sábado, 20 de outubro de 2012

Amor como em CasaRegresso devagar ao teu 
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que 
não é nada comigo. Distraído percorro 
o caminho familiar da saudade, 
pequeninas coisas me prendem, 
uma tarde num café, um livro. Devagar 
te amo e às vezes depressa, 
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, 
regresso devagar a tua casa, 
compro um livro, entro no 
amor como em casa. 

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
Fotografia: Luísa Ferreira

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA | Só ontem soube da sua doença. Foi o também poeta e seu amigo Helder Moura Pereira que me informou em almoço de amigos. Esta morte surge logo após essa surpresa que muito me chocou. Mas esta morte é também um choque para quem gosta de Manuel António Pina e do seu trabalho como poeta e cronista. Vai fazer muita falta. Faz sempre muita falta gente assim. As suas opiniões eram únicas. Um grande senhor da palavra e de palavra que nos abandona. Muito obrigado por tudo, Manuel. Muito obrigado mesmo.
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DIREITA EM LUME BRANDO | O que se está a passar é penoso. As sugeridas tricas entre governantes, a indiferença arrogante de Gaspar face às preocupações de Cavaco e de toda uma oposição ao OE que até envolve supostos apoiantes, e o silêncio do Presidente face a tudo isto são achas para uma fogueira que se agiganta à vista de todos. Passos, incapaz de fazer seja o que for, pôs-se a milhas. Foi reunir com os membros europeus do clube "Direita à Rasca".
Passos diz que não está para ser cozido em lume brando?
Ainda não percebeu que tudo arde à sua volta?
imagem: i
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SYLVIA KRISTEL - HOMENAGEM 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SYLVIA KRISTEL - HOMENAGEM | A beleza também morre. Ficam os registos para recordar.
É a vida...
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O ORÇAMENTO DE ESTADO E O ESTADO DO GOVERNO | Há aqui qualquer coisa que me está a escapar. Ouvi por aí, nos noticiários televisivos e radiofónicos, que se aguardava uma posição do CDS-PP sobre o Orçamento de Estado para 2013. Alguns dos deputados deste partido alimentam a coisa e são até abordados pelos jornalistas à saída daqueles sítios de onde eles saem, sempre muito apressados, sinal de que não querem responder a coisa nenhuma. 
Mas também ouvi Passos Coelho dizer que este orçamento é de todo um Governo e foi discutido com todos os ministros. Desta vez dou razão a Passos. Parece-me que é assim que se fazem as coisas. Não consigo perceber o alarido. O OE é demasiado importante para andar permanentemente envolvido em trapalhadas. Ou será que já não há coligação governamental? E Governo, há? Vejam lá isso e digam qualquer coisa, ok? É que a malta leva isto a sério. E está preocupada.
PEDRO E O... COISO | Pedro, líder "social-democrata" português, foi ao Encontro do Partido Popular Europeu, em Bucareste. Merkel é a vedeta do certame. Para não se sentir só, Pedro levou consigo o líder da juventude "social-democrata". Fez bem. A juventude labrega portuguesa está muito bem representada. O PP português também pertence ao PPE (coisinha mais natural do mundo), mas Paulo Portas, provavelmente farto de viajar por razões profissionais, resolveu não participar. Fez bem, o PPD-PSD fará muito bem as honras da casa. O PPD-PSD é um dos partidos do PPE mais à direita na Europa. Confusos? Também eu. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


