu à tabela, e lá vai a todo o vapor. Nós ficámos mais para trás e paramos em todas as estações e apeadeiros. Pela gare da Democracia já passámos. Vamos lá a ver se chegamos a tempo aos outros destinos.
Está lenta, a marcha.
JTD

domingo, 26 de novembro de 2006

Mário Cesariny


Morreu Cesariny. A vida é assim: a gente nasce, vive e morre. Não necesssariamente por esta ordem? Claro que não, há quem esteja morto em vida. Não foi seguramente o caso do poeta que hoje se despediu. Vamos lá ouvi-lo mais uma vez. Outras mais virâo.

A um rato morto encontrado num parque

Este findou aqui sua vasta carreira
de rato vivo e escuro ante as constelações
a sua pequena medida não humilha
senão aqueles que tudo querem imenso
e só sabem pensar em termos de homem ou árvore
pois decerto este rato destinou como soube (e até como não soube)
o milagre das patas - tão junto ao focinho! -
que afinal estavam justas, servindo muito bem
para agatanhar, fugir, segurar o alimento, voltar
atrás de repente, quando necessário
Está pois tudo certo, ó "Deus dos cemitérios pequenos"?
Mas quem sabe quem sabe quando há engano
nos escritórios do inferno? Quem poderá dizer
que não era para príncipe ou julgador de povos
o ímpeto primeiro desta criação
irrisória para o mundo - com mundo nela?
Tantas preocupações às donas de casa - e aos médicos -
ele dava!
Como brincar ao bem e ao mal se estes nos faltam?
Algum rapazola entendeu sua esta vida tão ímpar
e passou nela a roda com que se amam
olhos nos olhos - vítima e carrasco
Não tinha amigos? Enganava os pais?
Ia por ali fora, minúsculo corpo divertido
e agora parado, aquoso, cheira mal.
Sem abuso
que final há-de dar-se a este poema?
Romântico? Clássico? Regionalista?
Como acabar com um corpo corajoso e humílimo
morto em pleno exercício da sua lira?

A cantiga é uma arma


O Expresso aliou-se ao povo musical lisboeta numa luta contra a grande desgraça que é o fim da Festa da Música. Juntou um punhado de melómanos, e vá de dar a conhecer depoimentos desses grandes frequentadores de espaços de cultura. Pelas opiniões reveladas, ficamos arrepiados com o anunciado fim da arte musical em Portugal. O antigo Presidente, Jorge Sampaio, apreciador de ópera em estádios de futebol, vem logo à cabeça nesta luta sem quartel. De entre as declarações de guerra a tão violenta decisão, conta-se uma deveras interessante, desse grande vulto da opinião melómana, o sindicalista Carvalho da Silva: "Estou a favor do movimento contra o fim da Festa da Música". O singelo reparo corta-nos o coração. E ele que não estivesse contra fosse o que fosse. Eis, portanto, mais uma justa luta contra o obscurantismo cultural em Portugal.
JTD
Andy Warhol Imagem

sábado, 25 de novembro de 2006

Amador sem coisa amada



Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.

António Gedeão Texto
Antoni Tapies Imagem

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Para quê?

Quarta-feira passada, Setúbal acordou com muitas das suas artérias engalanadas com vistosos pendões do PCP. Foices e martelos, Marx, Engels, e Lenine ostentam as ruas da cidade. De repente, parece que caímos em Tirana no tempo de Enver Hoxa. Que se passa? Satisfação pelo brilhante desempenho dos dirigentes autárquicos? Andam a preparar alguma? Ou não passa de uma simples demonstração de orgulho comunista? Seja o que for, impressiona. Por esse lado, a coisa já está ganha.
JTD

Regras são regras

O PCP sugeriu que Luisa Mesquita se pusesse a andar. Luísa, muito bem sentada, não lhe apetece ceder o lugar quentinho que ocupa na Assembleia da República. Se assinou o acordo inicial que estabelece o funcionamento dos representantes do partido, fica lá a fazer o quê? Sozinha contra maiorias e minorias? Há quem compare este caso com o de Carlos de Sousa, em Setúbal. Talvez, mas Sousa não esqueceu o que assinou por baixo antes de ocupar o cargo. Luísa Mesquita faz-se esquecida.
Está-se bem, aí por São Bento, não é senhora deputada?
JTD

