segunda-feira, 8 de junho de 2026
Comenda e Tirana, a mesma luta?
Atitude
O Papa defendeu hoje que o "trágico drama migratório" deve agitar "a consciência das nações" e apelou à cooperação multilateral para lhe ser dada uma resposta "solidária e eficaz" que tenha no centro a dignidade humana. Agência LUSA.
O Papa revelar esta preocupação em Espanha, durante visita oficial, também tem significado substantivo. Não tendo nada a ver com a vida dos outros e não querendo ofender ninguém fazendo comparações com anteriores ocupantes deste importante lugar, e não partilhando as suas ideias sobre a origem do mundo e da criação humana, começo a pensar que este senhor até podia vir aqui a casa para o convívio almoçarado que pratico com um pequeno grupo de amigos. Mas não lhe digam nada ainda. É que posso estar enganado. Vamos aguardar.
domingo, 7 de junho de 2026
Aos domingos - elogio do desenho
EXPOSIÇÃO - Anna Maria Maiolino instalou no MAAT uma mostra a que chamou Terra Poética. Título curioso que se justifica logo que se entra no espaço da exposição. São matérias em proporções inventadas mas que parecem saídas da natureza. Realidades. A Natureza ilustra o nosso olhar. Estes objectos desafiam a nossa observação. Perturbam. Perturbam-se. Parecem em diálogo, mas também parecem olhares contrastantes sobre realidades matéricas elevadas a reflexão sobre o sentido disto tudo. O meu passeio por este "jardim" acrescentou-me a curiosidade dessa reflexão.
Maiolino é filha de muitas geografias. Viveu no meio de guerras e sobreviveu a muitas agressões. Esta exposição é um relato único. O olhar dispersa-se por entre aglomerados de matérias que se entrelaçam. Convivem. Refletimos. As imagens que junto são a minha interpretação visual deste trabalho. Em paralelo são por lá mostrados desenhos que acrescentam documentação. Esboços em procura do objecto final. Ideias que transformam o desenho em matéria. Em entrevista a José Marmeleira, no ípsilon, a artista desabafou "O desenho ainda é um suspiro neste mundo". É verdade. É sempre preciso fazer um desenho. Grande exposição, esta.
Terra Poética. Anna Maria Maiolino. MAAT. Lisboa. Até 31 de Agosto
sábado, 6 de junho de 2026
Aos sábados - a espuma dos dias
POLÍTICA - A Greve Geral foi uma Greve Geral. Os políticos que não a queriam tentaram submergi-la, alegando que era política. Ou seja: o que os políticos que são sempre contra as greves que os incomodam fazem não é política, deve ser filantropia. Esta Greve Geral não deveria estar contra as políticas que querem colocar quem trabalha no século dezanove. Em vez de pararem em protesto, os trabalhadores deviam ir de avental e boné de pala pedir aos patrões que os deixassem vender doces regionais e artesanato lá na empresa, para compensar os atropelos que vão ter que suportar com as aplicações políticas do pacote laboral. Aliás: trabalhadores, não, agora é colaboradores que se diz, como já advertiu um dos deputados do partido de extrema-direita. Dobrem a língua, em sinal de respeito por quem vos quer pôr a trabalhar, perdão: a colaborar, sem direitos nem garantias de futuro.
O MINISTRO BONZINHO - Porque disse o óbvio — os imigrantes não estão cá para cometer crimes, mas sim para trabalhar —, muita gente acreditou que Luís Neves como ministro ia ser uma espécie de Robin dos Bosques dos comportamentos policiais - Bater nos ricos para proteger os pobres. Parece que afinal o homem não alinhou nessa bondade, como era expectável em polícia que foi para ali para proteger o seu patrão — Montenegro está safo — e para mandar a polícia bater nos de sempre com muito orgulho. Ele disse-o. Mais: políticos de direita em geral, ministro dos polícias em particular, comentadores ao serviço dos políticos de direita em geral e deputados de direita e de extrema-direita (cada vez mais próximos), tentaram fazer do fim do dia de Greve Geral o grande acontecimento da Greve Geral. Estão todos bem uns para os outros. Deus lhes dê muitas hóstias sagradas, para alimentarem a maldade que já nem disfarçam.
