domingo, 28 de dezembro de 2003

Eucaristias dominicais

PACHECO PEREIRA Está bem. não sugere livros merdosos. Fala de assuntos que nos fazem meditar, denuncia foleiradas inacreditaveis. Recomenda-se.
MARCELO REBELO DE SOUSA Ora bem. Está mal... está doente. E para isso só nos resta desejar rápidas melhoras. Mas, e o resto? Quanto aos livros, é melhor eu estar calado. Quanto ao que sobra, faz que anda mas não anda, parece de brincadeira. Ainda por cima já há quem o queira ver como candidato a Belém. Não há pachorra para tios paternalistas. JTD

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

Noite de paz II (esta é a sério)

Está aí o Natal. Já deram por isso com certeza. Portanto vamos hibernar submersos em bacalhau, cabrito, beijinhos, rabanadas, mensagens de boas festas no telemóvel, vinho (eu cá é mais QUINTA DA MIMOSA da minha amiga Leonor de Freitas), prendas, beijinhos, mais mensagens de boas festas no telemóvel, filhoses, mais prendas, digestivos... enfim, portem-se bem, pelo menos desta vez. Ou seja, uma vez por ano. Mas divirtam-se.
UM EXCELENTE NATAL PARA TODOS, SÃO OS VOTOS DOS CIRURGIÕES DE SERVIÇO, Neto, Estranho-Humor, Marto, Carlos e Carlos, Duarte, Viotti e Farinha.

terça-feira, 23 de dezembro de 2003

Televisão como ersatz da vida toda
Uma coisa que nunca tinha visto: numa festa televisiva na cadeia, é João Baião que anuncia a um grupo de presos que eles vão ser libertados. Já se namora, se casa, se vive (no Big Brother), se nasce (o ultimo filho da Ágata esteve para nascer em directo), se julga, se reconcilia parentes desavindos ou perdidos, se prende, se faz tudo dentro de um programa de televisão. Ainda não se morre porque se presume que só terá audiências a primeira vez, mas mesmo isso virá. A televisão como ersatz é o prenúncio das vantagens da virtualidade como "realidade" para os pobres. Os pobres farão tudo "virtualmente", os ricos poderão pagar a realidade. O problema é saber quanto tempo falta até sermos incapazes de distinguir.

José Pacheco Pereira Abrupto

Bom ano de 2004

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.


Carlos Drummond de Andrade

O caminho das pedras

Já cá não está quem falou. Vinha eu a descer o Chiado com o meu amigo e colega de blogue JTD, quando deparamos com uma brigada de calceteiros a reparar a calçada na rua Garrett e na rua do Carmo. Não foi necessário contratar Tino de Rans. De uma forma discreta e eficaz o problema foi resolvido. O munícipe agradece. BN

segunda-feira, 22 de dezembro de 2003

Dei com uma velha revista...

Fui para a cama com milhares de miúdas e não me lembro do rosto da maior parte delas.
Não te digo isto para me fazer engraçado. No ponto em que estou com o dinheiro todo que ganho e todos esses lambe-botas que tenho na mão, podes calcular que não preciso cacarejar no vazio.
Digo-o porque é verdade. Tenho trinta e oito anos e esqueci quase tudo na vida. É verdade para as miúdas e é verdade para o resto.
Dei com uma velha revista do género daquelas que servem para limpar o cu e vejo uma fotografia minha de braço dado com uma gaja.
Então leio a legenda e fico a saber que a dita rapariga se chana Laetitia, Sonia ou não sei o quê, olho mais uma vez para a fotografia como quem diz: “É claro Sonia, a moreninha da Villa Barclay com os seus piercings e o cheiro a baunilha...”
Mas não. Não é isso que vem até mim.
Repito ”Sonia” como um parvo e pouso a revista à procura dum cigarro.
Tenho trinta e oito anos e vejo perfeitamente que tenho a vida numa merda. Lá em cima a tinta salta devagarinho. É só passar o dedo e são semanas inteiras no lixo. E até te vou dizer, um dia estava eu a ouvir falar da guerra do Golfo, viro-me e digo:
- Foi quando, a guerra do Golfo?