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Fora-de-prazo

Manuel Alegre foi botar figura no lançamento de um livro sobre
D. Duarte de Bragança. Troca de galhardetes e outros aperitivos abrilhantaram o monárquico evento. O rei sem trono resolve elogiar Alegre. Declara o seu convencimento em como entre os republicanos ainda há patriotas. Alegre foi em representação dos últimos portugueses que merecem a bênção de D. Duarte. Toma lá que já almoçaste.
O poeta-deputado está velho. Velho e estragado.
JTD

Passeio de família

Um grupo de pessoal da tropa está a organizar um passeio pela baixa. O Governo Civil encara a passeata como manifestação de protesto. Que não, dizem os militares, é apenas uma normal caminhada como se de uma família se tratasse. Um esclarecedor comunicado, lido por um pacato transeunte, desmente a governadora civil. Nós, parados no passeio, acreditamos nesta súbita vontade de os militares darem uma voltinha pela baixa. Enternece-nos essa saudável decisão. Apetece-nos mesmo mandá-los passear.
JTD

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Ainda a festança

A Festa da Música já durava há sete anos. Como nunca fui grande frequentador de feiras e mercados, não sentia o apelo. Mega Ferreira herdou a gestão do concorrido evento. Percebe-se que, para muita gente, este era o único contacto com a música séria (chamemos-lhe assim). Nos restantes dias do ano, o convívio com sons mais elaborados não existe: resumindo-se talvez à circunstancial passagem nas telenovelas e anúncios, na televisão.
Mega anúncia coisa nova: uma festinha mais íntima, com orçamento mais familiar e aconchegada à volta do piano. Pelo que se conhece da capacidade de iniciativa do presidente do CCB, não será difícil entender as melhoras. A imaginação dará bons frutos, acho e espero. Por mim, até prefiro assim: gosto das coisas mais arrumadinhas.
JTD

Nem oito, nem oitenta

Cá, o Presidente Cavaco fala como porta-voz do Governo.
A proximidade é aparentemente excessiva. Em Timor, o Presidente Xanana declara oposição ao partido mais votado. Xanana Gusmão ataca e insinua. Diz que a direcção da Fretilin está num estado de trauma mais psicológico que político. Acrescenta ainda, o Presidente analista, que "eles têm medo de qualquer coisa". O diagnóstico está feito, só falta passar o receituário. Sabemos que, quem vê o andamento da carruagem é que sabe quem vai lá dentro. Mas também já percebemos como não deve ser um Presidente da República.
JTD

terça-feira, 21 de novembro de 2006

O mínimo dos mínimos


Patrões e sindicalistas debatem a possibilidade de um aumento do Salário Mínimo. Para o patronato, o aumento proposto é um exagero. Para os sindicatos, sabe a pouco. Difícil de gerir, este dá e tira.
É contraditória esta gestão de migalhas num país que se pretende na rota do desenvolvimento.
Lamentável mesmo, é perceber que muitos dos que trabalham aqui tão perto, são pagos com o mínimo dos mínimos.
E parece que está para durar.
JTD
Edward Hopper Imagem

Música e festa


Ía dizer qualquer coisa sobre as últimas da Festa da Música no CCB, mas o João Gonçalves já o fez tão bem, que me fico por aqui.
JTD

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A Estação de Correios da Rua Dupin


Foi este o título que Marguerite Duras e François Miterrand escolheram para encapar o livro que revela conversas entre ambos, decorridas durante o segundo mandato do então Presidente de França. A ideia vem dos tempos em que ambos resistiam. Aquela rua foi importante para a aproximação entre estas duas figuras da política e da literatura.
Os editores portugueses utilizam, como frase promocional, uma opinião publicada no Libération: "Digam adeus à esquerda e à literatura. Bem-vindos ao mundo das pessoas vulgares". Não se fala de outra coisa ao longo das quase cento e trinta páginas de diálogo. Mas há razão para esta opinião: é um taco-a-taco entre pessoas que falam abertamente dos seus problemas, mas também dos males dos outros. Das grandes chatices da humanidade e das preocupações com o bem-estar dos filhos. Uma frase, de Duras, misturada na normalidade da conversa:
"A beleza é como a felicidade, tememos pela sua fraqueza".
É a percepção das pequenas coisas que nos desperta para a complicada realidade. Será a vulgaridade uma ameaça? Não, se a sua gestão for exigente. Bem-vindos, portanto, ao mundo das pessoas vulgares.
Pois então.
JTD

