quinta-feira, 24 de junho de 2021

Os nossos poetas


FERNANDO ASSIS PACHECO
| É hoje que Jorge Silva Melo e Manuel Wiborg vão levar Fernando Assis Pacheco à Casa Da Cultura | Setúbal. Esta leitura de poesia é recomendada a pessoas com reconhecido bom gosto. Para vos abrir o apetite, aqui vai mais um poema. Até logo.

SERIA O AMOR PORTUGUÊS
Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.
Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.
Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.
Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.
Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”

quarta-feira, 23 de junho de 2021


Somos nós que moldamos a nossa existência. Obtemos as ferramentas para a confecção do molde. Pelo caminho encontramos pedras soltas, muros, água imbebível. Mas também somos iluminados por talento, sorte, e pela vontade de alterar o suposto destino.

Às vezes falta-nos a coragem para dar o salto em frente. Mas quando ela surge festejamos essa vontade avassaladora. Procuramos a felicidade. Lutamos pelo nosso futuro. Esperarmos acomodados a uma existência sem sentido tolhe-nos a vontade de existir. Agimos, sim. É o que devemos fazer, sempre. Não deixemos nada por fazer. A comodidade hipócrita provoca-nos uma ansiedade infeliz. Quem espera nunca alcança, como desdiz o ditado antónimo. Sejamos impacientes.

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terça-feira, 22 de junho de 2021

Design de comunicação

 Da série Grandes Capas.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

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domingo, 20 de junho de 2021


LUÍS CARDOSO EM SETÚBAL | Poderá a mais encantatória das toadas narrar o desencanto? Com este romance, Luís Cardoso parece provar que as vozes entrecruzadas das narrativas são assim canivete suíço, oferecendo ao instante a ferramenta exacta para abrir o que se esconde em quadro, em nome de personagem, em uma figura ou momento histórico.

Uma mulher espera e pinta e portanto pensa. Por ela passam episódios, possibilidades, falhanços, recordações, antepassados, animais, países, homens, a História. E o que fica nela de tudo? A mulher não coleciona, procura nos gestos a construção. De uma casa, por exemplo. E do amor, afinal e para sempre a maior das histórias. Dizer o que acontece nestas páginas arrisca reduzir o que de humano, tão humano, o escritor faz acontecer. A cada passo nos comovemos, rimos e reflectimos. Timor, esse cenário mítico, não voltará a ser o mesmo depois desta viagem onde o concreto e mítico, Sancho Pança e Chibanga, as rosas e o café, o cavalo e o ganso, o Império Colonial e o Oriente são chamados a palco para narrar os modos de fazer mundo. Conseguiremos ser donos das nossas sementes? Poderá o mundo ser uma abóbora?
(SINOPSE Abysmo)

sábado, 19 de junho de 2021

Chico' 77



Tanto tempo a alertar-nos e a alegrar-nos. Tanta vida em tanta palavra e música. Na sua terra, a coisa está preta por todas as razões que motivaram os seus combates. Mas o combate continua. Com revolta mas com muita criatividade e alegria. Contigo, Chico.

Aos poucos...


Vamos regressando aos amigos. Vamos reencontrando hábitos de convívio. Isto não está nada bom, mas sozinhos não aguentamos. Juntos vamos voltar a perceber onde encontrar a possibilidade de felicidade. Estamos a voltar  às Livrarias, às fitas nas salas, às conversas longas e saborosas. Com cinco dedos de cada lado.

Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Na saúde e na doença


O vírus continua a revelar extrema competência no combate ao ser humano. Alastra e devasta. O número de mortes baixou, mas o contágio de gente mais nova põe a economia a ganir.

Os retrocessos assustam. As medidas necessárias ameaçam o nosso modo de vida. Estamos nisto há já muito tempo. Não voltaremos à estaca zero, mas o que aí vem é assustador. Todo o cuidado é pouco. Todas as medidas restritivas são bem vindas desde que funcionem. Os negacionistas continuam no seu trilho em defesa da estupidez. Os extremistas de direita crescem na lama que espalham. Passos Coelho chegou a dizer que a vida das pessoas estava em primeiro lugar mas não a qualquer custo. Ainda bem que não são esses extremistas de direita a definir as regras do combate. Precisamos de razoabilidade e bom senso. Precisamos de proteger as pessoas a qualquer custo. Não sei se é pedir muito, mas sei que é o que tem de ser feito.

