quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Gente que não bebeu chá


Pasmei. Que necessidade é que há disto? Para quê convocar esta criatura inenarrável para uma entrevista pretensamente séria? Sim, para quê?! Ah, e tal, mas o jornalista até fez perguntas fixes. E então?! Faz-se assim a vontade ao parolo trauliteiro, que aproveita a indagação para defender a ideia de que é um grande democrata. Isto passou-se na RTP 3. É triste. É mau. É repugnante. É revoltante.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Livros na Festa


A Culsete está na Festa da Ilustração - Setúbal com uma exposição de Pedro Vieira. O design expositivo ajusta os desenhos ao espaço com a elegância e o rigor estético a que o Raúl Reis e a Rita Siborro já nos habituaram. Mas há uma ideia que vale mesmo a visita: quem por lá passar tem direito a um retrato impresso, numerado e assinado, em edição limitada, que o Pedro fez do Cotrim. É por isto tudo e também pelos livros, é claro, que vale a pena irmos à Culsete. Mesmo.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Dançar é preciso



Dançar era indigno e reprovável. Quem o disse? Cícero, que ficou derrotado pela vontade de as pessoas abanarem o capacete. Inês Fonseca Santos explica tudo isto neste livro adorável. André Letria também explica tudo com desenhos, e a dupla de autores chamou um especialista e pêras para dar uma ajuda. Nada mais nada menos do que Daniel Tércio. É este trio esclarecido e divertido que vai estar no próximo sábado, às quatro e meia da tarde em ponto, a dar-nos uma lição de dança e história da dita. Convidados.

Design de comunicação



Da série Grandes Capas.

E agora dois assuntos completamente diferentes! Ou talvez não.
Perigos e revoltas contra os fascismos emergentes. Religião e políticas regressivas agridem a doer. Mesmo fisicamente.

domingo, 16 de outubro de 2022

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sábado, 15 de outubro de 2022

Apologia do contra


Marcelo volta a disparar disparates para definir comportamentos. Na minha opinião, é claro. Agora diz que devemos muito a Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro neoliberal de extrema-direita mais ousado no reaccionarismo, e cínico do exercício do poder. Também parece que devemos muito a uma escritora do norte de Portugal que desempenhou mal e porcamente funções de gestão no Teatro Nacional e escreveu o que lhe apeteceu com talento mas com uma prosápia retórica inaudita. Ao dito ex-primeiro-ministro sinto que não devo rigorosamente nada. E da escritora não já leio há muito coisíssima nenhuma. Fiquei farto de prosápias. Tenho muito mais que fazer. E ler. Marcelo devia de ter mais cuidado — na minha opinião —, antes de dizer que nos representa a todos. A mim não representa. E nunca quis saber das suas opiniões para nada.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Um Presidente a esquecer

O Presidente da República é um fervoroso católico. Durante a campanha eleitoral para a Presidência disse que ser católico era uma vantagem para o exercício da Presidência. Na altura, eu, ateu convicto, achei a declaração mais um disparate a juntar aos muitos disparates a que o senhor presidente nos habituou. Agora defende outra ideia bastante peregrina: 424 casos de abuso sexual por membros da igreja dele não lhe parecem nada de especial comparados com a actividade sexual dos padres de outros países. O senhor Presidente esquece que estes são os casos que corajosamente vieram à tona. Há mais casos, senhor presidente. Não esquecendo que não é na aritmética que está o crime. O senhor Presidente é um presidente a esquecer.

