terça-feira, 9 de setembro de 2025
Já não há pachorra
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Sem erros
Carlos Moedas diz que não houve erro de qualquer espécie no acidente do Elevador da Glória. Pessoaliza o assunto aliando emoção pessoal ao drama das famílias das vítimas. O cinismo assiste-o. Inventa aproveitamentos políticos onde não existem. É ele que faz aproveitamento político. O discurso é palavreado barato e rasca. É sempre. Carlos Moedas é um político rasca. A entrevista que hoje deu a Clara de Sousa foi um exercício disso mesmo. Morreu muita gente. Os erros existiram, como é evidente. É a realidade que o diz. Só mesmo Moedas tem certezas do contrário. Mas o erro maior é Carlos Moedas continuar como presidente da edilidade lisboeta. Votar na direita é eleger estes tatibitates sem trambelho. Políticos de plástico, que é mais barato, como diria o poeta.
domingo, 7 de setembro de 2025
Sónia Martins
sábado, 6 de setembro de 2025
Eles andam aí
Estão a ser feitos contactos a partir de um número que exibe a minha fotografia. Caríssimas e caríssimos, não respondam, denunciem e bloqueiem. O número tem o indicativo de Angola, lugar onde nunca estive, mas de onde já fui incomodado por elementos do partido fascista Chega. Muito obrigado. Abraços.
Moedas e Bogas, emprerendimentos
Ao invés do expectável, assistimos a um verdadeiro desfile de vaidades. A grande capacidade de resolução do problema foi a grande vedeta desta tristeza profunda. Até assistimos a declarações destas: "somos campeões do desencarceramento", "somos os maiores nas perícias", e até houve um idiota ligado ao turismo e à sua promoção — pessoal e do dito — que falou no "lado bom" destes casos - "fala-se do país no estrangeiro". Ressalvo destas alarvidades auto-elogiosas os reparos aos comportamentos dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde, mas esses a gente sabe que merecem todos os reconhecimentos, e não precisam para nada de elogios desta gente que quer anular o sistema.
Moedas diz que Bogas tem que averiguar, e Bogas diz que já mandou alguém fazer isso. E ficamos assim. Como se estes dois opinadores de serviço, não tendo respostas para dar, não tivessem a obrigação moral e política de apresentarem a demissão, com a promessa irrevogável de não voltarem a esse local onde foram tão infelizes. Pelo contrário, desdobram-se e contorcem-se em manobras de malabarismo verbal barato. A incompetência alia-se à desfaçatez e à falta de vergonha. Estes políticos de meia-tigela, que se inscrevem na direita cada vez mais extrema, comportam-se como um um vulgar valdevinos a quem deram um fato e uma gravata e sentaram numa cadeirinha que tem rodas e que abda para trá, para a frente e para os lados. Estão encantados com esta sorte. E depois vão à missa agradecer a dádiva. Tenham juízo e um pingo de decência. É o mínimo, porque respeito por vocês já não temos.
Facebookquinta-feira, 4 de setembro de 2025
Armani
Desenhou uma outra moda. Eu diria que veio mostrar ao mundo da indústria das roupagens que o mínimo é que é sofisticado. Tudo o que lançou tinha a intenção da depuração. O minimalismo ilustrou a sua existência. O adorno, quando existia, parecia ironia. E essa ironia também se transformava em sofisticação. Os figurinos para cinema que traçou mudaram os filmes. Os aromas que criou agradam porque são agradáveis. Frescos. Tinha bom ar. Sabia comunicar. Li um livro que o apresenta e senti isso. Sinto por ele um grande respeito e admiração. Foi bom viver no seu tempo. Muito obrigado, senhor Armani.
Setembros negros
Setembro é o mês em que se inicia muita coisa da nossa vida. Recomeçamos a trabalhar depois das férias de verão. Eu gosto de setembro, mas cada vez mais hesito quando digo isto. Foi em setembro que Salvador Allende foi deposto e morreu, por causa do golpe de estado protagonizado pelo militar fascista Pinochet. General muito secretamente elogiado pelos neoliberais de hoje que continuam a atacar a esquerda a que pertencia Allende.
