sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Manual do bom fascista

A gente sabe que bom mesmo era não existir gente assim. Mas o Rui Zink inventou uma maneira de se perceber o que é um fascista a funcionar com eficácia. Digo eu, que ainda não vi a peça. Está em cena desde ontem. Vou lá hoje. A promoção diz assim:

O TAS | Teatro Animação de Setúbal, tem a desfaçatez de apresentar MANUAL DO BOM FASCISTA, de Rui Zink, a partir do dia 27 de novembro, no Teatro de Bolso. Cristina Cavalinhos, André Moniz, Cláu Aguizo e Andreia Trindade. Encenação de Célia David.
Sinopse
"Manual do Bom Fascista" de Rui Zink, um compêndio de 100 lições para aprendizes de "bons fascistas", título e conteúdo, carregados de forte ironia e sarcasmo. No entanto, um alerta para a ascensão de ideologias radicais e crescentes manifestações de extrema-direita. A falta de memória dos povos e suas idiossincrasias e arbitrariedades, justificando abusos de poder, intolerâncias, autoritarismo, repressão, violência e medo. Numa abordagem trágico/cómica assente num humor fino e requintado, a obra toma forma teatral com a supervisão do autor, relativa à adaptação e dramaturgia e, através de um “fascistómetro”, será possível identificar o fascista que há em cada um de nós. "Estará o fascismo entre nós ou dentro de nós?" Venha assistir ao espetáculo, fazer o teste e tirar a prova dos nove.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Isto não pára, meus amigos

Comentadores que representam o partido fascista já defendem assassinatos racistas em opinião em directo nas televisões e afiançam que o seu líder ainda vai ser mais eficaz do que o ditador criminoso Salazar. Deputados fascistas comportam-se no parlamento como se estivessem na tasca lá bairro. Polícias louvados por esses deputados matam e agridem. Agentes sodomizam indefeso detido e obrigam-no a cheirar o bastão utilizado perante a chacota de outros colegas entretidos em filmagens para as redes sociais. A maldade é divertimento. Fulanos das chamadas "forças da ordem" — PSP e GNR — são operacionais em exploração e agressão a imigrantes que fugiram às agressões dos seus países, pensando que isto não era o Bangladesh. Se calhar já perceberam que desde que os trogloditas têm partido isto pode ser pior. O pantomineiro incorrigível que quer ser presidente de tudo o que mexe atiça os seus seguidores em palavreado troglodita de taberna rasca. O comportamento desse palerma nas comemorações da data que ele pensa ser sua (a sua visão da política não lhe permite ir mais longe) é, para além da absoluta ausência de educação democrática (e básica, já agora), atitude indigna e de desrespeito pela democracia que ele tanto despreza. Aguiar-Branco, o infelizmente presidente da Assembleia da República do regime democrático, deve achar, no seu entender, que tudo isto é possível. Para ele racismo e xenofobia são opinião. O líder dos fascistas já avisou: "Ainda não viram nada". Isto não pára?

Cartoon de Vasco Gargalo

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terça-feira, 25 de novembro de 2025

A Festa vai acabar

A Festa vai ter o seu fim no próximo dia 6 de dezembro. O encerramento será na Galeria do Onze, onde vai ser lançado o catálogo da exposição patente por lá. ZÉ, SEMPRE O MESMO será apresentado por Jorge Silva, responsável por toda a concepção do projecto. 
 
As outras exposições da Festa podem ser visitadas até ao próximo fim-de-semana:
Casa da Cultura - Rachel Caiano e Yara Kono.
Casa Bocage - André Ruivo.
Museu de Setúbal/Convento de Jesus - Evanthia Tsantila com Luís Tibério.
Museu do Trabalho Michel Giacometi - Paulo Novo com Paulo Freixinho.
Culsete - André da Loba.
Só mesmo ZÉ, SEMPRE O MESMO ficará a mostrar-se até ao dia 6, do próximo mês, dia do encerramento da Festa. 
 

Quando a corja topa da janela...

