quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gente lamentável

Mas ainda há dúvidas? Luís Neves, director da Judiciária, não as tem. O grupo 1143 é uma associação criminosa que organiza crimes contra imigrantes e pessoas de esquerda. As mulheres do Bloco de Esquerda deveriam ser obrigadas a prostituir-se, defendem os delinquentes nazis. Alguns são militantes e até foram candidatos autárquicos do partido fascista Chega. Não há qualquer possibilidade de o poderem desmentir. Existem registos que o comprovam: fotografias com André Ventura confirmam a preferência dos criminosos por esse partido. A advogada que os defende, que alega que não passam de uma espécie de grupo recreativo de amigos patriotas, também é grande fã de Ventura e de Mário Machado, o lider vitalício dos nazis portugueses.
A pergunta impõe-se: ainda há quem não core de vergonha quando diz que apoia e vai votar no chefe absoluto do Chega? Será que acham aquela trupe de meliantes uma agremiação normal?

Facebook  

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

É preciso fazer um desenho?

Pedro Pina, André Carrilho, eu, Tiago Ferreira 

e João Paulo Cotrim, numa actividade da Festa da Ilustração



Confesso que estou mesmo muito preocupado. Fico angustiado com este sobressalto permanente que é a possibilidade de um partido liderado por um mentiroso rasca e sem maneiras ser normalizado e ter muita influência. Claro que alguma influência já tem. O parlamento instalou uma taberna ali naquele recanto mais à direita da casa da democracia. Gente sem valor grita e esbraceja sempre que a decência quer ter palavra, e o berrador mor não sai dos suportes de comunicação mais visionados. Um horror. Um susto.

Em Setúbal nasci e vivi até há bem pouco tempo. Colaborei com a Casa da cultura e concebi e dirigi a Festa da Ilustração durante onze anos. Desenvolvi design de comunicação, fiz curadoria e design expositivo de exposições, promovi encontros literários e artísticos. Coloquei a actividade em Setúbal no topo das minhas preocupações profissionais. Considero que a cidadania deve ser exercida envolta em solidariedade. "A solidariedade não é facultativa, é um dever", como pretendia Jorge Sampaio. Mas o exercício do dever tem contornos mínimos e limites. Nunca alinhei em bairrismos cegos. Sempre denunciei o provincianismo bacoco e a farronquice parola dos apologistas do "é nosso é bom". A minha actuação em Setúbal inscreveu-se na intenção de se "levar o melhor do mundo a Setúbal, e o melhor de Setúbal ao mundo". O cosmopolitismo iluminou a minha existência no mês de Abril do ano de 1974 e nunca mais se apagou. Fiz o que me foi possível para manter essa lanterna acesa. Sinto que fui eu quem mais aprendeu. Aprendi muito e agradeço por isso a todos os artistas e autores que conviveram comigo e também ao pessoal do município: funcionários e responsáveis autárquicos. 

Resolvi não continuar a colaborar com o município porque percebi que muito do que fiz até aqui não poderia fazer a partir do momento em que o executivo municipal é apoiado por vereadores do partido que considero bem longe dos ideais de solidariedade, progresso e cidadania inscritos no meu manual pessoal. O município de Setúbal tem o executivo mais à direita de que há memória em democracia. A minha atitude é política. Mantenho assim a distância higiénica que me limpa o fígado e alegra o espírito. A Cultura e a Arte combatem o obscurantismo. Sempre. Outra atitude é impossível. Estarei nesse combate até ao fim. Mas pretendo fazê-lo com a alegria e a inteligência que norteiam a curiosidade intelectual. Os arautos do retrocesso — já clamam sem vergonha por três salazares — não nos podem fazer desistir. "Seremos muitos. Seremos alguém", como cantou José Afonso. Continuaremos a cantar com ele. 

