domingo, 18 de dezembro de 2022

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. Charlie Hebdo
Sempre fora dos eixos, mas assertivo (seja lá isso o que for, ou chamem-lhe o que quiserem).

sábado, 17 de dezembro de 2022

Com João Paulo Cotrim






E para ali estivemos, tatibitates, a tatibitatear o que nos viria à cabeça se o João Paulo (Cotrim) ali estivesse com a gente. A sua gente, diga-se. Ele não apareceu. Ficou escondido nas palavras que nos deixou para nosso regalo. Pensava em tudo, o sacana, e não queria que nos faltasse nada. Só que sabe a pouco, este excepcional trabalho do Jorge Silva, que agora provocou este encontro na Barraca, ontem, e que hoje nos vai levar ao Museu de Setúbal — 17 horas , na sala da exposição NUVENS. Trabalho excepcional, repito, que nos dá vontade de procurar tudo o que ele pensou e passou para escrita. Esta escrita é do caraças. Faz-nos andar ali às voltas: ler, olhar, voltar atrás, olhar de novo, tentar perceber, perceber, saborear as palavras, como se estivéssemos à mesa, em postura de petisco. Vamos ter de encontrar o que ele escreveu mais: ensaio, poesia, crónica, esboços de textos que são já grandes textos mesmo em esboço. Foi tão bom conhecer o João Paulo (Cotrim). Foi mesmo um grande prazer. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Receituário

Casa da Avenida

Livraria Snob

Este fim-de-semana está a abarrotar de estímulos para a nossa vontade de gastar dinheiro. Bem gasto, diga-se, e em produtos de estalo. Falo das virtudes do consumismo sugeridos por organismos geridos por amigos e que se inserem longe das chamadas grandes superfícies, que de grandes só têm mesmo a superfície.

Em Lisboa, a Galeria Monumental e a livraria Snob têm pilhas de desenhos e de livros, respectivamente por esta ordem — produtos culturais de gabarito, note-se — que fornecem por quantias acessíveis.
Em Setúbal, correspondem a esta minha exigência, a Casa da Avenida, com o seu já tradicional Natal de Papel, e a lindíssima livraria Culsete, que nos apresenta os livros tão bem que até mete impressão. Boa impressão, diga-se.
E pronto, sugiro visita. E depois, este sábado, às cinco da tarde apareçam no Museu de Setúbal/Convento de Jesus para falarmos da obra gráfica — escritos sobre ilustração — de João Paulo Cotrim. Há tempo para tudo. E há horas felizes. Festas felizes. Bom fim-de-semana.
Casa da Avenida

Livraria Culsete



quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

João Paulo Cotrim



OBRA GRÁFICA | Apresentação em Setúbal, sábado, às cinco da tarde, na exposição de João Francisco Vilhena que ainda está patente no Museu de Setúbal/Convento de Jesus. Falamos deste livro e do último projecto publicado por João Paulo Cotrim: NUVENS. 

Esta apresentação funcionará como finissage da Festa da Ilustração - Setúbal. Para o ano há mais. Foi uma grande festa, dedicada a uma grande figura da cultura portuguesa. É um prazer estar nela.

Badalamenti


Assim de repente lembro-me de Blue Velvet, Twin Peaks, The Straight Story e Mulholland Drive. Trabalhos que nasceram da colaboração com David Lynch. Mas fez muitos mais. Ajudou-nos a perceber melhor as fitas. É um grande compositor que desaparece. Fica por cá o que fez. É muito. Muito obrigado, senhor Badalamenti.

É preciso fazer um desenho?


É, sempre. João Paulo Cotrim não desenhava, mas desenhava. Desenhou estes textos com olhos de escritor e cabeça de desenhador. Desenhou com palavras. e desenhou tão bem. É Por isso que este livro tem por subtítulo OBRA GRÁFICA DE JOÃO PAULO COTRIM. Será uma ironia, mas uma ironia que estabelece uma ligação entre uma coisa e outra com a inteligência e o rigor intelectual a que nos habituou João Paulo.

