DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Já muita gente diz que anda aí um novo Hitler. A confirmação está mesmo debaixo do nariz. Escorre. Imagem obtida em: https://derterrorist.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora onze anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze. A Festa da Ilustração, em Setúbal, que teve em 2025 a sua última edição, nasceu logo em 2015 em solidariedade com esta gente corajosa que se recusa a respeitar o que não é respeitável.
Seguiram-se os justificados lamentos mas também a tentativa de justificação do acto. Afirmámos: somos todos Charlie. Mas houve quem usasse a ironia para relativizar a barbaridade: puseram-se a jeito, defenderam. Ou seja: todos devemos ser respeitadores de tudo o que mexe, até da intolerância. Devemos andar penteadinhos e de bibe bem passado a ferro até à idade do colarinho branco e de gravata de nó bem direito ajustada ao pescoço. Não nos devemos pôr a jeito de quem não nos respeita. Existe uma palavra que define este comportamento: medo. Há quem tenha medo até da sua sombra. Os hipócritas da direita neoliberal avançaram logo com esse respeitinho que é muito bonito quando lhes dá jeito. Os cartoonistas do Charlie Hebdo há muito que despiram o bibe e alargaram o nó da gravata. Ou largaram-na, mesmo. Pelo mundo fora há artistas do desenho inteligente e humorado que sofrem ameaças. Há casos recentes de dispensas de colaborações em jornais e revistas de informação e análise política. E os processos judiciais chovem nos tribunais. Inqualificável.A intolerância não se respeita: combate-se. Em 2019 a Festa homenageou um dos assassinados: Tignous. Tivemos em Setúbal a sua mulher, Chloé Verlhac. Cristina Sampaio, que foi nesse ano a convidada nacional da Festa, era amiga do casal e permitiu esse encontro, que foi repetido em 2021, tornando-se Chloé uma amiga muito cá de casa. Os fascistas, sejam eles oriundos da política dos comportamentos à direita, da religião intolerante ou da economia neoliberal — não vai dar tudo ao mesmo? — não respeitam valores, nem comportamentos civilizados, e desprezam atitudes corajosas de artistas atentos; mas vencem eleições. Há um povo "respeitador" que prefere andar a toque de caixa. Um povo que prefere a "economia" ajustadora proposta por essa gente sem jeito, ao conhecimento cultural e à indignação inteligente. Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski merecem e nosso respeito. Merecem ser recordados. Vamos lembrar-nos sempre do vosso trabalho insistente e valoroso. Até porque ele existe e continua por perto. Foi muito bom termos vivido no vosso tempo. Fizeram-nos crescer intelectualmente. Ainda somos todos CHARLIE. Texto publicado no dia 7 de janeiro de 2025. Adaptado agora.Facebook
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Sejamos claros
Sou suspeito, mas depois de assistir a este debate tenho de concluir que a candidatura que se destaca é a de Catarina Martins. A minha noção de utilidade sugere que se vote nela. O voto não é um útil electrodoméstico familiar que facilita cozeduras. A utilidade está nas nossas consciências. Não vejo utilidade nenhuma nas candidaturas que se sugerem como de utilidade única. Bom voto.
Facebook
Béla Tarr
Morreu o realizador que encontrava beleza nas coisas feias. Foi com Andrei Tarkóvski autor de referência nesta vontade de projectar o que incomoda o olhar. Dava importância ao que não queremos ver. Transformava ambientes. Produziu beleza e teve atitude. Foi um mestre que realizou filmes de culto que vão ficar por aí. Muito obrigado, Béla Tarr. Foi bom viver no seu tempo.
Reaccionário militante
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Toda a mentira será permitida
É temperamental, mentiroso, sexista, iletrado, taralhoco verbal e um muito provável criminoso sexista. Existem gravações em que se gaba de agressões sexuais. É misógino e violador. Na ridícula alocução de tomada de posse ameaçou países independentes e com soberania. Cismou que a Gronelândia tinha que ser sua e o Canadá também. Concretizou o ataque a Caracas gabando-se com gáudio do bom negócio que estava a fazer. O petróleo foi motivo principal para a ocupação. Morreu gente, mas prémios para os feitos de paz continuam a ser reclamados. Já fala em Cuba e confirma a necessidade de incluir a Gronelândia no seu território. O país que dirige como aprendiz de ditador, tornou-se empresa pessoal. A sua fortuna aumentou despudoradamente. É um desbragado corrupto.
Há um louco furioso em delírio imperialista. Um tarado sexual narsísico e aspirante a dono do mundo exerce a sua força como imperador empossado e aclamado. Regressámos a um tempo que estava retido nas páginas dos livros de história. Os regimes autoritários e ricos vão querer ter o mundo a seus pés. Trump é já um ditador que não passa cartão a ninguém e decide fazer o que lhe dá na real gana. Ao contrário do que diz o trumpezinho português, Trump não libertou coisa nenhuma. Trump não fala em liberdade nem em democracia, porque essas tretas não lhe dizem nada. Trump só fala em negócios. A sua fortuna pessoal e da sua família de indigentes políticos aumentou mesmo desde que é presidente daquela empresa unipessoal que agora dirige. Trump é um louco furioso. Um escroque. Não se percebe como os democratas americanos e os dirigentes europeus estão ainda na fase de espanto perante o que está a acontecer. As regras do Direito Internacional são constantemente violadas desde que o tarado tomou posse. As ameaças são mato. O mundo ficou ainda mais perigoso com este alarve em acção. Provavelmente chamar-lhe louco é elogio. É mesmo possível que se esteja perante um criminoso furioso. Não há quem detenha a besta?
