domingo, 19 de julho de 2026

Aos domingos - elogio do extraordinário


DAVID BYRNE | Conheço David Byrne desde os Talking Heads. Já tinha ouvido e visto Byrne no coliseu de Lisboa, em concertos nos anos noventa do século passado, mas também no princípio deste. Assisti agora ao concerto em Cascais, no festival Ageas Cooljazz, na passada terça-feira. Asseguro: o homem está em forma.

Foram cantadas, coreografadas e visualmente tratadas dezoito músicas. Ambientes dos tempos iniciais foram misturados com ideias musicais e visuais de agora. As projecções que inundaram o fundo cénico e os écrans gigantes mostraram rigor estético e capacidade criativa, sem os facilitismos que a IA permite, que se observam neste tipo de performances e que anulam visualmente os músicos. Nada disso aqui aconteceu. Competente rigor visual associou sons e imagens. No final não houve encores. Logo que os músicos se retiraram, som gravado de Brian Eno acompanhou-nos até à saída do recinto. Os amigos são para serem ouvidos. Este trabalho de David Byrne e da sua equipa fica na minha história pessoal de concertos ao vivo. Tudo ali foi espectacular. Mas confesso que também convivo muitas vezes com o trabalho de Byrne nas minhas audições diárias. Ele anda por aqui pelas estantes e a sua música também cá mora.

Elogio feito. David Byrne é extraordinário.  

Imagens: Festival Ageas Cooljazz/DR 

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sábado, 18 de julho de 2026

Aos sábados - a espuma da semana

ESTADO DAS COISAS - No debate quinzenal na Assembleia da República Fabian Figueiredo apontou situações de atropelo e de ridículo praticadas pelo senhor primeiro-ministro de Portugal. Idas do homem à bola e a festivais, ministros incompetentes e impertinentes em desespero delirante, as pessoas em declínio financeiro e o país em chamas literal e metaforicamente. A resposta foi breve e de assertiva ligeireza. Para o senhor primeiro-ministro a política é apenas um campeonato em que ele aposta a sua carreira e mais nada. A democracia deve ser exercida pelos cidadãos de quatro em quatro anos. Chega. Fabian de Figueiredo deve ficar calado porque teve menos eleitores a confiar nele. Ou seja: nem vale a pena responder a quem questiona se quem questiona vai de triciclo para o parlamento. Tenta-se a humilhação pela aritmética eleitoral, como se aí estivesse a afirmação da razão. O governo deve mandar calar quem quer respostas, e continuar a deixar o Luís trabalhar na senda da desgraça porque os eleitores o meteram lá para isso. Simples: a democracia é um território cada vez mais mal frequentado. O primeiro-ministro de Portugal não conhece as regras e insiste em vitórias que não existem. A incompetência é a razoabilidade. Trump é o seu mestre.
 
ESTADO DA LOUCURA NORMAL - O louco americano continua na sua loucura normal. Sim, a loucura instalou-se. A maldade associada à mentira e à loucura sempre deram em violência e morte. Há um louco criminoso a destruir o mundo. Já ninguém se espanta.

E OS FASCISTAS? - Os fascistas continuam por aí. Dão entrevistas, comentam, inventam cenas maradas, são gente marada a trabalhar para o mal de todos nós. Nunca como agora a falta de vergonha foi motivo de orgulho. É fixe ser racista, sexista, fascista. São uns tontos? Não os cubram de elogios. São gente do pior que deve ser arrancada como se arrancam as ervas daninhas. Não se trabalha com fascistas. Nem se cumprimentam.

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO - E amanhã há elogio. Até amanhã. E até lá... Bom sábado.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Deambulatório



MUSEU GULBENKIAN | É um dos grandes museus do nosso tempo. Esteve encerrado para aperfeiçoamentos. A vida cultural precisa de ajustes permanentes. A ideia descabidamente reacionário que ditava aquela frase idadista e depreciativa "isso é coisa de museu", já passou à história. A História hoje conta-se com o apetrechamento fornecido pela contemporaneidade. O Museu Gulbenkian mostra-nos outro tempo, mas com a bondade que o nosso tempo permite. Devemos visitá-lo sem a companhia dos infelizmente famosos "velhos do Restelo", que observam o que se faz hoje como um atropelo à sua "cultura". Espera-se o melhor.

