quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Ser solidário


Ser de esquerda também é isto: ser solidário para além do período que agora termina. Ser de esquerda é perceber o outro e ser solidário com o seu sofrimento.
 
A expressão "O Natal é quando o homem quiser", sempre foi hipocritamente utilizada à vontade do freguês. Os fregueses cristãos querem que o Natal seja só para eles, impondo presépios e cultura afim em todos os lugares. Os chalupas do partido fascista não fazem outra coisa: implantam figurinhas e mais o menino nas palhinhas por dá-cá-aquela-palha, rejeitando os que não se ajoelham. Parece que estamos na plenitude metafórica de umas novas (velhas) cruzadas. Até o "simpático" novel bispo de Setúbal se queixa do abandono dos sinais cristãos como elementos culturais ancestrais de um povo, enquanto se senta à mesa com os palermas do partido dos três salazares, justificando a amesendação com a tolerante expressão: todos, todos, todos, como se assim ficasse justificado o estranho — ou talvez não — comensal convívio. A contradição está ao rubro. Papa Francisco mal interpretado. Ou interpretado pelo lado mais conveniente para estes convivas. Os comensais colegas do senhor cardeal rejeitam essa ideia inclusiva. Para eles a expressão correcta deverá ser: nós, nós, nós e mais ninguém. 
 
Para ser solidário com os de baixo, os que sofrem, não é preciso ter religião. Ser solidário não é brincar à caridadezinha. Ser solidário é não ver em ninguém alguém inferior que não merece a nossa atenção. Todos somos alguém: cristãos e não cristãos, muçulmanos e não muçulmanos, ateus ou religiosos. Impôr uma religião não é solidariedade. Impôr o que pensamos aos outros não é liberdade nem democracia. É, pelo contrário, autoritarismo. 
 
Ser de esquerda é ser tolerante, solidário e respeitador de todos, mesmo os que pensam diferente de nós. Todos temos de cumprir as leis da decência, evidentemente. Mas quem não nos respeita não merece respeito. A extrema-direita, os fascistas, não merecem o nosso respeito porque não nos respeita me querem-nos mesmo eliminar. A esquerda é solidária. Ser solidário é um dever, como pretendia Jorge Sampaio. A extrema-direita é egoísta, sempre à procura de uns inimigos que só querem viver. Os fascistas não conseguem ser felizes. Estão submersos em ódio. Só sabem odiar.
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