quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Trump e Cotrim - a mesma luta

Não, não vou aqui dizer que estes lustrosos homens de elevada popularidade mediática são assediadores e violadores. Deus me livre. Só para lembrar que Trump se gabou à brava, em tempo de campanha eleitoral, dos abusos sexuais que ousou para com mulheres que (disse ele) se rendiam ao seu sucesso mediático. E a coisa resultou.
 
Aqui neste lugarzinho de mediatismos cada vez mais parecidos com os das américas, talvez Cotrim de Figueiredo ganhasse com a gabarolice. Não estou com isto a dizer que ele é um gabarolas e que assediou e foi prepotente e mais isto e mais aquilo, é só um reparo. Vivemos numa sociedade patriarcal em que a mulher é sempre a culpada. Vimos isso em alguns inenarráveis comentadores televisivos que falaram deste caso. Parecem os amigos dos nossos bisavós mais conservadores: "Elas é que se põem a jeito", "A carne é fraca", e por aí afora. Parece que o homem não cai das sondagens abaixo mesmo com esta sugestão de acusação. Se assumir ainda vai a Presidente, que é o que a senhora assediada quer evitar com a acusação. Fico por aqui que a alarvidade dá ideias aos delas necessitados, e esta conversa ainda pode ser mal interpretada. Agora a sério: o que eu quero mesmo é que o Cotrim de Figueiredo se lixe, Para não dizer outra coisa.
 
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Sem noção

Primeiro-ministro elogia competência e resistência da ministra, diz a notícia e parece que foi o que disse mesmo o primeiro-ministro. Assim de repente até parece uma nota de humor. Mas a gente sabe que esta gente não tem sentido de humor nenhum. É de gente destrambelhada verbal que falamos, quando falamos de Montenegro, Leitão Amaro, Nuno Melo, Pinto Luz ou da resistente e competente ministra da saúde que não dá saúde a ninguém. 
 
Claro que não podemos falar de humor quando o que está em causa é um constante ataque ao Serviço Nacional de Saúde, transformado pelo senhor primeiro-ministro em "apoio nunca visto". A verbalização Trump já chegou ao país Portugal. O lodo dilui-se alastrando. Dói e mata. É visível a olho nu. Mas o governo garante que é assim que se faz. Não há alternativa. A ministra é maravilhosa. O ministro Amaro é um imbecil, mas é o nosso imbecil. Temos que o proteger. Nuno Melo vai ser melhor que Alexandre Magno, esperem pela pancada. Pinto Luz é uma jóia de uma pessoa. Uma jóia de uma pessoa, repito. E o primeiro-ministro é o melhor de todos: um autêntico Ronaldo, com pés de chumbo mas com muito jeitinho para o negócio, sua única habilidade desportiva. E depois há um país maravilhoso, que "deu novos mundos ao mundo" — como diz o aliado fascista do governo quando lhe dão as saudades do colonialismo —, que clama por esta gente, e aplaude, e dá maiorias eleitorais. Juntos estão a dar cabo disto tudo. A mentira junta-se a uma vontade justiceira que lhes dá força. A alarvidade é ilimitada. Só a decência tem limites, ou não existe.


 

O pernóstico e o labrego

Foi um dia em cheio, para o candidato mais pernóstico da contenda. A acusação de assédio tem alguma importância quando a senhora que se declara assediada diz por escrito que não consegue imaginar o pernóstico e os seus assessores — e os seus comportamentos pernósticos — em Belém. Eu já achava isso e nunca me cruzei com o inenarrável pernóstico e nem nada faço para encontrá-lo.
 
Mas não foi só a senhora que acusou de assédio o pernóstico. O labrego do partido fascista também. O homem não excluía ninguém dos apoios à segunda volta, e considerou que o labrego estava mais moderado nos últimos dias. Como se o comportamento atabalhoado do labrego pudesse ser barómetro de um final feliz. O labrego não se calou — nunca se cala — e avançou com uma definição de estalo: o pernóstico é mais Bloco de Esquerda mas mais bem vestido, de fato e gravata. Os labregos são assim: só consideram "bem vestido" quem se apresenta engravatado, com colarinhos engomados e botões de punho dourados. Trump é uma referência para o labrego até na maneira como se veste e ornamenta os seus espaços de comando, já tínhamos percebido e agora confirmado. O labrego queria ser assim como o mestre: um labrego vistoso e autoritário. Quem quer escolher entre um pernóstico e um labrego para nos representar? Lagarto, lagarto.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fascista caviar

Um fascista penteadinho e perfumado não deixa de ser um fascista. Acaba por ser apenas mais um fascista, mas penteadinho e perfurmado. É preciso fazer um desenho?

