sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Ser fascista hoje




O que define um fascista? Como se comporta, como suporta a democracia, como olha para os outros?

Sempre que o fedor fascista se aproxima, surge a emergência deste debate. Alguns, para se descartarem da contenda, asseguram que o fascismo nunca existiu. Outros insistem em dizer que os fascistas de agora não são fascistas: são defensores de autoritarismos de extrema-direita, pelo fim dos apoios a quem precisa, pela anulação do Estado, pela privatização de tudo o que mexe com a economia e pela porrada de criar bicho para quem se porta mal. Ventura até já disse que se defender isto tudo é ser fascista, então ele é fascista. Não percebo, portanto, por que razão ainda há quem diga que ele não é fascista. Pronto: chamemos-lhe neofascista. Contentes? Mas o que acrescenta o prefixo à definição de  intenções desta gente? É só para se distinguirem dos velhos fascistas?

Rob Riemen teve a preocupação de analisar com precisão estas nuances. Já aqui o mencionei várias vezes e esta não vai ser a última. Chamou ao seu trabalho publicado: O Eterno Retorno do Fascismo. O título é esclarecedor. O que é preocupante é a mentalidade e acção que se desenvolvem ciclicamente tendo uns líderes histriónicos como testas de ferro. Energúmenos sem vergonha que apelam ao que for preciso. Esta gente pode ser chamada como quiserem, mas são, numa definição mais simples, gente má. Rob Riemen percebeu isto e acaba o seu livro dizendo-o:

Já não amar a vida é o segredo terrível da política fascista e da sociedade niilista do kitsch na qual pode estar sempre a renascer. Só quando descobrirmos o nosso amor pela vida e decidirmos dedicar-nos ao que realmente dá a vida — a verdade, a bondade, a beleza, a amizade, a justiça, a compaixão e a sabedoria —, só nessa altura e nunca antes, ficaremos imunizados contra o bacilo mortal a que chamamos fascismo.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O declínio do império?

Peter Sellers antecipou a possibilidade, mas foi numa fita. Ficção com algum pressentimento. Na realidade, foi com Trump que o mundo percebeu a premissa: qualquer cretino pode ser presidente dos Estados Unidos da América. 

E fitas fez até ao último dia. Corrido das redes sociais, onde fez campanha e depois, já presidente, governou, prometeu criar as suas próprias redes para comandar o exército de vândalos que o segue cegamente. Parece disposto a encetar uma promissora carreira dedicada ao terrorismo doméstico, atitude criminosa que experimentou no ataque ao Capitólio. O país por muitos considerado polícia do mundo, vai ter de lidar com este novo atropelo interno, liderado por um ex-presidente.
Os EUA experimentaram um governo de extrema-direita, presidido por um bronco farroncas, racista, misógino e sem escrúpulos, que sai agora da Casa Branca sem honra e sem glória. Abandona Washington como um vulgar delinquente chefe de gangue, lugar que vai ocupar com fúrias de derrotado. Esperemos que seja capturado e julgado.


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Os fascistas saíram da toca


Sara Sampaio disse isto nas redes sociais. Tal como nós, percebeu as pretensões daquela gente. A imprensa cita-a mencionando que foi criticada nas ditas redes por frequentadores afectos ao partido fascista. 

Os comentários dos energúmenos estão ao nível do seu líder, que também comentou as palavras de Sara. O escroque atribui tudo isto à sua própria popularidade e assegura que está tudo com medo dele. A prosápia fascista é qualquer coisa. Ele não se importa de ser um básico sem vergonha, sem preocupações com as figuras tristes que faz. O que é preciso é darem por ele.
Os comentários dos seguidores internautas são verdadeiros mimos: misóginos, sexistas, malcriados, imbecis, enfim... fascistas. De facto, Sara, os fascistas saíram da toca.

A la Trump


O chunga do Chega já fala em arregimentar um exército popular. Assim de relance assegura também que sendo presidente — lagarto, lagarto — , chamará para seu vice Passos Coelho. Ameaça Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa. Pede atabalhoadamente que se definam. Enche a boca de Sá Carneiro como se soubesse de quem está a falar. Ou seja, o chunga do Chega não imita o seu mestre Trump só pelo dedinho em riste. Ele pensa como o javardolas americano. Só não sabe é muito bem como funciona o poder político em Portugal, mas isso não é importante para os mentecaptos que o apoiam. Vale tudo para alimentar as mentes imbecis dos seus lamentáveis seguidores.