A abertura é no próximo sábado. Estou em ânsias, como dizia a minha avó, que também dizia "velhos são os trapos". Perceber o que se passou ajuda a perceber o que está a acontecer.

Espera-se o melhor. Percebe-se aqui: de novo, como novo.


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Receituário

Para quem estiver por perto. Música por pessoas que sabem tratar dos sons. É nesta quinta-feira, pela noitinha.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Não me obriguem a vir para a rua gritar

 A senhora ministra da cultura quer acabar com borlas na cultura. Mas não quer acabar com a cultura. Quer dar-lhe mais valor. Não há cultura grátis. Tudo tem um preço. Quem não paga não valoriza. São as regras do neoliberalismo. 
 
A senhora ministra é assim uma espécie de Marie Antoinette do nosso tempo: se o povo não tem dinheiro para pagar entradas para visitar museus, que vá para casa ver divertimentos televisivos. Se não tiver televisão abra a janela e veja quem passa. E se não tiver casa goze do ar fresco da rua e jogue chinquilho, por exemplo. E se não tiver dinheiro para as malhas... Eh pá, isso já não tem nada a ver com cultura. É melhor ir para a rua manifestar-se e pedir à ministra e aos seus colegas que vão governar a casa deles. Se conseguirem.
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segunda-feira, 13 de julho de 2026

A bem da noção?

O movimento bafiento do candidato dos fascistas-caviar adia formação. O jornal porta-voz dos ditos revela a preocupação. Parece que o pernóstico não exclui a integração dos fascistas encartados no albergue. É que as exéquias semanais televisivas não estão a resultar. O pernóstico espera uma vaga de fundo, com certeza. É melhor sentar-se.

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DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Imagens obtidas no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/





 

domingo, 12 de julho de 2026

Aos domingos - elogio do extraordinário

Artur Guerra e Cristina Rodriguez marcaram a tradução em Portugal. Traduziram duas centenas de obras de grandes escritores, sobretudo do castelhano e do catalão, mas também do inglês e do italiano. 

Tentei perceber, numa breve pesquisa, quais os livros mais importantes que lhes ocuparam os óculos. Muitos deles passaram posteriormente pelos meus óculos também, mas outros não. Isto não quer dizer que tenha feito vista grossa. Nem pensar. Todos os autores que a Cristina e o Artur traduziram andam aqui pelas estantes. Descobri na breve pesquisa que me faltam títulos. A tradução de obras de autores de grande qualidade, colocam o trabalho desta dupla no patamar do extraordinário. A lista que se segue é uma amostra que esclarece a exigência e justifica todos os elogios e a homenagem a Artur Guerra, que agora nos deixou.

Alguns autores traduzidos por Cristina Rodriguez e por Artur Guerra:

  • Roberto Bolaño 
  • Jorge Luis Borges 
  • Gabriel García Márquez 
  • Mario Vargas Llosa 
  • Arturo Pérez-Reverte 
  • Gonzalo Torrente Ballester 
  • Camilo José Cela 
  • Jorge Edwards 
  • Luis Sepúlveda 
  • Francesco Alberoni 
  • Mercè Rodoreda
  • Jesús Moncada
  • Maria Barbal
  • Joanot Martorell (Tirant lo Blanc)
  • Joan Perucho
  • Tina Vallès
  • Marc Pastor
  • Antoni Tàpies
  • Ramon Llull

É muita obra. Muito obrigado. Este trabalho mudou muita coisa nas nossas vidas.

