domingo, 19 de abril de 2020

Celebrar a coragem

O 25 de Abril comemora-se sempre. Foi a partir desta data que nos foi permitido viver em liberdade. Logo, esta comemoração faz-se todos os dias, quando um homem quiser. 

Mas não é como o Natal. O Natal não se celebra no parlamento. Assim como a Páscoa, ao contrário do que pensa o deputado do CDS/PP João Almeida, que se viu muito incomodado por a Páscoa não ter sido comemorada e o 25 de Abril sim. Quem lhe terá posto na cabeça que as coisas funcionam assim? E logo a ele, que é deputado. Um tonto ridículo, mas deputado. O seu líder veio igualmente manifestar-se contra festejos no parlamento. E, claro, o deputado fascista da Cofina também: o alarve não perde uma oportunidade para desrespeitar o sistema, como ele diz. Enfim, tenta baralhar-se tudo, como de costume. Confunde-se confinamento da população com ritualização parlamentar. Os deputados não estão a trabalhar? Com regras, facto, mas vão lá e é assim que tem de ser. O sistema democrático não se suspende. Nunca. Os eleitos podem perfeitamente representar-nos no parlamento neste ritual de celebração da democracia. Democracia que permitiu aos Almeidas, Chicões e Venturas da triste vida manifestarem-se contra tudo o que faz lembrar Abril.
Dito isto: acontece que nunca assisti a comemorações institucionais pela televisão, e nunca fui à Assembleia da República celebrar coisa nenhuma. Comemoro o 25 de Abril todos os dias — praticando a liberdade que me foi conferida a partir dessa data — e, no dia propriamente dito, na rua. Gosto de estar com a minha gente contra essa gentinha que prefere sempre celebrações de fantasias. Na casa onde se exerce a democracia a um nível institucional, a coerência de se manter viva uma data que permitiu esta existência é saudável para o sistema.
O meu 25 de Abril este ano vai ser em casa, mas não vou estar sozinho. Vamos estar uns com os outros. Vamos recordar e celebrar um dia que nos mudou a vida. Para melhor. Para uma vida decente vivida sem refúgios perante a ameaça fascista. A frase de José Afonso que apliquei neste cartaz define a acção dos que lutaram — alguns morreram — pela defesa da liberdade. Bocage também defendeu a "Liberdade querida e suspirada que o despotismo acérrimo condena". Estou com Zeca e Bocage. Prefiro os melhores.

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sábado, 18 de abril de 2020

Receituário

Mais uma apreciação de PARÍCUTIN, de Gonçalo Duarte. Desta vez na edição deste sábado do Expresso, e pelo teclado de Sara Figueiredo Costa. O texto está reproduzido aqui de carreirinha:

Parícutin é nome de vila mexicana e é com a erupção inesperada de um vulcão na sua região agrícola que abre o livro de estreia de Gonçalo Duarte, depois de várias histórias curtas publicadas em volumes coletivos. Essa sequência inicial de oito pranchas coloca em cena Dionísio Pulido, agricultor surpreendido nos milheirais por um forte cheio a enxofre, depois pelo surgimento de fumo, em seguida pela constatação de que há um vulcão a erguer-se das entranhas da terra. A história é verídica, mas não é o registo de factos que ocupa a narrativa deste livro. Desaparece Pulido e entra em cena uma outra figura, aparentemente dominada por um eco de si mesma e entretanto ocupada com a construção de uma casa. A relação não é unívoca e esta mudança de cenário e personagens começa por parecer um corte profundo na solidez da narrativa, até se perceber que a linha que atravessa este livro não é a da sequência de acontecimentos, mas antes a desregrada sucessão de pensamentos livres que marca parte considerável da nossa atividade cerebral. Gonçalo Duarte cria uma acutilante corrente de consciência visual e narrativa que coloca no movimento de deambulação do pensamento o eixo dos acontecimentos, por vezes aproximando-se de um registo onírico, outras vezes de um delicado delírio em vigília com visitas abruptas ao inconsciente. Há outras personagens em cena, mas como Dionísio Pulido, não é tanto no cenário de uma história que a sua presença se regista, e sim no inferno pessoal que se vai desdobrando no pensamento cuja atividade se regista. Os diferentes estilos visuais, a alternância entre diálogo e solilóquio, os contrastes na composição das pranchas e na relação entre texto e imagem acentuam esse tom de divagação, mas a polifonia não deixa perder o fio que se estende desde os fumos do vulcão mexicano até às erupções emocionais de cada dia. Como uma descida aos infernos, sem outra viagem que não a das sinapses. / SARA FIGUEIREDO COSTA
PARÍCUTIN
Gonçalo Duarte
Chili Com Carne, 2020, 80 págs., €10
Banda desenhada

