domingo, 5 de abril de 2026

O cheiro da Liberdade (2)

A música foi a primeira das artes a despertar-me os sentidos. Claro que até aos doze anos ouvi o Festival da Canção com o entusiasmo de um parolo em crescimento. Mas o entusiasmo foi esmorecendo até que, a partir do momento em que passei a frequentar a revista Mundo da Canção, toda a cantoria vociferada em Portugal, pelos cançonetistas portugueses que só ouvia por descuido, foi atirada para o lixo. João Paulo Guerra chamou nacional-cançonetismo a esse insuportável ruído, em trocadilho com as premissas ideológicas nazis. Bem achado. Toda aquela algazarra sonora metia nojo. A publicação de o Mundo da Canção, e mais tarde de o Musicalíssimo, permitiram-me que acedesse a outros sons. O nome de José Afonso apareceu-me impresso pela primeira vez nestas publicações. Passei também a pedir documentação a embaixadas de países livres e civilizados. Também por aí fui tendo informações apesar de bem longe do pretendido. 

Antes de Abril de 1974 comecei a ouvir outros sons graças ao Mundo da Canção. Achava o nome da revista foleiro, mas era o que havia, e o conteúdo era apreciável, apesar da forma.  O Musicalíssimo surgiu depois, já em liberdade: em liberdade muito do que tínhamos ansiado passou a ser concretizado. Os jornais tinham bons suplementos culturais e surgiu imprensa de referência com especificidade cultural: o Se7e e o Blitz são apenas dois exemplos, mas também o JL esmiuçava curiosidades com substância. Até passámos a ter acesso à imprensa cultural estrangeira. A Interview, de Andy Warhol e Wilcock, surpreendia e animava. Mais tarde, em finais dos anos 1980, toram aparecendo por cá outras publicações incríveis, com grafismos fora de tudo o que era feito até aí. The Face e Arena marcaram-me, pelo conteúdo e pelo embrulho gráfico. A City informou-me e a The New Yorker deu-me asas. A sério, aquilo faz-nos voar. Ainda hoje. Guardo resmas destas publicações únicas, agora valiosas. 

A Arte que experimenta foi preenchendo os meus ouvidos e cérebro. A literatura com as palavras que interessam foram guardadas nas estantes que eu próprio desenhei e até construí. Prefiro a surpresa ao imobilismo. É isso que exijo a mim mesmo. Voltarei a este assunto nestas conversas sobre Abril que tenciono publicar durante todo este mês. Bom dia de Abril. Até já.

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sábado, 4 de abril de 2026

O cheiro da Liberdade (1)

Abril das mentiras e dos proverbiais auspícios de chuva deixaram de definir este tempo de liberdade. Para mim Abril é mesmo o do dia da Liberdade. Levantei-me como habitualmente, mas fui interrompido no trajeto entre o quarto e o duche pela minha mãe. Hoje não vais ter aulas, decretou. Percebi de imediato. A televisão passava música sinfónica e Fernando Balsinha divulgava um comunicado do Movimento das Forças Armadas. O meu pai já tinha saído e eu saí logo de seguida, deixando a minha mãe em cuidados. Era puto, mas já tinha vontade de ver coisas, como é natural num puto.

Fui direitinho para a Praça Bocage, onde já havia muita gente. Foi aqui que ouvi pela primeira vez um discurso político em liberdade. Aliás, se não há liberdade não há discurso. O discurso que ouvi foi lido por Carlos Jorge Luz, jovem militante antifascista que se tornou meu amigo, e mais tarde prestigiado professor na área das matemáticas. O discurso do Carlos Jorge despertou-me e entusiasmou-me. Os dias seguintes foram um desassossego. Tudo mudou em horas. Tudo era possível. Começámos a ter acesso a tudo o que nos era até aí inacessível. O dia 25 de Abril de 1974 marcou o início da minha vida adulta. Eu era um adolescente com a curiosidade a libertar-se por todos os poros. Uma alegria imensa misturada com luta política e procura de conhecimento. Nunca seria o que sou sem a descoberta das coisas boas da vida, que para mim eram o acesso à cultura alternativa: ao teatro, à música que o fascismo proibiu, aos livros que valem a pena. 

