quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Já é oficial


Vamos estar dignamente representados na Casa Branca.

Competências

Vamos lá a ver: os polícias de serviço à feira do livro de Braga não serão propriamente homens de grande cultura. Mas a euforia esclarecida de jornalistas e deputados roça a estupidez pura. Até já há quem queira ouvir o Ministério da Administração Interna sobre o assunto. Tenham dó. Começo a simpatizar com os pobres dos polícias. Sim, porque usar um quadro a que Courbet chamou "A Origem do Mundo" para ilustrar a capa de um livro com o título de "Pornocracia" - e que, parece, não tem nada a ver - não é lá grande demonstração de competência - nem estética, nem editorial.
Faz falta responsabilidade. Responsabilidade e juizo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Não há morte nem princípio*


Parece que Jade Goody é a sensação do momento na imprensa britânica. Obteve uma condecoração de dificil alcance, ganhou um concurso ou salvou alguém da morte? Não, limitou-se a negociar o seu próprio fim como forma de garantir algum conforto aos filhos. Esta mulher de 27 anos amassou e comeu o pão do diabo. Para tentar a fama alistou-se no Big Brother, o programa televisivo. Uma vida privada das mais elementares regras de convivência levou-a a que exibisse a intimidade, no concurso inglês, e que proferisse insultos racistas, em outra prestação do concurso, na Índia. Nada tinha e não sabia como lidar com o que lhe foi chegando às mãos. Um cancro fatal traiu-a. Não lhe resta mais nada. Só a inevitável morte. Vai vendê-la.
Os poderosos dos meios de comunicação fizeram o negócio. Eles sabem que há um público que adora espreitar as desgraças dos outros.
É triste. É lixado.
* Este título já foi impresso na capa de um livro de Mário Dionísio. Achei que ficava aqui bem. Não?!

O design lava os olhos e a alma

A Fátima Rolo Duarte é a dona do f world. Vive em Bruxelas. É lá que vai animando um dos mais bonitos e inteligentes blogues que conheço. A Fátima escreve muito bem e também ilustra e faz grafismos de se lhe tirar o chapéu. Agora fez-me isto, que aceito como prenda de aniversário por mais um ano da DDLX. Esta postagem é o meu obrigado. E é também a maneira de dizer que gosto muito dela e tenho saudades.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gustave Courbet 1819 - 1877


Isto sim é surpreendente. Um milícia de serviço a uma feira de livros manuseados, em Braga, resolveu apreender todos os exemplares de uma publicação que exibe o quadro mais famoso de Courbet na capa. É pornografia, dizem as criaturas. Pornográficas são estas zelosas atitudes que vêem obscenidade em tudo o que excede uma bisonha visão do mundo. Depois da magistrada de Torres, os polícias de Braga. Já não se esperam atitudes destas. Só espero que circunspectos funcionários não me entrem pelo blogue dentro e me obriguem a esconder a imagem que abre este desabafo.

Milk

A entrega das estatuetas douradas já não me tira um minuto de sono. Dos filmes que por lá se candidatam nem todos estão na minha lista de preferências. Claro que há alguns que sim. E entre esses até se inclui a fita protagonizada por Sean Penn. Mas estas cerimónias são um chorrilho de salamaleques a raiar a parvoíce. Não posso estar mais do lado do José Simões quando alude a esses enleios. Aí vai o texto dele no der terrorist:

Parece que anda tudo embevecido com o discurso de Sean Penn na noite dos Óscares. Direito dos homossexuais ao casamento e shame on you e os vossos netos e a história os julgará e por aí. Não me comoveu nem impressionou absolutamente nada. Coragem; qual coragem?! Soou-me a Hollywood. Sean Penn disse o que “era preciso dizer”.

A conclusão convoca a ironia.

Eu cá, mais céptico em relação a discursos da treta em cerimónias de plástico, vou ficar a aguardar pela próxima mostra das vaidades no Kodak Theatre, onde Sean Penn, pela certa, vai fazer um vigoroso discurso a condenar a violência familiar e a violência sobre as mulheres.

Bragaparques por um canudo

O crime não compensa?! Ai não que não compensa. 
Pelo menos não descompensa muito.

