sábado, 13 de abril de 2024

Receituário

Está a acontecer. Até já.



Eles andam aí

"Actualmente, negamo-nos a ver o retorno do fascismo. Dizem-me que do que eu falo é dos perigos do populismo. Não é nada disso. O populismo é como os mosquitos, um pouco irritantes. O perigo real é mesmo o retorno do fascismo. O fascismo é o cultivo político de nossos piores sentimentos irracionais: o ressentimento, o ódio, a xenofobia, o desejo de poder e o medo. Não deveríamos confundir conceitos. Devemos chamar o fascismo pelo nome”. 

[Rob Riemen, ensaísta, filósofo e diretor do Nexus Institute]

Rob Riemen é um pensador que nos alerta para este perigo. Li o seu "Eterno retorno do fascismo" e nunca mais me calei. Recentemente deu esta entrevista. Insiste no que o preocupa. O homem sabe o que diz. Tem razão. Estamos em tempo de combate ao fascismo. Não há outro nome a dar a isto.

Os fascistas saíram dos buracos. Andam aí e já sem vergonha. Lançam livros até há pouco tempo impensáveis, formam movimentos de uma "ética" deplorável que anseiam por incutir nos incautos, falam abertamente sem medo do ridículo. Eles percebem que há muitos ridículos como eles que podem constituir normas de poder ridículas, que depois de aplicadas passam a ser criminosas. Os fascistas não prestam. Vivem da tentativa de instalação do medo. Só pensam em tolher, nunca a fazer crescer. 

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Não passarão

Era evidente. Aquela sentença não fazia sentido nenhum. Condenar alguém que denuncia um criminoso é um absurdo. Quem condenou não se enganou. Fez o que lhe baila na cabeça. Os tempos sopram a favor desta gente. É bom perceber que ainda sopram bons ventos. Combater a extrema-direita racista, xenófoba, sexista, fascista, é uma obrigação. Os fascistas não se normalizam. Não são normais. Os fascistas combatem-se. Sempre.

Um abraço, Mamadou.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Falar de quem fez Abril


Não foram os militares que fizeram (sozinhos) a revolução. A revolução aconteceu porque a população acrescentou vontades e atitudes. E também houve quem interpretasse esse tempo com textos (históricos e jornalísticos) e imagens. Este ano em que o 25 de abril faz cinquenta anos, vamos recordar quem melhor descreveu o que se passou acrescentando opinião e atitude. Um dos mais notáveis opinadores desse tempo portugês foi João Abel Manta. Os seus
cartoons são história. Abel Manta interpretou como ninguém o período fascista de Salazar e depois a vontade das pessoas de fazer futuro. A exposição que está no palácio Anjos é antológica. Grandiosa. Vamos falar da exposição e do catálogo. Mais de trezentas páginas de documentação artística banhadas de excelente grafismo.

A exposição recomenda-se. O catálogo pode ser adquirido por um preço único e irrepetível. É hoje à noite, na Casa Da Cultura | Setúbal. Até logo.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

A bem da ração


Percebo a noção de família da família fascista. Percebo que não queiram qualquer um lá por casa a estragar as alcatifas e a lambuzar as pratas. Percebo que percebam as mulheres que queiram ficar em casa a tratar das refeições e a lavar as cuecas deles (na máquina, é claro), e percebo que não andem para aí a fornicar a torto e a direito com este e com aquele, como os cães. Percebo, a sério.
Como não li o livro (nem vou ler), logo não percebi se os cães podem fazer parte de uma família às direitas. O meu faz. Mas a minha família alinha pelas esquerdas. E não o trocava por nenhum dos frustes escritores do livro fascista. Ele também não. A bem da ração. Estes neofascistas querem um regresso a um passado inimaginável. São abaixo de cão. Vão dar banho ao cão. Viva o meu cão.
[Fotografias de Óscar Silva]

Fotografias de Óscar Silva.

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terça-feira, 9 de abril de 2024

A pés juntos

Juro a pés juntos que não queria comentar o livro manhoso que este estropício apresentou. Mas a clientela rançosa que ali se amontoou para o ouvir dizer inanidades, mais as inanidades que ele disse, e mais a cobertura que teve, levam-me a vazar para aqui aquela frase do filme "O Testa de Ferro", em que Woody Allen enfrenta um colectivo de juízes. Lembram-se do que ele diz ao altivo júri que o julga e condena? — Vão-se todos foder!