Marguerite Duras, François Miterrand
A Estação de Correios da Rua Dupin
Edição Casa das Letras

As magras dão mais brilho ao desfile


A discussão sobre a anorexia está ao rubro no Brasil. Duas mortes justificam-no. As jovens fatalmente atingidas pela doença, estavam na idade em que, em circunstâncias normais, se começa a pensar o que fazer na vida. Afinal, acabaram de exaustão por motivos profissionais. Para a correcção de futuros males, fala-se em acompanhamento por parte de nutricionistas e psiquiatras.
Olhando a idade em que as raparigas iniciam a actividade, não seria melhor haver um pediatra por perto?
JTD

domingo, 19 de novembro de 2006

Royal política


Ségonèle Royal, é quem está mais próxima da vitória, entre os candidatos das esquerdas, nas eleições em França. Em termos estritamente políticos o reconhecimento está longe de existir.
A candidata socialista está prestes a encetar em França a fórmula do socialista envernizado. Verniz de qualidade duvidosa, importado do estado a que chegaram as ideologias. Aquilo que outrora era constatação das direitas: sempre foi assim; é a realidade, é hoje revelação da esquerda Royal: é a realidade; não há nada a fazer.
Seja, portanto, qual for o resultado eleitoral, França vai abraçar esta "realidade". Claro que há outras esquerdas. E, parece evidente, que estamos longe de uma unidade ganhadora. Os atropelos e tropelias vão suceder-se. Esperemos que não seja reeditada aquela estranha unidade que permitiu a eleição de Chirac. Mas tudo pode acontecer. E vai acontecer algo semelhante. É mais certo do que a bandeira francesa ter três cores.
JTD

sábado, 18 de novembro de 2006

Américo Ribeiro | Todos os dias


Américo Ribeiro foi um profissional do seu tempo. Durante as décadas em que exerceu a profissão, empenhou-se sempre por se adaptar aos materiais que lhe permitiam melhor definição técnica, numa busca permanente de tornar mais eficaz o resultado final. Durante a sua vida, o estúdio-loja que dirigiu esteve sempre na vanguarda da arte fotográfica. Os retratos dos seus contemporâneos ainda hoje são mostrados com orgulho pelos seus descendentes. Mas não foi só o estúdio que o encorajou e lhe animou os dias. Américo foi para a rua para entender o seu tempo. Fotografou tudo o que com ele dialogou. Queria contar o que estava a acontecer. Percebeu que essa sua obsessão poderia ser útil mais tarde.

É hoje lançado, às 16 horas, no salão nobre da câmara municipal de Setúbal, o livro "Américo Ribeiro | Todos os dias", de Madureira Lopes. Os projectos editorial e gráfico foram feitos pela malta.
Apareçam, se puderem.
JTD

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

O governo de Cavaco

Vi, em transmissão tardia, a entrevista ao Presidente da República. Cavaco está com o Governo. Não se vislumbra o mínimo desentendimento. A oposição de direita está tramada: não é em Belém que encontrará eco para os seus propósitos. Oxalá já tenham deitado fora os balões, as t-shirts, bandeiras e bandeirolas do merchandising eleitoral.
Sempre ficava o sofrimento mais aliviado.
JTD

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Cassete pirata

Que vinha aí uma entrevista a Santana Lopes, hoje, a seguir ao telejornal da RTP1. Afinal foi uma repetição.
Provavelmente enganaram-se na cassete. E eu a pensar que a conversa era em directo.
Com tudo isto, esqueci-me da entrevista a Cavaco, na SIC-N. Definitivamente, já não há pachorra para cassetes.
JTD

