sexta-feira, 18 de julho de 2025
Mandela
O lixo do luxo
Luís Montenegro é um excelente homem de negócios que nunca deveria ser primeiro-ministro. Para dar um ar respeitável ao discurso cita autores que conhece de nome, mas que não percebe patavina o que escrevem. Percebe-se, aquela cabeça deve ser uma confusão. Deve confundir ministros com clientes, secretários de Estado com amanuenses, assim como confunde a obra dos autores que conhece de nome. Uma salada mal temperada de alhos com bugalhos. Indigestão garantida. Perigo de refluxo.
quinta-feira, 17 de julho de 2025
O frouxo, o fanfarrão e o burro
Temos como presidente da Assembleia da República um linguísta de elevado gabarito. Perante uma intervenção justamente exaltada de Pedro Delgado Alves, depois de uma repreensão do presidente pelo uso da palavra "fanfarrão" por José Luís Carneiro, isto para classificar as intervenções indescritíveis do líder fascista, Aguiar-Branco explicou a diferença entre "fanfarrão" e "frouxo", justificando os insultos do fascista. Os outros líderes têm que medir as palavras. Os fascistas é que não podem ser insultados, que é lá isso!? Aguiar-Branco não é frouxo nem fanfarrão. É ridículo. A benevolente intervenção de Aguiar-Branco foi ruidosamente aplaudida pelos fanfarrões do partido fascista. Está cada vez mais explicada esta aliança das direitas trogloditas, se é que posso usar a expressão. Pedro Delgado Alves envergonha-se das intervenções de Aguiar-Branco. Eu também tenho vergonha de ter esta frouxa criatura como segunda figura do Estado. Os fanfarrões fascistas combatem-se. Os fanfarrões e quem os apoiar.
terça-feira, 15 de julho de 2025
A paz, o pão
segunda-feira, 14 de julho de 2025
O Jornal de Letras
Parece que o JL vai acabar. Como frequente consumidor de informação escrita, tive no SE7E e no JL os meus primeiros entusiasmos. Até ali não havia imprensa com preocupações culturais a sério. Comprei os primeiros exemplares do JL e guardei-os até hoje. As primeiras páginas eram magníficas — as imagens junto não me deixam mentir — porque eram "resolvidas" pelo mestre João Abel Manta, que estendia a colaboração pelo interior. Foi um dos jornais mais incríveis graficamente. Lembro-me de muita coisa que percebi ali pela primeira vez.
Da fé
A extrema-direita usa a religião como ferramenta sua de trabalho político. Sugerem imposições de atitudes religiosas porque acham que isso é popular. Trump faz presépios pelo Natal e quer todos ajoelhados perante ideia tão maravilhosa. Os palonços que o seguem em todo o mundo também. O veterinário do partido fascista quer um presépio na Assembleia da República. Quando o partido fascista for governo está prometido. Todos somos incréus sujeitos às fantasias desta gente descerebrada.
domingo, 13 de julho de 2025
sábado, 12 de julho de 2025
O lugar da Poesia
sexta-feira, 11 de julho de 2025
HÁ VIDA INTELIGENTE BEM PERTO DE NÓS | Mostras. performances, atuações com atitude. É bom passear pela cidade. É bom perceber que há quem não esteja rendido ao imobilismo.
MAPS 2025
10 a 19 de julho
Setúbal
quinta-feira, 10 de julho de 2025
Privatizar, privatizar, privatizar sempre
E pronto, a TAP já lá vai. O Governo da direita governamental, apoiado por situacionistas e oposicionistas — o sistema a funcionar, ao contrário do contraditório permanente do fascista Ventura — avança sem hesitações e com toda a energia com esta pretensão já antiga.
terça-feira, 8 de julho de 2025
Ver o que se olha
Tudo existe para acabar em uma fotografia" escreve Susan Sontag, no livro "Sobre Fotografia", publicado em 1977. João António Fazenda expõe, na Casa da Avenida, fotografias que resultam de viagens, vivências, coisas que lhe aconteceram. São documentos visuais que expõem emoções e vontades. Percebe-se uma lúcida percepção do seu tempo. Uma vontade de participar no que acontece à sua volta.