É isto.

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segunda-feira, 8 de abril de 2024

Falar de abril

Este ciclo de conversas sobre os 50 anos do 25 de abril pretende abordar o que de mais relevante se fez antes e depois, numa perspectiva de reconhecimento da qualidade da intervenção dos protagonistas desses tempo, que é também o de agora. João Brites foi o primeiro convidado. Conversou com Luana Gonçalves, estudante e entusiasta das coisas teatrais. João Brites, resistente ao fascismo, exilado, e depois grande praticante da liberdade de fazer teatro de grande qualidade, deu uma brilhante aula de cidadania. Luana aprendeu com a lição de Brites, e ensinou-nos outros envolvimentos e percepções. Esta sessão foi mesmo um espanto.

Nesta sexta-feira vamos conversar sobre João Abel Manta e o seu trabalho. João Abel Manta é o artista que melhor interpretou aquele tempo em que a repressão foi eliminada pela revolução. Interpretou como ninguém um certo sentir português. Vamos falar com os responsáveis pela monumental exposição montada no Palácio Anjos em Algés. Conversaremos com Mariana Manta Aires, Pedro Piedade Marques e Jorge Silva. Eu vou estar lá a conversar com eles, e acredito que vou sair dali uma pessoa melhor. Tudo isto se passa na Casa Da Cultura | Setúbal. Apareçam.

domingo, 7 de abril de 2024

Design de comunicação


Assim de repente toda a gente se tornou especialista em imagem, mas também aconteceu que especialistas em imagem se tornaram toda a gente.
Explico melhor. Era uma vez um governo de um pequeno país, que, percebendo que a comunicação visual era importante, e que muitos outros países já estavam a perceber isso, resolveu encomendar uma imagem que ilustrasse esse país de uma maneira mais contemporânea, mais sofisticada, mais adaptável aos novos meios de comunicação.
Depois de muitas consultas e percepções do que se anda por aí a fazer em imagem e comunicação, foi entregue a um dos mais competentes estúdios de design — é assim que se classifica a actividade profissional que faz essas coisas — uma interpretação visual mais consonante com a realidade em comunicação visual nos nossos dias. Tenho a certeza absoluta de que o estúdio que desenvolveu esse trabalho fez um apurado esclarecimento dessa realidade, atribuindo um complexo trabalho de investigação e aplicação em suportes, a uma competente equipa de profissionais. Isso percebe-se pelos desenvolvimentos apresentados. Tudo foi previsto. Todas as aplicações foram testadas. Foram feitas maquetas, estudos teóricos, testes práticos, Foi até desenhado um tipo de letra específico, por um dos melhores profissionais da disciplina.
O trabalho foi apresentado ao governo do país que o passou a aplicar nos suportes institucionais. O governo aplicou-o, com justificado orgulho, diga-se, já que todos os estrados do esclarecimento político passaram a ter outro ar. Um ambiente visualmente mais asseado e sofisticado passou a morar nos ecrãs televisivos e nas páginas dos jornais. O país parecia outro. Visualmente, pelo menos, mas na prática denota um comportamento também melhor, mais inteligente e de mais confiança.
Sol de pouca dura, diria o povo. Um estardalhaço provocado por extremados juízes pôs em causa o governo. O governo caiu e foram convocadas eleições. As eleições foram democraticamente um desastre. Adeptos de ajustes frustes quadriplicaram representação no parlamento, e os reais vencedores formaram um governo cagarola que se rende aos auspícios dos frustes ajustadores. A nova imagem desse país foi por água abaixo, e os cagarolas — os cagarolas são básicos e ignorantes — foram buscar uma bonecada parola que já tinham usado quando em tempos foram governo, piorando ainda mais aquilo, acrescentado informação visual ao que já por si era excessivamente medonho. Os parolos que entretanto tomaram posse como membros do governo parolo, mandaram o mais parolo dos ministros anunciar a medida. O ataque à dignidade dos designers e artistas visuais foi a primeira medida do governo dos parolos.
Claro que nem todos os que votaram nos parolos são parolos. Mas muitos são, e os ajustadores frustes — que são 50 imbecis que ocupam o lado extremo direito — ficaram radiantes. Mas muitos comentadores acharam todo este comportamento excessivo. Há excessos verbais à direita e à esquerda. Toda a gente acha que fala com propriedade do que observa. Há casos caricaturais. Um ex-líder do partido que formou governo e que ocupou funções de topo na Europa veio dizer que as quinas eram indispensáveis. Pasma-se. O homem continua a confundir logótipo com bandeira. Não aprendeu nada na Europa. O líder do tal partido fascista que agora tem 50 deputados no parlamento chegou a dizer que usa as quinas nas cuecas. Um imbecil não tem noção de que é imbecil, mas confundir o aconchego das partes baixas com patriotismo é todo um programa de governo para ele, o imbecil.
Mas à esquerda também foram acrescentadas razões que desmentem a razão. Designers insultaram este trabalho como coisa simples em excesso, vulgarizando assim uma ideia que já inundava as redes ditas sociais. Muitos até usaram a clássica expressão: isto também eu fazia. Outros, mais idiotas, acrescentaram a sua expressão de bondade: eu, por esse preço faria melhor. O custo, que em qualquer dos outros países onde a imagem foi melhorada foi muitíssimo superior, foi outro atropelo à aceitação da coisa.
Mas também os desenvolvimentos a partir da ideia do trabalho original, vulgarizando a execução, transmitindo a ideia de facilidade técnica, não me parece uma boa reacção. Não se trata de plágio desavergonhado. A origem é assumida e a ideia está bem trabalhada, mas é pouco correcto para com o trabalho original que não é feito assim com três pancadas. Essa aplicação foi feita e foi muito partilhada, como boa ideia de esquerda contra a direita serôdia. Não me parece nada uma boa ideia, apesar de ter a sua graça. Acontece que o tempo não está para graças.
Esclarecimento final: penso que já perceberam de que país falo. É esse mesmo, o país Portugal. E acrescento que não espero nada de um governo que revela um tão elevado grau de cagarolice para com a extrema-direita incivilizada e ridícula.
No próximo dia 25 de Abril vamos para a Avenida da Liberdade dizer-lhes que não fazem cá falta nenhuma.
Termino com frases de uma canção do meu amigo Sérgio Godinho:
Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