PEDRO E O LOUCO: história de desencantar | Pedro tem um conhecimento específico da política. Não conhece a realidade das pessoas que fazem as suas terras, vivendo as suas vidas. Sempre esteve ligado ao aparelho de propaganda de uma organização estranha, dita social-democrata, mas que se inscreve à direita. Paradoxo? Claro, mas é o que é. Uma confusão que premeia muita habilidade.  
Pedro, depois do período da propaganda juvenil,  passou a gerir empresas privadas de amigos seus, companheiros de partido, que engendravam negócios a partir de contactos que os envolvimentos políticos permitiam. Uma espécie de neoliberalismo institucional, chamemos-lhe assim, que as coisas lá fora, nas empresas a sério, que fazem pela vida, a coisa é muito mais difícil. São navios em águas demasiado agitadas.
Foi neste conforto que Pedro cresceu. 
Já crescido, tentou ainda a carreira de cantor de variedades em espectáculos da nova revista à portuguesa. Mas, homem avisado e experiente, Lá Féria, não se encantou com os seus préstimos. A política foi mesmo a escolha definitiva. Foi então que decidiu: já que estou nisto, o melhor é chegar ao pote. Eleito líder do tal partido estranho que se diz social-democrata, juntou um raminho de criaturas e começou a preparar o assalto ao palacete de São Bento. Primeiro-ministro, pois então. Desencadeou, juntamente com os seus cúmplices fiéis - Miguel Relvas acompanhava-o sempre que não tinha aulas na universidade - uma ofensiva contra o Governo de então, recheado de homens e mulheres sem qualidade, que nada faziam pelo bem-estar das populações. Era preciso correr com aquela gente. Pedro pediu desculpa ao povo pelo estado em que se encontrava o país. Prometeu nunca reduzir reformas ou subtrair subsídios. Disse que havia um limite para as contenções impostas às pessoas. Comoveu-se em público com a pobreza dos idosos. Assegurou que o problema não vinha de uma crise exterior, mas era sim culpa exclusiva do tal Governo. Convenceu um eleitorado que sempre balança entre estas emoções e decide as vitórias eleitorais. Enfim, fez trinta por uma linha. Conseguiu finalmente chegar ao pote. 
Pedro chamou para lhe fazer a contabilidade um ignoto financeiro que, apesar de não se lhe conhecerem preocupações políticas ou sociais, foi apresentado como um génio da aritmética capaz de "endireitar" isto. Reuniu pouco mais de meia dúzia de pessoas, chamou-lhes ministros, e apresentou-os a Cavaco. Cavaco deu posse à trupe como Governo da Nação. Gaspar começou a fazer a contabilidade. Quis tirar aos pobres para dar aos menos pobres e aos ricos. Mas até estes últimos desconfiaram da medida. Foi então que teve uma ideia genial: aumentar a totalidade das contribuições. Há gente desesperada? Paciência, não há outro caminho. Caminhamos para o desastre? E então, o que querem que se faça. Melhor é impossível. Vão ter de empobrecer custe o que custar. Foi entretanto contratado um assessor bronco e mal disposto que nos chama ignorantes por não irmos nos seus futebóis. Os mal agradecidos não lhe acharam graça. Gaspar é um missionário. Nasceu para servir a Pátria. E agradece a formação que a Pátria lhe facultou desempenhando as funções que desempenha. Muito agradecido. A conversa da treta é ilimitada. 
Agora, Pedro está só. O louco e o bronco estão convencidos da magia das suas propostas, mas nem todos os seus amigos que se sentam na Assembleia da República estão convencidos da eficácia das prepotentes reduções. Um país não se governa apenas com reduções e prepotências. Um país tem pessoas lá dentro. Gente que quer viver para além da troika. Esta história tornou-se um pesadelo. Pedro e o louco ensombram a nossa vida e o nosso futuro. Mais cedo ou mais tarde vamos todos ter de acordar. Antes que seja tarde.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

O MESTRE-ESCOLA | O meu amigo André Gago, actor e escritor com créditos reconhecidos, ficou "passado" com a lição do senhor que faz contas como ninguém, e expressou-se assim no seu mural no facebook. De facto, na conferência de imprensa, Gaspar parecia estar a gozar com o pagode. Chegou a repreender, ironizando, os jornalistas por insistirem em uma ou outra pergunta. Como se fosse um mestre-escola a corrigir os meninos que não estudaram a lição. A irritação do André também é a minha irritação. Mas ele expressou-a tão bem, que partilho aqui este seu desabafo como se fosse meu. Meu e de todos nós.



Então se queres retribuir o dinheiro que o país gastou em educar-te, devolve-o, ó Caspa ambulante! Pois eu quero ressarcir-me do dinheiro que o país tem poupado comigo, durante algumas décadas, e nas que estão para vir, ó Gaspacho! E não estou a falar em educação, como tu, que és um ganda malandro, e já ias insinuar que se calhar me falta a mim. Se foram preciso décadas (!) e gastos avultados para te educar, ó mandrião, então algo vai mal na educação neste país, definitivamente. Mas nem assim conseguiste formação suficiente para evitar o ridículo das tuas declarações. Ó pá, quem me conhece sabe que eu até sou um bocadinho pomposo nas minhas abordagens no espaço público, mas tu tiraste-me do sério, Kasparovitch! É que até essa de ser preciso subir a ministro para poder retribuir seja o que for ao país me deixa fora de mim: quer dizer que, até agora, não tinhas feito nada pelo país, não é, ó olheiras?! Apanhei-te! E a malta aqui, é bem de ver, como não foi convidado para ministro, não faz nada pelo quintal à beira-mar plantado, ó ectoplasma. Somos todos umas gorduras com vírgulas, ó manipanso. Vai dormir, pázinho, que o teu mal é sono. E, se acordares, vira-te para o outro lado e dorme. Que a malta, se tu não dormires bem, não consegue dormir descansada.