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Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker

Art by Barry Blitt.

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domingo, 11 de janeiro de 2026

Tão diferentes, mas tão iguais

O almirante que pôs na cabeça que lá porque fez agendamentos de vacinas poderia ser Presidente da República, e que isso não lhe causaria maior esforço do que um passeio à beira-mar, revela-se cada vez mais violentamente em ataques contra o facilitador de negócios que pôs na cabeça que lá porque comentou na televisão (como o outro) o que lhe passava pela cabeça (a maior parte das vezes mal e porcamente), e que isso não lhe causaria maior esforço do que uns abraços e uns beijinhos (como ao outro).
 
Foi agora publicado que 100 dos barões que lucraram com a passagem pelo partido e pelos poderes que o partido lhes permite, estão a apoiar o almirante que é ferozmente contra todos os que lucraram ou facilitaram lucros. Ah valente! Já o ex-apoiado pelos seus colegas de partido vê-se agora apoiado, e orgulhoso por isso, por Dores Meira e Toy. Essa peculiar esquerda setubalense mudou de palanque. Bem, Toy sempre fez tudo para aparecer em todos os palanques, e Dores Meira sempre fez o que a direita faria, mas a esquerda setubalense ainda não tinha percebido. Agora, a vistosa dupla sadina fez um desenho. Será que a esquerda da urbe banhada pelo Sado já percebeu que Toy sempre foi um cançonetista foleiro a olho e que a esquerda não deve ser assim? Deixem estar os foleiros na direita. Não se esforcem.
 
Outro candidato, muito seguro de si, apresenta-se apoiado e retratado junto de gente do pior (passistas e montenegristas abeiram-se do candidato) e mais recentemente de Santana Lopes (que se não é da extrema-direita mais babosa para lá caminha, e que é, com toda a certeza, o enfadado senador dos lustrosos pato-bravos), que parece querer apoiá-lo, mas logo se se vê, sempre denunciado pela linguagem corporal (e também oral) que lhe está colada à pele e carácter. Parabéns à prima.
 
Este folclore não é recreativo. A eleição de gente tenebrosa como Gouveia e Melo ou Cotrim de Figueiredo (que não se cansa de clamar pelo apoio de Passos Coelho dos ajustes "reformadores"), para já não falar no fascista de serviço, que continua aos berros por ruas e mercados, põe em perigo muito do que conseguimos conquistar para nosso conforto social e cultural. Temos aqui gente muito perigosa e com vontade de vingança. Gente do pior. 
 
Vamos experimentar votar em alguém que não precisa de provar honestidade e que tem ideias e que já provou que as tem? Vamos entrar nesta primeira volta com a atitude da esquerda que defende os valores da esquerda, mesmo Esquerda ESQUERDA? Vamos?
Abraços
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Design de comunicação

DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Já muita gente diz que anda aí um novo Hitler. A confirmação está mesmo debaixo do nariz. Escorre. 

https://www.dnevnik.si/ 

Imagem obtida em: https://derterrorist.blogs.sapo.pt/ 

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Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora onze anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze. A Festa da Ilustração, em Setúbal, que teve em 2025 a sua última edição, nasceu logo em 2015 em solidariedade com esta gente corajosa que se recusa a respeitar o que não é respeitável.

Seguiram-se os justificados lamentos mas também a tentativa de justificação do acto. Afirmámos: somos todos Charlie. Mas houve quem usasse a ironia para relativizar a barbaridade: puseram-se a jeito, defenderam. Ou seja: todos devemos ser respeitadores de tudo o que mexe, até da intolerância. Devemos andar penteadinhos e de bibe bem passado a ferro até à idade do colarinho branco e de gravata de nó bem direito ajustada ao pescoço. Não nos devemos pôr a jeito de quem não nos respeita. Existe uma palavra que define este comportamento: medo. Há quem tenha medo até da sua sombra. Os hipócritas da direita neoliberal avançaram logo com esse respeitinho que é muito bonito quando lhes dá jeito.
 
