quarta-feira, 10 de julho de 2024


Ninguém está acima da lei. Nem políticos, nem povo em geral. Ninguém. Todos estamos sujeitos a sermos escutados sem o sabermos, é claro, e a sermos investigados sem sabermos porquê.

Tudo isto parece muito razoável dito assim, com propósitos de busca de justiça contra a corrupção. Mas, quando tudo isto é apresentado como normal mesmo quando a coisa dá em nada logo na primeira investigação, percebendo-se que a agenda é outra: derruba governos, acaba com a vida política de gente válida ou acusa na praça pública ditando sentenças que depois ficam agarradas à pele de quem é acusado, ainda se acha que estamos no terreno da perfeita normalidade? A justiça do Estado não é sujeita a reparos? Não se pode criticar uma investigação que derruba um governo eleito com maioria absoluta, provocando eleições e a subida de justiceiros parolos, alterando o sistema político para os patamares da falta de vergonha? O único político que defendeu o que foi dito pela senhora procuradora chefe foi o chefe do partido com nome de detergente. O fascismo do Chega colhe frutos da actuação da senhora procuradora geral. Cada qual escolhe o lado onde quer estar. E nós estamos conversados.

Ouçam o "Coro dos Tribunais", de José Afonso. Diz muito da justiça dos juízes. E a capa, da autoria de José Brandão, esclarece visualmente. 

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terça-feira, 9 de julho de 2024

Armando Carvalhêda

Morreu o Armando Carvalhêda. Quis divulgar a música feita em Portugal e conseguiu. Foi um grande senhor da rádio portuguesa. A rádio era uma paixão para ele. Soube que se tinha reformado e quis falar com ele mais vezes. Não consegui. Vidas!
Foi um grande profissional e um homem bom. Muito bom.
Muito obrigado, meu amigo. Tivemos conversas fixes.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

A velha senhora velha

Em seis anos esta senhora nunca disse nada. Bem, uma coisa disse: "não me sinto responsável por nada". Fantástico. Vivemos na apologia da irresponsabilidade. A senhora derruba um governo com maioria absoluta, com o disparo de um parágrafo arrasador, mas acha que tudo lhe roçou a couraça da indiferença.

Agora, depois de se ter sempre recusado ir a ao parlamento, vai falar numa entrevista a uma estação de televisão. Ainda não percebi se é conversa de socialite, em entrevista de vida, ou se é mesmo coisa séria. A senhora séria não parece ser, pelo menos politicamente. A não ser que se ache acima disto tudo, ou seja: ungida por um deus qualquer, que lhe ditou a missão, como pensa de si próprio o único líder político que a apoia. Sim, só mesmo os fascistas do Chega apoiam a atitude da velha senhora. Vamos ver se o divino está com disponibilidade para a apoiar.

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Da série Grandes Capas. Charlie Hebdo. "Votar para que não seja a última vez". Libération "Não é ainda". Foi isso.


domingo, 7 de julho de 2024

Vive la France


Marine Le Pen e o puto sinistro e manhoso estão nas lonas. A esquerda venceu e o chamado centro de Macron recuperou. A maioria absoluta da extrema-direita ardeu antes das acendalhas. Esta vitória de quem não quer os fascistas de volta faz-me lembrar a grande frente que, no principio do século, esteve com Chirac contra Marina Le Pen. Estas frentes são necessárias quando tem de ser mesmo assim. É a vida democrática, que não sendo perfeita é o que se pode arranjar. A extrema-direita tem que ir pelo esgoto, que é o cano imundo de onde saiu.

sábado, 6 de julho de 2024

O povo é quem mais ordena

Aqui houve alguém que verdadeiramente venceu. E é perfeitamente normal que tal tenha acontecido. Com a direita a partir tudo durante mais de uma década, queriam que os eleitores assegurassem a permanência dos implacáveis destruidores? Os governos de direita cumpriram a frase de Oscar Wilde: "Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo".

