Está a acontecer. Até já.
sábado, 13 de abril de 2024
Eles andam aí
"Actualmente, negamo-nos a ver o retorno do fascismo. Dizem-me que do que eu falo é dos perigos do populismo. Não é nada disso. O populismo é como os mosquitos, um pouco irritantes. O perigo real é mesmo o retorno do fascismo. O fascismo é o cultivo político de nossos piores sentimentos irracionais: o ressentimento, o ódio, a xenofobia, o desejo de poder e o medo. Não deveríamos confundir conceitos. Devemos chamar o fascismo pelo nome”.
[Rob Riemen, ensaísta, filósofo e diretor do Nexus Institute]
Rob Riemen é um pensador que nos alerta para este perigo. Li o seu "Eterno retorno do fascismo" e nunca mais me calei. Recentemente deu esta entrevista. Insiste no que o preocupa. O homem sabe o que diz. Tem razão. Estamos em tempo de combate ao fascismo. Não há outro nome a dar a isto.
Os fascistas saíram dos buracos. Andam aí e já sem vergonha. Lançam livros até há pouco tempo impensáveis, formam movimentos de uma "ética" deplorável que anseiam por incutir nos incautos, falam abertamente sem medo do ridículo. Eles percebem que há muitos ridículos como eles que podem constituir normas de poder ridículas, que depois de aplicadas passam a ser criminosas. Os fascistas não prestam. Vivem da tentativa de instalação do medo. Só pensam em tolher, nunca a fazer crescer.
Não passarão
Era evidente. Aquela sentença não fazia sentido nenhum. Condenar alguém que denuncia um criminoso é um absurdo. Quem condenou não se enganou. Fez o que lhe baila na cabeça. Os tempos sopram a favor desta gente. É bom perceber que ainda sopram bons ventos. Combater a extrema-direita racista, xenófoba, sexista, fascista, é uma obrigação. Os fascistas não se normalizam. Não são normais. Os fascistas combatem-se. Sempre.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
Falar de quem fez Abril
Não foram os militares que fizeram (sozinhos) a revolução. A revolução aconteceu porque a população acrescentou vontades e atitudes. E também houve quem interpretasse esse tempo com textos (históricos e jornalísticos) e imagens. Este ano em que o 25 de abril faz cinquenta anos, vamos recordar quem melhor descreveu o que se passou acrescentando opinião e atitude. Um dos mais notáveis opinadores desse tempo portugês foi João Abel Manta. Os seus cartoons são história. Abel Manta interpretou como ninguém o período fascista de Salazar e depois a vontade das pessoas de fazer futuro. A exposição que está no palácio Anjos é antológica. Grandiosa. Vamos falar da exposição e do catálogo. Mais de trezentas páginas de documentação artística banhadas de excelente grafismo.
quarta-feira, 10 de abril de 2024
A bem da ração
Fotografias de Óscar Silva.
terça-feira, 9 de abril de 2024
A pés juntos
Juro a pés juntos que não queria comentar o livro manhoso que este estropício apresentou. Mas a clientela rançosa que ali se amontoou para o ouvir dizer inanidades, mais as inanidades que ele disse, e mais a cobertura que teve, levam-me a vazar para aqui aquela frase do filme "O Testa de Ferro", em que Woody Allen enfrenta um colectivo de juízes. Lembram-se do que ele diz ao altivo júri que o julga e condena? — Vão-se todos foder!
É isto.
facebooksegunda-feira, 8 de abril de 2024
Falar de abril
Este ciclo de conversas sobre os 50 anos do 25 de abril pretende abordar o que de mais relevante se fez antes e depois, numa perspectiva de reconhecimento da qualidade da intervenção dos protagonistas desses tempo, que é também o de agora. João Brites foi o primeiro convidado. Conversou com Luana Gonçalves, estudante e entusiasta das coisas teatrais. João Brites, resistente ao fascismo, exilado, e depois grande praticante da liberdade de fazer teatro de grande qualidade, deu uma brilhante aula de cidadania. Luana aprendeu com a lição de Brites, e ensinou-nos outros envolvimentos e percepções. Esta sessão foi mesmo um espanto.
domingo, 7 de abril de 2024
Design de comunicação
sábado, 6 de abril de 2024
Receituário
PINTURA DE PEDRO CHORÃO | Vai ser o artista de Abril e Maio na Galeria da Casa da Cultura. É uma honra recebê-lo aqui pela segunda vez, depois da sua exposição de 2019, onde foram mostrados desenhos e pinturas em papel e colagens. Agora são telas de generosas dimensões.