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

É bonita a festa, pá

 
Sim, estou a festejar. Todos os dias são bons para lembrar que a liberdade é que importa. Todos os dias me lembro daquele dia de Abril que me permitiu ter acesso ao que até aí não tinha a ideia de existir. E também ao que eu sabia que existia mas que o regime fascista não me deixava ter acesso. A descoberta da obra de José Afonso, antes de Abril, abriu-me os olhos. A partir daí só os fechei para dormir. 

O dia 25 de Abril de 1974 mudou tudo na minha vida. A partir desse dia vivi a minha adolescência em liberdade e exigência cultural. Agora era possível não ficarmos rendidos à trilogia dos três éfes: "Fado, Futebol e Fátima". Fui apresentado aos escritores, cineastas, artistas visuais e musicais que até aí estavam proibidos de me influenciar. Os fascistas tinham razão: influenciaram. Muitos desses protagonistas do fornecimento do conhecimento foram-me mesmo apresentados e alguns foram meus amigos. A sério! Há gente com sorte. 

Depois do 25 de Abril veio o primeiro dia de Maio. Parecia um sonho. E depois vieram mais dias. No ano seguinte, por exemplo, veio o 25 de Novembro, e logo a seguir o 25 de Dezembro. Muitos ficam muito felizes com estas datas. Percebo-os. Mas eu prefiro lembrar sempre o 25 de Abril. Foi a partir desse dia que aprendi mais e fui mais feliz. Crescer em liberdade é do caraças. Os adolescentes manipulados que agora querem os salazares que o outro cretino diz fazerem falta, não sabem onde se estão a meter. Os fascistas do partido fascista querem o regresso ao passado porque a repressão e a morte ficam-lhes a matar. 

Faz sentido a juventude estar com o futuro e não com a anulação da sua felicidade. Um futuro com repressão, medo e ódio não se deseja a ninguém. Todos os dias são bons para se comemorar a liberdade. Com alegria. Queremos ser felizes. Vamos insistir nisso. Fascismo nunca mais.

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domingo, 23 de novembro de 2025

O tempo dos bandidos

Nos Estados Unidos da América há um bandido que já foi Presidente, e quando deixou de o ser organizou um golpe para que tudo ficasse de novo a seu preceito. Não ficou, mas ele não foi condenado por crime de golpe de estado, que foi o que de facto aconteceu, e, para espanto geral, voltou a concorrer a eleições presidenciais e voltou a ser eleito por uma entidade abstracta a que vulgarmente se chama povo, e a que estes palonços gostam muito de chamar coisa sua. 
 
No Brasil há um bandido que já foi Presidente, e quando deixou de o ser organizou um golpe para que tudo ficasse de novo a seu preceito. Não ficou, e o bandido foi condenado e foi mandado para casa com pulseira electrónica. No Brasil o sistema judicial está a funcionar melhor. Mas o bandido não se conformou com essa confortável reclusão e tentou interferir na mecânica da dita pulseira que o vigiava. Como é um imbecil sem filtro, achou que assim ficaria de novo impune e livre, e a voar como um abutre. Não ficou. Parece que a Justiça por lá funciona mesmo e o bandido tem agora que ir para o xilindró. Ele diz que apenas escangalhou a pulseira por curiosidade. Ou seja: como uma normal criança que desmancha o brinquedo para ver como funciona. Esta gente é estupidamente ridícula e tenta fazer de toda a gente parva. Felizmente ainda há no mundo quem não vá nas lengalengas destes bandidos. Nem todos nos vamos render às vossas habilidades criminosas, seus tristes biltres. 
 
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sábado, 22 de novembro de 2025

 

ALDA ROSA | Morreu Alda Rosa. Tinha 87 anos. Foi designer de referência. Conheci-a quando fizemos — DDLX — o design de comunicação para a exposição que foi projectada pela Célia Anica, com curadoria de Paulo Henriques, para a SNBA no verão de 2023. Foi um gosto trabalhar com ela. Muito obrigado por tudo, Alda. Foi bom viver no teu tempo.

