sexta-feira, 18 de abril de 2008
A crise e a vitalidade
António Borges diz que o que se está a passar no PSD não é crise mas sim vitalidade. Estranha concepção de vitalidade. Para alguém que conhece tão bem os mercados financeiros, provavelmente a crise económica que atravessamos é sinal de grande vitalidade democrática. Dispensava-se tanta vitalidade, não acham?
O quarteto era de cinema
Pedro Bandeira Freire morreu com o grande projecto da sua vida. Não resistiu ao encerramento do Cinema Quarteto. Muitos testemunhámos esta história de amor. Aquelas quatro salas mostraram-nos o mundo. A morte pode ditar finais menos felizes para intensas histórias de amor. Mas os momentos vividos fazem-nos recordar. Os momentos que passei no Quarteto são inesquecíveis. Muito obrigado, Pedro.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Redemoinho
Diz-se por aí que este PSD não chega ao Verão.
Nada mais errado: o Verão é que não chega ao PSD.
O céu continua encoberto e com acentuados arrefecimentos.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
A bonança tarda.
Esperam-se abertas.
Nada mais errado: o Verão é que não chega ao PSD.
O céu continua encoberto e com acentuados arrefecimentos.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
A bonança tarda.
Esperam-se abertas.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Muito obrigado por ter vindo
Independentemente do resto, o que se estranha é a surpresa com as tropelias de Jardim.
Estranha mesmo é a reacção de Cavaco, ou por outra, a falta dela. Perante esta afronta, talvez fosse mais sensato ter anulado a viagem à Madeira. Mandava o número dois do Estado. Assim como assim Jaime Gama até é capaz de ir a qualquer lado com o presidente do governo regional. Tudo se resumia a uma cordata troca de galhardetes.
Estranha mesmo é a reacção de Cavaco, ou por outra, a falta dela. Perante esta afronta, talvez fosse mais sensato ter anulado a viagem à Madeira. Mandava o número dois do Estado. Assim como assim Jaime Gama até é capaz de ir a qualquer lado com o presidente do governo regional. Tudo se resumia a uma cordata troca de galhardetes.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Que farei quando tudo arde?
Começam a ser corriqueiras, estas atitudes do PSD. O que Rui Gomes da Silva diz não incomoda por aí além: sempre se portou como um tonto. Já Alberto João Jardim, o modelo do líder Menezes, incomoda o sistema democrático. Primeiro porque é um exemplo a seguir pelo presidente do seu partido; depois porque se porta como um canalha. Ele é o fazendeiro que dá ordens a seu bel-prazer. Agora insulta o próprio Presidente da República: O "sr. Silva", como arrogantemente o tratou em tempos. Este soba sem trambelho comporta-se como se de um senhorio se tratasse. Um senhorio sem escrúpulos que domina como entende os arrendatários. A ilha não é dele, mas parece. Assim como o PSD não é de Menezes. E claro que também não parece. Aliás, aquilo já não dá ares a nada.
Pacheco Pereira já sugeriu uma bomba.
Mas que fazer quando tudo estiver em cacos?
Pacheco Pereira já sugeriu uma bomba.
Mas que fazer quando tudo estiver em cacos?
sexta-feira, 11 de abril de 2008
The beginning song
Já conhecem este cd? Não? Então, se se cruzarem com ele, levem-no para casa e depois digam qualquer coisa.
Ouvi Rita Redshoes num concerto de bolso, ali em baixo, na FNAC Chiado. Apesar de ser coisa de algibeira, soube-me a tanto... Mas como eu não conhecia e gostei muito, portanto, soube-me a pouco, com diria o Sérgio Godinho. Foi por isso que desci lá abaixo, à secção de música, e saquei o cd de estreia. Agora vai passando e eu vou conhecendo a voz e as ideias de Rita. Por falar nisso: também se pode conhecer a Rita no seu blog, que já está ali na coluna da direita.
O prazer é todo meu.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Estes indestrutíveis gauleses
Os falsos recibos verdes são um escândalo.
A precariedade no trabalho, que atinge um quarto da população, é uma ameaça. O desemprego é desesperante. Trabalhar para aquecer, sem a devida paga, é uma sacanice indescritível. Os direitos sem deveres são uma constante: reinvidicamos o que merecemos e o que não merecemos. Ganhamos pouco e pagamos muito. Quando se tenta o equilíbrio, provoca-se o desequilíbrio, em nome de um qualquer equilíbrio sectorial.
Este país parece aquela aldeia gaulesa...
A precariedade no trabalho, que atinge um quarto da população, é uma ameaça. O desemprego é desesperante. Trabalhar para aquecer, sem a devida paga, é uma sacanice indescritível. Os direitos sem deveres são uma constante: reinvidicamos o que merecemos e o que não merecemos. Ganhamos pouco e pagamos muito. Quando se tenta o equilíbrio, provoca-se o desequilíbrio, em nome de um qualquer equilíbrio sectorial.
Este país parece aquela aldeia gaulesa...
Receituário
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Branco é...
O deputado Branquinho foi eleito pelo PSD e não se tem dado por ele. Agora resolveu atacar a contratação de Fernanda Câncio para um programa na RTP2. Branquinho preferiria, talvez, Cinha Jardim, Lili Caneças ou José Castelo Branco para apresentarem o programa sobre a vida nos bairros sociais. Acontece que estes prestimosos e persistentes colaboradores televisivos não estão preparados para lidar com a realidade sem cosméticos.
O líder Menezes vai acabar com a publicidade. Branquinho, se for ele a mandar, acaba com colaborações estranhas ao serviço.
Provavelmente, quando o PSD voltar ao poder, nem todos terão direito a trabalhar. A televisão estatal será uma incolor manta de retalhos arranjados lá por casa.
Fernanda Câncio é uma excelente jornalista.
Agostinho Branquinho é não sei o quê...
O líder Menezes vai acabar com a publicidade. Branquinho, se for ele a mandar, acaba com colaborações estranhas ao serviço.
Provavelmente, quando o PSD voltar ao poder, nem todos terão direito a trabalhar. A televisão estatal será uma incolor manta de retalhos arranjados lá por casa.
Fernanda Câncio é uma excelente jornalista.
Agostinho Branquinho é não sei o quê...
Last night
Moby lançou este novo trabalho. Já se vende por aqui. O embrulho é assim: bom como o milho. A música é... Moby. Mais Moby.
Eu estou a gostar. É ouvir.
The big painting

Esta impressionante pintura foi oferecida pelo autor à Tate Britain.
Agora têm de arranjar espaço para colocar o gigantesco trabalho de David Hockney - doze metros e tal de largura. Provavelmente é o que menos preocupa os responsáveis da instituição. A Tate está habituada a esdrúxulos desafios. Há sempre lugar para mais um.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Futuro próximo

Julieta do Vale inaugura na próxima quinta-feira uma exposição de fotografias suas. Chamou-lhe Futuro Próximo. As imagens foram todas feitas no Japão, país onde esteve suportada por uma merecida bolsa de estudo atribuída pela Gulbenkian.
A Julieta fez o estágio profissional na DDLX. E nós gostamos muito dela e do seu trabalho. Para justificar a mostra resolveu escrever estas bonitas palavras:
Dias em que me aproximo do futuro. Vejo que os elementos envolvidos no meu caminho mantêm um movimento inverso mas harmonioso. Toda a gente se dirige para onde vai e eu só ando. Preciso de arroz e de perceber porque está tudo tão bem iluminado.
O espaço de tempo entre acontecimentos dirige os pensamentos para algumas conclusões agradáveis. Procuro o incompleto. Os meios de transporte são confortáveis mas não adormeço facilmente. Tento representar o invisível que me rodeia.
Os ambientes apresentam uma assimetria que encanta, através do desequilíbrio e da aparente casualidade das coisas. Ao eliminar o que não é essencial, reduzindo as coisas à sua essência, o design japonês evoca um sentimento de infinidade.
O espaço é uma entidade com quatro dimensões: altura, largura, comprimento e tempo. Não é necessário estar cheio para ser útil. O vazio pode ser preenchido pela habilidade de cada um. No espaço aberto onde ficamos, podemos estruturar o fluir do tempo e beber chá verde. Podemos ver as pessoas que passam. Levam saquinhos cheios de pedras redondas. Mexem os braços duma maneira diferente.
Os dias são curtos e o vento é cortante. Posso descobrir outros caminhos sem me perder. Parece que respondo bem em japonês a perguntas que não percebi totalmente. Por alguma razão as coisas fluem.