Os cartoonistas do Charlie Hebdo há muito que despiram o bibe e alargaram o nó da gravata. Ou largaram-na, mesmo. Pelo mundo fora há artistas do desenho inteligente e humorado que sofrem ameaças. Há casos recentes de dispensas de colaborações em jornais e revistas de informação e análise política. E os processos judiciais chovem nos tribunais. Inqualificável.
A intolerância não se respeita: combate-se. Em 2019 a Festa homenageou um dos assassinados: Tignous. Tivemos em Setúbal a sua mulher, Chloé Verlhac. Cristina Sampaio, que foi nesse ano a convidada nacional da Festa, era amiga do casal e permitiu esse encontro, que foi repetido em 2021, tornando-se Chloé uma amiga muito cá de casa.
 
Os fascistas, sejam eles oriundos da política dos comportamentos à direita, da religião intolerante ou da economia neoliberal — não vai dar tudo ao mesmo? — não respeitam valores, nem comportamentos civilizados, e desprezam atitudes corajosas de artistas atentos; mas vencem eleições. Há um povo "respeitador" que prefere andar a toque de caixa. Um povo que prefere a "economia" ajustadora proposta por essa gente sem jeito, ao conhecimento cultural e à indignação inteligente. 
 
Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski merecem e nosso respeito. Merecem ser recordados. Vamos lembrar-nos sempre do vosso trabalho insistente e valoroso. Até porque ele existe e continua por perto. Foi muito bom termos vivido no vosso tempo. Fizeram-nos crescer intelectualmente. Ainda somos todos CHARLIE.
 
Texto publicado no dia 7 de janeiro de 2025. Adaptado agora.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sejamos claros

Sou suspeito, mas depois de assistir a este debate tenho de concluir que a candidatura que se destaca é a de Catarina Martins. A minha noção de utilidade sugere que se vote nela. O voto não é um útil electrodoméstico familiar que facilita cozeduras. A utilidade está nas nossas consciências. Não vejo utilidade nenhuma nas candidaturas que se sugerem como de utilidade única. Bom voto.

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Béla Tarr


Morreu o realizador que encontrava beleza nas coisas feias. Foi com Andrei Tarkóvski autor de referência nesta vontade de projectar o que incomoda o olhar. Dava importância ao que não queremos ver. Transformava ambientes. Produziu beleza e teve atitude. Foi um mestre que realizou filmes de culto que vão ficar por aí. Muito obrigado, Béla Tarr. Foi bom viver no seu tempo.  

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Altos responsáveis americanos já falam na Gronelândia como próxima conquista. O imperador quer mostrar o seu poder. Putin avançou ilustrado pela exaltação da história russa. Os escritos dos grandes autores russos já prclamavam a vontade de hegemonia. Não era ficção. Putin quer livrar a Ucrânia de nazis? O caraças. Como se ele fosse a decência em pose libertadora. Voltámos ao domínio dos impérios. À lógica do mais forte contra o perdedor. Os retrocessos avançam. Acordos civilizacionais são esquecidos. Gente com a mania das grandezas quer repartir o mundo entre si. 
 
Líderes europeus unem-se e apoiam a Dinamarca. Aparenta terem medo de perder ao monopólio. Parece brincadeira de meninos, com todos a tremer como varas verdes. Mas não é. Olham de soslaio para o monstro americano, que imaginam a salivar em ânsia conquistadora. Chamar doidos-varridos aos novos imperadores é elogio. Chamar-lhes cretinos é ternura. Estamos perante facínoras do pior. Criminosos encartados e armados. E entre nós temos quem os apoie. Há entre nós um biltre que alimenta o seu ódio com estes avanços do seu líder inspirador. Um trumpezinho ridículo e sem escrúpulos é candidato a presidente dos portugueses de bem, dizem eles, os idiotas que nele votam. Será que vão ser muitos? Será que vamos ter vergonha de os ter tão perto? Eles andam por aí e são ferozes. Não têm vergonha de ser apologistas do colonialismo, do racismo, do fascismo. São uma corja de imbecis? São, mas agora têm um timoneiro que os encoraja. A imbecilidade já se exibe sem vergonha. É virtude.
Não podemos ter medo, mas todo o cuidado não é excessivo.
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Reaccionário militante

