sábado, 24 de fevereiro de 2024
Música e design gráfico
A próxima Festa da Ilustração - Setúbal vai trazer de novo a imagem na obra de José Afonso. Vamos ter as capas dos discos em convívio expositivo. Vamos voltar a privar com os trabalhos dos designers que vestiram os trabalhos gravados de José Afonso. É de excelência visual que falamos.
José Afonso escreveu e cantou músicas novas. Mudou o mundo da música portuguesa. Para a divulgação do seu trabalho convidou competentes designers para vestir os LPs que ía lançando para nosso prazer e sorte. José Santa Bárbara foi o mais chamado. Mas José Brandão, Alberto Lopes e João de Azevedo também foram convocados. Em Abril de 2017 ocupámos as paredes da Casa da Cultura com uma grande exposição sobre o trabalho gráfico na obra de José Afonso. Chamou-se à mostra "Mas quem vencer esta meta que diga se a linha é recta". Estiveram presentes os autores mencionados. João de Azevedo também, é claro. Conheci-o em 2013. Só lhe atribuía o pormenor de ter feito a capa do disco "Com as minhas tamanquinhas". Percebi que é um homem cheio de mundo. Convidei-o para desenvolver a ideia iniciada nas "Tamanquinhas", com o sentido de fazer uma exposição na Casa Da Cultura | Setúbal Aceitou o convite e entusiasmou-se. O resultado foi uma exposição transbordante de alegria e emoção. Em Maio de 2015 João de Azevedo expunha pela primeira vez o trabalho que desenvolveu à volta da capa desse álbum.ROMA/SETÚBAL NA CAPA DE UM DISCO | Quando José Afonso convidou João de Azevedo para conceber graficamente a capa do disco, havia uma grande distância a separá-los. João estava em Itália, José Afonso em Setúbal. A encomenda foi feita com a tecnologia possível na época: telefone fixo. José Afonso ligou ao João solicitando a tarefa. O briefing foi feito assim: José Afonso cantarolou ao telefone a música que dá nome ao álbum e descreveu a ideia geral da coisa. Entendido o pretendido, João envia de Roma para Setúbal, por correio, o resultado final, com três hipóteses para escolha. A ilustração mantinha-se, mas os fundos eram à escolha do freguês José Afonso. Um era azul mais ou menos turquesa, outro era num amarelo assim para o torrado, e a terceira escolha era o rosa vivo que veio a ser escolhido pelo dito freguês. Esta história foi-me contada pelo João. Sei que José Afonso ficou radiante com este trabalho. Disse-mo a mim. Eu também gosto muito desta capa. E das outras.
O álbum "Com as minhas tamanquinhas" saiu em 1976. É o trabalho mais directamente político de José Afonso. Andam por lá denúncias, ironias, gozos tremendos. Os desenhos de João de Azevedo documentam essas preocupações e desejos, agora que estas músicas únicas e intemporais voltam a circular nos pratos dos gira-discos, nos leitores de CDs, nas plataformas musicais, nos nossos sentidos. Muito obrigado, João de Azevedo. Muito obrigado, José Afonso.
[Fotografia: João de Azevedo e José Afonso em Roma, e capa do álbum "Com as minhas tamanquinhas".
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024
Às vezes não tenho jeito para falar de amigos
José Afonso morreu há 37 anos. O nosso comum amigo Henrique Guerreiro ligou-me a dar a notícia. Foi a madrugada mais triste que tinha vivido até aí. Continua a ser. Este fim marcou-me por muito tempo muito intensamente. Todos os anos a chegada deste dia deixa-me em completo desconforto. Doeu. Muito. Nesta imagem estou com José Afonso, em fotografia de Armando Reis, para um trabalho publicado em 1986. É a única fotografia que tenho em que estou com ele. Tempo em que fotografias só com máquinas fotográficas. Mas a memória guarda muitas imagens inesquecíveis. Quem conheceu José Afonso não o esquece. Mas quem não o conheceu pessoalmente também não o esquece. A sua obra não cairá no esquecimento, agora que está a ser reeditada e divulgada com o rigor que ele exigia.
