quinta-feira, 21 de maio de 2026
Contra tudo e contra todos
quarta-feira, 20 de maio de 2026
TORPOR - Na travagem brusca
Foi num dia assim. Já lá vão seis anos. Era preciso fazer qualquer coisa. Íamos todos para casa, mas não podíamos ficar parados. Antes o poço da morte que tal sorte, como cantou o Sérgio (Godinho). Foi uma ideia do João Paulo Cotrim. Foi ele que falou com toda a gente. Nós, na DDLX, tratámos dos arranjos e arrumações. Tudo preparado para começarem as publicações: 20 de maio, 20 horas. Depois foi o que se viu, ouviu, leu. O resultado ainda está aí e pode ser frequentado. A pandemia não deixou saudades, mas estes "passos de voluptuosa dança na travagem brusca" deixam-nos saudades do João Paulo Cotrim. Muitas saudades.
terça-feira, 19 de maio de 2026
Revolução miserável foi a de 28 de maio de 1926, estúpido!
Salazar havia-se viciado nisto. Porrada, prisões e tortura resolviam tudo. Um pacote perfeito. Estudantes tonitruantes na cantina da cidade universitária? Porrada neles e prisões cirúrgicas. Greves em toda a parte e pior ainda nas fábricas? O mesmo pacote, reforçado. Manifestações em dias e horas insuspeitas? Polícia de choque, bastões e pingalins. Havia alguns bófias que gostavam de pingalins. E tropas, também. Vá-se lá saber porquê. Talvez Freud, muito dado a explicações sexuais, nos pudesse dizer alguma coisa.
Alice Brito em PERDEU-SE RELÓGIO DE SENHORA
PERDEU-SE RELÓGIO DE SENHORA.
Autora: Alice Brito.
Edição: Sofia Fraga.
Coordenação editorial: Cristina Correia.
Revisão: Salvador Guerra.
Paginação: Alice Milheiriço.
Capa: Penguin Random House/Sofia Fischer.
Fotografia da autora: Conceição Brito.
Projecto gráfico da Chancela: Panóplia.
1ª edição: maio 2026.
Companhia das Letras é uma chancela de Penguin Random House Grupo editorial.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Receituário
PERDEU-SE RELÓGIO DE SENHORA. Autora: Alice Brito. Edição: Sofia Fraga. Coordenação editorial: Cristina Correia. Revisão: Salvador Guerra. Paginação: Alice Milheiriço. Capa: Penguin Random House/Sofia Fischer. Fotografia da autora: Conceição Brito. Projecto gráfico da Chancela: Panóplia.
COMPANHIA DAS LETRAS é uma chancela de Penguin Random House Grupo editorial. 1ª edição: maio 2026. Facebook
domingo, 17 de maio de 2026
Sérgio Godinho em Palmela, e Palmela no mundo
Foi bonito, este encontro com Sérgio Godinho em Palmela. Momento de convívio, com o esclarecimento ilustrado pelo debate. E alegria, sim, porque é com a alegria que nos esclarece e faz viver melhor que queremos continuar a estar aqui. Tristes são os que nos ameaçam, tentando tirar-nos o prazer da liberdade vivida com inteligência e cultura.
Esta iniciativa foi proposta ao Município de Palmela, que a assumiu e integrou nas comemorações da Revolução de Abril. A presença da presidente, Ana Teresa Vicente, mostra que temos gente de cultura na política em Palmela. São as Artes, é a Cultura, que nos permitem colocar o nosso chão no chão do mundo. Cabemos todos neste mundo em deslace, mas temos que fazer por isso. É o que fazemos quando conversamos uns com os outros. "A minha Pátria é a língua portuguesa", declarou Fernando Pessoa, poeta do nosso orgulho que nos fez ter orgulho na linguagem que nos permite existir como seres inteligentes. E ali estivemos nós a dar à língua. A conviver. Falámos de Pessoa, de José Afonso, de Albert Camus, de Amália, de Picasso, de João de Azevedo, de tanta gente que nos faz perceber melhor o que nos vai acontecendo. Foi muito bom. Agradecemos a todos os presentes este debate das boas ideias. Como diz o Sérgio numa canção: "Eh lá bico calado / muita coisa para dizer". Não nos calaremos. É assim que fazemos por ser felizes. Continuaremos a conversar.