Galeria Monumental
10 Abril > 7 Maio
Terça a sábado, das 15h00 às 19h30
Campo dos Mártires da Pátria, 101, Lisboa
Dias em que me aproximo do futuro. Vejo que os elementos envolvidos no meu caminho mantêm um movimento inverso mas harmonioso. Toda a gente se dirige para onde vai e eu só ando. Preciso de arroz e de perceber porque está tudo tão bem iluminado.
O espaço de tempo entre acontecimentos dirige os pensamentos para algumas conclusões agradáveis. Procuro o incompleto. Os meios de transporte são confortáveis mas não adormeço facilmente. Tento representar o invisível que me rodeia.
Os ambientes apresentam uma assimetria que encanta, através do desequilíbrio e da aparente casualidade das coisas. Ao eliminar o que não é essencial, reduzindo as coisas à sua essência, o design japonês evoca um sentimento de infinidade.
O espaço é uma entidade com quatro dimensões: altura, largura, comprimento e tempo. Não é necessário estar cheio para ser útil. O vazio pode ser preenchido pela habilidade de cada um. No espaço aberto onde ficamos, podemos estruturar o fluir do tempo e beber chá verde. Podemos ver as pessoas que passam. Levam saquinhos cheios de pedras redondas. Mexem os braços duma maneira diferente.
Os dias são curtos e o vento é cortante. Posso descobrir outros caminhos sem me perder. Parece que respondo bem em japonês a perguntas que não percebi totalmente. Por alguma razão as coisas fluem.
Galeria Monumental
10 Abril > 7 Maio
Terça a sábado, das 15h00 às 19h30
Campo dos Mártires da Pátria, 101, Lisboa
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Moda Outono-Inverno 2008/2009
Menezes diz que quer um "PSD à moda de Alberto João Jardim". A inspiração para os próximos desfiles está revelada e não causa espanto. Esperemos que haja folclore madeirense na "passerelle".
Em tudo isto parece haver alguma precipitação. É que não é seguro que seja o estilista Menezes a escolher os modelos. Ainda falta ano e meio. Todos sabemos que as modas passam depressa.
domingo, 6 de abril de 2008
O Coelho vai de mota
Já muito foi dito sobre o novo emprego de Jorge Coelho. Ilegalidade não há. Há Mota-Engil. E há muita pachorra para aturar tanta pouca vergonha. Coelho é um conhecido"manteigueiro". Antes de comentar uma actividade aparentemente criticável, declara a sua simpatia pelo objecto da crítica: "um grande amigo", "um homem integro", "um grande profissional". Com tanto mimo semeado é natural que colha frutos. Eles aí estão. E são de betão.
My iPhone
Há muito que utilizo os produtos lançados pela empresa de Steve Jobs. Lido diariamente com os computadores e com as respectivas ferramentas. Em Fevereiro chegou às minhas mãos mais um elemento da família apple. Serve para telefonar, mas provoca muitos mais desafios. É um comunicador incrível. Falo nisto devido ao post do Daniel Oliveira. Sou testemunha do seu entusiasmo. Encontrei-o no dia da aquisição, e digo-vos: o gajo tem razão para estar entusiasmado. Esta é mesmo uma das mais fascinantes criações do pessoal da maçã dentada.
O que está na fotografia é o meu. Não direi que estou apaixonado, como o Daniel, mas gosto muito dele.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Oportunidade
A tribo do PSD madeirense vai a fogo de conselho. O soba já disse que os arautos do reino, os jornalistas do continente, não vão pôr os presuntos à volta da fogueira. Um dos chefes tribais, um tal Gabriel Drummond, já ameaçou quem decide: se as coisas não mudarem é decretada unilateralmente a independência do arquipélago.
Apelo ao Governo da Nação: embora aproveitar?
Obras na sala de operações
O B'O anda em manobras de actualização. A coluna do lado direito foi alterada. Os blogues pessoais passaram para a categoria de consultórios particulares. Os com mais participações continuam nas clínicas privadas. Vai surgir a cirurgia estética, para os estetas, e a sala de espera, para quem não posta há muito. Fora de portas está quem está lá fora, a fazer pela vida.
Prometo ser breve.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O que é o teatro?
Há uma exposição, editada pela Direcção Geral das Artes, que anda por aí. Foi lançada no Dia Mundial do Teatro, chama-se O Que é o teatro?, foi comissariada por Maria João Brilhante e tratada visualmente por nós, na DDLX.
Procurem-na. Deve estar num teatro, escola ou sede de autarquia aí perto.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Maria Helena Vieira da Silva
Vieira da Silva faria este ano 100 anos. A Fundação que preserva o seu nome e trabalho inaugura hoje uma exposição a que foi dado o título Vieira da Silva Un élan de sublimation - Um percurso iniciático através da obra.
McCullers
Inês Pedrosa vai estar na Fundação Luso-americana, para conversar sobre Carson McCullers.
A sessão é integrada no ciclo ASAS SOBRE A AMÉRICA/WINGS OVER AMERICA, organizado por Filipa Melo.
Amanhã, a partir das seis e meia da tarde.
Fundação Luso-Americana
Auditório | 18,30 h.
Rua do Sacramento à Lapa, 21, Lisboa
terça-feira, 1 de abril de 2008
Serviço de catering
As palavras de Jaime Gama, no Funchal, não merecem o alarido que por aí vai. Trata-se de mero discurso institucional. Esperavam que o homem lá fosse e arrasasse? Isso não são contas do seu rosário. Quem tem de mandar abaixo o "Bokassa" é a oposição madeirense. Não sei de que se queixam. Queriam a papinha toda feita, e servida directamente pelo continente? E não querem mais nada?
Um homem justo e bom
Marinho Pinto, o líder dos causídicos, é um humanista. Preocupa-se com toda a gente. O seu zelo vai ao ponto de defender, em apelos à justiça, um líder de extrema-direita, confesso nazi, acusado de algumas má-vontades para com cidadãos incomodativos. O Bastonário é um homem justo e bom. Completamente fora dos padrões convencionais. Felizmente não somos todos iguais. O dr. Pinto até está solidário com quem defende uma única forma de estar no mundo. Longe de gente de cor diferente: uns chatos que só servem para incomodar.
Grande humanista, o dr. Pinto.
Não terá mais causas para defender?
Não terá mais causas para defender?

Fui convidado para mandar umas bocas no aeiou.
Aceitei.
Esta é a primeira bola a sair do saco.
Vão até lá.
www.aeiou.pt
Aceitei.
Esta é a primeira bola a sair do saco.
Vão até lá.
www.aeiou.pt
segunda-feira, 31 de março de 2008
Arquitectura distinguida
Jean Nouvel vai receber o Pritzker. O prémio reconhece um grandecíssimo arquitecto e, mais uma vez, prestigia-se.
União por decreto
A Igreja Católica controlar os seus adeptos não traz mal nenhum ao mundo. Quem se põe a jeito que lide com o assunto. Agora, querer meter o bedelho na vida de todos nós, tentando influenciar o Governo, já não é reza para levar amén. O divórcio, tal como o casamento, são acordos que devem ser tratados entre as partes envolvidas. A sua permissão em absoluta liberdade não dita um fim para a instituição que une duas pessoas. Antes consolida a possibilidade de perceber o seu funcionamento. Ninguém é feliz por decreto. Procura-se a felicidade experimentando: às vezes a gente engana-se; outras não. É a vida.
As decisões institucionais estabelecem regras. Mas, já agora, que essas regras sejam razoáveis e civilizadas. A bem das instituições.
Imagem do filme Quatro casamentos e um funeral
domingo, 30 de março de 2008
Outro cromo
Paulo Portas já percebeu os motivos da agressão aos professores nas salas de aula. Tudo tem a ver com a política da Ministra da Educação.
O problema da violência nasceu com Maria de Lourdes Rodrigues, portanto. Faz esta revelação com ar sério, irritado mesmo, ungido por toda a razão do mundo. Que escola terá frequentado o líder do PP na sua adolescência?
