sexta-feira, 31 de julho de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma casa chamada Jazz


Não sei o que começou primeiro: a paixão pelo Jazz é antiga, mas o desenho é um enamoramento. Carlos Miguel Dias é arquitecto. Lida com a exigência da forma no seu contacto com o ser humano. O Jazz afasta-o dessa preocupação profissional. O desenho e a pintura aliam-se a tudo isto como se ligam os amigos de sempre. As ilustrações que agora traz ao nosso convívio, são testemunhas dessa ménage à trois. Há um indisfarçável prazer físico neste contacto. É com o corpo que tudo acontece. É com o corpo que os arautos desta música a transformam em prazer intenso. É com o corpo todo que se desenha, quando se desenha bem. É com o corpo que se convive, quando se é sincero. Esta mostra é uma festa de amigos. Há uns que estão estoicamente pendurados na parede. Já não são deste mundo, nem de nenhum outro. São eternos. Os outros somos nós: os que aqui se reúnem à volta destes sons com cara de gente, desta música que é tão clássica como a outra, mas que é tão livre que deixa a liberdade à nora. O Carlos convocou para a festa os músicos que passam a vida lá em casa. Nós agradecemos a cortesia do convite e respondemos à chamada com a alegria que só a música permite.

UMA CASA CHAMADA JAZZ

Carlos Miguel Dias | Desenhos
Trem Azul - Inaugura amanhã, a partir das 18,30 horas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Já chegou


Já está à venda nas livrarias este delicioso livro da Carla Maia de Almeida. As excelentes ilustrações são de Alex Gozblau.
Uma boa história para a disponibilidade veraneante.

terça-feira, 28 de julho de 2009

?


O governo de Santana foi, a par do executivo de Barroso, o mais despesista? Mas então não durou só quatro meses? Mesmo descontando as devidas proporções, não é despesa a mais?

Merce Cunningham


Tinha eu acabado de falar em vida e morte...
Soubemos agora da morte de um homem que sempre andou carregado de vida.

Vida e morte


Este livro é sobre o fim. É triste, portanto. Mas é uma tristeza que nos ajuda a perceber esse último percurso. Um moribundo insiste em viver. Para isso projecta situações recorrendo à memória das coisas boas que lhe aconteceram. Quem vive muito tem sempre muito para contar. Este homem velho e acabado vai entretendo o fim com histórias do "seu tempo" que assim alimentam um futuro improvável. Chico Buarque, que há muito nos surpreende com textos e músicas de grande habilidade literária e melódica, torna-se, de livro para livro, um escritor de respeito. É o que eu acho. E como eu há já muita gente. Este livro é extraordinário.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Proibir, proibir sempre


Evo Morales quer correr com a Igreja Católica da Bolívia. Quem não concorda com o catecismo destes pregadores populistas, tem que ir pregar para outra freguesia. O homem até já fez greve de fome para manter o lugar de santo padroeiro. É um mártir a quem nada se nega. A proibição é doutrina. Este território tem o privilégio de ser iluminado pela única razão que encaminha a humanidade para a vitória. Aquilo a que chamam Revolução é a sua religião. Há religiões ferozes.

Joana vai com as outras

Acredito que Joana Amaral Dias tivesse gostado de ser convidada por Sócrates. Acredito que Louçã tenha acreditado no que Joana lhe disse. Não acredito que Sócrates fosse ingénuo ao ponto de convidar Joana sabendo que, apesar de posta de lado no partido a que ainda pertence, ainda por lá anda de facto. Não acredito, portanto, que Joana tivesse sido convidada. E não percebo a indignação de Louçã com este imbróglio. Se até já se tinha visto livre de Joana...