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    sábado, 11 de julho de 2026

    Aos sábados - a espuma da semana

    ARTUR GUERRA - A morte de Artur Guerra deixa-me sem palavras para mais nada. Assunto da semana porque o Artur foi nome grande da cultura em Portugal, que trouxe para aqui a obra de grandes autores universais. Com Cristina Rodriguez, sua companheira de trabalho e de vida, foi tradutor de mérito reconhecido e premiado. A grande literatura permanece grande depois de traduzida graças aos responsáveis por essa mudança de linguagem. Artur Guerra foi um dos grandes tradutores portugueses. É uma extensa biblioteca que parte com ele. Foi bom ler o que nos proporcionou, e, apesar de o convívio ter sido espaçado nos tempos mais recentes, foi bom tê-lo como amigo. Sinto que sempre o tive por perto por via do seu trabalho. Perco um amigo e a Cultura Portuguesa perde um dos seus melhores. 
     
    Em 8 de setembro de 2011 publiquei aqui isto:
    PRÉMIO | Cristina Rodriguez e Artur Guerra receberam o prémio de Literatura Casa da América Latina/BANIF 2001. O motivo da distinção foi a tradução que fizeram do excelente romance "2666" de Bolaño, noticiava ontem o Expresso. Prémio merecido. Parabéns aos meus amigos Cristina e Artur.
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    sexta-feira, 10 de julho de 2026

    A minha pátria é a míngua portuguesa


    O corte do apoio a quem tanto nos deu é, para além de revelador de uma ignorância e de um desprezo sem paralelo pela cultura, uma atitude de gente má. Gente bem instalada, com poder de decisão, que decide apoiar os seus pares na "urgente resiliência" — empresas, instituições, clubes — e esquecer quem nos enriqueceu os sentidos e o ser. Quem contribuiu para o nosso enriquecimento cultural, que provavelmente é a única coisa em que somos ricos. 
     
    A poesia pode não encher estádios, nem mover um olhar ou um gesto de políticos e agentes económicos, mas existe, e existindo permite que a Língua de Camões (que os agentes económicos e os políticos tanto gostam de assinalar nas comemorações oficiais, com fatos, gravatas e bebidas frescas) nos esclareça sobre o nosso papel no mundo e sobre a maneira como nos relacionamos. Foi Fernando Pessoa que disse: "A minha Pátria é a Língua Portuguesa". Claro que o primeiro-ministro e a chamada ministra da cultura não querem saber de poetas e de poesia para nada, mas podiam tentar perceber a importância que os poetas têm na evolução de como comunicamos. Talvez comunicassem um bocadinho melhor se percebessem isso. Não percebem. É por isso que comunicam e decidem mal. É pena.
     
    Partilho um texto/apelo do meu amigo Luis Manuel Gaspar, no facebook, que elucida bem a maldade aplicada e sugere a solidariedade.
     
    URGENTE
    Em 2026, o Estado português cortou para menos de metade o subsídio de mérito cultural atribuído ao poeta António Barahona, de 87 anos. Recebe agora, debilitado e com graves limitações de visão, uma mensalidade de 257 €.
    Enquanto não surge uma resposta por parte dos serviços da Segurança Social contactados é necessário agir. Cabe-nos a nós, artistas, admiradores, amantes da poesia, pessoas, enfim, que não se conformam com a soberba assassina dos burocratas, garantir uma vida digna a quem nos dá tanto.
    Podem depositar o que vos for possível na conta
    IBAN PT 50 0035 0127 0001 4771 4312 7
    cujo titular é António Manuel Baptista Barahona da Fonseca; este aviso estará visível apenas quando o vosso apoio for necessário. Quem tiver alguma pergunta ou quiser deixar um recado para o poeta, envie, por favor, mensagem privada. E, se puderem, passem palavra! 
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    quinta-feira, 9 de julho de 2026

    Um extra-terrestre na Casa Branca?

     
    Um farroncas sem vergonha nem tino domina um país que parece estar adormecido por um qualquer agressivo vírus. O farroncas "governa" sem diplomacia nem razoabilidade. Invade e orgulha-se de poder acabar com civilizações com história. 
     