Poderíamos falar de mais gente desta estripe: Zita Seabra, Joana Amaral Dias e outras e outros que mais parecem cataventos, mudando para todas as direcções. Não é preciso mantermos toda a vida as premissas de quando fomos cachopos e vivemos iluminados pelas certezas absolutas. Todos temos o direito de mudar. A coerência não tem de ser sagração. Seremos até coerentes porque mudamos. Aconteceu comigo, mas isso é cá comigo. Adiante. Valores são valores. Há quem os ache necessários e há quem os ache o que for preciso. Mas, atenção: há limites para a noção de coerência. Chamemos-lhe carácter.  
 
O Fernandes resolveu estar sempre ao serviço do "contra isto". Tudo o que cheira a normalidade democrática faz-lhe cócegas. A defesa do Direito Internacional nem sempre lhe dá jeito para o comentário. Às vezes parece mesmo coisa da esquerda. A direita até pode não respeitar as regras do direito internacional. E, claro, a extrema-direita está completamente autorizada, já que não respeita intencionalmente o sistema. São os ajustes necessários. Claro que Maduro é um grande traste, mas Trump é mais perigoso para o mundo e actua segundo as suas próprias regras. Regras tenebrosas, diga-se em boa verdade. Só mesmo os seus negócios e o seu umbigo contam. É portanto um biltre que não respeita democracias e tretas do género. Fernandes faz tudo para ajustar a coisa ao seu carácter militantemente reaccionário. Um reaccionário é um reaccionário: cheira a mofo. Transpira ódio à democracia. O Fernandes que se lixe.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Toda a mentira será permitida

 

É temperamental, mentiroso, sexista, iletrado, taralhoco verbal e um muito provável criminoso sexista. Existem gravações em que se gaba de agressões sexuais. É misógino e violador. Na ridícula alocução de tomada de posse ameaçou países independentes e com soberania. Cismou que a Gronelândia tinha que ser sua e o Canadá também. Concretizou o ataque a Caracas gabando-se com gáudio do bom negócio que estava a fazer. O petróleo foi motivo principal para a ocupação. Morreu gente, mas prémios para os feitos de paz continuam a ser reclamados. Já fala em Cuba e confirma a necessidade de incluir a Gronelândia no seu território. O país que dirige como aprendiz de ditador, tornou-se empresa pessoal. A sua fortuna aumentou despudoradamente. É um desbragado corrupto.  

Há um louco furioso em delírio imperialista. Um tarado sexual narsísico e aspirante a dono do mundo exerce a sua força como imperador empossado e aclamado. Regressámos a um tempo que estava retido nas páginas dos livros de história. Os regimes autoritários e ricos vão querer ter o mundo a seus pés. Trump é já um ditador que não passa cartão a ninguém e decide fazer o que lhe dá na real gana. Ao contrário do que diz o trumpezinho português, Trump não libertou coisa nenhuma. Trump não fala em liberdade nem em democracia, porque essas tretas não lhe dizem nada. Trump só fala em negócios. A sua fortuna pessoal e da sua família de indigentes políticos aumentou mesmo desde que é presidente daquela empresa unipessoal que agora dirige. Trump é um louco furioso. Um escroque. Não se percebe como os democratas americanos e os dirigentes europeus estão ainda na fase de espanto perante o que está a acontecer. As regras do Direito Internacional são constantemente violadas desde que o tarado tomou posse. As ameaças são mato. O mundo ficou ainda mais perigoso com este alarve em acção. Provavelmente chamar-lhe louco é elogio. É mesmo possível que se esteja perante um criminoso furioso. Não há quem detenha a besta?


 

Imagem: Cartoon de Cristina Sampaio. incluído no projecto Spam Cartoon, recentemente excluído da programação da RTP3, e cartoon de André Carrilho para o DN.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

Design de comunicação

DA SÉRIE GRANDES CAPAS  The New Yorker faz 100 anos.

É uma publicação única. Em tempos de notícias falsas em catadupa, propaladas por candidatos a ditadores e por ajustadores amadores, a New Yorker é já considerada por muitos um milagre. A informação, a análise e a correspondente seriedade são exigência elementar. Já para lá enviaram textos autores de referência. Também os ilustradores são motivo para folhearmos a revista. Nesta série Grandes Capas, que insisto em colocar frequentemente aqui na montra, os ilustradores revelam segredos e animam atitudes. Ilustradores de grande qualidade que aqui dão prova da excelência da Ilustração que se faz nos dias de hoje. Nem tudo vai mal, nos dias que correm. Há esperança, para o combate à estupidez.