P.S.: voltem os políticos a sério, que estão perdoados...
André Gago, no facebook

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

APOIO POPULAR | O melhor povo do mundo manifesta-se em frente ao Parlamento. Parece que é em apoio a Gaspar. A gratidão de um povo a um grande estadista.
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UM LOUCO NO PODER | Este louco comenta em directo, nas televisões, o belo trabalho que vai apresentar como Orçamento de Estado. Ao contrário dos rumores alardeados ao longo da semana passada, o Orçamento não contempla qualquer suavização. Não há volta a dar. O homem está em missão. Diz que é ministro para agradecer ao País a educação caríssima que o país lhe ofereceu durante décadas. Cá por mim escusa de nos agradecer. A sua gratidão está a sair-nos cara. Pode ficar descansado. Deixe lá isso. Vá andando.
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BORN IN USA | Pois claro. Um preto numa Casa Branca não faz sentido nenhum. No tempo da escravatura nada disto acontecia. Onde é que já se viu... Volte um branco. Até pode ser um tonto, mas branco, de preferência muito rico e convencido que
 a vida na Terra tem pouco mais de cinco mil anos. Os cientistas chegaram cá ontem, enquanto Deus já por cá anda entretido desde que fez o Mundo em meia dúzia de dias. 
Está tudo na Bíblia, claro está. 
Imagem: BuzzFeed, via Der Terrorist
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domingo, 14 de outubro de 2012

RELVAS & COELHO, LDA | Estas duas grandes figuras dos negócios usaram a politica para seu próprio proveito. Imaginar que isso não aconteceu  é de uma ingenuidade que nem merece comentário. São estes rapazes que nos (se) governam. É esta gente que dita a nossa contenção. Pulhas.
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sábado, 13 de outubro de 2012

A BEM DA NAÇÃO | Já temos um cardeal patriarca que compreende as virtudes do Governo e não aprova os protestos das pessoas nas ruas. Também já temos um especialista em finanças que faz contas como ninguém e não quer saber das pessoas para nada. Já só falta sentar o especialista em finanças no palacete de São Bento e arranjar um eficiente chefe de polícia política. Talvez o actual primeiro-ministro sirva para o cargoArrogância não lhe falta. Paleio de cabo de esquadra também não. E como não serve para mais nada...
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DURO PRÉMIO | Durão Barroso, que dizem ser um dos chefes máximos da tal colectividade que agora é contemplada com o Prémio Nobel da Paz, contribuiu para a "ajuda" ao Iraque, com declarações em que jurava a pés juntos ter visto as provas de que esse país guardava armas de destruição em massa. Se for ele a receber o Prémio das mãos do rei sueco, é provável que, nos obséquios discursivos, revele finalmente essas provas. E, já agora, se for Barroso a subir ao honroso estrado, pode ser que anuncie ao mundo a contemplada trampa que anda a fazer para resolver o problema da crise na Europa. É o mínimo. É que este prémio precisa de um justificativo credível, antes que lhe percamos o respeito de vez.
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O FIM DO PRÉMIO NOBEL | Importam-se de anunciar de novo? Como? O Prémio é mesmo para a União Europeia? Ok, percebido. Atribuir o Prémio Nobel da Paz a uma colectividade que pouco se importa com o desespero de alguns dos seus membros, é excessivamente ofensivo. É claro que que já foram premiados outros energúmenos, mas esta contemplação, numa altura destas, revela uma completa falta de vergonha. A desfaçatez atingiu o Prémio Nobel.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012


GEOGRAFIAS DE UMA VIDAA sessão desta noite inaugura a rúbrica Muito Cá de Casa. Pretende-se que autores com trabalho reconhecido falem da sua experiência  criativa. A ideia é convivermos com o início de tudo. Percebermos como tudo começa na casa do criador.
Começamos com dois autores - uma historiadora e um ficcionista - que aceitaram falar acerca de uma figura que muito admiram. Geografias de uma Vida é também exposição patente na Casa. Olhando o percurso de vida de José Afonso, percebemos que a conversa vai dar pano para mangas. Apareçam.

