sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

OLHÓ PATARECO | A Sofia tem dois anos. É filha de uns amigos. Fala pelos cotovelos. Quando vê o primeiro-ministro no "piqueno" ecran, apresenta-o: "olhó pato coelho". A Sofia lá sabe.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

JÁ NÃO HÁ LIMITES | A EDP foi para uns chineses. A TOBIS, instituição nacional que guarda importantes histórias da História de Portugal, foi para uns angolanos. A RTP vai também para uns angolanos. A TAP vai para um empresário multinacional que é de onde quiser. A tudo isto está ligado o ex-doutor e eminente empresário intercontinental Miguel Relvas. Deputados da maioria, como Nuno Magalhães (eleito por Setúbal mas que não lhe passava pela cabeça onde ficava a Praça Bocage), defendem todos os embustes sem qualquer vergonha na cara. E riem de quem os contesta. São hienas em volta das fezes. Esta gente não é séria e já nem disfarça. O jornal espanhol El País puxa para a primeira página a vergonha a que este Governo entrega o País. Estão a vender Portugal ao desbarato. Mas Vitor Gaspar, o governante que usa a ironia para tramar os governados, só está preocupado em perseguir os portugueses. Há pequenos empresários literalmente perseguidos pelos esbirros do ministro. Actuam como lhes apetece. Já há quem chame às atitudes Fisco Criativo. Sua excelência, em Belém, assiste embevecido. Os seus meninos estão a mostrar o que valem. A violência reaccionária instalou-se. Uns delinquentes sem pátria tomaram conta do pote.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ESTE PAÍS NÃO É PARA PASSOS | Passos Coelho considera um exagero o que o Estado está a gastar com os reformados. As pessoas descontaram para ter reforma, mas não para estas reformas exorbitantes. Uma exagerada perda de dinheiro e de recursos.  Passos quer corrigir o exagero. Estamos condenados a ser pobres, e, se lá chegarmos, velhos como trapos.
Mais de um ano depois, estas afirmações passadistas não são apenas inabilidades verbais. As atitudes são ideológicas. O modelo asqueroso. O fim tenebroso.
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O BRASILEIRO, POLACO DO LUXEMBURGO | O brasileiro que pretende ficar com a TAP é também polaco e é com essa identidade que se inscreveu, como empresário, no Luxemburgo. Dá mais jeito ao negócio. Um multi-pátrias que se oferece para ajudar Relvas e companhia a neoliberalizar a economia. São sempre bem vindos, estes esforços. Entregar uma empresa importantíssima para a ligação de Portugal ao mundo e para o desenvolvimento económico a um empresário salta-pocinhas, é para Relvas um bom serviço prestado ao País. O País teria todas as vantagens em meter Relvas num avião com bilhete de ida. Isso é que era.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

RECEITUÁRIO | Clique na imagem para a ampliar.
THE END | Passou ontem o último Câmara Clara. Não se sabe se vai ser nomeado substituto. Diz-se que foi Miguel Relvas o coveiro. Não sei, mas não me surpreendia. Relvas deve estar mais à-vontade com o senhor Mendes do Preço Certo, com o João Baião das entretengas manhosas ou com os cromos da bola. Somos dirigidos por saltibancos sem trambelho. Rejeitam a reflexão mais exigente. Essa grande chatice que ocupa tempo e custa dinheiro. Planeiam a ignorância porque a imaginam de borla. Preferem-na. São toscos em estado puro, mas preferem viver assim. Cultura para quê?!
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domingo, 16 de dezembro de 2012

