sábado, 11 de abril de 2026
Quando a corja topa da janela
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Os novos vampiros
quinta-feira, 9 de abril de 2026
O invertebrado holandês
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Rezar na era da técnologia
As religiões adoram o fim da vida. Depois disto é que vais ser. Isto é só uma passagem. Isto está tudo na Bíblia, e no Corão e no raio que os parta. São imortais, estes mortais. Nós, os que incréus, os hereges, os que não temem divindades de fantasia, estamos condenados. Espera-nos o inferno. Ainda bem que houve um Papa que acabou com o purgatório. Ainda bem que as leis eternas são decretadas pelos mortais, que asim se protegem de ir lá parar. O purgatório era do piorio.
domingo, 5 de abril de 2026
O cheiro da Liberdade (2)
A música foi a primeira das artes a despertar-me os sentidos. Claro que até aos doze anos ouvi o Festival da Canção com o entusiasmo de um parolo em crescimento. Mas o entusiasmo foi esmorecendo até que, a partir do momento em que passei a frequentar a revista Mundo da Canção, toda a cantoria vociferada em Portugal, pelos cançonetistas portugueses que só ouvia por descuido, foi atirada para o lixo. João Paulo Guerra chamou nacional-cançonetismo a esse insuportável ruído, em trocadilho com as premissas ideológicas nazis. Bem achado. Toda aquela algazarra sonora metia nojo. A publicação de o Mundo da Canção, e mais tarde de o Musicalíssimo, permitiram-me que acedesse a outros sons. O nome de José Afonso apareceu-me impresso pela primeira vez nestas publicações. Passei também a pedir documentação a embaixadas de países livres e civilizados. Também por aí fui tendo informações apesar de bem longe do pretendido.
Antes de Abril de 1974 comecei a ouvir outros sons graças ao Mundo da Canção. Achava o nome da revista foleiro, mas era o que havia, e o conteúdo era apreciável, apesar da forma. O Musicalíssimo surgiu depois, já em liberdade: em liberdade muito do que tínhamos ansiado passou a ser concretizado. Os jornais tinham bons suplementos culturais e surgiu imprensa de referência com especificidade cultural: o Se7e e o Blitz são apenas dois exemplos, mas também o JL esmiuçava curiosidades com substância. Até passámos a ter acesso à imprensa cultural estrangeira. A Interview, de Andy Warhol e Wilcock, surpreendia e animava. Mais tarde, em finais dos anos 1980, toram aparecendo por cá outras publicações incríveis, com grafismos fora de tudo o que era feito até aí. The Face e Arena marcaram-me, pelo conteúdo e pelo embrulho gráfico. A City informou-me e a The New Yorker deu-me asas. A sério, aquilo faz-nos voar. Ainda hoje. Guardo resmas destas publicações únicas, agora valiosas.
A Arte que experimenta foi preenchendo os meus ouvidos e cérebro. A literatura com as palavras que interessam foram guardadas nas estantes que eu próprio desenhei e até construí. Prefiro a surpresa ao imobilismo. É isso que exijo a mim mesmo. Voltarei a este assunto nestas conversas sobre Abril que tenciono publicar durante todo este mês. Bom dia de Abril. Até já.
sábado, 4 de abril de 2026
O cheiro da Liberdade (1)
Abril das mentiras e dos proverbiais auspícios de chuva deixaram de definir este tempo de liberdade. Para mim Abril é mesmo o do dia da Liberdade. Levantei-me como habitualmente, mas fui interrompido no trajeto entre o quarto e o duche pela minha mãe. Hoje não vais ter aulas, decretou. Percebi de imediato. A televisão passava música sinfónica e Fernando Balsinha divulgava um comunicado do Movimento das Forças Armadas. O meu pai já tinha saído e eu saí logo de seguida, deixando a minha mãe em cuidados. Era puto, mas já tinha vontade de ver coisas, como é natural num puto.