 LUÍSA TIAGO DE OLIVEIRA | Historiadora. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1981. Mestrado em História Cultural e Política (parte escolar) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas em 1983.
Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica com os temas A Imprensa em Portugal em 1846-1847 e A Maria da Fonte e a Patuleia,  ISCTE, 1987.
Doutoramento em História Moderna e Contemporânea, na especialidade de História da Cultura e das Mentalidades, com a tese O serviço cívico estudantil (1974-1977). Estudantes e povo numa conjuntura revolucionária, ISCTE, 2000.
Professora auxiliar no ISCTE.
OBRA PUBLICADA
Como investigadora tem Intensa colaboração em publicações da sua área académica.

LUÍS CARDOSO | Estudou nos colégios missionários de Soibada, Fuiloro e no Seminário de Dare. Quando se deu a revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal frequentava o ensino secundário em Díli, vindo posteriormente a prosseguir os seus estudos em Portugal.
Não esteve presente na guerra civil e na posterior invasão indonésia, tendo concluído os seus estudos, no exílio. Formou-se em Silvicultura pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, onde tomou conhecimento das obras científicas e poéticas de Ruy Cinatti que o ajudaram a fazer a viagem de regresso ao mundo físico e sobrenatural de Timor-Leste.
OBRA PUBLICADA
Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam (1997)
Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo (2001)
A última morte do Coronel Santiago (2003)
Requiem para o navegador solitário (2007)
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SERVIÇO DE ACOMPANHANTES | Passos Coelho assegura que não gosta de aumentar impostos. E, iluminado pela sua brutal inteligência, esclarece que preferia prometer o paraíso. Mas ele não sabia ao que vinha? Dizer o óbvio atura-se ao senhor João da charcutaria aqui do bairro. Agora, ouvir um primeiro-ministro de um país, lamentar-se com as suas próprias limitações, não chega. Para largar tais bacoradas podíamos lá ter o senhor João da loja dos presuntos, ou o senhor Januário do taxi, ou a dona Berta da "casa de meninas". Cá para mim nem para gerir uma "casa de meninas" o homem servia. E olhem que ontem ouvi dizer, na mesa do lado, no café do Securas, que aquilo até é um negócio rentável à cabeça. Embora eu não saiba muito bem o que isto quer dizer.
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FORÇA, FORÇA COMPANHEIRO MARCELO
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terça-feira, 9 de outubro de 2012



AQUILINO RIBEIRO MACHADO | Morreu Aquilino Ribeiro Machado. Não o conheci pessoalmente. Tropeçámos no facebook. Comentei vários dos seus excelentes textos, e ele fez o favor de participar em contendas no meu mural. Tudo o que escrevia era incisivo e certeiro. Foi um prazer muito grande ler o que escreveu. Conheceu a República mal abriu os olhos. Era um inabalável republicano. Do pai herdou o prazer da retórica e o exercício da polémica. Foi o primeiro presidente eleito da Câmara de Lisboa, quando a democracia despontou. Um democrata convicto e activo. Foi muito bom estar consigo, Aquilino. Muito obrigado por tudo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

VERGONHA PRECISA-SE |Empresa de que Passos foi gestor dominou fundo gerido por Relvas, escreve José António Cerejo no Público. Relvas fazia os negócios. Helena Roseta falou deste assunto, durante a catequese de Mário Crespo, na SIC-N, perante uma Teresa Caeiro atónita, sem saber o que dizer. Disse, lá isso disse, qualquer coisa como: mas não se pode concluir que o senhor primeiro-ministro estivesse ao corrente da situação. Pois claro, o dr. Passos é parvo e como tal não sabia que tinha um tão zeloso promotor ao serviço dos seus legítimos negócios. 
Houve de facto portugueses que viveram acima de todas as possibilidades do país, usando o próprio país como fonte de receita - neoliberalismo à portuguesa. Esses estão todos bem, no Governo, e são eles que decretam a miséria dos que nunca tiveram a possibilidade de viverem acima do que eles decretam. 
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domingo, 7 de outubro de 2012