CONGRESSO DOS BETINHOS E AFINS | Passos, ex-líder dos betinhos, foi até lá. Pelos vistos foi recentemente a uma consulta de ortopedia: diz que está de costas direitas e nada receia. Não faz leituras ideológicas. Não bastam interpretações intelectuais. 
Os intelectuais, sempre os intelectuais. Percebemos, senhor Passos. O senhor está mais habituado a estar rodeado de bestas quadradas. Gente que tudo sabe e que não precisou de aprender com ninguém. Fartou-se também de dizer que os mais necessitados devem ter um mínimo de dignidade. Um mínimo?! Percebido. 
SENHOR TONY | Diz que não se preocupa com o que dizem dele. Diz que andam aí "uns ditos intelectuais que acham que só eles é que sabem o que é bom". Diz que uma vez, quando tinha 15 anos, leu um livro. Nunca mais repetiu a graça. Também não vê cinema. Se juntarmos o tipo de música que faz ao rol de banalidades que diz, concluiremos que raramente frequenta o fenómeno. A música para ele é um exercício de exibição pessoal que lhe mete umas massas no bolso. Claro que também é um prazer. Tudo isto está muito certo. Tem um nicho de mercado. E não deveria incomodar quem não afecta os ouvidos com os ruídos que propaga. A conversa não vale um cêntimo furado. A gente via a capa da revista do DN e colocava-a ecologicamente no cestinho do reciclado. Esta entrevista seria completamente irrelevante não fora a arrogância polvilhada de humildade que estes arautos da foleirada profetizam sempre contra "quem acha que sabe o que é bom". Ou seja: nós tão bons e andam uns sabichões a dizer que isto não presta para nada. A chamada de capa também é de uma gentileza tocante: "o Senhor Tony". Estranho. Sempre pensei que um Senhor era outra coisa. E continuo a pensar.
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sábado, 15 de dezembro de 2012



MUITO CÁ DE CASA | Excelente convívio na Casa da Cultura, em Setúbal. É bom, quando falar do passado serve para se perceber o presente e pensar no futuro. Os debates nesta Casa instalam a cidade no chão do mundo. É um prazer conversar sobre o melhor que as terras têm. Nós moramos nelas. Muito obrigado às minhas amigas Ana Maria PereirinhaCristina Carvalho e Alice Brito. E a todos os presentes que, em dia de assombrosa intempérie, resolveram largar as tamanquinhas. Foi um prazer estarmos juntos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012


PRÉMIO PESSOA 2012 | Parabéns, Richard Zenith.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

FIM DO MUNDO | Afinal o mundo não acabou ontem. Vai ficar tudo na mesma. Excessivamente na mesma. Há é quem queira acabar connosco muito antes do fim do mundo. Essa é que é essa.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

RAVI SHANKAR | Vamos continuar a ouvi-lo, senhor Shankar. Muito obrigado por tudo.
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SOMOS GENTE | Pagamos a nossa assistência. Pagamos a nossa existência, ouviram? Portanto, não nos venham com aquela treta dos abusos que cometemos, e que vivemos acima das nossas possibilidades. Não aceitamos a vulgarização do enxovalho. 
Não fomos nós que enxovalhámos o país.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

LONGA METRAGEM | Manoel de Oliveira faz hoje 104 anos. É obra. Parabéns ao mestre.
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CONTRA O MEDO | Chama-se Vitor Dias. É o mais visível representante da luta dos estivadores que irrita os pipis da tabela que defendem o regresso ao mercado de mão-de-obra. Está presente no debate do Prós e Contras da RTP1. E está a defender com grande brio a insistência na greve em curso. Vitor Dias honra quem defende valores e acções contra os que preferem a paralisação mental. Defende causas laborais. Defende os seus. Isso não nos merece respeito? A mim merece respeito e admiração. Sinto admiração por este senhor Vitor Dias. Neste Prós e Contras não está nenhum representante do principal culpado da situação: o Governo de Portugal. Regista-se e lamenta-se.
Mas pelo Governo de Portugal não sinto respeito nenhum.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRÉMIO RETROACTIVO |  Três dirigentes máximos da Europa recebem hoje o Prémio Nobel da Paz. Três responsáveis políticos europeus que nada têm a ver com essa paz, vão agora receber um prémio em tempo de guerra. Sim, estamos em guerra e estes responsáveis políticos não têm tido sucesso na sua resolução. É, portanto, um prémio retroactivo. Parabéns à prima.
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REALIDADE A PEDIDO | Tenho saudades de Manuel António Pina. A Poesia ficou por aí, é claro. Voltamos lá quando queremos. Mas a crónica, a opinião violentamente terna que dissecava a realidade circundante com inteligência e humor, deixou de acompanhar os nossos dias. Hoje resolvi vasculhar o arquivo do JN. Escolhi uma das suas últimas colaborações no jornal. Afinal até parece que a escreveu ontem. E temo que a coisa se repita por uma eternidade. Temo que a interpretação da realidade esteja mais actual do que a própria realidade.

