CLUBE DOS PROFESSORES CONTEMPORÂNEOS | Publiquei aqui um texto quando soube que a professora Isabel Monteiro já não estava entre nós. Foi em Maio de 2013. Recordo-a agora, em jeito de homenagem, adaptando a publicação a esta nova realidade em que vivemos, porque acho que existiram pessoas que não merecem ser esquecidas. Há professores que recordamos acompanhados pela tristeza de não voltarmos a conviver com a sua inteligência, humor e cultura. Atitudes e comportamentos que nos transmitiram com grande sentido de dever.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Em Abril, liberdades mil (5)
CLUBE DOS PROFESSORES CONTEMPORÂNEOS | Publiquei aqui um texto quando soube que a professora Isabel Monteiro já não estava entre nós. Foi em Maio de 2013. Recordo-a agora, em jeito de homenagem, adaptando a publicação a esta nova realidade em que vivemos, porque acho que existiram pessoas que não merecem ser esquecidas. Há professores que recordamos acompanhados pela tristeza de não voltarmos a conviver com a sua inteligência, humor e cultura. Atitudes e comportamentos que nos transmitiram com grande sentido de dever.
Em Abril, liberdades mil (4)
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Regresso ao passado com o partido dito social democrata?
A deputada de esquerda Isabel Moreira pergunta à ministra da tutela o que ela acha da dita. A ministra da tutela é uma tutelar sonsinha que mal sabe o que anda ali a fazer. Pelo menos parece. Mas nós temos que a abanar para que ela acorde e perceba e assuma de que lado está. Nós temos que perder a paciência para esta gente toda que se está a deixar levar pelo discurso e prática de ódio da extrema-direita, vulgo: novos fascistas. Acordem de vez. Já não dá para ficarem em cima do muro. E a solução não é regressarmos ao século passado. Enxerguem-se.
Em Abril, liberdades mil (3)
NA ESCOLA DO ESTADO NOVO | Regresso hoje a esta ideia de contar histórias e botar opiniões pessoais sobre o que viveram as pessoas do meu tempo, no tempo de transição da ditadura para a democracia. Falo de pessoas mais ou menos da minha idade. Não é coisa de geração. As gerações existem para definições sociológicas, mas, nas atitudes, as pessoas têm percepções diferentes do que se passa à sua volta. Somos todos diferentes. Insisto na expressão cantada de José Afonso: "Há quem viva sem dar por nada/Há quem morra sem tal saber". Faço parte do clube de membros da minha geração que queria dar mesmo por tudo. A história de hoje aconteceu-me. É relato real, sem ficção de espécie alguma. É uma das histórias aqui em pré-publicação, dado que sairá no objeto impresso que já aqui informei estar disponível para leitura em março de 2027. É uma das histórias do livro ALGUÉM VIU OS MEUS ÓCULOS? Aqui vai:
AULA DE TRABALHOS MANUAIS - Sempre entraram jornais em casa dos meus pais. A leitura diária da imprensa escrita meteram-se comigo. Os jornais detetaram e instigaram em mim uma intensa necessidade de saber coisas. A curiosidade por tudo o que se passava cresceu em mim a partir dos cinco, seis anos de idade e nunca mais me abandonou. Essa minha curiosidade e conhecimento agitaram um episódio que não resisto em contar. Estava eu em frequência do então chamado ciclo preparatório. Tinha oito anos. Aula de trabalhos manuais. Dois professores vigiavam a sala e davam sugestões de trabalhos. Embalagens de objectos de uso corrente foram colocados à nossa disposição. Agora inventem, disse um dos professores. Resolvi fazer um avião a partir de um tubo de comprimidos, cartolinas e rolhas de cortiça. Chegou a altura de o ornamentar com papel de lustro e os dizeres definidores dos proprietários. Forrei o objeto de vermelho e coloquei as iniciais URSS. Foi o bom e o bonito. Professores em interrogatório intenso. Onde viste isto? Quem te disse para pôr estas letras? Ameaças sugeridas, interrogatório a acelerar com violência verbal. Respondi, com toda a calma, para os prestimosos professores ameaçadores, que via com frequência aquelas letras nas primeiras páginas dos jornais. “Isso não viste, não senhor!”, dizia aos berros um dos professores. Não lia jornais, percebi. Saí da sala de aula ao som de ameaças e urros de um dos cretinos. Ao jantar contei a cena ao meu pai. Pânico discreto. Procurou entre todos os jornais que tínhamos lá em casa os exemplares com URSS grafado na primeira página. Disse-me para os levar aos professores. Um dos jornais — O Século — era conotado com a situação. Insuspeito, portanto. Para que percebesse bem a situação falou-me abertamente da agressividade do regime político em que vivíamos. “Temos que ter alguma habilidade para nos defendermos nestes tempos em que vivemos. Temos que ser amigos do governador civil e do sapateiro. Se o governador nos atiça a polícia temos que ter bons sapatos para fugir. Leva os jornais e mostra aos professores. Se eles não perceberem é porque não querem perceber. Mas talvez fiquem mais calmos. Pelo menos estes jornais provam que foi verdade o que lhes disseste. Para algo pior estou cá eu e falo com eles”. Só não percebi muito bem a necessidade de compromisso entre fascistas e sapateiros, mas cumpri. Os professores de trabalhos manuais perceberam o excesso da atitude aparvalhada. Tive sorte. À noite contei ao meu pai. “Palhaços”, sentenciou. Sim, palhaços, mas sem graça.