A apresentação é n' A Barraca, em Lisboa, mas no dia seguinte estaremos em Setúbal, sábado, às cinco da tarde, na exposição de João Francisco Vilhena que ainda está patente no Museu de Setúbal/Convento de Jesus, para falarmos deste livro e do último projecto publicado por João Paulo Cotrim: NUVENS.
Esta apresentação funcionará como finissage da Festa da Ilustração - Setúbal. Para o ano há mais. Foi uma grande festa, dedicada a uma grande figura da cultura portuguesa. Foi quase um prazer.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Aparentemente nascemos todos iguais, mas não


Annie Ernaux
pretende “reparar a injustiça social ligada à classe atribuída pelo nascimento”. Retive esta frase do discurso de laureada, na entrega do prémio. E gostei do que ouvi. Ler a escritora faz bem. Perceber o seu papel na vida também acrescenta alguma coisa à nossa percepção das coisas.  O comité Nobel reconheceu a escrita e a vida de uma grande senhora.

Maria Manuel Viana


Uma vez encontrámo-nos num lançamento de um livro de Enrique Vila-Matas. Aconteceu algo inesperado, no mínimo: o livro não apareceu. Vila-Matas não se desmanchou e falou do livro com toda a propriedade. Era o seu mais recente livro e estava ali a ser apresentado sem objecto físico. Viemos a saber que a distribuidora o mandou para a FNAC-Chiado, mas aconteceu qualquer coisa estranha e o que é certo é que saímos dali sem livro.

Conto esta história porque foi assim que conheci melhor Maria Manuel Viana. Ela tinha traduzido aquela obra. Sem o assunto esperado, acabámos por falar de outros livros do autor em causa e também sobre os livros dela. Eu só tinha lido "Evidências Nocturnas" e lá disse o que se me aprazou. A conversa durou, e eu tive o privilégio de estar ali a dar à língua com tão ilustres comparsas.
A Maria Manuel morreu hoje. Eu nem sabia que estava doente. Surpresa e choque. As releituras aguardam-me. Muito obrigado, Maria Manuel Viana.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Andamos nisto


Gosto de festas. Natal é festa. Nascer é entrar na festa da vida. O nosso natal é quando passamos a ter um corpo para viver a festa e o fim dela. O despertar para as dificuldades. O reagir aos atropelos. Sermos resilientes, como é moda dizer. Claro que não se pode viver sempre em festa. O dia a dia não é uma festa permanente. Mas podemos lutar pela felicidade, e por fazermos os outros felizes connosco. Basta sermos decentes, solidários, generosos. Às vezes não é fácil, eu sei. Às vezes as nossas razões combatem as razões de outros. As razões dos que acham que têm sempre razão. Isso deve manter-se. Sermos solidários e generosos não significa ficarmos agachados perante a intolerância e a soberba. Seremos generosos e solidários com quem sofre. Somos donos do nosso corpo e das nossas atitudes. Não nos dêem recados nem nos encharquem com ameaças veladas. Não nos acenem com a intolerância. Seremos intolerantes com a intolerância. Estamos vivos, e isso já chega. Vamos inventar mais atitudes para continuarmos a estar uns com os outros com originalidade, inteligência e dignidade. Podemos tentar, pelo menos.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Poesia de José Afonso em apresentação em Setúbal


Foi um muito agradável fim de tarde. Participação especial de Fátima Medeiros, com análise certeira à poesia de José Afonso. Surpreendente. Surpreendente também a intervenção de Alice Brito, realçando a saudade de alguém que nos despertou para os melhores palavras e para os melhores sons, e denunciando a recente adopção de uma certa palermice musical por parte de uma esquerda menos avisada. As Palermices verbal e musical sempre foram combatidas por Zeca e pela esquerda cultural (seja lá isto o que for). A apologia da parvoíce é para esquecer. E intervenção diferente de Jorge Abegão, despontada pelos alertas de Fátima Medeiros. A exposição de João de Azevedo — observável neste Espaço João Paulo Cotrim — observou-nos todo o tempo, Foi também gratificante a presença de Zélia Afonso. Muito obrigado a todos. Temos muito para aprender com quem sabe. Que se lixe quem nos tenta manter na pocilga cultural da música e das palavras parolas. Bom fim-de-semana para todos.