REVISÃO, SIM OU NÃO? - Foi gira a dança entre o líder da extrema-direita (mostrando os louros da vitória) e o líder da bancada parlamentar do partido do governo (desvalorizando a estética loureira) na pista onde se vai dar a destruição da Constituição aprovada pelos deputados eleitos pelos partidos fundadores da democracia. Dançam mal, estes pés de chumbo que querem espezinhar tudo o que de democrático e com laivos de progresso foi inscrito na lei fundamental. Todos nos lembramos de que foi dos partidos do governo que transitaram para o partido de extrema-direita muitos dos deputados que agora berram lá na Casa da Democracia. Sempre lá estiveram, digo, só não tinham ensaiado os ruídos guturais.
ARTES - Uma visita ao MAAT vai ser o motivo do meu elogio de amanhã. Até amanhã. E até lá... Bom sábado
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Marjane Satrapi
MORRER DE AMOR | Eu adorava o trabalho de Marjane. O Nuno Saraiva também e sabe dizer melhor do que eu quem era esta mulher admirável. Morrer de amor revela toda uma filosofia de vida. Morrer é triste. A morte é sempre uma grande tristeza. É muito triste, esta morte de Marjane Satrapi.
José António Ferreira
Imagem: José Ferreira no restaurante Fidalgo. Fotografia de Eugénio Fidalgo.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Crazy for you
O que Trump quis dizer ao seu amigo de Israel não foi o que andam para aí a dizer. Nem tudo se pode traduzir à letra. Donald Trump disse a "Bibi" Netanyahu: "crazy for you", trauteando a canção de Madonna. Foi isto. Não foi insulto. Um homem lúcido e genial negociador ia lá cair por aí abaixo? Foi "love", percebem? Faz toda a diferença.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Respeito
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Imagens obtidas no laboratório do José Simões: mistérios do organismo.
domingo, 31 de maio de 2026
Aos domingos - É preciso fazer um desenho?
sábado, 30 de maio de 2026
Aos sábados - a espuma dos dias
EGOCENTRISMO - Passos Coelho, na sua cruzada contra quem é contra ele, continua a verbalizar críticas e a promover ideias que parecem tiradas de manuais de política para tótós. É uma espécie de D. Sebastião dos emergentes populismos, mas sem cavalo nem armadura. Só se adivinha um certo nevoeiro envolvendo o criador da criatura do partido com nome de detergente.
POPULISMO - Cabeça rapada com rigor, fato completo, gravata em nó bem enrolado, sapato de pala, todo um visual formal de político no activo, arrasa populismos e medidas governamentais como se fosse júri de um concurso de jogos florais. Ventura finge estar de acordo com tudo o que o homem diz, em linguagem corporal de grande enlevo admirador. Até se lhe nota a bába ao canto da boca, logo disfarçada pela língua sempre en reboliço. A direita finge muito. Faz cenários catastrofistas quando a coisa não lhes corre de feição e adianta-se com a alegria do vazio quando pensa que é promovendo o irreal que se safa. Passos já aderiu ao discurso de taberna. Todos no bom caminho.
GREVE GERAL - A Greve Geral é já na próxima semana. Os políticos profissionais que governam lá virão com a lenga-lenga de que "Ah e tal, esta greve é política, não é em defesa dos trabalhadores". O costume. É essa a maneira de fazerem política. Pois, é mesmo de política que falamos quando falamos do pacote que ataca quem labora. Esta greve é contra tudo o que esta gente quer. Políticos de tasca em políticas de bêbedos chatos sem interesse nenhum. Esperemos que a greve seja grande e geral, para bem de todos nós.
EDGAR MORIN - Um grande pensador. Passou por dois séculos sempre a interpretar o que se passava à sua volta. Para ele, ter razão é estar com os olhos bem abertos e não os fechar sem que as palavras expliquem essa observação. O resto são razões que a própria razão desconhece, como diria outro pensador.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Homenagem
Receituário
Jorge Martins tem uma grande exposição na Cordoaria. O trabalho de Jorge Martins merece observação atenta e persistente. É o que eu tenho feito. Esta exposição não pode ficar do lado de fora dos nossos percursos por Lisboa. É frequentá-la e apreciá-la.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Receituário
Nunca mais
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| JOÃO ABEL MANTA. Caricaturas dos anos de Salazar |
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| ÁLVARO CUNHAL. Retrato na prisão. |
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| Conceição Matos. |
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| António Dias Lourenço. |
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| Catarina Eufémia. |
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| Helena Cidade Moura. |

























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