sábado, 14 de setembro de 2013

A EDUCAÇÃO DE CRATO | Nuno Crato foi visitar uma escola. No decorrer da cerimónia uma professora perguntou-lhe se ele tem consciência do que está a fazer à educação em Portugal. Crato não responde a perguntadores inconvenientes. Está muito lá em cima. É um executor das inevitabilidades. Mas, já cá fora, em respostas aos jornalistas, esclareceu o que a sua brilhante mente pensa da professora que o indagou. Parece que a senhora precisa de cuidados psicanalíticos. Quem em outros tempos pensou que Crato era a salvação para a Educação em Portugal, fica assim a saber que o ministro nem educação tem. Mas com a educação de Crato podemos nós bem. O problema é que ele é ministro. E pelos vistos alinha numa ideologia pouco tolerante. E perigosa. Esta gente é perigosa. Muito.
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ILÍDIO DE MATOS | Morreu o agente literário Ilídio de Matos. Estive com ele na passada terça-feira. Almoçava eu com a minha amiga Ana Maria Pereirinha, quando apareceu o Ilídio no restaurante. Fiquei contentíssimo. Há algum tempo que não o via. Mas sempre que o via era um gosto e uma alegria. Muitos não saberão quem era. Homem discreto, amante do seu trabalho, devemos-lhe o prazer de muitas leituras. Durante muito tempo foi o único agente literário no nosso país. Foi um profissional de luxo. Um ser humano de excepção. Um grande senhor. Mas não um senhor à antiga, como se costuma dizer às vezes. Este era um senhor contemporâneo. Um praticante da vida do nosso tempo. Combinámos todos um almoço para um destes dias. Há almoços que me custa muito desmarcar. Obrigado por tudo o que fizeste por nós, querido amigo.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

OPINIÃO E ENTENDIMENTO | Vivo e trabalho entre duas cidades. Considero o Poder local Democrático uma disciplina irregular. Há autarcas que mais se assemelham a lustrosos cromos (alguns são, e da bola, mesmo), mas outros existem que merecem toda a nossa atenção. Temos conhecimento de gente que conta e de casos de tribunal constitucional. Autarcas-modelo não sei bem o que são. O título lembra-me propaganda a andar na Reboleira ou desfile em passerelle. Tenho a convicção que é sempre mais útil eleger gente de esquerda. A direita dos interesses tem preocupações que se encostam ao caciquismo. A esquerda também se engana, mas é quando esquece a cartilha do descomprometimento (Bem, não falemos da recente trapalhada do limite de mandatos). Um autarca de esquerda só deveria comprometer-se com a colectividade. O cosmopolitismo deveria ser lei de actuação. Atitude civilizacional entre gente de esquerda e republicana. Nem sempre assim é, mas façamos com que assim seja.

Em Lisboa foram feitas coisas. A actual vereação estruturou a cidade e tratou os problemas pelos nomes. Resolveu enleios antigos e vai continuar a resolver. É liderada por um homem que é um político completo. António Costa tem todo o meu apoio.
Tenho amigos em todos os partidos de esquerda inscritos na contenda. Nos de direita penso que não. Não me lembro, nem estou com isso preocupado. Voto sempre à esquerda. Há quem diga que as eleições nas regiões são muito pessoais. Que o que importa são as pessoas e não as ideologias. Pode ser, mas não contem comigo para o desfile. Aprecio a política com ideias políticas. E as ideias de esquerda são diferentes das ideias de direita. Têm de ser. Nunca me imaginaria a apoiar um cromo de direita. Nunca mesmo. 

Em Setúbal foi feita muita coisa. Novos espaços culturais invadem a geografia da cidade. Poderíamos falar sobre a utilização desses lugares inserindo-os na criação de um grande evento cultural no burgo. Mas deixemos isso para outro dia. 
A autarquia é liderada por uma mulher que me despertou profundas discordâncias pontuais. Ainda hoje me provoca o vómito a transformação de cançonetistas de feira de arrabalde em arautos da mensagem política. Mas percebi que o mal alastrou a outras forças políticas também com ideologia para ter juízo. Aprendi a perceber a transformação de mentalidades com José Afonso. É a minha escola e a minha referência humanista. Não me rendo, portanto, limito-me a não frequentar os locais onde estão montados os estrados dessa penúria cultural. 

