quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Gente lamentável
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
É preciso fazer um desenho?
![]() |
Pedro Pina, André Carrilho, eu, Tiago Ferreira e João Paulo Cotrim, numa actividade da Festa da Ilustração |
Confesso que estou mesmo muito preocupado. Fico angustiado com este sobressalto permanente que é a possibilidade de um partido liderado por um mentiroso rasca e sem maneiras ser normalizado e ter muita influência. Claro que alguma influência já tem. O parlamento instalou uma taberna ali naquele recanto mais à direita da casa da democracia. Gente sem valor grita e esbraceja sempre que a decência quer ter palavra, e o berrador mor não sai dos suportes de comunicação mais visionados. Um horror. Um susto.
Em Setúbal nasci e vivi até há bem pouco tempo. Colaborei com a Casa da cultura e concebi e dirigi a Festa da Ilustração durante onze anos. Desenvolvi design de comunicação, fiz curadoria e design expositivo de exposições, promovi encontros literários e artísticos. Coloquei a actividade em Setúbal no topo das minhas preocupações profissionais. Considero que a cidadania deve ser exercida envolta em solidariedade. "A solidariedade não é facultativa, é um dever", como pretendia Jorge Sampaio. Mas o exercício do dever tem contornos mínimos e limites. Nunca alinhei em bairrismos cegos. Sempre denunciei o provincianismo bacoco e a farronquice parola dos apologistas do "é nosso é bom". A minha actuação em Setúbal inscreveu-se na intenção de se "levar o melhor do mundo a Setúbal, e o melhor de Setúbal ao mundo". O cosmopolitismo iluminou a minha existência no mês de Abril do ano de 1974 e nunca mais se apagou. Fiz o que me foi possível para manter essa lanterna acesa. Sinto que fui eu quem mais aprendeu. Aprendi muito e agradeço por isso a todos os artistas e autores que conviveram comigo e também ao pessoal do município: funcionários e responsáveis autárquicos.
Resolvi não continuar a colaborar com o município porque percebi que muito do que fiz até aqui não poderia fazer a partir do momento em que o executivo municipal é apoiado por vereadores do partido que considero bem longe dos ideais de solidariedade, progresso e cidadania inscritos no meu manual pessoal. O município de Setúbal tem o executivo mais à direita de que há memória em democracia. A minha atitude é política. Mantenho assim a distância higiénica que me limpa o fígado e alegra o espírito. A Cultura e a Arte combatem o obscurantismo. Sempre. Outra atitude é impossível. Estarei nesse combate até ao fim. Mas pretendo fazê-lo com a alegria e a inteligência que norteiam a curiosidade intelectual. Os arautos do retrocesso — já clamam sem vergonha por três salazares — não nos podem fazer desistir. "Seremos muitos. Seremos alguém", como cantou José Afonso. Continuaremos a cantar com ele.
Enderecei uma carta aos artistas, escritores, historiadores, jornalistas e outros colaboradores esclarecendo a minha atitude. Esta missiva pretende esclarecer toda a gente minha amiga e põe assim uma pedra no assunto. Não comentarei rigorosamente mais nada que aborde a minha relação com a cidade.
| Com Sérgio Godinho e Rosa Azevedo, em Muito Cá de Casa. |
| Com Jorge Silva Melo e Rosa Azevedo, em Muito cá de Casa. |
![]() |
Com Pedro Chorão e Ana Nogueira, na abertura da exposição de Pedro Chorão em 25 de Abril de 2025. Exposição que se integrou nas comemorações dos 50 anos da revolução. |
Trumpelias
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
E depois do rescaldo?
Apesar de tudo as sondagens não foram vencedoras. Foram manipuladoras. O candidato fascista não foi um destacado vencedor como era vaticinado. Claro que ele assumiu a postura de vencedor. De líder de uma nova direita. Isso já se esperava. Montenegro e Marques Mendes ou ainda não perceberam nada ou estão-se perfeitamente borrifando para o que isto vai dar, ao declararem que não vão tomar posição na segunda volta. Mais depressa do que imaginam vão ser engolidos pelo novel fascista que por acaso até saiu da mesma família política a que pertencem. Será uma reconciliação familiar? Quanto ao pernóstico liberal assim-assim, não tenho nada a dizer.
Sim, vamos cruzar-nos com gente rasca em apoio ao seu caudilho. Isto não vai ser trigo-limpo farinha amparo. O fascista vai fazer das suas. O povo de direita que nele vota é mais desprevenido culturalmente do que uma larga maioria dos eleitores da direita dita democrática. Gente rasca domina poderes. Imaginam o Palácio de Belém ocupado pelos trogloditas que rodeiam o seu caudilho chunga? Parece-me evidente também que muita gente do PSD vai estar connosco contra a chungaria. Aguardemos para ver.