Imagem: Cartoon de Cristina Sampaio. incluído no projecto Spam Cartoon, recentemente excluído da programação da RTP3, e cartoon de André Carrilho para o DN.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS The New Yorker faz 100 anos.
É uma publicação única. Em tempos de notícias falsas em catadupa, propaladas por candidatos a ditadores e por ajustadores amadores, a New Yorker é já considerada por muitos um milagre. A informação, a análise e a correspondente seriedade são exigência elementar. Já para lá enviaram textos autores de referência. Também os ilustradores são motivo para folhearmos a revista. Nesta série Grandes Capas, que insisto em colocar frequentemente aqui na montra, os ilustradores revelam segredos e animam atitudes. Ilustradores de grande qualidade que aqui dão prova da excelência da Ilustração que se faz nos dias de hoje. Nem tudo vai mal, nos dias que correm. Há esperança, para o combate à estupidez.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Um alarve perigoso em delírio
O que se está a passar no mundo é mesmo muito preocupante. Um criminoso encartado, ladeado por idiotas sem escrúpulos,
mas premiado pelos donos do futebol mundial, invade um país e ocupa o
poder. Reclama negócios chorudos e gaba-se de todos os feitos e ganhos
financeiros com linguagem de caserna. O costume. O que daqui vai
resultar é preocupante. Este cretino vai fazer o que quiser? Os idiotas
que mandam nas américas vão fazer o que quiserem. Vivemos dias que mais
parecem noites. Preocupante. Muito preocupante.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Liberdade querida e suspirada
Tanta gente que lutou pela liberdade. Tanta gente torturada nas prisões de Salazar, que transmitia ele próprio orientações directamente à polícia política. Tanta gente morreu no campo de concentração do Tarrafal (a mais tenebrosa das prisões) e no Aljube, em Caxias, em Peniche e em todo o lado onde fosse permitido eliminar a liberdade de quem a reclamava.
Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Ser solidário
Ser de esquerda também é isto: ser solidário para além do período que agora termina. Ser de esquerda é perceber o outro e ser solidário com o seu sofrimento.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Muito obrigado
Neste ano em que encerro algumas actividades que marcaram o meu tempo, venho deste modo agradecer, em meu nome pessoal e também da DDLX Design Comunicação Lisboa, as oportunidades que nos deram. Esmiuçando:
SETÚBAL - Muito obrigado a todos os autores — escritores, historiadores, jornalistas, artistas visuais — que se dispuseram participar em apresentações dos seus trabalhos na iniciativa "Muito Cá de Casa", na Casa Da Cultura | Setúbal Passaram pela sala José Afonso da Casa os melhores. A vossa generosidade foi imensa, proporcional ao vosso talento. Agradeço também a toda a gente que, armada de intensa curiosidade intelectual participou nas sessões.
Muito obrigado a todos os artistas visuais que aceitaram o convite para exporem os seus trabalhos mais recentes — todos excelentes e inspiradores —, em exposições de grande qualidade, na galeria e no espaço João Paulo Cotrim da Casa Da Cultura | Setúbal, permitindo-me o privilégio de tratar da curadoria e do design expositivo. Foi um prazer, é claro, mas também uma aprendizagem. Aprendemos sempre com os melhores.
Muito obrigado a todos os artistas, curadores e editores que participaram nas onze edições da Festa da Ilustração - Setúbal. Esta Festa marcou a agenda da ilustração em Portugal e tornou-se um acontecimento único. Muito obrigado também a quem colaborou em todas estas actividades — amigas e amigos de sempre, dando ideias e ajudando nas montagens das exposições, mas também a toda a gente que trabalha no Município, gente que trabalha no duro. Ficamos todos amigos. Agradeço aos responsáveis autárquicos e ao público que participou — permitindo que tanta imagem nos inundasse o espírito esclarecendo a mente. Somos agora gente melhor. Nesta altura em que deixo de trabalhar na cidade, agradeço a tanta gente que nos ajudou a ser melhor gente, Desejo-vos o melhor. É preciso resistir. Resistam.
GRÂNDOLA - Muito obrigado a todos os artistas, curadores, e participantes na iniciativa "Ilustrar a Fraternidade". Fizemos coisas muito bonitas, "dentro de ti, ó cidade". Exposições, acções de formação, conferências e debates memoráveis. Grândola tem uma Biblioteca e Arquivo que permite o melhor. Arquitectura de excelência que convida a não parar de frequentar. Gente bonita em sítio lindíssimo.
LISBOA - As iniciativas sucederam-se. Exposições, lançamentos de livros, debates, trabalho. Agradeço à editora abysmo, à Biblioteca José Dias Coelho, à editora Snob e à Biblioteca Camões. Agradeço desde já a possibilidade de actividades futuras. A Biblioteca Camões, no largo do Calhariz, vai albergar, por assim dizer, a minha exposição "As palavras" em fevereiro próximo. E isto não vai ser apenas uma exposição. Muitas conversas e convívios vão existir neste lugar aonde apetece sempre voltar. Vamos continuar a trabalhar juntos. Vamos resistir ao tempo anti-cultural que nos ameaça. "Seremos muitos, seremos alguém", como cantou José Afonso. Facebook
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
ADEUS
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Fazem falta as palavras certas
domingo, 28 de dezembro de 2025
Cultura é política. Política é cultura
sábado, 27 de dezembro de 2025
Mentalidade Montenegro