É neste estado que ficam as criaturas que só folheiam certas revistas.
Este é um pequeno excerto de um texto incluido no livro “Queria ter alguém à minha espera num sítio qualquer” de Anna Gavalda.
São doze excelentes novelas corrosivas mas com grande noção da existência humana. Personagens que se cruzam connosco a toda a hora, e personagens que somos nós próprios no confronto com a realidade, por vezes dura, que nos espera diariamente.

Cruzo-me com as pessoas. Observo-as. Pergunto-lhes a que horas se levantam de manhã, como é que vivem e qual é a sua sobremesa preferida, por exemplo. Depois penso nelas. Penso nelas o tempo todo. Revejo a sua face, as suas mãos e até a cor das suas meias. Penso nelas durante horas, anos mesmo e depois um dia, escrevo sobre elas.

Anna Gavalda recebeu o grande prémio RTL LIRE 2000.
A Dom Quixote edita Gavalda em Portugal. A não perder. Na minha opinião, claro. JTD

Despenalização de PP

De facto Pacheco Pereira remeteu para a frase de Júlio Machado Vaz a sua posição sobre o actual estado do debate sobre o aborto. Mas é injusto colocá-lo no lado dos moralistas hipócritas. PP esteve com o projecto apresentado pelo PS na última legislatura. A sua posição sobre o assunto é inequívoca. Não estou de acordo com o meu colega BN neste ponto. Mas não é assim a democracia? JTD

domingo, 21 de dezembro de 2003

Os livros de Marcelo

O comício de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, foi transmitido em directo de Celorico de Basto. O professor foi dar o seu nome à biblioteca local, que assim se chamará porque Marcelo é praticamente o único dador de livros. E eis que começa o desfile dos livros recomendados. Se os livros que recomenda são os que envia para Celorico, melhor seria que não os enviasse. Em semanas com lançamentos de livros deveras interessantes o homem consegue sugerir as maiores barbaridades impressas. Ou não os lê, ou, se lê, tem um gosto literário muito próximo da estética do código penal. 

Santana e o caminho das pedras

O Bloco de esquerda tem razão, minha querida amiga MV. Santana anda a fazer que faz. É certo que você tem razão quanto à denúncia. De facto mal se vê. Então lá vai uma para exemplo. Nunca a cidade de Lisboa esteve tão carecida de calceteiros. Por toda a baixa as pedras da calçada rolam livremente pelos passeios, como pedras soltas. Há buracos por todo o lado. Como o edil Santana é tão sensível às questões do social (leia-se socialite), proponho que contrate o famoso Tino de Rans para compor o chão da cidade. Assim ficávamos com a calçada reparada e haveria concerteza muita reportagem nas revistas e estações de TV. E Tino voltaria a exercer esta interessante profissão, que nunca deveria ter trocado pelas figuras ridículas por que enveredou. Quem é amigo, quem é? BN

E o aborto é para os abortos?

Pacheco Pereira voltou a lançar sabedoria no ecran. O professor que acha que a filosofia é para os filósofos, e não para os vendedores de castanhas. como defendeu na sua intervenção televisiva umas semanas atrás. Também deve achar que a poesia é para os poetas e a política para os políticos. Ou seja os produtores de cultura e os decisores trabalham uns para os outros. Ao cidadão comum, restam-lhe umas olhadelas pelos canais de televisão. Hoje, para comentar a situação das mulheres julgadas pela prática de aborto, declarando-se cicadão comum, convocou uma entrevista de Júlio Machado Vaz, onde este culpava os poderes políticos por terem falhado na questão da prevenção e educação sexual. Júlio Machado Vaz tem razão. Só que tem uma opinião muito mais completa, enquanto que Pacheco Pereira se agarrou a esta declaração para se esquivar a comentar este insolente julgamento. Será que o sexo é para sexólogos?
Meu caro Júlio, deve ter ficado encantado com tão esclarecido comentador. BN

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

A fazer que faz?!

(escatologia política ou agit-improp(ria) para consumo!)
 