Já agora: Não sei se Rui Rio não responder é bom ou mau. O PPDPSD apoia Marcelo, como tal não deve achar sempre graça ao chunga. Depende das circunstâncias. Mas Passos Coelho estar calado e não se demarcar desta badalhoquice só o define como o badalhoco que ele é. Sá Carneiro aproximou-se de facto da social-democracia. E, não querendo ser coelhinho em pele de carneiro, arrisco em dizer que nunca faria alianças com a extrema-direita fascista. Muitos dos seus parentes políticos condenaram a santa aliança açoriana. Passos e Rio não me parecem grandes fãs das políticas de Olof Palm ou Willy Brant. São neo-liberais encartados aprumados por ajustamentos radicais sem respeito pelas pessoas. Mas esta gente não hesita em alinhar com defensores de presidencialistas autoritários se isso se manifestar como única maneira de chegarem ao poder. É por isso que o chunga do Chega é perigoso. E Passos e Rio também. E chungas, todos.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Abstenção ou voto em branco, não



Estamos perante uma eleição complicada. Há quem tenha a percepção de que o poder do Presidente não tem importância nenhuma. O poder executivo pertence ao governo, logo que se lixem as eleições para a Presidência. Não é bem assim. O Presidente tem poder e exerce-o. Por acaso até temos um bom exemplo em Marcelo. Não dividiu para reinar, apoiou ou vetou como achou que o deveria fazer. Com preconceitos ideológicos, é certo. É a vida. Claro que o estrelato o fascina, mas para pior já basta assim.

Com a entrada no terreno de um candidato fascista — apoiado por Le Pen e fã de energúmenos como Trump e Bolsonaro. E aconselhado pelo salazarista Nogueira Pinto, com a esfinge do velho das botas como ornamento inspirador — é preciso dizer em voz alta que não queremos o regresso a políticas caseirinhas de chinelo, iluminadas por uma evidente tacanhez mental e aplicadas por um ridículo mas agressivo toque de caixa. O discurso trapalhão e sem consistência do alarve que representa a extrema-direita é excessivamente mau, mas há quem goste de chafurdar na pocilga do ódio. Os que votam num cretino desta estirpe só podem ter problemas cognitivos graves. Mas esses podem sempre ser ajudados por psicólogos ou psiquiatras que se documentaram para assistir a casos mesmo já em estado avançado. Votar é uma responsabilidade. É votando que, em democracia, dizemos o que queremos.

Mas a democracia pede mais participação. O que está mal também pode ser culpa nossa, se nos manifestamos apenas para arrasar sem eito. Agora, nestas eleições, a nossa participação cívica na democracia conquistada consiste em votar nos candidatos que desprezam a tacanhez mental e rejeitam o estilo básico do farroncas fascista, que ainda há um bocadinho era outra coisa qualquer. Mas também é alertar para a necessidade de votarmos contra este estado mental. Abstenção ou voto nulo, nunca. Um escroque faz o que for preciso. A extrema-direita encontrou um homenzinho ridículo, sem pitada de vergonha de o ser. Nós temos que votar no candidato que achamos que é o melhor para rejeitar o bandalho fascista. E temos que votar em quem lhe faz verdadeiramente frente. Vamos votar na esquerda para mostrar que somos mais e melhores. Escolhemos em quem votamos, votando em quem achamos que defende o que nós defendemos. Mas votemos. Mesmo. A lucidez democrática exige-o.

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sábado, 16 de janeiro de 2021

Não há vantagens na interrupção abrupta


Já há quem diga que existem vantagens nesta atrocidade natural que nos atingiu. Tipo: pelo menos vamos corrigir certos hábitos, vamos passar a olhar com outros olhos para o ambiente, a higiene passa a ser uma preocupação constante.