Imagem: Frank Hoppmann

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Fernando Assis Pacheco


EM VOZ ALTA
| Os nossos poetas regressam ao nosso convívio pela voz dos nossos actores. Jorge Silva Melo e Manuel Wiborg vão estar na Casa Da Cultura | Setúbal, no próximo dia 24, para a leitura de Fernando Assis Pacheco. Luxo.

Aqui vai um exemplo da excelência da sua poesia:
SEM QUE SOUBESSES
Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior
fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.
Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.
Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Liberalismos à parte...


Os neoliberais da Iniciativa Liberal fizeram festa de arromba. 

Divertiram-se à brava, desrespeitando regras sanitárias, e deixaram o lixo por apanhar pelos serviços públicos. Claro que já sabemos que assim mesmo é que é: os serviços públicos devem de existir para permitir as iniciativas liberais. Liberalismo, sim, mas há limites. Nunca subestimes o que o Estado pode fazer por ti. O Estado ao serviço do egoísmo privado.

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domingo, 13 de junho de 2021

Dicionário da Invisibilidade


A pré-apresentação foi ontem, na Casa da Avenida. O lançamento oficial é no próximo dia 19. Convidados.

sábado, 12 de junho de 2021

António Sena



Antoni 
Tàpies disse uma vez, em entrevista, que um rabisco num muro o poderiam emocionar mais do que todos os museus do mundo. Exagero? Talvez. Mas não é a ousadia que nos faz evoluir?

Eu começava a procurar a exigência e o absolutamente extraordinário. A grande arte provocou-me uma extrema curiosidade e transformou-me como pessoa. A declaração do artista catalão moeu-me a moleirinha. Procurei perceber o que quereria dizer com aquilo. Se não tivesse percebido também não tinha importância nenhuma. A percepção das coisas tem limites. E há coisas que não é preciso perceber. Procurei então outros companheiros de Tàpies. António Sena apareceu-me no caminho com uma escrita/desenho que me impressionou e me apontou outros exemplos. A pintura de Sena é intensa. Agride. Tem uma existência que se instala naquele insistente rabiscar. A cor vem da natureza, parece-me. Mas o uso da tinta nas superfícies desgastadas pelo traço dá a esta pintura uma autenticidade emocionante. Não existem aqui soluções habilidosas. A dúvida regressa sempre. Percebi Tàpies. Percebi Sena. Ou talvez não. A dúvida nunca se esbate. A tentativa de percepção do que nos rodeia provoca-nos a curiosidade intelectual que não devemos perder. Acomodarmo-nos? Nunca.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Da lucidez e da dignidade


Nunca fui telespectador de telenovelas. Para falar verdade, nunca fui grande telespectador. Mas habituei-me a respeitar e admirar gente do teatro que aparecia nas novelas televisivas.

Vi muita desta gente fantástica pisar os estrados. Betty Faria foi uma dessas minhas preferências. Hoje, no Ípsilon, fala da actualidade. Sem pinturas a anular o tempo. Sem disfarces ornamentais. Uma bela senhora exprime-se sem complexos. Arrasa a extrema-direita que governa o Brasil. Foi muita gente a querer a extrema-direita no Brasil. Foi mau. É perigoso. A lucidez que demonstra impressiona e emociona. Eh, pá, comprem o Público, instalem-se nesta entrevista e guardem-na. É uma boa oportunidade de percebermos o futuro. Betty Faria está velha? Quem o disse? Velhos são os fascistas. Sempre o foram.

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quinta-feira, 10 de junho de 2021

A bem da nação









As comemorações que vão assinalar os cinquenta anos da revolução estão a incomodar os que acham que aquilo foi coisa de pouca monta. Um processo que "tirou de lá" uns para dar lugar a outros. No fim das contas são todos iguais, dirão esses doutos detractores. Dizem sempre isso, os palermas.