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Filipe Duarte | Homenagem

Geringonças há muitas, seus palermas

A pandemia ditou novos patamares de convivência política. Presidência e Governo falam a uma só voz. 

No parlamento, a distância entre esquerda e direita ficou mais reduzida no sentido de se resolver esta crise medonha; exceptuando a insistência troglodita do deputado fascista da Cofina. Ontem, o energúmeno esbracejava um toque de violino enquanto o deputado Pedro Delgado Alves falava. Gestos aplicáveis à discussão dos futebóis a que o alarve se habituou. Mas foi bem arrumado no seu lugar pelo deputado Delgado. Enfim, as entidades políticas e os seus representantes vão-se ajeitando conforme as circunstâncias. A política é isto mesmo. E é saudável que assim seja. Chamaram um dia a este tipo de acordos "geringonça". Em tom depreciativo, é claro. Acontece que passamos a nossa vida de todos os dias neste bricolage. Funcionar na política é bom. A perfeição não existe. E quem acha que sim, que existe, é quem quer o leme para correções totalitárias. Os intolerantes é que aplicam a intolerância.
Que venham as geringonças, desde que não sejam mal engerocadas.

Fonte DN
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quinta-feira, 16 de abril de 2020

quarta-feira, 15 de abril de 2020

RUBEM FONSECA | HOMENAGEM.
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O HOMEM SEM QUALIDADES | O mundo acordou incrédulo e preocupado aquando da eleição deste energúmeno como presidente dos Estados Unidos da América. O mundo não queria acreditar que um louco varrido egocêntrico podia chegar a presidente dos Estados Unidos da América. A Casa Branca parece ter virado manicómio. O mundo habitou-se aos dislates e disparates do cretino. Agora, o cretino vai retirar o apoio proporcional que o país que gere — como se de uma empresa se tratasse, e de que é um mau patrão — atribui à Organização Mundial de Saúde. Em tempo de pouca saúde para a população mundial, o presidente dos Estados Unidos da América só pensa em fazer política rasca junto do seu eleitorado. Tenta a todo o custo, e como se o ridículo não existisse, culpar a Organização Mundial de Saúde de todas as culpas que ele próprio carrega. O homem habituou-se, nas suas empresas, a tratar mal toda a gente. Adorava despedir e humilhar. Agora, que chegou onde chegou, trata mal a humanidade inteira. Os meios diplomáticos internacionais consideram esta decisão um crime contra a humanidade. Então, se assim é, os oficiais de diligências do Tribunal de Haia que rumem à Casa Branca. Ou é preciso chamar os enfermeiros?
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DO DELÍRIO | Bolsonaro apela à normalidade perante a anormalidade. Apoiantes seus manifestam-se contra quem sugere a sensatez. Familiares de doentes mortos com COVID 19 atacam médicos, culpando-os de incompetência. O presidente tem sempre razão. Ele está com Deus e os profissionais de saúde ainda não perceberam. Cada morto é uma vítima da incredulidade da ciência.
Mais acima, em outro território mal governado, Trump acusa de mentir quem o confronta com as suas mentiras. Isto parece andar tudo ao contrário. Esta pandemia apanhou mentecaptos a dirigir populações imensas. Gente que os segue como se de deuses se tratassem. Líderes iletrados e egocêntricos garantem o céu a populações que os ouvem sem interrogações, arriscando a própria vida. O vírus da estupidez alastra. A confusão impera. O mundo é um local perigoso. Muito perigoso.