Enfim, estas e mais "vantagens" são alinhadas nos discursos de compreensão do que nos está a acontecer. Acontece que na vida real nada é assim. O primeiro desconfinamento e a tolerância com os encontros familiares durante o período natalício tornou-se mortal. Estamos em pandemia, meus amigos. A situação é gravíssima. Os cuidados devem ser extremos. A compreensão face aos encerramentos de locais de convívio e à insistência no confinamento são essenciais, se é que queremos algum dia voltar a conviver. Casa, casinha, lá dentro, sem ousadias parvas. Já basta os que têm mesmo que trabalhar fora de casa para que nada nos falte dentro da nossa. Esses, merecem todo o nosso respeito e solidariedade. Mas para sermos solidários com eles, só temos uma coisa a fazer: ficar em casa. As pandemias trazem males à saúde. Nunca vantagens.

Imagem: BBC

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Guerra total contra o vírus criminoso


Quem pode trabalhar em casa é o que deve fazer, é claro. Mas há quem não tenha essa possibilidade. Seja como for o que interessa é que a gente se proteja. 

Deixemos os convívios e as suas expressões mais efusivas para outros carnavais. Este ano não há carnaval, nem Páscoa, e até já se fala na possibilidade de esquecermos as festividades dos santos populares. São tempos complicados. Tristes. Todo o cuidado é pouco. Todo o resguardo é necessário. Vamos proteger-nos. Vamos resistir a esta maldade que nos impede de viver em pleno. Vamos viver com esperança. Dias melhores virão, se tivermos cuidado agora. 

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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Grande médico. Cidadão exemplar


Morreu Luis Machado Luciano. Foi um médico/cirurgião altamente reconhecido. 

Exerceu a cidadania com afinco e coragem. Era um homem culto e com um notável sentido de humor. Solidário com os que mais sofrem. Pois é, mas os grandes também morrem. O Dr. Luciano deixa-nos agora, acrescentando ao seu desaparecimento uma saudade imensa. Era bom estar e conversar com ele. Muito obrigado, meu amigo.

Design de Comunicação

 

Da série grandes capas. 

The New Yorker. Arte: Jorge Colombo.

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sábado, 9 de janeiro de 2021

Debater o impossível


Era suposto haver debate. Mas as campanhas eleitorais já não são o que eram. Debate-se no vazio, dizem. Só interessa o que pode incomodar o outro: passados com laivos de suposta crueldade, negócios pouco claros, motivações escuras.

A entrada na corrida de um energúmeno sem ideologia nem nada que se lhe aparente veio baixar substancialmente o nível das participações. Confesso que não consigo assistir a debates onde as circunstâncias que os moderam ficam alteradas pela boçalidade e má criação. Espreitei um ou dois momentos da venturosa exaltação do fascista de serviço e mudei imediatamente de rumo. Marcelo parece que foi exemplar no tratamento que deu à execrável criatura, dizem-me amigos. Contudo, não concordo com quem diz que não se debate nada por ali. Excluindo o fascista e o tonto de Rans, os debates entre os outros candidatos atingem níveis de boa argumentação democrática. A democracia funciona dentro dos parâmetros de um saudável conflito de ideias. Os candidatos têm propostas. Debatem-nas porque as têm. Voto sempre à esquerda e espero que os resultados me façam brindar a um futuro com esperança na política, na cultura e na inteligência dos seus praticantes. Os fascistas e os tontos que se lixem.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Alteração de data de abertura


Devido ao novo período de confinamento para o fim-de-semana, a data de abertura desta exposição é antecipada para sexta-feira, às 18 horas. Esclarecimento feito. Até já.

Somos todos Charlie


O ataque ao Charlie Hebdo foi há seis anos. Morreram doze pessoas, entre ilustradores, jornalistas e outros trabalhadores do jornal. 

Na Festa da Ilustração de 2019 homenageámos as vítimas deste ataque na pessoa de uma delas. Mostrámos o trabalho de Tignous e contámos com a presença da sua companheira, Chloé Verlhac, que fez uma  brilhante intervenção sobre o trabalho do ilustrador que tombou naquele dia 7 de janeiro de 2015. Recordar este atentado à liberdade e ao nosso modo de vida é preservar esta vontade de viver em liberdade.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A loucura no poder


Um louco ocupou a Casa Branca durante quatro anos e fez estragos ainda por definir. Hoje, um grupo de loucos seus apoiantes invadiu o Capitólio.