José Afonso é a minha maior referência cultural e cidadã. Tive a sorte de ter crescido a trezentos metros de sua casa, em Setúbal. Comecei por ouvir o meu pai e a minha mãe falarem de um tal Dr. José Afonso que cantava baladas contra "a situação". Em 1973, entrou lá em casa "Cantares do Andarilho". "Vejam bem, que não há só gaivotas em terra, quando um homem se põe a pensar". Que estranho, que coisa nova está a acontecer à música feita no país do fado, futebol e touradas. Eu, que já não ia em festivais desde o fim da instrução primária, fiquei a pensar naquelas palavras. Sem palavras.
Sempre me interessou o que se fazia no mundo. Sempre virei costas à imundice provinciana do fascismo setubalense. Havia até um clube que ostentava esse nome. Era o clube setubalense, inundado de empresários da cidade. Não eram admitidos "pés rapados", como eles diziam. O meu pai, pequeníssimo empresário, muito bem calçado, recusou-se sempre a entrar no covil. Eu percebi entretanto que existia um sítio chamado Círculo Cultural de Setúbal, mas a inferioridade da minha pouca idade não me permitia ainda subir as escadas do edifício da 5 de Outubro. José Afonso foi um dos seus fundadores e animadores. Um luxo em Setúbal.
A figura de José Afonso sempre me fascinou. A minha sede de cosmopolitismo nasceu com o seu exemplo. Ele queria conhecer o mundo todo. Queria perceber a vida das pessoas. Foi viver para Setúbal para ser professor do Ensino Secundário. Escolheu Faro ou Setúbal. Porquê? Porque eram cidades perto de aeroportos. Calhou-lhe Setúbal na caderneta de professor. A coisa correu bem. Fez amigos e fez crescer atitudes. Correu mal quando foi denunciado por ter cantado "Os vampiros" numa sessão de convívio. Quem o denunciou foi a filha de um dirigente da bola que não era boa da bola. José Afonso adorava futebol, praticava a modalidade no pavilhão da Movauto, com outros amigos, mas nunca foi em futebóis. Mas, correu mal quando foi denunciado? Pelo contrário: perdeu-se um excelente professor, mas ganhou a cultura musical. A nova situação de desempregado obrigou-o a dedicar-se à música a tempo inteiro. Arnaldo Trindade percebeu o que poderia acontecer. José Afonso assinou contrato com a Orpheu e começou a gravar regularmente. A música portuguesa tornou-se sofisticada e interventiva. Metáforas literárias e visuais escondiam o que o regime fascista não queria que se ouvisse. Mas ouvíamos e percebíamos.
A distância que senti em relação a alguém com tão elevada estatura intelectual não adivinhou a amizade que depois mantivemos até ao seu fim. Sem distâncias. José Afonso aproximava as pessoas. Tinha um fascínio que nos aproximava dele. Cultíssimo, bem informado, surpreendia-nos com um sentido de humor a que não estávamos habituados. Havia a surpresa. O inesperado. Era um astuto observador de realidades. Isso percebe-se na sua obra. O seu empenho nas causas cidadãs era notório e intenso. Conheci-o ainda nas instalações da 5 de Outubro do Círculo, já depois do dia 25 libertador. O café Tamar era lugar de encontro. Frequentava a sua casa. Tornei-me amigo da família. Até hoje. As estantes de livros daquela sala tão confortável, eram a floresta que me esclareceu hesitações literárias. Houve uma vez que, estando eu lá em casa, um jornalista espanhol que o foi entrevistar pediu-me para fazer as fotografias. Já fui fotógrafo da imprensa castelhana, portanto.