Quem anda pela cidade leva com os cartazes do Bloco de Esquerda naquele registo clever-clever a que já nos habituaram. Se a memória me não falha dizem que Pedro Santana Lopes anda a fazer que faz. O trocadilho, trocadalho é juvenil, bem ao estilo dulcolax escatológico. Se Santana faz que faz, no mínimo tem prisão de ventre e, no limite, o que temos nós a ver com a vida realmente íntima do nosso edil? Na realidade, o que é secundário, ou seja, a graçola, tem honras de destaque, mas a verdadeira crítica, o motivo, a denúncia mal se lê, mal se percebe. Ora bolas! Ora nada! E quem não bem nada tem tendência a afogar-se.
Ai bloco, bloco que nestas matérias de comunicação com as massas, bloqueias-te todo. Pá. Ficas a fazer que fazes e a acção previsível do dulcolax prolonga-se até virar duracell e o bloco fica assim bloqueado. Coitado! MV

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Noite de paz...

TVs Hoje, depois de um prolongado jejum, resolvi espreitar a televisão. Ninguém é perfeito. Na 1 havia um debate sobre não sei o quê. Isto porque assim que vi o padre Vaz Pinto a botar faladura, zap, mudei logo de canal. Ainda há quem convide o padre Vaz Pinto para debates. Deve ser alguma facção anti-católica da TV. Mas foi bom. Ganhei com a mudança. Na SIC estava em plena actuação o grande praticante da Stand-Up comedy na nossa terra - Bruno Nogueira. O puto é do caraças. A graça que ele tem sem parecer dar por isso. As figuras-públicas-porque-sim, desfilam nas suas histórias como morcego na noite. É bom ver a nacional-parolada elevada à condição de divertimento. Mesmo que ele venha um dia dizer que faz-pouco deles porque os adora, como fez Herman José, a gente diverte-se na mesma. Um país patético, meu caro FM, precisa dos seus patetas. não é assim?
Um grande abraço, Bruno. BN

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

Cruzes canhoto

TVs Os amigos de Carlos Cruz fizeram-lhe uma Festa de Natal. Tudo bem. Amigo é amigo. Mas é preciso que seja o disparate a vingar sempre nestes encontros? Cruz contou uma história ao telefone. Uma história banal, sem muito que se lhe diga. O pior foi o final, quando sugere aos presentes, em tom de anedota, que não beijem a imagem do menino Jesus neste Natal, não vão estar jornalistas por perto, podendo ser acusados, desse modo, de pedófilia. João Braga, no seu estilo desbragado, recontou a história e revelou uma sua preocupação: A comunicação social comunica. Também Carlos do Carmo voltou a realçar o facto de estarmos perante figuras públicas. Já não há pachorra para este fadista deslumbrado. O disparate foi rei. vou repetir aquela do "até se provar o contrário, o arguido está inocente". é mais ou menos assim, não é? Mas uma coisa é certa, Carlos Cruz, estando preso pelo que está, deveria ter mais decoro nas anedotas. De mau gosto é culpado. Quanto aos fadistas, abram a boca para o fado e deixem a comunicação para os jornalistas. Não gostam tanto de ser figuras públicas? então aguentem a bronca. JJC

domingo, 14 de dezembro de 2003

O Rei Mendigo

Outubro brilhava no parque. Eu estava sentado muito quieto, debaixo do sol, procurando prestar atenção às pequenas mudanças. Lula sorria na primeira página dos jornais. Lembrei-me dele antes de ter mandado alisar a barba e o cabelo, antes de ter suavizado a voz e as maneiras, e da justa ira com que atacava a burguesia. Os jornais também falavam na iminênciade de uma guerra. No “Titanic”, o filme, percebe-se em meio ao caos, enquanto o navio se afunda num rápido estertor, que um dos passageiros usa no pulso um moderno relógio digital. A mim, ali no parque, aquela expressão, “iminência de uma guerra”, sugeria uma incoerência do mesmo tipo. Foi então que me sobressaltou um alvoroço de asas. Ergui os olhos e vi um bando de pombos desorganizando o azul puríssimo do céu. Alguma coisa os assustara. Olhei mais atentamente e reparei que em meio às aves esbracejava um brinquedo mecânico. O estorpício soltou-se do bando, num ímpeto, e veio mansamente pousar-me aos pés. Agarrei nele. Era uma águia de plástico. A seguir surgiu um mendigo. Um sujeito de pele encardida, a cabeleira repartida em grossas tranças, comprida barba enovelada. Vinha muito direito. Muito seguro dos seus andrajos. Sentou-se ao meu lado, tirou-me o brinquedo das mãos e só então se apresentou:
“Boa tarde. Eu sou o Rei do Parque.”


