O facilitador de negócios que é primeiro-ministro está encantado com o ministério público. Caso encerrado, diz ele ilustrado pela falta de vergonha. O povo quer vigaristas no poder e quem aplica as leis protege-os. A desfaçatez faz o seu caminho. Tudo como no tempo do almejado ditador tão apreciado pelo parceiro líder do partido evangélico-fascista. "A velha história ainda mal começa, agora está voltando ao que era dantes", cantou José Afonso. Tudo está bem quando acaba em bem. Para eles é um regalo. Um raio que os parta a todos.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Estes lustrosos pernósticos querem acabar com tudo o que é apoio público para depois brincarem à caridadezinha. Os lustrosos ajustadores neoliberais fazem tudo para justificar o fim de apoios públicos justos. Esforçam-se tanto que às vezes lhes resvala a boca para a verdade ideológica.
O ministro que se diz da educação veio agora lamentar o uso que os alunos mais pobres fazem das instalações que generosamente o governo lhes concede. O governo bem se esforça, dá para aí residências universitárias à farta, com tudo do bom e do melhor, mas esses pobres necessitados não dão valor a nada. Estragam sempre tudo. São uns mal agradecidos. A criatura disse o que disse e foi aplaudido. As declarações passaram nos jornais televisivos.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Regresso ao passado
domingo, 14 de dezembro de 2025
É o cosmopolitismo, estúpido
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.
Fernando Pessoa Textos de Crítica e de Intervenção
Acordava, olhava, percebia e escrevia. O que escreveu esclarece e forma. A Língua Portuguesa sofisticou-se. Fernando Pessoa tornou-a sua pátria. O contexto em que escreveu "Minha pátria é a língua portuguesa" foi de grande desilusão com o mundo. O homem que parecia perceber tudo, não percebia — ou fingia que não percebia — o seu tempo em sociedade. "Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo, ou menos certo?", escreveu com a caneta de Álvaro de Campos. Também o provincianismo o incomodava. A falta de curiosidade dos seus contemporâneos em tudo o que existia para além do horizonte percetível incomodava-o. Há quem queira ficar apenas no seu território. Orgulhosamente sós, como desejava a tal criatura que o parolo que lidera os novos fascistas na Assembleia da República escolheu para sua referência de ajustamento.
Atrevo-me a não concordar com Pessoa, e, parafraseando-o, desminto-o: A minha pátria é o chão do mundo. É aí que me sinto acompanhado, perto de todas as línguas, trajes e sabores que o mundo solidário abraça. O provincianismo, o bairrismo amiguista, o nacionalismo cruel não são rapé da minha caixa. José Afonso, outro descontente com essa serôdia ideia de provincianismo, escreveu para uma música: "Há quem viva sem dar por nada, há quem morra sem tal saber". Tal como o doido que não sabe que é doido, o provinciano não sabe que o melhor da sua terra não são as estradas que vão lá dar, mas sim todos os caminhos que de lá saem e, dando a conhecer o melhor da sua terra, procuram o melhor nos outros lugares onde a autenticidade cultural foi desenvolvida pelos que lá estão. Os outros não são inimigos; são diferentes e assim devem continuar a ser quando convivem com os outros, que para eles somos nós. Nós somos sempre diferentes dos que estão no lugar onde fomos parar. E é nessa diferença que somos todos iguais. É esse cosmopolitismo que nos une e permite a diversidade. É nesse território que me situo e me sinto bem. É aí que escolhi estar. E é onde estou.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
O ideal é debatermos ideias
Design de comunicação
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Inexpressivo és tu, e governas-te
Somos governados por gente sem qualidades: culturalmente indocumentados, parolos, ignorantes mesmo, que apenas querem cumprir a agenda da extrema-direita que anda a saltar dos buracos imundos onde se escondia em todo o mundo. O governo português está a alinhar com afinco e entusiasmo com os novos fascistas. É facto.
Mas existe o outro lado da moeda. Há sempre alguém que diz não ao atropelo que o retrocesso impõe. Os argumentos de Amaro e Montenegro para desvalorizarem a Greve Geral são básicos e indecorosos, no mínimo. O combate tem de ser contra a AD, a IL e o partido salazarista. E não, não somos poucos. Somos muitos e não temos paciência para aturar parolos iletrados que se exprimem como vulgares tatibitates. Somos muitos, seremos muitos mais e não vos daremos descanso. Feitios.
Facebookquarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Identificação de um direito
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Clara Pinto Correia
Design de comunicação
Da série Grandes Capas. The Economist. The New Republic. The New Yorker. Página 12.