    Volta a falar da posse da Gronelândia. Situação que foi estranha para o mundo quando referida pela primeira vez, mas que agora parece já fazer parte da lógica política do farroncas sem vergonha. Ignora apoios a quem precisa e encara as alterações climáticas como uma inexistência. O narcisismo denuncia a linguagem corporal inebriada de vaidade e gosto duvidoso. A inabilidade verbal interrompe um possível discurso que ele pretende justo e assertivo. O disparate sucede-se. A baboseira impõe-se. 
     
    Quer fazer História. Acha-se mais famoso e transformador do que Cristo. Provavelmente um deus que não precisa de respeitar as leis dos seres humanos. Os pobres existem? Eliminam-se. O clima está a mudar e a ameaçar as nossas vidas? Nada disso. Ele sabe o que fazer. Acabe-se com esse luxo ecológico. Os tubarões que vão morrer longe. Ideologia de género? Que treta. Só existem dois sexos: meninos (primeiro) e meninas (para tratar dos meninos). Sempre foi assim e é assim que vai ser. Um tarado sexual, predador assumido e denunciado é que sabe como se deve ser sexualmente.
     
    Será que um extra-terrestre aterrou na Casa Branca? Nada disso. Está na Casa Branca um cretino fascista que se considera um deus com todos os poderes para fazer o que nunca foi feito. Sim, ficará na História do Mundo como o pior que poderia ter acontecido aos americanos e ao planeta nestes tempo de regresso a um passado tenebroso. Isso com toda a certeza.
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    Tudo pelo Tacho

    José Dias Fernandes recua e diz que vai continuar deputado do Chega. Título da Lusa.

    Sim, eu sei que a malta se irrita muito por andarmos sempre a falar das palermices dos energúmenos que seguem e praticam o catecismo do partido fascista. Mas eu acho que não é por aí que temos a burra nas couves. A mim já só me dá para rir. Já todos percebemos que o que querem as alimárias do partido do biltre é tacho. Assim, com todas as letras. O resto é conversa de encher chouriços, que também é desporto muito praticado lá no ringue. 

    Um cretino de quem nunca tínhamos ouvido falar, discordou de não sei o quê que incomodava a sua pretensão de manter o tacho. Mas alguém o fez chegar à razão e tudo voltou à normalidade "democrática", que é como quem diz: o tacho ditou a sua razão e a ordem natural das coisas - que isto é mesmo assim: quem não obedece não mama.

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    quarta-feira, 8 de julho de 2026

    Indomável ridículo

    Líder parlamentar do CDS-PP pede a CGTP que atribua medalha de mérito a André Ventura Título da Lusa

    O pedido não é ironia. O CDS/PP não tem sentido de humor para isso. É simplesmente provocação.O líder parlamentar do CDS/PP é um forcado de gado manso incompetente que não consegue "pegar" com êxito bezerros, e não consegue dominar a ganadaria que se estabeleceu no lado direito mais extremo do parlamento. Ventura votou a favor do vento eleitoral. Mais nada aconteceu ali. Agora, o forcado de gado manso queixa-se acusando, fingindo que não percebe que há quem finja ser o que não é. A tática é a mesma dos seus vizinhos, que não passam de uns indomáveis patifes.

    Não se conhece reacção ou resposta da CGTP. Esperemos que seja o silêncio. É, nestes casos, a melhor resposta.  

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    terça-feira, 7 de julho de 2026

    O maravilhoso mundo da educação

    O ministro é muito elogiado pelos seus pares. Eficácia pretensamente reguladora é entendida como solução única. Um economista que mal sabe de educação foi apresentado como o salvador do sistema. Parece que os salvadores estão na moda. O pantomineiro do partido fascista anda afixado pelas rotundas em cartazes de grandes dimensões anunciado como o salvador de Portugal. Mas esta cisma de que tudo tem que ser salvo, e a mania de que os salvadores são os agentes governamentais adeptos do "nunca visto", em delírio trumpista, está a dar maus resultados. Os maus resultados de Trump estendem-se a todo o lado. Os resultados são mesmo maus, sem metáforas. Não será tempo de o senhor ministro ir fazer "coisas extraordinárias" para outro lado? É que no seu desempenho não se vislumbra nada de extraordinário.Muito pelo contrário.

