terça-feira, 11 de outubro de 2022
Um Presidente a esquecer
Procissão dos distraídos
Crime de abuso não é ainda hoje crime público, diz a criatura de deus. Por acaso está enganado. Ou faz-se. Crime de abuso é crime, ponto. Está na lei. Mas não é isso que interessa agora. Um representante superior de uma instituição religiosa que relativiza uma situação moralmente repugnante merece estar à frente da referida instituição? Ou aquilo é uma choldra minada de tarados e predadores sexuais reprimidos pelas absurdas leis que os regem? Gente inenarrável. Uns praticaram crimes hediondos. Outros olharam para o lado, em completo desprezo pelos afligidos pelos criminosos. Amai-vos uns aos outros, cantarolam, os biltres.
domingo, 9 de outubro de 2022
Com João Paulo Cotrim
A Festa continua e recomenda-se. Hoje abrem mais duas exposições: VER AO PERTO, reveladora do talento dos ilustradores residentes na região, e NUVENS, de João Francisco Vilhena e João Paulo Cotrim. É o último trabalho publicado com textos de Cotrim. Ele participou com Vilhena no desenvolvimento do projecto desde a ideia inicial até à sua transformação no objecto lindíssimo em que se tornou. Estas exposições aguardam visitas a partir de hoje. São ocasiões únicas para convivermos com o que de melhor se faz no território. Até já.
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
terça-feira, 4 de outubro de 2022
Em busca do tempo ganhado
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Primata
ESGOTO | O primata que ocupa o palácio do Planalto transformou aquele local num esgoto a céu aberto. É necessário limpar aquele pedaço. Os resultados de ontem não foram conclusivos. Há brasileiros que querem continuar a chafurdar no charco que o bandido que elegeram para presidente criou. Um bandido não deve ser presidente de coisa nenhuma. Muito menos de um país como o Brasil. Fora com o bandido.
Ilustração de Cristina Sampaio
domingo, 2 de outubro de 2022
Receituário
CULSETE | Livraria quase mítica. Realidade livreira, que sempre conheceu gente competente à frente. A única livraria que vale a pena visitar em Setúbal - há mais alguma? Há, mas não são a mesma coisa. É que aqui há livros, mesmo, dos bons. E gente que sabe dizer porque os tem ali. A Culsete é a livraria responsável pela FEIRA da Festa da Ilustração - Setúbal que vai funcionar durante toda a tarde do próximo sábado, na Gráfica. ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA, em homenagem a João Paulo Cotrim, e POSTAIS, de André Ruivo e João Eduardo Ferreira, são as exposições que animam o espaço. Apareçam.
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
Receituário
Vamos abrir no próximo sábado. Depois temos outras aberturas, mas lá chegaremos. Quem for no sábado à Casa da Cultura ficará esclarecido ao pormenor. Quem não for mais perde, mas avisaremos por aqui o que for acontecendo. O que for soará. Até já.
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
Conversa ilustrada
A Festa abre sábado às seis da tarde. Nós vamos conversar sobre a Festa na véspera. Apareçam.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
O fascismo voltou
E pronto. O que era previsível aconteceu. Os fascistas italianos detêm o poder em Itália. Esta gente repugnante grita vitória com a boçalidade que é o seu perfume. Fedem. Metem nojo. É triste perceber que os retrocessos vão acontecer. A festa vai acabar, grita a ordinária que vai ser primeira-ministra. Ordinária, sim. Vergonha das mulheres de Itália e do mundo. Uma defensora de todos os tolhimentos que rebaixam as mulheres até à idade média. A luta das mulheres pela sua emancipação foi uma esperança para todos os que acreditam no progresso das mentes. É pena o poder fascista ter voltado a Itália. E é pena que seja exercido por uma mulher que quer imitar os homens maus. Resiste, Itália.
Vamos à Festa
A Festa da Ilustração - Setúbal abre no próximo sábado. Recordamos a vida de João Paulo Cotrim e festejamos o trabalho dos ilustradores que dão cor ao mundo. Até já.
sábado, 24 de setembro de 2022
Chungas parlamentares
Terminus
REVISITAR ARQUITECTURAS | A exposição de Pedro Besugo na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal termina este fim-de-semana. Oportunidade para conhecermos o deambular deste pintor por ambientes construídos pelos seres ditos humanos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
Moralidade imoral
No Irão da intolerância religiosa existe uma policia que vigia as atitudes das mulheres. É a polícia moral. Ridículo? Não, aquilo mata. A coragem de uma rapariga de 22 anos levou-a à morte. Mahsa Amini morreu porque queria ser gente. Quando falamos de coragem por dizermos coisas, devemos lembrar-nos destas pessoas que lutam pela sua dignidade e que por isso são assassinas por polícias criminosos instruídos por políticos sádicos. Isto é que é coragem. Mulheres que são tratadas como objectos querem mudar as coisas. Há muitos países em que estes criminosos estão no poder. Há muitas mulheres a sofrer. Guerras sem balas nem torpedos, mas que matam. Matam muito. Isto dói muito.
terça-feira, 20 de setembro de 2022
Ouvir José Afonso sempre!