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, já classificara a decisão do TC que confirmou a inconstitucionalidade dos confiscos dos subsídios de férias e Natal a funcionários públicos e pensionistas de "negativa", "perigosa" e "inaceitável". Agora é o presidente do BCP, Nuno Amado, a clamar que foi "uma decisão muitíssimo infeliz".
A banca (falta conhecer a opinião de Ricardo Salgado, do omnipresente BES, para o ramalhete ficar completo) não só tem enormes responsabilidades na crise como tem sido beneficiária da maior parte dos sacrifícios que, a pretexto dela, vêm sendo impostos aos portugueses. Mas a banca quer mais do que o seu financiamento com a "ajuda" que a 'troika' cobra ao país em desemprego, fome e miséria ou do que a destruição do SNS que alimenta os seus negócios na Saúde, a banca quer também uma Constituição "sua", já que a Constituição da República se revela, pelos vistos, "negativa", "perigosa", "inaceitável" e "muitíssimo infeliz" para os seus interesses.
Nem Ulrich nem Amado o escondem: "É premente alguma revisão da Constituição" (Amado), e a decisão do TC pode "justificar a discussão de uma revisão constitucional, o que até seria positivo" (Ulrich).
Numa democracia que cumprisse os serviços mínimos, os desejos de dois banqueiros valeriam apenas dois votos. Não tardará que vejamos quanto valem num regime do género "que se lixem as eleições".
OS CROMOSRelvas, com Marcelo, o ministro das polícias, a ministra dos juízes e outros cromos foram vedetas da ridícula universidade dos petizes do PSD. Mas Relvas é o mais saliente. Dá-se ao luxo de anunciar como quem não quer a coisa candidatos autárquicos. O PSD continua a ter esta criatura inenarrável como o anunciador das grandes decisões. Um cromo de luxo lança cromos para a mesa de jogo. Já tínhamos várias outras figuras de opereta atiradas para a feira regional: Menezes para o Porto e Moita Flores para Oeiras. Relvas anuncia agora Seara como adversário de António Costa em Lisboa, e aconselha o presidente da autarquia a comprar sapatos novos. Provavelmente engana-se. Bem pode comprar umas pantufas para o cromo da bola que quer colocar na praça do Município em Lisboa. 
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domingo, 9 de dezembro de 2012

ELITES | O doutor Miguel Relvas também foi à universidade do PSD. A lição deve ter atingido o patamar do inesquecível. A universidade ficou assim mais prestigiada com a prestação de tão brilhante universitário.
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A CRISE E O PROFESSOR, OU O PROFESSOR EM CRISE? | Marcelo Rebelo de Sousa, numa daquelas universidades da treta do PSD, diz que os benefícios dados à Grécia não são para seguir, porque aquilo tem a ver com as eleições na Alemanha. É manobra de cisrcunstância, portanto. E nós nada temos a ver com isso. Ainda bem que o Professor esclarece que tudo anda a reboque da senhora do blazer. Nós ainda não tínhamos dado por nada. E é claro que devemos ficar caladinhos. Sempre muito bem comportadinhos. A política baseia-se sempre na estratégia pessoal dos poderosos. É assim que deve ser. 
O professor que vá dar aulas aos seus meninos, mas não espere que o levemos a sério. As pessoas são outra coisa. São gente que resolve a sua vida todos os dias, para além das eleições alemãs e da senhora dos casaquinhos curtos. Mas isso nunca foi ensinado ao senhor professor. Ou será que é ele que não quer aprender?
APRENDIZES DE TIRANINHO | As provações provocadas pela crise conduzem a divulgações lamentáveis. Recebo de vez em quando comunicações, via correio electrónico, elogiando o esforço de contenção aplicado por Salazar a si próprio e ao povo que governou com zelosa autoridade. Missivas que elogiam o comportamento de um tirano de meia-tijela que entregou um país a um punhado de famílias, protegendo-as de todas as intempéries políticas nem que fosse a toque de caixa. Chegam a chamar estadista e patriota a uma criatura que raramente saiu de São Bento e que não hesitava em eliminar quem discordasse da forma como "protegia" o Estado. Não entendo esta falta de percepção das situações. Salazar não foi estadista, nem patriota, nem sequer um político respeitável. Quem não respeita o próprio povo que governa não é um bom governante e não deve ser respeitado por isso. Salazar foi um vulgar ditador que criou para ele próprio, à força, condições para governar. Por favor não percam tempo na apologia de um vulgar tiraninho, como lhe chamava Fernando Pessoa. Um ditador não merece respeito. Deve ser combatido. Tenham paciência e parem com a promoção desse exemplo parolo. Já não há nenhuma pachorra para tanta parvoíce.
Imagem: cartoon de João Abel Manta
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sábado, 8 de dezembro de 2012