Assim começa um dos contos incluidos no livro Catálogo de Sombras de José Eduardo Agualusa.
São dezoito belíssimas histórias, estas histórias que a Dom Quixote editou.
Agualusa é um escritor que merece a nossa visita frequente.
Não o perca de vista.

É também cronista, na Pública do Público. Aos domingos convida-nos a franquear as suas Fronteiras perdidas. Aqui vai um excerto da excelente história de hoje - Almas em trânsito

Sentou-se à mesa da cozinha e terminou de beber o café. Acendeu um cigarro, enquanto os seus olhos tropeçavam no aviso: “O tabaco mata”. Qualquer dia, pensou com desgosto, colocam ameaças semelhantes nas xícaras de café ou nas garrafas de vinho. A seguir cairão sobre os pastéis de Belém e os ovos moles de Aveiro-”o açucar pode causar impotência”-, e depois, porque parar?, chegará a vez do leitão da Bairrada. Ele vinha de longe, de um tempo em que os banhos de sol, em praias de águas límpidas, eram ainda um prazer sem restrições. Agora são um perigo. Nunca foi tão perigoso viver. Deviam, isso sim, colocar avisos (para os nascituros) nas salas de parto: “Cuidado, malta, viver envelhece. A longo prazo, inclusive, pode conduzir à morte”.

José Eduardo Agualusa. Grande autor da língua portuguesa. Leia-o, ele merece. E você também. JTD

sábado, 13 de dezembro de 2003

Reforços precisam-se

José Pacheco Pereira precisa de reforços na sua cruzada contra a hipótese de Santana Lopes em Belém.
Quem nos alerta para tal descuido é Luis Delgado, no DN de sexta-feira. JPP dirige uma campanha isolada, diz ele.
Como é possível que ninguém se tenha apercebido de tal evidência?
Será que alguém está interessado em assistir aos lançamentos dos livros de Carlos Castro na casa cor de rosa?
Ou à promoção da "pintora" Rita Caneças nas paredes do palácio?
Ou a festas em homenagem a sua mãe e outros pindéricos socialites?
O que me faz falar assim é a inveja. Não é José Castelo Branco?
Perante tão nefasto panorama, vamos deixar JPP sozinho em casa, exercitando o seu espelho electrónico, escrevendo crónicas, emitindo opiniões televisivas para o vazio?
Obrigado Luis Delgado. O seu alerta acordou-nos.
A partir de agora, novas vozes se juntarão ao arauto JPP. Tenho a certeza.
Também Eduardo Prado Coelho foi contemplado pelo teclado de Luis Delgado. Meu caro EPC, então continua a duvidar das prestimosas intenções de Bush no Iraque? Parece impossível. Não vê que numa próxima reeleição do actual presidente americano, poderemos deliciar-nos com as francas opiniões de Luis, mas já como porta voz do governo? O americano, claro. BN

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

Cavalos de Tróia

E que cavalões. Azevedo e Amorim afinal não são rivais, isso foi a imprensa que inventou, diz Amorim. Tudo está resolvido. Tróia tem futuro. Casino, dinheiro a rodos, putas finas, labregos com gravatas coloridas, plumas espapanantes, maminhas ao léu, saltos altos, pensamentos baixos. Sim senhor, agora é que vai ser. Ora retoma lá esta, que assim é que se recuperam economias e o país anda p'rá frente. Quem não tem dinheiro fique em casa. A Natureza é do mundo e o mundo é dos ricos. Mas para se ser rico é preciso ser assim? Afinal já não quero! JJC

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Chic, not geek (again)