Fotografias de Nuno Lopes
Aos domingos - Elogio do extraordinário
sábado, 16 de maio de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
POLÍTICA - Carlos Brito morreu. Carlos Brito foi um importante líder político. Muitos atacaram o PCP pela maneira como este partido reagiu a este fim. Concordo que o pretexto para a reação não foi a melhor — resposta a pedido da comunicação social —, parecendo que foi a contragosto, mas não concordo com as reações que arrasam o antigo partido de Carlos Brito. Outros partidos fizeram pior com ex-dirigentes fundadores. Também foram criticados por isso? Foram, mas nada que se compare à violência dos ataques destes últimos dias. E Paulo Raimundo acabou por dizer o que alguém civilizado pode dizer. Lamenta-se a morte de alguém que viveu com os olhos bem abertos. O resto é conversa lamentável. TRABALHO - O Pacote Laboral voltou à estaca zero. Negociações de meses deram em nada. Corrijo: deram para o doutor palhaço do Chega fazer imensos números de circo. O costume. Agora é apoiar a Greve Geral. É dia 3 de junho, não se esqueçam.
LÁ FORA - Trump continua a fazer o seu número de "one man show". Todos os dias diz coisas a entrar e a sair de um avião. Agora foi à China acompanhado dos seus colegas empresários. Foi gozado, humilhado, mas que importa isso? Importa sim fazer negócios. Ter vergonha não enriquece. Um palhaço de pobre retórica está a fazer bons negócios. E dá prémios. A razoabilidade que se lixe.
GUERRA - E a as guerras continuam. O imbecil não recebeu o Nobel. A vingança é terrível. A insensatez alastra e mancha de sangue as carpetes do poder. Atacar inocentes não é lutar pela paz. É crime. Trump deveria ser julgado, não premiado. ÓBITO - Morreu João Abel Manta. O seu trabalho foi importantíssimo para a interpretação do período de antes e do que depois se seguiu à instalação da democracia. Criou imagens ícones para o tempo da "revolução miserável", como chamou ao 25 de Abril o miserável fascista do partido miserável. Criou uma linguagem estética muito pessoal. Reconhecível e de substantiva originalidade. Um grande senhor das artes que nos deixa.AGORA - Hoje vamos estar com o Sérgio Godinho, em Palmela, para falarmos sobre o seu livro COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ e sobre outros assuntos. É na Biblioteca Municipal e começa às quatro e meia da tarde. Apareçam. Conversar é bom.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
João Abel Manta
Negócio da China
O chefe chinês "mandou umas bocas" que o cretino parece não ter entendido. E a linguagem corporal sem disfarce, exibida pelo chinês, foi encantadora. Senhor Xi, oiça um bom conselho: com o palhaço americano tem que se exprimir com linguagem mais simples. Sem metáforas. Tipo: "fazer negócios consigo é maravilhoso", "Este encontro é uma coisa nunca vista", "Os consumidores, perdão, o povo americano é lindo", e por aí afora. Assim como o senhor fez, com bocas metafóricas a atravessar o discurso, ele não percebe. Mesmo quando insinua que a América é uma merda, ele não percebe e responde que "a China também é maravilhosa". Esta viagem foi uma humilhação para o cretino americano, mas parece que ele ficou com a ideia de que tinha descoberto o caminho aéreo (dos negócios) para o Oriente. Há gajos assim: estúpidos que nem búfalos. Os búfalos que me perdoem.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Deus, Pátria e homilia
terça-feira, 12 de maio de 2026
Receituário
É invulgar, este rigor na percepção dos sons que já soaram, e também na estética visual. Ansioso por ouvir e ver o novo trabalho de Ana Lua Caiano.
Sérgio Godinho em Palmela
No próximo dia 16, sábado, a Rosa Azevedo e eu vamos conversar com Sérgio Godinho. É mais uma proposta SNOB/DDLX, que desta vez vai ocupar o espaço da Biblioteca Municipal de Palmela.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Do arrojo...