João viajou, olhou, viu, perguntou e tentou obter respostas. As respostas possíveis estão agora ali, naquelas paredes. São as conclusões de alguém que olha com o seu particular olhar. Sebastião Salgado advertiu: "Tu não fotografas com a câmara, fotografas com a tua cultura". Verdade que João António Fazenda conhece. As fotografias que estão expostas na Casa da Avenida são testemunhas de um percurso de vida que se percebe intensa e vivida com os olhos bem abertos. Alude-se a José Afonso em fotografia de cartaz em sua homenagem no Theatre de la Ville, Paris, em finais dos anos oitenta do século passado. José Afonso escreveu "Há quem viva sem dar por nada, há quem morra sem tal saber". Temos aqui a sensação que João António Fazenda deu por tudo e continua a dar. Ouvidos e olhos alerta. Estas imagens revelam sentimentos, um olhar exigente e uma maneira atenta de se olhar para o nosso tempo. O tempo de João é o nosso tempo. Estamos ali. Somos figurantes de um tempo feliz que insiste em existir. Temos que insistir em existir. Ainda não acabámos, como alertou Jorge Silva Melo. Não vamos acabar, digo eu. Insistimos na luta pela justiça e pela felicidade. Parabéns, João.
VER CLARAMENTE VISTO. João António Fazenda. Casa da Avenida, Setúbal. Até 3 de Agosto, 2025
Vómito
COERÊNCIA E FALTA DE VERGONHA | Isto faz todo o sentido. Um criminoso sem autorização para pisar solo nenhum, por mor de condenação internacional por crimes de guerra, indica o seu idiota útil preferido para receber o Prémio Nobel da Paz. Se o apelo funcionar vamos assistir ao derrapar da ideia Prémio Nobel para os patamares mais baixos do reconhecimento da cidadania. Os idiotas estão na moda. São promovidos, eleitos, elogiados. Governam iluminados pela ignorância e pela arrogância que as suas fracas cabecinhas lhes ditam. São ridículos, mas são também perigosos. Os idiotas inúteis que os elegem aprovam tudo o que esta gente imunda vomita. O cheiro a vómito espalha-se pelo mundo. É a nova realidade. Que gente, esta gente.
segunda-feira, 7 de julho de 2025
Da abjeção
ELOGIO DA PARVOÍCE CRIMINOSA | Confesso que já faço estes desabafos com as lágrimas a espreitar, tal como a deputada do Livre. Isto é insuportável. Mariquices, como diria o cretino do Ventura. O crime instala-se. A vergonha desaparece.
Mas isto que nos está a acontecer não vai parar? André Ventura e Rita Matias não passam de duas criaturas com um comportamento miserável. O que disseram na Assembleia da República não é aceitável. Marcos Perestrello, na altura em funções de gestão da mesa, achou tudo aquilo normal. Aguiar-Branco, o inspirador das possibilidades de agressão, também veio dizer que sim, Perestelo teve razão e assim é que é: a opinião é livre mesmo quando põe em causa o direito à privacidade de crianças. Os argumentos são ridículos. Toda esta gente é ridícula. André Ventura e Rita Matias, dois seres humanos sem classificação que omitem e mentem para satisfazer os seus intentos, são defendidos por "democratas" de pacote para quem tudo é aparentemente possível. Até ofensas a princípios democráticos e constitucionais. O exercício da democracia está a ficar insuportavelmente pouco democrático. Com democratas como Marcos Perestrello e Aguiar-Branco a democracia não precisa dos fascistas para nada.