Enderecei uma carta aos artistas, escritores, historiadores, jornalistas e outros colaboradores esclarecendo a minha atitude. Esta missiva pretende esclarecer toda a gente minha amiga e põe assim uma pedra no assunto. Não comentarei rigorosamente mais nada que aborde a minha relação com a cidade.

Facebook 

Com Sérgio Godinho e Rosa Azevedo, em Muito Cá de Casa.


 

Com Jorge Silva Melo e Rosa Azevedo, em Muito cá de Casa.

Com Pedro Chorão e Ana Nogueira, na abertura da exposição de Pedro Chorão em 25 de Abril de 2025. Exposição que se integrou nas comemorações dos 50 anos da revolução.



Trumpelias

Donald Trump vai criar uma organização alternativa à ONU. Coisa a seu preceito, onde ele possa mandar em modo unipessoal. Com uns milhões tudo se resolve a seu contento. A compra ou anexação ou o que for preciso fazer com a Gronelândia está a deixar líderes europeus em desalinho. Marcas automóveis já perderam muitos milhões com as ameaçadoras tarifas. Tudo o que vem daquele cretino é ridículo, mas faz estragos. 
 
A carta que enviou ao júri do Prémio Nobel é a coisa mais caricata que ultrapassa a imaginação dos mais salientes humoristas. Parece saída do teclado de uma criança que se apoderou do computador dos pais. Diz este tarado que não tem obrigação nenhuma de se preocupar com a paz, visto o Nobel não lhe ter sido colocado no sapatinho. E estimula o delírio com o seu grande feito que foi ter acabado com oito guerras sem ninguém se aperceber. Nas américas já se terão apercebido que têm um doido varrido a fazer merda todos os dias? E que a paz não é inscrição na sua agenda?
E será que esta malta em Portugal quer um cretino semelhante, ou pior ainda, a espalhar o terror entre o que não conhece ou não percebe? Esta gentalha só percebe a instalação do ódio e não é por ser ignorante, é por ser má. Gente má, sem estrutura intelectual e com um sentido de justiça de sacristia está a minar o mundo. É melhor abrirmos os olhos. Depressa. Já.
 
Facebook
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

E depois do rescaldo?

Apesar de tudo as sondagens não foram vencedoras. Foram manipuladoras. O candidato fascista não foi um destacado vencedor como era vaticinado. Claro que ele assumiu a postura de vencedor. De líder de uma nova direita. Isso já se esperava. Montenegro e Marques Mendes ou ainda não perceberam nada ou estão-se perfeitamente borrifando para o que isto vai dar, ao declararem que não vão tomar posição na segunda volta. Mais depressa do que imaginam vão ser engolidos pelo novel fascista que por acaso até saiu da mesma família política a que pertencem. Será uma reconciliação familiar? Quanto ao pernóstico liberal assim-assim, não tenho nada a dizer.  

Sim, vamos cruzar-nos com gente rasca em apoio ao seu caudilho. Isto não vai ser trigo-limpo farinha amparo. O fascista vai fazer das suas. O povo de direita que nele vota é mais desprevenido culturalmente do que uma larga maioria dos eleitores da direita dita democrática. Gente rasca domina poderes. Imaginam o Palácio de Belém ocupado pelos trogloditas que rodeiam o seu caudilho chunga? Parece-me evidente também que muita gente do PSD vai estar connosco contra a chungaria. Aguardemos para ver.