E pronto. Este é apenas um dos episódios por mim vividos que agora podem inspirar os adeptos da educação à antiga portuguesa, como costumam dizer das touradas. Devem ser este tipo de professor que inspira os novos "educadores" do partido fascista. Não sei se terão sucesso escolar. Esperemos que não.
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Os idiotas
terça-feira, 14 de abril de 2026
Contra o escroque fascista
Ontem mencionei aqui uma frase de Bernard Shaw que metia porcos na prosa. A situação depreciava o animal. A ideia era comparar pela negativa o líder do partido fascista (agora já se percebeu sem margem para qualquer dúvida que aquela gente é mesmo fascista) a um porco que afocinha na lama sem qualquer problema e até gosta disso. Não vi o debate mas, pelo que tenho lido por aqui, parece que a premissa se confirmou.
Os simpáticos animais não me encomendaram a sua defesa, como é evidente, mas eu sinto-me alcançado com a opinião que ontem aqui publiquei. Venho assim, desta singela maneira, tentar salvar a honra dos involuntariamente atingidos porcos, com a frase de Churchill que inicia este badalar. Já percebemos que o animal não merece ser comparado ao líder do partido fascista. O líder do partido fascista não é um porco. É um mentiroso compulsivo, um mal-criado sem maneiras, um escroque, um racista colonialista sem vergonha, um fascista ressabiado. Nada tem de apreciável ou talentoso. Honra a José Pacheco Pereira que tentou encostar a víbora à parede. Dizem-me que não conseguiu, que víbora é víbora e nada há a fazer. Não posso concordar. Um mentiroso não ganha debates. Um debate não é um jogo da bola. O escroque não ganha debate nenhum. Não ganha debates porque nada se ganha fazendo batota. Sim, é um batoteiro que nunca reconhece regras. É papel de todos os democratas amantes da liberdade combaterem este energúmeno. Este e todos os outros que por aí andam. Os eleitos e os que os elegem. Se querem esterco no poder é porque se sentem bem no lamaçal. Não se respeitam fascistas. Combatem-se.
Fernando Sobral
Avisa-me aqui a plataforma que o Fernando Sobral faria hoje anos. O aviso desperta-me a saudade. Saudade da sua presença, dos seus escritos, da sua argumentação informada e inteligente. Sinto a falta dessa informação avisada sobre política, cultura e o saber observar e apreciar objetos de uso e prazer. O Fernando era um especialista em sofisticação. Por exemplo: relógios faziam parte do seu erudito saber. Vi uma vez um relógio, numa montra de uma relojoaria, que achei lindíssimo. Como não conhecia a marca, resolvi perguntar ao Fernando. Fui almoçar com ele nesse dia. Contou-me toda a história da marca. Comprei o relógio. Sempre que o penduro no pulso, lembro-me do Fernando. Às vezes, quando o uso, oservo as horas e recordo as vezes que lhe ligava para combinarmos um almoço. Tenho mesmo muitas saudades do Fernando Sobral.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Sem receituário
Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sempre sujo e, segundo, porque o porco gosta.