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Um alarve perigoso em delírio


O que se está a passar no mundo é mesmo muito preocupante. Um criminoso encartado, ladeado por idiotas sem escrúpulos, mas premiado pelos donos do futebol mundial, invade um país e ocupa o poder. Reclama negócios chorudos e gaba-se de todos os feitos e ganhos financeiros com linguagem de caserna. O costume. O que daqui vai resultar é preocupante. Este cretino vai fazer o que quiser? Os idiotas que mandam nas américas vão fazer o que quiserem. Vivemos dias que mais parecem noites. Preocupante. Muito preocupante.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Liberdade querida e suspirada


Tanta gente que lutou pela liberdade. Tanta gente torturada nas prisões de Salazar, que transmitia  ele próprio orientações directamente à polícia política. Tanta gente morreu no campo de concentração do Tarrafal (a mais tenebrosa das prisões) e no Aljube, em Caxias, em Peniche e em todo o lado onde fosse permitido eliminar a liberdade de quem a reclamava. 

Tanta gente que tudo fez para podermos ter acesso à fruição da verdadeira cultura: ao conhecimento da literatura que mais interessa, às artes e às letras sem censura, e vêm agora os que nos querem tirar isso tudo reivindicarem para eles o papel de paladinos da liberdade. Liberdade para eles é a capacidade de alardear a mentira como definição de justiça. O populismo mantém o povo na ignorância tentando convencer os incautos eleitores de que os inimigos andam aí, e são toda a gente que não é como eles. Solta-se a mentira e instala-se a "liberdade".
 
Assim de repente até parece programa de variedades, mas ao vermos Trump, Bolsonaro, Milei, Meloni, Le Pen, Ventura e mais os seus braços armados (em parvos) que povoam o comentário televisivo, a usarem a palavra como coisa sua, percebemos que há aqui algo que está muito próximo do contrário do que apregoam. A liberdade que reclamam é a anulação da nossa liberdade. Apresentam-se com um salvador absoluto. O arauto da justiça que tem a solução para todos os males. O preferido do povo - outra designação genérica que pretendem para si. O absurdo chega ao ponto de acusarem a esquerda de tolher liberdades. Logo eles, os zelosos depuradores ajustadores, que assim que pudessem anulavam todas as manifestações artísticas e de apoio social. Está nos programas das sinistras agremiações essa apologia da liberdade controlada.
 
Umberto Eco, como muitos outros intelectuais letrados e esclarecidos pela liberdade de pensar, percebeu o embuste logo que os novos fascistas começaram a não ter vergonha da miséria que os velhos fascistas espalharam pelo mundo. Termino com uns versos de Bocage, que também transpirou liberdade por todos os poros:

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada! 

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Ser solidário


Ser de esquerda também é isto: ser solidário para além do período que agora termina. Ser de esquerda é perceber o outro e ser solidário com o seu sofrimento.
 
A expressão "O Natal é quando o homem quiser", sempre foi hipocritamente utilizada à vontade do freguês. Os fregueses cristãos querem que o Natal seja só para eles, impondo presépios e cultura afim em todos os lugares. Os chalupas do partido fascista não fazem outra coisa: implantam figurinhas e mais o menino nas palhinhas por dá-cá-aquela-palha, rejeitando os que não se ajoelham. Parece que estamos na plenitude metafórica de umas novas (velhas) cruzadas. Até o "simpático" novel bispo de Setúbal se queixa do abandono dos sinais cristãos como elementos culturais ancestrais de um povo, enquanto se senta à mesa com os palermas do partido dos três salazares, justificando a amesendação com a tolerante expressão: todos, todos, todos, como se assim ficasse justificado o estranho — ou talvez não — comensal convívio. A contradição está ao rubro. Papa Francisco mal interpretado. Ou interpretado pelo lado mais conveniente para estes convivas. Os comensais colegas do senhor cardeal rejeitam essa ideia inclusiva. Para eles a expressão correcta deverá ser: nós, nós, nós e mais ninguém. 
 