Câmara lenta


Já andava por aí um zum-zum, mas agora estalou. Maria José Nogueira Pinto algo fez que pôs Carmona pelos cabelos.
A vereadora do CDS-PP é a primeira a saltar da carruagem.
Primeiro em Setúbal, agora em Lisboa, estes prestimosos autarcas não parecem ter como prioridade a vontade de servir as populações.
As acrimónias pessoais, e os interesses partidários, levam avanço sobre os anseios dos eleitores.
Não há boa-vontade que resista a tanta trapalhada.
Tanto em Lisboa, como em Setúbal, as carruagens continuam, no seu lento andamento, por acidentados trilhos.
Pelo andar, vê-se quem vai lá dentro. Não é quem gostaríamos de ver, seguramente.
JTD

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Is an injustice...


Passei os olhos pelo livro de Santana Lopes. Aquilo até marchava como argumento para uma "sitcom". Tem condimentos para isso: lamúria, intriga, auto-elogio, conflito, gente famosa em cena, golpes palacianos.
Agora assim, sem cinta esclarecedora envolvendo a capa, é penoso.
O menino da incubadora cresceu, mas mal. De repente envelheceu e depende da arrastadeira.
Não tarda, começa a levar no toutiço dos seus confrades. É o costume.
Mas está mal, muito mal: não se bate nos velhinhos.
JTD

Os buracos de Santana

O buracos são uma carga de trabalhos para as autarquias. Urbe que exiba solo esburacado não fica bem no retrato. Mas há buracos e buracos. Ali para os lados do Marquês há um buraco político. Foi promessa eleitoral. Santana Lopes colocou-o como prioridade: uma espécie de obra de regime camarário. O desassossego dura há quatro anos e ainda não percebemos muito bem para que servirá aquilo.
A inauguração, de uma parte do imbróglio, está para breve. Santana é assim: cava sempre o buraco onde acaba por cair.
JTD

Uma história simples


A propósito da exposição de Amadeu de Sousa-Cardoso, na Gulbenkian, uma jornalista do jornal da 2, das 22 horas, entrevista Julião Sarmento, em directo, durante a inauguração. Viram? Foi um papelinho: quais as influências, que dimensão, em suma, um rol de vulgaridades a que Julião tenta responder com simpatia. Fala da temporalidade da Obra de Arte, da relação com os seus pares, ou seja, da interferência que as expressões artísticas estabelecem no diálogo entre si, da pouca importância do espaço geográfico na Arte, enfim, foi cosmopolita e intelectualmente sincero, usando o tipo de discurso a que nos habituou.
A entrevistadora não percebeu peva. Nada de grave.
O giro mesmo foi o ar incrédulo da "pivot", Alberta Marques Fernandes, em estúdio, que, não percebendo nada, recorreu ao comentário desbragado. Exibindo um sorriso insolente ao canto da boca, foi debitando disparates compassados com excessivas e ridículas pausas.
A ignorância e a indelicadeza soltaram-se naquele estúdio.
Um bocadinho parva, esta moda de os apresentadores dos noticiários televisivos terem a mania de ser salientes.
Valha-nos Amadeu, que a partir de agora tem parte significativa da Obra em exposição na Fundação Calouste Gulbenkian.
JTD
Amadeu de Sousa-Cardoso Imagem

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Levante-se a ré


Afinal não vão estar tão fora de combate como inicialmente anunciaram. Os bispos portugueses acham que a Assembleia da República não tem nada que fazer leis sobre a IVG. Os bispos condenam a possibilidade de a mulher decidir sobre o seu corpo.
É melhor serem eles a decidir. Por amor de Deus!
JTD
Jorge Pinheiro Imagem

Também tu...

"Sampaio prestou péssimo serviço ao país", diz Santana. De acordo. Permitir a ausência de governo durante quatro meses não é coisa bonita. E a política deve ser bonita. Não é assim, dr. Santana Lopes?
JTD

Prête à Porter


O Ministério Público vai farejar crimes económicos e financeiros.
Faz bem. O truque de colarinho branco, com as suas coloridas gravatas, sempre assentou muito bem com os botões de punho da lei. Não falamos de estalos e safanões. Falamos de crimes que, pela suposta elegância institucional que os envolve, se tornam actos "respeitáveis".
Há colarinhos engomados de má qualidade que continuam por aí a ornamentar muito pescoço de empresário e autarca.
Isto vai mudar? Talvez, depende do asseio das golas dos investigadores.
JTD
George Grozs Imagem

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Atch...


