quarta-feira, 21 de outubro de 2026
José Afonso - 100 anos
terça-feira, 20 de outubro de 2026
SOLIDARIEDADE
Esperemos que Luís Neves esteja mergulhado em documentos para se defender e não dê por isto. E esperemos que os deputados do CDS e do partido fascista tenham juízo. Sei que é pedir muito, mas podemos sempre tentar ir ao encontro da razoabilidade, nestes tempos em que a estupidez invadiu o poder político.
Trazemos livros na mala
O escritor e editor Luís Filipe Sarmento bateu no ponto: «Já comprámos direitos de autor de vários escritores, poetas e filósofos estrangeiros e contamos já com alguns escritores portugueses que estão connosco nesta viagem inicial».
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Velhos são os trapos
A expressão «velhos são os trapos» é do povo. Perde-se no tempo. Poucas expressões traduzem tão bem a resistência ao declínio físico e mental como esta. A energia e a capacidade de acção de uma pessoa não se medem pelo calendário do telemóvel, e a máxima marca pontos quando aplicada à trajectória política de Lula da Silva.
Lula é um líder mundialmente conhecido e reconhecido. Para muitos, um fenómeno de resistência e de eficácia na acção política. Mudou para melhor o Brasil. A situação em que aquele país se encontra, assistindo à disputa entre o actual presidente e um bandido descendente de outro, não augura nada de bom. Mais um regime em que se tenta impôr um certo aroma monárquico no pior dos sentidos.
Lula está com idade para descansar. Merecia. Mas a escolha de outro candidato decente, de esquerda e com respeito pela democracia e pela justiça social está a ser difícil. Haddad foi um excelente candidato, e seria melhor presidente do que o pai Bolsonaro, mas aconteceu o que aconteceu. Vença ou perca as eleições, o espaço democrático da esquerda tem que encontrar outro candidato para o futuro, é certo. A idade não perdoa e ninguém é eterno. Mas enquanto isso não acontece, o melhor seria que os brasileiros escolhessem Lula. Está velho? E então? Preferem um jovem delinquente?
Velhos são os trapos.
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS.
domingo, 18 de outubro de 2026
Que faremos quando tudo arde?
sábado, 17 de outubro de 2026
Vamos publicar ideias novas
Vivemos no nosso tempo. O futuro é daqui a pouco. Novas ideias estão a caminho. Muita coisa para ler e ver e contar. Estamos mesmo a chegar. Trazemos livros na mala. Até já.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Joaquim Letria
Morreu Joaquim Letria. Conheci a sua generosidade e sentido de humor nos princípios dos anos noventa do século passado, quando ele lançou o seu “Histórias para ler e deitar fora”. Percebiam-se o humor e o despretensiosismo. Foi jornalista, fundador de publicações e assessor de comunicação de Ramalho Eanes em Belém. Era um excelente conversador. Sou testemunha. Mas isso fica para outro dia. Recordo aqui o homem bom. Muito obrigado pelo uso inteligente que fez da liberdade de comunicar.
Receituário
O novo trabalho do Teatro O Bando estreou e vai estar em cena até 12 de Novembro. Quem quer conhecer a vida do menino Afonso?
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Polícia assassina?
A polícia não foi obrigada a actuar daquela maneira. Pedro Duarte mente. A polícia mente. As imagens não enganam. O presidente da Câmara do Porto é um mentiroso. Montenegro diz que não há razão para este protesto em Portugal. Deve viver longe, com certeza. As forças policiais foram criteriosas, adianta. As chamadas forças de segurança iniciaram a carga de porrada quando os manifestantes cantavam Grândola, Vila Morena. Percebe-se o incómodo. Arrearam com gosto. Os dois partidos neofascistas, apoiantes de Mileis, Trumps e Bolsonaros, pela voz de Pedro Pinto e de Mariana não-sei-o-quê, condenaram manifestantes e apontaram responsáveis: PCP e BE. Percebe-se. Estes bem acomodados políticos de pacote da farinha amparo estão todos bem uns para os outros. A mentira é a liberdade para esta gente sem qualidades humanas. Indigentes políticos que ambicionam o fim da liberdade real.
Miserável violência
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Eles são capazes de tudo
Duas mulheres evidentemente conservadoras — uma delas até em gozo de licença de maternidade — invadiram a rádio dos estudantes da Universidade de Coimbra. Uma atitude pouco conservadora que é, evidentemente, um crime.
terça-feira, 13 de outubro de 2026
A bem da noção
«Ensinar o povo português a ler e a escrever, para tomar conhecimento das doutrinas corrosivas de panfletários sem escrúpulos, ou das facécias malcheirosas que no seu beco escuro vomita todos os dias qualquer garoto da vida airada, ou das mentiras criminosas dos folhetins políticos, é inadmissível. Logo concluo: para a péssima educação que possui e para a natureza da instrução que lhe vão dar, o povo português já sabe de mais.»
