sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Somos todos migrantes

É já amanhã que vamos abrir a exposição de Luís Ramos MARGEM SUL, na Casa Da Cultura | Setúbal. Luís Ramos calcorreou a região designada por quem a olhava de Lisboa como "A outra banda". Uns estão de um lado, os outros estão do outro. Havia quem olhasse para quem estava na banda de cá como intrusos. Estranho, não é? É mesmo. Mas olhem que ainda há quem pense assim. Ainda há quem divida e classifique as pessoas por "raça", como eles dizem. Mas polvilham essa sua opinião com esta simpatia: "Eu cá não sou racista, mas..." Enfim, depois segue o rol de "raças" que esses "não-racistas" classificam como não assimiláveis. A exposição vai estar por cá até finais de fevereiro. Vamos ter ocasiões para falarmos disto tudo com o Luís Ramos, com o curador Rui Prata e com quem for aparecendo.

Estamos cá para olhar e ver. E sentir. É assim que vamos tentado ser cidadãos atentos e esclarecidos. E decentes. A decência é isto mesmo: respeito pela diferença. Contra o racismo e contra os racistas.
Uma música de José Afonso vai dizer muito do que o autor/cantor pensava destas andanças de procurarmos uma vida melhor. Com decência e respeito. Sempre. Até já.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Lá como cá

É curioso vermos como se comportam os líderes políticos das direitas. No continente americano, a direita dita mais civilizada anda às aranhas para escolher alguém mais civilizado para líder. Mas a direita mais troglodita não tem dúvidas em quem a deve representar. A direita mais troglodita argentina escolheu e venceu. Os americanos direitolas também já tiveram um pantomineiro de serviço na Casa Branca e agora querem voltar ao lugar onde foram felizes e provocaram infelicidade.

Por cá as tentativas são diversas e duram desde que o inenarrável Passos Coelho foi à sua vidinha fora da política, encetando uma fruste carreira nas universidades da farinha amparo. Lá como cá, os direitolas menos civilizados já têm um palonço que os representa. Chega, diz ele. Chega de quê, de palonços imbecis? Grunhos de todo o mundo: uni-vos. E unidos ide para um raio que vos parta.



















quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Delinquência policial

SEXISTAS, MACHISTAS, OU SIMPLESMENTE IMBECIS? | Apercebo-me destas arruaças policiais por causa deste excelente e denunciador texto de Carmo Afonso. No ano em que comemoramos cinquenta anos de liberdade e democracia ainda temos agentes das policias em demonstrações de autoridade delinquente. Dizem-me que ainda há cargas de porrada em postos da PSP e GNR. Percebo que muitos destes delinquentes policiais são instigados pelo chunga do Chega. Percebo tanta coisa que já deveria estar esquecida...



terça-feira, 9 de janeiro de 2024

A má geringonça


A nova AD faz lembrar uma geringonça velha e muito usada sem força para arrancar. E percebe-se que assim seja. Como é que Montenegro e Melo conseguem festejar seja o que for ao lado de um marialva ridículo? Ou são ridículos como ele? O cretino consegue reunir pouco mais de 200 votos em eleições. Os apoios devem ser de toureiros, fadistas machistas e outros manhosos. Qualquer mulher que vote nele — sabendo que ele divide as mulheres entre feias e bonitas, e que as bonitas são burras — fica com um ingresso imediato no clube das mulheres burras. A não ser que se assuma como feia, não percebendo que o ser bonita ou feia depende da sua auto-estima, ficando assim assumida a sua feiura por dentro e por fora. Há geringonças muito mal amanhadas. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Memória


UM VERDADEIRO MONUMENTO | Os verdadeiros monumentos são assim: monumentais. Grandes nomes da música do nosso tempo homenageiam os grandes sons de todo o mundo. Grândola, vila morena, de José Afonso, está aqui respeitada, recriada e adaptada à linguagem dos músicos que a apresentam nas novas roupagens sonoras. Sem plágios nem enredos provincianos distraídos. E sem baboseira argumentativa, é claro. Viva a Arte com A grande. A bisonha parolice que se lixe.
"The Ballad of the Fallen", de Charlie Haden e Carla Bley, e com Don Cherry, Sharon Freeman, Mic Goodrick, Jack Jeffers, Michael Mantler, Paul Motian, Jim Pepper, Dewey Redman, Steve Slagle e Gary Valente.

Porca miseria


Eu, eu, e os que eu quero. Meloni resolve tudo em menos de um fósforo. Democracia? O que é isso? Direitos das pessoas? Importa-se de repetir a pergunta?!

Os amigos do chunga do Chega são assim, quando o poder lhes vai parar às mãos. Pessoas não contam. Só mesmo as pessoas que andam ali às voltas. O perigo das ideias fascistas chegarem ao poder é real, em Itália. Aqui também.

