Da série Grandes Capas. Art: Peter de Sève’s “New York’s Toughest”.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Receituário
LEMBRETE | É já amanhã, sexta-feira, dia 13, que vou conversar com o professor Fernando Cabral Martins sobre Fernando Pessoa. O Fernando é um especialista na obra de Pessoa, com obra publicada, e é um excelente conversador.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Orgulhosamente sós
Eu é que me sinto estrangeiro quando percebo que estou a ser agredido por declarações destas, proferidas por este sinistro urubu. A rejeição do cosmopolitismo, com a consequente apologia de um patriotismo que não passa de serôdio e incivilizado nacionalismo, provoca náuseas a quem quer um mundo onde caiba toda a gente. Mas esta gente sinistra quer ficar sozinha no sítio onde nasceu. Restaria desejarmos-lhes as melhoras se não fosse o caso de poderem vir a experimentar ter o poder de ofender e segregar quem desprezam. Este até já foi primeiro-ministro, e há quem anseie pelo seu regresso. Assim sendo só nos resta mandá-los dar banho ao cão. Mas tem de ser cão de raça nacional e o banho não pode ser dado por esses estrangeiros que nos querem roubar a pátria. Tão orgulhosamente sós. Tristes solitários.
O Zé sempre em pé
A exposição abre hoje no Museu Rafael Bordalo Pinheiro. Vão estar lá resmas de zés povinhos em papel e osso, e vão por lá ficar mais algum tempo. Perder esta festa é perder muito. Não a percam, portanto.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Sem certezas nenhumas
Na próxima sexta-feira vou conversar com o professor Fernando Cabral Martins sobre Fernando Pessoa. O Fernando é um especialista na obra de Pessoa, com obra publicada, e é um excelente conversador. Espera-se um fim de tarde de fraterno convívio pessoano, que é como quem diz: vamos olhar em redor e tentar perceber o que levava Fernando Pessoa a ter uma ideia tão assertiva da vida e do comportamento das pessoas, mesmo sem ter certezas nenhumas. Convidados.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Metem dó. Metem nojo.
O labrego perdeu mas diz que ganhou de outra maneira. O candidato derrotado com a menor votação de sempre num concorrente à segunda volta, diz que agora vai ganhar o país para fazer governo. O governo que tem na sombra é composto por gente de um ridículo arrasador. Claro que temos muita gente a votar nestes inenarráveis patifes. Um milhão e setecentos mil votos é muito voto.
No discurso de "vitória", o labrego informou os seus seguidores da necessidade de se combaterem as elites. As elites estão contra nós? combatam-se as elites. As elites não fazem falta nenhuma numa sociedade de labregos. E ali todos querem ser como o seu líder. Labregos encartados. Ora, o labrego não é de maneira nenhuma líder de coisa nenhuma. Mal estaria a direita se tivesse um líder tão odiado, rejeitado pela mais expressiva votação num candidato vencedor à Presidência da República. Ventura venceu no patamar do comentário televisivo. Todos os comentaristas comentam os comentários dele. Já não há paciência.
Outrossim: A SIC convidou João Cotrim de Figueiredo para fazer de Luís Marques Mendes. Parece que se quer insistir na ideia de criar um candidato a Presidente a partir do comentário semanal. Não sei se já perceberam isto: Marcelo já não seria Marcelo, e Mendes entrou tarde no comboio de Marcelo. Percebo: um representante da direita-caviar a comentar traz outro brilho ao desfile. Mas não se sabe se o labrego vai continuar a ser convidado para comentar dia-sim-dia-sim a sua alucinada ficção política. E espero com toda a convicção que o representante da direita-caviar saia do comboio numa estação bem longe de Belém. Cotrim é sinistro porque tem ideias sinistras nada aplicáveis ao estado a que isto chegou. E, muito sinceramente, é nauseabunda a legião de imberbes comentadores do partido fascista. Já ouvi um desses imberbes de aspecto repugnante considerar Simone de Beauvoir pseudo-intelectual, em resposta a uma comentadora que citou a brilhante intelectual francesa. Ignorantes e arrogantes. Metem dó. Metem nojo. Tão novinhos e tão parvinhos.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Venceu a democracia e a decência
Há quem já considere que o biltre vai ser primeiro-ministro um dia. O pesadelo pode acontecer, mas recuso-me a imaginá-lo. Nunca respeitarei fascistas. Estas eleições foram um teste a essa hipótese, mas o objectivo não era a vitória. Os comentadores esqueceram um facto importante: o candidato do partido unipessoal fascista teve menos cem mil votos na primeira volta do que o partido fascista nas legislativas. Agora teve mais uns pontinhos. Isto revela que o partido fascista tem, mais coisa menos coisa, a mesma aritmética do fascista que o dirige. Pode ser que a onda se esbata. Esperemos que sim.
A segunda volta uniu-nos. Os democratas que viveram os últimos cinquenta anos como os melhores das suas vidas não querem um enérgico líder autoritário, egocêntrico, mentiroso compulsivo e possuidor de uma incomensurável e ridícula vaidade em Presidente de uma República com uma Constituição solidamente democrática aplicadora de um civilizado estado de direito. Nem em Presidente da República, nem em primeiro-ministro. É normal que assim seja. Quem quer um cretino que é contra a democracia participativa, e que luta contra a participação das pessoas na democracia, ser instalado nos lugares de Presidente da República, primeiro-ministro, juiz absoluto, polícia de costumes e senhor todo poderoso de todos os poderes locais e internacionais? Três salazares? Ele quer ser uma resma de salazares. Ninguém quer estar nessa. Só mesmo grandes otários anseiam inscrição nessa coletividade. Claro que os otários são muitos. Mas nós somos mais. Pelo menos por enquanto. Sim, senhores comentadores que se incomodam com a nossa preocupação anti-fascista, insistiremos em lembrar: Ventura nunca. FASCISMO NUNCA MAIS.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
O rei parvalhão
Este idiota que se deixou publicar na suas próprias páginas das redes como se fosse o Rei Leão da história animada, publicou-se a si como rei e retratou os outros presidentes como primatas seus súbditos. Um vídeo absolutamente racista, ou seja, uma demonstração de atitude criminosa.
Aconteceu
Foi muito bom estar com os amigos de sempre e com os futuros amigos que apareceram. Conversámos. mostrámos preocupações e revelámos alegrias. Acho que aprendemos com a intervenção do António Cabrita. A próxima visita/conversa vai ser na próxima sexta-feira, dia 13. Vou conversar com Fernado Cabral Martins sobre Fernando Pessoa. Convidados.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Contra tudo e contra todos
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| Cartoon de Vasco Gargalo |
A expressão é de uma tolice tal que até custa a acreditar que seja dita por quem quer vencer. Mais tola é quando afirmada por quem venceu. Nas eleições autárquicas assistimos a disparates destes disferidos por gente que conquistou a câmara municipal da sua terra mesmo mudando de partido, e alguns nem por isso, só porque se acham o máximo e acham que sozinhos sabem o que deve ser feito.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
A palavra precisa de ternura
José Afonso
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
A gente ajuda
Mantraste
apanhado em flagrante. Os artistas ajudam. O ilustrador que percebe bem
os ambientes e motes populares é solidário também no terreno com quem
precisa.






