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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022


POESIA É PARA PENSAR | Sala a abarrotar, no lindíssimo palacete do Brotéria. Fomos todos perceber o que pensam Rui Vieira Nery, Jorge Abegão e Sérgio Godinho da obra poética de José Afonso. Momento de alta cultura. Maria do Céu Guerra e Luís Lima Barreto leram a sua escolha pessoal. Excelente. Catarina Anacleto pôs o violoncelo em diálogo com as melodias de José Afonso. Que momento único. Que bom.

E esta sexta-feira é na Casa Da Cultura | Setúbal. Jorge Abegão vem falar sobre o seu competente trabalho de organização do livro. Alice Brito, Fátima Ribeiro de Medeiros e eu vamos falar pelos cotovelos e também recitar os poemas de que mais gostamos. Vai ser custoso, eu sei. A tarefa é difícil para quem gosta tanto dos textos de José Afonso. Se calhar também vamos cantar. Veremos. Apareçam. Vamos começar às seis da tarde em ponto, no Espaço João Paulo Cotrim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

O poeta José Afonso



O livro vai ser lançado dia 8, quinta-feira, em Lisboa, no Brotéria. E depois, na sexta-feira, dia 9, vamos falar da poesia de José Afonso na Casa Da Cultura | Setúbal. Vamos todos conversar e dizer poesia. Primeiro ouvimos uma música do mais recente álbum reeditado: Com as minhas tamanquinhas. Seguem-se as intervenções dos participantes anunciados, e, depois, cada um dos ditos escolhe um poema e di-lo ali com todo o talento que a natureza lhe conferiu. Todos os participantes podem dizer um poema se lhes apetecer. Até cantar, se não colocarem em perigo a saúde auditiva dos demais.

ALGUÉM VIU OS MEUS ÓCULOS? | É a reedição de uma iniciativa já experimentada. Foi iniciada na Casa da Avenida, com Viriato Teles em conversa sobre José Afonso, e em outra sessão, com A garota não, em que falámos sobre o seu trabalho. As conversas continuam agora na Casa da Cultura. Convidados. Bem vindos.
A Culsete estará presente para que o livro chegue a todos.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Receituário


Em tempos defendi aqui que o dia da apresentação de um trabalho de José Afonso deveria ser feriado nacional. Afinal o aparente exagero cumpriu-se: o próximo lançamento da Obra Poética de José Afonso acontece precisamente no dia 8, feriado. Lá estaremos, é claro. Garantido que a sessão não será abrilhantada musicalmente pela banda da GNR, nem por discurso de Marcelo e nem por missa pelo cardeal monárquico de Lisboa. 

Nota de rodapé: a apresentação em terras de Bocage será no dia seguinte, na Casa Da Cultura | Setúbal. O convite está em elaboração. Até lá.

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sábado, 3 de dezembro de 2022

São jóias


São objectos que nos agarram. São bichos que nos observam. Parecem ora répteis, ora arranjos florais, ora corais saídos de uma submersão que lhes conferiu o tempo da escultura. São esculturas, é isso. Estão para ser vistos, a partir de hoje, na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal. Alberto Gordillo anda há sessenta anos a fazer exposições, e veio comemorar connosco. A exposição abre logo à tarde.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Eu quero morrer, se quiser morrer


