segunda-feira, 15 de junho de 2026
domingo, 14 de junho de 2026
Aos domingos - elogio do design
DESIGN DEMOCRÁTICO | O banco BUBU foi criado por Philippe Starck em meados dos anos oitenta do século passado. É fabricado em polipropileno e foi concebido para que se fizesse com ele o que nos desse na gana. Existe em várias cores. Pretende ser funcional e divertido. Claro que o design não exclui a intenção embelezadora: é um objecto bonito e alegre que também serve para limpar a vista. Pode ser banco, mesa de apoio ou de cabeceira, mas pode ser também caixa de arrumações. Também pode ser apenas um objecto para observação. Parece representar uma coroa real ao contrário. Ou será o chapéu de um bobo? Se calhar é uma critica à monarquia, mas não vou entrar por aí. Este que aparece na fotografia é minha propriedade há muitos anos, e já teve várias utilidades. É um dos meus projectos preferidos de Starck. Na imagem aparece acompanhado de um trabalho de Pedro Chorão, que é o meu artista português preferido. Mas isso é assunto para outro dia. Elogio feito. Bom domingo.
https://www.moma.org/collection/works/1721
sábado, 13 de junho de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
POR CÁ - O vociferador chanfrado que manda no partido salazarista soma mais uma exigência para aprovar o pacote contra quem labora. Para além da irrealista baixa da idade da reforma quer que os imigrantes, apesar de fazerem todos os descontos, não tenham direito a serviços de saúde durante um tempo definido por ele, o candidato a ditador. Um biltre é um biltre e por aí poderíamos ficar, mas na supressão dos apoios a quem deles precisa, o biltre será com toda a certeza apoiado pela ministra que dizem milionária e que tudo faz para tramar trabalhadores. O que esta gente quer é de uma maldade que nunca imaginámos vir a ser sugerida por políticos civilizados. Já não há direita política, só existe extrema-direita. A maldade já não é disfarçada. Resistir, é a palavra que define o que é preciso fazer.
LÁ FORA - O palhaço do circo Casa Branca, que prometia acabar com a guerra da Ucrânia antes de tomar posse, e que em vez disso iniciou mais guerras, e inventou a existência de outras para dizer que lhes pôs termo, continua a dizer que as coisas estão a correr bem, enquanto ameaça atingir de novo alvos estratégicos no Irão. Esperem: pára tudo. Afinal há de novo um "maravilhoso" acordo de paz com Teerão. Não?! É apenas mais um novo acordo anunciado e de novo falhado? Siga a marinha. O seu amigo israelita é que continua a matar sem medo. Estão bem um para o outro. Os enfermeiros nunca mais são convocados? Os coletes-de-forças escasseiam no mercado da propaganda médica?
BOLA - Parece que já começou o campeonato do pontapé na bola lá na terra de Trump. Ainda se fosse um campeonato de pontapé no cu do Trump...
LIVROS - André Gago tem novo livro publicado. Título: MANUSCRITO DE ALEXANDRIA. Foi apresentado ontem numa das muitas feiras do livro que se fazem por esse país. Foi na de Lisboa. Já o estou a ler. Agarrado. A sinopse esclarece:
Entre a confissão amorosa, a meditação filosófica e o romance de viagem, Manuscrito de Alexandria constrói um universo singular, em que o futuro aparece como arqueologia do presente e onde cada rosto, cada livro e cada cidade parecem guardar um enigma. É um livro sobre o que resta quando o mundo se torna irreconhecível — e sobre a obstinação de procurar ainda, entre ruínas, uma forma de beleza, de verdade e de salvação.
Ah, é verdade, e o André faz hoje anos. Parabéns, pelo aniversário. Do livro, já falamos um dia destes.
DESIGN - Um objecto muito especial vai ser o motivo do meu elogio de amanhã. Até amanhã. E até lá... Bom sábado
Imagem: cartoon de António para o Expresso publicado em 2019. Entretanto o representado canino livrou-se da trela.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
David Hockey
Julio Le Parc
Nasceu na Argentina. Foi precursor da Arte Cinética e da Op Art. Socialmente envolvido, foi expulso de França por ter participado nos protestos de maio de 1968.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Vivam os artistas
Jane Fonda foi conversar com Jon Stewart no Daily Show da passada segunda-feira. Duas pessoas que resistem ao desmantelamento da democracia feito a partir da Casa Branca, local povoado de cretinos egocêntricos. Entrevista notável. Realço uma opinião de Jane Fonda: os artistas não devem participar nas iniciativas destes poderes antidemocráticos.