Pedro Chorão usa as telas e as tintas para pensar. Olha em seu redor e tenta perceber a paisagem. Gosta do que vê. Muitas vezes sem olhar o exterior. As figurações residem dentro da sua cabeça. Aperfeiçoa essa realidade acrescentando pinceladas que formam fundos graficamente densos. O pincel percorre a tela e desenha paisagens imaginadas. A natureza escorre por estas páginas de um grande livro, aparentemente sem palavras, mas que tanta conversa nos sugere. Pedro Chorão tem uma obra imensa. Se ficarmos atentos à sugestão do artista, e circularmos em passo de passeio, encontramos histórias de lugares que correspondem a registos guardados na nossa imaginação. Sonhos, talvez. Podemos ficar horas a olhar estes trabalhos. Circulamos por entre estas telas com a satisfação dos percursos prazenteiros.
Trabalhos que nos suscitam a surpresa e nos instalam a dúvida sobre o que procuramos, quando observamos uma obra de Arte. Parece-me que em Pedro Chorão encontramos a liberdade. Uma liberdade total que nos transmite conforto visual, mas também inquietação. É bom olhar estes trabalhos, apesar dessa inquietação. Aliás, é mesmo bem vinda a surpresa. Sempre. A abertura é dia 25 que é para estarmos de corpo inteiro com a liberdade. A liberdade é fundamental.
Eu disse na abertura da anterior mostra de Chorão em Setúbal que estávamos perante uma das melhores exposições de sempre na cidade. Esta agora ainda é mais surprendente. Nem sei o que dizer. Talvez isto: esta pintura é do caraças.
Receituário
Hoje, à noite, na Casa Da Cultura | Setúbal.
sexta-feira, 5 de abril de 2024
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Amanhãs que choram
A montanha de promessas em campanha pariu um rato. Um ratinho raquítico como as mentes rentes desta gente. Foram aqui parar como consequência do rastilho da mentira. O prometido já não é devido. Começaram pela demonstração da ignorância que os escurece e em respeito pelas opiniões da extrema-direita fascista. Que tenham um tempo breve, para bem de todos.
quarta-feira, 3 de abril de 2024
Os velhos do restolho
Até parece mentira. Tomam posse e revelam logo a ignorância e a estupidez. Só a mesquinhez os anima. O infelizmente primeiro-ministro de Portugal tomou a primeira decisão rasca, que condiz com a sua condição cultural.
O Logótipo passou de imediato a ser aquela bosta imposta no tempo do passismo. Passadista e serôdio, portanto.Hoje é um dia triste para o Design português, diz o Paulo Graça — neste texto que aqui partilho, e diz mais adiante: "Não é apenas o trabalho do Eduardo Aires e da respetiva equipa que cai. Com ele caem todos os designers do país. Esta mudança desrespeita-nos a todos. Falha-se mais uma vez em dignificar justamente esta profissão." Começaram bem, os idiotas que nos governam.
50 anos de liberdade - Design de comunicação (2)
Estas publicações serviram para apresentar a Associação José Afonso. Tiveram muitos colabores tanto na escrita como na ilustração. Mostro aqui as capas de seis números. Falta-me o número 6 - alguém o têm?
A publicação foi dirigida pelo João Afonso dos Santos — irmão de José Afonso — e colaboraram na coordenação e na escrita António Victorino d'Almeida, Adelino Gomes, Jorge Abegão, Rui Mota, Luísa Teotónio Pereira, António Marques, José Mário Branco, Carlos Brito Mendes, Homero Cardoso, Carlos Júlio, Luísa Cruz, Eduardo Luís Cortesão, António Pedro Vasconcelos, Isabel Guerra, Fausto, Luís Reto, Fátima Maldonado, Rui Eduardo Marques, Samuel Marques, Fernando Belo, Briro Mendes, Rui Eduardo Paes, Maria Natércia Coimbra, João de Melo, Hélia Correia. Carlos de Faria, Graça Vilhena, Janita Salomé, Victor Nogueira, João Nabais.
