sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ESTADO DO ORÇAMENTO | O proselitismo continua. A conversa é sempre a mesma. Vivemos acima das nossas possibilidades. Gaspar das Finanças assegura que assim é. Todos sabemos que os reformados, os desempregados, os empregados que ganham pouco mais de quinhentos euros (grande parte da população que trabalha), são uns consumidores compulsivos. Gastam que nem loucos os soberbos salários. É preciso evitar que essa gente gaste como se não houvesse amanhã. Temos que evitar que gastem à toa. Gaspar e Passos têm razão. Só há mesmo um caminho: empobrecê-los.
Entretanto continuam a ser nomeados por essa Europa fora tecnocratas para chefes de governo. Sintoma dos tempos que vivemos. A política volta dentro de momentos.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

JÁ NÃO HÁ CASAMENTOS, SÓ FUNERAIS | Não há governo europeu, seja de maioria absoluta ou simples, que não esteja à beira de dificuldades. O dr. Passos convenceu o povéu de que a culpa estava instalada em São Bento e que com ele tudo se resolveria com justiça e equidade. O senhor que lidera a oposição grega esteve atento à campanha do dr. Passos e adoptou-a. Governo de unidade nacional sim, mas sem o primeiro-ministro em exercício. Espanha vai ter o que não merece. Berlusconi fez as malas e não deixa saudades. O perigo espreita França. A política está a ser substituída pela tecnocracia. Corremos o risco de termos os governos europeus minados de gasparzinhos. Este sono profundo da política é perigoso. É preciso que acorde. É urgente.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

UM CLÁSSICO | Não vou recandidatar-me e sinto-me mesmo libertado, diz Berlusconi. A festa acabou a bordo. Quando o barco fica instável, os seres rastejantes são os primeiros a abandonar a embarcação. Mal por mal, antes assim.
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TOLERÂNCIAS | O respeito pelos ajustes das tolerâncias de ponto tem dias. Ou por outras palavras: tem zonas. Na Madeira continua a desbunda. Ninguém pára o progresso da região.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



O BAIRRO | O Bairro Alto, em Lisboa, é ponto de encontro e diversão para muita gente. Eu sinto-me lá bem. Almoço e janto com frequência por aquelas bandas. Os restaurantes de qualidade espreitam nas velhíssimas fachadas. O Fidalgo preenche-me os apetites. O Papa Açorda também, quando a bolsa se apresenta mais generosa. O Esperanza, o Caracol e mais um ou outro também fazem parte do rol. O Frágil continua de pedra e cal, e o NovaTertúlia permite convívio bem agradável. O Fado também lá mora e faz boa companhia. Recentemente, a Câmara Municipal resolveu encetar guerra aos horríveis grafites. O casario ficou muito mais composto. As ruas ficaram mais limpas. Quando tudo parecia estar no bom caminho, surge uma praga que ameaça a limpeza e a segurança dos frequentadores: as chamadas lojas de conveniência. Cerca de doze destas lojecas manhosas já conspurcam a paisagem do Bairro. Fornecem cervejas de litro, vinho barato, e outras bebidas espirituosas capazes de causar a grande bebedeira sem grandes custos. Os utensílios abandonados jazem no chão, ou voam por cima das cabeças quando as litradas já transbordam dos corpos. Depois, os alegres convivas invadem as instalações sanitárias dos bares e restaurantes que, por pagarem impostos mais salientes, têm de vender as bebidas a preços mais elevados. O horário destas inconvenientes lojas é livre. A Câmara Municipal já impôs um limite para o funcionamento: Encerramento à hora do comércio tradicional. Os inconvenientes "comerciantes" reagiram com uma providência cautelar. Agora está tudo como dantes. Um mercado sem qualidade existe em paralelo com outro que é exigente. Os verdadeiros comerciantes do Bairro Alto estão carregados de razão. Agora esperam que a Justiça actue. Entretanto, muita garrafa de vidro vai rolar por aquelas ruas. É mau. Muito mau.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011