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Parar para travar a ignomínia

Pela dignidade das pessoas que trabalham. Contra a indignidade proposta pela AD, IL e partido fascista unidos. Parar é preciso.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

É política, estúpido

A esquerda tem de assumir a sua vontade de dar a volta aos atropelos da direita. A atual direita defende o passado. Mas já existiu uma direita mais decente. Francisco Sá Carneiro dizia: "Nós, Partido Social Democrata não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não vamos nem seremos nunca uma força de direita". Mas o então presidente do PPD/PSD não foi respeitado. No seu tempo, o dito partido deixou de ser PPD para passar a ser também PSD, acrescentando assim a ideia social-democrata ao discurso. A social-democracia nunca foi um projeto de direita. Os PPs sim. O atual PPD/PSD é reacionário até ao osso. Montenegro aconchega-se ao Chega e à IL em cenas sem fim. Mas os seus correligionários nos sindicatos parecem não estar com ele cegamente. Os ajustes às leis do trabalho são um atentado à mão armada à vida civilizada das pessoas. Claro que o partido fascista e o outro que anda lá por perto entram em transe delirante com este atentado. 
 
É aqui que entra a esquerda. A esquerda deve fazer política. Sim, POLÍTICA. As greves são políticas? Claro, queriam que fossem o quê? Religião? Divertimento? Passatempo? É a política que rege a nossa vida. As políticas de direita gerem-na mal. É a esquerda que tem alternativas e defende os direitos das pessoas. A direita defende o direito dos ricos explorarem à vontadinha quem trabalha, rejeitando o seu direito à felicidade. Isto que aqui digo não é basismo ideológico populista. É atitude política, filosófica e social. É razoabilidade de esquerda. Uma greve geral é atitude política, sim. Tudo o que mexe com os nossos direitos é política. O resto é conversa da treta entre parolos sem tino.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Receituário

A Ler. Texto de José Simões no derterrorist.blogs.sapo.pt

MAUS | Um polícia sodomizou um sem-abrigo com o bastão, obrigando-o depois a cheirar, enquanto os colegas filmavam com o telemóvel e riam. Não abriu telejornais, não mereceu uma interrupção da emissão pelas televisões, todas, para ouvir o que o taberneiro tinha para dizer porque o taberneiro não tinha nada para dizer. Mereceu um quadradinho de primeira página no Jornal de Notícias. Nas redes não houve o habitual cão de Pavlov, concertado, nas contas afectas ao partido da taberna. O javali nada disse, a neta monhé casada com o cadastrado ficou calada, o sobrinho do padre bombista mudo ficou, o veterinário difamador e condenado não gravou um clip enquanto conduzia, o monárquico da Lista Pública de Execuções ficou a cofiar o bigode, o Nunes que não é Nunes atrás de uma conta falsa népias, o Taxas eclipsou-se. Ciganos, Bangladesh, bandidagem, imigrantes, corrupção, corrupção, bandidagem, Bangladesh, ciganos, a lei e a ordem ficam para melhor oportunidade. São genuinamente maus. 
 
[Vamos deitar-nos a adivinhar em que partido os três bandidos disfarçados de polícias votam?]
 
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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Apologia dos três macacos sábios


NÃO SEI DO QUE É QUE SE TRATA, MAS NÃO CONCORDO | Já todos percebemos que isto está tudo lixado. Valores de ontem são hoje atropelos. A decência política, a defesa de valores culturais e de valorização da ciência estão em desuso. Agora grita-se e esbraceja-se pela defesa do ódio e do ajustamento egoísta ao indivíduo em acção unipessoal. Quere-se ter tudo. Ir mais além, sempre. Coaching e auto-ajuda ajudam. A contemplação, o pensamento, o desfrutar da arte, da leitura, da música deixaram de ser prioridade educativa e de elevação cultural. Só se dá valor a essas inutilidades se forem úteis financeiramente. Muito úteis, de preferência. De resto, a Inteligência artificial resolve tudo. A preguiça está na moda. Já se elogia a cópia e o plágio. É a nova curiosidade intelectual do basta ir à aplicação no google para sermos esclarecidos oradores e influenciadores de referência.