Publiquei aqui esta opinIão em maio de 2018. Não altero uma palha. Poderia apenas acrescentar as declarações aparvalhadas do repugnante fascista Ventura, que entretanto entrou em cena. Não o vou fazer. A figura e o que defende provocam-me o vómito. Eis o texto:

O MEU CORPO É MEU | O debate vai ser duro e estúpido. Os que querem decidir o que os outros devem pensar não desarmam. Os argumentos são ridículos, mas ainda convencem incautos. E depois há a disciplina partidária. Que é lá isso?! Se o meu partido diz que a eutanásia vai dizimar a população é porque é verdade. Esquecem-se que com a despenalização do aborto foi a mesma coisa. Aprovada a lei, os abortos iam ser feitos por dá cá aquela palha à porta do palheiro. Com a eutanásia passa-se exactamente a mesma coisa. A religião não os deixa ver que havendo uma lei para a morte assistida, a assistência para que um final de vida tenha dignidade e elimine o sofrimento é reforçada. Acontece exactamente o contrário do que esta gente sugere. Basta lermos as propostas de lei. Existindo uma lei civilizada é dada mais atenção ao fim da vida. Com isto não estou a defender que eu próprio venha um dia, em fase terminal, a pedir essa assistência. Mas devemos ter o direito de escolher. Sem hipocrisias. Sim, porque a "defesa da vida custe o que custar" é complexo ideológico da direita e imposição religiosa transversal às ideias. Mas é sempre uma ideia que proíbe e que desrespeita quem pensa o contrário. Um dia existirá uma lei que definirá uma aplicação cuidada e justa. Tem de ser. Deixem os outros ser donos do seu corpo e do que quiserem fazer com ele. Deixem-se de merdas.

Já agora: Cavaco saiu do formol para repetir as inanidades que o celebrizaram. Triste como sempre. Eu fiquei contente com a comunicação do parolo aos parolos. Assim percebi melhor a razão de nunca o ter apreciado. Facilita a coisa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Liberdade, querida e suspirada...

Ninguém gosta de ser remetido para o lugar da obediência acéfala. Há quem ocupe esse lugar para ter um lugar. Há quem o faça por medo. E depois há quem perca o medo. Ninguém quer ser reprimido. É contranatura. As ditaduras reprimem. Não gostam de pessoas que resistem. Não gostam de pessoas. As ditaduras apreciam apenas os seus próprios egos. Os seus próprios irreais anseios. As suas vaidades. As ditaduras matam. Os ditadores mandam matar. A liberdade está morta na China, terra que nunca a conheceu. Há lá pessoas que a querem conhecer. Prazer em conhecer-vos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Resumo da matéria dada


Vivi no último fim-de-semana momentos de convívio com a memória das melhores vivências. Participei na sexta-feira na apresentação do livro "Passagens, com Manuel António Pina", na excelente livraria Travessa, no Principe Real, em Lisboa, e no domingo, na Casa da Cultura, em Setúbal, aconteceu algo de mágico e absolutamente extraordinário: o lançamento da nova edição do álbum "Com as minhas tamanquinhas", de José Afonso, com uma exposição de João Azevedo adicionada ao acontecimento. Estamos portanto perante três grandes figuras da cultura portuguesa e universal em convívio com quem teve o privilégio de ali estar, naqueles ambientes de exigência e saber. 



As palavras de Rui Vieira Nery, José Pacheco Pereira e Jorge Abegão foram lições de gabarito elevado. Os depoimentos de B Fachada e os ajustes históricos de Adelino Gomes permitiram-nos perceber ainda melhor a intemporalidade da obra de José Afonso. 
A moderação jornalistica de Nuno Galopim, profissional e integrada na naquela atmosfera, foi exemplar.

Entre estes dois momentos de excepção, ainda tive a prazenteira tarefa, no sábado, de estender a curadoria da exposição do João à sua montagem e apresentação final (muito obrigado Ana Nogueira e Fernando Pinho pela preciosa colaboração), e muito obrigado Rosa Azevedo e Ariana Buter pela confiança que me permitiram mostrar mais uma vez o extraordinário trabalho de João de Azevedo.