PIMENTA NO TOPO DO BOLO | A decisão do governo grego não provoca espanto. Perante o descontentamento crescente, alguma coisa teria que se arranjar. O que é espantoso é como aguentou Papandreou tanto tempo. O ruído grego vai alastrar a todos os noticiários. E vai deter todas as preocupações. Esperemos que não abafe a desgraça anunciada no orçamento de Gaspar, Álvaro e Passos. Pimenta a mais no prato dos outros não desculpa o nosso prato vazio.
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terça-feira, 1 de novembro de 2011



NOVA TRAGÉDIA GREGA | O primeiro-ministro grego propõe ouvir o povo sobre as políticas a tomar. A Grécia está em cacos. A Europa insiste em medidas banais sem vislumbre de resultados. A confusão está instalada. A Europa não consegue moderar a crise. Uma tragédia que tem na Grécia uma representação permanente. A tragédia grega é a tragédia europeia. Há mais países à espera de entrar em cena. Podemos pôr a barbas de molho.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PARA ACABAR DE VEZ COM O CRESCIMENTO ECONÓMICO
O Álvaro de Vancouver diz que as suas propostas foram aceites pelos negociadores que se disponibilizaram para falar com ele. Depois é ver todos os tais negociadores multiplicarem-se em declarações que desmentem o génio de Vancouver. A aceitação das propostas não é foguete daquela festa. A farsa está a atingir os limites do suportável. Esta gente é ridícula e perigosa. Uns trastes.
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domingo, 30 de outubro de 2011



ESTE PAÍS NÃO É PARA JOVENS | O dr. Passos já leu a sentença: o empobrecimento é inevitável. Triste terra esta, em que o primeiro-ministro se limita a anunciar a desgraça. Mas agora temos um secretário de Estado que apresenta soluções: emigrai, povos, emigrai. A Pátria já não vos suporta. Esta gente é do pior.
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sábado, 29 de outubro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011



CRISE | Uns trabalham que nem escravos, outros anunciam que preferem folgar:
Cavaco recusa comentar Cimeira e diz que pretende
"ir descansar um pouco"
Jornal de Negócios
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011



NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR | Leio em rodapé, num canal televisivo, que Portugal deve estar preparado para medidas adicionais de austeridade. Não percebi quem as reclama. Não entendo quem as defende. Sei que há limites, como dizia o outro.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SENTIDO ÚNICO | O dr. Passos decreta que não há outro caminho. Banqueiros, economistas avençados e comentadores de serviço papagueiam a mesma lengalenga. Uma dúvida me assalta: será que acreditam mesmo no que dizem, ou pensam que somos todos parvos? Salazar acumulava estas duas interpretações e, durante quarenta e tal anos, a coisa não lhe correu nada mal. Esperemos não ter que aturar durante tanto tempo o irritante e fruste convencimento do dr. Passos. Livra!
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011



RECEITUÁRIO | À venda nas melhores livrarias. E talvez nas assim-assim.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ORÇAMENTO ESCAVACADO | Cavaco discorda do Orçamento de Estado. A coisa deu em alarido nos comentários televisivos. Pudera, não é todos os dias que é aclamado um opositor ao Governo neo-liberal. Há uma cantilena partilhada pelos comentadores situacionistas: "este é o caminho a seguir, não há volta dar". Afinal parece que há outros cânticos. E uma das vozes discordantes vem de dentro da sacristia.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RECEITUÁRIO | A ler. Sem paixões ideológicas, nem complexos. O texto é de Pedro Lains e está no Jornal de Negócios.
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

A DIREITA A QUE ISTO CHEGOU | Dizem-me que, no outro dia, o dr. Passos falou e andou. Dizem-me que o ministro monocórdico fala pelos cotovelos nas televisões. E dizem-me ainda que um dia destes é a vez do Álvaro de Vancouver dar seca. Não os ouço. Já sabia antes das eleições ao que vinham. A direita é assim. Corta sem piedade para depois exibir a caridadezinha. Só me causa admiração haver quem esteja admirado. E claro que me indigna levarmos todos pela mesma tabela.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

