sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Ser fascista hoje




O que define um fascista? Como se comporta, como suporta a democracia, como olha para os outros?

Sempre que o fedor fascista se aproxima, surge a emergência deste debate. Alguns, para se descartarem da contenda, asseguram que o fascismo nunca existiu. Outros insistem em dizer que os fascistas de agora não são fascistas: são defensores de autoritarismos de extrema-direita, pelo fim dos apoios a quem precisa, pela anulação do Estado, pela privatização de tudo o que mexe com a economia e pela porrada de criar bicho para quem se porta mal. Ventura até já disse que se defender isto tudo é ser fascista, então ele é fascista. Não percebo, portanto, por que razão ainda há quem diga que ele não é fascista. Pronto: chamemos-lhe neofascista. Contentes? Mas o que acrescenta o prefixo à definição de  intenções desta gente? É só para se distinguirem dos velhos fascistas?

Rob Riemen teve a preocupação de analisar com precisão estas nuances. Já aqui o mencionei várias vezes e esta não vai ser a última. Chamou ao seu trabalho publicado: O Eterno Retorno do Fascismo. O título é esclarecedor. O que é preocupante é a mentalidade e acção que se desenvolvem ciclicamente tendo uns líderes histriónicos como testas de ferro. Energúmenos sem vergonha que apelam ao que for preciso. Esta gente pode ser chamada como quiserem, mas são, numa definição mais simples, gente má. Rob Riemen percebeu isto e acaba o seu livro dizendo-o:

Já não amar a vida é o segredo terrível da política fascista e da sociedade niilista do kitsch na qual pode estar sempre a renascer. Só quando descobrirmos o nosso amor pela vida e decidirmos dedicar-nos ao que realmente dá a vida — a verdade, a bondade, a beleza, a amizade, a justiça, a compaixão e a sabedoria —, só nessa altura e nunca antes, ficaremos imunizados contra o bacilo mortal a que chamamos fascismo.

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