Apple, Julho de 2003



IBM, Dezembro de 2003




Dr. Estranho-Humor

Review: Criação 1.0 Beginning-of-Time Edition

A Criação tem bugs como o raio. Seguindo a sugestão de JPP na sua Eucaristia Dominical na SIC, passei os olhos pelo livro A Bíblia em Citações, e eis que identifico de imediato um grande bug. Um enorme bug relacionado com o momento da Criação. Assim como um Big Bug que a tudo dá origem.
Passo a descrever: Deus cria tudo e mais não sei quê em 6 dias ou lá o que é (sim, é aqui que o leitor percebe que não li nada o livro, apenas o usei como justificação para me dedicar a este assunto). A seguir, Deus cria/coloca (?) uns arcanjos a tomar conta da Terra. Aqui interrompo para mencionar que talvez não seja um bug mas pelo menos é má programação: então não havia nada, Ele cria a Terra e depois vai-se embora para onde? É que se deixa um arcanjo a cuidar da Terra é porque ele, perdão, Ele foi algures, onde não podia tomar conta da Terra, logo a) Ele não é omnipresente e b) Ele criou qualquer outro sítio (provavelmente melhor que este, senão não abandonaria este, ainda que por momentos) onde teve de ir e do qual não podia utilizar a sua, perdão, Sua capacidade cognitiva omnipresente.
Embora este momento do filme da Criação seja um pouco complexo e de difícil compreensão, vou fingir que faz sentido e sigo em frente...

Momento seguinte: Há um arcanjo que fica a tomar conta da Terra. Os arcanjos são assim como que uns anjos melhores. Uns anjos que andam cá há mais tempo (se ainda há 6 dias atrás era tudo trevas, escuro como o breu, porque raio era precisa uma hierarquia tão complexa de ajudantes?). Este arcanjo recebe como missão tomar conta da Terra (!). Para quê tomar conta da Terra se não havia ainda o Mal? O que podia acontecer à Terra e ao Homem se o Mal ainda não tinha aparecido???

Depois de ter assistido à criação do Homem por Deus, o arcanjo encarregado pela Terra e ciumento(!) por Deus ter dado ao Homem algo que os anjos não tinham (o livre-arbítrio), escolhe(!) tornar-se mau e corromper o Homem... Ajudem-me lá nisto, mas como é que alguém que não tem a capacidade de escolher ESCOLHE fazer algo? Se Deus criou os anjos (ou arcanjos ou lá o que é que até eu já estou perdido no meu raciocínio!) sem essa capacidade, como é que um deles a adquire? Só se esse anjo for omnipotente é que conseguiria criar algo que não lhe foi dado pelo seu próprio Criador. Mas, para além desta baralhada toda, como é que o arcanjo em questão - que virá a ser o Criador do Mal - cria o Mal? Como pode ele sentir um dos pecados mortais - a vaidade - antes de existir o Mal? Como é que ele resolve trair o seu Criador antes de haver a inveja, a ambição, a sevícia?!... Para além disto e para confundir ainda mais, como é que Deus pode ter dado o livre-arbítrio ao Homem antes de haver escolha? Não é a escolha o fruto da avaliação que individualmente fazemos do consideramos bem e mal? Que opção há num mundo sem... huh... opções?!

CONCLUSÃO: A Criação, pelo menos esta versão, é um flop cheio de bugs. Demora a instalar, é pesada e não funciona como devia. O interface é foleiro e pouco intuitivo. Para estragar ainda mais as coisas, esta versão demora demasiado tempo para salvar!

Pontuação Final: 1 / 5

Dr. Estranho-Humor

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

O riso do prof. Marcelo
Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era.

«O!, that a man might know
The end of this day's business, ere it come;
But it suficeth that the day will end,
And then the end is known.»
[Shakespeare, no Júlio César]

Francisco José Viegas Aviz.

sábado, 6 de dezembro de 2003

OS SINAIS DA RETOMA | Manuela Ferreira Leite cobriu o défice da Madeira.
Os GNR’s que pediam uns trocos nas estradas voltaram ao activo.
Os assessores de Paulo Portas ganham seis mil euros por mês. Daniel Oliveira Barnabé