O que se passa neste país é inclassificável. O que se passa com esta gente que insiste em impôr a estupidez e a incompreensão completa da política é tão estúpido que não tem classificação. Nunca o mundo civilizado viveu uma situação destas. Isto é tão mau que passará no futuro a recordação humorística. Se assim não for a nossa realidade vai enfrentar a maldade como política elegível. Lá como cá o perigo está aí. Há quem comece por achar graça aos protagonistas destas loucuras. Depois, quando a coisa azeda, passamos a querer ignorar os aparentemente tontos que exibem a mesquinhez como arma. Há quem ache graça a tontos inenarráveis como Trumps, Tinos de Rans e Venturas. Nunca achei graça nenhuma a cretinos.

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Da contemporaneidade e de outras palavras


Still(H)e(a)ven
é um projecto on going construído durante residências artísticas em Góis, Lisboa, Setúbal, Montemor-o-Novo (oficinas do convento), Arraiolos (Cortex frontal) e La Gomera (casa Tagumerche)

Durante este trabalho, desenvolvido ao longo de 2 anos, debrucei-me sobre um género que penso ter caído em desuso na arte contemporânea, mas que permanece enraizado na nossa memória.
Desde o início o objectivo deste trabalho foi sempre levantar questões sobre a contemporaneidade através dos objectos que consumimos, através de uma espécie de “Pegada Humana” de um certo tempo, de uma certa geração.
Still(H)e(a)ven é a desconstrução da palavra Stilleven; palavra holandesa utilizada para denominar uma corrente artística muito popular durante os séc. XVI e XVII, em Português: Natureza-morta. Desde então, até aos dias de hoje, diferentes artistas se debruçaram sobre este género. Embora não seja possível observar a figura humana neste quadros, eles acabam por ter grande valor antropológico, na medida em que nos permitem reflectir como evoluíram os objectos que utilizamos ou damos importância, ao longo do tempo.
Still + Heaven
Still é uma palavra etimologicamente inglesa, normalmente utilizada como adjectivo (aquilo que não muda), mas também utilizada para se referir a uma fotografia retirada de um filme (frame).
Se por um lado uma fotografia ou um fotograma cristalizam uma imagem no tempo, tornando-a assim perene, por outro a inevitabilidade do avançar do tempo e da mudança dos hábitos humanos acaba por realçar a efemeridade das coisas.
É nesta ideia de Heaven (céu / paraíso) que muitas vezes nos perdemos, Será que somos nós que possuímos estes objectos ou serão eles que nos possuem e representam?
Monstruário #1
Projecção de video (sala de projecção contígua ao Espaço Ilustração)
Duração: 29:32 (em loop)
Filmado na Casa da cultura de Setúbal durante o estado de emergência, este trabalho constrói-se em torno de uma reflexão sobre o presente numa era pandemia.
O vídeo é composto por 4 partes diferentes que se contagiam e acabam por se fundir num objecto fílmico contínuo. Mostruário#1 é um trabalho colaborativo executado pelos 4 membros fundadores do Colectivo.
Samir Noorali – A pensar em ti
Graça Ochoa – A Sós
Inês Oliveira – There´s no place Besides home
Sérgio Braz d´Almeida – Natureza Morta c/ manta de sobrevivência
O Monstro Colectivo nasceu no início de 2020, assumindo-se como uma plataforma de suporte à criação sustentável e contínua de objectos artísticos, com foco no cruzamento de linguagens, na partilha de ideias e experiências, o Monstro Colectivo surge da necessidade duma rede de apoio mútuo no acto de criação, produção e circulação de projectos, num exercício de contaminação cultural a partir de Setúbal.
[Sérgio Braz d'Almeida]

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

João Cutileiro


Morreu o escultor.

As suas mulheres de pedra ficam para que não nos esqueçamos da sua obra. E os desenhos. Que belíssimos desenhos. Muito obrigado, mestre Cutileiro.

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domingo, 3 de janeiro de 2021

O novo normal

 
Entrámos em 2021 a pés juntos. Estamos mergulhados na nova realidade.