domingo, 6 de julho de 2025
Já é muito tarde
DEMITA-SE, SENHORA MINISTRA | A senhora ministra da Saúde foi colocada no lugar que ocupava antes das eleições. Eleições vencidas, o homem de negócios que ocupa o lugar de primeiro-ministro preferiu os negócios das doenças ao investimento no Serviço Nacional de Saúde. A senhora é competente a representar os privados. Está bem no lugar. Mas as pessoas que precisam de ser tratadas não podem estar pior. Urgências fechadas, uma criança morre porque a mãe não tem condições de a transportar para o hospital e trapalhadas na gestão, permitem temermos o pior. Tudo isto é muito chocante. Esta senhora não tem as mínimas condições para ocupar aquele lugar. Devido a esta insistência de Montenegro morre gente. A arrogância deste governo AD/CHEGA já mata. A ainda ministra da Saúde com certeza sabe fazer outras coisas, mas para ministra da Saúde não serve. As provas estão nas notícias diárias. O problema não é pessoal. Outro ocupante do cargo nomeado por um governo ferozmente neoliberal irá manter políticas neoliberais. Mas quando morre gente a culpa não pode ficar solteira. Demita-se, senhora ministra. Já é muito tarde.
sábado, 5 de julho de 2025
Morreu o general Garcia dos Santos. Militar de Abril. Pessoa integra e solidária. Convivi com ele algumas vezes. Confesso que gostei do convívio. Muito. Adepto do fim da corrupção. Contou-me, em um dos convívios, o que sentiu no dia da revolução. "Eu percebi que estava tudo controlado. Estava cansado. Foram muitas noites sem dormir. Fui para casa. Voltei depois. Gostei da festa, mas estava mesmo muito cansado. E vi muita balbúrdia desnecessária. Não concordo com tudo". Recordei-lhe o que dizia Manuel António Pina quando o abordavam para assinar algo contra o fascismo no tempo da ditadura: "Muito bem, onde querem que assine?". Mas, não lê o texto? "Mas, não isto não é contra o fascismo?". É. "Então, tudo bem, é que se vou ler já não assino". Garcia dos Santos riu-se em ligeira gargalhada de aprovação.
Esta atitude de Pina define muito bem o que temos pela frente. Podemos não estar de acordo com tudo o que nos aparece como alternativa, mas agora é o fascismo que se avizinha. Temos que combatê-lo todos. Unidos. Os sessenta fascistas que se sentam no parlamento são ervas daninhas. Honremos gente como este homem íntegro que agora nos deixa. Muito obrigado, general Amadeu Garcia dos Santos. Foi bom viver no seu tempo. 25 de Abril, sempre!
sexta-feira, 4 de julho de 2025
Deixem o Luís e o André trabalharem
Isto tinha que acontecer. Montenegro das avenças e Ventura dos chiliques ornamentados a baba e ranho entendem-se bem e depressa. São feitos da mesma massa. Nasceram politicamente no partido fundado por sociais-democratas — apesar de uma social-democracia estranha, sempre a pender para a direita —, que depois Cavaco e Passos estragaram tornando o partido qualquer coisa parecida com um "albergue espanhol", e, aí sim, já definitivamente alinhado com a direita mais sinistra. Foi deste albergue que Ventura saiu para fundar o partido fascista.
Por trás daquela janela
Interpretações de vidas que nos despertam e esclarecem. Maneiras de olhar que nos perturbam mas aliviam dores. Pensar é bom. Olhar e tentar perceber alimenta-nos os sentidos.
Olhei para este texto de Teresa Rita Lopes com novas lentes. Talvez a passagem do tempo tivesse alterado o ambiente. Não alterou. Lembrei-me da música de José Afonso "Por trás daquela janela", dedicada a um seu amigo preso pelos fascistas no tempo da ditadura. Tempo que parece estar a provocar saudades a quem não o viveu. Imbecis sempre existiram.
Este texto interpreta a angústia provocada pela falta de liberdade. Tentei criar um ambiente lúgubre, onde qualquer vislumbre de conforto não existisse. Paredes que aludem a um reboco em cimento, executadas por técnica da pintura artística. Camas anti-sono. Roupas sem conforto. Não existem ornamentos para teatralidade corriqueira ou para apelos a sentimentos de riso fácil ou de tristeza de circunstância. Procura-se o mínimo. Um fósforo é um foguetório para quem não vê a luz do dia. Os raios de luz da manhã são luxo. Esta simplicidade é perturbadora porque o medo está sempre presente e a repressão dos guardas prisionais espreita. No final, um som reproduz os passos da canção que iniciou o processo contra o fascismo. É a esperança em que melhores dias se aproximem.