domingo, 26 de julho de 2009

Miguel Vale de Almeida


Miguel Vale de Almeida vai ser deputado pelo Partido Socialista. Correm rios de tinta sobre esta decisão de Sócrates. A questão que é preferencialmente colocada é a de o candidato ao Parlamento ser homossexual assumido. Atitude louvável, mas para que já não há pachorra: o que deveria ser normalíssimo é colocado em parangonas como caso extraordinário. Como se qualquer cidadão que queira ocupar um lugar público tenha que primeiro dar conta do que faz na cama ou no assento traseiro do automóvel.
Miguel Vale de Almeida é muito mais do que isso. É antropólogo e professor respeitado. Mas é acima de tudo um dos mais brilhantes intelectuais cá da terra. Habituei-me a admirá-lo a partir das crónicas que foi publicando na imprensa desde há muito. E também pela maneira séria com que publicamente defende os seus pontos de vista. Sempre com sobriedade, sem alaridos inúteis.
É gente desta que faz falta na Assembleia da República. E não fadistas marialvas e outros sem-abrigo da política.

sábado, 25 de julho de 2009

O Sereno Santana


Estava aqui em felgas para comentar a entrevista de Pedro Santana Lopes ao i. Desisti. Aquela serenidade denuncia a inexistência política. Nada a acrescentar. Minto, Logo na primeira página do jornal há um interessante desabafo (se calhar era o único aproveitável para a chamada de capa): "De mim nunca disseram que me licenciei a um domingo".
Se vamos por aí... Não será melhor não lhe recordarmos o que disseram e dizem dele?

Bons dias

O debate Esquerda/Direita está a aquecer. Nos blogues já se ouvem os tambores. Tenho amigos no Simplex, o blogue que acha que deve ser o PS a governar depois das eleições, mas também os tenho no Jamais, que acha que deve ser Manuela Ferreira Leite. Preferia que a doutora Manuela nunca formasse governo. Logo estou com os primeiros. Quanto a governos e governações não há volta a dar. É assim, ponto. A inclusão de Miguel Vale de Almeida mas listas do PS é qualquer coisa. Um trunfo dos grandes. Esperemos que as escolhas de Manuela Ferreira Leite não estejam ao nível das anteriores feitas por Santana Lopes, constituídas por fadistas marialvas, oportunistas e outros cromos de luxo mais inclassificáveis ainda e que deram em ir para ali meter dó. Santana até propôs socialites para a palhaçada em que tentou transformar a Assembleia da República. Por sorte recusaram. Mas é claro que também houve boa gente eleita nas listas que o homem elaborou. Provavelmente por acaso.
Ainda Manuel Alegre diz que ser deputado é a melhor missão do mundo.
Eu diria que tem dias...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pintas


Fui buscar esta imagem ao Alfaiate Lisboeta. Sempre nutri simpatia por este senhor. Michel é um homem das artes performativas que faz o que sabe fazer e a mais não é obrigado. Acompanho a sua actividade discreta (Não sei se por opção ou porque sim), há um ror de anos. De vez em quando tropeçamos por aí. Cumprimentamo-nos. Eu sei quem ele é. A ele acho que não lhe passa pela cabeça a razão do cumprimento. É só porque é simpático e porque andamos por aí. Na vida. E a gente cruza-se por aí graças a ela, a vida. Esta imagem publicada no Alfaiate faz justiça ao homem e ao artista: reparem que até o cão tem pinta.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Elegia para uma história de amor


Não sei se Philip Roth ficou virado do avesso quando viu este filme. Mas é possivel. Não estão em causa os desempenhos. Quando estão inscritos no elenco actores como Ben Kingley, Penélope Cruz e Dennis Hopper, espera-se o melhor. A esse nível não se dá nenhum desgosto. O pior é a interpretação da história. Um livro admirável resulta em filme razoável. É normal, dirão. Não é. Com actores deste gabarito espera-se o melhor. É triste que o melhor não aconteça.
Talvez esteja a exagerar. Tenho pelo livro o afecto que se tem pelas grandes obras. Não será o melhor de Roth, mas caiu-me no goto. O filme não. A história contada por Roth consegue ser mais sensual do que a projecção que agora vi. Não bastam as mamas de Penélope para que a sensualidade aconteça. Apesar de ajudarem muito. Falta ali o fascínio da literatura. A lição que as grandes histórias nos transmitem. Mas, pronto, é de ver. Sempre é uma história de Philip Roth. E de Kingsley. E de Penélope Cruz. E de Dennis Hopper. E de Patricia Clarkson. Uma grande história é sempre uma grande história. Mesmo que um filme a não conte assim tão bem.
Elegia baseia-se no livro O Animal Moribundo, de Philip Roth.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Formação profissional

Madoff ocupa o tempo que passa na prisão a fazer placas de identificação. O que se teria evitado se o homem tivesse exercido a actividade de especialista em sinalética, em vez do perito em tropelias financeiras em que de facto se tornou. Finalmente encontrou uma actividade verdadeiramente útil e honesta. Que bom para o mundo.