Morremos todos os dias às dezenas. Reagimos. Tomamos medidas. Mandamos às urtigas os negacionistas. Rejeitamos os fascistas que agora fingem cumprir a democracia. Não cumprem. Utilizam-na. O cinismo mais atroz vai alastrar na campanha eleitoral. Um candidato imbecil finge ser o arauto do povo. Provavelmente acredita no que diz. Os idiotas são assim. O fascista saído do partido de Rio também deve acreditar na pequenez que apregoa. São assim os anormais desta nova normalidade. O nosso combate faz falta. A nossa normalidade não se ajusta a essa pequenez. O nosso novo normal é outro. É pela ciência. Pela ciência política e pela ciência das descobertas boas. Que se lixem as mezinhas. Que se lixe a política do cinismo populista. Que se lixem os novos fascistas.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Sem dias melhores do as noites. Sem noites melhores do que os dias


Não estamos a viver os melhores dias das nossas vidas. Nem os mais velhos, nem os que deveriam estar agora no seu tempo. 

Nestes atropelos dizia-se sempre: melhores dias virão. Esperemos que esses dias espreitem o mais rapidamente possível. Mesmo que lá para o segundo semestre. Esse é o receituário mais certo, se as coisas não piorarem ainda mais. Que a gente esteja por cá para ver e sentir. O que for soará. Bom ano para todos.

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Fim de festa


Amanhã fechamos a loja, depois de apresentarmos os catálogos TOM e ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA 2020. Para o ano há mais Festa da Ilustração - Setúbal. Apareçam.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. The New Yorker. Arte: Harry Bliss.


E pronto. Já passou. Foi bom? Foi o que foi. Bom fim-de-semana.

Imagem: Centro de Arte Graça Morais.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Stella Tennant


Tinha formação artística. Experimentou a escultura.

Percebia-se essa sabedoria quando se apresentava como modelo. Tinha atitude. Era diferente. Bem, a beleza ajudava, mas era uma beleza diferente da maioria que desfilava. Gostava muito dela. Morreu tão cedo.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Vã glória de matar


Vermos alguém da nossa espécie vangloriar-se de matar assim desta maneira tão ostensiva, faz-nos sentir vergonha de pertencermos a tal espécie.

Só o ser humano pode ser energúmeno. A capacidade de pensar e reflectir dá-nos a oportunidade de não o sermos. Mas há quem aproveite o privilégio para se portar como um animal sem raciocínio. Vergonha alheia. É o que sinto.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Harold Budd

Morreu no principio deste mês um grande senhor da música e da literatura. Tinha 84 anos. 

Harold Budd não resistiu à agressão da doença que nos está a tolher as nossas vidas. Trabalhou com Brian Eno. Gravou trabalhos consistentes e intemporais. Estamos a perder os nossos melhores. E não sabemos se melhores dias virão. É sempre bom ouvir Budd e foi bom viver no seu tempo.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Fim de festa


Não podemos viver sempre em festa. A Festa da ilustração durou até agora. 

No próximo dia 29 encerra definitivamente a edição deste ano com a finissage da exposição TOM, OS BONECOS DE TOM, e são apresentados aos interessados os catálogos TOM e ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA 2020. Duas magníficas publicações onde se dá a conhecer a melhor ilustração feita no país Portugal. Tomem nota. Apareçam. 

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domingo, 20 de dezembro de 2020

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. THE NEW YORKER. Arte: Adrian Tomine.

As múmias recalcitrantes


Insiste na linguagem em redondo, agora mais dirigida contra o actual executivo.

O ressabiamento tem um alvo aparentemente fácil. O fascista Ventura já declarou que prefere Passos em vez de alianças com Rio. O diabo que escolha. A extrema-direita anda de cabeça perdida em busca de um sentido para um regresso em força. Este tosco mais envernizado do que Ventura está mesmo a preparar um regresso. O discurso é realmente ressabiado mas alinhado na linguagem sem vergonha que o caracteriza. Este indivíduo e o fascista Ventura são farinha do mesmo saco. Vêm do PPD/PSD que os pariu. Esse saco de gente inclassificável ainda vai largar muito lixo por aí.

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As palavras são actos


Foi uma conversa e pêras. Conversar com o João Francisco Vilhena é mergulhar nas melhores recordações das nossas vidas, apesar de não desfazermos nada no presente. 

O presente é a preparação do futuro e é conversando que o preparamos. O exercício intelectual da memória dita-nos premissas promissoras para este presente que, apesar das agressões naturais, nos apresenta rasgos de esperança. As palavras são actos. 

