Texto de Helena Vasconcelos no facebook: Durou séculos, durou milénios. Impingiram-nos a ideia de que era muito melhor ser "feminina" do que ser” feminista”. As mulheres deviam ser belas e amáveis, os homens podiam ser horrendos, fisicamente, mas não importava porque tinham “ideias”. Quando as feministas começaram a falar alto, as “ideias” não importavam e propagandeavam como eram feias, bigodudas, malcriadas e sem atrativos ( para os homens). Nunca fui na conversa e quando “descobri” Gloria Steinem – que morreu ontem, com 92 anos (1934-2026) – percebi tudo. Gloria era linda, sexy, destemida, feminista sem complexos nem temores. Quando apareceu ( nos anos 1960) como “coelhinha”, na Playboy – o suprassumo da objetivação da mulher – o escândalo não podia ter sido maior. Para as feministas tratou-se de uma traição – Gloria era jornalista e “infiltrou-se “para escrever sobre esse tema – para os outros só demonstrava que ela “era como as outras” – um belo corpo, uma mulher belíssima cujas ideias não eram para levar a sério.
Mas Gloria Steinem impôs-se: jornalista de rigor inatacável, escritora, defensora dos Direitos Humanos, fez campanhas sem fim contra a mutilação genital feminina, contra a Guerra do Vietname e a do Golfo e apoiou sem reservas causas como Black Lives Matter, a reunificação das Coreias, os direitos reprodutivos das mulheres e dos direitos LGBTQ. Uma guerreira, sempre bela, sempre inspiradora.
Mais “uma das minhas” que parte.
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