sábado, 6 de abril de 2024

Receituário


PINTURA DE PEDRO CHORÃO | Vai ser o artista de Abril e Maio na Galeria da  Casa da Cultura. É uma honra recebê-lo aqui pela segunda vez, depois da sua exposição de 2019, onde foram mostrados desenhos e pinturas em papel e colagens. Agora são telas de generosas dimensões. 

Pedro Chorão usa as telas e as tintas para pensar. Olha em seu redor e tenta perceber a paisagem. Gosta do que vê. Muitas vezes sem olhar o exterior. As figurações residem dentro da sua cabeça. Aperfeiçoa essa realidade acrescentando pinceladas que formam fundos graficamente densos. O pincel percorre a tela e desenha paisagens imaginadas. A natureza escorre por estas páginas de um grande livro, aparentemente sem palavras, mas que tanta conversa nos sugere. Pedro Chorão tem uma obra imensa. Se ficarmos atentos à sugestão do artista, e circularmos em passo de passeio, encontramos histórias de lugares que correspondem a registos guardados na nossa imaginação. Sonhos, talvez. Podemos ficar horas a olhar estes trabalhos. Circulamos por entre estas telas com a satisfação dos percursos prazenteiros.

Trabalhos que nos suscitam a surpresa e nos instalam a dúvida sobre o que procuramos, quando observamos uma obra de Arte. Parece-me que em Pedro Chorão encontramos a liberdade. Uma liberdade total que nos transmite conforto visual, mas também inquietação. É bom olhar estes trabalhos, apesar dessa inquietação. Aliás, é mesmo bem vinda a surpresa. Sempre. A abertura é dia 25 que é para estarmos de corpo inteiro com a liberdade. A liberdade é fundamental. 

Eu disse na abertura da anterior mostra de Chorão em Setúbal que estávamos perante uma das melhores exposições de sempre na cidade. Esta agora ainda é mais surprendente. Nem sei o que dizer. Talvez isto: esta pintura é do caraças.