O inefável e caricato Rui Rio, irritado com tanta festança, arrasa escolhas e despesas, como se comemorar a liberdade fosse como ir ali aos saldos e voltar de mãos a abanar. Ele bem já tinha avisado que não houve em Portugal fascismo nenhum. Este esclarecido e iluminado líder do partido dito social-democrata deve preferir que o aniversário da democracia se sirva na copa, sem preceitos nem festejos. Sem flores, com enlatados ingeríreis e talheres de plástico, que é mais barato. E para presidir à comissão um comissário de polícia. Assim sim, as comemorações ficariam um brinco e os fascistas não se sentiriam ofendidos.

A inenarrável criatura, que ficará conhecida pelas inanidades que alardeia, é líder de um partido que provavelmente terá o grupo fascista do indescritível Ventura como seu aliado. Ficará tudo explicado. Palermas com palermas. Até podem fazer um baile no dia 24 de Abril de 2024, e assim assinalar e comemorar o regime não-fascista que existia antes de 25 de Abril de 1974. Palermas à sala.

Imagens: João Abel Manta "Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar"

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quarta-feira, 9 de junho de 2021

Design de comunicação

Da série grandes capas.


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Males maiores


A vi
olência exercida por energúmenos sem escrúpulos é crime público. Os crimes com estardalhaço dão nas vistas e nos ouvidos.

Os crimes praticados por insistências humilhantes não são visíveis. Só as próprias vítimas dão conta desse sofrimento. A agressão psicológica é cada vez mais comum mas é sofrida em surdina. Estimular a denúncia junto de quem a sofre é uma necessidade. As relações mantidas submersas nesse oceano de agressão não são saudáveis. É mais saudável o afastamento. Não existe amor sem amor.

Fonte Lusa

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

Chafurdar nas alcatifas

AUTARQUIAS 2021 | O poder local democrático tem o melhor e o pior que a democracia nos fornece. Abril permitiu que atitudes passassem a decisões.

Muita gente com vontade de melhorar vidas e combater preconceitos chega-se à frente para esse combate. É preciso valorizar as pessoas. Dar-lhes voz. Permitir que as cidades cresçam ou se qualifiquem para elas. Ao longo destes anos de poder local democrático assistimos a decisões que tornam infeliz o mais recatado cidadão. Atitudes de compadrio e decisões manhosas envergonham quem se move nas urbes. Há de tudo um pouco. Gente de esquerda que mais parece oriunda de um embrião do partido fascista agora com um deputado fascista. Gente de direita que não sabe o que dizer para conquistar gente da esquerda. Gente oriunda dos novos dependentes do estado social que agora são neoliberais viscerais e ornamentais. E gente dita independente que mais parece agarrada a um passado que não entendeu. Às vezes parece que ninguém diz coisa com coisa. Vou tentar perceber o que se vai passar em Lisboa e Setúbal. São as cidades que me interessam. Circulo por ali. Em Lisboa há moedas de troca sem ideias para a troca. Em Setúbal, a direita está apetrechada do pior que a sociedade fornece. Gente sem trambelho afoga-se em contradições em redondo, como em rotundas mal enjorcadas. Tenciono estar atento. Mas a minha sugestão é sempre a mesma: direita não. Extrema-direita fascista muito menos. Votar à esquerda, sempre. Sempre é melhor que nada. 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Comemorações

1 DE JUNHO | DIA MUNDIAL DA CRIANÇA.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Contra, sempre


A ascendente — e respeitada pela comunicação social — extrema-direita portuguesa, assiste satisfeita ao declínio da direita dita social-democrata — como se tal coisa pudesse existir —, e aguarda condições para coligações e participações em governos.

O fascistóide abjecto que representa o mais abjecto populismo no parlamento exige sentar-se nas cadeiras do poder com Rui Rio — apesar de ansiar pela assombração Passos Coelho — caso a direita dita civilizada tenha maioria. Anseia, portanto, minar o sistema democrático por dentro, a partir do governo da nação. A direita populista não tem princípios nem vergonha. É por isso perigosa. Não se respeita. Combate-se!