Foi também em setembro que se deu a tragédia das torres gémeas em Nova Iorque. Eu estava lá e testemunhei o drama. Imaginei o inicio de uma guerra. Mas todos percebemos que aquele acontecimento ficaria na nossa memória coletiva. O mundo mudou muito desde aí.
Claro que tragédias acontecem em qualquer altura do ano. Mas está a acontecer muita coisa má em setembro. O que aconteceu ontem com o elevador da Glória veio acrescentar mais um drama a este já sacrificado mês. Um dia normal, com sol, num sítio muito agradável, com pessoas em férias ou em trabalho, passa a ser um dia impossível de esquecer pelos piores motivos. Sou passageiro destes transportes. Sou utente deste elevador. Todos estamos sujeitos a estas situações. É a vida, diremos. A vida vale muito e deve ser bem vivida. Estas interrupções abruptas marcam-nos para sempre. Sem aproveitamentos políticos, devemos exigir que tudo seja esclarecido. Setembro fica ainda mais negro, com esta tragédia.
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
Imobiliário, para que te quero?
António Costa e Pedro Nuno Santos fizeram negócios imobiliários de conforto familiar. Foram por isso altamente observados e muito criticados pela comunicação social atenta e denunciadora. O assunto abria jornais televisivos e era motivo de debates intensos e agressivos. Parecia que trocar de casa e vender a casa anterior por maior valor, ou comprar casa de férias no campo, eram crime público de lesa-pátria. Uma vergonha para os protagonistas dos negócios imobiliários.
terça-feira, 2 de setembro de 2025
Design de comunicação
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Os homens do bolo de facas afiadas. O delírio da extrema-direita. A ganância criminosa cega. O eterno retorno do fascismo.
domingo, 31 de agosto de 2025
O Nuno vai conversar comigo e com Manuel Falcão. O Manuel é outro comunicador com participação em projetos que inovaram. Fundou o Blitz e também foi diretor do saudoso e saudável SE7E. Foi editor e participa hoje na imprensa com opiniões culturalmente diferentes do vulgo opinativo. Vamos ter o privilégio de conversar com eles no próximo dia 13, sábado, às seis e meia da tarde, na sala José Afonso da Casa da Cultura, Setúbal. O livro vai estar à venda. Nuno Artur Silva estará disponível para assinar o exemplar de quem o comprar. Apareçam. Toda a gente é bem vinda, se vier por bem.
Sérgio 80
Vivo sempre no presente.
O futuro, não o conheço.
O passado, já o não tenho.
Fernando Pessoa
O Sérgio Godinho faz hoje 80 anos. Em entrevista a Luís Filipe Rodrigues, publicada no ípsilon, diz que "o passado não existe". Tem razão. O passado é a preparação do presente. É no presente que vivemos. Sérgio Godinho tem passado a vida a perceber o que se passa à sua volta. Ele traduz em palavras e sons vivências e perceções. Define situações com palavras ouvidas por aí e que ele transforma em verdadeiros achados desta língua de Luiz de Camões, Fernando Pessoa e José Afonso. São as canções que nos agitam a consciência com alegria e inteligência. As palavras são a matéria prima do seu trabalho. É por isso que começou a passar para o papel histórias que são as suas inquietações. As palavras inquietam, mas também reconfortam. Com música tornam-se fundamentais para a nossa compreensão das poeiras e ruídos dos dias. Enfim, devemos muito a Sérgio Godinho. O compositor, o cantor, o escritor de canções, o escritor, continuam a surpreender-nos.
Para além de tudo isto, o Sérgio é meu amigo. Em breve estaremos juntos para falarmos do seu mais recente livro. Parabéns, Sérgio. Por tudo isto e pelo futuro, que ainda não temos, mas vamos ter. Abraço.
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
Receituário
LEMBRETE | A exposição abre no próximo sábado à noite. A montagem decorre com grande entusiasmo. Vamos homenagear a independência de Moçambique e assim celebrar a liberdade em todos os países africanos.