BICHARADA EM POLVOROSA | Apesar de não acreditar em pais natais, faço sempre um presépio para contar histórias à pequenada que por aqui aparece e para exercitar a habilidade manual. E é claro que respeito a história original. É aqui que as mais recentes decisões do Papa me causam alguma perplexidade. A vaca e o burro, saneados do presépio sem aviso prévio, não saem da caixa de cartão canelado onde passam todo o ano. Mas há mais novidades: a posição dos três reis magos terá de mudar. Parece que não são oriundos do oriente, ao contrário de todas as narrativas anteriores. É da Andaluzia que partem ao encontro do menino. Os camelos deixam assim de fazer sentido. Provavelmente terão de ser uns burros Ajaezados à andaluza a servir de montada aos monarcas. Onde vou agora arranjar figurinhas nesses propósitos? Ratzinger provocou grande alvoroço entre a bicharada do presépio. Este Papa é um fervoroso ficcionista apostado em alterar a ficção religiosa. Vou ali comprar musgo. É pacífico. A paisagem verdejante é universal.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A CASA DO OSCARA casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do
 Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

Chico Buarque
14 de dezembro de 2007 | 
Texto escrito para os 90 anos do arquiteto Oscar Niemeyer.
Chico Buarque foi aluno da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da Universidade de São Paulo.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

OSCAR NIEMEYER | Correu seca e Meca. Tem obra espalhada por todo o mundo. Foi amigo de influentes dirigentes políticos. Privou com heterodoxos artistas. Arquitecto notável. Brasília é cartão de visita do seu trabalho. Homem de causas. Viveu muito. Viu muito. Fez muito. Muito obrigado, senhor arquitecto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

VERDADE E CONSEQUÊNCIA | O que Nuno Santos está a dizer no Parlamente é de uma gravidade expectável. Parece que afinal houve saneamento político. Palavras do próprio Nuno Santos. O Governo incomoda-se com a informação imparcial. Será o doutor Relvas o verdadeiro director de informação? Parece que os atropelos se sucedem. A informação incomoda as ditaduras. Em democracia é bem vindo o contraditório. A que informação temos direito quando um governo de extrema-direita está em exercício? Parece que é isto que está em causa. Mas vamos aguardar o desfecho.
JOAQUIM BENITE | Morreu um bom pedaço do Teatro Português. Morreu um português que fez teatro para um bom pedaço do mundo. Teatro que pensa e diz o que pensa. Em voz alta. Portugal e o mundo devem-lhe essa honestidade.
Muito obrigado, Joaquim Benite.

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Mas Passos diz que o assunto não é relevante. Está de consciência tranquila, diz. Percebe-se. Será que ele tem consciência?!
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