Acontece que naquela ilha ainda não estamos como em França ou nos EUA, onde anunciados biltres podem dar conta daquilo tudo impostos pelo voto popular, por essa entidade abstracta a que os sociólogos, psicólogos, políticos e o próprio povo chamam "povo", e que de vez em quando acerta. "A democracia é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros", como disse, e com razões para o dizer, outro inglês famoso.
Adoro a capital deste reino. Quando lá vou descubro sempre o que ainda não conhecia. Mesmo à distância isso acontece. Quero lá ir muito brevemente. Agora de passaporte em punho. Já renovado para o efeito. Boa sorte, malta.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

10 anos a mostrar as melhores ideias ilustradas

A Festa da Ilustração faz 10 anos. Depois de André Carrilho, António Jorge Gonçalves, Nuno Saraiva, João Fazenda, André da Loba, Cristina Sampaio, André Letria, Marta Madureira e Madalena Matoso, é agora a vez de Catarina Sobral nos mostrar o seu extraordinário trabalho.


E depois de Osmani Simanca, Pierre Pratt, Alain Corbel e Martina Manyà, é a vez de ca_teter, ilustrador distinguido com o prémio Ilustração do Uruguai, nos premiar com o seu talento na secção Ilustrador Estrangeiro convidado. João Câmara Leme é o veterano relembrado, em exposição concebida por Jorge Silva em exibição na Galeria Municipal do Onze.

O museu de Setúbal/Convento de Jesus vai receber uma exposição sobre a obra gráfica que embrulhou a obra de José Afonso. Nesta mostra faz-se também uma homenagem a Fausto, o músico/compositor/cantor que recentemente nos deixou mas que vai ficar entre nós através da sua obra. Esta exposição é assegurada pela mão do ilustrador e designer José Brandão. Sebastião da Gama vai ser recordado como o competente pedagogo que foi, em exposições — e conferências — de trabalhos de vários ilustradores a mostrar nas bibliotecas públicas de Setúbal e Azeitão.

A exposição Ilustração Portuguesa tem tema: "Canto a fome de justiça: José Afonso, homem e obra". E o Prémio Nacional de Ilustração 2024 estará representado na Livraria Culsete. Muitas apresentações de novas publicações, assim como conferências e debates sobre o estado da arte, experimentarão o verbo e o traço na Casa da Cultura. Motivos para se visitar Setúbal em outubro e novembro não faltam. O convite está feito.

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Receituário

Existem motivos para circularmos em busca da originalidade, das coisas diferentes. Em Setúbal há gente a fazer coisas diferentes na cidade porque é urgente encontrarmos alternativas à baboseira repetitiva das histórias de amor e estalo porque é assim que deve ser. Aqui até temos "antiprincezas", que me parece assim de repente uma ideia do caraças. Que se lixem os príncipes e as princesas, que se lixe o faz de conta das monarquias manhosas e parvas. Vamos estar com gente a sério. Gente que ri e pensa e chora e sofre e ri. Gente que faz coisas a pensar.

Divirtam-se, mas a olhar para frente e sempre no patamar da inquietação. Parabéns, ao pessoal que desenha este MAPS 2024.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Atrás dos tempos vêm tempos...

O Fausto morreu, O Zeca também... e eu não me sinto nada bem. A comunicação social — jornais impressos e televisões — tornou-se assim uma espécie de secção de propaganda de quem está no poder.