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Regresso
Regresso a este convívio depois de uns dias de contemplação e investigação. O projecto editorial que abracei com entusiasmo solicita-me exigência e sugere-me documentação. Estou em pleno e persistente estudo da história recente do design editorial. Claro que essa recolha não existe. Inventei-a. Criei essa história para minha própria documentação. Tudo o que se faz por aí me interessa; já o que se diz, interessa-me cada vez menos.
O que se diz nunca foi tão sombrio e rasteiro. O mundo está pornograficamente possuído (a expressão foi pensada) por gente sem qualquer classificação. Tarados moralmente indigentes decidem politicamente. Dirigentes mundiais não passam de meninos malcomportados — delinquentes, sim, mas mais perigosos. As nossas vidas estão ameaçadas por estes palonços envaidecidos pela sua ignorância egocêntrica.
O debate televisivo circula entre um futebolista e um "mister" — um ressabiado, o outro farroncas. Ou farroncas os dois, vá. De repente, acabaram todos os problemas sobrantes. Só a bola interessa. Só a bola?! Não, há outro assunto que mobiliza as redacções televisivas e os respectivos comentadores avençados: o Pedro deu uma entrevista. O líder da oposição-sombra ao Governo diz das suas. Nada de novo a assinalar: maldicência e ressabianço ao rubro. O líder neofascista é notável, diz. O país aguarda a salvação, pelos vistos. Quem será o salvador principal? Pedro ou André? Pode ser divertido assistirmos à luta pela cadeira da presidência do Conselho de Ministros, mas não desejável. Chegaremos a um tão baixo estado do exercício da política?
Um protesto pacífico pela falta de habitação é ameaçado pela selvajaria policial da Câmara Municipal dirigida por outro Pedro: o Duarte. No Algarve, morrem três trabalhadores vítimas das condições de trabalho. Trump continua a mentir descaradamente para ver se se safa em Novembro. Ventura continua a mentir descaradamente, tentando enganar seguidores e todos nós, como se fôssemos todos parvos como os seus seguidores.
Esperem, pára tudo: Ventura já está na RTP a falar com Vítor Gonçalves, provavelmente sobre o falatório reaccionário do inenarrável Passos. Aquilo é matemático. O "sai sempre" da moda. Não ouço, não frequento, mas sou contra na mesma. Estas sucessivas performances do biltre neofascista são uma ameaça à saúde de qualquer cidadão razoável. Metem nojo.
Enfim, o mundo pula, mas não avança. Fiquem bem, apesar de tudo. Até já.
Cartoon: Nuno Saraiva/Inimigo Público
O futuro pulsa dentro da cabeça
Sofia Corradi é carinhosamente tratada por «Mamma Erasmus» por quem aprecia o desenvolvimento da Educação. As impossibilidades que lhe criaram no regresso a Itália, depois de ter estudado fora do seu país, com o apoio de uma bolsa, levaram-na a lutar para que outros jovens não viessem a sofrer os mesmos atropelos no seu percurso e no seu futuro. Sofia Corradi é a grande obreira desta ideia magnífica.
Como consultora científica, elaborou o documento que serviria de base à criação do programa Erasmus. Nele se defendia a possibilidade de um estudante realizar parte do seu curso no estrangeiro, com a garantia de equivalência e de reconhecimento dos créditos no seu país de origem. A ideia avançou e foi consolidando estruturas. Hoje, é um auxiliar precioso para muitos jovens que, graças a este programa, podem conhecer mundo e preparar o futuro.
Foi Jacques Delors quem acarinhou a ideia e a fez crescer. A educação na Europa deve muito a este homem, um visionário que soube interpretar o que fazia falta e tomar decisões para o concretizar. mas a aprovação não foi unânime. A extrema-direita sempre reagiu contra estas iniciativas. O nacionalismo serôdio não os deixa sair dos buracos onde se alojam, nem querem que mais ninguém cresça. O imobilismo e a ignorância ficam-lhes a matar. E hoje, numerosamente representados nas estruturas de decisão, fazem o que podem e não podem para minar o terreno de incultura e mesmo de ignorância pura.