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    segunda-feira, 6 de julho de 2026

    Tudo tem solução

    Que farei quando tudo arde? Sá de Miranda
    Vou à bola. Luís Montenegro

    Imagem: Público 

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    Da série Grandes Capas. Imagens obtidas no laboratório do José Simões: https://misteriosorganismo.blogspot.com/




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    domingo, 5 de julho de 2026

    Aos domingos - elogio do extraordinário

    BRIAN ENO | Dei por ele já depois dos Roxy Music. Tal como conheci David Sylvian depois dos Japan. Por ignorância minha, mas que me deu muito jeito. Gosto muito mais do que veio depois das experiências iniciais. São dois músicos que encaixaram muito bem a solo os sons que foram experimentando nos colectivos. Mas Sylvian fica para outra vez.  

    Brian Eno concebe sons que circulam no ar. Misturam-se com a respiração. A melodia experimentada vai surpreendendo os nossos sentidos. Está ali. Circula no ambiente. Chamaram-lhe Ambient music. Eno compõe, toca, canta, envolve-se com gente de muitos instrumentos e geografias. O seu álbum Music for Airports foi decisivo para a afirmação deste meu alinhamento com a produção do artista. Tudo o que faz a todos os níveis da experimentação artística me interessa. Como artista visual combina disciplinas — arquitectura, vídeo arte, algoritmo, e o que mais inventa — que se estendem em ambientes minimalistas, ou nem por isso, instalados com rigor técnico e entusiasmo criativo. Brian Eno é um artista do seu tempo, que instala exigência e rigor no mundo da arte que se quer (na minha opinião) frequentável. Surpreende, fascina, sugere coisas novas. É bom ouvir, ver e sentir o que faz.
     
    É o meu elogio deste domingo desconfortavelmente quente. Esses ambientes criados por Eno dão-nos tranquilidade. A sua atitude e o seu trabalho desenvolvem-se de uma maneira extraordinária. Brian Eno é extraordinário.

    Visitem o seu sítio: Brian Eno 

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    sábado, 4 de julho de 2026

    Aos sábados - a espuma da semana

    POLÍTICA E CIRCO -  A extrema-direita continua em delirante ataque à democracia e à decência. O governo continua incompetente e vil. O partido que se diz social-democrata continua cada vez menos social. Agora tem novo porta-voz. E que voz. O abismo é já ali.

    LÁ FORA - Trump continua mentiroso e fanfarrão. Novidade? Nenhuma. Mas para quem inventou guerras para dizer que acabou com elas, e que passa a vida num anúncio de paz "como nunca se viu" que mais parece um número de circo rasca, essas guerras só o são porque morrem pessoas. Um palhaço criminoso não deixa de ser criminoso só porque faz da política um circo.

    NATUREZA - E depois há a Natureza, que é assim como um deus zangado, que incendeia, faz tremer destruindo vidas e construções humanas, parecendo querer lembrar a quem incendeia e faz tremer com armas que afinal há um poder maior. 

    LITERATURA - O livro PERDEU-SE RELÓGIO DE SENHORA, de Alice Brito, continua na rota do elogio e da recomendação. A segunda edição já circula. É um prazer ler este livro.

    ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO - E amanhã há elogio. Até amanhã. E até lá... Bom sábado. 

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    sexta-feira, 3 de julho de 2026

    Receituário

    JASPER JOHNS EM BILBAU
    O excelente texto é de Isabel Salema e vem no ÍpsilonPúblico — de hoje. A bandeira americana, que foi como tudo começou, não está na exposição. O MoMA não a emprestou. Mas estão lá cento e quarenta obras deste artista extraordinário.
    O Museu Guggenheim já faz parte das minhas rotas de viagens. Estive na abertura em 1997, e repeti visitas em outras datas. Bilbau é um lugar onde se está bem. Ter uma exposição de Jasper Johns é motivo para nova deslocação. As exposições que já por lá passaram conferem a esta cidade estatuto de centralidade na arte contemporânea.
    Está passada a receita para a garantia de um luminoso bem estar.

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