CONTRA O ESQUECIMENTO - Elogiando o que muitos desvalorizam. Hoje só se dá importância ao sucesso pessoal, à obstinada carreira profissional, ao poder do dinheiro, ao que é caro porque é caro. O lazer, a curiosidade intelectual, a contemplação das coisas simples, são ideias ultrapassadas colocadas nas caves do esquecimento.
É o elogio das coisas boas da vida que se pretende fazer com estes relatos de domingo. A felicidade está nas ranhuras das coisas que ficaram para trás. É percebendo o que foi feito que ficamos mais apetrechados para fazermos o que queremos e que nos traz bem estar. A nossa vida pode mudar perante a descoberta de uma nova ideia na Arte. Ou mais esmiuçadamente na literatura, na natureza, na música, num objecto de design, numa pintura, num livro, numa atitude transformadora.
Vivemos com o corpo todo. Olhamos, ouvimos, lemos, usamos os sentidos para nos esclarecermos, e resolvermos problemas, para nos sentirmos melhor. Vamos lá falar do supérfluo sem peias, mas com rigor. Vamos falar do que não nos alimenta fisicamente, nem nos agasalha, nem nos enrica. O que observamos tem autor. O que fazemos tem as marcas do trabalho de muita gente que viveu antes de nós e que se preocupou em nos deixar uma vida melhor. Falemos do que nos traz felicidade.
GERHARD RICHTER - Snow-White
Tem
102 páginas. Formato: 21,5X15 cm. Na capa o nome do autor e o título:
Gerhard Richter Snow-White. À folha de rosto antecipa-se uma página em
vegetal onde está impresso, a prata, o nome da editora/galeria: Waco
Works of Art. Na badana que dobra vinda da contracapa foi inscrita a
ficha técnica.
Nem
mais uma palavra. Ao todo são 100 trabalhos que reproduzem intervenções
de Richter a tinta acrílica e lápis. Data de publicação: 2006. É o
volume mais caro guardado no sítio dos livros arte da minha biblioteca.
Literalmente o segundo mais caro, mas em comparação com um Tápiès quatro
vezes maior, com o triplo das páginas e fartura de texto. Os livros de
arte são caros. Facto. Mas este Richter provoca-me constantemente.
Visito-o com frequência. Rentabilizado. Mesmo sem palavras diz-me tanto.
E é-me tão caro.
Facebook