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"Peter Wood é um dos segredos bem guardados da nossa música que urge descobrir."

Hoje, à noite, na Casa Da Cultura | Setúbal. 



sexta-feira, 5 de abril de 2024

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Amanhãs que choram

A montanha de promessas em campanha pariu um rato. Um ratinho raquítico como as mentes rentes desta gente. Foram aqui parar como consequência do rastilho da mentira. O prometido já não é devido. Começaram pela demonstração da ignorância que os escurece e em respeito pelas opiniões da extrema-direita fascista. Que tenham um tempo breve, para bem de todos.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Os velhos do restolho


Até parece mentira. Tomam posse e revelam logo a ignorância e a estupidez. Só a mesquinhez os anima. O infelizmente primeiro-ministro de Portugal tomou a primeira decisão rasca, que condiz com a sua condição cultural.

O Logótipo passou de imediato a ser aquela bosta imposta no tempo do passismo. Passadista e serôdio, portanto.
Hoje é um dia triste para o Design português, diz o Paulo Graça — neste texto que aqui partilho, e diz mais adiante: "Não é apenas o trabalho do Eduardo Aires e da respetiva equipa que cai. Com ele caem todos os designers do país. Esta mudança desrespeita-nos a todos. Falha-se mais uma vez em dignificar justamente esta profissão." Começaram bem, os idiotas que nos governam.


Um logótipo não é uma bandeira.
Uma identidade visual não se resume apenas a um logótipo.
Hoje é um dia triste para o Design português. O atual governo tomou posse e a primeira medida de Montenegro foi reverter de imediato a identidade visual criada pelo Studio Eduardo Aires. Ganhou o conservadorismo. Perdeu toda uma classe de trabalhadores que não foi ouvida nem reconhecida neste processo.
Uma decisão bacoca levada a cabo pelo ruído das redes sociais. Portugal, numa histeria colectiva revelou-se um país onde todos são designers. Todos contestaram uma pequena parte de um todo que nem se dignaram a ver na totalidade. Contestaram um valor que não perceberam, e que na verdade considero que tenha sido pouco para todo o trabalho envolvido. 70 mil euros que seriam meio milhão lá fora. Uma identidade aplaudida internacionalmente, e boicotada cá dentro.
Ninguém viu no entanto (ou tentou sequer perceber) os meses de trabalho de um sistema complexo e do mais completo que foi feito neste país, por uma equipa composta por alguns dos maiores profissionais desta área. A crítica fácil levou a que um dos grandes nomes do Design português fosse ridicularizado, e que a identidade em causa fosse retirada a escassos meses do seu lançamento.
Não é a primeira vez que identidades visuais institucionais icónicas são trocadas por soluções inferiores devido à irresponsabilidade/ignorância dos seus responsáveis autárquicos. Lembro-me rapidamente dos Municípios de Braga e de Arroios. No entanto, não tinha visto ainda acontecer tal fenómeno a uma tão larga escala, em tão pouco tempo, devido a uma “não polémica”, que nada mais é que a pura reflexão da ignorância que nos governa. Diz muito também sobre o pensamento e futuro da cultura em Portugal.
Não é apenas o trabalho do Eduardo Aires e da respetiva equipa que cai. Com ele caem todos os designers do país. Esta mudança desrespeita-nos a todos. Falha-se mais uma vez em dignificar justamente esta profissão.
Hoje o Design português está de luto. Amanhã, milhares de profissionais da área irão para o trabalho com o sentimento que mais uma vez, a sua área não é devidamente reconhecida. No fundo, mais do mesmo.
Parabéns Eduardo Aires, Dino dos Santos, e a toda a equipa envolvida no processo de rebranding que agora vemos cair. O que fizeram foi incrível, e o tempo irá certamente dar razão ao que construíram.
Por enquanto aqui fica o sistema criado, na sua totalidade, para que possa ser apreciado por quem tenha curiosidade, enquanto não é mandado abaixo: https://identidade.portugal.gov.pt
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50 anos de liberdade - Design de comunicação (2)

Estas publicações serviram para apresentar a Associação José Afonso. Tiveram muitos colabores tanto na escrita como na ilustração. Mostro aqui as capas de seis números. Falta-me o número 6 - alguém o têm? 