Digo isto porque cheguei a uma conclusão que me agrada. Perante a alarvidade faço como os três macacos sábios japoneses. Não vejo, não oiço e não falo do que me agride de maneira alarve. É por isso que não comento o que fazem alguns craques famosos — agora chama-se Influencers — que exibem atitudes que incomodam tantos dos meus amigos: quero lá saber do idiota bilionário que tem os melhores pés para o jogo da bola. Representa-me no mundo? É motivo para nos orgulharmos? O caraças. Quer conhecer o traste americano? Vai ter com ele? O que há para dizer de dois cretinos famosos e ricos que se revelam em vocabulário das histórias do coelhinho que foi com o palhaço e com o pai-natal ao circo?
Já que estou com a mão na bola: também não quero saber de quem ganha ou perde os debates com o energúmeno que se candidata a Presidente de uma República que diz defender — inchado de palavroso patriotismo —, mas que não sabe o que isso é, nem sabe muito bem o que quer, nem o que diz, apesar de ser um qualificado (em asneiras) professor doutor da mula ruça. O que é que se aprende ouvindo uma besta quadrada, que tudo discute como se estivesse a vociferar nas bancadas futebolísticas?

Também não quero saber de cançonetistas sexistas e foleiros a olho que inundam como tsunami estrados e monitores. Aí, o incómodo torna-se físico. Dói tanta alarvidade. Perante esta gente sem trambelho, mais vale sermos como os macacos japoneses. Ou então cantar-lhes a canção do Vitorino: "Não sei do que é que se trata, mas não concordo". Aos idiotas sexistas não se dá troco. E não se respeitam em debate. Combatem-se. É uma questão de higiene.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. The Guardian weekly. Art by Steven Wilson.

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. POLITICO. Art by Eva Bee.


domingo, 16 de novembro de 2025

José Afonso Furtado

Morreu o José Afonso Furtado. Trabalhámos juntos num projeto editorial quando ele estava à frente do Instituto Português do Livro e da Leitura (actual Instituto Português do Livro e das Bibliotecas). Depois fomos trocando visitas a exposições e lançamentos. Ficámos amigos. Professor e investigador, foi também um fotógrafo com talentos particulares. Simpatia e humor sempre a assisti-lo. Era um ser humano excepcional. Perdemos muito com esta morte. Estou triste. Mas foi bom ter sido seu amigo. É bom termos pessoas assim por perto. Muito obrigado.

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sábado, 15 de novembro de 2025

Laurie Anderson ou o triunfo das palavras

As palavras unem-nos. Era Fernando Pessoa que dizia "A minha Pátria é a Língua Portuguesa". Laurie Anderson veio ao Porto, ao Rivoli, dar uma lição de cidadania. Para ela o Estado deixou de existir e assim perdeu o seu País. Estamos todos preocupados com o crescimento do fascismo. Estamos todos a perceber que o caminho é o da solidariedade contra o ódio. O nacionalismo provinciano, bairrista e estúpido está a minar meninges incautas. A Cultura pode ajudar-nos nesse combate. A preocupação política é atitude cultural.

Esta lição de Laurie Anderson foi mesmo um tratado de cidadania com música e alegria. Com atitude e dimensão cultural de grande qualidade. Assisti a esta intervenção arrepiado de emoção, mas com a alegria dos adultos que já não acreditam nas festas com balões e serpentinas. A nossa festa tem de ser contra os fascistas que nos querem calar. Contra os biltres que só pensam em ver os outros — os diferentes, como eles dizem — condenados ao abandono. Queremos viver todos juntos lutando pela felicidade. Sem fascistas. Os fascistas são odiosos. Só pensam no ódio.
Muito obrigado, Laurie Anderson. A humanidade precisa de si. Eu preciso. 


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