VULGARIDADES E RESPONSABILIDADES | O dr. Passos não encontrou surpresas nenhumas nas contas do Estado. Quando bramia aquelas balelas ocas contra os aumentos dos impostos, sabia bem o que o esperava e o que ia fazer mal chegasse a São Bento. Acredito que Álvaro de Vancouver estivesse no escuro. Daí as atoardas e as inabilidades gritantes. E também acredito que Gasparzinho das Finanças creia nas continhas que vai fazendo à nossa vida, e que as forneça como se não houvesse nada mais a fazer. Mas Passos sempre foi como todos os videirinhos engendrados nas jotas. Um carreirista que fura até chegar ao lugar cobiçado. Um dia destes vi num escaparate um livro que nos tentava seduzir com o seguinte título: Passos Coelho, Um Homem Invulgar. A autora é uma conhecida jornalista de cordel. É claro que não tenciono nem folhear o desgraçado do livro, mas pergunto: o homem será invulgar em quê? Na forma como dá o dito por não dito? Nas desculpas com que nos tenta lançar poeira para os óculos? Nas medidas que anuncia como governante? Nada há de mais vulgar. E o resultado vai ser a mais vulgar das desgraças.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SAÚDE SEM SERVIÇO | A minha amiga Conceição Antunes, conhecimento concretizado através do Facebook, forneceu-me este desabafo. Claro que ficou perturbada com a recepção que teve no hospital. E claro que eu não quis deixar de partilhar aqui essa perturbação que alude à valorosa prestação do senhor doutor que a atendeu:
Eu tenho Fibromialgia e gostava de ser respeitada pela classe médica. O que infelizmente não acontece. Em Julho tive de dar entrada nos serviços de urgência no hospital de Guimarães. O médico de ortopedia, que não me examinou, simplesmente disse que eu era mimalha pois tinha doença de capa de revista. Isto anos depois da divulgação e confirmação desta doença.
Lamentável, digo eu.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ATÉ AMANHÃ CAMARADAS | Não sei se já repararam que quem ganhou as eleições na Madeira foi a AD. PPD/PSD e CDS/PP formam uma maioria de respeito. Essa é que é essa. O que se vai passar lá na ilha não destoa do panorama nacional. As manifestações divergentes entre parceiros não são para levar a sério. Vejam lá se aquele rapaz que era locutor na televisão lá da terra e que um dia acordou e resolveu dedicar-se à política não se pôs já ao fresco. Aturar o malcriado do Alberto João?! Era o que faltava. Está-se tão bem nas cadeiras de São Bento.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011



PREMIADOS | Dia de festa. Três amigos meus ganham prémio literário. Pedro Rosa Mendes recebe, na categoria Narrativa, com o romance Peregrinação de Enmanuel Jhesus, o Prémio PEN Clube 2010. André Gago vence, com o romance Rio Homem, o prémio da mesma casa, mas na categoria de Primeira Obra. E Jaime Rocha arrecadou o Prémio Poesia, com Necrophilia.
Li todos estes livros e garanto que o júri está carregadinho de razão.
Parabéns ao Pedro, ao André e ao Jaime.
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Ninguém está mais irremediavelmente escravizado do que aqueles que vivem na ilusão de serem livres
Via arrastão

segunda-feira, 10 de outubro de 2011



A BANCA DO POVO | Assisti a uma entrevista a Durão Barroso, em que o líder europeu falava em triliões de euros para ilustrar o fornecimento garantido aos bancos da comunidade. Mais adiante confirmava que essa bagalhoça toda anda a sair do bolso dos contribuintes, como é natural. E mais adiante ainda revelava, com entusiasmo, estar convicto de que o euro sairá mais forte depois desta crise. Tudo isto foi dito em ambiente descontraído, sem constrangimentos. Veremos o que acontecerá quando os bananas dos contribuintes se recusarem a fornecer os fundos tão almejados por banqueiros e dirigentes políticos das causas financeiras.
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domingo, 9 de outubro de 2011

COM AS CALÇAS DO MEU PAI, SOU EU UM HOMEM | Têm muita graça os comentadores que concluem que, apesar de tudo, há obra de Jardim na Madeira. Mas então a dívida não conta? Uma criatura que gasta como um delinquente, mentindo e tornando constrangedora até mais não a política na ilha, merece elogios por que carga de água?
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sábado, 8 de outubro de 2011