Uma terrível constipação afasta-me do teclado e do vidro electrónico.
Esta coisa deixa-nos sem vontade para nada, não é?
Vamos lá a ver se amanhã...
Diz que é fruta da época. É mas é fruta estragada.
JTD
Turner Imagem

domingo, 12 de novembro de 2006

Novembro de luxo


Já repararam na quantidade de eventos que animam esta terra durante este mês de Novembro? É uma multidão de músicos e cantores que, vindos "lá de fora" vêm animar os que estão cá dentro.
O marasmo cultural já não mora aqui. Anda por aí gente como Chico Buarque, Badi Assad, Carla Bozulich, as manas Lebeque, Herbie Hancock, Andrew Hill, Maria Schneider, Madeleine Peyruox, Natacha Atlas, Al Di Meola, Konrad Black, Michael Nyman, Patricia Barber, Wayne Shorter, Anastasia Belyaeva, Irina Mataeva, Alfred Brendel, Steve Reich e Keith Jarrett com Jack DeJohnette e Gary Peacock. Este caldinho de talentos está a ser derramado por todo o país. São várias as cidades que os recebem. É claro que, apesar do esforço, não me devo ter lembrado de todos. Mas convenhamos que, com esta amostra, já temos um mês e pêras em termos musicais.
Lá mais para a noite, vou até ao CCB ouvir Keith Jarrett ao piano, acompanhado pelos seus amigos contrabaixista e baterista.
Depois do que aconteceu na última vez que por cá passou, espero que inconvenientes tosses não ensombrem a actuação. Eu, que até estou meio constipado, já estou a tomar xarope, não vá o diabo tossi-las.
Boa música e até amanhã.
JTD

sábado, 11 de novembro de 2006

A mentira é uma arma

Durão Barroso, que viu com aqueles dois que a terra há-de comer, as provas de que as armas de destruição massiva estavam no Iraque, não deve estar nada interessado em pronunciar-se sobre a destituição do outro vidente americano.
Claro que não está nada ralado com o assunto. Para o cargo que ocupa até nem há necessidade de eleições.
JTD

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Michael Biberstein


É um dos artistas representados na mostra "Onze artistas", na sede da AERSET, em Setúbal, que suscitou várias entradas opinativas lá em baixo, no dia 27 de Outubro. Já respondi e retorqui.
Este trabalho é de 2002 e esteve exposto no Centro Cultural Emmérico Nunes, no Verão de 2005.
Michael Biberstein nasceu em Solothurn, Suíça, em 1948. Em Portugal quedou-se inicialmente em Sintra. Mais tarde deixou-se fascinar pela aridez do Alto Alentejo, onde vive e trabalha actualmente. Conta com uma extensa lista de exposições individuais. Destacam-se Compressores/Aceleradores, Museo Extremeño e Iberamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz; The Compulsive Image, Kunsthalle Tallinn; Towards Silence, Galerie Rudolfinum, Praga.
JTD

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Caído em combate

O sinistro Donald Rumsfeld foi à vida.
Foi preciso explicar tudinho para que este senhor da guerra fosse corrido.
É o primeiro "libertador" que cai.
No Iraque continua muita gente a cair, mas morta.
JTD

Humanidades


O Nepal parece que viu fim a uma rebelião com uma década de duração. Provavelmente as armas foram substituídas por bom senso. Agora discute-se se deve continuar a haver monarca ou não. Assim como assim, já pouco importa. Aquilo parece um jogo de sorte e azar. Fala-se do Nepal quando se quer tornar relativa a importância de alguma coisa, com sugestivas piadas: "Fulano foi distinguido com o Grande Prémio de Escritores do Nepal". Ficamos assim esclarecidos sobre a nulidade do valor do hipotético laureado. É mesmo para gozar.
Aqui, na "civilização", tem muito mais importância o caso amoroso de uma senhora dos concursos da televisão com um senhor das telenovelas. As notícias sobre as desventuras daquele país vêm no fundo dos jornais. Se calhar até parece ridículo eu estar para aqui a dizer coisas sobre o assunto.
Mas também é verdade que mora lá gente como nós.
É isso que é chato.
JTD
National Geographic Imagem

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Sequestros, S.A.