PENSAR SEMPRE, POR FAVOR | Vitor Gaspar é admirador confesso e entusiasmado de Bertrand Russells, perdão Russell. Será que ele conhece esta frase do seu apreciado pensador? E Catroga, Marques Mendes, Capucho, Marcelo, Manuela Ferreira Leite e todos, todos os que acham que o Governo é uma espécie de elefante júnior em loja de cristais, mas que a alternativa não existe, conhecerão este pensamento? Ou isto não passa de um desabafo irresponsável?
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sábado, 6 de outubro de 2012

MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA IGNORANTES | Gaspar cita Bertrand Russell para nos convencer  da sua humildade intelectual: "Os sábios estão cheios de dúvidas, enquanto os ignorantes estão cheios de certezas". Não percebo. Mas não é Gaspar que nos assegura a toda a hora que não há outro caminho? Não foi este homem que nos foi apresentado como infalível? Ainda ontem Passos assegurou, com desmedida convicção: "sabemos para onde vamos". Provavelmente o ministro tem razão: estamos perante ignorantes cheios de certezas.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

FIRMEZA | Aconteceram três coisas importantes nas cerimónias do 5 de Outubro. O discurso de António Costa, a incursão pelo recinto da senhora em protesto, e a rapariga que irrompeu cantando "Firmeza" de Fernando Lopes-Graça. O Poder institucional portou-se ao seu nível: Passos fugiu para longe. Cavaco fez um discurso manhoso e triste. É importante perceber que as pessoas já não respeitam as inevitabilidades destas criatutras. 
Isso é bom. Este é o melhor povo do mundo, como dizia o outro.
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O ESTADISTA EM VIAGEM | Passos Coelho diz que não participa nas comemorações da República porque a sua presença é indispensável em Bratislava. Ou seja, o primeiro-ministro já não confia em ninguém para o representar num encontro de quinta categoria. Acha-se mesmo indispensável nessas andanças a que ninguém liga. Eu acho que fez bem. Comemorar a República é muito importante. Ele representa-se melhor em encontros de chacha. Não fez cá falta nenhuma. Nunca faz.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

PERIGOSOS CRETINOS | Hoje houve moção de censura. Não vou deter-me na bondade, ou utilidade, ou inutilidade da acção. Não assisti ao debate que animou a Assembleia da República. Mas estou a assistir à Quadratura do Circulo, na SIC-N, e percebo algumas coisas. Diz António Costa, e Pacheco Pereira concorda, que Paulo Portas foi esmagado por Honório Novo, ao agitar o comunicado que Portas enviou aos militantes do seu partido apregoando não ser possível suportar mais impostos. Os impostos aumentaram e Portas não levantava a cabeça e enterrava o corpo pelo cadeirão do Poder abaixo. Mas parece que a coisa não ficou por aqui. Passos e Relvas riam a bandeiras despregadas com a humilhação do seu colega de Governo. Assim, às claras, sem qualquer tipo de cortesia. António Costa acha que estão a perder o tino. Eu acho que nunca o tiveram.
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DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE CULTURA? 
Dia 5 de Outubro, enquanto se comemora a República, abre portas a Casa da Cultura de Setúbal. Novos equipamentos alojam-se no palacete que em tempos foi testemunha das iniciativas do Círculo Cultural. Projecto arquitectónico soberbo, onde se respeita a história e se aplica a contemporaneidade, da autoria de Gonçalo Silva. Exemplo do que deve ser feito: recuperação urbana de qualidade. 