Com a passagem do Círculo Cultural para a Rua Detrás da Guarda (estranho nome que ainda hoje se mantém, infelizmente), edifício onde hoje existe a Casa da Cultura, a minha intervenção na actividade da colectividade passou a atingir proporções de permanência. Graças à sua ligação ao Círculo participaram em sessões das mais variadas actividades as mais variadas figuras da cultura portuguesa. Como estudante com alguma disponibilidade acompanhei essas actividades por perto. Por perto não; por dentro. Conheci gente do teatro, da música, do cinema e de todas as áreas da cultura artística. Gente de grande talento e também generosidade. Acompanhei representações, carreguei caixotes, desenhei e distribuí a propaganda avisadora. Acompanhei grupos de teatro como "A Comuna" e "A Barraca". Músicos como Adriano, Vitorino, Fausto, Sérgio Godinho, Emilio Cao, Pi de la Serra, Luís Cília, José Mário Branco. Malta do teatro como Manuela de Freitas, Melim Teixeira, João D'Ávila, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra. Bem, não cabe aqui muito mais gente. Fiquemos por aqui.
Fui a muitos espectáculos com José Afonso. Era um grande privilégio acompanhar alguém que deixava tudo em estado de espanto com a sua chegada. Eu, munido de grande curiosidade intelectual, bebia as palavras e os sons de tantos artistas de esdrúxulo gabarito. Ficou algumas vezes em minha casa, quando regressava de espectáculos que acabavam tarde. A sua casa, na Bento Gonçalves, era perturbada pelo ruído de autocarros e trânsito intenso a horas que não o deixavam descansar depois de noite de canto e convívio até tarde. A casa dos meus pais, onde eu então vivia, era mais resguardada. Lembro-me de falarmos de Arte em geral e de música em particular. Lembro-me do que ele não gostava nada e do que apreciava com vontade militante. Uma vez levei-o a uma exposição em que eu me tinha envolvido. Rogério Ribeiro, meu professor, expôs no Museu de Setúbal/Convento de Jesus. Exposição notável. A galeria foi redesenhada por Rogério Ribeiro. Quando lá cheguei com José Afonso, Rogério estava por lá. Apresentei-os. Ficaram amigos. José Afonso falava da exposição a toda a gente que lhe aparecia pela frente. Chegou a agradecer-me aquele contacto. Também "desabafou" comigo a sua opinião sobre as capas dos seus próprios discos. Falava com grande entusiasmo da relação de amizade com João de Azevedo, autor da capa de "Com as minhas tamanquinhas". Conheci mais tarde, muito mais tarde, esse homem maravilhoso que foi João de Azevedo. Percebi aquela amizade.
Convidei o João de Azevedo para que desenvolvesse a ideia da capa das "tamanquinhas", para uma exposição na Casa da Cultura de Setúbal. Fez vinte trabalhos notáveis, formato 70X100, que depois correram mundo. Desenvolvi uma exposição, também na Casa da Cultura, sobre as capas dos trabalhos gravados com intervenção de designers. Esta exposição foi uma das maiores produções feitas naquela galeria. Tenciono voltar à carga. Muito brevemente será desenvolvido um trabalho que abordará essa inovação na concepção de capas de discos em Portugal. O design das capas dos discos de José Afonso são rigorosos manifestos visuais.
Os trabalhos gravados de José Afonso estão a ser agora reeditados. Gravações remasterizadas que mantiveram as capas originais concebidas por designers como José Santa-Bárbara, José Brandão, João de Azevedo e Alberto Lopes. Trabalhos visuais que são pérolas. Fui convidado pela família e pelo editor para fazer os cartazes promotores dos lançamentos das novas edições. Trabalho que me honra e alegra. O Zeca (como era chamado pelos amigos) merece tudo. E todos merecem conhecer José Afonso. Recordá-lo é estar com ele. Há pessoas que não morrem. Vivem aqui, todos os dias, na nossa memória e na obra. E que obra. Muito obrigado, Zeca.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
Normalizar anormalidades
Parece que estamos a assistir a uma intensa normalização da extrema-direita. Vale tudo. Como se não bastasse o chunga neofascista, os palonços empenhados em normalizar a direita mais abjecta, vão buscar o amigo de políticos adeptos do compadrio e do capitalismo popular. Cavaco foi a primeira cara da extrema-direita em Portugal. Cavaco só dispara inanidades. Também os programas da manhã das televisões generalistas andam a normalizar os novos fascistas. Isto não é normal. É abjecto. Mas, se pensarmos bem, até faz sentido. Os programas da manhã das televisões generalistas são feitos por idiotas para idiotas.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2024
O tempo dos grunhos
Por outro lado, o chefe dos neofascistas veio assumir que era o líder dos polícias que querem subverter o sistema democrático. Percebemos tudo. Havia mulheres a espreitar atrás do chefe dos grunhos. Ver uma mulher a apoiar o Chega é repugnante. Esta gente quer ser condenada a arear tachos e panelas e a ser protegida pelo macho que se instala na sala a ler o Correio da Manhã? Que gente é esta?!