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terça-feira, 14 de abril de 2020

CRIMINOSOS DOMÉSTICOS | Parece que acontece todos os dias a toda a hora. No ano passado foi o que foi. Este ano, com este convívio forçado, as coisas só podem estar a piorar. O confinamento permite que o outro esteja ali à mão de semear. Põe-se a jeito. Passa a ser um objecto da casa: ora de desejo, ora indesejado. As leis existentes já permitem o castigo destes criminosos domésticos. Mas o mal vem muito lá de trás. São muitos anos de cultura discriminatória: pópós e pistolas para os meninos; tachinhos e vestidinhos para as meninas. Cor de rosa para as meninas; azul para os meninos, e assim sucessivamente. Crescem e levam os pópós para a cozinha, cilindrando tudo o que lhes aparece pela frente, e rasgam os vestidinhos que já não podem nem ver. Forram-se de azul que é para serem mais homens. São homens de barba e pila rijas. Os maiores. Aqui quem manda sou eu. Quem não obedece leva. A pequena história do confinamento vai-nos trazer surpresas. Ou talvez não. A selvajaria é diária. Consequente. Crime a mais, crime a menos? Hediondo, sempre.
Fonte Expresso
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segunda-feira, 13 de abril de 2020

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO | O nosso futuro foi adiado. Indeterminadamente. As férias de verão já foram. O natal em família poderá não ser como as famílias querem. Enquanto não houver vacina não há refrescos ao ar livre, nem convívios à lareira. Entretanto temos que suportar as medidas que nos protegem tolhendo os movimentos. E esse é também um outro problema. Já há revoltas. Os "arautos da liberdade e da justiça" já andam numa roda viva. Os comunicadores da Cofina mentem e não desmentem. Têm agora um deputado que lhes dá a maior segurança. Um fascista repugnante que não se importa de fazer figuras tristes. Autarcas em busca de protagonismo parolo saltam para os écrans em pose de heróis denunciadores e reivindicativos. As Felgueiras, os Júdices, os perguntadores da RTP e os idiotas inúteis que povoam as redes sociais andam num desalinho. Nas conferências de imprensa pergunta-se se chove sobre o molhado. Ignoram-se respostas e volta-se a perguntar o anteriormente perguntado. É uma festa que os comunicadores de vão-de-escada não dispensam.
Convoquei Shakespeare para o título deste badalar porque defendo que é na literatura que encontramos a melhor maneira de olhar para isto. Temos essa vantagem. O fascista da Cofina e os comentadores manhosos desprezam o conhecimento que os denuncia. Vamos ter de denunciar muita coisa. Esta gente é perigosa e não se preocupa com o nosso futuro. Preferem o passado e um futuro manhoso para eles próprios. Sim, eles não se importam com sofisticações artísticas e literárias. São toscos e malcriados. Só lhes interessa a criação de riqueza financeira. A deles, é claro. Num futuro próximo veremos o que vai mudar. Depende de nós. Não de todos, mas dos que temos saudades do futuro. Vamos lá a ver se tudo isto não passou de um pesadelo.
Fonte Expresso
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domingo, 12 de abril de 2020


DOMINGO | Um conto de Henrique Rui, contado em desenhos pelo André Ruivo. Henrique Ruivo sabia inventar histórias. Na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal, estão penduradas algumas. Lá voltaremos, logo que o sinal desta peste passe. Bom domingo.
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sábado, 11 de abril de 2020

POLÍCIA INTERNACIONAL DE DEFESA DO ESTADO | O título é intencionalmente provocatório. Refiro-me ao SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) e a comparação com a polícia do regime salazarista não é inocente. Claro que a PIDE torturava e matava mais. Vivíamos em ditadura. "Cá fora" não se sabia o que se passava "lá dentro". Só se perceberam os crimes depois da revolução, em democracia. Os relatos são arrepiantes. 

O SEF é um organismo que "nos protege" dos estrangeiros malfeitores. Aqui começam as semelhanças com a polícia do político criminoso Salazar. O outro é sempre alguém que não está aqui para se portar bem. O estrangeiro é sempre um intruso. É preciso haver a certeza absoluta de que um intruso não vai ser um problema. Ora, se é tratado à partida como intruso o problema é evidente. Parte-se logo do principio de que o meliante vai roubar ou até matar sem dó nem piedade, e, nem que seja com uns sopapos valentes, vamos ter de perceber quem é o potencial criminoso que ali está.  

