terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Reaccionário militante

Poderíamos falar de mais gente desta estripe: Zita Seabra, Joana Amaral Dias e outras e outros que mais parecem cataventos, mudando para todas as direcções. Não é preciso mantermos toda a vida as premissas de quando fomos cachopos e vivemos iluminados pelas certezas absolutas. Todos temos o direito de mudar. A coerência não tem de ser sagração. Seremos até coerentes porque mudamos. Aconteceu comigo, mas isso é cá comigo. Adiante. Valores são valores. Há quem os ache necessários e há quem os ache o que for preciso. Mas, atenção: há limites para a noção de coerência. Chamemos-lhe carácter.  
 
O Fernandes resolveu estar sempre ao serviço do "contra isto". Tudo o que cheira a normalidade democrática faz-lhe cócegas. A defesa do Direito Internacional nem sempre lhe dá jeito para o comentário. Às vezes parece mesmo coisa da esquerda. A direita até pode não respeitar as regras do direito internacional. E, claro, a extrema-direita está completamente autorizada, já que não respeita intencionalmente o sistema. São os ajustes necessários. Claro que Maduro é um grande traste, mas Trump é mais perigoso para o mundo e actua segundo as suas próprias regras. Regras tenebrosas, diga-se em boa verdade. Só mesmo os seus negócios e o seu umbigo contam. É portanto um biltre que não respeita democracias e tretas do género. Fernandes faz tudo para ajustar a coisa ao seu carácter militantemente reaccionário. Um reaccionário é um reaccionário: cheira a mofo. Transpira ódio à democracia. O Fernandes que se lixe.

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