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sábado, 29 de maio de 2021

Dicionário da Invisibilidade



A apresentação estava marcada para este sábado. Mas atrasos na impressão e acabamento ditaram outra data. Vamos encerrar a exposição de André Carrilho no espaço ilustração da Casa da Cultura e apresentar o livro no próximo dia 12. Convidados.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Saudades do futuro


Lia Gama faz anos hoje. Uma grande actriz a quem devemos muitos bons momentos. 

Ontem, no jantar no café da Casa da Avenida, antes de rumarmos para a Casa da Cultura, onde a poesia de Luís Filipe Castro Mendes era comemorada, falámos dos amigos que encontrávamos nas noites de Lisboa. Chamámos Nuno Bragança e a sua Directa, Jorge Silva Melo (presente no jantar) e o seu Século Passado, a pintura do Zé Romualdo, o Frágil, o gosto pela noite e por quem por lá anda. Foi uma recordação saudosa mas divertida. Não é o passado que nos prende, mas sim a vontade de viver bem o presente. Só assim preparamos o futuro. Lia Gama trabalha com afinco. É uma excelente actriz e uma mulher corajosa. É também uma excelente companhia. É tão bom conversar com ela. Gosto muito desta grande senhora. Vamos continuar esta conversa um destes dias. Parabéns, Lia. 

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Com as minhas tamanquinhas


DA INTOLERÂNCIA E DO RECATO | Nos últimos dias têm passado por mim, de raspão, insultos vários. Uns acusam-me de ser elitista, arrogante, intolerante. Acusação definitiva e sem defesa. Outros incluem-me de chofre numa lista privada de animais para abate. Avisam-me amigos que até foi derramado pelas valas abjectas das chamadas redes sociais um texto que me faz acusações de carácter. 

Há muito pouco tempo, numa reunião de trabalho onde se discutia o gosto dos outros, dos que sofrem com a aplicação das regras comuns que agridem as suas, um responsável político informava-me solenemente que muitos desses outros gostariam de me ver pendurado pelo pescoço na estátua de Bocage, erigida em Setúbal, na praça que assinala a existência do poeta. Confesso que prefiro Pessoa, mas Bocage também serve perfeitamente. Nunca quis ser herói nem vilão. Não tenho orgulhos e não me sobreponho a ninguém. Nada me envaidece. Só frequento e promovo o que me alimenta os sentidos. Detesto exibições de ignorância e atentados à dignidade das pessoas. A apologia da normalidade corriqueira, sempre polvilhada de muita ignorância e gosto de duvidosa proveniência, não me incomoda. Repugna-me, é certo, mas resvala de imediato para o esgoto de onde brota. A normalidade hipócrita e cínica não é fruta do meu cesto. Aceito, portanto — digo-o com alguma emoção até —, todos esses elogios que me são dirigidos. Fazem-me sentir vivo. Com atitudes. Com carácter.

Muito obrigado, caríssimos adversários. 

Imagem: Capa do álbum de José Afonso COM AS MINHAS TAMANQUINHAS, com ilustração de João de Azevedo

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Os nossos poetas



Foi uma noite bonita, esta noite EM VOZ ALTA na
Casa Da Cultura | Setúbal.

Excelente selecção de poemas de Luís Filipe Castro Mendes, feita por Jorge Silva Melo, que os disse magistralmente. Lia Gama marcou presença no estrado e também nos brindou com uma leitura de excepção. Ah, e esta foi a primeira destas sessões que contou com a presença do próprio poeta lido. Luís Filipe Castro Mendes esteve na sala e gostou das interpretações. Mais uma grande noite em que a grande poesia esteve presente. Privilégios dos que assistimos.

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

As grandes histórias


A HISTÓRIA DO MUNDO É A HISTÓRIA LOCAL | Vamos apresentar a colecção da Estuário que conta histórias do nosso mundo. A História do Mundo acontece mesmo aqui ao nosso lado. Vamos falar com dois historiadores — Diogo Ferreira e João Santos —, e um entusiasta empenhado em divulgar a história do seu local de nascimento e crescimento — Eduardo Silva. Até amanhã.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Em voz alta


OS NOSSOS POETAS | É na próxima quinta-feira, às nove da noite. Lia Gama e Jorge Silva Melo voltam ao nosso convívio e trazem mais um poeta: Luís Filipe Castro Mendes.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Prazer, camaradas


Percebi que o filme tem pernas. E percebi também que o meu querido amigo João de Azevedo deu uma perninha neste filme.