Programa eleitoral, sabem o que é?


Um grupo de católicos quer saber o que os partidos defendem em relação a alguns pontos de vista caros ao agrupamento. Os católicos sempre se sentiram privilegiados nestes esclarecimentos. Habituaram-se a mesuras do Estado desde o tempo em que o senhor de Santa Comba e o seu amigo cardeal dominavam o estado da Nação. Acham que estão acima de tudo e de todos e que podem exigir e pedir o que lhes aprouver. A gente percebe a exigência: querem ideias para a campanha eleitoral que se avizinha, não é verdade?
É claro que para isso não chega lerem os programas eleitorais.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pré-campanha


Há um sítio onde tudo se passa. Passem por lá.

domingo, 19 de julho de 2009

Cabemos cá todos?

Uma criatura qualquer que é responsável por um organismo qualquer que define quem deve e quem e não deve dar sangue, resolveu comunicar que os homossexuais não o devem fazer. Parece que são grupo de risco. Os heterossexuais que só pensam em "papar" tudo o que mexe não são comtemplados pela proibição. E as mulheres homossexuais também não. Só os homens. A criatura ainda deve ser do tempo do "não queremos cá mariquices". Só que responde por um organismo que decide sobre coisas que excedem a sua compreensão. Ontem à noite ouvi uma senhora que se responsabiliza por este assunto na União Europeia, dizer que não é bem assim. De facto todo o cuidado é pouco quando se fala de fornecimentos deste tipo. Mas eu julgava que esses cuidados já existiam. Não com decretos de exclusão, mas sim com preocupações de rigor na colheita.

Cabemos cá todos


Vamos lá a ver: O facto de o dr. Jardim defender o restabelecimento de uma ditadura (nunca se incomodou com a do anterior regime, fazendo mesmo parte dela), não quer dizer que se esteja de acordo com as premissas sugeridas pelo PCP. Independentemente de o PCP ter tido papel de monta no combate ao fascismo português, não o autoriza a fazer a apologia de regimes obsoletos e infrequentáveis. É no terreno político que o combate se trava. E não é disso que se queixa o soba. Jardim prefere a sua maioría absoluta. O homem do Funchal enquadra-se melhor num retrato com os presidentes da Venezuela, da China e da Coreia do Norte do que com os responsáveis de qualquer democracia razoável. Ninguém imagina Jardim governar com maioria relativa. Estes seus gritos de revolta são turismo político. São coisa sazonal proferida depois de almoço. Parece que resultou. Toda a gente fala das boutades do líder regional e nacional do PSD, excepto a presidente do partido. Mas deixemos isso por agora. Jardim inclui na limpeza o Bloco. Não há comparação. O Bloco de Esquerda não frequenta a mesma taberna. Não defende os ditos regimes e não exibe tiques de incompreensão do regime democrático. O BE incorpora "desempregados" de organizações que também andaram lá perto, mas sofreu uma renovação que o refrescou politicamente.
Quanto ao proibicionismo, não muito obrigado. A Constituição proíbe o fascismo. Isso não impede os fascistas de se organizarem em partido e de concorrerem a eleições. A votação que conseguem é ridícula. Fixe. A paisagem democrática é como é: composta por partidos que representam eleitores. Cabemos cá todos. Mesmo que as nossas ideias não agradem a toda a gente. É assim que deve ser. É a vida.

Presunção e desastre

Alexandre Relvas disse ontem em entrevista ao i que "as pessoas da política não são as melhores do país". E as das empresas? Onde econtra o "Mourinho de Cavaco" a excelência? No seu quintal? É ele?