O resultado de Catarina Martins ficou aquém do desejado, mas não aconteceu por a campanha ter sido ruim. Muito pelo contrário: foi na minha opinião a mais séria, lúcida e esforçada campanha, acentuando o perigo do que aí pode vir. O voto útil em Seguro dividiu o eleitorado da esquerda, só isso, mas "ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma, é apenas um pouco tarde", como diria Manuel António Pina. Catarina Martins, na declaração do final da noite, referiu o eleitorado do Bloco que votou agora em Seguro, com um aceno a um reencontro futuro. Fez bem. E apelou de imediato ao voto em Seguro agora. Fez bem. Também fizeram bem os outros candidatos da esquerda. O muito respeitável António Filipe (em quem eu nunca votaria por mor da sua posição como deputado na Assembleia da República contra a eutanásia, a favor das touradas e mais uns pozinhos de conservadorismo moralista que me irritam seriamente) definiu de maneira assertiva o seu apoio ao candidato Seguro, referindo que apesar de se inscrever na agenda neoliberal da "moda" é agora a única maneira de não termos o fascista em Belém. Jorge Pinto foi igual a si próprio: lúcido e decente. Os restantes humoristas foram o que foram, agraciados pela falta de graça que apenas lhes permite o ridículo. Não consigo encontrar um pingo de graça nas tiradas ditas humorísticas de Manuel João Vieira. Apenas ridicularia parola, nada mais. Irrita.

E AGORA? | Agora resta-nos apoiar e votar em António José Seguro. A única maneira de não nos envergonharmos do nosso mais alto representante. Nunca respeitaria Ventura como chefe de Estado. Não respeito sequer os seus eleitores e lamento ter de me cruzar com eles no meu dia-a-dia. Não conheço pessoalmente nenhum. Nem vou conhecer. Se por acaso estiver enganado peço o favor aos meus aparentemente "amigos" racistas, xenófobos, (talvez mesmo fascistas) que me informem da sua miserável condição ideológica. Agradecido.

 Facebook  

Obrigado, Catarina

Foi a candidata da minha esquerda. Fez uma grande campanha eleitoral. Tive o privilégio de a representar na região onde nasci e ainda vivo. Participei com a intensidade possível. Uma mulher de cultura que sabe que a política precisa dessa retaguarda. Catarina Martins é uma mulher extraordinária. Reforcei uma amizade que se vai prolongar por um futuro de resistência. Mas disso falaremos amanhã. Muito obrigado por tudo, Catarina. Muito obrigado, mesmo.

 Facebook   

domingo, 18 de janeiro de 2026

Que se lixem os fascistas

Partilhado do Tiago Rodrigues, que sabe bem o que está em causa nestas eleições presidenciais, em que corremos o risco de ver quem eleja um neofascista para presidente. O fascismo é uma minhoca que está no boletim de voto.

Facebook   

sábado, 17 de janeiro de 2026

Dia de reflexão

Reflectido.

Facebook  
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

E se o céu nos cair em cima da cabeça?

Já andamos com medo que o céu nos caia em cima, como receava Abraracourcix, o chefe da aldeia gaulesa onde habitam e fazem pela vida Astérix e Obélix. Parece que este sítio no cantinho da Europa pode não querer quem governe nem deixe governar. O texto de Susana Peralta, hoje no Público, alerta-nos para um resultado eleitoral preocupante: segunda volta entre Ventura e Cotrim. Uma espécie de sopa-da-pedra para quem tem fome e para quem tem vontade de comer. Passando da gastronomia para a política, estaríamos mesmo na eminência de um golpe de estado sem armas. Qualquer coisa como a revolução das rosas brancas. A Constituição era mandada para as urtigas. AD/CHEGA chegariam a acordo em menos de um fósforo. As privatizações dariam lugar a comemorações diárias. Os apoios às pessoas necessitadas e às artes anulados como lixo. Ficavam só eles a brilhar. Os pernósticos e os labregos. Dançariam à volta da fogueira onde tudo arderia. O mundo é dos espertos, os outros que se lixem. 
 
Estamos mal, mas eles dizem que nunca estivemos tão bem. Nunca imaginámos viver tempos tão cruéis que ameaçam o futuro de uma juventude que se quer entregar nos braços dos seus algozes. O candidato que representa a maioria do eleitorado de esquerda diz agora que é de centro-esquerda, para os seus eleitores perceberem que ele até é um bocadinho de esquerda. Provavelmente lá teremos que ir votar no choninhas na segunda volta. Mas assumam, meus amigos de esquerda que votam no candidato de centro-esquerda: estão a votar no centro-esquerda. Só isso. Fiquem bem.
 