Maria das Dores Meira convidou-me para fazer a imagem da Casa da Cultura e para colaborar na programação. Aceitei com gosto e lá estou na labuta. Esta actividade permite-me experimentar a minha noção de cosmopolitismo no sítio onde nasci e vivo. Faço o que posso e tenho o gosto de colaborar com uma equipa esforçada e com capacidade de ouvir. Devo e agradeço esse reconhecimento à actual presidente. E reconheço-lhe a capacidade de ter percebido que as ideias, por muito discordantes que sejam, podem acrescentar participação útil. Poderemos chamar-lhe, por assim dizer, convívio democrático. Resta-me desejar a continuação deste trajecto. O que corre bem deve ser estimulado. Pela parte que me toca, tentarei participar com maior exigência. Uma cidade que se quer grande precisa de todos os pequenos contributos.
Boa sorte, Setúbal.

IMAGEM: António Jorge Gonçalves e Sandra Celas, na galeria da Casa da Cultura, no dia da inauguração da exposição do António Jorge.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013



LUTO EM SETEMBRO | No dia de hoje são assinaladas duas más memórias. Salvador Allende morreu num atentado comandado pelo sanguinário Pinochet, em 1973, iniciando-se então a aplicação criminosa de um regime de direita fascista. Em 2001 foi a vez de Nova Iorque assistir a um atentado violentíssimo contra as suas gentes. Há quem ache que um é mais legítimo que o outro. Não é. Eu passeava na 5ª avenida quando os aviões fizeram aquele serviço. Podia não estar aqui agora. Há muitos que não estão cá e deviam. Tanto no Chile como nos Estados Unidos da América, foram eliminados pela intolerância. Recordá-los é um dever. São as pessoas que contam. É a vida.
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terça-feira, 10 de setembro de 2013


REFRESCO | A excelente exposição de Flávio Andrade, na Casa da Cultura, em Setúbal, termina dia 12. O projecto REFRESCO vai continuar. Flávio anda pelas praias da costa portuguesa em busca de imagens que se ajustem à ideia que pretende satisfazer: praias, banhistas e ambientes balneares. Este projecto vai dar que falar. Não tenho disso qualquer dúvida. Corram, à Casa Da Cultura | Setúbal. Uma mostra destas não nos banha os olhos todos os dias. 
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Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. 
E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre.
Manuel Hermínio Monteiro
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FAZENDO LISBOA | António Costa encontrou-se hoje com a sua comissão de honra, no belíssimo Pátio da Galé, no renovado Terreiro do Paço. Foi a apresentação da dita. Falaram Sampaio da Nóvoa, Beatriz Batarda, Herman José, Helena Roseta e Costa. Foi bonito. Fui convidado para integrar esta comissão o que, apesar de não ser de grandes honrarias, me agradou. Lisboa melhorou a olhos vistos. As prometidas pequenas obras, tão necessárias nas grandes cidades, fizeram grandes mudanças. Foi-me pedido um texto para a campanha. Disse o que penso da candidatura. Aqui vai:

IDENTIFICAÇÃO DE UMA CIDADE | A gente apoia e vota em quem tem as nossas preocupações, as nossas vontades, os nossos encantamentos. Às vezes a gente engana-se e o voto cai na urna da indiferença. Uma espécie de cesto dos papéis da democracia. Nesses casos a gente arrepende-se mais tarde, precisamente quando percebemos que as grandes benfeitorias prometidas foram cosmética eleitoral de má qualidade. Uma cidade como Lisboa, composta de várias pequenas cidades, requer a atenção permanente dos seus autarcas. E precisa da participação de todos. Estes autarcas conhecem Lisboa. Vivem com ela. Passeiam e divertem-se nela. Encontro com frequência António Costa por aí. Andamos pelos mesmos sítios. Sítios onde a cidade pula e avança, como diria o poeta. Avancemos pois. A dinâmica cultural desta cidade faz dela uma grande capital europeia. É preciso pular contra o marasmo. Sempre. É preciso impedir que a direita, sempre conservadora e serôdia, volte a cobrir salões dourados com a sua cultura de pechisbeque. Lisboa é da sua gente: gente que ostenta esse orgulho no cartão de cidadão e gente que, vinda de outras paragens, se empolga com o gosto e a alegria de viver em Lisboa. Juntos fazemos Lisboa. Pois.
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FORA DE SÉRIE | O Expresso pôs os seus colaboradores Henrique Monteiro e Rui Ramos a escolher as figuras que moldaram o século XX português. Estas escolhas são difíceis. Sempre moldadas pela subjectividade de quem faz a depuração. Mas o Eduardo Pitta  - blogue DaLiteratura - notou uma ausência que nunca deveria ter acontecido fosse qual fosse o critério: Esquecer Rómulo de Carvalho desta lista é inacreditável. A comparação com alguns dos escolhidos é inevitável. O que leva a dupla Monteiro/Ramos a não escolher o professor que como poeta respondia por António Gedeão, e a colocar na redoma dos ilustres do século José Manuel Casqueiro, por exemplo? Que critério sério pode levar a um trabalhinho destes?
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sábado, 7 de setembro de 2013


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

E NÃO SE PODE EXTERMINAR A DEMOCRACIA? Só hoje dei por isto. E acho das mais graves declarações algumas vez proferidas por esta criatura. E olhem que ele é competentíssimo no disparate. O homem indagou os imbecis da universidadezinha de verão do seu partido dito social-democrata com esta questão metafísica: “Já alguém perguntou aos 900 mil desempregados de que lhes valeu a Constituição até hoje?”. Já que estamos com a mão na massa, para que serve a democracia? E a Liberdade? E as eleições? Só despesa. Não se pode eliminar tudo isto? Os imbecis "universitários" tudo aplaudem. Tudo. Ninguém os pára. A estupidez anda à solta. Com estes "estadistas" como professores, se estas rídículas "universidades" forem levadas a sério, o futuro de Portugal não sairá do nível destes trastes sem formação humanística, nem sentido da democracia, nem decoro, nem nada. 
Gente lamentável e sem escrúpulos. Gente que não presta.  
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CONSTITUCIONAIS CANDIDATURAS | O Tribunal Constitucional foi pressionado pelas circunstâncias. Repito: o Tribunal Constitucional foi pressionado... 
Com as eleições à porta, foi sentida a necessidade de aplicar o mal menor.
Uma pergunta se impõe: mas para que raio pensaram nesta lei? Para que serviu toda esta trapalhada, se afinal o receio de caciquismo ou más práticas ficam anulados com a passagem dos praticantes de um concelho para o outro mesmo ali ao lado?

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FADO DO MATRIMÓNIO | Acho que era um mimo mais ou menos assim: "Entre marido e mulher não metas nunca a colher". A agressão justificava-se porque a mulher era propriedade do homem. E é claro que nós estamos autorizados para destruir o que é nosso. Qualquer criança pode desancar um power ranger se estiver para aí virada. Recentemente, uma juíza, num tribunal, não considerou crime umas traulitadas que um marido aplicou na sua mulher. Claro que agressão será sempre crime, mas nunca na relação entre marido e mulher. Lá está: não metas a colherEu até acho que no final da sessão judicial deveria ter sido chamado ao estrado um fadista para cantar aquele fado que termina neste tom: "E se algum dia mentir ou trair / podes bater / bates no que é teu". Fechava a sentença em beleza. Temos razões para ter toda a confiança na Justiça Portuguesa. A defesa da propriedade privada está assegurada.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

GUERRA É GUERRA | Tudo a postos. A guerra foi aprovada. Anda gente lá pelo meio? E depois? De que lado está a razão? A Razão existe? Porque será que a diplomacia não funciona? É preciso gastar armas. A indústria do armamento já tratou das adjudicações. Os fornecimentos vão a caminho. Já se ouvem os disparos? Nada disso. São as garrafas de champanhe. Um bom negócio deve ser festejado.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