O recente problema sanitário anulou todas as outras notícias. O assunto de um cidadão ucraniano assassinado nas instalações do SEF por agentes desta polícia passou pelos alinhamentos noticiosos como cão por vinha vindimada. Pelo que sai cá para fora, ficamos a perceber que o homem vinha tentar trabalhar. Só isso. Nunca o senhor imaginou que estava num país onde ainda se mata quem se imagina ser diferente. Deixou familiares em sofrimento na sua terra. O ministro da Administração Interna condenou o crime. A actuação de uma instituição policial de um país põe em causa o próprio Estado. Há vida para lá da pandemia. Todos os outros atropelos à cidadania não podem ser arredados. Os contornos do crime têm de ser apurados e os seus executores julgados. Provavelmente teremos o deputado fascista da Cofina em defesa dos agentes criminosos. A polícia tem de ser assim. Tem de nos proteger a nós contra os "outros". O circo populista instalado na feira do egocentrismo já tem voz no parlamento e aproveita todos os palcos para mentir e baralhar. 

Falo nisto porque acabei de ler o Duelo — Contenda: podemos confiar no SEF? —, no Expresso, entre Mamadou Ba e um dirigente de um sindicato que representa os inspectores do SEF. O sindicalista inicia o seu texto com esta pérola: "Não fosse a gravidade do que se passou no aeroporto de Lisboa — um cidadão ucraniano morreu nas instalações do SEF, tendo a autópsia concluí­do que a causa da morte foram agressões —, e eu responderia que esta pergunta é ofensiva".
É preciso ter uma grande lata. É preciso não ter a mínima noção de como utilizar as palavras. Claro que Mamadou está na coluna do Não. E termina o seu texto assim: "A obsolescência do SEF decorre desta exigência ética de rutura com a visão do migrante como ameaça a vigiar em permanência, como se de um potencial criminoso se tratasse".
Pois, é isso mesmo.
Imagem: agendas SOS Racismo para o ano de 2020. Concebidas e produzidas pela DDLX. Ilustração de João de Azevedo, incluídas na série que desenvolveu e a que deu o título: Refugiados e agressão policial. 
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sexta-feira, 10 de abril de 2020

AINDA HÁ BOAS NOTÍCIAS | Andava aqui que nem vos conto. Assim fiquei muito mais descansado. Vá, altezas realezas: ide vestir uma farpela decente para assistirdes à telemissa. Não saiam do Paço, não vá o diabo do vírus apanhar-vos na curva. Saúde e bichas.
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quinta-feira, 9 de abril de 2020