Eu votarei Catarina Martins para já, como os meus amigos mais atentos já perceberam. Faço-o convictamente. É preciso haver quem diga que é de ESQUERDA (assim, em caixa-alta) e que a esquerda é melhor do que a direita. Sempre foi e será. É por isso que votar em alguém que não quer ser colocado na gaveta da esquerda, porque afinal é de centro-esquerda, me dá umas reviravoltas na consciência que só eu sei. Mas se calhar não terei outro remédio. Há coisas que nos custam muito. Estas eleições colocaram muitos de nós num imenso sofrimento. A política é mesmo assim, mas não deveria ser. A política é tudo. E tudo é o que nós desejamos e construímos. Não construímos isto. Isto combatemos. Vamos construir mais. "Seremos muitos, seremos alguém", disse José Afonso. Estou com ele. Estou sempre com José Afonso.
Facebook   

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Trump e Cotrim - a mesma luta

Não, não vou aqui dizer que estes lustrosos homens de elevada popularidade mediática são assediadores e violadores. Deus me livre. Só para lembrar que Trump se gabou à brava, em tempo de campanha eleitoral, dos abusos sexuais que ousou para com mulheres que (disse ele) se rendiam ao seu sucesso mediático. E a coisa resultou.
 
Aqui neste lugarzinho de mediatismos cada vez mais parecidos com os das américas, talvez Cotrim de Figueiredo ganhasse com a gabarolice. Não estou com isto a dizer que ele é um gabarolas e que assediou e foi prepotente e mais isto e mais aquilo, é só um reparo. Vivemos numa sociedade patriarcal em que a mulher é sempre a culpada. Vimos isso em alguns inenarráveis comentadores televisivos que falaram deste caso. Parecem os amigos dos nossos bisavós mais conservadores: "Elas é que se põem a jeito", "A carne é fraca", e por aí afora. Parece que o homem não cai das sondagens abaixo mesmo com esta sugestão de acusação. Se assumir ainda vai a Presidente, que é o que a senhora assediada quer evitar com a acusação. Fico por aqui que a alarvidade dá ideias aos delas necessitados, e esta conversa ainda pode ser mal interpretada. Agora a sério: o que eu quero mesmo é que o Cotrim de Figueiredo se lixe, Para não dizer outra coisa.
 
Facebook   

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Sem noção

Primeiro-ministro elogia competência e resistência da ministra, diz a notícia e parece que foi o que disse mesmo o primeiro-ministro. Assim de repente até parece uma nota de humor. Mas a gente sabe que esta gente não tem sentido de humor nenhum. É de gente destrambelhada verbal que falamos, quando falamos de Montenegro, Leitão Amaro, Nuno Melo, Pinto Luz ou da resistente e competente ministra da saúde que não dá saúde a ninguém. 
 
Claro que não podemos falar de humor quando o que está em causa é um constante ataque ao Serviço Nacional de Saúde, transformado pelo senhor primeiro-ministro em "apoio nunca visto". A verbalização Trump já chegou ao país Portugal. O lodo dilui-se alastrando. Dói e mata. É visível a olho nu. Mas o governo garante que é assim que se faz. Não há alternativa. A ministra é maravilhosa. O ministro Amaro é um imbecil, mas é o nosso imbecil. Temos que o proteger. Nuno Melo vai ser melhor que Alexandre Magno, esperem pela pancada. Pinto Luz é uma jóia de uma pessoa. Uma jóia de uma pessoa, repito. E o primeiro-ministro é o melhor de todos: um autêntico Ronaldo, com pés de chumbo mas com muito jeitinho para o negócio, sua única habilidade desportiva. E depois há um país maravilhoso, que "deu novos mundos ao mundo" — como diz o aliado fascista do governo quando lhe dão as saudades do colonialismo —, que clama por esta gente, e aplaude, e dá maiorias eleitorais. Juntos estão a dar cabo disto tudo. A mentira junta-se a uma vontade justiceira que lhes dá força. A alarvidade é ilimitada. Só a decência tem limites, ou não existe.