Os sequestros começam a dar lugar a considerável espectáculo.
Os sequestrados têm, com toda a justiça, direito aos seus minutos de fama.
Desta vez foi um padre. Um pandego doido-varrido que quer ir beber uns copos com os sequestradores. Não tarda surgem por aí angariadores de candidatos a sequestrados. Parece que já há inscritos na Assembleia da República. Uma iniciativa destas por lá, bem preparadinha e sem violências, com um bom serviço de "cattering", dava um jeitaço a muito deputado que por ali anda: dava-se por eles.
JTD

São rosas, senhor



O Orçamento de Estado não é elástico. E em casa onde não há pão...
O milagre da multiplicação não é conto para esta audiência.
As oposições de direita, coadjuvadas por economistas puros e duros, querem mais: querem o milagre à força.
Ora, contenção não é subtracção. E de milagres não temos conhecimento desde o tempo em que não era a economia a ditar as regras.
O desenvolvimento económico não acredita em milagres: é agnóstico e materialista. E até o milagre das rosas, da Rainha Santa Isabel, foi correcção de última hora.
JTD
Euan uglow Imagem

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Linha férrea

O debate - Prós e contras, na RTP1 - sobre o orçamento, está a ser extremamente esclarecedor: estamos tramados.
Tanto os funcionários públicos, como os privados, podem começar a pôr as barbas de molho.
A percentagem de crescimento depende das contenções. As contenções são difíceis de aplicar, parece.
Os direitos adquiridos estão cada vez mais tolhidos.
Luz ao fundo do túnel?
Cuidado, desviem-se, pode ser a locomotiva que nos vai liquidar definitivamente.
JTD

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Antes a morte que tal sorte

Bush diz que a condenação à morte de Saddam assegura o reforço da democracia no Iraque.
Para ele a democracia é coisa que se resolve à lei da bala, ou, neste caso, da forca.
No Texas, onde foi governador, esta prática é comum. Daí o seu contentamento.
O homem não via a hora da democracia chegar ao Iraque.
Foi ontem.
JTD

Para acabar de vez com a cultura

Rui Rio quer acabar com a cultura no Porto.
Alguém terá que lhe dizer que o tempo dos príncipes renascentistas acabou há eras.
Hoje vivemos em democracia. E, em democracia, os cidadãos têm direito a complementar a sua formação cultural e lúdica.
Os organismos públicos também servem para isso. Somos nós que permitimos a sua existência.
A actividade que o presidente da câmara do Porto exerce também é subsidiada. Ficaremos descansados quando entregar o telemóvel, o automóvel, prescindir do subsídio de refeições e de outras mordomias inerentes ao cargo que exerce.
Pode uma grande cidade europeia, como o Porto, viver sem expressão cultural adulta e cosmopolita?
Pode o País viver sem Democracia?
JTD

domingo, 5 de novembro de 2006

A morte dá sorte?


Saddam foi condenado à morte por enforcamento. Sentença comum nos tempos em que dirigiu o país.
É justo? Nessa proporção, talvez. Mas será razoável jogar, no mesmo tabuleiro, o xadrez da morte? Em política há que prever o que vem a seguir. O que talvez não tenha acontecido neste caso. Saddam Hussein morto poderá ser muito mais violento do que em vida. O Iraque não se livrará tão depressa do seu fantasma.
Esperem pela pancada...
JTD

sábado, 4 de novembro de 2006

Avançar e em força

Esta moda do chefe da Madeira a toda a hora nos noticiários, traz-me alguma confusão.
Ele anda a tramar alguma.
Já ameaçou com a independência. Agora fala em orgulho em ser português e mais não sei o quê.
Será que o homem tenciona separar-se, para depois, independente e soberano, invadir isto?
Vocês gozam? Olhem que pode ter apoios.
Imaginem que liga para o seu homólogo na Casa Branca (esse grande vulto da estratégia política), comunicando-lhe a intenção de dar cabo dos cubanos.
Ah pois, brinquem, brinquem...
JTD