Mas atenção: não é de momentos deprimentes que falamos. É de beleza e de inteligência. Esta peça é lindíssima, atrevo-me. Isso deve-se a um trabalho de grupo exercido com rigor e profissionalismo por Gertrudes Félix, na execução de roupas e outras costuras; Rui Curto, na construção das peças cenográficas; José Santos, nos efeitos sonoros e visuais; João Carlos Fonseca, nos acertos técnicos cenográficos; Ana Isabel Delgado na produção.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
Amigos para sempre
Tudo se resume a uma feira de egos. Trump é líder do movimento. Eleito pelos idiotas que nele votaram, diz e faz o que lhe apetece. Desrespeita juízes incómodos, despede quem lhe faz frente mas pouco. Mas esse pouco é muito para o imbecil que manda. É claro que quem lhe faz frente também não presta para nada, fica assim tudo entregue a quem vai passando por entre os pingos da chuva.
O "trumpalhão" acha-se digno do Prémio Nobel da Paz. Move influências. Faz declarações, naquela verbalização básica que o caracteriza, insinuando impossibilidades que alega serem ultrapassáveis. É elogiado de maneira infantil pelo lambe-cus que é líder da estrutura militar que programa guerras no mundo. O traste atacou o Irão sem passar cartão a ninguém. Apoia o criminoso que arrasa Gaza como amigo de sempre. Como é possível este "chegar-se à frente" para um prémio que reconhece quem luta pela paz, quando só se pensa na guerra dos negócios pessoais? Os merdas querem limpar o terreno de gente incómoda que nasceu ali e quer lá ficar. Morre gente, que para esta gente não é gente: são obstáculos a abater. O mundo não está estranho. Está é minado de imbecis carregadinhos de poder. Isto está é tudo estragado.
terça-feira, 1 de julho de 2025
Entre margens em Londres
As revistas, a música, a fotografia, a performance, as coisas visuais. Brian Eno, David Byrne, 4AD, The Face, Arena, marcaram o meu tempo de descobertas sonoras e visuais quando essas coisas são as coisas fundamentais do nosso crescimento intelectual.
A minha primeira viagem a Londres, em finais de 1987, deu-me a conhecer Robert Mapplethorpe na sua grandiosa exposição de retratos. Registos impressionantes de amigos artistas impressos com grande definição em telas de grande formato. O catálogo continua a ser visitado. Neville Brody também mostrava por lá os seus trabalhos gráficos em exposição/instalação gráfica (não sei se estou a pecar muito com esta definição) que me preencheu os sentidos e despertou ainda mais a curiosidade pelo seu trabalho. Mais tarde, em 2000, fui à abertura da Tate Modern. Percebi isso porque agora está a ser comemorado o vigésimo quinto aniversário do empreendimento.
Londres está diferente. O cosmopolitismo mantém-se. O respeito pela necessidade da Educação e Cultura (assim com letra grande), também me pareceu continuar a ditar regras. Agora fui lá visitar Anselm Kiefer. Exposições na Royal Academy e na White Cube. Preferi a segunda, apesar de o ambiente ser equivalente, o design expositivo na White Cube pareceu-me mais atento às obras expostas e seus derivados. Talvez uma das melhores exposições que já vi em toda esta minha existência. Londres apetece sempre. Não vos maço mais. Vão até lá. Anselm Kiefer justifica o tormento nos aeroportos. E a cidade também.
Agradecimento especial aos meus amigos Carole Bonifas e David Neal, que nos deram a conhecer uma zona mais estreita do rio que vai dar à grande cidade. Zona essa muito simpática e exclusiva onde três tradicionais pubs, virados para o rio, permitem a partilha de momentos inesquecíveis. É bom estar com amigos. Até já.




