E, perdoem-me este desabafo pessoal, foi muito bom voltar a estar com o Pedro Afonso (a distância ditou que não nos tivéssemos ainda encontrado desde o funeral do Pai), com a Zélia e com a Joana Afonso. Estar com quem esteve mais perto de José Afonso instala-nos a sensação de estarmos ainda mais perto dele. Foi com gente bem viva que estivemos ali. É muito bom estar com gente que está viva e com os olhos bem abertos. E a mente. Como diria Manuel António Pina: Ainda não é o fim, nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde.

(Esta sessão foi gravada e passará na Antena 1 no próximo dia 8 de dezembro).

domingo, 27 de novembro de 2022


A exposição de João de Azevedo abre hoje, às 18 horas, no Espaço João Paulo Cotrim, da Casa da Cultura, Setúbal. Estas são as palavras que juntei para a apresentação da mostra. Até já.

Em Maio de 2015 João de Azevedo expunha pela primeira vez o trabalho que desenvolveu à volta da capa do álbum de José Afonso Com as minhas tamanquinhas, na Casa da Cultura, Setúbal.

José Afonso escreveu e cantou músicas novas. Mudou o mundo da música portuguesa. Para a divulgação do seu trabalho gravado convidou competentes designers para vestir os LPs que ía lançando para nosso prazer e sorte. José Santa Bárbara foi o mais chamado. Mas outros lembro: José Brandão, Alberto Lopes e  João de Azevedo também foram convocados. Em Abril de 2017 ocupámos as paredes da Casa da Cultura com uma grande exposição sobre o trabalho gáfico na obra de José Afonso. Chamou-se à mostra Mas quem vencer esta meta que diga se a linha é recta. Estiveram presentes os autores mencionados. João de Azevedo também, ºé claro. Conheci em 2013. Só lhe atribuia o pormenor de ter feito a capa do disco Com as minhas tamanquinhas. Percebi que é um homem cheio de mundo. Convidei-o para desenvolver a ideia iniciada nas Tamanquinhas, com o sentido de fazer uma exposição na Galeria da Casa da Cultura. Aceitou o convite e entusiasmou-se. O resultado foi uma exposição transbordante de alegria e emoção. 

Ficámos muito amigos. Muitos outros trabalhos se desenvolveram. A sua morte foi um choque dificil de suportar. Estas iniciativas tentam corrigir a interrupção e procuram recordar um homem único. Um ser humano com o sentido da solidariedade instalado na pele. Temos saudades do João, por isso queremos estar aqui com ele.


Em 1976 saiu o álbum Com as Minhas Tamanquinhas. É o trabalho mais directamente político de José Afonso. Andam por lá denúncias, ironias, gozos tremendos.  Estes desenhos de João de Azevedo documentam essas preocupações e desejos, agora que estas músicas únicas e intemporais voltam a circular nos pratos dos gira-discos, nos leitores de CDs, nas plataformas musicais, nos nossos sentidos.  Muito obrigado, João de Azevedo. Muito obrigado, José Afonso. 

 

Fotografia: João de Azevedo e José Afonso em Roma, e capa do álbum Com as Minhas Tamanquinhas.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2022

José Ruy

Expôs na Casa da Cultura - Setúbal, em fevereiro/março de 2014. Antes tivemos conversas sem fim em muitas ocasiões. Esta fotografia foi tirada por mim numa dessas conversas aqui no meu atelier. Na altura escrevi um texto para a Folha de sala que repito agora, em sua homenagem. Morreu na quarta-feira passada, e eu só agora dei por isso. Estou triste. Muito triste. Muito obrigado, senhor José Ruy.