A publicação foi dirigida pelo João Afonso dos Santos — irmão de José Afonso — e colaboraram na coordenação e na escrita António Victorino d'Almeida, Adelino Gomes, Jorge Abegão, Rui Mota, Luísa Teotónio Pereira, António Marques, José Mário Branco, Carlos Brito Mendes, Homero Cardoso, Carlos Júlio, Luísa Cruz, Eduardo Luís Cortesão, António Pedro Vasconcelos, Isabel Guerra, Fausto, Luís Reto, Fátima Maldonado, Rui Eduardo Marques, Samuel Marques, Fernando Belo, Briro Mendes, Rui Eduardo Paes, Maria Natércia Coimbra, João de Melo, Hélia Correia. Carlos de Faria, Graça Vilhena, Janita Salomé, Victor Nogueira, João Nabais. 

Participaram com ilustrações: António Quadros, Henrique Cayatte, Inácio Matsinhe, Carlos Marques, José Manuel Ribeiro, Júlio Pomar, António Nepomuceno, António Nelos, Luís Filipe Cunha, Rogério Ribeiro, Luís Manuel Gaspar, Maria João Lopes, Augusto T. Dias, João de Azevedo, José Brandão, José Santa-Bárbara, Marta Anjos, Alexandre Taveira. As fotografias também têm autoria, é claro: Maurício Abreu, José Manuel, Jorge Luz. Direcção de arte e grafismo: eu. Mudou de aspecto três vezes. Ajustes combinados decididos por nós, os coordenadores. Maqueta a preto e branco que é para ser mais acessível. Mas rigor e atitude artística de excelência, perdoem-me a ousadia. A impressão e acabamento dividiram-se entre duas casas de referência: Cromotipo, em Lisboa, e Corlito, em Setúbal. Saíram sete números e tinha a tiragem de 2000 exemplares. Foi obra.

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 O CINEMA IDEAL | As boas fitas — eu sei que já não são fitas, mas eu gosto de falar assim à antiga — passam num cinema aqui tão perto. O cinema ideal para nos mantermos acordados está no Cinema IDEAL.

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terça-feira, 2 de abril de 2024

Há vida





PARA ALÉM DO GOVERNO | E pronto, já temos governo. Um bom governo, com gente do melhor que há. Vi a transmissão da tomada da pastilha em deferido, a partir da SIC-N. A locutora de serviço narrou existências: estavam lá este mais aquele e André Ventura. Fiquei sem saber se estaria lá mais algum líder político. O costume.

Desfilaram bons fatos e fatos assim-assim. Saltaram boas canetas dos bolsos, mas também bis'c laranja. e houve até quem pedisse caneta emprestada. Flutuaram cabelos grisalhos, cabelos brancos e cabelos pintados. Uma vida normal, como a de todos nós. O Presidente saudou o fim da excessiva abstenção. Parabéns à prima. O novel primeiro-ministro falou a certo trecho em português do Brasil: a constitucional "tomada de posse" foi substituída por uma "investidura". Também desatou na conversa fiada do fim da ideologia. Não tem ideologia, portanto. É um nabo sem ideias? Parece. Mas a gente sabe o que o move. Tudo o que prometeu era o que estava previsto. Privados: tenham esperança. Os vossos estão no governo, sem luxos ideológicos. Esta gente dá uma no cravo, outra na cavalgadura. É sempre assim. Desejo-lhes sorte, é claro. Mas acho que nós não vamos ter sorte nenhuma.

50 ANOS DE LIBERDADE - DESIGN DE COMUNICAÇÃO (1)


Fiz muitos trabalhos nos anos que se seguiram ao 25 de Abril. Eram sempre para amanhã. De manhã, de preferência. Nos próximos dias vou aqui mostrar alguns. O que hoje apresento é mesmo comemorativo da data. Foi uma encomenda da Câmara da Moita. O inevitável cravo tinha que aparecer de qualquer maneira. Coloquei-o assim, de uma maneira que parece aludir a um certo "irrealismo mágico". Mas o que me interessou mesmo foi a ideia da frase desenhada em cima: EM CADA ESQUINA UM AMIGO. Sempre associei a data ao homem que mudou a cultura musical em Portugal. Confesso que gostei da ideia e resolvi plagiar-me a mim mesmo: reutilizei a imagem para o segundo número da revista da Associação José Afonso, que então se publicava e que eu dirigia esteticamente. Adaptei a imagem a outra minha linguagem, mais ligada a outros desenvolvimentos estéticos que então praticava, e fiz a capa da publicação. No interior ainda ousei associar o raio do cravo à ilustração. Não sei se estragou tudo, se ficou piroso, mas avancei. A malta que aprovava a coisa gostou. Foi o que me interessou. E pronto, foi isto. Amanhã há mais.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Regresso ao passado