Uma mulher na sombra, que fazia sombra
Quando fui chamado para colaborar com o Teatro O Bando, pelo João Brites, foi com a Natércia e a Fatinha que estabeleci o contacto inicial. Eram elas que resolviam tudo. Tinham o grupo de teatro às costas. O contacto passou a amizade em menos de um fósforo. A Fatinha foi muito, tanto, para este grupo de teatro que desenvolve um trabalho tão útil e exemplar. Mas a Fatinha ficou também minha amiga para sempre. Estivemos juntos há uns meses, num daqueles almoços/convívio/formação que o Bando organiza aos sábados. Estava a contar estar com ela no próximo. Mas ela não vai estar. Mas vai. Confesso que estou comovido e sem palavras. Passo para aqui as palavras que o João Brites escreveu nesta despedida:
Do irreal
Donald Trump publicou na sua plataforma Truth Social, uma imagem de si próprio, aparentemente vestido de Jesus Cristo, ressuscitando um morto.
A publicação surge no meio de duras críticas ao Papa. Provavelmente estamos mesmo perante um mais competente substituto do bispo de Roma. Até ressuscita os mortos. Trump é o novo salvador. Figura bíblica. Até quando o mundo aguentará este alucinado patético e os seus delírios?
domingo, 12 de abril de 2026
sábado, 11 de abril de 2026
Quando a corja topa da janela
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Os novos vampiros
quinta-feira, 9 de abril de 2026
O invertebrado holandês
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Rezar na era da técnologia
As religiões adoram o fim da vida. Depois disto é que vais ser. Isto é só uma passagem. Isto está tudo na Bíblia, e no Corão e no raio que os parta. São imortais, estes mortais. Nós, os que incréus, os hereges, os que não temem divindades de fantasia, estamos condenados. Espera-nos o inferno. Ainda bem que houve um Papa que acabou com o purgatório. Ainda bem que as leis eternas são decretadas pelos mortais, que asim se protegem de ir lá parar. O purgatório era do piorio.
domingo, 5 de abril de 2026
Em Abril, liberdades mil (2)
A MÚSICA É TAMANHA | A música foi a primeira das artes a despertar-me os sentidos. Claro que até aos doze anos ouvi o Festival da Canção com o entusiasmo de um parolo em crescimento. Mas o entusiasmo foi esmorecendo até que, a partir do momento em que passei a frequentar a revista Mundo da Canção, toda a cantoria vociferada em Portugal, pelos cançonetistas portugueses que só ouvia por descuido, foi atirada para o lixo. João Paulo Guerra chamou nacional-cançonetismo a esse insuportável ruído, em trocadilho com as premissas ideológicas nazis. Bem achado. Toda aquela algazarra sonora metia nojo. A publicação de o Mundo da Canção, e mais tarde de o Musicalíssimo, permitiram-me que acedesse a outros sons. O nome de José Afonso apareceu-me impresso pela primeira vez nestas publicações. Passei também a pedir documentação a embaixadas de países livres e civilizados. Também por aí fui tendo informações apesar de bem longe do pretendido.
Antes de Abril de 1974 comecei a ouvir outros sons graças ao Mundo da Canção. Achava o nome da revista foleiro, mas era o que havia, e o conteúdo era apreciável, apesar da forma. O Musicalíssimo surgiu depois, já em liberdade: em liberdade muito do que tínhamos ansiado passou a ser concretizado. Os jornais tinham bons suplementos culturais e surgiu imprensa de referência com especificidade cultural: o Se7e e o Blitz são apenas dois exemplos, mas também o JL esmiuçava curiosidades com substância. Até passámos a ter acesso à imprensa cultural estrangeira. A Interview, de Andy Warhol e Wilcock, surpreendia e animava. Mais tarde, em finais dos anos 1980, toram aparecendo por cá outras publicações incríveis, com grafismos fora de tudo o que era feito até aí. The Face e Arena marcaram-me, pelo conteúdo e pelo embrulho gráfico. A City informou-me e a The New Yorker deu-me asas. A sério, aquilo faz-nos voar. Ainda hoje. Guardo resmas destas publicações únicas, agora valiosas.
A Arte que experimenta foi preenchendo os meus ouvidos e cérebro. A literatura com as palavras que interessam foram guardadas nas estantes que eu próprio desenhei e até construí. Prefiro a surpresa ao imobilismo. É isso que exijo a mim mesmo. Voltarei a este assunto nestas conversas sobre Abril que tenciono publicar durante todo este mês. Bom dia de Abril. Até já.