Orgulho pátrio

Um grupo de pessoal do PSD foi até ao reinado de Alberto João Jardim. Foram apoiar o soba. Pelo caminho gramámos com o indiscritível Jaime Ramos, em declarações boçais, nos jornais televisivos.
Igual a si próprio, o soba declara que tem orgulho em ser português. Emocionante.
Pelos vistos, é a gente da Madeira que dá o mote ao partido de Marques Mendes. Onde quererão chegar, com este feitiozinho?
JTD

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Os novos monstros

Um jornal especializado em assuntos económicos, identifica Cavaco e Guterres como pais do "monstro". O termo "monstro", lembram-se? Foi Cavaco que o inventou, depois de se ter apeado do poder, e como forma de repreender a actuação de Guterres. Finalmente começamos a perceber que foram estes dois estadistas que utilizaram os tubos de ensaio que criaram a situação em que nos encontramos. Assim de repente, esta história faz-me lembrar um filme de Mario Monicelli, Dino Risi e Ettore Scola, "Os Novos Monstros": Um punhado de histórias em que criaturas que se levavam a sério, revelavam atitudes monstruosas inseridas numa aparente normalidade. Como dizem os putos nas suas brincadeiras: "Quem diz é quem é". Pois é.
JTD

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Como disse?

Dizem-me que em sessão pública da Assembleia Municipal, a presidente da câmara municipal de Setúbal proferiu palavras menos elogiosas a meu respeito. Acho que a coisa foi mesmo para o insultuoso. Vou pedir cópia da acta e, como é óbvio, vou comparecer na próxima sessão da Assembleia Municipal para, como é que se diz? Defender a honra e o meu bom nome.
JTD

É o futuro, estúpido!

A ministra ora aceita dialogar, ora manda o diálogo às urtigas. Está na cara.
Dialogará se os professores concordarem com ela. Deve ser.
Os professores estão dispostos a dialogar se a ministra fizer o que eles querem. É o que parece.
A ministra não quer o que os professores querem. A sério!?
Os alunos esperam que tudo corra pelo melhor. Tal como os pais.
Correr pelo melhor é pôr o Ensino a funcionar no sentido do futuro dos alunos e do desenvolvimento do país. Digo eu...
Estão a contar com isso? Vejam lá.
JTD

Independência das colónias, já!

A República da Madeira está a encetar um processo de transferência de poderes. É o que parece se tomarmos em conta as declarações de um tal sr. Coito Pita. Tal como Jardim, em tempos idos, o novo dirigente já ameaçou com a independência dos torrões do meio do Atlântico. Pelos vistos, tal como Jardim, acredita que com as fronteiras fechadas às demandas dos continentais (que os tratam como colonizados), as ilhotas seriam viáveis. Por mim, mudava já a fechadura.
Agora a sério: Não estou a gozar, não me levem a mal, mas, o tal possível candidato a sucessor não se chama mesmo assim, pois não?
JTD

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Halloween


Não percebo esta treta de se festejar o Halloween. Uma coisa é a gente gramar a cultura americana: não é difícil encontrar imensas referências por aquelas bandas. Outra coisa é sujeitarmo-nos a tudo o que de lá vem. Assim não. Salvas as proporções, ninguém imagina um americano exibir a degustação de uma sardinha assada, em festejos dos portuguesíssimos santos populares.
Então qual é a razão de andarmos feitos parvos de abóbora iluminada?
JTD

Massa de Cahora Bassa?


Agora é a barragem de Cahora Bassa. Fomos a Moçambique negociar: "Ó meus amigos, a malta largou aqui uma pipa de massa e agora como é que é? Podem largar algum, nem que seja para o petróleo?". Os Moçambicanos concordaram em alargar os cordões à bolsa, de facto. São 750 miilhões dele. Só que, negociar a entrega de tanta bagalhoça com um dos países mais pobres do mundo, deve ser obra. Obra de caridade, claro está. Não me parece que de Cahora Bassa venha tanta massa.
JTD