Procissão dos distraídos


Crime de abuso não é ainda hoje crime público, diz a criatura de deus. Por acaso está enganado. Ou faz-se. Crime de abuso é crime, ponto. Está na lei. Mas não é isso que interessa agora. Um representante superior de uma instituição religiosa que relativiza uma situação moralmente repugnante merece estar à frente da referida instituição? Ou aquilo é uma choldra minada de tarados e predadores sexuais reprimidos pelas absurdas leis que os regem? Gente inenarrável. Uns praticaram crimes hediondos. Outros olharam para o lado, em completo desprezo pelos afligidos pelos criminosos. Amai-vos uns aos outros, cantarolam, os biltres.

domingo, 9 de outubro de 2022


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Com João Paulo Cotrim


A Festa continua e recomenda-se. Hoje abrem mais duas exposições: VER AO PERTO, reveladora do talento dos ilustradores residentes na região, e NUVENS, de João Francisco Vilhena e João Paulo Cotrim. É o último trabalho publicado com textos de Cotrim. Ele participou com Vilhena no desenvolvimento do projecto desde a ideia inicial até à sua transformação no objecto lindíssimo em que se tornou. Estas exposições aguardam visitas a partir de hoje. São ocasiões únicas para convivermos com o que de melhor se faz no território. Até já.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A Festa dos Ilustradores


Sábado há muitas festas na Festa. Convidados.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Em busca do tempo ganhado

Agora que a Festa da Ilustração - Setúbal corre pelos dias a bom ritmo e com grande fervor intelectual, recordo aqui um momento em que se preparava a Festança de 2021. O João Paulo, o Jorge Silva, o João Silva e eu, em encontro almoçarado na esplanada do Fidalgo, alinhavando o futuro próximo. Estes momentos são os mais "gostosos", como dizem os nossos amigos brasileiros que se estão a tentar livrar do fascista aparvalhado que é ainda presidente. Momentos únicos em que a discordância se torna acrescento proveitoso, e em que a discussão é tão bem vinda como o melhor vinho. A Festa deste ano vai na oitava edição e é a primeira que não tem João Paulo Cotrim. Mas tem. É muito bom recordar quem nos tornou melhores.
A fotografia é do Eugénio Fidalgo

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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Primata

ESGOTO | O primata que ocupa o palácio do Planalto transformou aquele local num esgoto a céu aberto. É necessário limpar aquele pedaço. Os resultados de ontem não foram conclusivos. Há brasileiros que querem continuar a chafurdar no charco que o bandido que elegeram para presidente criou. Um bandido não deve ser presidente de coisa nenhuma. Muito menos de um país como o Brasil. Fora com o bandido.


Ilustração de Cristina Sampaio

domingo, 2 de outubro de 2022

Receituário


CULSETE
| Livraria quase mítica. Realidade livreira, que sempre conheceu gente competente à frente. A única livraria que vale a pena visitar em Setúbal - há mais alguma? Há, mas não são a mesma coisa. É que aqui há livros, mesmo, dos bons. E gente que sabe dizer porque os tem ali. A Culsete é a livraria responsável pela FEIRA da Festa da Ilustração - Setúbal que vai funcionar durante toda a tarde do próximo sábado, na Gráfica. ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA, em homenagem a João Paulo Cotrim, e POSTAIS, de André Ruivo e João Eduardo Ferreira, são as exposições que animam o espaço. Apareçam.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Receituário


Vamos abrir no próximo sábado. Depois temos outras aberturas, mas lá chegaremos. Quem for no sábado à Casa da Cultura ficará esclarecido ao pormenor. Quem não for mais perde, mas avisaremos por aqui o que for acontecendo. O que for soará. Até já.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Conversa ilustrada


A Festa abre sábado às seis da tarde. Nós vamos conversar sobre a Festa na véspera. Apareçam.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O fascismo voltou

E pronto. O que era previsível aconteceu. Os fascistas italianos detêm o poder em Itália. Esta gente repugnante grita vitória com a boçalidade que é o seu perfume. Fedem. Metem nojo. É triste perceber que os retrocessos vão acontecer. A festa vai acabar, grita a ordinária que vai ser primeira-ministra. Ordinária, sim. Vergonha das mulheres de Itália e do mundo. Uma defensora de todos os tolhimentos que rebaixam as mulheres até à idade média. A luta das mulheres pela sua emancipação foi uma esperança para todos os que acreditam no progresso das mentes. É pena o poder fascista ter voltado a Itália. E é pena que seja exercido por uma mulher que quer imitar os homens maus. Resiste, Itália.