O MORDOMO | Não sei se a fita tem ponta por onde se pegue. E não costumo embandeirar em arco com o sucesso de compatriotas só pelo facto de terem nascido à nossa beira. Mas sei dizer que Rodrigo Leão é um compositor e pêras. Mesmo que o filme seja uma treta - o que acontece muitas vezes por aquelas bandas - a música que o anima só pode ser excelente. Aposto. Sobre isso não tenho dúvidas. Rodrigo Leão é um compositor extraordinário em qualquer parte do mundo. Orgulho nacional? Deixem-se disso. O trabalho é do músico, não de todos os portugueses. Música de excepção. Só isso, que já é muito.
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

OPINIÕES. DECISÕES E PANINHOS QUENTES | Esclarecimento: não me alegra a morte de nenhum ser vivo. Mais: durante os quatro dias de férias que passei na Costa Vicentina, salvei duas criaturas da morte: um grilo distraído que entrou por um supermercado adentro e uma espécie de escaravelho (lindíssimo, por sinal), que esperneava, desesperado, de patas para o ar, na areia da praia. Tenho testemunhas. Não costumo lançar foguetes, nem impropérios perante o anúncio de uma morte. Bem, há umas pulgas que se põem mesmo a jeito, mas aí estou como o Sérgio: eu matar não gosto muito/mas saudades é diferente/como matar pulgas/alivia a gente. A morte de um ser humano nunca deve ser motivo de comemoração. Mas também não alinho com a ideia da grande coragem, frontalidade ou simples expressão de ideias de gente que, ao expô-las, está a interferir na vida de todos nós. Essa ligeireza incomoda. A opinião de Passos Coelho sobre a Constituição, as ideias de Moedas, ou as corajosas atitudes de António Borges sobre como deve ser a política que gere as nossas vidas, não são meras opiniões - interferem mesmo nas nossas vidas. Não falamos de lana caprina. Falamos de gente que decide. A expressão de opiniões excede, muitas vezes, quando o opinador tem poder, o exercício da expressão democrática. Transforma-se em decisão. O que eu aqui digo vale o que vale. Ou seja: pouco. Mas é a minha forma de fazer política. Agora, as opiniões de Borges sobre o que deve ser a minha vida, ou as diatribes de Passos Coelho ameaçando o Tribunal Constitucional, perante a alegria de um pequeno grupo de jovens imbecis, tem a importância de ele ser primeiro-ministro de um país. Vão portanto ter opiniões bem longe. Ele e os jovens imbecis que o aplaudem.
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domingo, 1 de setembro de 2013

SETEMBRO | Gosto de setembro, apesar de tudo. Apesar da recordação de atentados e assassinatos. Gosto deste início. A temperatura recomenda ar livre, mas sem os exageros do incendiário agosto. Vamos voltar às coisas sérias. O ano de trabalho começa agora. Bom recomeço. 
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

GOVERNO PRECISA-SE | Há um governo que finge não haver Constituição. Há um governo que pressiona, pela voz do próprio primeiro-ministro, um Tribunal Constitucional que, perante a afronta, sente obrigação de declarar que não vai em cantigas. Há um governo que continua em funções apesar da evidente delinquência. Há um governo?!
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

VOU ATÉ ALI | ... e já venho.
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

AMIZADE E PASSADEIRAS VERMELHAS | Entende-se o pesar de Cavaco Silva pela morte de um seu colega, amigo e parceiro ideológico. Amigo é amigo. Mas não se entende o silêncio perante a morte que os incêndios estão a provocar, enlutando famílias e chocando-nos a todos. Para além de amigo dos seus pares, Cavaco Silva devia perceber que, para o bem e para o mal, desempenha outras funções que o obrigam a pronunciar-se e a actuar em todas as ocasiões que afectam ou distinguem portugueses. Cavaco Silva é Presidente da República. Ainda se lembra disso, senhor professor?
Ler notícia.
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domingo, 25 de agosto de 2013

Bom dia, Eduardo.
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sábado, 24 de agosto de 2013