O regresso
António Borges, a eterna reserva do PSD, resolveu saltar para o palco da política nacional com declarações polémicas. Menezes que se cuide, já se avistam as barbatanas dos tubarões do partido. O estilo parece ser o mesmo do líder actual: andar para a frente sem olhar para o lado, e atacar sem olhar consequências. O tubarão é um animal político perigoso: dilacera a vítima sem piedade. Todo o cuidado é pouco.
sábado, 29 de março de 2008
Cromos
Anda por aí grande desassossego por causa do horário de transmissão de uma telenovela. Uma senhora que eu já não me lembrava que existia desde os meus dez anos, tornou-se arauto da coisa. A tal senhora, ultimamente mais conhecida por apoiar Presidentes da República ganhadores, para depois aparecer na janela da aclamação no dia da vitória - aconteceu com Sampaio e Cavaco - aparece agora como porta-voz da justa luta pela difusão da "Vila-Faia" depois dos telejornais. Simone de Oliveira - é assim que se chama a criatura - nunca encantou enquanto cantou. Foi voz da acomodação nacional-cançonetista. Agora convenceram-na das suas virtudes como grande senhora da canção. E ela acreditou. Enche noites com entrevistas e inenarráveis espectáculos de homenagem. Confunde irreverência (tabaco que nunca fumou), com indelicadeza. Chama badameco, sem meias palavras - que coragem! -, ao director de programas da RTP, José Fragoso, só porque este parece não estar disposto a satisfazer as suas impertinências. Mais uma justiceira convencida da sua imensa razão. Só não percebi a razão de se fazer de novo a porcaria da telenovela.
O grande Jerónimo
Jerónimo de Sousa aparece em todas. É herói de reformados em fúria contra o Governo. Defende, com ar pesaroso, o estado em que se encontra a dignidade dos professores. Lamenta a instabilidade no Ensino. Quem ligar as televisões, na hora a que passam os noticiários televisivos, fica com a sensação de que um incansável justiceiro zela pelos nossos direitos. Todos os cidadãos portugueses deveriam ter memorizado o número de telemóvel do grande Jerónimo. Dava jeito. A gente tinha uma aflição qualquer e pimba, ligava ao homem para ele denunciar o atropelo nos telejornais. É que, por cá, ao contrário do que se passou até há bocadinho na pátria do camarada Fidel, já há muito que o pequeno aparelho serve para comunicar. Estes valorosos democratas até reconhecem a utilidade do pequeno telefone. Mas a sua utilização é mais útil ainda quando se combate o Poder burguês e reaccionário. E a gente tem de ter paciência para isto tudo.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Pátria, morte e telemóveis
Raul Castro, o novo capataz lá da ilha, autorizou o povo cubano a comprar telemóveis. Até aqui, este luxo asiático estava vedado ao povo simples e feliz. Claro que com a intenção de evitar a degradação das mentes. A palavra de ordem tem sido "Patria o muerte". Telemóveis não estava previsto. O irmão Castro ainda vai estragar o povo com mimos.
Deambulatório
Dei uma passeata pelos arredores. Cruzei-me com dois novos vizinhos que merecem visita. Aqui estou eu a dar as boas vindas.
Um faz fitas, vive em Madrid e é uma surpresa permanente.
A minha amiga Maria João Rolo Duarte, jornalista, vive aqui mais perto, no Campo Grande, nome que escolheu para o seu lugar de opinião.
Força nos dedos!
A minha amiga Maria João Rolo Duarte, jornalista, vive aqui mais perto, no Campo Grande, nome que escolheu para o seu lugar de opinião.
Força nos dedos!
quinta-feira, 27 de março de 2008
Mudanças na educação
A actriz protagonista do filme "Dá-me o telemóvel velha do caraças" e o seu realizador, vão mudar de estúdio. Ou seja, vão ser corridos da escola onde aprenderam a ser o que são hoje. Se isto é uma solução ou não, não sei. Sei que é assim como varrer o lixo para debaixo da carpete.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Não será melhor falarmos da educação dos pais?
A utilizadora do mais famoso telemóvel do país vai ser julgada. Em Tribunal de Menores, já que, como a idade não perdoa, a situação assim o exige. Claro que este caso foi eleito para servir de exemplo. Agora é a moça que se lixa com a história da divulgação do filmezinho no YouTube. Caiu nas malhas que lhe comandam a vida. Mas há uma coisa de que pouco se fala, quando se fala de violência nas escolas: então os papás e as mamãs não têm nada a dizer? Provavelmente pensamos que basta armá-los de telemóvel e largá-los nas redes de comunicação cada vez mais acessíveis. A gente compra aquela caixinha que traz o aparelho, com todas as vantagens incluídas, e pensamos que vem lá tudo: educação, conhecimento, ocupação de tempos livres e até um manual de boas maneiras. Depois é só dar um beijinho à saída e outro ao deitar, e já está.
Vamos longe, vamos.
Vamos longe, vamos.
terça-feira, 25 de março de 2008
Decidam-se, pois
Como já foi dito, e tão bem, eu calo-me.
Há coisas que não entendo. Quando se fala, em abstracto, em combater a «fuga ao fisco» todos estão de acordo. Quando, em concreto, o Fisco procura inquirir situações em que a fuga aos impostos é frequente – os banquetes de casamentos e serviços associados, desde fotógrafos a floristas, por exemplo – cai o Carmo
e a Trindade. «Coitados» dos contribuintes são «ameaçados» com a aplicação da lei. Pressionado pela comunicação social que, quase abertamente, defende a fuga aos impostos, lá vem o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, falar em «excesso» das Finanças. Afinal, querem combater a fuga ao fisco ou não?
Decidam-se!
Tomás Vasques hoje há conquilhas
Há coisas que não entendo. Quando se fala, em abstracto, em combater a «fuga ao fisco» todos estão de acordo. Quando, em concreto, o Fisco procura inquirir situações em que a fuga aos impostos é frequente – os banquetes de casamentos e serviços associados, desde fotógrafos a floristas, por exemplo – cai o Carmo
e a Trindade. «Coitados» dos contribuintes são «ameaçados» com a aplicação da lei. Pressionado pela comunicação social que, quase abertamente, defende a fuga aos impostos, lá vem o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, falar em «excesso» das Finanças. Afinal, querem combater a fuga ao fisco ou não?
Decidam-se!
Tomás Vasques hoje há conquilhas
segunda-feira, 24 de março de 2008
Uma aventura na sala de aula
O caso choca. Uma professora é agredida por uma aluna perante gáudio da turma. Bastou a confiscação de um incomodativo telemóvel -utensílio, como é sabido, indispensável a qualquer adolescente-, para que a rapariga de passasse dos carretos. A professora resistiu. Os alunos davam instruções à colega. Parecia uma daquelas sessões de luta americana em que tudo é a fingir. Mas aqui era tudo mais a sério. Cenas desta acontecem um pouco por todo o país. Já há quem defenda expulsões e outros castigos exemplares. O "antigamente" vem logo à baila. Como se antigamente tudo fosse exemplar. É preciso entender e reagir ao que se está a passar. Mas com os instrumentos do presente. Comecem pura e simplesmente a excluir, sem tentar perceber o porquê desta agitação, e vão ver onde vamos parar.
sábado, 22 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
Jogo limpo
O Presidente português não vai à festa de abertura dos pequineses Jogos Olímpicos. Haverá certamente pouca vontade de apertar a mão a gente que as tem sujas de sangue. Esta olímpica chinesice será uma tentativa de polir um regime que, por muito que tente, já não convence ninguém do seu brilho. Ver o Desporto como pano amaciador é estranho.
Cavaco fez bem em não se inscrever na brigada de limpeza.
Cavaco fez bem em não se inscrever na brigada de limpeza.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Bairro Alto com seus amores...
Parece que a Junta de freguesia do Bairro Alto quer que os cozinheiros lá da zona se deitem com as galinhas. A ideia é preservar o descanso dos velhotes que lá moram. Mas será esta a solução que porá cobro ao pouco descanso actualmente existente? Não creio. O Bairro Alto é um lugar de divertimento nocturno que precisa de requalificação. Precisa de cuidados estéticos e éticos. As inscrições murais, os assaltos e a venda de droga não são flor que se cheire. E o sono dos ocupantes diurnos deve ser preocupação da Junta, de facto. Mas, fechar as cozinhas dos restaurantes às dez da noite, sem se ter em conta os desenvolvimentos dos últimos anos, é matar a zona. Se calhar há quem ainda se lembre com agrado dos tempos da prostituição e dos desacatos em pleno dia. Convenhamos que não é por aí que se requalifica coisa alguma. A ocupação das cidades deve ser feita por todos. A vida das cidades é a vida de todos nós. Lisboa tem de contar com todos. Em princípio todos deveremos ter direito à felicidade, onde o acharmos possível. Para isso é preciso pedir aos causadores da violência e do mau-estar actualmente existente que se retirem. Não será fácil gerir um papelinho destes, reconheço. Mas é para pensar em soluções e trabalhar no sentido de resolver os problemas que os autarcas são eleitos. Cortar a direito, sem perceber consequências deveras desagradáveis, não me parece a melhor resposta, nem para o divertimento, nem para o descanso do pessoal.