STEVE JOBS | Homenagem.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011



STEVE JOBS
| Há coisas assim. A morte de Steve Jobs tem a dimensão de uma grande perda para quem convive com as criações que apresentou ao mundo. Há mais de vinte anos que utilizo os seus magníficos objectos. De tal forma que não sei como viveria sem eles. Senti esta morte como a de alguém muito chegado. Alguém a quem pergunto o que não sei. Apresentava as novas criações da Aplle de uma maneira única. Ficávamos acordados para assistir às suas performances sempre surpreendentes. Partilhou connosco utensílios extraordinários de trabalho, comunicação e lazer. Disse um dia que a morte é a maior invenção da vida. De facto, a renovação é necessária. A evolução sobrevive-nos. É normal. Ainda bem que assim é, disse. Mas este fim parece ter qualquer coisa de diferente. Claro que todos os fins são assim. Fim é fim. Mas poucas vezes sentimos este vazio tão definitivo. Nunca mais vamos poder perguntar-lhe o que não sabemos. E o que ele sabia e tinha para dar.
Escrevo este reconhecimento no meu MacBook. O iPhone, hoje, tem estado muito calado. Parece um luto.
Muito obrigado, senhor Steve Jobs. Foi uma honra tê-lo conhecido.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011



STEVE JOBS | Este homem marcou o nosso tempo. Existe um mundo que foi criado por ele. Um génio que desaparece.
Muito obrigado, Steve.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SEPARADOS À NASCENÇA | Mário Nogueira e Alberto João Jardim estiveram de mãos dadas na inauguração de uma sede da famosa Fenprof no Funchal. Jardim assumiu-se contra a avaliação dos professores. Mário Nogueira balbuciou umas patranhas sobre independência sindical. Fica-lhes tão bem, este cinismo.
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MUDAM-SE OS TEMPOS | Cavaco diz que acabaram as ilusões. Provavelmente fala do tempo em que as torneiras europeias jorravam para refrescar os seus ilusórios governos. Mudam-se os tempos...
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terça-feira, 4 de outubro de 2011


DIAS QUE CORREM
| Outra coisa boa para além do sorriso das vacas: as crónicas de Manuel António Pina. Bem sei que não analisam o bom comportamento bovino. Muito pelo contrário: Convidam-nos a sair da manada. Ler aqui.
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DIAS QUE CORREM | A Grécia patina. A Madeira também, mas isso não interessa nada. O conivente silêncio dos apoiantes do soba tudo permite. O que interessa é que as vacas continuam a sorrir. E que bonito sorriso elas exibem. Que lindo que tudo isto é.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

DIAS QUE CORREM | Jardim continua tenaz e confiante na sua conquista de mais uma autorização popular para lixar a Madeira. Jardim orgulha-se do que fez. Sem arrependimentos. O povo vai autorizá-lo a continuar. São as perversões da Democracia.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011



SABORES DE OUTONO | Fotografias concebidas para um livro com o título que esta exposição recupera. A publicação integra receitas culinárias da autoria de Mercês Araújo. Impossibilidades várias têm adiado a edição. Ficam para já as imagens. E ficam assim como uma espécie de homenagem a Mercês Araújo, grastrónoma, viajante e mulher de muita coragem. Quem a conhece sabe do que falo. Quem não conhece terá que aguardar pelo livro. A festa é hoje a partir das sete horas da tarde.
DDLX | Design | Comunicação | Lisboa
Rua do Carmo, 31, 5º D. Baixa-Chiado. Lisboa


RECEITUÁRIO | Clique na imagem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011



RECEITUÁRIO | Tem início hoje. Termina em finais de Novembro.
A programação é excelente. Está aqui.
Até lá.

terça-feira, 27 de setembro de 2011



RECEITUÁRIO | Clique na imagem.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011



DESÍGNIOS | Este senhor é fantástico. Um grande vulto do pensamento cristão. Que grande contributo para a compreensão da realidade. Mistura tudo no mesmo saco. Diz ele que "ninguém sai da política com as mãos limpas", e que, por isso mesmo, "a Igreja não deve praticar política directa". É melhor que assim seja. É que onde a Igreja se tem metido, nem sempre tem saído com as mãos imaculadas. E nem estou a falar das mais conhecidas práticas pedófilas e outros abusos de cariz sexual praticados pelos seus acólitos profissionais.
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DEAMBULATÓRIO | A circulação de opiniões continua a ser livre. Mas há quem ache que agora as coisas estão tão bem encaminhadas que os outros, os que não acham bem isso, se deveriam calar. O Tomás Vasques, no Hoje há conquilhas, aborda a coisa e esclarece ao que anda. O José Simões, no Der Terrorist, fala de quem cala para consentir. E eu estou aqui a puxar para o lado deles, dos que não se querem calar. Feitios.

domingo, 25 de setembro de 2011



QUE DIREMOS? | Nos últimos dias pus-me a ler poesia. Reli este poema que Sophia escreveu em outros tempos e confirmei que há coisas que não mudam. A grande poesia acerta muitas vezes.