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domingo, 7 de janeiro de 2024

Memória

JE SUIS CHARLIE | Foi em 2015. Passam hoje nove anos. Um jornal foi atacado por fundamentalistas religiosos. Morreram artistas e outros trabalhadores do jornal. Percebeu-se que se pode morrer por desenhar. Por ter opinião ilustrando. Fomos todos CHARLIE. Ainda somos.

O lado de uns e o lado dos outros


Era o outro lado. O lado dos outros. Os do lado de lá. Percebia-se alguma distância, mas também compreensão. Do outro lado estavam os que não chegaram a este lado. Vieram de vários lados em busca de uma vida melhor. Os deste lado é que estavam bem. Eram os príncipes de uma monarquia sem renascença, mas ainda assim com muito bom gosto. Com o gosto dos outros, dos que vinham lá de fora. Este sítio onde viviam uns e outros era um sítio de lado nenhum. Nada dava ares a nada. Uma cópia em pechisbeque de algo que existia no mundo dos ricos sem riqueza. 

Uns e outros só perceberam de que lado estavam quando olharam em volta e só viram plástico reluzente de um lado e sobras mal amanhadas do outro. A coisa compôs-se e cresceu quando se percebeu que era o reconhecimento da diversidade que conferia autenticidade às vidas de uns e de outros. A autenticidade de cada cultura quando comunica com outras torna os lugares mais ricos. O cosmopolitismo enriquece as nossas vidas. As vidas de uns e de outros fica do lado melhor.

Luís Ramos pegou nos apetrechos do seu ofício e pôs-se a caminho. O que ele quer dizer com estas fotografias é isto que está escrito aqui em cima. Digo eu, que não tenho certeza nenhuma. Claro que há quem não concorde. Claro que há quem não queira descer dos pelouros instalados pelo preconceito. Mas, que se lixe o preconceito. E os pelouros, já agora.

A exposição abre no próximo sábado, dia 13 de janeiro, às quatro e meia da tarde, na Casa Da Cultura | Setúbal. Apareçam deste lado.

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sábado, 6 de janeiro de 2024

Vamos cantar...


NATAL DOS SIMPLES | José Afonso transformou ambientes e saberes populares em grandes sons. Esta música, com letra e música de sua autoria, vai encontrar esses ambientes e sons. José Afonso esteve muito à frente do seu tempo. O tempo actual já ali estava. E o futuro também vai estar. Foi muito bom termos vivido no tempo de José Afonso. Vai ser bom continuarmos com ele.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Antonino

Estamos todos a morrer. Mas era preciso irmos tantos já? Agora foi o Antonino Solmer que nos deixou. Foi tudo no Teatro. Substantivo. Íntegro. Sofisticado. Brilhante. Muito obrigado, Antonino

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O Rodrigo

Os amigos que partem cedo ficam a pairar na nossa memória. Nestas alturas ficamos com a cabeça em grande turbulência. Chegam a todo o momento imagens das vivências, dos enredos que nos aproximam ou afastam. São os pequenos nadas que fazem as nossas vidas.

Conheci o Rodrigo no meu primeiro emprego. Ele ensinou-me a mexer na "Gestetner" que reproduzia informações e comunicados. Eu fui para lá fazer os arranjos gráficos, as ditas reproduções e outros mandados. Não nos encontrávamos muito depois do trabalho porque eu ía para as aulas. Mas sempre nos demos bem. O Rodrigo desenrascava toda a gente que aparecia a pedir ajuda. Aprendi com ele muito desse saber solidário. Também lá trabalhava a Odete, com quem ele casou e fez a sua vida. Dessa união vieram para a luz do dia o João e o Diogo Ferreira.
Lembro-me do seu hobby de eleição: árbitro de futebol. Eu, que nunca fui em futebóis, achava fascinante aquele envolvimento com as pessoas da bola e com o entusiasmo que dele tomava conta. Relatava essas emoções nas manhãs das segundas-feiras.
Tivemos anos a fio sem nos encontrarmos. Mais tarde, muito mais tarde, quando conheci o Diogo Ferreira e ele me colocou a possibilidade de editar o seu primeiro livro de História, percebi que o Rodrigo era o seu pai. Deu-se um reencontro prazenteiro com o pai Rodrigo e com a mãe Odete, e ainda nos encontrámos algumas vezes, mas pouco. Ele entretanto adoeceu e há três anos que sofria. O Rodrigo Ferreira foi um bom homem. Um bom amigo da sua família e dos seus amigos. Eu gostava muito dele. Este desaparecimento é triste.

Os Lusíadas somos nós

Camões foi um grande poeta. Prova disso? Ainda hoje se lê com surpresa. Não inventou a Língua Portuguesa, mas colocou-a no mapa. Muitos outros poetas vieram depois, mas foi ele que abriu o livro de todos os verbos e metáforas. Nasceu já lá vão quinhentos anos. Mas os poemas estão aí, vivos e actuantes. Actuais. Parece que foram escritos ontem à tardinha. Os Lusíadas somos nós todos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Design de comunicação

Da série Grandes Capas. 