Serão os próprios velhotes a ter saudades do tempo em que havia animação, aposto.
Serão os próprios velhotes a ter saudades do tempo em que havia animação, aposto.
terça-feira, 18 de março de 2008
Quem tem vagar...
Proibir piercings e tatuagens, a quem está autorizado a fazê-lo, é parvo e contraproducente. Já estou a ver a correria às "clínicas" clandestinas.
O apetite para a transgressão que as proibições despertam é tão vulgar como a necessidade que certa gente tem de proibir tudo e mais alguma coisa. Não podemos andar por aí a fazer a apologia da extinção de tudo o que não apreciamos. Nem mesmo quando somos deputados e estamos em posição de impor leis. Não dá.
O senhor deputado não terá mais nada para fazer?
O apetite para a transgressão que as proibições despertam é tão vulgar como a necessidade que certa gente tem de proibir tudo e mais alguma coisa. Não podemos andar por aí a fazer a apologia da extinção de tudo o que não apreciamos. Nem mesmo quando somos deputados e estamos em posição de impor leis. Não dá.
O senhor deputado não terá mais nada para fazer?
Cinemateca mexe
O Pedro Mexia foi nomeado número dois da Cinemateca. Mexia não é homem de aparelhos. Também não é tido como um cinéfilo empedernido, daqueles que acham que tudo começa e acaba nas salas de cinema. Pedro Mexia consome e divulga a Cultura como objecto de prazer. Sem obsessões militantes. Sem imposições de gosto. Isso é bom. Esta aquisição para a Cinemateca é saudável.
Só visto
O Daniel Oliveira foi condenado por chamar palhaço a Alberto João Jardim. Chamar palhaço a quem não se mete com ninguém. Insultar alguém que é senhor de uma conduta correctíssima e invejável. Só tu, Daniel.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Festejar o quê?
O soba do Funchal celebra 30 anos de exercício do seu poder. Há trinta anos que faz chantagem com o Governo da República, insulta, insinua, não paga dívidas, persegue adversários, entroniza o dislate.
Fez estradas e outros utensílios públicos civilizados. Preço elevado. Mas, em trinta anos, é suposto nada ser feito?
A festa é rija. O seu amigo Berardo, que na Madeira se anicha ao PSD e aqui a quem estiver no Governo, já lançou os foguetes: Essa coisa de não haver Democracia é treta, claro. No fim das contas, a Democracia só serve para empatar. A "obra" faz-se por cima de toda a folha.
Fez estradas e outros utensílios públicos civilizados. Preço elevado. Mas, em trinta anos, é suposto nada ser feito?
A festa é rija. O seu amigo Berardo, que na Madeira se anicha ao PSD e aqui a quem estiver no Governo, já lançou os foguetes: Essa coisa de não haver Democracia é treta, claro. No fim das contas, a Democracia só serve para empatar. A "obra" faz-se por cima de toda a folha.
Ai Tibete
O Dalai Lama chamou-lhe "Genocídio cultural". Enganou-se. Esse tormento já acontece há muito tempo. O que houve agora foi genocídio mesmo, daqueles com gente morta e tudo. Os dirigentes chineses continuam a torturar e a matar sem respeito pela dignidade humana. Até vão organizar o maior evento desportivo do planeta. Claro que todos vão participar. Ninguém vai virar costas a esta oportunidade. Quem vira costas a um gigante? E o gigante económico continua a ser o maior marcador.
domingo, 16 de março de 2008
Cinco anos
Houve uma cimeira convocada à pressa. Foi nas Lages, nos Açores. Daí a uns dias começou a guerra. Passados cinco anos e muitos mortos, não se encontra utilidade no confronto. Uma reportagem de televisão, sobre os sem-abrigo nos Estados Unidos da América, dá mais uma achega a esta realidade bem triste: muitos dos que vivem na rua são veteranos de guerra. Foram devolvidos sem esperança nem futuro. Poderosas depressões afastaram-nos das famílias. Há quem veja vantagens nesta guerra. Bush, por exemplo, viu. Agora, vai-se embora, encantado com a proeza.
sábado, 15 de março de 2008
O mundo a seus pés
A garrafa à direita da fotografia tem lá dentro um vinho a que foi atribuído um importante prémio, em França.
Sou testemunha da excelência destes conteúdos. Depois de fotografada, a garrafa que aqui figura foi consumida cá pelo rapaz. Um vinhão, só vos digo.
Os peritos franceses consideraram-no um dos melhores do mundo. Coloco-me humildemente de acordo.
Parabéns ao Jaime Quendera, o enólogo, e a Leonor Freitas, responsável da Casa Ermelinda de Freitas, que me ofereceu as garrafas do retrato, que tanto prazer me proporcionaram. Nunca as mãos lhe doam.
sexta-feira, 14 de março de 2008
A grande barafunda
O baronato do PPD/PSD continua em demanda com a actual liderança. Dias Loureiro lembra que a actual direcção poderá controlar o que se passa entre paredes, mas não vai convencer o país em 2009. Acho que Loureiro tem razão. Mas, com esta gente, o país precisa de ser convencido de quê?
quinta-feira, 13 de março de 2008
Fraquezas humanas

Foi esta rapariga que "lixou" o governador democrata de Nova Iorque. E, dando ouvidos ao que já por lá soa, ainda vai estragar a campanha de Hilary. Enfim, o homem revela-se perante estas fraquezas. Fraquezas?!
A imagem vem no Público.
terça-feira, 11 de março de 2008
Rogério Ribeiro
segunda-feira, 10 de março de 2008
De luto!?
Ouvi hoje, na rádio, um professor do sindicato, eufórico com a atitude de os seus colegas se apresentarem de luto nas salas de aula. Provavelmente é verdade. E é ridículo.
Este braço de ferro entre os professores e a ministra vai encetar, com um texto a publicar brevemente, a minha participação no aeiou.
Depois faço a ligação aqui no B'O.
Até já.
Este braço de ferro entre os professores e a ministra vai encetar, com um texto a publicar brevemente, a minha participação no aeiou.
Depois faço a ligação aqui no B'O.
Até já.
A paleta e o mundo
As coisas não correm de feição para Sarkosi. O homem é obsessivo e baralha tudo à sua volta. Ora parece um bom estadista, ora parece um doido varrido. Quem começa a perder a paciência é o pessoal que o atura: os franceses. As eleições deste fim-de-semana já o demonstram. E não é Carla Bruni que lhe vai valer. Muito pelo contrário. Em França, como em todo o mundo, quem deve fazer vender as revistas cor-de-rosa é quem vive nesse mundo tranquilo. Os políticos devem ter outras preocupações. Nem sempre o presente de quem vota é pintado de cores vivas e alegres. Para muitos, o presente não é a cores e o futuro espreita negro. Sarkosi vive em tons de rosa, e borra a pintura toda quando mistura as tintas.
domingo, 9 de março de 2008
Bom vento
A esta hora, são dez da noite, parece que Zapatero já tem a vitótia assegurada. Os enleios da direita e dos católicos mais serôdios foram desfeitos. Espanha está a mudar. E parece que os espanhóis não querem que a mudança pare. Fiquei contente com esta festa da liberdade. Mas não devemos esquecer quem não pode participar no foguetório; o ex-autarca assassinado pela ETA.
Há muito trabalho na mesa de Zapatero. A Democracia dá muito trabalho. Na ditadura tudo é muito mais fácil: funciona só para alguns.
Erros meus, má fortuna
O comentário transcrito do der terrorist, no passado dia 4, pecava por imprecisões que já foram esclarecidas pelo seu autor. Coloquei aqui o texto integral porque as declarações do ex-deputado, se fossem verdadeiras, eram graves. Não eram.
O José Simões fiou-se em fontes inquinadas. Acontece. Errar é humano, e corrigir o erro é honesto.
Apesar de as minhas culpas serem por tabela, também peço desculpa aos atingidos por este erro, em especial ao André Machado, que reagiu de imediato. O post fica, para que a coisa fique documentada.
O José Simões fiou-se em fontes inquinadas. Acontece. Errar é humano, e corrigir o erro é honesto.
Apesar de as minhas culpas serem por tabela, também peço desculpa aos atingidos por este erro, em especial ao André Machado, que reagiu de imediato. O post fica, para que a coisa fique documentada.