O Fausto morreu, O Zeca também... e eu não me sinto nada bem. A comunicação social — jornais impressos e televisões — tornou-se assim uma espécie de secção de propaganda de quem está no poder. Calculo que os meus amigos tenham um ror de exemplos para dar aqui a esta estampa. Falo do trabalho recente dos principais orgãos de divulgação de notícias, que não são falsas mas falseam. Ou seja: transmitem o que o governo quer divulgar. Morre um dos maiores nomes da cultura portuguesa do nosso tempo, mas as notícias dos jornais preferem Ronaldo, ronaldinhos e ronaldetes em choro de Madalena, porque o seu ídolo falhou um pontapé na bola. O fim de Fausto é um assunto de fim de edição. Qualquer notícia, sobre um qualquer parente de um cantor "pimba" teria melhor tratamento mediático. Já sem falarmos na vergonhosa atribuição da medalha da cidade de Lisboa ao inenarrável Tony sem carreira, colocada no peito da espécie de artista pelo pior presidente da Câmara de sempre. Vergonhoso. Vergonhosa ignorância, ou talvez não.
A máquina está oleada. Jornalistas, repórteres fotográficos e operadores de imagem estão permanentemente ligados à secção de propaganda. Não há desastre onde não apareça Montenegro, qual mediático bombeiro de serviço. Percebendo França, o gabarolas exibe-se em "corajosas" tiradas contra Ventura e os ainda indefectíveis membros da policial corja que insiste em segui-lo. Os polícias que o sabem ser já não alinham pelo trafulha do partido com nome de insecticida, e a secção de propaganda Montenegro actua às descaradas. Sempre foram assim, mas agora estão pior. Estão do piorio.
Na imagem observamos José Barata-Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Manuel Freire, Fausto, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira em concerto histórico. A partir daqui a música portuguesa passou a ser outra coisa. Percebeu-se que havia ali urbanidade e cosmopolitismo. Os parolos que nos governam, mais os que nos "informam" nunca deram por nada. Chafurdam naquela cultura de algibeira conspurcada de sexismo e estupidez.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Adeus e até sempre

A letra é de Eugénio de Andrade. A música é de Fausto, que convidou José Afonso para esta interpretação sublime. Tão bom que arrepia. Muito obrigado aos três: Eugénio, Fausto e Zeca. É bom estarmos a viver no vosso tempo.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Dia triste

Morreu o Fausto. Quis aqui partilhar a minha estória com ele, mas essa vontade foi arrastada pela tristeza. Sim, esta morte dói. Muito. As palavras ficam para outro dia.

Muito obrigado, senhor Fausto Bordalo Dias.

domingo, 30 de junho de 2024

Mensagem aberta a José Pedro Aguiar Branco

Caro Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa: O deputado de extrema-direita André Ventura está a convidar polícias para invadirem o parlamento na próxima quinta-feira, por dentro e por fora, para pressionarem as atitudes dos deputados que nesse dia vão discutir o futuro das polícias.
Pergunto: André Ventura pode fazer este apelo? Deduzo que a sua resposta, senhor Presidente, será: "no meu entender pode". E se pode, faço outra pergunta: André Ventura pode apelar a que os polícias presentes nas galerias se manifestem? Ele é "gajo" para isso. No seu entender pode? Desculpe esta minha preocupação, mas se um deputado de extrema-direita que quer eliminar o sistema em que vivemos pode tudo, nós, os que não queremos o que ele quer, o que podemos fazer?
As atitudes da extrema-direita no mundo, sob o comando de Steve Bannon, fazem lembrar “Banalidade do Mal”, a obra de Hannah Arendt. André Ventura tornou-se um dos mais afoitos líderes da extrema-direita no mundo. Azar nosso e sorte dos fascistas portugueses. Vamos deixá-los fazer tudo? A democracia pode permitir tudo até à sua eliminação?!
Senhor Presidente: o mundo está a ficar um lugar cada vez mais perigoso. Portugal está no mundo e começa também a ser motivo de preocupação. 50 deputados anti-sistema no parlamento são motivo de preocupação para todos os democratas.
Não, não podem fazer e dizer o que quiserem. Ofendem os nossos princípios democráticos e a nossa inteligência. Não queremos isso. Não podem, mesmo. Não passarão.

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Da série: Grandes Capas. The Economist.



sábado, 29 de junho de 2024

Viva o galo de Barcelos


Estava a ouvir Luís Marques Mendes na sua monótona e desinteressante alocução televisiva semanal, e a tentar perceber porque razão nunca concordo com o homem. Tudo ali é transformado em transtornada gabarolice.