Os trabalhos de José Afonso continuam a ser colocados à nossa disposição. No final deste mês de setembro ficará disponível aos nossos ouvidos e sentidos o álbum CORO DOS TRIBUNAIS. Músicas de excepção reunidas em disco histórico. Foi o primeiro gravado por José Afonso depois da data em que conhecemos a liberdade. Gravado nos estúdios Pye, em Londres, entre 30 de Novembro e 8 de Dezembro de 1974. José Afonso falou aí com José Brandão, então exilado lá, no sentido de o designer conceber a capa. José Brandão fez o que toda a gente conhece. Estas reedições vestem-se com os seus soberbos desenhos.
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Para ti, Cotrim
EnCOTRIM de CULTURAS | O texto é do Nuno Saraiva. A ideia é estarmos todos com o João Paulo Cotrim. Não o podemos esquecer. Não é possível.
domingo, 18 de setembro de 2022
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Design de comunicação
Da série Grandes Capas. Musicalíssimo de 12 de Abril de 1974. Publicado poucos dias antes da data que tudo mudou. Aqui já se percebia que muito já tinha mudado.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
Morreu Jean-Luc Godard
HOMENAGEM | Foram noite e noites passadas no Quarteto. Esperava-se pela próxima projecção com ansiedade. Ansiedade que não passava no fim da fita. Passávamos para as conversas sem fim. A madrugada era a solução. Agora é a recordação que fica. E um obrigado emocionado. Muito obrigado, senhor Godard.
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
Deveres reais e realidade
Eu percebo: alguém que andou mais de sete décadas a fazer aquelas figuras tem de ser recordado. Percebo que o desgosto se instale nos lares de quem não quer viver sem rei nem roque. Ou seja: é sempre melhor ter rei, especialmente quando não conta para nada. Uma socialite simpática e reservada que não fez ondas de maneira a provocar tempestades. A rainha proclamou o que os governos decidiram. Sem sentido crítico e sem contestação. Até os discursos de "início de temporada" são escritos pelos governos. A soberana foi assim uma espécie de deusa na Terra que deixou os seus devotos entregues aos seus próprios erros.
O individuo que agora substitui a progenitora — é assim que se faz democraticamente nas monarquias — é um opinador de respeito. Diz tudo o que lha passa pela cabeça. Por exemplo: sabemos o que ele pensa — mal e porcamente — sobre arte e arquitectura contemporâneas. Pensa mal e porcamente. Também sabemos que não se importa de ser ecologista desde que concordemos com a sua ecologia. Será que agora vai continuar a verberar sobre tudo o que mexe com o mesmo afinco? Ou será que vai praticar o tão desejado cinismo monárquico para permanecer naquele lugar que provoca tanto sacrifício pessoal?
Prefiro chefes de Estado eleitos, como é óbvio. Não consigo perceber que orgulho se pode ter num representante decidido por famílias com passados sinistros, ungidos por um deus que não comunicou a decisão. E estou sem paciência para tanto elogio — não tinha percebido que no Portugal republicano havia tanto especialista em monarquias socialites — a aspectos comportamentais e a "divinos carácteres" que nada dizem sobre as pessoas em causa ou até, muitas vezes, revelam graves problemas de carácter.
Que a senhora descanse em paz, e que o seu sucessor melhore na exibição da parvoíce, é o que eu desejo com muita sinceridade.
domingo, 11 de setembro de 2022
Homenagem
Está a morrer gente verdadeiramente importante. Gente que nos fez crescer. Gente que nos ajudou a melhorar os nossos dias. Páginas e páginas de prazer e convivência com um mundo melhor. Fitas e fitas de boas imagens e vivências profundas. Gratos a Javier Marias e a Alain Tanner. Muito gratos mesmo.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
quarta-feira, 7 de setembro de 2022
A Festa vai começar
Tudo tem início em outubro. Mas vamos já dizendo o que poderá acontecer. E vai acontecer muita coisa. Coisas boas para lembrar gente boa. Até já.
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Tecer a curiosidade
Os lugares já existiam antes de os povoarmos. E vão continuar a mudar mesmo depois de sairmos desta vida. São portanto mais importantes do que nós. Mudam sempre. São as interpretações das realidades que provocam a curiosidade.
A curiosidade que desperta o sentir o desejo de percebermos essas realidades. Tecemos linhas de orientação. Traçamos espaços de convivência. Alargamos a vontade de nos emocionarmos com as realidades construídas. Ou talvez interpretadas. Passamos a vida a fazer desenhos que depois se perdem ou diluem nas águas que passam pelos riachos das memórias atormentadas. Queremos atingir a felicidade, mas pelo caminho encontramos as pedras deixadas para trás pelos desesperados sem rumo. Desenhamos sempre novos mapas, é certo. Insistimos nisso. O desenho nunca sai igual, tal como uma canção nunca é cantada da mesma maneira quando é repetida. Os artistas que cantam sabem isto muito bem. Os artistas que desenham também. O suporte é sempre reflexo da atitude do momento. Todos vivemos os pequenos momentos que tentam encontrar um fito. Queremos mostrar ao mundo que é aquele o momento. Quem desenha não sabe bem se o encontrou. Quem observa muito menos. Estas TESSITURAS de Catarina Aguiar representam os métodos encontrados para uma representação que parece estar nos trilhos de uma feliz caminhada. A belíssima exposição que nos apresenta na Casa da Avenida revela a honestidade da procura e a noção da realidade existente. Realidade em que se observa beleza, rigor, tranquilidade e inquietação. Estranha interpretação? Nem por isso. É vontade de ver mais.