Carnavais

O Carnaval de Torres Vedras foi este ano contemplado com uma poderosa operação de marketing. Grande reboliço se instalou à volta de um objecto de fruição carnavalesca. O presidente da Câmara abriu os jornais televisivos como se de um político de primeira página se tratasse. Muito gostam certos autarcas destas palhaçadas. Manuela Moura Guedes, uma foliona sempre pronta a entrar na pista, ficou eufórica com tanta folia. A coisa foi "tratada jornalisticamente" na imprensa de referência. Tudo por causa de uma leviandade de uma Magistrada do Ministério Público local. A alarvidade e o puritanismo tocam-se. Quando tal acontece é a alarvidade que vence.
Hoje acabam as festividades. Os foliões lavam a cara e guardam os andrajos.
Não se pode viver sempre em festa, não é?
Tudo é efémero. Uma pena.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Lagoa Henriques


Lagoa Henriques morreu.
Uma vida inteira a ensinar-nos a olhar e a ver melhor.
Muito obrigado, mestre Lagoa.

Voz dos pacientes





Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

Agradeço a simpatia comunicada por e-mail, sms e telefone, pelos pacientes que quiseram estar comigo na festa dos 5 anos da DDLX.
Aos outros, sempre anónimos, sempre insultuosos e praticantes do comentário torpe, não lhes tenciono conferir a mínima atenção. A cobardia do anonimato não merece respostas. E falar para o boneco não é desporto que se recomende. Felizmente são poucos, os idiotas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.


Conversas no veterinário - Cada ida ao veterinário é um sacrifício. Não tanto pelo eterno festival que é enfiar os gatos dentro do transportador, nem pela factura directamente remetida para o cesto dos papéis, mas pelo suplício sempre renovado das conversas na sala de espera. A médica veterinária é uma espécie de S. Francisco de Assis aqui da zona, em versão cabelo solto e comprido e veículo todo-o-terreno. Para lá convergem as mais diversas raças de bichos e de gente, desde velhos solitários que fazem malabarismos com as pensões para dar mais qualidade de vida aos seus “animais de companhia” (porque é mesmo disso que se trata), até representantes de famílias numerosas que aproveitam a descontracção do momento para uma exibição gratuita de status. Começam por perguntar o nome do bicho a quem reconhecem um pedigree semelhante e dali a nada já estão nas quintas do Alentejo, na caça à lebre, nas viagens à Patagónia, nos netos que andam no Liceu Francês, na receita de empada de perdiz e sei lá que mais. Às vezes, o desconforto na sala é tão grande que algumas pessoas só não ladram por boa educação. Acho bem que cada um aproveite a vida que tem, mas em lugares públicos deve haver algum pudor na manifestação das desgraças e – vai dar ao mesmo – da prosperidade. E depois, convenhamos que nem toda a gente tem interesse em saber que aquela podenga anã de pêlo cerdoso tem antepassados desde o tempo do D. Afonso Henriques.
Carla Maia de Almeida O JARDIM ASSOMBRADO


Renovação de médicos - Concordo com o Presidente da República quanto à necessidade de renovar as gerações de médicos. Só tenho pena é que durante os seus governos ele não a tenha sentido.
Talvez nessa altura tivesse sido mais importante a sua preocupação e planeamento estratégico, visão a longo prazo, ou outras expressões semelhantes. Agora vem um bocadinho extemporânea, ou mesmo atrasada...
Sofia Loureiro dos Santos DEFENDER O QUADRADO


Não se faz - O episódio do carnaval de Torres Vedras tresanda por todos os lados. O indivíduo que fez a queixa, a procuradora que actuou sem primeiro ver o objecto do crime (diz ela que se «baseou numa fotografia desfocada»; olha se alguém se lembra de fazer o mesmo com um assassinato encenado...), a insistência no computador Magalhães. Mas a pérola estava reservada para hoje: no Público, a jornalista Romana Borja Santos conclui a reportagem dizendo que «Até ao fecho desta edição não foi possível contactar o Ministério da Educação.» O Ministério da Educação? Então e o Obama?
Eduardo Pitta DA LITERATURA

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Receituário


Às sextas-feiras, sons com nome de gente.