Jane Fonda tem razão. Colaborar com quem nos combate é como temperarmos o caldo onde vamos ser cozinhados. Muitos alinham porque "é cá da terra". Outros alinham porque a coisa tem compensação financeira. Lembro-me sempre de um cantor de irritante prestação musical que era de esquerda quando apoiava uma autarca aparentemente de esquerda e depois passou a ser "o que for preciso" assim que essa autarca de "esquerda" passou a sentar-se à mesa, com todo o gosto, com a extrema-direita imbecil. Um cançonetista que não sabe estar quieto, gargareja sexismo tarado por todo o lado como se tudo fosse a sua cama, que é como quem diz, o seu mundo. Um enjoo que só frequenta quem sofre de acentuados problemas cognitivos de audição. Mas há quem também tenha problemas desses na visão e em outros sentidos. Falo da autarquia daquela cidade que agora está "à rasca" para tomar posição sobre o caso dos novos donos do palácio que fica ali mesmo à beira de uma praia, e que agora querem as praias todas que avistam. E falo de um artista que faz o que for preciso para se safar. Não é destes artistas que Jane Fonda fala. Estes estão bem assim. É dos que querem originalidade para a sua vida e tentam passá-la para a vida de todos os que os quiserem ouvir, ver, ler. São esses que não devem pactuar com a parvoíce da ligeireza egocêntrica.
A esquerda não é woke, nem no sentido da tolerância, nem no sentido do respeito pela preservação do que não se sabe bem o que é. A esquerda é alternativa ao marasmo, ao encosto à facilidade, ao plágio, aos ingredientes culturais alienantes que o neoliberalismo de extrema-direita sugere como o bem das economias e recomenda como boas práticas. A esquerda é diferente. Somos melhores. Temos melhores ideias. Jane Fonda foi apresentada como activista. Nada contra. Sou do tempo em que a isso se chamava militância. Militávamos contra a imbecilidade e o imobilismo. Acho que ainda se usa. Eu uso.
Em Portugal, o Daily Show passa na RTP2, às nove da noite.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
10 de junho - Dia de antirracismo
ALCINDO MONTEIRO foi assassinado por criminosos racistas, no dia 10 de Junho de 1995, só porque os racistas resolveram ir "matar pretos" no Bairro Alto, nesse dia em que comemoravam o "dia da raça". Criminosos em acção. Racistas que hoje têm voz institucional. Agora, políticos e comentadores consideram que ser racista é apenas opinião a que os racistas têm direito. O presidente da Assembleia da República acha mesmo que "no seu entender, pode "ser assim, lá dentro do hemiciclo. O líder de bancada do partido da chungaria gritante até já defendeu que "se se matassem mais uns quantos" isto estava muito melhor. As ofensas, a falta de vergonha e decência desta gente sem qualidades já chega a este ponto. Não, racismo não é opinião. Racismo é crime. Racistas são criminosos.
AO DESCONCERTO DO MUNDO
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Comenda e Tirana, a mesma luta?
Atitude
O Papa defendeu hoje que o "trágico drama migratório" deve agitar "a consciência das nações" e apelou à cooperação multilateral para lhe ser dada uma resposta "solidária e eficaz" que tenha no centro a dignidade humana. Agência LUSA.
O Papa revelar esta preocupação em Espanha, durante visita oficial, também tem significado substantivo. Não tendo nada a ver com a vida dos outros e não querendo ofender ninguém fazendo comparações com anteriores ocupantes deste importante lugar, e não partilhando as suas ideias sobre a origem do mundo e da criação humana, começo a pensar que este senhor até podia vir aqui a casa para o convívio almoçarado que pratico com um pequeno grupo de amigos. Mas não lhe digam nada ainda. É que posso estar enganado. Vamos aguardar.
domingo, 7 de junho de 2026
Aos domingos - elogio do desenho
EXPOSIÇÃO - Anna Maria Maiolino instalou no MAAT uma mostra a que chamou Terra Poética. Título curioso que se justifica logo que se entra no espaço da exposição. São matérias em proporções inventadas mas que parecem saídas da natureza. Realidades. A Natureza ilustra o nosso olhar. Estes objectos desafiam a nossa observação. Perturbam. Perturbam-se. Parecem em diálogo, mas também parecem olhares contrastantes sobre realidades matéricas elevadas a reflexão sobre o sentido disto tudo. O meu passeio por este "jardim" acrescentou-me a curiosidade dessa reflexão.