O Círculo foi, nos tempos da ditadura, local de encontro entre gente que combateu essa violência contra a liberdade e a cidadania. Aconteceram, ainda nas instalações da Avenida 5 de Outubro, palestras, cursos de fotografia e artes plásticas, encontros de resistentes anti-fascistas. Depois de Abril de 1974 deu-se a mudança para o edifício onde agora se instala a Casa da Cultura. Constituir naquele local um projecto cultural com esta dimensão, é simultaneamente homenagem e vontade de ir em frente.  Fui dinamizador do Círculo já depois de Abril. O período antes da revolução não me permitiu grandes andanças associativas por motivos óbvios: era um puto. Conheci, portanto, Dimas Pereira, José Afonso, Alberto Pereira e todos os outros animadores da casa já em democracia. Comecei a labuta "circular" ainda a democracia gatinhava. A necessidade de afirmação pessoal não morava ali. Trabalhávamos em grupo pelo desbravar ansioso do conhecimento que antes nos estava vedado.  O grupo de teatro A Comuna colaborou connosco em acções de dinamização cultural com a peça O Fogo. Ainda guardo memória dos textos citados nos palcos montados nas mais incríveis circunstâncias em fábricas, colectividades, cooperativas agrícolas. Também produzimos as nossas próprias peças: As Duas Caras do Patrão, texto de teatro campesino, e um apanhado de textos de Gil Vicente, foram reunidos e encenados e levados às tábuas de vários palcos da região. Manuel Murta ensaiava a coisa. As farpelas foram experimentadas em palco pelo Luis Santos, pela Helena Fonseca… bem, não me peçam para me lembrar de todos os nomes. Tudo isto aconteceu até meados dos anos oitenta do século passado.

A partir de certa altura, aquela casa era a minha casa. Andavam por lá, entre outros, o Pina, o Jorge Matos, o Nelson, os manos Caldeira, o Avelino, a Turíbia, o Queroz, o Henrique.  Com o Victor, o Avelino e com quem mais aparecia, corremos urbe e arrabaldes em intensa distribuição de panfletos divulgadores de cinema de excepção, projectado no extinto cinema Grande Recreio do Povo, aos sábados de manhã. 
Mais tarde fiz contactos e participei na organização de exposições e conversas várias. Destaco a série de encontros a que chamámos Dois Dedos de Conversa. Foram chamados a Setúbal para falar sobre o seu trabalho, autores como Baptista-Bastos, António Lobo Antunes, José Saramago, Virgilio Martinho, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino, José Afonso. Rogério Ribeiro, Hipólito Clemente, Manuel da Fonseca. 

A intensificação da minha actividade profissional não permitiu que acompanhasse o percurso que se seguiu. O sucesso do capitalismo popular, com os lares inundados de aparelhos de vídeo, de canais televisivos difusores das mais variadas matérias, e o acesso directo ao bem estar social e cultural, ditaram novas regras. Novas actividades foram desenvolvidas. O Circulo resistiu enquanto pode. Depois foi acabando. Fica a glória de tempos que marcaram a cidade tão intensamente. O Circulo sempre foi um lugar de grande modernidade e cosmopolitismo. Um lugar no chão do mundo. Foi um prazer muito grande colaborar com tantos e bons amigos.
Esta é a memória da minha passagem por ali.

A Casa da Cultura reconhece este percurso e prossegue novos caminhos. Já nada é como era. O meu envolvimento na vida da colectividade, levou os actuais responsáveis pela edilidade a solicitarem colaboração na elaboração da imagem gráfica da nova Casa. Desenvolvi o trabalho de design de comunicação. Na apresentação desse trabalho, e para justificar ideias visuais, atrevi-me a sugerir algumas possibilidades de programação. Esse atrevimento transformou-se em desafio. É esse desafio que agora enceto. Logótipo e uma exposição sobre José Afonso são as primeiras aplicações visíveis. Aplico-me  com entusiasmo, confiança e alguma emoção, confesso. 
Uma Casa da democracia numa cidade que sempre apreciou a liberdade. 
Vamos trabalhar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