TEATRO EM FESTA | O teatro interpreta a vida. Aperfeiçoa-a. A passagem do tempo é registada pela literatura. Pelo teatro. Ir ao teatro é fundamental para se perceber esse conflito. O teatro não faz sentido sem democracia. Nem que seja para lutar por ela. Setúbal vai estar com os palcos ao rubro. Vamos ao teatro. 
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A BEM DA NAÇÃO | Pires de Lima reflecte sobre a sua vida antes de ir para o governo. Tinha uma vida boa, diz. Mas não se lamenta. Destaca antes o espirito de missão. O homem anda a sofrer por nossa causa, mas não se importa nada com isso. É para nosso bem. Provavelmente quer que a gente lhe agradeça em coro. Estas luminárias não conseguem evitar o discurso manhoso. Não se enxergam. A música é sempre a mesma. Não têm vergonha de exibir a estafada cantoria do sofrimento a bem da Nação. Devem pensar que somos todos parvos. 
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PORTUGAL JÁ ESTÁ A ARDER | Morre vegetação, morre floresta, morrem animais. Mas, mais grave e insuportável, morre gente. Gente nova. Gente que faz falta. Gente que se dispõe a ser útil. Entretanto há quem não se importe de provocar a devastação. Provavelmente há quem se divirta com esta azáfama. Há seres humanos muito estranhos.
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NA RUA COM SARTORIALIST | Os bons ambientes urbanos.
Gente bonita no chão do mundo.
The Sartorialist
GENTE QUE SENTE | Cruzava-me com este senhor quase todos os dias, na Baixa de Lisboa. Às vezes a cadela saltava para o colo dele, e ali ficavam os dois à espera da generosidade dos passantes. Gostava de os ver. Eram os dois muito simpáticos.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

BESTAS NA ARENA | Passo pela televisão paga pelo erário público. Deparo com um deplorável espectáculo taurino. Parece que é a corrida TV. Está lá o inenarrável presidente da instituição e tudo. Um forcado cai por terra. Sai em maca. É aplaudido pelos aficcionados que estão na praça. Aquilo é festa de gente? Ok, já saí dali. Mas sinto-me envergonhado como pessoa. Deplorável. E fico por aqui. Não pretendo alimentar polémicas. Só discuto com seres humanos.
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FELICIDADE SAZONAL | O governo empolga-se com um crescimento que mais parece manutenção. A comunicação social televisiva colabora: a SIC vai buscar empresários de restaurantes que não se incomodam nada com o aumento do IVA. E há empresários hoteleiros em grande entusiasmo expansionista, vejam lá. Há exemplos de sucessos em barda. Este entusiasmo de plástico tenta fazer o impossível: esconder a situação dramática de milhares de portugueses. Empresários, empregados, desempregados, funcionários públicos, gente que trabalha e que não vê futuro para além do dia presente. A par da sua desairosa prestação, o governo porta-se como se não tivesse que dar satisfações a ninguém. Ninguém sabe o que vai para lá fazer Paulo Portas. Não se percebe como se vai articular com a ministra criada por Gepeto, já que foi por causa da senhora que Portas fez rebentar a recente crise. Isto não está a correr nada bem. E esta gente anda a brincar com isto tudo. 
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