Fui direitinho para a Praça Bocage, onde já havia muita gente. Foi aqui que ouvi pela primeira vez um discurso político em liberdade. Aliás, se não há liberdade não há discurso. O discurso que ouvi foi lido por Carlos Jorge Luz, jovem militante antifascista que se tornou meu amigo, e mais tarde prestigiado professor na área das matemáticas. O discurso do Carlos Jorge despertou-me e entusiasmou-me. Os dias seguintes foram um desassossego. Tudo mudou em horas. Tudo era possível. Começámos a ter acesso a tudo o que nos era até aí inacessível. O dia 25 de Abril de 1974 marcou o início da minha vida adulta. Eu era um adolescente com a curiosidade a libertar-se por todos os poros. Uma alegria imensa misturada com luta política e procura de conhecimento. Nunca seria o que sou sem a descoberta das coisas boas da vida, que para mim eram o acesso à cultura alternativa: ao teatro, à música que o fascismo proibiu, aos livros que valem a pena.
O café Tamar era o sítio onde a malta se encontrava. José Afonso, que eu conhecia como símbolo, cruzou-se um dia comigo e sentou-se bem perto, numa das mesas. Conversávamos de umas mesas para as outras, com o à-vontade que a situação permitia. Lembro-me da primeira conversa que tive com o Zeca. E acho que me lembro de quase todas as outras. O conhecimento de José Afonso e da sua obra mudou a minha vida para sempre. O 25 de Abril foi iniciado por uma música de José Afonso. O meu 25 de Abril é essa música e é José Afonso. Sempre.
Elogio do Vinho
Gosto de vinho. Gosto de ler sobre vinho. Gosto do gosto do vinho. Sempre associei o vinho a outros conhecimentos. A ligação das cepas aos seus terrenos, ao ambiente, às tradições que envolvem os trabalhos vitivinícolas.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Velhos são os trapos
quinta-feira, 2 de abril de 2026
SG gigante
Há quem refira a Sérgio Godinho assim. Mas o Sérgio gosta mesmo é de estar com pessoas, sem gigantismos quixotescos. Foi o que fizemos hoje, na Snob. Conversámos, lemos, bebemos vinho e até cantámos. Foi tão bom estar ali. O espaço exterior desta livraria é tão agradável. Vamos continuar a andar por lá. Aprebndemos e divertimo-nos. Isso é bom. Obrigado a quem esteve e até breve.
Receituário
SÉRGIO GODINHO, HOJE NA SNOB | Bom dia, é só para lembrar que é hoje que a Rosa (Azevedo) e eu vamos estar à conversa com o Sérgio (Godinho), que dispensa apresentações e que nos falará sobre o seu mais recente livro, que são histórias sobre a morte que, logo após leitura de uma delas nos deixa mortinhos por ler todas. E podem ser lidas sem se respeitar a numeração de página, assim como se lê o Livro do Desassossego, do outro.
Então, vá, apareçam por lá. Um bom dia dos 50 ANOS DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA para toda a gente. Celebremos. Merecemos.
São as regras da democracia, estúpido!
A Constituição da República Portuguesa celebra hoje 50 anos. Foi aprovada pelos partidos que participaram na institucionalização da Democracia. Hoje é um instrumento fundamental para a sua defesa. Os novos fascistas só pensam em destruí-la. Os novos fascistas que tentam instalar o ódio racista, misógino e xenófobo. Contra os que querem subverter as nossas regras, respondemos com as regras da solidariedade e da decência democráticas. Derrotámos os velhos fascistas. Derrotaremos também os novos defensores das ideias velhas tristes e odiosas. Responderemos com a inteligência democrática, com solidariedade, tolerância e decência. É assim que se pratica a liberdade. Este dia merece ser celebrado. Um bom dia para toda a gente.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Homenagem
ARMANDO ALVES | Morreu Armando Alves. Partiu de Estremoz para Lisboa e depois para o Porto, onde estudou, trabalhou e ficou para sempre. Fez parte do famoso grupo Quatro Vintes, com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, devido à nota que alcançaram no curso de pintura. Pintou, e bem, mas foi no design gráfico que se destacou. Activo na intervenção cívica, foi uma das minhas grandes referências como artista e como ser humano. Guardo com todos os cuidados muitos trabalhos que idealizou. É mais um dos grandes nomes da cultura contemporânea que nos deixa. Muito obrigado, Armando Alves. Foi bom viver no teu tempo.