Participaram com ilustrações: António Quadros, Henrique Cayatte, Inácio Matsinhe, Carlos Marques, José Manuel Ribeiro, Júlio Pomar, António Nepomuceno, António Nelos, Luís Filipe Cunha, Rogério Ribeiro, Luís Manuel Gaspar, Maria João Lopes, Augusto T. Dias, João de Azevedo, José Brandão, José Santa-Bárbara, Marta Anjos, Alexandre Taveira. As fotografias também têm autoria, é claro: Maurício Abreu, José Manuel, Jorge Luz. Direcção de arte e grafismo: eu. Mudou de aspecto três vezes. Ajustes combinados decididos por nós, os coordenadores. Maqueta a preto e branco que é para ser mais acessível. Mas rigor e atitude artística de excelência, perdoem-me a ousadia. A impressão e acabamento dividiram-se entre duas casas de referência: Cromotipo, em Lisboa, e Corlito, em Setúbal. Saíram sete números e tinha a tiragem de 2000 exemplares. Foi obra.
Receituário
O CINEMA IDEAL | As boas fitas — eu sei que já não são fitas, mas eu gosto de falar assim à antiga — passam num cinema aqui tão perto. O cinema ideal para nos mantermos acordados está no Cinema IDEAL.
facebookterça-feira, 2 de abril de 2024
Há vida
PARA ALÉM DO GOVERNO | E pronto, já temos governo. Um bom governo, com gente do melhor que há. Vi a transmissão da tomada da pastilha em deferido, a partir da SIC-N. A locutora de serviço narrou existências: estavam lá este mais aquele e André Ventura. Fiquei sem saber se estaria lá mais algum líder político. O costume.
50 ANOS DE LIBERDADE - DESIGN DE COMUNICAÇÃO (1)
Fiz muitos trabalhos nos anos que se seguiram ao 25 de Abril. Eram sempre para amanhã. De manhã, de preferência. Nos próximos dias vou aqui mostrar alguns. O que hoje apresento é mesmo comemorativo da data. Foi uma encomenda da Câmara da Moita. O inevitável cravo tinha que aparecer de qualquer maneira. Coloquei-o assim, de uma maneira que parece aludir a um certo "irrealismo mágico". Mas o que me interessou mesmo foi a ideia da frase desenhada em cima: EM CADA ESQUINA UM AMIGO. Sempre associei a data ao homem que mudou a cultura musical em Portugal. Confesso que gostei da ideia e resolvi plagiar-me a mim mesmo: reutilizei a imagem para o segundo número da revista da Associação José Afonso, que então se publicava e que eu dirigia esteticamente. Adaptei a imagem a outra minha linguagem, mais ligada a outros desenvolvimentos estéticos que então praticava, e fiz a capa da publicação. No interior ainda ousei associar o raio do cravo à ilustração. Não sei se estragou tudo, se ficou piroso, mas avancei. A malta que aprovava a coisa gostou. Foi o que me interessou. E pronto, foi isto. Amanhã há mais.
segunda-feira, 1 de abril de 2024
Regresso ao passado
Começou a festa da tropa-fandanga. O chefe do Estado-Maior do Exército, Eduardo Ferrão, quer o regresso do Serviço Militar Obrigatório. Diz que é “escola de cidadania”. Também reivindica aumentos para os militares, critica ministra cessante e lança avisos ao próximo ministro. Dispara para todos os lados. Tropa é tropa.
domingo, 31 de março de 2024
O que farei com este Estado?
Carlos Moedas é presidente da Câmara de Lisboa e é um provável futuro líder do PPD/PSD. Pedro Santa Clara é um académico, acérrimo neoliberal, que até foi mandatário da candidatura do partido que tem a iniciativa muito liberal de assumir a eliminação de tudo o que cheira a Estado.
sexta-feira, 29 de março de 2024
Abril em março
Durante o mês de Abril recordaremos aqui os atropelos à liberdade de pensar e de agir praticados pelos fascistas que ocupavam o poder antes de 1974, e assinalaremos as vontades dos fascistas de agora na sua vertiginosa estratégia de regresso a esse passado tenebroso.
Vamos manifestar alegria por termos vivido momentos únicos. Queremos viver em liberdade e paz, e fazer tudo para que a nossa vida seja vivida com essa alegria que nos permite usufruir do acesso ao que nos ajuda a respirar melhor. Fascismo nunca mais, repito. Agora e sempre!




