TEATRO E ANIMAÇÃO | Carlos César fazia anos hoje, diz a Isabel Ganilho, no seu mural do facebook. A Isabel começou a trabalhar com ele logo nos primeiros tempos do TAS. Foi um mestre para aquela canalhada que queria saltar nos estrados. Conheci o César, a Isabel, o Buda, o Pompeu, o Nuno, a Mena, o António Piçarra, o João Carlos, a Manuela Couto, a Cristina Cavalinhos, o António Rosa, o Carlos Curto, o Asdrúbal, o João Victor, e o João Manuel no tempo em que este último me convidou para fazer a estética da peça O Juiz da Beira, de Gil Vicente. O juiz era o Carlos Rodrigues (Manel Bola), mas esse eu já conhecia de outras andanças. O César era, para além de actor e encenador, um animador irrequieto. Tudo fazia para que os seus projectos fossem recompensados. Viajei com ele algumas vezes de autocarro, de Setúbal para Lisboa. Conversávamos imenso. Nem sempre estávamos de acordo. Uma vez fomos de carro. Dei-lhe boleia. Ele ia para a Gulbenkian. Deixei-o na Avenida de Berna. Quando chegou disse-me: "és casmurro. A vida não é como a gente quer". Tal foi a discussão. Hoje continuo com a minha. Mas apetecia-me continuar a discussão com o César. Não pode ser. Muito obrigado por tudo: pela tua vida, que foi um grande teatro.
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DEUS ABENÇOE OS QUE NADA TÊM | Fernando Ruas distribui generosidade à porta das igrejas. Caridade cristã em acção. PS e CDS desconfiam da esmola. Ruas diz que sempre o fez e não tem explicações a dar. O ainda presidente da autarquia de Viseu limita-se a aplicar um estilo que é muito acarinhado pela direita. O PSD, que é tudo menos social-democrata, está minado de gente desta. Os seus líderes regionais portam-se como vulgares caciques salazarentos. E não têm vergonha de assumir atitudes que nada têm a ver com a democracia. Esta gente não presta. Ler notícia
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

CONFISSÃO | Confesso que estou sem pachorra nenhuma para o debate autárquico. Sempre que se aproximam rastreios deste calibre, lembro-me sempre de Manuel António Pina. Recordava ele que, quando lhe apareciam com um abaixo-assinado contra o fascismo, assinava logo. Perguntavam-lhe: mas... não lê? Não, respondia. Se leio já não assino. É o que me acontece com o que se está a passar na política em Portugal. Se me detenho em propostas, argumentos e apoiantes ridículos de candidatos que poderiam receber o meu apoio, tenho logo vontade de bazar daqui para fora. São tantos os dislates, as demonstrações de gosto duvidoso e as opiniões forçadas e sem sentido, que o apetite em apoiar fica próximo de ver as minhas tripas num prato. Mas as eleições existem. E ainda bem. Falaremos mais tarde.
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AOS LEGISLADORES DA TRETA | Por mor da actual lei, os partidos colocam os seus quadros autárquicos no tabuleiro do xadrez regional conforme a possibilidade que a tal lei lhes parece permitir. Todos sabemos o papelinho que isso tem sido. Não seria melhor deixarem os autarcas candidatarem-se nos seus locais de sempre até mijarem para as botas, em vez de andarem assim tipo saltimbancos de feira, de terra em terra, sujeitos a deliberações de tribunais que, pelo que parece, decidem conforme a cara do candidato? Ou uma coisa, ou outra. Assim não. Vejam lá isso. Ler notícia.
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OS TRAFULHAS | Há os cromos da direita troglodita que insistem em exercer e em fazer crescer o seu domínio. E depois há os cromos da direita, condenados e mesmo detidos que insistem em exercer o seu domínio procurando buracos na lei. Restam os tristes cromos que não desistem de apontar estes condenados como os autarcas insubstituíveis. São os modelos de fanfarrice. Há modelos que insistem sempre em desfilar na passerelle da trafulhice. Ler notícia.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

NO ATELIÊ | Mestre José Ruy esteve hoje no meu ateliê. Honra e privilégio. Veio trazer-me os originais que são a sua participação na exposição documental sobre a Culsete, que vai abrir dia 13 do próximo mês na Casa da Cultura, em Setúbal. Propus-lhe, assim como quem não quer a coisa, uma exposição do seu trabalho para o próximo ano na Casa. Concordou e delineou projecto. Então é assim: vamos mostrar a Peregrinação - a banda desenhada de josé Ruy que entusiasmou Fausto para o seu Por Este Rio Acima. Vamos ter exposição na Galeria e conversa Muito Cá de Casa.
A conversa de hoje foi também uma peregrinação. Uma viagem pelas artes gráficas desde a idade da pedra polida, como ele chama a um dos períodos em que começou a contar histórias desenhadas. Ficava ali a ouvi-lo o dia todo. Uma aula de mestre.
www.ddlx.pt
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Paulo Portas é um homem leal
Ângelo Correia
EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES | Eu também acho que o escorpião é um excelente animal doméstico.
A puta que os pariu. A todos.