Começou a festa da tropa-fandanga. O chefe do Estado-Maior do Exército, Eduardo Ferrão, quer o regresso do Serviço Militar Obrigatório. Diz que é “escola de cidadania”. Também reivindica aumentos para os militares, critica ministra cessante e lança avisos ao próximo ministro. Dispara para todos os lados. Tropa é tropa.

Claro que os salários são baixos. Todos nós ganhamos menos do que devíamos. Mas para a tropa a corneta atinge outros sons. Pia mais fino: quer aumento de salários e quer mandar nos hábitos e atitudes dos cachopos. "Escola de cidadania", diz ele. Saberá o que é cidadania quem quer tornar a sua própria actividade profissional obrigação para todos os que estão a despontar para a vida?

domingo, 31 de março de 2024

O que farei com este Estado?

Carlos Moedas é presidente da Câmara de Lisboa e é um provável futuro líder do PPD/PSD. Pedro Santa Clara é um académico, acérrimo neoliberal, que até foi mandatário da candidatura do partido que tem a iniciativa muito liberal de assumir a eliminação de tudo o que cheira a Estado.

Moedas e Santa Clara são amigos. Moedas pensou instalar na capital da república portuguesa uma escola para ensinar cenas digitais, estão a ver? A coisa custava à Câmara cinco milhões de euros, mais coisa menos coisa. Cinco milhões que seriam entregues assim, sem concurso nem agravo, nas contas a abrir pelo amigo de Moedas, que é um acérrimo neoliberal e despreza o Estado e quem o apoia. Estava tudo muito bem encaminhado. Mas, à última da hora, Moedas desistiu da ideia deixando o valoroso projecto em águas de bacalhau. Vamos lá saber o porquê desta repentina decisão! Uma certeza podemos ter: os mandantes da Iniciativa Liberal e seus companheiros de jornada desprezam tanto o Estado que só pensam em reduzi-lo financeiramente de todas as maneiras que têm à mão.
Ah, valentes!

sexta-feira, 29 de março de 2024

Abril em março

EM ABRIL LIBERDADES MIL | É bom recordarmos o que isto era e o que passou a ser. Antes de Abril de 1974 isto era medonho. Em Abril assinala-se o fim da repressão, da censura descabida e estúpida, da agressão física e psicológica a quem procurava a diferença e uma vida melhor. Quando os que defendem o fim do direito a sermos donos da nossa existência, e procuram a ignorância e a estupidez como aliadas nessa cruzada, temos que perceber como combater essas atitudes repressoras. Temos que perceber porque razão pessoas de uma geração que nasceu e cresceu em liberdade vota em quem quer tolher essa liberdade. A malta nova está na mira destes cinquenta energúmenos que agora se sentam alarvemente na Assembleia da República. Não, não foi por mérito próprio, como disse o grunho falante na sua primeira intervenção no parlamento. Foi através da mentira e da manipulação. Temos que fazer tudo para que a manipulação seja denunciada. A mentira não é uma arma pela liberdade. A mentira é deformação. Crime. Fascismo nunca mais.

Durante o mês de Abril recordaremos aqui os atropelos à liberdade de pensar e de agir praticados pelos fascistas que ocupavam o poder antes de 1974, e assinalaremos as vontades dos fascistas de agora na sua vertiginosa estratégia de regresso a esse passado tenebroso.

Vamos manifestar alegria por termos vivido momentos únicos. Queremos viver em liberdade e paz, e fazer tudo para que a nossa vida seja vivida com essa alegria que nos permite usufruir do acesso ao que nos ajuda a respirar melhor. Fascismo nunca mais, repito. Agora e sempre!

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