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?

Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

Sophia de Mello Breyner
Fotografia de Eduardo Gageiro
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sábado, 24 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O SORRISO DO PRESIDENTE | "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante". Há por aí quem muito se amofine com esta declaração presidencial proferida nos Açores. Não entendo a indignação. Todos sabemos que Cavaco Silva é um excelente fazedor de imagens. A metáfora está em constante ebulição na literária cabeça do Presidente. É claro que as declarações nos Açores são uma premonição para os bons dias que já se avizinham. As vacas somos nós, sorrindo ao futuro que a prestimosa governação nos garantirá. Um verdejante pasto espera-nos. Ah pois, queriam o quê?! Bife?
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TRIBUNAL MENOR | Cá para mim andam a tratar-nos como se tivéssemos todos três anos. Oliveira e Costa e Dias Loureiro foram absolvidos dos crimes de gestão danosa por um tribunal vocacionado para julgar quem anda à paulada e a dar milho estragado aos pombos no Largo Camões. Provavelmente os juízes perguntaram: os meninos bateram em alguém? Ao que o petiz Loureiro retorquiu: nem pensar, senhor doutor juíz. Só estávamos a brincar às mercearias, e este menino pôs duas pedrinhas a mais no bolso. Muito bem, responde o jurista, para a próxima dividam as pedrinhas como irmãos. Mas, senhor doutor juíz, não pode ser metade-metade? Pergunta o menino Costa. Aí, o homem de leis desconfiou e mandou investigar os locais onde os meninos Costa e Loureiro escondiam as pedrinhas lá no quarto. Quem disse que a Justiça não funciona?
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JÚLIO RESENDE
| Homenagem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011



JÚLIO RESENDE | Homenagem.


JÚLIO RESENDE | Dizer que foi um dos grandes pintores portugueses é pouco. Foi um grande pintor do mundo. Um cidadão que compreendeu bem o seu tempo. Deixa obra e exemplo. Muito obrigado, mestre Júlio.
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PÚBLICOS FINANCIAMENTOS | Alberto João Jardim vai, muito provavelmente, ganhar de novo as eleições. A máquina está muito bem montada e oleada e não permite mijas fora do penico. Mas aconteça o que acontecer, ganhe o soba com maioria absoluta ou fique no patamar imediatamente abaixo, as coisas nunca mais serão como até aqui. Agora está toda a gente de olho nos caciques apalhaçados que "governaram democraticamente" a ilha. Jardim vai arrastar-se por mais um mandato sem chama nem fundos para fazer a tão apregoada e dispendiosa "obra". O bailinho alastrou aos estrados do comentário televisivo. Ligamos o aparelho e parece que entrámos num clássico táxi lisboeta. Afinal são todos iguais. Todos roubam. Uma imensidão de delinquentes. Comentadores alaranjados que ainda não têm vergonha na cara por defenderem o seu comparsa, falam em injustiça para com tão brilhante e longa carreira política. A longevidade é um posto, mesmo quando é o banditismo a ditar atitudes. E o cimento é obra de monta. É de facto uma injustiça, esta impunidade que assiste ao soba do rochedo.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011



CANTO DA BABILÓNIA | Pedro Osório fez esta música. Integra um trabalho a que chamou Cantos da Babilónia. Diz que Pedro Osório está muito doente. Esta divulgação é para lhe dar força. Mas sem favores. É que a música é mesmo muito bonita.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