Mário Viegas
Morreu já lá vão 30 anos. Percebi isso agora porque esta
traquitana me informou do que aqui publiquei há 10 anos. Apetece-me
repetir a cena: Foi bom tê-lo por cá. Mas faz falta. Fazem sempre falta
os que acrescentaram qualquer coisa à normalidade dos dias. Lembremos
Mário Viegas. Sempre.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Racismo não é opinião
O mais desbragado racismo está a invadir a sociedade. As escolas são pasto para gente sem escrúpulos que exibe o seu primarismo cultural em ofensas agressivas sem qualquer fundamento. Um destacado influenciador de extrema-direita, do grupo Reconquista (reconquista de quê?) aparece num vídeo publicado nas suas redes, e trespassado em delírio pelos seus pares, em recalcitrante denúncia do diretor do Agrupamento de Escolas José Saramago, com sede no Poceirão, concelho de Palmela.
Esse esforçado aliado do partido de extrema-direita que tem sessenta deputados no parlamento, mente com todos os dentes que tem na boca e bigode e tudo. Diz o rapaz que estamos perante a primeira escola muçulmana do país, onde são estimulados os cultos correspondentes. Para se pensar que o que diz é verdadeiro, regista o nascimento do diretor da escola em território indiano, quando se trata de um português nascido em Moçambique. A espoleta para a "denúncia" pelo inenarrável nacionalista foi uma missiva interna enviada por correio eletrónico para todos os professores da escola, sugerindo que as confissões religiosas de todos os alunos fossem respeitadas. Ora, o que o diretor desta escola fez é o que o respeito por todos os cidadãos exige. São as leis de um estado laico e republicano. São regras que existem em Portugal e em todo o lado onde há regras. Na escola José Saramago o natal cristão é assinalado e celebrado. Esta escola preenche as suas salas com alunos de mais de vinte nacionalidades. As diferenças constituem riqueza civilizacional. O convívio entre pessoas diferentes sempre trouxe inteligência e progresso às populações que respeitam e estimulam esse convívio. Vive-se aqui em zona de grande atividade vitivinícola e de outras agriculturas, onde muitos imigrantes vivem, trabalham e têm o direito e o dever de educar os seus filhos. As entidades políticas regionais sempre respeitaram as pessoas e os seus credos. E quem não tem credo também sempre viveu aqui bem.
Com a conquista eleitoral da junta de freguesia pelo partido de extrema-direita a coisa mudou de figura. Percebemos que existem por aqui muitos racistas ressabiados que ainda não perceberam (nem nunca perceberão, já percebemos) as vantagens do cosmopolitismo. Esta região tem todas as condições para dar esperança a um civilizado ambiente de tolerância e solidariedade, mas a entrada do partido racista em cena alvitra momentos de uma tensão que recupera valores de outros tempos. Eles até já têm Salazar como modelo a seguir. Foi o chefe que o disse no parlamento e onde o quiseram ouvir. Quer três deles, ou mais. "Nem três salazares chegavam...", disse, como se o promotor de corrupção oriundo de Santa Comba Dão fosse um exemplo de exemplares justiças. Enfim, tristezas. Mas há mais: o executivo da junta de freguesia não tem orçamento para as comemorações do 25 de Abril. A verba habitualmente destinada às comemorações da Liberdade passa a ornamentar o 10 de Junho. Independentemente do ridículo da opção, sobra para avivar a nossa curiosidade a programação política: será que vão organizar desfile militar no dia de Camões e das Comunidades Portuguesas? Irão ser disparadas as armas e os... Canhões assinalados? Sim, porque ler Camões não sabem. Se o soubessem ler, e se o lessem, não eram racistas. Mas esta gente sabe lá ler e escrever?!
Racismo não é opinião. É crime. Estes apologistas do ódio apelam ao crime.
domingo, 29 de março de 2026
Sem ilusões
Se te queres matar, porque não te queres matar?
sábado, 28 de março de 2026
Mestres de Teatro
sexta-feira, 27 de março de 2026
Informação de rotina
Novo líder supremo do Irão diz ter sido informado pelo MOIS (Ministério da Inteligência e da Segurança Nacional), de que presidente dos EUA é atrasado mental.





