Bom vento
A ETA voltou a matar. Os criminosos atacam quando a Democracia se manifesta.
A melhor resposta é a participação nas eleições que tanto os atormentam.
Mas a resposta não é dar a vitória ao papamissas do PP.
Espero que Zapatero continue como primeiro-ministro.
Até logo.
A melhor resposta é a participação nas eleições que tanto os atormentam.
Mas a resposta não é dar a vitória ao papamissas do PP.
Espero que Zapatero continue como primeiro-ministro.
Até logo.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Próxima paragem: Gaia
Já ninguém aguenta Menezes. A preocupação inicial prendia-se com o pendor para o populismo. Já não se fala disso. O que sobrou desse susto é bem pior. Uma tão grande inabilidade e falta de senso ultrapassam tudo o que é explicável. Já não há quem tente perceber o fenómeno. Todos o querem ver pelas costas.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Barrigada de histórias
Um livro de histórias do Alentejo. Do Alentejo profundo. Do Alentejo rural. Nesta hipótese de História, o que se pode encontrar são relatos de acontecimentos individuais, singulares, únicos. Quase sempre esquisitos. Extravagantes. Isolados e excêntricos, porém, apenas na aparência. No seu conjunto, na relação que entre si se propõe, formam tais episódios um curioso corpo. Perfazem um todo do qual sobressaem as mais poderosas dicotomias que enraízam uma certa portugalidade. A revolta e a resignação. A indignação e a indiferença. A fé e a incerteza. O subtítulo lança o aviso: Crença e insubmissão no Alentejo do século XX. Sendo que esta «crença» tanto se pode materializar na devoção religiosa propriamente dita como na ilusão, na alucinação, ou no logro que sempre acontece quando é farta a abundância de utopias políticas ou de prodígios sobrenaturais e, até, extraterrestres. Resta referir que estas são reportagens históricas, umas vezes mais lúdicas, outras mais etnográficas, outras mais documentais. São artigos que, no seu todo, consubstanciam uma grande reportagem sobre uma certa «História do Alentejo rural».
Paulo Barriga - Jornalista free-lancer, nasceu em Beja em 1968. Começou a carreira nas rádios locais. Trabalhou nas redacções do Diário do Alentejo, O Independente, Correio da Manhã e Visão. Foi fundador das revistas Imenso Sul, Alentejo Terra Mãe e A Outra Margem, da qual foi director. Entre 1995 e 1998, participou no projecto EXPO'98, primeiro como redactor do Expo Informação (do Público) e depois enquanto redactor do Diário da Expo (Diário de Notícias) e da Agência Expo de Informação. Publicou reportagens em órgãos como o Expresso, o Sol, a Grande Reportagem ou a Focus. É crítico literário do Diário do Alentejo e cronista do Correio Alentejo. Publicou livros no campo da reportagem histórica e da etnografia, entre os quais Castro Verde 20 Anos – A Revolução Transparente (1997) ou Campos de Concentração – O Envolvimento Português na Guerra Civil de Espanha (1999).Terra Vermelha - Crença e Insubmissão no Alentejo do Século XX
Autor: Paulo Barriga
Prefácio: Francisco Camacho
Edição: Guerra e Paz
112 Páginas
Colecção: O Passado e o Presente
Preço: 13,30 €
quarta-feira, 5 de março de 2008
Parabéns ao Público
Eu tinha vinte e oito anos quando o Público saiu pela primeira vez. Iniciámos então uma amizade que dura até hoje. Mantemos uma relação permanente. Diária. Tenho amigos entre quem o faz e nem sempre estou de acordo com o que é opinado. Tal e qual como com os amigos. Mas a melhor opinião está lá. São os meus amigos que têm as melhores opiniões, mesmo quando não têm as melhores opiniões. Exactamente por isso é que são meus amigos.No primeiro dia em que o jornal saiu, um amigo meu, então já na casa dos oitenta, assegurava-me: "finalmente temos um jornal diário decente". O decreto era creditado pela sua longa vida profissional. Foi jornalista, em França, durante o período da guerra. Trabalhava para uma das principais agências noticiosas da pátria de De Gaulle. Chamava-se José Abreu. Era um prazer conversar com ele. Recordo-o neste dia em que o jornal que o acompanhava diariamente comemora mais um feliz aniversário. A ele com saudade. Ao Público com esperança.
Os descamisados
Rui Marques, um bom rapaz que usa a sua imensa vontade de ser saliente para gostar muito de desprotegidos, resolveu agora montar um novo partido. Esteve a contar os objectivos da coisa a Ana Lourenço, na SIC-N. A prestação foi notável: ele é excluídos, ele é bom-senso, ele é pontes de boa-vontade, ele é esperança... Esta é aliás a palavra do meio do novo movimento - MEP. Mas o novel dirigente político não se assoa a qualquer lenço. O seu posicionamento no espectro partidário é ao centro. Não, não é para afastar a malta de Portas das luzes da ribalta. O centro para ele é entre o PS e o PSD. No centro do poder mesmo. Mais uma inscrição para o chamado centrão. De resto, o discurso balofo, ao nível das declarações de concorrentes a miss Universo, é tão poucochinho que só se pode encaixar num espaço político inexistente. Insistiu muito na metáfora de "uma mesa para todos" para justificar o seu lugar nos salões. Esta gente às vezes safa-se. Esperemos que não seja o caso. Uma Evita de fato e gravata é o que menos falta nos faz.
terça-feira, 4 de março de 2008
Adivinha

Foi o José Simões que divulgou esta anormalidade.
Qual foi o ex-deputado qual foi, que, em debate decorrido esta tarde no Liceu de Setúbal, organizado por uma turma de Humanidades, e que contou com a participação de ex-deputados do PS, PSD e PCP, afirmou perante um auditório completamente cheio de alunos e professores, entre outras coisas, que, ao contrário do que por aí se diz, não acha que os jovens de hoje leiam e escrevam pouco, porque comunicam de outras formas, por sms, no msn, ou no hi5; por exemplo. E que acha uma seca ter de estudar Gil Vicente e Eça de Queiroz, por terem coisas que não interessam nada; e que não é grave os alunos não terem contacto com as obras dos autores portugueses, porque, mais cedo ou mais tarde, acabam por encontrar citações desses mesmos autores na net.
Uma dica: é do PSD
Qual a razão de se convidar um apologista da ignorância para falar a alunos de uma escola secundária?
Vá lá, vá lá que é ex~deputado. Haverá por lá mais gente desta? Huuuuummm.
Um “achista” à solta
O Pedro Rolo Duarte achou o mesmo que eu ao visionar a intervenção desta criatura no último Prós e Contras.
E eu não resisti em fazer passar para aqui o achado:
Lá estão de novo a debater o tema da educação. Hoje numa perspectiva enriquecida pelo olhar de sábios como João Lobo Antunes e António Câmara. O debate não corre mal.
Mas às tantas vejo levantar-se e falar Carlos Coelho, o homem que os media elegeram para se pronunciar sobre marcas, logótipos, imagem, marketing (Portugal tem esta característica quase risível, porém verdadeira: de vez em quando descobre um “especialista”, fixa-lhe o numero de telemóvel, e ei-lo a fazer jus à ideia do “cair em graça”...).
Carlos Coelho é um bom profissional – mas não é tão bom quanto ele se julga. É um excelente vendedor de si próprio, mais do que dos produtos que lhe pedem visibilidade. Não percebo o que pode acrescentar a este painel sobre educação – nem ele, pelos vistos, dado que debita em escassos minutos um conjunto generoso de baboseiras sem nexo, apelando ao apaziguamento da crise entre professores e Ministra. Estou a tentar concentrar-me no que diz, mas não consigo porque não percebo onde quer chegar. Ele também não percebe, enrola-se nas palavras, evoca os filhos que estudam no estrangeiro mas não explica porquê, e às tantas elogia a escola portuguesa pela “sensibilidade” (??). Enfim, parece um espontâneo que entrou sem convite no auditório da RTP.
Para ler o resto vá até ao blogue do Pedro
E eu não resisti em fazer passar para aqui o achado:
Lá estão de novo a debater o tema da educação. Hoje numa perspectiva enriquecida pelo olhar de sábios como João Lobo Antunes e António Câmara. O debate não corre mal.
Mas às tantas vejo levantar-se e falar Carlos Coelho, o homem que os media elegeram para se pronunciar sobre marcas, logótipos, imagem, marketing (Portugal tem esta característica quase risível, porém verdadeira: de vez em quando descobre um “especialista”, fixa-lhe o numero de telemóvel, e ei-lo a fazer jus à ideia do “cair em graça”...).