A fita é assinada por José Filipe Costa. É uma revisitação. A sexualidade, e a falta dela, é mote, parece. Esta imagem promocional em que o João entra em atitude de contador de uma sua história, ofício de que tanto gostava e praticava sem omissões, instalou-me uma lágrima mesmo aqui ao canto do olho esquerdo. Que saudades do João. Que vontade de ver o filme. E que tristeza sinto por ele já não estar aqui.

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Crápulas no poder


Roman Protasevich é um puto de vinte e poucos anos que gosta de se exprimir livremente e de alargar essa vontade de comunicar porque é jornalista.

O crápula que exerce o poder na Bielorússia não gosta de opiniões que o contrariem. Ora, como um crápula é um crápula e a decência e respeito pelos outros não são medida da sua fita métrica, vá de mandar prender o recalcitrante opinador, nem que para isso seja preciso alterar rotas de aviões. Democracia não é flor do jardim político que domina o país. O crápula põe e dispõe. Os EUA já reagiram. A União Europeia também, pela voz da sua presidente, mas assiste a estes atropelos como se estivesse a ver um documentário sobre o que se passa ali ao lado, mas que nada pode fazer. Pode. Pode e deve. Roman Protasevich pode até ser condenado à morte. Os regimes onde os crápulas dominam matam. Não nos podemos calar.

Fonte Público

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domingo, 23 de maio de 2021

Paulo Mendes da Rocha


Foi um dos grandes arquitectos do mundo. Pensou a arquitectura como espaço para a circulação das pessoas.

Nunca se rendeu ao ornamento fútil. Felizmente há muitos assim na arquitectura contemporânea. Mas Paulo Mendes da Rocha foi um dos que começaram a colocar as pessoas no centro do espaço arquitectónico. Pioneiro e continuador. As pessoas que circulam nos lugares de convívio inteligente devem-lhe muito. Devemos-lhe muito. Muito obrigado, senhor arquitecto.

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sábado, 22 de maio de 2021

Júlio Pomar


Três anos sem Júlio Pomar. Na altura da sua morte escrevi aqui assim:

Esta figura em movimento foi desenhada por Pomar em homenagem a José Afonso. Comprei este exemplar de uma edição limitada, em serigrafia, já num tempo em que José Afonso estava muito doente. Júlio Pomar e Costa Pinheiro resolveram ajudar desta maneira, imprimindo trabalhos. Júlio Pomar sempre foi assim: disponível para a solidariedade. Corajoso Antifascista. Impaciente com a estupidez. Foi também um grande artista. Mas disso muita gente vai falar. Limito-me a fazer uma sugestão: olhem bem para os seus trabalhos, visitando sítios que exibam obras suas. Leiam as publicações que se esforçam por encontrar caminhos. Júlio Pomar é um grande português que agora nos deixa. Muito obrigado, mestre.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Reconhecimento


Doutoramentos que são um reconhecimento. Não era preciso o elogio. Todos sabemos e reconhecemos o valor intelectual destas duas figuras da cultura portuguesa. Mas o que é doce nunca amargou. Parabéns, Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

História repetida

Depois de tanta iniquidade, de tantas separações
com muros ou propósitos religiosos, e extermínios reais de populações, até parece impossível que tudo isso regresse ciclicamente como norma de actuação política. 

As guerras matam. Morre gente. Gente com vidas que ficam anuladas. A Palestina precisa de ajuda. Os seus inimigos são poderosos e ferozes.

domingo, 16 de maio de 2021

João Hogan





Andou sobretudo pela paisagem. Reorganizou a rude paisagem.

Criou sofisticados ambientes. Grande rigor na execução. Crivo exigente. Tinha treino oficinal. Foi marceneiro. Estudou pintura com grandes mestres e tornou-se ele próprio nome grande das artes. Recordo aqui as paisagens. As paisagens de Hogan são perenes.