O café Tamar era o sítio onde a malta se encontrava. José Afonso, que eu conhecia como símbolo, cruzou-se um dia comigo e sentou-se bem perto, numa das mesas. Conversávamos de umas mesas para as outras, com o à-vontade que a situação permitia. Lembro-me da primeira conversa que tive com o Zeca. E acho que me lembro de quase todas as outras. O conhecimento de José Afonso e da sua obra mudou a minha vida para sempre. O 25 de Abril foi iniciado por uma música de José Afonso. O meu 25 de Abril é essa música e é José Afonso. Sempre.

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Elogio do Vinho


Gosto de vinho. Gosto de ler sobre vinho. Gosto do gosto do vinho. Sempre associei o vinho a outros conhecimentos. A ligação das cepas aos seus terrenos, ao ambiente, às tradições que envolvem os trabalhos vitivinícolas. 

 
Tive bons mestres. Percebi as escolhas de José Quitério nos seus imperdíveis textos no Expresso. Mais tarde conheci David Lopes Ramos, que me ajudou em algumas escolhas e com quem tive saborosos almoços gastronómicos e coloquiais. Fui muitas vezes com o António Mega Ferreira ao Isaura, na rua de Paris, onde o dono era escanção. Aprendi lá muito. O Mega Ferreira chegou a ter uma crónica no Independente sobre restaurantes, onde associava a prosa gastronómica a livros e outros objetos culturais, onde o vinho era tratado como produto de cultura. Habituei-me a gostar de vinho sem os tropeções provocados pelo excesso alcoólico. Fiz o meu caminho. Vou bebendo e aprendendo. Aprende-se sempre. Não acho graça nenhuma à associação que se faz do vinho a cantores manhosos, por exemplo. Será que a ignorância cultural pode ser associada a um bom vinho? Cada um sabe de si. Eu não creio, mas não confirmo nem desminto. De qualquer maneira: afastem de mim esse cálice.
 
Abordo aqui este assunto por causa da crónica de Pedro Garcias no Público — Fugas — de Hoje. O Público é para mim uma academia de topo de frequência diária. Estão lá instalados os melhores cronistas que a pátria alberga. Claro que muitos já foram aqui mencionados. Alguns são até meus amigos. Não conheço Pedro Garcias pessoalmente, mas já é muito cá de casa. Aparece por aqui todas as semanas. Os sábados são dia de Fugas no jornal. As crónicas ELOGIO DO VINHO servem o precioso líquido como ele deve ser servido: envolto em ambiente exigente, com cultura, gosto e abordagem social. Hoje, o cronista resolveu falar de algo que o impressionou: a peça CATARINA E A BELEZA DE MATAR FASCISTAS. O autor arranja sempre maneira de abordar situações que vão para lá das vinhas e dos trabalhos vinhateiros. Isto anda tudo ligado. A opinião sobre o trabalho de Tiago Rodrigues escorreu para as páginas do jornal em letra de forma e de forma notável. Termina com uma sugestão ao ministro da Educação: "A peça devia ser exibida em todo o país e em todas as escolas do ensino secundário e superior. Se o ministro da Educação quiser fazer alguma coisa pela educação cívica e a democracia, já sabe". 
 
A leitura do texto de Pedro Garcias deve ser acompanhada por um bom vinho. Pode ser um alentejano, em homenagem a Catarina. Ler Pedro Garcias é um gosto. Celebremos a inteligência e a sofisticação engarrafada. À nossa.
 
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Velhos são os trapos

A Constituição da República Portuguesa fez 50 anos e houve discursos, evocações e celebrações. Os primeiros envolvidos estiveram lá e deixaram-se fotografar. Esta fotografia emociona porque se percebe que, apesar das bengalas e da floresta de cabelos brancos e até da falta deles, estas pessoas estão bem vivas e despertas para a necessidade de estarmos com os olhos bem abertos. 
 
Isso mesmo foi percebido durante os discursos. Estas pessoas foram insultadas por um energúmeno — um mentiroso sem escrúpulos que assume o triste papel de líder dos fascistas — que gritou e esbracejou contra os ideais da decência. Houve antigos deputados que se sentiram insultados ao ponto de terem de abandonar aquele recinto transformado pelo inenarrável fascista em circo rasca.
 