Debater, debater, debater
A GRANDE BALBÚRDIA VAI SER O DIABO | Luís Montenegro estava mal preparado. Pedro Nuno Santos estava bem preparado. Desta vez os senhores comentadores estão quase todos de acordo. Isto apesar da parvoíce do discurso futebolístico. Não há pachorra para tanta bola à trave, ou lá o que é. Eu, que não sou comentador, comento o seguinte: a grande balbúrdia de que fala Pedro Nuno Santos ainda está para acontecer. A balbúrdia de que fala Pedro Nuno Santos é o diabo de Pedro Passos Coelho. Debater é importante, mas governar também é preciso. Por este andar teme-se o pior.
domingo, 18 de fevereiro de 2024
Os senhores comentadores
Carmo Afonso põe os pontos nos is. Ou, para sermos mais exactos, põe dois pontos na conversa fiada dos senhores comentadores: quem mente ganha debates? É a mentira estratégia aceitável? Tenham juízo, senhores comentadores da treta.
sábado, 17 de fevereiro de 2024
E agora o filme
https://fb.watch/qgO2GGdUEG/
A MENINA COM OS OLHOS OCUPADOS | O filme está a chegar. Fiz parte do júri do Prémio Nacional de Ilustração que distinguiu este trabalho do André. Fico mesmo muito contente com este trajecto. O livro é simplesmente incrível. Pedagógico e lindo. O filme vai ser outra pérola fornecida por este artista extraordinário. Anseio por vê-lo.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
Caminhar na paisagem
A exposição de Miguel Navas na Galeria Monumental é um caso. Excelente exposição onde a surpresa se instala em cada trabalho. Fazer este percurso esclarece a vontade do artista de olharmos a paisagem percorrendo-a com outros sapatos.
Kremlin: ordem para matar
Navalny morreu na prisão depois de uma caminhada. Esta é a versão oficial dos déspotas russos. Mas, com o historial de crimes por envenenamento que têm no curriculum, alguém acredita na candura dos esbirros do criminoso Putin? Estar preso por pensar diferente já é um crime cometido pelo regime. Morrer por isso é uma afronta a quem defende a liberdade. Putin é o chefe de um gangue de criminosos vulgares, mas com ordem para matar por terem o criminoso Putin como chefe.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
As palavras são actos
Receituário
A OUTRA MARGEM | No próximo sábado, dia 17, vamos falar sobre o que é a outra margem. A margem sul é o lado de lá. O lado que não é o nosso. E onde fica o nosso lado?
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
Debater o quê?
CHEGAR AO POTE COM O CHEGA? | Os debates eleitorais andam longe da minha curiosidade. O candidato do partido neofascista causa-me infecções e alergias. O estilo é repugnante. Um malcriado sem trambelho.
sábado, 10 de fevereiro de 2024
Entre basalto e flores em Angra
Abertura da exposição ENTRE BASALTO E FLORES, de Ana Maria Bettencourt, em Angra do Heroísmo. Reencontro de amigos e curiosidade por este trabalho que interpreta a paisagem açoriana com rigor intelectual e estético. A intervenção do presidente da edilidade, José Gabriel do Álamo Meneses, foi uma lição sobre o que deve ser feito para preservar o que de bom existe. Ana Maria Bettencourt esclareceu motivos e vontades. Todos os visitantes saíram dali com a curiosidade satisfeita mas com vontade de ver mais. Foi bom. Muito bom.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
Democracia, para que te quero?