Para ser solidário com os de baixo, os que sofrem, não é preciso ter religião. Ser solidário não é brincar à caridadezinha. Ser solidário é não ver em ninguém alguém inferior que não merece a nossa atenção. Todos somos alguém: cristãos e não cristãos, muçulmanos e não muçulmanos, ateus ou religiosos. Impôr uma religião não é solidariedade. Impôr o que pensamos aos outros não é liberdade nem democracia. É, pelo contrário, autoritarismo. 
 
Ser de esquerda é ser tolerante, solidário e respeitador de todos, mesmo os que pensam diferente de nós. Todos temos de cumprir as leis da decência, evidentemente. Mas quem não nos respeita não merece respeito. A extrema-direita, os fascistas, não merecem o nosso respeito porque não nos respeitam e querem-nos mesmo eliminar. A esquerda é solidária. Ser solidário é um dever, como pretendia Jorge Sampaio. A extrema-direita é egoísta, sempre à procura de uns inimigos que, afinal, só querem trabalhar e viver em paz. Os fascistas não conseguem ser felizes. Estão submersos em ódio. Só sabem odiar.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Muito obrigado

Neste ano em que encerro algumas actividades que marcaram o meu tempo, venho deste modo agradecer, em meu nome pessoal e também da DDLX Design Comunicação Lisboa, as oportunidades que nos deram. Esmiuçando:

SETÚBAL - Muito obrigado a todos os autores — escritores, historiadores, jornalistas, artistas visuais — que se dispuseram participar em apresentações dos seus trabalhos na iniciativa "Muito Cá de Casa", na Casa Da Cultura | Setúbal Passaram pela sala José Afonso da Casa os melhores. A vossa generosidade foi imensa, proporcional ao vosso talento. Agradeço também a toda a gente que, armada de intensa curiosidade intelectual participou nas sessões.


Muito obrigado a todos os artistas visuais que aceitaram o convite para exporem os seus trabalhos mais recentes — todos excelentes e inspiradores —, em exposições de grande qualidade, na galeria e no espaço João Paulo Cotrim da Casa Da Cultura | Setúbal, permitindo-me o privilégio de tratar da curadoria e do design expositivo. Foi um prazer, é claro, mas também uma aprendizagem. Aprendemos sempre com os melhores.

Muito obrigado a todos os artistas, curadores e editores que participaram nas onze edições da Festa da Ilustração - Setúbal. Esta Festa marcou a agenda da ilustração em Portugal e tornou-se um acontecimento único. Muito obrigado também a quem colaborou em todas estas actividades — amigas e amigos de sempre, dando ideias e ajudando nas montagens das exposições, mas também a toda a gente que trabalha no Município, gente que trabalha no duro. Ficamos todos amigos. Agradeço aos responsáveis autárquicos e ao público que participou — permitindo que tanta imagem nos inundasse o espírito esclarecendo a mente. Somos agora gente melhor. Nesta altura em que deixo de trabalhar na cidade, agradeço a tanta gente que nos ajudou a ser melhor gente, Desejo-vos o melhor. É preciso resistir. Resistam.

GRÂNDOLA - Muito obrigado a todos os artistas, curadores, e participantes na iniciativa "Ilustrar a Fraternidade". Fizemos coisas muito bonitas, "dentro de ti, ó cidade". Exposições, acções de formação, conferências e debates memoráveis. Grândola tem uma Biblioteca e Arquivo que permite o melhor. Arquitectura de excelência que convida a não parar de frequentar. Gente bonita em sítio lindíssimo.

LISBOA - As iniciativas sucederam-se. Exposições, lançamentos de livros, debates, trabalho. Agradeço à editora abysmo, à Biblioteca José Dias Coelho, à editora Snob
e à Biblioteca Camões. Agradeço desde já a possibilidade de actividades futuras. A Biblioteca Camões, no largo do Calhariz, vai albergar, por assim dizer, a minha exposição "As palavras" em fevereiro próximo. E isto não vai ser apenas uma exposição. Muitas conversas e convívios vão existir neste lugar aonde apetece sempre voltar. Vamos continuar a trabalhar juntos. Vamos resistir ao tempo anti-cultural que nos ameaça. "Seremos muitos, seremos alguém", como cantou José Afonso. Facebook