Fica então aqui esta fotografia que testemunha a decência. Foi gente decente que escreveu e publicou a Constituição da República Portuguesa em 1976. Bem hajam. E muito obrigado, senhoras e senhores deputados e constitucionalistas.
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

SG gigante


Há quem refira a Sérgio Godinho assim. Mas o Sérgio gosta mesmo é de estar com pessoas, sem gigantismos quixotescos. Foi o que fizemos hoje, na Snob. Conversámos, lemos, bebemos vinho e até cantámos. Foi tão bom estar ali. O espaço exterior desta livraria é tão agradável. Vamos continuar a andar por lá. Aprebndemos e divertimo-nos. Isso é bom. Obrigado a quem esteve e até breve. 

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Receituário

 SÉRGIO GODINHO, HOJE NA SNOB | Bom dia, é só para lembrar que é hoje que a Rosa (Azevedo) e eu vamos estar à conversa com o Sérgio (Godinho), que dispensa apresentações e que nos falará sobre o seu mais recente livro, que são histórias sobre a morte que, logo após leitura de uma delas nos deixa mortinhos por ler todas. E podem ser lidas sem se respeitar a numeração de página, assim como se lê o Livro do Desassossego, do outro.
Então, vá, apareçam por lá. Um bom dia dos 50 ANOS DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA para toda a gente. Celebremos. Merecemos.

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São as regras da democracia, estúpido!

A Constituição da República Portuguesa celebra hoje 50 anos. Foi aprovada pelos partidos que participaram na institucionalização da Democracia. Hoje é um instrumento fundamental para a sua defesa. Os novos fascistas só pensam em destruí-la. Os novos fascistas que tentam instalar o ódio racista, misógino e xenófobo. Contra os que querem subverter as nossas regras, respondemos com as regras da solidariedade e da decência democráticas. Derrotámos os velhos fascistas. Derrotaremos também os novos defensores das ideias velhas tristes e odiosas. Responderemos com a inteligência democrática, com solidariedade, tolerância e decência. É assim que se pratica a liberdade. Este dia merece ser celebrado. Um bom dia para toda a gente.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Homenagem


ARMANDO ALVES
Morreu Armando Alves. Partiu de Estremoz para Lisboa e depois para o Porto, onde estudou, trabalhou e ficou para sempre. Fez parte do famoso grupo Quatro Vintes, com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, devido à nota que alcançaram no curso de pintura. Pintou, e bem, mas foi no design gráfico que se destacou. Activo na intervenção cívica, foi uma das minhas grandes referências como artista e como ser humano. Guardo com todos os cuidados muitos trabalhos que idealizou. É mais um dos grandes nomes da cultura contemporânea que nos deixa. Muito obrigado, Armando Alves. Foi bom viver no teu tempo.
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Mário Viegas


Morreu já lá vão 30 anos. Percebi isso agora porque esta traquitana me informou do que aqui publiquei há 10 anos. Apetece-me repetir a cena: Foi bom tê-lo por cá. Mas faz falta. Fazem sempre falta os que acrescentaram qualquer coisa à normalidade dos dias. Lembremos Mário Viegas. Sempre.

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Racismo não é opinião

O mais desbragado racismo está a invadir a sociedade. As escolas são pasto para gente sem escrúpulos que exibe o seu primarismo cultural em ofensas agressivas sem qualquer fundamento. Um destacado influenciador de extrema-direita, do grupo Reconquista (reconquista de quê?) aparece num vídeo publicado nas suas redes, e trespassado em delírio pelos seus pares, em recalcitrante denúncia do diretor do Agrupamento de Escolas José Saramago, com sede no Poceirão, concelho de Palmela. 