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domingo, 18 de agosto de 2013

RESPONSABILIDADE E JUÍZO | Parece que Judite entrevistou um rapaz podre de rico e armou-se em defensora dos pobres e oprimidos. Parece que comunicou às revistas de ler e deitar fora que ia pedir o divórcio. É casada com o cromo que se candidata pela direita à Câmara de Lisboa. Não vi a entrevista. Não leio revistas de ler e deitar fora. Mas parece-me que tudo isto são assuntos de família que nada têm a ver com as pessoas. Assim de repente só espero que Judite continue muito feliz nos programas que eu não vejo. E que Seara viva as suas paixões fora da Câmara de Lisboa. O que temos nós a ver com a vida dos outros?
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

GRUNHOS EM FESTA | Esta criatura está perdida num discurso que encetou na festa do Pontal - o inenarrável festim de abertura da temporada política do seu partido. Uma coisa sem pés nem cabeça. A criatura não tem noção do enfado do seu discurso. Fala pelos cotovelos. Fala no bom caminho. Parece que está tudo bem. Grandes desempenhos e a certeza de que tem razão. Sabe para onde quer ir e como fazê-lo. Fala como se soubesse o que está a dizer. E ainda há quem o aplauda. Ainda há quem não se importe de aparecer atrás da criatura a fazer a habitual figura de urso. Em fundo, vindos do exterior do recinto, ouvem-se gritos de revolta. Esta conversa é de facto muito revoltante.
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OS BEM AMADOSAs eleições autárquicas são daqui a um bocadinho. Mas continua a telenovela "Quem pode ser candidato". Há coisas que não se entendem. Que lei é esta que permite esta pouca vergonha? Que guião é este que anima aberturas de jornais televisivos e estimula argumentos de concorrentes que mais parecem saídos de um qualquer concurso televisivo manhoso? A lei foi feita por gente crescida? É gente crescida que se envolve nesta argumentação politicamente imberbe? 
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SEMPRE FOI ASSIM | A coisa é explicada como se de uma economia doméstica se tratasse. É como nas nossas casas: se gastamos muito, não chega para pagar tudo, e chegamos ao fim do mês a ganir. O funcionamento do sistema é olvidado, por assim dizer. Os bancos estimularam grados empréstimos com vista a chorudos lucros. O Estado recorre ao senhor contribuinte sempre que a bolsa aperta. Os mercados comportam-se como malfeitores protegidos. A direita finge não entender que um país não é uma casa de pais, filhos e avós. Um país tem muitas famílias lá dentro. E uma família não se gere pelos princípios da economia de uma país: não tem um sugador serviço de finanças, nem contribuições para a segurança social. A proporção não existe. Chega de paralelismos aparvalhados. Para a direita a política serve para corrigir alguns atropelos dos poderosos. Manda quem paga. Obedece quem recebe. E deus protege os audazes, os que investem, os que correm riscos. Para esta gente a gente não conta. Há os ungidos pela graça do senhor, e há os outros, os desprotegidos que nunca se souberam governar. Eles, os protegidos, os escolhidos pelo divino, recorrem aos pagadores de sempre para resolverem as suas crises, mas isto é mesmo assim. Sempre foi assim. Aliás, para a direita a política é um assunto de família. Da família deles.
Tudo está a ser entregue aos muito grandes figurões que dominam o planeta. São esses que depois nos vão servir umas generosas migalhas. Contra este estado de coisas só existe uma solução: correr com a direita. A direita nunca fez avançar o mundo. Muito pelo contrário.
Não, não é tudo igual. Há diferenças substanciais. O discurso do inevitável é evitável. Nunca votei na direita, nunca votarei e espero sempre que os eleitores não façam o favor de premiar com o seu voto gente preocupada apenas com a sua performance.
Eleições são sempre alternativa. Esperança na mudança. É preciso votar na esquerda. Em massa. Sempre. Dizem muitos: ah, mas não sei quê, o Seguro é igual ao Passos. É? Então é porque também é de direita. E se assim for temos bom remédio. Manifestamo-nos contra e votamos em outra alternativa. Muitos de nós já o fazem há muito. O que faz falta agora é mandar Coelho, Portas, figurões e figurinhas que adoram microfones e câmaras de filmar para casa. É que qualquer dia não cabemos cá nós. É isso que eles estão a preparar. Esta crise foi criada para isso mesmo.
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COMUNICAÇÃO E COMÉDIAMaduro diz que os encontros com a imprensa a que o governo chamou briefings vão mudar logo que acabem as férias. Diz Maduro que é preciso evitar o ruído. Algo terá de mudar. Diz quem sabe que os briefings vão ser animados por profissionais de stand-up comedy. E o ministro da economia já garantiu a distribuição de "sumois" pelos brifados. Ah, também há os sábios. Brilhante. Comunicação, sabedoria e economia de mãos dadas. Assim é que é.
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