O resultado de Catarina Martins ficou aquém do desejado, mas não aconteceu por a campanha ter sido ruim. Muito pelo contrário: foi na minha opinião a mais séria, lúcida e esforçada campanha, acentuando o perigo do que aí pode vir. O voto útil em Seguro dividiu o eleitorado da esquerda, só isso, mas "ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma, é apenas um pouco tarde", como diria Manuel António Pina. Catarina Martins, na declaração do final da noite, referiu o eleitorado do Bloco que votou agora em Seguro, com um aceno a um reencontro futuro. Fez bem. E apelou de imediato ao voto em Seguro agora. Fez bem. Também fizeram bem os outros candidatos da esquerda. O muito respeitável António Filipe (em quem eu nunca votaria por mor da sua posição como deputado na Assembleia da República contra a eutanásia, a favor das touradas e mais uns pozinhos de conservadorismo moralista que me irritam seriamente) definiu de maneira assertiva o seu apoio ao candidato Seguro, referindo que apesar de se inscrever na agenda neoliberal da "moda" é agora a única maneira de não termos o fascista em Belém. Jorge Pinto foi igual a si próprio: lúcido e decente. Os restantes humoristas foram o que foram, agraciados pela falta de graça que apenas lhes permite o ridículo. Não consigo encontrar um pingo de graça nas tiradas ditas humorísticas de Manuel João Vieira. Apenas ridicularia parola, nada mais. Irrita.E AGORA? | Agora resta-nos apoiar e votar em António José Seguro. A única maneira de não nos envergonharmos do nosso mais alto representante. Nunca respeitaria Ventura como chefe de Estado. Não respeito sequer os seus eleitores e lamento ter de me cruzar com eles no meu dia-a-dia. Não conheço pessoalmente nenhum. Nem vou conhecer. Se por acaso estiver enganado peço o favor aos meus aparentemente "amigos" racistas, xenófobos, (talvez mesmo fascistas) que me informem da sua miserável condição ideológica. Agradecido.Obrigado, Catarina
Foi a candidata da minha esquerda. Fez uma grande campanha eleitoral. Tive o privilégio de a representar na região onde nasci e ainda vivo. Participei com a intensidade possível. Uma mulher de cultura que sabe que a política precisa dessa retaguarda. Catarina Martins é uma mulher extraordinária. Reforcei uma amizade que se vai prolongar por um futuro de resistência. Mas disso falaremos amanhã. Muito obrigado por tudo, Catarina. Muito obrigado, mesmo.
domingo, 18 de janeiro de 2026
Que se lixem os fascistas
Partilhado do Tiago Rodrigues, que sabe bem o que está em causa nestas eleições presidenciais, em que corremos o risco de ver quem eleja um neofascista para presidente. O fascismo é uma minhoca que está no boletim de voto.
sábado, 17 de janeiro de 2026
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
E se o céu nos cair em cima da cabeça?
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Trump e Cotrim - a mesma luta
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Sem noção
O pernóstico e o labrego
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Fascista caviar
Um fascista penteadinho e perfumado não deixa de ser um fascista. Acaba por ser apenas mais um fascista, mas penteadinho e perfurmado. É preciso fazer um desenho?
domingo, 11 de janeiro de 2026
Tão diferentes, mas tão iguais
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Já muita gente diz que anda aí um novo Hitler. A confirmação está mesmo debaixo do nariz. Escorre.
Imagem obtida em: https://derterrorist.blogs.sapo.pt/
Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora onze anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze. A Festa da Ilustração, em Setúbal, que teve em 2025 a sua última edição, nasceu logo em 2015 em solidariedade com esta gente corajosa que se recusa a respeitar o que não é respeitável.
Seguiram-se os justificados lamentos mas também a tentativa de justificação do acto. Afirmámos: somos todos Charlie. Mas houve quem usasse a ironia para relativizar a barbaridade: puseram-se a jeito, defenderam. Ou seja: todos devemos ser respeitadores de tudo o que mexe, até da intolerância. Devemos andar penteadinhos e de bibe bem passado a ferro até à idade do colarinho branco e de gravata de nó bem direito ajustada ao pescoço. Não nos devemos pôr a jeito de quem não nos respeita. Existe uma palavra que define este comportamento: medo. Há quem tenha medo até da sua sombra. Os hipócritas da direita neoliberal avançaram logo com esse respeitinho que é muito bonito quando lhes dá jeito. Os cartoonistas do Charlie Hebdo há muito que despiram o bibe e alargaram o nó da gravata. Ou largaram-na, mesmo. Pelo mundo fora há artistas do desenho inteligente e humorado que sofrem ameaças. Há casos recentes de dispensas de colaborações em jornais e revistas de informação e análise política. E os processos judiciais chovem nos tribunais. Inqualificável.A intolerância não se respeita: combate-se. Em 2019 a Festa homenageou um dos assassinados: Tignous. Tivemos em Setúbal a sua mulher, Chloé Verlhac. Cristina Sampaio, que foi nesse ano a convidada nacional da Festa, era amiga do casal e permitiu esse encontro, que foi repetido em 2021, tornando-se Chloé uma amiga muito cá de casa. Os fascistas, sejam eles oriundos da política dos comportamentos à direita, da religião intolerante ou da economia neoliberal — não vai dar tudo ao mesmo? — não respeitam valores, nem comportamentos civilizados, e desprezam atitudes corajosas de artistas atentos; mas vencem eleições. Há um povo "respeitador" que prefere andar a toque de caixa. Um povo que prefere a "economia" ajustadora proposta por essa gente sem jeito, ao conhecimento cultural e à indignação inteligente. Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski merecem e nosso respeito. Merecem ser recordados. Vamos lembrar-nos sempre do vosso trabalho insistente e valoroso. Até porque ele existe e continua por perto. Foi muito bom termos vivido no vosso tempo. Fizeram-nos crescer intelectualmente. Ainda somos todos CHARLIE. Texto publicado no dia 7 de janeiro de 2025. Adaptado agora.Facebook
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Sejamos claros
Sou suspeito, mas depois de assistir a este debate tenho de concluir que a candidatura que se destaca é a de Catarina Martins. A minha noção de utilidade sugere que se vote nela. O voto não é um útil electrodoméstico familiar que facilita cozeduras. A utilidade está nas nossas consciências. Não vejo utilidade nenhuma nas candidaturas que se sugerem como de utilidade única. Bom voto.
Facebook



