Começou por tirar o curso de desenhador litógrafo, na António Arroio. Estreou-se nos desenhos para impressão gráfica aos nove anos, no suplemento A Abelha, da revista Colecção de Aventuras. Publicou a sua primeira história aos quadrinhos com catorze anos. Nunca mais parou. O Papagaio recebeu os seus primeiros traços a sério. Depois, outros desenhos foram povoando as mais diversas edições impressas. Fez capas de livros, ilustrações de novelas e as famosas histórias aos quadradinhos. 

Trabalhou para o Mosquito, O Gafanhoto, O Camarada, Cavaleiro Andante, Jornal da BD, Tintin, Spirou, selecções BD, Mundo Feminino, Almanaque Alentejano, Almanaque do Algarve, Humanidade, Selecções de Mecânica Popular, Mama Suma, Diário de Notícias, entre muitos outros.
Tem publicados dezenas de trabalhos de banda desenhada. Deu a conhecer histórias da História de Portugal e do Mundo. É um incansável divulgador desta actividade, percorrendo escolas e organismos culturais. Também experimentou a realização de documentários, sendo esta uma actividade paralela ao trabalho que desenvolve, igualmente raiada de autenticidade comunicacional. Comunicar é o ofício de José Ruy. Escolheu os desenhos para o fazer. Os desenhos são a sua voz.

As nossas tamanquinhas



Nova exposição de João de Azevedo na Casa Da Cultura | Setúbal. Motivo: próximo lançamento de mais uma reedição de um álbum de José Afonso. João de Azevedo desenhou a capa de COM AS MINHAS TAMANQUINHAS, trabalho que vai estar disponível, em nova edição, a partir do próximo fim-de-semana. O título da exposição aborda o desafio que fiz ao João de desenvolver a ideia da capa do disco. Ele primeiro emocionou-se, mas depois entusiasmou-se. Nesta exposição vão estar ainda alguns desses desenhos e outros motivados por outros fazeres, e vai estar observável até ao fim do ano. Abre domingo, no espaço João Paulo Cotrim. Convidados.

Senhor Cinema


A sua vida foram as fitas. Foi figura grada do cinema feito em Portugal, como realizador e como produtor. Produziu muito. Realizou muito. E bem. Penso que foi o único realizador que colocou José Afonso em desempenho, como actor, durante uns breves minutos. Falei uma única a vez com ele, na presença de José Afonso. Mas segui o seu trabalho como se fosse muito cá de casa. E gostava muito dele.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Poema do alegre desespero


Compreende-se que lá para o ano três mil e tal

ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto (o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império) com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil, 
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, 
e o Heraclito, e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, 
e a retirada dos dez mil, 
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras, que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,
e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Prazer, camaradas


Passa hoje, na RTP 2. O meu querido amigo João de Azevedo participou neste filme.

A fita é assinada por José Filipe Costa. É uma revisitação. A sexualidade, e a falta dela, é mote. A imagem promocional em que o João entra em atitude de contador de uma sua história, ofício de que tanto gostava e praticava sem omissões, instalou-me uma lágrima mesmo aqui ao canto do olho esquerdo. Que saudades do João. Que vontade de ver o filme. E que tristeza sinto por ele já não estar aqui.
Não percam. É hoje à noite, no único canal cá do burgo que vale a pena frequentar.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Falar do Pina


Vamos falar de Manuel António Pina a partir de um livro que fala dele, com gente que gostava muito dele. E quem não gosta do Pina? Dou um exemplo: eu, que nunca estive com ele, gosto muito dele. A imaginação, o humor, o apurado sentido critico deixam-nos uma extensa vontade de o conhecer melhor. Conhecer a poesia, a crónica, a decência. A Rita Basílio coordenou este trabalho que está a abarrotar de fotografias. Dei a ideia para a capa e o Óscar deu uma perninha no design. Depois a Rita convidou-me para falar com ela sobre o Pina, na sessão de lançamento que vai ser na bonita livraria da Travessa, ali no Principe Real. Ali estarei, com muito gosto.