Vivemos um tempo estranho. Governo de gestão, sem poderes. Campanha eleitoral em marcha. Agentes da GNR e da PSP voltam aos protestos, segundo a Lusa. Com que intenção, sabendo que nada podem obter?
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Atentado
MUSK MERDA | Este estropício quer entrar na mente humana. Este amigo de Trump e Meloni quer que toda a humanidade seja como ele. Velho do Restelo, eu?! Alguém acredita nas boas intenções do traste? Este nazi-fascista não quer que as mulheres e os homens evoluam e cresçam. Pelo contrário: quer que mirrem e pensem como ele e os outros tontos como ele. A humanidade está em perigo, com estes anormais a mandar. O mundo deve avançar a régua e esquadro. Esta iniciativa de colocar "chips" no cérebro das pessoas faz parte desse traçado, mas com tecnologias sofisticadas. É o novo mundo de merda que estes merdas da extrema-direita querem impor.
domingo, 4 de fevereiro de 2024
Quem nos defende?
AS POLÍCIAS JÁ TÊM O SEU PRÓPRIO ANDRÉ VENTURA | Todos sabemos a influência que o partido neofascista de André Ventura tem nas polícias, mas ainda não sabíamos que as polícias já tinham o seu próprio Ventura. Armando Ferreira, líder sindical das polícias, assume o papel de desbocado sem trambelho. Ontem ameaçou em directo pôr o sistema democrático em risco. Se este líder sindical quiser as urnas de voto não irão para contagem. Ou seja: fica tudo na mesma como a lesma. A irresponsabilidade é gritante. Isto é delinquência pura. Vamos passar a depender destas cabecinhas de vento para vivermos em segurança? E que segurança? Se a polícia vai boicotar um acto eleitoral, quem defende a democracia? Quem chamamos para nos defender desta gente inenarrável?
O SENHOR AGOSTINHO | A gestão do memorial desta geringonça alerta-me para este escrito que aqui botei já lá vão seis anos. Agostinho Ferreira passou pelas principais empresas gráficas da região: primeiro na Litografia Sado, depois nos Armazéns de Papéis do Sado (no local onde agora está A Gráfica - centro de criação artística), e mais tarde fundou a Corlito, com outros colegas de profissão. A sua competência percebia-se nos primeiros minutos de conversa, mas o profissionalismo era provado na maneira como arte-finalizava os trabalhos por nós concebidos. Resolveu dezenas de maquetas minhas. Fomos amigos. Recordo-o com saudade.
Morreu no dia 4 de fevereiro de 2018. Alinhei estas palavras na altura:
AGOSTINHO FERREIRA | Morreu o mestre Agostinho Ferreira. O Paulo Curto deu-me a notícia. O Paulo, mas também o Maurício Abreu e eu sabemos perfeitamente o que este homem representou para as artes gráficas. Cartazes, livros, folhetos e brochuras, muitos dos documentos impressos que um dia passaram pelas mãos e olhos de todos nós, foram "apurados" pelo mestre Agostinho. Fundou, com os seus colegas e amigos Henrique, António e Alfredo, uma empresa que deu cartas em qualidade na impressão gráfica. Num tempo em que os computadores ainda eram ficção científica, Agostinho Ferreira desfazia as nossas angústias perante a representação final de um trabalho. Transferia para as películas transparentes as cores e as formas que a nossa inquietação idealizava.
sábado, 3 de fevereiro de 2024
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
Morte ao fascismo
O Expresso anuncia assim a sua maneira singela de exercer a democracia nas eleições que se avizinham. Cinquenta anos depois do fim do fascismo como sistema do poder, a direcção deste jornal entende que se deve discutir a democracia e eleições com um neofascista e sem o líder do PCP, que foi o partido que combateu com mais coragem e persistência o fascismo que o neofascista sorridente no retrato agora quer recuperar. Isto é revoltante.
