Carlos Coelho é um bom profissional – mas não é tão bom quanto ele se julga. É um excelente vendedor de si próprio, mais do que dos produtos que lhe pedem visibilidade. Não percebo o que pode acrescentar a este painel sobre educação – nem ele, pelos vistos, dado que debita em escassos minutos um conjunto generoso de baboseiras sem nexo, apelando ao apaziguamento da crise entre professores e Ministra. Estou a tentar concentrar-me no que diz, mas não consigo porque não percebo onde quer chegar. Ele também não percebe, enrola-se nas palavras, evoca os filhos que estudam no estrangeiro mas não explica porquê, e às tantas elogia a escola portuguesa pela “sensibilidade” (??). Enfim, parece um espontâneo que entrou sem convite no auditório da RTP.
Para ler o resto vá até ao blogue do Pedro
Não matarás
A violência é assustadora. Estes recentes casos são chocantes. O desprezo pela vida humana, revelado em tanta crueldade, deixam-nos uma sensação de impotência face a um agressor sem rosto. Uma cobardia que nos indigna. Poderemos não estar perante algo organizado, mas não estamos habituados a demonstrações tão sucessivas de criminalidade aparentemente impune. Gostaríamos de andar por aí mais descansados. Quem o garante?
segunda-feira, 3 de março de 2008
Amplas liberdades
Simpatizantes do PCP manifestaram-se, sábado passado, pela liberdade. Oportuna iniciativa. Não é com certeza pela liberdade em Portugal, que existe e recomenda-se. O PCP defende o "internacionalismo proletário". Internacionalmente as coisas não estão nada bem. Há problemas e uma esperança em Cuba. Ingrid Betancourt está injustamente presa há um ror de anos, estando actualmente bastante doente. Na Coreia, que Bernardino declarou democrática, a Democracia não está com muita saúde. Na China, o capitalismo sem regras desafia as regras do comunismo. E os saudosistas das liberdades soviéticas negam as insuficiências que decretaram o fim do "socialismo científico". Com tanta limitação, é natural que surja a indignação. Foi o que agora aconteceu ao PCP: fez jus aos seus desígnios e lutou pela liberdade. Em liberdade, claro.
Processo em cima
Paulo Portas e Jaime Silva andam de candeias às avessas. Um problema de branqueamentos está a causar um certo mau-estar entre os dois políticos. As insinuações de ordem pessoal, quando lançadas dos púlpitos públicos, não são grande atitude. Jaime Silva foi desbragado na resposta às injúrias de Portas. Este, por seu lado, resolveu convocar uma conferência de imprensa onde anuncia que vai processar judicialmente o Ministro da Agricultura. tudo isto é lamentável, mas o ministro tem uma certa razão. Com a escuridão que paira sobre as decisões que nortearam na recta final o governo a que Portas pertenceu, não admira que hajam tentativas pouco saudáveis de branqueamento. Mas terão de ser os tribunais a aclarar estes comportamentos?
domingo, 2 de março de 2008
Erros meus, má fortuna
No post do passado dia 25, sobre a festa do cinema, errei de forma imperdoável. Já recebi os castigos devidos, via mail. Fui justamente acusado de ignorante por ter colocado o nome de Daniel Day-Lewis no lugar de Tommy Lee Jones, quando me referi ao filme realizado pelos manos Cohen. Já cumpri o castigo e remediei o erro.
As postagens às três da manhã, sem rede nem apelos a memórias mais consistentes, têm destas coisas. Algumas das críticas foram de uma elegância que só as imagino lavradas por quem obviamente nunca erra. Tanta competência assusta. Nem quero conhecer quem tanto saber irradia. De qualquer forma as minhas humildes desculpas.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Separados à nascença
É notável o esforço de Santana Lopes na disputa com o presidente de partido. Hoje, no parlamento, deu-se mais uma etapa deste campeonato. Enquanto Menezes se aproxima da central sindical comunista para combater as políticas de Educação, Santana desperdiça o tempo de interpelação ao governo com matérias que, provavelmente achou mais a jeito para o brilharete, mas que em nada condizem com as prioridades da outra direcção do partido. Nada de bom se passa ali. Houve momentos de pura infantilidade. Talvez seja necessário o regresso à incubadora.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
A procissão ainda nem chegou ao adro
Ouvi ontem, na SIC-N, Nuno Morais Sarmento recomendar um pouco de tino a Luís Filipe Menezes, a propósito da disparatada promessa de acabar com a publicidade na RTP. É por esta e por outras que poucos acreditam que os Menezes, Ribaus e Santanas sejam governo em Portugal. E a procissão ainda não saiu. Aguardam-se mais baboseiras nos próximos capítulos na novela eleitoral. Morais Sarmento pôs a cabeça de fora para que se perceba que ainda há vida inteligente no seu partido.
As asas da literatura
Hoje, na Fundação Luso-Americana, Gonçalo M. Tavares vai falar sobre um dos grandes da literatura dos nossos dias: Philip Roth.
A sessão é integrada no ciclo ASAS SOBRE A AMÉRICA/WINGS OVER AMERICA, organizado por Filipa Melo.
Até logo.
Fundação Luso-Americana
Auditório | 18,30 h.
Rua do Sacramento à Lapa, 21, Lisboa
Fundação Luso-Americana
Auditório | 18,30 h.
Rua do Sacramento à Lapa, 21, Lisboa
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
As novas trapalhadas
O inexistente Luís Filipe Menezes já anda para aí a dizer que assim que for primeiro-ministro acaba com a publicidade na RTP. O canal do estado fica destinado apenas ao serviço público. Tipo repartição de atendimento e esclarecimento, estão a ver?
Estes candidatos a candidatos a chefes de governo começam sempre por propor fazer estragos nos meios de comunicação que estão mais à mão. É uma tentação indominável.
Esta até parece uma grande medida. Mas não é.
Estes candidatos a candidatos a chefes de governo começam sempre por propor fazer estragos nos meios de comunicação que estão mais à mão. É uma tentação indominável.
Esta até parece uma grande medida. Mas não é.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
O Retábulo de Évora em Lisboa
O Museu de Évora fechou para obras de conservação. O Museu de Arte Antiga mostra pela primeira vez ao público o Retábulo da Sé que o Museu de Évora guarda. Uma oportunidade para se conhecer a obra depois de uma rigorosa operação de restauro.
A imagem da exposição e o Design de comunicação foram desenvolvidos por nós, na DDLX.
É verdade: o museu tem um agradável restaurante, com esplanada no jardim, de onde se descobre uma esplendorosa vista sobre Lisboa e o Tejo. Apareçam por lá.
Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes, Lisboa
Horário: Terça-feira 14-18 h. | Quarta-feira a domingo: 10-18 h.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
And the winner is...
Estou a ver a entrega dos prémios da Academia. Com a quantidade de fitas fantásticas produzidas esta temporada, estou-me nas tintas que ganhe xis ou ípsilon. Ainda não vi "Este país não é para velhos". Li o livro. De Cormac MacCarthy preferi "A Estrada". Contudo, acredito que com os irmãos Coen atrás das máquinas, e com Tommy Lee Jones na frente, a coisa deve ter resultado.
Mas como o "chefe" Ratatui já levou um boneco para casa, já posso ir dormir descansado. Até pode levar o de melhor actor. Para rato é do melhor que tenho visto. Já é tempo de o Mickey ser mandado para o buraco.
Metamorfoses
Saiu fumo branco do encontro dos dirigentes cubanos. O novo chefe foi eleito. As eleições não são para todos. Só para os que concordam com Fidel. Daí a escolha: o irmão Raul, número dois do regime, sobe ao trono. Não por acaso, o número dois do Vaticano desembarcou na ilha. Todo um programa de oportunidades para as religiões poderosas.
A oportunidade de se instalar uma democracia em Cuba é que se esfuma, com tanta disputa.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Exageros
Santana Lopes continua a portar-se como se de um antigo primeiro-ministro se tratasse. Aconteceu, de facto. Esse incidente deu-se há mais de três anos, e durou pouco mais de três meses. A Comunicação Social também parece acreditar neste sebastianismo, e o homem, nas sucessivas entrevistas que concede, investe-se no papel de verdadeiro líder da oposição, embora o negue. Santana vê a Política como um permanente exercício de exibição pessoal. Na entrevista ao DN aflora a dúvida sobre quem lançou o famoso boato sobre a sexualidade do então futuro primeiro-ministro. Muito atabalhoadamente, insiste em justificar a indecorosa expressão que alegadamente definiria as preferências de Sócrates: "Há quem prefira outros colos", disse num encontro com mulheres suas apoiantes. Quem parece andar com o "ex primeiro-ministro" ao colo é a Comunicação Social. É certo que ele se põe a jeito, mas esta atenção parece exagerada. O líder é Menezes, lembram-se?