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Vamos à Festa

A Festa da Ilustração - Setúbal abre no próximo sábado. Recordamos a vida de João Paulo Cotrim e festejamos o trabalho dos ilustradores que dão cor ao mundo. Até já.



sábado, 24 de setembro de 2022

Chungas parlamentares


Os chungas do CHUNGA voltaram a não conseguir eleger um vice presidente fascista para a casa da democracia. A democracia é assim: às vezes até permite que os fascistas cheguem ao parlamento, mas uma vez lá sentados, os outros deputados percebem que com aquela gente não se vai a lado nenhum nem para beber um cafezinho. O líder maior do partido dito social democrata e o líder da bancada do dito bem tentaram disciplinar o seu pessoal pedindo-lhes para fazerem o favor aos outros fascistas, mas "não levaram a carta a Garcia". Os seus deputados não respeitaram essa intenção não votando na elevação de fascistas a um lugar cimeiro do lugar que eles desprezam. Querem acabar com o sistema — democrático, diga-se — lembram-se?
Apesar de tudo há esperança instalada na maioria parlamentar. "Nem tudo vai mal no Reino da Dinamarca". O fascismo não passará.

Terminus


REVISITAR ARQUITECTURAS | A exposição de Pedro Besugo na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal termina este fim-de-semana. Oportunidade para conhecermos o deambular deste pintor por ambientes construídos pelos seres ditos humanos.

Apareçam. Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Moralidade imoral


No Irão da intolerância religiosa existe uma policia que vigia as atitudes das mulheres. É a polícia moral. Ridículo? Não, aquilo mata. A coragem de uma rapariga de 22 anos levou-a à morte. Mahsa Amini morreu porque queria ser gente. Quando falamos de coragem por dizermos coisas, devemos lembrar-nos destas pessoas que lutam pela sua dignidade e que por isso são assassinas por polícias criminosos instruídos por políticos sádicos. Isto é que é coragem. Mulheres que são tratadas como objectos querem mudar as coisas. Há muitos países em que estes criminosos estão no poder. Há muitas mulheres a sofrer. Guerras sem balas nem torpedos, mas que matam. Matam muito. Isto dói muito.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Ouvir José Afonso sempre!


Os trabalhos de José Afonso continuam a ser colocados à nossa disposição. No final deste mês de setembro ficará disponível aos nossos ouvidos e sentidos o álbum CORO DOS TRIBUNAIS. Músicas de excepção reunidas em disco histórico. Foi o primeiro gravado por José Afonso depois da data em que conhecemos a liberdade. Gravado nos estúdios Pye, em Londres, entre 30 de Novembro e 8 de Dezembro de 1974. José Afonso falou aí com José Brandão, então exilado lá, no sentido de o designer conceber a capa. José Brandão fez o que toda a gente conhece. Estas reedições vestem-se com os seus soberbos desenhos. 

Ouvir José Afonso é uma lufada de ar fresco que limpa a atmosfera do ódio neoliberal de extrema-direita. Respiramos liberdade cultural inteligente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Para ti, Cotrim


EnCOTRIM de CULTURAS
| O texto é do Nuno Saraiva. A ideia é estarmos todos com o João Paulo Cotrim. Não o podemos esquecer. Não é possível.