OS CAMALEÕES NÃO VIAJAM EM ECONÓMICA | O que se está a passar com as contas da Madeira começa a raiar a demência. Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comício da TVI, faz um esforço danado para justificar as trafulhices de Alberto João Jardim. As declarações do deputado madeirense Guilherme Silva são de bradar aos céus. As investidas eleitoralistas do soba do Funchal inscrevem-se em registo de banditismo simples e aproximam-se de diagnóstico clínico a necessitar de intervenção imediata. Isto não é política. É delinquência pura. Não será matéria a ser tratada pelo Ministério Público?!
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domingo, 18 de setembro de 2011



PRÉMIO | Cristina Rodriguez e Artur Guerra receberam o prémio de Literatura Casa da América Latina/BANIF 2001. O motivo da distinção foi a tradução que fizeram do excelente romance "2666" de Bolaño, noticiava ontem o Expresso. Prémio merecido. Parabéns aos meus amigos Cristina e Artur.
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sábado, 17 de setembro de 2011

IRREGULARIDADES GRAVES | Passos Coelho teve que se pronunciar sobre a coisa à saída do encontro com a criaturinha que governa França. A situação atingiu contornos internacionais. Agora não há volta a dar. O dr. Passos diz que a situação madeirense é irregularidade grave sem compreensão. E adianta que já está a tomar medidas para que nada de semelhante aconteça no futuro. No futuro, dr. Passos? Mas olhe que o passado ainda nos cai cima.
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EXTINÇÕES| A Cinemateca vai ser extinta. Francisco José Viegas, assistido pela razoabilidade, diz que isto é ridículo. Será que vamos assistir à primeira demissão no Governo do dr. Passos?
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

BURACÃO | O buraco nas contas da Madeira é inexplicável. Tudo leva a crer que vamos todos ter de pagar a loucura gastadora de Alberto João Jardim. O "desenvolvimento" que implementou na ilha vai custar-nos os olhos da cara. O que faltará para que esta criatura seja julgada como vulgar delinquente?
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RICHARD HAMILTON | Homenagem.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011



RECEITUÁRIO | Esta exposição é um divertimento. Um urso e um coelho que são uma espécie de heróis para adultos que fingem ser putos. O que a gente se diverte na observação das tropelias dos dois bichos. Bem, mas eu não digo mais nada. João Paulo Cotrim, em texto a propósito da coisa, diz a linhas tantas: Levantam questões acerca da cultura popular, da cultura visual, do gosto e do desgosto, dos modos como vemos e damos a ver. E conversamos ou silenciamos cada um desses assuntos. Se nasceram do percurso quotidiano e diarístico de Manuel San Payo, pouco demorou a pularem nas redes, transfigurando-se em criaturas sociais, figuras públicas. Para cada situação, por cada peripécia, os rostos e respectivas expressões oferecem-nos conforto e explicação. Os nossos dias são doravante animais. E estão por todo o lado. É isto mesmo que aquilo é. Apareçam na Monumental. É de ver e olhar mais. Inaugurou hoje pela tardinha. E vai ficar por lá até ao fim de Outubro.
Bunny&Bear

Manuel San-Payo | Galeria Monumental | Campo Mártires da Pátria, 101, Lisboa
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RICHARD HAMILTON | Homenagem.

RECEITUÁRIO | clique na imagem para a ampliar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011



RICHARD HAMILTON | A Pop Art foi a sua pele. Ilustrou o vulgar pulsar dos dias das pessoas pegando nos ambientes que lhes eram próximos. Transformou circunstâncias banais em Arte. Foi um grande artista. Dizem que morreu. Obrigado, Richard.
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CORDIALIDADE | Não é inesperada a cordialidade que anima Nogueira e Coelho. Concordo completamente com o Tomás Vasques, no Hoje há conquilhas.

terça-feira, 13 de setembro de 2011



ISTO NÃO É UMA ESTREIA | "Deputado confessa fraude nas presidenciais de 1980", diz hoje o Diário de notícias. Um responsável do PSD/Madeira vem agora denunciar trafulhices passadas em que participou. Mas onde é que está o espanto? Este filme não passa em sessões contínuas nas salas de Jardim?
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FALTAS DE VERGONHA | Faço minhas as palavras do Eduardo Pitta e do José Simões. A pouca vergonha está na moda.
E recomenda-se.
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domingo, 11 de setembro de 2011