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Meter água

As últimas cheias permitiram que existisse esta interessante imagem. Foi em Setúbal, onde a gestão autárquica mete água a todo o instante. Os autarcas setubalenses continuam a nada fazer para que a cidade exista. Agora existe pelos piores motivos. Estas enxurradas afectaram as populações, é claro. Lamenta-se. Quanto às criaturas que ocupam o edifício da Praça Bocage, ninguém dá por elas. Mas lamenta-se que o ocupem.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Américas
Eduardo Lourenço na Fundação Luso-Americana.
A América das fitas observada por quem as devorou. Quem não adoptou o Cinema para alegrar e ilustrar a passagem à idade adulta?
Casa a abarrotar. Acontecimento marcante.
Para a próxima semana é a vez de Gonçalo M. Tavares.
Parabéns à Filipa, pela iniciativa.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Difícil escolha
Duas iniciativas, qual delas a melhor, coincidem no dia e na hora. Carlos Curto fez o "Uivo do Coiote", de Luiz Pacheco, e vai mostrar o que fez nas tábuas da SPA. Filipa Melo está a organizar um ciclo de conferências de se lhe tirar o chapéu, na Fundação Luso-Americana. Para além da excelência das propostas, está o envolvimento de dois amigos que acompanho de perto.
O problema é escolher o sítio onde acabar a tarde de hoje.
O problema é escolher o sítio onde acabar a tarde de hoje.
Propaganda
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Um partido no banco dos réus
A Somague resolveu ajudar o PSD a fazer campanha. O partido foi pago através de uma empresa de comunicação que alinhou na tramóia. Agora, a justiça funcionou: o PSD foi condenado. A credibilidade das empresas envolvidas depende de como se apreciam estes actos.
Deviam ser sempre apreciados no banco dos réus.
Deviam ser sempre apreciados no banco dos réus.
Reforma de rivais
Fidel Castro não vai despir o fato de treino tão cedo. Já não tem preparação física para exercer o poder. Daí a retirada voluntária. Jerónimo de Sousa já homenageou a livre opção do seu companheiro. Provavelmente, Fidel é o único que pode experimentar tais liberdades lá na ilha. Mas houve outro cromo a dizer das suas sobre esta retirada. Bush confia que Cuba vai ter finalmente uma democracia. Ainda bem que ele está de abalada. Em princípio não vão ser aplicados os seus métodos libertadores. Os dois futuros aposentados bem se podiam juntar nos bancos da reforma. Viveram ambos a experiência de exercer o poder sem o favor das urnas. Bush durante um mandato. Fidel durante quase cinquenta anos. Não é dificil perceber quem melhor lança os dados. Mesmo num vulgar jogo da batalha naval, é provável que o ditador cubano bata o tótó americano aos pontos.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Depois do adeus
O novo programa apresentado por Maria Elisa, difundido logo após o "conta-me como foi", é uma boa amostra do Portugal de Salazar.
As cheias de 1967 dizimaram populações. O regime não permitiu a divulgação dos factos. O número de mortos foi habilidosamente subtraído nas notícias. Nada era assim tão grave. A incompetência e a desonestidade da ditadura não eram mencionáveis.
Aqui há uns meses, Elisa norteou um concurso em que Salazar saiu vencedor. Agora apresenta um programa que lhe condena a acção.
Sempre se faz alguma justiça.
As cheias de 1967 dizimaram populações. O regime não permitiu a divulgação dos factos. O número de mortos foi habilidosamente subtraído nas notícias. Nada era assim tão grave. A incompetência e a desonestidade da ditadura não eram mencionáveis.
Aqui há uns meses, Elisa norteou um concurso em que Salazar saiu vencedor. Agora apresenta um programa que lhe condena a acção.
Sempre se faz alguma justiça.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Ai Kosovo
Mais um país independente no espaço europeu é uma atitude sociologicamente simpática. Os russos não reconhecem esta independência, o que acrescenta ainda maior antipatia ao regime de Putin. O Kososo é um projecto complicado. Não basta declarar independência. É preciso perceber a viabilidade destes territórios quando sujeitos ao deus-dará. É claro que vai ser a Europa a pagar a despesa. Nós, os portugueses, já conhecemos a lição de cor e salteado.
Timor é uma escola.
Timor é uma escola.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
O fundo do túnel
O túnel do Rossio já abriu. Foi reinaugurado com pompa. Houve festa grossa e gente fina. Depois veio o rosário do costume: atraso das obras em dose excessiva, derrapagem financeira, desconfianças quanto à segurança. Em túneis, como em quase tudo, somos assim: a luz está sempre lá muito ao fundo. E dificilmente se encontra.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Grande prémio
Estava tudo combinado. O governo de Santana Lopes favoreceu o Casino de Lisboa, diz a edição online do Expresso. Um governo que apostou no Casino mas perdeu. O prémio saiu à casa.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Ruy Duarte de Carvalho no CCB
Na minha opinião, estamos perante um dos maiores escritores de língua portuguesa. É um escritor extraordinário e desculpem mas eu nestas coisas sou fanático, é absolutamente extraordinário e as pessoas têm que ler este escritor.
(...)
Este é um desses certos livros, é um livro extraordinário, luminoso nas aproximações que faz entre Angola e o Brasil, entre os fenómenos migratórios que houve do Brasil para Angola. E depois passa por aqui tudo. Passa por aqui o Antônio Conselheiro, passa por aqui o Lampião, passa por aqui a história da Rainha Ginga.
António Mega Ferreira
Ciclo Ruy Duarte de Carvalho no CCB
Fevereiro e Março | EXPOSIÇÃO “Essa maneira de convocar tudo” Galeria Mário Cesariny
13 de Fevereiro | DEBATE SOBRE IMAGE - 18H30 - Sala de Leitura
13 de Fevereiro | CINEMA "Nelisita: narrativas nyaneka" - 21H00 - Sala de Ensaio
14 de Fevereiro | CINEMA "Moia: o recado das ilhas" - 21H00 - Sala de Ensaio
14, 15 e 16 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 18H30 - Sala de Leitura
17 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 16H00 - Pequeno Auditório com a presença de Ruy Duarte de Carvalho
15 e 16 de Fevereiro | TEATRO "Vou lá visitar pastores" - 21H00 – Pequeno Auditório
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Bichos carpinteiros na casa de Pessoa
São dez da noite. Acabo de chegar da Casa Fernando Pessoa, onde o bicho carpinteiro José Medeiros Ferreira fez um relato da sua passagem pelos livros que não esqueceu.
É engraçado perceber que, esvaziadas as proporções, há livros inesquecíveis que vão habitando as estantes de todos nós. Medeiros Ferreira tirou da cartola Camus e Berberova.
Dois autores que já me fizeram companhia um ror de vezes. E estão aí para durar. A palestra foi notável. O que a gente aprende com quem sabe.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
O verdadeiro líder
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Outra vez futebol?
Cavaco Silva não concorda com a organização do Mundial de Futebol em 2018. Diz que não é uma prioridade para Portugal.
A hipótese de dividirmos as despesas com Espanha não o convence.
Concordo. O que aí vem não promete. Mas, mesmo que a coisa corra melhor do que se espera, não vejo como recompensa um esbanjar de emoções em dispendiosos relvados.
O Presidente faz bem em não ir em futebóis.
A hipótese de dividirmos as despesas com Espanha não o convence.
Concordo. O que aí vem não promete. Mas, mesmo que a coisa corra melhor do que se espera, não vejo como recompensa um esbanjar de emoções em dispendiosos relvados.
O Presidente faz bem em não ir em futebóis.
Vai passar a procissão
O Bispo Policarpo revelou, pelo Natal, que a falta de fé é o maior drama da Humanidade. A coisa ferveu entre quem comenta a espuma dos dias. Agora resolveu pôr água na fervura: "Quem acredita no Deus vivo e vive com Ele, não sabe imaginar a vida sem Deus, como certamente um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus". O Cardeal Patriarca acertou. É difícil imaginar viver e amar sem o conforto do retorno. Mas adiante. "Não poder escutar a palavra de Deus é ficar limitado à luz que brota do homem, tantas vezes distorcida pelos contextos culturais e históricos". Espantoso. As distorções culturais e históricas decretadas pelas igrejas dariam para uma tal procissão que levaria a um percurso de séculos. É esse trilho que percorre o Cardeal.