Olá,
Precisamente, faz agora 1 ano, o nosso amigo João Paulo Cotrim foi à Livraria Verney em Oeiras arbitrar uma conversa a que chamou de “Sob a Minha Desatenção, Uma Curiosa Troca de Olhares”. Estavam, para além de mim e da ilustradora Catarina Sobral, a Maria José Rijo e o Gaspar Matos, anfitriões da casa e organizadores daquele evento chamado de Encontros de Cultura II, que estavam muito e agradavelmente surpreendidos por 2 recentes crónicas do João Paulo na Macau Hoje sobre as iniciativas da Verney. No final da conversa, à despedida, uma lista de projectos de futuro esboçados à pressa, mas lúcidos, eram atirados ao ar como era do seu jeito.
Daí a poucos meses, o nosso amigo partia. E com ele todos esses loucos e maravilhosos esboços de projectos, tu bem sabes quantos mil.
Tocados com a partida, a Maria José e o Gaspar resolveram dedicar um dia inteiro da jornada Encontros de Cultura III ao nosso amigo. O dia 24 de setembro, um sábado. A esse dia, que também será uma noite, chamámos-lhe EnCOTRIM de CULTURAS. Digo “chamámos-lhe”, porque fui por eles convidado a organizar a coisa de uma ponta à outra. Até tremo ao escrever isto. Dinamizar eventos não é a minha praia - eu é mais desenhos!
Desenhada a programação, sobre o signo do desenho/ilustração sobreposto ao texto ou vice-versa, aponto-me falhas nos actores chamados à homenagem. O João Paulo conhecia o Mundo e (quase) todos os seus locatários. Falta aqui tanta, tanta gente. Os ausentes, as ausentes, espero que não se chateiem comigo. Ainda temos Setúbal, depois Óbidos. Temos toda uma vida em frente para lembrar o nosso amigo, de copo na mão.
EnCOTRIM de Culturas - o programa:
10h30 - 12h
AGORA É QUE SÃO ELAS!
Oficina para crianças (e famílias) monitorizada pelo ilustrador João Fazenda a partir de jogos e brincadeiras escritas por João Paulo Cotrim para a revista UP Kids, suplemento da extinta UP Magazine, TAP.
Nos entretantos, é aproveitar para visitar a exposição do Fazenda, Reflexos espelhados pelas paredes galeria.
11h - 18h
FEIRA DO LIVRO
Abysmo/Arranha-Céus.
14h30 - 17h30
NUVENS A ALTA VELOCIDADE.
Projeção dos 5 filmes escritos pelo João Paulo, todos produção Animanostra, e de 16 curtas da Spam Cartoon, selecionadas por André Carrilho, co-fundador e actual produtor desta série televisiva.
Conversa entre todos os realizadores João Fazenda (Algo importante, 7” e “Sem querer” 7”), Daniel Lima (Um degrau pode ser um mundo, 11”), Tiago Albuquerque (Diário de uma inspectora do Livro de Records, 11”), André Carrilho (Spam Cartoon), Cristina Sampaio (em vídeochamada diretamente de Roma) e Nuno Saraiva (moderador).
17h30
Abertura do Bar Cadáver Esquisito - uma cerveja literária - a degustar com mimos da Conserveira de Lisboa.
18h-20h
A VOLTA À MYMOSA
Grande e redonda Tertúlia com amigos:
Alain Corbel, professor e ilustrador,
André Carrilho, ilustrador e cartunista político,
André Letria, editor e ilustrador,
Cláudia Marques Santos, jornalista,
Fernando Martins, fotógrafo e ilustrador,
Inês Fonseca Santos, escritora e jornalista,
Joaquim Paulo Nogueira, dramaturgo,
João Brazão, mestre cervejeiro,
Jorge Silva, director de arte, designer editorial e colecionador,
José Teófilo Duarte, designer e curador da Festa da Ilustração de Setúbal,
João Francisco Vilhena, fotógrafo e co-autor com Cotrim, de O Diário das Nuvens.
Luís Cardoso, escritor, autor de O Plantador de Abóboras, Prémio Oceanos 2021 (Abysmo),
Maria João Worm, ilustradora e autora de banda desenhada,
Marko Rosalinne, Director criativo e fundador da DeadinBeirute,
Nuno Saraiva, professor, ilustrador e cartunista político,
Pedro Burgos, arquitecto e autor de banda desenhada,
Tiago Cabral Ferreira, Gestor da Conserveira de Lisboa.
… e mais quem queira aqui tertúliar.
Durante esta conversa, serão projetadas imagens associadas a alguns dos presentes.
20h - 22h
NÃO VÁS MUITO À TUA CABEÇA
Concerto com Carlos Barretto (contrabaixo), André Gago (voz) e José Anjos (guitarra e voz), à volta de textos, poemas e canções do João Paulo Cotrim. Para perder a cabeça.
Projeção das ilustrações da revista digital A Torpor - Passos de voluptuosa dança na travagem brusca.
Espalhem a notícia. Até sábado 24, na Livraria/Galeria Verney, Oeiras. entrada livre.
Oeiras, 24 de setembro de 2022
Nuno Saraiva (para ti, Cotrim)

domingo, 18 de setembro de 2022

LUTO


O país Portugal está de luto. Três dias de luto nacional. Percebe-se o decreto. Em poucos dias morrem Javier Marias, Alain Tanner, Jean-Luc Godard e Irene Papas. Estamos de luto quando morre gente que foi tão importante para nós.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Em Festa