 

O pernóstico e o labrego

Foi um dia em cheio, para o candidato mais pernóstico da contenda. A acusação de assédio tem alguma importância quando a senhora que se declara assediada diz por escrito que não consegue imaginar o pernóstico e os seus assessores — e os seus comportamentos pernósticos — em Belém. Eu já achava isso e nunca me cruzei com o inenarrável pernóstico e nem nada faço para encontrá-lo.
 
Mas não foi só a senhora que acusou de assédio o pernóstico. O labrego do partido fascista também. O homem não excluía ninguém dos apoios à segunda volta, e considerou que o labrego estava mais moderado nos últimos dias. Como se o comportamento atabalhoado do labrego pudesse ser barómetro de um final feliz. O labrego não se calou — nunca se cala — e avançou com uma definição de estalo: o pernóstico é mais Bloco de Esquerda mas mais bem vestido, de fato e gravata. Os labregos são assim: só consideram "bem vestido" quem se apresenta engravatado, com colarinhos engomados e botões de punho dourados. Trump é uma referência para o labrego até na maneira como se veste e ornamenta os seus espaços de comando, já tínhamos percebido e agora confirmado. O labrego queria ser assim como o mestre: um labrego vistoso e autoritário. Quem quer escolher entre um pernóstico e um labrego para nos representar? Lagarto, lagarto.
Facebook  
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fascista caviar

Um fascista penteadinho e perfumado não deixa de ser um fascista. Acaba por ser apenas mais um fascista, mas penteadinho e perfurmado. É preciso fazer um desenho?

Facebook 

Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker

Art by Barry Blitt.

Facebook 
 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Tão diferentes, mas tão iguais

O almirante que pôs na cabeça que lá porque fez agendamentos de vacinas poderia ser Presidente da República, e que isso não lhe causaria maior esforço do que um passeio à beira-mar, revela-se cada vez mais violentamente em ataques contra o facilitador de negócios que pôs na cabeça que lá porque comentou na televisão (como o outro) o que lhe passava pela cabeça (a maior parte das vezes mal e porcamente), e que isso não lhe causaria maior esforço do que uns abraços e uns beijinhos (como ao outro).
 
Foi agora publicado que 100 dos barões que lucraram com a passagem pelo partido e pelos poderes que o partido lhes permite, estão a apoiar o almirante que é ferozmente contra todos os que lucraram ou facilitaram lucros. Ah valente! Já o ex-apoiado pelos seus colegas de partido vê-se agora apoiado, e orgulhoso por isso, por Dores Meira e Toy. Essa peculiar esquerda setubalense mudou de palanque. Bem, Toy sempre fez tudo para aparecer em todos os palanques, e Dores Meira sempre fez o que a direita faria, mas a esquerda setubalense ainda não tinha percebido. Agora, a vistosa dupla sadina fez um desenho. Será que a esquerda da urbe banhada pelo Sado já percebeu que Toy sempre foi um cançonetista foleiro a olho e que a esquerda não deve ser assim? Deixem estar os foleiros na direita. Não se esforcem.
 
Outro candidato, muito seguro de si, apresenta-se apoiado e retratado junto de gente do pior (passistas e montenegristas abeiram-se do candidato) e mais recentemente de Santana Lopes (que se não é da extrema-direita mais babosa para lá caminha, e que é, com toda a certeza, o enfadado senador dos lustrosos pato-bravos), que parece querer apoiá-lo, mas logo se se vê, sempre denunciado pela linguagem corporal (e também oral) que lhe está colada à pele e carácter. Parabéns à prima.
 