SETEMBRO 11 | Chegamos ao dia da definitiva notícia. O terrorismo matou. Não é atitude tresloucada. Não é doença do foro psiquiátrico. É acção fanática que não olha a meios. O fim é eliminar. O terrorismo é político, religioso e mais o que os terroristas quiserem. Não tem regras. Tem objectivos: aterrorizar e destruir. Não há terrorismos bons. Não vale a pena encontrarmos grandes causas nos intentos apregoados. O desprezo pela vida humana que manifesta não merece compreensão.
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sábado, 10 de setembro de 2011



SETEMBRO 10 | Foram dias tranquilos, os que se seguiram ao atentado. A viagem de regresso estava marcada para o dia em que tudo aconteceu. A coisa deu-se numa terça-feira. Como o embarque só se poderia efectuar no domingo seguinte, aconteceram várias oportunidades de visita. Novos ambientes surgiram no rol. Na estranha tranquilidade que banhou a cidade, os dias dos seus frequentadores voltou à normalidade. Normalidade sempre interrompida por um mais intenso gemer de sirenes. Por um ou outro sobressalto: sempre que um avião roncava nos ares, todos levantavam a cabeça em curiosidade assustada. Tranquilidade assustada, portanto.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SETEMBRO 9 | Nova Iorque voltou a um estranho ritmo logo após o atentado. Uma estranha calma aliava-se ao habitual ruído. A cidade que nunca dorme ficou unida na dor. As vigilias em homenagem às vitimas sucederam-se. O Central Park parecia um templo de uma religião sem deus. Ou então, um deus generoso resolveu abraçar o seu rebanho unindo-o em convívios solidários. Houve gestos bonitos. Como o do rapaz muçulmano que abraçava emocionado a sua namorada nada ortodoxa. Em Manhattan a tolerância chama-se cosmopolitismo. E não está nada mal chamado.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011



SETEMBRO 8 | Os dias em Nova Iorque, para quem visita a cidade pela primeira vez, são ditados pelo fervor das ruas. Qualquer programa é alterado pelo deambular. Podemos ficar surpreendidos por um simples artista de rua, que naquele lugar atinge contornos de grande artista. Escorremos pela cidade submersos em curiosidade. Em Casa do senhor Frick, tentamos perceber como nasceu Manhattan. Escutando a música que transpira dos poros da cidade, percebemos as origens da sua fortuna musical. Compreendemos a história da grande maçã olhando quem nos rodeia nas ruas. Entendemos a razão de cabermos cá todos. Mas não dá para entender o que aconteceu em 11 de Setembro de 2011.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SETEMBRO 7 | A muito posterior eliminação fisica de Bin Laden, ordenada por Obama e lamentada por pacifistas de meia tigela, acometidos por súbita generosidade justiceira a favor de um criminoso que não hesitou em matar sem generosidade de qualquer ordem, pôs um ponto final num capítulo da história. The end, proclamou Obama, como se o jogo tivesse terminado. Não havia razão para tanto e ele sabia-o. Mas ganhou pontos a Bush, que está mesmo no fim da tabela. Bush não acertou uma.

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terça-feira, 6 de setembro de 2011



SETEMBRO 6 | Em acontecimentos de tamanha gravidade, todos os primeiros comentários de rua são frágeis. Mas são opiniões surgidas a quente, em cima da tragédia, e têm a importância de registar a memória dessa circunstância. Nas ruas de Manhattan assisti às mais variadas análises políticas e sociológicas. Ouvi quem atribuísse de imediato a culpa à emigração. Outros falavam em zanga de deus. Houve ainda quem falasse em acidente: é impossível alguém matar assim tanto inocente, diziam. A maioria acreditava tratar-se de acção terrorista. Muita gente chorava, simplesmente. Eu decretei: isto é uma guerra. Parece que me enganei. Mas não muito.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ESTUDOS INFERIORES | A algazarra que por aí anda por causa de uma dita universidade de verão que abriu portas ali para os lados de Castelo de Vide. Ele é Soares, ele é Barreto, ele é Graça-Moura. Até um fulano que dizem ser primeiro-ministro por lá andou a dizer vulgaridades. Tanta gente crescida a brincar aos professores universitários. E a comunicação social a pagar as propinas. Mas aquela porcaria interessa a quem? Tenham tento.
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SETEMBRO 5 | O que aconteceu em Nova Iorque foi uma luta religiosa. Deus dita comportamentos e acções. Está em todo o lado, dizem. O poderoso Alá, protector de Bin Laden, levou a melhor nesta luta. Um deus aviador que eliminou edifícios e gentes. A exibição aérea foi festejada nas ruas do outro lado entre femininos gritos linguarudos e masculinos disparos para o ar. Na 5ª Avenida, vi uma rapariga agarrada ao telefone em tremuras e desespero. O namorado já tinha entrado no escritório situado na primeira torre atingida. Choro convulsivo. Perceber a morte quando a paixão incendeia é coisa de um outro mundo. Nisto, cai a segunda torre na mira de outro tresloucado aeroplano. Era cedo. Deus dormia, pelos vistos. Demorou a perceber o que estava a acontecer. Tal como Bush, que andou desvairado sem saber que atitude tomar. Entretanto morreu muita gente. Quando os deuses se zangam quem se lixa é a gente.
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domingo, 4 de setembro de 2011