A QUEDA | O título é de Camus. A Queda de Camus é um livro. Um livro fora do comum. Genial. Mas a queda de que se fala agora prende-se com as actividades de muitos de nós. Os artistas dos palcos e de todas as áreas performativas estão de rastos. A actividade parou por completo. Os esforços online não adiantam nada à sobrevivência de gente que trabalhou no duro e com entusiasmo para nosso desfrute. Mas hoje venho aqui falar de outro sector. Tenho entre os meus melhores amigos editores, livreiros, escritores, tradutores, impressores e gente de muitos outros ofícios ligados aos livros. As livrarias estão fechadas. As livrarias são as montras desta actividade que, já mesmo muito antes da incursão deste vírus que lhes é alheio, não andavam lá muito bem. Com este maldito atropelo a coisa foi de mal a pior. Um desastre. A FNAC pôs-se a milhas do assunto. A venda online parece estar reservada às multinacionais. A Amazon continua a encher os bolsos do homem mais rico do mundo. Pois é: quem se lixa são as livrarias independentes que corajosamente investem em ser lugares com livreiros lá dentro. Gente que tem este negócio porque gosta de ter livros em volta e de envolver-se neles. Apresentá-los às pessoas. Está tudo nos livros. Está tudo na literatura. Até este vírus manhoso que nos devora a vida. São os livros que vão contar esta história no futuro. Não são as tretas que muitos põem a circular nas chamadas redes sociais que às vezes de sociais nada têm.
É nestes meus amigos que penso neste momento. Incluo-me na cena, já que parte substancial da minha actividade anda por estes trilhos. Já todos percebemos que o que aí vem não é lá muito bem vindo. Os apoios do Estado não serão solução para tudo e a reabertura não vai ser fácil. Voltaremos à vida, é certo. Mas não vai ser fácil. Temos pela frente vários combates. Temos que exigir políticas de apoio ao sector promovendo a leitura como maneira basilar de educação e cultura. Temos que combater a extrema-direita agora representada no parlamento pelo fascista da Cofina. A extrema-direita que só pensa em prender, censurar e deseducar, mentido descaradamente, e apelando aos instintos básicos dos incautos. É o conhecimento que combate a ignorância. A cultura terá de estar na primeira linha pela defesa do sistema democrático. Já aqui o disse em data anterior mas repito: Em 46 anos de democracia fez-se mais pelo bem estar das populações do que nos restantes 881 anos de história.
Voltaremos à vida. À nossa vida. Voltaremos a encontrar-nos em muitos Muito cá de casa, na Casa Da Cultura | Setúbal, para falarmos de livros e do nosso futuro. Voltaremos a ter por lá os livros que a Snob, a abysmo e a Culsete nos colocam à disposição. Vamos voltar a estar juntos em livrarias, encontros literários, lançamentos, comemorações, performances várias, enfim, vamos estar aí, mas vamos mesmo ter que trabalhar mais ainda.
A ignorância e a estupidez não nos vencerão.
Fonte Público/ípsilon
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quarta-feira, 8 de abril de 2020

FILOSOFIA A PÉS JUNTOS A FILOSOFIA EM CONVÍVIO 

O ponto é percebermos onde se cruza a filosofia clássica com o pensamento nos dias de hoje. A contemporaneidade chamada à pedra pelas ideias antigas. Percebermos que isto anda tudo ligado e que o que está a acontecer hoje não é nada nunca visto. António de Castro Caeiro — Professor de filosofia e tradutor de poesia clássica grega — assegura a pés juntos que tudo se repete. O ser humano não tem assim tanta imaginação.

Estas conversas tornam-se um instrumento útil para a compreensão do presente, ajudando-nos a perceber e a combater o susto lançado por Nelson Rodrigues no século passado: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

FILOSOFIA A PÉS JUNTOS cresceu na curiosidade das pessoas. O que constou fez o seu caminho. Hoje estas “aulas” de António de Castro Caeiro são participadas por um público esclarecido e "perguntador". Pretendemos polvilhar de seriedade intelectual tudo o que aqui se propõe.

Esta iniciativa tem a colaboração permanente de João Paulo Cotrim, que estimula os diálogos e alonga a conversa. Uma das sessões contou com o poeta José Anjos, que associou a filosofia a outras preocupações.

As próximas sessões ao vivo serão anunciadas logo que possível. Enquanto isso não acontece podemos ver as emissões do programa de António de Castro Caeiro gravado para a RTP, no sítio da Casa da Cultura.
Até breve.
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terça-feira, 7 de abril de 2020