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Receituário
DAR DE BEBER AOS OLHOS | A expressão é do João Paulo Cotrim. Trago-a agora para aqui porque me pareceu ajustada a esta descoberta engarrafada. Descobri estas garrafas nas prateleiras de um supermercado bem fora dos grandes centros de consumo. São vinhos da produção da ADEGA MAYOR — tinto, branco e rosé —, marca DIZERES e os rótulos têm desenhos do André Carrilho que ilustram ditos populares. Os rótulos já são saborosos, mas o conteúdo líquido das garrafas não lhes fica nada atrás. Bom proveito.
sábado, 3 de setembro de 2022
Fim-de-semana
RECEITUÁRIO | A exposição Tessitura, de Catarina Aguiar, abre hoje na Casa da Avenida, em Setúbal. É a primeira exposição individual da artista. Circula entre várias maneiras de expressão e desperta curiosidade. Muita curiosidade. Provavelmente estamos a assistir ao início de um percurso singular. Aliciante, portanto.
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Aconteceu em setembro
Muito aconteceu neste mês. É o meu mês preferido, se é que o posso dizer assim. Muito do que aconteceu em setembro de vários anos alterou a minha vida. Coisas importantes para mim, e algumas para a humanidade inteira: alegres e tristes. Destaco no entanto, em tempos de agressão pela intolerância fascista, dois casos tristes. O ataque ao palácio do governo do Chile, onde morreu Salvador Allende, e a destruição das torres em Nova Iorque, onde morreu muita gente. Eu estava em Nova Iorque na altura e percebi de perto o drama de muitos seres humanos em desespero. A intolerância fascista e a demência religiosa ditam regras tenebrosas: eliminar incrédulos e desobedientes. Para estas mentes torcidas não cabemos cá todos. Cabem eles, uns com os outros. São poucos os que praticam a demência intolerante, mas não estão sós na apologia daquelas tretas. Já têm uma gente fruste que os apoia e segue. Votam, aplaudem, dão-lhes voz. Cabe-nos a nós combater a agressão. Vamos estar sempre contra esta gente, que nem parece gente.
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
A vida é feita de pequenos nadas
Sérgio Godinho faz hoje anos. Tantos anos a dar-nos tanta música boa. Tantos pequenos nadas transformados em momentos de excepção.
Agosto ao gosto de toda a gente
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
terça-feira, 2 de agosto de 2022
José Afonso 93
Publiquei este texto em 2 de agosto de 2018. Adaptei-o agora para assinalar mais um aniversário de José Afonso. A sua música e o seu exemplo continuam aí. Nunca será esquecido.
José Afonso nasceu há 93 anos. Morreu com 57 em 1987. Assinalo sempre estas duas datas porque acho importante salientar a existência de um português que viveu com os pés neste mundo. Desde cedo que tentei encontrar também um mundo onde me sentisse bem. José Afonso apontou-me um caminho — Respeito pelo que existe, exigência na observação, solidariedade na acção. Mudou o mundo da cultura em Portugal. Passámos a ter orgulho na cultura portuguesa a partir dele. Dele e de Fernando Pessoa, que era poeta da sua estima. O melhor de Portugal passou a estar a par do que ele fazia. Transformou melodias populares em grandes músicas. Reinventou sonoridades. Manteve atitudes. Teve ideias e praticou-as. Foi corajoso. José Afonso não foi um cantor popular, lamento não estar de acordo com os classificadores opinadores. João de Freitas Branco inscrevia-o nas mais altas definições, ameaçando perder o respeito pelos tais classificadores. Eu acho que José Afonso se inscreve em outras definições, de facto. O experimentalismo e a procura de novas sonoridades fazem mais jus às preocupações do autor. Ouço José Afonso — muitas vezes — e associo-o mais aos desenvolvimentos performativos de Laurie Anderson, do que aos desempenhos ditos populares. Outros exemplos poderia procurar, mas guardo a conversa para uma ideia que me persegue: um dia discutir isto com autores contemporâneos. Tentei fazê-lo no passado. Desafiei Carlos Martins e Filipe Raposo para o debate. Eles aceitaram o desafio, mas tinham a agenda preenchida. Para 2024, ano em que se comemoram os cinquenta anos da conquista da liberdade, não vai falhar. Vou tentar juntar ao grupo Rui Vieira Nery e vai ser num Muito cá de casa na Casa Da Cultura | Setúbal. Foi bom termos tido José Afonso entre nós. Foi melhor ainda tê-lo conhecido. E continua a ser muito bom ouvi-lo.

































