Poderíamos falar de mais gente desta estripe: Zita Seabra, Joana Amaral Dias e outras e outros que mais parecem cataventos,
mudando para todas as direcções. Não é preciso mantermos toda a vida as
premissas de quando fomos cachopos e vivemos iluminados pelas certezas
absolutas. Todos temos o direito de mudar. A coerência não tem de ser
sagração. Seremos até coerentes porque mudamos. Aconteceu comigo, mas
isso é cá comigo. Adiante. Valores são valores. Há quem os ache
necessários e há quem os ache o que for preciso. Mas, atenção: há
limites para a noção de coerência. Chamemos-lhe carácter.
O
Fernandes resolveu estar sempre ao serviço do "contra isto". Tudo o que
cheira a normalidade democrática faz-lhe cócegas. A defesa do Direito
Internacional nem sempre lhe dá jeito para o comentário. Às vezes parece
mesmo coisa da esquerda. A direita até pode não respeitar as regras do
direito internacional. E, claro, a extrema-direita está completamente
autorizada, já que não respeita intencionalmente o sistema. São os
ajustes necessários. Claro que Maduro é um grande traste, mas Trump é
mais perigoso para o mundo e actua segundo as suas próprias regras.
Regras tenebrosas, diga-se em boa verdade. Só mesmo os seus negócios e o
seu umbigo contam. É portanto um biltre que não respeita democracias e
tretas do género. Fernandes faz tudo para ajustar a coisa ao seu
carácter militantemente reaccionário. Um reaccionário é um reaccionário:
cheira a mofo. Transpira ódio à democracia. O Fernandes que se lixe.