Dia 1 de outubro tem início a Festa que celebra a ilustração e os ilustradores. Quinze exposições vão ornamentar a cidade com conteúdos estéticos originais de grande qualidade gráfica. É uma festa rija, esta Festa. Convidados. 

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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Design de comunicação


Da série Grandes Capas. Musicalíssimo de 12 de Abril de 1974. Publicado poucos dias antes da data que tudo mudou. Aqui já se percebia que muito já tinha mudado.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Morreu Jean-Luc Godard

HOMENAGEM | Foram noite e noites passadas no Quarteto. Esperava-se pela próxima projecção com ansiedade. Ansiedade que não passava no fim da fita. Passávamos para as conversas sem fim. A madrugada era a solução. Agora é a recordação que fica. E um obrigado emocionado. Muito obrigado, senhor Godard.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Deveres reais e realidade


Eu percebo: alguém que andou mais de sete décadas a fazer aquelas figuras tem de ser recordado. Percebo que o desgosto se instale nos lares de quem não quer viver sem rei nem roque. Ou seja: é sempre melhor ter rei, especialmente quando não conta para nada. Uma socialite simpática e reservada que não fez ondas de maneira a provocar tempestades. A rainha proclamou o que os governos decidiram. Sem sentido crítico e sem contestação. Até os discursos de "início de temporada" são escritos pelos governos. A soberana foi  assim uma espécie de deusa na Terra que deixou os seus devotos entregues aos seus próprios erros. 

O individuo que agora substitui a progenitora — é assim que se faz democraticamente nas monarquias — é um opinador de respeito. Diz tudo o que lha passa pela cabeça. Por exemplo: sabemos o que ele pensa  — mal e porcamente — sobre arte e arquitectura contemporâneas. Pensa mal e porcamente. Também sabemos que não se importa de ser ecologista desde que concordemos com a sua ecologia. Será que agora vai continuar a verberar sobre tudo o que mexe com o mesmo afinco? Ou será que vai praticar o tão desejado cinismo monárquico para permanecer naquele lugar que provoca tanto sacrifício pessoal? 

Prefiro chefes de Estado eleitos, como é óbvio. Não consigo perceber que orgulho se pode ter num representante decidido por famílias com passados sinistros, ungidos por um deus que não comunicou a decisão. E estou sem paciência para tanto elogio — não tinha percebido que no Portugal republicano havia tanto especialista em monarquias socialites — a aspectos comportamentais e a "divinos carácteres" que nada dizem sobre as pessoas em causa ou até, muitas vezes, revelam graves problemas de carácter. 

Que a senhora descanse em paz, e que o seu sucessor melhore na exibição da parvoíce, é o que eu desejo com muita sinceridade. 

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domingo, 11 de setembro de 2022

Homenagem



Está a morrer gente verdadeiramente importante. Gente que nos fez crescer. Gente que nos ajudou a melhorar os nossos dias. Páginas e páginas de prazer e convivência com um mundo melhor. Fitas e fitas de boas imagens e vivências profundas. Gratos a Javier Marias e a Alain Tanner. Muito gratos mesmo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Em outubro

 ILUSTRAÇÃO EM FESTA | A festa está a chegar. As exposições são estas. Mas há mais. Até já.


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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

A Festa vai começar


Tudo tem início em outubro. Mas vamos já dizendo o que poderá acontecer. E vai acontecer muita coisa. Coisas boas para lembrar gente boa. Até já.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Tecer a curiosidade


Os lugares já existiam antes de os povoarmos. E vão continuar a mudar mesmo depois de sairmos desta vida. São portanto mais importantes do que nós. Mudam sempre. São as interpretações das realidades que provocam a curiosidade. 