EM VOZ ALTA | A Grande Poesia Portuguesa pelos Artistas Unidos


É um projecto de Jorge Silva Melo, director dos Artistas Unidos. 
Poesia dita com o cunho de cada actor que a interpreta. Cada um destes EM VOZ ALTA é uma representação que ombreia com o bom teatro, com a melhor literatura, com a perfeita defesa da dignidade dos autores ditos.
E que autores já por cá passaram: Alberto de Lacerda, Gomes leal, Luiz de Camões, Carlos de Oliveira, Manuel Gusmão, Manuel da Fonseca, Alexandre O'Neill, José Afonso, Bocage, José Régio, Eugénio de Andrade, David Mourão-Ferreira.
A poesia reunida de David Mourão-Ferreira, lançada na Gulbenkian, no dia 16 de dezembro do ano passado, foi apresentada aqui no dia 28 de novembro. Antecipação de leituras em sala a abarrotar.
Para além da excelência das apresentações na Sala José Afonso, houve uma das sessões que aconteceu na Casa d’Avenida. Estava por lá pendurada uma exposição que concebi para assinalar os noventa anos de José Afonso, logo fazia sentido fazermos lá o recital. Vieram para a leitura Lia Gama, Nuno Gonçalo Rodrigues e Luís Meireles. Lia Gama Foi amiga de Zeca. Mas a emoção não fez estremecer a leitura. Emoção pessoal contida em momento de emoção generalizada.
Para estas leituras, Jorge Silva Melo convoca uma equipa de luxo: Maria João Luís, Lia Gama, Luís Lucas, Nuno Gonçalo Rodrigues, Luís Meireles, Manuel Wiborg, Catarina Wallenstein, para além dele próprio.
Agora, nestes tempos de retenção caseira, os Artistas Unidos gravaram em casa novos poemas de novos poetas. Estão à nossa disposição no site da Casa da Cultura: http://www.casadacultura-setubal.pt/
Até breve.
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RECEITUÁRIO | O meu amigo Simao Palmeirim veio à Casa Da Cultura | Setúbal sem sair de casa. É assim que se resolvem as coisas, quando as coisas não vão bem. Mas os dias vão melhorar, e ouvir o Simão faz bem.
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segunda-feira, 6 de abril de 2020

COVID 19, O IMPLACÁVEL | A pequena história das nações diz que esta senhora falou pela quarta vez ao seu povo. É sempre bom ver uma idosa — em idade de risco — preocupada com o seu povo, ainda por cima quando o seu primeiro-ministro é hospitalizado por mor de uma doença que ele dizia não ter importância nenhuma. Nota importante: a senhora já aprendeu a ler o teleponto. Devem ter sido horas naquilo, mas valeu a pena. É sempre bom perceber que a monarquia afinal se ajeita ao nosso dia-a-dia. Deus salve a rainha, e a mim não me desampare. Saúde e bichas.
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ESPAÇO ILUSTRAÇÃO | É PRECISO FAZER UM DESENHO?
A ilustração vive de facto grandes momentos. A Festa da Ilustração - Setúbal já não é estranha a quem vive por perto e já se infiltra no panorama global. Para além da Festa, que desde 2015 aconteceu sempre durante o mês de junho, a cidade passou a ter, a partir de janeiro de 2018, um espaço próprio para mostrar a ilustração que por cá se faz. É na Casa Da Cultura | Setúbal, chama-se Espaço Ilustração - É PRECISO FAZER UM DESENHO?, e abriu com a exposição GRANDES VIDAS PORTUGUESAS. Grandes portugueses ilustrados por grandes ilustradores, em mostra concebida pela Patológico para a Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Depois foi todo um desfilar de talento e surpresa. Seguiu-se Lord Mantraste com DESCULPEM, APAIXONEI-ME E NÃO FIZ NADA. Mas fez. O resultado desse estado de paixão revelou-se nestas paredes. Também vieram dois artistas lá de fora: Manuele Fior e Jiru Taniguchi, com o seu HOMEM QUE PASSEIA.
Para além desta oferta inicial e até hoje já passaram pelo espaço outros nomes maiores da disciplina: Mariana VianaMadalena MatosoJoão Maio Pinto, Helder Oliveira, André Ruivo, Tó Trips, Tiago Manuel, Rachel CaianoSara Feio, Agripino Maia, Ricardo CoxixoLuis Cavaco.

Fazemos por expôr quem tem trabalhos editados recentemente com o intuito de estimular sessões de animação específicas, em relação com esses trabalhos. Estes “ateliês” são frequentados por um público jovem e interessado.
Os trabalhos de Luís Cavaco estão ainda pendurados nas paredes, mas a necessidade de estarmos todos em casa dispensou visitas. Quando tudo isto passar, na reaberturada Casa, ainda lá estarão a aguardar visita.
Sigam a ilustração em Portugal e no mundo. Vale a pena. Até breve.
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domingo, 5 de abril de 2020