Arte: Bagnarelli, New Yorker, 1 janeiro, 2024.


Morreu o Manuel Murta. Quem andou pelo Círculo Cultural de Setúbal no tempo em que a actividade da colectividade tinha força interventiva lembra-se bem deste extraordinário animador cultural. Dirigia o Grupo de Teatro do Círculo. Encenou O Auto do Curandeiro, de António Aleixo. Na altura era estudante de medicina. Na peça, era ele que desempenhava o papel do curandeiro, com notável intensidade. Percebia-se que queria arrasar a charlatanice da curandice. Os ensaios eram à noite, é claro. Depois dos estudos e dos trabalhos dos actores amadores. Depois dos ensaios convivíamos. Muito. Conversávamos até às tantas. Aprendíamos. Sempre.

Entretanto o Manuel licenciou-se em medicina. Foi médico. Um excelente médico. Dedicou parte grada da sua vida ao Serviço de Dermatologia do HESE (Hospital do Espírito Santo de Évora).Foi pioneiro na telemedicina em Portugal. Iniciou teleconsultas de dermatologia na Região Alentejo nos anos 90. Foi uma referência na Dermatologia. Tendo sido reconhecido e condecorado pelo Serviço Nacional de Saúde.

O Manuel Virgílio Murta foi um grande ser humano. Um dos melhores de todos. Faço-lhe assim a minha homenagem. Muito obrigado, Manuel Murta.

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Era um redondo vocábulo

Entrámos em ano de comemorações várias. Números redondos, temos os quinhentos anos do nascimento de Camões, o poeta que fez crescer a Língua Portuguesa. Mais jovem é a Liberdade em Portugal, mas cinquenta anos em liberdade é obra. E há obra. A democracia mudou a nossa vida. Ao longo do ano iremos assinalando e comemorando. A data de 25 de Abril de 1974 mudou a nossa vida para melhor e para sempre. 25 de Abril sempre. Escolhi José Afonso para símbolo. Fiz bem, não fiz?
Perdoem-me a ousadia mas tenho outra data que mudou a minha vida pessoal, e que este ano também é servida em números redondos: 10 anos. É a Festa da Ilustração - Setúbal. Que coincidência esta que faz entrar a Festa nas comemorações da Liberdade. Tão bom.
Enfim, bem-vindos todos à comemoração da cidadania e da inteligência. Viva a Liberdade.

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domingo, 31 de dezembro de 2023

Fim


E pronto, o ano chegou ao fim. O horizonte está carregado de nuvens. As nuvens passam. O sol voltará. As nuvens escondidas nas cabeças dos donos do mundo é que dão cabo disto tudo. Amanhã é outro ano. Nada muda. Os manda-chuva poderão anunciar outro tempo. Mas os manda-guerras não ligam a calendários ou leis. É a lei da destruição que os move. O comércio das armas e a imposição de religiões e ideias de merda têm que se manter custe o que custar. Custam vidas.



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sábado, 30 de dezembro de 2023

Presépio

Os deuses devem estar distraídos.

Presépio de Bordallo II, na Alameda, Lisboa. Portugal. Mundo.

Guardador de memórias

É um dos artistas que sigo atentamente, tentando não perder pitada do seu trabalho. Esta exposição no Palácio Anjos terminou ontem. E foi só ontem que consegui lá ir. Envergonho-me e lamento. Gostaria de ter ido lá mais vezes. Gostaria de passear mais tempo por aqueles objectos impregnados de tempo. O rigor expositivo revela a preocupação de não se perderem as memórias da passagem destes objectos pelas nossas vidas. Carlos Nogueira é um guardador de memórias. Pedaços do nosso dia-a-dia convivem e articulam-se com a natureza e o espaço construído. A noção do lugar da arquitectura é celebrada com autenticidade. Existe aqui um respeito pelo passado sem objectivo serôdio. 

A mostra deste trabalho de Carlos Nogueira foi talvez a mais importante exposição do ano. Na minha opinião, é claro. Que vale o que vale. Ou seja muito, para mim. Muito obrigado, Carlos Nogueira.




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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Oximoro


Não é o calendário que muda a nossa vida, como esclarece Fernando Pessoa. É o sonho que a comanda, como sugeriu António Gedeão. Dia 1 de janeiro é apenas o primeiro dia de 2024. O primeiro dia do resto da nossa vida é todos os dias, diz Sérgio Godinho.

Os poetas percebem tão bem as nossas vontades.
Bons dias para o resto da nossa vida, desejo eu, que não sou poeta, mas aprecio a alegria e o bem estar de toda a gente.
Abro uma excepção a este desejo: os fascistas e outros arrivistas que se lixem.
Até para o ano que vem. Até já.
Imagem: Poema de Fernando Pessoa sobre pormenor de imagem de Teófilo - O Truque do Mel