Muitas vezes é tormentoso. Parece uma promessa.
Muitas vezes é tormentoso. Parece uma promessa.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Política sem poetas
Carlos do Carmo defende, em entrevista ao Diário de Notícias, que "um artista não pode ser militante de um partido". Ou seja, quem canta não pode acumular com outro tipo de voz. Não pode ser o cidadão que entender. Quanto muito vota e cala.
O fadista ganhou um prémio em Espanha e agora não para.
A retórica pedagógico-maçadora inunda jornais e televisões.
Com este prémio inchou. O discurso balofo virou instituição.
De Manuel Alegre diz que "é um poeta e os poetas são os poetas.
Eu consigo mais ver o Manuel como um poeta do que como um político, é curioso".
É curioso, digo eu: não vejo nem uma coisa nem outra.
O fadista ganhou um prémio em Espanha e agora não para.
A retórica pedagógico-maçadora inunda jornais e televisões.
Com este prémio inchou. O discurso balofo virou instituição.
De Manuel Alegre diz que "é um poeta e os poetas são os poetas.
Eu consigo mais ver o Manuel como um poeta do que como um político, é curioso".
É curioso, digo eu: não vejo nem uma coisa nem outra.
Prémio e castigo
Manuel Alegre continua a pôr-se em bicos de pés, insistindo em existir politicamente. Como poeta até parece que recebeu um prémio da Casa de Mateus. De facto, poeticamente poderá considerar-se uma espécie de Mateus rosé - uma escrita desenxabida, sem corpo nem cheiro, que convoca vagos heroísmos.
António Guerreiro, em comentário à distinção, no Expresso de ontem, não pode ser mais claro: "Manuel Alegre vai ao arquivo dos significados 'poéticos' cristalizados e constrói com eles um edifício de metáforas e símbolos vazios, bem mortos. Esta poeta-metaforização que se quer fazer passar por poesia - mas não passa de mera imitação de poesia - é um logro tão grande como a grandiloquência do vate presumido".
E mais à frente: "Mas, com meios que não vão além de simbolismos de pacotilha e euforismos de salão, bem pode Manuel Alegre invocar o mar, convocar tempestades, e evocar ondas que nem a mais leve brisa por aqui passa".
Nem mais.
António Guerreiro, em comentário à distinção, no Expresso de ontem, não pode ser mais claro: "Manuel Alegre vai ao arquivo dos significados 'poéticos' cristalizados e constrói com eles um edifício de metáforas e símbolos vazios, bem mortos. Esta poeta-metaforização que se quer fazer passar por poesia - mas não passa de mera imitação de poesia - é um logro tão grande como a grandiloquência do vate presumido".
E mais à frente: "Mas, com meios que não vão além de simbolismos de pacotilha e euforismos de salão, bem pode Manuel Alegre invocar o mar, convocar tempestades, e evocar ondas que nem a mais leve brisa por aqui passa".
Nem mais.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
LVT 7
A primeira revista LVT deste ano já por aí anda. Neste número destaco o texto de Fernanda Câncio sobre os comerciantes da Baixa que não querem vender. Mas há mais: David Lopes Ramos foi até à zona de Palmela perceber o que por lá se come e bebe. Carla Maia de Almeida falou Com Ana Teresa Vicente, presidente da autarquia. Carla Amaro falou com José Eduardo Carvalho, presidente da NERSAT - Núcleo Empresarial de Santarém. Guto Ferreira e Pedro Soares fizeram os retratos desta gente toda. Nós, na DDLX, tratámos da edição e imagem.
Os textos podem ser lidos aqui
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Ignorância internacional
Um estudo de opinião, feito no Reino Unido, informa que 23% dos ingleses não acreditam que Winston Churchill tenha existido. Já 58% dos inquiridos garantem que Sherlock Holmes andou por lá a investigar crimes. A ignorância não é privilégio apenas do pessoal cá do burgo que abre os telejornais aos gritos. Os súbitos pouco informados de sua majestade são tão brutinhos como os nossos.
Por cá, já se ouviu alguém asseverar, em entrevista de rua, para uma estação de televisão, que o primeiro-ministro empossado logo após o 25 de Abril de 1974 foi Salazar. Seja como for, não estou a ver alguém pintar o ditador com as cores da ficção. Digo eu, mas não garanto nada.
Provavelmente estamos quites. A ignorância é universal.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Je t'aime... moi non plus
Nicolas Sarkosi e Carla Bruni já não são os príncipes encantados do conto de fadas francês. Os franceses não estão para assistir sentados ao foguetório lançado dos lados do Eliseu. Tanta paixão e felicidade despertou antipatia. O Presidente nunca esteve tão em baixo nos testes de popularidade. Claro que não está em causa o seu desempenho político. Cá para mim é inveja.
Amigos para sempre
Sabemos que José Miguel Júdice não se desloca para beber nem um cafezinho com Marinho Pinto. Agora vem garantir que o novo bastonário da Ordem dos Advogados dá ares a Mussolini e a Chávez. Ou seja, é uma espécie de demagogo populista. As denúncias de corrupção que disfere são irresponsáveis apesar de corresponderem a um estilo com possibilidades de futuro. Futuro que, segundo Júdice, pode levar Marinho Pinto a candidato da Esquerda contra Cavaco, nas próximas presidenciais. Não creio que tal pesadelo nos possa apoquentar. Não me parece que seja um populista o candidato escolhido pela Esquerda para Belém. A não ser que seja para "queimar". Mas, até lá, e percorrendo trilhos tão arriscados, o bastonário ficará provavelmente esturricado.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Eles querem comer tudo...
Dezenas de detentores de cargos políticos tentaram ocultar as suas declarações de rendimentos. Num tempo em que os rendimentos de todos nós estão em permanente análise, em que um ligeiro atraso no pagamento de impostos está sujeito a multas e o seu não cumprimento à exposição pública, esta gente propõe uma ousadia destas. Nada tenho contra as normas que vigiam os nossos comportamentos nesta matéria. Mas, ou há moral ou comem todos, lá diz o outro.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Eles comem tudo
As associações patronais querem despedir a torto e a direito. Os motivos são de uma desumanização básica: basta que o patrão queira renovar quadros porque sim. O empregador chega um dia ao local de trabalho e percebe que aquela gente já anda ali a meter nojo. Acciona os mecanismos que a lei lhe permite e "ala que se faz tarde": tudo para o olho da rua. Embora aí arranjar gente nova que já não posso olhar para a cara destes trastes.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Autoridade secreta
O responsável máximo da Judiciária diz que "houve uma certa precipitação" ao constituírem os pais de Maddie como arguidos no processo. Parece que foi o que muita gente achou na altura.
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
Nigth and day
Telmo Correia ter assinado 300 despachos na noite antes de bazar, não nos deve tirar o sono. Provavelmente foram autorizações para comprar canetas e assim. O homem não quis que o seu sucessor achasse os serviços do ministério uma piolheira. Fez bem. Mas o que é que ele terá feito durante o dia todo?
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Está tudo doido?
O Presidente da República foi homenagear o rei morto há cem anos. A festa foi em Cascais e meteu estatuária e tudo. Cavaco lamentou: "Quis o destino que D. Carlos enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar". Será que o Presidente se refere aos crimes da monarquia? Serão essas as tempestades que incomodaram o rei? Mas qual a razão do lamento de Cavaco? Será o Presidente monárquico? Ou será que está tudo doido?
Pessoas
Francisco José Viegas vai sair da Casa Fernando Pessoa. Vai voltar a dirigir a revista LER, que assim volta a ser publicada. Colaborei nas primeiras edições. Era ainda director António Mega Ferreira. Fui director artístico desde o primeiro número. Depois, com o Francisco ao leme, a colaboração continuou. Foi nesse tempo que criei a Estuário, para editar livros de bolso e oferta. Foi o Francisco José Viegas que me sugeriu o nome, por a sede da editora ser então em Setúbal, junto ao estuário do Sado, portanto. Pareceu-me uma boa ideia. Aceitei a sugestão. Entretanto saí do projecto LER. O Francisco continuou. Saiu mais tarde. Agora vai regressar. Espero que lhe dê um bom rumo. Mas também espero que a Casa Fernando Pessoa mantenha a animação encetada.
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