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sábado, 15 de maio de 2021

Semear o amor

Coro da Primavera foi a música de José Afonso escolhida para anunciar a boa nova: o trabalho discográfico vai ser reeditado e colocado em boas condições de audição nas plataformas digitas e também em formato físico.

Esta canção está incluída em Cantigas do Maio, álbum que José Afonso gravou em Herouville, nos arredores de Paris, em outubro de 1971. Passaram cinquenta anos sobre esta data histórica da música do mundo. Anunciámos as comemorações, em outubro do ano passado, na Festa da Ilustração - Setúbal, com uma exposição das capas dos discos de José Afonso e com um enquadramento escrito por Viriato Teles. Em outubro próximo vamos cumprir. Debates com gente que sabe o que diz não faltarão em Setúbal: na Casa da Cultura e na Casa da Avenida. E a Festa terá novamente exposição assinalável. Assinalamos o melhor, para que o que marcou não seja esquecido, mas também para nosso prazer e sorte. Foi bom ter vivido no tempo de José Afonso. Muito bom mesmo.

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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Obra de José Afonso finalmente reeditada


O nome maior da música feita em Portugal não pode estar indisponível para audição. A obra de José Afonso vai ser reeditada.

Esperemos que a nova editora imprima a este trabalho magistral a dignidade gráfica que norteou desde sempre o trabalho de José Afonso. Não sei se estão previstas declarações do Presidente da República ou se o Parlamento prevê assinalar este acontecimento maior. Deviam. Sei que quem aprecia a cultura portuguesa no mundo vai comemorar. José Afonso, sempre!

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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Os energúmenos e a lucidez


Diz a notícia que Chico Buarque lidera o protesto. Chico Buarque sempre se pôs a jeito da fúria dos tiranos.

Foi assim com a ditadura elogiada pelo energúmeno que preside actualmente ao país, e foi assim também quando o dito energúmeno ocupou o poder. Agora já é muita gente a dar-lhe razão. O motivo é a maneira como foi gerido o combate à pandemia. O energúmeno chamou-lhe gripezinha. Geriu mal a pandemia? Mas ele geriu bem alguma coisa? Fora. Energúmeno para a rua.

Fonte RTP

segunda-feira, 10 de maio de 2021



Escrevinhei este texto para a folha de sala que acompanha a exposição exibida no
Café da Casa da Avenida. Partilho-o por quem não tem a oportunidade de se deslocar a esta casa de excepção.

QUANTAS HORAS TÊM OS DIAS? | Ou o que fazer com o tempo quando há tempo para tudo?
Observando as fotografias de Fernanda Carvalho
O Tempo, esse grande escultor, como pretendia Yourcenar. O tempo que sobra, quando os dias têm a dimensão de uma longa noite. Gerimos os "resíduos de Lar", como disse um dia José Afonso, em Era um redondo vocábulo. Ditamos as horas de outras vigílias. Olhamos para o passado que nos foi próximo. Autorizamos a recuperação das coisas mortas. Limpamos o pó das superfícies, deixando os vestígios que o tempo ditou. Há tempo para tudo, e tudo tem o seu tempo. Reinventamos o amor. Insistimos no amor. Caminhamos pela casa e reparamos no móvel vazio. As recordações despertam-nos para um tempo difícil.
É muito difícil estarmos sós entre os despojos de outro tempo. Entre o passado e o futuro. Entre o que fomos e o que pretendemos ser. Queremos sobreviver a isto. Sobreviver não: VIVER. Assim, em voz alta. Viver como dita a vida. Com os olhos e os sentidos bem abertos. Não deixaremos de ter atitudes. De olhar e ver. Voltaremos a estar com quem amamos. Essa curiosidade arrebata-nos. Vamos voltar a estar uns com os outros. Pedimos tão pouco. Só isso: o essencial. O absolutamente necessário. A nossa vida.[José Teófilo Duarte]
QUANTAS HORAS TÊM OS DIAS?
Fotografias de Fernanda Carvalho
MAIO/JUNHO. 2021
CASA DA AVENIDA
Avenida Luísa Todi 286, 292, Setúbal casadaavenidacafe@gmail.com| 265 237 054