Marques Mendes, tal e qual como acontecia com o seu antecessor Rebelo de Sousa, só olha para os acontecimentos conferindo-lhes estratégia. Chamam a essa prosápia "interesse nacional", mas na verdade não é nada disso. É só interesses pessoais e carreiras políticas que estão em causa. O homem explica: ganhámos todos com a ida de António Costa para Bruxelas. E diz nomes e moradas de toda a gente ganhadora. Costa, claro, mas também Montenegro que assim chega ao poder mais cedo, e se não fosse o parágrafo da procuradora não se sabe se lá chegaria. Pedro Nuno Santos, que assim também chega mais cedo à liderança do seu partido. Ventura, que assim elegeu cinquenta energúmenos — esta classificação é minha, é claro —, para o parlamento. O país Portugal que com um português no topo fica a rebentar de orgulho, e mais não sei quem, que segundo o optimista opinador fica em melhor situação política e com a carreira garantida.

Resumindo: um governo com maioria absoluta cai. Fica instalada a incerteza. Os fascistas crescem na Assembleia da República. Um governo de parolos toma posse. A esquerda fica a bater com a cabeça na parede, mas a criaturinha acha que é uma vitória de toda a gente. Para estes manhosos a política é um jogo sem regras. Só as regras do interesse pessoal contam. Nada tenho contra Costa, muito pelo contrário. Como disse Catarina Martins no debate com Sebastião Bugalho: "Sei que António Costa não é Durão Barroso". Mas estes aconchegos engendrados por gente politicamente sem classificação incomodam-me.
A política é mais do que isso, senhor comentador com ambições. A política é a melhor maneira de resolvermos problemas das pessoas. E só os políticos que estão para aí virados merecem o nosso respeito, digo eu, que não tenho respeito nenhum por muitos dos envolvidos na dita vitória nacional.
As vossas carreiras políticas pessoais que se lixem.

Deus, pátria, eternidade

Há uma gente da classe política que se acha indispensável. Uma vez chegados ao poder acreditam que sem eles o mundo não avançaria. Não me refiro aos históricos nazi-fascistas do costume, mas sim aos que agora pululam por aí. Trump, Putin e Bolsonaro nasceram para liderar. Só a vontade de poder os move. Meloni move-se por lá agora, e não se envergonha do passado fascista de Iltália nem do seu mentor Mussolini. Na Hungria também já há um burgesso de extrema-direita no poder. Na Argentina também. BardellaSalvini, Abascal e Ventura (este parece considerar-se o novo Cristo que desceu à terra), mais os emergentes fascistas que na Alemanha, Holanda, Áustria e por aí afora, observam ansiosos os seus heróis que já experimentaram ou exercem o poder. 

Mas nem todos são da extrema-direita clássica. Alguns puxam da cartilha marxista e acham que assim ficam ungidos pela santa esquerda. O javardolas da Coreia do Norte não distingue a esquerda da direita. É imortal, como o avô e o pai, e lá vai mandando naquela indescritível monarquia. O espalha-brasas da Venezuela acha-se ungindo mesmo, e até chama camarada a Putin, outro que é o que for preciso, desde que seja para limitar direitos e liberdades e para construir (ou será reconstruir?) um império assente no despautério.

Há uma qualquer unção que os apanhou no poder e que os leva a não pensar em outra coisa. Não se percebe, por exemplo, o que pretendem fazer os apoiantes de Lula, no Brasil. Se calhar acham que o homem é eterno. Ele parece achar, e ninguém o desmente. Estes líderes indispensáveis são perigosos. Movem-se imperturbáveis num andor de pechisbeque, seguidos de inenarráveis sabujos que fingem idolatrá-los. Nem todos os fazem pelas piores razões. Provavelmente acham-se mesmo fantásticos e insubstituíveis. Alguém lhes deveria dar esta notícia. Talvez um médico ou um enfermeiro:: vocês são mortais e, como toda a gente, não são imunes ao disparate. Enxerguem-se!