Conversa integrada na iniciativa ALGUÉM VIU OS MEUS ÓCULOS?, realizada na Casa da Avenida, Setúbal. A fotografia é da Cátia Oliveira.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Alguém viu os meus óculos?


V
amos falar pelos cotovelos. Falar, discutir, concordar e discordar.

Vou conversar com o meu amigo João Francisco Vilhena sobre Cruzeiro Seixas e sobre o surrealismo, neste tempo absolutamente surreal. É já amanhã, dia 18, na galeria da Casa da Avenida. Quem quiser jantar no Café da Casa avise para casadaavenidacafe@gmail.com

Mas quem não quiser jantar pode aparecer apenas para a sessão, que começa à sete da tarde em ponto.
Até lá.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Os inimigos de Alex


Um país que tem uma besta quadrada como presidente aceitará a prole da besta na representação máxima? Não estarão os americanos fartos de mentiras e ameaças imbecis?

O Partido Republicano está dominado por tontos e crápulas, mas aceitará ter como seu expoente uma criaturinha criada num tubo de veludos, purpurinas e plástico caro? E o "people" abrutalhado e sem direitos continuará a votar no vulgar pechisbeque político? Para onde caminhará este país? Para onde caminhará este mundo de enfeites rascas?

Fonte DN

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Estado policial


Então era assim: extinguia-se o que existe e incorporavam-se os "bons policias" numa estrutura de excelência policial.

Pelo menos é isto que imagina o super-policia Magina e di-lo assim de trombas sem medo de ninguém. O homem foi recebido pelo Presidente e de imediato se transformou em ministro da tutela. Melhor: super-ministro, que ele não é de falinhas mansas. Saiu da audiência e, no percurso entre o gabinete de Marcelo e o local onde falou aos jornalistas, deu-se a transformação. Um poder estava a ser criado em segredo, com a ajuda da recente estrutura de extrema-direita liderada pelo fascista Ventura, mas agora o segredo acabou. A alarvidade e o desrespeito pelas estruturas e o Estado de Direito já se fazem às claras. Eles querem mesmo mandar nisto tudo. Temos que estar atentos. Não passarão. Não podem. Isto é excessivamente mau.

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domingo, 13 de dezembro de 2020

É de dentro da cabeça que o coração pulsa




A frase pertence a um poema de Cruzeiro Seixas afixado nas paredes do
Café da Casa da Avenida.

Estão aqui afixados poemas da Obra Poética recentemente publicada. Os livros também estão por cá à venda. Têm organização de Isabel Meyrelles. O ambiente do café está assim "ornamentado" por poesia. Poesia da melhor.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Era de noite e levaram


O assunto veio agora de novo à baila. Um cidadão estrangeiro é assassinado por agentes do SEF. Marcelo diz que se o crime for um hábito, estamos mal. Mas se for um caso isolado deverá haver investigação e percebido o que aconteceu garantindo que não aconteça mais. 

Saiba o senhor Presidente que os inspectores do SEF são danados para a porrada. Isso tem de ser investigado. Percebido. Julgado. E não é verdade que Eduardo Cabrita se tenha envolvido sozinho no esclarecimento do crime, como disse hoje à comunicação social. Muitos comentadores, jornalistas e activistas exigiram justiça. Só que estávamos confinados. A pandemia estava na ordem do dia e da noite. Os inspectores assassinos agradeceram. Humildemente associei-me à contestação em Abril passado. Escrevi este texto aqui.

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Reinar... Para perceber porquê




Graça Pinto Basto e Maria João Frade fazem isto todos os anos por esta altura do natal. 

As paredes do segundo andar da galeria da Casa da Avenida estão ornamentados por belíssimos desenhos, daqueles que ilustravam as histórias da nossa infância. Os mais pequenos podem vir desenvolver ideias nos ateliers que a Graça e a Maria João orientam com gosto e entusiasmo. Como os mais pequenos não andam muito por aqui pelas chamadas redes sociais, faz-se um apelo às mães e pais que têm a responsabilidade de pôr os meninos a aprender a ver. Olhar bem é outra coisa. É pensar bem. Tratem disso.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Cruzeiro Seixas e outras imagens




As exposições que evocam Cruzeiro Seixas estão abertas à curiosidade intelectual de todos. Hoje trago à colação a impressionante intervenção que
João Francisco Vilhena nos mostra na Casa da Cultura | Setúbal, local onde se mostra o que de melhor se passa no mundo no que diz respeito a andanças artísticas.