Imagens obtidas em: https://derterrorist.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele
Martin Parr
| www.martinparrfoundation.org/ |
domingo, 7 de dezembro de 2025
Foi bonita a festa, pá
Sim, eu sei que já não há paciência para este abuso de utilização da frase de Chico Buarque por tudo e mais um par de patins. Mas é que a Festa da Ilustração - Setúbal, foi mesmo bonita, e usar o Chico faz sentido porque foi uma festa da liberdade e da democracia. Estamos todos de parabéns: autores das ideias, organizadores, produtores, público visitante e (por último os principais) artistas ilustradores.
sábado, 6 de dezembro de 2025
Frank Gehry
Morreu Frank Gehry. Não era o meu arquitecto de eleição. Era um dos meus arquitectos de eleição. Segui o seu trabalho pelo mundo. A maior parte das vezes em revistas da especialidade. Sou consumidor.
Mas quando terminou a construção do Museu Guggenheim, em Bilbao, fui mesmo lá passado um mês da abertura, com um grupo de amigos e amigas, arrastados pela curiosidade de percebermos como funcionava aquele edifício tão estranho. A estranheza do seu trabalho provoca-nos essa curiosidade. Estranheza que se entranha. Materiais diferentes, aparentemente pouco nobres, transformam-se pelo seu desenho em sofisticados objectos de arquitectura contemporânea. A depuração minimalista preenche mais a minha exigência para com as estruturas que nos acolhem, mas acontece que em Gehry a exuberância revela-se funcionalidade. E aquela estranha beleza dá conta de nós. Embrulha-nos em ambientes distintos. Gosto de artistas assim. Muito obrigado, senhor arquitecto.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Gente que é gente
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Comentar comentários
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo, ou menos certo? Foi Fernando Pessoa que escreveu esta frase, na minha opinião genial. Mas Fernando Pessoa disse tanta coisa genial que até mete impressão. A língua portuguesa como Pátria é outra. A minha Pátria é como a minha raça - a raça humana, que é transversal a todas as cores e feitios. Ou vamos voltar ao orgulho nacionalista que convoca o mais serôdio provincianismo?
Mas hoje quero aqui falar dos comentários aos debates que têm passado nas televisões após os debates entre candidatos. Confesso que os candidatos à Presidência que vão para ali dizer coisas são para mim uns e para os comentadores outros, com toda a certeza. Andamos a ver programas televisivos diferentes. Uns vêm tristezas, outros entretenimento e audiências. Dou exemplos. Classificar e dar notas a alguém como André Ventura é qualquer coisa de extraordinário. Vamos classificar a mentira e a má-criação como dado elegível? Vamos classificar a postura autoritária e ridiculamente ignorante de Gouveia e Melo? A incongruência é competência? E vamos perceber com enlevo democrático o falso e sinistro liberalismo de Cotrim de Figueiredo? O que leva os comentadores a comentar? É o circo? É a vontade de mostrar serviço normalizando a prestação circense da extrema-direita e dos seus preceitos trogloditas?
Há vida para além do espetáculo televisivo, meus caros. A política é mais do que isso. É a nossa existência como cidadãos que está em risco. Ventura já instalou o medo. Existimos mas não podemos insistir. Os fascistas estão aí. Alguns jornalistas e muitos jovens ainda não deram por isso. Abram os olhos. A densidade comunicativa é dada pelo alvoroço imbecil? A defesa da democracia exige respeito pelo que se pensa e diz. Sejamos adultos.
Presidenciais 2026
Minha pátria é a língua portuguesa
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Manuel Pedro
Esteve preso três vezes, somando onze anos nas prisões do fascismo. Sofreu agruras inimagináveis na prisão e fora dela. Foi militante político clandestino, funcionário do Partido Comunista Português. Lutou pela democracia, pelo direito a escolhermos o nosso futuro. Foi também animador cultural, ligado mais ao cinema, e publicou três livros reveladores de tudo isto. Num tempo em que estes heróis são arrasados pelos novos fascistas, exibindo a estupidez da repressão e a intolerância da xenofobia como solução, e quando tudo o que os antifascistas combateram é agora promovido, não se percebendo muito bem como é que imbecis iletrados têm soluções para seja o que for, é importante que seres humanos maiores como Manuel Pedro sejam recordados e respeitados como os grandes cidadãos que foram. São estes os exemplos de vida de quem deseja viver em democracia e em liberdade, com educação, cultura e alegria de viver. Muito obrigado, Manuel Pedro.


