É A POLÍTICA, ESTÚPIDOS | Cohn-Bendit  e Guy Verhofstadt, actualmente deputados no Parlamento Europeu, resolveram manifestar a sua fúria. Muita gente, pela Europa fora, não fala de outra coisa. Por cá, há muito que se fala disto. Viriato Soromenho Marques, Pedro Santos Guerreiro e outros, têm-se esforçado. Louçã, em entrevista a Ana Lourenço, na SIC-N, também abordou o problema. O problema é mesmo europeu. Passos Coelho, na sua postura política de chefe de grupo, convenceu um grado sector do eleitorado, assegurando que para o fim dos nossos males bastava a remoção do anterior primeiro-ministro. Inundávamos os mercados praticamente no dia seguinte e, apesar de uns problemas causados pela despesa pública, o país entraria nos carris. Nos carris do neoliberalismo sem cara, disposto a entregar o país a agiotas sem escrúpulos. Foi a arruaça disfarçada de alternativa. 
Ora, o problema europeu só se resolve com os europeus. E, como defende Pedro Santos Guerreiro, era bom que os responsáveis se fechassem numa sala e pensassem nisso em vez de só se preocuparem com o euro. Quiseram-nos na Europa, não foi? Agora estamos cá para o bom e para o mau, mas todos juntos. É como nos casamentos. Se a dona Merkl quer divórcio, defina-se de uma vez por todas, para que o resto da família resolva a sua vida. Ou cabemos cá todos, ou a Europa é uma máquina de jogo que usamos quando nos convém. Definam-se. Só uma grande união nos pode trazer esperança. A austeridade, por si só, vai arrastar o desespero por muito mais tempo e sem um fim promissor à vista. Esta política não está a resultar. Não é possível que se insista em utilizar este tubo de ensaio com esperança no crescimento económico. E, sem crescimento económico não há soluções para os países europeus em dificuldades. As pessoas estão nas ruas a protestar. Os polícias também por lá andam, é claro. Isto não vai dar nada de bom. Passos, em atitude muito criticada por ele próprio a outros decisores, em outros tempos, foi a Bruxelas tratar da nossa vidinha, com Barroso e outros seus pares, como se nada disto estivesse a acontecer. Gaspar, logo à tarde, vai anunciar mais desgraça. O homem só sabe fazer continhas. Não é que as faça mal - faz as que lhe mandam fazer. Ele não é político e nunca lhe passou pela meninge que são outras contas que devem ser feitas. Estas não contam com as pessoas. Passam ao lado do que deve ser feito pelos "contribuintes". O que está em causa não é apenas o deve-haver orçamental. É a política, estúpidos.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

FORÇA, ESTAMOS CONSIGO, DOUTOR | A investigação judicial ilibou Miguel Relvas. Vejo um deputado do partido do ministro, no comício pessoal de Mário Crespo, na SIC-N, congratular-se com a decisão, e lamentar o silêncio dos que tanto o atacaram. Ok, afinal o homem é politicamente honestíssimo e é um doutor de elevadíssima envergadura. Pessoalmente, critico feroz do senhor ministro, curvo-me perante tanta excelência. E peço desculpa por tão excessiva acrimónia. Proponho mesmo que se faça já, a partir desta eficaz plataforma, uma manifestação de apoio ao valoroso ministro. Haja justiça. Aceitam-se inscrições e respectiva declaração de apoio.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O LIBERTADOR | Buraco devedor? Compromissos? Mas que balelas são essas? Que ninguém se meta com o soba. Atrevam-se. Levam com o separatismo pelas trombas e não digam que vão daqui. Jardim dá uma oportunidade ao "contenente". É de aproveitar. O homem é um grande estadista. Digam-lhe para não desistir. A Fundação Social-Democrata 
da Madeira pode tratar da transição. Força.
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ROBIN FIOR | Chegou a Lisboa, vindo de Londres, quando a revolta dos militares ainda estava embrionária. Viveu intensamente o 25 de Abril. Não compreendia a cidadania sem a participação política. Participou. Integrou o seu trabalho de designer gráfico nas lutas das esquerdas. Fez tudo o que lhe era exigido: cartazes, folhetos, logótipos, jornais. Conheci Robin no AR.CO. Nunca fui seu aluno, mas percebi a influência que aí exerceu. Ficámos carecas de falar de letras e letrinhas. Foi cá com cada conversa...
Morreu ontem. Obrigado, Robin. Foi um gosto grande conhecer-te.
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OUTRA BESTA |  Alexandre, o grande, o homem do supermercado que os repórteres agora só tratam como o "homem mais rico de Portugal", em entrevista à RTP, referiu-se a António Saraiva como "outra besta". Este iluminado patriota referia-se à reacção do presidente da CIP  às declarações "infelizes" de António Borges. Como fala na "outra" besta, ficamos sem saber se a designação se aplica também ao seu colaborador Borges das bocas parvas. O merceeiro rico detém a Razão, e diz as maiores barbaridades como se fossem a razoabilidade. Insulta tudo e todos em linguagem próxima da mais requintada alarvidade. Com a imensa riqueza ficou insuflado de arrogância. É um facto: esta terra está minada de bestas quadradas. Os disparos surgem de todos os lados. Estamos no meio de fogo cruzado. E desesperado.
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