Boa representação. Bom timbre de vozes. Encenação bem enquadrada na contemporaneidade. O minimalismo dos cenários merece nota máxima. Segundo Jorge Calado, no Expresso, "temos uma das mais felizes realizações da Bohème em São Carlos nos últimos 35 anos". E quem sou eu para desmentir o crítico musical?! Fico já calado.
Não percam, se puderem. Ainda há mais duas representações: hoje e domingo.

Giacomo Puccini
La Bohème| Teatro Nacional de São Carlos
Direcção Musical Julia Jones
Encenação Peter Konwitschny
Cenografia e figurinos Johannes Leiacker
desenho de luz Steffen Boettcher

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cinco anos


A DDLX completa hoje cinco anos de existência.
Parabéns aceites. Obrigado. E agora vamos voltar ao trabalho.
Até já. Sempre.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Águas quentes e frias



Agora tudo tem de virar guardião da memória só porque uma ranchada de gente passou uns bons momentos em sítios onde foi feita a história das suas vidinhas? O fim do Tribunal da Boa-Hora vai anular alguma coisa no sistema de justiça? Não, pelo contrário vão ser criadas alternativas mais eficazes. Aquele lugar, onde tanta gente foi feliz no exercício da sua profissão, tem todas as condições para o que é proposto. Não concordo com Mário Soares. Uma "pouca vergonha" é manter tudo como está. Um hotel de qualidade não incomoda nada. Até dá colorido ao lugar. Venha ele.

É a realidade, estúpido!

Ainda ontem puxei para aqui um texto da minha amiga Fernanda Câncio que aflorava a pouca percepção da realidade por parte dos irreais evangélicos baptistas, e eis que surge agora o cardeal Saraiva, líder dos católicos, em igual dose de alheação. Os homossexuais não são pessoas normais. Disse-o com todas as letras.
Não percebo a onda de indignação que as associações ofendidas desencadeiam. Deixem-nos. Pelo menos assim, quando são sinceros e revelam o que realmente pensam, percebemos tudo muito melhor. Pior é a hipocrisia.
Assim até dá para entender onde está de facto a anormalidade.

Receituário


não significar

nos desenhos de Luis Silveirinha a natureza dissolve os seus elementos, a geometria nega os seus princípios, a realidade duplica-se sobre eixos indiferenciados, a imagem perde equilíbrio e nitidez.

nos desenhos de Luis Silveirinha devemos entender "não significar" como algo diferente de insignificante. devemos usar "não significar" como sinómino de um significado que se recusa; no sentido em que a uma coisa tomada por evidente toda a evidência é negada.

há um princípio dominante: a água. a água impregna as matérias de representação, arrasta-as para além dos limites do realismo na representação figurativa. a água conduz a imagem aos limites do que "não significa". e perguntamos: do que ainda não significa? ou do que já não significa? como se o informe pudesse estar para aquém ou para além de alguma fronteira e não fosse um interior sem exterior.
joão pinharanda

O rasto invisível da pausa
LUÍS SILVEIRINHA
Curadoria de João Pinharanda

Alecrim 50 - Arte Moderna e Contemporânea | Rua do Alecrim, 48/50, Lisboa

Inaugura hoje, às 19 horas
Até 21 de Março de 2009

2ª a 6ª: das 11h às 19h
Sábado: das 11h às 13h30 e das 16h às 19h

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Galo no poleiro


Aqui o rapaz da boina vermelha tem-se em muito boa conta e não imagina mais ninguém a governar o seu país. Depois da derrota num primeiro referendo, resolveu promover outro - de referendo em referendo até à vitória final, é o lema. Na campanha de convencimento dos cidadãos tudo vale. Até o galo de Barcelos foi chamado à colação para mentir às gentes da Venezuela. Cacareja o galináceo, nos cartazes de propaganda, que em Portugal as candidaturas aos mandatos são ilimitadas. Por todo o lado, em subtilezas subliminares, a palavra "sim" inunda o ar e impregna os sentidos. A mentira e o embuste ao serviço de um regime que sabe que as ditaduras já não podem ser o que eram. Agora também vão a votos.

Receituário


Informações:
Museu Nacional do Azulejo
Rua da Madre de Deus, 4
1900-312 Lisboa
Tel: 218 100 340
e-mail:
mnazulejo.se@ipmuseus.pt

www.mnazulejo-ipmuseus.pt/