O fotógrafo estabelece com o poeta um diálogo que alinha pela vertente surrealista que lhes é tão cara. A performance impressiona. A qualidade fotográfica também. Esta exposição na Casa da Cultura estará por lá até ao fim de dezembro, enquanto a mostra que está na Casa da Avenida entra pelo ano de 2021 adentro. Está por lá até ao fim de janeiro. Setúbal homenageia assim o artista visual e poeta. Sejam muito bem vindos.

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Alguém viu os meus óculos?


A ideia é falarmos pelos cotovelos. Do que está em causa e do que poderá ser causa posterior.

Falar, discutir, concordar e discordar. Vou conversar com o meu amigo João Francisco Vilhena sobre Cruzeiro Seixas e sobre o surrealismo, neste tempo absolutamente surreal. É no dia 18 do presente mês, na galeria da Casa da Avenida. Quem quiser jantar no Café da Casa avise para casadaavenidacafe@gmail.com

Até lá.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

A Obra Poética de Cruzeiro Seixas


Já está à venda na
Culsete e no Café da Casa da Avenida.

O segundo volume saiu no passado dia 3, dia de aniversário do poeta. Nas paredes do café estão pendurados dezasseis poemas. É para abrir o apetite. Na galeria mantém-se a exposição Teatro das Imagens, de João Francisco Vilhena. Vale a pena aparecer por cá.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Para acabar de vez com a História


Confesso que ainda não percebi se este indivíduo é um tonto inclassificável, ou se acrescenta à tonteria a classificação de canalha indescritível. 
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Imagem: Jovem Conservador de Direita


domingo, 6 de dezembro de 2020

Afinal o natal não é quando um homem quiser


É quando a natureza deixa.

A pandemia não é de esquerda nem de direita. A vacina e a cura também não. Estamos portanto perante uma situação de grande perturbação, mas sem candidatos a culpados. Ainda não se perceberam possíveis consequências. A vida decorre de maneira pouco normal, mas há quem queira um regresso imediato a uma normalidade que não existe. As críticas ao governo e à directora geral de saúde são mato e saem às golfadas de dentro das grutas onde iluminados conhecedores de todas as resoluções se entretêm em trocas de discursos de ódio e insulto. Tentam convencer os incautos de que a pandemia é de esquerda e de que eles resolveriam tudo em menos de um fósforo. Provavelmente recorrendo à caridadezinha, já que serviço público de saúde não faz parte do seu vocabulário de todos os dias. Enfim, não percebo os ataques a quem se esforça. Ou percebo, mas isso agora daria pano para outras mangas, de fatos bem mais escuros, vestidos em gente muito sinistra.

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sábado, 5 de dezembro de 2020

Design de comunicação


Da série Grandes Capas.

www.vogue.pl

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

CRUZEIRO SEIXAS - 100 ANOS


O fotógrafo olhou o poeta em ambientes integrados em possíveis criações do pintor.

Pintor e poeta convivem envolvidos nas experiências visuais e poéticas sugeridas pela vivência surrealista. Artur do Cruzeiro Seixas foi pioneiro em terras lusas desta experimentação artística. As exposições que agora se instalam nas galerias da Casa da Avenida e da Casa da Cultura estavam programadas para assinalar o centenário do artista.
Passámos assim a conferir à iniciativa contornos de reconhecimento e homenagem.
Uma vida intensa e preenchida é agora aqui assinalada com estas imagens de uma surpreendente originalidade.
Cruzeiro Seixas faria hoje 100 anos. As exposições abrem hoje. Bem vindos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Labirinto da saudade


Morreu Eduardo Lourenço. 

Percebeu Portugal e os portugueses melhor do que ninguém. Chamaram-lhe mesmo o psicólogo de Portugal. Foi um heterodoxo que percebeu a ortodoxia. Devemos-lhe uma percepção inteligente e exigente da nossa existência. Pensava bem, com atitude. Eu gostava muito dele. Foi bom viver no seu tempo.