A independência dos países africanos que os portugueses "descobriram" foi há cinquenta anos. Os portugueses que reconquistaram a democracia descobriram a decência e os africanos conquistaram a liberdade. Novos países nasceram e novos artistas contaram a sua história. Convidámos quatro artistas africanos para revelarem com a sua Arte testemunhos visuais que exprimem a alegria de se viver em voz alta no sítio em que se nasceu. Quatro expressões artísticas diferentes na linguagem estética, mas semelhantes na preocupação ética. Somos todos diferentes, e nisso somos todos iguais.
Armando Santos, Lívio de Morais, Jonas Donato e Mário Forjaz Secca vão mostrar trabalho revelador das suas vontades, princípios e atitudes. Une-os o amor à sua terra. Vamos estar com eles no próximo dia 30 de agosto às 22 horas. A exposição estará na Galeria da Casa da Cultura até ao último dia do mês de setembro. Toda a gente é bem-vinda, se vier por bem.
domingo, 24 de agosto de 2025
O Luís Lucas
A primeira vez que o vi trabalhar foi na peça FOGO, pela Comuna, logo depois da revolução. Nunca mais o perdi de vista. O cinema também o ilustrou. Foi um grande actor. Quando o Jorge Silva Melo propôs fazermos o EM VOZ ALTA na Casa Da Cultura, o Lucas foi um dos mais requisitados participantes. As imagens mostram duas dessas sessões: com a Lia Gama e com o António Simão. Estes encontros foram marcantes, para a fruição da boa leitura de poesia. A boa gente do Teatro resolve sempre estas coisas melhor, porque é a voz e o corpo que são convocados. Dizer poesia também é fazer teatro.
sábado, 23 de agosto de 2025
Incendiários, o filme
Parece que o fascista incendiário das redes sociais fez-se filmar a brincar aos bombeiros. Depois dos chiliques devidamente ampliados nas televisões poucos dias antes das eleições, eis que o pantomineiro abraça novo desafio mediático: abeira-se de uns fogachos para que os imbecis que o idolatram achem que o seu deus está preparado para tudo - até para apagar fogos deveras ameaçadores.
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Insensibilidade sem senso
Diz-se por aí que o chefe do partido fascista convocou uma manifestação de fascistas para contestarem uma opinião do Tribunal Constitucional. O governo chefiado pelo empresário parolo que nos governa não quer que quem vem trabalhar para Portugal tenha a família perto. E toda a gente que trabalha deve ficar à mercê das vontades dos patrões. As medidas deste governo AD/CHEGA são insensíveis e gozam com quem trabalha. Estes ajustadores neoliberais encartados rebolam de gozo, anulam direitos e desrespeitam direitos humanos. São gente inqualificável.
O coração foi o orgão do corpo humano eleito pelos artistas para definir o amor. Milton Glasser até ensaiou o desenho do músculo vital para definir o amor à sua cidade: "I — desenho de coração vermelho — NEW YORK". Enfim, é o coração que representa graficamente a atitude amorosa. Atrevo-me a dizer: Montenegro, Ventura e os ministros e ministras deste governo de ultra-direita têm outro qualquer tendão no lugar do músculo cardíaco desenhado por Glasser. É gente má, insensivelmente despudorada, esta gente que nem parece gente, apostada em morder em tudo que foi conquistado. Ventura não reconhece o Estado Novo como um regime repressivo. Responde que se não era vivo nesse tempo, não pode saber da maldade de Salazar e Caetano. Isto é: a História divide-se entre antes e depois do nascimento de Ventura, e quando ele nasceu era o sistema democrático que lhe permite ter voz que existia aqui no pedaço, logo, é este sistema que deve ser combatido por um bom fascista mal formado e malcriado como ele é.
A verdadeira pergunta sobre a manifestação do próximo fim-de-semana é esta: pode um fascista, xenófobo, racista e sem a mínima sensibilidade social manifestar-se contra quem aplica a Constituição da República e garante os direitos democráticos essenciais? Pode a democracia permitir o combate à sua existência? Isto é constitucional? Mas que merda é esta?
