O recente debate Biden-Trump transmitiu-nos uma visão do horror no poder. Um velhinho com debilidades evidentes mirra perante um criminoso aplaudido pelos seus crimes. É a populaça sem trambelho que alimenta o populismo desbragado. Como é que os EUA se deixaram governar por um ser execrável como Trump, e como é que esse farroncas vai de novo exercer a farronquice mais vil e miserável, num país que tem influência nas políticas e nas vidas de todos nós? Como? No partido Democrata não há mais ninguém para substituir o velhinho? E os republicanos só têm nas suas fileiras cretinos, dementes e imbecis arrogantes?

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sexta-feira, 28 de junho de 2024

A plagiar é que a gente se entende

FAZER PELA VIDA | A ministra da saúde copiou e deu a entender que estava a revelar algo único? E então?! A plagiar é que a gente se entende. E se plagiar implica ainda alguma vontade de iludir, copia-se. Para quê perder tempo com originalidades? Trabalhar dá muito trabalho. O melhor mesmo é fazer o que já foi feito. É copiar e esperar que ninguém dê por isso. É fácil, é barato e dá milhões, como sugeria um lema de um concurso da Santa Casa. A preguiça recompensa.

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Filosofia premiada

António de Castro Caeiro vê reconhecido e premiado o seu trabalho "O que é a Filosofia". Este livro, como outros do António, foram apresentados na Casa da Cultura - Setúbal, local onde já é "muito cá de casa". Foi na Casa da Cultura que falou pelos cotovelos de assuntos filosóficos, acompanhado por João Paulo Cotrim. Foi aliás o João Paulo que deu nome à coisa: Filosofia a pés juntos. Depois do João Paulo já não estar entre nós, António de Castro Caeiro ainda esteve à conversa com o Luís Gouveia Monteiro. E ainda houve uma vez em que o António, o João Paulo Cotrim, o José Anjos e o Carlos Barreto participaram na finissage de uma exposição minha na Casa da Avenida. É sempre um gosto muito grande vermos, ouvirmos e lermos estes amigos de tão elevado talento. Este livro premiado também foi apresentado na Casa da Cultura, no espaço João Paulo Cotrim, e a conversa foi comigo e com quem quis aparecer. Não ficaremos por aqui. Parabéns, António. 

A percepção das coisas

Carmo Afonso anuncia hoje que vai deixar de ter opinião no Público. Claro que o Público vai continuar a ter motivos de interesse. Tem entre os seus colaboradores alguns dos melhores opinadores da actualidade. Mas o que aconteceu aconteceu agora, com este afastamento? Esta falta vai ser notada. É que "o que faz falta é avisar a malta", como esclareceu musicalmente José Afonso. E a Carmo Afonso avisa a malta como ninguém. Ficámos sem saber para onde o vai fazer agora. Faz falta sabermos isso.

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Cavaco defende... O quê?!

Cavaco defende eleições para desbloquear. Quer um governo à vara larga. A cavacal verborreia está escarrapachada no Expresso. As embalagens a abarrotar de esferovite (peço licença ao Daniel Oliveira para o uso da expressão tão assertiva), estão a dar o resultado previsto. E cavaco, sempre pouco original, prevê o previsto: Montenegro grande vencedor do arrastão eleitoral. Não li [nunca leio) Cavaco. Até olhar inadvertidamente os retratos do homem colocados na imprensa me causa urticária. Mas encalhei neste anúncio de mais um escrito do Presidente da República mais reaccionário da democracia. A linguagem, diz-me quem o lê, anda próxima da estética literária dos relambórios do ministério público. Vivemos na era da comunicação de plástico. Observamos a imagem da embalagem e compramos o produto. Pode a embalagem vir cheia de esferovite. Que se lixe. A linguagem corporal de Montenegro e Ventura diz muito, dizem-me que é o que diz a psicologia. Já a linguagem que sai da boca Cavaco, Montenegro e Ventura é poucochinha e oca, mas diz tanto às sondagens e ao que elas fabricam.