SETEMBRO 4 | Salvador Allende foi eleito Presidente do Chile em 1970. A presença de um socialista no palácio de La Moneda não agradou aos habituais detentores do poder. Pinochet, homem do regime, traiu sem complexos. Golpe sujo e violento matou Allende. Combateu até ao fim. Disseram então que o presidente eleito era um resistente romântico que acreditava numa sociedade mais justa instalada pelas vias tradicionais. Acontece que o homem acreditava na democracia. Pinochet acreditava exactamente no seu contrário. Só a justiça dos donos do mundo lhe dizia alguma coisa. As famílias chilenas responsáveis pela miséria do país agradeceram-lhe eternamente. O neoliberalismo rejubilou. Um dia destes, viajando por blogues, deparei com elogios ao general ditador. Passado tanto tempo e depois de tanto debate esclarecedor, ainda há quem defenda um criminoso que não olhou a meios para aniquilar adversários. Repugnante. É por isso que é preciso recordar. Nos tempos que correm, é bom não esquecer.
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sábado, 3 de setembro de 2011



SETEMBRO 3 | Viajei para Nova Iorque com o fito de conhecer a cidade que não dorme. As imagens e todos os envolvimentos que fitas e páginas escritas nos fornecem, despertam curiosidade. A primeira impressão que se tem daquela terra condiz com a batida premissa: a cidade não dorme porque existem vários mundos por ali. A cidade mais imagética do planeta não só não dorme, como está permanentemente com os sentidos em riste. Há sempre gente acordada. Gente de todo o lado que é dali também. O descabido insulto "vai para a tua terra" torna-se ali ainda mais descabido. Em Nova Iorque todos nos sentimos novaiorquinos. Fomos todos novaiorquinos, no dia 11 de setembro.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011



SETEMBRO 2 | Regressamos à vida activa em setembro. Se calhar é por isso que o desprezo pela vida se manifesta particularmente neste mês. Já tínhamos a memória do 11 de setembro de 1973, no Chile, em que o presidente socialista Allende foi derrotado pela força do ditador criminoso Pinochet. Em 2001 foi uma luta religiosa que tirou a vida a milhares de pessoas em Nova Iorque. Num ápice, recorrendo a arma eficaz, um grupo de hábeis guerreiros islâmicos deitou por terra empresas, instituições e gente. Muita gente. Acabaram em segundos vidas e sonhos. Todos conhecemos a triste história. Conheci-a de perto. Passeava na 5ª avenida quando os aviões alteraram a paisagem de Manhattan. O mundo mudou muito desde então. E não foi para melhor.
Imagem: fotografia tirada do Empire State Building, no dia anterior aos atentados.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011



SETEMBRO 1 | Setembro é um mês bom. As férias foram ontem. Temperaturas pouco agressivas criam agradáveis ambientes. Começam também a surgir as primeiras responsabilidades profissionais do ano. Sim, o ano começa agora - os comboios humanos saltitantes alegrados com canções brasileiras foleiras, que movem milhões nas festas de final de ano, não passam de festa de calendário.
Gosto de setembro. Gosto deste princípio. Apesar da crise.
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