A curiosidade que desperta o sentir o desejo de percebermos essas realidades. Tecemos linhas de orientação. Traçamos espaços de convivência. Alargamos a vontade de nos emocionarmos com as realidades construídas. Ou talvez interpretadas. Passamos a vida a fazer desenhos que depois se perdem ou diluem nas águas que passam pelos riachos das memórias atormentadas. Queremos atingir a felicidade, mas pelo caminho encontramos as pedras deixadas para trás pelos desesperados sem rumo. Desenhamos sempre novos mapas, é certo. Insistimos nisso. O desenho nunca sai igual, tal como uma canção nunca é cantada da mesma maneira quando é repetida. Os artistas que cantam  sabem isto muito bem. Os artistas que desenham também. O suporte é sempre reflexo da atitude do momento. Todos vivemos os pequenos momentos que tentam encontrar um fito. Queremos mostrar ao mundo que é aquele o momento. Quem desenha não sabe bem se o encontrou. Quem observa muito menos. Estas TESSITURAS de Catarina Aguiar representam os métodos encontrados para uma representação que parece estar nos trilhos de uma feliz caminhada.  A belíssima exposição que nos apresenta na Casa da Avenida revela a honestidade da procura e a noção da realidade existente. Realidade em que se observa beleza, rigor, tranquilidade e inquietação. Estranha interpretação? Nem por isso. É vontade de ver mais. 

TESSITURAS
Catarina Aguiar
Casa da Avenida, Setúbal

Receituário


DAR DE BEBER AOS OLHOS | 
A expressão é do João Paulo Cotrim. Trago-a agora para aqui porque me pareceu ajustada a esta descoberta engarrafada. Descobri estas garrafas nas prateleiras de um supermercado bem fora dos grandes centros de consumo. São vinhos da produção da ADEGA MAYOR — tinto, branco e rosé —, marca DIZERES e os rótulos têm desenhos do André Carrilho que ilustram ditos populares. Os rótulos já são saborosos, mas o conteúdo líquido das garrafas não lhes fica nada atrás. Bom proveito.

sábado, 3 de setembro de 2022

Fim-de-semana


RECEITUÁRIO | A exposição Tessitura, de Catarina Aguiar, abre hoje na Casa da Avenida, em Setúbal. É a primeira exposição individual da artista. Circula entre várias maneiras de expressão e desperta curiosidade. Muita curiosidade. Provavelmente estamos a assistir ao início de um percurso singular. Aliciante, portanto.

Vão ver. É uma sugestão.
Bom fim-de-semana.
TESSITURAS
Catarina Aguiar
Casa da Avenida, Setúbal
Abertura: hoje, a partir das quatro horas da tarde.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Aconteceu em setembro



Muito aconteceu neste mês. É o meu mês preferido, se é que o posso dizer assim. Muito do que aconteceu em setembro de vários anos alterou a minha vida. Coisas importantes para mim, e algumas para a humanidade inteira: alegres e tristes. Destaco no entanto, em tempos de agressão pela intolerância fascista, dois casos tristes. O ataque ao palácio do governo do Chile, onde morreu Salvador Allende, e a destruição das torres em Nova Iorque, onde morreu muita gente. Eu estava em Nova Iorque na altura e percebi de perto o drama de muitos seres humanos em desespero. A intolerância fascista e a demência religiosa ditam regras tenebrosas: eliminar incrédulos e desobedientes. Para estas mentes torcidas não cabemos cá todos. Cabem eles, uns com os outros. São poucos os que praticam a demência intolerante, mas não estão sós na apologia daquelas tretas. Já têm uma gente fruste que os apoia e segue. Votam, aplaudem, dão-lhes voz. Cabe-nos a nós combater a agressão. Vamos estar sempre contra esta gente, que nem parece gente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Design de comunicação

Da série Grandes Capas. The New Yorker.


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