Este folclore não é recreativo. A eleição de gente tenebrosa como Gouveia e Melo ou Cotrim de Figueiredo (que não se cansa de clamar pelo apoio de Passos Coelho dos ajustes "reformadores"), para já não falar no fascista de serviço, que continua aos berros por ruas e mercados, põe em perigo muito do que conseguimos conquistar para nosso conforto social e cultural. Temos aqui gente muito perigosa e com vontade de vingança. Gente do pior. 
 
Vamos experimentar votar em alguém que não precisa de provar honestidade e que tem ideias e que já provou que as tem? Vamos entrar nesta primeira volta com a atitude da esquerda que defende os valores da esquerda, mesmo Esquerda ESQUERDA? Vamos?
Abraços
Facebook 
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Facebook 
 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Design de comunicação

DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Já muita gente diz que anda aí um novo Hitler. A confirmação está mesmo debaixo do nariz. Escorre. 

https://www.dnevnik.si/ 

Imagem obtida em: https://derterrorist.blogs.sapo.pt/ 

Facebook 
 

Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora onze anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze. A Festa da Ilustração, em Setúbal, que teve em 2025 a sua última edição, nasceu logo em 2015 em solidariedade com esta gente corajosa que se recusa a respeitar o que não é respeitável.

Seguiram-se os justificados lamentos mas também a tentativa de justificação do acto. Afirmámos: somos todos Charlie. Mas houve quem usasse a ironia para relativizar a barbaridade: puseram-se a jeito, defenderam. Ou seja: todos devemos ser respeitadores de tudo o que mexe, até da intolerância. Devemos andar penteadinhos e de bibe bem passado a ferro até à idade do colarinho branco e de gravata de nó bem direito ajustada ao pescoço. Não nos devemos pôr a jeito de quem não nos respeita. Existe uma palavra que define este comportamento: medo. Há quem tenha medo até da sua sombra. Os hipócritas da direita neoliberal avançaram logo com esse respeitinho que é muito bonito quando lhes dá jeito.
 
Os cartoonistas do Charlie Hebdo há muito que despiram o bibe e alargaram o nó da gravata. Ou largaram-na, mesmo. Pelo mundo fora há artistas do desenho inteligente e humorado que sofrem ameaças. Há casos recentes de dispensas de colaborações em jornais e revistas de informação e análise política. E os processos judiciais chovem nos tribunais. Inqualificável.
A intolerância não se respeita: combate-se. Em 2019 a Festa homenageou um dos assassinados: Tignous. Tivemos em Setúbal a sua mulher, Chloé Verlhac. Cristina Sampaio, que foi nesse ano a convidada nacional da Festa, era amiga do casal e permitiu esse encontro, que foi repetido em 2021, tornando-se Chloé uma amiga muito cá de casa.
 
Os fascistas, sejam eles oriundos da política dos comportamentos à direita, da religião intolerante ou da economia neoliberal — não vai dar tudo ao mesmo? — não respeitam valores, nem comportamentos civilizados, e desprezam atitudes corajosas de artistas atentos; mas vencem eleições. Há um povo "respeitador" que prefere andar a toque de caixa. Um povo que prefere a "economia" ajustadora proposta por essa gente sem jeito, ao conhecimento cultural e à indignação inteligente. 
 
Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski merecem e nosso respeito. Merecem ser recordados. Vamos lembrar-nos sempre do vosso trabalho insistente e valoroso. Até porque ele existe e continua por perto. Foi muito bom termos vivido no vosso tempo. Fizeram-nos crescer intelectualmente. Ainda somos todos CHARLIE.
 
Texto publicado no dia 7 de janeiro de 2025. Adaptado agora.
Facebook 
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sejamos claros

Sou suspeito, mas depois de assistir a este debate tenho de concluir que a candidatura que se destaca é a de Catarina Martins. A minha noção de utilidade sugere que se vote nela. O voto não é um útil electrodoméstico familiar que facilita cozeduras. A utilidade está nas nossas consciências. Não vejo utilidade nenhuma nas candidaturas que se sugerem como de utilidade única. Bom voto.

Facebook