Esse esforçado aliado do partido de extrema-direita que tem sessenta deputados no parlamento, mente com todos os dentes que tem na boca e bigode e tudo. Diz o rapaz que estamos perante a primeira escola muçulmana do país, onde são estimulados os cultos correspondentes. Para se pensar que o que diz é verdadeiro, regista o nascimento do diretor da escola em território indiano, quando se trata de um português nascido em Moçambique. A espoleta para a "denúncia" pelo inenarrável nacionalista foi uma missiva interna enviada por correio eletrónico para todos os professores da escola, sugerindo que as confissões religiosas de todos os alunos fossem respeitadas. Ora, o que o diretor desta escola fez é o que o respeito por todos os cidadãos exige. São as leis de um estado laico e republicano. São regras que existem em Portugal e em todo o lado onde há regras. Na escola José Saramago o natal cristão é assinalado e celebrado. Esta escola preenche as suas salas com alunos de mais de vinte nacionalidades. As diferenças constituem riqueza civilizacional. O convívio entre pessoas diferentes sempre trouxe inteligência e progresso às populações que respeitam e estimulam esse convívio. Vive-se aqui em zona de grande atividade vitivinícola e de outras agriculturas, onde muitos imigrantes vivem, trabalham e têm o direito e o dever de educar os seus filhos. As entidades políticas regionais sempre respeitaram as pessoas e os seus credos. E quem não tem credo também sempre viveu aqui bem.

Com a conquista eleitoral da junta de freguesia pelo partido de extrema-direita a coisa mudou de figura. Percebemos que existem por aqui muitos racistas ressabiados que ainda não perceberam (nem nunca perceberão, já percebemos) as vantagens do cosmopolitismo. Esta região tem todas as condições para dar esperança a um civilizado ambiente de tolerância e solidariedade, mas a entrada do partido racista em cena alvitra momentos de uma tensão que recupera valores de outros tempos. Eles até já têm Salazar como modelo a seguir. Foi o chefe que o disse no parlamento e onde o quiseram ouvir. Quer três deles, ou mais. "Nem três salazares chegavam...", disse, como se o promotor de corrupção oriundo de Santa Comba Dão fosse um exemplo de exemplares justiças. Enfim, tristezas. Mas há mais: o executivo da junta de freguesia não tem orçamento para as comemorações do 25 de Abril. A verba habitualmente destinada às comemorações da Liberdade passa a ornamentar o 10 de Junho. Independentemente do ridículo da opção, sobra para avivar a nossa curiosidade a programação política: será que vão organizar desfile militar no dia de Camões e das Comunidades Portuguesas? Irão ser disparadas as armas e os... Canhões assinalados? Sim, porque ler Camões não sabem. Se o soubessem ler, e se o lessem, não eram racistas. Mas esta gente sabe lá ler e escrever?!

Racismo não é opinião. É crime. Estes apologistas do ódio apelam ao crime.

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domingo, 29 de março de 2026

Sem ilusões

 
Muita gente minha amiga criticou-me por ser excessivamente intolerante. A nomeação de um inspetor da Judiciária para ministro da administração interna não me provocou qualquer simpatia pelo homem, porque nunca me provocaria especial emoção a colocação de um polícia no lugar de ministro em governo de direita extrema. Se aceita ser ministro é porque concorda com a mentalidade governamental. O polícia foi um bom polícia, mas como ministro de um governo tecnicamente incompetente vai continuar a ser um bom polícia, com as mesmas opiniões sobre a inexistente criminalidade eimigrante, ou vai concordar com o seu colega Leitão Amaro, que quer manter imigrantes presos durante mais de quinze meses só porque sim? As prisões não são da responsabilidade do ministro da administração interna? O fantástico ministro/polícia já se demarcou da atitude do inenarrável ministro da presidência do conselho de ministros?
Não estou desiludido, porque nunca me iludi. Mas estou curioso: já há desilusões por aí?
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Se te queres matar, porque não te queres matar?

Álvaro de Campos. Obras de Fernando Pessoa
 
Este título do poema de Álvaro de Campos parece ter sugerido o mote ao autor deste COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ. O autor é Sérgio Godinho, conhecido por saber dar música às palavras que nos esclarecem sentimentos e atitudes, mas que também as usa para fazer literatura. Este livro tem paginadas quinze histórias que abordam situações limite. O que leva alguém a cometer suicídio? Ou quase, vá? As respostas podem ser muitas. As histórias deste livro revelam várias hipóteses de escolha. São histórias que nos agarram. Perturbam, angustiam, aliviam a curiosidade e acabam em finais que vserão descobertos por quem as ler.
 