SER SOLIDÁRIO | No passado fim de semana não contribuí para o Banco Alimentar. Peço desculpa, mas tomo atitudes. Tenho outras formas de ser solidário. Não contribuo para o sucesso de uma apologista da caridadezinha benfazeja porque sim. Verifiquei que os encarregados da acção eram escuteiros e outros esforçados voluntários. Não percebo porque razão é uma inenarrável inábil verbal a festejada obreira. A elogiada autora de uma grande obra. Quando a única coisa que se vê fazer é dizer disparates. E quando ouço a indescritível Teresa Caeiro em entusiasmado elogio da criatura, fico muito satisfeito por 
não ter participado.
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FISCO EM RISCO | Trabalhadores do Fisco vão fazer uma greve qualquer. Estão em risco substanciais cobranças. Querem ver que ainda vou ver o próprio Gaspar entrar-me por aqui adentro? Pelo sim pelo não, vou arranjar um cão. 
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LIBERALISMOS | Passos não tem grande jeito para governar. Também ninguém lhe reconhece grande habilidade retórica. As entrevistas para que se disponibiliza revelam o desastre. Na mais recente, à TVI, esclareceu que Portas ocupa um honroso terceiro lugar no Governo. Gaspar é o segundo classificado (coitado, nem imagina que o primeiro é mesmo o homem das Finanças). Fantástica prestação para a frágil saúde da coligação.
Mas para engendrar umas massas para a sua trupe é um pimpão. 
E o jeitão que dão os dinheiros públicos. Ler no Público
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MONOCLE | Acompanho esta produção desde a primeira impressão tipográfica. Grande revista. Revista grande. A edição agora colocada nos escaparates acaba com este ano e apresenta o seguinte. Não é uma publicação para a crise. Mas há vida para além da crise. Pelo menos podemos tentar pensar assim. Da crise estamos fartos. Do que nos recorda as coisas boas da vida... não.
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domingo, 2 de dezembro de 2012

ANIVERSÁRIO | Há nove anos que o BlogOperatório opera. Contribuições sinceras. Muitas dúvidas, poucas certezas. A certeza de que a discussão é fundamental à democracia. É um prazer partilhar e discutir o que nos inunda a cabeça. Muito obrigado aos pacientes que vão passando pela sala de operações.
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sábado, 1 de dezembro de 2012

CÂMARA CLARAO ministro Miguel Relvas acabou com este programa diário de divulgação cultural, e de reflexão mais extensa, aos domingos, na RTP-2. Chamar-se Câmara Clara não ajudou nada. Relvas detesta coisas feitas de forma clara. Prefere colocar a cultura em câmara ardente. Este governo de cobradores de impostos incute assim um golpe na promoção dos agentes culturais nacionais. Para este rancho de políticos o preço certo de um programa cultural passa pelo seu corte integral. É preciso investir numa diversão mais descontraída. Há por aí concursos bem interessantes que muito entusiasmam o povo. E ter um povo descontraído e alarve dá muito jeito.
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AS PALAVRAS E AS CIDADES | É hoje, sábado,  apresentado este livro sobre o Bairro Santos Nicolau em Setúbal. A sessão está marcada para as 16 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal. O trabalho foi desenvolvido pela DDLX, e é editado pela Estuário. Eu vou até lá dizer qualquer coisa sobre o assunto. Os autores, José Madureira Lopes e Alberto Pereira vão justificar os motivos que os levaram a encetar este empreendimento. Se puderem, apareçam.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012