Montenegro diz que país precisa de “sindicalistas com arrojo”, criticando "sindicatos do século XX". Estruturas ultrapassadas, sugere. Notícia da LUSA
O homem julga estar muito à frente, coitado. Foram os sindicatos do século XX que lutaram para que os trabalhadores o fossem com direitos e deveres mais compatíveis com as funções desempenhadas. Montenegro e os seus amigos neoliberais e até os descarados fascistas querem regressar ao século XIX, onde o valor do trabalho estava ao nível da sobrevivência apenas. Esta gente não está muito à frente, como parece fazer crer. Não há nada de novo no pacote laboral. É tudo velho e serôdio. Charles Dickens, que nasceu em 1820, e que viveu observando a Revolução Industrial, escreveu os livros que esta gente não leu, e que descrevem tão bem o tempo a que querem que o mundo dos trabalhadores regresse.
A Greve Geral que aí vem tem de ser uma demonstração de força como o foram as grandes greves do século XX, que exigiram melhores salários, redução da jornada de trabalho, participação na política (todas as greves são políticas, estúpidos), e resistência ao autoritarismo patronal e governamental. E aconteceram para que hoje as pessoas que trabalham tenham direitos considerados normalíssimos: férias pagas, segurança no trabalho e negociação coletiva. Resistir, é preciso.
domingo, 10 de maio de 2026
Aos domingos - Elogio do supérfluo
CONTRA O ESQUECIMENTO - Elogiando o que muitos desvalorizam. Hoje só se dá importância ao sucesso pessoal, à obstinada carreira profissional, ao poder do dinheiro, ao que é caro porque é caro. O lazer, a curiosidade intelectual, a contemplação das coisas simples, são ideias ultrapassadas colocadas nas caves do esquecimento.
É o elogio das coisas boas da vida que se pretende fazer com estes relatos de domingo. A felicidade está nas ranhuras das coisas que ficaram para trás. É percebendo o que foi feito que ficamos mais apetrechados para fazermos o que queremos e que nos traz bem estar. A nossa vida pode mudar perante a descoberta de uma nova ideia na Arte. Ou mais esmiuçadamente na literatura, na natureza, na música, num objecto de design, numa pintura, num livro, numa atitude transformadora.
Vivemos com o corpo todo. Olhamos, ouvimos, lemos, usamos os sentidos para nos esclarecermos, e resolvermos problemas, para nos sentirmos melhor. Vamos lá falar do supérfluo sem peias, mas com rigor. Vamos falar do que não nos alimenta fisicamente, nem nos agasalha, nem nos enrica. O que observamos tem autor. O que fazemos tem as marcas do trabalho de muita gente que viveu antes de nós e que se preocupou em nos deixar uma vida melhor. Falemos do que nos traz felicidade.
GERHARD RICHTER - Snow-White
Tem 102 páginas. Formato: 21,5X15 cm. Na capa o nome do autor e o título: Gerhard Richter Snow-White. À folha de rosto antecipa-se uma página em vegetal onde está impresso, a prata, o nome da editora/galeria: Waco Works of Art. Na badana que dobra vinda da contracapa foi inscrita a ficha técnica.
Nem mais uma palavra. Ao todo são 100 trabalhos que reproduzem intervenções de Richter a tinta acrílica e lápis. Data de publicação: 2006. É o volume mais caro guardado no sítio dos livros arte da minha biblioteca. Literalmente o segundo mais caro, mas em comparação com um Tápiès quatro vezes maior, com o triplo das páginas e fartura de texto. Os livros de arte são caros. Facto. Mas este Richter provoca-me constantemente. Visito-o com frequência. Rentabilizado. Mesmo sem palavras diz-me tanto. E é-me tão caro.
sábado, 9 de maio de 2026
Aos sábados - a espuma da semana
JUSTIÇA : O líder dos fascistas portugueses continua a lançar mentira e ódio por dá cá aquela palha. Quer mudar tudo, isso já se sabe, para que tudo fique a seu jeito. O ministro Luís Neves é por ele criticado porque fez o que se espera de um ministro da Administração Interna. Para o líder fascista os polícias que cometem crimes são bons polícias. Gente de bem, é claro. Ficamos a saber que Ventura apoia práticas desumanas sobre pessoas indefesas. O crime e a tortura ficam-lhe a matar. Uma sociedade dirigida por gente desta devia ser uma sociedade exemplar onde só cabem eles: os que dão as ordens e os justiceiros de bancada que aplaudem nas tabernas e nos casinos rascas. Entendido.














