Esta é, portanto, uma ideia que devemos defender com unhas e dentes, como dizia o povo, mas também com o coração, que «pulsa dentro da cabeça», como defendia Cruzeiro Seixas — precisamente onde está o cérebro, que tanta falta faz aos defensores de novos salazares e afins.
Lembrei-me de falar nisto porque está a decorrer, em Lisboa, um encontro onde se debate e se procura esclarecer o futuro do projecto.
Boa sorte! A juventude que pisa o terreno europeu agradece. É o futuro da Europa e do mundo que beneficia destes esforços.
Ponto alto. Ponto de partida
O meu amigo Luís Filipe Sarmento celebra hoje mais um ano de vida. A celebração faz-se em pleno trabalho. Parte hoje para Paris, para apresentar na Sorbonne o seu notável COMMEDIA. O escritor está traduzido e aplaudido num ror de países. Mas, regressado a esta pátria à beira-mar implantada, vai ter muito trabalho pela frente. Esse, porém, é outro ponto, que será esclarecido a seu tempo, digamos assim.
Resolvi chamar outro escritor para celebrar a amizade. É Alexandre O’Neill (escolho sempre os melhores) quem nos vai «cantar» aqui os «parabéns». Ouçam-no:
Parabéns a você
nesta data querida,
muitas felicidades,
muita gente na vida.
Mas, como tenho a sorte de ter Luís Filipe Sarmento como amigo, acrescento à comemoração outro poema de O’Neill, que se refere à derrota da solidão conquistada pela amizade. É este:
AmigoMal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill. "No Reino da Dinamarca"
domingo, 11 de outubro de 2026
Mudam-se os tempos...
Novas ideias vão surgir. Vamos partilhar compreensões e conhecimentos de outros tempos. E vamos trabalhar com quem vive os dias de hoje esta necessidade de percebermos o que se passou e marcou e o que agora se faz avançando com ideias novas. Esta é uma ideia nova. Em breve faremos ponto da situação. Até...
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Imaginação ao poder
Interrompo a clausura que apliquei a mim próprio para falar de um assunto que me diz muito. O Luís Filipe Sarmento já escreveu linhas que nunca mais acabam sobre os sonhos e as distâncias que os separam das nossas vidas. Nem sempre os sonhos nos aquecem. Afastam-se com insistência da realidade. Luiz Pacheco, em O Teodolito, fala dessa medida física e espiritual, digamos assim, quando se interroga: «E o que são as distâncias? São as realidades...»
Em O Menino do Elefante, estamos perante uma obra que parece ter-nos a todos lá dentro. Mesmo tendo pisado outros territórios, sinto-me irmão do Luís Filipe Sarmento. A escrita deste livro é limpa, depurada, elaborada até à sofisticação. Há quem se assuste com esta definição. Um receio de se estar a atingir um patamar de arrogância, sobranceria, complexidade inatingível. Nada de mais errado. Nada nos impede do sonho de alterar os ditames que nos parecem ter sido colados no lugar onde nascemos. Não temos de ficar agarrados ao berço. A autenticidade de não rejeitarmos origens não impede o sonho. «O sonho comanda a vida», como pretendia outro poeta? Provavelmente sim. Este novo livro de Luís Filipe Sarmento anuncia-se como continuação de O Menino do Elefante. É (deve ser) um relato de sonhos que se concretizaram ou que ainda estão em «banho-maria» (nunca percebi o que isto queria dizer) para ferverem num futuro próximo.
O escritor tem uma projeção nos circuitos literários que até mete impressão. Anda de um lado para o outro como se a estrada não tivesse fim à vista. Não tem parança. No próximo sábado vamos estar com ele no excelente auditório do Liceu Camões. O livro vai ser apresentado por Elisa Costa Pinto, e os Cotas em Atraso (este nome é um achado) vão dar música.
Mas o que se anuncia para além deste prometedor convívio é um fartote de conversas e livros e conversas e mais livros por esse mundo fora. A gente anda por aí, mas o mundo tem estradas para todo o lado. E essas estradas parecem não ter fim. Vamos lá correr mundo. Perceber o que fazem os nossos irmãos de todas as pátrias instaladas neste território circular onde permanecemos.
As cirurgias, no BlogOperatório, estão em lista de espera. Mas as luzes vão ser de novo ligadas em breve. Até...
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
VOU-ME EMBORA por uns tempos. Não, isto não é um pedido de socorro. Não fui raptado por nenhuma seita, nem religiosa, nem política. E também ainda não é desta que me vou prantar numa ilha grega para perceber o tempo e olhar o infinito, que é o que parece existir além do mar, depois do horizonte.