quinta-feira, 29 de novembro de 2012


OS DIAS DO PAI NATAL |  | Este senhor fala como se fossemos todos pequeninos e mal comportados. Estamos todos muito mal habituados. Temos que ser pobrezinhos e honrados. E ficar caladinhos. Fartámo-nos de gastar para além das nossas possibilidades. Fomos uns gastadores em sopas, bifes, aparelhos domésticos, pão caseiro, bolos, jornais, brinquedos para os putos, arroz, massa, livros, café, vinho, papel higiénico e outros luxos supérfulos. Isto enquanto outros portugueses, mais esclarecidos, gastaram o seu dinheiro e o dos Bancos em produtos de excelência causadores de um esdrúxulo desenvolvimento económico como carros de grande cilindrada, Casas chaias de sol e quentinhas, casas de férias fresquinhas, amantes boas como o milho, viagens de sonho, e outras generosas mordomias. Este senhor decidiu que agora todos temos que pagar as despesas da festa. Somos todos culpados: os que comeram sopas e bifes como se não houvesse amanhã, e os que comeram e fizeram o que lhes apeteceu tivessem dinheiro ou não. Para que servem os Bancos? Mas este senhor é um iluminado. Acredita que podemos pagar dívidas mesmo sem ganhar dinheiro. E devemos pagar os impostos mesmo sem cheta. É um esforço que fará crescer as empresas grandes e anular as pequenas. Empresas pequenas para quê? Para meter nojo? Os grandes empresários é que sabem o que nos faz felizes. São os grandes empresários que vão fazer crescer a economia. A deles, é claro. Este senhor acredita em milagres. Provavelmente acredita no Pai Natal. Abençoado.
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SEI ONDE MORA O MANUEL MONTEIRO | Em tempos andou pelo parlamento em representação da UDP. Já publicou poesia. Sempre esteve ligado aos livros. Mais recentemente anda de feira em feira, de livros às costas, com a intenção de comercializar esses objectos que conhece tão bem. Entretanto escreveu um romance. Deu-lhe um título absolutamente notável: Sei Onde Mora o Herberto Helder. A ideia da história é um achado. Um homem como qualquer outro decide ser diferente e enceta uma actividade invulgar. Observa à distância homens com fama e proveito de serem diferentes. Começou por Salazar. Deu-se mal. A PIDE não achou graça à perseguição. Mais tarde pespegou-se à porta da sede nacional do PCP, observando um Álvaro Cunhal já reformado, mas que mantinha actividade no partido. Seguiu-se Herberto Helder. Herberto é famoso pelo sua recusa da fama. Ambientes sociais nem vê-los. Recusa nomeações e prémios. Ora, alguém dizer peremptoriamente que sabe onde mora o poeta, é pedrada na poça. A fobia acaba num convívio com Sebastião Alba, em Braga. O "poeta marginal" convive com o seu admirador em simpática relação que chega a ser de amizade. Pelo meio disto tudo deambula o gato Osborne, que também tem coisas a dizer. A militância política não larga a narrativa, como não podia deixar de ser. O escritor/alfarrabista conta a história de uma vida vulgar com comportamentos invulgares. Provavelmente  é assim a vida de Manuel Monteiro.
Nota à margem: Fazia falta a figura do revisor na ficha técnica. 

Título: Sei Onde Mora Herberto Helder
Autor: Manuel Monteiro
Capa: Hugo Neves 
Edição: Alêtheia
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM CERTO AR | Enrique Vila-Matas é um extraordinário escritor. Este livro está minado de ironia. A apologia do fracasso dá em rotundo sucesso. A diferença entre o falhanço e as vantagens do sucesso esbatem-se. É muito difícil atingir o fracasso assim sem mais nem ontem. Tudo se complica quando nos aplicamos em atingir um objectivo. Tudo dá muito trabalho nesta vida. Mas este romance invade-nos com a facilidade de quem procura a simplicidade sabendo o que faz. Vila-Matas é um extraordinário escritor, repito. E mais não digo. Leiam os livros dele. Este é um dos melhores que escreveu, digo eu. Boa leitura.

Título: Ar de Dylan
Autor: Enrique Vila-Matas
Tradução: Miranda das Neves
Imagem da capa: Dayanita Singh (não é mencionada autoria da capa)
Edição: Carlos da Veiga Ferreira | Teodolito
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

O GOSTO DOS OUTROS | A gente vê Mário Crespo, no seu programa privado da SIC-N, explanar opiniões tendenciosas, em tendencioso convívio com os comentadores convidados que com ele ombreiam contra os que estão contra a normalidade ali instalada, e vê depois Ana Lourenço, em competente e civilizada conversa com os comentadores convocados, e percebe a diferença que há entre um irritante jornalista/comentador em exercício dos seus fracos dotes retóricos, e a prestação de uma grande profissional da comunicação social. E depois a gente escolhe quem quer ver trabalhar. Tão simples.
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A DÚVIDA | Nos próximos dias colocarei aqui na montra electrónica os livros que fui lendo ao longo deste ano que se despede. Ano que não deixa saudades, mas que parece não ter sido dos piores, segundo todas as previsões. Já lá vai o tempo em que o que estava para vir era embalado pela esperança. Agora desejamos que o futuro seja menos mau. Passemos à frente. A Literatura sempre interpretou as vivências e os conflitos interiores que atormentam o Ser Humano, mas que também o fazem sonhar. A Literatura melhora a realidade. Confere-lhe mais humanidade. De entre todos os escritores que me ajudaram a passar os dias deste ano, destaco Sándor Márai. Desde As Velas Ardem até ao Fim que este senhor não me larga. A Dom Quixote tem vindo a publicar outros trabalhos seus: A Herança de Eszter, A Mulher Certa, Rebeldes, Divórcio em Buda, A Ilha. Todos estes livros são literatura maior. Grande. A Ilha foi o que mais recentemente me passou pelos óculos. A dúvida, a incerteza nos  relacionamentos amorosos, a curiosidade na busca do desconhecido, a ameaça da solidão, povoam as 155 páginas desta viagem a uma intrigante ilha grega. Viagem que é uma incursão pelos trilhos da existência humana. Uma preciosidade da literatura contemporânea, passada a letra de forma em 1934. 
São assim, eternos, os grandes livros.