Maiolino é filha de muitas geografias. Viveu no meio de guerras e sobreviveu a muitas agressões. Esta exposição é um relato único. O olhar dispersa-se por entre aglomerados de matérias que se entrelaçam. Convivem. Refletimos. As imagens que junto são a minha interpretação visual deste trabalho. Em paralelo são por lá mostrados desenhos que acrescentam documentação. Esboços em procura do objecto final. Ideias que transformam o desenho em matéria. Em entrevista a José Marmeleira, no ípsilon, a artista desabafou "O desenho ainda é um suspiro neste mundo". É verdade. É sempre preciso fazer um desenho. Grande exposição, esta.
Terra Poética. Anna Maria Maiolino. MAAT. Lisboa. Até 31 de Agosto
sábado, 6 de junho de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
POLÍTICA - A Greve Geral foi uma Greve Geral. Os políticos que não a queriam tentaram submergi-la, alegando que era política. Ou seja: o que os políticos que são sempre contra as greves que os incomodam fazem não é política, deve ser filantropia. Esta Greve Geral não deveria estar contra as políticas que querem colocar quem trabalha no século dezanove. Em vez de pararem em protesto, os trabalhadores deviam ir de avental e boné de pala pedir aos patrões que os deixassem vender doces regionais e artesanato lá na empresa, para compensar os atropelos que vão ter que suportar com as aplicações políticas do pacote laboral. Aliás: trabalhadores, não, agora é colaboradores que se diz, como já advertiu um dos deputados do partido de extrema-direita. Dobrem a língua, em sinal de respeito por quem vos quer pôr a trabalhar, perdão: a colaborar, sem direitos nem garantias de futuro.
O MINISTRO BONZINHO - Porque disse o óbvio — os imigrantes não estão cá para cometer crimes, mas sim para trabalhar —, muita gente acreditou que Luís Neves como ministro ia ser uma espécie de Robin dos Bosques dos comportamentos policiais - Bater nos ricos para proteger os pobres. Parece que afinal o homem não alinhou nessa bondade, como era expectável em polícia que foi para ali para proteger o seu patrão — Montenegro está safo — e para mandar a polícia bater nos de sempre com muito orgulho. Ele disse-o. Mais: políticos de direita em geral, ministro dos polícias em particular, comentadores ao serviço dos políticos de direita em geral e deputados de direita e de extrema-direita (cada vez mais próximos), tentaram fazer do fim do dia de Greve Geral o grande acontecimento da Greve Geral. Estão todos bem uns para os outros. Deus lhes dê muitas hóstias sagradas, para alimentarem a maldade que já nem disfarçam.
REVISÃO, SIM OU NÃO? - Foi gira a dança entre o líder da extrema-direita (mostrando os louros da vitória) e o líder da bancada parlamentar do partido do governo (desvalorizando a estética loureira) na pista onde se vai dar a destruição da Constituição aprovada pelos deputados eleitos pelos partidos fundadores da democracia. Dançam mal, estes pés de chumbo que querem espezinhar tudo o que de democrático e com laivos de progresso foi inscrito na lei fundamental. Todos nos lembramos de que foi dos partidos do governo que transitaram para o partido de extrema-direita muitos dos deputados que agora berram lá na Casa da Democracia. Sempre lá estiveram, digo, só não tinham ensaiado os ruídos guturais.
ARTES - Uma visita ao MAAT vai ser o motivo do meu elogio de amanhã. Até amanhã. E até lá... Bom sábado
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Marjane Satrapi
MORRER DE AMOR | Eu adorava o trabalho de Marjane. O Nuno Saraiva também e sabe dizer melhor do que eu quem era esta mulher admirável. Morrer de amor revela toda uma filosofia de vida. Morrer é triste. A morte é sempre uma grande tristeza. É muito triste, esta morte de Marjane Satrapi.
José António Ferreira
Imagem: José Ferreira no restaurante Fidalgo. Fotografia de Eugénio Fidalgo.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Crazy for you
O que Trump quis dizer ao seu amigo de Israel não foi o que andam para aí a dizer. Nem tudo se pode traduzir à letra. Donald Trump disse a "Bibi" Netanyahu: "crazy for you", trauteando a canção de Madonna. Foi isto. Não foi insulto. Um homem lúcido e genial negociador ia lá cair por aí abaixo? Foi "love", percebem? Faz toda a diferença.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Respeito
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Imagens obtidas no laboratório do José Simões: mistérios do organismo.

