Vamos conversar com Sérgio Godinho — eu e a Rosa Azevedo — na primeira edição desta nova iniciativa que junta a livraria SNOB, que também é editora (ou será ao contrário?) ao atelier DDLX, que é mais imagem, design de comunicação e outras artes. Vamos falar sobre este seu livro e também sobre os outros, e talvez ainda haja tempo para conversarmos um bocadinho sobre o que é que isto tudo tem a ver com a sua vida na música. A livraria SNOB é ali entre a Estrela e o Rato (muito perto da Assembleia da República, que neste dia 2 de Abril comemora os 50 anos da Constituição de Abril), e é uma das mais competentes livrarias da capital da Pátria. 
 
O convite está feito. Eu não vou faltar, por razões óbvias e menos óbvias: não faltaria mesmo que não estivesse assim tão diretamente envolvido. Conversar com Sérgio Godinho é sempre um gosto. Até lá.
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sábado, 28 de março de 2026

Mestres de Teatro


POTNIA THERON, quer dizer, em grego antigo “Senhora dos animais”. A peça foi escrita por Hélia Correia, encenada por Maria João Luís e levado aos estrados pela encenadora e por Sílvia Figueiredo. No Dia Mundial do Teatro esteve em Palmela, no Teatro São João.

É uma interpretação da condição feminina, pela voz e corpo de duas mulheres que assumem personagens do teatro grego, como se estivéssemos num anfiteatro natural ouvindo aquelas palavras tão antigas, mas tão contemporâneas porque assentes em razões que nos fazem refletir. Percepções femininas que se envolvem nas histórias da História. As palavras que Hélia Correia alinhou são de uma beleza envolvente, de facto, que nos colocam num lugar de prazer e inquietação. Palavras que são denúncia e irónica revolta. Palavras inteligentes e lúcidas, portanto. Assistimos a uma performance que tem muito de experimental. Única, por isso. A cenografia criada por José Manuel Castanheira integra-nos nesse anfiteatro, na colina onde nos encontramos, mas aplicada pelas possibilidades de hoje. Estamos bem, nesse ambiente sofisticado de requinte visual. Música original de José Peixoto. Bela música.
Anda por ali muita gente destas lides. Até parece que Bob Wilson passou por lá e se sentou ao lado de Philip Glass. É bom termos vivido no tempo dos melhores. Lembrei-me de Jorge Silva Melo e da alegria que ele sentiria se ali estivesse. Teatro clássico e contemporâneo foram celebrados. Quem quer estar com a cultura que se inquieta e que nos desperta os sentidos assistiu a um grande momento de Teatro. Aprendemos sempre com grandes mestres. Parabéns, Maria João. Parabéns Teatro da Terra. E obrigado a todos os que nos proporcionaram este momento, também se usa.


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sexta-feira, 27 de março de 2026

Informação de rotina

Novo líder supremo do Irão diz ter sido informado pelo MOIS (Ministério da Inteligência e da Segurança Nacional), de que presidente dos EUA é atrasado mental.

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Manual de política para tótós

Finalmente aprendeu a ler e a escrever. Vale mais tarde do que nunca. E agora, o que pensará disto o novel comentador/atirador mentor do "para além da troica"? E o que fará o advogado de negócios que é primeiro-ministro no meio deste fogo cruzado?  

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27 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DO TEATRO


O Teatro não pode ser corrompido. O Teatro não pode ser alienação pelo entretenimento, como defende Willem Dafoe.
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Foto © 2015 Brad Trent

Receituário

DA BELEZA | Claro que a lotação estará esgotada e esta receita não faz falta nenhuma. Mas é sempre bom assinalar esta obra absolutamente extraordinária do teatro escrito e representado em português. Parabéns a Tiago Rodrigues por nos alertar os sentidos desta maneira superior. E parabéns às pessoas de Vila Real que vão festejar o Dia Mundial do Teatro assim. Bom dia.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

27 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DO TEATRO

A minha comemoração pessoal vai ser em Palmela, assistindo à peça encenada pela minha amiga Maria João Luís, e com representação dela própria, mais de Sílvia Figueiredo e de António Lourenço Menezes, pelo Teatro da Terra. Ao ler os motivos da escolha deste texto, lembrei-me desta frase de Fernando Pessoa: 
 
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. 
 