Título: A Ilha
Autor: Sándor Márai
Tradução do húngaro: Piroska Felkai
Revisão de tradução e linguística: Clara Boléo
Capa: Joana Tordo
Edição: Cecília Andrade | DOM QUIXOTE
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

RAÇAS INFERIORES | O soba do Funchal avisou que vai sair de cena em 2015. Que eternidade. Descreveu tudo o que vai acontecer ao pormenor em discurso arrogante e básico. O costume.  Jardim confunde a Madeira com ele próprio, descrevendo os seus adversários como gente que não merece qualquer respeito dos madeirenses. "Gente inferior", considerou. Sabemos que o líder do PSD-Madeira nunca foi um anti-fascista, revelando-se sempre, pelo contrário, um entusiasmado salazarista. Nada a acrescentar, portanto. Um fascista não acrescentaria nada ao seu autoritário e desprezível discurso. Parece que Passos Coelho vai até lá em apoio e homenagem ao seu colega de partido. Deve estar inebriado de orgulho com a prestação do soba. São todos de uma raça superior. Deus os proteja.
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domingo, 25 de novembro de 2012

O MARIDO, A MULHER E A COLHER | A Humanidade pouco evoluiu em certas atitudes. Ainda há quem ache normal aquela história do marido, da mulher e da colher. Se o marido bate, "bate no que é seu", cantava um miserável fado. Outra canção, cantada nos salões do convívio marialva, revela o requintado gosto dos seus praticantes: "Ai cá para mim não há, ai não, maior prazer do que o selim e a mulher". O selim e a mulher. Notável. Falamos da dominação de animais indefesos que servem o exclusivo prazer de quem os detém. Uns são alimentados para depois serem "tratados artisticamente" em redondéis construídos para a exibição. Outros são tratados com "arte" em qualquer dependência da casa. Comparação exagerada? Nada disso. As premissas que mencionam a tradição e a conservação da excelência das espécies não nos deixam dúvidas. A violência é exercida sobre quem previsivelmente a suporta. Porque sempre foi assim.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012


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BOM APETITE | De uma escura e sombria carvoaria nasceu um luminoso restaurante. Da antiga utilização do espaço já Lisboa não se lembra. O Fidalgo abriu em 1971. Logo se transformou em referência entre os lugares da grande gastronomia do Bairro Alto. Uma legião de exigentes frequentadores tornou-o lugar de culto. Em 2010 deu-se reforma arquitectónica. O trabalho de remodelação foi temperado pelo ateliê CMDias e a imagem gráfica foi modificada pela DDLX. O sítio ficou mais arejado e agradável. Os clientes continuaram fiéis. Nunca abandonaram os famosos pastéis de massa tenra, o arroz de pato, o bacalhau à Brás e as outras iguarias altamente recomendáveis. Garrafeira bem composta. Uma refeição no Restaurante Fidalgo fica na memória de qualquer comensal que se preze. Bom apetite.
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Pour José Afonso, revoir le concert live sur... por Mediapart

HOMENAGEM | José Afonso recordado no Théâtre de la Ville, em Paris.

FUNGÁGÁ DA BICHARADA | O bispo de Roma é um homem determinado. Depois de ter decretado o fim do limbo, vem agora acabar com a participação da bicharada no presépio. A retirada do Limbo até achei bem. Aquele penar sempre me meteu muita impressão. Mas esta agora anulou de vez a minha já pouca vontade de tentar encontrar a Fé. Gente que coloca animais ao abandono causa-me repulsa. E em termos logísticos a coisa também não é assim tão simples: o que é que o pessoal faz às figurinhas que agora sobram do presépio?
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