MADUROS E PODRES | Poiares Maduro diz que pressão sobre funcionários públicos seria inaceitável. Poiares, o papagaio no seu poleiro, diz o inaceitável. Estes maduros são inaceitáveis. Como é que vão despedir cem mil funcionários sem pressão? Os Poiares caem de maduros ao primeiro argumento manhoso. Manhosos.
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VIVA LA MUERTE | Para o inenarrável Mesquita Machado e seus rapazes. Sincera homenagem ao cónego das suas preferências. Deus abençoe os vossos actos. Que a eternidade vos forneça em dose reforçada o que tanto desejaram aos vossos inimigos. 
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O FASCISMO É UMA VÍBORA | A ligeireza de verão deu comigo espantado perante as exuberantes entretengas televisivas. Há locutores manhosos em barda. Cantorias ridículas. Anúncios de uma orgulhosa foleirice nacional. Concursos que levam ao rubro plateias de imbecis. Ainda há pouco andavam cobras à volta de umas raparigas que cantavam para anular o incómodo da presença dos répteis. Gente crescida assiste como se tudo isto fosse a coisa mais normal e divertida do mundo. O tempo de contemplação esvaiu-se rapidamente. Vim para as notícias online. Percebo então que o indescritível cónego Melo vai ter estátua na terra onde praticou as mais afamadas malfeitorias. Confesso que ainda pensei voltar para as cobras televisivas. Estamos no verão, ninguém leva a mal. E mal por mal, antes as víboras verdadeiras que a natureza nos reservou. Agora a sério: isto um dia ainda vai ser um lugar decente, não vai?
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Até logo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

OS VULTOS DO GOVERNAMENTAL PENSAMENTO | Eu pensava que um briefing era outra coisa. Afinal é uma vulgar conferência de imprensa. Ou então... não. Provavelmente Lomba e Poiares queriam dar instruções e encaminhar a comunicação. Agora cagou-lhes o cão no caminho e o tal de briefing acabou. Esta gente pensa em muita coisa. Mas pensa tão mal...
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A PODRIDÃO COMO ATITUDE | Primeiro foi Machete, dos agora negócios estrangeiros. Agora é o secretário de Estado demitido que fala nos podres da política. Estes apodrecidos negociantes falam da política como se falassem de um catecismo lá de casa. Foram educados no respeito pelas "coisas importantes". Quem tem poder tem o poder de estar acima das leis. Acontece que com a democracia tudo mudou, mas eles, inebriados pelo passado serôdio, não pensaram ainda nisso. Continuam convencidos de que está tudo na mesma. É a obsessão pela subserviência, pelo poder do "sempre foi assim". Esta gente não presta. Para nada. E Machete, não se pode ir embora? Ou mesmo todos.
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Secretário de Estado Joaquim Pais Jorge pediu a demissão
INGRATIDÃO | Ele bem queria servir a nação, com zelo e competência, mas não o deixaram. Oposição ingrata, é o que é.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

PINTAR A MANTA | O País aguarda as explicações prometidas sobre as "inconsistências problemáticas" insinuadas atabalhoadamente por Pedro Lomba. O primeiro-ministro está a par de tudo, disse também Lomba. A esta hora está Manta Rota num reboliço. 
E não se pode demiti-los, simplesmente?

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