Vou até lá perceber porque razão o passado está sempre presente nas nossas vidas — pelas melhores, mas também pelas piores razões — e porque razão interfere tanto no nosso futuro. Outro poeta, Eduardo Guerra Carneiro, apresentou uma solução: "isto anda tudo ligado". Talvez tenha razão.
 
POTNIA THERON do grego antigo “Senhora dos animais” foi escrito por Hélia Correia, que conhece bem esta linguagem do passado e sabe alinhá-la para o presente, e pretende descrever a divindade feminina com domínio absoluto sobre a natureza selvagem. Hélia Correia escreve de um fôlego, este poema épico inédito, a partir da antiguidade clássica, para o espectáculo que Maria João Luís encena como uma opereta não convencional, abordando e refletindo sobre as relações de forças entre os géneros masculino e feminino.

POTNIA THERON

texto HÉLIA CORREIA
encenação MARIA JOÃO LUÍS
com MARIA JOÃO LUÍS, SÍLVIA FIGUEIREDO, ANTÓNIO LOURENÇO MENEZES
cenografia JOSÉ MANUEL CASTANHEIRA
música original JOSÉ PEIXOTO
desenho de luz PEDRO DOMINGOS
assistência de encenação BEATRIZ VIEIRA DE CARVALHO
assistência de produção FILIPE GOMES, CARINA R. COSTA
direção de produção PEDRO DOMINGOS
produção TEATRO DA TERRA 2026

Cine-Teatro São João, Palmela
27 de Março
Sexta-feira às 21h30


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quarta-feira, 25 de março de 2026

Não somos terroristas

Somos antifascistas.| Terrorista és tu. Terrorista e fascista. Estás a perceber, idiota?

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terça-feira, 24 de março de 2026

Bate tudo certo


O presidente do partido fascista quer que o movimento Antifa seja considerado terrorista. Faz todo o sentido esta preocupação por parte do fascista que dirige o partido fascista. Não se pode tolerar um movimento que é anti-a-gente, não é verdade? 

Ficava bem ao chefe fascista usar a sua influência para candidatar os grupos de amigos seus aliados, dos movimentos 1143 e Reconquista, ao Prémio Nobel da Paz. Trump não o conseguiu apesar dos seus excelsos esforços no sentido de implantar a paz plena no mundo. Como esta ideia de eliminar antifascistas vem dele, podiam, em gesto de homenagem ao seu ídolo, fazer a proposta à união Europeia e à ONU e àquela organização maravilhosa que Trump liderará mesmo depois de morto. Juntos influenciariam o comité das escolhas. Seria um bem menor. Não ganha o chefe, ganham os convivas campistas. Falamos de heróis que não vão em mariquices, nem em conversas das mulheres — essas que vão para a cozinha —, dos pretos ou dos "chamuças". Só cá ficam os Caucasianos, ouviram? Como já têm experiência em eliminar pessoas... É sempre a aviar.
 
Pensem nisso, heróis da reconquista e primatas da pátria que os pariu.

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Deus, pátria, família e tribunal


Um partido fascista colocar um juiz num tribunal que protege a democracia porque vivemos em democracia e o partido fascista ficou em segundo lugar na competição legislativa, parece a coisa mais normal do mundo. Será?
 
Normal é, são as regras. O que não é normal é haver tanto anormal a votar em fascistas. O partido fascista desistiu de meter no Tribunal Constitucional um fascista encartado, com provas dadas, porque o discurso do homem é do tempo das cavernas. Notava-se muito. Dizem agora que o novo nome proposto — segunda escolha, porque a primeira foi como que a atirar o barro à parede — é um senhor conservador, mas moderado: nada de elogios a salazares, ultramares e outros azares. Acrescenta o instrumento de comunicação extremamente conservador — Observador — que tanto poderia ser sugerido pelo partido fascista (lá no Observador não lhe chamam assim) como pelo PPD/PSD. Ah, bom, assim sim. Ainda bem que avisam. Ficamos muito mais descansados.
 
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segunda-feira, 23 de março de 2026