O ATELIÊ DO ARTISTA | IDENTIFICAÇÃO DE UM PROJECTO
As actividades visuais e performativas na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal.
Pretende-se com este projecto de raiz exposittiva mostrar à cidade as preocupações estéticas que abraçam na actualidade o mundo das artes em geral e das artes visuais em particular.
Trazemos a este espaço artistas de grande prestígio nacional e internacional.
Tentamos enquadrar artistas locais com a exigência das propostas mais ousadas, contrariando a ideia do artista local como cedência a um regionalismo obviamente pouco cosmopolita e apologista da “habilidade”. 
Abrimos, em 2012, com duas exposições documentais concebidas e produzidas na Casa: JOSÉ AFONSO - Geografias de uma vida, e ANTÓNIO GEDEÃO - O príncipe perfeito.
MAS QUEM VENCER ESTA META, QUE DIGA SE A LINHA É RECTA foi outra exposição documental feita por nós. Abordou o Design de Comunicação nas capas dos discos de José Afonso e contou com a presença dos seus autores: João de Azevedo, José Brandão, Alberto Lopes e José Santa-Bárbara. 
Os artistas inscritos nos catálogos dos nossos dias que nos honraram com os seus trabalhos foram: Henrique Ruivo, José Mouga, João Jacinto, Manuel San Payo. Pedro Chorão, João de Azevedo, Jina Nebe, João Limpinho, Vitor Pomar, Carlos Barão, Jochen Bustorff e Andreas Stöcklein (A exposição de Stöcklein integrou-se numa inciativa da Galeria Ratton).
A galeria funcionou também como montra da ilustração feita em Portugal, isto antes de existir o Espaço Ilustração. Mostraram aqui trabalhos seus André Carrilho, António Jorge Gonçalves, José de Lemos, José Ruy e Manuel João Vieira, mas também muitas mais ilustrações e ilustradores integrados no projecto editorial e expositivo SÉRGIO GODINHO e as 40 ilustrações, em parceria com a Abysmo. 
A Festa da Ilustração tem a galeria da Casa da Cultura como espaço para o ilustrador contemporâneo convidado: André Carrilho foi o primeiro, seguido de António Jorge Gonçalves, Nuno Saraiva, João Fazenda e Cristina Sampaio.
Aqui de perto ou emergentes: Ricardo Campos, Ana Curto, Mónica Garcia, Rui Cardoso, Rita Melo, Ricardo Crista, Gamy Fernandes, Carlos Pereira da Silva, Constança Villaverde Rosado e Bernardo Sousa Santos.
Fotógrafos e fotografias: João Francisco Vilhena, Flávio Andrade, Cristina Homem de Mello, Estelle Valente, Fernando Pinho, António Correia, Graça Ezequiel, Zica Capristano, Jorge Gonçalves. As exposições foram na maior parte originais. Propostas feitas aos artistas. Destaco o desafio a João de Azevedo para desenvolver a ideia da capa do álbum de José Afonso - Com as Minhas Tamanquinhas. Resultou. Levou o artista a expôr esses trabalhos e consequentemente o projecto a outras galerias de cá e de lá de fora.Também José Mouga desenvolveu uma impressionante mostra de pinturas originais de grande dimensão a que deu o título de Notas de Viagem. Esta exposição teve posteriormente um percurso por várias galerias nacionais. Todas estas iniciativas são acompanhadas por um documento impresso, em que se incluem textos de alguns críticos da actualidade e outros de minha autoria. Memória futura.
Pretende-se pois, inscrever a maior seriedade intelectual ao que aqui se produz. A intenção primeira é estarmos envolvidos na respiração e transpiração das artes dos nossos dias. Este tempo de adiamentos vai ditar reprogramação, mas para os próximos tempos estão confirmadas mostras de Teresa Magalhães. Sofia Areal, Maurício Abreu, Manuel Baptista, Fernando Martins, Cruzeiro Seixas, Vera Marmelo, Teresa Ferrand, Cristine Henry, Domingos Rêgo, Francisco Salgueiro, Duarte Belo, Avelino Sá, Luca Padroni, Rita Vilhena, entre outros. Os convites a artistas estendem-se a 2023. Estamos a ajustar nas agendas.A realidade ditará o regresso de exposições ao espaço público. Entretanto vamos mostrando o que se vai fazendo, mas sem proximidade. É o que é possível.
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